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DIREITO PENAL I 
Parte Geral
Professor doutor Marcelo Pertille
Prof. Marcelo Pertille
Direito penal – Parte geral I 
CONTEXTUALIZANDO AS CIÊNCIAS CRIMINAIS
O QUE PUNIR?
COMO PUNIR?
QUEM PUNIR?
Prof. Marcelo Pertille
Direito penal – Parte geral I 
- DIREITO PENAL: “Conjunto de normas jurídicas voltado à fixação dos limites do poder punitivo do Estado, instituindo infrações penais e as sanções correspondentes, bem como regras atinentes à sua aplicação”. 
- “Direito Penal consiste na soma de todas as normas que regulam os pressupostos ou consequências de um comportamento ameaçado com pena ou com uma medida de correção e segurança.” (Roxin)
- Direito Penal tem como objeto uma relação de subordinação da pessoa humana ao poder estatal – é uma parte do direito público.
- Direito penal secundário – direito penal secundário é um conceito utilizado para se referir a normas penais que não fazem parte do núcleo central do Direito Penal, mas que surgem como complemento à legislação penal tradicional. Diferencia-se do direito penal clássico, pois sua aplicação geralmente ocorre em campos altamente regulados e com uma interação intensa entre sanções administrativas e penais. Além disso, sua expansão levanta debates sobre o princípio da intervenção mínima do Direito Penal, pois aumenta o risco de criminalização excessiva de condutas que poderiam ser resolvidas por outros meios. 
Prof. Marcelo Pertille
Direito penal – Parte geral I 
- Esse ramo que trata dos fatos em si e das penas a serem impostas é o Direito Penal material – já as disciplinas correlatas, que tratam das regras e procedimentos que regulam a aplicação das normas penais materiais é o direito penal formal (ex: processo penal, regras de aplicação das penas, direito da execução penal.
- Direito Penal e parte geral do CP: “é um produto da abstração, contém os pressupostos do comportamento punível – seu caráter fundamental está nas questões centrais da dogmática penal, como a doutrina da função do direito penal e da finalidade da pena. 
- Função e finalidade do Direito Penal: - a função é o instrumento, enquanto a finalidade é o propósito do Direito Penal
Função - meio pelo qual o Direito Penal opera para alcançar seus objetivos. 
Principais funções:
Função de Proteção de Bens Jurídicos: O Direito Penal protege valores essenciais à convivência social, como a vida, a integridade física, o patrimônio e a ordem pública.
Função de Controle Social: Atua regulando comportamentos e estabelecendo limites para a conduta dos indivíduos.
Função de Garantia: Protege os cidadãos contra abusos do poder punitivo do Estado, estabelecendo limites para a criminalização e aplicação de penas.
Função Sancionatória: Determina sanções (penas e medidas de segurança) para aqueles que cometem crimes.
Prof. Marcelo Pertille
Direito penal – Parte geral I 
- Finalidade do Direito Penal refere-se ao objetivo último que ele pretende alcançar na sociedade. Ou seja, o porquê da existência do Direito Penal.
Principais finalidades:
Prevenção Geral: Busca inibir crimes por meio da intimidação da sociedade (prevenção negativa) ou da reafirmação dos valores protegidos pela norma penal (prevenção positiva).
Prevenção Especial: Tem como foco evitar que o infrator reincida no crime, por meio da reeducação, ressocialização ou neutralização do criminoso.
Reintegração Social: Objetiva a reinserção do condenado na sociedade após o cumprimento da pena.
Retribuição: Visa punir o infrator de acordo com a gravidade da sua conduta, fundamentando-se na ideia de justiça retributiva.
- Política criminal X Direito Penal X Criminologia: Política, em seu sentido lato, pode ser entendida como a ciência ou a arte de governar. Por seu turno, política criminal compreende a política relacionada ao fenômeno criminal, sendo considerada a arte ou a ciência de governo, com respeito ao fenômeno criminal (ZAFFARONI, 2011).
- A Política Criminal tem a finalidade de trabalhar as estratégias e meios de controle social da criminalidade (caráter teleológico). É característica da Política Criminal a posição de vanguarda em relação ao direito vigente, vez que, enquanto ciência de fins e meios, sugere e orienta reformas à legislação positivada (Bruno, Anibal. Direito Penal – Parte Geral. Tomo 1º. Rio de Janeiro: Forense, 1967, p. 41).
Prof. Marcelo Pertille
Direito penal – Parte geral I 
- A Criminologia é ciência empírica que estuda o crime, a pessoa do criminoso, da vítima e o comportamento da sociedade. Não se trata de uma ciência teleológica, que analisa as raízes do crime para discipliná-lo, mas de uma ciência causal-explicativa, que retrata o delito enquanto fato, perquirindo as suas origens, razões da sua existência, os seus contornos e forma de exteriorização.
“Todo Direito penal responde a uma determinada Política criminal, e toda Política criminal depende da política geral própria do Estado a que corresponde” (Mir Puig, Estado, pena y delito, p. 3).
“O código penal é a magna carta do criminoso” e “O direito penal é a barreira intransponível da política criminal.” (v. Liszt, escritos, 1905, p. 60 e 80 respectivamente.)
Há um movimento de Direito Penal que propõe a sobreposição da Política Criminal sobre o Direito Penal – Claus Roxin declara que todo valor, todo vetor axiológico a incidir sobre a teoria do crime – FUNCIONALISMO PENAL
Prof. Marcelo Pertille
Direito penal – Parte geral I 
Escolas e tendências penais: no século XIX surgiram inúmeras correntes de pensamento estruturadas de forma sistemática e em contraponto ao arbítrio até então conferido aos juízes de julgar conforme a condição social da pessoa – podem ser definidas como: “corpo orgânico de concepções contrapostas sobre a legitimidade do direito de punir, sobre a natureza do delito e sobre a finalidade das sanções”. 
Escola clássica - idealista (Século XVIII-XIX) – tradição italiana
Não houve uma escola clássica propriamente assim nominada pelos contemporâneos. Positivistas atribuíram esse nome.
Nasceu em reação ao totalitarismo, à crueldade do sistema penal até então vigente;
Principais expoentes: Cesare Beccaria (Dos delitos e das Penas), Francesco Carrara.
Contexto: Influenciada pelo Iluminismo, busca um sistema penal racional e proporcional em trono das primeiras ideias sobre o indivíduo.
Ideias centrais: O crime é um ato livre e racional (livre-arbítrio); A pena tem caráter retributivo e preventivo; Defende a legalidade penal e a proporcionalidade das penas; O criminoso é julgado apenas pelo fato cometido, não pela sua personalidade; Fundamentação baseada no contrato social e no princípio da mínima intervenção penal.
No mesmo período, na Alemanha nascia a moderna ciência penal alemã com Feuerbach. 
 
Prof. Marcelo Pertille
Direito penal – Parte geral I 
Escola Positivista (Final do Século XIX)
Principais expoentes: Cesare Lombroso (fase antropológica), Enrico Ferri (fase sociológica), Rafael Garofalo (fase jurídica).
Contexto: Baseada no positivismo científico (baseada na metodologia dos estudos da sociologia e da biologia), rejeita a ideia de livre-arbítrio e busca explicações científicas para o crime.
Ideias centrais: O crime é um fenômeno natural e social, resultado de fatores biológicos, psicológicos e sociais. O criminoso pode ser determinado por fatores genéticos (Lombroso e a teoria do "criminoso nato"). Defende penas e medidas de segurança para reeducação e readaptação do criminoso. Pena é reação natural do meio social contra o indivíduo desviante.
Introduz a criminologia como ciência independente. Isso porque verificam que a cientifização absoluta do Direito é impossível por meio de métodos. Propõem que os elementos do delitos sejam definidos pela sociologia ou antropologia. Assim nasce a CRIMINOLOGIA. 
O foco são os interesses sociais sobre os do indivíduo. 
 
Escola moderna alemã – Escola de Política Criminal ou escola Sociológica
Expoente: Franz von Liszt (jurista e politico) 
Prof. Marcelo Pertille
Direito penal – Parte geral I 
É uma espécie de positivismo crítico discutido na Itália. Tambémé chamado de Escola da Política Criminal. 
Essa Escola contou com as contribuições da Associação Internacional de Direito Penal, criada em 1888.
