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Jorge Bernardi - Processo Legislativo Brasileiro - Pesquisável - Ano 2009

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que até quatro 
senadores c quatro deputados façam o encaminhamento (art. 49, 
RCCN), de preferência de partidos diferentes, pelo prazo de cinco 
minutos cada um.
Vota-se primeiro o projeto, ressalvados os destaques requeri­
dos pelos parlamentares e comissões e as emendas. A votação das
emendas será em grupos, conforme tenham sido os pareceres favo­
ráveis ou contrários, ressalvando-se dos destaques às emendas. Das 
emendas destacadas, vota-se primeiro as supressivas, seguindo-se 
as substitutivas, as modificativas e, finalmente, as aditivas.
Também as emendas com subemendas serão votadas uma a uma, 
salvo se houver deliberação do plenário em contrário. As subemen­
das substitutivas ou supressivas serão votadas antes das respecti­
vas emendas.
Os substitutivos de autoria de comissão terão preferência sobre 
o projeto de lei ou se de dela tiver obtido parecer favorável. Só não 
vigora essa norma sc o plenário deliberar em contrário.
Nas situações em que o projeto tiver preferência de votação sobre 
o substitutivo, poderão ser destacadas partes do substitutivo para 
serem incluídas no projeto original c vice-versa. Essa regra vale 
também para as emendas. Aprovando-se o substitutivo, fica pre­
judicado o projeto original, salvo se houver partes deste destacada 
para votação.
No Congresso Nacional, os requerimentos de preferência e des­
taque deverão ser apresentados à Mesa até o momento em que seja 
anunciada a votação da matéria. Eles são formulados somente por 
líderes partidários, não são discutidos e nem há encaminhamento 
de votação (art. 50, RCCN).
5.4 A sessão nas assembleias legislativas
O regimento interno de cada uma das assembleias legislativas esta­
duais e da câmara distrital do Distrito Federal estabelece como de­
vem desenrolar-se as sessões c qual o procedimento adotado para a 
deliberação. A ordem do dia é o ponto principal de uma sessão deli­
berativa, pois é nesta que as decisões são tomadas, por meio do voto.
Algumas assembleias possuem regras mínimas de procedimentos, 
como a Assembleia dc Minas Gerais, enquanto outras, como a do Rio 
Grande do Sul, por exemplo, detalham com maior complexidade a 
ordem do dia. Essas regras podem ser contempladas nos regimentos 
internos das assembleias legislativas. Os elementos se diferenciam 
apenas nos detalhes dos procedimentos. Seguem, mesmo que não 
haja uma obrigatoriedade constitucional* nesse sentido, procedi­
mentos consagrados no processo legislativo do Congresso Nacional.
Ao contrário do Regimento Interno da Assembleia gaúcha, onde 
a forma de deliberação (discussão, votação, encaminhamento da 
votação, redação final e autógrafos) está incluída no capítulo que 
trata da ordem do dia; na Assembleia mineira, a discussão e a vota­
ção se encontram em capítulos próprios do Regimento Interno, e 
portanto, não serão descritas neste estudo.
A ordem do dia nas assembleias legislativas
Vamos descrever os procedimentos da ordem do dia na Assembleia 
Legislativa gaúcha que, dc uma forma geral, representa o que 
ocorre nas demais Casas Legislativas estaduais brasileiras. Preli­
minarmente, o Regimento Interno dessa instituição diz que o perío­
do destinado à ordem do dia é para discutir c votar as proposições 
sujeitas à deliberação pelo plenário, sendo imediatamente efetuada 
a verificação de q u o r u m , ou seja, a chamada nominal dos depu­
tados. Não havendo q u o r u m , as matérias sujeitas à deliberação 
serão transferidas para a ordem do dia da próxima sessão.
