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SISTEMA DE CONTROLE DE CHEIAS DA BACIA DO RIO UNA BARRAGEM IGARAPEBA Instituto de Tecnologia de Pernambuco ጀ ITEP/OS Unidade Gestora de Projetos Barragens da Mata Sul ጀ UGP Barragens R I M A SISTEMA DE CONTROLE DE CHEIAS DA BACIA DO RIO UNA BARRAGEM IGARAPEBA Recife Novembro/2011 I59 Instituto de Tecnologia de Pernambuco Relatório de Impacto Ambiental: Estudo de Impacto Ambiental ጀ EIA: Sistema de Controle de Cheias da Bacia do Rio Una- Barragem Igarapeba/ Instituto de Tecnologia de Pernambuco; Unidade Gestora de Projetos Barragens da Mata Sul. ጀ Recife, 2011. 62p... : il ISBN: 1.Estudo de Impacto Ambiental ጀ EIA. 2. Impactos Ambientais. 3. Sistema de Controle de Cheias da Bacia do Rio Una. 4. Empreendimento. 5. Meio Ambiente. 6. Enchentes. 7. Bacia do Rio Una. I. Instituto de Tecnologia de Pernambuco. II. Unidade Gestora de Projetos Barragens da Mata Sul. III. Título. CDU 504 Governador Eduardo Henrique Accioly Campos Vice-Governador João Soares Lyra Neto Secretaria de Recursos Hídricos e Energéticos - SRHE João Bosco de Almeida Secretário Executivo de Recursos Hídricos - SRHE José Almir Cirilo Secretário Executivo de Energia - SRHE Eduardo Azevedo Rodrigues Gerência Geral de Recursos Hídricos - SRHE Carlos Marcelo Sá Gerência de Infraestrutura Hídrica - SRHE Maria Lorenzza Pinheiro Leite Presidente da Agência Pernambucana de Àguas e Clima ጀ APAC Marcelo CauásAsfora Gerente de Revitalização de Bacias - APAC Terezinha Matilde Menezes Uchôa Instituto de Tecnologia de Pernambuco (ITEP-OS) Diretor Presidente Frederico Cavalcanti Montenegro Diretor Técnico Pedro Sérgio Cunha Diretora Administrativa Financeira Fabiana Freitas Superintendente de Inovação Tecnológica Márcia Maria Pereira Lira Coordenador da UGP Barragens Ivan Dornelas Falcone de Melo Equipe TécnicaEstado de Pernambuco Romilson Ferreira da Silva Meterologista Simone Karine Silva da Paixão, Especª. Engª. Civil Simone Rosa da Silva, Drª. Engª .Civil Wanderson Sousa, MSc. Meterologista Weronica Meira de Souza, Drª. MeterologistaMeio Biótico Alfredo Matos Moura Júnior, Dr. Biólogo/Botânico Antônio Paulo da S. Junior, MSc. Biólogo/Zoólogo Artur Galileu de Miranda Coelho, MSc. Biólogo/Zoólogo Cristiane Maria V. A. de Castro, Drª. Bióloga/Oceanógrafa Elba Maria Nogueira Ferraz, Drª. Bióloga/ Botânica Elcida de Lima Araújo, Drª. Bióloga/ Botânica Geraldo Jorge Barbosa de Moura, Dr. Biólogo/Zoólogo George Nilson Mendes, Dr. Engº de Pesca/Ictiologia João Paulo F. da Silva Engº Florestal Karine Matos Magalhães, Drª. Bióloga/ Botânica Kléber Costa de Lima Engº. Florestal Maristela Casé Costa Cunha, Drª Bióloga/Oceanógrafa Rafael Sales Bandeira Biólogo/Quiropterologia Geoinformação Daniel Quintino Silva Tecnólogo em Geoprocessamento Diego Quintino Silva Tecnólogo em Geoprocessamento Cartografia Ana Carolina Schuller, MSc. Engª. Cartógrafa Ana Mônica Correia MsC. Geógrafa Aramis Leite de Lima, MsC. Engº. Cartógrafo Felipe José Alves de Albuquerque, MSc. Geógrafo Flávio Porfírio Alves, MsC. Engº. Cartógrafo Meio Sócioeconômico Edvânia Tôrres Aguiar Gomes, Drª. Geógrafa George Felix Cabral de Souza, Dr. Historiador José Geraldo Pimentel Neto Geógrafo Lucia Soares Escorel Arquiteta e Urbanista Luis Henrique R. Campos, Dr. Economista Marcia Cristina de Souza Matos Carneiro, Drª. Engª. Cartógrafa Marcos Antônio G. M. de Albuquerque, Dr. Arqueólogo Maria Eleonôra da G. G. Curado, MSc. Arqueóloga Mariana Zerbone A. Albuquerque, Drª. Geógrafa Michel Saturnino Barboza, MSc. Geógrafo Osmil Torres Galindo Filho Economista Veleda Christina Lucena de Albuquerque, Drª. Arqueóloga Apoio Técnico André Filipe Costa de Oliveira Biólogo/Quiropterologia Anthony Epifânio Alves Biólogo/Macroinvertebrados bentônicos Ariane Silva Cardoso Bióloga /Fitoplâncton Aurelyanna Christine Bezerra Ribeiro, MSc. Engª. de Pesca/Oceanógrafa Cacilda Michele Cardoso Rocha Bióloga/Macrófitas aquáticas Carina Carneiro de Melo Moura Bióloga/Herpetologia Damião Valdenor de Oliveira Biólogo/Avifauna Elizardo Batista F. Lisboa Biólogo/Herpetologia Ericarlos Neiva Lima Engº. de Pesca/Ictiologia Fábio Angelo Melo Soares Biólogo/Ecólogo Felipe Francisco Gomes da Silva Biólogo/Mastozoologia Glauber Matias de Souza Geólogo Jana Ribeiro de Santana Engª. de Pesca/Ictiologia Josinaldo Alves da Silva Biólogo/Botânica Leonardo da Silva Chaves Biólogo/ Herpetologia Mariana Miranda d'Assunção Bióloga/Herpetologia Milena Duarte de Oliveira Souza Historiadora/Arqueologia Otávio Leite Chaves Geólogo Roberta Pereira Biólogo/Quiropterologia Rubia Nogueira de Andrade Historiadora/Arqueologia Tatiana de Oliveira Calado Bióloga/Engª. Ambiental Tonny Marques de Oliveira Junior Biólogo/Avifauna Apoio Administrativo Eva Luzia Nesso Analista de Sistemas Marlúcia Alves Rodrigues Pedagoga Solange C. da Costa e Silva Advogada Viviane Cabral Gomes Administradora Simone Rosa de Oliveira, MSc. Bibliotecária Mobilização e Articulação Social Cândida Maria Jucá Gonçalves Assistente Social Coordenação Geral Ivan Dornelas, MSc. Engº. Cartógrafo Coordenação Técnica Maria do Carmo Sobral, PhD. Engª. Civil Apoio a Coordenação Técnica Alessandra Maciel de L. Barros, MSc. Engª. Civil Gustavo Lira de Melo, MSc. Biólogo Renata M. C. M. de O. Carvalho, Drª. Engª. Agrônoma Rita de Cassia Barretto Figueiredo, Drª. Engª. Química Análise do Projeto Ana Paula Batista Lemos Ferreira Engª. Civil Supervisão Geral E. Ambientais Wbaneide Martins de Andrade, MSc. Bióloga/Botânica Supervisão Meio Físico Paulo Alves Silva Filho, MSc. Geógrafo Supervisão Meio Biótico Marcondes Albuquerque de Oliveira, Dr. Biólogo/Botânico Análise Jurídica Talden Queiroz Farias, MSc. Advogado Luiz Carlos Ernesto de Barros Advogado Meio Físico Aguinaldo Batista de Queiroz Engº. Químico Alessandra Maciel de Lima Barros, MSc. Engª. Civil Ana Mônica Correia, MSc. Geógrafa Luciano Cintrão Barros, Dr. Geógrafo Magdala Braga de Farias Engª. Química Maria das Vitórias do Nascimento, MSc. Engª. Civil Paulo Alves Silva Filho, MSc. Geógrafo Rizelda Regadas de Carvalho, MSc. Geóloga Diante dos graves desastres por inundações ocorridas em junho de 2010, atingindo dezenas de municípios da Mata Sul e da Região Metropolitana, o Governo de Pernambuco, através da Secretaria de Recursos Hídricos e Energéticos - SRHE, firmou contrato com a Associação Instituto de Tecnologia de Pernambuco ጀ ITEP/OS. Em decorrência desse processo, foi criada a Unidade Gestora de Projetos Barragens da Mata Sul, UGP-Barragens, com o fim de acompanhar e coordenar os estudos ambientais e projetos de barragens nos rios Una, Sirinhaém e Jaboatão para o controle das enchentes nessa região. Este Relatório de Impacto Ambiental ጀ RIMA apresenta uma síntese dos estudos desenvolvidos para obtenção de licenciamento junto à Agência Ambiental de Pernambuco ? CPRH, do empreendimento denominado Barragem Igarapeba, situada no médio curso do rio Pirangi, no município de São Benedito do Sul. O RIMA apresenta os principais resultados dos estudos realizados para os meios físico, biótico e socioeconômico, no que se refere ao diagnóstico ambiental da situação atual da área, dosprováveis impactos e das formas de mitigação e controle dos mesmos, além dos dados sobre o empreendimento e dos responsáveis envolvidos no projeto da barragem e nos estudos ambientais. APRESENTAÇÃO Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Serro Azul | RESUMO 5 Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba SUMÁRIO PARTE I ጀ CONHECENDO O EMPREENDIMENTO ......................................... 6 Quem é responsável pelo empreendimento e pelos estudos? ....................... 6 Como é o empreendimento? ..................................................................... 13 PARTE II ጀ CONHECENDO O MEIO AMBIENTE ......................................... 15 Áreas de influência do empreendimento ............................................... 16 Como essas áreas se encontram atualmente ............................................. 19 PARTE III ጀ CONHECENDO OS IMPACTOS RESULTANTES .......................... 56 Quais os impactos analisados e medidas mitigadoras previstas? ............... 56 Impactos sobre o Meio Físico ................................................................... 57 Impactos sobre o Meio Biótico .................................................................. 58 Impactos sobre o Meio Socioeconômico ................................................... 59 Quais os programas ambientais recomendados? ...................................... 60 Afinal, como fica a qualidade ambiental futura? ........................................ 61 Conclusões ................................................................................................ 62 6 Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba PARTE 1 ጀ CONHECENDO O EMPREENDIMENTO 1. QUEM É RESPONSÁVEL PELO EMPREENDIMENTO E PELOS ESTUDOS? 1. IDENTIFICAÇÃO DO EMPREENDIMENTO, DO PROPONENTE, DA EMPRESA CONSULTORA E DA EQUIPE TÉCNICA 1.1. Identificação do Projeto Empreendimento Barragem de contenção de Cheias Igarapeba Projeto Sistema de contenção de enchentes da Bacia Hidrográfica do Rio Una Localização/Municípios São Benedito do Sul 1.2. Identificação do Empreendedor Razão social: SECRETARIA DE RECURSOS HÍDRICOS E ENERGÉTICOS CNPJ: 08.662.837/0001-08 Endereço: Av. Cruz Cabugá, 1.111 ? CEP: 5040 -000 ? Santo Amaro ? Recife/PE Responsável: João Bosco de Almeida Telefone: (081) ? 31842518 e-mail: joaobosco@srhe.pe.gov.br 1.3. Identificação da empresa consultora responsável Razão Social ITEP ? Associação Instituto de Tecnologia de Pernambuco CNPJ 05.774.391/0001-15 Endereço Av. Professor Luiz Freire, 700 ? Cidade Universitária ? Recife/PE Responsável Frederico Cavalcanti Montenegro Telefone (81) 3183-4399 E-mail fcm@itep.br 7 Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 1.4.Identificação da equipe multidisciplinar responsável pelo EIA/RIMA Nome Função Registro Profissional CTF IBAMA Engº. Cartógrafo Ivan Dornelas Falcone de Melo Coordenador Técnico CREA PE 32724/D 643879 Engª Civil Ana Paula B. L. Ferreira Analista do Projeto Básico CREA PE 28680/D 5313522 Engª Civil Maria do Carmo Martins Sobral Coordenação Técnica de Estudos Ambientais CREA PE 2569/D 572 Bióloga Wbaneide Martins de Andrade Supervisão Geral de Estudos Ambientais CRBio 27620/5D 288034 Geógrafo Paulo Alves Silva Filho Supervisão Meio Físico CREA PE 47006/D 5287479 Biólogo Marcondes Albuquerque de Oliveira Supervisão Meio Biótico CRBio 27377/5D 245968 Arquiteta e Urbanista Lúcia de Fátima Soares Escorel Supervisão Meio Sócioeconômico CREA PE 8843/D 1883652 Engª Civil Alessandra Maciel de Lima Barros CREA PE 34277/D 5076580 Biólogo Gustavo Lira de Melo __ 5022743 Engª Agrônoma Renata M. Caminha M. de Oliveira Carvalho CREA PE 19309/D 5365825 Engª Química Rita de Cassia Barreto Figueiredo Apoio à Coordenação Técnica de Estudos Ambientais CRQ PE 1301601 318032 Meio Físico Geógrafa Ana Mônica Correia * 4287864 Meteorologista Romilson Ferreira da Silva CREA RN 160870332-2 5348037 Meteorologista Wanderson dos Santos Sousa CREA RN 160886919-9 5348018 Meteorologista Weronica Meira de Souza Clima e Condições Meteorológicas CREA PE 35374 5278907 Geógrafo Paulo Alves Silva Filho Geomorfologia/ Pedologia CREA PE 47006/D 5287479 Engª Civil Maria das Vitórias do Nascimento Geotecnia CREA RN 160537447-4 5371594 8 Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba Engª Civil Simone Karine Silva da Paixão CREA RN 180107987-0 5371641 Engª Civil Simone Rosa da Silva Recursos Hídricos Superficiais CREA RS 69372/D 5267121 Geóloga Rizelda Regadas de Carvalho Geologia e Recursos Hídricos Subterrâneos CREA PE 38410/D 2527871 Engª Civil Alessandra Maciel de Lima Barros CREA PE 34277/D 5076580 Engª Química Magdala Braga de Farias Qualidade da Água CRQ 1301599 5383928 Engº Químico Aguinaldo de Queiroz Batista Qualidade do Ar Ruídos CRQ 1300698 266370 Meio Biótico Bióloga Elba Maria Nogueira Ferraz CRBio 11075/5D 288133 Bióloga Elcida de Lima Araújo CRBio 3684/5D 288090 Biólogo Marcondes Albuquerque de Oliveira CRBio 27377/5D 245968 Bióloga Wbaneide Martins de Andrade Flora e Vegetação Terrestre CRBio 27620/5D 288034 Biólogo Antônio Paulo da Silva Junior Mastofauna Terrestre CRBio 46786/5D 1721014 Biólogo Rafael Sales Bandeira Mastofauna Alada CRBio 77436/5D 1952428 Biólogo Geraldo Jorge Barbosa de Moura Herpetofauna CRBio 46786/5D 467810 Biólogo Artur Galileu de Miranda Coelho Avifauna CRBio 2774/5D 42263 Biólogo Alfredo Matos Moura Júnior Vegetação Aquática CRBio 27115/5D 897964 Nome Função Registro Profissional CTF IBAMA Geotecnia 9 Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba Nome Função Registro Profissional CTF IBAMA Bióloga Karine Matos Magalhães CRBio 27116/5D 878482 Bióloga Maristela Casé Costa Cunha Fitoplâncton CRBio 27488/5D 297073 Bióloga Cristiane Maria Varela de Araújo de Castro Zooplâncton / Macroinvertebrados bentônicos CRBio 67486/5D 3054785 Engº de Pesca George Nilson Mendes Ictiofauna CREA PE 40448/5D 2423512 Engº Florestal Kléber Costa de Lima CREA PE 39510/D 5209518 Engº Florestal João Paulo Ferreira da Silva Inventário Florestal e Projeto de Compensação/reposição Ambiental CREA PE 39099/D 1510189 Meio Sócioeconômico Economista Osmil Torres Galindo Filho CORECON 1821/PE 2215977 Economista Luís Henrique