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UNIVERSIDADE POTIGUAR – UnP PRÓ-REITORIA DE GRADUAÇÃO NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA – NEaD Contabilidade Básica II Livro-texto EaD Natal/RN 2011 V877c Voges, Elaine Cristina Rodrigues. Contabilidade Básica II / Elaine Cristina Rodrigues Voges. – Natal: Edunp, 2011. 264p. : il.; 20 cm Ebook – Livro eletrônico disponível on-line. IBSN 978-85-8257-002-9 1. Contabilidade Básica. I. Título. RN/UnP/SIB CDU 657 DIRIGENTES DA UNIVERSIDADE POTIGUAR – UnP Reitoria Sâmela Soraya Gomes de Oliveira Pró-Reitoria de Graduação e Ação Comunitária Sandra Amaral de Araújo Pró-Reitoria de Pesquisa, Extensão e Pós-Graduação Aarão Lyra NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA DA UNIVERSIDADE POTIGUAR – UnP Coordenação Geral Barney Silveira Arruda Coordenação Acadêmica Luciana Lopes Xavier Coordenação Pedagógica Edilene Cândido da Silva Design Instrucional Priscilla Carla Silveira Menezes Coordenação de Produção de Recursos Didáticos Michelle Cristine Mazzetto Betti Revisão de Linguagem e Estrutura em EaD Priscilla Carla Silveira Menezes Thalyta Mabel Nobre Barbosa Úrsula Andréa de Araújo Silva Gravação e Edição de Vídeos Michelle Cristine Mazzetto Betti Coordenação de Logística Helionara Lucena Nunes Supervisão de Logística (Mossoró) Fábio Pereira da Silva Apoio Acadêmico Flávia Helena Miranda de Araújo Thalyta Mabel Nobre Barbosa Úrsula Andréa de Araújo Silva Assistente Administrativo Eliane Ferreira de Santana Gibson Marcelo Galvão de Sousa Miriam Flávia Medeiros de Araújo Ricardo Luiz Quirino da Silva Elaine Cristina Rodrigues Voges Contabilidade Básica II 1a Edição Natal/RN 2011 EQUIPE DE PRODUÇÃO DE RECURSOS DIDÁTICOS Organização Luciana Lopes Xavier Michelle Cristine Mazzetto Betti Coordenação de Produção de Recursos Didáticos Michelle Cristine Mazzetto Betti Revisão de Linguagem e Estrutura em EaD Thalyta Mabel Nobre Barbosa Ilustração do Mascote Lucio Masaaki Matsuno EQUIPE DE PRODUÇÃO DE MATERIAL DIDÁTICO Delinea - Tecnologia Educacional Coordenação Pedagógica Margarete Lazzaris Kleis Coordenação de Editoração Charlie Anderson Olsen Larissa Kleis Pereira Coordenação de Revisão Gramatical e Normativa Simone Regina Dias Eduard Marquardt Revisão Gramatical e Normativa Jacqueline Iensen Coordenação de Diagramação Alexandre Alves de Freitas Noronha Diagramação Regina C. Cortellini Ilustrações Alexandre Beck ELAINE CRISTINA RODRIGUES VOGES Caro aluno! Sou graduada em Ciências Contábeis pela Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul) e especialista em Auditoria de Gestão Empresarial pela Faculdade Estácio de Sá. Atualmente, leciono no ensino superior, nas modalidades presencial e a distância, em instituições privadas para os cursos de graduação, nas áreas de Contabilidade Geral, Contabilidade Comercial, Contabilidade de Custos, Elaboração e Análise das Demonstrações Contábeis, Controladoria e Auditoria, tanto para o curso de Ciências Contábeis quanto para o curso de Administração. Tenho experiência na implantação de sistemas de Custos de Produções, Gerenciamento de Escritório Contábil e Controladoria Pública e Privada. Atuo também na área de Gestão Pública. CO N H EC EN D O O A U TO R CONTABILIDADE BÁSICA II Bem-vindo! É com muita satisfação que apresento a você, aluno, a disciplina de Contabilidade Básica II, cujo objeto de estudo são as tecnologias da informação que possibilitam a utilização de diversas técnicas para elaborar as demonstrações contábeis. Muito além da apresentação das técnicas para a elaboração do Balanço Patrimonial e das demonstrações de resultado do exercício, das mutações do Patrimônio Líquido, de Fluxo de Caixa, do valor adicionado e das notas explicativas, a disciplina de Contabilidade Básica II está intimamente relacionada com o aprimoramento das técnicas de evidenciação para melhor satisfazer as necessidades dos usuários das informações contábeis. Como você pode perceber, o mundo empresarial vem passando ao longo dos anos por diversas transformações que afetam, diretamente, a estrutura organizacional, exigindo dos gestores, agilidade e flexibilidade da informação para a tomada de decisão. Diante desse contexto, nesta disciplina, com o intuito de melhor aprofundá-la, foi necessário buscar contribuições das principais alterações na harmonização das práticas contábeis, os principais usuários dessas demonstrações, bem como suas necessidades, as novas exigências da legislação societária, quais os métodos para mensuração e o reconhecimento dos elementos contábeis. Espero que, após o estudo desta disciplina, você desenvolva habilidades para a elaboração das demonstrações contábeis em concordância com a legislação societária e princípios contábeis, mas também, e principalmente, capacidade para a gestão da informação na tomada de decisão. Saliento que a disciplina está dividida em oito capítulos. Desta forma, você terá uma ampla visão sobre as bases teóricas e práticas para a elaboração das Demonstrações Contábeis e Notas Explicativas. CO N H EC EN D O A D IS CI PL IN A Caro aluno, desejo a você bons estudos! SU M Á RI OCapítulo 1 - Balanço patrimonial ............................................................... 131.1 Contextualizando ........................................................................................................... 131.2 Conhecendo a teoria ..................................................................................................... 14 1.2.1 Balanço Patrimonial ........................................................................................... 15 1.2.2 Critérios de classificação dos elementos patrimoniais ........................... 26 1.2.3 Contas redutoras do Balanço Patrimonial .................................................. 32 1.2.4 Elaboração do Balanço Patrimonial .............................................................. 32 1.3 Aplicando a teoria na prática ..................................................................................... 40 1.4 Para saber mais ............................................................................................................... 41 1.5 Relembrando ................................................................................................................... 42 1.6 Testando os seus conhecimentos ............................................................................. 42 Onde encontrar ...................................................................................................................... 43 Capítulo 2 - Demonstração do resultado do exercício ............................. 45 2.1 Contextualizando ........................................................................................................... 45 2.2 Conhecendo a teoria ..................................................................................................... 45 2.2.1 Critérios contábeis básicos ............................................................................... 47 2.2.2 Critérios básicos de apresentação ................................................................ 50 2.2.3 Receitas .................................................................................................................... 62 2.2.4 Custos dos produtos vendidos e dos serviços prestados ...................... 63 2.2.5 Despesas ................................................................................................................. 67 2.3 Aplicando a teoria na prática ..................................................................................... 69 2.4 Para saber mais ...............................................................................................................70 2.5 Relembrando ................................................................................................................... 70 2.6 Testando os seus conhecimentos ............................................................................. 71 Onde encontrar ...................................................................................................................... 72 Capítulo 3 - Demonstração de lucros ou prejuízos acumulados ............. 75 3.1 Contextualizando ........................................................................................................... 75 3.2 Conhecendo a teoria ..................................................................................................... 76 3.2.1 Conteúdo e forma de elaboração .................................................................. 77 3.2.2 Forma de apresentação ..................................................................................... 81 3.2.3 Origem das parcelas ........................................................................................... 83 3.2.4 Substituição pela Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) .............................................................................. 97 3.3 Aplicando a teoria na prática ..................................................................................... 98 3.4 Para saber mais .............................................................................................................100 3.5 Relembrando .................................................................................................................100 3.6 Testando os seus conhecimentos ...........................................................................101 Onde encontrar ....................................................................................................................101 Capítulo 4 - Demonstração das mutações do patrimônio líquido ........ 103 4.1 Contextualizando .........................................................................................................103 4.2 Conhecendo a teoria ...................................................................................................104 4.2.1 Mutações das contas patrimoniais ..............................................................106 4.2.2 Técnica de preparação .....................................................................................109 4.2.3 Apresentação.......................................................................................................113 4.2.3 Companhias abertas .........................................................................................118 4.3 Aplicando a teoria na prática ............................................................................................................125 4.4 Para saber mais ......................................................................................................................................127 4.5 Relembrando ..........................................................................................................................................127 4.6 Testando os seus conhecimentos ....................................................................................................128 Onde encontrar .............................................................................................................................................129 Capítulo 5 - Demonstração do fluxo de caixa .............................................................131 5.1 Contextualizando ..................................................................................................................................131 5.2 Conhecendo a teoria ............................................................................................................................132 5.2.1 Métodos de elaboração ............................................................................................................134 5.2.2 Conteúdo dos métodos e definições ...................................................................................137 5.2.3 Classificação, componentes e estrutura .............................................................................144 5.2.4 Roteiro para elaborar os fluxos de caixa .............................................................................150 5.3 Aplicando a teoria na prática ............................................................................................................158 5.4 Para saber mais ......................................................................................................................................160 5.5 Relembrando ..........................................................................................................................................160 5.6 Testando os seus conhecimentos ....................................................................................................161 Onde encontrar .............................................................................................................................................161 Capítulo 6 - Demonstração do valor adicionado ........................................................163 6.1 Contextualizando ..................................................................................................................................163 6.2 Conhecendo a teoria ............................................................................................................................164 6.2.1 Entendendo o que é valor adicionado ................................................................................166 6.2.2 Estrutura e composição da DVA ............................................................................................173 6.2.3 Modelo Básico da DVA ..............................................................................................................182 6.3 Aplicando a teoria na prática ............................................................................................................190 6.4 Para saber mais ......................................................................................................................................192 6.5 Relembrando ..........................................................................................................................................192 6.6 Testando os seus conhecimentos ....................................................................................................193 Onde encontrar .............................................................................................................................................194 Capítulo 7 - Notas explicativas .....................................................................................195 7.1 Contextualizando ..................................................................................................................................195 7.2 Conhecendo a teoria ............................................................................................................................196 7.2.1 As notas explicativas conforme a Lei das Sociedades Anônimas e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) 197 7.2.2 Comentários sobre as notas da Lei das Sociedades Anônimas e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) 215 7.2.3 Outras notas explicativas .........................................................................................................219 7.2.4 Notas explicativas em demonstrações contábeis comparativas ...............................220 7.2.5 Normas Brasileiras de Contabilidade ...................................................................................222 7.3 Aplicando a teoria na prática ............................................................................................................223 7.4 Para saber mais ......................................................................................................................................2247.5 Relembrando ..........................................................................................................................................225 7.6 Testando os seus conhecimentos ....................................................................................................225 Onde encontrar .............................................................................................................................................226 Capítulo 8 - Sociedades comerciais .............................................................................227 8.1 Contextualizando ..................................................................................................................................227 8.2 Conhecendo a teoria ............................................................................................................................228 8.2.1 Deveres legais do contador .....................................................................................................229 8.2.2 Empresa comercial .....................................................................................................................235 8.2.3 Principais alterações nas normas e práticas contábeis .................................................242 8.2.4 Livros obrigatórios e auxiliares ..............................................................................................247 8.2.5 Sistema de escrituração digital ..............................................................................................253 8.3 Aplicando a teoria na prática ............................................................................................................258 8.4 Para saber mais ......................................................................................................................................258 8.5 Relembrando ..........................................................................................................................................259 8.6 Testando os seus conhecimentos ....................................................................................................261 Onde encontrar .............................................................................................................................................262 Referências ....................................................................................................................263 Capítulo 1 13 Contabilidade Básica II Balanço patrimonial CAPÍTULO 1 1.1 Contextualizando Caro aluno, neste capítulo pretendo demonstrar a você, além das técnicas de elaboração do Balanço Patrimonial, as principais alterações ocorridas nos últimos anos nas práticas contábeis, que correspondem à normatização da contabilidade em consonância com o Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC). Importante também apresentar a Norma Brasileira de Contabilidade Técnica (NBC-T 1), denominada estrutura conceitual para a elaboração e apresentação das demonstrações contábeis. Portanto, o texto se constitui dos seguintes tópicos: estrutura do Balanço Patrimonial; critérios de classificação dos elementos patrimoniais; contas redutoras do Balanço Patrimonial; elaboração do Balanço Patrimonial. Ao fim deste capítulo, você deverá estar apto a: • identificar as características e elementos conceituais do Balanço Patrimonial; • identificar os principais usuários das demonstrações contábeis e suas necessidades informais; • distinguir os elementos necessários para mensuração e reconhecimento dos fatos administrativos que devem ser contabilizados. Capítulo 1 14 Contabilidade Básica II 1.2 Conhecendo a teoria Você já pensou sobre o significado de patrimônio? Se não, chegou o momento de aprofundar seus conhecimentos. É muito importante compreender que a sua participação como aluno é fundamental para melhor aproveitar esta disciplina. Vamos começar? Conforme Marion (2008), patrimônio é o conjunto de bens, direitos e obrigações de uma determinada entidade, pessoa física ou jurídica. Como você pode observar, o conceito de patrimônio abrange os bens, os direitos e também as obrigações, vinculados a uma entidade (pessoa física ou jurídica). Os bens correspondem a tudo que pode ser avaliado economicamente; logo, bens são todos os objetos de uma empresa que sejam para uso, troca ou consumo, assim como os computadores, máquinas, equipamentos, software, móveis, imóveis etc. Os bens podem ser classificados em tangíveis (aqueles que possuem existência física, são corpóreos, são palpáveis, como por exemplo, móveis, veículos etc.) e intangíveis (aqueles que não possuem existência física, ou seja, não são palpáveis – softwares, patentes, marcas etc.). SAIBA QUE Ainda tratando do patrimônio da entidade, temos os direitos que correspondem aos valores a receber de terceiros. Esses direitos normalmente são denominados seguidos da expressão “a receber”. Como por exemplo, duplicata a receber, promissória a receber etc. Você percebe que deve considerar obrigações como patrimônio de uma empresa? Logo, as obrigações significam os compromissos que a empresa assumiu com terceiros, ou seja, dívidas a pagar. E para esse conceito podemos citar: fornecedores a pagar, contas a pagar, impostos a pagar, salários a pagar etc. Observe que, na denominação das obrigações usa-se a expressão “a pagar”. Capítulo 1 15 Contabilidade Básica II Figura 1 – Patrimônio da empresa Fonte: <www.sxc.hu> Segundo Crepaldi (1995), a contabilidade é uma ciência concebida para coletar, registrar, resumir e interpretar dados e fenômenos que afetam as situações patrimoniais, financeiras e econômicas de qualquer entidade. Você pode observar a amplitude dos estudos do patrimônio da entidade e o quanto a contabilidade auxilia no controle e na geração de informações para a tomada de decisão. Isto é ressaltado por Chiavenato (1999) quando afirma que o controle representa o acompanhamento, monitoramento e avaliação do desempenho organizacional para verificar se as coisas estão acontecendo de acordo com o que foi planejado, organizado e dirigido. Em tempo, a contabilidade possui um demonstrativo que possibilita a consolidação de todos os registros sobre a movimentação do patrimônio da entidade. Partindo disso, apresenta-se no tópico a seguir a estrutura do Balanço Patrimonial. 