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SISTEMA DE CONTROLE DE CHEIAS DA BACIA DO RIO UNA
BARRAGEM IGARAPEBA
Instituto de Tecnologia de Pernambuco ጀ ITEP/OS
Unidade Gestora de Projetos Barragens da Mata Sul ጀ UGP Barragens
R I M A
SISTEMA DE CONTROLE DE CHEIAS DA BACIA DO RIO UNA
BARRAGEM IGARAPEBA
Recife
Novembro/2011
I59 Instituto de Tecnologia de Pernambuco 
 
 Relatório de Impacto Ambiental: Estudo de Impacto 
 Ambiental ጀ EIA: Sistema de Controle de Cheias da Bacia do 
 Rio Una- Barragem Igarapeba/ Instituto de 
 Tecnologia de Pernambuco; Unidade Gestora de Projetos 
 Barragens da Mata Sul. ጀ Recife, 2011. 
62p... : il 
ISBN: 
1.Estudo de Impacto Ambiental ጀ EIA. 2. Impactos Ambientais. 3. Sistema de Controle de Cheias da Bacia 
do Rio Una. 4. Empreendimento. 5. Meio Ambiente. 6. Enchentes. 7. Bacia do Rio Una. I. Instituto de 
Tecnologia de Pernambuco. II. Unidade Gestora de Projetos Barragens da Mata Sul. III. Título.
CDU 504
Governador
Eduardo Henrique Accioly Campos
Vice-Governador
João Soares Lyra Neto
Secretaria de Recursos Hídricos e Energéticos - SRHE
João Bosco de Almeida
Secretário Executivo de Recursos Hídricos - SRHE
José Almir Cirilo
Secretário Executivo de Energia - SRHE
Eduardo Azevedo Rodrigues
Gerência Geral de Recursos Hídricos - SRHE
Carlos Marcelo Sá
Gerência de Infraestrutura Hídrica - SRHE
Maria Lorenzza Pinheiro Leite
Presidente da Agência Pernambucana de Àguas e Clima ጀ APAC
Marcelo CauásAsfora
Gerente de Revitalização de Bacias - APAC
Terezinha Matilde Menezes Uchôa
Instituto de Tecnologia de Pernambuco (ITEP-OS)
Diretor Presidente
Frederico Cavalcanti Montenegro
Diretor Técnico
Pedro Sérgio Cunha
Diretora Administrativa Financeira
Fabiana Freitas
Superintendente de Inovação Tecnológica
Márcia Maria Pereira Lira
Coordenador da UGP Barragens
Ivan Dornelas Falcone de Melo
Equipe TécnicaEstado de Pernambuco
Romilson Ferreira da Silva
Meterologista
Simone Karine Silva da Paixão, Especª. 
Engª. Civil
Simone Rosa da Silva, Drª.
Engª .Civil
Wanderson Sousa, MSc.
Meterologista
Weronica Meira de Souza, Drª.
MeterologistaMeio Biótico
Alfredo Matos Moura Júnior, Dr.
Biólogo/Botânico
Antônio Paulo da S. Junior, MSc.
Biólogo/Zoólogo
Artur Galileu de Miranda Coelho, MSc.
Biólogo/Zoólogo 
Cristiane Maria V. A. de Castro, Drª.
Bióloga/Oceanógrafa 
Elba Maria Nogueira Ferraz, Drª.
Bióloga/ Botânica
Elcida de Lima Araújo, Drª.
Bióloga/ Botânica
Geraldo Jorge Barbosa de Moura, Dr. 
Biólogo/Zoólogo
George Nilson Mendes, Dr.
Engº de Pesca/Ictiologia
João Paulo F. da Silva
Engº Florestal
Karine Matos Magalhães, Drª.
Bióloga/ Botânica
Kléber Costa de Lima
Engº. Florestal
Maristela Casé Costa Cunha, Drª
 Bióloga/Oceanógrafa
Rafael Sales Bandeira
Biólogo/Quiropterologia
Geoinformação
Daniel Quintino Silva
Tecnólogo em Geoprocessamento
Diego Quintino Silva
Tecnólogo em Geoprocessamento
Cartografia
Ana Carolina Schuller, MSc.
Engª. Cartógrafa 
Ana Mônica Correia MsC.
Geógrafa
Aramis Leite de Lima, MsC.
Engº. Cartógrafo
Felipe José Alves de Albuquerque, MSc.
Geógrafo
Flávio Porfírio Alves, MsC.
Engº. Cartógrafo
Meio Sócioeconômico
Edvânia Tôrres Aguiar Gomes, Drª.
Geógrafa
George Felix Cabral de Souza, Dr. 
Historiador 
 José Geraldo Pimentel Neto
Geógrafo
Lucia Soares Escorel
Arquiteta e Urbanista
Luis Henrique R. Campos, Dr.
 Economista
Marcia Cristina de Souza Matos Carneiro, Drª.
Engª. Cartógrafa
Marcos Antônio G. M. de Albuquerque, Dr.
Arqueólogo 
Maria Eleonôra da G. G. Curado, MSc.
Arqueóloga
Mariana Zerbone A. Albuquerque, Drª.
Geógrafa
Michel Saturnino Barboza, MSc.
Geógrafo 
Osmil Torres Galindo Filho
 Economista
Veleda Christina Lucena de 
Albuquerque, Drª.
Arqueóloga
Apoio Técnico
André Filipe Costa de Oliveira
Biólogo/Quiropterologia
Anthony Epifânio Alves 
Biólogo/Macroinvertebrados 
bentônicos
Ariane Silva Cardoso
Bióloga /Fitoplâncton
Aurelyanna Christine Bezerra 
Ribeiro, MSc.
Engª. de Pesca/Oceanógrafa
Cacilda Michele Cardoso Rocha 
Bióloga/Macrófitas aquáticas
Carina Carneiro de Melo Moura
Bióloga/Herpetologia
Damião Valdenor de Oliveira 
Biólogo/Avifauna
Elizardo Batista F. Lisboa
Biólogo/Herpetologia
Ericarlos Neiva Lima 
Engº. de Pesca/Ictiologia
Fábio Angelo Melo Soares
Biólogo/Ecólogo 
Felipe Francisco Gomes da Silva 
Biólogo/Mastozoologia
Glauber Matias de Souza
Geólogo
Jana Ribeiro de Santana 
Engª. de Pesca/Ictiologia
Josinaldo Alves da Silva
Biólogo/Botânica
Leonardo da Silva Chaves 
Biólogo/ Herpetologia
Mariana Miranda d'Assunção
Bióloga/Herpetologia
Milena Duarte de Oliveira Souza
Historiadora/Arqueologia
Otávio Leite Chaves
Geólogo
Roberta Pereira
Biólogo/Quiropterologia
Rubia Nogueira de Andrade
Historiadora/Arqueologia
Tatiana de Oliveira Calado
Bióloga/Engª. Ambiental
Tonny Marques de Oliveira Junior
Biólogo/Avifauna
Apoio Administrativo
Eva Luzia Nesso
Analista de Sistemas
Marlúcia Alves Rodrigues
Pedagoga
Solange C. da Costa e Silva 
Advogada
Viviane Cabral Gomes
Administradora
Simone Rosa de Oliveira, MSc.
Bibliotecária
Mobilização e Articulação Social
Cândida Maria Jucá Gonçalves
Assistente Social
Coordenação Geral 
Ivan Dornelas, MSc.
Engº. Cartógrafo
Coordenação Técnica
Maria do Carmo Sobral, PhD.
Engª. Civil
Apoio a Coordenação Técnica
Alessandra Maciel de L. Barros, MSc.
Engª. Civil
Gustavo Lira de Melo, MSc.
Biólogo
Renata M. C. M. de O. Carvalho, Drª.
Engª. Agrônoma
Rita de Cassia Barretto Figueiredo, Drª.
Engª. Química
Análise do Projeto
Ana Paula Batista Lemos Ferreira 
Engª. Civil
Supervisão Geral E. Ambientais
Wbaneide Martins de Andrade, MSc.
Bióloga/Botânica
Supervisão Meio Físico
Paulo Alves Silva Filho, MSc. 
Geógrafo
Supervisão Meio Biótico
Marcondes Albuquerque de Oliveira, Dr.
Biólogo/Botânico
Análise Jurídica
Talden Queiroz Farias, MSc.
Advogado
Luiz Carlos Ernesto de Barros
Advogado
Meio Físico
Aguinaldo Batista de Queiroz
Engº. Químico
Alessandra Maciel de Lima Barros, MSc.
Engª. Civil
Ana Mônica Correia, MSc.
 Geógrafa
Luciano Cintrão Barros, Dr.
Geógrafo
Magdala Braga de Farias
Engª. Química
Maria das Vitórias do Nascimento, MSc.
 Engª. Civil
Paulo Alves Silva Filho, MSc. 
Geógrafo
Rizelda Regadas de Carvalho, MSc.
Geóloga
Diante dos graves desastres por inundações ocorridas em junho 
de 2010, atingindo dezenas de municípios da Mata Sul e da Região 
Metropolitana, o Governo de Pernambuco, através da Secretaria de 
Recursos Hídricos e Energéticos - SRHE, firmou contrato com a 
Associação Instituto de Tecnologia de Pernambuco ጀ ITEP/OS. Em 
decorrência desse processo, foi criada a Unidade Gestora de Projetos 
Barragens da Mata Sul, UGP-Barragens, com o fim de acompanhar e 
coordenar os estudos ambientais e projetos de barragens nos rios 
Una, Sirinhaém e Jaboatão para o controle das enchentes nessa 
região.
Este Relatório de Impacto Ambiental ጀ RIMA apresenta uma 
síntese dos estudos desenvolvidos para obtenção de licenciamento 
junto à Agência Ambiental de Pernambuco ? CPRH, do 
empreendimento denominado Barragem Igarapeba, situada no 
médio curso do rio Pirangi, no município de São Benedito do Sul.
O RIMA apresenta os principais resultados dos estudos realizados 
para os meios físico, biótico e socioeconômico, no que se refere ao 
diagnóstico ambiental da situação atual da área, dosprováveis 
impactos e das formas de mitigação e controle dos mesmos, além dos 
dados sobre o empreendimento e dos responsáveis envolvidos no 
projeto da barragem e nos estudos ambientais.
APRESENTAÇÃO
Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Serro Azul | RESUMO 
5
Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 
SUMÁRIO
PARTE I ጀ CONHECENDO O EMPREENDIMENTO ......................................... 6
Quem é responsável pelo empreendimento e pelos estudos? ....................... 6
Como é o empreendimento? ..................................................................... 13
PARTE II ጀ CONHECENDO O MEIO AMBIENTE ......................................... 15
 Áreas de influência do empreendimento ............................................... 16
Como essas áreas se encontram atualmente ............................................. 19
PARTE III ጀ CONHECENDO OS IMPACTOS RESULTANTES .......................... 56
Quais os impactos analisados e medidas mitigadoras previstas? ............... 56
 Impactos sobre o Meio Físico ................................................................... 57
Impactos sobre o Meio Biótico .................................................................. 58
Impactos sobre o Meio Socioeconômico ................................................... 59
 Quais os programas ambientais recomendados? ...................................... 60
 Afinal, como fica a qualidade ambiental futura? ........................................ 61
Conclusões ................................................................................................ 62
6
Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 
PARTE 1 ጀ CONHECENDO O EMPREENDIMENTO
1. QUEM É RESPONSÁVEL PELO EMPREENDIMENTO E PELOS ESTUDOS?
1. IDENTIFICAÇÃO DO EMPREENDIMENTO, DO PROPONENTE, DA EMPRESA 
CONSULTORA E DA EQUIPE TÉCNICA 
1.1. Identificação do Projeto
Empreendimento Barragem de contenção de Cheias Igarapeba 
Projeto 
Sistema de contenção de enchentes da Bacia Hidrográfica do 
Rio Una 
Localização/Municípios São Benedito do Sul 
 
1.2. Identificação do Empreendedor
Razão social: SECRETARIA DE RECURSOS HÍDRICOS E ENERGÉTICOS 
CNPJ: 08.662.837/0001-08 
Endereço: 
Av. Cruz Cabugá, 1.111 ? CEP: 5040 -000 ? Santo Amaro ? 
Recife/PE 
Responsável: João Bosco de Almeida 
Telefone: (081) ? 31842518 
e-mail: joaobosco@srhe.pe.gov.br 
 1.3. Identificação da empresa consultora responsável
Razão Social ITEP ? Associação Instituto de Tecnologia de Pernambuco 
CNPJ 05.774.391/0001-15 
Endereço Av. Professor Luiz Freire, 700 ? Cidade Universitária ? Recife/PE 
Responsável Frederico Cavalcanti Montenegro 
Telefone (81) 3183-4399 
E-mail fcm@itep.br 
 
7
Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 
1.4.Identificação da equipe multidisciplinar responsável pelo EIA/RIMA
Nome Função Registro Profissional CTF IBAMA 
Engº. Cartógrafo 
Ivan Dornelas Falcone de 
Melo 
Coordenador Técnico 
CREA 
PE 32724/D 
643879 
Engª Civil Ana Paula B. L. Ferreira 
Analista do Projeto Básico 
CREA PE 28680/D 
5313522 
Engª Civil Maria do Carmo Martins 
Sobral
 
Coordenação Técnica de 
Estudos Ambientais
 
CREA
 PE 2569/D
 
572
 
Bióloga
 Wbaneide Martins de 
Andrade
 
Supervisão Geral de 
Estudos Ambientais
 
CRBio
 27620/5D
 
288034
 
Geógrafo
 Paulo Alves Silva Filho
 
Supervisão Meio Físico
 
CREA
 PE 47006/D
 
5287479
 Biólogo
 Marcondes Albuquerque de Oliveira
 
Supervisão Meio Biótico
 
CRBio
 27377/5D
 
245968
 Arquiteta e Urbanista
 
Lúcia de Fátima Soares 
Escorel
 
Supervisão Meio 
Sócioeconômico
 
CREA
 
PE 8843/D
 
1883652
 Engª Civil
 
Alessandra Maciel de 
Lima Barros
 
CREA 
 
PE 34277/D
 
 
5076580
 Biólogo
 
Gustavo Lira de Melo
 
__
 
5022743
 
Engª Agrônoma
 
Renata M. Caminha M. 
de Oliveira Carvalho
 
CREA
 
PE 19309/D
 
5365825
 Engª Química
 
Rita de Cassia Barreto 
Figueiredo
 
Apoio à Coordenação 
Técnica de Estudos 
Ambientais
 CRQ
 
PE 1301601
 
 
318032
 
Meio Físico
 
Geógrafa
 
Ana Mônica Correia
 
*
 
4287864
 
Meteorologista
 
Romilson Ferreira da 
Silva
 
CREA
 
RN 160870332-2
 
5348037
 
Meteorologista
 
Wanderson dos 
Santos Sousa
 
CREA
 
RN 160886919-9
 
 
5348018
 
Meteorologista
 
Weronica Meira de 
Souza
 
Clima e Condições 
Meteorológicas
 CREA
 
PE 35374
 
5278907
 
Geógrafo
 
Paulo Alves Silva Filho
 
Geomorfologia/ 
Pedologia
 
CREA
 
PE 47006/D
 
 5287479
 
Engª Civil
 
Maria das Vitórias 
do Nascimento
 
 
Geotecnia 
 
 
 
