Prévia do material em texto
ARTE BARROCA CONTEXTO DE FORMAÇÃO • A arte barroca estendeu-se por todo o século XVII e pelas primeiras décadas do XVIII. A sua difusão abrangeu quase toda a Europa e a América Latina; • nasceu e desenvolveu-se, nos princípios na Roma dos papas. Em seguida, espalhou-se pelo resto da Europa e pelos países sob a influência católica; • rompeu com importantes conceitos renascentistas. Há rompimento das noções de um equilíbrio entre razão e emoção, da associação entre arte e ciência. O racionalismo dá lugar a uma grande emotividade e inspiração. INFLUÊNCIAS HISTÓRICAS: • A Reforma Protestante, movimento de contestação à doutrina da Igreja Católica, teve como principal líder o alemão Martinho Lutero. Apesar de ter sido um movimento religioso, provocou mudanças em outros setores da cultura europeia. Favoreceu, por exemplo, a formação dos estados nacionais, ao propor que cada nação se libertasse do poder do papa. • A Igreja Católica, porém, logo se organizou contra a Reforma. Na verdade, desde o início do século XV havia dentro dela um movimento que visava fortalecer a vida espiritual, mas apenas no século XVI essa reação viria a constituir a Contrarreforma. • Com a ação das grandes ordens religiosas, como a Companhia de Jesus, a Igreja Católica retomou sua força e construiu novas e grandes igrejas. A arte voltava a ser vista como um meio de ampliar a influencia católica. PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS: • As obras barrocas romperam o equilíbrio entre o sentimento e a razão ou entre a arte e a ciência, que os artistas renascentistas procuraram realizar de forma muito consciente; na arte barroca predominam as emoções e não o racionalismo da arte renascentista. • É uma época de conflitos espirituais e religiosos. O estilo barroco traduz a tentativa angustiante de conciliar forças antagônicas: Bem e Mal, Deus e Diabo, Céu e Terra, Pureza e Pecado, Alegria e Tristeza, Paganismo e Cristianismo, Espírito e Matéria. • Suas características gerais são: • Emocional sobre o racional; seu propósito é impressionar os sentidos do observador, baseando- se no princípio segundo o qual a fé deveria ser atingida através dos sentidos e da emoção e não apenas pelo raciocínio. • Busca de efeitos decorativos e visuais, através de curvas, contracurvas, colunas retorcidas; • Entrelaçamento entre a arquitetura e escultura; • Violentos contrastes de luz e sombra; • Pintura com efeitos ilusionistas, dando-nos às vezes a impressão de ver o céu, tal a aparência de profundidade conseguida. PINTURA • As características da pintura barroca são: • Composição assimétrica, em diagonal – que se revela num estilo grandioso, monumental, retorcido, substituindo a unidade geométrica e o equilíbrio da arte renascentista; • Acentuado contraste de claro-escuro (expressão dos sentimentos) – era um recurso que visava a intensificar a sensação de profundidade; • Realista, abrangendo todas as camadas sociais; • Escolha de cenas no seu momento de maior intensidade dramática; • A decoração em “trompe l’oeil”. A Deposição de Cristo,1602-04, Caravaggio, Pinacoteca do Vaticano, Roma. PRINCIPAIS ARTISTAS: • Michelangelo Merisi da Caravaggio (1571- 1610) foi o pintor mais original do século XVII, veio injetar vida nova na pintura italiana após a artificialidade do Maneirismo. • Conduziu o realismo a novas alturas, pintando corpos em estilo absolutamente “barra pesada”, em oposição aos pálidos fantasmas maneiristas. Desse modo, Caravaggio secularizou a arte religiosa, fazendo os santos parecer gente comum e os milagres, eventos do cotidiano. • Embora se especializasse em grandes pinturas religiosas, Caravaggio defendia a “pintura direta” da natureza – ao que parece diretamente dos cortiços mais sórdidos. Davi om a Cabeça de Golias, c. 1605-06, Caravaggio, Galeria