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ARTE BARROCA 
CONTEXTO DE FORMAÇÃO 
• A arte barroca estendeu-se por todo o século XVII e pelas primeiras
décadas do XVIII. A sua difusão abrangeu quase toda a Europa e a América
Latina;
• nasceu e desenvolveu-se, nos princípios na Roma dos papas. Em seguida,
espalhou-se pelo resto da Europa e pelos países sob a influência católica;
• rompeu com importantes conceitos renascentistas. Há rompimento das
noções de um equilíbrio entre razão e emoção, da associação entre arte e
ciência. O racionalismo dá lugar a uma grande emotividade e inspiração.
INFLUÊNCIAS HISTÓRICAS:
• A Reforma Protestante, movimento de contestação à doutrina da Igreja
Católica, teve como principal líder o alemão Martinho Lutero. Apesar de ter
sido um movimento religioso, provocou mudanças em outros setores da
cultura europeia. Favoreceu, por exemplo, a formação dos estados
nacionais, ao propor que cada nação se libertasse do poder do papa.
• A Igreja Católica, porém, logo se organizou contra a Reforma. Na verdade,
desde o início do século XV havia dentro dela um movimento que visava
fortalecer a vida espiritual, mas apenas no século XVI essa reação viria a
constituir a Contrarreforma.
• Com a ação das grandes ordens religiosas, como a Companhia de Jesus, a
Igreja Católica retomou sua força e construiu novas e grandes igrejas. A arte
voltava a ser vista como um meio de ampliar a influencia católica.
PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS:
• As obras barrocas romperam o equilíbrio entre o sentimento e a razão ou entre a arte e a
ciência, que os artistas renascentistas procuraram realizar de forma muito consciente; na arte
barroca predominam as emoções e não o racionalismo da arte renascentista.
• É uma época de conflitos espirituais e religiosos. O estilo barroco traduz a tentativa angustiante
de conciliar forças antagônicas: Bem e Mal, Deus e Diabo, Céu e Terra, Pureza e Pecado, Alegria e
Tristeza, Paganismo e Cristianismo, Espírito e Matéria.
• Suas características gerais são:
• Emocional sobre o racional; seu propósito é impressionar os sentidos do observador, baseando-
se no princípio segundo o qual a fé deveria ser atingida através dos sentidos e da emoção e não
apenas pelo raciocínio.
• Busca de efeitos decorativos e visuais, através de curvas, contracurvas, colunas retorcidas;
• Entrelaçamento entre a arquitetura e escultura;
• Violentos contrastes de luz e sombra;
• Pintura com efeitos ilusionistas, dando-nos às vezes a impressão de ver o céu, tal a aparência de
profundidade conseguida.
PINTURA
• As características da pintura barroca são:
• Composição assimétrica, em diagonal – que
se revela num estilo grandioso, monumental,
retorcido, substituindo a unidade geométrica
e o equilíbrio da arte renascentista;
• Acentuado contraste de claro-escuro
(expressão dos sentimentos) – era um recurso
que visava a intensificar a sensação de
profundidade;
• Realista, abrangendo todas as camadas
sociais;
• Escolha de cenas no seu momento de maior
intensidade dramática;
• A decoração em “trompe l’oeil”.
A Deposição de Cristo,1602-04, Caravaggio, 
Pinacoteca do Vaticano, Roma.
PRINCIPAIS ARTISTAS:
• Michelangelo Merisi da Caravaggio (1571-
1610) foi o pintor mais original do século XVII,
veio injetar vida nova na pintura italiana após a
artificialidade do Maneirismo.
• Conduziu o realismo a novas alturas, pintando
corpos em estilo absolutamente “barra
pesada”, em oposição aos pálidos fantasmas
maneiristas. Desse modo, Caravaggio
secularizou a arte religiosa, fazendo os santos
parecer gente comum e os milagres, eventos
do cotidiano.
• Embora se especializasse em grandes pinturas
religiosas, Caravaggio defendia a “pintura
direta” da natureza – ao que parece
diretamente dos cortiços mais sórdidos. Davi om a Cabeça de Golias, c. 1605-06, 
Caravaggio, Galeria Borghese, Roma.
