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Direito Civil - Parte Geral - Dos Fatos Jurídicos

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� Curso de Direito
 Parte Geral - Direito Privado – Profª Denise Moreira
FATOS, ATOS e NEGOCIOS JURÍDICOS
 LIVRO III
Dos Fatos Jurídicos
Fatos irrelevantes para o direito: caminhar, chover, fazer sol�.
Fato Jurídico
 Juízo de valoração
Ordenamento Jurídico --------> atividade humana
 = Conjunto de normas jurídicas
 Hipótese de fatos/comportamentais
Norma jurídica--->valor ----> fato
	 Fato relevante para as relações intersubjetivas
Fato incidência da norma jurídica 
 	Fato jurídico = evento + previsão normativa
O ordenamento jurídico, que regula a atividade humana, é composto por normas jurídicas, que preveem hipóteses de fatos e consequentes modelos de comportamento considerados relevantes e que, por isso mesmo, foram normatizados. 
A norma jurídica atribui valor ao fato reputado relevante para as relações intersubjetivas tornando-os fatos jurídicos.
Fato Jurídico Sentido Amplo
Conceito: É todo o acontecimento da vida que o ordenamento jurídico considera relevante e é capaz de produzir efeitos jurídicos�.
Segundo Stolze Gagliano (2012, p. 339), denomina-se fato jurídico em sentido amplo:
Todo acontecimento, natural ou humano, que determine a ocorrência de efeitos constitutivos, modificativos ou extintivos de direitos e obrigações, na órbita do direito.
Assim, fato jurídico em sentido amplo é aquele capaz de produzir efeitos jurídicos. É o evento decorrente da atividade humana ou proveniente de fatos naturais que interferem na órbita jurídica.
Efeitos jurídicos:
Aquisição de direitos:
Ocorre quando há conjunção ou conexão com a titularidade.
É o encontro do direito com seu titular.
Ex. surge a propriedade quando o bem se subordina ao domínio.
Para a aquisição de direitos, há a necessidade de fatos ou atos antecedentes.
Modificação de direitos:
Os direitos podem ser alterados no âmbito de seu titular ou de seu conteúdo. Ou seja, podem passar por transformações quanto à pessoa titular do direito ou passar por alterações qualitativas ou quantitativas em seu objeto.
Titularidade: sucessão causa mortis, onde o herdeiro sucede o falecido.
Qualitativa: pagamento de determinada obrigação realizado em cheque e, posteriormente, trocado por dinheiro.
Quantitativa: alteração do tamanho da propriedade por aluvião ou avulsão.
Extinção de direitos:
É o desaparecimento do direito para o seu titular.
Ex. perda do direito de propriedade por alienação do bem; desapropriação; renúncia de herança.
Conservação de direitos:
É o direito de ação para garantir direitos.
Art. 5º, XXXV da CF/88 – “A lei não excluirá da apreciação do poder judiciário lesão ou ameaça a direitos”.
FATOS JURIDICOS SENTIDO AMPLO
1. Fato jurídico sentido estrito�: é todo acontecimento natural, subdividindo-se em ordinário e extraordinário.
Ordinários: é aquele comum, frequente, corriqueiro, ex: nascimento, maioridade, morte, o decurso do tempo�.
Extraordinários: são aqueles fatos/eventos inesperados, decorrentes de caso fortuito (causa desconhecida) e força maior (fato da natureza). A doutrina e o STF não são pacíficos quanto à definição de caso fortuito e força maior, no entanto, ambos se referem a eventos inesperados�.
Atos jurídicos: é o fato ou o evento que decorre da ação da humana, e voluntária (vontade) produzindo efeitos jurídicos esperados ou não.
Ilícitos: (art. 186 e 187, 927 CC-02); responsabilidade civil, ou seja, cabe reparação de danos�.
Lícitos�: 
Meramente lícitos�:
Negócios Jurídicos�
Obs. Parte da doutrina ainda acrescenta os Atos-fatos jurídicos�
Esquema
ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DOS NEGÓCIOS JURÍDICOS
DEFEITOS DO NEGÓCIO JURÍDICO�
Vícios:
Consentimento�: atinge a manifestação de uma das partes;
Sociais: mais amplo, não atinge somente as partes envolvidas no NJ inicial, mas é exteriorizada com a intenção de prejudicar terceiros. 
