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UNIVERSIDADE ESTADUAL DA PARAÍBA 
DEPARTAMENTO DE BIOLOGIA 
CURSO DE LICENCIATURA EM CIÊNCIAS BIOLÓGICAS 
BIOLOGIA DE FUNGOS 
PROFA: ELISABETH TÖLKE 
 
Aluno (a): Mat.: 
 
ESTUDO DIRIGIDO: INTRODUÇÃO À BIOLOGIA, REPRODUÇÃO, 
CRESCIMENTO, METABOLISMO E NUTRIÇÃO DE FUNGOS 
 
1. Os fungos incluem organismos de morfologia diversa, como os cogumelos, mofos, 
orelhas de pau, líquens, entre outros organismos. Que características permitem 
diferenciar esses seres dos demais grupos de seres vivos, caracterizando-os como um 
grupo monofilético? 
Os fungos constituem um grupo monofilético de organismos eucariontes, heterotróficos, 
que se distinguem de outros reinos por uma combinação única de características 
morfológicas, bioquímicas e ecológicas. Sua parede celular, composta principalmente 
por quitina, é uma das marcas mais distintivas, diferenciando-os das plantas (que 
possuem celulose) e das bactérias (que apresentam peptidoglicano). Essa quitina, 
também encontrada no exoesqueleto de artrópodes, confere resistência e flexibilidade às 
hifas, os filamentos que formam o corpo dos fungos multicelulares. Além disso, os 
fungos possuem um modo peculiar de nutrição: são heterotróficos por absorção. 
Diferentemente dos animais, que ingerem alimentos, ou das plantas, que produzem seu 
próprio alimento por fotossíntese, os fungos secretam enzimas digestivas no ambiente 
externo, decompondo matéria orgânica em moléculas menores que são então absorvidas 
diretamente através de suas hifas. Esse processo permite que atuem como 
decompositores, parasitas ou simbiontes, como no caso das micorrizas e dos líquens. 
Estruturalmente, a maioria dos fungos forma redes de hifas entrelaçadas, chamadas 
micélios, que se espalham pelo substrato em busca de nutrientes. Essa organização 
tubular e ramificada é única e contrasta com a estrutura celular de plantas e animais. Na 
2 
 
reprodução, os fungos produzem esporos, tanto assexuadamente (como os conídios dos 
bolores) quanto sexuadamente (como os basidiósporos dos cogumelos), estratégia que 
lhes permite dispersão eficiente em diversos ambientes. Bioquimicamente, os fungos 
armazenam energia sob a forma de glicogênio, semelhante aos animais, e não de amido, 
como as plantas. Estudos moleculares, como análises de sequências de rRNA 18S, 
reforçam sua monofilia, mostrando que todos compartilham um ancestral comum 
exclusivo, distinto até mesmo de grupos morfologicamente similares, como os 
oomicetos (que pertencem ao reino Protista). Assim, a combinação dessas características 
— parede celular quitinosa, nutrição por absorção, organização em hifas, reprodução 
por esporos e bioquímica distintiva — define os fungos como um grupo natural e 
evolutivamente coeso, separando-os claramente de outros organismos. 
 
2. Um pesquisador está estudando um fungo que causa doenças em plantas e observa 
que suas hifas possuem septos com poros. Esses poros permitem a passagem de 
citoplasma e organelas, mas impedem a movimentação de núcleos. Com base nisso, 
qual das seguintes afirmações é incorreta? Justifique sua resposta. 
a) Os septos com poros facilitam a comunicação celular e o transporte de nutrientes. 
b) A presença de septos indica que o fungo pertence ao grupo dos ascomicetos ou 
basidiomicetos. 
c) A ausência de septos seria uma vantagem para o fungo, pois permitiria maior 
mobilidade dos núcleos. 
d) A estrutura dos septos pode influenciar a resistência do fungo a antifúngicos. 
Justificativa: A ausência de septos (como em zigomicetos) de fato permite a livre 
movimentação de núcleos, mas isso não necessariamente representa uma vantagem. 
Fungos septados (como ascomicetos e basidiomicetos) são evolutivamente mais bem-
sucedidos e diversificados, indicando que os septos não são uma limitação. Além disso, 
os poros já permitem fluxo citoplasmático eficiente, e a restrição à mobilidade dos 
núcleos pode estar relacionada a mecanismos de controle genético ou especialização 
celular. 
 