Liszt, em 1882, publicou O Programa de Marburg, A Ideia do Fim no Direito Penal. Esse é um marco no Direito Penal moderno. Para ele, o Direito Penal deve sempre se orientar pelo seu fim, objetivo a que se destina. Deve ser “captado” pela estatística criminal.
Para Liszt, a criminologia explicaria as causas dos delito, e a penologia as causas e os efeitos das penas. 
Características: prega a distinção entre os ramos das ciências criminais; distinguiu imputáveis e inimputáveis; crime é fenômeno humano-social e fato jurídico; função finalística da pena (prioridade para a prevenção especial); contra as penas de prisão de curta duração (política criminal liberal).
Escola Técnico-Jurídica (Início do Século XX)
Principais expoentes: Arturo Rocco. Karl Binding.
Contexto: Reage contra o positivismo extremo, focando no estudo dogmático do Direito Penal.
Ideias centrais: O Direito Penal deve se basear na norma jurídica e não em teorias sociológicas
Prof. Marcelo Pertille
Direito penal – Parte geral I 
ou biológicas. O crime é um fato jurídico, analisado dentro da teoria do delito (tipicidade, ilicitude e culpabilidade). Valoriza a segurança jurídica e a aplicação objetiva do Direito Penal.
Apontou o crime como fenômeno jurídico – “Direito Penal como exposição sistemática dos princípios que regulam os conceitos de delito e de pena, e da consequente responsabilidade, desde um ponto de vista puramente jurídico”. (Assúa)
Escola correcionalista (final do sec. XIX)
Principais expoentes da Escola Correcionalista: Pellegrino Rossi – Considerado um dos fundadores da escola, defendia que a pena deveria ter um caráter moralizador e educativo. Charles Lucas – Propôs reformas no sistema penitenciário para promover a correção do infrator. Alexis de Tocqueville – Embora mais conhecido pela sua obra sobre democracia, fez estudos sobre o sistema prisional, destacando a necessidade de um modelo corretivo e humanizado.
A Escola Penal Correcionalista é uma corrente do pensamento penal que surgiu no século XIX e tem como principal característica a ideia de que a pena deve ter um caráter corretivo, ou seja, deve servir para reformar e ressocializar o criminoso. Essa escola se afasta da visão puramente retributiva da pena, defendida pela Escola Clássica, e também do determinismo biológico da Escola Positiva.
Prof. Marcelo Pertille
Direito penal – Parte geral I 
Ideias centrais: A pena não deve ser apenas uma punição, mas sim um meio para corrigir o infrator. O criminoso deve ser tratado de forma individualizada, com medidas que visem sua reabilitação. Por isso, o arbítrio do juiz deve ser maior porque deve ter poder para aplicar a pena proporcional ao caso concreto.
O criminoso era visto como um ser anormal, que não poderia conviver em sociedade e, por isso, devia ser contido pelo Estado porque é um perigo para a convivência social. Defendiam que não importa ser o sujeito imputável ou não. O fato é que não pode conviver em sociedade. A pena é uma forma de tutela social. 
A Escola Correcionalista influenciou fortemente a ideia de ressocialização presente nos sistemas penitenciários modernos. Muitas legislações contemporâneas, como a brasileira, incorporaram a ideia de que a pena deve reeducar e reintegrar o condenado, e não apenas puni-lo.
Escola Eclética (Final do Século XIX – Início do XX)
Principais expoentes: Rafael Garofalo, Franz von Liszt.
Contexto: Tenta conciliar as ideias da Escola Clássica e da Escola Positivista.
Ideias centrais: O crime tem causas sociais e individuais, mas o criminoso mantém certo grau de responsabilidade moral. A pena deve ter tanto caráter retributivo quanto preventivo e ressocializador. Introduz a ideia da periculosidade do agente como critério para sanções mais eficazes. Defende um sistema penal flexível, considerando tanto o fato criminoso quanto as características do criminoso.
Prof. Marcelo Pertille
Direito penal – Parte geral I 
Nova Defesa Social (Meados do Século XX)
Principais expoentes: Filippo Gramatica, Marc Ancel.
Contexto: Surge como resposta ao modelo repressivo, defendendo um Direito Penal mais humanizado.
Ideias centrais: O foco não é punir, mas prevenir o crime e ressocializar o infrator. A pena deve ter um caráter educativo e regenerador. O criminoso deve ser tratado conforme sua periculosidade e possibilidade de reinserção social. Fortalecimento da justiça restaurativa e penas alternativas.
Escola Constitucionalista (Século XXI)
Principais expoentes: Luigi Ferrajoli, Raúl Zaffaroni.
Contexto: Influenciada pelo garantismo penal e pelos direitos humanos.
Ideias centrais: O Direito Penal deve ser mínimo e focado na proteção dos direitos fundamentais. A pena deve respeitar a dignidade da pessoa humana e os princípios constitucionais. Crítica ao punitivismo excessivo e às falhas do sistema penal, como a seletividade. Defesa de penas alternativas e redução do encarceramento em massa.
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Direito penal – Parte geral I 
DIREITO PENAL: 
 OBJETIVO: conjunto de leis em vigor (CP, leis especiais). 
 SUBJETIVO: direito/poder (soberano) que o Estado tem de punir (Nucci não concorda).
O Direito Penal subjetivo – o direito de punir do Estado – tem limites no próprio Direito Penal objetivo. 
 DIREITO PENAL SUBJETIVO - limites: ESPACIAL, MODAL e TEMPORAL.
	ESPACIAL: princípio da territorialidade.
	MODAL: dignidade da pessoa humana (art. 1º, III, CF) – BASE DO ESTADO.
	TEMPORAL: decadência e a prescrição.
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DIREITO PENAL SUBJETIVO – MONOPÓLIO DO ESTADO: 
CUIDADO - Estatuto do Índio (Lei 6.001/73, art. 57): O Estado dá para tribos indígenas o direito de aplicação de sanções de caráter penal.
Art. 57. Será tolerada a aplicação, pelos grupos tribais, de acordo com as instituições próprias, de sanções penais ou disciplinares contra os seus membros, desde que não revistam caráter cruel ou infamante, proibida em qualquer caso a pena de morte.
OBS: O Tribunal Penal Internacional não é exceção - princípio da complementaridade.
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FONTES DO DIREITO PENAL: 
De onde vem e como se revela o ramo
TRF/1ª - No plano jurídico, fontes do Direito expressam a origem das normas jurídicas, podendo-se classificar as fontes em dois grandes blocos, designados de fontes materiais, enfocando o momento pré-jurídico, constituindo-se nos fatores que conduzem à emergência e construção da regra de Direito e fontes formais, enfocando o momento tipicamente jurídico, considerando a regra já plenamente construída, os mecanismos exteriores e estilizados pelos quais essas regras se revelam para o mundo exterior, ou seja, os meios pelos quais se estabelece a norma jurídica. 
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Doutrina TRADICIONAL
MATERIAL (produção): UNIÃO, art. 22, I, da CF. Estados só podem em questões específicas (art. 22, parágrafo único, da CF).
- FORMAL (fontes de conhecimento): IMEDIATAS e MEDIATAS.
 	IMEDIATAS: LEI
	MEDIATAS: COSTUMES e PRINCÍPIOS GERAIS DE DIREITO
COSTUMES são comportamentos uniformes e constantes pela convicção de sua obrigatoriedade e necessidade jurídica.
	Existe COSTUME INCRIMINADOR? NÃO – art. 1º, do CP (princípio da legalidade = reserva legal + anterioridade.
	Existe COSTUME ABOLICIONISTA? De acordo com o art. 2º da L.I.N.D.B. - Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue.
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Na prática, admite-se que se o fato não é mais tão repelido pelo meio social a norma que o incrimine possa perder aplicabilidade (ex: jogo do bicho – adequação social).
CUIDADO: A prática de vender CDs e DVDs piratas é crime e não se admite a aplicação do princípio da adequação social – Súmula 502 do STJ
PRINCÍPIOS GERAIS DE DIREITO: direito que vige na consciência comum de um povo.
- Não existem PGD incriminadores pelos mesmo motivos dos costumes.
