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Disciplina | Introdução ao Comércio: Origens e Definição www.cenes.com.br | 1 DISCIPLINA COMÉRCIO ELETRÔNICO Comércio Eletrônico | Sumário www.cenes.com.br | 2 Sumário Sumário ----------------------------------------------------------------------------------------------------- 2 1 Introdução ao Comércio: Origens e Definição ----------------------------------------------- 3 2 O Advento do Comércio Eletrônico/Digital --------------------------------------------------- 4 2.1 Visão Histórica ----------------------------------------------------------------------------------------------------- 6 2.2 Vantagens e Desvantagens ------------------------------------------------------------------------------------- 8 2.3 Plataformas de E-Commerce ---------------------------------------------------------------------------------- 9 3 Funcionamento das Transações Online ------------------------------------------------------ 13 4 A Criação da LGPD ---------------------------------------------------------------------------------- 17 4.1 Fundamentos da LGPD ---------------------------------------------------------------------------------------- 21 5 LGPD – Princípios e Disposições ---------------------------------------------------------------- 28 Princípio da Finalidade ------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 28 Princípio do Livre Acesso ----------------------------------------------------------------------------------------------------------- 30 Princípio da Segurança ------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 32 Princípio da Não Discriminação -------------------------------------------------------------------------------------------------- 33 5.1 O Alcance da Lei 13.709/2018 ------------------------------------------------------------------------------- 34 6 Implementação da LGPD no Comércio Eletrônico ----------------------------------------- 37 7 Os Impactos da Pandemia do Covid-19 ------------------------------------------------------- 40 8 O Limite da Responsabilidade Civil nas Compras Online -------------------------------- 45 8.1 O Consentimento ----------------------------------------------------------------------------------------------- 49 9 Desafio: A Fragilidade dos Sistemas de Segurança --------------------------------------- 50 10 Referências ---------------------------------------------------------------------------------------- 52 Este documento possui recursos de interatividade através da navegação por marcadores. Acesse a barra de marcadores do seu leitor de PDF e navegue de maneira RÁPIDA e DESCOMPLICADA pelo conteúdo. Comércio Eletrônico | Introdução ao Comércio: Origens e Definição www.cenes.com.br | 3 1 Introdução ao Comércio: Origens e Definição Iniciando com o escambo na pré-história, esta prática era baseada na troca direta de bens ou serviços sem uma medida padrão de valor. Apesar de eficaz para comunidades pequenas e autossuficientes, o escambo apresentava problemas quando as sociedades começaram a se expandir. A principal questão era a dificuldade de encontrar alguém que tivesse exatamente o que você precisava e, ao mesmo tempo, precisasse do que você tinha para oferecer. Em 3000 a.C., as civilizações antigas começaram a criar uma forma de moeda. Esta foi uma etapa crucial, pois permitiu uma maior especialização do trabalho. As pessoas podiam agora dedicar-se a uma tarefa específica, sabendo que podiam trocar o excedente de sua produção por outras coisas que precisassem. A moeda também permitiu a criação de uma classe mercantil que agia como intermediária nas trocas, contribuindo para o desenvolvimento das primeiras cidades. Durante a Idade Média, a prática comercial evoluiu ainda mais. As rotas comerciais, como a Rota da Seda, permitiram o intercâmbio de bens entre regiões muito distantes. Os burgueses, comerciantes que habitavam as cidades, começaram a surgir como uma nova classe social, detentora de grande poder e influência. Suas atividades incluíam o financiamento de expedições comerciais, a importação de bens exóticos e a produção local de mercadorias para venda. O Renascimento foi um período de expansão geográfica e econômica. As Grandes Navegações permitiram que os europeus estabelecessem rotas comerciais diretas com a Ásia e a América. Isso levou a um influxo de bens exóticos na Europa, como seda, porcelana, especiarias e metais preciosos. Este comércio global foi um fator importante no surgimento do capitalismo e na acumulação de riqueza por uma pequena elite. A Revolução Industrial mudou drasticamente a prática comercial. O advento de máquinas a vapor permitiu a produção em massa de bens. Isso, juntamente com o desenvolvimento de novas técnicas de produção, como a linha de montagem, levou a uma explosão de produtos disponíveis para os consumidores. As redes de transporte também se expandiram, com ferrovias e navios a vapor permitindo o transporte de mercadorias a grandes distâncias rapidamente. O século XX viu a ascensão do comércio de varejo e a globalização da economia. As lojas de departamentos e supermercados se tornaram locais onde os consumidores podiam encontrar uma grande variedade de produtos sob o mesmo teto. A invenção Comércio Eletrônico | O Advento do Comércio Eletrônico/Digital www.cenes.com.br | 4 do contêiner de carga, juntamente com avanços em logística e comunicação, permitiu que empresas de todo o mundo vendessem seus produtos em qualquer lugar. Com o advento da internet no final do século XX, surgiu o comércio eletrônico. A internet permitiu que as empresas vendessem diretamente aos consumidores, sem a necessidade de uma loja física. Isso abriu novas oportunidades para empresas pequenas e grandes. Agora, uma pequena empresa podia vender seus produtos em todo o mundo, enquanto as grandes empresas podiam atender a uma base de clientes global a partir de um único local. Hoje, o comércio eletrônico é uma parte vital da economia global. Empresas de comércio eletrônico como Amazon, Alibaba e Mercado Livre se tornaram gigantes do setor, vendendo uma enorme variedade de produtos para consumidores em todo o mundo. Ao mesmo tempo, novos modelos de negócios surgiram, como os marketplaces, que permitem que múltiplos vendedores vendam seus produtos em uma única plataforma. À medida que avançamos no século XXI, é claro que o comércio continuará a evoluir, com novas tecnologias e modelos de negócios surgindo. 2 O Advento do Comércio Eletrônico/Digital Ao longo dos últimos anos, o ambiente empresarial tem passado por uma notável evolução. Novas formas de relacionamento com diversos públicos têm sido experimentadas, impulsionadas pelo apoio das Tecnologias da Informação (TIs). Isso resultou no desenvolvimento de novos modelos de comércio, seguindo tendências viabilizadas e orientadas por ferramentas e plataformas inovadoras. Essas transformações são reflexo da globalização e da necessidade de criar processos e aplicações mais convenientes para os clientes, que, por sua vez, também evoluíram em suas formas de pesquisa, busca por informações, comparação e hábitos de consumo. De acordo com o relatório WebShoppers do e-bit (2015), o e-commerce (comércio eletrônico) no Brasil obteve um faturamento de R$ 35.8 bilhões em 2014, apresentando um crescimento nominal de mais de 24% em relação a 2013, quando o faturamento foi de R$ 28.8 bilhões. Esse crescimento expressivo evidencia a importância crescente do comércio eletrônico na economia. Segundo Kalakota e Robinson (2002), o e-commerce representa um dos maiores desafios ao modelo de negócios desde o surgimento da computação. Enquanto o Comércio Eletrônico | O Advento do Comércio Eletrônico/Digital www.cenes.com.br | 5 computador acelerou os negócios, nãoa privacidade e segurança dos usuários na rede. Além disso, a LGPD não se aplica a dados de pessoas falecidas, uma vez que não há previsão expressa sobre o tema. Em síntese, a LGPD tem como objeto a proteção dos dados pessoais em todas as suas operações de tratamento, aplicando-se a todas as entidades que realizem tais atividades no Brasil, independentemente do meio em que ocorram, garantindo a privacidade, liberdade e segurança dos titulares dos dados. A aplicação territorial da lei abrange as operações realizadas no Brasil, o tratamento de dados de pessoas residentes no país e a coleta de dados ocorrida no território nacional. Tanto a LGPD quanto o Marco Civil da Internet são normas complementares que visam proteger os direitos dos usuários na internet e garantir a segurança e privacidade dos dados pessoais em ambiente digital. No entanto, a LGPD tem um escopo mais amplo ao abranger todas as atividades de tratamento de dados pessoais, independentemente de serem realizadas no ambiente digital ou físico. É fundamental que as empresas e organizações se adequem às exigências da LGPD para garantir o cumprimento das normas de proteção de dados e evitar possíveis sanções. A proteção dos dados pessoais é essencial para preservar a privacidade e a liberdade dos cidadãos e promover um ambiente seguro para a troca de informações no mundo digital. Com a crescente digitalização da sociedade e a expansão das tecnologias de informação, a LGPD se torna cada vez mais relevante para proteger os direitos dos indivíduos em relação ao tratamento de suas informações pessoais. A lei busca estabelecer padrões claros e rígidos para garantir que as empresas e organizações protejam adequadamente os dados de seus clientes e usuários, evitando o uso indevido ou abusivo dessas informações. A LGPD também prevê a responsabilização das empresas em caso de vazamento ou uso indevido de dados pessoais, estabelecendo sanções e multas para aqueles que não cumprirem as normas estabelecidas. Dessa forma, a lei tem um papel fundamental Comércio Eletrônico | LGPD – Princípios e Disposições www.cenes.com.br | 36 na promoção da segurança e privacidade dos dados dos cidadãos e na construção de um ambiente digital confiável e seguro. Além disso, a LGPD também visa promover a transparência no tratamento de dados pessoais, exigindo que as empresas informem de forma clara e objetiva como os dados serão utilizados e quais são os seus direitos como titular dessas informações. Isso permite que os usuários tenham controle sobre suas informações e possam tomar decisões informadas sobre o compartilhamento de seus dados. Outro aspecto importante da LGPD é o princípio da finalidade, que determina que o tratamento de dados pessoais deve ser realizado para fins específicos e legítimos, informados ao titular no momento da coleta. Isso significa que as empresas não podem coletar dados sem um propósito claro e não podem utilizar as informações de forma incompatível com o propósito original. Esse princípio busca evitar a coleta excessiva e desnecessária de dados pessoais, garantindo que as informações sejam utilizadas de forma adequada e segura. Além disso, a LGPD também prevê a necessidade de consentimento do titular para o tratamento de seus dados pessoais, exceto em casos específicos previstos na lei. Isso significa que as empresas devem obter o consentimento explícito do titular antes de coletar, utilizar ou compartilhar suas informações pessoais. O consentimento deve ser livre, informado e inequívoco, garantindo que o titular esteja ciente e concorde com o tratamento de seus dados. Outro ponto importante da LGPD é a obrigação das empresas de garantir a segurança dos dados pessoais que possuem, adotando medidas técnicas e administrativas para proteger as informações contra acesso não autorizado, uso indevido, destruição, perda ou alteração. Isso inclui a implementação de políticas de segurança, controle de acesso aos dados e o uso de criptografia, por exemplo. A LGPD também prevê a possibilidade de transferência internacional de dados pessoais para países que ofereçam um grau de proteção adequado ou mediante o cumprimento de medidas de segurança estabelecidas na lei. Essa transferência deve ser realizada de forma transparente e informada ao titular, garantindo a proteção de seus dados em qualquer lugar do mundo. Vale ressaltar que a LGPD também estabelece a figura do encarregado de dados, que é responsável por receber reclamações e comunicações dos titulares, além de orientar a empresa em relação às práticas de tratamento de dados. Essa figura é importante para garantir a transparência e a responsabilidade das empresas em relação ao tratamento de dados pessoais. Em caso de descumprimento da LGPD, as Comércio Eletrônico | Implementação da LGPD no Comércio Eletrônico www.cenes.com.br | 37 empresas estão sujeitas a sanções e multas que podem chegar a até 2% do faturamento anual, limitado a R$ 50 milhões, por infração. Essas sanções visam garantir a conformidade das empresas com as normas de proteção de dados e promover a responsabilidade no tratamento de informações pessoais. Em resumo, a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais é uma legislação fundamental para garantir a privacidade, liberdade e segurança dos cidadãos em relação ao tratamento de suas informações pessoais. Ela estabelece padrões claros e rígidos para o tratamento de dados pessoais, promovendo a transparência, a responsabilidade e a segurança das informações em um ambiente digital cada vez mais conectado e interconectado. As empresas e organizações devem estar atentas às exigências da LGPD e implementar as medidas necessárias para garantir a proteção dos dados de seus clientes e usuários, evitando o risco de sanções e multas. A conscientização sobre a importância da proteção de dados pessoais é essencial para que todos possam usufruir dos benefícios das tecnologias de informação e comunicação de forma segura e responsável. Portanto, é fundamental que as empresas e organizações se adequem às exigências da LGPD e adotem práticas de tratamento de dados éticas e responsáveis, promovendo a privacidade, a liberdade e a segurança dos cidadãos em um mundo cada vez mais digital. 