Borghese, Roma. Judite e Holofernes, c. 1598-99, Caravaggio, Palácio Barberini, Roma. Vocação de São Mateus, 1599-1600, Caravaggio, Igreja de São Luís dos Franceses, Roma. • Diego Velázquez (1599-1660) pintor espanhol, além de retratar as pessoas da corte espanhola do século XVII, procurou registrar em seus quadros também os tipos populares do seu país, documentando o dia-a-dia do povo espanhol num dado momento da história. • Usava os princípios da pintura barroca, como os efeitos luminosos são usados – não através de contrastes ásperos, mas sim com uma continua e gradual mudança de intensidade nas várias zonas da tela – para fazer da composição um jogo de anotações coloristas simbólicas, escondidas atrás de uma aparência de absoluta adesão ao tema. Infanta Margarida em Vestido Azul, 1659, Diego Velázquez, Museu de Arte e História, Viena • Rubens (1577-1640) nascido em Flandres, atualmente Bégica, como Sir Peter Paul Rubens conhecido como “Príncipe dos pintores e pintor dos príncipes” teve uma vida sofisticada, que o levou às cortes da Europa como pintor e diplomata. • Um raro gênio criativo, tinha uma formação clássica e era sociável, bonito , vigoroso e viajado. Falava fluentemente vários idiomas e tinha uma energia inextinguível. • Além de um colorista vibrante, se notabilizou por criar cenas que sugerem, a partir das linhas contorcidas dos corpos e das pregas das roupas, um intenso movimento. • Em seus quadros, é geralmente, no vestuário que se localizam as cores quentes – o vermelho, o verde e o amarelo – que contrabalançam a luminosidade da pele clara das figuras humanas.O Rapto das Filhas de Leucipo, c.1617, Rubens, Alte Pinakothek, Munique. • Rembrandt (1606-1669), holandês, nascido Rembrandt van Rijn, teve grande sucesso como pintor de retratos, mas sua fama também repousa nos quadros sérios, introspectivos, de seus últimos anos, pinturas em que o sombreado sutil implica uma extraordinária profundidade emocional. • O que dirige nossa atenção nos quadros deste pintor não é propriamente o contraste entre luz e sombra, mas a gradação da claridade, os meios- tons, as penumbras que envolvem áreas de luminosidade mais intensa. • Rembrandt evoluiu dos pequenos detalhes para figuras de tamanho grande, pintadas com grandes borrões de tinta. Ele praticamente entalhava o pigmento, espalhando com a espátula uma pasta pesada espessa e desenhando na camada de tinta malhada com o cabo do pincel. O efeito é uma pintura irregular que cria um brilho ao refletir e difundir a luz, enquanto as zonas escuras levam uma fina camada vidrada para realçar a absorção da luz. Lição de Anatomia do Dr. Tulp, 1632, Rembrandt, Mauritshuis, Amsterdam. • Vermeer (1632-1675), holandês de nome Johannes Veermer, apresentou muita técnica do uso da luz, enquanto outros pintores usavam uma gama de cinza, verde, marrom, as cores Veermer eram mais puras e vívidas, com uma intensidade de brilho jamais vista. Veermer usou uma “câmera escura” para obter maior perfeição do desenho. • Consiste numa caixa escura com uma abertura minúscula por onde se projeta a imagem do objeto a ser traçado numa folha de papel. No entanto, Veermer não se limitava a copiar as linhas da cena projetada. • Seu manuseio da tinta também foi revolucionário, usava de tal forma que se aproximava do pontilhismo dos impressionistas. Um crítico descreveu essa superfície como uma “mistura de pérolas socadas”. Moça com Brinco de Pérola, 1665, Johannes Vermeer, Mauritshuis, Haia. ESCULTURA • A primeira preocupação dos escultores barrocos é de se fundirem nas outras artes. Na realidade, nestas obras não se conseguem separar os dois aspectos: o conjunto é claramente arquitetônico, mas o papel principal foi confiado às estatuas. As esculturas barrocas já não são concebidas segundo esquemas geométricos, mas