 
 
CREA
 
RN 160537447-4
 
5371594
 
 
8
Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 
Engª Civil 
Simone Karine Silva 
da Paixão 
 CREA RN 180107987-0 5371641 
Engª Civil 
Simone Rosa da Silva 
Recursos Hídricos 
Superficiais 
CREA 
RS 69372/D 5267121 
Geóloga 
Rizelda Regadas de 
Carvalho 
Geologia e Recursos 
Hídricos 
Subterrâneos 
CREA 
PE 38410/D 2527871 
Engª Civil 
Alessandra Maciel 
de Lima Barros 
CREA 
PE 34277/D 5076580 
Engª Química 
Magdala Braga de 
Farias 
Qualidade da Água 
CRQ 
1301599 5383928 
Engº Químico 
Aguinaldo de 
Queiroz Batista 
Qualidade do Ar 
Ruídos 
CRQ 
1300698 266370 
Meio Biótico 
Bióloga 
Elba Maria Nogueira 
Ferraz 
CRBio 
11075/5D 288133 
Bióloga 
Elcida de Lima 
Araújo 
CRBio 
3684/5D 288090 
Biólogo 
Marcondes 
Albuquerque de 
Oliveira 
CRBio 
27377/5D 245968 
Bióloga 
Wbaneide Martins 
de Andrade 
Flora e Vegetação 
Terrestre 
CRBio 
27620/5D 288034 
Biólogo 
Antônio Paulo da 
Silva Junior 
Mastofauna Terrestre CRBio 46786/5D 1721014 
Biólogo 
Rafael Sales 
Bandeira 
Mastofauna Alada CRBio 77436/5D 1952428 
Biólogo 
Geraldo Jorge 
Barbosa de Moura 
Herpetofauna CRBio 46786/5D 
467810 
Biólogo 
Artur Galileu de 
 Miranda Coelho 
Avifauna 
CRBio 
 2774/5D 
42263 
Biólogo 
Alfredo Matos 
Moura Júnior 
Vegetação Aquática 
CRBio 
 27115/5D 
897964 
 
Nome Função Registro Profissional CTF IBAMA 
 
Geotecnia 
9
Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 
 
 
 
 
 
Nome Função Registro Profissional CTF IBAMA
Bióloga 
Karine Matos 
Magalhães 
 CRBio 27116/5D 878482 
Bióloga 
Maristela Casé Costa 
Cunha 
Fitoplâncton 
CRBio 27488/5D 
297073 
Bióloga Cristiane Maria 
Varela de Araújo de 
Castro 
Zooplâncton / 
Macroinvertebrados 
bentônicos 
 CRBio 67486/5D 
3054785 
Engº de Pesca George Nilson 
Mendes
 
Ictiofauna
 
CREA
 PE 40448/5D
 
2423512
 
Engº Florestal 
 Kléber Costa de Lima
 
CREA
 PE 39510/D
 
5209518
 
Engº Florestal 
 João Paulo Ferreira 
da Silva
 
Inventário Florestal e 
Projeto de 
Compensação/reposição 
Ambiental
 
CREA
 PE 39099/D
 
1510189
 
Meio Sócioeconômico
 Economista
 Osmil Torres Galindo 
Filho
 
CORECON
 1821/PE
 
2215977
 
Economista
 Luís Henrique Romani Campos
 
CORECON
 4731/PE
 
5264846
 
Geógrafo
 José Geraldo Pimentel Neto
 
Socioeconomia
 
CREA
 
PE 44794/D
 
5372973
 Geógrafa
 
Edvânia Torres 
Aguiar Gomes
 
CREA
 
PE 46723/D
 
1630397
 Arquiteta e Urbanista
 
Lúcia de Fátima 
SoaresEscorel
 
CREA
 
PE 8843/D
 
1883652
 Engª Cartógrafa
 
Marcia Cristina de 
Souza Matos 
Carneiro
 
 CREA
 
PE 41176/D
 
336306
 Geógrafa
 
Mariana Zerbone 
Alves Albuquerque
 
CREA
 
PE 46750/D
 
5361152
 Geógrafo
 
Michel Saturtino 
Barboza
Uso e Ocupação do Solo
 
CREA
 
PE 47019/D 5329397
 HistoriadorGeorge F. C. de 
Souza
Arqueologia e Patrimônio 
Histórico e Cultural * 2052655
Vegetação Aquática
10
Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 
 
 
 
 
Nome Função Registro Profissional CTF IBAMA
Arqueólogo 
Marcos Antônio 
G. Matos de 
Albuquerque 
SAB 
12 516200 
Arqueóloga 
Maria Eleônora da 
Gama Guerra Curado 
SAB 283 
2116167 
Arqueóloga Veleda Christina 
Lucena de 
Albuquerque
 
 
SAB 237
 
516194
 
Legislação
 Advogado
 Talden Queiroz Farias
 
OAB/PB 
 10.635 
 
329532
 Advogado
 Luiz Carlos Ernesto
 de Barros
 
Análise Jurídica/ 
Compensação Ambiental 
/Passivo Ambiental
 
OAB/PB 
 10.938
 
5391300
 Cartografia
 Geógrafa
 
Ana Mônica Correia
 
*
 
4287864
 Engª Cartógrafa
 
Ana Carolina Schuler 
Correia
 
CREA
 
PE 33740/D
 
775184
 Engº Cartógrafo
 
Aramis Leite Lima
 
CREA
 
PE 30760/D
 
5266700
 Geógrafo
 
Felipe José Alves de 
Albuquerque
 
CREA
 
PE 44803/D
 
5347746
 Engº Cartógrafo
 
Flávio Porfírio Alves
 
Cartografia
 
CREA
 
PE 33392/D
 
5347904
 
Tecnólogo em 
Geoprocessamento
 
Daniel Quintino Silva
 
__
 
5347907
 
Tecnólogo em 
Geoprocessamento
 
Diego Quintino Silva
 
 
 
 
Tecnologia da 
Geoinformação 
 
CREA
 
PRO 332510
 
5351237
 
Equipe de Apoio ? Coleta de Dados
 
Arqueóloga
Milena Duarte de 
Oliveira Souza
SAB
539 2119448
Arqueóloga
Rubia Nogueira de 
Andrade
Arqueóloga
SAB
537 2115655
Assistente Social
Cândida Maria Jucá 
Gonçalves
Mobilização e 
Articulação Social
CRESS
3330 5266803
Arqueologia e Patrimônio 
Histórico e Cultural
 
 
 
 
11
Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 
Nome Função Registro Profissional CTF IBAMA
Geólogo 
Glauber Matias de 
Souza 
CREA PE 4508/D 
5266714 
Geólogo Otávio Leite Chaves
 
Mapeamento 
Geológico CREA PE 45081/D
 
5267005
 Biólogo
 Josinaldo Alves da 
Silva
 
Vegetação Terrestre
 
CRBio
 77332/5D
 
4927740
 
Bióloga
 Cacilda
 
Michele 
Cardoso Rocha
 
Vegetação Aquática
 
CRBio
 77874/5P
 
5076234
 Bióloga
 
Ariane Silva Cardoso
 
Fitoplâncton
 
__
 
__
 Engª de Pesca
 
Aurelyanna Christine 
Bezerra Ribeiro
 
Zooplâncton 
 
CREA
 
PE 41391/D
 
1007341
 Engº de Pesca
 
Ericarlos Neiva Lima
 
CREA/BA
 
2011069486
 
5314146
 
Engª de Pesca
 
Jana Ribeiro de 
Santana
 
Ictiofauna
 
CREA/BA
 
2011071993
 
5314142
 
Biólogo
 
Anthony Epifânio 
Alves
 
Ictiofauna/Macroinverteb
rados Bentônicos
 
CRBio
 
85023/5D
 
5077376
 
Biólogo
 
Felipe Francisco 
Gomes 
 
da Silva
 
Mastofauna Terrestre
 
__
 
5360857
 
Biólogo
 
André Filipe Costa de 
Oliveira
 
__
 
__
 
Biólogo
 
Fábio Angelo Melo 
Soares
 
CRBio 
 
67069/5D
 
2723324
 
Bióloga
 
Roberta Pereira
 
Mastofauna Alada
 
__
 
__
 
Bióloga
 
Carina Carneiro de 
Melo Moura 
 
__
 
__
 
Biólogo
 
Elizardo Batista F. 
Lisboa
 
 
__
 
__
 
Biólogo
 
Leonardo da Silva 
Chaves
 
__
 
__
 
Biólogo
Mariana Miranda 
d ?Assunção
Herpetofauna
 
__ __
 
Biólogo
 
Damião Valdenor de 
Oliveira
 
__
 
__
 
Biólogo
 
Tonny Marques de 
Oliveira Junior
 
Avifauna
 
__
 
__
 
Bióloga
 
Tatiana de Oliveira 
Calado
Engenharia Ambiental CRBio
 
77128/5D 3860865
*Não tem a profissão regulamentada e, portanto, sem órgão de classe.
12
Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 
2. ONDE SE LOCALIZA O EMPREENDIMENTO
A Barragem Igarapeba será implantada na bacia hidrográfica do rio Una, no rio Pirangi. 
A bacia do rio Una é considerada uma das mais importantes do estado de Pernambuco, 
cobre uma superfície de 6.295,77 km², onde estão inseridas as áreas totais ou parciais de 
42 municípios. Limita-se ao norte, com as bacias dos rios Ipojuca e Sirinhaém, e o grupo de 
bacias de pequenos rios litorâneos 4; ao sul, com a bacia do rio Mundaú, o Estado de 
Alagoas, o grupo de bacias de pequenos rios litorâneos 5 e o grupo de bacias de pequenos 
rios interiores 1; a leste, com o Oceano Atlântico, a bacia do rio Sirinhaém e, a oeste, com 
as bacias dos rios Ipojuca e Ipanema (Figura 1).
Figura 1: Bacia hidrográfica do rio Una
Fonte: UGPBarragens, 2011
13
Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 
Figura 2: Localização do município de São Benedito do Sul
Fonte: UGPBarragens, 2011
O Município de São Benedito do Sul está localizado na mesorregião da Mata Sul e 
microrregião da Mata Meridional do Estado de Pernambuco, ocupa uma área total de 
160,476 Km², com uma população de 13.941 habitantes (IBGE, 2010), e densidade 
demográfica de 86,87 hab/Km². O município fica a aproximadamente 172,50 Km da 
capital pernambucana, Recife, e o acesso é efetuado pelas rodovias BR-101 e PE-126 
(Figura 2).
3. DESCRIÇÃO DO EMPREENDIMENTO
A barragem Igarapeba foi dimensionada para acumular 69,6 milhões de m³, além disso, 
regularizará uma vazão de 1,97 m³/s, para usos múltiplos. Compõe o sistema de Controle 
de Cheias na região da Mata Sul Pernambucana, particularmente na Bacia do rio Pirangi. A 
barragem Igarapeba será constituída pelos seguintes elementos principais:
Maciço: Compreende o paredão da barragem, será construído em Concreto 
Compactado com Rolo (CCR), terá comprimento máximo de 352,54m, altura máxima de 
51 m e coroamento na cota 346m;
14
Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 
Sangradouro: Compreende a parte do maciço da barragem, por onde escoa o excesso 
de água acumulada. Será composto por um vertedor estrangulado, de largura de 3 m, na 
cota 330 m; um vertedor ampliado, de largura de 200 m, com coroamento na cota 342 m, 
dimensionado para atender a cheia de projeto com tempo de recorrência de 1.000 anos, 
que é Q1000=1.696,77 m³, com lâmina de 2,56 m;
Tomada d´Água: Estrutura destinada a captação de água da barragem, para usos como: 
consumo humano, indústria e irrigação. A vazão a ser regularizada é de Qreg=1,97 m³/s. 
Galeria de Descarga Livre: Abertura no maciço da barragem, destinado ao escoamento 
de água. Será construída em concreto, na cota 330,0 m, com dupla seção quadrada de 
dimensões internas de 4,5x 3,0m cada, permitindo a passagem de uma vazão de controle 
de cheias de Q100= 250 m3/s. 
Obras complementares:
- Canteiro de serviço e acampamento dos colaboradores; e
- Obras de desvio do rio.
ÁREAS
Com a construção do barramento no rio Pirangi, uma área de 2,8 Km² deverá ser 
inundada, para cota de cheia de 1.000 anos, neste caso o volume acumulado será de 69 
milhões m³. Para a área de proteção permanente ጀ APP, os limites deverão estar afastados 
100 m, no mínimo da bacia hidrográfica referente à cota máxima de acumulação, sendo a 
área de APP igual 2,01 Km². 
ESTIMATIVA DE CUSTOS E PRAZO DE EXECUÇÃO
A estimativa de custos para implantaçãodo empreendimento é de R$ R$ 
59.749.957,04, com prazo de execução programado para 22 meses, e início das obras 
previsto para janeiro de 2012.
15
Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 
PARTE II ጀ CONHECENDO O MEIO AMBIENTE
4. ÁREAS DE INFLUÊNCIA DO EMPREENDIMENTO
As áreas de influência do empreendimento correspondem aos espaços geográficos 
passíveis de alterações em termos de dinâmica ambiental a partir da projeção de cenários 
relacionados à implantação e operação do mesmo, tratando-se aqui, da Barragem 
Igarapeba. Conforme legislação ambiental vigente e exigências do Termo de Referência 
04/2011 emitido pela CPRH (Agência Estadual de Meio Ambiente de Pernambuco), em 28 
de março de 2011, serão abordados e justificados de forma distinta, os meios físico, 
biótico e antrópico. As áreas de influência do empreendimento serão estabelecidas 
segundo os seguintes níveis hierárquicos (CPRH, 2010, p. 12):
Figura 3: Área de influência do empreendimento
 l Área de Influência Indireta (AII): aquela onde os impactos provenientes da 
implantação e operação do empreendimento se fazem sentir de maneira indireta e com 
menor intensidade em relação à área de influência direta. A AII deverá ser no mínimo o 
médio e baixo curso da Bacia Hidrográfica do Rio Una. 
 l Área de Influência Direta (AID): aquela sujeita aos impactos diretos provenientes 
da implantação e operação do empreendimento. A AID deverá ser no mínimo as áreas de 
entorno dos reservatórios somadas às dos núcleos urbanos à jusante das referidas 
barragens, que estejam sob influência dos cursos d'águas afetados pelo 
empreendimento. Preferencialmente a AID deverá ser contínua.
16
Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 
l Área Diretamente Afetada (ADA): aquela onde ocorrem as intervenções 
relacionadas ao empreendimento, incluindo áreas de apoio como canteiros de obra, 
acessos, áreas de empréstimo e bota-fora, etc., além das áreas de proteção permanente 
(APP) das barragens.
Mapas (AII, AID e ADA)
A seguir tem-se os mapas sínteses para os meios físico, biótico e antrópico:
Figura 4: Área de influência do Meio Físico (AII, AID e ADA)
Fonte: UGPBarragens, 2011
17
Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 
Figura 5: Área de influência do Meio Biótico (AII, AID e ADA)
Figura 6: Área de influência indireta (AII) 
e diretamente afetada (ADA) para o Meio Antrópico
Fonte: UGPBarragens, 2011
Fonte: UGPBarragens, 2011
18
Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 
Figura 7: Área de influência direta (AID) e diretamente afetada 
(ADA) para o Meio Antrópico
Figura 8: Mapa da área diretamente afetada (ADA)
Fonte: UGPBarragens, 2011
Fonte: UGPBarragens, 2011
19
 
Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 
5. COMO ESSAS ÁREAS SE ENCONTRAM ATUALMENTE?
As áreas foram analisadas para compor um Diagnóstico Ambiental, enfocando os 
seguintes aspectos, de acordo com o meio estudado, cujos aspectos mais relevantes 
serão detalhados ao longo do documento.
5.1 MEIO FÍSICO
a) Geologia
A área estudada encontra-se inserida no rio Pirangi que é um dos principais tributários 
pela margem direita do rio Una, estendendo-se desde a região do Agreste até o litoral do 
Estado, desaguando no Oceano Atlântico próximo a Barreiros. Geologicamente, 
compreende os terrenos pré-cambrianos do Domínio Pernambuco-Alagoas, situada ao 
sul do Lineamento Pernambuco. 
O município São Benedito do Sul pertence ao contexto geomorfológico da unidade de 
Superfícies Retrabalhadas, que é caracterizado por vales profundos e acidentados. Sendo 
representado na área pelas rochas metaplutônicas, com cotas em torno de 413 m. Na 
área, o intemperismo é muito acentuado, desenvolvendo um solo bastante espesso. O 
relevo é do tipo forte ondulado, com topos planos, vertentes íngremes, e em alguns 
pontos, o rio Pirangi está encaixado em vales estreitos.
Geologicamente a região da bacia do rio Pirangi nas áreas de influências direta (AID) e 
diretamente afetada (ADA) do futuro baramento, é representada pela unidade geológica 
intrusiva Suíte Metaplutônica leucocrática peraluminosa, e por depósitos quaternários 
representados pelos aluviões (depósitos fluviais) ou elúvio-coluvionares, constituídos por 
sedimentos terrígenos ( areias, argilas e detritos rochosos). 
As rochas metaplutônicas denominadas também como Suíte Serrote dos Macacos, 
entra em contato geológico a este do futuro eixo barrável, nas proximidades de Igarapeba, 
com as rochas do Complexo Cabrobó. Se apresentam como um leucogranitóide, 
monzogranitos, sienogranitos equigranulares de granulação média. Mineralogicamente 
são constituídos por duas micas (muscovita e biotita), quartzo, feldspato alcalino e 
plagioclásio, contendo também granada e cordierita. 
No município de São Benedito do Sul só existem dois processos minerários que 
envolvem as seguintes substâncias: água mineral e níquel. O processo de água mineral, 
20
Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 
situado ao norte da área de influência direta (AID) é destinado para engarrafamento e 
está na fase de requerimento de lavra. 
A substância de minério de níquel está na fase de disponibilidade, e envolve os 
municípios de São Benedito do Sul, especificamente em Igarapeba, parte dos municípios 
de Maraial e Jaqueira. Uma parte da área requerida está situada na área diretamente 
afetada (ADA), próximo ao futuro eixo barrável.
As rochas que representam toda área de influência direta (AID) do futuro barramento 
apresenta dobramentos e fraturamentos comumente fechados, sem evidências de 
deformação tectônica de alto grau. Caracterizam-se por serem compactas, impermeáveis 
e resistentes aos processos erosivos. Analisando o contexto geológico estrutural de 
superfície, o local é viável para construção da obra. 
Figura 9 - Metagranito bandado. 
Fonte: Otávio Leite 26/09/2011
Figura 10 - Metagranito apresentando 
boudin (provável anfibolito). 
Fonte: Otávio Leite 26/09/2011.
Figura 11 - Granito leucocrático 
equigranular. Representante característico 
da fácies intrusiva.
Fonte: Glauber Matias 13/10/2011
Figura 12 - Biotita gnaisse dobrado com 
fácies migmatizada e dobrada. 
Fonte: Glauber Matias 13/10/2011.
21
Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 
b) Recursos hídricos subterrâneos 
Do ponto de vista hidrogeológico existem dois tipos de aquífero que são: o tipo fissural 
representado por rochas cristalinas e o denominado aquífero poroso ou intersticial que 
representa as rochas sedimentares e sedimentos recentes. 
No município, o aquífero poroso, livre, é representado pelos sedimentos recentes, que 
são os depósitos fluviais (aluviões), e pelos sedimentos intemperizados, provenientes da 
decomposição das rochas. Os aluviões distribuem-se de forma restrita nas áreas 
percorridas, com exposições limitadas nas margens do rio Pirangi. Pela constatação 
visual, são aquíferos rasos, em detrimento das exposições frequentes das rochas 
cristalinas no seu entorno.
O principal tributário da bacia do rio Una no município é o rio Pirangi, que possui um 
regime de escoamento perene, e o padrão de drenagem é o dendrítico. O aquífero fissural 
bem como as coberturas Cenozóicas (aluviões) e solos residuais, apresentam forte inter-
relações com esses corpos de águas superficiais, ora recarregando-os, ora sendo por eles 
abastecidos. 
Adquiriu-se a informação de 34 poços cadastrados no município, dos quais 28 são de 
propriedade privada e 06 de domínio público. A captação desses poços é em sua maioria 
de fontes naturais (29 poços), seguido de tubulares (04 poços) e por fim, só 01 poço 
escavado (cacimba /cisterna). 
O único parâmetro que se obteve para análise da qualidade da água subterrânea na 
região foi o ResíduoSeco (Sólidos totais dissolvidos). Os resultados obtidos para os dois 
casos (poroso e fissural) demonstram uma água de excelente qualidade e indicada para o 
consumo humano com média de 153,68 mg /l para o fissural, e 73,37 mg /l para o aquífero 
poroso. No caso em questão, o resultado das águas com resultado de boa qualidade, pode 
ser atribuído ao fato que a região está inserida na Zona da Mata Sul, onde a precipitação 
pluviométrica média anual é muito superior do que no Sertão, e a recarga provém do 
pacote do regolito intemperizado que é espesso na região. 
c) Recursos hídricos superficiais
O regime sazonal das vazões no rio Una indica a ocorrência de um período úmido, 
compreendido entre abril a agosto, sendo, em geral os meses de junho e julho quando 
ocorrem os maiores deflúvios. O período de estiagem vai de outubro a março. 
O posto fluviométrico situado mais próximo da futura barragem Igarapeba é o posto 
Catende, na cidade de Catende, cerca de 30km à jusante da futura barragem e com uma 
série não muito extensa de dados observados (1999-2008). O regime sazonal das vazões 
observadas no rio Una, no período 1999-2008, no posto Catende indica a ocorrência de 
vazões máximas no período de junho a agosto. 
A cheia de 2010 provocou prejuízos graves à população e infra-estrutura urbana, tal 
como destruição de pontes, casas, da linha férrea e uma PCH no rio Pirangi. A Figura 13 
mostra as casas destruídas com marcas da cheia de 2010, em Catende.
22
Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 
Figura 13 
 ጀ Casas destruídas com
 marcas da cheia de 2010, 
em Catende.
Fonte: Simone Rosa da Silva, 
26/10/2011.
As quatro barragens existentes na AID da Barragem Igarapeba situam-se relativamente 
distantes da futura barragem Igarapeba, sendo apenas a Barragem Pau Ferro situada no 
rio Pirangi, e não terá influência direta sobre a mesma. 
A bacia do rio Una apresenta uma diversidade de usos da água, destacando-se a 
irrigação e o abastecimento público. O uso da água para a irrigação na bacia do Una pode 
ser dividido em: irrigação de cana-de açúcar e irrigação das demais culturas (Figura 14). As 
pequenas captações são feitas, geralmente, a partir de rios e riachos perenes ou de 
pequenos açudes, todas elas de natureza privada, em geral de fruteiras e culturas 
diversas. A irrigação de cana-de-açúcar ocorre em extensas áreas da bacia nos períodos 
de estiagem e, em geral, são realizadas captações de volumes significativos, diretamente 
no rio Pirangi ou afluentes.
Na AID da Barragem Igarapeba, verifica-se que o principal uso das águas superficiais é 
para o abastecimento público e para a agropecuária, tanto para dessedentação de 
animais quanto para irrigação de cultivos. A Figura 15 mostra a dessedentação de animais 
em São Benedito do Sul. A partir dos levantamentos realizados em campo e consulta aos 
usuários, não foram identificados conflitos pelo uso da água na AID. 
Figura 14 
 ጀIrrigação de cana-de-açúcar 
pela Usina Frei Caneca 
no município de Jaqueira.
Fonte: Simone Rosa da Silva, 26/10/2011.
23
Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 
Figura 15 - Dessedentação 
animal no município de 
São Benedito do Sul.
Fonte: Simone Rosa da Silva, 
26/10/2011.
Foram identificados 11 mananciais de abastecimento público na AID nos quais são 
realizadas captações de água para abastecer diversos municípios. Destaca-se, ainda, o uso 
da água para lazer e turismo, principalmente no município de São Benedito do Sul, que 
possui várias cachoeiras que representam atrativos à população. A Figura 16 apresenta 
captação da Compesa em São Benedito do Sul. 
Também são comuns pequenas captações de água para abastecimento humano e 
animal e consumo em plantas industriais, além do uso pela população local para 
atividades domésticas, tais como: lavagem de roupas, louças e recreação e pesca, que 
ocorrem em diversos locais da bacia. A Figura 17 mostra utilização do rio Pirangi para lazer 
da população ribeirinha, em Catende. 
Figura 16 - Captação da 
COMPESA no Riacho 
Água Fria, em São 
Benedito do Sul
Fonte: Simone Rosa da Silva, 
26/10/2011.
24
Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 
Figura 17 ጀ Lazer da 
população ribeirinha no 
rio Pirangi, em Catende.
Fonte: Simone Rosa da Silva, 
26/10/2011.
Figura 18 - Captação de 
água da Usina Catende, 
no rio Pirangi.
Fonte: Simone Rosa da Silva, 
26/10/2011.
De acordo com as informações da APAC, existem atualmente 39 outorgas vigentes na 
AID da futura Barragem Igarapeba. O maior número de outorgas é destinado ao 
abastecimento público, sendo que não há nenhuma captação de água outorgada no rio 
Pirangi. Destaca-se entre os usuários outorgados a agroindústria, com captações 
outorgadas tanto para o abastecimento industrial, quanto para a irrigação de cana-de-
açúcar, especialmente nos municípios de Jaqueira, Maraial e Catende. A Figura 18 mostra 
a captação de água da Usina Catende no rio Pirangi, na sede do município de Catende. 
AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DA ÁGUA
Para realização da avaliação da qualidade da água foram selecionados nove pontos de 
amostragem, sendo 4 localizados na AID (Jusante de Igarapeba; Jusante do Município de 
Jaqueira; Jusante do Município de Catende e Jusante de Pirangi) e 5 localizados na ADA 
Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 
25
(ADA I do Reservatório; ADA II do Reservatório; ADA III do Reservatório; Eixo do 
Barramento e 500m à Jusante do Barramento). As amostras para avaliação dos 
parâmetros físicos, químicos, biológicos, além de metais e pesticidas foram coletadas pela 
Associação Instituto de Tecnologia de Pernambuco (ITEP). 
O rio Pirangi, ao longo de seu curso, recebe diretamente os esgotos domésticos das 
sedes municipais das cidades que atravessa, quais sejam: Quipapá, São Benedito do Sul, 
Maraial, Jaqueira e Catende. As Figuras 19 e 20 apresentam o lançamento de esgotos 
doméstico no município de Maraial e Distrito de Igarapeba, respectivamente. Ressalta-se 
a necessidade de garantir uma vazão mínima a jusante da barragem de Igarapeba para 
assegurar a qualidade da água necessária à manutenção do ecossistema aquático.
Figura 19 ጀ 
Lançamento de 
esgoto doméstico, 
em Maraial
Figura 20 ጀ 
Lançamento de 
esgoto doméstico, 
Distrito de 
Igarapeba
Em relação às fontes de poluição difusa, destaca-se o escoamento superficial de áreas 
agrícolas, representadas pelas áreas de cultivo da cana-de açúcar, diretamente nas 
margens do rio Pirangi. Durante eventos de precipitação, o excesso de nutrientes e 
Fonte: Alessandra Maciel, 26/10/2011.
Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 
26
poluentes presentes na superfície do solo são carreados para os corpos d'água, 
contribuindo para a sua degradação (Figura 21). 
Figura 21 ጀ Cultivo da cana-de-açúcar nas margens do rio Pirangi, em Jaqueira
Fonte: Alessandra Maciel, 26/10/2011.
Fonte: Alessandra Maciel, 26/10/2011.O lançamento de lixo nas margens do 
rio Pirangi e efluentes dos matadouros 
também são fontes de poluição difusa 
que necessitam de um tratamento 
adequado. A Figura 22 apresenta o 
lançamento de lixo nas margens do rio 
Pirangi, no Distrito de Igarapeba e a Figura 
23 uma Lagoa de destinação dos dejetos 
animais do abatedouro municipal de 
Catende.
A qualidade da água do rio Pirangi 
apresenta-se bastante comprometida 
não atendendo aos limites estabelecidos 
pela Resolução Conama nº 357/2005 para 
Classe 2. O elevado número de Coliformes 
Termotolerantes observado em todos os 
pontos de coleta evidencia a poluição do 
rio Pirangi por esgotos domésticos não 
tratados, sendo esta a principal fonte de 
poluição pontual na AID/ADA do 
empreendimento. Em relação às fontes 
de poluição difusa, destacam-se o 
lançamento de lixo pela população,bem 
como os poluentes advindos da 
agricultura que têm sua origem da 
aplicação de fertilizantes e pesticidas. 
Figura 22 ጀ Lançamento de lixo nas margens 
do rio Pirangi, no Distrito de Igarapeba
Figura 23 ጀ Lagoa de destinação dos dejetos 
animais do abatedouro municipal de Catende
Fonte: Alessandra Maciel, 26/10/2011.
Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 
27
CLIMA E CONDIÇÕES METEOROLÓGICAS
Na bacia hidrográfica do Una diagnosticou-se grande irregularidade na precipitação 
anual com valores climatológicos de precipitação total anual oscilando, em média, entre 
800 mm no setor oeste da bacia até 2200 mm no setor leste (Figura 24). 
Figura 24. Climatologia anual da precipitação na bacia hidrográfica do rio Una.
Os quatro meses mais chuvosos correspondem ao período de abril a julho, com o mês 
de julho o mais chuvoso com precipitação máxima de aproximada de 160 mm, enquanto o 
período de outubro a dezembro o mais seco. O mês de novembro é considerado o mais 
seco climatologicamente, com o menor valor histórico registrado em torno de 25 mm.
O mês de março pode ser considerado o mês de transição do período seco para o 
chuvoso. Durante o mês de abril as chuvas começam a ocorrer com mais frequência e 
intensidade, principalmente no setor oeste da bacia. O principal sistema meteorológico 
responsável pela precipitação são as Ondas de Leste.
Fonte: APAC/ITEP-OS/UMRHidromet.
Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 
28
GEOMORFOLOGIA
O relevo e sua relação com os desastres naturais
Ao observar-se a compartimentação do relevo na Bacia Hidrográfica do Rio Una e sua 
relação com as formas predominantes, verifica-se a existência de vales rasos, associados 
aos processos de desertificação, colinas amplas e médias que apresentam perigos 
relacionados a movimentos de massa, colinas estreitas que apresentam perigos ligados à 
erosão linear, além de planícies costeiras e terraços fluviais, nas quais apresentam-se as 
cidades, dados os fatores facilitadores e atrativos para ocupação, a exemplo de áreas 
relativamente planas. 
É importante lembrar que as áreas afetadas pelas intensas chuvas dos últimos anos 
estão associadas às planícies costeiras e terraços fluviais. Em ambos os casos, os 
processos de ocupação desordenada do solo atrelada a uma maior ocorrência de chuvas, 
já que se trata de áreas mais úmidas em termos de regime climático, acabam por propiciar 
inundações e deslizamentos com grandes perdas materiais e imateriais. 
 