6 Implementação da LGPD no Comércio Eletrônico Nos últimos anos, a presença online e o uso de meios digitais experimentaram um crescimento expressivo, com o Brasil ocupando a 5ª posição entre os países com maior número de usuários de internet e o 3º em uso diário da internet (BRASIL, 2021). Este crescimento desempenhou um papel fundamental na consolidação do comércio eletrônico, uma modalidade de consumo que acontece através de transações online, que já estava em ascensão e que ganhou um impulso ainda maior com a pandemia da COVID-19. Apesar da flexibilização do isolamento social, medida adotada para estimular o distanciamento para conter a disseminação do novo coronavírus, cada vez mais pessoas estão optando pela conveniência de fazer compras ou contratar serviços online (MORAES et. al, 2021). Comércio Eletrônico | Implementação da LGPD no Comércio Eletrônico www.cenes.com.br | 38 É importante destacar que o termo e-commerce, ou comércio eletrônico, refere- se às transações que mantêm sua estrutura de compra e venda de forma virtual, realizadas pela internet. Segundo a definição de Bruno (2001), o comércio eletrônico é uma modalidade de compra à distância, na qual a aquisição de bens e/ou serviços acontece por meio de equipamentos eletrônicos de processamento e armazenamento de dados, que transmitem e recebem informações. Os impactos do uso da tecnologia no desenvolvimento do comércio são evidentes. Teixeira (2021) destaca que o comércio eletrônico permite a diminuição da cadeia de distribuição de bens, possibilita às empresas comercializarem seus produtos e serviços 24 horas pordia, e, principalmente, não impõe limitações geográficas para vendas. Porém, diferente do comércio tradicional, nas plataformas de e-commerce é impossível efetuar uma compra sem fornecer dados pessoais como nome, CPF, sexo, idade, endereço, telefone e e-mail, que são requisitos básicos para possibilitar o consumo de produtos oferecidos no mercado digital. Além disso, informações relacionadas à navegação, buscas por produtos e marcas, entre outros, também ficam registradas nas preferências dos usuários. A Lei 13.709, conhecida como LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados), entrou em vigor em 28 de dezembro de 2018, referente a sua estrutura administrativa, compreendendo a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e o Conselho Nacional de Proteção de Dados Pessoais e da Privacidade. As sanções administrativas, contudo, só passaram a vigorar em 1º de agosto de 2021. Durante o período entre a vigência da lei e a efetivação das sanções, vários casos foram levados ao judiciário sob a tutela da LGPD, permitindo que se delineasse um panorama prático de sua aplicação. Uma pesquisa da Surfshark mostrou que, de janeiro a novembro de 2021, 24,19 milhões de brasileiros tiveram suas informações expostas na internet, colocando o Brasil na 6ª posição entre os países com mais vazamentos de dados anuais. Segundo um estudo de Paiva (2022) disponível no JOTA, ocorreram ao menos 465 decisões judiciais relativas à LGPD em 2021. Destas, 77% não culminaram em condenações, sendo julgadas improcedentes ou extintas. Em um levantamento de Blum et al. (2022), especialista em Direito Digital, os julgamentos de improcedência se basearam na efetivação de diligências básicas por parte das empresas. Entretanto, nas condenações, as multas variaram entre R$600,00 e R$100.000,00. Comércio Eletrônico | Implementação da LGPD no Comércio Eletrônico www.cenes.com.br | 39 Foi recorrente também a imposição de obrigações a serem realizadas pelas empresas, destacando-se a necessidade de comprovação efetiva da lesão sofrida. Importante salientar que o dever de indenização representou somente 47% do total das condenações, não havendo presunção automática do pagamento de danos morais pelas empresas rés. Dentre as obrigações impostas, a adoção de boas práticas e de governança se destacam, tais como a nomeação de um encarregado para mediar a comunicação entre o controlador, os titulares dos dados pessoais e a ANPD, e o dever de maior transparência. Também foi requisitada a exibição de documentos que comprovem a adoção de medidas de segurança e sigilo de dados. No âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF), nas ações ADI 6649 e ADPF 695, por maioria de votos, decidiu-se que órgãos e entidades da administração pública federal podem compartilhar dados pessoais entre si, desde que observem critérios objetivos e se trate de informações indispensáveis para a garantia do interesse público. Devem-se respeitar limitações ao mínimo necessário para atendimento da finalidade solicitada, o cumprimento integral dos requisitos, garantias e procedimentos estabelecidos na LGPD. Em caso de descumprimento, o Estado responderá objetivamente pelos danos causados às pessoas. Havendo dolo ou culpa, poderá haver ação de regresso contra o servidor responsável pela violação. A violação dolosa do dever de publicidade, estabelecido no artigo 23, I, da LGPD, pode configurar ato de improbidade administrativa. Em conclusão, a ascensão do comércio eletrônico e o crescimento do uso de meios digitais nos últimos anos realçaram a importância da proteção de dados pessoais no Brasil. O surgimento da LGPD em 2018 e a entrada em vigor das sanções em 2021 estabeleceram um novo paradigma legal para proteger os direitos dos cidadãos na era digital. Apesar dos desafios iniciais de aplicação da lei, como evidenciado pelas diversas ações judiciais e o número de dados pessoais expostos na internet, a LGPD está moldando o comportamento das empresas em relação ao uso e proteção de dados pessoais. Isso é especialmente evidente na exigência de adotar boas práticas e de governança, incluindo a nomeação de um encarregado para mediar a comunicação entre o controlador, os titulares dos dados pessoais e a ANPD, além do dever de transparência e a necessidade de comprovar a adoção de medidas de segurança e sigilo de dados. Comércio Eletrônico | Os Impactos da Pandemia do Covid-19 www.cenes.com.br | 40 Decisões judiciais, especialmente as do STF, reforçam a importância da LGPD, permitindo o compartilhamento de dados entre entidades públicas federais, desde que observados critérios objetivos e em situações indispensáveis para o interesse público, sempre respeitando os princípios e diretrizes da LGPD. As violações dessas normas têm implicações sérias, incluindo potenciais ações de regresso contra servidores responsáveis e a caracterização de atos de improbidade administrativa. Portanto, é imperativo que empresas, órgãos governamentais e indivíduos continuem a se adaptar a esse ambiente regulatório em constante evolução, garantindo que a privacidade e a proteção de dados pessoais sejam priorizadas em todas as operações digitais. O futuro do e-commerce e do uso de meios digitais no Brasil dependerá em grande parte de como esses desafios são abordados. 7 Os Impactos da Pandemia do Covid-19 A COVID-19, que se originou na China no final de 2019, espalhou-se rapidamente por todo o mundo. No Brasil, o primeiro caso foi identificado em fevereiro de 2020, e no mês seguinte, a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou o estado de pandemia global (OMS, 2020). Essa situação resultou no fechamento de instituições públicas e privadas para prevenir aglomerações. Governos ao redor do mundo implementaram novas diretrizes para o funcionamento de espaços públicos, como escolas e estabelecimentos comerciais, com o objetivo principal de promover o distanciamento social para reduzir a taxa de infecção. Spadacio e Alves (2020, p. 62) definem a COVID-19 como "uma infecção respiratória causada pelo vírus da Síndrome Respiratória Aguda Grave 2 (Sars-CoV- 2)", um vírus de alta transmissibilidade que ataca principalmente o sistema respiratório dos humanos. Para combater a propagação do vírus, foram implementadas medidas como o uso de máscaras, a higiene constante das mãos e a limpeza de espaços e objetos de uso diário. No Brasil, devido ao cenário pandêmico, foram adotadas restrições governamentais para evitar um colapso no Sistema Único de Saúde (SUS). Tais ações tiveram repercussões negativas em vários setores, como a paralisação parcial ou total de empresas nacionais e internacionais, causando uma redução na atividade dos aeroportos e portos e afetando a distribuição de insumos e bens de consumo (Organização Pan-Americana da Saúde, 2020). Comércio Eletrônico | Os Impactos da Pandemia do Covid-19 www.cenes.com.br | 41 Nesse contexto, a pandemia provocou mudanças significativas nos estilos de vida e nos hábitos de consumo das pessoas, muitas delas impulsionadas pelo isolamento social. Segundo Afonso e Figueira (2020, p. 1), essa medida foi crucial porque "o isolamento social é importante para proteger nossa saúde física, prevenindo a contaminação pelo vírus". Como resultado, novos comportamentos e formas de interação surgiram, substituindo interações presenciais por virtuais. Algumas dessas mudanças incluem a substituição do trabalho presencial pelo home office, aulas presenciais sendo realizadas online e até cerimônias, festas e eventos que costumavam ser totalmente presenciais passaram a ser realizados remotamente através da internet durante a pandemia. Além disso, houve um aumento no uso da internet em diversos dispositivos, como computadores, smartphones, tablets, TVs, smartwatches, entre outros, para facilitar a realização de tarefas diárias, como compras, pagamentos de contas e comunicaçãocom outras pessoas. Apesar das várias mudanças, e mesmo considerando os aspectos negativos, um dos pontos positivos foi o salto no setor de vendas online. Esse setor, que já estava em ascensão, ganhou ainda mais destaque durante a pandemia. Em abril de 2020, houve um aumento de 81% na procura por esse mercado em comparação com o mesmo período de 2019 (E-COMMERCE BRASIL; VILARDAGA, 2020). Esses dados confirmam que, apesar das dificuldades enfrentadas pelas organizações durante a pandemia, que continua até o momento presente, as instituições foram forçadas a repensar suas estratégias de gestão, buscando entender e se adaptar às mudanças no mercado e na economia (ROSA; CASAGRANDA; SPINELLI, 2017). O crescimento de novos consumidores no e-commerce evidencia que o número de consumidores que realizaram sua primeira compra online em lojas de autosserviço aumentou durante a pandemia. Os dados indicam que a flutuação no número de consumidores utilizando serviços de autosserviço foi mais notável até 5 de março de 2020, quando o mundo ainda estava na fase inicial da pandemia. Posteriormente, o número de consumidores fazendo sua primeira compra online estabilizou por cerca de 10 dias, para depois aumentar. Acredita-se que o aumento crescente no número de infecções pelo vírus, o distanciamento social e a quarentena foram fatores que influenciaram o aumento dos consumidores online. Diante deste cenário, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo - CNC (2020) realizou uma pesquisa quatro meses após o início da pandemia no Brasil, constatando que o número de lojas permanentemente fechadas chegou a Comércio Eletrônico | Os Impactos da Pandemia do Covid-19 www.cenes.com.br | 42 135 mil. Essa perda representa 10% do número de lojas com empregados antes da pandemia, onde os sinais de recuperação começaram a aparecer lentamente nos meses seguintes. De acordo com essa pesquisa, o ano de 2020 terminou com 75 mil lojas fechadas em todo o país, das quais 98,8% eram micro e pequenas empresas. Durante o mesmo período, houve um aumento no número de lojas online em todo o mundo. No Brasil, este crescimento foi de 40% em comparação com o ano de 2019, enquanto no primeiro semestre de 2021 houve um crescimento de apenas 22,1%. Esses dados indicam uma relação direta entre a pandemia da Covid-19 e o aumento no número de consumidores e lojas online (PAYPAL, 2021). É provável que o isolamento social tenha levado as pessoas a passarem mais tempo em casa, permitindo que várias atividades diárias fossem realizadas dentro de suas residências. Isso impulsionou o e-commerce existente, com a inserção de novos consumidores na internet, como apontado pela Nielsen, além de promover um crescimento acentuado do setor, impulsionado pela criação de novas lojas online, conforme destacado pela pesquisa da CNC. Como resultado, as vendas online atingiram um recorde no Brasil, totalizando um faturamento de 53 bilhões no primeiro semestre de 2021, um crescimento de 31% em comparação com o mesmo período em 2020 (NIELSEN, 2021). De acordo com a Nielsen (2020), este crescimento nas transações online ocorreu devido a dois fatores: primeiro, o aumento da segurança nas relações virtuais, proporcionando maior confiança aos usuários; e segundo, a otimização e agilidade na seleção de produtos, especialmente para pessoas com rotinas diárias aceleradas e agendas lotadas, permitindo que realizem suas compras através de tablets, smartphones e notebooks. Deve-se destacar que a evolução das lojas virtuais e a inserção de novos consumidores nesse mercado também contribuíram para o crescimento observado. Uma indicação deste movimento é o resultado da pesquisa realizada pela Nielsen (2021), que mostra que os motores de busca e as redes sociais são os principais canais utilizados pelos consumidores quando procuram por lojas online e pelos produtos que desejam. Como sinal dessa adaptação, uma pesquisa realizada pela PwC Digital Trust Insights (2022) com mais de 3.000 executivos de tecnologia ao redor do mundo mostrou que o investimento em segurança da informação aumentou para 69% após o início da pandemia. Este setor tem se mostrado cada vez mais atrativo para as empresas que buscam se destacar no mercado online. Comércio Eletrônico | Os Impactos da Pandemia do Covid-19 www.cenes.com.br | 43 A migração para plataformas virtuais levou a maioria das organizações a enfrentar a necessidade e a importância da segurança da informação nas transações online, para garantir a integridade das informações envolvidas na relação entre empresa e consumidor. Com o avanço tecnológico, cresce a necessidade de assegurar a proteção das informações, principalmente devido à grande variedade de plataformas e suportes utilizados para movimentar dados pessoais. O aumento na conectividade e no compartilhamento de informações torna esses dados mais vulneráveis a ameaças como fraude, uso inadequado de dados e acesso não autorizado às contas privadas, levantando questões sobre a segurança dessas informações na rede. Segundo Booth (2005, p.13), a ideia de segurança engloba tanto "estar" quanto "sentir-se" seguro diante das ameaças. Esta dupla percepção também se aplica à segurança da informação. Portanto, é essencial entender que a segurança neste contexto se refere à percepção de proteção contra ameaças e riscos, enquanto a informação é o conteúdo valioso para uma organização ou indivíduo (FONTES, 2006). Silva (2011) sugere que há um desconforto entre os usuários da internet, geralmente relacionado a restrições para acessar informações, o que por sua vez está diretamente ligado ao nível de segurança percebido nesses ambientes virtuais restritos. Portanto, há uma diferença na percepção dos usuários de internet sobre a oposição entre estar e sentir-se seguro ao acessar o mundo online. Alves (2006, p. 15) afirma que a Segurança da Informação visa proteger as informações para garantir a continuidade dos negócios, minimizando danos e maximizando o retorno dos investimentos e oportunidades. Problemas causados por acessos indevidos a informações não só colocam os dados dos usuários em risco, mas também prejudicam a reputação das organizações. Ferreira (2003) argumenta que a segurança da informação corresponde à prevenção contra a divulgação, modificação ou destruição intencional ou acidental desses dados, garantindo a disponibilidade dessas informações apenas para pessoas autorizadas. Nesse contexto, a segurança da informação é composta por uma série de ações que permitem entender melhor o seu funcionamento, incluindo a análise de riscos, que envolve a compreensão de conceitos como vulnerabilidade, ameaça e risco (SÊMOLA, 2003). Além disso, é fundamental desenvolver políticas de