Doutrina mais atual
- MATERIAL:UNIÃO
- FORMAL: 
	- IMEDIATA – CF, TRATADOS SOBRE DIREITO HUMANOS (aprovados com quórum de emenda constitucional), JURISPRUDÊNCIA (discussão), PGD, LEI.
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Câmara Federal/Consultor Legislativo/Cespe - Em matéria penal, os tratados e as convenções internacionais, após serem referendados pelo Congresso Nacional, constituem fontes imediatas do direito penal e têm eficácia erga omnes. PAPEL DE LEI ORDINÁRIA
DPE/RR - A moderna doutrina penal considera a jurisprudência como fonte criadora do direito, similar à lei, em razão do fator de produção normativa decorrente da obrigatoriedade que possuem as decisões dos tribunais superiores e do caráter vinculante das súmulas – Dito ERRADO 
	
- MEDIATA – DOUTRINA
- INFORMAL: COSTUMES.
 
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INTERPRETAÇÃO DA LEI PENAL
+ Quanto ao SUJEITO (que interpreta):
- Autêntica: pela própria lei = é o método legislativo. Ex: conceito de funcionário público, conceito de crime.
Doutrinária: pelos estudiosos (exposição de motivos do CP) 
Jurisprudencial: decisões reiteradas dos tribunais.
	
+ Quanto ao MODO: 
 - Gramatical: sentido literal das palavras 
- Teleológica: vontade objetivada pela lei.
- Histórico: origem da Lei (fato social)
- Sistemática: conjunto de leis (sistema de leis)
- Progressiva: de acordo com o progresso da ciência.
 
 
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+ quanto ao RESULTADO:
- Declarativa: letra da lei corresponde exatamente com aquilo que o legislador quis dizer.
- Extensiva: amplia-se o alcance da palavra para que adapte-se á vontade do texto. É POSSÍVEL CONTRA O RÉU. 
Juiz/TRF2ª/Cespe - A interpretação extensiva é admitida em direito penal para estender o sentido e o alcance da norma até que se atinja sua real acepção.
PM/CE/Cespe - Conforme o Supremo Tribunal Federal, é vedada no direito penal a aplicação da interpretação extensiva, em face da observância do princípio da legalidade, embora seja admitida a subsunção dos fatos ao tipo penal. Ex: HC 105.542
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- Restritiva: reduz-se o alcance da palavra.
- Interpretação analógica: leva-se em conta expressões genéricas e abertas utilizadas pelo legislador. Ex: meio cruel, álcool ou substância análoga.
Analogia (NÃO É FORMA DE INTERPRETAÇÃO, MAS SIM DE INTEGRAÇÃO DA NORMA): usa-se uma norma destinada para casos semelhantes em virtude da ausência para o caso concreto.
MP/SC - De acordo com a Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, no caso de haver lacuna da lei, a aplicação da analogia consiste na utilização de precedentes jurisprudenciais utilizados para casos semelhantes ou parecidos, como fundamento para julgar o caso sem norma jurídica específica. ERRADO
MP/SC - De acordo com o Decreto-lei n. 4657/42 (Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro) são formas de
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integração jurídica a analogia, os costumes e os princípios gerais de direito. Quanto aos costumes, a legislação refere-se a espécie praeter legem, ou seja, aquele que intervém na falta ou omissão da lei, apresentando caráter supletivo. 
MP/SC - A integração da norma penal, visando suprir lacunas da lei, apenas é possível em relação às normas penais não incriminadoras. C
LEI PENAL
 - COMPLETA = dispensa complemento normativo (outra espécie de legislativa). Ex: art. 121.
- INCOMPLETA = necessita de complemento normativo (outra norma) valorativo (juiz) 
NORMA - NORMA PENAL EM BRANCO: heterogênea (complemento não vem do legislador); homogênea (mesma instância legislativa) 
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Normas penais em branco são disposições cuja sanção é determinada, porém, com indeterminação de seu conteúdo. 
NPB homogênea - HOMÓLOGA (no mesmo doc. ex: 327 CP) ou HETERÓLOGA (outro doc. Art. 236 – CC – ocultação de impedimentos - casamento) 
- TIPOS ABERTOS: dependem de complemento valorativo. Dependem da valoração do juiz. Ex: art. 299 – o que é documento?
Tipos culposos são, em regra, tipos abertos.
LEI VIGENTE X VÁLIDA – 
VIGENTE – aspectos formais
VÁLIDA – aspectos materiais – ex: regime integralmente fechado ou inicial fechado nos hediondos – vigente, mas inválida.
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PRINCÍPIOS 
LEGALIDADE - Limitação do Poder Estatal de interferir na esfera de liberdade individuais 
Reserva legal + anterioridade – art. 1º do CP, art. 5º, XXXIX, da CF, art. 9º, Convenção Americana de Direitos Humanos, art. 22 do Estatuto de Roma – Tribunal Penal Internacional
Fundamentos: Político (Judiciário e Executivo ligados ao Legislativo), Democrático (divisão de poderes) e Jurídico (efeito intimidatório de um lei clara).
EM SÍNTESE: - O poder do Estado é limitado pelo princípio da legalidade e, aos cidadãos, está assegurada a plena garantia e juridicidade dos direitos fundamentais. 
IMPORTANTE: O princípio da reserva legal aplica-se, de forma absoluta, às normas penais incriminadoras, excluindo-se de sua incidência as normas penais não incriminadoras.
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Direito penal – Parte geral I 
sdsdsdsdsdsds 
06/01/2015
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CERTA (proíbe tipos sem clareza – gera o princípio da taxatividade – o que é abuso de autoridade?), NECESSÁRIA (intervenção mínima)
EM RESUMO - Uma das funções do princípio da legalidade refere-se à proibição de se realizar incriminações vagas e indeterminadas, visto que, no preceito primário do tipo penal incriminador, é obrigatória a existência de definição precisa da conduta proibida ou imposta, sendo vedada, com base em tal princípio, a criação de tipos que contenham conceitos vagos e imprecisos.
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EM RESUMO: O princípio da legalidade desdobra-se nos postulados da reserva legal, da taxatividade e da irretroatividade. O primeiro impossibilita o uso de analogia como fonte do direito penal; o segundo exige que as leis sejam claras, certas e precisas, a fim de restringir a discricionariedade do aplicador da lei; o último exige a atualidade da lei, impondo que seja aplicada apenas a fatos ocorridos depois de sua vigência.
- INTERVENÇÃO MÍNIMA: DP SUBSIDIÁRIO e FRANGMENTÁRIO.
Subsidiariedade e fragmentariedade NÃO SÃO PRINCÍPIOS - sim características do princípio da intervenção mínima.
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Direito penal – Parte geral I 
sdsdsdsdsdsds 
06/01/2015
- SUBSIDIÁRIO: ultima ratio (ultima razão).
- FRAGMENTÁRIO: DP só intervém no caso concreto quando há relevante e intolerável lesão ou perigo de lesão a bens jurídicos.
INSIGNIFICÂNCIA: STF - método moderno de aplicação do direito penal. Não se aplica ao criminoso habitual; a ação não pode denotar periculosidade social; pequeno grau de reprovação da conduta (caso concreto). O princípio da insignificância tem o sentido de excluir ou de afastar a própria tipicidade penal, ou seja, não considera o ato praticado como um crime, por isso sua aplicação resulta na absolvição do réu e não apenas na diminuição e substituição da pena ou não sua não aplicação. 
NÃO ESQUEÇA - O princípio da insignificância ou da bagatela exclui a tipicidade material. 
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REQUISITOS: (a) a Mínima ofensividade da conduta do agente, (b) Ausência de periculosidade social da ação, (c) Reduzidíssimo grau de reprovabilidade do comportamento e (d) Inexpressividade da lesão jurídica provocada (ex: o furto de algo de baixo valor). Sua aplicação decorre no sentido de que o direito penal não se deve ocupar de condutas que produzam resultado cujo desvalor - por não importar em lesão significativa a bens jurídicos relevantes - não represente, por isso mesmo, prejuízo importante, seja ao titular do bem jurídico tutelado, seja à integridade da própria ordem social. Fonte: STF - M.A.R.I.