Fonte: Paulo Alves Silva Filho (UGP-Barragens/ITEP), 
Figura 25. Terraço Fluvial do Rio Pirangi na cidade baixa de São Benedito do Sul (a). Casas 
afetadas por inundações (b).
Fonte: Paulo Alves Silva Filho (UGP-Barragens/ITEP), 
Figura 26. Evidências de Movimento de Massa na cidade baixa de São Benedito do Sul. 
Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 
29
A construção da Barragem Igarapeba pode gerar alguns impactos no que toca 
principalmente à diminuição de nutrientes das águas a jusante da barragem e processos 
de erosão, porém totalmente reversíveis a partir de programas de monitoramento. 
A análise das informações básicas do relevo aponta para a viabilidade do 
empreendimento nessa área sem gerar grandes transtornos para população, além de 
representar uma operação rápida e eficiente diante do cenário catastrófico vivenciado 
por grande parte da população local.
PEDOLOGIA
Características dos Solos
O município de São Benedito do Sul é caracterizado por apresentar a presença de 
Argissolos e Latossolos , além da ocorrência de forma significativa de Gleissolos e 
Neossolos, resultando de uma relação direta com propriedades litoestruturais, formas 
básicas do relevo, clima e declividade.
Os Argissolos apresentam-se pouco a medianamente profundos e bem drenados e 
estão associados às vertentes íngremes; os Latossolos são profundos e bem drenados e 
ocorrem nos topos convexos com formas planas e / ou suavemente aguçadas; os 
Gleissolos estão relacionados às áreas de terraço fluvial e fundos de vales estreitos, semi-
fechados ou fechados; os Neossolos são pouco evoluídos, rasos e com presença de 
textura argilosa.
Figura 27. Na seqüência tem-se os perfis do Argissolo Vermelho-Amarelo, Argissolo 
Amarelo Latossolo
Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 
30
Figura 28. Na sequência têm-se os perfis do Gleissolo e a ocorrência do Neossolo Flúvico
O entendimento empírico da disposição dos solos na área do empreendimento revela 
que os Argissolos, Gleissolos, Latossolos e Neossolos apresentam baixa fragilidade no 
sentido de processos erosivos. Por outro lado, considerando os usos da terra a partir de 
trabalhos de campo, projeta-se um cenário em longo prazo de relativa instabilidade e 
erodibilidade, dada as perdas de solo por meio da extração de areia, do cultivo da cana-
de-açúcar e banana, além da presença constante de ovinos e eqüinos. 
Os elevados níveis de ação antrópica na área apontam riscos de erosão, deslizamentos 
e assoreamento do Rio Pirangi. Diante desse quadro, os impactos que podem ser 
projetados para a área com a presença da Barragem Igarapeba são totalmente reversíveis, 
uma vez que seu comportamento ambiental encontra-se totalmente alterado. 
QUALIDADE DO AR E RUÍDOS
Não há evidencias de empresas, licenciadas e instaladas em operação na Área 
Diretamente Afetada ጀ ADA do empreendimento da Barragem Igarapeba, no Rio Pirangi. 
As usinas de açúcar, as quais são consideradas como de alto potencial de poluição estão 
localizadas na Área de Influência Direta (AID), situadas da seguinte forma: Destilaria São 
Luiz , instalada no município de Maraial, 10 Km a leste da barragem; Usina Frei Caneca, 
instalada no município de Jaqueira, 11Km na direção sudeste da barragem; e Usina 
Catende, instalada no município de Catende, 23 Km a nordeste da barragem. Desse modo 
a qualidade do ar na Área Diretamente Afetada ጀ ADA não sofre impactos significativos 
nas suas características de qualidade do ar de zona rural, e também não sofrerá os efeitos 
sinergéticos das emissões geradas pela movimentação das máquinas e equipamentos, 
durante a fase de implantação do empreendimento. Portanto, conclui-se que, as 
condições existentes na área de construção da barragem são típicas de região não 
poluída, o que caracteriza ar natural como de boa qualidade. 
Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 
31
Em relação aos ruídos, a região onde será construída a Barragem Igarapeba é 
tipicamente rural, margeada por canaviais e estradas carroçáveis locais, apresentando 
tráfico leve de veículos, exceto, durante a safra da cana-de-açúcar, quando a 
movimentação de caminhões de transporte de cana é intensa, contribuindo para 
alteração do nível de ruído de fundo, acima de 40 dBA.
Figura 30.
Transporte da 
cana-de-açúcar, 
em Maraial
Figura 29.
Destilaria 
São Luis, 
município 
de Maraial
Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 
32
MEIO BIÓTICO
FLORA E VEGETAÇÃO
De um modo geral a vegetação terrestre nativa da ADA e AID da Barragem Igarapeba, 
apresenta-se bastante descaracterizada e sem expressão em relação aos elementos da 
paisagem que ocorriam no passado. Essa mudança da paisagem em relação à cobertura 
vegetal florestal é decorrente de fatores antrópicos voltados a atender diferentes ciclos 
econômicos que foram estabelecidos na região. Assim, a paisagem que era dominada 
por vegetação da floresta atlântica submontana e encontrava-se assentada em faixas 
ciliares, encostas e topos de morros é hoje ocupada por grandes extensões de áreas de 
pastagens, principalmente com capins (gramíneas) para alimentação de animais 
bovinos e eqüinos, acompanhada de outras matrizes, como a canavieira e a de cultivos 
diversos (Figuras 31 e 32).
FIGURA31. Vista da paisagem, evidenciando o relevo e a 
co b e r t u ra ve geta l d e s co nt í n u a . C o o rd e n a d a s : 
0181452/9025618. Barragem Igarapeba, PE. 
Fonte: Marcondes Oliveira. Data: 16.10.2011
FIGURA 32. Vista da mancha de vegetação de encosta, em segundo 
plano, e em primeiro plano visualiza-se área aberta com matriz de 
capim, próxima às coordenadas: 0181381/9025464. Barragem 
Igarapeba, PE. Fonte: Elcida L. Araújo e Elba M.N. Ferraz. Data: 16.10.2011. 
FIGURA 33. Botão floral de Gustavia augusta. Coordenadas: 
0181381/9025464. Barragem Igarapeba, PE.
Fonte: Marcondes Oliveira. Data: 16.10.2011.
FIGURA 34. Botão floral de Gustavia augusta. Coordenadas: 
0181381/9025464. Barragem Igarapeba, PE.
Fonte: Marcondes Oliveira. Data: 16.10.2011.
Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 
33
FIGURA 35. Espécie de Fabaceae frequente na vegetação da 
Fazenda Novo Horizonte, nas imediações das coordenadas: 
01179157/9025908. Barragem Igarapeba, PE.
Fonte: Marcondes Oliveira. Data: 16.10.2011.
FIGURA 36. Espécie de Fabaceae frequente na 
vegetação da Fazenda Novo Horizonte, nas 
i m e d i a ç õ e s d a s c o o r d e n a d a s : 
01179157/9025908. Barragem Igarapeba, PE.
Fonte: Marcondes Oliveira. Data: 16.10.2011.
A flora da barragem Igarapeba foi representada por 94 famílias distribuídas em 364 
espécies, sendo apenas 24 espécies exóticas. Das 364 espécies, 129 são bem distribuídas 
na floresta atlântica, como por exemplo: Tapirira guianensis (pau pombo), Annona glabra 
(araticum), Xylopia frutescens (pindaíba), Hymenaea courbaril (jatobá), Vismia 
guianensis (lacre), Bowdichia virgillioides (sucupira), Inga edulis (ingá tripla), Ocotea 
glomerata (louro-cagão), etc. 
Em toda a área da barragem foi observada a ocorrência de espécies exóticas, 
sobretudo, espécies de fruteiras de valor alimentício que foram cultivadas pela 
comunidade local, como azeitona (Syzygium jabolanum), bananeira (Musa paradisiaca), 
Cana de açucar (Saccharum officinarum), jaqueira (Artocarpus integrifolia), goiabeira 
(Psidium guajava), etc. Entre essas espécies, a cana-de-açúcar destaca-se na paisagem, 
indicando o predomínio de áreas antrópicas na Barragem. 
As espécies registradas na Barragem de Igarapeba apresentam usos diversificados, 
sendo o uso madeireiro bastante frequente. Na atualidade o corte seletivo da madeira 
para lenha, carvão, estacas, caibros, etc, representa o fator de uso que mais contribui para 
a degradação do que resta da vegetação nativa. Até mesmo porque não existe mais 
grandes áreas florestais na região para sofrer corte raso. O uso alimentício das plantas é 
também elevado, e além das fruteiras exóticas já comentadas, destaca-se o uso das 
fruteiras nativas como os ingás (Inga spp.) e o cajueiro (Anacardium occidentale).
Apesar da importância social da construção da barragem, deve-se registrar que a 
mesma ocasionará impactos biológicos para as espécies vegetais, porque ainda existem 
indivíduos que foram deixados na faixa ciliar e também servem de abrigo para espécies 
epífitas. Entre os impactos é possível citar: perda de biodiversidade, perda de habitat, etc. 
Contudo, tais impactos podem ser mitigados ou controlados através de medidas e 
Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 
34
programas que deverão ser realizados durante o empreendimento, como resgate de 
germoplasma, controle de plantas invasoras, programas de monitoramento da flora, etc.
HERPETOFAUNA
Nas áreas Diretamente Afetada (ADA), de Influência Direta (AID) e de Influência Indireta 
(AII) do empreendimento de São Benedito do Sul encontram-se basicamente quatro 
ambientes próprios para a ocorrência da Herpetofauna, ou seja, representantes do grupo 
dos Anfíbios e ?Répteis ?: i.Ambientes Aquáticos Lóticos com registro de Cágados e Anuros; 
ii.Ambientes Aquáticos Lênticos, que pela ausência de correnteza registra-se primariamente 
larvas (Girinos) de Anuros (sapos, rãs e pererecas) e secundariamente Cágados e Anuros 
Adultos; iii.Ambientes florestados em diferentes status de conservação com ocorrência 
marcante de Anuros de serapilheira, lagartos e serpentes e iiii.áreas urbanas e periurbanas 
com presença de cultivos familiares e pastagem, onde registramos essencialmente espécies 
que se alimentam de resíduos oriundos dessas comunidades e de suas atividades 
agropastoris, a exemplo de lagartos e serpentes. 
A Herpetofauna da Barragem Igarapeba foi representada por 54 espécies constituintes 
da herpetofauna local (37 anfíbios anuros e 16 ?répteis ?), sendo vinte e nove espécies 
registradas na Área Diretamente Afetada (13 spp. anuros e 16 spp. répteis), vinte e seis 
espécies na Área de Influência Direta (13 spp. anuros e 13 spp. répteis) e quarenta e duas 
espécies na Área de Influência Indireta (29 spp. anuros e 13 spp. répteis) (Figuras 3, 4, 5 e 6).
Os Anfíbios Anuros registrados estão distribuídos em quinze gêneros e oito famílias: 
Brachycephalidae (1 spp.), Bufonidae (2 spp.), Hylidae (25 spp.), Leptodactylidae (5 spp.), 
Leiuperidae (1 spp.), Hemiphractidade (2 spp.) e Ranidae (1 sp.). Os ᰀRépteis ᴀ registrados 
estão distribuídos em três grandes grupos, dois Testudines, oito lagartos e seis serpentes. 
No que se refere aos Testudines foram registrados dois gêneros distribuídos em duas 
famílias, Chelidae (1 sp.) e Kinosternidae (1 sp.); em Lacertílias oito gêneros e seis famílias, 
Gekkonidae (1 sp.), Iguanidae (1 sp.), Phyllodactylidae (1 sp.), Teiidae (2 spp.), 
Tropiduridae (2 spp.) e Polychrotidade (1 sp.); em Ophidia seis gêneros e quatro famílias, 
Boidae (2 spp.), Dipsadidae (2 spp.), Elapidae (1 spp.), Viperidae (1 spp). 
Dentre as espécies de Anfíbios e ᰀRépteis ᴀ registradas, a grade maioria possui ampla 
distribuição, ocorrendo em grande parte do Nordeste, em especial na Mata Atlântica, 
áreas de transição entre Mata Atlântica e Caatinga, áreas de Caatinga e áreas urbanizadas.
Dentre as espécies de Anfíbios registradas, nenhuma se encontra classificada segundo 
o IBAMA (2008) e IUCN (2010) como criticamente em perigo (CR), dados deficientes (DD), 
em perigo (EN), presumidamente em perigo (PA) ou vulnerável (VU), embora nove 
espécies (Dendropsophus elegans, Hypsiboas albomarginatus, Hypsiboas atlanticus, 
Hypsiboas raniceps, Hypsiboas semilineatus, Scinax x-signatus, Leptodactylus fuscus, 
Leptodactylus latrans, Leptodactylus vastus) estejam classificadas como pouco 
preocupante na IUCN (2010); estando todas ausentes dos Apêndices I e II da CITES (2011).
No que se refere aos ᰀrépteis ᴀ registrados, destacam-se os lagartos Tupinambis 
merianae e Iguana iguana associados as serpentes Boa constrictor e Epicrates cenchria 
por comporem o Apêndice II da CITES (2011). 
Quanto ao uso pelas comunidades circunvizinhas, destaca-se uma espécie de anfíbio 
anuro (Leptodactulus vastos) e duas de ᰀRépteis ᴀ (Phrynops geoffroanus, Tupinambis 
merianae) que são expressivamente utilizadas como fonte de alimentação e 
consequentemente são alvos de caça, ressaltando a coleta de ovos do cágado Phrynops 
geoffroanus também para consumo humano.
Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 
35
Destaca-se que embora tenhamos registrado uma riqueza expressiva, as populações 
existentes são de ampla distribuição geográfica e abundantes em todo território nacional, 
não representando obstáculo a implementação da obra almejada, desde que seja 
operacionalmente efetuada dentro de critérios que possibilitem a conservação das 
populações circunvizinhas.
No que se refere aos impactos negativos para a herpetofauna é possível reconhecer 
dois grandes núcleos, i. A supressão de vegetação e o ii. Acúmulo da água da barragem, 
pois muitas populações e comunidades terão seus hábitos destruídos ou alterados. Tais 
impactos podem ser mitigados ou controlados através de medidas e programas quedeverão ser realizados durante e após a implantação do empreendimento, como 
transposição da fauna e recursos associados para áreas reconhecidamente com suporte 
biológico e monitoramento constante das espécies, para que possamos constatar se tais 
alterações ocasionaram impossibilidades reprodutivas, ou qualquer outro fator que 
impossibilite a manutenção da estabilidade populacional das espécies constituintes das 
comunidades circunvizinhas.
FIGURA 37. Hypsiboas atlanticus (Caramaschi & 
Velosa,1996). Fotografia: Eloize Nascimento, 2011.
FIGURA 38. Phrynops geoffroanus (Schweigger, 
1812). Fotografia: Geraldo Moura, 2011.
FIGURA 39. Iguana iguana (Linnaeus, 
1758). Fotografia: Geraldo Moura, 2011.
FIGURA 40. Epicrates cenchria (Linnaeus, 1758).
 Fotografia: Barros-Filho, 2011
Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 
36
MASTOFAUNA TERRESTRE
Através das metodologias de captura de pequenos mamíferos (armadilhas tipo 
tomahawk), busca ativa e entrevistas com a comunidade local foram identificados 14 
espécies, pertencentes a 11 famílias e 6 ordens de mamíferos para área da Barragem de 
Igarapeba. Entre os mais abundantes estiveram: raposa (Cerdocyon thous) (Figura 41), 
guaxinim (Procyon cancrivorus) (Figura 42), lontra (Lontra longicaudis) e capivara 
(Hydrochoeris hydrochaeris), que são espécies amplamente distribuídas. A abundância 
local dessas espécies foi abaixo do esperado, o que foi confirmado pela ausência de 
