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Katia Cilene Balugar Firmino - Portabilidade da Previdência Complementar

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antes ou depois da publicação 
desta Lei Complementar; 
II- A modalidade do plano de benefícios.” 
A regulamentação resultante expressa-se nos termos da resolução CGPC n. 06/03, 
desta forma: 
Art. 15. O direito acumulado pelo participante no plano de benefícios 
originário, para fins de portabilidade corresponde: 
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I- nos planos instituídos até 29 de maio de 2001, ao valor previsto no 
regulamento para o caso de desligamento do plano de benefícios, 
conforme nota técnica atuarial, observado como mínimo o valor 
equivalente ao resgate, na forma definida no Capítulo III desta 
Resolução; 
II- nos planos instituídos a partir de 30 de maio de 2001: 
a) em plano cuja modelagem de acumulação do recurso garantidor do 
benefício pleno programado seja de benefício definido, às reservas 
constituídas pelo participante ou reserva matemática, o que lhe for mais 
favorável, na forma regulamentada e conforme nota técnica atuarial do 
plano de benefícios, assegurado no mínimo o valor do resgate nos 
termos desta Resolução; 
b) em plano cuja modelagem de acumulação do recurso garantidor do 
benefício pleno programado seja de contribuição definida, à reserva 
matemática constituída com base nas contribuições do participante e do 
patrocinador ou empregador. 
§ 1o. Em plano que, na fase de acumulação do recurso garantidor do 
benefício pleno programado, combine alternativamente características 
das alíneas “a” e “b” do inciso II deste artigo, a reserva matemática 
corresponderá ao maior valor que resultar da aplicação das regras 
previstas nas alíneas “a” e ”b”. 
§ 2o. Em plano que, na fase de acumulação do recurso garantidor do 
benefício pleno programado, combine cumulativamente características 
das alíneas “a” e “b” do inciso II deste artigo, a reserva matemática 
corresponderá à soma dos valores resultantes da aplicação isolada das 
regras previstas nas alíneas “a” e “b”. 
§ 3o. Para fins de aplicação da alínea “a”, do inciso II deste artigo, 
entende-se por reserva constituída pelo participante o valor acumulado 
das contribuições vertidas por ele ao plano, destinadas ao financiamento 
do benefício pleno programado, de acordo com o plano de custeio, 
ajustado conforme o regulamento do plano de benefícios. 
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§ 4o. O regulamento do plano de benefícios poderá prever outros 
critérios para apuração do direito acumulado pelo participante que 
resultem em valor superior ao previsto neste artigo, sempre respeitando 
as especificidades do plano de benefícios. 
§ 5o. Os critérios e a metodologia de apuração do direito acumulado 
pelo participante, para fins de portabilidade, considerando eventuais 
insuficiências de cobertura do plano de benefícios, deverão constar do 
regulamento e da nota técnica atuarial do plano de benefícios. 
Vejamos, pois, se a regulamentação do parágrafo único, art. 15 da Lei 
Complementar n. 109/01 obedeceu as disposições legais, bem como se observou os limites 
permitidos pelo § 3o do art. 14. 
 
6.2.1 Planos instituídos antes da Lei Complementar n. 109/01 
 
Como adiantado, a delegação ao poder regulamentar autorizada pela Lei 
Complementar n. 109/01, conforme referência expressa dos incisos II e III do § 3o do art. 14, 
limita-se à operacionalidade da portabilidade segundo os critérios da modalidade de cada plano e 
da data de sua instituição, o que interessa para o fim de estabelecer prazo de carência ao seu 
exercício, procedimentos, formalidades que sirvam a cada qual segundo sua estruturação, enfim, 
tudo quanto, naturalmente, não adrede estabelecido pela lei. 
É verdade que a introdução do instituto da portabilidade nos planos em que não 
havia previsão de saque a esse título poderia gerar desequilíbrio. 
O eminente atuário Newton Cezar Conde assinala que para os planos instituídos 
antes da Lei Complementar n. 109/01, a previsão necessária deveria resumir-se ao resgate das 
contribuições pessoais, já que a portabilidade e o benefício proporcional diferido poderiam 
devolver ao participante mais que suas contribuições, ocasionando desequilíbrio ao plano60. 
Contudo, fato é que a Lei Complementar n. 109/01 dispôs sobre a portabilidade 
também para os planos precedentes à sua vigência, tanto assim que a eles expressamente se 
 