segurança internas em cada Comércio Eletrônico | Os Impactos da Pandemia do Covid-19 www.cenes.com.br | 44 empresa, para garantir que suas informações e as de seus consumidores não sejam acessadas e utilizadas de forma inadequada. Isso inclui a criação de parcerias com instituições de segurança e órgãos públicos para detectar, registrar e monitorar quaisquer violações de dados que ocorram em ambientes virtuais. Tendo em vista a falta de uma cultura de segurança entre a maioria dos usuários, é necessário conscientizá-los sobre as ameaças tecnológicas, para que todos os que têm acesso a essas tecnologias o façam com responsabilidade (CANONGIA; MANDARINO JUNIOR, 2009). Segundo uma pesquisa da NordVPN (2021), os brasileiros estão cientes dos riscos online, mas geralmente não adotam práticas simples e seguras que poderiam proteger a privacidade de seus dados pessoais. Um dos principais problemas identificados na pesquisa foi a falta de leitura dos termos de privacidade e segurança de sites, aplicativos e redes sociais. Em conclusão, a pandemia do coronavírus deixou um impacto significativono e- commerce, que em muitos aspectos, redefiniu o panorama do varejo global. À medida que as medidas de bloqueio e distanciamento social se tornaram o novo normal, o e- commerce emergiu como um salva-vidas crucial para consumidores e empresas. A aceleração da transformação digital foi uma das mudanças mais notáveis. As empresas que não estavam online antes da pandemia, foram forçadas a adaptar-se rapidamente para sobreviver, enquanto aquelas já com forte presença digital, tiveram que escalar suas operações para atender ao aumento da demanda. Com o avanço do e-commerce, o consumo tornou-se mais orientado para a conveniência, variedade e eficiência, estabelecendo novas expectativas de atendimento ao cliente. No entanto, esse crescimento rápido também apresentou desafios. A logística e as cadeias de suprimento sofreram com a pressão do aumento da demanda, gerando atrasos e escassez de produtos. A necessidade de protocolos mais robustos de segurança cibernética também se tornou evidente, já que o aumento das transações online também resultou em um aumento correspondente nos ataques cibernéticos e fraudes. Embora exista uma incerteza significativa sobre o que o futuro reserva, uma coisa é clara: o e-commerce já não é mais uma conveniência, mas uma necessidade. A era pós-pandemia provavelmente verá um cenário de varejo híbrido, onde o e-commerce coexiste e se integra mais profundamente com as lojas físicas. As empresas que puderem navegar nessa nova realidade, adaptando-se às mudanças e inovando Comércio Eletrônico | O Limite da Responsabilidade Civil nas Compras Online www.cenes.com.br | 45 constantemente, terão mais chances de prosperar neste novo normal. 8 O Limite da Responsabilidade Civil nas Compras Online No evento de desrespeito aos princípios definidos na LGPD, os agentes de processamento, ou seja, o controlador (pessoa física ou jurídica responsável por coordenar e definir as diretrizes do uso dos dados pessoais, desde a coleta até a exclusão da base de dados) e o operador (pessoa física ou jurídica encarregada da manipulação dos dados em nome do controlador), serão responsabilizados pela infração. O controlador é solidariamente responsável pelas ações do operador que causem danos ao titular dos dados. Importante ressaltar, como estabelecido pelo artigo 46 da LGPD, que cabe aos agentes de processamento adotar medidas de segurança, sejam técnicas ou administrativas, que sirvam como ferramentas capazes de proteger os dados pessoais, protegendo-os de perdas, alterações indesejadas, vazamentos etc. Surge, então, um debate sobre a natureza da responsabilidade pela ação: seria objetiva ou subjetiva? A maioria dos juristas entende que a natureza da relação entre vítima e infrator deve ser analisada para determinar o tipo de responsabilidade. De acordo com Tambosi (2021), a influência do Código de Defesa do Consumidor é clara na seção que trata da responsabilidade civil na LGPD, principalmente nos artigos 43 e 44, ambos expandindo os requisitos para responsabilidade com base no risco, em detrimento da culpa. Portanto, é necessária uma interpretação ampliativa para entender a essência da relação entre as partes. A seguir, estão os dispositivos do CDC e da LGPD, respectivamente: Art. 12. O fabricante, o produtor, o construtor, nacional ou estrangeiro, e o importador respondem, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos decorrentes de projeto, fabricação, construção, montagem, fórmulas, manipulação, apresentação ou acondicionamento de seus produtos, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua utilização e riscos. § 1° O produto é defeituoso quando não oferece a segurança que dele legitimamente se espera, levando-se em consideração as Comércio Eletrônico | O Limite da Responsabilidade Civil nas Compras Online www.cenes.com.br | 46 circunstâncias relevantes, entre as quais: I - sua apresentação; II - o uso e os riscos que razoavelmente dele se esperam; III - a época em que foi colocado em circulação. § 2º O produto não é considerado defeituoso pelo fato de outro de melhor qualidade ter sido colocado no mercado. § 3° O fabricante, o construtor, o produtor ou importador só não será responsabilizado quando provar: I - que não colocou o produto no mercado; II - que, embora haja colocado o produto no mercado, o defeito inexiste; III - a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro. (BRASIL, 1990) Art. 43. Os agentes de tratamento só não serão responsabilizados quando provarem: I - que não realizaram o tratamento de dados pessoais que lhes é atribuído; II - que, embora tenham realizado o tratamento de dados pessoais que lhes é atribuído, não houve violação à legislação de proteção de dados; ou III - que o dano é decorrente de culpa exclusiva do titular dos dados ou de terceiro. Art. 44. O tratamento de dados pessoais será irregular quando deixar de observar a legislação ou quando não fornecer a segurança que o titular dele pode esperar, consideradas as circunstâncias relevantes, entre as quais: I - o modo pelo qual é realizado; II - o resultado e os riscos que razoavelmente dele se esperam; Comércio Eletrônico | O Limite da Responsabilidade Civil nas Compras Online www.cenes.com.br | 47 III - as técnicas de tratamento de dados pessoais disponíveis à época em que foi realizado. Parágrafo único. Responde pelos danos decorrentes da violação da segurança dos dados o controlador ou o operador que, ao deixar de adotar as medidas de segurança previstas no art. 46 desta Lei, der causa ao dano. (BRASIL, 2018) Nessa linha de pensamento, se for comprovado que o mau uso dos dados derivou de uma relação de consumo, é facilmente verificável a possibilidade de aplicação da responsabilidade objetiva da entidade envolvida na relação consumerista, ou seja, o fornecedor de produtos e serviços, conforme o artigo 14 do Código de Defesa do Consumidor, removendo a necessidade de provar a existência de culpa para o dano causado. Como consequência, se tratar de uma responsabilidade objetiva, há um efeito bastante conhecido nas relações consumeristas: a inversão do ônus da prova, de acordo com o artigo 6º, VIII do CDC, que resulta na responsabilidade exclusiva do causador do dano em provar que não houve conexão causal entre o ato e o dano, e não mais a vítima. Em sua defesa, para se eximir da responsabilidade, deverá provar que não foi o responsável pelo tratamento dos dados, não violou as regras da LPPD ou o dano resulta de uma culpa exclusiva do titular do dano ou culpa de terceiros, conforme o artigo 43 da LGPD. Por outro lado, a responsabilidade subjetiva seria aplicada quando não há uma relação de consumo entre as partes, o que exigiria a prova da existência de culpa ou dolo do agente, bem como a responsabilidade da vítima em demonstrar o dano e a conexão causal entre ambos. A partir da constatação de uma violação à LGPD e consequente responsabilidade, surgem sanções administrativas para os responsáveis pela infração, listadas no artigo 52 da referida lei, como: advertência, multa simples de até 2% (dois por cento) do faturamento da pessoa jurídica de direito privado, grupo ou conglomerado no Brasil no seu último exercício, excluindo os tributos, limitada, no total, ao valor de R$ 50.000.000,00 (cinquenta milhões de reais) por infração, multa diária, publicidade da infração após sua efetiva apuração e confirmação, bloqueio dos dados pessoais usados na infração até esclarecimentos, regularização e a exclusão dos dados pessoais usados na infração. Foi promulgada em 10 de fevereiro de 2022 a Emenda Constitucional nº Comércio Eletrônico | O Limite da Responsabilidade Civil nas Compras Online www.cenes.com.br | 48 115/2022, que alterou o texto da Constituição ao incluir a proteção de dadospessoais, inclusive por meio digitais, na lista de direitos e garantias fundamentais constitucionais, especificamente no artigo 5º, inciso LXXIX, da Constituição Federal. A LGPD se aplica a qualquer processamento de dados realizado por pessoa física ou jurídica de direito público ou privado, seja digital ou físico, entretanto, esta lei não abrange o processamento de dados pessoais quando realizado por pessoa física com fins exclusivamente pessoais e não econômicos (TEIXEIRA, 2021, p. 78). Assim, havia uma lacuna evidente em relação ao uso de dados para outros fins que não os estabelecidos na Lei nº 13.709/2018, portanto, não havia uma regulamentação clara e robusta cobrindo todas as possibilidades de manipulação de dados. Até então, a discussão sobre a proteção de dados pessoais como um direito inerente ao cidadão era pacificada através do Poder Judiciário, que exercia sua jurisdição como guia para aplicação do direito de sigilo dos dados ao cidadão. Por meio de ações judiciais, o exercício da justiça provia proteção às suas disputas em relação ao uso indevido de dados usando a hermenêutica jurídica dos incisos X e XII do artigo 5º da CRFB/88, que tratam das cláusulas que protegem a privacidade e o sigilo das correspondências e comunicações. Nesse contexto, a promulgação da Emenda Constitucional nº 115/2022, formalizando a proteção dos dados pessoais como um direito fundamental, representou um passo significativo no sentido de consolidar a proteção dos dados pessoais no cenário jurídico brasileiro. Além disso, a alteração também tem um impacto significativo na interpretação da LGPD, visto que os direitos fundamentais são dotados de aplicação imediata, conforme o parágrafo 1º do artigo 5º da Constituição Federal. Com isso, a proteção de dados pessoais se torna um direito inalienável e obrigatório em todas as esferas de ação, público e privado, que não pode ser afastado por legislação infraconstitucional. Por fim, a Emenda Constitucional nº 115/2022 pode ter implicações práticas importantes no judiciário. Como a proteção dos dados pessoais agora é considerada um direito fundamental, pode-se esperar um aumento do número de ações judiciais relacionadas à proteção de dados, bem como uma maior disposição dos juízes em conceder medidas cautelares e antecipatórias para proteger esse direito. Em conclusão, a Emenda Constitucional nº 115/2022 reforça a necessidade de proteger os dados pessoais e coloca o Brasil em conformidade com as normas internacionais de proteção de dados, como o Regulamento Geral de Proteção de Dados da União Europeia. Além disso, a emenda consolida a proteção de dados Comércio Eletrônico | O Limite da Responsabilidade Civil nas Compras Online www.cenes.com.br | 49 pessoais como um direito fundamental, oferecendo aos cidadãos brasileiros uma base jurídica mais sólida para proteger seus dados pessoais. Todavia, é imprescindível se destacar que, apesar do reconhecimento dos direitos fundamentais aos dados pessoais, ainda há um caminho a ser percorrido na evolução dos meios de tutela dos direitos privados na esfera digital, seja através de leis mais severas, bem como pela efetivação dos mecanismos de controle e fiscalização de dados. Além disso, em que pese os avanços legais serem notórios, ainda necessitamos evoluir na conscientização e educação da sociedade acerca dos perigos e responsabilidades do uso indevido dos dados pessoais na era digital. 8.1 O Consentimento Consentimento, conforme definido por Rafael Fernandes Maciel (2019), é a expressão clara, informada e sem dúvidas em que o proprietário concorda com o processamento de seus dados pessoais para um propósito específico. Este é apenas um dos fundamentos legais que validam o processamento de dados pessoais. Maciel (2019) acrescenta sobre o assunto: O consentimento deve ser explícito, informado e incontestável, fornecido por escrito ou de outra forma que evidencie a vontade do titular. Ele deve ser livre de vícios e referir-se a propósitos específicos. Autorizações genéricas e caixas de seleção pré-marcadas são inválidas, tornando o consentimento inválido. O controlador deve implementar mecanismos eficazes para provar o consentimento obtido, pois a responsabilidade da prova recai sobre ele. Para Patricia Peck (2020), o consentimento do titular é a base para o processamento de dados pessoais, que deve ser aplicado ao processamento de dados informados e ligados aos propósitos apresentados. A LGPD exige que o consentimento reflete efetivamente a intenção do usuário, que pode ser expressa por escrito ou por outros meios, como SMS, gravação de áudio, vídeo ou e-mail. Além disso, deve ficar claro que o usuário concorda em ter seus dados processados. A garantia de que as pessoas estão cientes de que precisam dar consentimento para o uso de seus dados, bem como ter direito de saber o propósito da coleta e acesso ao seu conteúdo a qualquer momento, é essencial para proteger a liberdade e privacidade. O consentimento pode ser revogado pelo usuário a qualquer momento, sem necessidade de ser por escrito, mas deve ser fácil e gratuito, especialmente através do mesmo meio pelo qual foi dado. Comércio Eletrônico | Desafio: A Fragilidade dos Sistemas de Segurança www.cenes.com.br | 50 A LGPD também prevê sanções para empresas que não seguem suas disposições. As penalidades, listadas nos artigos 52 a 54 da LGPD, incluem multas, proibições e restrições ao processamento de dados. No entanto, embora as sanções sejam uma forma de fazer as empresas cumprirem a LGPD, a cultura de proteção de dados pessoais e a implementação das medidas previstas na lei podem criar confiança com os consumidores e abrir oportunidades de mercado. A Autoridade Nacional de Proteção de Dados é a entidade responsável por determinar a aplicação das sanções administrativas previstas na LGPD, levando em consideração os princípios da razoabilidade e proporcionalidade. O valor da multa diária depende da gravidade da infração e do dano ou prejuízo causado. Em conclusão, as empresas precisam se concentrar nos princípios estabelecidos na LGPD para garantir a sustentabilidade do negócio. As penalidades administrativas na LGPD exigem regulamentos próprios da autoridade nacional para serem aplicados. Estas questões estão atualmente sendo discutidas teoricamente e só poderão ser melhor examinadas quando a Autoridade Nacional estiver em operação e a lei for aplicada a casos concretos. 