1.2.1 Balanço Patrimonial A estrutura onde os bens e os direitos são registrados no lado do ativo e as obrigações no lado do passivo denomina-se Balanço Patrimonial. Neste sentido, você pode observar que o registro do patrimônio da entidade é realizado de forma organizada e estruturada. No quadro a seguir apresento os itens que compõem bens, direitos e obrigações. Capítulo 1 16 Contabilidade Básica II Quadro 1 – Balanço Patrimonial BALANÇO PATRIMONIAL Bens Caixa Bancos Estoque Máquinas Marcas Veículos Direitos Contas a Receber obrigações Fornecedores a pagar Empréstimos bancários a pagar Salários a pagar Impostos a pagar Encargos sociais a pagar Fonte: adaptado de Marion (2008) O nome balanço surgiu da ideia de equilíbrio entre as contas, ou seja, o ativo e o passivo devem obter uma igualdade na estrutura elaborada, ativo igual a passivo (IUDICIBUS; MARION, 2002). Para Marion (2008), o Balanço Patrimonial é o mais importante relatório gerado pela contabilidade. Por meio dele, pode-se identificar a saúde financeira e econômica da empresa no fim do ano ou em qualquer data prefixada. PRATICANDO O que você diria sobre a saúde financeira das suas contas? Você está acumulando lucro ou prejuízo? Com as informações que já possui, elabore um balanço do seu patrimônio. O resultado poderá lhe indicar caminhos para saldaras dívidas e começar a acumular capital. O Balanço Patrimonial é considerado um dos principais relatórios na contabilidade, por isso quando se necessita de uma análise mais criteriosa, é fundamental procurar complementar as informações por meio de detalhamentos dos grupos deste balanço, como, por exemplo, as contas clientes, fornecedores, estoques, imobilizado etc., de acordo com o objetivo da análise. Capítulo 1 17 Contabilidade Básica II Os autores Iudícibus e Marion (2002) destacam que o balanço é uma sombra do passado que se projeta para o futuro. Os analistas deverão fazer as estimativas necessárias para ajustar o balanço às mudanças nas expectativas e transações. O que você pode concluir com isso? Que o Balanço Patrimonial reflete a posição do patrimônio em determinado instante, ou seja, é um relatório estático. Caro aluno, se o balanço reflete a situação financeira da entidade em determinado momento, podemos concluir que, a cada alteração de patrimônio registrada, temos um novo balanço. Isto é afirmado por Padoveze (2000) quando ele diz que o Balanço Patrimonial é um relatório que evidencia o patrimônio de uma entidade em determinado instante, e isso implica dizer que, no instante seguinte, um novo fato poderá alterar esse balanço. É importante que você tenha isso muito claro: o Balanço Patrimonial pode ser alterado a partir do cenário onde está inserido. Cabe destacar ainda que o Balanço Patrimonial mostra apenas os fatos registráveis, segundo os princípios contábeis, ou seja, os fatos objetivamente mensuráveis em dinheiro, como compras, vendas, pagamentos, recebimentos, depósitos, débito em conta, despesas incorridas, receitas faturadas etc. deixando de lado uma série inumerável de fatos, como marcas, participação de mercado, imagem, tecnologia etc. (MATARAZZO, 2003). Logo, caro aluno, podemos resumir que se o Balanço Patrimonial é uma representação estática do patrimônio, é também um reflexo da movimentação financeira da entidade em determinado momento. Com as informações a seguir e a observância de aspectos qualitativos e quantitativos, elabore o Balanço Patrimonial da Sr. José das Contas do mês de abril de 2011: Quadro 2 – Elenco dos gastos do Sr. José das Contas GASTOS DO SR. JOSé DAS CONTAS Prestações a pagar 180,00 Dinheiro no bolso 100,00 Salário a receber 980,00 Saldo banco conta corrente 750,00 Saldo poupança 1.200,00 Capítulo 1 18 Contabilidade Básica II Financiamento da casa a pagar 35.800,00 Mensalidade escola a pagar 480,00 Computador 3.500,00 Casa 80.000,00 Impostos a pagar 130,00 Plano de saúde a pagar 320,00 Veículo 20.000,00 Fonte: Voges (2011) A partir de agora, vamos aprofundar o estudo do patrimônio, no que diz respeito às configurações do Balanço Patrimonial e os estados qualitativos patrimoniais. Composição patrimonial Ao analisar qualitativamente o patrimônio de uma entidade, você percebe que este possui uma parte boa (positiva) e outra ruim (negativa). Esta nomenclatura se altera contabilmente, sendo expressa da seguinte forma: ativo (a) = parte positiva (bens + direitos) passivo (p) = parte negativa (obrigações) Então, o Balanço Patrimonial do Sr. José das Contas, elaborado anteriormente, ficaria assim representado: Capítulo 1 19 Contabilidade Básica II Quadro 3 – Balanço Patrimonial do Sr. José das Contas BALANÇO PATRIMONIAL – SR. JOSé DAS CONTAS – PERÍODO: ABRIL 20XX Ativo passivo Bens Caixa Bancos Estoque Máquinas Marcas Veículos Direitos Salario a Receber 100,00 750,00 1.200,00 3.500,00 80.000,00 20.000,00 980,00 obrigações Financiam. Casa a pagar Mensaidade escola a pagar Impostos a pagar Plano de Saúde a pagar Prestações a pagar patrimônio líquido Lucros 35.800,00 480,00 130,00 320,00 180,00 69.6200,00 total do ativo 106.530,00 total do passivo 103.530,00 Fonte: Voges (2011) O Balanço Patrimonial sempre deverá estar identificado com o nome da entidade e período apurado. SAIBA QUE Ao analisar a estrutura do Balanço Patrimonial do Sr. José das Contas, você nota que o total dos itens positivos (ativo = bens + direitos) é bem maior que o total dos itens negativos (passivo = obrigações), revelando uma diferença entre ambos de R$ 69.620,00 (106.530,00 – 36.910,00) que representa o lucro ou superávit do dinheiro investido pelo Sr. José das Contas. Contudo, o lucro ou superávit também possui uma representação dentro do Balanço Patrimonial a qual chamamos de Patrimônio Líquido. Desta forma, o Balanço Patrimonial do Sr. José das Contas ficará representado assim: Observe também que agora o total do ativo (positiva) está igual ao total do passivo (negativa), onde se pode concluir que: patrimônio (PL) = ativo – Capítulo 1 20 Contabilidade Básica II passivo, ou ainda, patrimônio (PL) = bens + direitos – obrigações. Essas fórmulas são denominadas de equação patrimonial. Contudo, para que haja equilíbrio entre os dois lados do Balanço Patrimonial, surge o Patrimônio Líquido ou também denominado, situação líquida, que demonstra o retorno ou a riqueza do patrimônio em questão. Aqui, dê atenção para este detalhe: a contabilidade existe de forma individual (por entidade), ou seja, a diferença está entre as diversas formas de transações econômico-financeiras efetuadas. E, para a elaboração do Balanço Patrimonial, é necessária a execução de lançamentos contábeis, registrando em contas específicas e livros as operações da entidade. Sendo assim, procure visualizar sempre o patrimônio da entidade por meio do Balanço Patrimonial, fazendo uma análise comparativa entre o ativo e o passivo, e como também a sua situação líquida demonstrada no Patrimônio Líquido. Situações e estados patrimoniais Observe, caro aluno, que no Balanço Patrimonial estudado até o momento, do Sr. José das Contas, o ativo está superior ao passivo, apresentando uma situação líquida positiva, ou seja, lucro. Mas, podemos ter casos onde a situação será inversa, como segue: • situação líquida positiva: ativo > passivo (a soma dos bens e direitos é maior que soma das obrigações); • situação líquida negativa: ativo < passivo (a soma dos Bens e Direitos é menor que soma das obrigações); • situação líquida nula: ativo = passivo (a soma dos Bens e Direitos é igual a soma das obrigações). Caro aluno, a partir deste momento vamos estudar o processo de contabilização, ou seja, como efetuar os registros no Balanço com base nos fatos administrativos ocorridos na empresa. Para isto, será aplicada a metodologia de balanços sucessivos, em que o aluno elabora o balanço a cada fato administrativo gerando pela empresa. Capítulo 1 21 Contabilidade Básica II Contabilizando com balanços sucessivos Neste momento, vamos proceder à contabilização das principais operações econômico-financeiras de uma entidade, por meio da metodologia de “balanços sucessivos”. Assim, ficará mais fácil entendermos todo o processo de modificação do patrimônio da entidade. Antes de iniciarmos a confecção dos balanços, precisamos ter o conhecimento de como as empresas são criadas. Toda empresa surge de uma grande ideia. Porém, para que a grande ideia se concretize, precisamos saber se o negócio a ser explorado é viável economicamente. Para isto, faz-se necessário um “Plano de negócio”, onde se obtém todas as variáveis favoráveis e desfavoráveis ao sucesso do empreendimento, como, por exemplo: clientes por região, aceitabilidade do produto/serviço, possíveis fornecedores, ponto comercial, entre outras. Outro estudo deve ser quanto ao investimento (capital) disponível e necessário para dar inícioàs atividades. Existem diversos conceitos de capital. Mas inicialmente basta entender que capital representa o investimento necessário para abrir o negócio, ou seja, é o recurso aplicado na empresa pelos sócios (proprietário ou donos). Contabilmente, é denominado de Capital Social ou Capital Subscrito ou ainda, Capital Nominal. • Contabilizando a criação de uma empresa: os senhores Pedro Pimenta e Ágil das Cruzes resolveram em 01/03/2008 abrir uma empresa. A empresa será denominada Cia. Aprendiz e terá um investimento inicial dos sócios de R$ 80.000,00. Tabela 1 – Balanço Patrimonial 1 BAlAnço PAtrimoniAl – CiA. APrendiz – 01.03.2008 Ativo PAssivo Caixa 80.000,00 patrimônio líquido Capital Social 80.000,00 total do ativo 80.000,00 total do passivo 80.000,00 Fonte: Voges (2011) Capítulo 1 22 Contabilidade Básica II Diante desta situação, temos o primeiro Balanço Patrimonial da empresa, onde os sócios fizeram um investimento inicial de 80.000,00 e em dinheiro. O recurso inicialmente aplicado ficou em caixa até que outra operação altere seu saldo. Sendo assim, também podemos dizer que temos uma origem proveniente dos sócios e uma aplicação colocada à disposição da empresa em caixa. • Contabilizando a aquisição de imóvel: no dia 05/03/2008 eles resolveram comprar um imóvel onde será instalada a sede da empresa. O imóvel será uma sala comercial no valor de R$ 30.000,00, com pagamento no ato. Tabela 2 – Balanço Patrimonial 2 BAlAnço PAtrimoniAl – CiA. APrendiz – 05.03.2008 Ativo PAssivo Caixa Sala Comercial 50.000,00 30.000,00 patrimônio líquido Capital Social 80.000,00 total do ativo 80.000,00 total do passivo 80.000,00 Fonte: Voges (2011) Observe que a empresa adquiriu o seu primeiro bem sendo pago totalmente à vista, com o recurso disponível em caixa. O Capital Social não sofreu alteração, pois os sócios apenas compraram um imóvel com o dinheiro do caixa. • Contabilizando a aquisição computadores: no dia 10/03/2008 eles decidem comprar dois computadores no valor de R$ 2.500,00 cada, com pagamento à vista. Capítulo 1 23 Contabilidade Básica II Tabela 3 – Balanço Patrimonial 3 BAlAnço PAtrimoniAl – CiA. APrendiz – 10.03.2008 Ativo PAssivo Caixa Sala Comercial Computadores 45.000,00 30.000,00 5.000,00 patrimônio líquido Capital Social 80.000,00 total do ativo 80.000,00 total do passivo 80.000,00 Fonte: Voges (2011) Verifica-se que a empresa adquiriu mais um bem sem precisar de novos investimentos dos sócios. Nota-se também que o seu Patrimônio Líquido ainda não sofreu alteração, ou seja, PL = A – P • Contabilizando a aquisição de móveis e utensílios: no dia 11/03/2008 os sócios resolvem comprar os móveis para a sede da empresa, num total de R$ 8.000,00 com pagamento em cinco parcelas. Tabela 4 – Balanço Patrimonial 4 BAlAnço PAtrimoniAl – CiA. APrendiz – 11.03.2008 Ativo PAssivo Caixa Sala Comercial Computadores Móveis 45.000,00 30.000,00 5.000,00 8.000,00 Contas a Pagar patrimônio líquido Capital Social 8.000,00 80.000,00 total do ativo 88.000,00 total do passivo 88.000,00 Fonte: Voges (2011) A empresa efetua a sua primeira compra a prazo. Logo, o passivo que até momento não havia sofrido nenhuma alteração, passou a ter a sua primeira conta registrada (contas a pagar). Nota-se que tanto o ativo quanto o passivo aumentaram em R$ 8.000,00, sendo que o PL continua o mesmo. Capítulo 1 24 Contabilidade Básica II PL = A – P PL = 88.000 (-) 8000 = 80.000 • Contabilizando a venda de um imóvel: no dia 15/03/2008 os sócios tomam a seguinte decisão, vender a sala comercial e ir para uma sede alugada. O valor da venda foi de R$ 32.000,00 sendo R$ 2.000,00 recebidos a vista e o restante a prazo. Tabela 5 – Balanço Patrimonial 5 BAlAnço PAtrimoniAl – CiA. APrendiz – 15.03.2008 Ativo PAssivo Caixa Duplicatas a Receber Computadores Móveis 47.000,00 30.000,00 5.000,00 8.000,00 Contas a Pagar patrimônio líquido Capital Social Lucro 8.000,00 80.000,00 2.000,00 total do ativo 90.000,00 total do passivo 90.000,00 Fonte: Voges (2011) O grande destaque nesta operação é para o lucro na venda do imóvel, o qual fez o patrimônio da empresa crescer. Destaque também para o aumento do PL para R$ 82.000. Caso a venda fosse realizada por R$ 28.000,00, a empresa teria um prejuízo de R$ 2.000,00, resultando num efeito negativo diante do patrimônio da empresa. Capítulo 1 25 Contabilidade Básica II Tabela 6 – Balanço Patrimonial 6 BAlAnço PAtrimoniAl – CiA. APrendiz – 01.03.2008 Ativo PAssivo Caixa Duplicatas a Receber Computadores Móveis 47.000,00 26.000,00 5.000,00 8.000,00 Contas a Pagar patrimônio líquido Capital Social Prejuízo 8.000,00 80.000,00 (2.000,00) total do ativo 86.000,00 total do passivo 86.000,00 Fonte: Voges (2011) • Contabilizando o pagamento da dívida: no dia 25/03/2008 os sócios quitam a 1ª parcela da compra adquirida no dia 11/03/2008. Tabela 7 – Balanço Patrimonial 7 BAlAnço PAtrimoniAl – CiA. APrendiz – 25.03.2008 Ativo PAssivo Caixa Duplicatas a Receber Computadores Móveis 45.400,00 30.000,00 5.000,00 8.000,00 Contas a Pagar patrimônio líquido Capital Social Lucro 6.400,00 80.000,00 2.000,00 total do ativo 88.400,00 total do passivo 88.400,00 Fonte: Voges (2011) A dívida adquirida foi no total de R$ 8.000,00, em 5 parcelas iguais, logo: => 8.000 ÷ 5 = 1.600 cada parcela. A origem de recurso é o caixa e a aplicações são as Contas a Pagar. • Contabilizando o recebimento de um direito: no dia 28/03/2008 a empresa recebe em dinheiro a primeira parcela da venda realizada no dia 15/03/2008. Capítulo 1 26 Contabilidade Básica II Tabela 8 – Balanço Patrimonial 8 BAlAnço PAtrimoniAl – CiA. APrendiz – 28.03.2008 Ativo PAssivo Caixa Duplicatas a Receber Computadores Móveis 50.400,00 25.000,00 5.000,00 8.000,00 Contas a Pagar patrimônio líquido Capital Social Lucro 6.400,00 80.000,00 2.000,00 total do ativo 88.400,00 total do passivo 88.400,00 Fonte: Voges (2011) A venda foi realizada em 6 parcelas iguais => 30.000 ÷ 6 = 5.000 cada parcela. Contudo, finalizamos por aqui a contabilização por meio de balanços sucessivos do mês de março de 2008 da atividade da empresa CIA APREDIZ, a qual obteve um ativo de R$ 88.400,00 e um passivo de R$ 6.400,00, logo, o Patrimônio Líquido de R$ 82.000,00. Agora, antes de aprofundar os conhecimentos sobre o processo de contabilização do Balanço Patrimonial, faz- se necessário o estudo dos critérios de classificação dos elementos patrimoniais. 1.2.2 Critérios de classificação dos elementos patrimoniais Caro aluno, neste momento, é com muita satisfação que aprofundamos os conhecimentos sobre os critérios de classificação dos elementos patrimoniais. A estrutura do Balanço Patrimonial é formada por um elenco de contas ordenadas em grupos e subgrupos conforme sua liquidação. Portanto, neste momento, percebe-se a necessidade de uma relação destas contas, denominado contabilmente, Plano de contas. O Plano de contas é um agrupamento ordenado de contas que serão utilizadas pela contabilidade de uma determinada empresa. Cada empresa possui um Plano de contas específico, o qual é constituído de acordo com seu porte e ramo de negócios. Capítulo 1 27 Contabilidade Básica II Para Marion (2008), o contador tem de planejar e participar da estruturação do Plano de contas, de maneira que a sua principal ferramenta seja criada para lhe possibilitaro melhor dos resultados no trato com as informações contábeis. O Plano de contas é constituído da descrição de cada conta, as quais são elencadas por grupo de contas e codificadas conforme a ordem liquidez no ativo, e ordem de exigibilidade no passivo. Ainda para Marion (2008, p. 62), colocando-se todas as contas de forma desordenada, ainda que respeitando as noções de passivo e ativo, somando-se caixa com máquinas, duplicatas a receber com veículos e assim por diante, haveria muita dificuldade para interpretar e analisar o balanço. Portanto, as contas no ativo serão classificadas seguindo a ordem de liquidez, ou seja, a conta que se transforma em dinheiro mais rápido, fique em primeiro lugar, e assim sucessivamente. Já para o passivo temos a classificação das contas por ordem de exigibilidade, ou seja, as contas que possuem prioridade de pagamento, conforme a data de vencimento do pagamento deve ser classificada em primeiro lugar. Contudo, percebe-se que não é a empresa que deve se adequar ao Plano de contas, mas sim o Plano de contas que se ajusta às necessidades da empresa. Diante do exposto, conclui-se que a construção do Balanço Patrimonial é feita com a classificação dos registros em quatro grandes grupos: Ativo Circulante, Ativo Não Circulante, Passivo Circulante e Passivo Não Ccirculante. Ativo Circulante Para Marion (2008, p. 63), “[...] o Ativo Circulante é o grupo que gera dinheiro para a empresa pagar suas contas a curto prazo. Esse grupo é conhecido como capital de giro, pois seus itens estão sempre se renovando”. O Ativo Circulante é subdividido em alguns grupos, dentre os quais, segundo a NBC-T 3.2, destacam-se: • disponível: são os recursos financeiros que se encontram à disposição imediata da Entidade, por exemplo: caixa e bancos; Capítulo 1 28 Contabilidade Básica II • direitos e créditos: são valores a receber decorrentes da atividade da empresa, como, por exemplo, vendas a prazo de mercadorias. São registrados nesse grupo também os títulos de crédito, quaisquer valores mobiliários e os outros direitos; • investimentos temporários: são as sobras disponíveis que podem ser aplicadas com a intenção de obter rendimento futuro, por exemplo: certificados de depósitos bancários, fundos de aplicação imediata, títulos do Banco Central etc; • estoques: são os valores referentes às existências de produtos ou mercadorias disponíveis para produção ou venda; • despesas antecipadas: são as aplicações em gastos que tenham realização no curso do período subsequente à data do Balanço Patrimonial, como, por exemplo, prêmios de seguro, assinaturas de jornais e/ou revistas etc. Ativo Não Circulante No Ativo Não Circulante são classificadas as demais contas que não poderiam ser classificadas no Ativo Circulante, pois seu prazo de vencimento ultrapassa 12 meses, como, por exemplo: créditos a receber, máquinas e equipamentos, veículos, investimentos permanentes em sociedade coligadas e/ou controladas etc. O Ativo Não Circulante é subdividido em: realizável a longo prazo, investimentos, imobilizado e intangível. Cabe destacar que, conforme a NBC-T 19.1, o imobilizado, o valor residual e a vida útil de um ativo imobilizado são revisados pelo menos ao final de cada exercício e, se as expectativas diferirem das estimativas anteriores, a mudança deve ser contabilizada como mudança de estimativa contábil, segundo a NBC-T 19.11 – Políticas Contábeis, Mudança de Estimativa e Retificação de Erro. No ativo intangível estão classificados os direitos que tenham por objeto bens incorpóreos destinados à manutenção da companhia ou exercidos com essa finalidade, como, por exemplo: softwares, patentes, direitos autorais, direitos sobre filmes cinematográficos, franquias, relacionamentos com clientes ou fornecedores, fidelidade de clientes, participação no mercado e direitos de comercialização, goodwil etc. Capítulo 1 29 Contabilidade Básica II Passivo Circulante No Passivo Circulante estão classificadas as obrigações da entidade com terceiros, cujo vencimento ocorrerá até 12 meses. Conforme Iudícibus, Martins e Gelbcke (2007), estas obrigações podem representar valores fixos ou variáveis, vencidos ou a vencer, em uma data ou em diversas datas futuras. O Passivo Circulante é subdividido em alguns grupos de obrigações. Os principais são: • fornecedores: decorrentes de compras de mercadorias ou produtos utilizados no processo de produção ou comercialização da entidade; • obrigações trabalhistas: representam os valores devidos aos empregados bem como encargos incidentes sobre os valores, como por exemplo, salários a pagar, férias a pagar, INSS e FGTS a pagar 13º salário a pagar etc; • obrigações fiscais: correspondem os compromissos assumidos junto ao governo federal, estadual e municipal oriundos das atividades de compra e venda de produtos, mercadorias e prestação de serviços, como, por exemplo, PIS, COFINS, IRPJ, CSLL, ICMS, ISS a pagar; • empréstimos e financiamentos: correspondem aos valores captados pela entidade junto a entidades financeiras. Por exemplo: empréstimos bancários, financiamentos etc. Passivo Não Circulante No Passivo Não Circulante são classificadas as obrigações da entidade com terceiros, cujo vencimento ocorrerá após 12 meses. Patrimônio Líquido Patrimônio Líquido representa o valor contábil da entidade, uma vez que: ativo (bens e direitos) menos passivo (obrigações) = Patrimônio Líquido. Segundo Perez e Begalli (2002), “O Patrimônio Líquido de uma empresa representa a riqueza pertencente aos proprietários [...] e está formalmente dividido em lei”. Esta divisão está demonstrada da seguinte forma: capital Capítulo 1 30 Contabilidade Básica II social, reservas de capital, ajustes de avaliação patrimonial, reservas de lucros e prejuízos acumulados. Apresenta-se a seguir, um modelo de Plano de contas: 1. Ativo 1.1 Ativo circulante 1.1.1 Ativo circulante – disponível 1.1.1.1 Ativo circulante – disponível – caixa 1.1.1.2 Ativo circulante – disponível – bancos 1.1.1.2.1 Ativo circulante – disponível – bancos – Banco do Brasil Tabela 9 – Planos de Contas PlAno de ContAs Código ContAs 1. 1.1 1.1.1 1.1.1.1 1.1.1.2 1.1.1.2.1 ATIVO ATIVO CIRCULANTE DISPONÍVEL Caixa Bancos Banco do Brasill Fonte: Voges (2011) Após os conhecimentos adquiridos sobre o Plano de contas, salienta-se que o Balanço Patrimonial é estruturado de acordo com as normas estabelecidas pela legislação brasileira. Sendo oportuno salientar que, recentemente, o Balanço Patrimonial sofreu mudanças significativas na sua estrutura e forma de apresentação com o advento da Lei 11.638/11 e Medida Provisória 449/08. A globalização dos negócios e os crescimentos dos investimentos estrangeiros fez com que surgisse a necessidade de unificar os demonstrativos financeiros, corroborando, então, com a adequação às melhores práticas contábeis internacionais – IASB (Internacional Accounting Standards Board). Outra classificação muito importante do Balanço Patrimonial diz respeito à tempestividade das contas, sendo essas classificadas entre circulante e não circulante. Para as contas do circulante, deve-se considerar os itens com prazo até 12 meses, de recebimento ou pagamento. Para aquelas que ultrapassarem 12 meses, consideradas de longo prazo, essas devem ser classificadas como não circulante. Capítulo 1 31 Contabilidade Básica II Diante do exposto, veja as principais mudanças introduzidas no Balanço Patrimonial: Quadro 4 – Evolução do Balanço Patrimonial (Como Era) BALANÇO PATRIMONIAL ativo ativo Circulante (aC) ativo realizável a longo prazo (arlp) ativo permanente InvestimentoImobilizado Diferido passivo passivo Circulante (pC) passivo Exigível a longo prazo (pElp) patrimônio líquido (Como FiCou) BALANÇO PATRIMONIAL ativo ativo Circulante (aC) ativo não-Circulante (anC) Realizável a Longo Prazo Investimentos Imobilizado Intangível passivo passivo Circulante (pC) passivo não-Circulante (pnC) Exigível a Longo Prazo patrimônio líquido Fonte: Voges (2011) Em suma, pode-se observar que as principais mudanças foram: • apresentação do ativo e do passivo em dois grandes grupos denominados circulante e não circulante; • extinção da nomenclatura do Ativo Permanente, sendo substituído pelo Ativo não Circulante; • criação do grupo ativo intangível; • incorporação dos grupos realizável a longo prazo e exigível a longo prazo no Passivo Não Circulante. Capítulo 1 32 Contabilidade Básica II 1.2.3 Contas redutoras do Balanço Patrimonial As contas redutoras ou retificadoras do Balanço Patrimonial são as contas que têm saldo contrário ao saldo do grupo ao qual pertencem. Logo, as contas redutoras do ativo possuem saldo credor, as quais são: duplicatas descontadas, depreciação acumulada, amortização acumulada, provisão para crédito de liquidez duvidosa etc. Já as contas redutoras do passivo têm saldo devedor, tais como: prejuízos acumulados, ações em tesouraria, custos de exercícios futuros etc. As contas redutoras de valores do ativo e do passivo devem ser posicionadas no Balanço Patrimonial, logo abaixo da conta a que se refere, ativa ou passiva, precedidas do sinal indicativo de subtração. Apresenta-se a seguir um exemplo de conta retificadora do ativo: Quadro 5 – Exemplo de Conta Retificadora do Ativo Não Circulante ATIVO ATIVO NÃO CIRCULANTE Permanente Imobilizado Veículos (-) Depreciação acumulada) Fonte: Voges (2011) Contudo, as contas redutoras ou retificadoras do Balanço Patrimonial possuem a finalidade de ajustar o saldo do patrimônio (ativo ou passivo), corroborando com os princípios e práticas contábeis. 