Estado de Defesa e Estado de Sitio 2

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ESTADO DE DEFESA E ESTADO DE SITIO

A Constituição Federal prevê a aplicação de duas medidas excepcionais para restauração da ordem em momentos de anormalidade – estado de defesa e Estado de sítio, possibilitando inclusive a suspensão de determinadas garantias constitucionais, em lugar específico e por certo tempo, possibilitando ampliação do poder repressivo do Estado, justificado pela gravidade da pertubação da ordem pública. 
Assim quando se fala em regime os sistema constitucional de crise, se quer referir a um conjunto de normas, constitucionalmente previstas, voltadas a restabelecer o equilíbrio e a normalidade institucional, estabelecendo alguns limites, temporários para o gozo de certas liberdades individuais.
Esses limites estão embasados em três pricípios fundamentais :
Princípio da necessidade : só pode existir quando houver fatos que justifiquem, ameaçem à paz social, à instabilidade institucional.
Princípio da temporariedade: tem que durar o período necessário para restabelecer a ordem e a estabilidade;
Princípio da proporcionalidade: o que significa que devem ser proporcionais aos fatos que justificam sua decretação.
A Constituição de 1988 previu como instrumento para restaurar a estabilidade e o equilibrio institucional o estado de defesa e o estado de sítio, medidas que tem por finalidade a superação da crise pelo cumprimento de todos os requisitos constitucionais. O Poder Judiciário poderá exercer o controle da legalidade do estado de sítio ou do estado de defesa e reprimir eventuais abusos, o que não autoriza examinar a discricionariedade do ato que o decretou.

ESTADO DE DEFESA art. 136 CF

É o mais brando e sua decretação não necessita de autorização do Congresso Nacional. Segundo José Afonso da Silva “ o estado de defesa consiste na instauração de uma legalidade extraordinária, por certo tempo, em locais restritos e determinados, mediante decreto do Presidente da República, ouvidos o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional, para preservar a ordem pública ou a paz social ameaçada por grave e iminente instabilidade institucional ou atingidas por calamidade de grandes proporções”. 
O Presidente da República não é obrigado a acatar a opinião apresentada pelo Conselho da República, podendo agir em discordância com a sua opinião. Só possui natureza consultiva, não tendo efeito vinculativo a sua opinião. O teor do seu parecer no estudo dos fatos postos sob sua apreciação tem caráter meramente opinativo, podendo conter sugestões, sem vincular a decisão do Presidente. 
O Poder Executivo consubstancia sua decisão em um decreto, que deverá especificar o prazo, a abrangência e as condições de execução da medida. Juntamente com o decreto, será enviada a sua justificativa, para que os congressistas saibam as razões que o ensejaram. Sua natureza é de um ato discricionário, conexo, contudo, com a causa que o ensejou, vinculando-se a decisão à causa, segundo a teoria dos motivos determinantes ( o estado de sítio segue igual procedimento).
O estado de defesa pode ser decretado pelo Presidente da República com o estabelecimento de todas as medidas imediatas, e, a posteriori, o Congresso Nacional pode ratificá-lo, mantendo ou não a vigência das medidas. 
Após a sua concretização, e dentro de vinte e quatro horas, o decreto deverá ser enviado ao Congresso Nacional, que apreciará, aprovando-o com um quorum de maioria absoluta ( art.136, parágrafo4º CF). Do seu recebimento, os parlamentares terão dez dias para se posicionar ( art. 136, parágrafo 6º da CF). Caso e estado de defesa seja rejeitado, as medidas tomadas deverão ser revogadas imediatamente ( art. 136, parágrafo 7º da CF). 
A sua duração será de, no máximo, trinta dias; podendo haver uma única prorrogação, pelo mesmo prazo, se os motivos que levaram à sua decretação ainda persistirem ( art. 136, parágrafo 2º da CF). Durante a vigência das medidas excepcionais, o Congresso Nacional permanecerá em funcionamento, para que possa fiscalizar a sua implementação. 