3. Um biólogo está investigando a parede celular de fungos e faz algumas afirmações a 
respeito. Indique se as informações são verdadeiras (V) ou falsas (F), justificando as que 
você considerou falsas. 
3 
 
( F ) A quitina, presente na parede celular dos fungos, é um polissacarídeo que confere 
resistência mecânica, mas não está envolvida na defesa contra patógenos. 
( V ) A parede celular dos fungos é dinâmica e pode alterar sua composição em 
resposta a mudanças ambientais, como a disponibilidade de nutrientes. 
( V ) A síntese da parede celular ocorre principalmente no ápice da hifa, onde o 
crescimento apical é mais ativo. 
Justificativa: A quitina de fato confere resistência mecânica, mas também está 
indiretamente envolvida na defesa contra patógenos. Ela serve como um PAMP (Padrão 
Molecular Associado a Patógenos), reconhecido por receptores do sistema imune de 
plantas e animais, desencadeando respostas de defesa. Além disso, alguns fungos 
modificam a quitina para evitar detecção por hospedeiros. Portanto, ela tem papel na 
interação patógeno-hospedeiro. 
 
4. Complete corretamente: 
Um estudante de biologia está analisando um fungo filamentoso ao microscópio e 
observa que suas hifas crescem rapidamente em direção a uma fonte de nutrientes. Esse 
crescimento ocorre devido ao processo de crescimento apical, que envolve a fusão de 
vesículas no ápice da hifa, permitindo a extensão da parede celular. Além disso, ele nota 
que as hifas são divididas por septos, estruturas que podem conter poros para a 
passagem de citoplasma e organelas entre células. 
 
5. Os fungos possuem grande importância ecológica, além de terem aplicação na 
indústria, alimentação, entre outros setores. Fale brevemente sobre a importância dos 
fungos, seja do ponto de vista ecológico ou econômico. 
Os fungos desempenham um papel fundamental tanto nos ecossistemas naturais quanto 
nas atividades humanas, sendo organismos de extraordinária versatilidade. Do ponto de 
vista ecológico, eles atuam como os grandes recicladores da natureza, decompondo a 
matéria orgânica morta e transformando-a em nutrientes essenciais para o solo. Esse 
processo de decomposição, realizado principalmente por fungos sapróbios, é crucial 
para a ciclagem de elementos como carbono e nitrogênio, mantendo o equilíbrio dos 
ecossistemas. Além disso, muitos fungos estabelecem relações simbióticas com plantas, 
formando as micorrizas, que ampliam a capacidade das raízes em absorver água e 
nutrientes, especialmente em solos pobres. Outra associação notável é a dos líquens, 
resultado da simbiose entre fungos e algas ou cianobactérias, que lhes permite colonizar 
ambientes extremos, desde desertos até regiões polares. No âmbito econômico, os 
4 
 
fungos têm aplicações vastas e diversificadas. Na alimentação, são indispensáveis tanto 
como ingredientes, no caso de cogumelos comestíveis como o shiitake e o champignon, 
quanto como agentes de fermentação na produção de pães, cervejas, vinhos e queijos. 
Na medicina, revolucionaram a saúde humana com a descoberta da penicilina, o 
primeiro antibiótico, e continuam a fornecer substâncias importantes, como 
imunossupressores e medicamentos para reduzir o colesterol. A biotecnologia aproveita 
os fungos para produzir enzimas industriais e até mesmo proteínas alternativas, 
contribuindo para uma produção mais sustentável de alimentos. Além disso, na 
agricultura, certos fungos são usados no controle biológico de pragas, reduzindo a 
dependência de agrotóxicos. Os fungos também se destacam na biorremediação, onde 
são empregados para despoluir áreas contaminadas por substâncias tóxicas, como 
derivados de petróleo e metais pesados. Sua capacidade de adaptação e metabolismo 
complexo os torna ferramentas valiosas para enfrentar desafios ambientais. Em suma, os 
fungos são protagonistas tanto na manutenção da vida no planeta quanto no progresso 
da sociedade, evidenciando sua importânciaecológica e econômica insubstituível. 
 