1.2.4 Elaboração do Balanço Patrimonial Caro aluno, nos tópicos anteriores, vimos o funcionamento da contabilidade por meio de balanços sucessivos. A partir de agora, vamos utilizar uma metodologia que nos permitirá mais agilidade e segurança na contabilização. Vou abordar os conceitos e mecanismos de débito e crédito e, também, a apuração de saldos das contas patrimoniais e de resultado. Capítulo 1 33 Contabilidade Básica II Para isto, precisamos relatar que a ciência contábil teve seu marco histórico em 1494 quando foi publicado, na Itália, pelo Frade Franciscano Luca Pacioli, o tractatus de Computis et scripturis, parte da obra intitulada summa de arithmética, proportionati et proporcionalitá que descreve o método das partidas dobradas. método das partidas Dobradas = para todo débito existe um crédito O método das partidas dobradas é um procedimento que permite o controle individual de cada conta contábil, registrando individualmente os aumentos e diminuições de valores que nelas ocorrerem. Este controle individual é realizado por meio de razonetes, que nada mais são que uma representação da movimentação de valores ocorridos em cada conta. O razonete é representado da seguinte forma: Tabela 10 – Razonete nome da Conta Débito Crédito Fonte: Voges (2011) Nota-se que o razonete em sua estrutura possui bastante semelhança com o Balanço Patrimonial. O método das partidas dobradas consiste no fato de que para qualquer operação há um débito e um crédito de igual valor. Portanto, não existe débito sem crédito. Logo, observa-se que no mundo dos negócios as ações seguem uma “estrada de mão dupla”. Capítulo 1 34 Contabilidade Básica II Exemplo do mecanismo das partidas dobradas: A empresa JJ Aprendiz solicita ao banco um empréstimo no valor de R$ 400 mil. Figura 2 – Razonetes na prática Aumento do Ativo (D) Entrada do valor na conta bancária da empresa Aumento do Passivo (C) Registro da obrigação diante da aquisição do empréstimo ATIVO D Banco cta. Movim. C Razonetes PASSIVO D Emprest. Bancários C 400.000,00 400.000,00 Lançamentos DUPLOS => Débito 400.000 Crédito 400.000 Fonte: Voges (2011) Como já vimos, o fato contábil necessita de registro, o qual ocorre por meio de um lançamento em contas, conforme o fluxo de informações abaixo: Fato Contábil lançamento Contábil Conta Contábilregistro Contábil • fato contábil: é uma ação que provoca uma alteração nos elementos do Patrimônio ou Resultado da entidade; • registro contábil: a necessidade da contabilidade em registrar os fatos contábeis; • lançamento contábil: ato de registrar a ocorrência de um ou mais fatos contábeis; • contas contábeis: são representações gráficas que evidenciam os lançamentos contábeis de diversas naturezas. Diante do estudo da contas contábeis, é importante ressaltar que essas são classificadas em contas patrimoniais e contas de resultados. As contas patrimoniais representam a situação do patrimônio da entidade (bens, direitos, obrigações e Patrimônio Líquido), logo, estão localizadas no Balanço Patrimonial. Capítulo 1 35 Contabilidade Básica II Já as contas de resultado representam as situações que modificam o Patrimônio Líquido (despesas e receitas). O resultado entre receita menos despesas é transportado para o Patrimônio Líquido na forma de lucro ou prejuízo. Portanto, analisando o razonete acima, você vai concluir que: • as contas do ativo têm saldo devedor, onde os débitos são superiores aos créditos. O débito significa aplicação dos recursos. Sempre que os recursos são aplicados, como compra de bens, pagamento de dívidas, existe um débito na conta correspondente; • as contas de passivo têm saldo credor, onde os créditos são superiores aos débitos. O crédito significa origem de recursos. Esta origem pode ser proveniente dos sócios, a venda de serviços, a obtenção de um empréstimo, entre outros, implicará sempre num crédito na conta referente; • as contas de Patrimônio Líquido têm saldo credor, onde os créditos são superiores aos débitos. Portanto, as contas de receitas provocam aumento no Patrimônio Líquido, que normalmente possui saldo credor, logo as receitas só podem ter saldo credor; as despesas, por sua vez, diminuem no Patrimônio Líquido, que normalmente possui saldo credor, logo as despesas só podem ter saldo devedor. Figura 3 – Calculando o saldo credor e devedor Fonte: Christian Ferrari <www.sxc.hu> Capítulo 1 36 Contabilidade Básica II As contas são movimentadas individualmente, registrando-se seus aumentos ou diminuições de acordo com o método das partidas dobradas. Contudo, podemos no quadro abaixo resumir que: Quadro 5 – Método das partidas dobradas natUrEZa Das Contas para o salDo saldo aumentar Diminuir ativo = BEns E DirEitos passivo = oBriGaçÕEs Com tErCEiros patrimÔnio lÍQUiDo rECEitas DEspEsas D C C C D D C C C D C D D D C Fonte: Voges (2011) As contas do ativo, por terem saldo devedor, são aumentadas com lançamento de débito e diminuídas com um lançamento de crédito, como, por exemplo, no momento do recebimento de uma duplicata de clientes à vista, onde o débito será registrado na conta caixa, no ativo, pela entrada do valor do dinheiro. Já o crédito será realizado na conta duplicatas a receber, no ativo, pela baixa do saldo de duplicatas a receber. Já as contas do passivo, por terem saldo credor, são aumentadas com lançamento de crédito e diminuídas com lançamento de débito. Por exemplo, a compra de mercadorias para o estoque a prazo, onde o débito é realizadona conta estoque, no ativo, pela entrada de mercadorias, e o crédito na conta de fornecedores, no passivo, pelo registro da compra a prazo. As contas de receitas e despesas, chamadas de contas de resultado também são movimentadas pela contabilidade por meio de razonetes, da mesma forma que as contas de ativo, passivo e Patrimônio Líquido (contas patrimoniais). SAIBA QUE Capítulo 1 37 Contabilidade Básica II Após o lançamento dos fatos nos razonetes você deve então proceder a apuração do saldo de cada razonete, ou seja, a apuração de débitos menos créditos. Feito isso, chegou a hora de encerrar as contas de resultado para então elaborar do Balanço Patrimonial. Mas como fica a contabilidade agora, com o registro em razonetes de todas as contas contábeis, de patrimônio e de resultado? Vamos exemplificar com as operações que seguem: • imagine que a Cia. Aprendiz foi criada com a finalidade de prestar serviço. Foi constituída com um imóvel alugado e um capital total de R$ 10.000,00 em dinheiro; • em seguida, adquire à vista, móveis e utensílios no valor de R$ 1.000,00; • posteriormente, a Cia. Aprendiz vende um serviço por R$ 3.000,00 a vista; • pagou salário de funcionário no valor de R$ 1.200,00; • paga aluguel no valor de R$ 600,00 Diante destes fatos, pergunto: A Cia. Aprendiz é lucrativa? E como fica o seu Balanço Patrimonial? Para obter estas respostas, primeiramente você tem que registrar os fatos nos razonetes, utilizando o método das partidas dobradas, onde para todo crédito existe um débito corresponde. Após os lançamentos deve-se apurar o saldo individual de cada conta, por meio da soma dos débitos menos créditos. Capítulo 1 38 Contabilidade Básica II Tabela 11 – Resolução das operações da Cia. Aprendiz Caixa - aC Débito Crédito a c 10.000,00 3.000,00 1.000,00 1.200,00 600,00 b d e 13.000,00 2.800,00 saldo 10.200,00 Capital social - pl Débito Crédito 10.000,00 a - 10.000,00 saldo 10.000,00 móveis/Utensílios - aC Débito Crédito b 1.000,00 1.000,00 saldo 1.000,00 venda de serviços - r Débito Crédito 3.000,00 c 3.000,00 saldo 3.000,00 Desp. com aluguel - r Débito Crédito e 600,00 600,00 saldo 600,00 Desp. com salários - r Débito Crédito d 1.200,00 1.200,00 saldo 1.200,00 Fonte: Voges (2011) Após a apuração dos saldos, você vai concluir o exercício, transferindo os saldos das contas de resultado para razonete, ou seja, o resultado. Tabela 12 – Encerramento das contas de resultado da Cia. Aprendiz venda de serviços - r Débito Crédito 3.000,00 c 1 – 3.000,00 saldo 3.000,00 3.000,00 Desp. com aluguel - r Débito Crédito e 600,00 600,00 – saldo 600,00 600,00 2 Desp. com salários - r Débito Crédito d 1.200,00 1.200,00 – saldo 1.200,00 1.200,00 3 rEsUltaDo Despesas receitas 2 3 600,00 1.200,00 3.000,00 1 1.800,00 3.000,00 saldo 1.200,00 Fonte: Voges (2011) Capítulo 1 39 Contabilidade Básica II Note que efetuamos a transferência dos valores das contas de receitas e despesa, por meio de lançamentos contábeis (lançamentos 1, 2 e 3), para a conta de resultado. Agora o próximo procedimento é transferir o saldo da conta de resultado para a conta de lucros acumulados, do Patrimônio Líquido. Tabela 13 – Transferência do Resultado para o Patrimônio Líquido lucros acumulados – pl Débito Crédito 1.200,00 4 1.200,00 rEsUltaDo Despesas receitas 2 3 600,00 1.200,00 3.000,00 c 1.800,00 3.000,00 4 1.200,00 Fonte: Voges (2011) Caro aluno, nesta ocasião podemos responder à primeira pergunta que questiona se a Cia. Aprendiz é lucrativa, e como vimos na apuração do resultado acima, a Cia. Aprendiz obteve um lucro de R$ 2.400,00, sendo uma empresa lucrativa até o momento. Após isso, poderemos elaborar o Balanço Patrimonial, em resposta à segunda pergunta. Quadro 6 – Balanço Patrimonial da Cia. Aprendiz BALANÇO PATRIMONIAL – CIA. APRENDIz Ativo passivo ativo Circulante - aC Disponibilidades Caixa ativo não Circulante - anC Imobilizado Móveis e Utensílios 10.200,00 980,00 passivo Circulante - pC patrimônio líquido Capital Social Lucros Acumulados 10.000,00 1.200,00 total 11.200,00 total 11.200,00 Fonte: Voges (2011) Capítulo 1 40 Contabilidade Básica II O Balanço Patrimonial tem por finalidade apresentar a situação patrimonial da empresa em um determinado momento, dentro de determinados critérios de avaliação. Sendo assim, é a demonstração que encerra a sequência dos procedimentos contábeis, apresentando de forma ordenada o três elementos do patrimônio: Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido. 1.3 Aplicando a teoria na prática Para melhor vislumbrar o que você estudou até agora, sugiro o acompanhamento do caso a seguir, que poderíamos intitular “O controle do Fluxo de Caixa e o papel do contador como gerador de informações”, para que você possa refletir sobre o conteúdo que estudou neste capítulo. Vimos nos tópicos anteriores que a contabilidade possui o controle e registro dos fatos administrativos e, por este motivo, segue seu papel na tomada de decisão. Vamos exercitar o conhecimento? Uma empresa do ramo de doces realizava com frequência vendas por encomenda. O cliente adiantava 20% do valor do valor devido, sendo o restante pago em 12 parcelas de igual valor. Porém, esta empresa, ao realizar suas compras, também utilizava a forma de adiantamento de 30% do valor da compra e o restante dividido em 6 parcelas de igual valor. Outra prática utilizada pela empresa é o adiantamento de 20% do salário aos funcionários. Que análise você faz deste panorama? Caro aluno, perceba, num primeiro momento, que empresa utiliza da forma adiamento para quase todas das suas atividades, o que gera um descontrole total do Fluxo de Caixa. Outro ponto de relevância seria a diferença entre os percentuais de adiantamento, e também a diferença no número de parcelas negociadas a prazo tanto para o cliente quanto para o fornecedor. Ou seja, a empresa recebe adiantado dos seus clientes 20%, mas paga adiantado aos seus fornecedores o percentual de 30%, gerando uma possível saída de caixa maior que a entrada. Fato também relevante seria a negociação das parcelas do cliente numa tempestividade maior que a negociação com fornecedores, dificultando a gestão do capital de giro diante do Fluxo de Caixa. Capítulo 1 41 Contabilidade Básica II Contudo, o empresário, a fim de atender as suas próprias necessidades para dar suporte ao processo de tomada de decisões, tem o privilégio e o direito de obter informações muito mais detalhadas ou adicionais às apresentadas nas demonstrações contábeis. Iudícibus e Marion (2002) dizem que a tarefa básica do contador é produzir e/ou gerenciar tais informações úteis, sempre levando em consideração a prontidão, clareza e precisão. Então, caro aluno, diante deste caso, o contador tem o dever de orientar o empresário nas negociações e, principalmente, no controle do Fluxo de Caixa. 1.4 Para saber mais título: Contabilidade comercial: atualizado conforme a Lei n° 11.638/07 e Lei n° 11.941/09 Autores: IUDíCIBUS, S.; MARION, J. C. Editora: Atlas Ano: 2010 Nesta obra os autores abordam de forma completa o tema as novas normas e práticas contábeis. Vale a pena a leitura e para complementar seus estudos. título: Pai rico e pai pobre Autores: KIyOSAKI, R. J.; LECHTER L. S. Editora: Elsevier Ano: 2004 Segundo os autores, a educação formal não prepara as crianças para a vida real, e boas notas e formação não bastam para garantir o sucesso de alguém.A diferença está entre ter o controle do próprio destino ou não. O livro traz lições para controlar o destino e tornar- se bem sucedido. site: Conselho Federal de Contabilidade URL: <http://www.cfc.org.br> Neste site você encontra informações complementares sobre as Normas Brasileiras de Contabilidade, além de acompanhar a evolução das mudanças ocorridas com o advento da Lei das Sociedades Anônimas, Lei nº 11.638/07. Capítulo 1 42 Contabilidade Básica II 1.5 Relembrando Neste capítulo, você aprendeu que: • o Balanço Patrimonial é uma demonstração ordenada e estática; • para elaborar o Balanço Patrimonial, são necessários conhecimentos sobre o método das partidas dobradas, em que para todo crédito existe um débito correspondente; • na elaboração dos registros contábeis é imprescindível a noção sobre os elementos necessários para mensuração e reconhecimento dos fatos administrativos que devem ser contabilizados; • a contabilidade assume um papel importante na tomada de decisão, devido a sua amplitude de controle e registros. 1.6 Testando os seus conhecimentos Agora, por meio das atividades acadêmicas propostas a seguir, você irá colocar em prática o conteúdo estudado. Resolva as operações contábeis utilizando o método das partidas dobradas. Posteriormente, elabore o Balanço Patrimonial e analise se a empresa é lucrativa e se consegue pagar duas dívidas com recursos gerados. Bom trabalho! 1) Dia 04/05 – a Comercial TUBIAS, empresa constituída nesta data, recebe de seus sócios R$ 15.000,00 para integralização do capital inicial, composto por depósito em Banco do Brasil C/c da empresa no valor de R$ 10.000,00 e R$ 5.000,00 em móveis para o escritório; 2) Dia 05/05 – adquire mercadorias para estoque, no total de R$ 4.000,00, sendo R$ 3.000,00 pagos a vista em cheque e o restante pago em 09/05; 3) Dia 07/05 – adquire um veículo, para entrega de mercadorias, no valor de R$ 6.000,00 sendo 50% pago à vista em cheque e o restante com financiamento bancário a curto prazo; Capítulo 1 43 Contabilidade Básica II 4) Dia 09/05 – pagamento da dívida do dia 05/05 em cheque; 5) Dia 12/05 – compra de mercadorias para estoque por R$ 5.000,00, sendo 50% à vista com cheque e o restante para 60 dias; 6) Dia 14/05 – os sócios aumentam o capital social em R$ 5.000,00 em dinheiro, depositados em banco; 7) Dia 18/05 – adquire um terreno no valor de R$ 5.000,00, tendo sido entregue um cheque de R$ 2.000,00 no ato e o restante será pago em 24 parcelas iguais; 8) Dia 24/05 – compra mobília para o escritório no valor de R$ 600,00, pago em cheque. Onde encontrar CREPALDI, S. A. Curso básico de contabilidade. São Paulo: Atlas, 2010. CHIAVENATO, I. Gestão de pessoas. Rio de Janeiro: Campos, 1999. IUDÍCIBUS, S.; MARION, J. C. introdução à teoria da contabilidade. São Paulo: Atlas, 2002. ______.; MARTINS, E.; GELBCKE, E. R. manual de contabilidade das sociedades por ações. São Paulo: Atlas, 2007. MARION, J. C. Contabilidade básica. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2008. PADOVEZE, C. L. manual de contabilidade básica: uma introdução à prática contábil. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2000. PEREZ, J. H.; BEGALLI, G. A. Elaboração das demonstrações contábeis. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2002. Capítulo 1 44 Contabilidade Básica II Capítulo 2 45 Contabilidade Básica II DEmonstração Do rEsUltaDo Do ExErCÍCio CAPÍTULO 2 2.1 Contextualizando Caro aluno! Neste capítulo apresentarei a você as técnicas de elaboração da Demonstração do Resultado do Exercício, também conhecida pela sigla DRE. Sua estrutura segue uma forma resumida da movimentação econômica da empresa em um determinado período, com a intenção de demonstrar o resultado líquido deste. O resultado pode ser positivo, negativo ou nulo. Por este motivo, o conteúdo deste capítulo seguirá as normas e práticas contábeis, desde as receitas brutas até o resultado líquido do exercício. Ao fim, você será capaz de: • identificar os elementos estruturais e conceituais da Demonstração do Resultado do Exercício (DRE); • distinguir os principais elementos para a apuração do Resultado do Exercício; • manusear as ferramentas necessárias para mensuração e reconhecimento dos fatos administrativos diante da Demonstração do Resultado do Exercício. Mãos à obra! 2.2 Conhecendo a teoria Você já refletiu sobre os aspectos que influenciam no resultado das empresas? E que o Patrimônio Líquido, apresentado no Balanço Patrimonial, representa a riqueza líquida da entidade? Assim, chegou o momento de Capítulo 2 46 Contabilidade Básica II aprofundar seus conhecimentos. É fundamental a sua participação, caro aluno, para o melhor aproveitamento da disciplina. Vamos começar então? LEMBRETE Enquanto o Balanço Patrimonial busca apresentar a situação financeira da empresa, como, por exemplo, investimentos, capacidade de pagamento, contas a receber e contas a pagar, entre outros, a Demonstração do resultado do Exercício evidencia a situação econômica da empresa, ou seja, lucro ou prejuízo, por meio da relação entre receitas, custos e despesas. Como você pode observar, o Balanço Patrimonial tem um papel importante na avaliação da situação financeira da empresa, ou seja, quanto à disponibilidade de recursos e de endividamento. Já a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) reafirma a situação econômica da empresa, isto é, a situação de ganho ou de perda em suas atividades operacionais. De acordo com Marion (2008), a Demonstração do Resultado do Exercício é um resumo ordenado das receitas e despesas da empresa em determinado período, normalmente 12 meses. A imagem ao lado representa o conceito do autor. Hoje, cada vez mais, é preciso que a empresa mantenha seus recursos em equilíbrio. O desafio do empresário é manter a paridade entre receitas e despesas. Lembre-se que, apesar do Brasil estar numa situação econômica estável, o mundo é globalizado. A Lei Federal n° 11.638, 28 de dezembro de 2007, que conduz as Sociedades Anônimas por Ações e as demais sociedades, estabelece em seu Art. 187 a ordem que a Demonstração de Resultado do Exercício deve ser apresentada e publicada. Figura 1 – Na empresa, equilibrar receitas e despesas é fundamental Fonte: Zadorozhnyi Viktor <www.sshutterstock.com> Capítulo 2 47 Contabilidade Básica II Ainda tratando do resultado da entidade, e diante da complexidade deste assunto, você deve levar em consideração o princípio da Realização da Receita e a Confrontação com a despesa. Logo, só se caracteriza a despesa com a Realização da Receita. Segundo a Norma Brasileira de Contabilidade Técnica (NBCT 1), as receitas e despesas podem ser evidenciadas na Demonstração do Resultado do Exercício de várias maneiras, sempre com a intenção de colaborar com o usuário da informação contábil na tomada de decisão. No capítulo anterior, você estudou os elementos que compõem o patrimônio de uma empresa. Você já refletiu sobre como apurar a riqueza de uma entidade? Em primeiro lugar, é necessário que você conheça alguns conceitos básicos sobre quais itens compõem a apuração do resultado ou da riqueza de uma entidade, tais como: as receitas que representam o ato de comercializar produtos, serviços e ativos, e as despesas que representam os esforços na geração das referidas receitas. Portanto, para avaliar o desempenho de uma entidade, ou ainda, a riqueza por ela gerada, a contabilidade é viabilizada por meio da Demonstração do Resultado do Exercício, a consolidação de todos os registros sobre a movimentação das receitas e despesa, e, o resultado final das atividades operacionalizadas. Partindo disto, apresento notópico a seguir os critérios básicos e a estrutura da Demonstração do Resultado do Exercício. 2.2.1 Critérios contábeis básicos Antes de aprofundar os conhecimentos sobre a elaboração e a estrutura da Demonstração do Resultado do Exercício, você deve conhecer os regimes de contabilização que são: Regime de Competência e Regime de Caixa. Tais regimes de contabilização levam em consideração o princípio da Realização da Receita e da Confrontação da despesa, ou seja, determinam quando as receitas e as despesas serão efetivamente contabilizadas. O Regime de Competência considera as receitas e despesas contabilizadas no momento que estas foram geradas, não importando o recebimento ou o pagamento. Já o Regime de Caixa considera a receita e a despesa, mas apenas aquelas efetivamente recebidas e pagas. A diferença entre o Regime de Capítulo 2 48 Contabilidade Básica II competência e Regime de Caixa, segundo Iudícibus e Marion (2002), é quando se escolhe como ponto normal de reconhecimento da receita aquele em que produtos ou serviços são transferidos ao cliente e não, propriamente, o ponto em que o dinheiro é recebido. Diante disto, existem duas formas de apurar e demonstrar o resultado da empresa: pelo Regime de Competência, que evidencia um resultado econômico, ou Regime de Caixa, que apresenta um resultado financeiro. Agora, caro aluno, após o entendimento sobre as formas de apurar o Resultado do Exercício, é importante também conhecer as contas de resultados, aquelas utilizadas na apuração do resultado (lucro ou prejuízo) e da riqueza gerada em determinado exercício social. Contabilmente, o patrimônio de uma entidade é constituído de bens, direitos e obrigações, mas ninguém irá investir em uma empresa sem pensar no lucro que ela gera. Portanto, este lucro, ou riqueza gerada, é apurado por meio das contas de resultado, denominadas receitas, custos e despesas. As entradas de itens no Ativo podem ser consideradas como receitas derivadas de uma venda de produto, mercadoria ou serviço. Ou ainda, uma entrada no Ativo originada de um ganho de aplicação financeira. As atividades operacionais das entidades, venda de mercadoria ou serviço, ou ainda as atividades não operacionais que possuem a intenção de ganho, aplicação financeira e juros recebidos, devem ser classificadas como receita, pois ambas têm o propósito de um benefício econômico. SAIBA QUE As despesas representam o oposto das receitas, sendo a redução dos benefícios econômicos da entidade que surgem normalmente, por meio das atividades operacionais, por meio dos custos ou redução de ativos e aumento de passivos que corroboram com a redução do Patrimônio Líquido. Por exemplo: despesa com energia elétrica, custo da mercadoria vendida, descontos concedidos aos clientes, juros pagos, despesa com salários, entre outros. Capítulo 2 49 Contabilidade Básica II Para Iudícibus (2009), a despesa representa a utilização ou consumo de bens e serviços no processo de produzir receitas. Logo, as despesas surgem da necessidade de geração de receitas. Por exemplo: as despesas com salários e encargos existem pelo fato dos funcionários estarem colaborando para a venda de produtos e serviços e que, consequentemente, irão gerar receita ou ganho. As despesas com as compras de mercadoria ou matéria-prima que serão revendidas ou utilizadas no processo produtivo, onde ambas contribuirão para a geração de receita, seriam outro exemplo. Vamos imaginar uma cena muito comum nos canteiros de obras. Na sexta-feira à tarde, o administrador faz o pagamento semanal dos operários. O que queremos mostrar com esta ideia? Que as despesas de salários e encargos só existem pelo fato de os colaboradores estarem contribuindo para a venda de produtos e serviços – o que, consequentemente, irá gerar receita. Figura 2 – Salários são contabilizados no item despesa da DRE Fonte: Svilen Milev <www.sxc.hu> Segundo Iudícibus (2009), o que caracteriza a despesa é o fato dela tratar de expirações de fatores de serviços, direta ou indiretamente relacionados com a produção e a venda do produto ou serviço da entidade. Portanto, todas as despesas devem ser geradas com o foco de gerar de receita, se não agora, mas num futuro próximo. Capítulo 2 50 Contabilidade Básica II LEMBRETE As despesas provocam diminuições no Ativo, quando pagas, ou aumentos no passivo quando geradas e não pagas imediatamente. Saliento que receitas e despesas só existem quando são confrontadas. Vamos saber um pouco mais sobre isso? Quando compramos uma mercadoria para revenda, encontramos a situação do custo com a compra e, também, o pagamento desta com a redução de um Ativo, normalmente caixa ou banco. Contudo, o confronto entre receitas menos despesas resulta na apuração do Resultado do Exercício, podendo ser positivo (lucro), quando as receitas forem superiores as despesas, e quando o inverso, o resultado é negativo (prejuízo). A composição deste resultado é apresentada na Demonstração de Resultado do Exercício (DRE) que será abordada no próximo item. 2.2.2 Critérios básicos de apresentação Na determinação do Resultado