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contábeis. 
 
 PL da Cia 
Mineira 
Participação da 
Cia Brasil 
(40%) 
Valor justo dos ativos líquidos $170.000 $ 68.000 
Valor patrimonial $ 150.000 $ 60.000 
 
 
1º) Determinação da mais ou menos-valia 
 
 Valor Justo de 40% dos ativos líquidos da Cia Mineira $ 68.000 
(-) Valor Patrimonial de 40% do Patrimônio Líquido da Cia Mineira ($ 60.000) 
(=) Mais-Valia paga por diferença de valor de ativos líquidos $ 8.000 
 
Neste caso houve a ocorrência de mais-valia, pois o valor justo dos ativos líquido 
superou o valor patrimonial da participação adquirida. 
 
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2º) Determinação do ágio ou ganho 
 
 Valor Pago por 40% das ações da Cia Mineira $ 72.000 
(-) Valor Justo de 40% dos ativos líquidos da Cia Mineira ($ 68.000) 
(=) Ágio pago por rentabilidade futura (goodwill) $ 4.000 
 
Neste caso houve a ocorrência de ágio, pois o valor pago pelas ações superou o 
valor justo dos ativos líquidos da sociedade investida. 
 
 
3º) Registros Contábeis na sociedade investidora 
 
Na Cia Brasil 
(investidora) 
Contabilização do investimento na Cia Mineira 
com mais valia e ágio: 
DÉBITO CRÉDITO 
INVESTIMENTOS (BP) 
 Ações Cia Mineira (vr. Patrimonial) ........................ 60.000 
...Mais-Valia (Cia Mineira) 8.000 
 Ágio na aquisição de investimentos (Cia Mineira) .. 4.000 
ATIVO CIRCULANTE (BP) 
 Disponível........................................................... 72.000 
 
Suponha que a mais-valia foi originada por ativos imobilizados registrados pela 
investida por valor contábil abaixo do valor justo, e que estes tem vida útil de 4 anos. Ao final 
do período a realização dessa mais valia, na sociedade investidora, seria através do 
seguinte lançamento: 
 
Na Cia Brasil 
(investidora) 
Contabilização da realização da mais-valia: DÉBITO CRÉDITO 
INVESTIMENTOS (BP) 
...Mais-Valia (Cia Mineira)........................................... 2.000 
OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS (DRE) 
 Despesas com amortização de mais-valia............. 2.000 
 
O valor amortizável da mais-valia do período decorre da parcela que compete ao 
período de acordo com a vida útil do imobilizado a que se refere, conforme cálculos a seguir: 
 
000.2
4
000.8
==
−
=
anosorigemdeativodoútilVida
ValiaMaisdaValor
PeríododooAmortizaçã 
 
 
 
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2. CONSOLIDAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS 
 