Judite e Holofernes, c. 1598-99, Caravaggio, Palácio 
Barberini, Roma.
Vocação de São Mateus, 1599-1600, Caravaggio, Igreja de São 
Luís dos Franceses, Roma.
• Diego Velázquez (1599-1660) pintor
espanhol, além de retratar as pessoas da
corte espanhola do século XVII, procurou
registrar em seus quadros também os tipos
populares do seu país, documentando o
dia-a-dia do povo espanhol num dado
momento da história.
• Usava os princípios da pintura barroca,
como os efeitos luminosos são usados –
não através de contrastes ásperos, mas sim
com uma continua e gradual mudança de
intensidade nas várias zonas da tela – para
fazer da composição um jogo de anotações
coloristas simbólicas, escondidas atrás de
uma aparência de absoluta adesão ao
tema.
Infanta Margarida em Vestido Azul, 1659, Diego 
Velázquez, Museu de Arte e História, Viena
• Rubens (1577-1640) nascido em Flandres,
atualmente Bégica, como Sir Peter Paul Rubens
conhecido como “Príncipe dos pintores e
pintor dos príncipes” teve uma vida sofisticada,
que o levou às cortes da Europa como pintor e
diplomata.
• Um raro gênio criativo, tinha uma formação
clássica e era sociável, bonito , vigoroso e
viajado. Falava fluentemente vários idiomas e
tinha uma energia inextinguível.
• Além de um colorista vibrante, se notabilizou
por criar cenas que sugerem, a partir das linhas
contorcidas dos corpos e das pregas das
roupas, um intenso movimento.
• Em seus quadros, é geralmente, no vestuário
que se localizam as cores quentes – o
vermelho, o verde e o amarelo – que
contrabalançam a luminosidade da pele clara
das figuras humanas.O Rapto das Filhas de Leucipo, c.1617, 
Rubens, Alte Pinakothek, Munique.
• Rembrandt (1606-1669), holandês, nascido
Rembrandt van Rijn, teve grande sucesso como
pintor de retratos, mas sua fama também
repousa nos quadros sérios, introspectivos, de
seus últimos anos, pinturas em que o sombreado
sutil implica uma extraordinária profundidade
emocional.
• O que dirige nossa atenção nos quadros deste
pintor não é propriamente o contraste entre luz e
sombra, mas a gradação da claridade, os meios-
tons, as penumbras que envolvem áreas de
luminosidade mais intensa.
• Rembrandt evoluiu dos pequenos detalhes para
figuras de tamanho grande, pintadas com
grandes borrões de tinta. Ele praticamente
entalhava o pigmento, espalhando com a
espátula uma pasta pesada espessa e
desenhando na camada de tinta malhada com o
cabo do pincel. O efeito é uma pintura irregular
que cria um brilho ao refletir e difundir a luz,
enquanto as zonas escuras levam uma fina
camada vidrada para realçar a absorção da luz.
Lição de Anatomia do Dr. Tulp, 1632, Rembrandt, 
Mauritshuis, Amsterdam.
• Vermeer (1632-1675), holandês de nome
Johannes Veermer, apresentou muita técnica
do uso da luz, enquanto outros pintores
usavam uma gama de cinza, verde, marrom,
as cores Veermer eram mais puras e vívidas,
com uma intensidade de brilho jamais vista.
Veermer usou uma “câmera escura” para
obter maior perfeição do desenho.
• Consiste numa caixa escura com uma abertura
minúscula por onde se projeta a imagem do
objeto a ser traçado numa folha de papel. No
entanto, Veermer não se limitava a copiar as
linhas da cena projetada.
• Seu manuseio da tinta também foi
revolucionário, usava de tal forma que se
aproximava do pontilhismo dos
impressionistas. Um crítico descreveu essa
superfície como uma “mistura de pérolas
socadas”.
Moça com Brinco de Pérola, 1665, Johannes Vermeer, 
Mauritshuis, Haia.
ESCULTURA 
• A primeira preocupação dos escultores barrocos é de se
fundirem nas outras artes. Na realidade, nestas obras
não se conseguem separar os dois aspectos: o conjunto
é claramente arquitetônico, mas o papel principal foi
confiado às estatuas. As esculturas barrocas já não são
concebidas segundo esquemas geométricos, mas sim
combinando movimentos, soltos e vivos, das figuras.
