Prévia do material em texto
Técnico em administração Comércio exterior Conceitos e introdução ao panorama internacional Todos os dias, ouvimos falar em globalização. Essa interação mundial ocorre em todos os setores da economia. Por sua velocidade, afeta profundamente as empresas, os indivíduos e as nações. Esse movimento mundial gera como consequência a queda de barreiras alfandegárias, a criação de blocos econômicos, a velocidade na comunicação (informação), a velocidade nas mudanças tecnológicas, uma maior circulação de fluxos de capitais (dinheiro) e oportuniza um comércio intenso entre pessoas, empresas e países de diferentes localidades. Comércio exterior é a troca de produtos e serviços entre os países no mundo inteiro. É fundamental na movimentação da economia mundial, pois é a mola propulsora do PIB. Por que o PIB é importante? Lembre-se: o PIB (Produto Interno Bruto) é o somatório do valor de todos os bens e serviços finais (exemplos: um carro, uma casa, uma peça de roupa etc.) produzidos em uma economia durante um período. No Brasil, o IBGE (Instituto Brasileiro e Economia e Estatística) calcula trimestralmente o PIB brasileiro e, ao final do ciclo de um ano, calcula o PIB anual. 18/05/2025, 20:36 Versão para impressão about:blank 1/22 Bem que os países gostariam de produzir todos os bens, mas não conseguem e por isso necessitam especializarem-se nas atividades produtivas para as quais se encontram mais aptos, permutando os produtos entre si. Esse comércio internacional ou comércio exterior submete os produtores internos a um maior grau de concorrência, reduzindo seu poder de mercado. A simples vontade de empreender esforços não basta para a tarefa de produzir bens em algumas projeções. Mesmo que o esforço fosse descomunal, o resultado seria muito insatisfatório. Será que um país como o Canadá, de temperaturas muito baixas, neve e frio quase o ano inteiro, produziria bananas? Ou será que no Japão haveria, com escassa extensão territorial, uma grande produção de bovinos? Isso significa que, independentemente do empenho na produção, fatores geográficos ou climáticos são determinantes para as escolhas das nações. A partir desse panorama de adversidade, surgiu a necessidade de especialização como alternativa para a obtenção de vantagens no comércio exterior internacional. Paul Krugman 2001, vencedor do Prêmio Nobel de Economia e profundo conhecedor do tema assim enfatizou: “Os países participam do comércio internacional por duas razões básicas, cada uma delas contribuindo para seus ganhos no comércio. Primeiro os países comercializam porque são diferentes uns dos outros. Os países, assim como os indivíduos, podem ser beneficiados por suas diferenças, atingindo um arranjo no qual cada um produz as coisas que faz relativamente bem. Segundo, os países comercializam para obter economias de escala na produção. Isto é, se cada país produz apenas 18/05/2025, 20:36 Versão para impressão about:blank 2/22 uma variedade limitada de bens, ele pode produzir cada um desses bens em uma escala mais e, portanto, mais eficientemente do que se tentasse produzir tudo.” Atualmente, o comércio internacional tem rompido barreiras antes impensáveis, beneficiando países, empresas e pessoas comuns. Um fenômeno muito atual tem sido a importação de mercadorias e, em menor escala, a exportação, realizada por pessoas e não tão somente por empresas. A internet tem possibilitado a eficiente conexão entre produtor e consumidor que, em países diferentes, realizam trocas comerciais, importando ou exportando com muita tranquilidade. Mesmo nessa pequena amostra pessoal, há preocupações que valem também para as empresas. Imagine que você quer importar um produto chinês como uma bolsa. A razão provável da escolha por esse modelo não está na qualidade (pois pode ser o mesmo produto vendido em uma loja no Brasil e com qualidade similar ou igual) e sim no custo inferior. Quais aspectos você deveria observar? 