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SIGNIFICÂNCIA PROTEICA E BIOENERGÉTICA NA REPRODUÇÃO DE FÊMEAS BOVINAS DE CORTE DESTINADAS À PRODUÇÃO: REVISÃO DE LITERATURA Eixo Temático: Medicina Veterinária Thawan Lopes Azeredo Silva Graduando em Zootecnia pela Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro UENF-RJ, 20201300116@pq.uenf.br Maria Raquel Silva Pós-Graduada em Ciências Veterinárias, FACUMINAS-MG, quelluzz69@gmail.com Heberth Gustavo Ferreira Alves Graduando em Zootecnia, Universidade Federal de Alagoas -CECA/UFAL - Rio Largo – AL, heberth-zootecnia@outlook.com Kelly Raiane Alves Sampaio Graduanda em Medicina Veterinária pela Faculdade Integrada do Carajás- PA, kellyraianealvessampaio@gmail.com Maria Fernanda Ferreira de Queiroz Graduanda em Medicina Veterinária- Afya-São Lucas, fefezeira2018@hotmail.com Ana Beatriz Ribeiro Silva Graduada em Zootecnia, Instituto Federal do Maranhão -IFMA-MA, abearsilva@gmail.com Roberto Rafael de Queiroz Pereira Rodrigues Graduado em Medicina Veterinária, UFRA-PA, rafaqpr@gmail.com David Weslley Moreira Sampaio Graduando em Medicina Veterinária, Universidade da Amazônia-Unama-PA, davidsampaiomedvet@gmail.com Bruna Monte Ciriaco Graduanda em Medicina Veterinária, Escola Superior Batista do Amazonas – ESBAM, brunamciriaco@gmail.com Cleber Souza de Oliveira (Orientador) Doutorando pela Universidade Federal de Minas Gerais- UFMG-MG, clebersouza2135@gmail.com RESUMO A nutrição compõe um dos pilares da produção animal. Unida à sanidade e ao manejo que visa o bem-estar animal, e ao melhoramento genético é possível aproveitar o máximo potencial produtivo de um rebanho. Nesta revisão foram analisados dois estudos atentos as ofertas nutricionais no pré e pós-parto. No primeiro, foram observados que lotes alimentados com altos níveis nutricionais no pré-parto e/ou pós-parto apresentaram escore de condição corporal em torno de 6 e 7 (escala de 1 a 9) ao pós-parto, exibiram aproximadamente 90% de cio aos 90 dias pós-parto, intervalo de 45 dias entre parto e primeiro cio, e 36 dias para involução uterina. Já no segundo estudo, as vacas magras e de menor escore corporal ao pré-parto apresentaram menores perdas de peso e ECC ao pós-parto em relação às gordas, além de menores intervalos entre parto-primeiro cio (35 e 39 dias, respectivamente) e parto-concepção (89 e 98 dias, respectivamente) e taxas de serviço/concepção (1,9 e 2,4%, respectivamente). É inegável que estes nutrientes são essenciais para a fisiologia reprodutiva, contudo o consumo excessivo de energia pode reduzir as manifestações de cios, predispondo a cistos e alterações na fertilidade da matriz, devido ao desequilíbrio insulina-glucagon ocasionados pela elevada concentração de estrógenos pelo sistema hepático; o excesso de proteínas eleva a circulação de amônia na corrente sanguínea, reduzindo a secreção de hormônios como a progesterona, interferindo no desenvolvimento e qualidade embrionária, ou até mesmo provocar perdas embrionárias. O adequado é ofertar uma dieta balanceada de acordo com o ECC e a categoria da fêmea bovina. Palavras-chave: produção; ingestão; ovulação; estrogênio; propionato. 1. INTRODUÇÃO A nutrição compõe um dos pilares da produção animal. Unida a sanidade, ao manejo dedicado ao bem-estar animal e ao melhoramento genético, é possível aproveitar o máximo potencial produtivo de um rebanho, produzindo mais arrobas em menos espaço (JÚNIOR et al., 2016). Segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (ABIEC), o Brasil exportou em 2023 cerca de 2.290.504 toneladas de carne bovina (US$ 10.548.806,58), equivalente a R$52.480.312,74, em que 87,57% são produtos in natura sendo os cinco principais estados exportadores São Paulo (SP), Mato Grosso (MT), Goiás (GO), Rondônia (RO) e Minas Gerais (MG), que exportaram para China, Estados Unidos, Hong Kong, Chile e Emirados Árabes Unidos, respectivamente. A agropecuária contribuiu com 15,1% no PIB brasileiro em 2023, evidenciando a importância econômica do setor agropecuário para o país (ABIEC, 2023). A nutrição desempenha papel fundamental para o funcionamento