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REALIZAÇÃO E INTERPRETAÇÃO DO EXAME DE URINA 
 
1 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR 
Realização e Interpretação de Exame de Urina 
Urinálise 
A urinálise é o exame não invasivo de grande importância para avaliar a função renal. Com o auxílio 
deste exame pode-se diagnosticar diversas patologias, monitorar o progresso destas doenças no 
organismo, acompanhar a eficácia do tratamento e ainda constatar a cura. 
O exame de urina é dividido em três etapas: 
Na primeira etapa analisam-se as características gerais da urina. Corresponde a avaliação das pro-
priedades físicas da urina, como o seu volume, o seu cheiro e sua coloração. 
Na segunda etapa é feita a pesquisa de elementos anormais, que corresponde à pesquisa química 
feita na urina. 
Na terceira e ultima etapa é feita a sedimentoscopia, que corresponde ao exame microscópico da 
urina. 
Composição Da Urina 
A urina contém aproximadamente 96% de água e 4% de substâncias diversas provenientes da ali-
mentação e do metabolismo normal. Essencialmente ela é uma solução de sais (cloreto de sódio 
e potássio) e uréia. 
A composição da urina varia: 
Com a dieta do indivíduo; 
Com o estado nutricional; 
Atividade física; 
Metabolismo orgânico; 
Função endócrina; 
Estado geral do organismo; 
Estado da função renal; 
Assim como a uréia, outras substâncias orgânicas são encontradas na urina, tais co-
mo, creatinina e ácido úrico. A uréia corresponde a metade das substâncias dissolvidas na urina e é o 
produto do metabolismo da creatinina proveniente do movimento da massa muscular, e sua excreção 
renal não é influenciada pela dieta. O ácido úrico é oriundo do metabolismo das purinas. 
Dentre as substâncias inorgânicas encontradas na urina, pode-se destacar sódio, cloreto, potássio, 
cálcio, magnésio, amônia, fosfato e sulfato. 
Coleta Da Amostra 
A coleta de urina deve ser feita observando todas as assepsias determinadas para obtenção de um 
exame correto. É muito importante estar bem informado sobre a maneira adequada de se proceder à 
coleta da amostra de urina. 
Algumas regras são comuns em quase todos os laboratórios de análises clinica, tais como, fornecer 
aos pacientes frascos limpos e secos para a coleta da amostra, dando-se preferência à utilização de 
frascos descartáveis e, no caso de crianças, coletores de plásticos com adesivos, observando que os 
mesmos devem ser trocados a cada meia hora após a abertura. 
Após a coleta, o recipiente de amostra deve ser entregue o mais rapidamente para ser analisado, no 
prazo mínimo de uma hora e no máximo de 6 horas. Quando a amostra não puder ser analisada den-
tro deste prazo, deve ser refrigerada. 
 REALIZAÇÃO E INTERPRETAÇÃO DO EXAME DE URINA 
 
2 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR 
Avaliando As Características Físicos Da Urina 
Nesta primeira etapa da urinálise são avaliadas: 
A cor: É um caractere físico de extrema importância e através dele pode-se ter uma idéia do funcio-
namento normal ou de uma disfunção e ate mesmo presença de uma patologia. 
A cor da urina é variável podendo ser amarelo citrino, amarelo claro e amarelo ouro em condições 
normais. As urinas patológicas são geralmente avermelhadas, âmbar e negra. Ao ingerir alguns me-
dicamentos, estes podem contribuir na coloração da urina, tornado-a alaranjada, azul ou um tipo de 
amarelo brilhante. 
Odor: A urina possui um cheiro característico e normal denominado Suis Generis (S.G.). É muito co-
mum encontrar em urinas de pacientes diabéticos um cheiro de frutas. 
Aspecto: A urina possui um aspecto transparente a clara. Ela torna-se turva quando seus constituin-
tes solúveis tornam-se insolúveis, devido a mudança do pH, temperatura e saturação. 
Volume: Não existe um valor normal para o volume da urina. Geralmente a quantidade de urina é 
maior durante o dia e a noite é reduzida. O volume excretado varia muito com a alimentação, exercí-
cio físico, ingestão de líquidos e temperatura. 
Pesquisa Química 
Nesta segunda etapa da urinálise utiliza-se uma fita (tira de plástico) que possui áreas de papeis im-
pregnados com reagentes especiais que irão reagir com a urina, permitindo assim uma análise de 
modo mais rápido e mais sensível. Constitui um método colorimétrico e comparativo. 
As principais funções da fita são: 
Triagem de exames bioquímicos 
Exames de emergência 
Controle de indivíduos diabéticos 
Sedimentoscopia 
Esta é a última etapa da urinálise e é uma das mais importantes, pois fornece informações diferentes 
das situações do organismo, como: metabolismo dos açúcares, função hepática e função renal. Estas 
informações são obtidas através dos exames químicos e microscópicos. 
A finalidade da sedimentoscopia é detectar e identificar elementos como as hemácias, leucócitos, 
cilindros, células epiteliais, bactérias, leveduras, parasitas, muco, espermatozóides, cristais, etc. 
Entender como funciona o exame físico de urina requer o entendimento de alguns conceitos como 
aspecto, odor, reação do pH e densidade são alguns fatores que influenciam o exame. 
 