1. Qual intermediário você usaria? Quem faria a conexão com a sua vontade e quem poderia lhe oferecer o produto? Empresas com sites de comércio eletrônico, como AliExpress, DealExtreme, MiniInTheBox, Tinydeal, BangtGood, Amazon, eBay. 2. Escolhido o intermediador, você deve ter informações dos fornecedores, de sua capacidade de produção, de entrega e de confiabilidade. 3. Escolhido o produto, escolhido o intermediário, escolhido o fornecedor, é hora de saber como será transportado e quanto tempo você está disposto a esperar. Essas decisões afetam diretamente o custo do produto. 18/05/2025, 20:36 Versão para impressão about:blank 3/22 4. É fundamental conhecer a legislação. O meu país permite a importação de qualquer produto? 5. E os impostos incidem ou não? Quando incidem? Quanto? 6. E se o produto não chegar ou chegar defeituoso? Com quem reclamar? Quais documentos são necessários? Perceba que, ainda que mais próximo do nosso dia a dia, ainda hoje o comércio exterior é um tema complexo, mas apaixonante. Estrutura básica do comércio exterior no Brasil Todos os países competitivos no atual mundo globalizado possuem instituições e mecanismos especialmente direcionados para o comércio exterior. A estruturação é necessária uma vez que há diversos intervenientes, com experiências e qualificações específicas de seus setores. Assim, a organização estatal compreende órgãos responsáveis pelas decisões políticas e outros destinados ao controle dos procedimentos operacionais. No Brasil, como a forma de governo é a presidencialista, é a presidência da república a principal responsável por essa organização. Operacionalmente, a CAMEX (Câmara de Comércio Exterior) é a instância máxima, enquanto outros órgãos da estrutura do governo federal cuidam da administração aduaneira e tributária das importações e exportações, tanto de mercadorias como de serviços. Estruturalmente, podemos classificar os órgãos que atuam no comércio exterior como: Formadores de políticas e diretrizes 18/05/2025, 20:36 Versão para impressão about:blank 4/22 CAMEX (Câmara de Comércio Exterior); CMN (Conselho Monetário Nacional); Câmara de Política Econômica. Operacionais/gerenciais/reguladores SECEX (Secretaria de Comércio Exterior); DECEX (Departamento de Comércio Exterior); SRF (Secretaria da Receita Federal); BACEN (Banco Central). Defensores dos interesses brasileiros no exterior MRE (Ministério das Relações Exteriores); DECOM (Departamento de Defesa Comercial); DEINT (Departamento de Negociações Internacionais); SAIN/MF (Secretaria de Assuntos Internacionais). Apoiadores BB (Banco do Brasil); BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social); APEX BRASIL (Agência de Promoção de Exportações); 18/05/2025, 20:36 Versão para impressão about:blank 5/22 SBCE (Seguradora Brasileira de Credito à Exportação). Figura 1 – Organograma da estrutura do comércio exterior no Brasil Fonte: . CAMEX (Câmara de Comércio Exterior) Cabe a ela a formulação, a adoção, a implementação e a coordenação de políticas e atividades relativas ao comércio exterior de bens e serviços, incluindo o turismo. Serve de instrumento de diálogo e articulação junto ao setor produtivo. Nenhuma decisão sobre o comércio exterior acontece sem passar pelo crivo da CAMEX e seu colegiado. Competências da CAMEX: 18/05/2025, 20:36 Versão para impressão about:blank 6/22 definir as diretrizes da política de comércio exterior; manifestar-se previamente sobre as normas e legislação sobre o comércio exterior; estabelecer as diretrizes para: as alterações das alíquotas dos impostos de importação e exportação; as investigações relativas a práticas desleais de comércio; financiamento e seguro de crédito à exportação; desregulamentação do comércio exterior. avaliar o impacto das medidas cambiais, monetárias e fiscais sobre comércio exterior; fixar as diretrizes para a promoção de bens e serviços brasileiros no exterior; indicar os parâmetrospara as negociações bilaterais e multilaterais relativas ao comércio exterior; atuar como um canal de comunicação entre o Governo e o setor produtivo. MRE (Ministério das Relações Exteriores) Dentro do comércio exterior, MRE é o órgão responsável pela promoção comercial e pela divulgação de informações sobre demandas de importação de produtos brasileiros e de investimento. SECOMS (Setores de Promoção Comercial) – Têm como atividade a divulgação de produtos e empresas brasileiras. São instalados nas embaixadas e nos consulados de dezenas de países em todo o mundo. 