• Suas principais características são:
• O predomínio das linhas curvas, dos drapeados das
veste;
• O uso do dourado;
• Os gestos e os rostos das personagens revelam
emoções violentas e atingem uma dramaticidade
desconhecida no Renascimento.
• Artista principal: Gianlorenzo Bernini (1598-1680) foi
um dos mais importantes escultores doperíodo
barroco.
O Êxtase de Santa Tereza, Gianlorenzo Bernini, 
Igreja Santa Maria della Viitoria, Roma, Itália.
O Rapto da Proserpina
ARQUITETURA
• De forma geral, suas características mais marcantes são:
• forte presença de espaços e formas ovais, que trazem a ideia de centralização;
• uso da cruz grega, que identifica o cristianismo;
• fachadas convexas ou côncavas, que reforçam a ideia de movimento;
• uso de colunas tortas, de arco, frontões e frisos;
• elementos decorativos de muita exuberância e forte presença do dourado;
• efeitos em gesso ou estuque;
• sensação de infinitude e grandeza;
• murais e pinturas nos tetos;
• uso da iluminação para criar a sensação de mistério;
• exaltação de Deus e de Cristo como figuras principais.
• o movimento, a curvatura das fachadas tornou-se num dos motivos
característicos da arquitetura desse período.
Palácio de Versalhes, França.
Igreja de São Carlos, Karlskirche, Viena, Áustria.
Cúpula da Igreja São Lourenço, Turim, Itália.
Igreja de São Tiago de Compostela, Espanha.
• A arquitetura barroca não se limitou
aos edifícios, também alargou sua
atenção aos novos campos de ação:
estradas, praças e jardins. O que hoje
chamamos de urbanismo. Era uma
evolução que fazia parte íntima do
espirito do tempo, muito teatral.
• Por outro lado, a capacidade técnica
dos mestres barrocos estava à altura de
dominar os novos e complexos temas.
A praça de São Pedro, em Roma, de
autoria de Gian Lorenzo Bernini, é o
exemplo mais conhecido do aspecto
urbanístico do barroco.
Colunata Praça de São Pedro, Vaticano, Roma, Itália.
ARTE BARROCA NO BRASIL 
• A arte barroca no Brasil ganhou relevância com a chegada dos colonizadores
portugueses, tendo seu apogeu no século XVIII, estendendo sua influência até as
primeiras décadas do século XIX.
• Os artistas barrocos empregavam realismo, cores ricas e temas religiosos ou
mitológicos, enquanto os arquitetos favoreciam o equilíbrio e a simetria.
• Mas a extravagância é uma característica evidente na arte e arquitetura barroca no
Brasil, assim como nas obras irmãs europeias.
• O nordeste e o sudeste do Brasil reúnem grande parte do legado de obras
barrocas brasileiras.
• O estado de Minas Gerais e sua região histórica – Ouro Preto, Tiradentes,
Mariana, entre outras cidades – guardam muitas igrejas, fachadas e praças que são
joias da arte nacional desse estilo.
• Na Bahia, as igrejas barrocas também são registros da exuberância das formas e
das cores suntuosas que destacavam a religiosidade como guia e modelo da época.
PRINCIPAIS ARTISTAS DO BARROCO BRASILEIRO
• Mestre Valentim: baseado no Rio de Janeiro, é autor de diversas obras de
esculturas e entalhes. Além das artes religiosas, também fez obras de arte
civil fora da temática religiosa.
• Antônio Francisco de Lisboa, o Aleijadinho: é conhecido como o maior
expoente das artes plásticas barrocas. Utilizando-se de características do
Rococó e estilos clássico e gótico, ele usava como material de suas obras a
pedra-sabão e a madeira. Entre suas inúmeras obras estão a Igreja de São
Francisco de Assis de Ouro Preto e o Santuário do Bom Jesus de
Matosinhos.
• Manoel da Costa Ataíde: mineiro de Mariana foi um ilustre autor da pintura
barroca brasileira, ornamentando diversas igrejas.
• Francisco Xavier de Brito e Manuel de Brito: artistas portugueses radicados
no Brasil que criaram obras inspiradas no barroco romano.