Romani Campos CORECON 4731/PE 5264846 Geógrafo José Geraldo Pimentel Neto Socioeconomia CREA PE 44794/D 5372973 Geógrafa Edvânia Torres Aguiar Gomes CREA PE 46723/D 1630397 Arquiteta e Urbanista Lúcia de Fátima SoaresEscorel CREA PE 8843/D 1883652 Engª Cartógrafa Marcia Cristina de Souza Matos Carneiro CREA PE 41176/D 336306 Geógrafa Mariana Zerbone Alves Albuquerque CREA PE 46750/D 5361152 Geógrafo Michel Saturtino Barboza Uso e Ocupação do Solo CREA PE 47019/D 5329397 HistoriadorGeorge F. C. de Souza Arqueologia e Patrimônio Histórico e Cultural * 2052655 Vegetação Aquática 10 Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba Nome Função Registro Profissional CTF IBAMA Arqueólogo Marcos Antônio G. Matos de Albuquerque SAB 12 516200 Arqueóloga Maria Eleônora da Gama Guerra Curado SAB 283 2116167 Arqueóloga Veleda Christina Lucena de Albuquerque SAB 237 516194 Legislação Advogado Talden Queiroz Farias OAB/PB 10.635 329532 Advogado Luiz Carlos Ernesto de Barros Análise Jurídica/ Compensação Ambiental /Passivo Ambiental OAB/PB 10.938 5391300 Cartografia Geógrafa Ana Mônica Correia * 4287864 Engª Cartógrafa Ana Carolina Schuler Correia CREA PE 33740/D 775184 Engº Cartógrafo Aramis Leite Lima CREA PE 30760/D 5266700 Geógrafo Felipe José Alves de Albuquerque CREA PE 44803/D 5347746 Engº Cartógrafo Flávio Porfírio Alves Cartografia CREA PE 33392/D 5347904 Tecnólogo em Geoprocessamento Daniel Quintino Silva __ 5347907 Tecnólogo em Geoprocessamento Diego Quintino Silva Tecnologia da Geoinformação CREA PRO 332510 5351237 Equipe de Apoio ? Coleta de Dados Arqueóloga Milena Duarte de Oliveira Souza SAB 539 2119448 Arqueóloga Rubia Nogueira de Andrade Arqueóloga SAB 537 2115655 Assistente Social Cândida Maria Jucá Gonçalves Mobilização e Articulação Social CRESS 3330 5266803 Arqueologia e Patrimônio Histórico e Cultural 11 Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba Nome Função Registro Profissional CTF IBAMA Geólogo Glauber Matias de Souza CREA PE 4508/D 5266714 Geólogo Otávio Leite Chaves Mapeamento Geológico CREA PE 45081/D 5267005 Biólogo Josinaldo Alves da Silva Vegetação Terrestre CRBio 77332/5D 4927740 Bióloga Cacilda Michele Cardoso Rocha Vegetação Aquática CRBio 77874/5P 5076234 Bióloga Ariane Silva Cardoso Fitoplâncton __ __ Engª de Pesca Aurelyanna Christine Bezerra Ribeiro Zooplâncton CREA PE 41391/D 1007341 Engº de Pesca Ericarlos Neiva Lima CREA/BA 2011069486 5314146 Engª de Pesca Jana Ribeiro de Santana Ictiofauna CREA/BA 2011071993 5314142 Biólogo Anthony Epifânio Alves Ictiofauna/Macroinverteb rados Bentônicos CRBio 85023/5D 5077376 Biólogo Felipe Francisco Gomes da Silva Mastofauna Terrestre __ 5360857 Biólogo André Filipe Costa de Oliveira __ __ Biólogo Fábio Angelo Melo Soares CRBio 67069/5D 2723324 Bióloga Roberta Pereira Mastofauna Alada __ __ Bióloga Carina Carneiro de Melo Moura __ __ Biólogo Elizardo Batista F. Lisboa __ __ Biólogo Leonardo da Silva Chaves __ __ Biólogo Mariana Miranda d ?Assunção Herpetofauna __ __ Biólogo Damião Valdenor de Oliveira __ __ Biólogo Tonny Marques de Oliveira Junior Avifauna __ __ Bióloga Tatiana de Oliveira Calado Engenharia Ambiental CRBio 77128/5D 3860865 *Não tem a profissão regulamentada e, portanto, sem órgão de classe. 12 Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 2. ONDE SE LOCALIZA O EMPREENDIMENTO A Barragem Igarapeba será implantada na bacia hidrográfica do rio Una, no rio Pirangi. A bacia do rio Una é considerada uma das mais importantes do estado de Pernambuco, cobre uma superfície de 6.295,77 km², onde estão inseridas as áreas totais ou parciais de 42 municípios. Limita-se ao norte, com as bacias dos rios Ipojuca e Sirinhaém, e o grupo de bacias de pequenos rios litorâneos 4; ao sul, com a bacia do rio Mundaú, o Estado de Alagoas, o grupo de bacias de pequenos rios litorâneos 5 e o grupo de bacias de pequenos rios interiores 1; a leste, com o Oceano Atlântico, a bacia do rio Sirinhaém e, a oeste, com as bacias dos rios Ipojuca e Ipanema (Figura 1). Figura 1: Bacia hidrográfica do rio Una Fonte: UGPBarragens, 2011 13 Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba Figura 2: Localização do município de São Benedito do Sul Fonte: UGPBarragens, 2011 O Município de São Benedito do Sul está localizado na mesorregião da Mata Sul e microrregião da Mata Meridional do Estado de Pernambuco, ocupa uma área total de 160,476 Km², com uma população de 13.941 habitantes (IBGE, 2010), e densidade demográfica de 86,87 hab/Km². O município fica a aproximadamente 172,50 Km da capital pernambucana, Recife, e o acesso é efetuado pelas rodovias BR-101 e PE-126 (Figura 2). 3. DESCRIÇÃO DO EMPREENDIMENTO A barragem Igarapeba foi dimensionada para acumular 69,6 milhões de m³, além disso, regularizará uma vazão de 1,97 m³/s, para usos múltiplos. Compõe o sistema de Controle de Cheias na região da Mata Sul Pernambucana, particularmente na Bacia do rio Pirangi. A barragem Igarapeba será constituída pelos seguintes elementos principais: Maciço: Compreende o paredão da barragem, será construído em Concreto Compactado com Rolo (CCR), terá comprimento máximo de 352,54m, altura máxima de 51 m e coroamento na cota 346m; 14 Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba Sangradouro: Compreende a parte do maciço da barragem, por onde escoa o excesso de água acumulada. Será composto por um vertedor estrangulado, de largura de 3 m, na cota 330 m; um vertedor ampliado, de largura de 200 m, com coroamento na cota 342 m, dimensionado para atender a cheia de projeto com tempo de recorrência de 1.000 anos, que é Q1000=1.696,77 m³, com lâmina de 2,56 m; Tomada d´Água: Estrutura destinada a captação de água da barragem, para usos como: consumo humano, indústria e irrigação. A vazão a ser regularizada é de Qreg=1,97 m³/s. Galeria de Descarga Livre: Abertura no maciço da barragem, destinado ao escoamento de água. Será construída em concreto, na cota 330,0 m, com dupla seção quadrada de dimensões internas de 4,5x 3,0m cada, permitindo a passagem de uma vazão de controle de cheias de Q100= 250 m3/s. Obras complementares: - Canteiro de serviço e acampamento dos colaboradores; e - Obras de desvio do rio. ÁREAS Com a construção do barramento no rio Pirangi, uma área de 2,8 Km² deverá ser inundada, para cota de cheia de 1.000 anos, neste caso o volume acumulado será de 69 milhões m³. Para a área de proteção permanente ጀ APP, os limites deverão estar afastados 100 m, no mínimo da bacia hidrográfica referente à cota máxima de acumulação, sendo a área de APP igual 2,01 Km². ESTIMATIVA DE CUSTOS E PRAZO DE EXECUÇÃO A estimativa de custos para implantaçãodo empreendimento é de R$ R$ 59.749.957,04, com prazo de execução programado para 22 meses, e início das obras previsto para janeiro de 2012. 15 Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba PARTE II ጀ CONHECENDO O MEIO AMBIENTE 4. ÁREAS DE INFLUÊNCIA DO EMPREENDIMENTO As áreas de influência do empreendimento correspondem aos espaços geográficos passíveis de alterações em termos de dinâmica ambiental a partir da projeção de cenários relacionados à implantação e operação do mesmo, tratando-se aqui, da Barragem Igarapeba. Conforme legislação ambiental vigente e exigências do Termo de Referência 04/2011 emitido pela CPRH (Agência Estadual de Meio Ambiente de Pernambuco), em 28 de março de 2011, serão abordados e justificados de forma distinta, os meios físico, biótico e antrópico. As áreas de influência do empreendimento serão estabelecidas segundo os seguintes níveis hierárquicos (CPRH, 2010, p. 12): Figura 3: Área de influência do empreendimento l Área de Influência Indireta (AII): aquela onde os impactos provenientes da implantação e operação do empreendimento se fazem sentir de maneira indireta e com menor intensidade em relação à área de influência direta. A AII deverá ser no mínimo o médio e baixo curso da Bacia Hidrográfica do Rio Una. l Área de Influência Direta (AID): aquela sujeita aos impactos diretos provenientes da implantação e operação do empreendimento. A AID deverá ser no mínimo as áreas de entorno dos reservatórios somadas às dos núcleos urbanos à jusante das referidas barragens, que estejam sob influência dos cursos d'águas afetados pelo empreendimento. Preferencialmente a AID deverá ser contínua. 16 Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba l Área Diretamente Afetada (ADA): aquela onde ocorrem as intervenções relacionadas ao empreendimento, incluindo áreas de apoio como canteiros de obra, acessos, áreas de empréstimo e bota-fora, etc., além das áreas de proteção permanente (APP) das barragens. Mapas (AII, AID e ADA) A seguir tem-se os mapas sínteses para os meios físico, biótico e antrópico: Figura 4: Área de influência do Meio Físico (AII, AID e ADA) Fonte: UGPBarragens, 2011 17 Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba Figura 5: Área de influência do Meio Biótico (AII, AID e ADA) Figura 6: Área de influência indireta (AII) e diretamente afetada (ADA) para o Meio Antrópico Fonte: UGPBarragens, 2011 Fonte: UGPBarragens, 2011 18 Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba Figura 7: Área de influência direta (AID) e diretamente afetada (ADA) para o Meio Antrópico Figura 8: Mapa da área diretamente afetada (ADA) Fonte: UGPBarragens, 2011 Fonte: UGPBarragens, 2011 19 Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 5. COMO ESSAS ÁREAS SE ENCONTRAM ATUALMENTE? As áreas foram analisadas para compor um Diagnóstico Ambiental, enfocando os seguintes aspectos, de acordo com o meio estudado, cujos aspectos mais relevantes serão detalhados ao longo do documento. 5.1 MEIO FÍSICO a) Geologia A área estudada encontra-se inserida no rio Pirangi que é um dos principais tributários pela margem direita do rio Una, estendendo-se desde a região do Agreste até o litoral do Estado, desaguando no Oceano Atlântico próximo a Barreiros. Geologicamente, compreende os terrenos pré-cambrianos do Domínio Pernambuco-Alagoas, situada ao sul do Lineamento Pernambuco. O município São Benedito do Sul pertence ao contexto geomorfológico da unidade de Superfícies Retrabalhadas, que é caracterizado por vales profundos e acidentados. Sendo representado na área pelas rochas metaplutônicas, com cotas em torno de 413 m. Na área, o intemperismo é muito acentuado, desenvolvendo um solo bastante espesso. O relevo é do tipo forte ondulado, com topos planos, vertentes íngremes, e em alguns pontos, o rio Pirangi está encaixado em vales estreitos. Geologicamente a região da bacia do rio Pirangi nas áreas de influências direta (AID) e diretamente afetada (ADA) do futuro baramento, é representada pela unidade geológica intrusiva Suíte Metaplutônica leucocrática peraluminosa, e por depósitos quaternários representados pelos aluviões (depósitos fluviais) ou elúvio-coluvionares, constituídos por sedimentos terrígenos ( areias, argilas e detritos rochosos). As rochas metaplutônicas denominadas também como Suíte Serrote dos Macacos, entra em contato geológico a este do futuro eixo barrável, nas proximidades de Igarapeba, com as rochas do Complexo Cabrobó. Se apresentam como um leucogranitóide, monzogranitos, sienogranitos equigranulares de granulação média. Mineralogicamente são constituídos por duas micas (muscovita e biotita), quartzo, feldspato alcalino e plagioclásio, contendo também granada e cordierita. No município de São Benedito do Sul só existem dois processos minerários que envolvem as seguintes substâncias: água mineral e níquel. O processo de água mineral, 20 Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba situado ao norte da área de influência direta (AID) é destinado para engarrafamento e está na fase de requerimento de lavra. A substância de minério de níquel está na fase de disponibilidade, e envolve os municípios de São Benedito do Sul, especificamente em Igarapeba, parte dos municípios de Maraial e Jaqueira. Uma parte da área requerida está situada na área diretamente afetada (ADA), próximo ao futuro eixo barrável. As rochas que representam toda área de influência direta (AID) do futuro barramento apresenta dobramentos e fraturamentos comumente fechados, sem evidências de deformação tectônica de alto grau. Caracterizam-se por serem compactas, impermeáveis e resistentes aos processos erosivos. Analisando o contexto geológico estrutural de superfície, o local é viável para construção da obra. Figura 9 - Metagranito bandado. Fonte: Otávio Leite 26/09/2011 Figura 10 - Metagranito apresentando boudin (provável anfibolito). Fonte: Otávio Leite 26/09/2011. Figura 11 - Granito leucocrático equigranular. Representante característico da fácies intrusiva. Fonte: Glauber Matias 13/10/2011 Figura 12 - Biotita gnaisse dobrado com fácies migmatizada e dobrada. Fonte: Glauber Matias 13/10/2011. 