18/05/2025, 20:36 Versão para impressão about:blank 7/22 MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) Tem sobre sua tutela as informações sobre estatísticas de comércio exterior, barreiras comerciais, auxílio à exportação, entre outros. É o órgão responsável pelas decisões e execução das diretrizes políticas de comércio e exerce sua função por meio do órgão gestor SECEX. SECEX (Secretaria de Comércio Exterior) – É órgão da estrutura do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. Dentre suas atribuições, está a de autorizar operações de importação e exportação e emitir documento exigidos por acordos multilaterais assinados pelo Brasil. MF (Ministério da Fazenda) É o órgão responsável pela política monetária e fiscal. Atua na fiscalização e no controle de entrada e saída de mercadoria do comércio exterior. BACEN (Banco Central do Brasil) – É uma autarquia federal, vinculada ao Ministério da Fazenda, criada para ser o agente da sociedade brasileira na promoção da estabilidade do poder de compra da moeda brasileira. O MF controla a compra e a venda de moedas estrangeiras no Brasil. RF/SRF (Secretaria da Receita Federal) – É o órgão central de direção superior, subordinado ao Ministério da Fazenda, responsável por administração, arrecadação e fiscalização dos tributos internos e aduaneiros da União, promovendo o cumprimento voluntário das obrigações tributárias, arrecadando recursos para o Estado e desencadeando ações de fiscalização e combate à sonegação. Em resumo, é órgão que regulamenta, fiscaliza e tributa as áreas aduaneiras em que a SRF controla a entrada e a saída de mercadoria no país. 18/05/2025, 20:36 Versão para impressão about:blank 8/22 Órgão Anuentes São órgãos auxiliares, que darão consentimento e aprovação, dentro das suas competências, que poderão servir como elemento comprobatório da identificação e quantificação das mercadorias/serviços inspecionados, para fins de fiscalização aduaneira. Acordos comerciais Na década de 1930, começou-se a pensar em uma redução de tarifas coordenada internacionalmente. Os Estados Unidos aprovaram a Lei Smoot- Hawley, que aumentou abruptamente as alíquotas das tarifas externas. Porém, como o comércio norte-americano despencou no mesmo ritmo, a Casa Branca concluiu que as tarifas deveriam ser reduzidas novamente. Entretanto, percebeu que prejudicaria as empresas nacionais que produziam bens concorrentes com as importações. A solução para tal problema foi a criação de acordos bilaterais de comércio, pelos quais o país aproximava-se de outro que fosse exportador de determinado produto necessário e oferecia redução das tarifas em troca da diminuição de tarifas de certas exportações norte-americanas. A negociação de acordos multilaterais, envolvendo vários países, foi o passo seguinte na liberalização do comércio internacional. Esse fato ocorreu em 1947, após a segunda guerra mundial, quando um grupo de 23 países iniciaram as 18/05/2025, 20:36 Versão para impressão about:blank 9/22 negociações comerciais sob um conjunto provisório de normas que se tornou conhecido como Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio – GATT. Um dos princípios definidos pelo GATT foi o de transparência, tornando obrigatória a publicação de toda e qualquer norma relacionada ao comércio. Esse acordo provisório acabou coordenando o comércio mundial pelos 48 anos seguintes, nos quais ocorreram várias rodadas de negociação com o principal objetivo de reduzir tarifas. O Brasil participou de todas essas negociações e assinou o acordo desde a sua criação em 1947, defendendo o princípio da liberalização do comércio internacional. Também participou