9 Desafio: A Fragilidade dos Sistemas de Segurança No universo online, quase todos os sites solicitam informações pessoais do usuário. São pedidos dados como e-mail, nome completo, número de telefone, CPF, endereço e, às vezes, até informações de cartão de crédito. A razão disso é que esses detalhes facilitam a comunicação entre o site e o usuário, além de personalizar a experiência do cliente. Toda essa solicitação de dados, porém, gera a necessidade premente de garantir a segurança dessas informações. Afinal, quando os usuários fornecem tais dados, confiam no site para manter suas informações seguras e privadas. A falha em fazer isso pode levar a graves implicações, desde o inconveniente de spam indesejado até o roubo de identidade e outros danos mais significativos. A exposição desses dados tem o potencial de prejudicar seriamente a vida do usuário. O risco de danos morais e financeiros é bastante real, e os usuários do site podem enfrentar sérias consequências se suas informações forem vazadas. Isso coloca uma enorme responsabilidade nos ombros das empresas que operam esses sites. A LGPD, a Lei Geral de Proteção de Dados, foi criada para responder a essa Comércio Eletrônico | Desafio: A Fragilidade dos Sistemas de Segurança www.cenes.com.br | 51 necessidade. Essa legislação obriga as empresas a se esforçarem mais para garantir a segurança dos dados do usuário. As empresas de e-commerce,em particular, tiveram que se adaptar a essas novas regulamentações. No entanto, mesmo com a LGPD em vigor, falhas de segurança podem ocorrer. A verdade é que nenhum sistema é completamente imune a violações de segurança. Os sistemas de segurança de dados podem apresentar vulnerabilidades, o que pode resultar no vazamento de dados pessoais. Essas violações de dados, ou "data breaches", podem ter diferentes formas e efeitos, dependendo dos objetivos do invasor e do tipo de violação. Em alguns casos, as informações vazadas podem ser usadas para fins relativamente inofensivos, como publicidade direcionada. Em outros casos, as consequências podem ser muito mais graves. Hackers frequentemente se concentram em suas vítimas, especialmente os consumidores de e-commerce, para determinar as melhores maneiras e os locais mais fracos para atacar. Esse nível de personalização torna os ataques mais eficazes e potencialmente mais prejudiciais. O fato de os hackers estarem ativamente procurando brechas faz da segurança um desafio contínuo para as empresas. A necessidade de segurança robusta é, portanto, evidente. As empresas precisam criar e manter infraestruturas de segurança fortes para proteger os dados de seus usuários. Os sistemas de segurança não devem apenas proteger os dados do usuário, mas também precisam ser capazes de detectar e reagir a qualquer tentativa de violação. Grandes empresas, como a Netshoes, já foram vítimas de violações de dados. Nesses casos, os dados dos clientes foram expostos, o que não apenas prejudicou a reputação da empresa, mas também levou a ações judiciais. Tais incidentes ressaltam a importância da segurança dos dados. Os processos judiciais que resultam dessas violações também sublinham a necessidade de maior segurança. Em alguns casos, as empresas podem ser obrigadas a pagar indenizações pesadas por falhas em seus sistemas de segurança. Isso demonstra que as falhas de segurança têm consequências reais e significativas. A LGPD tem um escopo bastante amplo, abrangendo uma variedade de indústrias e setores. No entanto, encontra um ambiente particularmente relevante no mundo do e-commerce. Dada a natureza desse setor e o volume de dados que ele lida, o cumprimento da LGPD é uma necessidade absoluta para essas empresas. Comércio Eletrônico | Referências www.cenes.com.br | 52 As empresas de e-commerce não devem apenas se preocupar com a proteção dos dados pessoais de seus clientes. Eles também precisam levar em consideração a segurança cibernética em geral. Com o aumento da atividade cibernética, garantir a segurança cibernética é tão importante quanto proteger os dados dos usuários. Assim, embora a segurança dos dados seja uma parte significativa da LGPD, a lei tem implicações mais amplas. Ela representa um esforço para criar um ambiente cibernético mais seguro e protegido para todos os usuários. O e-commerce é apenas um dos muitos setores que são afetados por esta lei. Resumindo, a segurança dos dados é de grande importância no mundo online. As empresas precisam se esforçar para garantir que os dados de seus usuários estejam seguros, e as consequências de falhar em fazer isso podem ser graves. Com a LGPD em vigor, a expectativa é que as empresas levem a segurança dos dados ainda mais a sério. Os desafios da segurança de dados, no entanto, não desaparecerão simplesmente. As empresas precisam estar constantemente vigilantes para detectar e prevenir violações de segurança. No entanto, a LGPD representa um passo positivo na direção certa, proporcionando mais proteção e segurança para os usuários da internet. 10 Referências BRASIL. [Constituição de 1988]. Constituição da República Federativa do Brasil, promulgada em 5 de outubro de 1988. Brasília-DF: Senado Federal, 1988. [DECRETO]. Decreto nº 7.962, de 15 de março de 2013. Regulamenta da Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990, para dispor sobre a contratação no comércio eletrônico. Brasília-DF: Senado Federal, 2013. INTERAMINENSE, Raianny Lima Barros e SILVA, Silvia Cristina da. Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais: Noções preliminares da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais – unidade 1. Editora Telesapiens, 2020. [LGPD]. Lei nº 13.709, de 14 de agosto de 2018. Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). Brasília-DF: Senado Federal, 2018. MORAES, C. A. de M., ARAÚJO, J. P. B. de, VIANA, L. E. M., & MINARÉ, M. T. A Lei Geral de Proteção de Dados e sua importância no âmbito do consumo por e-commerce. LIBERTAS: Revista De Ciências Sociais Aplicadas, 2022. Comércio Eletrônico | Referências www.cenes.com.br | 53 RadioagênciaNacional. História Hoje: Há 37 anos era oferecido o primeiro serviço bancário por computador. Brasília-DF, 2017. SANTOS, Alexandre Correia dos. Gestão de Comércio Eletrônico. Curitiba-PR: Universidade Positivo, 2015. SOUZA, Maria de Fátima Rufino de. O Comércio Eletrônico Durante a Pandemia do Coronavírus: Uma análise acerca do grau de confiabilidade dos consumidores. João Pessoa/PA: IFPA, 2022. WILLRICH, Adolfo Chávez. Comércio Eletrônico e a Regulamentação da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais. Florianópolis-SC: Unisul, 2020. Comércio Eletrônico | Referências www.cenes.com.br | 54 Sumário 1 Introdução ao Comércio: Origens e Definição 2 O Advento do Comércio Eletrônico/Digital 2.1 Visão Histórica 2.2 Vantagens e Desvantagens 2.3 Plataformas de E-Commerce 3 Funcionamento das Transações Online 4 A Criação da LGPD 4.1 Fundamentos da LGPD 5 LGPD – Princípios e Disposições Princípio da Finalidade Princípio do Livre Acesso Princípio da Segurança Princípio da Não Discriminação 5.1 O Alcance da Lei 13.709/2018 6 Implementação da LGPD no Comércio Eletrônico 7 Os Impactos da Pandemia do Covid-19 8 O Limite da Responsabilidade Civil nas Compras Online 8.1 O Consentimento 9 Desafio: A Fragilidade dos Sistemas de Segurança 10 Referênciasalterou fundamentalmente o seu funcionamento, ao contrário do e-commerce, que trouxe uma revolução significativa nesse aspecto. O comércio eletrônico alcançou um grande sucesso, conforme indicado no relatório e-bit (2015), que revelou que 51.5 milhões de pessoas no Brasil realizaram, pelo menos, uma compra em ambiente virtual em 2014. Além disso, 10.2 milhões de consumidores foram considerados novos entrantes, ou seja, experimentaram pela primeira vez a compra em plataformas estritamente eletrônicas ou virtuais. A evolução do comércio eletrônico foi impulsionada pela possibilidade de interligar computadores em rede, facilitando a conexão e comunicação entre diferentes partes. Em 1993, a internet foi oficialmente aberta para negócios comerciais em todo o mundo, desempenhando um papel fundamental na disseminação do protocolo TCP/IP (TCP - Protocolo de Controle de Transmissão e IP - Protocolo de Internet). Após aprimoramentos, como o uso de cores, imagens e recursos audiovisuais, a internet permitiu a efetiva transação de bens, produtos e serviços entre instituições, empresas e consumidores, criando uma relação comercial em um ambiente totalmente eletrônico e virtual. Compreender a evolução do comércio eletrônico é essencial para adaptar-se a esse cenário em constante mudança. O e-commerce continua a se desenvolver e enfrenta novos desafios, como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que busca proteger a privacidade e os direitos dos usuários no ambiente digital. Além disso, a pandemia da COVID-19 também impactou significativamente o comércio eletrônico. O distanciamento social e as restrições de mobilidade levaram a um aumento ainda maior nas compras online, tornando o e-commerce uma alternativa crucial para muitas empresas continuarem operando durante a crise. A interação entre a evolução do comércio eletrônico e a LGPD merece atenção especial, já que a proteção dos dados pessoais dos consumidores se tornou uma prioridade nas transações online. As empresas precisam se adequar à LGPD, garantindo a segurança e a privacidade dos dados dos clientes, ao mesmo tempo em que aproveitam as oportunidades oferecidas pelo e-commerce. O futuro do comércio eletrônico é promissor, com o surgimento de novas tecnologias e a contínua inovação nas plataformas de e-commerce. É essencial que empresas e consumidores estejam preparados para acompanhar essas mudanças, Comércio Eletrônico | O Advento do Comércio Eletrônico/Digital www.cenes.com.br | 6 garantindo uma experiência de compra segura, eficiente e cada vez mais integrada ao mundo digital. 2.1 Visão Histórica O comércio eletrônico, ou e-commerce, é uma modalidade de negócio que revolucionou a forma como as transações comerciais são realizadas. Suas raízes iniciais estão intimamente ligadas ao desenvolvimento da internet, e foi nos Estados Unidos que esse novo modelo de comércio surgiu e ganhou força. Nos anos 1960 e 1970, já existiam iniciativas precursoras do e-commerce, como a troca de informações eletrônicas entre empresas e a realização de transações comerciais de forma digital. No entanto, foi apenas na década de 1990 que o e- commerce se tornou mais difundido e acessível ao público em geral. O ponto de virada ocorreu com o desenvolvimento da World Wide Web (WWW) por Tim Berners-Lee em 1989. Essa tecnologia permitiu a criação de páginas e sites na internet, tornando possível a publicação e a visualização de informações em formato de hipertexto, ou seja, com links que levavam a outras páginas e conteúdos relacionados. A partir disso, as empresas começaram a perceber o potencial da internet como uma plataforma de vendas. O e-commerce, então, se tornou uma realidade viável para a comercialização de produtos e serviços online. Empresas pioneiras, como a Amazon, que foi fundada por Jeff Bezos em 1994, e o eBay, fundado por Pierre Omidyar no mesmo ano, foram algumas das primeiras a explorar esse novo mercado. Essas empresas inovadoras, juntamente com outras startups, deram início a uma nova era de comércio, onde os consumidores podiam fazer compras sem sair de casa, usando seus computadores e conexão com a internet. A conveniência, a variedade de produtos e a facilidade de comparar preços atraíram cada vez mais pessoas para o e- commerce. O e-commerce nos Estados Unidos prosperou e se espalhou rapidamente para outros países, impulsionando a globalização do comércio e abrindo novas oportunidades para empresas de diferentes partes do mundo. No Brasil, o e- commerce vem experimentando um crescimento exponencial, com milhões de usuários realizando compras online anualmente, muitos deles sendo novos entrantes nessa modalidade de consumo. Comércio Eletrônico | O Advento do Comércio Eletrônico/Digital www.cenes.com.br | 7 Essa expansão é impulsionada pelo aumento do acesso à internet, aliado ao desenvolvimento de ferramentas de segurança e controle, que aumentaram a confiança dos consumidores nas transações online. Além disso, as empresas têm investido em aprimorar a experiência do usuário, buscando melhorar suas plataformas e ambientes virtuais. As mudanças ambientais, sociais e culturais também têm direcionado novos conceitos para as relações de vendas, tornando a experiência de compra mais personalizada e satisfatória. A tecnologia desempenha um papel crucial nesse cenário, proporcionando avanços em termos de navegação, infraestrutura, capacidade de armazenamento e velocidade da transmissão de dados. Para se destacar nesse ambiente competitivo, é essencial investir em marketing digital e tecnologias inovadoras. A evolução do e-commerce implica não apenas em entender as preferências do consumidor, mas também em antecipar tendências e desenvolver estratégias de acordo com as mudanças do mercado. A experiência do usuário (UX) é um fator determinante para o sucesso do comércio eletrônico. As empresas devem se preocupar em oferecer uma experiência satisfatória e intuitiva ao usuário, tornando a navegação e a interação com a plataforma agradáveis e fáceis de usar. A usabilidade também é uma questão fundamental nesse contexto. Um sistema bem projetado e fácil de utilizar aumenta a satisfação do cliente, tornando-o mais propenso a retornar e fazer novas compras. Por outro lado, uma experiência negativa pode afastar o consumidor e prejudicar a reputação da empresa. O e-commerce trouxe uma nova dinâmica para o mercado, possibilitando que empresas de diferentes tamanhos e segmentos alcancem clientes em âmbito nacional e até internacional. No entanto, é essencial estar atento às particularidades do comércio eletrônico e adaptar-se às demandas e desafios desse ambiente digital. Ao longo da história do e-commerce, houve momentos de aprendizado, como o colapso das empresas "pontocom" no início dos anos 2000. Empresas como o Google e a Amazon souberam aproveitar o momento para se estabelecerem no mercado e desenvolverem seus projetos e metas. A busca pela excelência no e-commerce é constante, e a evolução tecnológica continua a influenciar esse setor. O uso crescente de dispositivos móveis, como smartphones e tablets, tornou-se uma tendência importante, exigindo que as empresas se adaptem a esse novo cenário. Comércio Eletrônico | O Advento do Comércio Eletrônico/Digital www.cenes.com.br | 8 A valorização da experiência do usuário e da usabilidade é uma tendência que veio para ficar. As empresas que compreendem a importância de oferecer uma experiência positiva para o cliente têm maiores chances de prosperar nesse ambiente competitivo e em constante mudança. Em suma, o comércio eletrônico se consolida como uma realidade presente e em constante evolução. As empresas que buscam se adaptar às novas tendências e que investem em tecnologias inovadoras têm maiores chances de obter sucesso no e- commerce. A interação entre a experiência do usuário, a usabilidadee a inovação tecnológica são essenciais para criar uma relação sólida e positiva entre as empresas e seus clientes nesse ambiente digital. 