sim combinando movimentos, soltos e vivos, das figuras. • Suas principais características são: • O predomínio das linhas curvas, dos drapeados das veste; • O uso do dourado; • Os gestos e os rostos das personagens revelam emoções violentas e atingem uma dramaticidade desconhecida no Renascimento. • Artista principal: Gianlorenzo Bernini (1598-1680) foi um dos mais importantes escultores doperíodo barroco. O Êxtase de Santa Tereza, Gianlorenzo Bernini, Igreja Santa Maria della Viitoria, Roma, Itália. O Rapto da Proserpina ARQUITETURA • De forma geral, suas características mais marcantes são: • forte presença de espaços e formas ovais, que trazem a ideia de centralização; • uso da cruz grega, que identifica o cristianismo; • fachadas convexas ou côncavas, que reforçam a ideia de movimento; • uso de colunas tortas, de arco, frontões e frisos; • elementos decorativos de muita exuberância e forte presença do dourado; • efeitos em gesso ou estuque; • sensação de infinitude e grandeza; • murais e pinturas nos tetos; • uso da iluminação para criar a sensação de mistério; • exaltação de Deus e de Cristo como figuras principais. • o movimento, a curvatura das fachadas tornou-se num dos motivos característicos da arquitetura desse período. Palácio de Versalhes, França. Igreja de São Carlos, Karlskirche, Viena, Áustria. Cúpula da Igreja São Lourenço, Turim, Itália. Igreja de São Tiago de Compostela, Espanha. • A arquitetura barroca não se limitou aos edifícios, também alargou sua atenção aos novos campos de ação: estradas, praças e jardins. O que hoje chamamos de urbanismo. Era uma evolução que fazia parte íntima do espirito do tempo, muito teatral. • Por outro lado, a capacidade técnica dos mestres barrocos estava à altura de dominar os novos e complexos temas. A praça de São Pedro, em Roma, de autoria de Gian Lorenzo Bernini, é o exemplo mais conhecido do aspecto urbanístico do barroco. Colunata Praça de São Pedro, Vaticano, Roma, Itália. ARTE BARROCA NO BRASIL • A arte barroca no Brasil ganhou relevância com a chegada dos colonizadores portugueses, tendo seu apogeu no século XVIII, estendendo sua influência até as primeiras décadas do século XIX. • Os artistas barrocos empregavam realismo, cores ricas e temas religiosos ou mitológicos, enquanto os arquitetos favoreciam o equilíbrio e a simetria. • Mas a extravagância é uma característica evidente na arte e arquitetura barroca no Brasil, assim como nas obras irmãs europeias. • O nordeste e o sudeste do Brasil reúnem grande parte do legado de obras barrocas brasileiras. • O estado de Minas Gerais e sua região histórica – Ouro Preto, Tiradentes, Mariana, entre outras cidades – guardam muitas igrejas, fachadas e praças que são joias da arte nacional desse estilo. • Na Bahia, as igrejas barrocas também são registros da exuberância das formas e das cores suntuosas que destacavam a religiosidade como guia e modelo da época. PRINCIPAIS ARTISTAS DO BARROCO BRASILEIRO • Mestre Valentim: baseado no Rio de Janeiro, é autor de diversas obras de esculturas e entalhes. Além das artes religiosas, também fez obras de arte civil fora da temática religiosa. • Antônio Francisco de Lisboa, o Aleijadinho: é conhecido como o maior expoente das artes plásticas barrocas. Utilizando-se de características do Rococó e estilos clássico e gótico, ele usava como material de suas obras a pedra-sabão e a madeira. Entre suas inúmeras obras estão a Igreja de São Francisco de Assis de Ouro Preto e o Santuário do Bom Jesus de Matosinhos. • Manoel da Costa Ataíde: mineiro de Mariana foi um ilustre autor da pintura barroca brasileira, ornamentando diversas igrejas. • Francisco Xavier de Brito e Manuel de Brito: artistas portugueses radicados no Brasil que criaram obras inspiradas no barroco romano. Igreja de São Francisco, em Salvador, com