6. Alguns seres são classificados erroneamente como fungos, é o caso dos actinomicetos, 
mixomycetos e oomicetos. Explique por que classificá-los como fungos não seria o 
mais correto, considerando a evolução dos grandes grupos de seres vivos. 
Embora actinomicetos, mixomicetos e oomicetos tenham sido historicamente agrupados 
com os fungos devido a semelhanças superficiais em sua morfologia e modo de vida, 
estudos evolutivos mais recentes demonstraram que essa classificação não reflete suas 
verdadeiras relações filogenéticas. Esses organismos pertencem a linhagens 
completamente distintas dos fungos verdadeiros, com diferenças fundamentais em sua 
organização celular, composição bioquímica e história evolutiva. Os actinomicetos, 
como o gênero Streptomyces, na realidade são bactérias filamentosas pertencentes ao 
domínio Prokaryota. Apesar de formarem estruturas semelhantes a hifas que ramificam 
no substrato, eles diferem radicalmente dos fungos por serem organismos procarióticos, 
com células desprovidas de núcleo organizado e organelas membranosas. Sua parede 
celular é composta por peptidoglicano, uma molécula característica das bactérias, e não 
por quitina como ocorre nos fungos. Além disso, seu material genético e metabolismo 
são típicos de bactérias, incluindo a capacidade de produzir diversos antibióticos de 
importância médica. Os mixomicetos, por sua vez, representam um grupo peculiar de 
organismos eucarióticos que foram reclassificados para o reino Protista. Embora em 
certas fases de seu ciclo de vida possam formar estruturas reprodutivas que lembram 
5 
 
corpos de frutificação de fungos, sua fase vegetativa consiste em plasmodíos móveis 
que se deslocam por movimentos ameboides, um comportamento completamente 
estranho aos fungos verdadeiros. Sua nutrição por fagocitose e características 
ultraestruturais os aproximam muito mais de protistas ameboides do que de fungos. Já 
os oomicetos, como Phytophthora e Pythium, revelaram-se membros do reino 
Chromista quando analisados sob a ótica da biologia molecular. Apesar de seu 
crescimento filamentoso e modo de vida parasítico lembrarem os fungos, eles 
apresentam parede celular composta principalmente por celulose e β-glucanos, além de 
produzirem esporos flagelados (zoósporos) para dispersão - características ausentes nos 
fungos verdadeiros. Análises genômicas demonstraram que esses organismos estão mais 
próximos evolutivamente de algas pardas e diatomáceas do que dos fungos. Esses 
equívocos taxonômicos históricos ocorreram devido ao fenômeno de convergência 
evolutiva, onde organismos de diferentes linhagens desenvolvem características 
morfológicas semelhantes por ocuparem nichos ecológicos parecidos. No entanto, com 
o advento de técnicas moleculares e estudos ultraestruturais mais refinados, tornou-se 
claro que essas semelhanças são superficiais e não refletem parentesco evolutivo. A 
classificação atual, baseada em dados filogenéticos robustos, posiciona esses grupos em 
reinos completamente distintos dos fungos, destacando a importância de considerar 
múltiplas linhas de evidência nos estudos taxonômicos. 
 
7. Descreva o nome a função das seguintes estruturas fúngicas: 
 
Ambos são estruturas produtoras de esporos, de grupos taxonômicos distintos, 
chamados genericamente de esporangióforos, em A vemos a produção de esporos 
6 
 
endósporos no interior do esporângio, enquanto em B vemos a produção de exósporos, 
do tipo conidiósporos (ou conídios) em um esporangióforo aéreo, chamado de 
conidióforo. 
 
8. Relacione corretamente a segunda coluna de acordo com a primeira: 
a) Copulação planogamética 
isogâmica 
( b ) As hifas dos micélios + e – sofrem uma dilatação 
formando os progametângios que se encontram. Em seguida, 
cada progametângio recebe um septo e o septo de contato entre 
os dois gametângios se dissolve para que o conteúdo dos dois 
progametângios se “misture” em uma célula comum 
(plasmogamia). A estrutura passa a ser denominada de 
prozigosporângio. A partir desse momento, ocorre o 
desenvolvimento do zigosporângio onde ocorre a cariogamia e 
meiose, com a produção de células haplóides. 
b) Contato gametangial. ( a ) Dois gametas flagelados haplóides + e -, compatíveis, se 
unem para que haja a plasmogamia, cariogamia e meiose, com 
a consequente produção de esporos flagelados haplóides. 
c) Copulação gametangial. ( d ) Nesse tipo de reprodução, não ocorre a produção de 
gametângios e gametas. As hifas entram em contato 
(plasmogamia) e trocam os núcleos, com posterior cariogamia 
e meiose. 
d) Somatogamia. ( c ) Os gametângios haplóides + e – entram em contato e 
apenas os núcleos do gametângio + passam para dentro do – 
por um tubo de ligação entre os dois gametângios denominado 
tricógine. Em seguida, ocorre a cariogamia e meiose, com a 
consequente produção de esporos haplóides. 
 