registros indiretos. Uma espécie é ameaçada de extinção (gato do mato ጀ Leopardus 
tigrinus) e uma é endêmica do Nordeste brasileiro: o sagui (Callitrhix jacchus) (Figura 43).
FIGURA 41. Cerdocyon thous. 
Fonte: http://www.canids.org.
FIGURA 42. Procyon cancrivorus. 
Fonte: http://www.canids.org
FIGURA 43. Callitrhix jacchus. 
Fonte:http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:
Callithrix_jacchus_Haus_des_Meeres03.jpg 
FIGURA 44. Metodologia de armadilhas
Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 
37
MASTOFAUNA ALADA
A composição da fauna de morcegos ainda é pouco estudada no Nordeste do Brasil, 
problemática também observada para toda a região da Barragem de Igarapeba. As 
pesquisas científicas já conduzidas em municípios adjacentes inseridos na Bacia do Rio Una, 
listam 26 espécies de morcegos na região, onde sua maioria foi registrada em Jaqueira, na 
Reserva Particular de Patrimônio Natural (RPPN) Frei Caneca (SILVA et al 2010).
Através do uso de três metodologias de coleta de dados primários para mastofauna 
alada, sendo elas as capturas com redes de neblina, busca ativa de abrigos e entrevistas 
com moradores da região foram identificadas 9 espécies de morcegos para as Áreas de 
Influência Direta (AID) e Diretamente Afetada (ADA) da Barragem de Igarapeba, 
distribuídas em duas famílias. As espécies mais abundantes nas capturas foram: Carollia 
perspicillata (frugívoro de sub-bosque), Phyllostomus discolor (onívoro), Dermanura 
cinerea (frugívoro de sub-bosque) e Glossophaga soricina (nectarívoro). 
A fauna de morcegos registrada é composta principalmente por espécies de ampla 
distribuição geográfica nacional e nenhuma espécie está ameaçada de extinção. Vale 
salientar o registro da presença de morcegos hematófagos na região, sendo importante a 
implantação de um programa de monitoramento das populações desses indivíduos, 
durante e após, o processo de instalação do empreendimento. 
FIGURA 45. 
Dermanura 
cinerea, ADA 
Igarapeba.
 Fonte: Rafael S. 
Bandeira. Data: 
22.10.2011.
FIGURA 46. 
Rhynchonycteris 
naso em abrigo 
ADA Igarapeba. 
Fonte: Rafael S. 
Bandeira. Data: 
22.10.2011.
FIGURA 47. 
Glossophaga soricina com filhote 
em abrigo ADA Igarapeba. 
Fonte: Rafael S. Bandeira. Data: 
23.10.2011.
FIGURA 48. 
Busca de 
abrigos AID 
Igarapeba. 
Fonte: Rafael S. 
Bandeira. Data: 
22.10.2011.
Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 
38
AVIFAUNA (AVES)
As aves constituem um grupo de vertebrado bastante diverso, distribuídos em 
todo o mundo e que apresentam importantes papéis no funcionamento e 
manutenção dos ecossistemas. Desta forma, os levantamentos da avifauna são 
importantes ferramentas para o estudo de impactos ambientais, em função da 
grande diversidade e de nichos que as mesmas exploram. 
Para a amostragem da avifauna da ADA e AID da Barragem de Igarapeba foram 
selecionados três ambientes afim de que fossem registradas tanto espécies que ocupam 
diferentes habitats quanto aquelas restritas a apenas um deles. 
Nos três habitats estudados na região do empreendimento foram registradas 131 
espécies de aves, distribuídas em 40 famílias e 18 ordens. Do total de espécies, 122 (97%) 
foram registradas através do método de listas, por contato visual e/ou auditivo. As 
entrevistas contribuíram no registro de 8 espécies (7%). 
As espécies com maiores índices de frequência alcançados foram o bem-te-vi 
(Pitangus sulphuratus) e o suiriri (Tyrannus melancholicus), seguidas pela sanhaçu-
cinzento (Tangara sayaca) e anu-preto (Crotophaga ani). A predominância dessas 
espécies generalistas pode indicar que as áreas amostradas sofreram e ainda sofrem 
impactos antrópicos que descaracterizaram as fitofisionomias naturais. 
Dois táxons registrados são considerados endêmicos das florestas do Centro de 
Endemismo Pernambuco e/ou ameaçados de acordo com o MMA (2008), o Pica-pau-
anão-de-pintas-amarelas Picumnus exilis pernambucensis Zimmer, 1947 e o Bico-virado-
miúdo Xenops minutus alagoanus Pinto, 1954.
Das 131 espécies de aves registradas na AID, são consideradas como sendo de alta 
sensibilidade: cuspidor-de-mascara-preta (Conopophaga melanops), o tangará-falso 
(Chiroxiphia pareola), o dançarino cabeça-encarnada (Pipra rubrocapilla), e a maria-de-
barriga-branca (Hemitriccus griseipectus) (Figura 15). Todas são ditas espécies florestais e 
foram registradas apenas na Mata do Perí perí. Com o enchimento do reservatório, esse 
fragmento não será inundado, não causando um grande prejuízo à comunidade de aves. 
Tal resultado indica que apesar do alto nível de antropização desse fragmento ele ainda é 
capaz de manter recursos necessários para suportar espécies mais exigentes.
Algumas espécies foram frequentemente observadas em bandos com vários 
indivíduos, se alimentando no pasto ou deslocando-se para locais de repouso, como a 
garça-vaqueira (Bubulcus ibis), os urubus (Cathartes e Coragyps) e a polícia-inglesa-do-sul 
(Sturnella superciliaris) (Figura 16).
Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 
39
A ausência de mata ciliar ao longo do rio é um dos principais fatores para a baixa 
diversidade de espécies de média e alta sensibilidade. Porém, nos fragmentos de mata 
(AID) ocorre a presença de espécies de média e alta sensibilidade ambiental indica que 
essas áreas ainda têm relevância para a manutenção dessas e daquelas menos exigentes.
Hemitriccus griseipectus Arundinicola leucocephala
Figura 49: Maria-de-barriga-branca (Hemitriccus griseipectus) à esquerda, fotografado na mata do Perí 
perí e a freirinha (Arundinicola leucocephala) à direita (Foto: Tonny Marques, 2011).
Sturnella superciliaris Rupornis magnirostris
Figura 50: Policia inglesa (Sturnella superciliaris) à esquerda, fotografado na beira do Rio Pirangi e Gavião 
caboclo (Rupornis magnirostris), à direita. (Fotos: Tonny Marques, 2011).
Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 
40
ECOSSITEMA AQUÁTICO
A ocorrência de eventos extremos, tais como eventos de seca e enchentes, sobretudo 
nos ambientes aquáticos, modificam de forma considerável as comunidades instaladas 
nesses locais. Os organismos que habitam as margens, leito e coluna d'água são eficientes 
para indicar as modificações das condições ambientais. No rio Pirangi, flora (fitoplâncton 
e macrófitas) e fauna invertebrada (zooplânctone macrozoobentos) aquática foram 
caracterizadas por uma baixa diversidade de organismos e pouca biomassa. 
Possivelmente, o volume de chuvas, acima do normal, descaracterizou o leito do rio, 
modificando toda comunidade aquática.
Com relação ao fitoplâncton, organismos microscópicos fotossintetizantes, principais 
produtores primários no ambiente aquático, apesar da baixa diversidade de espécies, os 
grupos registrados (clorofíceas, diatomáceas e cianobactérias) são comumente 
encontrados em rios em outros locais. Na ADA e AID a composição do fitoplâncton foi 
semelhante. A ocorrência de diatomáceas dos gêneros Gyrosigma sp., Navícula sp. e 
Pinnularia sp., que ocorrem aderidas ao substrato, indica que o movimento da água 
intenso trouxe para a coluna d'água organismos que encontram-se, normalmente, no 
fundo do rio. Entretanto, uma única amostragem não é suficiente para uma 
caracterização adequada da área, necessitando de coletas em uma maior área amostral e 
considerando variações sazonais. Apesar da ocorrência de Anabaena sp., uma 
cianobactérias potencialmente produtora de cianotoxinas, na amostra coletada a 500 m a 
jusante do futuro barramento, a água pode ser considerada de boa qualidade, pois não foi 
registrada presença de cianobatérias nas análises quantitativas.
Apesar de que nenhum organismo indicador ter sido identificado para a região de ADA 
e AID, a ocorrência de apenas 1 táxon demonstra que a comunidade zooplanctônica 
apresenta-se com baixa diversidade. Em todas as amostras coletadas, tanto na ADA 
quanto na AID, só houve ocorrência de Chaoborus (Figura 13), um díptero da classe 
Insecta em sua forma larval. A presença de larvas de insetos em amostras de zooplâncton 
é um fato comum, essas larvas são classificadas como predadores do zooplâncton e tem 
sua presença geralmente associada a baixa diversidade e/ou a ausência de outros 
organismos comumente encontrados em amostras de zooplâncton como protozoários, 
rotíferos e crustáceos. Isto justifica, em parte, a não ocorrência de outros representantes 
do zooplâncton, pois podem ter sido predados pelas larvas de Chaoborus sp. Este fato 
pode estar correlacionado com as fortes chuvas ocorridas na área que tenha causado um 
deslocamento desta comunidade em direção a sua foz, ou que o ambiente já esteja 
comprometido. Porém, mais estudos são necessários para elucidar tal questionamento, 
pois a ocorrência de apenas uma coleta não é suficiente para entender a dinâmica da 
comunidade zooplanctônica, uma vez que a mesma sofre variações ao longo de um ano, 
principalmente devido aos períodos seco e chuvoso.
FIGURA 51. Foto do gênero 
Chaoborus, Diptera, Insecta, 
encontrado nas amostras de 
zooplâncton na Área 
Diretamente Afetada (ADA) e 
Área de Influência Direta (AID). 
Fonte: Key to the zooplankton of the 
Northeast - USA (2011).
Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 
41
As macrófitas aquáticas foram representadas por 07 espécies. Número considerado 
baixo quando comparado a ambientes como o Pantanal Mato-grossense e alguns 
reservatórios. Contudo, esta pouca representatividade se deve, provavelmente, ao fato 
de os pontos de coleta ter sido visitado apenas uma vez e, o período chuvoso deste ano, 
foi extremo, arrancando parte da flora aquática, carregando-as rio abaixo. Os valores de 
diversidade e biomassa seca encontrados foram considerados, em geral, baixos, tanto na 
ADA quanto na AID. A presença de espécies invasoras, como Alternanthera philoxeroides 
e Eichhornia paniculata, e a inexistência de um padrão de distribuição das macrófitas ao 
longo dos pontos de amostragem, tanto na ADA quanto na AID, podem estar relacionados 
as marcas de inundação em todas as margens do rio, demonstrando que o rio tinha 
passado por um período de forte alagamento, com fortes corredeiras, o que deve ter 
arrastado o seu leito, diminuindo assim, o número de macrófitas antes existentes. A 
presença de ervas flutuantes e a ausência de macrófitas fixas em quantidade, também é, 
novamente, um forte indicativo de que este rio passou por uma forte correnteza, estando, 
portanto, as macrófitas re-colonizando o ambiente. Porém, estudos de sucessão 
precisam confirmar esta observação em campo. De uma maneira geral, a macroflora 
aquática da área de estudo ainda não encontra-se bem estudada e conhecida. A 
diversidade deve aumentar consideravelmente com mais estudos assim como a biomassa 
deve variar em períodos climáticos distintos.
Figura 52.
Espécie de macrófita 
(Pistia stratiotes) 
encontrada na estação 
de amostragem ADA I, 
da futura barragem de 
Igarapeba na Bacia do 
rio Una (PE), em 27 de 
setembro de 2011. 
Foto: Cacilda Rocha( 
27/09/2011)
Figura 53.
Espécie de macrófita (Eichhornia 
sp.) encontrada na estação de 
amostragem ADA II, da futura 
barragem de Igarapeba na Bacia 
do rio Una (PE), em 27 de 
setembro de 2011. 
Foto: Cacilda Rocha( 27/09/2011)
Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 
42
Figura 54. Estação de amostragem à Montante da futura barragem de Igarapeba na Bacia do rio Una (PE), 
em 27 de setembro de 2011. Foto: Cacilda Rocha( 27/09/2011)
Figura 55. Estação de amostragem na Área Diretamente Afetada (ADA I) da futura barragem de Igarapeba na 
Bacia do rio Una (PE), em 27 de setembro de 2011. Foto: Cacilda Rocha( 27/09/2011)
A comunidade de macrozoobentos em um rio é muitas vezes utilizada como um efetivo 
indicador das características do corpo d'água, integrando processos como a superfície 
geológica, a vegetação da bacia de drenagem, o seu uso e ocupação e mudanças ocorridas 
no ecossistema. Esta comunidade está representada por vários filos, dentre eles podemos 
citar: artrópodos, moluscos, anelídeos e nematóides. Através das análises das amostras 
da ADA e da AID observou-se a ocorrência de 11 táxons distribuídos em três filos: Annelida 
(Oligochaeta), Mollusca (Bivalvia e Gastropoda), e Arthropodes (Crustacea e Insecta). 
De modo geral, os pontos de coleta na AID apresentaram maior número de grupos 
taxonômicos e maior densidade do que na ADA, isto evidencia que o rio Pirangi, ao longo 
do seu percurso contribui para o aumento da diversidade a jusante. Embora seja possível 
observar uma tendência a aumento de diversidade ao longo do percurso do rio, é possível 
verificar que, de modo geral, os insetos dominam o macrozoobentos, exceto nas estações 
Catende e Pirangi, onde ocorre uma dominância da espécie Melanoides tuberculatus, que 
é um molusco bentônico que pode atingir até 4 cm, é capaz de ocupar uma ampla 
diversidade de ambientes, que vai de oligotróficos a eutróficos, lênticos ou lóticos, 
Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 
43
alimentam-se de partículas orgânicas aderidas ao sedimento e é capaz de atingir altas 
-2densidades, de até 17.000 ind m . Esta é uma espécie exótica capaz de modificar as 
comunidades bentônicas dos habitats que coloniza. Devido a sua capacidade de tolerar 
ambientes com baixo teor de oxigênio dissolvido, podemos inferir que este ponto pode 
estar sofrendo um processo de eutrofização. 
O inseto Chironomidae (Figura 56) e o anelídeo Oligochaeta (Figura 57) são 
freqüentemente relacionados com altos teores de matéria orgânica no sedimento, e são 
responsáveis pelo processo de liberação de nutrientes do sedimento para a coluna 
d'água, representando, dessa forma, uma grande importância para o ambiente. Com isso, 
podemos concluir que, a presença e dominância de representantes de 
macroinvertebrados bentônicos que indicam ambientes com alto teor de matéria 
orgânica e com certo grau de eutrofização tanto na ADA quanto na AID, refletem uma 
bacia que já sofre com impactos ambientais, embora em algumas estações apresente 
certa diversidade. A presença de espécie invasora, como é o caso do M. tuberculatus, 
demonstra certa fragilidade do ecossistema, onde espéciesnativas estão perdendo 
representatividade no local. Tal espécie invasora pode vir a dominar o ambiente caso haja 
uma excessiva eutrofização no local, pois a mesma apresenta adaptações para habitar 
ambientes com elevada quantidade de nutrientes e baixa quantidade de oxigênio.
 