21 Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba b) Recursos hídricos subterrâneos Do ponto de vista hidrogeológico existem dois tipos de aquífero que são: o tipo fissural representado por rochas cristalinas e o denominado aquífero poroso ou intersticial que representa as rochas sedimentares e sedimentos recentes. No município, o aquífero poroso, livre, é representado pelos sedimentos recentes, que são os depósitos fluviais (aluviões), e pelos sedimentos intemperizados, provenientes da decomposição das rochas. Os aluviões distribuem-se de forma restrita nas áreas percorridas, com exposições limitadas nas margens do rio Pirangi. Pela constatação visual, são aquíferos rasos, em detrimento das exposições frequentes das rochas cristalinas no seu entorno. O principal tributário da bacia do rio Una no município é o rio Pirangi, que possui um regime de escoamento perene, e o padrão de drenagem é o dendrítico. O aquífero fissural bem como as coberturas Cenozóicas (aluviões) e solos residuais, apresentam forte inter- relações com esses corpos de águas superficiais, ora recarregando-os, ora sendo por eles abastecidos. Adquiriu-se a informação de 34 poços cadastrados no município, dos quais 28 são de propriedade privada e 06 de domínio público. A captação desses poços é em sua maioria de fontes naturais (29 poços), seguido de tubulares (04 poços) e por fim, só 01 poço escavado (cacimba /cisterna). O único parâmetro que se obteve para análise da qualidade da água subterrânea na região foi o ResíduoSeco (Sólidos totais dissolvidos). Os resultados obtidos para os dois casos (poroso e fissural) demonstram uma água de excelente qualidade e indicada para o consumo humano com média de 153,68 mg /l para o fissural, e 73,37 mg /l para o aquífero poroso. No caso em questão, o resultado das águas com resultado de boa qualidade, pode ser atribuído ao fato que a região está inserida na Zona da Mata Sul, onde a precipitação pluviométrica média anual é muito superior do que no Sertão, e a recarga provém do pacote do regolito intemperizado que é espesso na região. c) Recursos hídricos superficiais O regime sazonal das vazões no rio Una indica a ocorrência de um período úmido, compreendido entre abril a agosto, sendo, em geral os meses de junho e julho quando ocorrem os maiores deflúvios. O período de estiagem vai de outubro a março. O posto fluviométrico situado mais próximo da futura barragem Igarapeba é o posto Catende, na cidade de Catende, cerca de 30km à jusante da futura barragem e com uma série não muito extensa de dados observados (1999-2008). O regime sazonal das vazões observadas no rio Una, no período 1999-2008, no posto Catende indica a ocorrência de vazões máximas no período de junho a agosto. A cheia de 2010 provocou prejuízos graves à população e infra-estrutura urbana, tal como destruição de pontes, casas, da linha férrea e uma PCH no rio Pirangi. A Figura 13 mostra as casas destruídas com marcas da cheia de 2010, em Catende. 22 Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba Figura 13 ጀ Casas destruídas com marcas da cheia de 2010, em Catende. Fonte: Simone Rosa da Silva, 26/10/2011. As quatro barragens existentes na AID da Barragem Igarapeba situam-se relativamente distantes da futura barragem Igarapeba, sendo apenas a Barragem Pau Ferro situada no rio Pirangi, e não terá influência direta sobre a mesma. A bacia do rio Una apresenta uma diversidade de usos da água, destacando-se a irrigação e o abastecimento público. O uso da água para a irrigação na bacia do Una pode ser dividido em: irrigação de cana-de açúcar e irrigação das demais culturas (Figura 14). As pequenas captações são feitas, geralmente, a partir de rios e riachos perenes ou de pequenos açudes, todas elas de natureza privada, em geral de fruteiras e culturas diversas. A irrigação de cana-de-açúcar ocorre em extensas áreas da bacia nos períodos de estiagem e, em geral, são realizadas captações de volumes significativos, diretamente no rio Pirangi ou afluentes. Na AID da Barragem Igarapeba, verifica-se que o principal uso das águas superficiais é para o abastecimento público e para a agropecuária, tanto para dessedentação de animais quanto para irrigação de cultivos. A Figura 15 mostra a dessedentação de animais em São Benedito do Sul. A partir dos levantamentos realizados em campo e consulta aos usuários, não foram identificados conflitos pelo uso da água na AID. Figura 14 ጀIrrigação de cana-de-açúcar pela Usina Frei Caneca no município de Jaqueira. Fonte: Simone Rosa da Silva, 26/10/2011. 23 Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba Figura 15 - Dessedentação animal no município de São Benedito do Sul. Fonte: Simone Rosa da Silva, 26/10/2011. Foram identificados 11 mananciais de abastecimento público na AID nos quais são realizadas captações de água para abastecer diversos municípios. Destaca-se, ainda, o uso da água para lazer e turismo, principalmente no município de São Benedito do Sul, que possui várias cachoeiras que representam atrativos à população. A Figura 16 apresenta captação da Compesa em São Benedito do Sul. Também são comuns pequenas captações de água para abastecimento humano e animal e consumo em plantas industriais, além do uso pela população local para atividades domésticas, tais como: lavagem de roupas, louças e recreação e pesca, que ocorrem em diversos locais da bacia. A Figura 17 mostra utilização do rio Pirangi para lazer da população ribeirinha, em Catende. Figura 16 - Captação da COMPESA no Riacho Água Fria, em São Benedito do Sul Fonte: Simone Rosa da Silva, 26/10/2011. 24 Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba Figura 17 ጀ Lazer da população ribeirinha no rio Pirangi, em Catende. Fonte: Simone Rosa da Silva, 26/10/2011. Figura 18 - Captação de água da Usina Catende, no rio Pirangi. Fonte: Simone Rosa da Silva, 26/10/2011. De acordo com as informações da APAC, existem atualmente 39 outorgas vigentes na AID da futura Barragem Igarapeba. O maior número de outorgas é destinado ao abastecimento público, sendo que não há nenhuma captação de água outorgada no rio Pirangi. Destaca-se entre os usuários outorgados a agroindústria, com captações outorgadas tanto para o abastecimento industrial, quanto para a irrigação de cana-de- açúcar, especialmente nos municípios de Jaqueira, Maraial e Catende. A Figura 18 mostra a captação de água da Usina Catende no rio Pirangi, na sede do município de Catende. AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DA ÁGUA Para realização da avaliação da qualidade da água foram selecionados nove pontos de amostragem, sendo 4 localizados na AID (Jusante de Igarapeba; Jusante do Município de Jaqueira; Jusante do Município de Catende e Jusante de Pirangi) e 5 localizados na ADA Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 25 (ADA I do Reservatório; ADA II do Reservatório; ADA III do Reservatório; Eixo do Barramento e 500m à Jusante do Barramento). As amostras para avaliação dos parâmetros físicos, químicos, biológicos, além de metais e pesticidas foram coletadas pela Associação Instituto de Tecnologia de Pernambuco (ITEP). O rio Pirangi, ao longo de seu curso, recebe diretamente os esgotos domésticos das sedes municipais das cidades que atravessa, quais sejam: Quipapá, São Benedito do Sul, Maraial, Jaqueira e Catende. As Figuras 19 e 20 apresentam o lançamento de esgotos doméstico no município de Maraial e Distrito de Igarapeba, respectivamente. Ressalta-se a necessidade de garantir uma vazão mínima a jusante da barragem de Igarapeba para assegurar a qualidade da água necessária à manutenção do ecossistema aquático. Figura 19 ጀ Lançamento de esgoto doméstico, em Maraial Figura 20 ጀ Lançamento de esgoto doméstico, Distrito de Igarapeba Em relação às fontes de poluição difusa, destaca-se o escoamento superficial de áreas agrícolas, representadas pelas áreas de cultivo da cana-de açúcar, diretamente nas margens do rio Pirangi. Durante eventos de precipitação, o excesso de nutrientes e Fonte: Alessandra Maciel, 26/10/2011. Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 26 poluentes presentes na superfície do solo são carreados para os corpos d'água, contribuindo para a sua degradação (Figura 21). Figura 21 ጀ Cultivo da cana-de-açúcar nas margens do rio Pirangi, em Jaqueira Fonte: Alessandra Maciel, 26/10/2011. Fonte: Alessandra Maciel, 26/10/2011.O lançamento de lixo nas margens do rio Pirangi e efluentes dos matadouros também são fontes de poluição difusa que necessitam de um tratamento adequado. A Figura 22 apresenta o lançamento de lixo nas margens do rio Pirangi, no Distrito de Igarapeba e a Figura 23 uma Lagoa de destinação dos dejetos animais do abatedouro municipal de Catende. A qualidade da água do rio Pirangi apresenta-se bastante comprometida não atendendo aos limites estabelecidos pela Resolução Conama nº 357/2005 para Classe 2. O elevado número de Coliformes Termotolerantes observado em todos os pontos de coleta evidencia a poluição do rio Pirangi por esgotos domésticos não tratados, sendo esta a principal fonte de poluição pontual na AID/ADA do empreendimento. Em relação às fontes de poluição difusa, destacam-se o lançamento de lixo pela população,bem como os poluentes advindos da agricultura que têm sua origem da aplicação de fertilizantes e pesticidas. Figura 22 ጀ Lançamento de lixo nas margens do rio Pirangi, no Distrito de Igarapeba Figura 23 ጀ Lagoa de destinação dos dejetos animais do abatedouro municipal de Catende Fonte: Alessandra Maciel, 26/10/2011. Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 27 CLIMA E CONDIÇÕES METEOROLÓGICAS Na bacia hidrográfica do Una diagnosticou-se grande irregularidade na precipitação anual com valores climatológicos de precipitação total anual oscilando, em média, entre 800 mm no setor oeste da bacia até 2200 mm no setor leste (Figura 24). Figura 24. Climatologia anual da precipitação na bacia hidrográfica do rio Una. Os quatro meses mais chuvosos correspondem ao período de abril a julho, com o mês de julho o mais chuvoso com precipitação máxima de aproximada de 160 mm, enquanto o período de outubro a dezembro o mais seco. O mês de novembro é considerado o mais seco climatologicamente, com o menor valor histórico registrado em torno de 25 mm. O mês de março pode ser considerado o mês de transição do período seco para o chuvoso. Durante o mês de abril as chuvas começam a ocorrer com mais frequência e intensidade, principalmente no setor oeste da bacia. O principal sistema meteorológico responsável pela precipitação são as Ondas de Leste. Fonte: APAC/ITEP-OS/UMRHidromet. Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 28 GEOMORFOLOGIA O relevo e sua relação com os desastres naturais Ao observar-se a compartimentação do relevo na Bacia Hidrográfica do Rio Una e sua relação com as formas predominantes, verifica-se a existência de vales rasos, associados aos processos de desertificação, colinas amplas e médias que apresentam perigos relacionados a movimentos de massa, colinas estreitas que apresentam perigos ligados à erosão linear, além de planícies costeiras e terraços fluviais, nas quais apresentam-se as cidades, dados os fatores facilitadores e atrativos para ocupação, a exemplo de áreas relativamente planas. É importante lembrar que as áreas afetadas pelas intensas chuvas dos últimos anos estão associadas às planícies costeiras e terraços fluviais. Em ambos os casos, os processos de ocupação desordenada do solo atrelada a uma maior ocorrência de chuvas, já que se trata de áreas mais úmidas em termos de regime climático, acabam por propiciar inundações e deslizamentos com grandes perdas materiais e imateriais. Fonte: Paulo Alves Silva Filho (UGP-Barragens/ITEP), Figura 25. Terraço Fluvial do Rio Pirangi na cidade baixa de São Benedito do Sul (a). Casas afetadas por inundações (b). Fonte: Paulo Alves Silva Filho (UGP-Barragens/ITEP), Figura 26. Evidências de Movimento de Massa na cidade baixa de São Benedito do Sul. Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 29 A construção da Barragem Igarapeba pode gerar alguns impactos no que toca principalmente à diminuição de nutrientes das águas a jusante da barragem e processos de erosão, porém totalmente reversíveis a partir de programas de monitoramento. A análise das informações básicas do relevo aponta para a viabilidade do empreendimento nessa área sem gerar grandes transtornos para população, além de representar uma operação rápida e eficiente diante do cenário catastrófico vivenciado por grande parte da população local. PEDOLOGIA Características dos Solos O município de São Benedito do Sul é caracterizado por apresentar a presença de Argissolos e Latossolos , além da ocorrência de forma significativa de Gleissolos e Neossolos, resultando de uma relação direta com propriedades litoestruturais, formas básicas do relevo, clima e declividade. Os Argissolos apresentam-se pouco a medianamente profundos e bem drenados e estão associados às vertentes íngremes; os Latossolos são profundos e bem drenados e ocorrem nos topos convexos com formas planas e / ou suavemente aguçadas; os Gleissolos estão relacionados às áreas de terraço fluvial e fundos de vales estreitos, semi- fechados ou fechados; os Neossolos são pouco evoluídos, rasos e com presença de textura argilosa. Figura 27. Na seqüência tem-se os perfis do Argissolo Vermelho-Amarelo, Argissolo Amarelo Latossolo Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 30 Figura 28. Na sequência têm-se os perfis do Gleissolo e a ocorrência do Neossolo Flúvico O entendimento empírico da disposição dos solos na área do empreendimento revela que os Argissolos, Gleissolos, Latossolos e Neossolos apresentam baixa fragilidade no sentido de processos erosivos. Por outro lado, considerando os usos da terra a partir de trabalhos de campo, projeta-se um cenário em longo prazo de relativa instabilidade e erodibilidade, dada as perdas de solo por meio da extração de areia, do cultivo da cana- de-açúcar e banana, além da presença constante de ovinos e eqüinos. Os elevados níveis de ação antrópica na área apontam riscos de erosão, deslizamentos e assoreamento do Rio Pirangi. Diante desse quadro, os impactos que podem ser projetados para a área com a presença da Barragem Igarapeba são totalmente reversíveis, uma vez que seu comportamento ambiental encontra-se totalmente alterado. QUALIDADE DO AR E RUÍDOS Não há evidencias de empresas, licenciadas e instaladas em operação na Área Diretamente Afetada ጀ ADA do empreendimento da Barragem Igarapeba, no Rio Pirangi. As usinas de açúcar, as quais são consideradas como de alto potencial de poluição estão localizadas na Área de Influência Direta (AID), situadas da seguinte forma: Destilaria São Luiz , instalada no município de Maraial, 10 Km a leste da barragem; Usina Frei Caneca, instalada no município de Jaqueira, 11Km na direção sudeste da barragem; e Usina Catende, instalada no município de Catende, 23 Km a nordeste da barragem. Desse modo a qualidade do ar na Área Diretamente Afetada ጀ ADA não sofre impactos significativos nas suas características de qualidade do ar de zona rural, e também não sofrerá os efeitos sinergéticos das emissões geradas pela movimentação das máquinas e equipamentos, durante a fase de implantação do empreendimento. Portanto, conclui-se que, as condições existentes na área de construção da barragem são típicas de região não poluída, o que caracteriza ar natural como de boa qualidade. Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 31 Em relação aos ruídos, a região onde será construída a Barragem Igarapeba é tipicamente rural, margeada por canaviais e estradas carroçáveis locais, apresentando tráfico leve de veículos, exceto, durante a safra da cana-de-açúcar, quando a movimentação de caminhões de transporte de cana é intensa, contribuindo para alteração do nível de ruído de fundo, acima de 40 dBA. Figura 30. Transporte da cana-de-açúcar, em Maraial Figura 29. Destilaria São Luis, município de Maraial Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 32 MEIO BIÓTICO FLORA E VEGETAÇÃO De um modo geral a vegetação terrestre nativa da ADA e AID da Barragem Igarapeba, apresenta-se bastante descaracterizada e sem expressão em relação aos elementos da paisagem que ocorriam no passado. Essa mudança da paisagem em relação à cobertura vegetal florestal é decorrente de fatores antrópicos voltados a atender diferentes ciclos econômicos que foram estabelecidos na região. Assim, a paisagem que era dominada por vegetação da floresta atlântica submontana e encontrava-se assentada em faixas ciliares, encostas e topos de morros é hoje ocupada por grandes extensões de áreas de pastagens, principalmente com capins (gramíneas) para alimentação de animais bovinos e eqüinos, acompanhada de outras matrizes, como a canavieira e a de cultivos diversos (Figuras 31 e 32). FIGURA31. Vista da paisagem, evidenciando o relevo e a co b e r t u ra ve geta l d e s co nt í n u a . C o o rd e n a d a s : 0181452/9025618. Barragem Igarapeba, PE. Fonte: Marcondes Oliveira. Data: 16.10.2011 FIGURA 32. Vista da mancha de vegetação de encosta, em segundo plano, e em primeiro plano visualiza-se área aberta com matriz de capim, próxima às coordenadas: 0181381/9025464. Barragem Igarapeba, PE. Fonte: Elcida L. Araújo e Elba M.N. Ferraz. Data: 16.10.2011. FIGURA 33. Botão floral de Gustavia augusta. Coordenadas: 0181381/9025464. Barragem Igarapeba, PE. Fonte: Marcondes Oliveira. Data: 16.10.2011. FIGURA 34. Botão floral de Gustavia augusta. Coordenadas: 0181381/9025464. Barragem Igarapeba, PE. Fonte: Marcondes Oliveira. Data: 16.10.2011. Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 33 FIGURA 35. Espécie de Fabaceae frequente na vegetação da Fazenda Novo Horizonte, nas imediações das coordenadas: 01179157/9025908. Barragem Igarapeba, PE. Fonte: Marcondes Oliveira. Data: 16.10.2011. FIGURA 36. Espécie de Fabaceae frequente na vegetação da Fazenda Novo Horizonte, nas i m e d i a ç õ e s d a s c o o r d e n a d a s : 01179157/9025908. Barragem Igarapeba, PE. Fonte: Marcondes Oliveira. Data: 16.10.2011. A flora da barragem Igarapeba foi representada por 94 famílias distribuídas em 364 espécies, sendo apenas 24 espécies exóticas. Das 364 espécies, 129 são bem distribuídas na floresta atlântica, como por exemplo: Tapirira guianensis (pau pombo), Annona glabra (araticum), Xylopia frutescens (pindaíba), Hymenaea courbaril (jatobá), Vismia guianensis (lacre), Bowdichia virgillioides (sucupira), Inga edulis (ingá tripla), Ocotea glomerata (louro-cagão), etc. Em toda a área da barragem foi observada a ocorrência de espécies exóticas, sobretudo, espécies de fruteiras de valor alimentício que foram cultivadas pela comunidade local, como azeitona (Syzygium jabolanum), bananeira (Musa paradisiaca), Cana de açucar (Saccharum officinarum), jaqueira (Artocarpus integrifolia), goiabeira (Psidium guajava), etc. Entre essas espécies, a cana-de-açúcar destaca-se na paisagem, indicando o predomínio de áreas antrópicas na Barragem. As espécies registradas na Barragem de Igarapeba apresentam usos diversificados, sendo o uso madeireiro bastante frequente. Na atualidade o corte seletivo da madeira para lenha, carvão, estacas, caibros, etc, representa o fator de uso que mais contribui para a degradação do que resta da vegetação nativa. Até mesmo porque não existe mais grandes áreas florestais na região para sofrer corte raso. O uso alimentício das plantas é também elevado, e além das fruteiras exóticas já comentadas, destaca-se o uso das fruteiras nativas como os ingás (Inga spp.) e o cajueiro (Anacardium occidentale). Apesar da importância social da construção da barragem, deve-se registrar que a mesma ocasionará impactos biológicos para as espécies vegetais, porque ainda existem indivíduos que foram deixados na faixa ciliar e também servem de abrigo para espécies epífitas. Entre os impactos é possível citar: perda de biodiversidade, perda de habitat, etc. Contudo, tais impactos podem ser mitigados ou controlados através de medidas e Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 34 programas que deverão ser realizados durante o empreendimento, como resgate de germoplasma, controle de plantas invasoras, programas de monitoramento da flora, etc. HERPETOFAUNA Nas áreas Diretamente Afetada (ADA), de Influência Direta (AID) e de Influência Indireta (AII) do empreendimento de São Benedito do Sul encontram-se basicamente quatro ambientes próprios para a ocorrência da Herpetofauna, ou seja, representantes do grupo dos Anfíbios e ?Répteis ?: i.Ambientes Aquáticos Lóticos com registro de Cágados e Anuros; ii.Ambientes Aquáticos Lênticos, que pela ausência de correnteza registra-se primariamente larvas (Girinos) de Anuros (sapos, rãs e pererecas) e secundariamente Cágados e Anuros Adultos; iii.Ambientes florestados em diferentes status de conservação com ocorrência marcante de Anuros de serapilheira, lagartos e serpentes e iiii.áreas urbanas e periurbanas com presença de cultivos familiares e pastagem, onde registramos essencialmente espécies que se alimentam de resíduos oriundos dessas comunidades e de suas atividades agropastoris, a exemplo de lagartos e serpentes. A Herpetofauna da Barragem Igarapeba foi representada por 54 espécies constituintes da herpetofauna local (37 anfíbios anuros e 16 ?répteis ?), sendo vinte e nove espécies registradas na Área Diretamente Afetada (13 spp. anuros e 16 spp. répteis), vinte e seis espécies na Área de Influência Direta (13 spp. anuros e 13 spp. répteis) e quarenta e duas espécies na Área de Influência Indireta (29 spp. anuros e 13 spp. répteis) (Figuras 3, 4, 5 e 6). Os Anfíbios Anuros registrados estão distribuídos em quinze gêneros e oito famílias: Brachycephalidae (1 spp.), Bufonidae (2 spp.), Hylidae (25 spp.), Leptodactylidae (5 spp.), Leiuperidae (1 spp.), Hemiphractidade (2 spp.) e Ranidae (1 sp.). Os ᰀRépteis ᴀ registrados estão distribuídos em três grandes grupos, dois Testudines, oito lagartos e seis serpentes. No que se refere aos Testudines foram registrados dois gêneros distribuídos em duas famílias, Chelidae (1 sp.) e Kinosternidae (1 sp.); em Lacertílias oito gêneros e seis famílias, Gekkonidae (1 sp.), Iguanidae (1 sp.), Phyllodactylidae (1 sp.), Teiidae (2 spp.), Tropiduridae (2 spp.) e Polychrotidade (1 sp.); em Ophidia seis gêneros e quatro famílias, Boidae (2 spp.), Dipsadidae (2 spp.), Elapidae (1 spp.), Viperidae (1 spp). Dentre as espécies de Anfíbios e ᰀRépteis ᴀ registradas, a grade maioria possui ampla distribuição, ocorrendo em grande parte do Nordeste, em especial na Mata Atlântica, áreas de transição entre Mata Atlântica e Caatinga, áreas de Caatinga e áreas urbanizadas. Dentre as espécies de Anfíbios registradas, nenhuma se encontra classificada segundo o IBAMA (2008) e IUCN (2010) como criticamente em perigo (CR), dados deficientes (DD), em perigo (EN), presumidamente em perigo (PA) ou vulnerável (VU), embora nove espécies (Dendropsophus elegans, Hypsiboas albomarginatus, Hypsiboas atlanticus, Hypsiboas raniceps, Hypsiboas semilineatus, Scinax x-signatus, Leptodactylus fuscus, Leptodactylus latrans, Leptodactylus vastus) estejam classificadas como pouco preocupante na IUCN (2010); estando todas ausentes dos Apêndices I e II da CITES (2011). No que se refere aos ᰀrépteis ᴀ registrados, destacam-se os lagartos Tupinambis merianae e Iguana iguana associados as serpentes Boa constrictor e Epicrates cenchria por comporem o Apêndice II da CITES (2011). Quanto ao uso pelas comunidades circunvizinhas, destaca-se uma espécie de anfíbio anuro (Leptodactulus vastos) e duas de ᰀRépteis ᴀ (Phrynops geoffroanus, Tupinambis merianae) que são expressivamente utilizadas como fonte de alimentação e consequentemente são alvos de caça, ressaltando a coleta de ovos do cágado Phrynops geoffroanus também para consumo humano. Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 35 Destaca-se que embora tenhamos registrado uma riqueza expressiva, as populações existentes são de ampla distribuição geográfica e abundantes em todo território nacional, não representando obstáculo a implementação da obra almejada, desde que seja operacionalmente efetuada dentro de critérios que possibilitem a conservação das populações circunvizinhas. No que se refere aos impactos negativos para a herpetofauna é possível reconhecer dois grandes núcleos, i. A supressão de vegetação e o ii. Acúmulo da água da barragem, pois muitas populações e comunidades terão seus hábitos destruídos ou alterados. Tais impactos podem ser mitigados ou controlados através de medidas e programas quedeverão ser realizados durante e após a implantação do empreendimento, como transposição da fauna e recursos associados para áreas reconhecidamente com suporte biológico e monitoramento constante das espécies, para que possamos constatar se tais alterações ocasionaram impossibilidades reprodutivas, ou qualquer outro fator que impossibilite a manutenção da estabilidade populacional das espécies constituintes das comunidades circunvizinhas. FIGURA 37. Hypsiboas atlanticus (Caramaschi & Velosa,1996). Fotografia: Eloize Nascimento, 2011. FIGURA 38. Phrynops geoffroanus (Schweigger, 1812). Fotografia: Geraldo Moura, 2011. FIGURA 39. Iguana iguana (Linnaeus, 1758). Fotografia: Geraldo Moura, 2011. FIGURA 40. Epicrates cenchria (Linnaeus, 1758). Fotografia: Barros-Filho, 2011 Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 36 MASTOFAUNA TERRESTRE Através das metodologias de captura de pequenos mamíferos (armadilhas tipo tomahawk), busca ativa e entrevistas com a comunidade local foram identificados 14 espécies, pertencentes a 11 famílias e 6 ordens de mamíferos para área da Barragem de Igarapeba. Entre os mais abundantes estiveram: raposa (Cerdocyon thous) (Figura 41), guaxinim (Procyon cancrivorus) (Figura 42), lontra (Lontra longicaudis) e capivara (Hydrochoeris hydrochaeris), que são espécies amplamente distribuídas. A abundância local dessas espécies foi abaixo do esperado, o que foi confirmado pela ausência de registros indiretos. Uma espécie é ameaçada de extinção (gato do mato ጀ Leopardus tigrinus) e uma é endêmica do Nordeste brasileiro: o sagui (Callitrhix jacchus) (Figura 43). FIGURA 41. Cerdocyon thous. Fonte: http://www.canids.org. FIGURA 42. Procyon cancrivorus. Fonte: http://www.canids.org FIGURA 43. Callitrhix jacchus. Fonte:http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro: Callithrix_jacchus_Haus_des_Meeres03.jpg FIGURA 44. Metodologia de armadilhas Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 37 MASTOFAUNA ALADA A composição da fauna de morcegos ainda é pouco estudada no Nordeste do Brasil, problemática também observada para toda a região da Barragem de Igarapeba. As pesquisas científicas já conduzidas em municípios adjacentes inseridos na Bacia do Rio Una, listam 26 espécies de morcegos na região, onde sua maioria foi registrada em Jaqueira, na Reserva Particular de Patrimônio Natural (RPPN) Frei Caneca (SILVA et al 2010). Através do uso de três metodologias de coleta de dados primários para mastofauna alada, sendo elas as capturas com redes de neblina, busca ativa de abrigos e entrevistas com moradores da região foram identificadas 9 espécies de morcegos para as Áreas de Influência Direta (AID) e Diretamente Afetada (ADA) da Barragem de Igarapeba, distribuídas em duas famílias. As espécies mais abundantes nas capturas foram: Carollia perspicillata (frugívoro de sub-bosque), Phyllostomus discolor (onívoro), Dermanura cinerea (frugívoro de sub-bosque) e Glossophaga soricina (nectarívoro). A fauna de morcegos registrada é composta principalmente por espécies de ampla distribuição geográfica nacional e nenhuma espécie está ameaçada de extinção. Vale salientar o registro da presença de morcegos hematófagos na região, sendo importante a implantação de um programa de monitoramento das populações desses indivíduos, durante e após, o processo de instalação do empreendimento. FIGURA 45. Dermanura cinerea, ADA Igarapeba. Fonte: Rafael S. Bandeira. Data: 22.10.2011. FIGURA 46. Rhynchonycteris naso em abrigo ADA Igarapeba. Fonte: Rafael S. Bandeira. Data: 22.10.2011. FIGURA 47. Glossophaga soricina com filhote em abrigo ADA Igarapeba. Fonte: Rafael S. Bandeira. Data: 23.10.2011. FIGURA 48. Busca de abrigos AID Igarapeba. Fonte: Rafael S. Bandeira. Data: 22.10.2011. Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 38 AVIFAUNA (AVES) As aves constituem um grupo de vertebrado bastante diverso, distribuídos em todo o mundo e que apresentam importantes papéis no funcionamento e manutenção dos ecossistemas. Desta forma, os levantamentos da avifauna são importantes ferramentas para o estudo de impactos ambientais, em função da grande diversidade e de nichos que as mesmas exploram. Para a amostragem da avifauna da ADA e AID da Barragem de Igarapeba foram selecionados três ambientes afim de que fossem registradas tanto espécies que ocupam diferentes habitats quanto aquelas restritas a apenas um deles. Nos três habitats estudados na região do empreendimento foram registradas 131 espécies de aves, distribuídas em 40 famílias e 18 ordens. Do total de espécies, 122 (97%) foram registradas através do método de listas, por contato visual e/ou auditivo. As entrevistas contribuíram no registro de 8 espécies (7%). As espécies com maiores índices de frequência alcançados foram o bem-te-vi (Pitangus sulphuratus) e o suiriri (Tyrannus melancholicus), seguidas pela sanhaçu- cinzento (Tangara sayaca) e anu-preto (Crotophaga ani). A predominância dessas espécies generalistas pode indicar que as áreas amostradas sofreram e ainda sofrem impactos antrópicos que descaracterizaram as fitofisionomias naturais. Dois táxons registrados são considerados endêmicos das florestas do Centro de Endemismo Pernambuco e/ou ameaçados de acordo com o MMA (2008), o Pica-pau- anão-de-pintas-amarelas Picumnus exilis pernambucensis Zimmer, 1947 e o Bico-virado- miúdo Xenops minutus alagoanus Pinto, 1954. Das 131 espécies de aves registradas na AID, são consideradas como sendo de alta sensibilidade: cuspidor-de-mascara-preta (Conopophaga melanops), o tangará-falso (Chiroxiphia pareola), o dançarino cabeça-encarnada (Pipra rubrocapilla), e a maria-de- barriga-branca (Hemitriccus griseipectus) (Figura 15). Todas são ditas espécies florestais e foram registradas apenas na Mata do Perí perí. Com o enchimento do reservatório, esse fragmento não será inundado, não causando um grande prejuízo à comunidade de aves. Tal resultado indica que apesar do alto nível de antropização desse fragmento ele ainda é capaz de manter recursos necessários para suportar espécies mais exigentes. Algumas espécies foram frequentemente observadas em bandos com vários indivíduos, se alimentando no pasto ou deslocando-se para locais de repouso, como a garça-vaqueira (Bubulcus ibis), os urubus (Cathartes e Coragyps) e a polícia-inglesa-do-sul (Sturnella superciliaris) (Figura 16). Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 39 A ausência de mata ciliar ao longo do rio é um dos principais fatores para a baixa diversidade de espécies de média e alta sensibilidade. Porém, nos fragmentos de mata (AID) ocorre a presença de espécies de média e alta sensibilidade ambiental indica que essas áreas ainda têm relevância para a manutenção dessas e daquelas menos exigentes. Hemitriccus griseipectus Arundinicola leucocephala Figura 49: Maria-de-barriga-branca (Hemitriccus griseipectus) à esquerda, fotografado na mata do Perí perí e a freirinha (Arundinicola leucocephala) à direita (Foto: Tonny Marques, 2011). Sturnella superciliaris Rupornis magnirostris Figura 50: Policia inglesa (Sturnella superciliaris) à esquerda, fotografado na beira do Rio Pirangi e Gavião caboclo (Rupornis magnirostris), à direita. (Fotos: Tonny Marques, 2011). Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 40 ECOSSITEMA AQUÁTICO A ocorrência de eventos extremos, tais como eventos de seca e enchentes, sobretudo nos ambientes aquáticos, modificam de forma considerável as comunidades instaladas nesses locais. Os organismos que habitam as margens, leito e coluna d'água são eficientes para indicar as modificações das condições ambientais. No rio Pirangi, flora (fitoplâncton e macrófitas) e fauna invertebrada (zooplânctone macrozoobentos) aquática foram caracterizadas por uma baixa diversidade de organismos e pouca biomassa. Possivelmente, o volume de chuvas, acima do normal, descaracterizou o leito do rio, modificando toda comunidade aquática. Com relação ao fitoplâncton, organismos microscópicos fotossintetizantes, principais produtores primários no ambiente aquático, apesar da baixa diversidade de espécies, os grupos registrados (clorofíceas, diatomáceas e cianobactérias) são comumente encontrados em rios em outros locais. Na ADA e AID a composição do fitoplâncton foi semelhante. A ocorrência de diatomáceas dos gêneros Gyrosigma sp., Navícula sp. e Pinnularia sp., que ocorrem aderidas ao substrato, indica que o movimento da água intenso trouxe para a coluna d'água organismos que encontram-se, normalmente, no fundo do rio. Entretanto, uma única amostragem não é suficiente para uma caracterização adequada da área, necessitando de coletas em uma maior área amostral e considerando variações sazonais. Apesar da ocorrência de Anabaena sp., uma cianobactérias potencialmente produtora de cianotoxinas, na amostra coletada a 500 m a jusante do futuro barramento, a água pode ser considerada de boa qualidade, pois não foi registrada presença de cianobatérias nas análises quantitativas. Apesar de que nenhum organismo indicador ter sido identificado para a região de ADA e AID, a ocorrência de apenas 1 táxon demonstra que a comunidade zooplanctônica apresenta-se com baixa diversidade. Em todas as amostras coletadas, tanto na ADA quanto na AID, só houve ocorrência de Chaoborus (Figura 13), um díptero da classe Insecta em sua forma larval. A presença de larvas de insetos em amostras de zooplâncton é um fato comum, essas larvas são classificadas como predadores do zooplâncton e tem sua presença geralmente associada a baixa diversidade e/ou a ausência de outros organismos comumente encontrados em amostras de zooplâncton como protozoários, rotíferos e crustáceos. Isto justifica, em parte, a não ocorrência de outros representantes do zooplâncton, pois podem ter sido predados pelas larvas de Chaoborus sp. Este fato pode estar correlacionado com as fortes chuvas ocorridas na área que tenha causado um deslocamento desta comunidade em direção a sua foz, ou que o ambiente já esteja comprometido. Porém, mais estudos são necessários para elucidar tal questionamento, pois a ocorrência de apenas uma coleta não é suficiente para entender a dinâmica da comunidade zooplanctônica, uma vez que a mesma sofre variações ao longo de um ano, principalmente devido aos períodos seco e chuvoso. FIGURA 51. Foto do gênero Chaoborus, Diptera, Insecta, encontrado nas amostras de zooplâncton na Área Diretamente Afetada (ADA) e Área de Influência Direta (AID). Fonte: Key to the zooplankton of the Northeast - USA (2011). Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 41 As macrófitas aquáticas foram representadas por 07 espécies. Número considerado baixo quando comparado a ambientes como o Pantanal Mato-grossense e alguns reservatórios. Contudo, esta pouca representatividade se deve, provavelmente, ao fato de os pontos de coleta ter sido visitado apenas uma vez e, o período chuvoso deste ano, foi extremo, arrancando parte da flora aquática, carregando-as rio abaixo. Os valores de diversidade e biomassa seca encontrados foram considerados, em geral, baixos, tanto na ADA quanto na AID. A presença de espécies invasoras, como Alternanthera philoxeroides e Eichhornia paniculata, e a inexistência de um padrão de distribuição das macrófitas ao longo dos pontos de amostragem, tanto na ADA quanto na AID, podem estar relacionados as marcas de inundação em todas as margens do rio, demonstrando que o rio tinha passado por um período de forte alagamento, com fortes corredeiras, o que deve ter arrastado o seu leito, diminuindo assim, o número de macrófitas antes existentes. A presença de ervas flutuantes e a ausência de macrófitas fixas em quantidade, também é, novamente, um forte indicativo de que este rio passou por uma forte correnteza, estando, portanto, as macrófitas re-colonizando o ambiente. Porém, estudos de sucessão precisam confirmar esta observação em campo. De uma maneira geral, a macroflora aquática da área de estudo ainda não encontra-se bem estudada e conhecida. A diversidade deve aumentar consideravelmente com mais estudos assim como a biomassa deve variar em períodos climáticos distintos. Figura 52. Espécie de macrófita (Pistia stratiotes) encontrada na estação de amostragem ADA I, da futura barragem de Igarapeba na Bacia do rio Una (PE), em 27 de setembro de 2011. Foto: Cacilda Rocha( 27/09/2011) Figura 53. Espécie de macrófita (Eichhornia sp.) encontrada na estação de amostragem ADA II, da futura barragem de Igarapeba na Bacia do rio Una (PE), em 27 de setembro de 2011. Foto: Cacilda Rocha( 27/09/2011) Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 42 Figura 54. Estação de amostragem à Montante da futura barragem de Igarapeba na Bacia do rio Una (PE), em 27 de setembro de 2011. Foto: Cacilda Rocha( 27/09/2011) Figura 55. Estação de amostragem na Área Diretamente Afetada (ADA I) da futura barragem de Igarapeba na Bacia do rio Una (PE), em 27 de setembro de 2011. Foto: Cacilda Rocha( 27/09/2011) A comunidade de macrozoobentos em um rio é muitas vezes utilizada como um efetivo indicador das características do corpo d'água, integrando processos como a superfície geológica, a vegetação da bacia de drenagem, o seu uso e ocupação e mudanças ocorridas no ecossistema. Esta comunidade está representada por vários filos, dentre eles podemos citar: artrópodos, moluscos, anelídeos e nematóides. Através das análises das amostras da ADA e da AID observou-se a ocorrência de 11 táxons distribuídos em três filos: Annelida (Oligochaeta), Mollusca (Bivalvia e Gastropoda), e Arthropodes (Crustacea e Insecta). De modo geral, os pontos de coleta na AID apresentaram maior número de grupos taxonômicos e maior densidade do que na ADA, isto evidencia que o rio Pirangi, ao longo do seu percurso contribui para o aumento da diversidade a jusante. Embora seja possível observar uma tendência a aumento de diversidade ao longo do percurso do rio, é possível verificar que, de modo geral, os insetos dominam o macrozoobentos, exceto nas estações Catende e Pirangi, onde ocorre uma dominância da espécie Melanoides tuberculatus, que é um molusco bentônico que pode atingir até 4 cm, é capaz de ocupar uma ampla diversidade de ambientes, que vai de oligotróficos a eutróficos, lênticos ou lóticos, Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 43 alimentam-se de partículas orgânicas aderidas ao sedimento e é capaz de atingir altas -2densidades, de até 17.000 ind m . Esta é uma espécie exótica capaz de modificar as comunidades bentônicas dos habitats que coloniza. Devido a sua capacidade de tolerar ambientes com baixo teor de oxigênio dissolvido, podemos inferir que este ponto pode estar sofrendo um processo de eutrofização. O inseto Chironomidae (Figura 56) e o anelídeo Oligochaeta (Figura 57) são freqüentemente relacionados com altos teores de matéria orgânica no sedimento, e são responsáveis pelo processo de liberação de nutrientes do sedimento para a coluna d'água, representando, dessa forma, uma grande importância para o ambiente. Com isso, podemos concluir que, a presença e dominância de representantes de macroinvertebrados bentônicos que indicam ambientes com alto teor de matéria orgânica e com certo grau de eutrofização tanto na ADA quanto na AID, refletem uma bacia que já sofre com impactos ambientais, embora em algumas estações apresente certa diversidade. A presença de espécie invasora, como é o caso do M. tuberculatus, demonstra certa fragilidade do ecossistema, onde espéciesnativas estão perdendo representatividade no local. Tal espécie invasora pode vir a dominar o ambiente caso haja uma excessiva eutrofização no local, pois a mesma apresenta adaptações para habitar ambientes com elevada quantidade de nutrientes e baixa quantidade de oxigênio. FIGURA 56. Chironomidae. Fonte: Anthony Epifânio 15/09/2010 FIGURA 57. Oligochaeta. Fonte: Anthony Epifânio 15/09/2010 ICTIOFAUNA (PEIXE) Para o levantamento ictiológico do rio Pirangi na área de construção da barragem Igarapeba-PE foram realizadas capturas de pescado em pontos a montante da barragem, na área considerada de influência direta (AID) na ponte a montante e ajusante. Foram amostrados também pontos na área diretamente afetada (ADA), na cachoeira, no rio, na fazenda Rogério, bem como, no eixo da barragem. No período de estudo foram identificadas 17 espécies de peixes, destas 11 foram citadas nas entrevistas, distribuídas em 11 famílias e 6 ordens. As famílias Cichlidae e Characidae foram as mais representativas com três espécies cada. A piaba foi citada por 20 dos entrevistados, seguida do jundiá com 16 e tilápia com 14. Entre as espécies relatadas, apenas o tambaqui é reconhecidamente de piracema e necessitará de escadaria para complementar seu ciclo reprodutivo. Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 44 A espécie Astyanax gr. Bimaculatus foi a mais representativa e capturada na AID e ADA, seguida da Hypostomus spp., que foi capturada apenas na AID, da Geophagus cf. brasiliensis e da Parotocinclus jumbo (Figura 58). Os peixes de maiores tamanhos registrados nas capturas foram a Oreochromis niloticus, seguida do Geophagus cf. brasiliensis (Figura 59), as demais espécies identificadas não ultrapassaram 150 mm de comprimento. Nenhuma das espécies de peixes levantadas nos dois ambientes estão incluídas nas listas das espécies ameaçadas de extinção. FIGURA 59. Geophagus cf. brasiliensis. Fonte: Jana Ribeiro, 2011. FIGURA 58. Parotocinclus jumbo. Fonte: Jana Ribeiro, 2011. MEIO ANTRÓPICO SOCIOECONOMIA A barragem de Igarapeba apresenta seus impactos socioeconômicos principalmente em municípios que compõem a Zona da Mata Sul do estado de Pernambuco. Os estudos mostraram que a formação histórica da região apresenta algumas implicações para a análise destes impactos. Os principais pontos apontados foram: i) a população da região possui baixa escolaridade e capacitação para o trabalho; ii) a dinâmica produtiva da cana de açúcar levou a que se ocupassem áreas de risco de enchentes e de desabamento; iii) os períodos da entressafra da cana-de-açúcar são marcados por altos níveis de desemprego; iv) a região é marcada por alta concentração fundiária; v) grande parte das propriedades possui problemas em seu processo formal de escrituração; vi) existe grande potencial de politização contra as ações de contenção das enchentes. No tocante à dinâmica populacional os pontos mais importantes levantados pelo estudo foram: i) alguns municípios estão perdendo população para os vizinhos ou para outras regiões, como a RMR e outros grandes centros urbanos; ii) apesar da maioria dos municípios já apresentarem alto percentual de sua população nos núcleos urbanos, ainda existe pressão migratória no sentido campo-cidade; iii) a expectativa de vida está Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 45 aumentando com o envelhecimento da população e a redução da taxa de natalidade, gerando necessidade de ajustes nos investimentos públicos com caráter social. O perfil econômico dos municípios mais afetados pela barragem de Igarapeba mostra grande dependência de transferências do setor público, com baixa participação da indústria e dos serviços que dinamizam a atividade econômica. Os grandes estabelecimentos industriais ainda estão ligados ao complexo sulcroalcooleiro, evidenciando que a outra fonte de dependência econômica ainda é a cana-de-açúcar. Para a produção açucareira a questão ambiental apresenta-se como um dos elementos centrais. O desmatamento tem contribuído para a redução das fontes energéticas e aquíferas, prejudicando o lençol freático, além de aumentar os custos sociais e econômicos da produção da cultura da cana. A utilização abusiva de defensivos tem destruído a fauna e a biodiversidade do ecossistema local e prejudicado as formas de sobrevivência do trabalhador, em particular no que se refere à produção de culturas alimentares e alimentos oriundos de rios, riachos e cursos d'água. Ademais, assentamentos de trabalhadores têm contribuído para o desmatamento, para a extinção de fontes de água e para a depredação ambiental. Para as atividades da agricultura e da pecuária, o desenvolvimento e o amadurecimento em base sustentável da produção por associativismo e cooperativismo são condições fundamentais para que os pequenos produtores se insiram de maneira mais estável e rentável no mercado, oferecendo produtos de maior valor agregado, com mais qualidade, proporcionando-lhes melhores condições de comercialização. A construção da barragem de Igarapeba será uma boa oportunidade para se reestudar a questão associativista uma vez que o empreendimento estimulará a economia local, principalmente no que diz respeito ao fornecimento de produtos e serviços aos trabalhadores, o que representará geração de empregos não só nos serviços como em outros setores. O incremento nas atividades ocorrerá devido ao aumento da demanda por produtos e serviços na região e para que a população local possa usufruir desses benefícios é necessário que ela esteja preparada para atender a essa demanda. O padrão de desenvolvimento observado na Área de Influência Indireta (AII) ainda apresenta traços marcantes que podem não contribuir para sua sustentabilidade. Evidenciam-se problemas de natureza econômica, social e cultural, que configuram diversos elementos de exclusão social e que forçam sua população a migrar, seja de forma pendular, para trabalhar na capital do estado ou ainda que grande parte se desloque para a Região Metropolitana de Recife. Ressalta-se também a possibilidade da migração dos trabalhadores rurais e de pequenos produtores para os setores dos serviços e da indústria, sobretudo para a construção civil, tanto na capital pernambucana quanto nas outras regiões do País. No âmbito da questão agrária, a posse e o uso da terra são de extrema importância para a sustentabilidade da produção agrícola dessa região. Por sua vez, deve-se reconhecer que para essa região é necessário se pensar uma reestruturação do sistema de produção da cana-de-açúcar, em favor de outras atividades que sejam rentáveis, em áreas marginais à produção de cana. Alternativas para essa reestruturação podem ser apontadas no próprio âmbito do sistema de produção da cana-de-açúcar como: a utilização de terras de usinas paralisadas Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 46 ጀ que inclusive podem e devem ser usadas para receber a população que será desapropriada para a construção da barragem de Igarapeba-, ou em dificuldades econômico-financeiras e de terras de arrendatários e fornecedores de cana de médio e grande porte. Os indicadores sociais dos municípios contemplados na área de influência da barragem de Igarapeba melhoraram entre 1991 e 2000, porém, todos ainda permaneceram com índices abaixo da média pernambucana. Os números apresentados sugerem que para 2010 esses municípios deverão manter o processo de melhora dos indicadores de Desenvolvimento Humano por conta de investimentos na região, tais como uma indústria de calçado, em Palmares; investimentos na área de alojamento e alimentação, como a implantação prevista de hotéis, em Barreiros; e, sobretudo, pelo grande montante de investimentos que vem ocorrendo, nos últimos cinco anos, no ComplexoIndustrial Portuário - Suape, de relativa proximidade com a região e que podem trazer efeitos difusos na área. Pode-se afirmar com precisão que a construção da barragem de Igarapeba será fundamental para a melhoria dos indicadores de longevidade. Será também uma boa oportunidade de melhoria principalmente no que diz respeito ao fornecimento de produtos e serviços aos trabalhadores, o que representará geração de emprego e renda não só nos serviços como em outros setores, além dos inegáveis benefícios na infraestrutura da atividade agropecuária, outra importante fonte de renda para a região. Nesse contexto, será de suma importância para a melhoria, também, dos indicadores de renda da AII. Os indicadores de saúde mostram que a construção da barragem de Igarapeba será ainda mais importante para a melhoria dessa dimensão. Com a melhoria das condições de infraestrutura básica, com destaque para as condições de acesso a água e saneamento, deve-se observar uma redução importante do número total de óbitos, sobretudo aqueles ligados a 'doenças infecciosas e parasitárias', entre as quais se destacam diarréias, enterites e pneumonias, e à 'doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas', que atacam principalmente as crianças. Embora se verifique nos últimos dez anos um avanço na formação de professores através de programas de capacitação, essa formação não é, ainda, a ideal e não contribui significativamente para a elevação do rendimento escolar, o que reforça a tese da baixa qualidade do ensino. A dimensão educacional tem alcançado avanços significativos, em especial na Educação Básica, compreendida pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio, com melhoras sensíveis tanto na rede particular quanto na rede pública. Porém, diferenças expressivas na qualidade da infraestrutura física das escolas ainda persistem, mostrando-se mais deteriorada à medida que se passa do âmbito federal para o estadual e ainda mais precária em nível municipal. Por fim, a educação de nível superior ainda é excessivamente restrita a grande parcela da população. Na AII, onde é significativamente diminuta a proporção de pessoas entre 18 e 24 anos que tem acesso a esse nível de ensino, fica evidente esse quadro desfavorável. Destaca-se também que, exceto Palmares, todos os outros municípios da AII, em 2000, não chegavam a constatar um índice equivalente a 3% da população jovem que contam Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 47 com o privilégio de cursar um nível superior, proporção praticamente dez vezes abaixo da de outros países da América Latina, como a Argentina, por exemplo, cujo percentual médio gira em torno de 30%. Figura 60. Vista panorâmica da cidade de Igarapeba Figura 61. Lavoura de sobrevivência Figura 62. Pecuária Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 48 ARQUEOLOGIA E PATRIMÔNIO HISTÓRICO A legislação federal aplicável ao patrimônio histórico-cultural protege os conjuntos urbanos, e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico. O estudo do Patrimônio Cultural na Barragem de Igarapeba foi realizado através de levantamento de dados secundários e primários acerca do município de São Benedito do Sul, no estado de Pernambuco. Durante o Diagnóstico foram levantados os aspectos culturais do município estudado, incluindo o levantamento do patrimônio material (arqueológico e histórico), do patrimônio imaterial (festas, danças, comidas típicas, lendas, artesanato), do patrimônio espeleológico (cavernas e furnas) e do patrimônio paisagístico, relativos à área de influência indireta (AII). Os aspectos relativos ao patrimônio imaterial do referido município, no geral, ocorrem na região pernambucana como um todo. Merece destaque as festas populares como o Carnaval, São João e festas religiosas, onde ocorrem manifestações culturais típicas como o frevo, ciranda e quadrilhas juninas. A Temperada, bebida feita com cachaça, ervas, sementes e mel é tradicional do município. O patrimônio material identificado, do ponto de vista arqueológico e histórico, corresponde a ocorrências de material lítico e cerâmico relacionado a grupos indígenas que outrora habitaram a região (referente ao período pré-histórico) e remanescentes de estruturas históricas (Engenhos), referentes ao ciclo (tardio) da cana-de-açúcar em Pernambuco, principalmente do século XX. Na área que será diretamente afetada (AID e ADA) pela construção da barragem foi realizado um levantamento detalhado para identificação do patrimônio cultural presente na área. As informações foram obtidas através de entrevistas com a população e através de prospecção visual, enfocando a identificação de eventuais vestígios arqueológicos e históricos. O estudo realizado revelou o potencial arqueológico pré-histórico e histórico da área, com base tanto nas informações de habitantes das cercanias, quanto da identificação direta de evidencias de registros arqueológicos. As referências históricas correspondem ao século XX, época que predominava na região a economia açucareira. Parte da linha férrea localizada na margem do Rio Pirangi, entre os edifícios das estações ferroviárias de São Benedito e Igarapeba, está inserida na área da Barragem de Igarapeba. No que tange o patrimônio imaterial não foram relatadas lendas ou eventos diretamente associados à área. O estudo realizado revelou o potencial e diversidade cultural desta região como um todo. A área por onde se desenvolve o curso do rio, mormente no trecho onde estão previstas as obras, corresponde a uma região de rochas ígneas, portanto, as obras não atingirão áreas de substrato calcário - onde haveria possibilidade de interferências que afetassem cavernas de interesse espeleológico relevante. Tampouco existem indícios ou informação de ocorrência de fósseis, quer animais quer vegetais nesta área. As obras do empreendimento envolvem ainda riscos com relação ao patrimônio arqueológico e natural/paisagístico. A expectativa de tais riscos converge para as áreas de inundação e aquelas aonde serão necessárias ações de movimentação de terra (quando existe a possibilidade de destruição total ou parcial de sítios arqueológicos ainda não Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 49 manifestos), incluindo-se aí a movimentação do terreno para a implantação das obras civis. As áreas a serem inundadas, em parte correspondem às áreas que periodicamente (por ocasião das enchentes) são naturalmente inundadas Por outro lado, a configuração do relevo, no trecho a ser inundado, permite a presença de assentamentos humanos e ainda a preservação de seus vestígios eventualmente transportados por enxurradas, ou mesmo encoberto pelos sedimentos depositados. O risco de destruição dos sítios arqueológicos e do patrimônio histórico será de caráter irreversível, mas poderá ser significativamente reduzido mediante a adoção de medidas apropriadas, que permitam transformar os registros em informações concernentes ao povoamento pré-histórico e histórico da área. Documentação Fotográfica: Figura 63. Estação Ferroviária de São Benedito do Sul. Data: 19/09/2011. Fonte: Acervo Arqueolog Pesquisas. Figura 64. Estação Ferroviária de Igarapeba. D ata: 20/09/2011. Fonte: Acervo Arqueolog Pesquisas. Figura 65. Linha férrea margeando o Rio Pirangi. Data: 26/10/2011. Fonte: Acervo Arqueolog Pesquisas. Figura 66. Aqueduto da Empresa. Data: 26/10/2011. Fonte: Acervo Arqueolog Pesquisas. Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 50 Figura 67. Bueiro do Engenho Paraíso. Data: 20/09/2011. Fonte: Acervo Arqueolog Pesquisas. Figura 68. Roda d'água do Engenho Roncador. Data: 26/10/2011. Fonte: Acervo Arqueolog Pesquisas. Figura 69. Cachimbo localizado no sítio pré-históricoChão do Cajá. Fonte: Acervo Arqueolog Pesquisas. Figura 70. Machado de pedra polida, utilizado por grupos indígenas, localizado em São Benedito do Sul. Fonte: Acervo Arqueolog Pesquisas. Figura 71. Material arqueológico histórico localizado na área de estudo da Barragem de Igarapeba. Data: 25/10/2011. Fonte: Acervo Arqueolog Pesquisas. Figura 72. Residência do século XX da Fazenda Peri-Peri. Data: 24/10/2011. Fonte: Acervo Arqueolog Pesquisas. Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 51 Figura 73. Bumba meu Boi do Bloco Jocajá, em São Benedito do Sul. Data: 20/09/2011. Fonte: Acervo Arqueolog Pesquisas. Figura 74. Sede do Bloco de carnaval Jocajá. Data: 20/09/2011. Fonte: Acervo Arqueolog Pesquisas. Figura 75. Confecção de vassouras de palha no Engenho Roncador. Data: 26/10/2011. Fonte: Acervo Arqueolog Pesquisas. Figura 76. Edificações históricas de São Benedito do Sul afetadas pela enchente de 2010. Data: 19/09/2011. Fonte: Acervo Arqueolog Pesquisas. Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 52 USO E OCUPAÇÃO DO SOLO A caracterização de uso e ocupação do solo foi elaborada considerando-se dados primários de observação local e dados secundários de informações institucionais, tendo como principais dados obtidos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Agência Estadual de Planejamento e Pesquisas de Pernambuco (Condepe-Fidem), Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). O objetivo foi levantar, compreender e apresentar a distribuição espacial das principais atividades econômicas e suas analogias referentes às formas de ocupação e a importância dos processos que contribuem para a deterioração do meio ambiente físico espacial (desmatamentos, erosões e assoreamentos) relacionados principalmente aos recursos hídricos. Em relação ao uso das terras na área de influência indireta, a área de pastagens é superior a de lavoura, matas e florestas. A área de pastagens é de 16.935 hectares, enquanto que a área de lavouras é de 11.339 hectares, já a área de matas é bastante inferior, um total de 1.524 hectares. Em relação à estrutura fundiária da área de influência indireta, observa-se a predominância de produtores em terras como proprietários, com poucos projetos de assentamentos na região, sendo um total de dois, ambos federais e localizados em Quipapá. Diante disto, o que se observa é que não se identifica uma concentração de terras, visto que na média, a área dessas terras são inferiores a um módulo rural, caracterizando a predominância de pequenas propriedades e minifúndios. Observou-se a predominância do cultivo de lavouras temporárias como o feijão em Jurema, e cana de açúcar e mandioca em Quipapá, onde também se destaca a produção de banana, que é uma cultura permanente. Além destas, identificou-se uma diversidade das culturas, encontrando-se também maracujá, milho, tomate, batata doce, coco, e laranja. Essas culturas são características de áreas de transição da Zona da Mata pernambucana para o semi-árido. Quipapá se apresenta com características produtivas de Zona da Mata, com o módulo fiscal de 14 hectares, enquanto que Jurema tem características de Agreste, com o módulo fiscal de 35 hectares, que representa uma área menos fértil devido à menor disponibilidade de água. Em relação ao rebanho predominante, destaca-se o galináceo em Jurema e o rebanho bovino em Quipapá, apesar da grande área de pastagens. O gado bovino também está presente nesta área, criado de forma extensiva, ocupando vastas extensões de terra. Em relação ao saneamento, foi possível identificar que na área a rede geral é a principal forma de abastecimento de água, entretanto a forma de abastecimento não canalizada tem um número elevado, ocorrendo principalmente por meio de poços e nascentes. Em relação ao esgotamento sanitário, observa-se uma precariedade apesar do alto índice de banheiros. Não necessariamente ligados à rede geral de coleta. O esgotamento sanitário é feito de forma precária sendo partecom o uso de fossas rudimentares e valas, mais da A Área de Influência Indireta (AII) é composta pelos municípios a montante da área da construção da nova barragem de Igarapeba: Jurema e Quipapá. Foi realizada uma análise do uso do solo destes municípios a partir de dados secundários, sendo possível, desta forma, fazer um diagnóstico do uso do solo desta área. Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 53 metade dos domicílios estão ligados a rede geral em Quipapá. Em Jurema as condições de saneamento são também precárias, com domicílios não ligados à rede geral. Já a área de influência direta abarca os seguintes municípios a jusante da área da construção da nova barragem de Igarapeba: São Benedito do Sul, Jaqueira, Maraial, Catende, Palmares, Água Preta, Barreiros, Tamandaré e São José da Coroa Grande. Foi realizada uma análise do uso do solo destes municípios a partir de dados secundários e primários, sendo possível, desta forma, fazer um diagnóstico do uso do solo desta área. De acordo com dados da Agência CONDEPE/FIDEM, os municípios São Benedito do Sul, Jaqueira, Maraial, Catende e Palmares têm 100% de sua área inserida na Unidade de Planejamento Hídrico (UP) -5 Rio Una. Já os municípios de Água Preta e Barreiros não se encontram totalmente inseridos na UP-5, mas a sede dos municípios estão localizadas na área da Bacia do Una, enquanto os municípios de Tamandaré e São José da Coroa Grande se encontram inseridos na Bacia do Rio Una, porém suas sedes não. Em relação às atividades agropecuárias na área de influência direta, a área de lavoura é bastante superior a de pastagens, matas e florestas em todos os municípios. Observou-se a predominância do cultivo da cana de açúcar em toda AID, e em relação ao rebanho predominante, destaca-se o bovino, criado e forma extensiva, porém com a presença de criação de galináceo em alguns municípios, como São Benedito do Sul, Jaqueira, Catende e São José da Coroa Grande. Estes municípios estão inseridos na Zona da Mata pernambucana, que tradicionalmente observa-se a predominância do cultivo da cana de açúcar, com a presença de engenhos e usinas. Em relação à estrutura fundiária da área de influência direta, observa-se a predominância de produtores em terras como proprietários, entretanto, as modalidades de ocupantes e assentados também se destacam na área, como no município de Catende, onde mais de 60% da área são de ocupantes, e em São José da Coroa Grande o destaque é para o produtor sem área de culyivo. Por se tratar de uma área de Zona da Mata, onde o índice de produtividade é maior que as outras regiões do estado de Pernambuco, o módulo fiscal é de 14 hectares. As terras com propriedade excedem em média quatro módulos fiscais, caracterizando pequenas e médias propriedades, mas isso não quer dizer que não haja grandes propriedades. Entretanto as terras de assentados e ocupantes são inferiores a um módulo fiscal, em torno de cinco hectares. Identificou-se um grande número de assentamentos na região, sendo um total de 53, entre federais e estaduais, com destaque para os municípios de Água Preta, Tamandaré, Barreiros e São José da Coroa Grande, com o maior número de projetos. Entretanto, o maior assentamento em área e número de famílias assentadas é o PA Governador Miguel Arraes, no município de Catende, com a característica de ser um Assentamento Agroindustrial. Já nos municípios de Jaqueira e Maraial não se identificou nenhum projeto de assentamento. Em relação ao saneamento, foi possível identificar que a rede geral é a principal forma de abastecimento de água, entretanto, observa-se uma grande presença de poços e captação de água de forma não canalizada. Os municípios que possuemproporcionalmente melhor atendimento pela rede geral são Palmares e Barreiros, enquanto que os municípios de São Benedito do Sul, Maraial, Água Preta, Tamandaré e São José da Coroa Grande possuem um alto índice de abastecimento de água através de Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 54 poços e nascentes. Em relação ao saneamento, foi possível identificar que a rede geral é a principal forma de abastecimento de água, entretanto, observa-se uma grande presença de poços e captação de água de forma não canalizada. Os municípios que possuem proporcionalmente melhor atendimento pela rede geral são Palmares e Barreiros, enquanto que os municípios de São Benedito do Sul, Maraial, Água Preta, Tamandaré e São José da Coroa Grande possuem um alto índice de abastecimento de água através de poços e nascentes. O uso do solo da Área Diretamente Afetada (ADA) é caracterizado por poucas áreas de vegetação nativa, e pela predominância de pastos com extensos capinzais, e pela presença da monocultura de cana de açúcar. Também se identificou áreas de agricultura familiar e atividade pecuarista extensiva de bovinos e caprinos. Nas áreas de agricultura familiar, observa-se predominantemente o cultivo de árvores frutíferas, com destaque para o cultivo de bananas nas proximidades das margens de rios e nas encostas, como também a presença de agricultura de subsistência. Também se identifica na área a criação de caprinos e galináceos para consumo próprio. Contudo, a ADA possui baixa densidade demográfica, com a existência de apenas três sítios (Figuras 77, 78 e 79), com a predominância de áreas destinadas à pecuária. Na área diretamente afetada não se identificou a presença de núcleos urbanos, configurando-se como uma área exclusivamente agrícola, com as terras destinadas à agricultura e à pecuária. Não foi identificado parcelamento do solo entre espaço urbano e rural devido às poucas edificações nas propriedades encontradas na ADA. Figura 77. Edificação de apoio do primeiro sítio com lavoura permanente de banana e pecuária. Fonte: Christoph Hedntk, 27.10.2011. Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 55 Figura 78. Sítio Boa Fé na ADA. Fonte: Christoph Hedntk, 27.10.2011. Figura 79. Residência de trabalhadores do terceiro sítio na ADA. Fonte: Christoph Hedntk, 27.10.2011. A ADA é cortada por uma linha férrea, identificando-se em diversos pontos a presença de trilhos da Estrada de Ferro Sul de Pernambuco, inaugurada em 1884 (Figura 80). Na área diretamente afetada se identificou ausência de torres de transmissão, seja de telefonia, TV e rádio, mas se identifica a presença de rede elétrica em todas as propriedades, contudo a rede elétrica foi prejudicada com a enchente e algumas propriedades têm problemas quanto ao serviço de energia elétrica. Figura 80. Trilhos da Estrada de Ferro Sul de Pernambuco na ADA Fonte: Christoph Hedntk, 27.10.2011. Os impactos identificados foram localizados, avaliados e descritos e, para cada um deles foram sugeridas medidas mitigadoras e de controle ambiental, além de ações de monitoramento. Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 56 PARTE 2 - IMPACTOS RESULTANTES 1 QUAIS OS IMPACTOS ANALISADOS E MEDIDAS MITIGADORAS PREVISTAS? A identificação dos impactos previsíveis em decorrência da implantação da barragem, as medidas que deverão ser tomadas para minimizar os efeitos negativos e maximizar os positivos, em todas as etapas da obra são, de fato, as informações e os instrumentos essenciais para a sustentabilidade ambiental da área modificada. Por sua vez, os Programas de Controle e Monitoramento Ambiental propostos para acompanhar possíveis mudanças e adequar seu curso, contribuem para a consolidação de um Sistema de Gestão Ambiental na área da bacia que será afetada. Os principais impactos identificados foram localizados, avaliados e descritos e, para cada um deles foram sugeridas medidas mitigadoras e de controle ambiental, além de ações de monitoramento. Grupo de Discussão Multidisciplinar MATRIZ DE CORRELAÇÃO (Meio Físico - Meio Biótico-Meio - Meio Antrópico) DESCRIÇÃO dos Impactos AVALIAÇÃO dos Impactos PROPOSTAS de Monitoramento PROGNÓSTICO AMBIENTAL PROCESSO METODOLÓGICO ADOTADO PARA A AVALIAÇÃO DOS IMPACTOS MEDIDAS de Mitigação e Controle Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 57 Impactos sobre o Meio Físico Quanto ao meio físico, os impactos mais importantes estão relacionados às águas superficiais, especialmente às mudanças de regime de fluxo, que terão forte rebatimento sobre a flora e a fauna aquáticas. Os solos também foram destacados, tendo em vista o grande movimento de terras que ocorrerá na área da barragem, para a sua construção e exploração de jazidas (fase de implantação). A contaminação das águas e dos solos e a retenção de nutrientes também foram destacadas. A redução da carga sólida a jusante, com aumento dos processos erosivos das margens e alteração na morfologia do canal causará impacto na agricultura ribeirinha. Foi recomendada a preservação/recuperação da cobertura vegetal nas APPs para redução dos processos erosivos laminares e lineares. Além disso, destaca-se a retenção dos nutrientes produzidos a montante da barragem, no lago da mesma, reduzindo a fertilidade das águas a jusante, afetando as comunidades da fauna. Elemento Ambiental Impacto Ambiental Clima e meteorologia Alteração do clima local Degradação de áreas de empréstimo Geologia Contaminação e recarga do aquífero Mudanças na paisagem regional Instabilidade dos solos no entorno do reservatório Alteração da qualidade do solo Erosão das margens Geomorfologia e solos Redução do valor fertilizante da água após a barragem Alteração do regime hídrico Interferência nos diversos usos da água Assoreamento do futuro reservatório Controle de inundações Perdas de água no reservatório por evaporação e infiltração Recursos hídricos superficiais e subterrâneos Alterações na qualidade da água Aumento de ruídos gerados por máquinas e trânsito Qualidade do ar e ruídos Aumento de poeira, fumaça e gases no entorno da obra Parcelamento do solo Redução das áreas destinadas aos usos rurais Estrutura fundiária Redução das dimensões territoriais das propriedades fundiárias Ampliação da rede de saneamento básico e abastecimento Infraestrutura Desvio de linhas de transmissão de energia elétrica e férrea Socioambiental Ampliação das práticas educacionais Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 58 Impactos sobre o Meio Biótico É no meio biótico onde ocorrem os maiores impactos pela supressão da cobertura vegetal para a implantação da barragem, que tem rebatimento imediato sobre a fauna, tendo em vista a perda dos habitats terrestres e aquáticos. Apesar da importância social da construção da barragem, deve-se registrar que a mesma ocasionará impactos biológicos para as espécies vegetais, como por exemplo, perda de biodiversidade, aumento da fragmentação e efeito de borda, os quais podem ser mitigados ou controlados através de medidas e programas que deverão ser realizados durante a implantação do empreendimento, como resgate de germoplasma, plantio de mudas nos fragmentos remanescentes, implantação de corredores ecológicos, controle de plantas invasoras e programas de monitoramento da flora e da fauna. Elemento Ambiental Impacto Ambiental Perda de biodiversidade e das características das populações vegetais Fragmentação vegetal e efeito de borda Perda de variabilidade genética Redução do tamanho das populações remanescentes Floraterrestre e estrutura da vegetação Interrupção do fluxo gênico e de alguns mecanismos de dispersão Perda de biodiversidade e da variabilidade genética Perda de habitat e microhabitats pela destruição dos fragmentos florestais Desequilíbrio na comunidade faunística e redução da capacidade de suporte à vida silvestre Eliminação ou deslocamento de populações exclusivamente terrestres Fuga de espécies e invasão de domicílios Aumento da caça oportunística e de espécies vetoras de doenças Aparecimento de espécies exóticas Deslocamento de fauna por distúrbios sonoros Fauna: Vertebrados Terrestres e Alados (Mastofauna terrestre, quiropterofauna, avifauna e herpetofauna) Aumento na interação entre animais silvestres e seres humanos Perda de biodiversidade e diminuição do fluxo gênico Elevação de espécies nocivas e invasoras Alteração na dinâmica das populações locais Alteração na estrutura das comunidades Perda de habitat Dispersão de ovos e larvas Desenvolvimento da aqüicultura e da pesca e aumento da pesca oportunista Meio Biótico Aquático: (Fitoplâncton, Macrófitas Zooplâncton, Macrozoobentos) e Ictiofauna Aparecimento de espécies exóticas e elevação de espécies nocivas Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 59 Impactos sobre o Meio Socioeconômico No meio socioeconômico, os destaques foram alterações no setor produtivo, a demanda por mão de obra, dinamização econômica no município, aumento de doenças respiratórias e de veiculação hídrica durante a construção, além do deslocamento de vestígios arqueológicos e alterações na paisagem e nos costumes. Elemento Ambiental Impacto Ambiental Eliminação de áreas com atividades agropecuárias Diminuição na oferta de alimentos Redução das perdas na oferta de bens e serviços Estrutura de oferta produtiva Possibilidade de implantação de projetos turísticos Demanda de mão de obra Contratação de mão-de-obra para a implantação da barragem Perda de postos de trabalho nas unidades produtivas Demanda agregada Dinamização das economias municipais Aumento das receitas municipais Aumento da demanda de serviços públicos durante a construção Infraestrutura de serviços públicos Aumento da capacidade de oferta de água para os municípios da AID Educação Aumento da educação ambiental da população Elevação da incidência de doenças respiratórias e do risco de acidentes Saúde Alteração na incidência de doenças de veiculação hídrica Alteração no valor patrimonial das propriedades próximas à barragem e no leito a jusante do rio Estudos Preliminares do patrimônio cultural Destruição do contexto arqueológico Patrimônio Comprometimento das linhas férreas entre as estações ferroviárias de São Benedito do Sul e a de Igarapeba pelo enchimento do reservatório Redução das áreas destinadas aos usos rurais Parcelamento do Solo Redução das dimensões territoriais das propriedades fundiárias Ampliação da rede de saneamento básico e abastecimento Desvio de linhas de transmissão de energia elétrica Infraestrutura Desvio de linha férrea Socioambiental Ampliação das práticas educacionais Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 60 2. QUAIS OS PROGRAMAS AMBIENTAIS RECOMENDADOS? O Sistema de Gestão Ambiental proposto para o empreendimento tem seus fundamentos na legislação pertinente e na articulação interinstitucional necessária à sua efetivação. Sua concepção busca favorecer e estimular a participação da sociedade, não apenas no que se refere aos programas educativos, mas em todas as ações implementadas. Nesse sentido, o processo de gestão incorporará como instrumentos básicos os 14 Programas Ambientais previstos para o empreendimento da barragem Igarapeba. 3. AFINAL, COMO FICA A QUALIDADE AMBIENTAL FUTURA? A barragem Igarapeba, que tem como finalidade principal reduzir os desastres de inundações no Distrito de Igarapeba, e municípios a jusante, quais sejam: Maraial, Jauqeira e Catende. O reservatório também poderá ser utilizado para outras finalidades, tendo em vista o uso múltiplo previsto para o mesmo. Essas funções proporcionarão uma melhoria da qualidade de vida da população diretamente afetada, permitindo a dinamização de atividades econômicas e aumento de emprego e renda, além de oferecer um espaço ameno de grande beleza paisagística. A construção da barragem Igarapeba implica necessariamente na ocorrência de vários impactos adversos sobre o ambiente atual, cuja importância foi avaliada e coberta por um conjunto de propostas de mitigação e por Programas de Controle Ambiental, que permitirão desenvolver a gestão ambiental da área. Dentre os impactos positivos, ressaltam-se o estímulo à economia local, principalmente, por conta da contratação de mão-de-obra nos municípios de São Benedito do Sul, Palmares, Catende, Maraial e Jaqueira, e do fornecimento de produtos e serviços ao empreendimento, contribuindo significativamente para a geração direta de emprego e renda, além de incentivar de forma indireta a geração de postos de trabalho em outros setores. É importante ressaltar que a diminuição do risco de inundações a jusante corresponde ao principal impacto positivo da construção da barragem Igarapeba. Desse modo, o prognóstico desse estudo é o de que a barragem Igarapeba deve ser construída. 61 Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba Temática do PCA Denominação MEIO FÍSICO PCA 1 - Monitoramento hidrológico PCA 2 - Controle de processos erosivos PCA 3 - Monitoramento da qualidade da água MEIO BIOTICO PCA 4 - Resgate e translocação da fauna PCA 5 - Inventário dos ecossistemas aquáticos PCA 6 - Monitoramento da ictiofauna PCA 7 - Monitoramento da mastofauna terrestre PCA 8 - Resgate e conservação da flora PCA 9 - Monitoramento da vegetação e in vasão biológica MEIO SOCIOECONÔMICO PCA 10 - Educação ambiental PCA 11 - Negociação para reassentamento da população desapropriada PCA 12 - Diversificação das atividades produtivas PCA 13 - Prospecção e de resgate arqueológico PCA 14 - Monitoramento, resgate arqueológico e educação patrimonial 2. CONCLUSÕES A construção da barragem Igarapeba é uma ação estruturadora, inserida numa política pública de redução de desastres que vem sendo implementada pelo governo do Estado, reunindo várias iniciativas inter-relacionadas, como é o caso do Controle de Enchentes da Mata Sul, das Mudanças Climáticas, do Combate à Desertificação, da Política Estadual de Resíduos Sólidos, do Mapeamento da Suscetibilidade e Risco de Desastres de Pernambuco, recategorização das Reservas Ecológicas, entre outras. O Estudo de Impacto Ambiental ጀ EIA foi desenvolvido com o objetivo de avaliar os diferentes tipos de impactos ambientais, associados às distintas fases de planejamento, implantação e de operação da barragem Igarrapeba, sendo realizado um Diagnóstico do ambiente a ser afetado pelo empreendimento, com a obtenção de diversos dados primários, contemplando os elementos ambientais dos meios físico, biótico e socioeconômico. Foram identificados 80 prováveis impactos, os quais foram analisados e avaliados, mostrando que os elementos mais fortemente afetados serão a cobertura vegetal, a fauna terrestre e, especialmente, a fauna e flora aquáticas. Para mitigar, controlar e até neutralizar o efeito desses impactos forampropostas medidas mitigadoras e, elaborados 14 Programas de Controle e Monitoramento Ambiental, para subsidiar o desenvolvimento da Gestão Ambiental da área. Embora o empreendimento em questão afete real e/ou potencialmente fatores ambientais da área de influência de forma negativa, foram identificados oito impactos reais e positivos, sendo um no meio físico e sete no meio socioeconômico decorrentes da atividade em licenciamento: o maior impacto positivo é o controle de inundação, sendo este o principal objetivo da Barragem Igarapeba; o controle de cheias e a proteção da população ribeirinha, especialmente, no Distrito de Igarapeba, Maraial, Jaqueira e Catende. A análise dos impactos positivos e negativos e a convicção da necessidade de obras estruturadoras associadas a políticas públicas efetivas para a redução dos desastres recorrentes de inundações na região da Mata Sul, mostrou que é importante, a construção da barragem Igarapeba, no menor tempo possível, antes que outros episódios climáticos extremos, com chuvas concentradas e intensas voltem a produzir os cenários de destruição que ocorreram em 2010 e 2011. Por fim, considerando o caráter dinâmico e especificidade de um empreendimento dessa natureza, é possível que, ao longo do tempo, ou até mesmo durante a fase de discussão e análise deste EIA, seja necessária a adoção de medidas complementares não previstas neste documento. Assim sendo, é relevante o acompanhamento sistemático de todas as fases de operacionalização do empreendimento, de forma a possibilitar a adoção, de modo pró-ativo, de medidas complementares que se fizerem necessárias. Do ponto de vista técnico, pode-se considerar que os cuidados ambientais prévios, e as medidas mitigadoras e de controle, quando bem implementadas, contribuirão efetivamente para a viabilidade ambiental da atividade descrita e avaliada neste documento. Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 62 www. itep.br Página 1 Página 2 Página 3 Página 4 Página 5 Página 6 Página 7 Página 8 Página 9 Página 10 Página 11 Página 12 Página 13 Página 14 Página 15 Página 16 Página 17 Página 18 Página 19 Página 20 Página 21 Página 22 Página 23 Página 24 Página 25 Página 26 Página 27 Página 28 Página 29 Página 30 Página 31 Página 32 Página 33 Página 34 Página 35 Página 36 Página 37 Página 38 Página 39 Página 40 Página 41 Página 42 Página 43 Página 44 Página 45 Página 46 Página 47 Página 48 Página 49 Página 50 Página 51 Página 52 Página 53 Página 54 Página 55 Página 56 Página 57 Página 58 Página 59 Página 60 Página 61 Página 62 Página 63