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TEORIA DA EMPRESA 
Aula 2 
 
A EMPRESA E O EMPRESÁRIO: 
O empresário é o empreendedor que, individualmente, predispõe-se a exercer atividade 
empresarial. O risco de tal escolha se apresentará patente em caso de insucesso do 
empreendimento, hipótese em que o patrimônio particular do empreendedor também 
responderá pelo passivo descoberto da atividade empresarial. (Chagas, 2015, pág.73) 
 
EMPRESÁRIO: 
É a pessoa que assume o risco do negócio, investindo capital em mercadorias, máquinas... 
Contrata trabalhadores e administra esses fatores econômicos, visando obter lucro, 
independentemente do seu grau de formação escolar. (Fabretti et al, 2014, pág. 16). 
 
Art. 966. Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica 
organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. 
Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de 
natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou 
colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa. 
 
Quais os elementos que podemos tirar do conceito acima? 
Estrutura organizada: são os bens constituídos a partir do capital que se investe na 
empresa, ou seja, é a estruturação de bens materiais ou imateriais para a realização do 
objeto de atuação. 
Atividade profissional: sucessão contínua e habitual de ações para a realização do negócio. 
Finalidade lucrativa: o objetivo é a produção de riquezas, ou seja, a atividade realizada visa 
o lucro. 
Identidade social: aquele que tem a existência socialmente reconhecida, por exemplo: a 
coca-cola fez isso… 
 
EXERCÍCIO DE UMA ATIVIDADE: 
A ATIVIDADE EXERCIDA PELO EMPRESÁRIO SE DÁ O NOME DE EMPRESA; 
TEM QUE SER HABITUAL E PERMANENTE 
 
FINALIDADE ECONÔMICA: 
LUCRO COMO OBJETIVO PRINCIPAL; 
ATIVIDADE CRIADORA DE RIQUEZAS 
 
ORGANIZAÇÃO DA ATIVIDADE: 
IMPRESCINDÍVEL A DINÂMICA DE FATORES DE PRODUÇÃO: CAPITAL; TRABALHO; 
NATUREZA; TECNOLOGIA. 
 
CARACTERÍSTICAS DO EMPRESÁRIO: 
Empresário e sócio são sinônimos? 
NÃO! 
O sócio, juridicamente, não é empresário pois ele representa um capital. Este capital é 
dividido em quotas assim chamadas quando as sociedades são contratuais ou corporativas 
e ações quando das sociedades anônimas e nas sociedades de em comandita por ações. 
 
EMPRESÁRIO RURAL: 
A legislação tributária considera como atividade rural, a exploração das atividades agrícolas, 
pecuárias, a extração e a exploração vegetal e animal, a exploração da apicultura, 
avicultura, suinocultura, sericicultura, piscicultura e outras de pequenos animais; a 
transformação de produtos agrícolas ou pecuários, sem que sejam alteradas a composição 
e as Características do produto in natura, realizada pelo próprio agricultor ou criador. 
 
Segundo Crepaldi (1998), empresa rural, é a unidade de produção em que são exercidas 
atividades que dizem respeito a culturas agrícolas, criação de gado ou culturas florestais, 
com a finalidade de obtenção de renda. 
Para Destarte (apud ANCELES 2001), a Empresa rural é unidade de produção para uma 
comunidade mais ampla, onde se associam terra, trabalho, capital e técnica, tudo dirigido 
organicamente a um fim econômico. 
 
Art. 971. O empresário, cuja atividade rural constitua sua principal profissão, pode, 
observadas as formalidades de que tratam o art. 968 e seus parágrafos, requerer inscrição 
no Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva sede, caso em que, depois de 
inscrito, ficará equiparado, para todos os efeitos, ao empresário sujeito a registro. 
 
O cônjuge do empresário individual, mesmo não participando ostensivamente da 
empresa, dela compartilha os riscos, os lucros e os prejuízos. 
 