2.2 Vantagens e Desvantagens O comércio eletrônico, ou e-commerce, apresenta tanto vantagens quanto desvantagens, tanto para consumidores quanto para empresas, de acordo com Turban e King (2004). Inicialmente, destacaremos as vantagens dessa modalidade de comércio. Uma das principais vantagens é a conveniência da compra online, que oferece praticidade ao consumidor na pesquisa e comparação de produtos e serviços, facilitando a tomada de decisão na hora da compra. Para as empresas, é essencial gerar conteúdo relevante para atrair e engajar os clientes. As lojas online estão disponíveis 24 horas por dia, 7 dias por semana, permitindo que os consumidores façam suas compras a qualquer momento e de qualquer lugar. Além disso, a variedade de produtos disponíveis nas lojas virtuais é muito maior do que nas lojas físicas. Para as empresas, essa modalidade possibilita administrar as entregas, negociar com fornecedores e reduzir a necessidade de estoque físico. O comércio eletrônico oferece múltiplas possibilidades de conexão, com diversas plataformas e aplicativos disponíveis para diferentes sistemas operacionais. Essa diversificação aumenta a acessibilidade e a conveniência para os consumidores. Outra vantagem é a possibilidade de economia nas operações para as empresas, com a otimização de processos, redução de papel e taxas nas transações, aumento da produtividade e dispensa de estoques físicos. Além disso, a criação de comunidades e grupos online permite a comparação de produtos e serviços, bem como discussões sobre marcas e experiências do consumidor. Comércio Eletrônico | O Advento do Comércio Eletrônico/Digital www.cenes.com.br | 9 Albertin (2010) ressalta que o e-commerce possibilita a integração ampla de diversos parceiros de negócios, o que traz maior flexibilidade e facilidade para todas as partes envolvidas, visando atender de forma completa e eficiente o consumidor. No entanto, apesar das vantagens, o e-commerce também apresenta desvantagens a serem consideradas. A falta do atendimento pessoal e da relação humana é uma das principais desvantagens, já que a compra online não proporciona a mesma interação que uma loja física. Outro ponto é a falta de padrões de negócios bem estabelecidos, o que pode gerar insegurança nos consumidores em relação à qualidade e segurança nas transações, bem como problemas de integração entre softwares e aplicativos em estágio evolutivo. A logística também pode ser um desafio, principalmente em compras internacionais, onde a demora na entrega pode afetar negativamente a experiência do usuário. Apesar das desvantagens, o e-commerce continua a se desenvolver e a evoluir, e a compreensão dessas particularidades é fundamental para o sucesso das operações nesse ambiente online de negócios. Nas próximas seções, estudaremos as plataformas de comércio online para aprofundar ainda mais o conhecimento sobre esse modelo de comércio. 2.3 Plataformas de E-Commerce As plataformas de comércio online compreendem as transações financeiras realizadas por meio de diversos meios de comunicação, como linhas telefônicas, redes de computadores e mídias interativas. Essas plataformas possibilitam a troca de produtos, serviços e informações, tornando o e-commerce uma modalidade flexível e abrangente. Segundo Albertin (2010), as plataformas de comércio online englobam todas as estruturas lógicas que seguem as condições normativas, oferecem acesso e facilitam as relações comerciais, incluindo infraestruturas de conteúdo multimídia e informação, como empresas de telecomunicações, aplicativos e provedores de internet. Diversos modelos de negócios on-line são disponibilizados em diferentes plataformas de e-commerce. Os Shopping Centers Virtuais são plataformas de comércio eletrônico que reúnem diversas lojas que atuam no mesmo mercado ou Comércio Eletrônico | O Advento do Comércio Eletrônico/Digital www.cenes.com.br | 10 segmento da economia. Essa modalidade de comércio on-line proporciona uma experiência ao consumidor semelhante à de visitar um shopping físico, onde é possível encontrar uma variedade de produtos e serviços de diferentes marcas e vendedores em um único lugar. Essas plataformas virtuais oferecem aos consumidores a comodidade de encontrar uma ampla gama de opções de compra em um só local, permitindo que eles pesquisem e comparem produtos de diferentes lojas em busca das melhores ofertas e condições. Um exemplo conhecido de Shopping Center Virtual é o site da empresa TripAdvisor, que disponibiliza avaliações de viagens, hospedagens e serviços relacionados, permitindo que os usuários encontrem e reservem pacotes turísticos, hotéis e atividades de diferentes fornecedores em um único ambiente. Por outro lado, o Varejo on-line atua como um grande varejista virtual que divulga não apenas sua própria marca e produtos, mas também representa outras lojas e marcas em sua plataforma. Esse modelo de negócio possibilita que o Varejo on-line atue como um intermediário, oferecendo aos consumidores um amplo catálogo de produtos e serviços de diferentes fornecedores em um único site. Um exemplo prático é o site da empresa Polishop, que funciona como um varejista on-line e oferece uma plataforma para outras marcas e lojas venderem seus produtos. Ao visitar o site da Polishop, os consumidores têm acesso não apenas aos produtos da própria empresa, mas também a uma seleção de itens de outras marcas, ampliando a variedade de opções disponíveis para os compradores. Tanto os Shopping Centers Virtuais quanto o Varejo on-line têm como objetivo proporcionar aos consumidores uma experiência de compra abrangente e prática, tornando o processo de encontrar e adquirir produtos e serviços mais conveniente e acessível. Esses modelos de negócio representam uma importante evolução do comércio tradicional para o ambiente digital, aproveitando os benefícios da internet para oferecer aos consumidores mais opções e facilidades em suas compras on-line. As Lojas Virtuais, também conhecidas como lojas on-line ou e-commerce individual, são endereços eletrônicos específicos de empresas que comercializam ou representam produtos e serviços de forma exclusiva ou concentrada em um nicho de mercado. Essas plataformas proporcionam uma experiência de compra completa ao consumidor, permitindo que ele navegue e adquira os produtos e serviços oferecidos sem a necessidade de sair de casa. Uma das características distintivas das Lojas Virtuais é a focalização em uma Comércio Eletrônico | O Advento do Comércio Eletrônico/Digital www.cenes.com.br | 11 determinada marca ou empresa, oferecendo ao consumidor uma variedade de produtos e serviços relacionados a essa empresa específica. Por exemplo, o site Shop Samsung concentra-se em oferecer dispositivos eletrônicos da marca Samsung, como celulares, televisores, câmeras digitais, e itens de informática, proporcionando aos clientes uma experiência de compra específica para produtos dessa marca. Essas lojas virtuais geralmente são customizadas para refletir a identidade visual da marca e oferecer uma interface amigável e intuitiva para os consumidores. Os produtos e serviços são categorizados de forma clara, facilitando a busca e a seleção dos itens desejados. Além disso, as Lojas Virtuais costumam apresentar informações detalhadas sobre os produtos, como especificações técnicas, características e imagens de alta qualidade, o que auxilia os consumidores na tomada de decisão de compra. Muitas vezes, também incluem avaliações e comentários de outros clientes, fornecendo uma fonte adicional de confiança e informações sobre os produtos. Outro aspecto importante é a facilidade de pagamento e entrega dos produtos. As LojasVirtuais geralmente oferecem diversas opções de pagamento, como cartão de crédito, boleto bancário ou pagamento por meio de plataformas digitais. Além disso, possuem sistemas logísticos bem estruturados, garantindo a entrega dos produtos de forma eficiente e segura. Essas lojas também têm a vantagem de operar 24 horas por dia, sete dias por semana, o que permite aos consumidores realizarem suas compras a qualquer momento, adequando-se às suas necessidades e horários. As Lojas Virtuais têm se tornado cada vez mais populares, especialmente pela comodidade que oferecem aos consumidores, permitindo que eles adquiram produtos e serviços com facilidade e rapidez, sem a necessidade de deslocamentos físicos. Esse modelo de e-commerce tem impulsionado o crescimento do comércio on-line, tornando-se uma parte essencial do cenário varejista moderno. Os e-marketplaces, também conhecidos como mercados eletrônicos ou mercados virtuais, são ambientes online onde os consumidores podem negociar diretamente com vendedores de produtos e serviços. Essa modalidade de comércio on-line proporciona um espaço de interação e transação direta entre compradores e vendedores, eliminando intermediários e facilitando o acesso a uma ampla variedade de ofertas. Existem três tipos principais de e-marketplaces: privados, públicos e consórcios. Comércio Eletrônico | O Advento do Comércio Eletrônico/Digital www.cenes.com.br | 12 Os e-marketplaces privados são restritos a um número limitado de participantes, geralmente utilizados para produtos ou serviços altamente técnicos e específicos. Nesses ambientes, a negociação é mais personalizada e direcionada a necessidades específicas. Por outro lado, os e-marketplaces públicos envolvem muitos negociadores, permitindo um acesso irrestrito entre vendedores e compradores. Essas plataformas são mais abrangentes, oferecendo uma ampla gama de produtos e serviços de diversos fornecedores, possibilitando ao consumidor comparar opções e encontrar as melhores ofertas. Já os e-marketplaces em formato de consórcios são compostos por pequenos grupos de compradores que se unem para negociar diretamente com seus fornecedores. Nessa modalidade, é comum a participação de empresas concorrentes que buscam vantagens competitivas, como economia de escala e melhores condições de compra. Além da divisão em tipos, os e-marketplaces também podem ser classificados como verticais ou horizontais. Os e-marketplaces verticais são especializados em um único setor ou segmento industrial, oferecendo produtos e serviços relacionados a uma área específica. Por exemplo, pode haver um e-marketplace dedicado exclusivamente à venda de produtos eletrônicos. Por outro lado, os e-marketplaces horizontais concentram-se em um serviço ou produto utilizado por diferentes indústrias. Essas plataformas abrangem uma ampla variedade de produtos e serviços, atendendo a diferentes necessidades e segmentos de mercado. Essa diversidade de e-marketplaces, juntamente com a evolução tecnológica, a expansão da internet e a crescente confiança dos consumidores nas compras on-line, tem contribuído significativamente para o crescimento e o sucesso do comércio eletrônico em escala global. Essas plataformas oferecem uma experiência de compra conveniente, diversificada e segura, atraindo cada vez mais consumidores e impulsionando a economia digital. O e-commerce tornou-se uma parte integral da vida cotidiana das pessoas, proporcionando uma nova dinâmica no cenário do varejo e mudando a forma como compramos e vendemos produtos e serviços. Comércio Eletrônico | Funcionamento das Transações Online www.cenes.com.br | 13 3 Funcionamento das Transações Online Durante o período da Guerra Fria (1947 a 1991), a rede Advanced Research Projects Agency Network (ARPANET) foi uma ferramenta crucial para os Estados Unidos da América (EUA), possibilitando comunicações entre suas instalações militares. Seu objetivo principal era conectar departamentos de pesquisa e reduzir vulnerabilidades na comunicação. Originalmente, como ferramenta militar, o acesso à ARPANET só foi concedido às universidades americanas na década de 1970. Na mesma década, a ideia do comércio eletrônico começou a surgir com a Transferência Eletrônica de Fundos (TEF), que possibilitava transações monetárias eletrônicas. No entanto, esse recurso era limitado às grandes instituições e corporações financeiras. A internet só se tornou comercialmente viável a partir de 1990, com os usuários se integrando à World Wide Web, e foi então que o termo "comércio eletrônico" começou a ser utilizado, refletindo o crescimento das redes de computadores, softwares e a competitividade dos negócios (TURBAN; KING, 2004). Na década de 1990, as lojas começaram a inovar na forma de vender seus produtos e serviços através da internet. A Amazon foi pioneira no comércio eletrônico internacional. Baseada nos EUA, a empresa passou a oferecer uma diversidade maior de livros em suas prateleiras virtuais a preços mais acessíveis, devido ao baixo custo de armazenamento e deslocamento. Esta se tornou um modelo para outras empresas que procuravam entrar no comércio eletrônico, como eBay e CheckPoint. Com a chegada da internet ao Brasil nos anos 80 e sua abertura ao público em 1995, as empresas começaram a investir no mercado online que, apesar do acesso limitado, prometia grandes oportunidades. É importante salientar que, durante esse período, a internet comercial estava em seu estágio inicial, evoluindo e estruturando- se em uma "bolha", que só amadureceu no início dos anos 2000 (SALVADOR, 2016). Relativamente ao comércio eletrônico no Brasil, não há muitos registros dos seus primeiros passos, mas acredita-se que o primeiro e-commerce brasileiro tenha sido a Book Net, lançada em 1995. No ano seguinte, surgiu a loja virtual Brasoftware e, desde então, o comércio eletrônico vem crescendo e se expandindo cada vez mais (COMSCHOOL, 2017), com a inclusão de novos segmentos na rede e a consequente diversificação de produtos e serviços. Os hábitos de consumo têm acompanhado as mudanças tecnológicas ao longo do tempo. Gradualmente, as pessoas têm valorizado a praticidade oferecida pelas plataformas de e-commerce. Nesse contexto, surgiram ferramentas que garantem a Comércio Eletrônico | Funcionamento das Transações Online www.cenes.com.br | 14 segurança dos sites, contribuindo para a redução de medos e preconceitos por parte do público. O termo "comércio eletrônico" se refere à compra e venda de produtos e serviços realizados em um ambiente virtual. Sua operação depende de uma plataforma eletrônica conectada à internet, que pode ser acessada através de várias ferramentas, como computadores, tablets, smartphones, smart TVs e até geladeiras. Turban e King (2004, p. 3) definem o comércio eletrônico como o "processo de compra, venda e troca de produtos, serviços e informações através de redes de computadores ou outros meios eletrônicos". Eles acrescentam que o comércio eletrônico não se destina apenas a comprar e vender produtos/serviços online, mas