Geralmente, a urina recentemente emitida é límpida. Deixada em repouso por algum tempo, pode 
haver formação de pequeno depósito (constituído por leucócitos) denominado nubécula. Esta é mais 
acentuada nas mulheres. 
 
As substâncias que mais frequentemente turvam a urina são as seguintes: fosfatos amorfos, uratos 
amorfos, pus e germes. 
 
Odor 
 
O cheiro característico da urina recentemente emitida tem sido atribuído a ácidos orgânicos voláteis 
que ela contém. Com o envelhecimento, o cheiro se torna amonical. Sob a influência de alguns medi-
camentos, a urina adquire odor particular. 
 
Reação de pH 
 REALIZAÇÃO E INTERPRETAÇÃO DO EXAME DE URINA 
 
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A reação da urina é verificada pelo papel de tornassol ou outro. A urina de reação ácida torna o papel 
tornassol azul de cor vermelha, inversamente a urina alcalina torna o papel vermelho em azul. Se a 
cor tanto de um como o outro não se alterar a reação é neutra. 
 
Densidade 
 
É obtida por meio de densímetros, no caso chamado de urinômetro, de refratômetro ou mesmo verifi-
cada na própria fita. 
 
Interpretação: normalmente a densidade da urina de um nictêmero oscila entre 1,015 e 1,025. O rim 
normalmente é capaz de diluir ou concentrar a urina conforme a ingestão de líquidos, se maior ou 
menor, podendo a densidade variar entre 1,001 e 1,030 ou mais. 
 
A densidade da urina varia também em enfermidades extrarrenais: diabete melito, diabete insípido e 
estados febris. 
 
Tornou-se hábito, em nossos meios, expressar a densidade da urina em milhar- 1.015 ou 1.020, por 
exemplo - quando o correto é 1,015 ou 1,020 (um vírgula zero quinze ou um vírgula zero vinte). 
 
O exame físico é, basicamente, composto dessas características, mas há ainda exames do tipo quí-
mico qualitativo e microscópico. 
Exame De Rotina Da Urina: Exames Físico-Químicos E Sedimentoscopia 
 O exame mais comumente realizado na urina é denominado Exame de Rotina da Urina, também 
conhecido como EAS. Para a realização do EAS é necessária a coleta de urina de jato médio, efetu-
ada após rigorosa higiene dos genitais. A urina de jato médio é colhida desprezando-se a parte inicial 
da micção, preenchendo-se o coletor e desprezando-se o restante. Esse procedimento visa a eliminar 
resíduos e bactérias eventualmente presentes na urina. 
Coletores limpos de boca larga devem ser utilizados, estando disponíveis em farmácias e laboratórios 
clínicos. O ideal é a coleta da primeira urina da manhã, efetuada de preferência no próprio laborató-
rio. A urina pode ser coletada também por sondagem uretral ou punção suprapúbica, em casos espe-
ciais. Colhida desta maneira, a urina do paciente normal é um líquido estéril. O EAS é um exame 
complexo, constituindo-se de pelo dos seguintes procedimentos: 
Avaliação da COR (normalmente amarela ou amarela clara) e do ASPECTO (límpido ou turvo) são 
determinados por observação direta; neste mesmo momento, pode-se atentar e registrar eventuais 
odores anormais. 
A hematúria(sangue na urina) confere à urina uma cor de laranja a vermelha, podendo estar presen-
tes rajas de sangue. 
Medicamentos podem conferir à urina tons diversos, como verde ou laranja escuro; outros estados 
patológicos podem resultar em alteração da cor da urina pela presença de pigmentos, sangue ou 
resíduos do metabolismo. 
A presença de bactérias ou elementos celulares (produzidos por descamação a partir de várias partes 
do sistema urinário) em quantidade anormal pode resultar em um aspecto turvo. 
Alguns medicamentos, como a Penicilina, produzem odor característico; 
Na infecção do trato urinário, a urina pode apresentar um odor desagradável. 
 
Análise Bioquímica Da Urina Através De Tiras Reagentes 
 REALIZAÇÃO E INTERPRETAÇÃO DO EXAME DE URINA 
 