dos esforços conjuntos dos países em desenvolvimento em assuntos importantes, como comércio agrícola e inclusão de novos temas nas discussões do GATT. Dando continuidade ao GATT, foi criada, em 1995, a Organização Mundial do Comércio – OMC, que deu corpo a uma organização formal já imaginada 50 anos antes. A OMC tem sua sede localizada em Genebra, na Suíça, e é a única organização internacional global que lida com as regras de comércio entre as nações. Sua maior preocupação é a liberdade de comércio, com a redução gradativa das tarifas e das restrições à circulação de mercadorias. Tem como objetivo ajudar os produtores de mercadorias e serviços, exportadores e importadores a conduzir e a realizar seus negócios com o estabelecimento de regras claras e aceitas por todos. Desse modo, a OMC administra os acordos de comércio da organização. É um fórum para negócios sobre comércio, trata de disputas comerciais entre os membros, assim como monitora as políticas comerciais dos países membros. A OMC e o GATT têm diferenças essenciais: 1) O GATT era um acordo comercial multilateral de caráter provisório e a OMC é uma organização internacional de caráter permanente; 2) O GATT tratava basicamente do 18/05/2025, 20:36 Versão para impressão about:blank 10/22 Modalidades de acordos internacionais Existem quatro tipos de modalidades de acordos internacionais que visam, em essência, melhor clarificar os parâmetros estabelecidos. São tratados firmados por três ou mais sujeitos dotados de personalidade jurídica (Estados soberanos e organismos internacionais) com reciprocidade de concessões e necessidade de ratificação pelas partes contratantes, mas obrigatórios para todos os membros e suas regras devem observar os princípios fundamentais do comércio. Possuem adesão facultativa, ou seja, criam obrigação somente aos que aderirem. Decorrem de vantagens recíprocas concedidas entre Estados. São processos de integração econômica, nos quais se objetiva a redução ou a eliminação das tarifas intrabloco. São celebrados para a redução de barreiras tarifárias e não tarifárias, em função da localização geográfica dos signatários, no intuito de incentivar o comércio regional, com o aproveitamento de possíveis identidades históricas ou culturais e da proximidade em termos logísticos. Regras de origem Regras de origem são normas jurídicas destinadas a identificar a procedência econômica de determinado bem ou mercadoria que receberão tratamento preferencial, nos termos previstos em acordos comerciais celebrados entre os comércio de bens e a OMC regulamenta também temas como serviços, investimento e propriedade intelectual; 3) Ao contrário da OMC, o GATT não regulamentava com profundidade as práticas desleais de comércio. 18/05/2025, 20:36 Versão para impressão about:blank 11/22 países envolvidos. Na operação, vale dizer, os exportados e o importador. Assim, é razoável intuir que todos os processos de integração econômica possuem regras de origem para que os benefícios sejam outorgados intrabloco, em favor de mercadorias produzidas na região, enquanto produtos oriundos de terceiros são tratados sem qualquer distinção. Não há dúvida de que os acordos comerciais são elementos fundamentais do comércio internacional, pois estabelecem relações comerciais privilegiadas entre as partes contratantes. Os acordos garantem acesso preferencial aos mercados nacionais ou regionais, por meio de preferências tarifárias. Mas em tudo, inclusive na relação entre nações, é necessário dispor de critérios que definam a origem dos bens e que garantam privilégios concedidos exclusivamente aos produtos originários dos países que compõem o bloco. Nesse contexto, destacam-se as regras deorigem. São essas regras, negociadas pelas partes contratantes de um acordo preferencial, que definem critérios para identificar a verdadeira origem de uma mercadoria. Muitas vezes, determinar a origem de uma mercadoria pode tornar-se complexo devido à divisão internacional da produção, característica da era globalizada. Quando da conclusão