Prévia do material em texto
Turma 13 - 2021 INTRODUÇÃO: É necessário o conhecimento da estática fetal para que se entenda as diversas situações em que o feto está envolvido ao se relacionar com o nascimento e a evolução do processo do parto. Assim, precisamos conhecer bem a estática fetal para saber administrar as situações que acontecem durante a evolução do parto e as situações que rodeiam o parto. DEFINIÇÕES: A ESTÁTICA FETAL é a relação do feto com a bacia. A estática fetal também leva em consideração a relação do feto com o útero. Precisamos saber a atitude, apresentação, posição, situação e variedade de posição. ATITUDE FETAL: É a relação entre as diversas partes do feto entre si. A atitude fisiológica do feto é a flexão da coluna para diante, cabeça levemente fletida e as costas fletidas sobre a bacia fazendo o formato de um ovóide com um polo pélvico é um polo cefálico. Na gestação a termo o feto tem em torno de 50 cm, mas dentro do útero ele tem 30 cm, porque ele está na forma de ovóide. Durante o trabalho de parto o ovóide se torna cilíndrico para que ele evolua no canal de parto. O que determina a forma ovóide/enovelamento do feto sobre si/atitude fetal e grau de flexão é o líquido amniótico. Quanto menos líquido amniótico mais o feto fica ovóide e mais se enrola sobre si. SITUAÇÃO: É a relação entre o maior eixo uterino (longitudinal) e o maior eixo fetal. Na imagem tem dois fetos em situação longitudinal e um na situação transversal. A situação longitudinal em que o maior eixo fetal coincide com o maior eixo uterino corresponde a 99,5% das gestações. A situação transversal é a exceção e corresponde a 0,5% das gestações. Os fatores que predispõem a situação transversal são: multiparidade, polidrâmnio (excesso de líquido amniótico), placentação anômala (a placenta se insere num local anormal como o corpo uterino e o fundo uterino na parte superior), mioma submucoso (cresce para dentro da cavidade uterina, competindo com o feto pelo espaço e o feto pode adotar uma posição anormal por não ter espaço suficiente), anomalias uterinas (existem úteros com anomalias de origem genética) e malformação fetal (tendência a se apresentar numa situação transversal). Turma 13 - 2021 APRESENTAÇÃO: É a região fetal que ocupa o terço superior da bacia e nela vai se insinuar. Pode ser cefálica (quando quem se apresenta é a cabeça), pélvica (quando quem se apresenta é a nádega) e córnica (quem se apresenta é o ombro). Na cefálica e na pélvica a situação é longitudinal e na córnica é transversal. 99,5% das gestações tem apresentação longitudinal e desses 99,5%, 96% são cefálicas e 3,5% são pélvicas. 0,5% é a transversal (apresentação córnica). A apresentação cefálica (96% das gestações) tem variações em relação à cabeça fetal porque a cabeça fetal apresenta movimentos de flexão e extensão. A APRESENTAÇÃO FETAL IDEAL (maioria dos casos) é a cefálica fletida em que o mento/queixo se aproxima do externo. Ela pode apresentar movimentos de extensão chamados de deflexão. A cabeça cefálica defletida tem afastamento do mento e do externo. Existe a defletida de primeiro grau, de segundo grau e terceiro grau (defletida mais severa). Na cabeça cefálica fletida, ao toque, vai tocar a lambda (fontanela posterior). Quando é a defletida de primeiro grau vai tocar o bregma (fontanela anterior) e na de segundo grau toca a fronte ou o naso/nariz/glabela. Na de terceiro grau tem apresentação de face e vai tocar o mento onde o pescoço está totalmente extendido e a parte posterior da cabeça encosta na parte superior do dorso (apresentação de face por deflexão de terceiro grau, é uma anormalidade severa da estática fetal). Apresentação pélvica: É uma situação longitudinal onde o maior eixo fetal coincide com o maior eixo uterino, correspondendo a 3,5% das gestações. Os fatores que predispõem são: malformação fetal e uterina, gemelaridades (geralmente tem um cefálico e um pélvico), prematuridade, anencefalia (é melhor que venha pélvico pois se for cefálico o encaixe na bacia