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Existem diversa marcas de tiras reagentes para urinálise, que consistem em tiras de matéria plástica 
contendo diversos campos com reagentes químicos, que determinam a presença ou ausência de 
determinadas substâncias químicas na urina. 
Essas tiras são imersas na urina homogeneizada, aguarda-se um tempo de reação que varia em 
torno de 30 a 120 segundos, e a alteração de cada campo é comparada a uma escala visual. O pro-
cedimento pode também ser automatizado e é semi-quantitativo para algumas das substâncias. Entre 
os campos reagentes mais importantes estão os que determinam: 
O pH, útil na avaliação de cristalúria e de distúrbios renais que cursam com incapacidade renal de 
secretar ou reabsorver ácidos ou bases. As tiras usuais avaliam o pH na faixa em torno de 5 a 9; 
amostras com pH superior a 9 são consideradas inadequadas à análise por má conservação. 
A Densidade, a qual pode ser também checada por meio de um refratômetro é útil na avaliação da 
qualidade da amostra (urina muito diluída pelo excesso de ingestão de líquidos tem densidade próxi-
ma de 1.000, a densidade da água) e para avaliãção da capacidade do rim de concentrar a urina. 
Proteínas, que na urina normal estão ausentes. Podem estar presentes em doenças renais, diabetes, 
etc. 
A glicose, também ausente na urina normal, e presente em pacientes diabéticos e casos de glicosúria 
renal. A glicosúria (glicose na urina) deve ser quantificada por análise bioquímica. 
Cetonas ou Corpos Cetônicos, comumente presentes em pacientes diabéticos ou após jejum prolon-
gado. São produzidos no metabolismo dos lipídios, incluindo: acetona, ácido acetoacético e ácido 
beta-hidróxibutílico. 
O sangue (Hemoglobina), ausente na urina normal e presente nas hemorragias de quaquer causa 
que atingem o sistema urinário (Infecções urinárias, cálculo renal etc). A detecção de hemoglobina 
através da tira reativa deve ser correlacionada com a análise do sedimento. 
A bilirrubina, susbstância resultante do metabolismo da hemoglobina e que dá à urina coloração ama-
rela. Sua presença em quantidade aumentada pode indicar hemólise ou hepatopatia. A Bilirrubinúria 
deve ser comprovada por testes químicos. 
O urobilinogênio, o qual que em quantidade elevada deve ser confirmado por meio de reagentes quí-
micos; pode indicar hepatopatia, distúrbios hemolíticos ou porfirinúria. Assim como a bilirrubina, resul-
ta do metabolismo da hemoglobina. 
O nitrito, normalmente ausente, é produzido por algumas espécies de bactérias eventualmente pre-
sentes em infecções do urinárias. Sua positividade é indicativa da presença de bactérias na urina, 
mas sua negativivdade não exclui a presença de outros tipos de bactérias. 
A Esterase Leucocitária, enzima que indica a presença de leucócitos na urina. Essa análise deve ser 
correlacionada com a microscopia do sedimento urinário. 
Análise Microscópica Do Sedimento Urinário 
Você pode acompanhar esse tópico com o auxílio do nosso ATLAS DE SEDIMENTOSCOPIA! 
Para a análise microscópica, é necessária a centrifugação e concentração da urina em condições 
padronizadas. O sedimento concentrado é analisado à microscopia óptica, à procura de elementos 
anormais, que podem ser avaliados semi-quantitativamente ou quantitativamente (análise mais preci-
sa). Podem estar presentes, entre outros elementos: 
Leucócitos: A leucocitúria se correlaciona a processos inflamatórios e infecciosos do sistema urinário. 
Hemácias: devem ser avaliadas quanto à quantidade e morfologia (presença ou ausência dismorfis-
mo eritrocitário). 
Células epiteliais de vários tipos, oriundas da descamação a partir de diversos pontos do trato uriná-
rio. Sua morfologia é indicativa de seu local de origem. Sua presença em quantidade elevada é 
anormal. 
 REALIZAÇÃO E INTERPRETAÇÃO DO EXAME DE URINA 
 
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Cristais 
Parasitas: podem ser protozoários que causem infecção do trato urinário (Candida) ou protoziários 
(Trichomonas vaginalis). 
Bactérias 
Cilindros 
Formados na luz do túbulo contorcido distal e do duto coletor, têm como seu principal componente 
a proteína de Temm-Horsfall, proteína excretada pelas células tubulares renais. Há cilindros de diver-
sos tipos, e podem conter inclusões celulares. 
a) A presença de cilindros hialinos em pequena quantidade é normal, principalmente após o exercício 
físico. 
b) Cilindros hematínicos contém hemácias e/ou hemoglobina. 
c) Cilindros leucocitários contém leucócitos em seu interior e são indicativos de infecção ou inflama-
ção no interior do néfron. 
d) Cilindros epiteliais contém células epiteliais e são indicativos de lesão tubular renal. 
e) Cilindros granulares são resultantes da degradação dos outros tipos de cilindro, podendo também 
conter bactérias. 
f) Cilindros céreos representm um estágio avançado dos cilindros hialinos. 
g) Cilindros adiposos são produzidos pela decomposição de cilindros de células epiteliais que contém 
corpos adiposos ovais. Essas células absorvem lipídeos que entram no túbulo através dos gloméru-
los. Esses cilindros podem ser identificados com precisão através da coloração pelo Sudan IV, que os 
cora em vermelho. 
Cilindros largos moldam os túbulos contorcidos distais, e resultam da distorção da estrutura tubular. 
São muito maiores do que os outros e indicam prognóstico desfavorável. 
Opcionalmente a análise do sedimento urinário pode ser feita mediante a adição de corantes. 
Dosagem quantitativa em analisador bioquímico de algumas substâncias eventualmente encontradas, 
como proteínas e glicose. 
Todo o procedimento, manual e/ou automatizado, deve ser submetido a procedimentos complexos de 
garantia de qualidade, correlacionando-se os resultados de uma etapa de análise com as demais e 
com as condições clínicas do paciente. 
Elementos Anormais E Sedimento – EAS 
Historicamente, o EAS é um dos exames mais utilizados para avaliar as principais funções metabóli-
cas do organismo, doenças renais, infecções urinárias, doenças sistêmicas e grau de hidratação, 
através da urina. 
Hoje, os métodos automatizados permitem uma avaliação padronizada dos elementos presentes na 
amostra examinada, por meio de leitores ópticos de tiras reagentes. 
Outra grande contribuição tecnológica é a análise automatizada do sedimento urinário por meio da 
citometria de fluxo associada à impedância, que permite a quantificação, em unidades por microlitro, 
de leucócitos, hemácias e cilindros patológicos, e um melhor follow up das diversas patologias renais. 
Estes avanços, hoje, tornam possíveis resultados mais precisos, reprodutíveis e menos subjetivos. A 
contribuição dos profissionais fica, deste modo, voltada para os casos em que o conhecimento e a 
experiência agregam valor à análise, e o recurso de técnicas complementares que possam concorrer 
para um melhor diagnóstico. 
 REALIZAÇÃO E INTERPRETAÇÃO DO EXAME DE URINA 
 