Igreja de São Francisco, em Salvador, com adornos em 
ouro e prata e esculturas de Aleijadinho, escultor e 
arquiteto responsável também pelo projeto dessa mesma 
igreja.
Pintura de Manuel da Costa Ataíde no teto da 
Igreja de São Francisco de Assis.
A Igreja Nossa Senhora do Rosário, de Ouro 
Preto, é um dos principais símbolos do 
barroco mineiro.
Passos da Paixão, de Aleijadinho
O Santuário do Bom 
Jesus de Matosinhos 
que abriga os doze 
profetas esculturas.
Doze Profetas, um 
conjunto de esculturas 
de pedra-sabão que ele 
esculpiu entre 1800 e 
1805. As esculturas 
estão em Congonhas 
do Campo e cercam o 
Santuário do Bom Jesus 
de Matosinhos, uma 
igreja em estilo rococó. 
Igreja de São Francisco de 
Assis, obra de Aleijadinho. 
Fonte: Ouro Preto
ARTE ROCOCÓ
• Estilo artístico que surgiu na França como desdobramento do Barroco, mais
leve e intimista que aquele e foi usado inicialmente em decoração de
interiores.
• Primeiramente, desenvolveu-se na França, no século XVIII, e difundiu-se
por toda a Europa. No Brasil, foi introduzido pelo colonizador português e
sua manifestação se deu principalmente no mobiliário, conhecido por
estilo ”Dom João V”. Na França, o rococó é também chamado estilo Luís
XV e Luís XVI.
• Para alguns historiadores é um estilo que durou entre 1720 a 1780, ficou
vigoroso até o advento da reação neoclássica, por volta de 1770, irradiou-
se da França para o resto da Europa, principalmente na parte católica na
Alemanha, na Prússia e em Portugal.
• O termo rococó deriva do francês rocaille, que em
português, por aproximação significa “concha”, isso
é significativo na media em que muitas vezes
podemos perceber as linhas de uma concha
associadas aos elementos decorativos desse estilo.
• Também pode ser associado à palavra
“embrechado” que é uma técnica de incrustação de
conchas e fragmentos de vidro utilizados
originariamente na decoração de grutas artificiais.
• A arte rococó reflete os valores de uma
sociedade fútil que buscava nas obras de
arte algo que lhe desse prazer e a levasse a
esquecer de seus problemas reais;
• Os temas utilizados eram: cenas eróticas
ou galantes da vida cortesã e da mitologia,
pastorais, alusões ao teatro da época,
motivos religiosos e farta estilização
naturalista do mundo vegetal em ornatos
nas molduras.
Carta de Amor, François Boucher, 
National Gallery, Washington.
• Na ourivesaria, no mobiliário, na pintura ou na decoração dos interiores dos hotéis
parisienses da aristocracia, encontram-se os elementos que caracterizam o rococó:
• leveza dos traços;
• suavidade e luminosidade das cores;
• linhas curvas;
• ausência de interferência religiosa em quase todos os lugares (o Brasil, é claro, é uma das
exceções);
• busca pelo refinado e exótico;
• design elegante;
• paisagens e representações da natureza pintadas nos tetos;
• formatos ovais;
• portas e janelas maiores com arcos;
• menores proporções;
• uso do ferro forjado em grades para varandas, lagos, portas e jardins;
• salão principal como centro das dependências;
• utilização de materiais que imitam mármores;
• paredes claras.
ARQUITETURA
• CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS:
• Essa corrente de arquitetura ficou
conhecida por edifícios baixos,
proporções menores, fachadas alinhadas
e ângulos retos suavizados por curvas.
• Internamente, a decoração ficou
caracterizada por seu caráter ornamental
e rico em detalhes, com formatos ovais,
pinturas suaves e luminosas, além de
espelhos e o uso de flores nos detalhes.
• A decoração das divisões é feita com
diferentes tipos de móveis: cômodas,
escrivaninhas, grandes relógios,
poltronas, etc. Em cima deles eram
colocados bibelôs de prata e porcelana;
Salão Oval, Hotel Soubise, Paris, França.
Salão do Petit Trianon, Versalhes, França.