Vícios de consentimento
Erro
Dolo 
Coação
Estado de perigo
Lesão
Erro (art. 138 a 144 do CC)
Conceito: é a noção inexata de um objeto ou de uma pessoa que influencia a formação da vontade, neste caso, o contratante se equivoca sozinho.�
Para viciar o NJ - Substancial e escusável�.
(Substancial (essencial): pode ser na própria natureza do negocio jurídico, exemplo empresta-se comumente um livro, mas dificilmente a outra parte devolve, e assim a pessoa errou sozinha; Pode também ser sobre o objeto, onde qualquer pessoa se enganaria, exemplo comprar uma bijuteria pensando ser em ouro, numa circunstancia em que qualquer pessoa naquela situação não perceberia a diferença (escusável).
( inescusável: é o erro grosseiro, escandaloso, que pessoa de inteligência normal, mediana, homus medius, não incorreria.
Erro ou ignorância� 
Erro substancial (essencial), art. 139, I, II, III do CC�; 
Classificação:
Erro no próprio NJ - natureza do NJ (error in negotio)
Erro sobre o objeto principal ou qualidade essencial do objeto (error incorpore rei)
Erro sobre a qualidade essencial da pessoa - estão diretamente relacionadas a qualidade do outro cônjuge (error in personae)
Identidade do cônjuge: sua honra, com fama: se o cônjuge ficou sabendo da má fama do cônjuge, e aquilo, caso soubesse antes do casamento, o negocio jurídico, não teria acontecido. 
Ignorância de moléstia grave transmissível: não precisa necessariamente apenas para o cônjuge, mas também aquelas que podem ser transmitidas hereditariamente; 
Nesses casos poderá o cônjuge buscar a anulação casamento.
Erro de direito (error iuris): ex.: comprar produtos importados pensando ser uma importação legal, mas ao concluir a compra descobre que existe uma determinação legal, que impede a entrada do produto no território nacional; alcança tanto o produto principal como substancia/componente integrante.
Erro acidental: incide nas qualidades secundárias da pessoa ou do objeto e não vicia o negócio jurídico. Mesmo quando houver erro de indicação (pessoa ou coisa), mas, não se anulará o NJ se for possível a identificação da coisa ou pessoa posteriormente�.
Erro quanto ao fim colimado (falso motivo)� - Motivo é a razão subjetiva da efetivação do ato negocial. O erro neste caso, seja ele de fato ou de direito, não é considerado essencial, logo não poderá acarretar a anulação do negócio. O motivo é o impulso psíquico que leva alguém a efetivar o negócio.
O erro quanto ao fim colimado só vicia o negócio jurídico se nele figurar expressamente, integrando-o como sua razão determinante ou essencial.
Erro na transmissão da vontade por meios interpostos� - É o erro por defeito de intermediação mecânica ou pessoal, que altera a vontade declarada na efetivação do ato negocial. Ex.: Alguém recorre a rádio, televisão, telefone, internet�, para transmitir uma declaração de vontade, e o veículo utilizado, devido a interrupção ou deturpação sonora, o fizer com incorreções acarretando desconformidade entre a vontade declarada e a interna. Esse tipo de erro só anula o negócio se a alteração verificada vier a prejudicar o real sentido da declaração expedida. Caso contrário, ele será insignificante e o negócio efetivado prevalecerá.
Erro de cálculo� – erro material retificável. Trata-se de engano sobre peso, medida, valor ou quantidade do bem. Não anula o negócio, nem vicia o consentimento, autorizando, tão somente, a retificação da declaração volitiva se as duas partes tiverem ciência do real negócio efetivado.
 
Dolo (art. 145 a 150 CC)
Conceito: é a manobra ou artifício ardiloso utilizado por alguém para enganar a outrem�. 
Animus decipiendi: Intenção de ludibriar; vontade de enganar alguém.
Dolo – civil ≠ penal
Elementos do dolo civil:
Ação ou omissão intencionais de uma das partes do negócio jurídico que prejudica a outra;
Positivo (comissivo): é quando a pessoa que tem o animus decipiendi, externa ou pratica algum ato para que a outra realize o negócio jurídico.