dos trabalhos da Rodada Uruguai, os signatários do GATT e fundadores da Organização Mundial do Comércio (OMC) resolveram celebrar o acordo sobre regras de origem, de forma que a aplicação das medidas não anulasse ou prejudicasse os direitos conquistados por todos os membros. As regras de origem são tão fundamentais que sem elas muitos conflitos seriam estabelecidos. Pense em uma relação comercial de acordo entre dois países, como há no MERCOSUL. A título de exemplo, Brasil e Uruguai celebram um acordo de tarifação de 0% de imposto de importação (II) para carros de fabricantes estabelecidos no Uruguai e vendidos no Brasil. Ora, se não estabelecermos as regras, um fabricante de veículos como a Renault, por exemplo, que fabrica carros em sua planta uruguaia, pode estabelecer parceria com uma empresa chinesa fabricante de carros e começar a importar carros chineses via Uruguai, com a 18/05/2025, 20:36 Versão para impressão about:blank 12/22 intenção de vendê-los ao consumidor brasileiro com 0% de II (imposto de importação). O mesmo veículo chinês, importado via Brasil, seria taxado a 70% de II. Percebam a perda de arrecadação nesse caso. Obviamente que um veículo que tão somente foi faturado por uma empresa do Uruguai, mas fabricada na China, não pode ter sua caracterização como procedência Uruguai e assim não pode receber um procedimento especial. Acordos comerciais em espécie União Europeia (EU) A União Europeia como conhecemos hoje surgiu em 1957 (tratado de Roma), com a Comunidade Econômica Europeia (CEE). Hoje, a União Europeia representa o mais avançado estágio entre todos os processos de integração econômica, inclusive com a adoção de uma moeda comum, o euro, o que a qualifica como União Econômica e Monetária. O processo evolutivo da União Europeia transcorre há mais de 50 anos e, durante esse período, foram promovidas diversas atualizações no modelo institucional das comunidades originais. 18/05/2025, 20:36 Versão para impressão about:blank 13/22 A União Europeia tem como objetivo promover a paz, os seus valores e o bem-estar dos seus povos, proporcionando aos seus cidadãos um espaço de liberdade, segurança e justiça sem fronteiras internas. São objetivos complementares ainda o estabelecimento de um mercado interno visando o desenvolvimento sustentável da Europa; o progresso científico e tecnológico; o combate à exclusão social e às discriminações; a coesão econômica, social e territorial; o respeito à riqueza da sua diversidade cultural e linguística; o estabelecimento de uma moeda única, o euro, e a união econômica, defendendo nas relações com o resto do mundo todos os seus objetivos anteriores. A atual versão do tratado distingue as competências entre a União Europeia e os Estados-membros, que mantêm intactas suas identidades nacionais e os sistemas políticos e constitucionais, com respeito à integridade territorial e questões de segurança pública. Prevalece o princípio da cooperação leal, no qual os membros e a União Europeia prestam assistência mútua no cumprimento dos objetivos dos tratados. A União Europeia é formada por 28 países: Alemanha (1958); Áustria (1995); Bélgica (1958); Bulgária (2007); Chipre (2004); Croácia (2013); Dinamarca (1973); Eslováquia (2004); Eslovênia (2004); Espanha (1986); Estônia (2004); Finlândia (1995); França (1958); Grécia (1981); Hungria (2004); Irlanda (1973); Itália (1958); Letônia (2004); Lituânia (2004); Luxemburgo (1958); Malta (2004); Países Baixos (1958); Polônia (2004); Portugal (1986); Reino Unido (1973); República Checa (2004); Romênia (2007) e Suécia (1995). Apesar de ser o movimento de maior êxito de cooperação econômica, a União Europeia sempre é rondado pelo fantasma de saída de Estados- membros. Em 2016, um referendo, conhecido como “brexit” (a junção das palavras inglesas “britain” (Bretanha) e “exit” (saída)) avalizou a saída do Reino Unido da União Europeia, o que deve acontecer gradativamente nos próximos anos. 18/05/2025, 20:36 Versão para impressão about:blank 14/22 Associação Latino-Americana