Art. 978. O empresário casado pode, sem 
necessidade de outorga conjugal, qualquer que seja o regime de bens, alienar os imóveis 
que integrem o patrimônio da empresa ou gravá-los de ônus real. 
 
Art. 1.647. Ressalvado o disposto no art. 1.648, nenhum dos cônjuges pode, sem 
autorização do outro, exceto no regime da separação absoluta: 
I - alienar ou gravar de ônus real os bens imóveis; 
II - pleitear, como autor ou réu, acerca desses bens ou direitos; 
III - prestar fiança ou aval; 
IV - fazer doação, não sendo remuneratória, de bens comuns, ou dos que possam integrar 
futura meação. 
Parágrafo único. São válidas as doações nupciais feitas aos filhos quando casarem ou 
estabelecerem economia separada. 
 
1.MATRÍCULA 
2.ARQUIVAMENTO 
3.AUTENTICAÇÃO 
 
MATRÍCULA: 
É UMA TRADIÇÃO (COM FORTE TENDÊNCIA A DESAPARECER), QUE 
DETERMINADOS PROFISSIONAIS DEVEM TER PARA EXERCER A SUA FUNÇÃO: 
LEILOEIROS; TRADUTORES PÚBLICOS E INTÉRPRETES COMERCIAIS; 
TRAPICHEIROS* E ADMINISTRADORES DE ARMAZÉNS GERAIS. 
* Armazém ou depósito de mercadorias de embarque ou desembarque. 
 
ARQUIVAMENTO 
É a memorização dos atos corriqueiros da atividade empresarial. Para as sociedades tal 
inscrição/arquivamento é a condição fundamental para a aquisição da personalidade 
jurídica. 
Art. 967. É obrigatória a inscrição do empresário no Registro Público de Empresas 
Mercantis da respectiva sede, antes do início de sua atividade. 
 
Art. 985. A sociedade adquire personalidade jurídica com a inscrição, no registro próprio e 
na forma da lei, dos seus atos constitutivos. 
FEITA A INSCRIÇÃO ABRE-SE UM REGISTRO PARA O EMPRESÁRIO A FIM DE QUE 
SEJAM AVERBADAS TODAS AS MODIFICAÇÕES OCORRIDAS. EX: ABERTURA DE 
FILIAIS, ALTERAÇÃO DA SEDE… 
OBS: 
“O REGISTRO NÃO É CONSTITUTIVO DA CONDIÇÃO DE MICROEMPRESA OU 
EMPRESA DE PEQUENO PORTE, MAS MERAMENTE DECLARATÓRIO” (FÉRES, 2000, 
APUD TOMAZETTE, 2014, PÁG. 73) 
 
Art. 1.151. O registro dos atos sujeitos à formalidade exigida no artigo antecedente será 
requerido pela pessoa obrigada em lei, e, no caso de omissão ou demora, pelo sócio ou 
qualquer interessado. 
§ 1o Os documentos necessários ao registro deverão ser apresentados no prazo de trinta 
dias, contado da lavratura dos atos respectivos. 
 
§ 2o Requerido além do prazo previsto neste artigo, o registro somente produzirá efeito a 
partir da data de sua concessão. 
§ 3o As pessoas obrigadas a requerer o registro responderão por perdas e danos, em caso 
de omissão ou demora. 
Art. 1.152. Cabe ao órgão incumbido do registro verificar a regularidade das publicações 
determinadas em lei, de acordo com o disposto nos parágrafos deste artigo. 
 
A ATUAL LEGISLAÇÃO DETERMINA O CANCELAMENTO AUTOMÁTICO DO REGISTRO DE 
SOCIEDADE APÓS 10 ANOS SEM ARQUIVAR QUALQUER ATO E QUE NÃO AVISE A SUA 
INTENÇÃO DE PERMANECER FUNCIONANDO. (ART. 60 DA LEI 8934/94) 
 
ESCRITURAÇÃO: 
A escrituração é o processo metódico e sistemático, pelo qual em livros próprios, obrigatório 
ou auxiliar, se lançam cronologicamente as contas e todas as operações de um 
estabelecimento empresarial, fazendo um balanço geral do seu ativo e passivo, 
demonstrativo do histórico integral da empresa. 
 