fica mais difícil) ou hidrocefalia, tumores uterinos, miomas, vícios pélvicos (alterações no terço superior, médio ou inferior), brevidade do cordão (cordão umbilical curto), inserção anômala da placenta. A apresentação pélvica pode ser completa (coxas fletidas sobre o abdômen e pernas fletidas sobre a coxa) e incompleta/agripina/modo nádegas (melhor de nascer pois os membros estão rebatidos sobre a parede anterior do tronco). Na pélvica completa modo pés, tenta reduzir e colocar a perna para dentro e se não conseguir indica cesariana pois é pélvica completa com prolapso de membros. O feto em posição pélvica costuma sofrer uma versão espontânea para a posição cefálica ao longo da gestação para se adaptar às formas uterinas e se não sofrer versão ele se apresenta no trabalho de parto pelo polo pélvico. Turma 13 - 2021 A apresentação córnica ou situação transversal é 0,5%. POSIÇÃO: É a relação do dorso fetal com o lado materno esquerdo ou direito. A posição mais comum no final da gestação é a esquerda. Manobras de Leopold: As manobras de Leopold são 4 manobras feitas para avaliar os pontos da estática fetal. A quarta manobra está em desuso e só é feita em situações emergenciais durante o trabalho de parto. 1. A primeira manobra delimita/identifica a situação longitudinal ou transversal. 2. Na segunda identifica a posição, se o dorso está à direita ou à esquerda. 3. Na terceira vai identificar a apresentação se é cefálica ou pélvica. 4. Na quarta manobra vê o grau de insinuação fetal e se está encaixado, está em desuso mas usa de forma emergencial no trabalho de parto. Durante a triagem pré-natal fazemos apenas as 3 primeiras manobras. A finalidade de identificação da posição do dorso à direita ou à esquerda é buscar a melhor localização para ausculta fetal durante a gestação e no trabalho de parto. Na maioria das vezes vai auscultar do mesmo lado do dorso, ou seja, se dorso está à direita vai auscultar bem à direita. Todavia existem as exceções. Na apresentação cefálica defletida de terceiro grau o dorso está do lado direito, por exemplo, e do lado esquerdo está o feto, e pela posição fetal vai auscultar melhor na face anterior do tórax. VARIEDADE DE POSIÇÃO: A variedade de posição é apenas identificada pelo toque e completa a orientação espacial do conceito relacionando o ponto de referência óssea da bacia e levando em consideração as faces anterior, posterior ou lateral da gestante. Condicionou-se a variedade de posição a 3 letras maiúsculas: apresentação fetal ou S (O - occipício), B (bregma), N (naso), M (mento), S (sacro) e A (acrômio)), lado materno para qual está voltado o dorso (D (direito) ou E (esquerdo)) e conforme o feto está voltado para o ponto da bacia materna (A (anterior), T (transversal), ou P (posterior e voltado para o púbis), S (voltado para o sacro)). A variedade de posição é avaliada no trabalho de parto através do toque vaginal. Entre os pontos de referência é importante diferenciar as duas fontanelas (lambdoide em forma de Y e posterior, fletida e melhor posição) e a bregmatica (em forma de losango e anterior, defletida de primeiro grau) que determina corretamente a variedade de posição. Se tocar a face do bebê, vai saber que é uma cefálica defletida de terceiro grau (M de mento) e se toca o sulco interglúteo, que é pélvico, podendo diagnosticar o sexo. Turma 13 - 2021 A cefálica fletida tem ponto de referência o lambda e a letra é a letra O e a orientação é a sutura sagital. Na apresentação defletida de primeiro grau o ponto de referência é o bregma e a letra é a B e a sutura sagito metotópica é a orientação. A defletida de segundo grau/apresentação de fronte tem como ponto de referência a glabela e a letra é N de naso e a sutura metópicaé a orientação. A apresentação de face/defletida de terceiro grau tem como ponto de referência o mento e a letra é o M e a linha de orientação é a linha facial. A apresentação pélvica tem como ponto de referência o sacro e a letra é o S e a linha de orientação é o sulco intra glúteo. Na