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Método: 
 
Elementos anormais: qualitativo por tiras reagentes. Sedimento: quantitativo por citometria de fluxo e 
análise microscópica. 
AMOSTRA: Primeira urina da manhã ou após quatro horas da última micção (frasco plástico). 
Exame Físico 
Aspecto 
A urina normal recém-emitida é transparenteou com pouca opacidade devido à precipitação de fosfa-
tos e uratos amorfos, carbonatos, cristais de oxalato de cálcio e de ácido úrico. Também pode haver 
opacidade normal pela presença de muco ou células epiteliais, principalmente em mulheres. 
A turvação na urina, em geral, resulta da presença de leucócitos, hemácias, células epiteliais, bacté-
rias e cristais amorfos. E, com menor frequência, da presença de lipídios, muco, linfa, cristais, levedu-
ras e matéria fecal. 
Cor 
A cor amarela normal da urina se deve à presença de um pigmento denominado urocromo, produto 
do metabolismo endógeno. Em uma amostra recém-emitida, a intensidade da cor pode fornecer uma 
estimativa aproximada da concentração urinária. As diferenças de tom (pálido ou escuro) são normais 
devido às variações do estado de hidratação do paciente. 
As colorações anormais da urina são numerosas. As mais frequentes são o vermelho, variando de 
rosado a negro pela presença de sangue, hemoglobina ou mioglobina, e o amarelo-escuro ou âmbar 
pela presença anormal do pigmento bilirrubina. 
Densidade 
O volume e a concentração de solutos excretados na urina são controlados pelo rim, que assim man-
tém a homeostase dos fluidos e eletrólitos corpóreos. A densidade é definida pela habilidade renal em 
controlar a concentração e diluição da urina. Esse complexo processo de reabsorção muitas vezes é 
a primeira manifestação de uma lesão renal. 
A densidade de uma amostra é definida não só pelo número de partículas presentes, mas também 
por seu tamanho. E os principais responsáveis por essa densidade são a uréia, os cloretos e os fosfa-
tos. Quando presentes, a glicose e os contrastes radiológicos também elevam de forma importante a 
densidade urinária. 
Em amostras normais, colhidas ao acaso, a densidade média varia entre 1.015 a 1.025. Para urinas 
com densidade de 1.010, usa-se o termo isostenúria; para valores abaixo de 1.010, hipostenúria; e 
para os valores acima, hiperestenúria. 
Exame Químico 
PH Urinário 
Em geral, o pH da urina varia entre 4,5 e 8. Valores de pH acima de 8 ou abaixo de 4,5 não são fisio-
logicamente possíveis, não sendo por isso avaliados no exame da urina por fitas reagentes. Um pH 9 
está associado à conservação incorreta da amostra. 
O pH urinário aumenta em dietas ricas em frutas e vegetais, alcalose metabólica sem perda de po-
tássio, vômitos prolongados, alcalose respiratória, infecção do trato urinário por microrganismos que 
utilizam a uréia (por exemplo: Proteus spp., Pseudomonas spp.), após refeições, acidose tubular re-
nal, síndrome de Fanconi e terapia alcalina. 
Diminui em dietas ricas em proteínas, acidose metabólica (por exemplo: acidose diabética), alcalose 
metabólica por perda de potássio, acidose respiratória, infecções do trato urinário por Escherichia 
coli, dietas hipoclóricas e diarréias severas. 
 REALIZAÇÃO E INTERPRETAÇÃO DO EXAME DE URINA 
 