JÁ CAIU EM PROVA - A insignificância, enquanto princípio, se revela, conforme a visão de Roxin, importante instrumento que objetiva, ao fim e ao cabo, restringir a aplicação literal do tipo formal, exigindo-se, além da contrariedade normativa, a ocorrência efetiva de ofensa relevante ao bem jurídico tutelado.Prof. Marcelo Pertille
Direito penal – Parte geral I 
sdsdsdsdsdsds 
06/01/2015
IMPORTANTE: CRIMES QUE NÃO ADMITEM BAGATELA - Tráfico de drogas e porte de drogas para consumo próprio, contrabando, porte ilegal de arma, estelionato previdenciário, crimes envolvendo violência ou grave ameaça no contexto das relações domésticas ou familiares, furto qualificado por escalada, destreza, rompimento de obstáculo e concurso de agentes indica maior reprovabilidade da conduta do agente
STJ Sumula 599 - O princípio da insignificância é inaplicável aos crimes contra a administração pública. 
 
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Direito penal – Parte geral I 
CUIDADO - insignificância afasta a tipicidade (material) - Bagatela imprópria exclui a culpabilidade no comportamento praticado. Aplica-se nas seguintes situações: 
A) ínfimo desvalor da culpabilidade, B) ausência de antecedentes criminais, C) reparação dos danos, D) reconhecimento da culpa ou a colaboração com a justiça. Vistos globalmente podem tornar a imposição da pena desnecessária.
STJ - O reconhecimento do princípio da bagatela imprópria permite que o julgador, mesmo diante de um fato típico, deixe de aplicar a pena em razão desta ter se tornado desnecessária, diante da verificação de determinados requisitos. HC 222093
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Direito penal – Parte geral I 
OFENSIVIDADE/LESIVIDADE: o bem jurídico deve ter sido efetivamente atacado ou posto em perigo de lesão. Há QUEM DEFENDA QUE É DECORRÊNCIA DA INTERVENÇÃO MÍNIMA
Crime de Dano. O injusto penal configura-se com o dano efetivo, ou seja, concreta lesão ao bem jurídico tutelado. Ex.: art. 121 do CP (homicídio).
Crime de Perigo. É aquela espécie de injusto penal que se satisfaz/se consuma com a mera ameaça de lesão (ou perigo de lesão) ao bem jurídico tutelado.
- Em todos os crimes de perigo o agente criminoso expõe um bem jurídico a uma situação de perigo – que se considera importante evitar.
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Direito penal – Parte geral I 
Perigo Abstrato X Perigo Concreto – PERIGO = alta probabilidade de dano.
Perigo ABSTRATO - Trata-se de presunção legal absoluta (“juris et de jure”) de perigo. Independe de prova. Ex: porte ilegal de arma de fogo, tráfico de drogas, embriaguez ao volante (HC 109.269/MG)
Perigo CONCRETO - A configuração do crime depende da prova concreta do risco de lesão ao bem jurídico protegido. Ex.: crime de perigo para a vida ou a saúde de outrem (art. 132 doCP): prova do perigo direto e iminente (perigo real) / crime de explosão (art. 251 doCP): prova do risco de ofensa ao bem jurídico vida ou integridade física ou patrimônio de outrem.
Perigo Individual X Perigo Comum:
INDIVIDUAL - Exposição a perigo de lesão alcança pessoa certa ou grupo limitado. Ex: Perigo de contágio venéreo – art. 130 do CP.
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Direito penal – Parte geral I 
Estão no Capítulo III do Título I do CP: Da Periclitação da Vida e da Saúde (arts. 130 a 136);
COMUM - alcança todo ou grupo ilimitado - exposição a perigo de lesão se dirige ao bem ou ao interesse de toda a coletividade ou a número indeterminado de pessoas.
Estão no Capítulo I do Título VIII do CP: Dos Crimes de Perigo Comum (arts. 250 a 259);
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Direito penal – Parte geral I 
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(2019 - CESPE - TJ-DFT - Titular de Serviços de Notas e de Registros) Aplicado no direito penal brasileiro, o princípio da alteridade
a) determina que o juiz analise as especificidades do fato e do autor do fato durante o processo dosimétrico.
b) assevera que a pena não passará da pessoa do condenado.
c) afasta a tipicidade material de fatos criminosos, ao definir que não haverá crime sem ofensa significativa ao bem tutelado.
d) reconhece que o direito penal deve abarcar o máximo de bens possíveis para promover a paz.
e) assinala que, para haver crime, a conduta humana deve colocar em risco ou lesar bens de terceiros, e é proibida a incriminação de atitudes que não excedam o âmbito do próprio autor.
EXTERIORIZAÇÃO/MATERIALIZAÇÃO DO FATO - Estado só incrimina CONDUTAS exteriorizadas e voluntárias.
Direito penal não deve se preocupar com o ESTILO DE VIDA DA PESSOA, mas sim com os fatos por ela praticados (art. 2º do CP). Ex: NAZISTAS, MENDICÂNCIA (já revogado), vadiagem.
Direito Penal do inimigo 
CAI EM PROVA - Das construções doutrinárias de Günther Jakobs acerca do “Direito Penal do inimigo”, extrai-se que aquele que por princípio se conduz de modo desviado, não oferece garantia de um comportamento pessoal, por isso não pode ser tratado como cidadão, mas deve ser combatido como inimigo;
IMPORTANTE GUARDAR-  O Direito Penal do Inimigo, idealizado por Günther Jakobs, pode ser entendido como um Direito Penal de terceira geração. Na sua concepção inimigo é aquele que afasta de modo permanente da norma. Segundo esta teoria, não deve ser ao criminoso conferido o status de cidadão. 
Prof. Marcelo Pertille
Direito penal – Parte geral I 
Gerações de Direito Penal – também chamadas de velocidades – a ver com a história
1ª Geração - penas privativas de liberdade como última razão, combinadas com garantias. O Direito Penal é representado pela “prisão”, mantendo rigidamente os princípios político-criminais clássicos, as regras de imputação e os princípios processuais.
2ª Geração – política criminal a mercê de regras punitivas. Ex: substituição da pena de prisão por penas alternativas, Lei 9.099/95
3ª Geração – utiliza-se da pena privativa de liberdade (1ª geração/velocidade), e permite a flexibilização de garantias materiais e processuais (2ª geração). Direito Penal do Inimigo é um exemplo.
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4ª Geração – Direito Penal Internacional – TPI - violaram tratados e convenções internacionais de tutela de direitos humanos, ostentando a condição de Chefes de Estado
Características do Direito Penal do Inimigo – 
I) Antecipação da punibilidade com atos preparatórios; II) Criação de tipos de mera conduta; III) Criação de crimes de perigo abstrato; IV) Flexibilização do princípio da legalidade; V) Inobservância do princípio da ofensividade e da exteriorização do fato; VI) Preponderância do Direito Penal do autor; VII) Desproporcionalidade de penas; VIII) Restrições de garantias penais e processuais (3ª Velocidade); IX); Endurecimento da execução penal.
Grande crítico – Cancio Meliá
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- RESONSABILIDADE PENAL PESSOAL - Direito Penal não deve passar da figura do réu – CUIDADO: multa penal não se transfere aos herdeiros
Direito penal = aplicação de pena proporcional a responsabilidade do réu – INDIVIDUALIZAÇÃO - NÃO HAVERÁ PENA PADRONIZADA – medir responsabilidade!
JÁ APARECEU EM PROVA ASSIM: DP/PB - "A terrível humilhação por que passam familiares de presos ao visitarem seus parentes encarcerados consiste na obrigação de ficarem nus, de agacharem diante de espelhos e mostrarem seus órgãos genitais para agentes públicos. A maioria que sofre esses procedimentos é de mães, esposas e filhos de presos. Até mesmo idosos, crianças e bebês são submetidos ao vexame. É princípio de direito penal que a pena não ultrapasse a pessoa do condenado". 
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(DIAS, José Carlos. "O fim das revistas vexatórias". In: Folha de São Paulo. São Paulo: 25 de julho de 2014, 1o caderno, seção Tendências e Debates, p. A-3)
 
Além da ideia de dignidade humana, por esse trecho o inconformismo do autor, recentemente publicado na imprensa brasileira, sustenta-se mais diretamente também no postulado constitucional da PESSOALIDADE
CAI EM PROVA: Nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra eles executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido.
