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Katia Cilene Balugar Firmino - Portabilidade da Previdência Complementar

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carência para repetição do 
exercício da portabilidade no plano receptor. Nesse sentido dispõe o art. 14, § 1o, da resolução 
CGPC n. 6/03: 
Art 14 [...] 
I - [...] 
II - cumprimento de carência de até três anos de vinculação do 
participante ao plano de benefícios. 
 104
§ 1o O disposto no inciso II deste artigo não se aplica para a 
portabilidade, nos planos instituídos por patrocinador, de recursos 
portados de outro plano de previdência complementar. 
Já para os planos abertos, talvez pela tradição da portabilidade nesse segmento, e 
ainda pela maioria dos planos apresentarem-se com característica individualista, o prazo de 
carência varia entre 60 dias e 24 meses, independentemente do número de contribuições pagas 
(circular SUSEP n. 211/02). 
Na regulamentação da carência, o § 3o do art. 14 da Lei Complementar n. 109/01 
admite, expressamente, a possibilidade de que se faça distinção com base na data em que foi 
instituído o plano – se antes ou depois da publicação da Lei Complementar -, ou segundo sua 
modalidade, conforme incisos I e II. Regulamentando esse dispositivo legal, a resolução CGPC n. 
9/02 dispunha ser de cinco anos o prazo de carência para os planos instituídos após 30/05/2001, e 
de dez anos se criados antes dessa data. 
A resolução CGPC n. 6/03 não contempla tal distinção, além de prever prazo de 
carência de três anos. Disso resulta que bastam três anos de permanência no plano para se facultar 
a portabilidade, assim constatado dos dias 31.08.2004 ou 30.04.2004 em diante, prazos fixados 
pelo art. 32 da resolução CGPC n. 8/04 para a adaptação dos planos de benefício definido e das 
demais modalidades, respectivamente. 
Por outro lado, não há decadência do direito à portabilidade. 
Atendidos os requisitos legais, não há termo final para o exercício da 
portabilidade, cumprindo assinalar que a ele não se aplica o art. 75 da Lei Complementar n. 
109/01 que, ao tratar do tema decadência, reporta-se a prestações, o que evidentemente não 
alcança a portabilidade, tendo em vista que esse instituto não se apresenta como um benefício 
previdenciário. 
 