adornos em ouro e prata e esculturas de Aleijadinho, escultor e arquiteto responsável também pelo projeto dessa mesma igreja. Pintura de Manuel da Costa Ataíde no teto da Igreja de São Francisco de Assis. A Igreja Nossa Senhora do Rosário, de Ouro Preto, é um dos principais símbolos do barroco mineiro. Passos da Paixão, de Aleijadinho O Santuário do Bom Jesus de Matosinhos que abriga os doze profetas esculturas. Doze Profetas, um conjunto de esculturas de pedra-sabão que ele esculpiu entre 1800 e 1805. As esculturas estão em Congonhas do Campo e cercam o Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, uma igreja em estilo rococó. Igreja de São Francisco de Assis, obra de Aleijadinho. Fonte: Ouro Preto ARTE ROCOCÓ • Estilo artístico que surgiu na França como desdobramento do Barroco, mais leve e intimista que aquele e foi usado inicialmente em decoração de interiores. • Primeiramente, desenvolveu-se na França, no século XVIII, e difundiu-se por toda a Europa. No Brasil, foi introduzido pelo colonizador português e sua manifestação se deu principalmente no mobiliário, conhecido por estilo ”Dom João V”. Na França, o rococó é também chamado estilo Luís XV e Luís XVI. • Para alguns historiadores é um estilo que durou entre 1720 a 1780, ficou vigoroso até o advento da reação neoclássica, por volta de 1770, irradiou- se da França para o resto da Europa, principalmente na parte católica na Alemanha, na Prússia e em Portugal. • O termo rococó deriva do francês rocaille, que em português, por aproximação significa “concha”, isso é significativo na media em que muitas vezes podemos perceber as linhas de uma concha associadas aos elementos decorativos desse estilo. • Também pode ser associado à palavra “embrechado” que é uma técnica de incrustação de conchas e fragmentos de vidro utilizados originariamente na decoração de grutas artificiais. • A arte rococó reflete os valores de uma sociedade fútil que buscava nas obras de arte algo que lhe desse prazer e a levasse a esquecer de seus problemas reais; • Os temas utilizados eram: cenas eróticas ou galantes da vida cortesã e da mitologia, pastorais, alusões ao teatro da época, motivos religiosos e farta estilização naturalista do mundo vegetal em ornatos nas molduras. Carta de Amor, François Boucher, National Gallery, Washington. • Na ourivesaria, no mobiliário, na pintura ou na decoração dos interiores dos hotéis parisienses da aristocracia, encontram-se os elementos que caracterizam o rococó: • leveza dos traços; • suavidade e luminosidade das cores; • linhas curvas; • ausência de interferência religiosa em quase todos os lugares (o Brasil, é claro, é uma das exceções); • busca pelo refinado e exótico; • design elegante; • paisagens e representações da natureza pintadas nos tetos; • formatos ovais; • portas e janelas maiores com arcos; • menores proporções; • uso do ferro forjado em grades para varandas, lagos, portas e jardins; • salão principal como centro das dependências; • utilização de materiais que imitam mármores; • paredes claras. ARQUITETURA • CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS: • Essa corrente de arquitetura ficou conhecida por edifícios baixos, proporções menores, fachadas alinhadas e ângulos retos suavizados por curvas. • Internamente, a decoração ficou caracterizada por seu caráter ornamental e rico em detalhes, com formatos ovais, pinturas suaves e luminosas, além de espelhos e o uso de flores nos detalhes. • A decoração das divisões é feita com diferentes tipos de móveis: cômodas, escrivaninhas, grandes relógios, poltronas, etc. Em cima deles eram colocados bibelôs de prata e porcelana; Salão Oval, Hotel Soubise, Paris, França. Salão do Petit Trianon, Versalhes, França. Fachada do Petit Trianon, desenhado por Jacques-Ange Gabriel por ordem de Luís XV para