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(2018 - CESPE - PC-SE - Delegado de Polícia)Julgue o item seguinte, relativo aos direitos e deveres individuais e coletivos e às garantias constitucionais. 
O princípio da individualização da pena determina que nenhuma pena passará da pessoa do condenado, razão pela qual as sanções relativas à restrição de liberdade não alcançarão parentes do autor do delito. 
Certo
Errado
CULPABILIDADE
Só deve haver punição com a demonstração do DOLO ou CULPA – veda responsabilidade OBJETIVA em matéria penal. NULLUM CRIMEN SINE CULPA - Regra também está no art. 18 do CP. 
É apontado como princípio constitucional implícito .
O Princípio da Culpabilidade possui, no direito penal, três importantes vertentes:
	a) não há responsabilidade objetiva pelo simples resultado;
	b) a responsabilidade penal é medida pelo fato e não pelo 	autor;
	c) a culpabilidade é a medida da pena.
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- PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA - Também chamado de NÃO CULPABILIDADE – art. 5º, LVII.
ADEQUAÇÃO SOCIAL - Restringe a abrangência do tipo penal, limitando sua interpre­tação e dele excluindo as condutas consideradas socialmente adequadas e aceitas pela sociedade.
IMPORTANTE: Segundo Hans Welzel, o Direito Penal tipifica somente condutas que tenham certa relevância social; caso contrário não poderiam ser delitos. Welzel desenvolve, a partir dessa ideia, o princípio da adequação social. 
IMPORTANTE: Pelo princípio da adequação social tem-se que apesar de uma conduta se subsumir formalmente ao modelo legal, não será considerada típica se for socialmente adequada ou reconhecida.
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- VEDAÇÃO DO BIS IN IDEM
Processual – ninguém pode ser processado mais de uma vez pela mesma conduta.
Material – ninguém pode ser condenado mais de uma vez pela mesma conduta.
Execucional – ninguém pode ser executado mais de uma vez pela mesma conduta.
Para cada fato só será aplicável uma norma penal, a qual excluirá todas as outras incriminadoras – só haverá uma condenação.
IMPORTANTE: Sumula 241 STJ - A reincidência penal não pode ser considerada como circunstância agravante e, simultaneamente, como circunstância judicial.
IMPORTANTE: Inexiste bis in idem em razão da condenação concomitante pelos delitos de roubo majorado pelo emprego de
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arma de fogo e concurso de pessoas e de associação criminosa armada, antigo quadrilha ou bando armado, porquanto os delitos são independentes entre si e tutelam bens jurídicos distintos. STJ - HC 288.929/SP
EM SÍNTESE: O princípio do ne bis in idem veda a incidência de mais de uma punição individual pelo mesmo fato (tríplice identidade entre sujeito, fato e fundamento).
 
 
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CONFLITO APARENTE DE NORMAS 
(não se trata de sucessão de leis penais no tempo – uma é vigente e a outra revogada)
Quando, diante de uma caso concreto, vê-se possível a aplicação de mais de uma dispositivo de lei penal – esse conflito é apenas aparente, eis que apenas poderá incidir uma norma. Deseja-se manter a harmonia e coerência do sistema penal e evitar o bis in idem
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Para resolver: 1) consunção; 2) alternatividade; 3) subsidiariedade; 4) especialidade
C A S E!!!
Consunção: pode ser usado em duas hipóteses: quando um crime é meio necessário ou normal fase de preparação ou de execução de outro crime, ou então nos casos de antefato ou pós-fato impuníveis. Ex: lesões corporais que são absorvidas pela tipificação do delito de homicídio
Alternatividade esse principio terá aplicação diante de crimes de ação múltipla ou de conteúdo variado (plurinucleares), ou seja, aqueles em que o tipo penal prevê mais de uma conduta em seus vários núcleos.
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Especialidade a norma especial afasta a aplicação da norma geral. lex spcialis derrogat generali. Não apenas aquele previsto em lei penal especial. Há tipos penais específicos previstos no texto do próprio Código Penal. O que torna um tipo especial frente a outro é o fato de sua descrição conter todos os elementos do tipo penal genérico somados a termos que o especializam.
Ex: homicídio (art. 121 do CP) e infanticídio (art. 123 do CP) – infanticídio é uma espécie de himicídio
Subsidiariedade Conflito se dá entre norma primária e norma subsidiária. Na ausência, ou não sendo possível a aplicação da norma principal mais grave, deve-se aplicar a norma subsidiária menos grave.
Ex: ameaça (art. 147 do CP) e constrangimento ilegal (art. 146 do CP)
Cuidado com a subsidiariedade expressa: ex: Art. 132. Expor a vida ou a saúde de outrem a perigo direto e iminente: Pena – detenção, de três meses a um ano, se o fato não constitui crime mais grave.
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FGV PC-MA Delegado de Polícia - Ocorrido um fato criminoso, às vezes duas ou mais normas se apresentam para regulá-lo, surgindo o chamado conflito aparente de normas. A respeito de tal questão, assinale a afirmativa incorreta.
a) A pluralidade de fatos e a pluralidade de normas são pressupostos do conflito, que aparentemente com eles se identificam.
b) O princípio da subsidiariedade atua como “soldado de reserva”, aplicando a norma subsidiária menos grave quando impossível a aplicação da norma principal mais grave.
c)A questão da progressão criminosa e do crime progressivo é resolvida pelo princípio da absorção ou consunção.
d) Na progressão criminosa, o agente inicialmente pretender praticar um crime menos grave, e, depois, resolve progredir para o mais grave.
e) No crime progressivo, o sujeito, para alcançar o crime querido, passa necessariamente por outro menos grave que aquele desejado.
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(MPE-MS/PROMOTOR DE JUSTIÇA) Em que consiste o conflito aparente de normas?
a) Conflito aparente de normas é a situação que ocorre quando ao mesmo fato parecem ser aplicáveis duas ou mais normas, formando um conflito aparente entre elas.
b) O conflito aparente de normas consiste na aplicação de duas regras distintas para fatos delituosos diversos.
c) O conflito aparente de normas consiste em se aplicar uma só norma para fatos distintos.
d) O conflito aparente de normas consiste na aplicação de regras semelhantes no caso de concurso de delitos.
e) O conflito aparente de normas consiste na aplicação simultânea de penas para
delitos diferentes.
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(FCC/TCM-GO/PROCURADOR DO MINISTÉRIO PÚBLICO DE CONTAS) Pedro subtraiu bem móvel pertencente à Administração pública, valendo-se da facilidade propiciada pela condição de funcionário público. Pedro responderá pelo crime de peculato e não pelo delito de furto em decorrência do princípio da
a) subsidiariedade.
b) consunção.
c) especialidade.
d) progressão criminosa.
e) alternatividade.
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FGV - 2022 - PC-RJ - Investigador Policial de 3ª Classe - Nos crimes de ação múltipla ou conteúdo variado, a prática, pelo agente, de mais de um núcleo da mesma norma penal incriminadora no mesmo contexto fático implica crime único em razão do princípio da:
A especialidade;
B subsidiariedade; 
C consunção;
D absorção;
E alternatividade.
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VUNESP - 2018 - MPE-SP - Analista Jurídico do Ministério Público - Sobre o conflito aparente de normas penais e os princípios dirimentes, é correto afirmar que
A a norma especial prevalece sobre a norma geral e, necessariamente, descreve um tipo penal apenado mais severamente.
B o conflito aparente de normas penais tem por requisito a unidade fática; a pluralidade de normas aplicáveis ao mesmo fato (aparente) e a vigência contemporânea de todas elas.
C a norma subsidiária descreve um grau maior de lesividade ao bem jurídico e, necessariamente, um tipo penal apenado mais severamente.
D a consunção, pela qual uma condutaabsorve outra, é possível no crime progressivo, no crime complexo e na progressão criminosa. Em todos, necessariamente, há unidade de desígnios do sujeito ativo, desde o primeiro ato.
E pelo princípio da subsidiariedade, prescinde-se do caso concreto para se saber qual a norma aplicável. A análise é feita de forma abstrata, confrontando-se as normas.