do Exercício, e para melhor entendimento sobre a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) é preciso considerar os princípios contábeis que norteiam a contabilidade das entidades no que tange ao reconhecimento das receitas, custos e despesas. Este assunto é expresso no § 1º do Art. 187 da Lei 11.638/2007, como segue: na apuração do resultado você deve considerar as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda; os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos. Desta forma, os elementos citados fazem referência ao princípio da Realização da Receita e do Confronto da Despesa, como você já viu anteriormente. Cabe ressaltar que, com base nesse princípio contábil, as receitas são reconhecidas a partir do momento em que são realizadas, ou seja, quando há o repasse de mercadorias, produtos ou serviços, indiferente se nestas transações houver ou não o pagamento à vista. Capítulo 2 51 Contabilidade Básica II Segundo Iudícibus e Marion (2002), escolhe-se como ponto normal de reconhecimento da receita aquele em que produtos ou serviços são transferidos ao cliente e não, propriamente, o ponto em que o dinheiro é recebido. Já as despesas estão intimamente ligadas à Realização da Receita, ou seja, as despesas devem ser confrontadas e reconhecidas contabilmente a partir do momento em que gerarem receitas. Assim, observa-se a aplicação do Regime da Competência para realização das receitas e confrontação das despesas. Conforme Iudícibus, Martins e Gelbcke (2007), as receitas e despesas são apropriadas ao período em função de sua incorrência e da vinculação da despesa à receita, independente de seus reflexos no caixa. SAIBA QUE Os critérios de apresentação da evolução das receitas e despesas por meio da Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) estão descritos na Lei 6.404, de 15 de dezembro de 1976, que regula as Sociedades por Ações e, por conseguinte, as demais sociedades, inclusive as Sociedades Limitadas. Essa legislação foi alterada pela Lei 11.638, de 28 de dezembro de 2007, que estabelece em seu Art. 187 a organização que a Demonstração de Resultado do Exercício deve ser apresentada, para fins de publicação, além de outras providências. Em conformidade com o Art. 187 da Lei das Sociedades por Ações, que trata sobre correta apresentação da Demonstração do Resultado do Exercício, destacam-se os principais pontos: • a receita bruta das vendas e serviços, as deduções dasvendas, os abatimentos e os impostos; • a receita operacional líquida das vendas e serviços, o custo operacional das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto; Capítulo 2 52 Contabilidade Básica II • as despesas operacionais referentes às despesas administrativas, comerciais e com vendas. Logo após, o resultado financeiro composto de receitas e despesas financeiras; • o Resultado Operacional, as outras receitas e outras despesas operacionais; • o Resultado do Exercício antes do Imposto de Renda e Contribuição Social e a provisão para o imposto; • o lucro ou prejuízo líquido do exercício. A partir desta estrutura, as Normas Brasil de Contabilidade Técnica, a Demonstração do Resultado do Exercício, assumem o papel de evidenciar a composição do resultado de um determinado período, em concordância com as operações da entidade. Para Marion (2008), a Demonstração do Resultado do Exercício é um resumo ordenado das receitas e despesas da empresa em determinado período, normalmente 12 meses. Já para Iudícibus e Marion (2002), a Demonstração do Resultado do Exercício pode apresentar mais poder preceptivo do que o próprio Balanço Patrimonial, pois este último aborda o saldo das contas num determinado momento, evidenciando os saldos ano após ano e, consequentemente, sendo mais útil para se avaliar uma situação estática. A Demonstração de Resultado de Exercício refere-se somente a um determinado exercício. Logo, caro aluno, por ser uma demonstração focada em evidenciar os valores econômicos da entidade, ao término apura-se o lucro ou prejuízo, além de todos os custos e as despesas intrínsecas à sua atividade operacional. Para facilitar o aprendizado, principalmente em relação à disposição das contas que compõem a Demonstração de Resultado do Exercício, apresento a seguir um exemplo dessa demonstração: Capítulo 2 53 Contabilidade Básica II Tabela 1 – Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) demonstrAção do resultAdo do exerCíCio – dre reCeitA BrutA => totAl gerAl de vendAs (-) Deduções => Neste grupo incluem-se todos os valoes que não representam sacrifícios financeiros (esforços) para a empresa, mas são ajustes para se chegar a um valor mais indicativo que é a Receita Líquida, como por exemplo: Impostos sobre as Vendas e Devoluções de Vendas. (-) reCeitAs líquidAs => reCeitAs BrutAs (-) deduções (-) Custos => São somente os gastos de fabricação (gastos de produção), incluindo matéria-prima, mão de obra, depreciação de bens utilizados na produção, energia elétrica da fábrica etc. (-) luCro Bruto => reCeitA líquidA (-) Custos (-) Despesas => São gastos de escritório, gastos para administrar a empresa como um todo: despesas aplicadas desde o esforço para colocar os produtos ao cliente (propaganda, comissões) até a remuneração do capital (despesas financeiras). (-) luCro oPerACionAl => luCro Bruto (-) desPesAs (+) Receitas não operacionais (-) Despesas não operacionais => => São receitas não relacionadas diretamente com o objetivo da empresa. São despesas não relacionadas diretamente com o objetivo da empresa. (-) luCro líquido Antes do irPJ => luCro oPerACionAl (+/-) reCeitAs/desPesAs não oPerACionAis (-) IRPJ (-) CSLL => => Imposto de Renda s/ Pessoa Jurídica Contribuição Social s/ Lucro Líquido (-) luCro líquido luCro líquido Antes do irPJ e Csll (-) irPJ e Csll Fonte: Voges (2011) Prezado aluno, ao analisar os detalhes da Demonstração do Resultado do Exercício, percebe-se que é composta por contas sintéticas, ou melhor, são contas somadoras de outras contas. Assim, também se pode concluir que o resultado apresentado no final é consequência da dedução de cada conta. Por este motivo, alguns autores afirmam que a elaboração da Demonstração do Resultado do Exercício acontece de forma dedutiva. Afinal, a DRE apresenta as contas sintéticas as quais expressam, na maioria, inúmeras contas analíticas. Capítulo 2 54 Contabilidade Básica II Detalhando melhor as contas, temos no grupo receita bruta a alocação de todas as vendas operacionais que a empresa teve num determinado período, podendo ser a prazo ou à vista, no mercado interno ou externo. Segundo Matarazzo (2003), somente as receitas de vendas normais devem ser alocadas no resultado bruto da entidade, uma vez que as outras receitas de caráter operacional secundário devem figurar após o lucro bruto, que tem o papel de mostrar o resultado bruto da atividade operacional da empresa. SAIBA QUE Conforme Iudícibus, Martins e Gelbcke (2007), a contabilização das vendas deve ser feita pelo seu valor bruto. Impostos, devoluções e abatimentos são registrados em contas devedoras específicas. No grupo deduções da receita bruta são lançados os tributos e abatimentos sobre vendas e as possíveis vendas canceladas. Aqui peço sua especial atenção! Os tributos sobre vendas são aqueles determinados e gerados no momento da venda por meio de algum documento fiscal, como por exemplo: • ICMS: imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação; • ISSQN: imposto sobre serviços de qualquer natureza; • COFINS: contribuição para o financiamento da seguridade social. • PIS: programa de integração social; • IPI: imposto sobre produtos industrializados. Mas existem casos em que há devolução de um produto ou cancelamento da venda que podem compreender inúmeras justificativas. Dentre algumas ressaltam-se os problemas nas embalagens ou na própria mercadoria, inconsistências com pedido de venda, entre outros. Os abatimentos sobre vendas são gerados, normalmente, quando o cliente detecta que a sua compra, por qualquer motivo, não atendeu às expectativas. O cliente poderá pedir um desconto no preço. Capítulo 2 55 Contabilidade Básica II A receita líquida, por sua vez, corresponde às vendas líquidas da empresa. É o resultado obtido pela equação: RECEITA BRUTA - DEDUÇÕES = RECEITA LÍQUIDA Segundo Marion (2008), os impostos sobre vendas não pertencem à empresa, mas ao governo. Ela é uma mera intermediária (veículo de arrecadação) que arrecada impostos junto ao consumidor e recolhe ao governo. Por este motivo é tão importante separar as vendas dos tributos, e que se pondere a carga tributária existente no volume comercializado pela instituição, porque não se pode contar com o valor total das vendas. Os custos operacionais da entidade são apresentados após a receita líquida. Para Martins (1998), o custo é considerado um gasto relativo ao bem ou serviço utilizado na produção de outros bens ou serviços. Os custos podem ser diretos, quando apropriados diretamente aos produtos fabricados, ou indiretos, quando é necessário alguma técnica de rateio para a sua apropriação. Dentre os principais custos, destacam-se: • matéria-prima; • mão de obra; • material de embalagem; • depreciação; • energia elétrica, entre outros. Os custos também podem ser classificados de acordo com o volume da atividade, ou seja, podem ser fixos ou variáveis. Os custos fixos são aqueles que não se alteram em função de aumentos ou diminuições do volume de produção, como por exemplo: aluguel da fábrica, seguros da fábrica, entre outros. Por sua vez, os custos variáveis mudam conforme o volume de produção, como matéria-prima, energia elétrica, entre outros. Para Martins (1998), todos os sacrifícios havidos pela aquisição de bens ou serviços (gastos) que são estocados nos Ativos da empresa para baixa ou Capítulo 2 56 Contabilidade Básica II amortização quando de sua venda, de seu consumo, de seu desaparecimento ou de sua desvalorizaçãosão especificamente chamados de investimentos. Posteriormente aos custos, a Demonstração do Resultado evidencia o lucro bruto que é resultante da equação: RECEITA LÍQUIDA - CUSTOS = LUCRO BRUTO Após o lucro bruto, a Demonstração do Resultado apresenta as despesas operacionais, as quais são divididas em despesas administrativas, de vendas, outras despesas e outras receitas. Para Iudícibus, Martins e Gelbcke (2007), as despesas operacionais constituem-se das despesas pagas ou incorridas para vender produtos e administrar a empresa. Isto significa que representam as despesas necessárias para manter as atividades da empresa. Ou seja, qualquer empresa, independente do seu ramo de atividade, terá na Demonstração do Resultado alguma despesa operacional. Segundo Iudícibus, Martins e Gelbcke (2007), as despesas de vendas representam os gastos de promoção, colocação e distribuição dos produtos da empresa, bem como os riscos assumidos pela venda. Logo, as despesas são necessárias para sustentar e proporcionar maior volume de vendas. São alguns exemplos de despesas com vendas: comissões sobre vendas, propaganda, publicidade, garantia de produtos, entre outras. Outra despesa operacional é a administrativa, fundamental para o andamento da empresa. Segundo Iudícibus, Martins e Gelbcke (2007), essas despesas representam os gastos, pagos ou incorridos, para direção ou gestão da empresa e constituem-se de várias atividades gerais que beneficiam todas as fases do negócio ou objeto social. São exemplos de despesas administrativas: honorários da administração, salários, material de escritório, entre outras. Juntamente com as despesas operacionais é evidenciado o resultado financeiro, composto por receitas e despesas financeiras. Capítulo 2 57 Contabilidade Básica II A figura a seguir é uma representação gráfica do que estou falando neste capítulo. Administrar uma empresa é interligar vários pontos a fim de obter lucro! Figura 3 – A empresa é feita de receitas, despesas e investimentos Fonte: Autor ND <www.shutterstock.com> Quanto às despesas financeiras, destacam-se: juros passivos, descontos concedidos, entre outras. As receitas financeiras consideram os ganhos que não podem ser reconhecidos na receita bruta da instituição. Entre as principais receitas financeiras destacam-se: juros recebidos, descontos obtidos, entre outras. Ainda podem evidenciar os juros passivos quando se paga um valor maior do que o devido. Observe, caro aluno, que isso ocorre, por exemplo, em empréstimos, em decorrência do prazo contratado, ou com fornecedores quando a entidade paga o valor em atraso, entre outras situações prováveis. Os juros ativos, por sua vez, são apurados quando a empresa recebe um valor maior do que o principal. Vamos a um exemplo? Quando um cliente paga em atraso, a empresa pode cobrar juros. Isto quer dizer que a empresa vai receber mais do que o previsto. Já os descontos têm praticamente a mesma natureza, ou seja, são despesas ou receitas financeiras pela cobrança de um direito ou pagamento de uma obrigação. Capítulo 2 58 Contabilidade Básica II Ainda tratando-se de receita e despesas financeiras, podemos citar os descontos obtidos quando a empresa paga uma dívida menor em decorrência, por exemplo, da quitação antes do prazo do vencimento. Por exemplo: se a empresa Silva & Silva Materiais de Construção compra uma tonelada de cimento para o seu estoque, consegue vender e paga a dívida antes do prazo, ela pode ter um desconto do fornecedor. Logo, o desconto vai para o caixa da empresa. Mas se ocorre o contrário – a empresa não consegue cumprir seu compromisso com o fornecedor – certamente ela terá que desembolsar um valor maior por conta dos juros decorrentes do atraso no pagamento. Desta forma, o resultado financeiro pode ser tanto positivo quanto negativo. Será negativo quando as despesas financeiras forem superiores às receitas financeiras. Positivo quando ocorrer o inverso, ou seja, as receitas forem superiores às despesas. Após as despesas operacionais, é calculado o lucro operacional que é o resultado da equação: LUCRO BRUTO - DESPESAS OPERACIONAIS +/- RESULTADO FINANCEIRO = LUCRO OPERACIONAL Posteriormente ao lucro bruto apresentam-se as despesas e as receitas não operacionais que, segundo Iudícibus, Martins e Gelbcke (2007), são consideradas gastos, bem como receitas operacionais, atividades acessórias do objeto da empresa. São alguns exemplos de outras receitas não operacionais: venda de ativo imobilizado e ganhos com investimentos. As despesas não operacionais podem ocorrer pela baixa ou venda de um ativo imobilizado e perdas do investimento, entre outras. Nas últimas linhas da Demonstração do Resultado, apresentam-se as provisões para imposto de renda e contribuição social, como segue: LUCRO OPERACIONAL - IRPJ - CSLL Capítulo 2 59 Contabilidade Básica II Esses tributos são calculados diretamente sobre o lucro da empresa ou por estimativa de suas vendas brutas, dependendo de sua forma de tributação. Mas como é calculado o imposto já que a empresa trabalha com estimativas de resultados? A grande maioria das empresas opta pelo sistema do lucro real. Isto quer dizer que terão que pagar imposto de renda e contribuição social apenas se obtiveram lucro ao final do exercício (anual ou trimestral). As instituições que escolhem a tributação pelo lucro presumido terão os impostos calculados trimestralmente, independente do lucro no exercício, uma vez que as bases de cálculo desses dois tributos são as vendas brutas. Mas atenção! As empresas optantes pelo Simples Nacional não terão ao final da Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) as linhas que cabem ao imposto de renda e contribuição social, uma vez que essa empresa, em vez de apurar os oito tributos abrangidos pelo regime unificado (IRPJ, IPI, CSLL, COFINS, PIS/PASEP, Contribuição Previdenciária Patronal, ICMS e ISS) separadamente, apura os valores devidos em um único aplicativo de cálculo, que gera uma única guia de pagamento, denominada DAS (Documento de Arrecadação Simplificado) e sua provisão é comprovada no grupo deduções da receita bruta na Demonstração do Resultado do Exercício. Contudo, ao final, a Demonstração do Resultado do Exercício evidencia o resultado econômico da entidade, ou seja, o lucro líquido ou prejuízo, como segue: LUCRO OPERACIONAL - IRPJ - CSLL = LUCRO LÍQUIDO O art 178 da Lei 11.638/07 determina que o lucro deve ser totalmente destinado para capitalização ou distribuição, não podendo permanecer na conta lucros acumulados. Mas fique atento porque o artigo também prevê que poderá existir a conta prejuízos acumulados. Você teve uma prévia sobre prejuízo, item que faz parte da DRE. Agora você vai saber sobre o lucro, seus conceitos e destino. Segundo Marion (2008), o lucro líquido é a sobra à disposição dos proprietários (sócios ou acionistas). A figura a seguir mostra que o lucro deve ser Capítulo 2 60 Contabilidade Básica II distribuído entre os acionistas da empresa, embora isso nem sempre aconteça. Você já sabe que o lucro de uma empresa é apurado na Demonstração do Resultado do Exercício. Este número (se o resultado for positivo) deve ser destinado ao grupo do Patrimônio Líquido ou distribuído, parcialmente ou não, conforme a disponibilidade de caixa da empresa. Mas o fato de aparecer no item lucro na DRE não quer dizer que ele vá para o bolso do dono. Há dados que precisam ser considerados antes de destinar este valor. Ressalto que não se deve distribuir lucro se a empresa não tiver dinheiro em caixa. Destaco ainda que, com o adventodas novas práticas contábeis, o lucro não mais poderá ser deixado na conta Lucros Acumulados. Deverá ser destinado ao item reservas ou aos sócios. Você deve estar se perguntando: e quando o resultado for negativo? Bem, daí poderá ser compensado com possíveis reservas no Patrimônio Líquido, as quais são constituídas para esse fim, compensado com a própria conta capital social ou permanecer na conta prejuízos acumulados. Contudo, a Demonstração de Resultado do Exercício representa a situação econômica da empresa, ou seja, as receitas, despesas, lucro ou prejuízo. Tanto as receitas quanto as despesas devem ser apresentadas de forma sintética, porque existem outras contas analíticas que detalham a sua composição. É importante ficar atento porque a Demonstração do Resultado do Exercício acontece de forma dedutiva, seguindo uma ordem para o reconhecimento das contas, começando pelas vendas brutas até a apuração do resultado final do exercício. A figura a seguir é a representação gráfica da operação. Perceba que para fazer uma DRE é preciso isolar receitas e despesas para então proceder à demonstração. Figura 4 – O lucro pode ser distribuído entre os acionistas ou reinvestido na empresa Fonte: Yuralaits Albert <www.shutterstock.com> Capítulo 2 61 Contabilidade Básica II Figura 5 – A DRE segue uma ordem para reconhecimento das contas Fonte: naipung <www.shutterstock.com> Caro aluno, a Demonstração do Resultado do Exercício é um resumo ordenado das receitas e despesas da entidade em determinado período. Sua apresentação é de forma dedutiva e na vertical, ou seja, das receitas subtraem- se os custos e as despesas. O resultado deste cálculo indica a performance do exercício (lucro ou prejuízo). Diante do que foi apresentado até agora, você somou seus conhecimentos sobre a diferença entre o Balanço Patrimonial, estudado no capítulo 1, e a Demonstração do Resultado do Exercício, trabalhada neste capítulo. Vamos relembrar? LEMBRETE O Balanço patrimonial trata do patrimônio (bens, direitos e obrigações) das entidades e a DRE evidencia o resultado (lucro ou prejuízo) com as atividades operacionalizadas pela empresa (receitas, custos e despesas). Daqui para a frente você terá a oportunidade de estudar, de forma mais aprofundada, a apuração e as contas de resultado, ou seja, receitas, custos e despesas. Capítulo 2 62 Contabilidade Básica II 2.2.3 Receitas As receitas representam as entradas de recursos para o Ativo, decorrente das vendas de produtos, mercadorias e serviços e são classificadas como receitas operacionais e receitas não operacionais. Vamos ver a diferença entre as duas? • As receitas operacionais possuem relação com a atividade fim da empresa, como por exemplo, a venda de mercadoria; • as receitas não operacionais são originadas na atividade fim da empresa, como por exemplo: juros recebidos, ganho na venda de imobilizado, entre outros. CONCEITO De acordo com Sprouse e Moonitz (apud IUDÍCIBUS, 2009, p. 149), a “receita de uma empresa durante determinado período de tempo representa uma mensuração do valor de troca dos produtos (bens ou serviços) durante aquele período”. Para Iudícibus (2009), esta definição é uma das melhores, pois caracteriza o que é a receita, essencialmente, e dá margem a uma gama de formas pelas quais pode ser reconhecida, com destaque para o fato de que o mercado deverá validar o esforço desenvolvido pela empresa, atribuindo um valor de troca à produção de bens e serviços. Destaco que as receitas não operacionais são derivadas de uma atividade não operacional da entidade, mas que resulta no aumento do Patrimônio Líquido, ou seja, um ganho não operacional, como por exemplo, a venda de ativos, juros recebidos de clientes, ganhos com investimentos, entre outros. Segundo Iudícibus (2009), um ganho representa um resultado líquido favorável resultante de transações ou eventos não relacionados às operações normais do empreendimento. Capítulo 2 63 Contabilidade Básica II Ressalto que as vendas aumentam o Ativo (Balanço Patrimonial). As realizadas à vista elevam o Ativo por meio da Conta caixa. A comercialização a prazo aumenta o Ativo por meio da conta Duplicatas a receber. Contudo, as receitas, operacionais ou não operacionais, são benefícios econômicos gerados com o patrimônio registrado no Balanço Patrimonial. As receitas vêm das atividades da empresa as quais são oferecidas no mercado, independente da sua forma de recebimento. Quando a venda for realizada à vista, irá gerar uma entrada no caixa da empresa, e quando a prazo, gera um saldo no item contas a receber. Ambas as contas pertencem ao grupo do Ativo do Balanço Patrimonial. Portanto, o detalhamento das receitas da empresa é fundamental para uma análise futura das vendas por produto e, até mesmo, a carga tributária e o custo agregado às suas vendas. 