sua amante, Madame de Pompad PINTURA • A pintura deste movimento divide-se em dois campos nitidamente diferenciados, entre os quais serão: • 1º) documento visual intimista e despreocupado do modo de vida e da concepção de mundo das elites europeias do século XVIII; • 2º) adapta elementos constituintes do estilo à decoração monumental de igrejas e palácios, serviu como meio de glorificação da fé e do poder civil. Nicolas Lancret: A Terra, c. 1730 CARACTERÍSTICAS: • Os temas trazem cenas pastoris, festas galantes, traduzindo amor, sedução, erotismo e hedonismo (doutrina filosófica que faz do prazer o objeto da vida). Temas tratados de forma ligeira e superficial, com referência à deuses e a pequenos cupidos. Teatralidadepróprias do estilo rococó, opostas à ansiedade e tristeza do barroco. • A tradição do retrato continuou, mas tornou-se mais histórico, sereno, burguês, sensível, psicológico, delicado de tons suaves e gradações cromáticas que fazem lembrar o sfumato renascentista. • As composições são próprias para decorar interiores e, por isso, são exuberantes e rítmicas. Fazem parte da composição elementos marinhos, como conchas e ondas, as cores são baseadas nos brancos, azuis, rosas, nacarados do mar e das conchas. Trazem leveza e graciosidade dos gestos, movimento, ritmo e sentido cênico. Elisabeth Vigée-Le Brun: A Rainha Maria Antonieta, 1783 ESCULTURA • Preferência pelas esculturas decorativas e ornamentais que complementam a arquitetura, de forma a cobrir todas as estruturas e superfícies. A estatuária de pequeno porte, destinadas às decorações dos interiores, com pequenos objetos, sem função utilitária (bibelôs, bustos, estatuetas religiosas, composições mitológicas e alegóricas). • Recuperam-se materiais que até então tinham sido ignorados – madeira, argila, gesso, ouro e prata, porcelana (biscuit), este último foi o verdadeiro material do rococó, foi extremamente popular e o mais usado para a produção de pequenas esculturas. • Nas grandes obras escultóricas são utilizados pedra e bronze e nas esculturas de pequena dimensão e objetos ornamentais são usados o bronze, o ouro, a prata, porcelana, na decoração mural, a argila, a madeira, estuque e gesso. • Abandonam-se os temas sérios e nobres e dá-se preferência aos temas menores, irônicos, alegres, jocosos, sensuais e galantes, na estuaria de pequenas dimensões, já na estatuária monumental, os temas são comemorativos e honoríficos. Leda e o Cisne, Étienne Maurice Falconet, porcelana, c.1764-66. NEOCLASSICISMO NA EUROPA CONSIDERAÇÕES GERAIS • Nas duas últimas décadas do século XVIII e nas três primeiras do século XIX, uma nova tendência estética predominou nas criações dos artistas europeus. Trata-se do Neoclassicismo, que expressou os valores próprios de uma nova e fortalecida burguesia, que assumiu a direção da Sociedade europeia após a Revolução Francesa e principalmente com o Império de Napoleão; • Esse reviver do austero Classicismo na pintura, na escultura, na arquitetura e no mobiliário constituiu uma clara reação contra o enfeitado do estilo rococó. • O século XVIII tinha sido a Idade das Luzes, quando os filósofos pregavam o evangelho da razão e da lógica. Essa fé na lógica levou à ordem e às virtudes “enobrecedoras” da arte neoclássica. • O iniciador da tendência foi Jacques-Louis David pintor e democrata francês que imitava a arte grega e romana para inspirar a nova republica francesa. A Arte “politicamente correta” era séria, ilustrando temas da história antiga ou da mitologia, em vez da frivolidade rococó. Resumem-se as principais características: • Retorno ao passado, pela imitação dos modelos antigos greco-latinos; • Academicismo nos temas e nas técnicas, isto é, sujeição aos modelos e às regras ensinadas nas escolas ou academias de belas-artes; • Arte entendida como