também inclui todos os processos associados a ele, como gestão, estoque e logística. Laudon e Laudon (2004, p. 180), por sua vez, caracterizam o comércio eletrônico através dos benefícios que ele proporciona. De acordo com eles, o comércio eletrônico minimiza os efeitos negativos, muitas vezes impeditivos, causados pela distância entre ambos os lados de uma transação comercial, através da automação. Assim, beneficia tanto as organizações quanto os consumidores. O'Brien (2004) destaca os sete fatores para o sucesso das vendas online: 1) seleção de uma variedade de produtos atraentes e com bons preços, 2) desempenho e serviço, 3) aparência e impressão, 4) propaganda e incentivos, 5) atendimento personalizado, 6) relacionamentos que criem sentimentos de valorização, fidelizandoo cliente, e 7) segurança e confiabilidade oferecidas durante as transações. Em contrapartida, Teixeira (2015) afirma que existem diferentes definições de comércio eletrônico, mas que, de modo geral, ele acontece quando todo o processo de compra e venda é realizado em uma plataforma virtual, do início ao fim da negociação. O comércio eletrônico pode ser classificado pelas transações realizadas ou pela relação entre empresa e consumidor através da internet. A evolução dos serviços bancários pela internet representa uma importante revolução na maneira como lidamos com nossas finanças. A origem desse fenômeno remonta ao 9 de outubro de 1980, quando o conceito de home banking, ou serviço bancário por computador, foi implementado pela primeira vez nos Estados Unidos. Naquele tempo, era algo totalmente novo e sua prática era substancialmente diferente do que conhecemos hoje. No início, o cliente tinha que acessar sua conta bancária por meio de um telefone fixo para realizar qualquer operação. Este procedimento era rudimentar e muito Comércio Eletrônico | Funcionamento das Transações Online www.cenes.com.br | 15 distante da sofisticação dos serviços online que temos atualmente à nossa disposição. O longo caminho percorrido desde aquela época até os dias de hoje reflete o ritmo acelerado do progresso tecnológico na área dos serviços bancários. Hoje em dia, as visitas regulares às agências bancárias e aos caixas eletrônicos estão sendo substituídas progressivamente pelo uso do internet banking. A transição para os serviços bancários online evidencia a comodidade que a tecnologia trouxe para nossas vidas, nos permitindo realizar uma série de operações bancárias a partir do conforto de nossas casas ou de qualquer outro lugar. A praticidade e a conveniência que o internet banking oferece é, sem dúvida, o que justifica a preferência por esse meio. Agora, é possível pagar contas, fazer transferências, contratar empréstimos e consultar extratos bancários em qualquer momento e de qualquer lugar. Este nível de acessibilidade transformou profundamente a maneira como lidamos com nossas finanças. No entanto, apesar dos muitos benefícios, algumas pessoas ainda têm receio de utilizar os serviços bancários pela internet. Há um medo de que as transações online sejam vulneráveis a ataques e que os dados pessoais possam ser comprometidos. Porém, é importante destacar que o número de fraudes resultantes de falhas do banco, e não do cliente, é bastante reduzido. Além disso, crimes típicos de bancos convencionais, como clonagem de cartões, assinaturas falsas e roubo de identidade, são na realidade muito mais comuns do que as fraudes online. Estes problemas, associados ao sistema bancário tradicional, são muitas vezes negligenciados quando se discute a segurança do internet banking. Os serviços de internet banking são geralmente seguros e utilizam sistemas de proteção robustos, como senhas e criptografia. As senhas utilizadas são geralmente simples, semelhantes às usadas em muitos sites de compras. Além disso, a transmissão dos dados é criptografada, recebendo uma codificação secreta que torna quase impossível obter ou modificar a informação após ser enviada. No entanto, é verdade que o internet banking pode ser menos seguro para usuários descuidados. Para uma utilização segura desses serviços, é essencial dominar as tecnologias de informação e ter um bom acesso à internet. Assim, alguns bancos até estabelecem um limite de idade para seus clientes, visando garantir que eles possuam as habilidades necessárias para utilizar o internet banking de maneira segura. Segundo a Febraban, a Federação Brasileira de Bancos, o canal preferido dos brasileiros para realizar transações bancárias atualmente é o celular. Este método, Comércio Eletrônico | Funcionamento das Transações Online www.cenes.com.br | 16 conhecido como mobile banking, representa 34% das movimentações. Isso é uma evidência clara de como a tecnologia tem revolucionado o setor bancário. Em segundo lugar, vem o internet banking, representando 23% das transações. Isso significa que, somadas, as operações realizadas através do mobile banking e do internet banking representam mais da metade das transações bancárias realizadas no Brasil, um marco na história do setor bancário do país. Esta predominância dos serviços bancários digitais reflete uma tendência global de digitalização. À medida que a tecnologia avança, espera-se que mais e mais pessoas recorram ao internet banking e ao mobile banking, devido à conveniência e facilidade de uso que esses serviços oferecem. Apesar disso, é crucial lembrar que a segurança das transações depende em grande parte do uso responsável e consciente da tecnologia por parte dos usuários. Se os usuários não tomarem as precauções necessárias, os benefícios proporcionados pela digitalização dos serviços bancários podem ser ofuscados pelos riscos potenciais. A segurança em operações bancárias online é uma preocupação legítima, mas, com o uso adequado da tecnologia, ela pode ser efetivamente garantida. É fundamental que os usuários se informem sobre as melhores práticas para garantir a segurança de seus dados ao usar o internet banking. O internet banking não é apenas uma tendência, é uma realidade consolidada que está em constante evolução. A preferência dos usuários por este meio mostra que o futuro dos serviços bancários está cada vez mais ligado à internet. A evolução do setor é inegável e não dá sinais de desaceleração. No entanto, para que o internet banking seja implementado de forma bem- sucedida e segura, é necessário um esforço conjunto de bancos, reguladores e usuários. A educação sobre o uso seguro da internet e a conscientização sobre os riscos potenciais são fundamentais para garantir a segurança das transações bancárias online. Em conclusão, o crescimento do uso do internet banking é um reflexo das mudanças na maneira como as pessoas lidam com suas finanças. A preferência pelos serviços bancários online é um indicativo claro de um futuro cada vez mais digitalizado. A adoção dessas práticas, contudo, deve ser feita com consciência e responsabilidade, para que possamos usufruir dos benefícios sem nos expormos a riscos desnecessários. Comércio Eletrônico | A Criação da LGPD www.cenes.com.br | 17 4 A Criação da LGPD A evolução da proteção de dados pessoais no direito brasileiro é um tema de grande importância para compreender a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) e sua correta aplicação. Essa evolução teve origem antes mesmo da criação da LGPD, remontando ao ano de 1948 com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que assegurava o direito à privacidade em âmbito internacional. O Brasil, como parte das Nações Unidas, aprovou essa declaração, reforçando sua preocupação com a proteção de dados pessoais. A Constituição Federal brasileira de 1988 fixou valores fundamentais sobre a proteção de dados pessoais, como a dignidade da pessoa humana e os direitos fundamentais da intimidade, vida privada, honra e imagem dos indivíduos. Além disso, a Constituição prevê o acesso à informação e a garantia de instrumentos como o habeas data para assegurar esse direito. O Código de Defesa do Consumidor também contribuiu para a proteção de dados pessoais ao garantir o acesso às informações existentes em cadastros, fichas, registros e dados pessoais e de consumo. Além disso, o Código estabeleceu limites temporais para o armazenamento desses dados e o direito de correção em caso de inexatidão. Apesar de já existirem normas infraconstitucionais que abordavam a proteção de dados antes da criação da LGPD, é importante conhecê-las para compreender melhor a lei geral. A Lei do Cadastro Positivo, por exemplo, regulamenta a criação e consulta do histórico de adimplemento de pessoas físicas ou jurídicas para análise de crédito.Embora seu objetivo principal não seja a proteção de dados, a lei estabelece regras para garantir a privacidade das pessoas, como a proibição de armazenamento de dados excessivos e sensíveis. Comércio Eletrônico | A Criação da LGPD www.cenes.com.br | 18 É fundamental entender essa evolução da proteção de dados pessoais no direito brasileiro para aplicar corretamente a LGPD e garantir a autodeterminação informacional, ou seja, o controle dos titulares sobre suas próprias informações pessoais. A análise das leis setoriais, como a Lei do Cadastro Positivo, também é relevante para compreender como a proteção de dados foi abordada em outras legislações antes da implementação da LGPD. Dessa forma, é possível compreender melhor as mudanças e avanços trazidos pela nova lei geral. A Lei de Acesso à Informação, Lei nº 12.527/2011, foi criada em 18 de novembro de 2011 e é responsável por regulamentar o direito de acesso à informação, conforme previsto no inciso XXXIII do art. 5º, no inciso II do §3º do art. 37 e no §2º do art. 216 da Constituição Federal. É fundamental atentar para a redação dos dispositivos mencionados: Art. 5º. [...] XXXIII - todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado; Art. 37 [...] §3º [...] II - o acesso dos usuários a registros administrativos e a informações sobre atos de governo, observado o disposto no art. 5º, X e XXXIII; Art. 216 [...] § 2º Cabem à administração pública, na forma da lei, a gestão da documentação governamental e as providências para franquear sua consulta a quantos dela necessitem. (BRASIL, 1988) Além de tratar do direito de acesso à informação, a lei também estabelece a forma de tratamento dos dados pessoais no art. 31, que assim se dispõe: “O tratamento das informações pessoais deve ser feito de forma transparente e com respeito à intimidade, vida privada, honra e imagem das pessoas, bem como às liberdades e garantias individuais” (BRASIL, 2011a). Comércio Eletrônico | A Criação da LGPD www.cenes.com.br | 19 É importante ressaltar que a Lei de Acesso à Informação se baseou em alguns preceitos da legislação europeia sobre o assunto, adotando termos compatíveis como “consentimento” e “tratamento das informações” (BRANCHER; BEPPU, 2019). Embora, na época da criação dessa lei setorial, não houvesse uma lei específica para a proteção de dados no Brasil, a legislação já observava como os demais países regulamentavam o tema. No Brasil, as discussões acerca da proteção à privacidade e aos dados pessoais não se iniciaram tão cedo e de forma tão aprofundada como em outros países, especialmente na Europa. No entanto, o país já contava com algumas normas que buscavam assegurar o direito à privacidade, sendo uma das mais significativas o Marco Civil da Internet. O Marco Civil da Internet foi criado em resposta à pressão da sociedade contra um projeto que pretendia regulamentar a internet por meio de leis penais. Sua aprovação representou uma importante conquista, pois uma norma criminal poderia restringir liberdades individuais e inibir a inovação. A Lei nº 12.965/2014, conhecida como Marco Civil da Internet, foi criada em 23 de abril de 2014 e estabeleceu princípios, garantias, direitos e deveres para o uso da internet no Brasil. Esses princípios atuam como linhas diretivas que norteiam a compreensão de diversos setores normativos, agregando regras jurídicas em torno deles. Os princípios estabelecidos no Marco Civil da Internet incluem a inviolabilidade da vida privada, o sigilo das comunicações e a transparência. O Marco Civil da Internet teve um papel extremamente relevante na regulamentação do uso da internet no Brasil, pois fixou princípios que servem como base para a aplicação das normas e, assim, incentivam o uso da internet pelos usuários. Além de regular o uso da internet, o Marco Civil também desempenhou um papel importante na proteção dos dados pessoais. O artigo 7º da lei enumera diversos direitos e garantias dos usuários, incluindo a inviolabilidade da intimidade e da vida privada, o sigilo das comunicações, a proteção das comunicações armazenadas, a transparência nos contratos de serviço em relação à segurança dos registros e a não divulgação de dados pessoais a terceiros. A norma também trouxe a exigência de transparência por parte dos operadores de internet em relação à coleta, uso, armazenamento e tratamento dos dados pessoais dos usuários. Esses dados só podem ser utilizados para finalidades justificadas, que não sejam vedadas pela legislação e estejam especificadas nos contratos de prestação Comércio Eletrônico | A Criação da LGPD www.cenes.com.br | 20 de serviços ou termos de uso das aplicações de internet. Outro aspecto importante é a necessidade de consentimento do titular dos dados, ou seja, do usuário da internet, para a coleta, uso, tratamento ou armazenamento de seus dados. Esse consentimento deve ser expresso e destacado das demais cláusulas contratuais. O Marco Civil da Internet, ao adotar a garantia do direito à privacidade como valor orientador para o uso da internet, representa um avanço significativo na legislação de proteção de dados pessoais no Brasil. Ele estabelece um núcleo duro para preservar a integridade do fluxo informacional, restringindo o poder de disposição dos titulares dos dados pessoais, o que contribui para o fortalecimento do controle dos cidadãos sobre suas informações pessoais. O debate sobre a proteção de dados pessoais sempre existiu, mas nos últimos anos, ganhou mais força e relevância no Brasil devido à evolução tecnológica e ao aumento da utilização de dados pelas empresas, o que gerou preocupações com fraudes digitais, crimes cibernéticos e vazamentos de informações. Os dados são considerados o "novo petróleo" porque, por meio da coleta e análise adequada dos dados pessoais, é possível adotar estratégias precisas para o crescimento dos negócios, como aumentar as vendas e reduzir o estoque. No Brasil, é comum as pessoas fornecerem seus dados sem questionar o uso, tratamento e proteção deles. Esse comportamento pode trazer riscos à privacidade e à segurança dos indivíduos, especialmente quando os dados são compartilhados com empresas ou aplicativos sem procedimentos adequados de segurança e armazenamento. A evolução tecnológica trouxe consigo a utilização de programas como o Big Data e Data Analytics, que permitem o tratamento volumoso, rápido e eficiente dos dados. Além disso, a inteligência artificial tem possibilitado a automação dos processos, reduzindo a necessidade de intervenção humana. Comércio Eletrônico | A Criação da LGPD www.cenes.com.br | 21 Diante desse cenário, tornou-se urgente a necessidade de uma lei específica sobre a proteção de dados pessoais no Brasil, a fim de permitir que as pessoas controlem a utilização de suas informações. Após oito anos de discussão, foi aprovada a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), que entrou em vigor em agosto de 2018. A LGPD foi inspirada na General Data Protection Regulation (GDPR), legislação europeia que regula a proteção de dados naquele continente. A LGPD está em conformidade com os mais altos padrões internacionais de proteção de dados. A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais estabelece uma carga principiológica que visa empoderar o titular dos dados com o controle de suas informações pessoais e a autonomia da vontade. Ela concede ao titular dos dados o domínio sobre suas informações, tornando-o um agente indireto de fiscalização do tratamento dos dados por terceiros. A LGPD busca encontrar um equilíbrio entre o incentivo à inovação e a proteção dos direitosindividuais. Portanto, a lei estabelece princípios e limites legais para o uso dos dados, sem proibir sua prática, garantindo a proteção da liberdade e privacidade das pessoas. Em resumo, a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais foi criada para regulamentar essa nova forma de economia, possibilitando as atividades de tratamento de dados pessoais, mas também assegurando os direitos individuais das pessoas. 