FIGURA 56. Chironomidae. 
Fonte: Anthony Epifânio 15/09/2010
FIGURA 57. Oligochaeta. 
Fonte: Anthony Epifânio 15/09/2010
ICTIOFAUNA (PEIXE)
Para o levantamento ictiológico do rio Pirangi na área de construção da barragem 
Igarapeba-PE foram realizadas capturas de pescado em pontos a montante da barragem, 
na área considerada de influência direta (AID) na ponte a montante e ajusante. Foram 
amostrados também pontos na área diretamente afetada (ADA), na cachoeira, no rio, na 
fazenda Rogério, bem como, no eixo da barragem.
No período de estudo foram identificadas 17 espécies de peixes, destas 11 foram 
citadas nas entrevistas, distribuídas em 11 famílias e 6 ordens. As famílias Cichlidae e 
Characidae foram as mais representativas com três espécies cada. A piaba foi citada por 
20 dos entrevistados, seguida do jundiá com 16 e tilápia com 14. Entre as espécies 
relatadas, apenas o tambaqui é reconhecidamente de piracema e necessitará de 
escadaria para complementar seu ciclo reprodutivo.
 
 
Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 
44
A espécie Astyanax gr. Bimaculatus foi a mais representativa e capturada na AID e ADA, 
seguida da Hypostomus spp., que foi capturada apenas na AID, da Geophagus cf. 
brasiliensis e da Parotocinclus jumbo (Figura 58). Os peixes de maiores tamanhos 
registrados nas capturas foram a Oreochromis niloticus, seguida do Geophagus cf. 
brasiliensis (Figura 59), as demais espécies identificadas não ultrapassaram 150 mm de 
comprimento. 
Nenhuma das espécies de peixes levantadas nos dois ambientes estão incluídas nas 
listas das espécies ameaçadas de extinção. 
 