imitação da natureza, num verdadeiro culto à teoria de Aristóteles; • Estilo sóbrio, antidecorativo, linear, antissensual, volta-se ao desenho, simplicidade da natureza, nobre, sereno, histórico. • Criação de figuras severas, desenhadas com exatidão, que apareciam em primeiro plano, sem a ilusão de profundidade dos relevos romanos. • A pincelada era suave, de modo que a superfície da pintura parecia polida e as composições eram simples, para evitar o melodrama rococó. • Na arquitetura, os fundos, em geral, incluíam toques romanos, como arcos ou colunas, e a simetria e as linhas retas substituíam as curvas irregulares. ARQUITETURA • Surgiram assim os edifícios grandiosos, de estética totalmente racionalista: pórticos de colunas colossais com frontispícios triangulares, pilastras despojadas de capitéis e uma decoração apenas insinuada em guirlandas ou rosetas e frisos de meandros. • Utilização de materiais nobres tradicionais como mármores, granito e madeira, e modernos como ladrilho cerâmico e ferro fundido, de baixo custo e maior funcionalidade. • Sistemas de construção simples (trilítico) ou complexos, estruturados a partir do arco de 180 graus de inspiração romana e adaptados aos modernos processos técnicos. • Tetos planos, abóbodas e berço ou de aresta emoldurada e cúpulas nas zonas centrais das construções e assentes em tambores rodeados de colunas com entablamentos circulares. • As cidades tiveram de se adaptar a essas construções gigantescas. Desenharam-se largas avenidas para abrigar os novos edifícios públicos, academias e universidades, muitos dos quais conservam ainda hoje a mesma função. Panteon de Paris ESCULTURA • Os escultores neoclássicos foram marcados pelo rigor e pela passividade e sua produção academicista é considerada fria. • Estátuas de heróis uniformizados, mulheres envoltas em túnicas de Afrodite, ou crianças conversando com filósofos, foram os protagonistas da fase inicial da escultura neoclássica. Mais tarde, na época de Napoleão, essa disciplina artística se restringiria às estátuas equestres e bustos focalizados na pessoa do imperador. A referência estética foi encontrada na estatuária da antiguidade clássica, por isso as obras possuíam um naturalismo equilibrado. • Respeitavam-se movimentos e posições reais do corpo, embora a obra nunca estivesse isenta de certo realismo psicológico, plasmado na expressão pensativa e melancólica dos rostos. • A busca do equilíbrio exato entre naturalismo e beleza ideal ficava evidente nos esboços, nos quais os volumes e as variações das posições do corpo eram estudados com cuidado. O escultor neoclássico encontrou o dinamismo na sutileza dos gestos e suavidade das formas. Hercules de Licas, Antonio Canova, Galeria Nacional de Arte Moderna e Contemporânea de Roma, Itália. PINTURA • A pintura desse período foi inspirada principalmente na escultura clássica grega e na pintura renascentista italiana, sobretudo em Rafael, mestre inegável do equilíbrio da composição. • Características da pintura: • Formalismo na composição, refletindo racionalismo dominante; • Exatidão nos contornos; • Sobriedade nos ornamentos e no colorido, com pinceladas que não marcavam a superfície, dando à obra um aspecto impessoal onde predominava o desenho sobre a cor; • Harmonia e equilíbrio do colorido. • Principal artista: Jacques-Louis David (1748-1825) pintor francês, foi considerado o pintor da Revolução Francesa, mais tarde, tornou-se o pintor oficial do Império de Napoleão. Durante o governo de Napoleão, registrou fatos históricos ligados à vida do imperador. Suas obras geralmente expressam um vibrante realismo, mas algumas delas exprimem fortes emoções. Retrato Equestre de Bonaparte no Monte Saint-Bernard, 1801, Jacques-Louis David, Castelo de Malmaison, França. NEOCLASSICISMO NO BRASIL ARTE ACADÊMICA