2.2.4 Custos dos produtos vendidos e dos serviços prestados Os custos representam os gastos empenhados na realização da venda. Possivelmente, a grande dificuldade está na separação entre os recursos aplicados como custo e despesa. Para tanto, saiba que os custos possuem relação direta e visível com o produto ou o serviço que está sendo comercializado. Por exemplo: matéria- prima, energia consumida na produção, seguro da fábrica, mercadoria para revenda, mão de obra da produção, entre outros. Segundo Bruni (2007), custos estão diretamente relacionados ao processo de produção de bens ou serviços. A situação é diferente na denominação das despesas, que não possuem relação direta com o produto ou serviço, mas a entidade precisa dela. Por exemplo: mão de obra administrativa, energia consumida pela administração, seguro imóvel da administração, entre outros. Importante salientar que os custos são apurados conforme o controle de estoque de cada entidade, devendo seguir um sistema de inventário. Este sistema é classificado de três formas: Capítulo 2 64 Contabilidade Básica II • pEps – primeiro que entra é o primeiro que sai; • UEps – último que entra é o primeiro que sai; • Custo médio – média ponderada móvel. A sigla pEps significa primeiro que entra, primeiro que sai, também conhecida por FIFO, iniciais da frase inglesa first in, first out. Adotando este critério, a empresa atribuirá às mercadorias estocadas os custos mais recentes de aquisição. Assim, os estoques sempre estarão superavaliados, isto é, valorados pelo custo em relação às compras efetuadas. Quadro 1 – Modelo de controle de estoque pelo PEPS FiCHa DE ControlE DE EstoQUE mÉtoDo pEps mercadoria: peças Data DCto. EntraDas saÍDas salDos ope- ração nF Qtde. pço. Unit pço. total Qtde. pço. Unit. pco. total saldo Qtde. pço. Unit. pço. total 05.fev 234 100,00 10,00 1.000,00 100,00 10,00 1.000,00 Saldo 100,00 1.000,00 07.fev 239 100,00 11,00 1.100,00 - - - 100,00 10,00 1.000,00 100,00 11,00 1.100,00 Saldo 200,00 2.100,00 09.fev 1 50,00 10,00 500,00 50,00 10,00 500,00 100,00 11,00 1.100,00 Saldo 150,00 1.600,00 12.fev 2 50,00 10,00 500,00 12.fev 2 10,00 11,00 110,00 90,00 11,00 990,00 Saldo 90,00 990,00 15.fev 298 100,00 20,00 2.000,00 - - - 90,00 11,00 990,00 100,00 20,00 2.000,00 Saldo 190,00 2.990,00 20.fev 4 70,00 11,00 770,00 20,00 11,00 220,00 100,00 20,00 2.000,00 Saldo 120,00 2.220,00 TOTAL 300,00 4.100,00 180,00 1.880,00 120,00 2.220,00 Compras CMV Estoque Final Fonte: Voges (2011) Capítulo 2 65 Contabilidade Básica II O UEps (último que entra é o primeiro que sai) também conhecido como LIFO (last-in first-out) é um método de avaliar estoque bastante discutido. O custo do estoqueé obtido como se as unidades mais recentes adicionadas ao estoque (últimas a entrar) fossem as primeiras unidades vendidas (saídas – primeiro a sair). Pressupõe-se, deste modo, que o estoque final consiste nas unidades mais antigas e é avaliado ao custo das mesmas. Segue-se que, de acordo com o método UEPS, o custo dos artigos vendidos (saídas) tende a se refletir no custo dos artigos comprados mais recentemente (comprados ou produzidos). Também permite reduzir os lucros líquidos expostos (FERREIRA, 2007, p. 35). Esse método não é tão utilizado, pois dependendo do ramo de atuação a empresa poderá ter sérios prejuízos. Por exemplo: produtos hortifrutigranjeiros. Impossível priorizar a venda do que chegar por último. Quadro 2 – Modelo de controle de estoque pelo UEPS FiCHa DE ControlE DE EstoQUE mÉtoDo UEps mercadoria: peças Data DCto. EntraDas saÍDas salDos ope- ração nF Qtde. pço. Unit pço. total Qtde. pço. Unit. pco. total saldo Qtde. pço. Unit. pço. total 05.fev 234 100,00 10,00 1.000,00 100,00 10,00 1.000,00 Saldo 100,00 1.000,00 07.fev 239 100,00 11,00 1.100,00 - - - 100,00 10,00 1.000,00 100,00 11,00 1.100,00 Saldo 200,00 2.100,00 09.fev 1 50,00 11,00 550,00 100,00 10,00 1.100,00 50,00 11,00 550,00 Saldo 150,00 1.550,00 12.fev 2 50,00 11,00 550,00 12.fev 2 10,00 10,00 100,00 90,00 10,00 900,00 Saldo 90,00 900,00 15.fev 298 100,00 20,00 2.000,00 - - - 90,00 10,00 900,00 100,00 20,00 2.000,00 Saldo 190,00 2.900,00 20.fev 4 70,00 20,00 1.400,00 90,00 10,00 900,00 Capítulo 2 66 Contabilidade Básica II 30,00 20,00 600,00 Saldo 120,00 1.500,00 TOTAL 300,00 4.100,00 180,00 2.600,00 120,00 1.500,00 Compras CMV Estoque Final Fonte: Voges (2011) No custo médio, por sua vez, as mercadorias estocadas serão sempre valoradas pela média dos custos de aquisição, sendo estes atualizados a cada compra efetuada. Quadro 3 – Modelo de controle de estoque pelo custo médio FiCHa DE ControlE DE EstoQUE mÉtoDo CUsto mÉDio mercadoria: peças Data DCto. EntraDas saÍDas salDos ope- ração nF Qtde. pço. Unit pço. total Qtde. pço. Unit. pco. total saldo Qtde. pço. Unit. pço. total 05.fev 234 100,00 10,00 1.000,00 Saldo 100,00 10,00 1.000,00 07.fev 239 100,00 11,00 1.100,00 - - - Saldo 200,00 10,50 2.100,00 09.fev 1 50,00 10,50 525,00 15.fev 2 60,00 10,50 630,00 Saldo 90,00 10,50 945,00 15.fev 298 100,00 20,00 2.000,00 - - - Saldo 190,00 15,50 2.945,00 20.fev 4 70,00 15,50 1.085,00 Saldo 120,00 15,50 1.860,00 TOTAL 300,00 4.100,00 180,00 2.240,00 120,00 15,50 1.860,00 Compras CMV Estoque Final Fonte: Voges (2011) Perceba que nos quadros apresentados acima existe um controle sobre as entradas e saídas de mercadorias, apurando o real custo do produto adquirido e, posteriormente, vendido. Na coluna de saídas, aparece o custo apurado em cada mercadoria vendida e, também, o custo total das vendas. Na apuração do Resultado do Exercício os custos representam elementos negativos, diminuindo o lucro e, por consequência, o Patrimônio Líquido. Capítulo 2 67 Contabilidade Básica II Os custos diminuem o Ativo (Balanço Patrimonial) quando são pagos por meio das contas caixa ou bancos. E aumentam o Passivo (Balanço Patrimonial) quando realizado por meio de compras a prazo. SAIBA QUE Contudo, quando a entidade tem a necessidade de conhecer o seu real ganho sobre as vendas, é feita a relação entre as vendas realizadas e os custos incorridos na operação. Destaco que o custo tem relação direta com os produtos e serviços comercializados, logo, se não existir venda não existe custo, pois o produto ficou no estoque, sendo considerado um Ativo da empresa. 2.2.5 Despesas Agora vamos falar sobre as despesas, que são os gastos com a administração, não tendo qualquer relação com o produto ou serviço comercializado. São consideradas elementos negativos na apuração do resultado, mas necessárias ao processo. Conforme Iudícibus, Martins e Gelbcke (2007), os gastos operacionais são as despesas pagas ou incorridas para vender produtos e administrar a empresa. Estas despesas são necessárias para manter a instituição funcionando. Isso significa que, em qualquer entidade ativa, indiferente de sua atividade, se for comércio, indústria ou prestação de serviços, terá na Demonstração de Resultado alguma despesa operacional. Os gastos aplicados na elaboração do produto são denominados custos. Mas quando o produto está pronto para ser comercializado os gastos passam a ser denominados como despesas. Fique atento para esta mudança de nomenclatura. Afirmam Iudícibus, Martins e Gelbcke (2007) que as despesas de vendas representam os gastos de promoção, colocação e distribuição dos produtos da empresa, bem como os riscos assumidos pela venda. Estes gastos são Capítulo 2 68 Contabilidade Básica II necessários para manter ou ampliar o volume de vendas dentro daquilo que é estabelecido pela empresa. Mas atenção! Eles não fazem parte da composição do produto e, por este motivo, são classificados como despesa e não custo. São alguns exemplos de despesas com vendas: • salários; • encargos do pessoal da área de vendas; • comissões sobre vendas; • propaganda e publicidade; • garantia de produtos, entre outros. Cabe também citar que as despesas administrativas, como o próprio nome já diz, são aquelas necessárias para administrar a empresa. Segundo Iudícibus, Martins e Gelbcke (2007), elas representam os gastos, pagos ou incorridos, para direção ou gestão da empresa, envolvendo várias atividades gerais que beneficiam todas as fases do negócio ou objeto social. São alguns exemplos de despesas administrativas: • honorários da administração; • salários e encargos do pessoal da área administrativa; • despesas judiciais; • material de escritório, entre outras. Contudo, o confronto entre os elementos positivos (receitas) e os elementos negativos (custos e despesas) dão o Resultado do Exercício, podendo ser positivo (lucro), quando as receitas forem maiores do que os custos e despesas, ou negativo (prejuízo), quando as receitas forem menores do que os custos e despesas. Aqui é oportuno destacar que pode ocorrer também uma situação nula, onde as receitas são iguais a soma dos custos e despesas. Ainda, diante dos conceitos sobre as contas de resultados expostos até o momento, proponho o estudo sobre a técnica contábil de encerramento das contas de receitas, custos e despesas. Vamos em frente! Encerramento das contas de resultado Depois de efetuada toda a movimentação contábil, ou seja, compra, venda, recebimento, pagamento, entre outros, você deve fazer o encerramento das contas para, então, apurar o Resultado do Exercício. Capítulo 2 69 Contabilidade Básica II Deve-se então proceder da seguinte forma: • apurar o saldo individual das contas; • transferir o saldo das contas de receita para a conta Apuração do Resultado do Exercício, por meio do lançamento de débito na conta de receita e crédito na conta de Apuração do Resultado do Exercício; • transferir o saldo das contas de custos/despesas para a conta Apuração do Resultado do Exercício, por meio do lançamento de débito na conta de Apuração do Resultado do Exercício e crédito nas contas de custos/despesas; • calcular o saldo final da conta Apuração do Resultado do Exercício. No caso de saldo positivo (lucro) transferir para a conta de lucros com o lançamento de débito na conta de Apuração do Resultado do Exercício e crédito na conta de lucro. Caso o resultado seja negativo (prejuízo), fazer lançamento inverso. A partir deste momento, as contas foram encerradas e o BalançoPatrimonial também já pode ser finalizado. Termino aqui o capítulo 2, onde apresentei os vários aspectos que envolvem a elaboração e a análise do Balanço Patrimonial. Até agora você conheceu a teoria. Então, vamos praticar? 2.3 Aplicando a teoria na prática Para exercitar o que você conheceu neste capítulo, vamos analisar um caso que poderíamos intitular “O registro da compra e venda de mercadoria”. Vamos lá. A Sra. Maria Clara observou que alguma coisa tinha de errado na administração de sua floricultura. Ao tentar entender o Balanço Patrimonial do último exercício, entregue por seu contador, percebeu que as algumas contas não estavam fechando. Decidiu então fazer uma consulta ao profissional, a fim de obter respostas para suas temidas dúvidas. Na conversa, Maria Clara questionou onde estaria o dinheiro do caixa tão elevado apresentado no balanço do último exercício, e por que o lucro apurado não fechava com o saldo de caixa. Capítulo 2 70 Contabilidade Básica II Você saberia explicar o motivo à Sra. Maria Clara? Caro aluno, perceba que a dificuldade encontrada foi causada pelo desconhecimento dos conceitos de Lucro Contábil e Lucro Financeiro. O lucro Financeiro é o resultado apurado entre as entradas e saídas de dinheiro em caixa, resumindo no saldo final de caixa ou ainda, a aplicação do Regime de Caixa. Já o lucro Contábil evidencia o resultado de todas as operações realizadas, incluindo as contas a pagar e as contas a receber, adotando o Regime Competência. Por este motivo se dá a importância do contador frente ao seu cliente nas tomadas de decisões, conhecendo o negócio e corroborando com informações importantes para o empresário. 2.4 Para saber mais título: Contabilidade comercial: atualizado conforme a Lei n° 11.638/07 e Lei n° 11.941/09 Autores: IUDíCIBUS, S.; MARION, J. C. Editora: Atlas Ano: 2010 Nesta obra os autores abordam de forma completa o tema as novas normas e práticas contábeis. Vale a pena a leitura e os estudos! site: Portal da Contabilidade URL: <http://www.portaldecontabilidade.com.br/> Vários pontos abordados neste capítulo podem ser encontrados neste site. Aprofunde o conhecimento adquirido! 2.5 Relembrando Neste capítulo, você aprendeu que: • são vários os elementos estruturais e conceituais da Demonstração do Resultado do Exercício (DRE); • existe uma técnica contábil para a apuração do Resultado do Exercício; Capítulo 2 71 Contabilidade Básica II • são inúmeros os elementos necessários para a mensuração e o reconhecimento dos fatos administrativos diante da DRE; • há uma grande diferença entre o Lucro Financeiro (Regime de Caixa) e Lucro Contábil (Regime de Competência); • o Lucro Financeiro é o resultado apurado entre as entradas e saídas de dinheiro em caixa, resumindo no saldo final de caixa; • o Lucro Contábil evidencia o resultado de todas as operações realizadas, incluindo as contas a pagar e as contas a receber; • a contabilidade assume um papel importante na tomada de decisões devido a sua amplitude de controle e registros. 2.6 Testando os seus conhecimentos Agora, por meio das atividades acadêmicas propostas a seguir, você irá colocar em prática o conteúdo estudado. Procure refletir sobre as questões e responder a partir de seu entendimento. 1) A seguir estão mencionadas as movimentações da empresa Gráfica Flores, organizada em 1º de agosto de 2010. 01/08/2010 – integralização de capital em dinheiro no valor de R$ 70.000,00; 04/08/2010 – aquisição de uma sala comercial para sede da empresa no valor de 50.000,00 à vista; 05/08/2010 – recebimento de R$ 2.200,00 por realização de serviços; 11/08/2010 – pagamento de R$ 800,00 de aluguel de um caminhão; 15/08/2010 – compra de móveis e utensílios a prazo por R$ 2.000,00; 23/08/2010 – pagamento de R$ 200,00 de despesas com propaganda; 25/08/2010 – recebimento de R$ 3.520,00 por serviços prestados; 30/08/2010 – pagamento de R$ 2.000,00 de salários; 30/08/2010 – pagamento de R$1.900,00 de energia elétrica. Capítulo 2 72 Contabilidade Básica II Resolva a atividade seguindo a ordem: a) lançar todas as operações nos razonetes; b) apurar os saldos de todas as contas; c) transferir para a conta de Apuração do Resultado do Exercício o saldo das contas de receitas, custos e despesas; d) transportar o saldo da conta de Apuração do Resultado do Exercício para o Patrimônio Líquido; e) elaborar o Balanço Patrimonial e a Demonstração do Resultado do Exercício. Onde encontrar BRUNI, A. L. Gestão de custos e formação de preços. São Paulo: Atlas, 2007. BRASIL. lei nº 11.638 de 28 de dezembro de 2007. Altera e revoga dispositivos da Lei. 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e da Lei 6.385, de 7 de dezembro de 1976, e estende às sociedades de grande porte disposições relativas à elaboração e divulgação de demonstrações financeiras. Disponível em:<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/lei/l11638. htm>. Acesso em: 23 ago. 2011. FERREIRA, J. A. Custos industriais: uma ênfase gerencial. São Paulo: Editora STS, 2007. IUDÍCIBUS, S. teoria da contabilidade. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2009. ______; MARION, J.C. introdução à teoria da contabilidade. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2002. ______; MARTINS, E.; GELBCKE, E. R. manual de contabilidade das sociedades por ações. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2007. MARION, J. C. Contabilidade básica. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2008. Capítulo 2 73 Contabilidade Básica II ______; SANTOS, M. C. O perfil do futuro profissional e sua responsabilidade social: os dois lados de uma profissão. Disponível em: <http://www. marion. pro.br/portal/modules/wfsection/article.php?articleid=8>. Acesso em: 23 ago. 2011. Capítulo 2 74 Contabilidade Básica II Capítulo 3 75 Contabilidade Básica II DEmonstração DE lUCros oU prEjUÍZos aCUmUlaDos CAPÍTULO 3 3.1 Contextualizando Prezado aluno! Neste capítulo apresentarei a você as técnicas de elaboração da Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados, também conhecida pela sigla DLPA. Sua estrutura segue uma forma resumida que evidencia a distribuição do resultado ao final, ou Lucro Líquido, de cada exercício social. Diante do contexto apresentado pela DLPA, reportando apenas a análise da distribuição do resultado, este capítulo também abordará as novas normas práticas contábeis atribuídas a esta demonstração, objetivo de nossos estudos. Portanto, você estudará o conteúdo e forma de elaboração, a Apresen- tação, a origem das parcelas da Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados e sua substituição pela Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido. Ao fim deste capítulo, você será capaz de: • selecionar os elementos estruturais e conceituais da Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados; • identificar os elementos envolvidos na distribuição do Lucro Líquido do exercício social; • discernir os elementos necessários para mensuração e reconhecimento dos fatos administrativos diante da Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados. Bom estudo! Capítulo 3 76 Contabilidade Básica II 3.2 Conhecendo a teoria Nos capítulos anteriores você estudou a estruturação do patrimônio das entidades até a elaboração do Balanço Patrimonial. Aprendeu também a metodologia de apuração do resultado do exercício e sua estruturação na Demonstração do Resultado do Exercício. Agora chegou a hora de estudar os conceitos e técnicas de distribuição do Lucro Líquido por meio da Demonstração de Lucro e Prejuízos Acumulados (DLPA). Como você pode observar, os capítulos seguem um roteiro criado para facilitar a compreensão dos conteúdos trabalhados. Mas sua participação e envolvimentosão fundamentais para o melhor aproveitamento da disciplina e consequente capacitação profissional. Então, vamos começar? O lucro gerado pela entidade pertence exclusivamente aos sócios e sua distribuição obedece algumas regras. Mas se a empresa não tiver disponibilidade financeira, o lucro não pode ser distribuído. O dinheiro – que supostamente seria o lucro – deve ser usado para custear as despesas. Como você vê, temos um grande desafio pela frente. Enquanto o Balanço Patrimonial assume um papel importante no processo de tomada de decisão por evidenciar a situação financeira da entidade, ou seja, a sua disponibilidade financeira e de endividamento, a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) auxilia na análise da situação econômica da empresa, pois mostra a situação de ganho ou perda em suas atividades operacionais. Já a Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA) apresenta a distribuição do resultado do exercício social, ou seja, de que forma será repartido o Lucro Líquido. De forma simplificada, podemos dizer que a DrE demonstra de que forma a empresa atingiu o resultado, enquanto a Dlpa evidencia de que forma este resultado foi distribuído. De acordo com Ribeiro (2010), a Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA) é um relatório contábil que mostra a destinação do Lucro Líquido apurado no final de cada exercício social. Capítulo 3 77 Contabilidade Básica II Entretanto, a Lei Federal n° 11.638, 28 de Dezembro de 2007, que conduz as Sociedades Anônimas por Ações e as demais sociedades, estabelece em seu Art. 178 a exclusão da conta Lucros ou Prejuízos Acumulados do grupo Patrimônio Líquido, porém, a Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA) era utilizada para evidenciar as mutações ocorridas nessa extinta conta. Sendo assim, todo o Lucro Líquido apurado, no final de cada exercício social, deve ser destinado à compensação de prejuízos anteriores, à distribuição de dividendos e à constituição de reservas. Portanto, a Lei Federal n° 11.638, 28 de Dezembro de 2007 não alterou o Art. 186 que trata da Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados, logo a DLPA deve continuar sendo elaborada mesmo com a conta de Lucro Acumulados extinta. 3.2.1 Conteúdo e forma de elaboração A Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA) deve ser estruturada observando-se o Art. 186 da Lei nº 6404/76 alterada pela Lei Federal n° 11.638, 28 de Dezembro de 2007, como segue: Art 186. A Demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados discriminará: I - o saldo do início do período, os ajustes de exercícios anteriores e a correção monetária do saldo inicial; II - as reversões de reservas e o Lucro Líquido; III - as transferências para reservas, os dividendos, a parcela dos lucros incorporada ao capital e o saldo ao fim do período. Perceba que o inciso I ainda trata da correção monetária das demonstrações financeira foi revogado, inclusive para fins societários, desde 1º de Janeiro de 1996 pelo Art. 4º da Lei nº 9.429 de 1995. O § 1º do Art 186, citado anteriormente, estabelece que os ajustes de exer- cício anteriores sejam considerados aqueles decorrentes de efeitos da mudança de critério contábil, ou ainda a retificação de um erro imputável determinado no exercício anterior, e que não possa ser atribuído a fatos subsequentes. Capítulo 3 78 Contabilidade Básica II Mas atenção: os ajustes de exercícios anteriores devem ser realizados com muito critério sempre observando a legislação vigente e, principalmente, apresentados em Notas Explicativas no encerramento do exercício social. Quanto à mudança de critério contábil que seja desaconselhada, pelo fato de ir contra a convenção contábil da consistência, toda a modificação que gerar um benefício à situação patrimonial da entidade, deverá ser realizada. Podemos vislumbrar o que observa Iudícibus (2009, p. 64) quanto à convenção contábil da consistência: Caracteriza-se com um conceito de que, desde que tenhamos adotado certo critério, entre vários outros que poderiam ser válidos à luz dos princípios contábeis, não deveria ele ser alterados nos relatórios periódicos, a não ser que absolutamente necessário desde que a alteração de critério e os efeitos que possa ter acarretado na interpretação por parte dos usuários das tendências e dos resultados da empresa sejam evidenciados. Além de tudo, tais mudanças de critérios contábeis não podem acontecer a todo instante, ou seja, em todo exercício social, salienta Iudícibus (2009, p. 64) quando trata que consistência não significa uniformidade nos procedimentos contábeis de uma empresa para outra, mas é entendida no sentido de que certa empresa utilizou critérios consistentes [...], a fim de que a comparabilidade seja assegurada, pelo menos dos dois últimos exercícios. Partindo disso, para esclarecer melhor o assunto, podemos citar como exemplo de mudança de critério contábil a alteração do método de avaliação de estoque de PEPS (Primeiro que Entra é o Primeiro que Sai) para UEPS (Último que Entra é o Primeiro que Sai), ou ainda, alteração do método de cálculo da depreciação convencional para a depreciação acelerada, modificação no método de avaliação dos investimentos, entre outras. Ainda tratando do § 1º do Art 186, da Lei nº 6404/76, alterada pela Lei Federal n° 11.638, 28 de Dezembro de 2007, a retificação de um erro imputável diz respeito apenas aos erros de exercícios anteriores, os quais não podem ser atribuídos no exercício atual. Capítulo 3 79 Contabilidade Básica II Segundo Ribeiro (2010, p. 93), “os erros de escrituração que normalmente ocorrem, sujei- tando-se a ajustes dessa natureza referem-se a erros de cálculo, omissão de lançamentos, erros de avaliação de estoque etc.”. As correções e ajustes devem fazer parte das Notas Explicativas do exercício em que foram constatados. SAIBA QUE Os erros de exercícios anteriores identificados e devidamente corrigidos devem fazer parte das demonstrações contábeis do exercício em que foram constatados, não afetando as demonstrações dos exercícios anteriores, já encerradas e publicadas. Após a realização de todos os ajustes de exercícios anteriores necessários apura-se, então, o Lucro Líquido. Normalmente, apenas uma parte do Lucro Líquido é distribuída aos sócios, em forma de dividendos. Já a outra parte é retida pela empresa sendo reinves- tida no próprio negócio. Então, a destinação do Lucro Líquido é evidenciada por meio da Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA). Logo, a parte do Lucro Líquido retida pela empresa, ou seja, não distribuída aos sócios, pode ser utilizada para aumentar o Capital ou ainda a constituição de Reservas. Porém, a parte do Lucro Líquido não distribuído aos sócios e não empregada no aumento de Capital e na constituição das Reservas deve ser alocado na conta de Lucros Acumulados. A conta de Lucros ou Prejuízos Acumulados é uma conta do grupo Patrimônio Líquido (PL) que suporta o somatório de todos os resultados obtidos no decorrer dos exercícios. Quando a empresa obtém um resultado positivo (lucro) a conta de Lucros ou Prejuízos Acumulados é creditada com o aumento dos lucros. Já na ocorrência de um resultado negativo (prejuízo) a conta de Lucros ou Prejuízos Acumulados será debitada reduzindo-se os lucros. Cabe destacar ainda que o grupo do Patrimônio Líquido (PL) comporta os investimentos dos sócios mais o retorno apurado por este. Segundo Iudícibus Capítulo 3 80 Contabilidade Básica II (2010, p. 221), “o PL representa os investimentos dos proprietários (capital) mais o lucro acumulado [...]”. Portanto, esta prática de acumulação dos lucros e prejuízos não é maispossível para as Sociedades Anônimas, conforme a Lei Federal n° 11.638, 28 de Dezembro de 2007, pois ela exige que o saldo desta conta seja zerado em cada exercício social, isto é, o lucro deve ser distribuído no mesmo exercício social em que foi gerado. Contudo, embora a Lei Federal n° 11.638, 28 de Dezembro de 2007 tenha excluído a conta de Lucros Acumulados para as Sociedades Anônimas, mesmo assim a Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados deve ser elaborada para que se mantenha a transparência da canalização do Lucro Líquido. Perceba, na representação gráfica a seguir, a metodologia aplicada para a canalização do Lucro Líquido diante das Demonstrações Contábeis: Quadro 1 – Canalização do Lucro Líquido diante das demonstrações contábeis BAlAnço PAtrimoniAl Ativo PAssivo 31/12/x0 31/12/x1 patrimônio líquido lucros acumulados 200,00 500,00 DEmonstração Do rEsUltaDo Do ExErCÍCio – DrE – 20x1 receita (-) Custos = Lucro Bruto (-) Despesas Lucro Líquido 700,00 Dlpa saldo em 31/12/x0 (+) Lucro Líquido = Lucro Disponível (-) Dividendos saldo em 31/12/x1 200,00 700,00 900,00 (400,00) 500,00 Fonte: Iudícibus (2010, p. 239) Capítulo 3 81 Contabilidade Básica II Caso a empresa apresente prejuízo, este deve ser acrescentado à conta de Prejuízo Acumulados e também evidenciado na Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA). Prezado aluno, no tópico a seguir será detalhada a estrutura da Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados a fim de facilitar o entendimento sobre esse assunto. 