 8.2 Rompimento do Vínculo 
 
A disposição legal atinente ao rompimento do vínculo em razão do qual se deu a 
participação no plano de previdência é condição, evidentemente, do segmento fechado da 
previdência complementar. 
 105
A Lei Complementar n. 109/01, no art. 14, § 1o, preceitua, ao se referir à 
portabilidade, que ela não será admitida na inexistência de cessação do vínculo empregatício do 
participante com o patrocinador. 
Estes os termos da Lei: 
Art. 14 [..] 
§ 1o. Não será admitida a portabilidade na inexistência de cessação do 
vínculo empregatício do participante com o patrocinador” 
A princípio, pois, cogita-se de portabilidade, no âmbito das entidades fechadas de 
previdência, desde que cessado o vínculo empregatício entre o participante e seu empregador, 
patrocinador do plano. Esta a interpretação literal do dispositivo. 
Uma leitura apressada poderia ensejar o entendimento de que a portabilidade só 
teria lugar se desfeito o vínculo do participante com o empregador que contribuía a plano fechado 
por ele instituído, hipótese que se refere à figura do patrocinador, não sendo possível, assim, no 
caso de rompimento do vínculo associativo e de cessação do vínculo empregatício com 
empregador que não contribui ao fundo previdenciário, caso em que se põe a figura de mero 
instituidor do plano previdenciário. 
Leitura mais detida e sistemática da Lei Complementar n. 109/01, porém, aponta 
para interpretação diversa, e bem mais ampliativa do que a que de início se aludiu, tanto para 
firmar convicção de que há espaço para a portabilidade nos casos de cessação de vínculo com o 
empregador instituidor e de vínculo associativo, quanto para concluir que seu exercício, nesses 
casos, sequer tem o rompimento do vínculo como condição à portabilidade, tal qual exige o § 1o, 
art. 14 da Lei Complementar n. 109/01 na hipótese de participante de plano de benefício em que 
o empregador figura como patrocinador. 
Sendo da natureza da previdência privada a voluntariedade na participação, e 
apresentando-se como seara de interesse público no sentido fomentar a iniciativa do indivíduo em 
planejar seu bem-estar, seria estranho que o participante que aderisse a um plano de previdência 
privada ficasse a ele inexoravelmente restrito, assistindo inúmeras ofertas de melhores condições 
de cobertura dos risco sem que, contudo, lhe fosse permitido assim optar, baseada essa limitação 
da vontade tão-só na circunstância de participar de plano de previdência fechada em razão de 
vínculo associativo ou de plano fechado em que o empregador é mero instituidor. 
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Observa-se ainda que em ambos os casos – o de vínculo associativo e o de vínculo 
empregatício com empregador que não contribui ao plano -, o custeio encontra-se a cargo do 
participante, com exclusividade, o que mais justifica o livre exercício da portabilidade. 
 A propósito, tal situação muito se aproxima daquela verificada nos planos 
abertos, em que o sacrifício econômico é suportado exclusivamente pelo participante, 
apresentando-se com maior vigor sua condição de titular do montante acumulado no plano, o que 
explica a maior tradição do instituto da portabilidade no segmento dos planos abertos, conforme 
previsão desde o Decreto n. 81.402/78. 
Não fossem suficientes esses argumentos, veja que os termos do parágrafo 
primeiro do art. 14 da Lei Complementar n. 109/01 indicam um requisito negativo ao exercício 
da portabilidade – não será admitida a portabilidade na inexistência de cessação do vínculo 
empregatício com o patrocinador – de modo que pende a conclusão de que no universo restante 
de hipóteses, sob o aspecto do vínculo associativo ou empregatício, sempre é possível a 
portabilidade. 
Sendo assim, a interpretação que se extrai do disposto no § 1o do art. 14 da Lei 
Complementar n. 109/01 é de que, no caso de plano fechado de previdência, em que há 
participação contributiva do empregador, admite-se a portabilidade desde que rompido o vínculo 
empregatício, sendo tal comando uma exceção à regra de que a portabilidade é sempre permitida 
no plano fechado, haja ou não rompimento do vínculo associativo, em se tratando de plano de 
entidade associativa, ou do vínculo empregatício no caso de plano de previdência em que o 
empregador é mero instituidor. 
Cabem aqui as considerações quanto aos limites legais dos quais depende o 
instituto, em conjugação à necessidade de uma interpretação sistemática compatível com a 
coerência da norma em seu todo, o que parece confirmar o acerto em restringir o 
condicionamento legal atinente ao rompimento do vínculo à hipótese de vínculo de natureza 
empregatícia, estabelecido, especificamente, com empregador que figura como patrocinador do 
plano, tendo em vista o espírito da Lei Complementar n. 109/01 no sentido de modernizar a 
previdência privada, adequando-a à liberdade de mobilidade do trabalhador, e à independência 
entre a relação laborativa e a relação previdenciária, mormente considerando que nas hipóteses 
em questão o sacrifício patrimonial pelo custeio do plano é exclusivamente suportado pelo 
participante, conforme assinalado. 
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Por fim, vale lembrar que a minuta da resolução CGPC n. 9/02 dispunha que “Nos 
planos acessíveis aos associados ou membro de pessoas jurídicas de caráter profissional, 
classista ou setorial, a portabilidade ocorrerá com a manifestação formal do participante, não 
havendo necessidade de cessação do vínculo associativo com o Instituidor.” 
É certo que tal disposição não prevaleceu no texto, e que a atual resolução que 
cuida da matéria silencia a respeito