Fachada do Petit Trianon, desenhado por 
Jacques-Ange Gabriel por ordem de Luís XV 
para sua amante, Madame de Pompad
PINTURA 
• A pintura deste movimento divide-se em
dois campos nitidamente diferenciados,
entre os quais serão:
• 1º) documento visual intimista e
despreocupado do modo de vida e da
concepção de mundo das elites europeias
do século XVIII;
• 2º) adapta elementos constituintes do
estilo à decoração monumental de igrejas
e palácios, serviu como meio de
glorificação da fé e do poder civil.
Nicolas Lancret: A Terra, c. 1730
CARACTERÍSTICAS:
• Os temas trazem cenas pastoris, festas galantes,
traduzindo amor, sedução, erotismo e hedonismo
(doutrina filosófica que faz do prazer o objeto da vida).
Temas tratados de forma ligeira e superficial, com
referência à deuses e a pequenos cupidos. Teatralidadepróprias do estilo rococó, opostas à ansiedade e tristeza
do barroco.
• A tradição do retrato continuou, mas tornou-se mais
histórico, sereno, burguês, sensível, psicológico, delicado
de tons suaves e gradações cromáticas que fazem
lembrar o sfumato renascentista.
• As composições são próprias para decorar interiores e,
por isso, são exuberantes e rítmicas. Fazem parte da
composição elementos marinhos, como conchas e ondas,
as cores são baseadas nos brancos, azuis, rosas,
nacarados do mar e das conchas. Trazem leveza e
graciosidade dos gestos, movimento, ritmo e sentido
cênico. Elisabeth Vigée-Le Brun: A Rainha 
Maria Antonieta, 1783
ESCULTURA
• Preferência pelas esculturas decorativas e ornamentais que
complementam a arquitetura, de forma a cobrir todas as
estruturas e superfícies. A estatuária de pequeno porte,
destinadas às decorações dos interiores, com pequenos
objetos, sem função utilitária (bibelôs, bustos, estatuetas
religiosas, composições mitológicas e alegóricas).
• Recuperam-se materiais que até então tinham sido
ignorados – madeira, argila, gesso, ouro e prata, porcelana
(biscuit), este último foi o verdadeiro material do rococó, foi
extremamente popular e o mais usado para a produção de
pequenas esculturas.
• Nas grandes obras escultóricas são utilizados pedra e
bronze e nas esculturas de pequena dimensão e objetos
ornamentais são usados o bronze, o ouro, a prata,
porcelana, na decoração mural, a argila, a madeira, estuque
e gesso.
• Abandonam-se os temas sérios e nobres e dá-se
preferência aos temas menores, irônicos, alegres, jocosos,
sensuais e galantes, na estuaria de pequenas dimensões, já
na estatuária monumental, os temas são comemorativos e
honoríficos.
Leda e o Cisne, Étienne Maurice 
Falconet, porcelana, c.1764-66.
NEOCLASSICISMO NA EUROPA
CONSIDERAÇÕES GERAIS
• Nas duas últimas décadas do século XVIII e nas três primeiras do século XIX, uma
nova tendência estética predominou nas criações dos artistas europeus. Trata-se
do Neoclassicismo, que expressou os valores próprios de uma nova e
fortalecida burguesia, que assumiu a direção da Sociedade europeia após a
Revolução Francesa e principalmente com o Império de Napoleão;
• Esse reviver do austero Classicismo na pintura, na escultura, na arquitetura e no
mobiliário constituiu uma clara reação contra o enfeitado do estilo rococó.
• O século XVIII tinha sido a Idade das Luzes, quando os filósofos pregavam o
evangelho da razão e da lógica. Essa fé na lógica levou à ordem e às virtudes
“enobrecedoras” da arte neoclássica.
• O iniciador da tendência foi Jacques-Louis David pintor e democrata francês
que imitava a arte grega e romana para inspirar a nova republica francesa. A
Arte “politicamente correta” era séria, ilustrando temas da história antiga ou da
mitologia, em vez da frivolidade rococó.
Resumem-se as principais características:
• Retorno ao passado, pela imitação dos modelos antigos greco-latinos;
• Academicismo nos temas e nas técnicas, isto é, sujeição aos modelos e às
regras ensinadas nas escolas ou academias de belas-artes;
• Arte entendida como imitação da natureza, num verdadeiro culto à teoria
de Aristóteles;
• Estilo sóbrio, antidecorativo, linear, antissensual, volta-se ao desenho,
simplicidade da natureza, nobre, sereno, histórico.