apresentação córnica o ponto de referência é o acrômio, a letra é o A e não tem linha de orientação, é o próprio acrômio. Por exemplo: a nomenclatura OP é occipto púbica ou cefálica anterior, que é quando a cabeça está fletida e o occipto está em contato com o púbis. A occipto esquerda anterior é quando o occipito está do lado esquerdo da mãe para a frente. A occipito esquerda transversa é quando o occipto está à esquerda da mãe e transversal. Na occipito sacra o feto está fletido, mas o occipício está em relação com o sacro materno. TRAJETO: O trajeto é o canal do parto e vai do útero até a fenda vulvar. O orifício cervical é a passagem do colo, tem o diafragma pélvico que é a fenda vaginal e esses são os estreitos anulares. Ele é constituído por uma estrutura dura e mais resistente que são os ossos, articulações e ligamentos que constituem a bacia obstétrica ou bacia dura. Também tem estruturas flexíveis que é o diafragma pélvico e urogenital que formam a bacia mole. BACIA OBSTÉTRICA: É constituída por dois ossos ilíacos, dois ossos ísquios e dois púbis, que formam o coco ilíaco e também tem o sacro e o cóccix. Dá um total de 8 ossos, sendo o íleo, o ísquio e o púbis bilaterais e o sacro e o cóccix são únicos. Os ossos da bacia se unem entre si pelas articulações. A sínfise púbica une os dois púbis. A sinostose sacroiliaca une os ossos ilíacos ao sacro e a sacro coccígea articula o cóccix com o sacro. Por ação hormonal essas articulações se tornam mais frouxas durante a gestação. As dores do quadril se devem aos afastamentos dos ossos por ação hormonal. O cóccix na evolução do trabalho de parto sofre o processo de retroprotrusão coccígea e ele se afasta e se move para aumentar o diâmetro entre o púbis e o cóccix. No trabalho de parto o cóccix se afasta, por ser uma ponta de osso móvel. Turma 13 - 2021 A bacia é dividida em 3 estreitos: superior, médio e inferior. Inicialmente é dividida em grande bacia e pequena bacia. A pequena bacia é a escavação pélvica e se localiza abaixo do estreito superior e é o canal ósseo por onde passa o feto durante o parto. A grande bacia apresenta uma configuração conforme o tipo de bacia. O estreito superior tem uma configuração de acordo com o tipo de bacia. Em 50% dos casos a bacia é arredondada. Os estreitos da bacia ou tônus da bacia são regiões que podem dificultar a passagem do feto. O estreito superior divide a bacia em pequena e grande. A bacia pequena é a escavação pélvica e está localizada abaixo do estreito superior e representa o canal ósseo por onde passa o feto. Acima dessa parte se chama estreito superior que vai dividir a bacia em grande e pequena. Abaixo do estreito superior está a pequena bacia e o estreito superior tem o promontório, asas do sacro, sinostose sacro ilíaca, eminência ileo pectinea, linha arqueada do íleo, cristã pectinea, margem superior do púbis e da sínfise púbica. O estreito médio é formado pelo terço inferior do sacro, espinha isquiática e o bordo inferior da sínfise púbica. O terço médio é de extrema importância para a condução do parto transpélvico, que ocorre por via vaginal. Em virtude do diâmetro transverso do estreito médio que corresponde às espinhas isquiáticas tem importância na passagem do feto. Esse diâmetro tem em torno de 10-10,5 e se for menor que 10 tem problema de passagem do feto pelo diâmetro médio e vai ter uma distocia do estreito inferior. As espinhas isquiaticas correspondem ao polo 0 de D1 (?). O estreito inferior corresponde a 2 triângulos com base em comum que se encontram, assim ele é conhecido como bituberoso. O triângulo anterior é formado pela borda inferior da sínfise púbica e os ligamentos Isquiopubicos e o posterior tem seu ápice na ponta do sacro e os lados correspondem aos ligamentos sacro tuberosos que é a saída da pelve. Dificilmente tem distocia no terço inferior e geralmente ocorrem no superior e no médio. Para ter uma distocia no terço inferior ela vem junto com as outras distocias. TIPOS DE BACIA: De acordo com o formato do