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Proteínas 
O aumento da quantidade de proteínas na urina (proteinúria) é, com frequência, o primeiro indicador 
de doença renal. A proteinúria, no entanto, não é uma característica exclusiva de todas as doenças 
renais; outras condições não renais também podem aumentar essa excreção de proteínas. 
Classificada em quatro categorias pré-renal, glomerular, tubular e pós-renal, a proteinúria tem como 
principais causas patológicas a lesão da membrana glomerular, reabsorção tubular deficiente, mielo-
ma múltiplo, proteinúria ortostática, pré-eclâmpsia e doenças renais decorrentes do diabetes mellitus. 
Frequentemente, a proteinúria está associada à hemoglobinúria e ao achado de cilindros, hemácias e 
leucócitos no exame microscópico. 
Entretanto, na presença de um pequeno número de cilindros ou hemácias, é possível haver resulta-
dos negativos para proteinúria. Quando a albumina está presente, o resultado é semiquantitativo e 
expresso em cruzes. A análise quantitativa e a interpretação de seus valores estão descritas no capí-
tulo de Bioquímica. 
Glicose 
A quantidade de glicose presente na urina depende de seus níveis no sangue, da taxa de filtração 
glomerular e do grau de reabsorção tubular. Geralmente, ela aparece na urina quando seus níveis 
sanguíneos são superiores a 180mg/dL. Seus volumes no sangue costumam variar ao longo do dia e 
é normal a glicosúria após uma refeição rica em glicose. 
Em um adulto em jejum, seu nível na urina varia de 2mg a 20mg por 100mL. É importante lembrar 
que a primeira urina da manhã nem sempre representa uma amostra de jejum, de modo que o paci-
ente deve ser instruído a esvaziar a bexiga e colher a segunda amostra. 
As causas de glicosúria são diabetes mellitus, doenças que afetam a reabsorção tubular (como sín-
drome de Fanconi e doença renal avançada), casos de hiperglicemia não diabética (como as lesões 
do sistema nervoso central, pancreatite e distúrbios da tireóide) e outras. 
Quando a glicose está presente na urina, o resultado é expresso em cruzes. A pesquisa por fita rea-
gente tem sensibilidade a partir de 50mg/dL. Mesmo em concentrações elevadas, a influência do 
ácido ascórbico é consideravelmente eliminada neste método já que, quando a glicose se apresenta 
a partir de 100mg/dL, não serão prováveis falso-negativos. 
Cetonas 
As cetonas, que compreendem o ácido acetoacético, a acetona e o ácido beta-hidroxibutírico, são 
formadas durante o catabolismo dos ácidos graxos. Normalmente, sua quantidade na urina é indetec-
tável. Pode-se detectá-las quando há um comprometimento na utilização de carboidratos como prin-
cipal fonte energética e as reservas de gordura precisam ser metabolizadas para gerar energia. A 
cetose pode ser encontrada em condições associadas à diminuição da ingesta de carboidratos, redu-
ção da utilização de carboidratos (diabetes mellitus), distúrbios digestivos, eclâmpsia, dietas desba-
lanceadas, vômitos e diarréia. Quando presente, o resultado é expresso em cruzes. 
Bilirrubina 
Mostra-se elevada nas condições em que a bilirrubina conjugada aumenta no soro. As pesquisas de 
bilirrubina e de urobilinogênio urinários são úteis no diagnóstico diferencial das icterícias. A bilirrubinú-
ria está presente nas icterícias obstrutiva e parenquimatosa, e ausente nas icterícias hemolíticas. 
Sensibilidade a partir de 0,5mg/dL. Medicamentos que corem de vermelho a urina podem interferir na 
reação. 
Urobilinogênio 
Normalmente, há uma pequena quantidade (menos de 1mg/dL) de urobilinogênio na urina. Costuma-
se observar a elevação desses níveis nas hepatopatias, nos distúrbios hemolíticos e nas porfirinúrias. 
A ausência de urobilinogênio na urina e nas fezes significa obstrução do ducto biliar, que impede a 
passagem normal de bilirrubina para o intestino. 
 REALIZAÇÃO E INTERPRETAÇÃO DO EXAME DE URINA 
 