3.2.2 Forma de apresentação O Art 186, da Lei nº 6404/76, alterado pela Lei Federal n° 11.638, 28 de Dezembro de 2007, dispõe sobre a forma como deve ser apresentada a Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados, considerando que, para as Sociedades Anônimas, o saldo da conta de lucros acumulados deve ser zerado. Diante disto, alguns autores defendem a substituição da Demonstração de Lucros ou Prejuízo Acumulados (DLPA) pela Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL), que será estudada nos capítulos seguintes devido a sua ampliação da análise por todo o grupo de Patrimônio do Líquido, e não apenas na conta de Lucros ou Prejuízos Acumulados. A Demonstração de lucros ou prejuízo acumulados (Dlpa) evidencia especificamente a conta de Lucros ou Prejuízos Acumulados. A Demonstração das mutações do patrimônio líquido (Dmpl) apresenta a movimentação de todo o grupo de Patrimônio Líquido. SAIBA QUE Afirma Marion (2009) que devido à riqueza de informações, o ideal seria a substituição da Demonstração de Lucros ou Prejuízo Acumulados pela Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquidos. O mesmo também também assegura Iudícibus (2010) ao defender que a Demonstração de Lucros ou Prejuízo Acumulados pode ser substituída pela Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido. Capítulo 3 82 Contabilidade Básica II Contudo, mesmo diante das afirmações acima, é necessário destacar que a Lei Federal n° 11.638, 28, de dezembro de 2007, não extinguiu a Demonstração de Lucros ou Prejuízo Acumulados. Para a elaboração da Demonstração de Lucros ou Prejuízo Acumulados é preciso que seja feita a coleta de dados diretamente do Livro Razão das contas envolvidas. Para tanto, no quadro a seguir apresento a estrutura da Demonstração de Lucros ou Prejuízo Acumulados, conforme Iudícibus (2010). Quadro 2 – Estrutura da Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA) DEmonstração Dos lUCros E prEjUÍZos aCUmUlaDos (Dlpa) saldo de lucros acumulados no início do exercício (31/12/x0) (+/-) Ajustes de Exercícios Anteriores (+) Reversão de Reservas (+) Lucro Líquido do Exercício Lucro Total Disponível (-) Transferência para a Reserva de Lucros a) Reserva Legal a) Reserva Estatuária a) Reserva para Contingências a) Retenção de Lucros (reserva orçamentária) a) Reserva de Lucros a Realizar (-) Dividendos saldo de lucros acumulados no final do exercício (31/12/x1) Fonte: Iudícibus (2010, p. 240) Como você pode observar, a Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA) também é apresentada de forma dedutiva e vertical, assim como a Demonstração do Resultado do Exercício. Sua constituição parte do saldo inicial da conta de Lucros Acumulados passando por todas as possibilidades de destinação do Lucro Líquido apurando, ao final, o saldo de Lucros acumulados do Exercício Social. Então, prezado aluno, para que você compreenda o tema que estamos trabalhando, vou esmiuçar cada conta envolvida com a destinação do Lucro Líquido do Exercício Social. Esse detalhamento será apresentado no tópico a seguir. Preste atenção! Capítulo 3 83 Contabilidade Básica II 3.2.3 Origem das parcelas Certas parcelas são deduzidas do Lucro Líquido e destinadas a certos fins específicos, denominadas contabilmente de Reservas e Dividendos. As reservas têm um papel importantíssimo nas Sociedades Anônimas e são a garantia aos acionistas de que o Lucro Líquido será destinado corretamente, pois são previstas no Estatuto Social da companhia. Diante do Lucro Líquido apurado, a administração da companhia apresentará aos seus acionistas, em Assembleia Geral, o destino do Lucro Líquido do Exercício Social. Segundo Iudícibus (2010, p. 241), “os órgão administrativos, na proposta sobre a destinação do lucro apresentada da DLPA, constituem reservas e provisão de dividendos, baseando-se nos estatutos das empresas e na Lei das Sociedades por Ações”. Figura 1 – Destinação do Lucro Líquido Compensação de Prejuízos Anteriores Capitalização Distribuição de Dividendos Formação de Reserva de Lucros Lucro Líquido do Exercício Fonte: Neves (2007, p. 128) Portanto, Neves (2007, p. 128) define Reservas de Lucros como “[..] as contas constituídas pela apropriação de lucros da companhia”. Ainda detalha que estas “[...] representam lucros reservados e constituem garantia e segurança adicional para a saúde financeira da companhia [...]”. A constituição das reservas altera os saldos apenas na composição das contas do Patrimônio Líquido, não modificando o seu valor total. Capítulo 3 84 Contabilidade Básica II A contabilização das reservas acontece da seguinte forma: Débito: Lucros Acumulados (PL) Crédito: Reserva de Lucro (PL) Entretanto, destaco que são tipos de reservas de lucros conforme a Lei nº 6.404/76 alterada pela Lei Federal n° 11.638, 28 de dezembro de 2007, os itens a seguir. Vamos conhecê-los? Reserva Legal (Art. 193) A Reserva Legal tem por finalidade assegurar a integridade do Capital Social, devendo ser utilizada apenas para compensar prejuízos ou aumentar o capital. Sua base cálculo conforme Iudícibus (2010, p. 241), “do Lucro Líquido do exercício, 5% (cinco por cento) serão aplicados, antes de qualquer destinação na constituição da Reserva Legal, que não excederá a 20% (vinte por cento) do Capital Social”. Segundo Neves (2007, p. 139), esta reserva não precisará ser constituída quando: 1º limite (obrigatório): o seu saldo atingir a 20% do valor de Capital Social. A Reserva Legal não poderá exceder este limite, cuja observância, pela companhia, é obrigatória; 2º limite (facultativo): o seu saldo, antes da constituição referente ao exercício em curso, somado ao montante das reservas de capital, atingir 30% do Capital Social. A companhia poderá deixar de constituir a reserva caso este limite seja atingido, cuja observância é, pois facultativa. Neste momento, faz-se necessária a explicação da existência de Reservas de Capital, constituídas a partir de capital de terceiros e não de lucros. Neves (2007), cita como exemplo a seguir deconstituição de Reserva de Lucro: Capítulo 3 85 Contabilidade Básica II Quadro 3 – Exemplo de composição do Patrimònio Líquido COMPOSIÇÃO DO PATRIMòNIO LÍQUIDO patrimônio líquido – saldo em 31/12/20x2) Capital Social Outras Reservas de Capital Reserva Legal Outras Reservas de Lucros 60.000,00 10.200,00 8.000,00 6.000,00 Fonte: Neves (2007) Seguindo as orientações contidas no art. 193 da Lei nº 6404/76 alterada pela Lei Federal n° 11.638, 28 de Dezembro de 2007, denota-se que a companhia com um Capital Social de R$ 60.000,00 terá um valor máximo de reserva de R$ 2.500,00 ( 60.000 x 5%). Então, para a constituição do 1º limite obrigatório, temos: 20% de 60.000,00 = 12.000,00 Saldo da reserva de 8.000,00 (+) 2.500,00 = 10.500,00 (limite não atingido) Já para o cálculo 2º limite facultativo, temos: 30% de 60.000,00 = 18.000,00 Saldo da reserva de 8.000,00 (+) outras reservas 10.200,00 = 18.200,00 (limite atingido) Para facilitar o entendimento, Neves (2007) traz um diagrama de sugestão do ex-aluno e AFRF Augusto Roos: Capítulo 3 86 Contabilidade Básica II Quadro 4 – Resumo do diagrama de possibilidades DiaGrama DE possiBiliDaDEs se A somA reservA legAl 1a p o ss ib ili d ad e Não atinge o 1º limite Não atinge o 2º limite Constituição obrigatória pelo máximo (5% do Lucro Líquido do exercício) Não atinge o 1º limite Atinge o 2º limite Constituição opcional e, caso efetuada, pelo máximo (5% do Lucro Líquido do exercício) 2a p o ss ib ili d ad e Não atinge o 1º limite Atinge o 2º limite Constituição opcional; se feita, pelo valor máximo do 1º limite (= teto = 20% do Capital Social) Atinge o 1º limite (teto) Não atinge o 2º limite Constituição obrigatória até o teto (20% do Capital Social) Fonte: Neves (2007, p. 131) Com os dados apresentados anteriormente, você pode concluir que, neste caso, a companhia não está obrigada a constituir Reserva Legal, mas se resolver constituí-la, deverá utilizar o valor máximo da reserva de 2.500,00. A contabilização seria da seguinte forma: Débito: Lucros Acumulados (PL) Crédito: Reserva Legal .................................... 2.500,00 Sendo assim, pode-se concluir que para verificar se a Reserva Legal deve ser constituída e qual o valor, basta realizar a seguinte análise: • cálculo do percentual máximo fixado por lei (5% do Lucro Líquido do exercício); • com o resultado do 5% soma-se com as reservas já constituídas em exercícios anteriores e, então, compara-se com o valor máximo permitido por lei no que diz respeito ao teto de 20%, correspondente ao Capital Social. Capítulo 3 87 Contabilidade Básica II Portanto, prezado aluno, dentre as reservas de lucros, a Reserva Legal é a mais polêmica por necessitar de muitos detalhes para a sua constituição. Aproveito então para convidá-lo a estudar as demais Reservas de Lucro. Reservas Estatutárias (art. 194) As Reservas Estatutárias devem ser previstas no Estatuto da companhia de modo claro, completo e preciso, fixando seus critérios e estabelecendo seus limites. Segundo o art. 194 da Lei das Sociedades por Ações, o Estatuto poderá crias reservas desde que indique, para cada uma, de modo preciso e completo, a sua finalidade fixe os critérios para determinar parcela anual dos Lucros Líquidos que serão destinados à sua constituição e estabeleça o limite máximo de Reservas. Conforme Neves (2007), os tipos de reservas estatutárias são: reserva para aumento de capital, reserva para resgate de debêntures, reserva para resgate de partes beneficiárias e reserva de amortização de ações. Segundo Iudícibus (2010, p. 221), as reservas estatutárias são “as reservas estabelecidas pelo Estatuto da empresa, destinadas a fins específicos, tais como reserva para renovação de equipamentos, reserva para pesquisa de novos produtos etc.” Pressupondo-se que no Estatuto de determinada Companhia conste que 10% do Lucro Líquido do exercício será para renovação de equipamentos, diante de um Lucro Líquido de 3.000.000,00, terá a previsão de 300.000,00 para reserva estatutária. Segue o exemplo de contabilização: Débito: Lucros Acumulados (PL) Crédito: Reserva Estatuária ........................ 300.000,00 Capítulo 3 88 Contabilidade Básica II Reserva para Contingência (art. 195) Segundo o art. 195 da Lei das Sociedades por Ações, a Reserva para Contingência é parte do Lucro Líquido destinada à formação de reserva com a finalidade de compensar, em exercício futuro, a diminuição do lucro decorrente de perda julgada provável, cujo valor possa ser estimado. A constituição de Reserva de Contingência é opcional, mas se for realizada, a Lei das Sociedades por Ações afirma que a proposta dos órgãos da administração deverá indicar a causa da perda prevista e justificar, com as razões de prudência que a recomendem, a constituição de referida reserva. A situação de contingência é definida por Neves (2007, p. 135) como a “situação ou condição que pode surgir para a companhia, na qual há possibilidade de ocorrência de despesas ou perdas, cuja certeza de acontecimento é futura e discutível”. Neste caso podemos citar, como exemplo de situação de contingência, perdas futuras pela expectativa de queda nos preços de venda, previsão de lançamento de produtos pelos concorrentes, entre outras. Pressupondo-se que no Estatuto de determinada companhia conste que 8,5% do Lucro Líquido do exercício será destinado à Reserva de Contingência, diante de um Lucro Líquido de R$ 3.000.000,00 terá a previsão de 255.000,00 para Reserva de Contingência. Débito: Lucros Acumulados (PL) Crédito: Reserva de Contingência .............. 255.000,00 Logo, a reversão da referida reserva deve ser contabilizada quando as suas causas, no momento da constituição, não mais existirem. Portanto, a constituição ou reversão da Reserva de Contingência deverá constar em Nota Explicativa, identificando sua finalidade, origem e, também, a base de cálculo. Capítulo 3 89 Contabilidade Básica II Reserva Orçamentária (art. 196) A Reserva Orçamentária, prevista no art. 196 da Lei das Sociedades por Ações, diz respeito ao lucro destinado à expansão ou reservas para planos de investimentos. Segundo a Lei das Sociedades por Ações, fazem parte da Reserva Orçamentária as parcelas do Lucro Líquido que poderão ser retiradas para expansão da empresa quando prevista em orçamento de capital aprovado pela Assembleia Geral. Segundo Iudícibus (2010), as reservas orçamentárias são as reservas destinadas à expansão do Ativo Circulante ou Permanente prevista e aprovada em orçamentos. Entretanto, a Lei das Sociedades por Ações ainda orienta que o orçamento, submetido pelos órgãos da administração com a devida justificativa de retenção de lucros proposta, deverá compreender, também, todas as fontes de recursos e aplicação de capital, fixo ou circulante, e poderá ter a duração de até 5 (cinco) exercícios sociais, exceto no caso de execução, por prazo maior, de projeto de investimento. Pressupondo-se que a Assembleia Geral, de determinada companhia aprovou um projeto de investimento, em que serão retidos 6% dos lucros do exercício de R$ 3.000.000,00, justificados no orçamento de capital, tem-se a constituição de um reserva orçamentária de 180.000,00. Débito: Lucros Acumulados (PL) Crédito: Reserva Orçamentária .................. 180.000,00 A reversão da reserva orçamentária deverá ser destinada à conta de Lucros Acumulados quando cessar o período de expansão, podendo ser utilizada também para o aumento de capital ou para compensar prejuízos anteriores.Capítulo 3 90 Contabilidade Básica II Reserva de Lucros a Realizar (art. 197) Como já vimos em capítulos anteriores, na contabilização pelo Regime de Competência, a entidade apura um lucro contábil, mas na grande maioria das vezes não representa disponibilidade financeira. A constituição da Reserva de Lucros a Realizar está na intenção da entidade em evitar a distribuição de dividendos obrigatórios sobre a parcela do lucro contábil não realizado financeiramente. lucros a realizar são aqueles lucros ainda não concretizados financeiramente. SAIBA QUE Portanto, não seria justo pagar dividendos sobre a parcela não realizada financeiramente, caso contrário enfraqueceria a situação financeira da empresa. Por este motivo, a Reserva de Lucros a Realizar é optativa, deduzida do Lucro Líquido do exercício sendo revertida em Exercícios Sociais futuros, em que houver realização financeira e disponibilidade em caixa. Para Iudícibus (2010), a legislação societária admite esta reserva no exercício em que o montante de dividendo obrigatório ultrapassar a parcela realizada do Lucro Líquido do exercício. Neste caso, o excesso que ultrapassou a parcela realizada poderá ser destinado à constituição de Reserva de Lucros a Realizar. Ainda para Iudícibus (2010, p. 243), considera-se realizada a parcela do Lucro Líquido que exceder a soma dos seguintes valores: Capítulo 3 91 Contabilidade Básica II • aumento do valor de investimentos em coligadas e controladas. Quando os investimentos em coligadas e controladas são avaliados pelo Método de Equivalência Patrimonial (veja-se capítulo específico sobre o assunto), o valor do investimento (Permanente) cresce proporcionalmente ao Patrimônio Líquido da Coligada ou Controlada; • lucro, rendimento ou ganho líquido em operações ou contabilização de ativo e passivo pelo valor de mercado, cujo prazo de realização financeira ocorra após o término de exercício social seguinte. Segundo o exemplo de Iudícibus (2010), uma companhia que auferiu um Lucro Líquido de R$ 3.000,00 e gerou um dividendo obrigatório de R$ 900,00; apenas R$ 825,00 é Lucro Realizado e R$ 2.165,00 seja resultante da Equivalência Patrimonial (lucro não realizado). Neste caso, dividendos obrigatórios ultrapassam o valor R$ 65,00 (900 – 825) na parcela realizada, podendo-se constituir Reserva de Lucros a Realizar. Segue o exemplo de contabilização da Reserva de Lucros a Realizar: Débito: Lucros Acumulados (PL) Crédito: Reserva de Lucros a Realizar ............ 2.165,00 Conclui-se então que a constituição da Reserva de Lucros a Realizar está focada em manter a saúde financeira da entidade em determinado período, proporcionando uma visibilidade de saída de caixa futura, porque não seria correto pagar dividendos aos sócios sobre a parcela de lucro não realizada financeiramente. Isso pode enfraquecer a situação financeira da empresa. Dividendos Dividendo significa a parte do lucro que se destina aos acionistas da companhia. Nas sociedades limitadas não há legislação que imponha exigências quanto à constituição de dividendos. Segundo Neves (2007, p. 147), “há ampla liberdade quanto à política a ser adotada pelas empresas”. Capítulo 3 92 Contabilidade Básica II Já para as sociedades anônimas, a situação é bem diferente com regras estipulas pela Lei das Sociedades Anônimas. Afirma Neves (2010, p. 147) que “existem regras mínimas a serem seguidas, que podem inclusive constar no estatuto social da companhia”. “A partir da Lei das Sociedades por Ações observa-se a introdução do Dividendo mínimo obrigatório, com o objetivo básico de proteger os acionistas, sobretudo, os minoritários.” (IUDÍCIBUS, 2010, p. 244). SAIBA QUE Diante disto, todas as sociedades por ações passaram a determinar e distribuir uma parcela do Lucro Líquido na forma de dividendos para os acionistas. Discrimina Neves (2007, p. 147) que os Dividendos Obrigatórios são classificados dividendos estatutário e legal, como segue: • estatutário, quando a distribuição for efetuada segundo as regras estabelecidas no estatuto da companhias; • legal, quando o estatuto for omisso e a distribuição for efetuada segundo as normas estabelecidas no artigo 202 da Lei nº 6404/76. Segundo Iudícibus (2010, p. 244), se “o estatuto for omisso, os acionistas têm direito de receber como Dividendo Obrigatório a metade do Lucro Líquido Ajustado”. Logo, o Lucro Ajustado decorre do Lucro Líquido menos a constituição da reserva para contingências e reserva legal, como demonstrado no box a seguir: Lucro Líquido do Exercício (-) quota destinada à constituição de Reserva Legal (-) importância destinada à formação da Reserva de Contingência Fonte: adaptado de iudícibus (2010) Capítulo 3 93 Contabilidade Básica II Quanto ao Dividendo obrigatório, no modelo proposto por Iudícibus (2010), ao pressupor que determinada Companhia obteve um lucro de R$ 800.000,00, que há Reservas de Contingência no valor de R$ 50.000,00 e que o Estatuto não relata sobre dividendos, o cálculo do Dividendo Obrigatório acontecerá da seguinte forma: Quadro 5 – Apuração do lucro ajustado APURAÇÃO DO LUCRO AJUSTADO lucro líquido (-) Reserva Legal (800.000 x 5%) (-) Reserva de Contingência (=) Lucro Ajustado 50% do Lucro Líquido Ajustado (=) Dividendo Obrigatório 800.000,00 (40.000,00) (50.200,00) 710.000,00 x 50% 355.000,00 Fonte: adaptado de Iudícibus (2010) A contabilização dos Dividendos Obrigatórios acontece da seguinte maneira: Débito: Lucros Acumulados (PL) Crédito: Dividendos a Pagar (PC) ............... 355.000,00 Cabe ainda destacar que o Dividendo Obrigatório, previsto no art. 202 da Lei das Sociedades por Ações, alcança a todos os acionistas, sejam eles portadores de ações preferências ou ordinárias, acionista controlador ou minotário. Quanto à distribuição dos dividendos legais, ou seja, aqueles auferidos pelo Estatuto Social da companhia, esta deve acontecer obedecendo a prioridade das ações preferenciais. Aquelas que não possuem direito a voto, porém, seguem com preferência na distribuição de lucros. Analisando o modelo de Neves (2007), imagine que determinada companhia possua em seu Estatuto Social um pagamento de dividendos correspondente a 40% do Lucro Líquido, e que em determinado exercício social tenha auferido um Lucro Líquido de R$ 32.000.000,00. Os dividendos legais (ações preferenciais) deverão ser pagos primeiro, o restante pagos às ações ordinárias, conforme se demonstra a seguir: Capítulo 3 94 Contabilidade Básica II Quadro 6 – Cálculo dos dividendos legais CÁLCULO DOS DIVIDENDOS LEGAIS Ações no Ações dividendo Por Ação vAlor em r$ Preferenciais 8.000.000,00 0,40 * 3.200.000,00 Ordinárias 24.000.000,00 1,20 ** 28.800.000,00 totais 32.000.000,00 – 32.000.000,00 * Percentual previsto do estatuto social (40%) ** [(32.000.000 - 3.200.000) : 24.000.000] = 1,20 Fonte: adaptado de Neves (2007) Como você pode observar, a distribuição de lucros exige a análise da situação financeira da entidade (disponibilidade de caixa) e também a situação societária prevista no Estatuto Social. Dividendo por ação A Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA) deve também evidenciar o do dividendo por ação do Capital Social. Conforme Iudícibus (2010), a fórmula para o cálculo por ação do Capital Social é a divisão do montante dos Dividendos Distribuídos (ou a distribuir) no ano, pelo número de ações em circulação de que é formado o Capital Social. Iudícibus (2010, p. 245) propõe como exemplo o seguinte caso: a Cia Adventista distribuirá 30% de Dividendos sobre o Lucro Líquido e tem capital de R$ 8 milhões divididosem R$ 4 milhões de ações. Assim, o dividendo seria de 0,255 por ação. Dividendos = 900.000 (=> 30% de 3.000.000) = 0,225 por ação 4.000.000 (=> no de ações) Fonte: Iudícibus (2010, p. 245) Veja na Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA) como são evidenciados os dividendos por ação. Capítulo 3 95 Contabilidade Básica II Quadro 7 – Cálculo dos dividendos por ações CIA. ADVENTISTA demonstrAção de luCros e PreJuízos ACumulAdos Em mil 31/12/x2 31/12/x3 saldo no início do período Ajuste de exercícios anteriores (-) Retificação de erros Reversão de Reservas Reservas para Contingências Reservas de Lucros a Realizar Lucro Líquido do Exercício – – 950 (100) – – 3.000 Saldo Disponível 3.850 Proposta da Administração para destinação do Lucro Reserva Legal Reserva Estatutária Reserva para Contingência Reserva Orçamentária (para expansão) Reserva de Lucros a Realizar Dividendos a distribuir (0,225 por ação) (150) (300) (255) (180) (95) (900) saldo no final do período 950 1.970 Fonte: Iudícibus (2010, p. 245) Então, como você pode observar, a Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA), embora não seja considerada uma demonstração muito complexa em sua estrutura, depende de muitas variáveis para a sua existência, principalmente dos critérios de distribuição de lucros e constituição da reservas. Segundo Iudícibus (2010, p. 238), a destinação (canalização) do Lucro Líquido para os proprietários (distribuição de dividendos) ou o reinvestimento na própria empresa (retenção de lucros) será evidenciada na Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados, antes de ser indicada no Balanço Patrimonial. Contudo, posteriormente à canalização ou destinação do Lucro Líquido, a parte do Lucro Líquido que ficar retida é conduzida para o Balanço Patrimonial, no grupo Patrimônio Líquido em recursos dos proprietários. Capítulo 3 96 Contabilidade Básica II Ainda cabe destacar que a distribuição de dividendos está doutrinada pela Lei das Sociedades Anônimas e pela Lei nº 10.303 de 31 de outubro de 2001, que institui ações preferenciais sem direito a voto, ou com restrição ao exercício deste direito. Segundo Neves (2007, p. 160), somente serão admitidas à negociação no mercado de valores mobiliários, caso as ações preferenciais, exceto as que têm direito a dividendos ou mínimos, venham a receber dividendos superiores em pelo menos 10% (dez por cento) aos que forem atribuídos às ações ordinárias. Portanto, é válido demonstrar o quadro sinótico apresentado por Neves (2010) que trata quanto às particularidades da distribuição de dividendos, como a seguir. Quadro 8 – Sinopse da distribuição de dividendos DIVISÃO OU CLASSIfICAÇÃO DE DIVIDENDOS 1 – quAnto à ordem de distriBuição dos dividendos 1.1 Prioritários Quando existe prioridade no recebimento de dividendos, normalmente concedida aos acionistas detentores de ações preferenciais (Lei nº 6.404, de 1976, artigo 17). 