9. Um agricultor está preocupado com a infestação de um fungo patogênico em sua 
plantação de tomates. Ele notou que o fungo se espalha rapidamente através de esporos 
assexuados, mas também observou a formação de corpos de frutificação. Explique: 
a) Como os esporos assexuados contribuem para a rápida disseminação do fungo? 
Os esporos assexuados, como conídios ou esporangiósporos, são produzidos em grande 
quantidade e de forma contínua pelas hifas do fungo. Esses esporos são leves, 
resistentes e facilmente dispersos pelo vento, água da chuva, irrigação ou até mesmo por 
insetos e equipamentos agrícolas contaminados. Como não dependem de processos 
sexuais para se formar, são gerados rapidamente sempre que as condições ambientais 
são favoráveis (umidade elevada e temperaturas amenas, típicas de plantações de 
7 
 
tomate). Essa eficiência reprodutiva permite que o fungo colonize novas plantas em 
pouco tempo, explicando a infestação acelerada em sua lavoura. 
 
b) Qual é a possível função dos corpos de frutificação nesse contexto? 
Os corpos de frutificação (como ascocarpos em Ascomycota ou basidiocarpos em 
Basidiomycota) estão associados à reprodução sexual do fungo. Nessas estruturas, 
ocorre a formação de esporos sexuados (ascósporos ou basidiósporos), que geralmente 
são mais resistentes a condições adversas (como seca ou temperaturas extremas) do que 
os esporos assexuados. Embora a reprodução sexual seja menos frequente, ela traz 
vantagens evolutivas: Variabilidade genética - Os esporos sexuados carregam novas 
combinações genéticas, o que pode ajudar o fungo a desenvolver resistência a 
fungicidas ou a adaptar-se a diferentes hospedeiros; Sobrevivência a longo prazo - 
Muitos corpos de frutificação podem permanecer dormentes no solo ou em restos de 
cultura, servindo como fonte de reinfecção em safras futuras. 
10. Os fungos podem se reproduzi vegetativamente por fissão, fragmentação, 
brotamento e ainda pela formação de estruturas denominadas de escleródios e 
rizomorfos. Diferencie esses diversos tipos de reprodução vegetativa nos fungos. 
Os fungos apresentam uma notável variedade de mecanismos de reprodução assexuada 
ou vegetativa, que lhes permitem se propagar eficientemente sem a necessidade de 
processos sexuais. Entre esses métodos, destacam-se a fissão, a fragmentação, o 
brotamento e a formação de estruturas especializadas como escleródios e rizomorfos, 
cada qual com características distintas e adaptações específicas. A fissão binária, 
observada principalmente em leveduras, é um processo semelhante ao que ocorre em 
bactérias, onde a célula fúngica se divide em duas células filhas geneticamente idênticas 
por meio de uma constrição central. Esse mecanismo é relativamente simples e permite 
uma rápida multiplicação em ambientes favoráveis. Já o brotamento é outro processo 
comum em leveduras, mas também ocorre em alguns fungos filamentosos, onde uma 
pequena protuberância (broto) se desenvolve na célula-mãe, aumentando de tamanho 
atése separar, formando um novo indivíduo. Em alguns casos, os brotos podem 
permanecer temporariamente ligados, formando cadeias pseudohifais. A fragmentação é 
particularmente importante para fungos filamentosos, onde pedaços de hifas podem se 
destacar do micélio principal e, em condições adequadas, crescer como novos 
indivíduos. Esse processo frequentemente ocorre naturalmente devido a perturbações 
mecânicas no ambiente ou pode ser induzido artificialmente em técnicas de cultivo. 
8 
 
Estruturas especializadas como escleródios e rizomorfos representam adaptações mais 
complexas. Os escleródios são massas compactas de hifas com um revestimento externo 
rígido, ricos em reservas nutritivas, que permitem ao fungo sobreviver por longos 
períodos em condições adversas como seca ou frio intenso. Quando o ambiente se torna 
favorável, os escleródios podem germinar, dando origem a novos micélios. Já os 
rizomorfos são feixes organizados de hifas paralelas que crescem de maneira 
semelhante a raízes, permitindo ao fungo se espalhar rapidamente através do substrato 
em busca de nutrientes. Essas estruturas não apenas facilitam a propagação vegetativa, 
mas também podem conectar diferentes partes do micélio, funcionando como uma rede 
de distribuição de nutrientes. Cada um desses métodos apresenta vantagens em 
diferentes contextos ecológicos. Processos como fissão e brotamento são ideais para 
rápida colonização em ambientes com recursos abundantes, enquanto escleródios e 
rizomorfos representam estratégias de sobrevivência e expansão em condições mais 
desafiadoras. Essa diversidade de mecanismos explica em parte o sucesso evolutivo dos 
fungos em colonizar praticamente todos os ambientes terrestres e muitos aquáticos. 
 
