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A descartabilidade das mercadorias e pessoas: consumo, e relacionamentos humanos Rita Alves é Recentemente, interrogado sobre circulou pelas redes sociais digitais uma pequena história na qual um casal de não o segredo de se manter um relacionamento tão longo; respondem que na época idosos, juntos há décadas, se costumava jogar fora um aparelho quebrado, mas se buscava consertá-lo e, assim, seguia-se em a vida que se casaram muitos anos com os mesmos equipamentos. O casal estava dizendo, em outras palavras, que a longevidade por de relacionamento se baseava na capacidade de "consertar" as fissuras da relação em vez de descartá-la quando seu os problemas aparecem. Os relacionamentos, assim como as mercadorias, passam por um período de intensa cientista social polonês Zygmunt Bauman já apontou a íntima relação entre as práticas de consumo contemporâneas e a fragilidade dos laços humanos na atualidade. consumo é pautado pela obsolescência planejada e pelo desejo intenso por novidades, mudanças e, principalmente, novos desejos. Para ele, a satisfação dos desejos é angustiante na medida em que nos obriga a eleger um novo objeto de desejo; aponta que atualmente "o desejo não deseja a satisfação; desejo deseja o desejo". Daí a sensação constante de angústia e a incessante busca por novos desejos e realizações. mesmo acontece com os relacionamentos atuais. As relações amorosas, as amizades, os contratos de trabalho e até mesmo os laços familiares são afetados por essa lógica da descartabilidade e da efemeridade do consumo, ou melhor, do consumismo. Segundo o antropólogo David Harvey, trata-se da lógica do capitalismo implementada após a Segunda Guerra Mundial, que trouxe a alteração das nossas noções de tempo e espaço a partir da aceleração do tempo de giro das mercadorias. Os bens materiais passaram a ser produzidos, distribuídos, consumidos e descartados com maior velocidade. Com valores essa compressão do tempo, passamos a valorizar a velocidade e a aceleração, que se transformaram em inquestionáveis, como se o veloz fosse, necessariamente, o bom e o desejável.