1.2 Não prioritários Quando não existe prioridade na distribuição dos dividendos aos acionistas (acionistas detentores de ações ordinárias). 2 – quAnto do direito Ao seu reCeBimento 2.1 Cumulativo Quanto o acionista tiver direito ao recebimentos do dividendo no exercício em que não houver lucros suficientes para a sua distribuição ou quando não for possível distribuí-lo no exercício social, seu montante será acumulado e distribuído em exercício futuro. 2.2 Não-cumulativo Quando os acionistas perdem o direito ao recebimento do dividendo, quando os lucros forem insuficientes ou quando não for possível distribuí-lo no exercício social. Capítulo 3 97 Contabilidade Básica II 3 – quAnto à FormA de distriBuição dos luCros 3.1 Mínimo Quando possibilita aos acionistas participar da distribuição dos lucros remanescentes, ou seja, após todas as distribuições previstas no estatuto e, no mínimo, em igualdade de condições com os acionistas detentores de ações ordinárias. 3.2 Fixo Quando a ação não participa nos lucros remanescentes, ou seja, quando o montante a ser recebido a título de dividendo é, normalmente, prefixado. Nessa hipótese, caso o montante dos lucros possibilitasse a distribuição de importância superior aos acionistas com direito a dividendos fixo não participam dessa distribuição. 3.3 Obrigatório Quando o estatuto for omisso, os acionistas terão o direito de receber os dividendos na forma estabelecida pelo artigo º 202 da Lei nº 6.404, de 1976, ou seja, 50% do lucro ajustado. Notas: 1) Normalmente, os dividendos fixos e mínimos são atribuídos aos detentores de ações preferenciais não havendo, entretanto, impedimento para que sejam atribuídos aos acionistas detentores de ações ordinárias. 2) O recebimento de dividendos obrigatório não prejudica o direito ao recebimento mínimo ou fixo caso o acionista tenha direito e existam lucros suficientes para tal distribuição. Fonte: Neves (2007, p. 154-155) Diante do exposto, você pode verificar que a Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA) é um instrumento ou ferramenta de integração entre o Balanço Patrimonial e a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE), proporcionado aos proprietários clareza nas informações, na distribuição do resultado e suas garantias. 3.2.4 Substituição pela Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) Como você pode observar desde o início do capítulo, existem fortes correntes pela substituição da Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA) pela Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL). Este movimento ganhou força a partir da Lei Federal n° 11.638, 28 de Dezembro de 2007, que conduz as Sociedades Anônimas por Ações e as demais sociedades, e que estabelece em seu art. 178 a exclusão da conta Lucros ou Prejuízos Acumulados do grupo Patrimônio Líquido. Capítulo 3 98 Contabilidade Básica II Porém, a Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA) continua sendo tratada pela referida legislação em seu art. 186 que conduz sobre a sua forma de apresentação. É considerada um instrumento de integração entre o Balanço Patrimonial e a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE). Mesmo diante das exigências da Lei das Sociedades Anônimas sobre a Demonstração de Lucros ou Prejuízo Acumulados (DLPA), as correntes persistem sobre a sua extinção. Os autores apontam que Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL), que será estudada nos capítulos seguintes, possui uma melhor ampliação da análise por todo o grupo de Patrimônio do Líquido, e não apenas na conta de Lucros ou Prejuízos Acumulados. Logo, cabe aqui ressaltar que a Demonstração de Lucros ou Prejuízo Acumulados (DLPA) demonstra especificamente a conta de Lucros ou Prejuízos Acumulados. Mas destaco que a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido evidencia a movimentação de todo o grupo de Patrimônio Líquido. Para Iudícibus (2010), a Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados pode ser substituída pela Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido. Marion (2009) justifica que por apresentar maior riqueza de informações, o ideal seria a substituição da Demonstração de Lucros ou Prejuízo Acumulados pela Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido. Diante deste cenário, com o advento da Lei Federal n° 11.638, 28 de Dezembro de 2007, que altera da Lei das Sociedades Anônimas, as companhias continuam obrigadas a apresentar e publicar a Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados, mesmo conhecendo que o seu saldo estará zerado, devido à extinção da conta de Lucros Acumulados. 3.3 Aplicando a teoria na prática Para melhor aprofundar o que você conheceu até agora, proponhoo desenvolvimento do caso a seguir, para que você possa refletir sobre o conteúdo. Capítulo 3 99 Contabilidade Básica II Distribuição de dividendos com diferentes classes de ações preferenciais Determinada Companhia apresenta R$ 32.000.000,00 de ações, sendo R$ 8.000.000 de ações preferenciais A, com direito a 0,40 de dividendo fixo; R$ 8.000.000 de ações preferenciais de classe B, com direito de 0,40 de dividendo mínimo e R$ 16.000.000 de ações ordinárias. Diante deste cenário, os dividendos serão pagos na ordem descrita do Capital Social, como segue: Ações no Ações dividendo Por Ação vAlor em r$ Preferenciais classe A 8.000.000,00 0,40 * 3.200.000,00 Preferenciais classe B 8.000.000,00 0,40 * 3.200.000,00 Ordinárias 16.000.000,00 1,60 ** 25.600.000,00 totais 32.000.000,00 – 32.000.000,00 * Percentual previsto do estatuto social (40%) ** [(32.000.000 - 3.200.000 - 3.200.000) : 16.000.000] = 1,60 Fonte: NEVES, S. Contabilidade avançada. 15. ed. São Paulo: Atlas, 2007, p. 152. Como o dividendo das ações preferenciais classe B (com direito de dividendo mínimo) é inferior ao das ações ordinárias (o que não é permitido pelo § 4º do art. 17 da Lei das Sociedades por Ações), como devemos redistribuir o valor dos dividendos restantes? Conseguiu? Veja: devemos redistribuir o valor dos dividendos restantes, ou seja, R$ 28.800.000,00 (R$ 32.000.000,00 – R$ 3.200.000,00) entre as ações preferenciais de classe B, com direito a dividendo mínimo, e o das ações ordinárias da seguinte maneira: Ações no Ações dividendo Por Ação vAlor em r$ Preferenciais classe A 8.000.000,00 0,40 * 3.200.000,00 Preferenciais classe B 8.000.000,00 1,20 ** 9.600.000,00 Ordinárias 16.000.000,00 1,20 ** 19.200.000,00 totais 32.000.000,00 – 32.000.000,00 * Percentual previsto do estatuto social (40%) ** [(32.000.000 - 3.200.000 - 9.600.000) : 16.000.000] = 1,20 Capítulo 3 100 Contabilidade Básica II 3.4 Para saber mais título: Contabilidade comercial: atualizado conforme a Lei n° 11.638/07 e Lei n° 11.941/09 Autores: IUDíCIBUS, S.; MARION, J. C. Editora: Atlas Ano: 2010 Nesta obra, os autores abordam de forma completa o tema: as novas normas e práticas contábeis. Vale a pena a leitura! 3.5 Relembrando Neste capítulo, você aprendeu que: • são vários os elementos estruturais e conceituais da Demonstração do Lucro ou Prejuízos Acumulados (DLPA); • existem inúmeras exigências legais quanto à distribuição do Lucro Líquido; • a nº Lei Federal n° 11.638, 28 de Dezembro de 2007, que conduz as Sociedades Anônimas por Ações e as demais sociedades, estabelece em seu art. 178 a exclusão da conta Lucros ou Prejuízos Acumulados do grupo Patrimônio Líquido, mas mesmo assim a Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA) continua sendo tratada pela referida legislação em seu art. 186, que conduz sobre a sua forma de apresentação; • há uma grande diferença entre Demonstração do Lucro ou Prejuízos Acumulados (DLPA) e a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL). Capítulo 3 101 Contabilidade Básica II 3.6 Testando os seus conhecimentos Procure refletir sobre as questões e responder a partir de seu entendimento. 1) Qual a finalidade da Demonstração do Lucro ou Prejuízos Acumulados (DLPA)? 2) A Demonstração do Lucro ou Prejuízos Acumulados (DLPA) representa a integração entre quais demonstrações contábeis? 3) Os ajustes exercícios anteriores apresentados na Demonstração do Lucro ou Prejuízos Acumulados (DLPA) se reportam a qual princípio/convenção contábil? 4) Na hipótese do Estatuto Social da companhia ser omisso quanto aos Dividendos Obrigatórios, como estes devem ser calculados? 5) Qual a estrutura básica da Demonstração do Lucro ou Prejuízos Acumulados (DLPA)? Onde encontrar BRASIL. lei nº 11.638 de 28 de dezembro de 2007. Altera e revoga dispositivos da Lei. 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e da Lei 6.385, de 7 de dezembro de 1976, e estende às sociedades de grande porte disposições relativas à elaboração e divulgação de demonstrações financeiras. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/lei/l11638. htm>. Acesso em: 20 dez. 2010. IUDÍCIBUS, S. Contabilidade comercial. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2010. ______. teoria da contabilidade. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2009. MARION, J. C. Contabilidade básica. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2006. NEVES, S. Contabilidade avançada. 15. ed. São Paulo: Atlas, 2007. RIBEIRO, O. M. Demonstrações financeiras: mudanças na Lei das Sociedades Anônimas, como era e como ficou. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2010. Capítulo 3 102 Contabilidade Básica II Capítulo 4 103 Contabilidade Básica II DEmonstração Das mUtaçÕEs Do patrimÔnio lÍQUiDo CAPÍTULO 4 4.1 Contextualizando Olá! Neste capítulo, apresento a você as técnicas de elaboração da Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido, também conhecida pela sigla DMPL. Sua estrutura segue uma forma resumida, para mostrar com mais clareza a distribuição do resultado ao final, ou seja, o Lucro Líquido de cada Exercício Social. Diante do contexto apresentado pela Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA), reportando apenas a análise da distribuição do resultado, este capítulo também abordará as novas normas práticas contábeis atribuídas a esta demonstração objetivo de nossos estudos. Entre os tópicos que vamos trabalhar estão as Demonstrações de Mutações das Contas Patrimoniais, as técnicas de preparação e de apresentação e os itens que compõem as Companhias Abertas. Ao fim deste capítulo, você será capaz de: • identificar os elementos estruturais e conceituais da Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido; • mapear a composição estrutural da Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido; • distinguir os elementos necessários para mensuração e reconhecimento dos fatos administrativos diante da Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido. Capítulo 4 104 Contabilidade Básica II 4.2 Conhecendo a teoria Nos capítulos anteriores, você estudou a estruturação do patrimônio das entidades até a elaboração do Balanço Patrimonial. Conheceu também a metodologia de apuração do resultado do exercício e sua estruturação na Demonstração do Resultado do Exercício. Outros temas que foram trabalhados são os conceitos e técnicas de distribuição do Lucro Líquido por meio da Demonstração de Lucro e Prejuízos Acumulados (DLPA). Agora chegou a hora de concentrarmos nossos estudos nas mutações patrimoniais pela elaboração da Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL). Logo, prezado aluno, é fundamental a sua participação para melhor aproveitar esta disciplina. Então, vamos estudar? O patrimônio líquido representa todo o capital investido pelos sócios na empresa, mais o retorno gerado com o referido capital. Compreende as obrigações da empresa perante os sócios. SAIBA QUE Como você pode observar, temos um grande desafio pela frente. Enquanto a Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados viabiliza o entendimento quanto à distribuição do resultado do exercício social, ou seja, de que forma foi destinado o Lucro Líquido, a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) evidencia as variações ocorridas em todas as contas que compõem o Patrimônio Líquido num determinado período. De acordo com Neves (2007), a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido evidenciam as mutações registradas no exercício das contas patrimoniais que integram o Patrimônio Líquido. Quanto às mutações patrimoniais, Neves (2007) afirma que elas podem tanto aumentar quanto diminuir o valor contábil do grupo como um todo ou apenas mudar sua composiçãointerna. Entretanto, a Lei das Sociedades Anônimas por Ações que conduz além das sociedades anônimas, as demais sociedades, não torna obrigatória Capítulo 4 105 Contabilidade Básica II a elaboração e apresentação da Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL), porém menciona no art. 186, § 2º, que a Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA) deverá indicar o montante do dividendo por ação do capital social e poderá ser incluída na Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL), se elaborada e publicada pela companhia. Vamos ver como se dá a estrutura da Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL)? Tabela 1 – Estrutura da Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido CAPitAl reservAs luCros ou PreJuízos ACumulAdos totAl elementos CAPitAl luCros Saldo no início do período (+/-) Ajustes de Períodos Anteriores (+/-) (+/-) Saldo inicial ajustado e corrigido Reversão de Reservas de Lucros (-) + Integralização de Capital a Realizar + + Resultado Líquido do Exercício (+/-) (+/-) Formação de reservas de: * Lucros + (-) * Capital + + Capitalização de: * Reservas + (-) (-) * Lucros + (-) Dividendos ou Lucros Creditados (-) (-) Aumento de Capital Social Efetuado pelo sócios/ acionistas + (-) + (+/-) Compra/venda de suas próprias ações (+/-) Outras mutações Saldo Final do Período Fonte: Neves (2007) Capítulo 4 106 Contabilidade Básica II Destaco aqui que a movimentação e o saldo da coluna de Lucros Acumulados deverá ser igual à movimentação da Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados, estudada no capítulo anterior. Sendo assim, este capítulo mostra em primeiro lugar os tipos de mutações patrimoniais e, posteriormente, a forma em que a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) deve ser apresentada, contemplando todas as variações do Patrimônio Líquido. 4.2.1 Mutações das contas patrimoniais Enquanto a Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA) evidencia somente uma conta do Patrimônio Líquido, a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) envolve todas as contas contidas nesse grupo. Grande maioria das empresas opta por não apresentar a Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA), mas sim a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) que colabora muito mais na evidenciação da informação contábil e já abrange em sua estrutura a Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados – DLPA. Para Iudícibus, Martins e Gelbcke (2007, p. 415), a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) “[...] é de muita utilidade, pois fornece a movimentação ocorrida durante o exercício nas diversas contas componentes do Patrimônio Líquido; faz clara indicação do fluxo de uma conta para outra e indica a origem e o valor de cada acréscimo ou diminuição no Patrimônio Líquido”. No que tange às companhias de capital aberto, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) passou a exigir por meio da Instrução CVM n. 59, de 22 de dezembro de 1986, a elaboração e divulgação da Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido - DMPL, indiferente se a companhia elaborou ou não a Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA), uma vez que esta última já estará embutida na Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL). Capítulo 4 107 Contabilidade Básica II A Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) representa o grupo do patrimônio líquido apurado no Balanço Patrimonial. Veja a seguir o exemplo prático apresentador por Neves (2007), quanto às mutações patrimoniais: Tabela 2 – Dados do Patrimônio Líquido da Companhia Alpha COMPANHIA ALPHA dAdos de 31.12.20x4 Capital social integralizado ............................... 2.000,00 Reservas de capital ................................................ 100,00 Reserva legal .......................................................... 250,00 Reservas estatutárias ............................................. 150,00 Reservas de lucros a realizar ................................. 300,00 TOTAL .................................................................. 2.800,00 Fonte: Neves (2007) Apresentam-se a seguir as mutações patrimoniais ocorridas no exer- cício 20X5: mutações das contas do patrimônio líquido em 20x5 1) Valor líquido da receita de 20X4 não contabilizado .........100,00 2) Aumento do capital em dinheiro ...................................... 200,00 3) Reversão de reserva de lucros a realizar ...........................300,00 4) Lucro líquido apurado no exercício de 20X5 .....................400,00 5) Acréscimo da reserva legal (5% x 400,00) .......................... 20,00 6) Acréscimo da reserva estatutária .......................................280,00 7) Dividendos a distribuir ........................................................500,00 Com os dados apresentados no exercício de 20X4 e as mutações patrimoniais ocorridas no exercício de 20X5, evidencia-se a seguinte Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL): Capítulo 4 108 Contabilidade Básica II Tabela 3 – Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido da Companhia Alpha CAPitAl reservAs luCros ou PreJ. ACum. totAis elementos CAPitAl legAl estAtut. luCros A reAlizAr Saldo no início do período 2.000,00 100,00 250,00 150,00 300,00 - 2.800,00 (+/-) Ajustes períodos ant. 100,00 100,00 Aumento de Capital Social 200,00 200,00 Reversão de Reservas Lucros (300,00) 300,00 - Líquido Exercíc. 31-12-x5 400,00 400,00 Destinação do Lucro * Reserva Legal 20,00 (20,00) * Reservas Estatutárias 280,00 (280,00) * Dividendos (500,00) (500,00) saldo Final do período 2.200,00 100,00 270,00 430,00 - - 3.000,00 Fonte: Neves (2007) Como você pôde perceber, a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido é fundamental para as empresas que têm um Patrimônio Líquido composto por diversas contas, movimentadas no período por aumentos, diminuições ou apenas transferências. Portanto, as mutações do Patrimônio Líquido podem tanto aumentar ou diminuir o valor contábil desse grupo de contas, ou ainda alterar a sua composição interna. Logo, a integralização de Capital Social é um exemplo de mutação do patrimônio e significa aumento do grupo do Patrimônio Líquido. Já o registro contábil de um prejuízo significa uma mutação do Patrimônio Líquido negativa. Capítulo 4 109 Contabilidade Básica II A constituição ou reversão de reservas também representam mutações do patrimônio líquido. Porém, essas não alteram o valor final desse grupo de contas porque as mutações acontecem entre as contas do próprio grupo de contas. SAIBA QUE Para Perez e Begalli (2002), sua importância torna-se acentuada, pois a demonstração indicará, claramente, a formação e a utilização de todas as reservas, e não apenas das originadas por lucros; servirá também para melhor compreensão, inclusive quanto ao cálculo dos dividendos obrigatórios. Para que você tenha noção da importância desta ferramenta contábil, a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) também assume um papel importante nas empresas que possuem a consolidação das demonstrações contábeis, ou seja, aquelas que trabalham com a somatória das demonstrações contábeis de várias empresas, pertencentes a um mesmo grupo econômico. A DMPL destaca os resultados obtidos entre essas empresas, evidenciando ao usuário da informação contábil o Patrimônio Líquido real do grupo. 4.2.2 Técnica de preparação A Lei 6.404/76 ou a Leidas Sociedades por Ações não prevê um modelo específico para a elaboração da Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL), porém, uma vez que as demais demonstrações contábeis, por exigência legal, são publicadas evidenciando valores do período anterior, a DMPL também deve ser divulgada de tal forma que compare o período atual com o anterior. Os dados e as informações para a elaboração desta demonstração devem ser extraídos do Livro Razão, das contas do Patrimônio Líquido, contemplando apenas a movimentação ocorrida no período analisado. Capítulo 4 110 Contabilidade Básica II A Lei das Sociedades por Ações não fixa um modelo de Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) que deva ser utilizado pelas empresas. Contudo, referencia essa demonstração no § 2º do art. 186, quando admite que a Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA) seja incluída nela, se elaborada e publicada pela companhia. Desta forma, as mesmas informações que a lei determina para DLPA devem fazer parte na DMPL, considerando que nesta as informações serão relativas à movimentação de todas as contas do Patrimônio Líquido. Convencionalmente, as companhias têm elaborado a Demonstração das Mu- tações do Patrimônio Líquido (DMPL) num único quadro composto por colunas. Diante das fases da preparação para a elaboração da Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL), em primeiro lugar é preciso identificar as contas do patrimônio líquido, destinando uma coluna para cada conta, unidas horizontalmente, conforme o quadro a seguir: Quadro 1 – Contas do Patrimônio Líquido DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇõES PATRIMONIAIS CAPitAl reservAs luCros ou PreJuízos ACumulAdosCAPitAl luCros Fonte: Voges (2011) Posteriormente, destina-se uma coluna, ou melhor, a primeira coluna para a descrição da natureza das transações que confirmam as mutações do Patrimônio Líquido, como segue: Tabela 4 – Inclusão da coluna com as descrições das Mutações do Patrimônio Líquido DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇõES PATRIMONIAIS desCrição CAPitAl reservAs luCros ou PreJuízos ACumulAdosCAPitAl luCros aumento de capital Devolução de capital resultado líq. do exercício Destinação de resultado Destinações estatutárias Utilização de reservas Fonte: Voges (2011) Capítulo 4 111 Contabilidade Básica II Caro aluno! Observe que a Demonstração das Mutações do Patrimô- nio Líquido (DMPL) evidencia informações tanto na análise horizontal quanto na vertical. Agora, chegou a hora de incluir a última coluna para os totais. Tabela 5 – Inclusão da coluna dos totais das Mutações do Patrimônio Líquido DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇõES PATRIMONIAIS desCrição CAPitAl reservAs luCros ou PreJuízos ACumulAd. totAis CAPitAl luCros aumento de capital Devolução de capital result.líq. do exercício Destinação de resultado Destinações estatutárias Utilização de reservas Fonte: Voges (2011) A Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) contempla, ainda, tantas linhas quantas corresponderem às transações realizadas, devendo ser evidenciadas em relação à movimentação de cada conta. Como a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) apresenta a análise de dois exercícios sociais, neste momento é preciso incluir as linhas para saldos iniciais e finais transcritos em cada conta. Na última linha, os respectivos saldos finais. Observe estes itens na tabela a seguir. Tabela 6 – Inclusão dos saldos iniciais e finais das contas do Patrimônio Líquido para dois exercícios sociais DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇõES PATRIMONIAIS desCrição CAPitAl reservAs luCros ou PreJuízos ACumulAd. totAis CAPitAl luCros saldo inicial em 31/12/x0 aumento de capital Devolução de capital resultado líquido do exercício Destinação de resultado Capítulo 4 112 Contabilidade Básica II Destinações estatutárias saldo final em 31/12/x1 Utilização de reservas saldo final em 31/12/x2 Fonte: Voges (2011) Portanto a soma algébrica da última linha da demonstração, que será indicada na última coluna reservada aos totais, combinará com o total dessa mesma coluna que, por sua vez, corresponderá ao total do grupo do Patrimônio Líquido do Balanço Patrimonial. Para se prevenir de um número excessivo de colunas na Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL), as informações sobre o Capital Social poderão ser apresentadas de forma integral em seus respectivos grupos. Desse modo, os fluxos de recursos de uma conta para outra, que mostram a origem de cada mutação, deverão ser informados por meio de Notas Explicativas. Cabe ressaltar que para Marion (2007) o objetivo das demonstrações contábeis é fornecer informações sobre a posição patrimonial e financeira, o desempenho e as mudanças na posição financeira da entidade, que sejam úteis a um grande número de usuários em suas avaliações e tomadas de decisão econômica. Logo, é preciso ter muito cuidado com a validação dos dados durante a elaboração das demonstrações contábeis, para que não transmitam informações errôneas. Entretanto, destaco que estas demonstrações devem atender às necessidades comuns dos usuários, uma vez que retratam informações de acontecimentos passados. Para Marion (2009), embora não seja uma demonstração obrigatória, a DMPL é mais completa e abrangente que a DLPA. O autor assinala que é relevante para as empresas que movimentam constantemente as contas do Patrimônio Líquido. Capítulo 4 113 Contabilidade Básica II A apresentação da Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) é obrigatória apenas nas Companhias de Capital Aberto. SAIBA QUE Ainda para Marion (2009), a elaboração da Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) elimina a necessidade de se apresentar da Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA). Prezado aluno! Como você pode observar até o momento, é simples a técnica de elaboração da Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL), pois basta identificar, por colunas, as contas do Patrimônio Líquido e, nas linhas horizontais, a movimentação das referidas contas. Entretanto, a fim de atingirmos um melhor entendimento sobre o preenchimento das informações na Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL), no próximo tópico irei expor com detalhes a forma de apresentação desta demonstração. Fique atento! 