• Criação de figuras severas, desenhadas com exatidão, que apareciam em
primeiro plano, sem a ilusão de profundidade dos relevos romanos.
• A pincelada era suave, de modo que a superfície da pintura parecia polida
e as composições eram simples, para evitar o melodrama rococó.
• Na arquitetura, os fundos, em geral, incluíam toques romanos, como arcos
ou colunas, e a simetria e as linhas retas substituíam as curvas irregulares.
ARQUITETURA
• Surgiram assim os edifícios grandiosos, de estética totalmente racionalista: pórticos de
colunas colossais com frontispícios triangulares, pilastras despojadas de capitéis e uma
decoração apenas insinuada em guirlandas ou rosetas e frisos de meandros.
• Utilização de materiais nobres tradicionais como mármores, granito e madeira, e
modernos como ladrilho cerâmico e ferro fundido, de baixo custo e maior
funcionalidade.
• Sistemas de construção simples (trilítico) ou complexos, estruturados a partir do arco
de 180 graus de inspiração romana e adaptados aos modernos processos técnicos.
• Tetos planos, abóbodas e berço ou de aresta emoldurada e cúpulas nas zonas centrais
das construções e assentes em tambores rodeados de colunas com entablamentos
circulares.
• As cidades tiveram de se adaptar a essas construções gigantescas. Desenharam-se largas
avenidas para abrigar os novos edifícios públicos, academias e universidades, muitos dos
quais conservam ainda hoje a mesma função.
Panteon de Paris
ESCULTURA
• Os escultores neoclássicos foram marcados pelo rigor e pela
passividade e sua produção academicista é considerada fria.
• Estátuas de heróis uniformizados, mulheres envoltas em
túnicas de Afrodite, ou crianças conversando com filósofos,
foram os protagonistas da fase inicial da escultura neoclássica.
Mais tarde, na época de Napoleão, essa disciplina artística se
restringiria às estátuas equestres e bustos focalizados na
pessoa do imperador. A referência estética foi encontrada na
estatuária da antiguidade clássica, por isso as obras possuíam
um naturalismo equilibrado.
• Respeitavam-se movimentos e posições reais do corpo,
embora a obra nunca estivesse isenta de certo realismo
psicológico, plasmado na expressão pensativa e melancólica
dos rostos.
• A busca do equilíbrio exato entre naturalismo e beleza ideal
ficava evidente nos esboços, nos quais os volumes e as
variações das posições do corpo eram estudados com cuidado.
O escultor neoclássico encontrou o dinamismo na sutileza dos
gestos e suavidade das formas.
Hercules de Licas, Antonio Canova, 
Galeria Nacional de Arte Moderna e 
Contemporânea de Roma, Itália.
PINTURA 
• A pintura desse período foi inspirada principalmente na
escultura clássica grega e na pintura renascentista italiana,
sobretudo em Rafael, mestre inegável do equilíbrio da
composição.
• Características da pintura:
• Formalismo na composição, refletindo racionalismo
dominante;
• Exatidão nos contornos;
• Sobriedade nos ornamentos e no colorido, com pinceladas
que não marcavam a superfície, dando à obra um aspecto
impessoal onde predominava o desenho sobre a cor;
• Harmonia e equilíbrio do colorido.
• Principal artista: Jacques-Louis David (1748-1825) pintor
francês, foi considerado o pintor da Revolução Francesa, mais
tarde, tornou-se o pintor oficial do Império de Napoleão.
Durante o governo de Napoleão, registrou fatos históricos
ligados à vida do imperador. Suas obras geralmente expressam
um vibrante realismo, mas algumas delas exprimem fortes
emoções.
Retrato Equestre de Bonaparte no Monte 
Saint-Bernard, 1801, Jacques-Louis David, 
Castelo de Malmaison, França.