BRASILEIRA CONTEXTO DE FORMAÇÃO • As transformações políticas, sociais, culturais e artísticas ocorridas na Europa durante o século XVIII, influenciadas pelo Iluminismo, pelas descobertas arqueológicas e pela Revolução Francesa, repercutiram com um certo atraso na arte produzida no Brasil. • Os artistas franceses, portugueses e os viajantes instalaram-se no país a partir da transferência da Corte Portugueses para o Rio de janeiro, em 1808. O cenário era propício para a vinda de pintores europeus, pois havia interesse político dos portugueses em estabelecer por aqui uma arte oficial. • Ao longo do tempo, surgiu a arte acadêmica, ou academicismo, patrocinada pelo governo com forte caráter conservador, regras e padrões rígidos em um modelo Neoclássico aclimatado ao gosto da sociedade da época, deixando sua marca na arquitetura, na pintura e na escultura, assim como a estética romântica nas paisagens e na pintura narrativa. MISSÃO ARTÍSTICA FRANCESA • D. João VI, preocupado com o desenvolvimento cultural, trazia na bagagem todos os recursos para a transformação danova metrópole. O rei, adaptado à nova sede do Reino, quis modernizá-la. Construiu o Teatro São João, em 1812, liberou o comércio, os portos, as fábricas, as tipografias e a importação de livros. Organizou a Biblioteca Real (60 mil volumes), criou o Observatório Astronômico, o Jardim Botânico e o Museu Nacional. • Nesse momento, o Brasil recebe forte influência cultural europeia, intensificada ainda mais com a chegada de um grupo de artistas franceses, em 1816, encarregado da fundação da Academia Imperial de Belas Artes, inaugurada em 1826, na qual os alunos poderiam aprender as artes e os ofícios artísticos. • A Missão Artística Francesa, chefiada por Jacques Le Breton, que dirigia a Academia Francesa de Belas-Artes na França, traziam a modernização desejada pelo soberano. Vieram pintores, escultores, arquitetos, músicos, artesãos, mecânicos, ferreiros e carpinteiros. • Os artistas da Missão Artística Francesa pintavam, desenhavam, esculpiam e construíam à moda europeia. Obedeciam ao estilo neoclássico, ou seja, um estilo artístico que propunha a volta aos padrões da arte clássica (greco-romana) da Antiguidade e do Renascimento. O artista não deve imitar a realidade, mas tentar recriar a beleza ideal em suas obras, por meio da imitação dos clássicos. • Os artistas da Missão Artística Francesa pintavam, desenhavam, esculpiam e construíam à moda europeia. Obedeciam ao estilo neoclássico; • Entre os principais artistas destacam-se: • Grandjean de Montigny (1772-1850) – arquiteto; • Nicolas-Antoine Taunay (1755-1830) – pintor; • Jean-Baptiste Debret (1768-1848) foi chamado de “a alma da Missão Francesa”. Ele foi desenhista, aquarelista, pintor cenográfico, decorador, professor de pintura e, em 1829, organiza a primeira exposição de arte no Brasil. Frontão da Academia Imperial de Belas-Artes, Grandjean Montigny, Jardim Botânico, Rio de Janeiro. Um Jantar Brasileiro, Jean-Baptiste Debret, 1827, aquarela, Museus Castro Maya, Rio de Janeiro. Dom João VI, Jean-Baptista Debret, Museu Nacional de Belas Artes. CONTEXTO DE FORMAÇÃO • O Academicismo se faz presente na Europa desde meados do século XVI, a partir da fundação da Academia de Desenho de Florença, e é amplamente disseminado e esteticamente marcado pela Real Academia de Pintura e Escultura, fundada em Paris em 1648. • Já a arte acadêmica no Brasil se inicia em 1816, com a fundação da Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios. Essa viria a se tornar, em 1931, a Escola Nacional de Belas Artes, em funcionamento até hoje como departamento da Universidade Federal do Rio de Janeiro. • A arte Acadêmica brasileira tem seu início por meio do incentivo da Missão Artística Francesa, que tinha como objetivo: • institucionalizar a produção