de Integração (ALADI) A Associação Latino-Americana de Integração – ALADI – é o maior grupo latino-americano de integração. Foi instituída em 1980 pelo Tratado de Montevidéu 1980 – TM80, para dar continuidade ao processo de integração econômica iniciado em 1960 pela Associação Latino-Americana de Livre Comércio – ALALC. Tem como objetivo a implantação, de forma gradual e progressiva, de um mercado comum latino-americano, caracterizado principalmente pela adoção de preferências tarifárias e pela eliminação de restrições não tarifárias. São objetivos da ALADI a promoção e a regulamentação do comércio, a complementação econômica e a ampliação dos mercados por meio do desenvolvimento de ações de cooperação econômica. A fundamentação dos princípios foi estabelecida no TM80. São eles: pluralismo em matéria política e econômica; flexibilidade; tratamentos diferenciais com base no nível de desenvolvimento dos países-membros e multiplicidade nas formas de acordar instrumentos comerciais. A ALADI, que representa em conjunto 20,4 milhões de quilômetros quadrados e quase 520 milhões de habitantes (2010), é integrada por treze países-membros. Aos 11 países fundadores (Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, 18/05/2025, 20:36 Versão para impressão about:blank 15/22 Colômbia, Equador, México, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela) uniram-se Cuba (em 26 de agosto de 1999) e Panamá (em 10 de maio de 2012), tornando- se o décimo segundo e o décimo terceiro países-membros. Acordo de Livre-Comércio da América do Norte (NAFTA) O Nafta, que une Canadá, México e Estados Unidos desde 1994, é um acordo de integração econômica regional que tomou forma em várias etapas. O Acordo promove o livre fluxo de bens entre os Estados-membros por meio da eliminação de tarifas e barreiras comerciais, criando uma área de livre comércio, a forma mais limitada de integração regional. Também permite a livre troca de serviços selecionados e provê a movimentação temporária de executivos corporativos e certos profissionais. Não se trata, pois, de uma união aduaneira, já que cada membro estabelece suas tarifas externas. Tampouco ambiciona o livre fluxo de pessoas (trabalhadores), como um mercado comum faz. E, diferentemente da União Europeia, o Nafta não estabelece agências regulatórias supranacionais. 18/05/2025, 20:36 Versão para impressão about:blank 16/22 Os objetivos do acordo são: a eliminação de barreiras ao comércio e a facilitação de movimentos fronteiriços de bens e serviços; a promoção de condições para competição justa na área de livre comércio; a geração de maiores oportunidades de investimento nos Estados-membros; a proteção e implementação dos direitos de propriedade intelectual em cada território; a criação de procedimentos efetivos para a implementação do acordo, bem como para solucionar as eventuais disputas e o estabelecimento de uma estrutura para cooperações futuras. Comunidade Andina (CAN) A comunidade Andina é um dos processos de integração mais antigos entre os atualmente existentes no mundo. Sua história começou em 26 de maio de 1969, quando cinco países sul americanos (Bolívia, Chile, Colômbia, Equador e Peru) assinaram o acordo de Cartagena. A Comunidade Andina das Nações alternou períodos de euforia com crises profundas, que resultaram na saída de um de seus membros originais – o Chile, que denunciou o acordo logo em 1976 – e da Venezuela, que aderiu em 1973, mas abandonou em 2006. 18/05/2025, 20:36 Versão para impressão about:blank 17/22 Os objetivos da Comunidade Andina são os de promover o desenvolvimentoequilibrado e harmônico dos países-membros, acelerar o crescimento do bloco, promover a integração regional, diminuir a vulnerabilidade externa, reduzir as diferenças de desenvolvimento e melhorar o nível de vida dos habitantes. Área de Livre-Comércio das Américas (ALCA) A ideia da constituição de uma área de livre comércio nas Américas (ALCA) começou a tomar forma em dezembro de 1994, por ocasião da Primeira Cúpula das Américas. Naquele encontro, os presidentes dos países da América declararam a sua intenção de dar início a negociações para a formação de uma área de livre comércio que abrangesse todo o continente americano. A declaração que então foi assinada realça o fato de que, pela primeira vez na história, as Américas são uma comunidade de sociedades democráticas. Ressalta também que as Américas estão unidas na busca da prosperidade por meio da abertura de mercados, da integração hemisférica e do desenvolvimento sustentável. 