NEOCLASSICISMO NO BRASIL
ARTE ACADÊMICA BRASILEIRA
CONTEXTO DE FORMAÇÃO
• As transformações políticas, sociais, culturais e artísticas ocorridas na Europa
durante o século XVIII, influenciadas pelo Iluminismo, pelas descobertas
arqueológicas e pela Revolução Francesa, repercutiram com um certo atraso na
arte produzida no Brasil.
• Os artistas franceses, portugueses e os viajantes instalaram-se no país a partir
da transferência da Corte Portugueses para o Rio de janeiro, em 1808. O
cenário era propício para a vinda de pintores europeus, pois havia interesse
político dos portugueses em estabelecer por aqui uma arte oficial.
• Ao longo do tempo, surgiu a arte acadêmica, ou academicismo, patrocinada
pelo governo com forte caráter conservador, regras e padrões rígidos em um
modelo Neoclássico aclimatado ao gosto da sociedade da época, deixando sua
marca na arquitetura, na pintura e na escultura, assim como a estética
romântica nas paisagens e na pintura narrativa.
MISSÃO ARTÍSTICA FRANCESA
• D. João VI, preocupado com o desenvolvimento cultural, trazia na bagagem todos os
recursos para a transformação danova metrópole. O rei, adaptado à nova sede do Reino,
quis modernizá-la. Construiu o Teatro São João, em 1812, liberou o comércio, os portos,
as fábricas, as tipografias e a importação de livros. Organizou a Biblioteca Real (60 mil
volumes), criou o Observatório Astronômico, o Jardim Botânico e o Museu Nacional.
• Nesse momento, o Brasil recebe forte influência cultural europeia, intensificada ainda
mais com a chegada de um grupo de artistas franceses, em 1816, encarregado da
fundação da Academia Imperial de Belas Artes, inaugurada em 1826, na qual os alunos
poderiam aprender as artes e os ofícios artísticos.
• A Missão Artística Francesa, chefiada por Jacques Le Breton, que dirigia a Academia
Francesa de Belas-Artes na França, traziam a modernização desejada pelo soberano.
Vieram pintores, escultores, arquitetos, músicos, artesãos, mecânicos, ferreiros e
carpinteiros.
• Os artistas da Missão Artística Francesa pintavam, desenhavam, esculpiam e construíam à
moda europeia. Obedeciam ao estilo neoclássico, ou seja, um estilo artístico que
propunha a volta aos padrões da arte clássica (greco-romana) da Antiguidade e do
Renascimento. O artista não deve imitar a realidade, mas tentar recriar a beleza ideal em
suas obras, por meio da imitação dos clássicos.
• Os artistas da Missão Artística Francesa
pintavam, desenhavam, esculpiam e
construíam à moda europeia.
Obedeciam ao estilo neoclássico;
• Entre os principais artistas destacam-se:
• Grandjean de Montigny (1772-1850) –
arquiteto;
• Nicolas-Antoine Taunay (1755-1830) –
pintor;
• Jean-Baptiste Debret (1768-1848) foi
chamado de “a alma da Missão
Francesa”. Ele foi desenhista,
aquarelista, pintor cenográfico,
decorador, professor de pintura e, em
1829, organiza a primeira exposição de
arte no Brasil.
Frontão da Academia Imperial de Belas-Artes, 
Grandjean Montigny, Jardim Botânico, Rio de 
Janeiro.
Um Jantar Brasileiro, Jean-Baptiste Debret, 1827, 
aquarela, Museus Castro Maya, Rio de Janeiro.
Dom João VI, Jean-Baptista Debret, 
Museu Nacional de Belas Artes.
CONTEXTO DE FORMAÇÃO
• O Academicismo se faz presente na Europa desde meados do século XVI, a
partir da fundação da Academia de Desenho de Florença, e é amplamente
disseminado e esteticamente marcado pela Real Academia de Pintura e
Escultura, fundada em Paris em 1648.
• Já a arte acadêmica no Brasil se inicia em 1816, com a fundação da Escola Real
de Ciências, Artes e Ofícios. Essa viria a se tornar, em 1931, a Escola Nacional de
Belas Artes, em funcionamento até hoje como departamento da Universidade
Federal do Rio de Janeiro.
• A arte Acadêmica brasileira tem seu início por meio do incentivo da Missão
Artística Francesa, que tinha como objetivo:
• institucionalizar a produção artística;
• criar um modelo padrão de formação.