11. Na reprodução assexuada os fungos podem formar diversos tipos de esporos que se 
classificam em dois grandes grupos: endógenos e exógenos. Diferencie esses tipos de 
formação de esporos e diga quais esporos compõem cada um dos dois tipos. 
Na reprodução assexuada, os fungos produzem diversos tipos de esporos que podem ser 
classificados em dois grandes grupos conforme sua formação e local de origem: esporos 
endógenos e exógenos. Esta classificação reflete diferenças fundamentais no processo 
de esporulação e na estratégia de dispersão desses propágulos. Os esporos endógenos 
são aqueles formados no interior de estruturas especializadas denominadas esporângios. 
Estes esporos desenvolvem-se dentro de uma membrana protetora e são liberados 
quando o esporângio se rompe, geralmente por ação de fatores ambientais como 
umidade ou vento. Os principais representantes deste grupo são os esporangiósporos, 
característicos de fungos da divisão Zygomycota, como os gêneros Rhizopus e Mucor. 
Estes esporos são tipicamente imóveis, embora algumas espécies aquáticas possam 
produzir esporos flagelados (zoósporos) em certas condições. A formação interna no 
esporângio oferece proteção durante o desenvolvimento, mas limita a quantidade de 
esporos produzidos por estrutura. Em contraste, os esporos exógenos são produzidos 
externamente na superfície de hifas especializadas ou estruturas portadoras, sem 
envoltório protetor. Estes esporos formam-se em cadeias ou aglomerados na 
9 
 
extremidade de conidióforos (hifas modificadas) e são conhecidos como conídios. Este 
tipo de esporulação é predominante nos fungos Ascomycota, incluindo importantes 
gêneros como Aspergillus, Penicillium e Fusarium. A produção externa permite a 
liberação contínua e progressiva de esporos, frequentemente em números muito 
elevados, facilitando sua dispersão por correntes de ar. Alguns fungos ainda produzem 
variações especializadas de conídios, como os blastoconídios (formados por brotamento) 
em leveduras do gênero Candida. A distinção entre estes dois tipos de esporos reflete 
adaptações ecológicas distintas. Esporos endógenos, com sua proteção temporária, são 
mais comuns em ambientes onde a umidade é variável, enquanto esporos exógenos, 
mais expostos mas produzidos em maior quantidade, predominam em estratégias de 
dispersão aérea eficiente. Ambos os mecanismos contribuem significativamente para o 
sucesso reprodutivo dos fungos em diversos habitats, explicando sua ampla distribuição 
na natureza e seu impacto como decompositores, simbiontes ou patógenos. 
 
12. Sobre a curva de crescimento de fungos em sistema fechado, indique se é verdadeiro 
( V ) ou falso ( F ) sobre as fases abaixo: 
 
( F ) Na fase 1, fase lag, o crescimento do microrganismo é lento. O comprimento 
dessa fase depende da natureza do inóculo e do tipo de nutriente existente no meio de 
cultura. Nesse momento, os fungos filamentosos se preparam para a extensão de suas 
hifas (divisão celular). Nesta fase os microrganismos se encontram na plenitude de suas 
capacidades, num meio cujos suprimentos de nutrientes é superior às necessidades do 
microrganismo. 
( V ) Na fase 2, fase exponencial, os fungos são altamente dependentes de nutrientes, 
onde o crescimento é rápido. As fontes de carbono e de nitrogênio tem forte efeito sobre 
a taxa de crescimento nesta fase. A agitação do meio de cultura aumenta a taxa de 
crescimento porque promove o encontro entre células e nutrientes. 
10 
 
( V ) Na fase Estacionária (3), a velocidade de crescimento dos microrganismos vai 
diminuindo até atingir a fase em que o número de novos microrganismos é igual ao 
número de microrganismos que morrem. As causas dessa parada de crescimento podem 
ser devido ao acúmulo de metabólitos tóxicos e ao esgotamento de nutrientes. 
( F ) A fase de adaptação (4) é caracterizada pela exaustão dos nutrientes e pelo 
acúmulo de produtos tóxicos derivados do metabolismo primário. A exaustão da fonte 
de nitrogênio marca o fim da fase de crescimento linear. - O termo "fase de adaptação" 
não existe na curva clássica de crescimento microbiano. A afirmação mistura elementos 
da fase lag (adaptação inicial) com a fase de declínio. 
 