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MPE/SP - Os princípios que resolvem o conflito aparente de normas são: especialidade, subsidiariedade, consunção e alternatividade. V
FCC TJ/PB Juiz - Constituem princípios que se destinam a solucionar o conflito aparente de normas subsidiariedade e especialidade. V
DIREITO PENAL NO TEMPO
Teorias da CONDUTA, RESULTADO, UBIQUIDADE... 
Art. 4º - Considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão, ainda que outro seja o momento do resultado. - TEMPUS REGIT ACTUM
MPE/SC- No que se refere ao 'tempo do crime', três são as teorias determinantes. São elas: a teoria da atividade; a teoria do resultado e, por fim, a teoria mista. Diante disso, pode-se dizer que o direito penal brasileiro adotou a teoria do resultado. E 
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- ABOLITIO CRIMINIS – CAUSA EXTINTIVA DE PUNIBILIDADE – A QUALQUER TEMPO - Art. 2º - Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar crime, cessando em virtude dela a execução e os efeitos PENAIS da sentença condenatória - LEI ABOLICIONISTA NÃO RESPEITA COISA JULGADA – RETROATIVIDADE
MPE/SC - Ainda que decididos por coisa julgada, a lei penal posterior aplica-se aos fatos anteriores quando, de qualquer modo, favorecer o agente. C 
Cessam os EFEITOS PENAIS – CUIDADO! – AINDA PODE SER EXECUTADA NO CÍVEL – 
	TJ/AM - No caso de abolitio criminis, cessam os efeitos penais do fato praticado, persistindo os civis.
LEX MITIOR – Lei posterior que favorece o agente:
Parágrafo único - A lei posterior, que de qualquer modo favorecer
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o agente, aplica-se aos fatos anteriores, ainda que decididos por sentença condenatória transitada em julgado. 
QUEM APLICA A LEI POSTERIOR MAIS BENÉFICA DEPOIS DO TRÂNSITO? Súmula 611/STF - Transitada em julgado a sentença condenatória, compete ao juízo das execuções a aplicação de lei mais benigna.
LEI POSTERIOR BENÉFICA PODE RETROAGIR QUANDO AINDA NA VACATIO LEGIS? Não tem eficácia jurídica – proibida a retroatividade – juízes costumam suspender o processo pelo tempo da vacatio.
CUIDADO!!! - ABOLITIO CRIMINIS TEMPORÁRIA - TAMBÉM CONHECIDA COMO: VACATIO LEGIS INDIRETA; ATIPICIDADE MOMENTÂNEA. Ex: arts. 30 e 32 da Lei nº 10.826/03.
PC/MT - Na abolitio criminis temporária ou na vacatio
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legis indireta os efeitos da norma incriminadora são temporariamente suspensos, com efeitos erga omnes, de modo que a conduta não é típica se praticada nesse período.
LEI PENAL NO TEMPO x CONTINUIDADE DELITIVA – SÚMULA 711 STF - A lei penal mais grave aplica-se ao crime continuado ou ao crime permanente, se a sua vigência é anterior à cessação da continuidade ou da permanência.
DPE/MS - De acordo com o entendimento do Supremo Tribunal Federal, a lei penal mais grave é aplicada ao crime continuado ou ao crime permanente se sua vigência é anterior à cessação da continuidade ou da permanência.
Juiz/TJ/SP - A lei penal mais grave só se aplica ao crime continuado ou ao crime permanente, se a sua vigência é anterior ao início da continuidade ou da permanência.
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MPE/SC - A lei penal mais grave aplica-se ao crime continuado ou ao crime permanente, se a sua vigência é anterior à cessação da continuidade ou da permanência. C 
MPE/SC - Nos crimes permanentes e nos delitos praticados na forma continuada, sobrevindo lei nova mais severa durante o tempo de ocorrência do crime, não pode ela ser aplicada diante do princípio previsto no art. 5º, XL, da CF que é expresso ao prever que a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu. E 
MPE/SC - No tocante ao princípio da extra-atividade da lei penal, em se tratando de crimes continuados ou permanentes, aplica-se a legislação mais grave se a sua vigência é anterior à cessação da continuidade ou da permanência. C
LEMBRAR DIFERENÇA – CONTINUADO X PERMANENTE X HABITUAL (ex: curanderismo – CP - Art. 284 - Exercer o curandeirismo: I - prescrevendo, ministrando ou aplicando, habitualmente, qualquer substância)
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POSSIBILIDADE DE COMBINAR LEIS – RETROAGIR SÓ O QUE FOR MAIS BENÉFICO 
	
- STJ - impossível mesclar dispositivos mais favoráveis de lei nova com os da lei antiga - juiz estaria criando uma terceira norma - TERTIUM GENUS
- Súmula 501 do STJ: “É cabível a aplicação retroativa da Lei 11.343/2006, desde que o resultado da incidência das suas disposições, na íntegra, seja mais favorável ao réu do que o advindo da aplicação da Lei n. 6.368/1976, sendo vedada a combinação de leis”. 
- STF - Informativo nº 451 - HC 81.459 – também não admite
MP/PE - Consoante entendimento sumulado do Superior Tribunal de Justiça, é cabível a aplicação retroativa, desde que integral, das disposições da vigente lei de drogas, se mais favoráveis ao réu, vedada a combinação de leis.
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LEI EXCEPCIONAL OU TEMPORÁRIA – Art. 3º - A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplica-se ao fato praticado durante sua vigência. - ULTRATIVIDADE
Temporária – tem no seu texto o tempo de vigência (crimes da Lei Geral da Copa) - Excepcional – transitórias necessidades (guerras, calamidades, epidemias, etc..)
MP/MG - Sobre a Lei Penal Temporária ou Excepcional - Aplicar-se-á aos crimes praticados no período em que esteve em vigor, embora decorrido o prazo de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, mesmo que ainda não tenha sido instaurada a ação penal.
PF/CESPE - No que diz respeito ao tema lei penal no tempo, a regra é a aplicação da lei apenas durante o seu período de
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vigência; a exceção é a EXTRA-ATIVIDADE da lei penal mais benéfica, que comporta duas espécies: a retroatividade e a ultra-atividade.
MP/MS - A lei penal mais benéfica é a única que tem extra-atividade. C
MP/MS - A lei excepcional e a lei temporária possuem em comum o regime específico da ultratividade gravosa. C
- Zaffaroni, Rogério Greco – CF não fala em exceção à irretroatividade da lei maléfica – INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º DO CP – NÃO É MAJORITÁRIA ESSA POSIÇÃO
IMPORTANTE: COMPLEMENTO DE NORMA PENAL EM BRANCO RETROAGE? Ex: tráfico de drogas, Portaria que retira determinada substancia da lista de DROGA – RETROAGE!
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Complementos editados com caráter excepcional são IRRETROATIVOS – Ex: venda de produtos abaixo de valor estabelecido pelo Ministério da Economia – se mudar o teto, não retroage – tem caráter excepcional – continua haver crime contra a economia popular.
MP/MS - A lei penal em branco, quando tem por objetivo garantir a obediência da norma complementar, não está subordinada à irretroatividade da lei mais severa e da retroatividade da lei mais benigna. E
CONTINUIDADE NORMATIVO-TÍPICA – conduta apenas migra para outro tipo – NÃO HÁ ABOLITIO CRIMINIS!!
	Ex: tráfico de drogas, atentado violento ao pudor.
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CESPE/TJ/DF - O instituto da abolitio criminis refere-se à supressão da conduta criminosa nos aspectos formal e material, enquanto o princípio da continuidade normativo-típica refere-se apenas à supressão formal. C
MUDANÇA DE INTERPRETAÇÃO JURISPRUDENCIAL RETROAGE?
A aplicação de entendimento jurisprudencial (Súmula) a casos anteriores à sua publicação não importa em malferição do princípio da irretroatividadeda lei penal mais gravosa, pois representa resultados de métodos de interpretação da norma penal, não constituindo, pois, diploma repressor novo e mais gravoso. (STJ - AgRg no AREsp n. 45.641/SP, Ministro Jorge Mussi)
Súmula vinculante 24 do STF e a prescrição dos crimes tributários.
 STJ – não cabe revisão criminal com amparo em questão jurisprudencial controvertida nos Tribunais (Resp.759256) – VER SÚMULA 343 do STF
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CESPE / CEBRASPE - 2023 - TJ-ES - Analista Judiciário - Especialidade: Direito
Texto associado - No caso dos crimes continuados, aplica-se a lei mais severa, ainda que posterior à cessação da continuidade, haja vista se tratar de ficção jurídica.