60 CONDE, Newton Cezar. Portabilidade e vesting. In: REIS, Adacir (Coordenador). Fundos de Pensão em Debate, 
Brasília : Brasília Jurídica, 2002, p. 161/169. 
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refere, não havendo espaço para que em nível regulamentar admita-se distinção sob o aspecto do 
critério de aferição dos valores portáveis. 
Anota-se que ao se referir à portabilidade, a Lei Complementar n. 109/01 não dá 
margem a dúvidas quanto a sua correspondência à reserva constituída ou à reserva matemática, o 
que for maior. 
Pendia, pois, regulamentação com esforço no sentido de mais se aproximar à 
vontade da lei, assim até o limite estritamente necessário à preservação do equilíbrio financeiro-
atuarial do plano. 
A necessidade era estabelecer norma regulamentar que obtivesse a máxima 
eficácia possível dos comandos do parágrafo único do art. 15, respeitando-se, naturalmente, o 
essencial equilíbrio financeiro do plano. 
No entanto, referindo-se a plano instituído antes da Lei Complementar n. 109/01, 
o inciso I, art. 15 da resolução CGPC n. 6/03, ao equiparar o montante portado àquele que teria 
direito o participante em caso de mero resgate, parece engendrar solução simplista, que vai de 
encontro à inspiração do instituto da portabilidade, já que a regra não serve como incentivo a que 
o participante mantenha-se engajado na busca do benefício pleno. 
Estes os termos do art. 26 da resolução CPPC n. 6/03, indevidamente adotado pela 
mesma resolução como parâmetro à portabilidade nos casos de planos instituídos antes da Lei 
Complementar n. 109/01: 
Art. 26. O valor do resgate corresponde, no mínimo, à totalidade das 
contribuições vertidas ao plano de benefícios pelo participante, 
descontadas as parcelas do custeio administrativo que, na forma do 
regulamento e do plano de custeio, seja de sua responsabilidade. 
Pondera-se que a depender da situação financeira do plano, poder-se-ia cogitar de 
condição suficiente para permitir a portabilidade segundo a reserva matemática sem que se 
verificasse qualquer desequilíbrio, caso se mostrasse ela superior ao valor apurado nos termos do 
art. 26, de modo que a disposição contida no inciso I do art. 15 da resolução CGPC n. 6/03 
nivelou “por baixo” a capacidade de as entidades de previdência arcarem com retiradas maiores 
para o fim de atender ao exercício da portabilidade. 
 Com ressalva à opinião de que o resgate seria a única opção ao participante em 
planos anteriores à Lei Complementar n. 109/01, defendida por Newton Cezar Conde, traga-se o 
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quanto exposto por esse estudioso em abordagem que aqui é considerada como solução possível 
para equacionar a questão da fixação dos valores a serem portados de planos formados antes da 
lei complementar, na hipótese de restar a reserva matemática, segundo a sistemática que ora se 
propõe, mais vantajosa que a retirada conforme o equivalente ao resgate: 
“Os planos instituídos antes da Lei Complementar n. 109 não precisavam ter a 
portabilidade e o benefício proporcional diferido, e sim o resgate das 
contribuições pessoais. No entanto, esses dois mecanismos podem 
proporcionar aos participantes valores superiores aos resgates e, com isso, 
provocar um desequilíbrio financeiro-atuarial no plano de benefícios, de tal 
sorte a inviabilizá-lo. 
[...] 
Do ponto de vista técnico-atuarial, os planos existentes não poderiam se 
comprometer, para efeitos de portabilidade e benefício proporcional diferido,