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A sensibilidade do método é a partir de 0,4mg/dL. Medicamentos que coram de vermelho a urina 
podem interferir na reação. 
Hemoglobina 
Hemoglobinúria indica a presença de hemoglobina na urina, o que pode ocorrer como resultado da 
lise de hemácias produzida no trato urinário, ou como resultado de hemólise intravascular e a conse-
quente filtração de hemoglobinas através dos glomérulos. A verdadeira hemoglobinúria, ou seja, he-
moglobina livre passando diretamente o glomérulo para o ultrafiltrado, é pouco comum. A lise de he-
mácias na urina geralmente apresenta uma mistura de hemoglobinúria e hematúria, mas nos casos 
de hemólise intravascular não serão encontradas hemácias. 
Numerosas doenças renais e do trato urinário podem resultar em hematúria com hemoglobinúria, 
como as glomerulonefrites, pielonefrites, cistites, cálculos e tumores. O mesmo ocorre com algumas 
doenças extra-renais, como a hipertensão maligna, tumores, episódios agudos de febre, traumas, 
exercícios intensos e certas drogas. 
A sensibilidade corresponde a 10 eritrócitos/µL. O ácido ascórbico não tem influência no resultado do 
teste. 
Sedimentoscopia 
Hemácias 
Em pequenas quantidades, as hemácias são encontradasna urina de pessoas normais. Todas elas 
se originam do sistema vascular, e quando seu número aumenta, significa rompimento da integridade 
da barreira vascular, por injúria ou doença, na membrana glomerular ou no trato geniturinário. As 
condições que resultam em hematúria incluem várias doenças renais, como glomerulonefrites, pielo-
nefrites, cistites, cálculos, tumores e traumas. 
Qualquer condição que resulte em inflamação ou comprometa a integridade do sistema vascular pode 
também resultar em hematúria. Em amostras colhidas de mulheres, a possibilidade de contaminação 
menstrual deve ser considerada. A presença de hemácias e cilindros na urina, que igualmente pode 
ocorrer após exercícios intensos, tem importante valor preditivo positivo no diagnóstico de patologias 
renais, quando em quantidade significativa. 
Leucócitos 
Podem entrar na urina através de qualquer ponto ao longo do trato urinário ou através de secreções 
genitais. A piúria pode resultar de infecções bacterianas ou de outras doenças renais e do trato uriná-
rio. Essas infecções, que compreendem pielonefrite, cistite, prostatite e uretrite, podem ser acompa-
nhadas de bactérias ou não, como no caso da infecção por clamídia. A piúria também está presente 
em patologias não infecciosas, como a glomerulonefrite, os lúpus eritematosos sistêmicos e os tumo-
res. 
Cristais 
São encontrados com frequência na urina e raramente têm qualquer significado clínico. São formados 
pela precipitação dos sais da urina, submetidos a alterações no pH, na temperatura e na concentra-
ção, o que afeta sua solubilidade. 
A principal razão para a identificação dos cristais urinários é detectar a presença de alguns tipos rela-
tivamente anormais que possam representar distúrbios, como doenças do fígado, erros inatos do 
metabolismo ou lesão renal causada pela cristalização de metabólitos de drogas nos túbulos. Os 
cristais anormais mais importantes são cistina, colesterol, leucina, tirosina, sulfonamidas, corantes 
radiográficos e ampicilina. 
Cilindros 
São exclusivamente renais e formam-se em especial no interior da luz do túbulo contornado distal e 
do ducto coletor. O principal componente dos cilindros é a proteína de Tamm-Horsfall, uma mucopro-
teína secretada somente pelas células tubulares renais. Seu aparecimento na urina é influenciado 
 REALIZAÇÃO E INTERPRETAÇÃO DO EXAME DE URINA 
 