CESPE / CEBRASPE - 2023 - TJ-ES - Analista Judiciário - Especialidade: Direito
Texto associado - O crime permanente é aquele cujo resultado prolonga-se no tempo, atraindo a aplicação da lei penal vigente ao término do resultado.
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INSTITUTO AOCP - 2023 - MPE-RR - Promotor De Justiça Substituto - Em relação à lei penal no tempo, assinale a alternativa correta. 
A Na hipótese de crime permanente, aplica-se a pena vigente no momento da privação da liberdade da vítima, ainda que outra pena, mais gravosa, esteja em vigor no momento da libertação da vítima.
B A lei nova que deixa de considerar um fato como crime retroage somente para os casos em que não houver trânsito em julgado. 
C A lei penal mais benéfica ao acusado sempre retroage, ainda que o fato seja praticado durante a vigência de lei excepcional.
D É vedada a combinação de leis penais, ainda que a combinação seja mais favorável ao réu. 
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CESPE / CEBRASPE - 2023 - TJ-DFT - Juiz de Direito Substituto - Quanto ao tempo do crime, assinale a opção correta.
A Mesmo que lei posterior deixe de considerar determinado fato como crime, não serão excluídos os efeitos penais de condenação feita com base na legislação outrora vigente. 
B A lei temporária aplica-se ao fato praticado durante sua vigência, ainda que decorrido o período de sua duração. 
C A lei excepcional tem aplicação imediata, não gerando efeitos caso não aplicada durante sua vigência. 
D Definido o fato como criminoso, a pena deve ser aplicada quando estabelecida cominação para ele. 
E Ainda que transitada em julgada sentença penal condenatória, lei posterior terá aplicação imediata. 
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DIREITO PENAL NO ESPAÇO 
saber qual país poderá aplicar sua lei
Princípios aplicáveis (Cezar Bittencourt tem outra classificação): 
Territorialidade – aplica-se lei do local do crime
Nacionalidade ativa – lei do país da nacionalidade do agente
Nacionalidade passiva – só se autor e vítima forem do mesmo país (concidadão)
Defesa/real/Proteção – lei do país da nacionalidade do bem jurídico lesado
Justiça universal – lei do país onde for encontrado o agente (tratados internac.)
Representação/bandeira – lei nacional aos crimes praticados em aeronaves e embarcações privadas, quando no estrangeiro, e aí não sejam julgados.
REGRA no Brasil – TERRITORIALIDADE - art. 5º, caput, do CP 
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 Art. 5º - Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de convenções, tratados e regras de direito internacional, ao crime cometido no território nacional – NACIONALIDADE TEMPERADA
MPE/SC - Com relação à aplicação da lei penal no espaço, a lei penal brasileira adota o princípio da territorialidade, de forma absoluta. E 
IBEG/Procurador Municipal/ES - No Brasil adota-se o Princípio da territorialidade temperada, segundo o qual a lei penal brasileira aplica-se, em regra, ao crime cometido no território nacional. Excepcionalmente, porém, a lei estrangeira é aplicável a delitos cometidos total ou parcialmente em território nacional, quando assim determinarem tratados e convenções internacionais. C
FCC/TCM/RJ - No que concerne à aplicação da lei penal no espaço, o princípio pelo qual se aplica a lei do país ao fato que atinge bem jurídico nacional, sem nenhuma consideração a respeito do
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local onde o crime foi praticado ou da nacionalidade do agente, denomina-se princípio proteção. C
CESPE/Perito/PE - De acordo com o princípio da representação, a lei penal brasileira poderá ser aplicada a delitos cometidos em aeronaves ou embarcações brasileiras privadas, quando estes delitos ocorrerem no estrangeiro e aí não forem julgados. C
CESPE/Perito/PE - aplicação da lei penal brasileira a cidadão brasileiro que cometa crime no exterior é possível, de acordo com o princípio da defesa. E
MP/RS - Considere a norma disposta no art. 7º, inciso II, alínea c, do Código Penal: “Ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos no estrangeiro [...], os crimes [...] praticados em aeronaves ou embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, quando em território estrangeiro e aí não sejam julgados”. Esse inciso II, em sua alínea c, define o princípio da representação. C
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O QUE É TERRITÓRIO NACIONAL?
Espaço físico + espaço jurídico por equiparação – art. 5º, §§ 1º e 2º, do CP
 § 1º - Para os efeitos penais, consideram-se como extensão do território nacional as embarcações e aeronaves brasileiras, de natureza pública ou a serviço do governo brasileiro onde quer que se encontrem, bem como as aeronaves e as embarcações brasileiras, mercantes ou depropriedade privada, que se achem, respectivamente, no espaço aéreo correspondente ou em alto-mar.
§ 2º - É também aplicável a lei brasileira aos crimes praticados a bordo de aeronaves ou embarcações estrangeiras de propriedade privada, achando-se aquelas em pouso no território nacional ou em vôo no espaço aéreo correspondente, e estas em porto ou mar territorial do Brasil
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RESUMO: 
NAVIOS E AERONAVES BRASILEIROS, PÚBLICOS OU A SERVIÇO DO PAÍS, EM QUALQUER LUGAR DO MUNDO, SÃO PARTES DO NOSSO TERRITÓRIO
PRIVADOS QUANDO EM ALTO-MAR OU ESPAÇO AÉREO CORRESPONDENTE, LEI DA BANDEIRA.
-NAVIOS E AERONAVES PÚBLICOS ESTRANGEIROS – CRIME NO BRASIL – NÃO É NOSSO TERRITÓRIO
FAURGS/JUIZ/RS - A lei penal brasileira é aplicável aos crimes cometidos a bordo de embarcações e aeronaves estrangeiras de propriedade privada que estejam localizadas no mar territorial ou sobrevoando o espaço aéreo brasileiro, sendo também consideradas como extensão do território nacional as embarcações e aeronaves brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, localizadas em mar territorial ou no espaço aéreo de outro país, desde que estejam a serviço do governo brasileiro. C
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CUIDADO: PASSAGEM INOCENTE – embarcações apenas de passagem pelo Brasil não interessam – Lei 8.617/93 – estende-se às aeronaves
IBEG/Procurador Municipal/ES - O Princípio da Territorialidade adotado no Brasil não se coaduna com o “Princípio da passagem inocente”, segundo o qual se um fato fosse cometido a bordo de navio ou avião estrangeiro de propriedade privada, que esteja apenas de passagem pelo território brasileiro, não seria aplicada a nossa lei, se o crime não afetasse em nada nossos interesses. E
- Quando que o crime se considera praticado no território nacional? Teoria da UBIQUIDADE - Art. 6º - Considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu a ação ou omissão, no todo ou em parte, bem como onde se produziu ou deveria produzir-se o resultado.
LUGAR – UBIQUIDADE – TEMPO – ATIVIDADE 
L.U.T.A.
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CESPE/TJ/DF/JUIZ - Considera-se lugar do crime, para efeito de fixação da competência territorial da jurisdição penal brasileira, o lugar em que ocorreu a ação ou a omissão, no todo ou em parte, bem como o lugar em que se produziu o resultado. C
CUIDADO: NO BRASIL APENAS A PREPARAÇÃO? NÃO INTERESSAAO DIREITO NACIONAL 
CUIDADO: Há crimes nos quais a lei pune a preparação – ex: associação criminosa, art. 288 do CP – art. 5º da Lei 13.260/16.
CUIDADO: 
- CRIMES A DISTÂNCIA (espaço máximo) – territórios de países soberanos
- CRIMES PLURILOCAIS – diferentes territórios do mesmo país – conflito interno de competência – art. 70 do CPP – teoria do resultado.