 
FIGURA 59. Geophagus cf. brasiliensis. 
Fonte: Jana Ribeiro, 2011.
FIGURA 58. Parotocinclus jumbo. 
Fonte: Jana Ribeiro, 2011.
MEIO ANTRÓPICO
SOCIOECONOMIA
A barragem de Igarapeba apresenta seus impactos socioeconômicos principalmente 
em municípios que compõem a Zona da Mata Sul do estado de Pernambuco. Os estudos 
mostraram que a formação histórica da região apresenta algumas implicações para a 
análise destes impactos. Os principais pontos apontados foram: i) a população da região 
possui baixa escolaridade e capacitação para o trabalho; ii) a dinâmica produtiva da cana 
de açúcar levou a que se ocupassem áreas de risco de enchentes e de desabamento; iii) os 
períodos da entressafra da cana-de-açúcar são marcados por altos níveis de desemprego; 
iv) a região é marcada por alta concentração fundiária; v) grande parte das propriedades 
possui problemas em seu processo formal de escrituração; vi) existe grande potencial de 
politização contra as ações de contenção das enchentes.
No tocante à dinâmica populacional os pontos mais importantes levantados pelo 
estudo foram: i) alguns municípios estão perdendo população para os vizinhos ou para 
outras regiões, como a RMR e outros grandes centros urbanos; ii) apesar da maioria dos 
municípios já apresentarem alto percentual de sua população nos núcleos urbanos, ainda 
existe pressão migratória no sentido campo-cidade; iii) a expectativa de vida está 
Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 
45
aumentando com o envelhecimento da população e a redução da taxa de natalidade, 
gerando necessidade de ajustes nos investimentos públicos com caráter social.
O perfil econômico dos municípios mais afetados pela barragem de Igarapeba mostra 
grande dependência de transferências do setor público, com baixa participação da 
indústria e dos serviços que dinamizam a atividade econômica. Os grandes 
estabelecimentos industriais ainda estão ligados ao complexo sulcroalcooleiro, 
evidenciando que a outra fonte de dependência econômica ainda é a cana-de-açúcar.
Para a produção açucareira a questão ambiental apresenta-se como um dos elementos 
centrais. O desmatamento tem contribuído para a redução das fontes energéticas e 
aquíferas, prejudicando o lençol freático, além de aumentar os custos sociais e 
econômicos da produção da cultura da cana. A utilização abusiva de defensivos tem 
destruído a fauna e a biodiversidade do ecossistema local e prejudicado as formas de 
sobrevivência do trabalhador, em particular no que se refere à produção de culturas 
alimentares e alimentos oriundos de rios, riachos e cursos d'água. Ademais, 
assentamentos de trabalhadores têm contribuído para o desmatamento, para a extinção 
de fontes de água e para a depredação ambiental. 
Para as atividades da agricultura e da pecuária, o desenvolvimento e o 
amadurecimento em base sustentável da produção por associativismo e cooperativismo 
são condições fundamentais para que os pequenos produtores se insiram de maneira 
mais estável e rentável no mercado, oferecendo produtos de maior valor agregado, com 
mais qualidade, proporcionando-lhes melhores condições de comercialização. A 
construção da barragem de Igarapeba será uma boa oportunidade para se reestudar a 
questão associativista uma vez que o empreendimento estimulará a economia local, 
principalmente no que diz respeito ao fornecimento de produtos e serviços aos 
trabalhadores, o que representará geração de empregos não só nos serviços como em 
outros setores. O incremento nas atividades ocorrerá devido ao aumento da demanda 
por produtos e serviços na região e para que a população local possa usufruir desses 
benefícios é necessário que ela esteja preparada para atender a essa demanda.
O padrão de desenvolvimento observado na Área de Influência Indireta (AII) ainda 
apresenta traços marcantes que podem não contribuir para sua sustentabilidade. 
Evidenciam-se problemas de natureza econômica, social e cultural, que configuram 
diversos elementos de exclusão social e que forçam sua população a migrar, seja de forma 
pendular, para trabalhar na capital do estado ou ainda que grande parte se desloque para 
a Região Metropolitana de Recife. Ressalta-se também a possibilidade da migração dos 
trabalhadores rurais e de pequenos produtores para os setores dos serviços e da 
indústria, sobretudo para a construção civil, tanto na capital pernambucana quanto nas 
outras regiões do País.
No âmbito da questão agrária, a posse e o uso da terra são de extrema importância 
para a sustentabilidade da produção agrícola dessa região. Por sua vez, deve-se 
reconhecer que para essa região é necessário se pensar uma reestruturação do sistema 
de produção da cana-de-açúcar, em favor de outras atividades que sejam rentáveis, em 
áreas marginais à produção de cana.
Alternativas para essa reestruturação podem ser apontadas no próprio âmbito do 
sistema de produção da cana-de-açúcar como: a utilização de terras de usinas paralisadas 
Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 
46
 ጀ que inclusive podem e devem ser usadas para receber a população que será 
desapropriada para a construção da barragem de Igarapeba-, ou em dificuldades 
econômico-financeiras e de terras de arrendatários e fornecedores de cana de médio e 
grande porte. 
Os indicadores sociais dos municípios contemplados na área de influência da 
barragem de Igarapeba melhoraram entre 1991 e 2000, porém, todos ainda 
permaneceram com índices abaixo da média pernambucana. Os números 
apresentados sugerem que para 2010 esses municípios deverão manter o 
processo de melhora dos indicadores de Desenvolvimento Humano por conta de 
investimentos na região, tais como uma indústria de calçado, em Palmares; 
investimentos na área de alojamento e alimentação, como a implantação 
prevista de hotéis, em Barreiros; e, sobretudo, pelo grande montante de 
investimentos que vem ocorrendo, nos últimos cinco anos, no ComplexoIndustrial Portuário - Suape, de relativa proximidade com a região e que podem 
trazer efeitos difusos na área.
Pode-se afirmar com precisão que a construção da barragem de Igarapeba será 
fundamental para a melhoria dos indicadores de longevidade. Será também uma boa 
oportunidade de melhoria principalmente no que diz respeito ao fornecimento de 
produtos e serviços aos trabalhadores, o que representará geração de emprego e renda 
não só nos serviços como em outros setores, além dos inegáveis benefícios na 
infraestrutura da atividade agropecuária, outra importante fonte de renda para a região. 
Nesse contexto, será de suma importância para a melhoria, também, dos indicadores de 
renda da AII.
Os indicadores de saúde mostram que a construção da barragem de Igarapeba será 
ainda mais importante para a melhoria dessa dimensão. Com a melhoria das condições de 
infraestrutura básica, com destaque para as condições de acesso a água e saneamento, 
deve-se observar uma redução importante do número total de óbitos, sobretudo aqueles 
ligados a 'doenças infecciosas e parasitárias', entre as quais se destacam diarréias, 
enterites e pneumonias, e à 'doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas', que atacam 
principalmente as crianças.
Embora se verifique nos últimos dez anos um avanço na formação de professores 
através de programas de capacitação, essa formação não é, ainda, a ideal e não contribui 
significativamente para a elevação do rendimento escolar, o que reforça a tese da baixa 
qualidade do ensino.
A dimensão educacional tem alcançado avanços significativos, em especial na 
Educação Básica, compreendida pela educação infantil, ensino fundamental e ensino 
médio, com melhoras sensíveis tanto na rede particular quanto na rede pública. Porém, 
diferenças expressivas na qualidade da infraestrutura física das escolas ainda persistem, 
mostrando-se mais deteriorada à medida que se passa do âmbito federal para o estadual 
e ainda mais precária em nível municipal.
Por fim, a educação de nível superior ainda é excessivamente restrita a grande parcela 
da população. Na AII, onde é significativamente diminuta a proporção de pessoas entre 18 
e 24 anos que tem acesso a esse nível de ensino, fica evidente esse quadro desfavorável. 
Destaca-se também que, exceto Palmares, todos os outros municípios da AII, em 2000, 
não chegavam a constatar um índice equivalente a 3% da população jovem que contam 
Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 
47
com o privilégio de cursar um nível superior, proporção praticamente dez vezes abaixo 
da de outros países da América Latina, como a Argentina, por exemplo, cujo percentual 
médio gira em torno de 30%.
Figura 60. Vista panorâmica da cidade de Igarapeba
Figura 61. Lavoura de sobrevivência Figura 62. Pecuária
Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 
48
ARQUEOLOGIA E PATRIMÔNIO HISTÓRICO
A legislação federal aplicável ao patrimônio histórico-cultural protege os conjuntos 
urbanos, e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, 
ecológico e científico.
O estudo do Patrimônio Cultural na Barragem de Igarapeba foi realizado através de 
levantamento de dados secundários e primários acerca do município de São Benedito do 
Sul, no estado de Pernambuco. Durante o Diagnóstico foram levantados os aspectos 
culturais do município estudado, incluindo o levantamento do patrimônio material 
(arqueológico e histórico), do patrimônio imaterial (festas, danças, comidas típicas, 
lendas, artesanato), do patrimônio espeleológico (cavernas e furnas) e do patrimônio 
paisagístico, relativos à área de influência indireta (AII). 
Os aspectos relativos ao patrimônio imaterial do referido município, no geral, ocorrem 
na região pernambucana como um todo. Merece destaque as festas populares como o 
Carnaval, São João e festas religiosas, onde ocorrem manifestações culturais típicas como 
o frevo, ciranda e quadrilhas juninas. A Temperada, bebida feita com cachaça, ervas, 
sementes e mel é tradicional do município. 
O patrimônio material identificado, do ponto de vista arqueológico e histórico, 
corresponde a ocorrências de material lítico e cerâmico relacionado a grupos indígenas 
que outrora habitaram a região (referente ao período pré-histórico) e remanescentes de 
estruturas históricas (Engenhos), referentes ao ciclo (tardio) da cana-de-açúcar em 
Pernambuco, principalmente do século XX. 
Na área que será diretamente afetada (AID e ADA) pela construção da barragem foi 
realizado um levantamento detalhado para identificação do patrimônio cultural presente 
na área. As informações foram obtidas através de entrevistas com a população e através 
de prospecção visual, enfocando a identificação de eventuais vestígios arqueológicos e 
históricos. O estudo realizado revelou o potencial arqueológico pré-histórico e histórico 
da área, com base tanto nas informações de habitantes das cercanias, quanto da 
identificação direta de evidencias de registros arqueológicos. As referências históricas 
correspondem ao século XX, época que predominava na região a economia açucareira. 
Parte da linha férrea localizada na margem do Rio Pirangi, entre os edifícios das estações 
ferroviárias de São Benedito e Igarapeba, está inserida na área da Barragem de Igarapeba. 
No que tange o patrimônio imaterial não foram relatadas lendas ou eventos diretamente 
associados à área. O estudo realizado revelou o potencial e diversidade cultural desta 
região como um todo.
A área por onde se desenvolve o curso do rio, mormente no trecho onde estão 
previstas as obras, corresponde a uma região de rochas ígneas, portanto, as obras não 
atingirão áreas de substrato calcário - onde haveria possibilidade de interferências que 
afetassem cavernas de interesse espeleológico relevante. Tampouco existem indícios ou 
informação de ocorrência de fósseis, quer animais quer vegetais nesta área.
As obras do empreendimento envolvem ainda riscos com relação ao patrimônio 
arqueológico e natural/paisagístico. A expectativa de tais riscos converge para as áreas de 
inundação e aquelas aonde serão necessárias ações de movimentação de terra (quando 
existe a possibilidade de destruição total ou parcial de sítios arqueológicos ainda não 
Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 
49
manifestos), incluindo-se aí a movimentação do terreno para a implantação das obras 
civis. 
As áreas a serem inundadas, em parte correspondem às áreas que periodicamente 
(por ocasião das enchentes) são naturalmente inundadas Por outro lado, a configuração 
do relevo, no trecho a ser inundado, permite a presença de assentamentos humanos e 
ainda a preservação de seus vestígios eventualmente transportados por enxurradas, ou 
mesmo encoberto pelos sedimentos depositados.
O risco de destruição dos sítios arqueológicos e do patrimônio histórico será de caráter 
irreversível, mas poderá ser significativamente reduzido mediante a adoção de medidas 
apropriadas, que permitam transformar os registros em informações concernentes ao 
povoamento pré-histórico e histórico da área.
Documentação Fotográfica: 
Figura 63. Estação Ferroviária de São Benedito do Sul. 
Data: 19/09/2011. Fonte: Acervo Arqueolog Pesquisas.
Figura 64. Estação Ferroviária de Igarapeba. D
ata: 20/09/2011. Fonte: Acervo Arqueolog Pesquisas.
Figura 65. Linha férrea margeando o Rio Pirangi. 
Data: 26/10/2011. Fonte: Acervo Arqueolog Pesquisas.
Figura 66. Aqueduto da Empresa. Data: 26/10/2011. 
Fonte: Acervo Arqueolog Pesquisas.
Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 
50
Figura 67. Bueiro do Engenho Paraíso. Data: 20/09/2011. 
Fonte: Acervo Arqueolog Pesquisas.
Figura 68. Roda d'água do Engenho Roncador. 
Data: 26/10/2011. Fonte: Acervo Arqueolog Pesquisas.
Figura 69. Cachimbo localizado no sítio pré-históricoChão 
do Cajá. Fonte: Acervo Arqueolog Pesquisas.
Figura 70. Machado de pedra polida, utilizado por grupos 
indígenas, localizado em São Benedito do Sul. 
Fonte: Acervo Arqueolog Pesquisas.
Figura 71. Material arqueológico histórico localizado na 
área de estudo da Barragem de Igarapeba. 
Data: 25/10/2011. Fonte: Acervo Arqueolog Pesquisas.
Figura 72. Residência do século XX da Fazenda Peri-Peri. 
Data: 24/10/2011. 
Fonte: Acervo Arqueolog Pesquisas.
Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 
51
Figura 73. Bumba meu Boi do Bloco Jocajá, em São Benedito 
do Sul. Data: 20/09/2011. 
Fonte: Acervo Arqueolog Pesquisas.
Figura 74. Sede do Bloco de carnaval Jocajá. Data: 20/09/2011. 
Fonte: Acervo Arqueolog Pesquisas.
Figura 75. Confecção de vassouras de palha no Engenho 
Roncador. Data: 26/10/2011. 
Fonte: Acervo Arqueolog Pesquisas.
Figura 76. Edificações históricas de São Benedito do Sul 
afetadas pela enchente de 2010. Data: 19/09/2011. 
Fonte: Acervo Arqueolog Pesquisas. 
Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 
52
USO E OCUPAÇÃO DO SOLO
A caracterização de uso e ocupação do solo foi elaborada considerando-se dados 
primários de observação local e dados secundários de informações institucionais, tendo 
como principais dados obtidos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 
Agência Estadual de Planejamento e Pesquisas de Pernambuco (Condepe-Fidem), 
Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) e o Instituto de Pesquisa 
Econômica Aplicada (IPEA). O objetivo foi levantar, compreender e apresentar a 
distribuição espacial das principais atividades econômicas e suas analogias referentes às 
formas de ocupação e a importância dos processos que contribuem para a deterioração 
do meio ambiente físico espacial (desmatamentos, erosões e assoreamentos) 
relacionados principalmente aos recursos hídricos.
 Em relação ao uso das terras na 
área de influência indireta, a área de pastagens é superior a de lavoura, matas e florestas. 
A área de pastagens é de 16.935 hectares, enquanto que a área de lavouras é de 11.339 
hectares, já a área de matas é bastante inferior, um total de 1.524 hectares. 
Em relação à estrutura fundiária da área de influência indireta, observa-se a 
predominância de produtores em terras como proprietários, com poucos projetos de 
assentamentos na região, sendo um total de dois, ambos federais e localizados em 
Quipapá. Diante disto, o que se observa é que não se identifica uma concentração de 
terras, visto que na média, a área dessas terras são inferiores a um módulo rural, 
caracterizando a predominância de pequenas propriedades e minifúndios.
Observou-se a predominância do cultivo de lavouras temporárias como o feijão em 
Jurema, e cana de açúcar e mandioca em Quipapá, onde também se destaca a produção 
de banana, que é uma cultura permanente. Além destas, identificou-se uma diversidade 
das culturas, encontrando-se também maracujá, milho, tomate, batata doce, coco, e 
laranja. Essas culturas são características de áreas de transição da Zona da Mata 
pernambucana para o semi-árido. Quipapá se apresenta com características produtivas 
de Zona da Mata, com o módulo fiscal de 14 hectares, enquanto que Jurema tem 
características de Agreste, com o módulo fiscal de 35 hectares, que representa uma área 
menos fértil devido à menor disponibilidade de água. 
Em relação ao rebanho predominante, destaca-se o galináceo em Jurema e o rebanho 
bovino em Quipapá, apesar da grande área de pastagens. O gado bovino também está 
presente nesta área, criado de forma extensiva, ocupando vastas extensões de terra. 
Em relação ao saneamento, foi possível identificar que na área a rede geral é a principal 
forma de abastecimento de água, entretanto a forma de abastecimento não canalizada 
tem um número elevado, ocorrendo principalmente por meio de poços e nascentes. Em 
relação ao esgotamento sanitário, observa-se uma precariedade apesar do alto índice de 
banheiros. Não necessariamente ligados à rede geral de coleta. O esgotamento sanitário 
é feito de forma precária sendo partecom o uso de fossas rudimentares e valas, mais da 
A Área de Influência Indireta (AII) é composta pelos municípios a montante da área da 
construção da nova barragem de Igarapeba: Jurema e Quipapá. Foi realizada uma análise 
do uso do solo destes municípios a partir de dados secundários, sendo possível, desta 
forma, fazer um diagnóstico do uso do solo desta área.
Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 
53
metade dos domicílios estão ligados a rede geral em Quipapá. Em Jurema as condições de 
saneamento são também precárias, com domicílios não ligados à rede geral.
Já a área de influência direta abarca os seguintes municípios a jusante da área da 
construção da nova barragem de Igarapeba: São Benedito do Sul, Jaqueira, Maraial, 
Catende, Palmares, Água Preta, Barreiros, Tamandaré e São José da Coroa Grande. Foi 
realizada uma análise do uso do solo destes municípios a partir de dados secundários e 
primários, sendo possível, desta forma, fazer um diagnóstico do uso do solo desta área. 
De acordo com dados da Agência CONDEPE/FIDEM, os municípios São Benedito do Sul, 
Jaqueira, Maraial, Catende e Palmares têm 100% de sua área inserida na Unidade de 
Planejamento Hídrico (UP) -5 Rio Una. Já os municípios de Água Preta e Barreiros não se 
encontram totalmente inseridos na UP-5, mas a sede dos municípios estão localizadas na 
área da Bacia do Una, enquanto os municípios de Tamandaré e São José da Coroa Grande 
se encontram inseridos na Bacia do Rio Una, porém suas sedes não. 
Em relação às atividades agropecuárias na área de influência direta, a área de lavoura é 
bastante superior a de pastagens, matas e florestas em todos os municípios. Observou-se 
a predominância do cultivo da cana de açúcar em toda AID, e em relação ao rebanho 
predominante, destaca-se o bovino, criado e forma extensiva, porém com a presença de 
criação de galináceo em alguns municípios, como São Benedito do Sul, Jaqueira, Catende 
e São José da Coroa Grande. Estes municípios estão inseridos na Zona da Mata 
pernambucana, que tradicionalmente observa-se a predominância do cultivo da cana de 
açúcar, com a presença de engenhos e usinas. 
Em relação à estrutura fundiária da área de influência direta, observa-se a 
predominância de produtores em terras como proprietários, entretanto, as modalidades 
de ocupantes e assentados também se destacam na área, como no município de Catende, 
onde mais de 60% da área são de ocupantes, e em São José da Coroa Grande o destaque é 
para o produtor sem área de culyivo. Por se tratar de uma área de Zona da Mata, onde o 
índice de produtividade é maior que as outras regiões do estado de Pernambuco, o 
módulo fiscal é de 14 hectares. 
 As terras com propriedade excedem em média quatro módulos fiscais, caracterizando 
pequenas e médias propriedades, mas isso não quer dizer que não haja grandes 
propriedades. Entretanto as terras de assentados e ocupantes são inferiores a um 
módulo fiscal, em torno de cinco hectares. Identificou-se um grande número de 
assentamentos na região, sendo um total de 53, entre federais e estaduais, com destaque 
para os municípios de Água Preta, Tamandaré, Barreiros e São José da Coroa Grande, com 
o maior número de projetos. Entretanto, o maior assentamento em área e número de 
famílias assentadas é o PA Governador Miguel Arraes, no município de Catende, com a 
característica de ser um Assentamento Agroindustrial. Já nos municípios de Jaqueira e 
Maraial não se identificou nenhum projeto de assentamento. 
Em relação ao saneamento, foi possível identificar que a rede geral é a principal forma 
de abastecimento de água, entretanto, observa-se uma grande presença de poços e 
captação de água de forma não canalizada. Os municípios que possuemproporcionalmente melhor atendimento pela rede geral são Palmares e Barreiros, 
enquanto que os municípios de São Benedito do Sul, Maraial, Água Preta, Tamandaré e 
São José da Coroa Grande possuem um alto índice de abastecimento de água através de 
Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 
54
poços e nascentes. Em relação ao saneamento, foi possível identificar que a rede geral é a 
principal forma de abastecimento de água, entretanto, observa-se uma grande presença 
de poços e captação de água de forma não canalizada. Os municípios que possuem 
proporcionalmente melhor atendimento pela rede geral são Palmares e Barreiros, 
enquanto que os municípios de São Benedito do Sul, Maraial, Água Preta, Tamandaré e 
São José da Coroa Grande possuem um alto índice de abastecimento de água através de 
poços e nascentes. 
O uso do solo da Área Diretamente Afetada (ADA) é caracterizado por poucas áreas de 
vegetação nativa, e pela predominância de pastos com extensos capinzais, e pela 
presença da monocultura de cana de açúcar. Também se identificou áreas de agricultura 
familiar e atividade pecuarista extensiva de bovinos e caprinos. Nas áreas de agricultura 
familiar, observa-se predominantemente o cultivo de árvores frutíferas, com destaque 
para o cultivo de bananas nas proximidades das margens de rios e nas encostas, como 
também a presença de agricultura de subsistência. Também se identifica na área a criação 
de caprinos e galináceos para consumo próprio. Contudo, a ADA possui baixa densidade 
demográfica, com a existência de apenas três sítios (Figuras 77, 78 e 79), com a 
predominância de áreas destinadas à pecuária. Na área diretamente afetada não se 
identificou a presença de núcleos urbanos, configurando-se como uma área 
exclusivamente agrícola, com as terras destinadas à agricultura e à pecuária. Não foi 
identificado parcelamento do solo entre espaço urbano e rural devido às poucas 
edificações nas propriedades encontradas na ADA. 
Figura 77. Edificação de apoio do primeiro sítio com lavoura permanente de banana e 
pecuária. Fonte: Christoph Hedntk, 27.10.2011.
Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 
55
Figura 78. 
Sítio Boa 
Fé na ADA. 
Fonte: 
Christoph 
Hedntk, 
27.10.2011.
Figura 79. 
Residência de 
trabalhadores 
do terceiro 
sítio na ADA.
Fonte: Christoph 
Hedntk, 
27.10.2011.
A ADA é cortada por uma linha férrea, 
identificando-se em diversos pontos a presença de 
trilhos da Estrada de Ferro Sul de Pernambuco, 
inaugurada em 1884 (Figura 80). Na área 
diretamente afetada se identificou ausência de 
torres de transmissão, seja de telefonia, TV e rádio, 
mas se identifica a presença de rede elétrica em 
todas as propriedades, contudo a rede elétrica foi 
prejudicada com a enchente e algumas 
propriedades têm problemas quanto ao serviço de 
energia elétrica. 
Figura 80. Trilhos da Estrada de Ferro Sul 
de Pernambuco na ADA
Fonte: Christoph Hedntk, 27.10.2011.
Os impactos identificados foram localizados, 
avaliados e descritos e, para cada um deles foram 
sugeridas medidas mitigadoras e de controle 
ambiental, além de ações de monitoramento.
Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 
56
PARTE 2 - IMPACTOS RESULTANTES
1 QUAIS OS IMPACTOS ANALISADOS E MEDIDAS MITIGADORAS PREVISTAS?
A identificação dos impactos previsíveis em decorrência da implantação da barragem, 
as medidas que deverão ser tomadas para minimizar os efeitos negativos e maximizar os 
positivos, em todas as etapas da obra são, de fato, as informações e os instrumentos 
essenciais para a sustentabilidade ambiental da área modificada. Por sua vez, os 
Programas de Controle e Monitoramento Ambiental propostos para acompanhar 
possíveis mudanças e adequar seu curso, contribuem para a consolidação de um Sistema 
de Gestão Ambiental na área da bacia que será afetada.
Os principais impactos identificados foram localizados, avaliados e descritos e, para 
cada um deles foram sugeridas medidas mitigadoras e de controle ambiental, além de 
ações de monitoramento.
Grupo de Discussão Multidisciplinar
MATRIZ DE CORRELAÇÃO
(Meio Físico - Meio Biótico-Meio - Meio Antrópico) 
DESCRIÇÃO dos Impactos
AVALIAÇÃO dos Impactos PROPOSTAS de Monitoramento 
PROGNÓSTICO AMBIENTAL
PROCESSO METODOLÓGICO ADOTADO PARA A
AVALIAÇÃO DOS IMPACTOS
MEDIDAS de Mitigação e Controle 
Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 
57
Impactos sobre o Meio Físico
Quanto ao meio físico, os impactos mais importantes estão relacionados às águas 
superficiais, especialmente às mudanças de regime de fluxo, que terão forte rebatimento 
sobre a flora e a fauna aquáticas. Os solos também foram destacados, tendo em vista o 
grande movimento de terras que ocorrerá na área da barragem, para a sua construção e 
exploração de jazidas (fase de implantação). A contaminação das águas e dos solos e a 
retenção de nutrientes também foram destacadas. A redução da carga sólida a jusante, 
com aumento dos processos erosivos das margens e alteração na morfologia do canal 
causará impacto na agricultura ribeirinha. Foi recomendada a preservação/recuperação 
da cobertura vegetal nas APPs para redução dos processos erosivos laminares e lineares. 
Além disso, destaca-se a retenção dos nutrientes produzidos a montante da barragem, no 
lago da mesma, reduzindo a fertilidade das águas a jusante, afetando as comunidades da 
fauna.
Elemento Ambiental Impacto Ambiental 
Clima e meteorologia Alteração do clima local 
Degradação de áreas de empréstimo Geologia Contaminação e recarga do aquífero 
Mudanças na paisagem regional 
Instabilidade dos solos no entorno do reservatório 
Alteração da qualidade do solo
 