adequado de qualquer organismo animal. A reprodução é a última lacuna a ser suprida e a primeira a ser inativada quando houver um desequilíbrio nutricional nas demandas sistêmicas que a precedem: manutenção, crescimento, reserva energética básica (hepática), gestação e lactação, e reserva adicional de energia (deposição adipocitária), respectivamente (DIAS et al., 2010). Na relação nutrição e reprodução, existem fatores extrínsecos como clima, qualidade nutricional e oferta de água, presença de endo e ecto parasitas, forma de manejo, se estressante ou calmo, condição de escore corporal; e intrínsecos como o balanço energético, potencial genético e a síntese de hormônios reguladores do eixo hipotalâmico-hipofisário (BRUNES et al., 2022). O consumo adequado de concentrados com altos teores de carboidratos e proteínas induzem ao bom desempenho da microbiota ruminal. A fermentação produz ácidos graxos voláteis (AGVs) que disponibilizam nutrientes e são excelentes fontes de amido, principalmente os de cadeia curta, como o propionato e butirato (JÚNIOR et al., 2016). O ácido propiônico, precursor de glicose, aumenta o metabolismo energético e plasmático, as concentrações de insulina e fatores de crescimento, realiza biossíntese com a galactose para a obtenção de lactose (FONTANELI, 2001). A insulina, IGF-1, glicose estimulam o crescimento folicular, produção de hormônios esteroides e ovulação; com a enzima leptina, oriunda dos adipócitos, regulam a síntese de GnRH no hipotálamo, estimulam a hipófise anterior a secretar hormônios folículo-estimulantes (FSH) e hormônios luteinizantes (LH), no centro tônico (SARTORI e GUARDIEIRO, 2010). O FSH, nos ovários, induz a foliculogênese e a produção de estrogênio (E2) no antro folicular e na corrente sanguínea, proporcionando feedback positivo à glândula pituitária para liberação de LH. Quanto maior a concentração de energia consumida, maiores serão as frequências e amplitudes dos pulsos de LH, a concentração de estrogênio no antro folicular, o diâmetro do folículo dominante e do corpo lúteo (CL) após a ovulação (SARTORI e GUARDIEIRO, 2010). Quanto maior o diâmetro do CL, maior a secreção de progesterona (P4), aumentando as taxas de concepção (CHAVES et al., 2011). No trimestre final da gestação e no inicial ao pós-parto, as fêmeas são suscetíveis ao balanço energético negativo (BEN) pela alta demanda energética da lactação. Uma vaca em BEN apresentará queda no escore corporal e entrará em anestro, pois os nutrientes serão direcionados para a produção de lactose. Tal circunstância amplia o intervalo entre os nascimentos (Parra e Beltran, 2008), reduz o número de descendentes na vida reprodutiva da vaca (ALMEIDA et al., 2007). Palhano (2008) também destaca que vacas em boas condições corporais (3 a 4) apresentam maior número de ovócitos normais em comparação com vacas muito magras (1 a 2). Em outro extremo, o mesmo autor também observa que vacas obesas apresentam repetições frequentes de cio, pois a composição dos adipócitos peri-ovarianos impede que o ovócito seja capturado pelas tubas uterinas, além de aumentar as chances de cetose (CARDOSO et al., 2017). Maffi (2018) complementa esta afirmação, apresentando que a deficiência de energia e proteína bruta podem provocar abortos, natimortos e bezerros debilitados; anestro e redução dos sinais de estro; baixa concepção e mortalidade embrionária precoce; distócia e complicações uterinas; puberdade e maturidade sexual; distócias e complicações uterinas, distúrbios metabólicos. De outro extremo, o excesso de energia aumenta a metabolização hepática de hormônios, reduzindo as manifestações de cio e predispondo a cistos, já o consumo excessivo de proteínas elevam a circulação de amônia na corrente sanguínea, provocando perdas embrionárias e também presença de cistos (SUGIURA et al., 2005). Altas concentrações de ácidos graxos não esterificados reduzem a proliferação in vitro de células da granulosa,atrasando a maturação dos ovócitos e prejudicando a produção de blastocistos; o estresse celular causado pela aceleração do metabolismo embrionário também pode inibir o crescimento e o metabolismo das células da granulosa que sustentam o ovócito (ALMEIDA et al., 2007). A finalidade desta revisão é abordar os efeitos que as proteínas e fontes de energia exercem na fisiologia reprodutiva das fêmeas bovinas de corte, apresentar a importância de conhecer as consequências do excesso e deficiência destes nutrientes para a saúde das mesmas e o impacto na produção animal. 