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EXTRATERRITORIALIDADE – art. 7º do CP
Incondicionada – inciso I, por causa do §1º – 4 hipóteses
 - a) contra a vida ou a liberdade do Presidente da República – defesa/real
MP/RR - Dos crimes abaixo mencionados, qual não fica sujeito à lei brasileira pela aplicação do princípio da extraterritorialidade incondicionada: latrocínio cometido no estrangeiro contra o Presidente da República; 
b) contra o patrimônio ou a fé pública da União, do Distrito Federal, de Estado, de Território, de Município, de empresa pública, sociedade de economia mista, autarquia ou fundação instituída pelo Poder Público - defesa/real
MPE/SC - Acerca da aplicação da lei penal, a hipótese de
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sujeição à lei brasileira, embora cometidos no estrangeiro, os crimes contra o patrimônio ou a fé pública da União, do Distrito Federal, de Estado, de Território, de Município, de empresa pública, sociedade de economia mista, autarquia ou fundação instituída pelo Poder Público, diz respeito ao princípio da nacionalidade passiva. E
c) contra a administração pública, por quem está a seu serviço - defesa/real
d) de genocídio, quando o agente for brasileiro ou domiciliado no Brasil – justiça universal ou defesa/real
§ 1º - Nos casos do inciso I, o agente é punido segundo a lei brasileira, ainda que absolvido ou condenado no estrangeiro – LEMBRAR: ART. 8º ATENUA BIS IN IDEM
Art. 8º - A pena cumprida no estrangeiro atenua a pena imposta no Brasil pelo mesmo crime, quando diversas, ou nela é computada, quando idênticas. 
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TRF4/JUIZ - A pena cumprida no estrangeiro atenua a pena diversa imposta no Brasil pelo mesmo crime. 
CUIDADO: Lei 9.455/97 também tem caso de extra incondicionada – art. 2º (vítima brasileira ou encontrando-se o agente em local sob jurisdição brasileira)
Condicionada – inciso II, por causa do §2º – 3 hipóteses
a) que, por tratado ou convenção, o Brasil se obrigou a reprimir – justiça universal
b) praticados por brasileiro – nacionalidade ativa 
c) praticados em aeronaves ou embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, quando em território estrangeiro e aí não sejam julgados – representação/bandeira
MP/PR - Marcos cometeu crime de furto quando se encontrava em navio mercante brasileiro que navegava em águas argentinas. Nessa situação, o crime poderá ser julgado no primeiro porto brasileiro em que o navio aportar, aplicando-se o princípio da representação.
	
	
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- § 2º - Nos casos do inciso II, a aplicação da lei brasileira depende do concurso das seguintes condições (CUMULATIVOS): 
	a) entrar o agente no território nacional (físico + jurídico);
	b) ser o fato punível também no país em que foi praticado;
	c) estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a lei 	brasileira autoriza a 	extradição; 
	d) não ter sido o agente absolvido no estrangeiro ou não ter aí cumprido a pena; 
	e) não ter sido o agente perdoado no estrangeiro ou, por outro motivo, não estar 	extinta a punibilidade, segundo a lei mais favorável.
- Supercondicionada - §2º + 2 condições do §3º – 1 hipótese 
A lei brasileira aplica-se também ao crime cometido por estrangeiro contra brasileiro fora do Brasil, se, reunidas as condições previstas no parágrafo anterior – defesa/real
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a) não foi pedida ou foi negada a extradição;
b) houve requisição do Ministro da Justiça.
 
CUIDADO: LEI 9.455/97 – TORTURA
Art. 2º O disposto nesta Lei aplica-se ainda quando o crime não tenha sido cometido em território nacional, sendo a vítima brasileira (incondicionada) ou encontrando-se o agente em local sob jurisdição brasileira (condicionada).
MPE-GO - A Lei 9.455/97 determina a chamada extraterritorialidade condicionada e incondicionada, além de adotar o princípio da jurisdição cosmopolita, quando disciplina ser aplicável a lei penal brasileira ainda quando o crime não tenha sido cometido em território nacional, sendo a vítima brasileira ou encontrando-se o agente em local sob jurisdição brasileira.c
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2023 - TCM-PA - Auditor de Controle Externo - Área Jurídica - Com relação ao Código Penal brasileiro e o tempo e lugar do crime, assinale a alternativa CORRETA. 
A Considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão, concomitantemente ao momento do resultado.
B Considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu a ação ou omissão no todo, independentemente do local onde ocorreu o resultado.
C A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplica-se ao fato praticado durante sua vigência.
D Para os efeitos penais, consideram-se como extensão do território nacional as embarcações e aeronaves brasileiras, de natureza pública no território brasileiro ou em alto-mar, bem como as aeronaves e as embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, que se achem, respectivamente, no espaço aéreo correspondente ou em alto-mar.
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CESPE / CEBRASPE - 2023 - MPE-SC - Promotor de Justiça Substituto (fase matutina) Julgue o seguinte item, referentes à aplicação da lei penal.  
Em caso de crime que, por tratado, o Brasil se obrigue a reprimir, há extraterritorialidade incondicionada. e
CESPE / CEBRASPE - 2023 - MPE-SC - Promotor de Justiça Substituto (fase matutina) Julgue o seguinte item, referentes à aplicação da lei penal.  
Aplica-se o princípio da extraterritorialidade aos crimes praticados em aeronaves e embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, que se achem, respectivamente, no espaço aéreo correspondente ou em alto-mar. e
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CESPE / CEBRASPE - 2023 - MPE-PA - Promotor de Justiça Substituto
Está sujeito à lei brasileira o crime
A praticado em embarcação estrangeira na zona econômica exclusiva brasileira.
B praticado em embarcação privada brasileira atracada em país estrangeiro, se o agente tiver sido condenado no referido país.
C contra a honra do presidente da República praticado no exterior. 
D praticado em embarcação privada de bandeira brasileira em mar territorial de país estrangeiro signatário do MERCOSUL.
E de genocídio, quando o agente for absolvido no país estrangeiro, mesmo sendo domiciliado no Brasil.
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FGV - 2022 - TCE-TO - Auditor de Controle Externo – Direito - A respeito das normas e princípios que regem a aplicação da lei penal no tempo e no espaço, é correto afirmar que:
A admite-se sejam as normas penais incriminadoras criadas por lei, medida provisória ou decreto legislativo;
B considera-se praticado o crime no momento de seu resultado, ainda que outro seja o momento da ação ou omissão;
C aplica-se a lei penal incriminadora mais gravosa a fatos anteriores já decididos por sentença condenatória transitada em julgado;
D aplicam-se as regras gerais do Código Penal aos crimes previstos em lei especial, se esta dispuser de maneira diversa;
E aplica-se a lei penal temporária, embora decorrido o período de sua duração, aos fatos praticados durante a sua vigência.
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FGV - 2022 - TJ-SC - Juiz Substituto - Sobre a aplicação da lei penal, de acordo com a doutrina e a jurisprudência dominantes, é correto afirmar que:
A considera-se praticado o crime no lugar em que se produziu o resultado,quando se tratar de crime de mera conduta; 
B admite-se, por força do princípio da legalidade em matéria penal, a criação de tipo penal por medida provisória com força de lei; 
C ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos no estrangeiro, os crimes cometidos contra a honra do presidente da República; 
D implica abolitio criminis o decurso do período de duração da lei temporária ou, no caso da lei excepcional, a cessação das circunstâncias que a determinaram;
E não se admite a analogia in malam partem para o estabelecimento de norma penal incriminadora.
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CONTAGEM DE PRAZO – art. 10 do CP
MPU/FCC - A respeito da aplicação da lei penal, no que concerne à contagem dos prazos, de acordo com o Código Penal, é correto afirmar que o dia do começo ou fração deste inclui-se no cômputo do prazo.
MP/SC - Após cinco anos da data do cumprimento ou da extinção da pena pela condenação anterior, esta não mais prevalece, não gerando reincidência. A contagem do prazo de temporariedade em tais casos se faz na forma do art. 10 do CP.
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	FCC/CNMP - O dia do começo inclui-se no cômputo do prazo. Contam-se os dias, os meses e os anos pelo calendário comum. C
TEORIA DO CRIME
BRASIL – SISTEMA DUALISTA:
	- CRIME/DELITO 
	- CONTRAVENÇÃO PENAL/CRIME VAGABUNDO/CRIME LILIPUTIANO
TJ/AM - Em geral, a contravenção penal é espécie de infração penal menos grave do que o crime, sendo, por isso, chamada pela doutrina de crime-anão.
 - Diferença é de grau – axiológica (valorativa), não ontológica - POLÍTICA
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