Havendo q u o r u m normal, a maioria absoluta (metade mais 
um dos deputados), será quo r um dc deliberação exigido por
0 aulor desle livro defende que a simetria conslilucional no 
processo legislativo esladual e municipal deve ser obedecida 
só em relação às normas constitucionais, não atingindo as 
normas regimentais.
aquela proposição ou, se houver matérias que exijam quo r u m 
especial, a proporção de parlamenladores deverá ser de 2/3, 3/5 
ou outro valor superior à maioria absoluta, para que a sessão trans­
corra normalmente, e a sessão prosseguirá normalmente. Mas, a 
qualquer momento, o presidente da Assembléia Legislativa gaúcha 
de ofício ou a requerimento de qualquer deputado poderá novamen­
te determinar a chamada nominal para verificação de presença de 
deputados. Se não houver quor u m , suspende-se a discussão e 
a deliberação das matérias que ainda constam da pauta. Havendo 
q u o r u m , prossegue-se a sessão normalmente.
Na ordem do dia, as questões de ordem só poderão referir-se às 
matérias que se encontram em debate e em votação. Também a 
requerimento de qualquer deputado, o presidente da Assembleia 
Legislativa do Rio Grande do Sul determinará a retirada, da ordem 
do dia, de proposição que lenha tramitado ou que lenha sido publi­
cada de forma irregular, ou seja, sem observar prescrição regimen­
tal. O parágrafo único do art. 116 do referido regimento estabelece 
que “as comissões permanentes ou especiais poderão requerer ao 
presidente a retirada de proposição de que devam conhecer e que 
não lhes haja sido distribuída.” O requerimento pode ser deferido de 
plano pelo presidente, ou seja, sem maiores análises a juízo dele.
O plenário poderá deliberar sobre requerimento que altere a or­
dem da discussão e votação de proposições. São motivos dc inter­
rupção da ordem do dia que normalmente constam nos regimentos 
internos das assembleias legislativas: a) posse de deputado; b) vo­
tação dc licença de deputado; c) leitura c votação de requerimento 
urgente que trate de calamidade ou de segurança pública; d) re­
cepção de autoridade; d) decidir sobre requerimento que prorrogue 
a sessão; ou c) adoção dc providências para restabelecer a ordem 
em situações de tumulto ou outras situações que impeçam o anda­
mento normal dos trabalhos.
Da discussão
Ao ser anunciada a matéria da ordem do dia, a palavra será conce­
dida aos oradores inscritos para discuti-la. A discussão das proposi­
ções na Assembleia gaúcha será geral, devendo abranger o conjunto 
da proposição e das suas emendas. Poderá o plenário, no entanto, 
decidir debater as matérias por etapas. Essas etapas compreendem: 
títulos, capítulos, seções e subseções, artigos e até a subdivisão des­
tes (parágrafos, incisos, alíneas).
Na discussão do projeto, a preferência recai em primeiro lugar 
ao autor, seguindo-se ao relator na comissão que examinou o seu 
mérito; aos deputados que tenham relatado em outras comissões; 
e, na seqüência, os que tiveram voto vencido nos pareceres nas 
comissões sobre a matéria.
Quando uma matéria for a plenário por ter recebido parecer con­
trário na Comissão de Constituição de Justiça (CCJ) da Assembleia 
Legislativa do Rio Grande do Sul, tendo sido considerada incons­
titucional, poderá usar da palavra o autor ou aquele que recorreu; 
se não for autor, o relator na comissão e um deputado por bancada 
partidária.
Na discussão da matéria em plenário, o deputado só poderá falar 
uma vez e por cinco minutos. Esse tempo poderá ser outro, se houver 
disposição regimental nesse sentido. 0 presidente da Assembleia, 
durante os debates, poderá interromper o orador, se este desviar-se 
do tema em discussão ou, sobre assunto vencido, utilizar linguagem 
que seja incompatível com o decoro parlamentar ou ultrapassar o 
tempo regimental.
Os líderes poderão apresentar emendas às proposições na ordem 
do dia durante a discussão, que deverão ser distribuídas a todos os 
deputados antes da votação. Quando as proposições tiverem como 
origem a Mesa, somente esta poderá apresentar emendas nesse 
período.
0 encerramento da discussão poderá ocorrer por falta de ora­
dores, pelo decurso dos prazos