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pelos materiais presentes no filtrado no momento de sua formação, pelo período em que permane-
cem no túbulo, pela presença de íons e do pH. O tamanho dos cilindros pode variar em função do 
diâmetro do túbulo no qual foram formados. 
Cilindros largos, por exemplo, indicam a formação em túbulos renais dilatados ou em túbulos coleto-
res. O achado de muitos cilindros céreos indica prognóstico desfavorável. Assim, cada um dos tipos 
encontrados no sedimento representa diferentes condições clínicas. 
Cilindros Hialinos 
São os mais comumente observados na urina, compostos primariamente por uma matriz homogênea 
de proteína de Tamm-Horsfall. 
A presença de 0 a 2 por campo de pequeno aumento é considerada normal, assim como quantidades 
elevadas em certas situações fisiológicas, como exercício físico intenso, febre, desidratação e estres-
se emocional. 
Cilindros Hemáticos 
Estão associados à doença renal intrínseca. Suas hemácias são frequentemente de origem glomeru-
lar, como na glomerulonefrite, mas podem também resultar de dano tubular, como na nefrite intersti-
cial aguda. A detecção e o monitoramento dos cilindros hemáticos permitem uma medida da avalia-
ção da resposta do paciente ao tratamento. 
Cilindros Leucocitários 
Indicam infecção ou inflamação renal e exigem investigação clínica. Quando a origem dos leucócitos 
é glomerular, como na glomerulonefrite, encontra-se no sedimento grande quantidade de cilindros 
leucocitários e de cilindros hemáticos. 
Quando é tubular, como na pielonefrite, os leucócitos migram para o lúmen tubular e são incorpora-
dos à matriz do cilindro. 
Cilindros De Células Epiteliais 
Têm origem no túbulo renal e resultam da descamação das células que os revestem. São encontra-
dos após exposição a substâncias nefrotóxicas ou podem estar associados a infecções virais, como 
citomegalovírus. São, muitas vezes, observados em conjunto com cilindros de hemácias e leucócitos. 
Cilindros Granulosos 
Podem estar presentes no sedimento urinário, principalmente após exercício vigoroso. Entretanto, 
quando aumentados representam doença renal glomerular ou tubular. São compostos primariamente 
de proteína de Tamm-Horsfall. 
Os grânulos são resultado da desintegração de cilindros celulares ou agregados de proteínas plasmá-
ticas, imunocomplexos e globulinas. 
Cilindros Céreos 
Representam um estágio avançado do cilindro hialino. Ocorrem quando há estase prolongada por 
obstrução tubular e são frequentemente chamados cilindros da insuficiência renal. 
Costumam ser encontrados em pacientes com insuficiência renal crônica e também em casos de 
rejeição de transplantes, hipertensão maligna e doenças renais agudas (síndrome nefrótica, glomeru-
lonefrite aguda). 
Cilindros Graxos 
Resultam da desintegração dos cilindros celulares, produzidos pela decomposição dos cilindros de 
células epiteliais, que contêm corpos adiposos ovais. 
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Muco 
O muco é uma proteína fibrilar produzida pelo epitélio tubular renal e pelo epitélio vaginal. Não é con-
siderado clinicamente significativo. O aumento da quantidade de filamentos de muco na urina costu-
ma ser associado à contaminação vaginal. 
Células Epiteliais 
Algumas células epiteliais encontradas no sedimento urinário resultam da descamação normal de 
células velhas; outras representam lesão epitelial por processos inflamatórios ou doenças renais. Na 
urina, costumam ser encontrados três tipos: 
Células Escamosas 
São as mais frequentes na urina e com menor significado. Provêm do revestimento da vagina, da 
uretra feminina e das porções inferiores da uretra masculina. 
Células Transicionais Ou Caudadas 
O cálice e a pelve renais, ureter e bexiga são revestidos por várias camadas de epitélio transicional. 
Em indivíduos normais, encontram-se poucas células transicionais na urina, o que representa uma 
descamação normal. O número destas células aumenta após cateterização urinária ou outros proce-
dimentos de instrumentação. Além destas condições, podem indicar processos que exigem maiores 
investigações, como o carcinoma renal. 
Células Dos Túbulos Renais 
Aparecem em pequena quantidade na urina de indivíduos saudáveis e representam a descamação 
normal do epitélio velho dos túbulos renais. Recém-nascidos têm mais destas células na urina do que 
crianças mais velhas e adultos. 
Encontram-se células dos túbulos contornados distal e proximal na urina como resultado de isquemia 
aguda ou doença tubular renal tóxica, como a necrose tubular aguda por metais pesados ou drogas. 
Os sedimentos urinários podem conter um número aumentado de células dos túbulos coletores em 
vários tipos de doenças renais, como nefrite, necrose tubular aguda, rejeição a transplante renal e 
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envenenamento por salicilatos. Quando estas células aparecem como fragmentos intactos do epitélio 
tubular, indicam trauma, choque, sepsis ou necrose isquêmica do epitélio tubular. 
Quando há passagem de lipídios pela membrana glomerular, como nos casos de nefrose lipídica, as 
células do túbulo renal os absorvem e são chamadas corpos adiposos ovais. Em geral, são vistas em 
conjunto com gotículas de gordura que flutuam no sedimento. 
 
EAS - Elementos Anormais De Sedimentoscopia 
Exame Microscópico Da Urina 
O exame microscópico do sedimento da urina é de grandiosa valia, pois fornece informações muito 
úteis no diagnóstico e tratamento do paciente. O exame poderá avaliar a presença ou evolução deinfecções, doenças e traumas do trato urinário, além disso, certos resultados como a presença de 
cristais anormais, podem sugerir uma desordem metabólica. Todas as amostras de urina devem ser 
analisadas o mais breve possível para evitar a deterioração celular e multiplicação de bactérias ou 
outro microorganismo. 
 
Componentes Do Sedimento Urinário 
 
Células Sanguíneas: 
 
Hemácias e leucócitos. A presença de grande quantidade de hemácias na urina é chamada de he-
matúria. A presença de raras hemácias é considerada normal. A presença de grande quantidade de 
leucócitos na urina é chamada de piúria. 
Até 8 piócitos por campo é considerado normal. A presença de hemácias em grande quantidade na 
urina pode acontecer em infecções do trato urinário, traumatismos, hemorragias de diversas origens, 
alguns tipos de câncer, estados inflamatórios e doenças renais. A presença de grande quantidade de 
leucócitos na urina pode acontecer em infecções do trato urinário, inflamações de diversas origens, 
doenças renais, alguns tipos de câncer, alguns tipos de DST e outras. 
 
Células Epiteliais: 
 
As células epiteliais são constantemente descamadas do revestimento interno do trato urinário. As 
células do epitélio vaginal e uretral aparecem grandes, planas, com núcleo distinto e grande citoplas-
ma. Células menos comuns no sedimento urinário são as da bexiga e túbulo renal. As do túbulo renal 
podem ser indicadoras de doença renal. 
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Microorganismos: 
 
Os microorganismos que podem ser encontrados no sedimento urinário são principalmente: bacté-
rias, leveduras e protozoários. 
 
Bactérias - podem aparecer todos os constituintes da morfologia bacteriana. 
Leveduras - São de tamanho menor que as hemácias, porém são muito similares a estas. As levedu-
ras são ovóides e podem ser observadas em brotação ou cadeia (hifas). A mais comumente encon-
trada no sedimento urinário é a Candida albicans. 
 