PRINCÍPIOS DA ESCRITURAÇÃO: 
 A) Uniformidade temporal da contabilidade: que preconiza a inalterabilidade dos 
critérios contábeis adotados, possibilitando uma segura avaliação do empreendimento 
empresarial ao longo do tempo, mediante comparação dos lançamentos feitos em 
diferentes períodos. 
 
B) Individuação da escrituração: pois o lançamento contábil deverá ser correspondente 
ao conteúdo dos documentos, que lhe deram suporte. 
 
C) Fidelidade: uma vez que deverá demonstrar, com clareza, a real situação do empresário 
individual ou coletivo, possibilitando efetuar um levantamento das alterações patrimoniais, 
fiscalizar e adotar medidas para coibir fraudes com desvio de bens, simulação de dívidas ou 
pagamentos antecipados e comprovar dados em juízo. 
 
D) Sigilo dos livros empresariais: garantindo sua inviolabilidade para que se evite 
concorrência desleal e haja bom andamento da atividade econômica do empresário 
individual ou coletivo. O segredo desses livros resguardará o empresário, pondo-o à solva 
da má-fé de qualquer um. 
 
E) Liberdade de escolha do sistema de contabilidade e da quantidade e daespécie de livros 
necessários para o cumprimento do dever de escriturar, excepcionando-se o livro Diário, 
que é obrigatório. 
 
O Diário é o livro empresarial obrigatório comum a todos os empresários, onde, com 
clareza, serão lançadas, diariamente, por escrita direta ou reprodução, em ordem 
cronológica de sua ocorrência, todas as operações relativas ao exercício da empresa, 
preenchendo todos os requisitos formais. 
 
O Livro Razão possibilita a averiguação da posição de cada elemento do patrimônio do 
empresário e de suas modificações, servindo como auxiliar do Diário, onde também 
constará o balanço patrimonial e o resultado econômico, ambos subscritos pelo contabilista. 
 
O diário é o único comum e obrigatório, porém há exceções, micro empresas e empresas 
de pequeno porte estão dispensados da escrituração do livro diário, em consequência 
elas devem escriturar dois livros: (1) livro caixa é somente registrando as movimentações 
financeiras e o (2) livro de registro de inventário, é um livro de escrituração anual, em que 
todo empresário vai escriturar, por ano, os bens da sua empresa. 
O art. 226 do Código Civil fixa regras a despeito do assunto: 
“Art. 226. Os livros e fichas dos empresários e sociedades provêm contra as pessoas a que 
pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem 
confirmados por outros subsídios. 
Parágrafo único. A prova resultante dos livros e fichas não é bastante nos casos em que a 
lei exige escritura pública, ou escrito particular revestido de requisitos especiais, e pode ser 
ilidida pela comprovação da falsidade ou inexatidão dos lançamentos.” 
 
 
Classificação dos livros: 
 
* Contábeis – legislação comercial (livros mercantis) ou tributária (livros fiscais), idêntico 
regime jurídico. 
 
* Simplesmente memoriais – legislação mercantil ou trabalhista (registro de empregados e 
Inspeção do Trabalho). 
 
Há memoriais específicos de determinados ramos empresariais. (v.g. registro de entrada e 
saída e registro de uso de placas de experiência, que o Código de Trânsito impõe aos 
empresários do ramo automotivo). 
 
TIPOS DOS LIVROS: 
Facultativos = são os livros que o empresário escolhe se vai escriturar ou não, que o faz 
para ajudá-lo no comando e no desenvolvimento da sua empresa. 
 
Livro Razão = os registros bancários da empresa, a conciliação bancária. 
 