Erosão das margens
 Geomorfologia e solos
 
Redução do valor fertilizante da água após a barragem
 
Alteração do regime hídrico
 
Interferência nos diversos usos da água
 
Assoreamento do futuro reservatório
 
Controle de inundações
 
Perdas de água no reservatório por evaporação e infiltração
 
Recursos hídricos 
superficiais e 
subterrâneos
 
Alterações na qualidade da água 
 
Aumento de ruídos gerados por máquinas e trânsito
 
Qualidade do ar e ruídos
 
Aumento de poeira, fumaça e gases no entorno da obra
 
Parcelamento do solo
 
Redução das áreas destinadas aos usos rurais
 
Estrutura fundiária
 
Redução das dimensões territoriais das propriedades fundiárias
 
Ampliação da rede de saneamento básico e abastecimento
 
Infraestrutura
 
Desvio de linhas de transmissão de energia elétrica e férrea 
 
Socioambiental
 
Ampliação das práticas educacionais
 
 
Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 
58
Impactos sobre o Meio Biótico
É no meio biótico onde ocorrem os maiores impactos pela supressão da cobertura 
vegetal para a implantação da barragem, que tem rebatimento imediato sobre a fauna, 
tendo em vista a perda dos habitats terrestres e aquáticos. 
Apesar da importância social da construção da barragem, deve-se registrar que a 
mesma ocasionará impactos biológicos para as espécies vegetais, como por exemplo, 
perda de biodiversidade, aumento da fragmentação e efeito de borda, os quais podem ser 
mitigados ou controlados através de medidas e programas que deverão ser realizados 
durante a implantação do empreendimento, como resgate de germoplasma, plantio de 
mudas nos fragmentos remanescentes, implantação de corredores ecológicos, controle 
de plantas invasoras e programas de monitoramento da flora e da fauna.
Elemento Ambiental Impacto Ambiental
Perda de biodiversidade e das características das populações 
vegetais
 
Fragmentação vegetal e efeito de borda
 
Perda de variabilidade genética
 
Redução do tamanho das populações remanescentes
 
Floraterrestre e 
estrutura da vegetação
 
Interrupção do fluxo gênico e de alguns mecanismos de 
dispersão
 
Perda de biodiversidade e da variabilidade genética
 
Perda de habitat e microhabitats pela destruição dos fragmentos 
florestais
 
Desequilíbrio na comunidade faunística e redução da capacidade 
de suporte à vida silvestre
 
Eliminação ou deslocamento de populações exclusivamente 
terrestres 
 
Fuga de espécies e invasão de domicílios
 
Aumento da caça oportunística
 
e de espécies vetoras de 
doenças
 
Aparecimento de espécies exóticas
 
Deslocamento de fauna por distúrbios sonoros 
 
Fauna:
 
Vertebrados Terrestres 
e Alados (Mastofauna 
terrestre, 
quiropterofauna, 
avifauna e 
herpetofauna) 
 
Aumento na interação entre animais silvestres e seres humanos
Perda de biodiversidade e diminuição do fluxo gênico 
Elevação de espécies nocivas e invasoras 
Alteração na dinâmica das populações locais 
Alteração na estrutura das comunidades 
Perda de habitat 
Dispersão de ovos e larvas 
Desenvolvimento da aqüicultura e da pesca e aumento da pesca 
oportunista 
Meio Biótico Aquático: 
(Fitoplâncton, 
Macrófitas 
Zooplâncton, 
Macrozoobentos) e 
Ictiofauna 
Aparecimento de espécies exóticas e elevação de espécies 
nocivas 
Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 
59
Impactos sobre o Meio Socioeconômico
No meio socioeconômico, os destaques foram alterações no setor produtivo, a 
demanda por mão de obra, dinamização econômica no município, aumento de doenças 
respiratórias e de veiculação hídrica durante a construção, além do deslocamento de 
vestígios arqueológicos e alterações na paisagem e nos costumes.
Elemento Ambiental Impacto Ambiental 
Eliminação de áreas com atividades agropecuárias 
Diminuição na oferta de alimentos 
Redução das perdas na oferta de bens e serviços 
 Estrutura de oferta 
produtiva
 
Possibilidade de implantação de projetos turísticos
 
Demanda de mão de 
obra
 Contratação de mão-de-obra
 
para a implantação da barragem
 
Perda de postos de trabalho nas unidades produtivas 
 
Demanda agregada
 
Dinamização das economias municipais
 
Aumento das receitas municipais
 
Aumento da demanda de serviços públicos durante a construção
 
Infraestrutura de 
serviços públicos
 
Aumento da capacidade de oferta de água para os municípios da AID
 
Educação
 
Aumento da educação ambiental da população 
 
Elevação da incidência de doenças respiratórias e do risco de acidentes 
 
Saúde
 
Alteração na incidência de doenças de veiculação hídrica 
 
Alteração no valor patrimonial das propriedades próximas à barragem 
e no leito a jusante do rio
 
Estudos Preliminares do patrimônio cultural
 
Destruição do contexto arqueológico 
 
Patrimônio
 
Comprometimento das linhas férreas entre as estações ferroviárias de 
São Benedito do Sul e a de Igarapeba pelo enchimento do reservatório
 
Redução das áreas destinadas aos usos rurais
 
Parcelamento do Solo
 
Redução das dimensões territoriais das propriedades fundiárias
 
Ampliação da rede de saneamento básico e abastecimento
 
Desvio de linhas de transmissão de energia elétrica
 
Infraestrutura
 
Desvio de linha férrea
 
Socioambiental
 
Ampliação das práticas educacionais
 
 
Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da Barragem Igarapeba 
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2. QUAIS OS PROGRAMAS AMBIENTAIS RECOMENDADOS?
O Sistema de Gestão Ambiental proposto para o empreendimento tem seus 
fundamentos na legislação pertinente e na articulação interinstitucional necessária à sua 
efetivação. Sua concepção busca favorecer e estimular a participação da sociedade, não 
apenas no que se refere aos programas educativos, mas em todas as ações 
implementadas. Nesse sentido, o processo de gestão incorporará como instrumentos 
básicos os 14 Programas Ambientais previstos para o empreendimento da barragem 
Igarapeba.
3. AFINAL, COMO FICA A QUALIDADE AMBIENTAL FUTURA?
A barragem Igarapeba, que tem como finalidade principal reduzir os desastres de 
inundações no Distrito de Igarapeba, e municípios a jusante, quais sejam: Maraial, 
Jauqeira e Catende. O reservatório também poderá ser utilizado para outras finalidades, 
tendo em vista o uso múltiplo previsto para o mesmo. Essas funções proporcionarão uma 
melhoria da qualidade de vida da população diretamente afetada, permitindo a 
dinamização de atividades econômicas e aumento de emprego e renda, além de oferecer 
um espaço ameno de grande beleza paisagística.
 
A construção da barragem Igarapeba implica necessariamente na ocorrência de vários 
impactos adversos sobre o ambiente atual, cuja importância foi avaliada e coberta por um 
conjunto de propostas de mitigação e por Programas de Controle Ambiental, que 
permitirão desenvolver a gestão ambiental da área. Dentre os impactos positivos, 
ressaltam-se o estímulo à economia local, principalmente, por conta da contratação de 
mão-de-obra nos municípios de São Benedito do Sul, Palmares, Catende, Maraial e 
Jaqueira, e do fornecimento de produtos e serviços ao empreendimento, contribuindo 
significativamente para a geração direta de emprego e renda, além de incentivar de forma 
indireta a geração de postos de trabalho em outros setores.
É importante ressaltar que a diminuição do risco de inundações a jusante corresponde 
ao principal impacto positivo da construção da barragem Igarapeba. Desse modo, o 
prognóstico desse estudo é o de que a barragem Igarapeba deve ser construída.
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Temática do PCA Denominação 
MEIO FÍSICO
 
PCA 1 - Monitoramento hidrológico 
PCA 2 -
 
Controle de processos erosivos
 
PCA 3 -
 
Monitoramento da qualidade da água
 
 
MEIO BIOTICO 
 
PCA 4 -
 
Resgate e translocação da fauna 
 PCA 5 -
 
Inventário dos ecossistemas aquáticos 
 PCA 6 -
 
Monitoramento da ictiofauna
 PCA 7 -
 
Monitoramento da mastofauna terrestre
 PCA 8 -
 
Resgate e conservação da flora
 PCA 9 -
 
Monitoramento da vegetação e in vasão biológica
 
 
MEIO 
SOCIOECONÔMICO
 
PCA 10 -
 
Educação ambiental
 
PCA 11 -
 
Negociação para reassentamento da população desapropriada 
 
PCA 12 -
 
Diversificação das atividades produtivas
 
PCA 13 -
 
Prospecção e de resgate arqueológico
 
PCA 14 -
 
Monitoramento, resgate arqueológico e educação patrimonial
 
 
2. CONCLUSÕES
A construção da barragem Igarapeba é uma ação estruturadora, inserida numa política 
pública de redução de desastres que vem sendo implementada pelo governo do Estado, 
reunindo várias iniciativas inter-relacionadas, como é o caso do Controle de Enchentes da 
Mata Sul, das Mudanças Climáticas, do Combate à Desertificação, da Política Estadual de 
Resíduos Sólidos, do Mapeamento da Suscetibilidade e Risco de Desastres de 
Pernambuco, recategorização das Reservas Ecológicas, entre outras.
O Estudo de Impacto Ambiental ጀ EIA foi desenvolvido com o objetivo de avaliar os 
diferentes tipos de impactos ambientais, associados às distintas fases de planejamento, 
implantação e de operação da barragem Igarrapeba, sendo realizado um Diagnóstico do 
ambiente a ser afetado pelo empreendimento, com a obtenção de diversos dados 
primários, contemplando os elementos ambientais dos meios físico, biótico e 
socioeconômico.
Foram identificados 80 prováveis impactos, os quais foram analisados e avaliados, 
mostrando que os elementos mais fortemente afetados serão a cobertura vegetal, a 
fauna terrestre e, especialmente, a fauna e flora aquáticas. Para mitigar, controlar e até 
neutralizar o efeito desses impactos forampropostas medidas mitigadoras e, elaborados 
14 Programas de Controle e Monitoramento Ambiental, para subsidiar o 
desenvolvimento da Gestão Ambiental da área.
Embora o empreendimento em questão afete real e/ou potencialmente fatores 
ambientais da área de influência de forma negativa, foram identificados oito impactos 
reais e positivos, sendo um no meio físico e sete no meio socioeconômico decorrentes da 
atividade em licenciamento: o maior impacto positivo é o controle de inundação, sendo 
este o principal objetivo da Barragem Igarapeba; o controle de cheias e a proteção da 
população ribeirinha, especialmente, no Distrito de Igarapeba, Maraial, Jaqueira e 
Catende.
A análise dos impactos positivos e negativos e a convicção da necessidade de obras 
estruturadoras associadas a políticas públicas efetivas para a redução dos desastres 
recorrentes de inundações na região da Mata Sul, mostrou que é importante, a 
construção da barragem Igarapeba, no menor tempo possível, antes que outros episódios 
climáticos extremos, com chuvas concentradas e intensas voltem a produzir os cenários 
de destruição que ocorreram em 2010 e 2011. 
Por fim, considerando o caráter dinâmico e especificidade de um empreendimento 
dessa natureza, é possível que, ao longo do tempo, ou até mesmo durante a fase de 
discussão e análise deste EIA, seja necessária a adoção de medidas complementares não 
previstas neste documento. Assim sendo, é relevante o acompanhamento sistemático de 
todas as fases de operacionalização do empreendimento, de forma a possibilitar a 
adoção, de modo pró-ativo, de medidas complementares que se fizerem necessárias. Do 
ponto de vista técnico, pode-se considerar que os cuidados ambientais prévios, e as 
medidas mitigadoras e de controle, quando bem implementadas, contribuirão 
efetivamente para a viabilidade ambiental da atividade descrita e avaliada neste 
documento.
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