2. METODOLOGIA Buscas em livros físicos relacionados a reprodução bovina, e no índice remissivo pelos Descritores: “Produção”, “Ingestão”, “Ovulação”, “Estrogênio” e “Propionato”. disponibilizados na Biblioteca Virtual de Saúde (BVS), pesquisa por artigos científicos disponíveis nas plataformas acadêmicas: CAPES, Google Acadêmico e Scielo; além de revistas on-line como PUBVET, Revista Brasileira de Zootecnia, Revista Brasileira de Nutrição, Revista NutriTime, e livros com temas como “proteína e reprodução bovina”, “ácido propiônico como precursor de glicose em ruminantes”, “nutrição animal e produção de hormônios reprodutivos”. Após a etapa de escolha dos trabalhos, e exclusão foram selecionados 19 trabalhos que foram resumidos conforme o tema, e porfim, restaram 16 fontes para a composição do estudo. 3. RESULTADOS E DISCUSSÃO Conforme a tabela de Palhano (2008), Verificam-se 03 grupos, em que o primeiro lote é alimentado com altos níveis nutricionais no pré e pós-parto (não foram demonstrados valores); o segundo lote com alto nível nutricional pré-parto e baixo pós-parto e o terceiro lote com baixo nível nutricional pré-parto e alto pós-parto, para avaliar o ECC ao nascer, o percentual de manifestação de estro até os 90 dias pós-parto, o intervalo entre o nascimento e o parto, primeiro cio e involução uterina. O primeiro lote apresentou CEC de 6,8, onde 95% apresentaram cio até 48 dias do nascimento - primeiro cio e involução uterina em até 35 dias; o segundo lote apresentou CEC de 6,5, em que 86% apresentaram cio até 43 dias após o primeiro cio, com involução uterina durante 38 dias; o terceiro lote apresentou nota 4,4, 85% de manifestação de cio, com 65 dias de nascimento-primeiro cio e 40 dias de involução uterina (tabela 1). Tabela 1: Efeito do nível de alimentação pré e pós-parto sobre a atividade reprodutiva em bovinos. Nível de alimentação Condição Corporal (1 ao 9) Vacas exibindo cio (%) Intervalos (Apenas para as que apresentaram cio 90 dias pós parto) Pré-parto Pós-parto Ao parto >90 dias pós- parto Parto – 1° cio Parto – involução uterina (dias) Alto Alto 6,8 95 48 35 Alto Baixo 6,5 86 43 38 Baixo Alto 4,4 85 65 40 Baixo Baixo 4,5 22 52 42 Tabela reproduzida de Palhano (2008), cap. 10. P. 191. Em experimento mencionados por Parra e Beltran (2008), observaram que fêmeas com ECC ao parto igual a 6 apresentavam taxas de serviço equivalentes a 98%, em comparação àquelas com ECC igual ou superior a 4,5 (62,88%). Ambas apresentaram cio 80 dias pós-parto. A conclusão que os dois estudos permitem é que o ECC ideal ao pós-parto, na escala de 1 a 9, para melhor desempenho reprodutivo está entre 6 e 7. Segundo Maffi (2018), também compararam o peso corporal e o ECC ao pré-parto e pós-parto de vacas magras e gordas (tabela 2); o intervalo entre parto ao 1º cio, parto à concepção e taxa de serviço e concepção (tabela 2.1). Os mesmos autores também compararam a ingestão de matéria seca (IGM) por dez dias no pós parto. As vacas magras consumiram em média 1,9 kg/dia, enquanto as gordas consumiram 1,7kg/dia. Tabela 2: Comparação de pesos e ECCs ao pré e pós-parto entre vacas magras e gordas. Parâmetros Magra Gorda Pré-parto Peso Corporal 590 635 ECC (1-5) 2,82 3,93 Pós-parto Perda de peso 27 48 Perda de ECC 0,52 1,20 Tabela reproduzida de Maffi, 2018. Tabela 2.1: Comparação dos intervalos entre parto ao 1º cio, parto à concepção e taxa de serviço e concepção. Parâmetros Magra Gorda Intervalo parto - 1° cio (dias) 35 39 Intervalo parto – concepção (dias) 89 98 Serviço / concepção (%) 1,9 2,4 Tabela reproduzida de Maffi, 2018. Concluiu-se que as vacas magras e de baixo escore corporal ao pré-parto apresentaram menores