13. Um pesquisador está estudando diferentes fungos e suas interações ecológicas. Ele 
observa que: 
 O fungo A decompõe troncos mortos em uma floresta, liberando nutrientes no 
solo. 
 O fungo B forma uma associação com as raízes de orquídeas, ajudando na 
absorção de nutrientes e recebendo açúcares em troca. 
 O fungo C infecta plantas de milho, causando doenças e reduzindo a 
produtividade da lavoura. 
 O fungo D vive dentro de uma planta sem causar danos aparentes, mas produz 
substâncias que inibem o crescimento de outros patógenos. 
Com base nessas informações, qual das seguintes afirmações está correta? 
a) O fungo A é um parasita, pois se alimenta de matéria orgânica morta. 
b) O fungo B é um mutualista, pois estabelece uma relação benéfica com as orquídeas. 
c) O fungo C é um saprofítico, pois causa doenças em plantas vivas. 
d) O fungo D é um parasita, pois vive dentro de uma planta sem causar danos. 
 
14. Foi analisada em laboratório a quantidade de amido presente em duas amostras de 
pão do mesmo tipo e de igual peso. A primeira amostra continha pão fresco e a outra, 
pão de uma semana, coberto por mofo. O resultado dessa análise mostrará que a 
quantidade de amido será: 
a) igual nas duas amostras, pois a presença do mofo não tem qualquer relação com a 
degradação ou síntese desse composto. 
b) maior no pão mofado, pois o mofo corresponde a um organismo cujo metabolismo 
produz amido. 
c) menor no pão mofado, pois, por ser mais velho, o amido nele contido já terá sofrido 
11 
 
uma degradação natural. 
d) menor no pão mofado, pois o mofo produz um excreta que destrói o amido presente 
na farinha do pão. 
e) menor no pão mofado, pois os fungos que formam o mofo utilizam amido para obter 
energia. 
 
15. Em relação à necessidade de oxigênio, como os fungos podem ser classificados? 
Explique cada uma das categorias apresentada. 
Os fungos apresentam uma diversidade metabólica notável em relação ao uso de 
oxigênio,sendo classificados em diferentes grupos conforme sua dependência e 
tolerância a esse elemento. A maioria das espécies fúngicas são aeróbias obrigatórias, ou 
seja, dependem completamente do oxigênio para seu metabolismo energético. Estes 
fungos utilizam a respiração aeróbia como principal via de produção de energia, 
processo no qual o oxigênio atua como receptor final de elétrons na cadeia respiratória. 
Esta característica é típica da grande maioria dos fungos filamentosos, como os gêneros 
Aspergillus e Penicillium, além dos cogumelos comestíveis, que são incapazes de 
sobreviver na ausência de oxigênio. Além dos aeróbios obrigatórios, existem os fungos 
anaeróbios facultativos, que possuem a capacidade notável de alternar entre respiração 
aeróbia e fermentação, dependendo da disponibilidade de oxigênio no ambiente. As 
leveduras, particularmente Saccharomyces cerevisiae, são o exemplo mais conhecido 
deste grupo. Quando em ambientes ricos em oxigênio, estas leveduras realizam 
respiração aeróbia completa, mas quando o oxigênio se torna escasso, são capazes de 
fermentar açúcares, produzindo etanol e dióxido de carbono como subprodutos. Esta 
versatilidade metabólica explica seu sucesso em diversos ambientes naturais e sua 
ampla utilização em processos industriais de fermentação. Em contraste com estes 
grupos, existem os raros fungos anaeróbios obrigatórios, que não apenas não necessitam 
de oxigênio para viver, como podem ser intoxicados por sua presença. Estes organismos 
especializados desenvolveram vias metabólicas alternativas, como a fermentação ou o 
uso de outros aceptores finais de elétrons. Um exemplo interessante são os fungos do 
gênero Neocallimastix, que habitam o rúmen de herbívoros, onde ajudam na digestão da 
celulose em condições estritamente anaeróbias. Estes fungos possuem organelas 
especializadas chamadas hidrogenossomos, que substituem as mitocôndrias em seu 
peculiar metabolismo energético. 
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