4.1 Fundamentos da LGPD A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais elencou uma série de fundamentos que representam o alicerce legal da norma, ou seja, os motivos pelos quais ela foi criada e tudo aquilo que se pretende proteger. O art. 2º, inciso II, da Lei Geral de Dados Pessoais estabelece que: "Art. 2º A disciplina da proteção de dados pessoais tem como fundamentos: II - a autodeterminação informativa; (BRASIL, 2018)" Comércio Eletrônico | A Criação da LGPD www.cenes.com.br | 22 A autodeterminação nada mais é do que assegurar “que o cidadão deve ter o controle sobre os seus dados pessoais, a fim de que ele possa autodeterminar as suas informações pessoais” (BIONI, 2020, p. 129). É dizer que esse fundamento consiste em destinar o domínio dos dados pessoais ao titular destes, para que ele, como dono das informações, possa decidir acerca do fornecimento, da correção ou exclusão dos dados. Direitos fundamentais como fundamentos da LGPD Já foi dito nesta unidade que a Constituição Federal tem papel importante na proteção de dados pessoais, haja vista as disposições constitucionais sobre a matéria. Dessa forma, a LGPD optou por trazer no rol de seus fundamentos alguns direitos fundamentais presentes na Carta Magna que, em que pese, já fazem parte do ordenamento jurídico brasileiro e ganham reforço na legislação infraconstitucional da proteção de dados pessoais. A Constituição Federal de 1988 prevê os direitos e as garantias fundamentais como cláusulas pétreas, conforme art. 60, §4º, IV da Lei. Isso quer dizer que esses direitos não poderão ser abolidos da Carta Magna. Privacidade A privacidade, enquanto direito fundamental, é uma das bases essenciais na qual a proteção de dados pessoais está assentada. Este princípio está estipulado de forma clara no artigo 2º, inciso I, da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), do Brasil, que aponta o respeito à privacidade como um dos fundamentos primordiais da proteção de dados pessoais. "Art. 2º A disciplina da proteção de dados pessoais tem como fundamentos: I - o respeito à privacidade; (BRASIL, 2018)" A compreensão de privacidade é multifacetada, englobando um conjunto de direitos e liberdades que são essenciais para a dignidade e autonomia do indivíduo. Comércio Eletrônico | A Criação da LGPD www.cenes.com.br | 23 Segundo Fialho (2020), privacidade incorpora a intimidade, vida privada, honra, imagem, domicílio, correspondência, comunicações, sigilo bancário e os dados pessoais. Em outras palavras, a privacidade diz respeito ao controle que um indivíduo tem sobre suas informações pessoais e sobre como, quando e por quem elas podem ser compartilhadas. O direito à privacidade está garantido na Constituição Federal Brasileira, no inciso X, do artigo 5º, confirmando seu status como direito fundamental. É importante ressaltar que a privacidade permeia todas as relações humanas, incluindo relações comerciais, de estudo, de trabalho, familiares, entre outras, reforçando o grau de amplitude e relevância desse direito. Fialho, que é um respeitado estudioso da área, argumenta que "a proteção de dados implementada pela LGPD, em sua essência é a efetivação do direito à privacidade, ao mesmo tempo tão amplo do ponto de vista conceitual, mas tão importante do ponto de vista social" (FIALHO, 2020, p. 180). Portanto, a LGPD não é apenas uma lei sobre o manejo de dados, mas é também uma expressão legislativa do compromisso com a garantia do direito à privacidade. Nesse sentido, a privacidade é um direito fundamental de vital importância para a proteção das liberdades individuais. A garantia da privacidade assegura aos indivíduos a proteção de seus dados pessoais contra tentativas de manipulação ou acesso não autorizado, ao mesmo tempo em que oferece a liberdade de escolher fornecer ou não esses dados. A LGPD vem como um instrumento legal para fortalecer esse direito, estabelecendo regras claras para a coleta, armazenamento, tratamento e compartilhamento de dados pessoais. Liberdade de expressão, de informação, de comunicação e de opinião A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais, em seu inciso III, do art. 2º, traz como um dos seus fundamentos “a liberdade de expressão, de informação, de comunicação e de opinião” (BRASIL, 2018). O direito fundamental da liberdade de expressão está previsto no art. 5º, IV, da Constituição Federal, dispositivo que possui a seguinte redação: "Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros Comércio Eletrônico | A Criação da LGPD www.cenes.com.br | 24 residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato; (BRASIL, 1988)" O referido direito abrange as comunicações entre conhecidos, presentes ou não, e desconhecidos. Além disso, consiste em um direito individual que proíbe o Estado de interferir na liberdade de expressão das pessoas (NUNES JÚNIOR, 2019). A vedação ao anonimato constante no artigo consiste em uma garantia fundamental, cujo objetivo é proteger os direitos fundamentais da honra e intimidade (NUNES JÚNIOR, 2019). Já o direito fundamental de liberdade de informação previsto no art. 5º, XIV da Carta Magna dispõe que “é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional” (BRASIL, 1988). Parte da doutrina divide a liberdade de informação entre o direito de se informar, que está relacionado à possibilidade de buscar e pesquisar livremente, e o direito de ser informado, que consiste na obtenção de informação nos órgãos públicos (NUNES JÚNIOR, 2019). Cumpre frisar que em casos de negativa, por parte dos órgãos públicos, de informação referente a dados pessoais, é cabível o habeas data, previsto no art. 5º, LXIX, CF (BRASIL, 1988). Já o direito fundamental de liberdade de comunicação encontra respaldo no art. 5º, IX, da Constituição Federal, que estabelece que "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" (BRASIL, 1988). Esse direito abrange a liberdade de imprensa, a liberdade de comunicação em geral e a liberdade de expressão da atividade intelectual, artística e científica. Sendo assim, a liberdade de comunicação é essencial para a divulgação de informações, opiniões e ideias sem censura prévia, garantindo um ambiente de livre troca de informações na sociedade. A liberdade de opinião também é um direito fundamental protegido pela Constituição Federal em seu art. 5º, IV, que estabelece que "é livre a manifestação do Comércio Eletrônico | A Criação da LGPD www.cenes.com.br | 25 pensamento, sendo vedado o anonimato" (BRASIL, 1988). Esse direito assegura que os indivíduos têm o direito de expressar suas opiniões de forma livre e aberta, desde que não violem outros direitos ou pratiquem discursos de ódio. O consentimento como fundamento O consentimento é um dos fundamentos mais relevantes para a proteção de dados pessoais e está previsto no inciso I, do art. 7º, da LGPD: "Art. 7º O tratamento de dados pessoais somente poderá ser realizado nas seguintes hipóteses: I - mediante o fornecimento de consentimento pelo titular; (BRASIL, 2018)" O consentimento é a expressão da vontade do titulardos dados que permite que o controlador de dados processe suas informações pessoais. Essa vontade deve ser livre, específica e informada, significando que o indivíduo precisa ter total entendimento e controle sobre o que está consentindo. O consentimento deve ser inequívoco, eliminando qualquer dúvida sobre a intenção do titular dos dados em permitir o tratamento de suas informações. Em relação à especificidade do consentimento, é crucial que o titular dos dados seja informado claramente e detalhadamente sobre a finalidade para a qual seus dados serão usados. O consentimento não é um cheque em branco que permite ao controlador de dados fazer o que quiser com as informações pessoais de um indivíduo. Em vez disso, o controlador deve fornecer informações completas e claras sobre como, onde e por que os dados serão utilizados. Outro aspecto importante do consentimento é que ele pode ser revogado a qualquer momento pelo titular dos dados. Isso oferece ao indivíduo controle total sobre suas informações, permitindo que ele mude de ideia e retire seu consentimento sempre que desejar. Além disso, a revogação do consentimento deve ser tão fácil quanto o ato de dar consentimento, garantindo assim a autonomia e o controle do titular dos dados. Além disso, é importante notar que o consentimento não é a única base legal Comércio Eletrônico | A Criação da LGPD www.cenes.com.br | 26 para o processamento de dados pessoais. Outras bases legais podem incluir o cumprimento de uma obrigação legal ou contratual, proteção da vida do titular dos dados, execução de políticas públicas, realização de estudos por órgãos de pesquisa, proteção do crédito, entre outros, conforme outros incisos do Art. 7º da LGPD. No entanto, quando o processamento de dados se baseia no consentimento, a falta deste implica a ilegalidade do tratamento de dados pessoais. Conclui-se, então, que o consentimento é uma ferramenta crucial para garantir que os direitos de privacidade dos indivíduos sejam respeitados no contexto do tratamento de dados pessoais. Permite que os indivíduos mantenham o controle de suas informações pessoais e assegura que essas informações só sejam usadas de maneiras que estejam de acordo com seus próprios desejos e interesses. O tratamento necessário para cumprimento de obrigação legal ou regulatória A realização de tratamento de dados pessoais para cumprimento de obrigação legal ou regulatória pelo controlador é um dos fundamentos expressamente previstos na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) brasileira. Este fundamento, elencado no inciso II do artigo 7º da LGPD, indica que, em certas circunstâncias, o controlador de dados pode processar informações pessoais sem a necessidade de obter consentimento explícito do titular desses dados, desde que esse processamento seja necessário para cumprir uma obrigação estabelecida em lei ou regulamento. "Art. 7º O tratamento de dados pessoais somente poderá ser realizado nas seguintes hipóteses: II - para o cumprimento de obrigação legal ou regulatória pelo controlador; (BRASIL, 2018)" Este fundamento é vital para permitir que organizações e empresas cumpram suas obrigações legais e regulatórias. Por exemplo, os empregadores são frequentemente obrigados a fornecer informações sobre seus empregados ao governo para cumprir obrigações trabalhistas, fiscais ou previdenciárias. As instituições financeiras também devem cumprir com leis de lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo, o que requer a coleta e processamento de certos dados dos clientes. Comércio Eletrônico | A Criação da LGPD www.cenes.com.br | 27 É importante observar que o uso deste fundamento para processamento de dados pessoais deve estar estritamente ligado à necessidade de cumprimento de uma obrigação legal ou regulatória. Ou seja, não pode ser utilizado para justificar o processamento de dados além do que é estritamente necessário para essa finalidade. A LGPD é clara ao estabelecer que a proteção de dados pessoais deve seguir o princípio da necessidade, que prescreve a limitação do uso dos dados ao mínimo necessário para atingir suas finalidades. Além disso, vale ressaltar que este fundamento não isenta o controlador de dados de outras obrigações estabelecidas pela LGPD, como o dever de garantir a segurança dos dados e o dever de informar o titular sobre o processamento de seus dados. Ainda que não seja necessário obter o consentimento do titular, o controlador deve garantir que o titular esteja plenamente informado sobre o processamento de seus dados. Portanto, o cumprimento de obrigação legal ou regulatória pelo controlador é um fundamento que possibilita o tratamento de dados pessoais em determinadas circunstâncias, de acordo com as exigências legais e regulatórias. Este fundamento, como os demais, deve ser aplicado respeitando os princípios e diretrizes estabelecidos pela LGPD para a proteção dos direitos dos titulares de dados. Os fundamentos legais da LGPD são de extrema importância para compreender os princípios que regem a proteção de dados pessoais no Brasil. A autodeterminação informativa, o respeito à privacidade, a liberdade de expressão, de informação, de comunicação e de opinião, o consentimento e o cumprimento de obrigação legal ou regulatória são pilares essenciais que norteiam a aplicação da lei e garantem a proteção dos direitos fundamentais dos titulares de dados. É fundamental que empresas, organizações e indivíduos estejam cientes e em conformidade com esses fundamentos, buscando sempre respeitar a privacidade e garantir a segurança dos dados pessoais, promovendo assim uma cultura de proteção de dados no país. A LGPD representa um avanço significativo na legislação brasileira e reforça a importância da proteção da privacidade e da autodeterminação informativa em um cenário cada vez mais digital e conectado. Comércio Eletrônico | LGPD – Princípios e Disposições www.cenes.com.br | 28 5 LGPD – Princípios e Disposições Princípios são fundamentos essenciais que sustentam o ordenamento jurídico, orientando a elaboração e aplicação das normas legais. Eles desempenham um papel crucial na interpretação e na implementação das leis. Segundo Silva (2003), os princípios são os critérios de direção que norteiam as outras normas jurídicas. No contexto da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), promulgada no Brasil em 2018, foram elencados dez princípios no art. 6º. Esses princípios têm como objetivo guiar a interpretação