MOTIVOS PARA A INSTALAÇÃO DO ESTADO DE DEFESA
Os motivos que ensejam a decretação do estado de defesa são os seguintes ( art. 136, caput, da CF):
Preservar ou restabelecer, em locais restritos e determinados, a ordem pública ou a paz social ameaçada por grave e iminente instabilidade institucional;
Preservar ou restabelecer as áreas atingidas por calamidades da natureza de grandes proporções.
O estado de defesa tanto pode ser preventivo, mna iminência da ocorrência desses fatos, como repressivo, concretizando-se após os acontecimentos previstos. Configura-se no meio idôneo para enfrentar instabilidades sociais que ocorram em partes determinadas e restritas do território nacional. Se houver um gravame na totalidade do País, o meio mais indicado será o estado de sítio. O acinte à ordem democrática, no estado de defesa, é de menor monta. 

MEDIDAS DO ESTADO DE DEFESA

 As medidas que podem ser tomadas no estado de defesa terão um caráter menos intenso do que aquelas necessárias ao estado de sítio, já que neste as ameaças são mais gravosas. A escolha dessas medidas, contidas taxativamente na Carta Magna, cabe ao Presidente, que deverá especificá-las, delineando sua extensão. 
  
ESTADO DE SITIO ART. 137 A 139 CF

É o instrumento próprio para defender e preservar o Estado democrático de Direito e a soberania nacional em caso de guerra ou resposta a agressão armada estrangeira. 
Trata-se de um regime temporário e emergencial, no qual garantias constitucionais ficarão suspensas, para restauração da normalidade das instituições democráticas alteradas por comoções de grave repercussão ou por beligerância com Estados estrangeiros. 
No estado de sítio, como no estado de defesa, o Presidente da República, antes de decretá-lo, terá de ouvir o Conselho da república e o Conselho de defesa ( art. 137, caput, da CF). 
A grande diferença é que no estado de defesa o Presidente primeiro decreta as medidas de excepcionalidade legal e depois as coloca em votação pelo Congresso, e, no estado de sítio, as medidas só adquirem aficácia depois de serem aprovadas pelo Poder Legislativo, com um quorum de maioria absoluta. No estado de defesa as medidas obtêm eficácia imediata e depois é que serão referendadas pelo Legislativo. 
O decreto do estado de sítio deve individualizar sua duração, relatar os motivos determinantes do pedido, as medidas necessárias à sua execução e os direitos fundamentais que ficarão suspensos. 
Tanto no estado de sítio como no estado de defesa, o Congresso deverá permanecer em funcionamento para execer o controle político sobre as medidas tomadas durante a legalidade extraordinária. O Poder Judiciário se incumbe do controle jurídico, que pode ocorrer durante a execução das medidas ou após a sua implementação. 

PRESSUPOSTOS PARA DECRETAÇÃO
São pressupostos materiais para a decretação do estado de sítio : grave comoção de repercussão nacional ou a ocorrência de fatos que comprovem a ineficácia de medidas tomadas durante o estado de defesa; ou a declaração de estado de guerra ou resposta a agressão armada estrangeira. 
A utilização desse tipo de exceção só será utilizada quando a pertubação ou ameaça a ordem pública e a soberania nacional não puderem ser resolvidos por meios normais de segurança e solução pacífica de conflitos.
É necessário a ouvida do Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional, assim como no estado de defesa, podem até se manifestar contra a pretensão do Presidente, mas pode haver o emprego da medida uma vez que sua opinião não é vinculativa. 
A falta do cumprimento dos requisitos formais caracterizará crime de responsabilidade. A excepcionalidade da medida requer a sua temporariedade, devendo o decreto estabelecer a sua duração, as normas necessárias para a sua execução e as garantias constitucionais que ficarão suspensas. 
O art. 139 da CF estabelece as medidas que deverão ser tomadas.
A medida não poderá ser utilizada por um período maior que trinta dias, nem ser prorrogado por prazo que lhe seja superior. Já quando utilizada para o caso de estado

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