 
2.1. NOÇÕES PRELIMINARES: CONCEITO E UTILIDADE 
 
A Consolidação das Demonstrações Contábeis, tradicionalmente conhecida 
por Consolidação de Balanços, é uma técnica contábil que consiste na unificação das 
Demonstrações Contábeis da empresa controladora e de suas controladas, visando 
apresentar a situação econômica e financeira de todo o grupo como se fosse uma única 
empresa. 
A consolidação de balanços já é adotada em muitos países há muitos anos, 
particularmente naqueles em que o sistema de captação de recursos, por meio da emissão 
de ações ao público pelas Bolsas de Valores, é importante para as empresas. Somente por 
meio dessa técnica é que se pode realmente conhecer a posição financeira da empresa 
controladora e das demais empresas do grupo. 
A leitura das demonstrações contábeis não consolidadas de uma empresa que 
tenha investimentos em outras sociedades perde muito de sua significação, pois essas 
demonstrações não fornecem elementos completos para o real conhecimento e 
entendimento da situação financeira em sua totalidade e do volume total das operações. 
Nesse sentido, deve prevalecer o conceito de controle ao efetuar-se a 
consolidação. Esse controle não abrange apenas o acionário, mas também o da decisão em 
relação a políticas a serem seguidas pelas empresas, mais conhecido como “influência 
sobre a administração”. 
É importante lembrar que as diversas empresas de um mesmo grupo formam um 
conjunto de atividades econômicas que, muitas vezes, são complementares umas das 
outras. Assim, é dentro dessa visão e contexto que as demonstrações contábeis devem ser 
analisadas, ou seja, representam o reflexo de um conjunto de atividades econômicas de um 
grupo empresarial; e isto só é conseguido se forem demonstrações contábeis consolidadas, 
apesar da adoção do método de equivalência patrimonial para a avaliação de investimentos 
já produzir efeitos próximos aos da consolidação quanto ao lucro líquido e ao patrimônio 
líquido. 
Enfim, conforme explica Almeida (2010, p. 56), “a consolidação tem por objetivo 
apresentar demonstrações financeiras de duas ou mais sociedades como se fossem uma 
única entidade” e complementa que as sociedades consolidadas continuam existindo 
juridicamente, sendo a consolidação efetuada apenas extracontabilmente. 
Em suma, quando uma investidora possui vários investimentos permanentes em 
outras sociedades, formando um grupo societário, a análise das demonstrações contábeis 
individuais dessas sociedades pode tornar-se bastante trabalhosa e, ainda, insuficiente, 
para se ter uma visão de todo o grupo empresarial. Outro fator importante no tocante a 
consolidação de balanços, é a questão da transparência na divulgação das informações que 
deve ser priorizada na administração das empresas contemporâneas, uma vez que, se não 
fosse obrigatório esse procedimento uma sociedade controladora poderia, por exemplo, 
“esconder” os balanços controladas deficitárias, ou até mesmo “descarregar” prejuízos 
nessas empresas. 
 
 
2.2. FUNDAMENTOS LEGAIS: OBRIGATORIEDADE DE DIVULGAÇÃO 
 
A consolidação de balanços é obrigatória na seguinte situação, conforme 
previsto na Lei 6.404/76: 
 
Art. 249 – A companhia aberta que tiver mais de 30% (trinta por cento) 
do valor do seu patrimônio líquido representado por investimentos em 
sociedades controladas deverá elaborar e divulgar, juntamente com suas 
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demonstrações financeiras, demonstrações consolidadas nos termos do art. 
250. 
Art. 275 – O grupo de sociedades publicará, além das demonstrações 
financeiras referentes a cada uma das companhias que o compõe, 
demonstrações consolidadas, compreendendo todas as sociedades do 
grupo, elaboradas em obediência do disposto no art. 250. (ou seja, grupos 
empresariais que se constituírem formalmente nos critérios da lei, 
independentemente de serem companhias abertas ou não) 
 
O art. 249 da lei 6.404/76 determina que a Comissão de valores Mobiliários – 
CVM está autorizada a “expedir normas sobre as sociedades cujas demonstrações devam 
ser abrangidas na consolidação, podendo também autorizar a inclusão e exclusão de outras 
sociedades na consolidação.” (texto adaptado). 
Assim, através da edição da Instrução Normativa nº 247/96 a CVM determinou, 
no seu art. 21, as empresas que devem apresentar as demonstrações financeiras 
consolidadas: 
 
Art. 21 – Ao fim de cada exercício social, demonstrações contábeis 
consolidadas devem ser elaboradas por: 
I – companhia aberta que possuir investimento em sociedades controladas, 
incluindo as sociedades controladas em conjunto (...) 
II – sociedade de comando de grupo de sociedades que inclua companhia 
aberta. 
 
Portanto, a CVM, alterou o percentual de 30% previsto pela Lei 6.404/76, 
exigindo a consolidação para todas as companhias abertas, independentemente da 
representatividade do investimento em relação ao patrimônio líquido da controladora e 
inovou ao introduzir a consolidação (proporcional) para um número maior de companhias 
abertas, incluindo as sociedades controladas em conjunto, ou seja, com a I.N. 247/96 a 
CVM ampliou o leque das sociedades que