artística; • criar um modelo padrão de formação. • As academias ofereciam aos artistas uma formação padronizada, baseada no classicismo dos escultores gregos e pintores renascentistas, para os quais a finalidade estética não era a reprodução da realidade, mas sim a: • recriação de uma beleza ideal; • grandiosidade; • aproximação da perfeição. • Essa formação da história da arte na pintura acadêmica no Brasil tira o artista do seu lugar-comum de artesão e passa a conferir a ele o status de intelectual, devido sobretudo ao seu extenso ensino teórico: geometria, anatomia, filosofia e história eram a base da formação dos artistas da arte acadêmica no Brasil. “A Primeira Missa No Brasil”, de Victor Meirelles PINTURA ACADÊMICA BRASILEIRA • Adquiriu identidade própria. Os artistas transitavam entre os estilos neoclássico e romântico europeus, com ênfase nas paisagens, nos retratos, nas pinturas de batalha e narrativas. • O núcleo vital era representar a identidade da nova pátria, agora uma nação independente. Os objetos retratados deviam privilegiar paisagens e figuras indígenas, escolhidas pela arte oficial, para representar os símbolos nacionalistas. • Nesse período de formação da identidade, a figura do bandeirante também foi utilizada em esculturas e pinturas para retratar a saga dos brasileiros na conquista de territórios. PRINCIPAIS ARTISTAS • Victor Meirelles de Lima (1832-1903) iniciou seus estudos aos 15 anos de idade na Academia Imperial de Belas Artes, partindo em seguida à Itália, para formar-se pintor. Mais tarde foi estudar na Real Academia de Pintura e Escultura de Paris, onde pintou sua obra mais famosa, “A Primeira Missa no Brasil”, exposta no salão de Paris em 1861. • Sua predileção por pintar motivos bíblicos e históricos o consolidou como um dos principais pintores históricos brasileiros. Retornou à Academia Imperial de Belas Artes, onde exerceu o cargo de professor até 1890. “Moema”, de Victor Meirelles • Pedro Américo de Figueiredo e Melo (1843-1905) era de família humilde, mas sua aptidão para a arte desde a infância possibilitou sua mudança, aos 11 anos, para o Rio de Janeiro, onde estudou no Colégio Pedro II e, posteriormente, na Academia Imperial de Belas Artes. • Após sua formação na Academia, o próprio imperador Dom Pedro II concedeu ao pintor um patrocínio para que estudasse na Real Academia de Paris, onde foi formado por grandes nomes do neoclassicismo francês. Formou-se então doutor em Ciências Naturais em Bruxelas, e depois, ao voltar para o Brasil, passou a lecionar na Academia Imperial de Belas Artes. “Independência ou Morte”, 1888, de Pedro Américo Dom Pedro II na abertura da Assembleia, Pedro Américo, Museu Imperial de Petrópolis, Rio de Janeiro. Tiradentes esquartejado. 1893. Museu Nacional de Belas artes. • José Ferraz de Almeida Júnior (1850-1899), assim como seus predecessores, estudou na Academia Imperial de Belas Artes e, em seguida, em Paris, onde participou do Salão de Artistas franceses entre 1880 e 1882. • Apesar de ter tido formação academicista e utilizar de seus recursos técnicos, Almeida Júnior se distingue dos outros pintores da arte acadêmica brasileira por representar em sua obra o homem comum, a vida cotidiana, em contraste com a monumentalidade das representações da aristocracia, mais comumente presentes no movimento acadêmico neoclássico. • Por isso, é considerado por muitos críticos o pintor mais brasileiro da arte acadêmica no Brasil. • Os temas retratados em suas obras eram históricos, religiosos e, principalmente, regionalistas. • A temática regionalista, que até então não era explorada por pintores com tamanho nível de instrução técnica, está presente em seus principais quadros: “O Violeiro”, “Leitura”, e “Caipira Picando Fumo” “Caipira Picando Fumo”, 1893. O violeiro, 1899, Almeida Júnior