Livro Caixa = registro das movimentações financeiras 
 
Livro Conta Corrente = é o livro que registra as transações com cada credor ou devedor, é 
o que registra cada relação, de forma separada. 
 
Livro Estoque = registro de entrada e saída de mercadorias, ou seja, controle de estoque. 
 
SIGILO DOS LIVROS: 
A exibição integral dos livros e papeis de escrituração só pode ser autorizada pelo juiz 
nos casos previstos em lei, quais sejam: ações relativas à sucessão inter vivos ou causa 
mortis, comunhão ou sociedade, administração ou gestão à conta de outrem, em caso de 
falência ou à liquidação da sociedade (CC, art. 1191). 
Tais situações, são justificáveis pois necessitam de apurada análise contábil, assim, os 
livros devem ficar em disponibilidade no cartório durante o curso da ação. 
 
ESCRITURAÇÃO 
Sua função é: 
Organizar os negócios; 
Servir de prova da atividade para terceiros e para o Fisco. 
Art. 1.179. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a seguir um sistema de 
contabilidade, mecanizado ou não, com base na escrituração uniforme de seus livros, 
em correspondência com a documentação respectiva, e a levantar anualmente o 
balanço patrimonial e o de resultado econômico. 
 
Art. 1.181. Salvo disposição especial de lei, os livros obrigatórios e, se for o caso, as fichas, 
antes de postos em uso, devem ser autenticados no Registro Público de Empresas 
Mercantis. 
Parágrafo único. A autenticação não se fará sem que esteja inscrito o empresário, ou 
a sociedade empresária, que poderá fazer autenticar livros não obrigatórios. 
 
Art. 1.184. No Diário serão lançadas, com individuação, clareza e caracterização do 
documento respectivo, dia a dia, por escrita direta ou reprodução, todas as 
operações relativas ao exercício da empresa. 
§ 1o Admite-se a escrituração resumida do Diário, com totais que não excedam o período 
de trinta dias, relativamente a contas cujas operações sejam numerosas ou realizadas fora 
da sede do estabelecimento, desde que utilizados livros auxiliares regularmente 
autenticados, para registro individualizado, e conservados os documentos que permitam a 
sua perfeita verificação. 
 
§ 2o Serão lançados no Diário o balanço patrimonial e o de resultado econômico, devendo 
ambos ser assinados por técnico em Ciências Contábeis legalmente habilitado e pelo 
empresário ou sociedade empresária. 
Art. 1.185. O empresário ou sociedade empresária que adotar o sistema de fichas de 
lançamentos poderá substituir o livro Diário pelo livro Balancetes Diários e Balanços, 
observadas as mesmas formalidades extrínsecas exigidas para aquele. 
 
Art. 1.186. O livro Balancetes Diários e Balanços será escriturado de modo que registre: 
I - a posição diária de cada uma das contas ou títulos contábeis, pelo respectivo saldo, em 
forma de balancetes diários; 
II - o balanço patrimonial e o de resultado econômico, no encerramento do exercício. 
 
Art. 1.188. O balanço patrimonial deverá exprimir, com fidelidade e clareza, a situação real 
da empresa e, atendidas as peculiaridades desta, bem como às disposições das leis 
especiais, indicará, distintamente, o ativo e o passivo. 
Parágrafo único. A Lei especial disporá sobre as informações que acompanharão o 
balanço patrimonial, em caso de sociedades coligadas. 
Art. 1.189. O balanço de resultado econômico, ou demonstração da conta de lucros e 
perdas, acompanhará o balanço patrimonial e dele constarão crédito e débito, na forma da 
lei especial. 
Art. 1.190. Ressalvados os casos previstos em lei, nenhuma autoridade, juiz ou tribunal, 
sob qualquer pretexto, poderá fazer ou ordenar diligências para verificar se o empresário ou 
a sociedade empresária observam, ou não, em seus livros e fichas, as formalidades 
prescritas em lei.

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