• As academias ofereciam aos artistas uma
formação padronizada, baseada no
classicismo dos escultores gregos e
pintores renascentistas, para os quais a
finalidade estética não era a reprodução
da realidade, mas sim a:
• recriação de uma beleza ideal;
• grandiosidade;
• aproximação da perfeição.
• Essa formação da história da arte na
pintura acadêmica no Brasil tira o artista
do seu lugar-comum de artesão e passa a
conferir a ele o status de intelectual,
devido sobretudo ao seu extenso ensino
teórico: geometria, anatomia, filosofia e
história eram a base da formação dos
artistas da arte acadêmica no Brasil.
“A Primeira Missa No Brasil”, de Victor Meirelles 
PINTURA ACADÊMICA BRASILEIRA
• Adquiriu identidade própria. Os artistas transitavam entre os estilos
neoclássico e romântico europeus, com ênfase nas paisagens, nos
retratos, nas pinturas de batalha e narrativas.
• O núcleo vital era representar a identidade da nova pátria, agora uma
nação independente. Os objetos retratados deviam privilegiar paisagens e
figuras indígenas, escolhidas pela arte oficial, para representar os
símbolos nacionalistas.
• Nesse período de formação da identidade, a figura do bandeirante
também foi utilizada em esculturas e pinturas para retratar a saga dos
brasileiros na conquista de territórios.
PRINCIPAIS ARTISTAS
• Victor Meirelles de Lima (1832-1903)
iniciou seus estudos aos 15 anos de idade
na Academia Imperial de Belas Artes,
partindo em seguida à Itália, para
formar-se pintor. Mais tarde foi estudar
na Real Academia de Pintura e Escultura
de Paris, onde pintou sua obra mais
famosa, “A Primeira Missa no Brasil”,
exposta no salão de Paris em 1861.
• Sua predileção por pintar motivos
bíblicos e históricos o consolidou como
um dos principais pintores históricos
brasileiros. Retornou à Academia
Imperial de Belas Artes, onde exerceu o
cargo de professor até 1890.
“Moema”, de Victor Meirelles
• Pedro Américo de Figueiredo e
Melo (1843-1905) era de família
humilde, mas sua aptidão para a
arte desde a infância possibilitou
sua mudança, aos 11 anos, para o
Rio de Janeiro, onde estudou no
Colégio Pedro II e, posteriormente,
na Academia Imperial de Belas
Artes.
• Após sua formação na Academia, o
próprio imperador Dom Pedro II
concedeu ao pintor um patrocínio
para que estudasse na Real
Academia de Paris, onde foi
formado por grandes nomes do
neoclassicismo francês. Formou-se
então doutor em Ciências Naturais
em Bruxelas, e depois, ao voltar
para o Brasil, passou a lecionar na
Academia Imperial de Belas Artes.
“Independência ou Morte”, 1888, de Pedro 
Américo
Dom Pedro II na abertura da Assembleia, 
Pedro Américo, Museu Imperial de Petrópolis, 
Rio de Janeiro.
Tiradentes esquartejado. 1893. Museu Nacional de 
Belas artes.
• José Ferraz de Almeida Júnior (1850-1899), assim
como seus predecessores, estudou na Academia
Imperial de Belas Artes e, em seguida, em Paris,
onde participou do Salão de Artistas franceses entre
1880 e 1882.
• Apesar de ter tido formação academicista e utilizar
de seus recursos técnicos, Almeida Júnior se
distingue dos outros pintores da arte acadêmica
brasileira por representar em sua obra o homem
comum, a vida cotidiana, em contraste com a
monumentalidade das representações da
aristocracia, mais comumente presentes no
movimento acadêmico neoclássico.
• Por isso, é considerado por muitos críticos o pintor
mais brasileiro da arte acadêmica no Brasil.
• Os temas retratados em suas obras eram
históricos, religiosos e, principalmente,
regionalistas.
• A temática regionalista, que até então não era
explorada por pintores com tamanho nível de
instrução técnica, está presente em seus principais
quadros: “O Violeiro”, “Leitura”, e “Caipira Picando
Fumo” “Caipira Picando Fumo”, 1893.
O violeiro, 1899, 
Almeida Júnior

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