estreito superior existem 4 tipos de bacia: bacia ginecoide (feminina), antropoide, androide (masculina) e a platipeloide. A bacia ginecoide é mais arredondada e mais ampla. A androide é mais estreita e o diâmetro isquiático também é menor e mais estreio que a ginecoide. A bacia antropóide é mais longitudinal com diâmetro estreito. A platipeloide é uma bacia mais achatada e as espinhas isquiáticas estão mais distantes, mas ela é mais achatada. A bacia ginecoide corresponde a 50% dos casos. Tem o melhor prognóstico para o parto vaginal. Turma 13 - 2021 A bacia antropóide é a bacia dos macacos e corresponde a 25% dos casos e tem maior chance de distocia no estreito superior. A bacia androide é a bacia masculina e corresponde a 20% dos casos. É o pior tipo de bacia. O risco de distocia é crescente de acordo com a progressão (quanto mais o trabalho de parto evolui maior a progressão das distocias). A platiteloide é 5% dos casos e a insinuação geralmente acontece de maneira de variação transversa e se não se insinuar de maneira transversa o parto tem chance de acontecer de forma tranquila se não houver distocia na insinuação. PLANOS DA BACIA: Existem 2 tipos de plano da bacia: plano de Rodge e o plano de Delee. O plano de Rodge está em desuso e o plano usado é o de Deli que tem como plano de referência a espinha bi isquiática. Na hora que tocar vai conseguir identificar as duas pontas da espinha bi isquiática e através disso vai identificar a altura da apresentação. Quando o feto está acima da espinha bi isquiática considera-se negativo (Ex.: -1, -2 e -3) e se a cabeça fetal passou da espinha isquiática, vai ser positivo, e vai medir em cm positivo (Ex.: +1, +2 ou +3 que é quando está em período expulsivo). O plano de Rodge são planos paralelos sem grande aceitação. O primeiro plano toma como base o promontório e a borda superior do púbis. O segundo plano leva em consideração a borda inferior do púbis e o meio da segunda vértebra sacra. O terceiro plano de rodge corresponde ao plano 0 de Deli que está a nível da espinha isquiática. O quarto plano está ao nível da ponta do sacro que é mais ou menos o período expulsivo. PELVIMETRIA: Definição: A pelvimetria interna é a avaliação clínica dos diâmetros da bacia pelo toque. É um importante exame do exame físico da gestante pois é capaz de fornecer prognóstico da via de parto. Vai pedir o ângulo suprapúbico da arcada suprapubica que tem que ser maior que 90°. Na bacia ginecoide o ângulo é maior que 90° e na androide é menor que 90°. Quanto maior o ângulo melhor o prognóstico do parto. Arapongas isquiáticas proeminentes e a distância delas é de 10,5 cm, se toca as espinhas e a distância entre elas for menor que isso vai ter uma distocia no estreito médio. Conjugata exitus é a mobilidade do cóccix. Ele tem que ter de 9,5-11 cm. Se empurrar a ponta do cóccix e ele não chega a 11 sabe que vai ter distocia na passagem do estreito inferior. A conjugada diagonal é a melhor medida, que é quando faz o toque e não consegue palpar o promontório. O promontório inatingível sugere uma medida adequada para o parto e significa que tem mais de 12 cm. A pelvimetria externa pode ser feita pelo pelvímetro, que é um aparelho que mede externamente a pelve. A correlação entre a pelvimetria externa e os estreitos não é precisa e gerava problemas. Assim, o exame de excelência é o toque. Existem exames complementares para auxiliar, mas na maioria dos casos são indisponíveis e a evoluçãodo trabalho de parto é suficiente para o diagnóstico. A clínica é soberana. Pode fazer RMN ou TC em casos excepcionais, mas os diâmetros são precisos. Turma 13 - 2021 A USG tem aplicação restrita porque tem precisão do diâmetro parietal do feto e se a USG for recente vai conferir com a pelvimetria. Por exemplo, se o diâmetro biparietal for 12 e o diâmetro de espinha bi isquiática da 9 não tem como passar pois a espinha bi isquiática não se afasta mesmo com a moldagem do polo cefálico do feto. RESUMO POR JOÃO BERNARDINO (EDIÇÃO: ANA BEATRIZ ALMEIDA)