perdas de peso e ECC ao pós-parto em relação às gordas, além de menores intervalos entre parto-primeiro cio e parto-concepção. O manejo nutricional no período pré-parto exerce influência direta na eficiência reprodutiva de fêmeas ruminantes. Fêmeas alimentadas com energia balanceada apresentam a primeira ovulação, em média, aos 40 dias pós-parto, enquanto aquelas submetidas a dietas com maior aporte energético ovulam aos 60 dias (DE MORAES FERREIRA e TORRES, 1993). Essa diferença ocorre devido ao aumento da ingestão de matéria seca e energia, que intensifica a passagem de estrógenos pelo fígado, reduzindo seus níveis circulantes. Além disso, o desequilíbrio entre insulina e glucagon, resultante do excesso energético, prejudica o ambiente metabólico necessário para o desenvolvimento embrionário saudável. Essas alterações comprometem a qualidade dos embriões e a fertilidade, refletindo em menores taxas de concepção. O excesso de energia na dieta também pode desencadear condições como o aumento do acúmulo lipídico e distúrbios metabólicos. Assim, oferecer dietas balanceadas no pré-parto é crucial para otimizar a saúde reprodutiva e maximizar a produtividade das fêmeas (JÚNIOR et al., 2016). O mesmo pode ser aplicado ao excesso de proteínas. Os aminoácidos formadores de proteínas contêm em suas cadeias moléculas de nitrogênio (N). O excesso de N na microbiota ruminal, provocará alcalinização do pH, formação de amônia e ureia, as quais alterarão o pH uterino, reduzindo a secreção de progesterona (P4) e o desenvolvimento e qualidade de embriões (EURELL e FRAPPIER, 2012). 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS A condição corporal e o manejo nutricional das vacas de corte são determinantes para a eficiência reprodutiva, principalmente no período pré e pós-parto. Vacas magras e com baixo escore corporal no pré-parto apresentam menores perdas de peso e escore corporal no pós-parto em comparação às mais gordas. Isso reflete em menores intervalos entre parto-primeiro cio e parto-concepção, otimizando a fertilidade do rebanho. Fêmeas alimentadas com energia balanceada no pré-parto ovulam, em média, aos 40 dias pós-parto, enquanto aquelas submetidas a uma dieta com maior aporte energético apresentam primeira ovulação apenas aos 60 dias. Esse efeito é atribuído ao aumento da ingestão de matéria seca e energia, que intensifica a passagem de estrógenos pelo fígado e altera a relação entre insulina e glucagon. Essas mudanças comprometem a qualidade embrionária e, consequentemente, a fertilidade. Além do excesso de energia, níveis elevados de proteína na dieta também prejudicam a reprodução. Aminoácidos, essenciais para a formação proteica, contêm nitrogênio (N) em suas estruturas. O excesso de Nitrogênio no rúmen leva à alcalinização do pH e à produção excessiva de amônia e ureia, impactando negativamente o ambiente uterino. Essas alterações reduzem a secreção de progesterona (P4), um hormônio crucial para a manutenção da gestação, e comprometem o desenvolvimento embrionário, diminuindo as taxas de concepção. Portanto, o equilíbrio nutricional é fundamental para o desempenho reprodutivo de fêmeas ruminantes. Dietas balanceadas em energia e proteína garantem condições fisiológicas ideais para a ovulação precoce, desenvolvimento embrionário saudável e redução de falhas reprodutivas. Ajustes adequados na alimentação, especialmente no pré-parto, são estratégias essenciais para maximizar a eficiência produtiva e reprodutiva do rebanho. REFERÊNCIAS ABIEC- Associação Brasileira de Indústrias Exportadoras de Carnes. Perfil da Pecuária no Brasil, 2023. Disponível em: https://www.abiec.com.br/publicacoes/beef-report-2023/. Acesso em: 03 de agosto. 2024. ALMEIDA,A.P. et al. Recentes avanços na relação entre nutrição e reprodução em ruminantes. Rev. Bras. Nutr. Ani., v.1, n.2, p.34-65, 2007. BRUNES, L. C.; COSTA, M. F. E.; QUINTANS, G.; BANCHERO, G.; LÔBO, R. B.; MAGNABOSCO, C. U. Early growth, backfat thickness and body condition has major effect on early heifer pregnancy in Nellore cattle. 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