18/05/2025, 20:36 Versão para impressão about:blank 18/22 Apesar de o texto sobre o acordo constitutivo da ALCA ter avançado, o projeto encontra-se parado desde a realização da Quarta Reunião de Cúpula das Américas. União das Nações Sul Americanas (UNASUL) A União das Nações Sul-Americanas foi estabelecida em 2008, na reunião de Brasília. Tem como ideia central transcender o aspecto puramente comercial da integração e impulsionar os investimentos em comunicação, transporte, infraestrutura, energia, educação, cultura, ciência e tecnologia e defesa. A UNASUL tem como objetivo construir uma identidade e cidadania sul- americanas e desenvolver um espaço regional integrado no âmbito político, econômico, social, cultural, ambiental, energético e de infraestrutura, para contribuir para o fortalecimento da unidade da América Latina e Caribe. A UNASUL propõe-se a ser uma estrutura capaz de articular e integrar os diferentes blocos econômicos e países existentes na América do Sul. O MERCOSUL, a CAN, o Chile, a Guiana e o Suriname viriam a formar uma área de livre comércio sul-americana. Outro elemento importante é que, a despeito dos objetivos ambiciosos do bloco, este deve ter uma característica flexível, 18/05/2025, 20:36 Versão para impressão about:blank 19/22 respeitando as diferentes dinâmicas existentes nos países. Dentre os objetivos específicos, destaca-se a busca do fim das assimetrias, apontando a necessidade de uma integração mais igualitária, com integração industrial e produtiva. As decisões são consensuais. Comunidade do Caribe (CARICOM) O Bloco do CARICOM foi oficialmente estabelecido e efetivado em 1973, com o Tratado de Chaguaramas, tendo como membros iniciais Barbados, Jamaica, Guiana e Trinidad e Tobago. Porém, as negociações datam de pelo menos quinze anos antes da assinatura do documento na cidade trinitária. Possui 15 países-membros localizados na área do Caribe. O acordo tem como objetivo incentivar a cooperação econômica: o livre comércio. 18/05/2025, 20:36 Versão para impressão about:blank 20/22 Mercado Comum do Sul (MERCOSUL) O ano de 1985 é o marco inicial do processo político que resultou na criação do Mercado Comum do Sul – MERCOSUL. Foi o momento em que Brasil e Argentina iniciaram as negociações comerciais, no âmbito da ALADI, visando à formação de um mercado regional. A esse esforço de integração, iniciado por Argentina e Brasil, uniram-se Paraguai e Uruguai. Juntos, os quatro países formularam o projeto de criação do MERCOSUL, resultando na assinatura do Tratado de Assunção, em 26 de março de 1991. Em sua formação original, o MERCOSUL era composto por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. Com a evolução do bloco, a ele aderiram Venezuela e Bolívia. O MERCOSUL é considerado uma União Aduaneira, que consiste numa união entre os membros do bloco, baseando-se na criação de regras que abrangem todos os membros em relação às políticas comercias, como a livre circulação de bens e utilização da mesma TEC (tarifa externa comum), que visa à criação do mercado comum. O Tratado de Assunção estabeleceu um programa de liberação comercial, com o objetivo de aplicar tarifa zero no comércio intrazona e a implementar a TEC. Baseando-se nos princípios do gradualismo e da flexibilidade, os países- 18/05/2025, 20:36 Versão para impressão about:blank 21/22 membros consideraram importante que a desgravação tarifária ocorresse em velocidade menos intensa para as economias menores do agrupamento. 18/05/2025, 20:36 Versão para impressão about:blank 22/22