Protozoários - Os protozoários do tipo Trichomonas são os mais comumente encontrados no sedi-
mento urinário. È um protozoário flagelado transmitido sexualmente que provoca infecção do trato 
urinário e pode levar à infecção de vias superiores quando não tratada. Existem 2 tipos principais de 
Trichomonas vaginalis e Trichomonas hominis. Porém devido à extrema semelhança entre estes dois 
tipos, não é possível distingui-las ao microscópio, por isto utilizamos o termo "presença de Trichomo-
nas sp". 
 
Espermatozóides - São ocasionalmente observados em amostras de urina. São facilmente reconhe-
cidos devido à sua morfologia característica. Devem ser mencionados somente em urinas masculi-
nas, caso contrário, não mencionar a presença. 
 
Cilindros: 
 
São formados quando a proteína se acumula e precipita nos túbulos renais e são levados pela urina. 
A presença de cilindros na urina pode indicar doença renal. Os cilindros são classificados conforme o 
material incluso neles. 
 
Cristais: 
 
Uma grande variedade de cristais pode ser encontrada na urina. A formação de cristais é influenciada 
pelo pH , densidade e temperatura da urina. Ainda que a maioria dos cristais não tenha significado 
clínico, existem alguns cristais que aparecem na urina por causa de alguma desordem metabólica. 
 
Cristais de urina ácida (normal) - Uratos amorfos, ácido úrico, oxalato de cálcio. 
Cristais de urina alcalina (normal) - fosfatos amorfos, fosfato triplo, carbonato de cálcio. 
Cristais de urina considerados anormais - Cistina, leucina, tirosina, colesterol e sulfonamidas. 
 
Contaminantes Ou Artefatos: 
 
Estes são elementos não originados do trato urinário que podem contaminar a urina, no momento da 
passagem da mesma pela uretra e pela vagina, ao ser expelido. A contaminação por elementos pre-
sentes no ambiente pode ocorrer durante a coleta, armazenamento e processamento da amostra. A 
identificação dos contaminantes é necessária para uma correta interpretação do resultado do exame 
e, também, para auxiliar no diagnóstico de doenças ou infestações. 
Os principais contaminantes ou artefatos que podem ser observados no sedimento urinário são: 
Espermatozóides: Estas células podem estar presentes tanto em amostras de urina de homens, 
quanto de mulheres. A presença de espermatozóides em amostras de urina de mulheres não deve 
ser relatada, por questões éticas, a não ser quando há solicitação explícita de comprovação de abuso 
sexual. 
Em amostras de urina de homens a presença de espermatozóides pode indicar espermatorréia, uma 
das causas de infertilidade masculina; nesses casos deve-se relatar a presença de espermatozóides. 
Esses são facilmente reconhecidos pela cabeça oval, com tamanho de 4 a 6 micra, e pela cauda de 
40 a 60 micra de comprimento. 
 
Leveduras: As células leveduriformes podem ser observadas no sedimento urinário devido à conta-
minação por secreção vaginal ou ainda por contaminação pela pele ou pelo ambiente. As leveduras 
estão presentes em secreções vaginais de indivíduos com infecção pelo fungo, frequentemente em 
pacientes diabéticos e/ou imunossuprimidos. As principais leveduras observadas são Candida sp. 
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Essas se apresentam como células ovóides, com tamanho de 5 a 7 micra, incolores e refringentes. 
Muitas vezes apresentam brotamentos, devido à germinação, e pseudohifas. Na transcrição do resul-
tado a presença de leveduras deve ser relatada da seguinte forma: "Presença de células levedurifor-
mes (pseudohifas) com aspecto morfológico de Candida sp". 
 
Parasitas: O parasita que pode ser encontrado com maior frequência no sedimento urinário é o Tri-
chomonas vaginalis. Este protozoário é responsável por infecções vaginais e pode também infectar a 
uretra, a bexiga e a próstata. Nesses casos o protozoário poderá ser, também, observado em amos-
tra de urina recente, sendo facilmente identificado pela motilidade. 
Por ser um protozoário flagelado e apresentar uma membrana ondulante, este se movimenta, girando 
no campo, sem direção. O parasita é ovóide, com a sua maior dimensão da ordem de 30 micra; apre-
senta um núcleo e alguns vacúolos citoplasmáticos, o que facilita a sua identificação, quando não 
está em movimento. O corante de Sternheimer-Malbin é utilizado para diferenciá-lo de leucócitos e/ou 
células epiteliais. Esses elementos se coram de roxo, enquanto o Trichomonas não se cora. Ovos ou 
larvas de parasitas também podem ser encontrados no sedimento urinário devido à contaminação 
fecal e por falta de assepsia adequada. 
 
Diversos: No sedimento urinário podem ser encontrados também outros elementos contaminantes, 
tais como: grânulos de amido, fibras vegetais, bolhas de ar, gotículas de gordura, fragmentos de vi-
dro, corantes, grãos de pólen, tecidos vegetais, pêlos, ácaros, asas de insetos, etc. 
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