e a aplicação da LGPD e servir como base para o tratamento adequado dos dados pessoais. A compreensão dos princípios é fundamental para a atividade de tratamento de dados pessoais. Além de orientar a aplicação das normas da LGPD, eles também deverão pautar as práticas e a governança dos agentes de tratamento de dados. Isso significa que as organizações devem desenvolver regras de boas práticas e governança que garantam a conformidade com esses princípios em suas ações relacionadas ao tratamento de dados. É importante ressaltar que, mesmo em situações em que a exigência de consentimento possa ser dispensada de acordo com o §6º do art. 7º da LGPD, os princípios gerais continuam sendo aplicáveis. Ou seja, os agentes de tratamento de dados devem observar e respeitar os princípios estabelecidos na lei, independentemente da necessidade de consentimento. Diante da relevância desses princípios para a LGPD, é imprescindível estudá-los detalhadamente para conceituá-los corretamente e compreender sua aplicação adequada na proteção de dados pessoais. Princípio da Finalidade O primeiro princípio estabelecido pela Lei nº 13.709/2018, conhecida como Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), é o princípio da finalidade. Esse princípio determina que o tratamento de dados pessoais só pode ocorrer para propósitos legítimos, específicos, explícitose informados ao titular, não permitindo que esses dados sejam posteriormente tratados de forma incompatível com essas finalidades (conforme inciso I do art. 6º da Lei). O consentimento do titular não é suficiente para autorizar o uso de seus dados pessoais por terceiros. É essencial que haja uma finalidade específica e razoável para Comércio Eletrônico | LGPD – Princípios e Disposições www.cenes.com.br | 29 o tratamento dos dados, sendo essa finalidade previamente aprovada pelo titular. O consentimento é definido como a manifestação livre, informada e inequívoca pela qual o titular concorda com o tratamento de seus dados pessoais para uma finalidade determinada (art. 5º, XII da LGPD). É importante que o controlador, que é a pessoa ou entidade responsável pelas decisões relacionadas ao tratamento de dados pessoais, descreva de maneira detalhada e destacada todas as informações relevantes sobre o tratamento, incluindo o propósito, os meios empregados, a extensão e duração do tratamento, informações de contato e detalhes sobre o compartilhamento de dados (conforme orientações de Fegeilson e Siqueira, 2019). O princípio da finalidade visa estabelecer limites claros para o uso dos dados pessoais, exigindo que haja uma finalidade específica para o tratamento e que o controlador informe claramente suas intenções ao titular no momento do consentimento. Além do princípio da finalidade, que já mencionamos, a LGPD também traz outros princípios igualmente relevantes: o princípio da adequação e o princípio da necessidade. O princípio da adequação, previsto no inciso II do art. 6º da LGPD, complementa o princípio da finalidade ao exigir que o tratamento dos dados seja compatível com as finalidades informadas pelo controlador no momento do consentimento. Isso significa que o uso dos dados pessoais deve estar de acordo com a finalidade específica para a qual o titular consentiu, não sendo permitido utilizar os dados para outros propósitos que não estejam alinhados com essa finalidade original. O controlador, ao obter o consentimento do titular, deve informar de forma clara e transparente todas as finalidades para as quais os dados serão utilizados. Qualquer uso dos dados que vá além dessas finalidades iniciais será considerado inadequado e estará em desacordo com a LGPD. Já o princípio da necessidade, estabelecido no inciso III do art. 6º da LGPD, determina que o tratamento dos dados pessoais deve ser restrito ao mínimo necessário para atingir as finalidades específicas informadas ao titular. Isso significa que o controlador não deve coletar ou tratar mais dados do que o estritamente necessário para alcançar a finalidade pretendida. O objetivo do princípio da necessidade é evitar a coleta excessiva e desnecessária de informações pessoais, protegendo a privacidade dos titulares. Dessa forma, o controlador deve avaliar cuidadosamente quais dados são realmente relevantes e Comércio Eletrônico | LGPD – Princípios e Disposições www.cenes.com.br | 30 essenciais para a finalidade pretendida e não deve solicitar ou utilizar dados que não sejam pertinentes. Esses princípios da adequação e da necessidade trabalham em conjunto para garantir que o tratamento de dados pessoais seja realizado de maneira responsável, respeitando os direitos e a privacidade dos titulares. Eles estabelecem limites claros para o uso dos dados, impedindo que informações pessoais sejam utilizadas de forma inadequada ou em excesso. Vale ressaltar que o descumprimento dos princípios da finalidade, adequação e necessidade pode resultar em sanções e penalidades previstas na LGPD, como advertências, multas e até mesmo a suspensão do tratamento de dados. Portanto, é fundamental que as organizações e empresas que tratam dados pessoais estejam em conformidade com esses princípios e adotem medidas adequadas para proteger a privacidade dos titulares. Em resumo, os princípios da finalidade, adequação e necessidade são fundamentais na proteção de dados pessoais, garantindo que o tratamento ocorra de forma transparente, específica e com a mínima coleta necessária para as finalidades estabelecidas. Princípio do Livre Acesso O princípio do livre acesso é uma das pedras fundamentais da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), estabelecendo direitos essenciais aos titulares de dados. Conforme previsto no inciso IV do art. 6º da LGPD, esse princípio assegura aos titulares o direito de obter, de forma facilitada e gratuita, informações sobre como seus dados pessoais estão sendo tratados. É uma importante garantia de transparência e controle sobre o uso de informações pessoais, que busca empoderar os indivíduos diante da crescente coleta e processamento de dados na era digital. Em termos práticos, os agentes de tratamento de dados, ou seja, os controladores e operadores, devem disponibilizar meios acessíveis aos titulares para que possam consultar, a qualquer momento, seus dados e verificar como essas informações estão sendo utilizadas. Esse acesso deve abranger detalhes como a finalidade do tratamento, a duração do processamento, bem como informações sobre a segurança e integridade dos dados pessoais. Dessa forma, os titulares têm a possibilidade de tomar decisões informadas sobre seus dados. Comércio Eletrônico | LGPD – Princípios e Disposições www.cenes.com.br | 31 O direito de livre acesso também está relacionado ao exercício do direito de acesso, consagrado no art. 18 da LGPD. Esse artigo estabelece que os titulares têm o direito de solicitar a confirmação da existência de tratamento de seus dados, bem como requisitar acesso a essas informações, inclusive por meio de uma cópia dos dados em formato claro e compreensível. Esse processo deve ser descomplicado e sem custos para o titular. A transparência é um elemento-chave desse princípio. Os agentes de tratamento devem fornecer informações claras e de fácil compreensão sobre suas práticas de tratamento de dados, garantindo que os titulares estejam cientes de seus direitos e possam exercê-los plenamente. Isso também inclui informar sobre o compartilhamento de dados com terceiros, quando aplicável, e eventuais transferências internacionais de informações pessoais. Através do livre acesso, busca-se empoderar os titulares, permitindo que eles tomem decisões informadas sobre a coleta e o uso de seus dados pessoais. A conscientização sobre como as informações são tratadas proporciona maior controle e segurança aos indivíduos, mitigando o risco de abusos ou usos inadequados dos dados. O princípio do livre acesso é especialmente relevante no contexto atual, onde a coleta e processamento de dados ocorrem em grande escala, muitas vezes sem o conhecimento adequado dos titulares. Ele busca equilibrar o poder entre as organizações que tratam os dados e os indivíduos afetados, garantindo que os direitos e a privacidade dos titulares sejam respeitados. Vale ressaltar que esse princípio não se restringe a dados pessoais fornecidos de forma voluntária pelos titulares. Ele também engloba informações coletadas por meios automatizados, como cookies de rastreamento em sites, por exemplo. Em todos os casos, os titulares devem ter a possibilidade de acessar e compreender os dados que estão sendo coletados e processados. Além disso, o princípio do livre acesso não deve ser interpretado isoladamente, mas em conjunto com os demais princípios da LGPD. A transparência, a finalidade, a necessidade, a qualidade dos dados, entre outros, são complementares e devem ser observados em conjunto para garantir uma abordagem abrangente e responsável ao tratamento de dados pessoais. Por fim, é importante ressaltar que os agentes de tratamento devem estar preparados para atender às solicitações de acesso dos titulares de forma eficiente e Comércio Eletrônico | LGPD – Princípios e Disposições www.cenes.com.brem particular, tiveram que se adaptar a essas novas regulamentações. No entanto, mesmo com a LGPD em vigor, falhas de segurança podem ocorrer. A verdade é que nenhum sistema é completamente imune a violações de segurança. Os sistemas de segurança de dados podem apresentar vulnerabilidades, o que pode resultar no vazamento de dados pessoais. Essas violações de dados, ou "data breaches", podem ter diferentes formas e efeitos, dependendo dos objetivos do invasor e do tipo de violação. Em alguns casos, as informações vazadas podem ser usadas para fins relativamente inofensivos, como publicidade direcionada. Em outros casos, as consequências podem ser muito mais graves. Hackers frequentemente se concentram em suas vítimas, especialmente os consumidores de e-commerce, para determinar as melhores maneiras e os locais mais fracos para atacar. Esse nível de personalização torna os ataques mais eficazes e potencialmente mais prejudiciais. O fato de os hackers estarem ativamente procurando brechas faz da segurança um desafio contínuo para as empresas. A necessidade de segurança robusta é, portanto, evidente. As empresas precisam criar e manter infraestruturas de segurança fortes para proteger os dados de seus usuários. Os sistemas de segurança não devem apenas proteger os dados do usuário, mas também precisam ser capazes de detectar e reagir a qualquer tentativa de violação. Grandes empresas, como a Netshoes, já foram vítimas de violações de dados. Nesses casos, os dados dos clientes foram expostos, o que não apenas prejudicou a reputação da empresa, mas também levou a ações judiciais. Tais incidentes ressaltam a importância da segurança dos dados. Os processos judiciais que resultam dessas violações também sublinham a necessidade de maior segurança. Em alguns casos, as empresas podem ser obrigadas a pagar indenizações pesadas por falhas em seus sistemas de segurança. Isso demonstra que as falhas de segurança têm consequências reais e significativas. A LGPD tem um escopo bastante amplo, abrangendo uma variedade de indústrias e setores. No entanto, encontra um ambiente particularmente relevante no mundo do e-commerce. Dada a natureza desse setor e o volume de dados que ele lida, o cumprimento da LGPD é uma necessidade absoluta para essas empresas. Comércio Eletrônico | Referências www.cenes.com.br | 52 As empresas de e-commerce não devem apenas se preocupar com a proteção dos dados pessoais de seus clientes. Eles também precisam levar em consideração a segurança cibernética em geral. Com o aumento da atividade cibernética, garantir a segurança cibernética é tão importante quanto proteger os dados dos usuários. Assim, embora a segurança dos dados seja uma parte significativa da LGPD, a lei tem implicações mais amplas. Ela representa um esforço para criar um ambiente cibernético mais seguro e protegido para todos os usuários. O e-commerce é apenas um dos muitos setores que são afetados por esta lei. Resumindo, a segurança dos dados é de grande importância no mundo online. As empresas precisam se esforçar para garantir que os dados de seus usuários estejam seguros, e as consequências de falhar em fazer isso podem ser graves. Com a LGPD em vigor, a expectativa é que as empresas levem a segurança dos dados ainda mais a sério. Os desafios da segurança de dados, no entanto, não desaparecerão simplesmente. As empresas precisam estar constantemente vigilantes para detectar e prevenir violações de segurança. No entanto, a LGPD representa um passo positivo na direção certa, proporcionando mais proteção e segurança para os usuários da internet. 10 Referências BRASIL. [Constituição de 1988]. Constituição da República Federativa do Brasil, promulgada em 5 de outubro de 1988. Brasília-DF: Senado Federal, 1988. [DECRETO]. Decreto nº 7.962, de 15 de março de 2013. Regulamenta da Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990, para dispor sobre a contratação no comércio eletrônico. Brasília-DF: Senado Federal, 2013. INTERAMINENSE, Raianny Lima Barros e SILVA, Silvia Cristina da. Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais: Noções preliminares da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais – unidade 1. Editora Telesapiens, 2020. [LGPD]. Lei nº 13.709, de 14 de agosto de 2018. Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). Brasília-DF: Senado Federal, 2018. MORAES, C. A. de M., ARAÚJO, J. P. B. de, VIANA, L. E. M., & MINARÉ, M. T. A Lei Geral de Proteção de Dados e sua importância no âmbito do consumo por e-commerce. LIBERTAS: Revista De Ciências Sociais Aplicadas, 2022. Comércio Eletrônico | Referências www.cenes.com.br | 53 RadioagênciaNacional. História Hoje: Há 37 anos era oferecido o primeiro serviço bancário por computador. Brasília-DF, 2017. SANTOS, Alexandre Correia dos. Gestão de Comércio Eletrônico. Curitiba-PR: Universidade Positivo, 2015. SOUZA, Maria de Fátima Rufino de. O Comércio Eletrônico Durante a Pandemia do Coronavírus: Uma análise acerca do grau de confiabilidade dos consumidores. João Pessoa/PA: IFPA, 2022. WILLRICH, Adolfo Chávez. Comércio Eletrônico e a Regulamentação da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais. Florianópolis-SC: Unisul, 2020. Comércio Eletrônico | Referências www.cenes.com.br | 54 Sumário 1 Introdução ao Comércio: Origens e Definição 2 O Advento do Comércio Eletrônico/Digital 2.1 Visão Histórica 2.2 Vantagens e Desvantagens 2.3 Plataformas de E-Commerce 3 Funcionamento das Transações Online 4 A Criação da LGPD 4.1 Fundamentos da LGPD 5 LGPD – Princípios e Disposições Princípio da Finalidade Princípio do Livre Acesso Princípio da Segurança Princípio da Não Discriminação 5.1 O Alcance da Lei 13.709/2018 6 Implementação da LGPD no Comércio Eletrônico 7 Os Impactos da Pandemia do Covid-19 8 O Limite da Responsabilidade Civil nas Compras Online 8.1 O Consentimento 9 Desafio: A Fragilidade dos Sistemas de Segurança 10 Referências