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Podemos, portanto, considerar que, inicialmente, a antropologia se de-
senvolveu a partir de duas tradições: 
1. a etnologia indígena, na qual o nome de Curt Nimuendajú é, sem dú-
vida, referência;
2. a Antropologia da Sociedade Nacional, cujo expoente é Gilberto Freyre. 
Isso ocorreu entre as décadas de 1920 e 1930, quando a profissão de 
antropólogo e o campo da antropologia ainda não estavam bem definidos 
no Brasil. 
Embora, nos anos 1930 e 1940, Lévi-Strauss e Radcliffe-Brown tenham 
lecionado no Brasil, eles não são tidos como atores do desenvolvimento da 
antropologia. Sabe-se, porém, que suas obras tiveram impacto nas décadas 
seguintes, como afirma Cardoso de Oliveira (1988, p. 230–231): “[...] o certo é 
que a absorção de suas ideias se daria nas gerações seguintes pela leitura 
de seus livros. Nesse caso, destaca-se a influência de Lévi-Strauss a partir 
dos anos 1960, enquanto a de Radcliffe-Brown (salvo engano) restringiu-se 
aos anos 1940 e 1950”.
Desde os primórdios da antropologia no Brasil, vários pesquisadores 
utilizaram o termo ‘etnologia’ como parte da antropologia cultural ou 
social, o qual “[...] abrange os estudos em que o pesquisador entra em contato 
direto, face a face, com os membros da sociedade, ou segmento social estu-
dado, contrastando-a com a arqueologia, que abarca as pesquisas apoiadas em 
vestígios deixados por sociedades desaparecidas ou por períodos passados de 
sociedades que continuam a existir” (MELATTI, 1983, p. 4). Contudo, confundem-se 
os termos “etnologia” e “etnografia”; por isso é sempre importante observar a 
época em que o termo é empregado. 
Segundo Kottak (2013), antropólogo contemporâneo, há dois tipos de ati-
vidades realizadas pelos antropólogos: a etnografia (com base no trabalho 
de campo) e a etnologia (com base na comparação intercultural). De acordo 
com Kottak (2013, p. 33), “A etnografia fornece uma descrição de determinada 
comunidade, sociedade ou cultura. [...] A etnologia examina, interpreta, analisa 
e compara os resultados da etnografia — os dados coletados em diferentes 
sociedades — e os usa para comparar, contrastar e fazer generalizações sobre 
a sociedade e a cultura”.
No artigo Traficante do excêntrico: os antropólogos no Brasil dos anos 30 
aos anos 60 (1988), Mariza Corrêa (1988, p. 79) destaca um aspecto importante 
acerca do desenvolvimento da antropologia: 
Antropologia no Brasil: construção da identidade brasileira 3

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