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UFBA – Hospital de Medicina Veterinária
	 Laboratório de Análises Clínicas-LAC 
EXAME DE URINA Nº 0212 
	Proprietário(a): Sonia Frare
	Data: 12/07/08
	Espécie Animal: canina
	Raça: Poodle
	Sexo: F
	Idade: ±01a
	Horário da Colheita: 9:00h
	Diagnóstico provisório: Infecção urinária
	Tratamento: s/tratamento
	Anamnese e história clínica resumida: Proprietária relata história de animal residindo em apartamento mas com acesso diário à rua; não soube informar sobre esquema de vacinação; o animal urina várias vezes ao dia, mas pouco*. Ao exame físico foram constatadas membranas mucosas amareladas, T0 elevada, sensibilidade na região lombar.
* POLACIÚRIA: aumento no número da freqüência urinária, mas em pouca quantidade.
	Colheita: ?
	EXAME FÍSICO
	EXAME QUÍMICO
	Volume: 15mL
	Proteína: 1+
	Cor: ?
	Glicose: negativo
	Aspecto: turvo
	Corpos cetônicos: negativo
	Odor: sui-generis
	Bilirrubina: 1+
	Densidade: 1020
	Urobilinogênio: 1+
	
	Sangue oculto: 2+
	
	pH: 7,0
	
	Nitrito: 1+
	EXAME DO SEDIMENTO
	Células de descamação: renais 1+, uretrais 1+, vesicais 3+
	Cilindros: granulosos 1+ , e raros leucocitários 
	He/campo: incontáveis
	Le/campo: numerosos
	Bactérias: 2+
	Muco: 1+
	Cristais: ausentes
Interpretação: (Exame nº 0212)
O exame de urina apresenta alterações consistentes de infecção do sistema urinário; a presença de células renais e principalmente de cilindrúria (cilindros granulosos e leucocitários) sugerem o envolvimento renal (lesão renal). Provavelmente, ainda não há insuficiência renal, pois a densidade (1020) ainda apresenta valor dentro da normalidade.
As alterações nos exames físico (aspecto turvo, cor amarelo ouro após centrifugação e densidade próximo ao mínimo para a espécie/1015), químico (sangue oculto presente) e do sedimento (he/campo incontáveis - hematúria) sugerem dano na mucosa vesical e uretral, podendo mesmo se estender até os rins. Este ponto justifica-se a proteínúria, muito embora ela possa ser também de origem renal. 
Obs1.: As proteinúrias pós-renais são as mais comuns; a piúria (inflamação) e hematúria (hemorragia) são evidências que confirmam proteinúria pós-renal.
Em proteinúrias hemorrágicas e inflamatórias, proteínas plasmáticas ou hemoglobina entram na urina em virtude da hemorragia e inflamação envolvendo os túbulos renais, pelve renal, ureteres, bexiga, a uretra ou tecidos do trato genital.
Obs2.: Os eritrócitos podem sofrer lise se o pH for alcalino ou se a densidade urinária for <1.015, de modo que eles podem não ser observados no sedimento urinário.
Obs3.: Seria interessante determinar a concentração de proteínas séricas totais, pois na proteinúria glomerular, isto é; uma doença glomerular com lesão da barreira de filtração e redução da permeabilidade seletiva, faz com que os glomérulos tornem-se permeáveis a proteínas maiores ou carregadas negativamente.
Muito provavelmente, a infecção é via ascendente, pois também se constata células de transição com descamação elevada, além das uretrais, muco, bacteriúria e piúria intensas. 
Observa-se um pH neutro em espécie animal que normalmente é ácida. Justifica-se pela nitrituria e, geralmente as bactérias responsáveis pela conversão de nitratos em nitritos são as Gram-negativas, que convertem a uréia em amônia, o que poderá causar ainda alteração no odor da urina (odor amoniacal), e mudança mais consistente do pH para alcalino.
Obs4.: A detecção de nitritos na urina é um procedimento de triagem para infecções urinárias por bactérias Gram-negativas. Uma bacteriúria significativa pode estar presente mas não ser detectada pela análise com nitrito, razão pela qual este teste não é considerado válido por muitos veterinários.
Além do envolvimento das vias urinárias, há também uma alteração metabólica, envolvendo o metabolismo das bilirrubinas: bilirrubina e urobilinogênio positivos são compatíveis com lesão hepática, muito provavelmente de canalículos biliares (colestase) com regurgitação da bilirrubina conjugada ao sangue chegando aos rins com filtração nos glomérulos e saída na urina. 
A icterícia observada nas mucosas se deve ao teor elevado de bilirrubina no sangue.
SUGESTÃO: seria interessante a realização de provas de função renal (uréia e creatinina) para caracterizar possível insuficiência renal e também de função hepática (ALT, FA, bilirrubinas) justificando o envolvimento hepático com reflexo na positividade de bilirrubina e urobilinogênio na amostra de urina.
RESUMO: Considerando-se a anamnese, época do ano (inverno/chuvas) e o envolvimento simultâneo dos rins (proteinúria e cilindrúria) e muito provavelmente do fígado (bilirrubinemia), deve-se suspeitar de leptospirose, uma vez que as Leptospiras spp têm predileção por estes tipos de tecidos. Neste caso, recomenda-se também prova pareada para sorovares comuns de Leptospira (titulação). Poderia se pesquisar as espiroquetas na urina em microscopia de campo escuro. Porém, para esta pesquisa a urina tem que ser recém emitida com realização da prova imediatamente após a sua colheita. 
Além disso, deve-se observar a falta de esclarecimentos sobre o esquema de vacinação, lembrando ainda que algumas vacinas não apresentam uma resposta adequada (preparo com sorovares inespecíficos àqueles encontrados na região) para mais de seis meses.