4.2.3 Apresentação Segundo Ribeiro (2010), a Norma Brasileira de Contabilidade, NBC-T-19.27, aprovada pela Resolução CFC n. 1.185/2009, que trata da apresentação das Demonstrações Contábeis, apresenta nos itens 106 a 110 as diretrizes para a elaboração da Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido. Ribeiro (2010, p. 98) afirma que o item 106 da norma NBC-T-19.27 estabelece que a entidade deve apresentar na Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) o seguinte: Capítulo 4 114 Contabilidade Básica II a) o resultado abrangente do período, apresentando separadamente o montante total atribuível aos proprietários da entidade controladora e o montante correspondente à participação de não controladores; b) para cada componente do patrimônio líquido, os efeitos das alterações nas políticas contábeis e as correções de erros reconhecidas de acordo com a NBC-T-19.11 – Políticas Contábeis, Mudança de Estimativa e Retificação de Erro; c) para cada componente do patrimônio liquido, a conciliação do saldo no inicio e no final do período, demonstrando-se separadamente as mutações decorrentes: i) do resultado líquido; ii) de cada item dos outros resultados abrangentes; e iii) de transações com os proprietários realizadas na condição de proprietário, demonstrandoseparadamente suas integralizações e as distribuições realizadas, bem como modificações nas participações em controladas que não implicaram perda do controle. A maioria das entidades vem elaborando a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) em colunas e cada uma delas representa, de forma sintética, uma conta do Patrimônio Líquido, contendo na primeira linha o saldo inicial da conta e, na última linha, o saldo final. Para entender melhor o conteúdo trabalhado até o momento, apresento a seguir os saldos e as mutações do Patrimônio Líquido de uma empresa, para os exercícios de 2009 e 2010, e suas etapas no preenchimento da Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL). Acompanhe! Tabela 7 – Patrimônio líquido em 31/12/2008 PATRIMôNIO LÍQUIDO 31.12.2008 Capital social ................................................... 100.000,00 Reservas de capital ............................................. 1.000,00 Reserva lucros ........................................................ 800,00 Lucros e Prej. Acumulados .................................... 500,00 Fonte: Voges (2011) Neste primeiro momento, após identificar as contas do Patrimônio Líquido, deve-se destinar uma coluna para cada conta do Patrimônio Líquido, unidas horizontalmente, conforme mostra o quadro a seguir: Capítulo 4 115 Contabilidade Básica II Tabela 8 – Composição dos saldos iniciais da Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇõES PATRIMONIAIS desCrição CAPitAl reservAs luCros ou PreJuízos ACumulAd. totAis CAPitAl luCros saldo inicial em 31/12/08 100.000,00 1.000,00 800,00 500,00 102.300,00 Fonte: Voges (2011) No exercício de 2009 a empresa obteve as seguintes mutações no Patrimônio Líquido: • aumento do Capital Social no valor de 700,00, sendo 500,00 dos Lucros Acumulados, 100,00 das Reservas de Capital; • constituição das Reservas de Lucros no valor de 200,00; • Lucro Líquido do Exercício no valor de 950,00; • devolução de Capital no valor de 400,00. Tabela 9 – Composição das mutações e saldo final da Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) para o exercício de 2009 DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇõES PATRIMONIAIS desCrição CAPitAl reservAs luCros ou PreJuízos ACumulAd. totAis CAPitAl luCros Saldo inicial em 31/12/08 100.000,00 1.000,00 800,00 500,00 102.300,00 Aumento de capital 600,00 - - - 600,00 Devolução de capital (400,00) (100,00) - - (500,00) Result.líquido exercício - - - 950,00 950,00 Destinação de resultado 500,00 - - (500,00) - Destinações estatutárias - - 200,00 (200,00) - Saldo final em 31/12/08 100.700,00 900,00 1.000,00 750,00 103.350,00 Fonte: Voges (2011) Para o exercício de 2010, a empresa obteve as seguintes mutações no Patrimônio Líquido: • aumento do Capital Social no valor de 400,00 com 200,00 das Reservas de Capital e o restante dos sócios; • constituição das Reservas de Lucros no valor de 750,00; • prejuízo do exercício no valor de 700,00. Capítulo 4 116 Contabilidade Básica II • utilização da Reserva de Lucros no valor de 700,00 para compensar o prejuízo do exercício; • devolução de capital no valor de 300,00. Tabela 10 – Composição das mutações e saldo final da Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) para os exercícios de 2009 e 2010 DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇõES PATRIMONIAIS desCrição CAPitAl reservAs luCros ou PreJuízos ACumulAd. totAis CAPitAl luCros Saldo inicial em 31/12/08 100.000,00 1.000,00 800,00 500,00 102.300,00 Aumento de capital 600,00 - - - 600,00 Devolução de capital (400,00) (100,00) - - (500,00) Result.líquido exercício - - - 950,00 950,00 Destinação de resultado 500,00 - - (500,00) - Destinações estatutárias - - 200,00 (200,00) - Saldo final em 31/12/09 100.700,00 900,00 1.000,00 750,00 103.350,00 Aumento de capital 400,00 - - - 400,00 Devolução de capital (300,00) 200,00 - - 500,00 Resultado líquido do exercício - - - - 700,00 Destinação de resultado - - 750,00 700,00 750,00 Destinações estatutárias - - (700,00) 750,00 Saldo final em 31/12/10 100.800,00 700,00 1.050,00 700,00 102.550,00 Fonte: Voges (2011) O modelo anterior evidencia, na coluna total, os fatos que provocaram aumentos e diminuições do Patrimônio Líquido no período, já que as transferências entre contas desse grupo apenas provocam variações entre as respectivas contas, mas não a variação do saldo do Patrimônio Líquido. Ainda analisando o quadro, você pode identificar algumas mutações ocorridas no Patrimônio Líquido. Veja quais são elas: • aumento do capital social de 800,00 comparando o saldo de 2008 com 2010; • a conta de reserva de capital obteve uma redução de 300,00 devido às destinações para o aumento do Capital Social tanto em 2009 quanto em 2010; Capítulo 4 117 Contabilidade Básica II • a conta de reserva de lucros teve um aumento de 800,00 (2008) para 1.050,00 (2010), devido a constituição de reservas por meio do saldo da conta de lucros acumulado; • a conta de lucros acumulados apresentou um saldo zerado em 2010, devido à destinação de lucros para o aumento de Capital e também, a constituição de Reservas de Lucros. • o patrimônio líquido, diante das mutações ocorridas durante os exercícios de 2009 e 2010, obteve um aumento de 102.300,00 para 102.550,00. Esses saldos devem corresponder exatamente aos saldos do Balanço Patrimonial. Entretanto, como você pode observar, algumas mutações estão identificadas na Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL). Para Iudícibus, Martins e Gelbcke (2007) alguns dos principais itens que movimentam o saldo da coluna do total da Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) são: • acréscimo pelo lucro ou redução pelo prejuízo líquido do exercício; • redução por dividendos; • redução por pagamento ou crédito de juros sobre capital próprio; • acréscimo por reavaliação de ativos; • acréscimo por subscrição e integralização de capital; • acréscimo ou redução por ajustes de exercícios anteriores; • reversão da reserva de lucros a realizar para a conta dividendos a pagar, entre outras. Ainda para Iudícibus, Martins e Gelbcke (2007), quanto às variações entre contas do Patrimônio Líquido que não movimentam o saldo da coluna do total na DMPL, destacam-se os principais itens: • aumento de capital com a utilização de reservas de lucros; • apropriações de Lucro Líquido do exercício para a formação de reservas, como Reserva Legal, Reserva de lucros a Realizar, Reservas para Contingência, entre outras; • reversões de reservas patrimoniais para a conta de resultado do exercício; • compensação de prejuízos com reservas, entre outras; Capítulo 4 118 Contabilidade Básica II De maneira geral, segundo a Norma Brasileira de Contabilidade, a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) evidenciará: a) os saldos no início do período; b) os ajustes de exercícios anteriores; c) as reversões e transferências de reservas e lucros; d) os aumentos de capital discriminando sua natureza; e) a redução de capital; f) as destinações do lucro líquido do período; g) as reavaliações de ativos e sua realização líquida do efeito dos impostos correspondentes; h) o resultado líquido do período; i) as compensações de prejuízos; j) os lucros distribuídos; k) os saldos no final do período. A lei nº 11.638/07 ou lei das sociedades anônimas trouxe grandes mudanças para a contabilidade do mundo inteiro. A Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) teve alguns ajustes como a extinção da Reserva de Reavaliação e inclusão do detalhamento das reservas de lucros. SAIBA QUE Diante do exposto até o momento,no próximo tópico vou apresentar uma sugestão de Marion (2009) para a elaboração da Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) quando o saldo da conta de Lucros Acumulados for igual a zero, ou seja, situação esta válida para as empresas sujeitas à Lei das Sociedades Anônimas. 4.2.3 Companhias abertas Para as empresas sujeitas à Lei nº 11.638/07, a chamada Lei das Sociedades Anônimas, o saldo da conta de Lucros Acumulados deve aparecer zerado. Esta situação se reflete bruscamente na Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL). Capítulo 4 119 Contabilidade Básica II Mas atenção! A publicação da Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) é obrigatória para as Companhias Abertas. Veja, a seguir, a sugestão de Marion (2009) para a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) com saldo zero de Lucro Acumulados. Pressupondo que determinada empresa obteve um lucro de 2.800 no exercício de 20X8, e que será totalmente destinado como apresentado a seguir: Tabela 11 – Destinação do Lucro Líquido destinAção do luCro líquido Reserva legal .............................................................. 5% Reserva estatutária .................................................. 20% Reserva orçamentária ............................................. 15% Reserva lucros a realizar ........................................ 480,00 Reserva de contingência ........................................... - Dividendos .......................................................... 1.200,00 Fonte: Marion (2009) Multiplicando seus percentuais de reserva sobre o Lucro Líquido, temos: Tabela 12 – Composição dos saldos das reservas e dividendos destinAção do luCro líquido Reserva legal 5% ´´=> 5% x 2.800 140,00 Reserva estatutária 20% ´´=> 20% x 2.800 560,00 Reserva orçamentária 15% ´´=> 15% x 2.800 420,00 Reserva de lucros a realizar 480,00 480,00 Reserva de contingência - - Dividendos 1.200,00 1.200,00 Lucro Líquido => 2.800,00 Fonte: Marion (2009) Segundo Marion (2009), você deve considerar também um aumento de capital totalmente integralizado em dinheiro no total de 2.000 e a empresa apresentava até o momento, ou seja, exercício de 20X7 os seguintes saldos nas contas do Patrimônio Líquido: Capítulo 4 120 Contabilidade Básica II Tabela 13 – Composição dos saldos patrimônio líquido de 20X7 destinAção do luCro líquido Capital social 5.000,00 Reserva de capital 540,00 Reserva legal 260,00 Reserva estatutária 500,00 Reserva orçamentária 320,00 Reserva de lucros a realizar 100,00 Reserva de contingência 280,00 TOTAL 7.000,00 Fonte: Marion (2009) Diante de todas estas informações mencionadas até aqui e a movimen- tação registrada durante o exercício de 20X8, é necessário proceder a De- monstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA). Vamos ver como fica? Tabela 14 – Demonstração dos Lucros Ou Prejuízos Acumulado (DLPA) para o exercício de 20X8 dlPA do exerCíCio 2008 Saldo de lucros acumulados em 20x7 - + ajustes de exercícios anteriores - + reversão de reservas - + lucro líquido de 20x8 2.800,00 (-) reserva legal (140,00) (-) reserva estatutária (560,00) (-) reserva orçamentária (420,00) (-) reserva de lucros a realizar (480,00) (-) dividendos (1.200,00) Saldo de lucros acumulados em 20x8 - TOTAL 7.000,00 Fonte: Marion (2009) Prezado aluno, observe que o saldo inicial de Lucros Acumulados na Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA) do exercício de 20X7 é igual a zero. O mesmo ocorre com o saldo final do exercício de 2008, Capítulo 4 121 Contabilidade Básica II conforme a Lei nº 11.638/07, a Lei das Sociedades Anônimas. Assim, você pode verificar que há necessidade de elaborada Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA), mesmo que esta apresente um saldo zerado. Agora, cabe a apresentação dos saldos das contas do Patrimônio Líquido de 20X8. Vejamos: Tabela 15 – Composição dos saldos do Patrimônio Líquido dos exercícios de 20X7 e 20X8 PAtrimônio líquido 20x7 20x8 Capital social 5.000,00 7.000,00 Reserva de capital 540,00 540,00 Reserva legal 260,00 400,00 Reserva estatutária 500,00 1.060,00 Reserva de contingência 280,00 280,00 Reserva orçamentária 320,00 740,00 Reserva de lucros a realizar 100,00 580,00 TOTAL 7.000,00 10.600,00 Fonte: Marion (2009) Entretanto, perceba que com as informações apresentadas até o momento, ainda é válida a estruturação da Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL), mesmo com o saldo da conta de Lucros Acumulados igual a zero: Tabela 16 – Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido para o exercício de 20X8 DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇõES DO PATRIMôNIO LÍQUIDO movimen- tAção CAPitAl reservA de CAPitAl legAl estAtu- táriA Contin- gênCiA orçAmen- táriA reservAs de luCros A reAlizAr luCros ACumul. totAl Saldo em 31/12/08 5.000,00 540,00 260,00 500,00 280,00 320.00 100,00 - 7.000,00 Aumento de capital 2.000,00 2.000,00 Lucro do exercício 2.800,00 Distribuição do lucro - Capítulo 4 122 Contabilidade Básica II Reserva legal 140,00 (140,00) - Reserva estatutária 560,00 (560,00) - Reserva de contingência - - - Reserva orçamentária 420,00 (420,00) - Reserva de lucros a realizar 480,00 (480,00) - Dividendos (1.200,00) (1.200,00) Saldo em 31/12/x8 7.000,00 540,00 400,00 1.060,00 280,00 740,00 580,00 - 10.600,00 Fonte: Marion (2009) Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) após a Lei nº 11.638/2007 Com o impacto da economia mundial sobre as relações internacionais, o mundo acordou nos últimos anos para a globalização da contabilidade, destacando-se o advento da Lei 11.638/2007, que proporcionou um novo cenário para as demonstrações contábeis. Cabe, neste momento, o destaque para a exclusão da conta de Reserva de Reavaliação onde se passou a considerar alguns ajustes como Realização de Reserva de Reavaliação, entre outras inclusões desta lei. Outro ponto importante a ressaltar seria o saldo da conta de Lucros Acumulados que deverá estar sempre zerado e, mesmo assim, continua sempre evidenciado das demonstrações contábeis. As novas normas brasileiras de contabilidade doutrinam sobre o conteúdo e forma de apresentação das demonstrações contábeis em conformidade com a Lei das Sociedades Anônimas, onde encontramos a NBC-T-3-4 que trata da Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA) e a NBC-T-3-5, que evidencia sobre a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL). Deste modo, com tantas alterações nas estruturas das demonstrações contábeis cabe ressaltar o modelo sugerido por Marion (2009) de Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido, como você confere a seguir. Capítulo 4 123 Contabilidade Básica II Tabela 17 – Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido CIA ADVENTISTA DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇõES DE PATRIMôNIO LÍQUIDO PARA OS EXERCÍCIOS fINDOS EM 31 DE DEzEMBRO DE X2 E X1 EM MILHõES DE REAIS desCrição CAPitAl soCiAl reservAs de CAPitAl AJustes de AvAliAção PAtri- moniAl reservAs de luCros PreJuízos ACumu- lAdos totAl x2 totAis x1 suBsCrito reAlizAdo Ações de tesourAriA ágio nAs emissões de Ações Prods. de AlienAção de PArtes BeneFiCiá- riAs e Bônus de suBsCrição saldos iniciais ajustes de anos anteriores Efeitos das mudanças de critérios contábeis retificação de erros de exercícios anteriores saldo conforme esta publicação Capítulo 4 124 Contabilidade Básica II aumento de capital com lucros e reservas em espécieaquisição de ações próprias realização da reserva de avaliação lucro líquido do exercício Distribuição proposta à assembleia dos acionistas reservas Dividendos a distribuir (x por ação) saldos Finais Fonte: Marion (2009) Portanto, você pode perceber a importância de demonstrar as mutações entre as contas do Patrimônio Líquido, mesmo quando o saldo da conta de Lucros Acumulados estiver zerada. Capítulo 4 125 Contabilidade Básica II Então, diante deste novo cenário da contabilidade, as relações comerciais, e principalmente as internacionais, transformaram as demonstrações financeiras, unificando as informações em âmbito mundial. Portanto, além do Balanço Patrimonial, da Demonstração do Resultado do Exercício (DRE), da Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA), a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) assume um papel importantíssimo na tomada de decisão, pois indica como a empresa destinou o seu lucro contábil, a movimentação do seu fluxo dos dividendos e, por fim, todas as Mutações do Patrimônio Líquido, que são de extrema importância nas ações de captação de recursos e de investimentos. 4.3 Aplicando a teoria na prática Para melhor aprofundar o que você conheceu até agora, propo- nho o desenvolvimento do caso a seguir, para que você possa refletir so- bre o conteúdo. Destinação do lucro líquido A Companhia Alvarez, que comercializa material de construção, apresenta os seguintes saldos nas contas do Patrimônio Líquido de 20X7: Tabela 18 – Saldos do Patrimônio Líquido do exercício de 20X7 PAtrimônio líquido 20x7 Capital social 7.500,00 Reserva de capital 810,00 Reserva legal 390,00 Reserva estatutária 750,00 Reserva de contingência 420,00 Reserva orçamentária 480,00 Reserva de lucros a realizar 150,00 TOTAL 10.500,00 Fonte: Voges (2011) Capítulo 4 126 Contabilidade Básica II Pois bem! No exercício de 20x8, a empresa Alvarez registrou um Lucro Líquido de R$ 4.200,00, que deverá ser totalmente distribuído, nos seguintes percentuais: 5% para Reserva Legal, 20% para Reserva Estatutária e 15% para Reserva Orçamentária. Pergunto: qual o valor que será destinado para dividendos? Quais os saldos das contas do Patrimônio Líquido para 20X8? Chegou aos valores? Acompanhe Se você respondeu R$ 2.520,00 para o valor destinado aos dividendos, conforme demonstrado no quadro a seguir, parabéns! Tabela 19 – Destinação do Resultado destinAção do resultAdo 20x7 luCro distriBuído em 20x8 Capital social 7.500,00 Reserva de capital 810,00 Reserva legal 390,00 210,00 Reserva estatutária 750,00 840,00 Reserva de contingência 420,00 Reserva orçamentária 480,00 630,00 Reserva de lucros a realizar 150,00 Dividendos 2.520,00 TOTAL 10.500,00 4.200,00 Fonte: Voges (2011)) Capítulo 4 127 Contabilidade Básica II E referente aos saldos das contas do Patrimônio Líquido para 20X8, acompanhe a resposta na tabela: Tabela 20 – Saldos das contas do Patrimônio Líquido dos exercícios de 20X7 e 20X8 PAtrimônio líquido 20x7 20x8 Capital social 7.500,00 7.500,00 Reserva de capital 810,00 810,00 Reserva legal 390,00 600,00 Reserva estatutária 750,00 1.590,00 Reserva de contingência 420,00 420,00 Reserva orçamentária 480,00 1.110,00 Reserva de lucros a realizar 150,00 150,00 Dividendos 12.180,00 TOTAL 10.500,00 4.200,00 Fonte: Voges (2011)) 4.4 Para saber mais título: Contabilidade comercial: atualizado conforme a Lei n° 11.638/07 e Lei n° 11.941/09 Autores: IUDíCIBUS, S.; MARION, J. C. Editora: Atlas (SP) Ano: 2010 Nesta obra, os autores abordam de forma completa as novas normas e práticas contábeis. Vale a pena a leitura para complementar seus estudos! Capítulo 4 128 Contabilidade Básica II 4.5 Relembrando Neste capítulo, você descobriu que: • são vários os elementos estruturais e conceituais da Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL); • existem inúmeras exigências legais quanto à distribuição do Lucro Líquido; • a Lei Federal n° 11.638, 28 de dezembro de 2007, que conduz as Sociedades Anônimas por Ações e as demais sociedades, estabelece em seu art. 178 a exclusão da conta Lucros ou Prejuízos Acumulados do grupo Patrimônio Líquido, mas mesmo assim, a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) é obrigatória para as companhias abertas; • há uma grande diferença entre Demonstração do Lucro ou Prejuízos Acumulados (DLPA) e a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL). 4.6 Testando os seus conhecimentos Procure refletir sobre as questões e responder a partir de seu entendimento. 1) Qual a finalidade da Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido – DMPL? 2) A Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido – DMPL representa a integração entre quais demonstrações contábeis? 3) Com o advento da Lei nº 11.638/07, quais foram as principais alterações para a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido – DMPL? 4) Qual a estrutura básica da Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido – DMPL? Capítulo 4 129 Contabilidade Básica II Onde encontrar BRASIL. lei nº 11.638 de 28 de dezembro de 2007. Altera e revoga dispositivos da Lei. 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e da Lei 6.385, de 7 de dezembro de 1976, e estende às sociedades de grande porte disposições relativas à elaboração e divulgação de demonstrações financeiras. Disponível em:<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007- 2010/2007/lei/l11638. htm>. Acesso em: 20 dez. 2010. IUDÍCIBUS, S.; MARTINS, E.; GELBCKE, E. R. manual de contabilidade das sociedades por ações. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2007. MARION, J. C. Contabilidade empresarial. 15. ed. São Paulo: Atlas, 2009. NEVES, S. Contabilidade avançada. 15. ed. São Paulo: Atlas, 2007. RIBEIRO, O. M. Demonstrações financeiras – mudanças na Lei das Sociedades Anônimas: como era e como ficou. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2010. Capítulo 4 130 Contabilidade Básica II Capítulo 5 131 Contabilidade Básica II DEmonstração Do FlUxo DE Caixa CAPÍTULO 5 5.1 Contextualizando Prezado aluno! Chegamos ao quinto capítulo de nossa disciplina e apresento aqui um importante item para aprimorar seus conhecimentos. Trata-se da Demonstração de Fluxo de Caixa, também conhecida pela sigla DFC. Você aprenderá sobre como demonstrar os objetivos, métodos e benefícios trazidos pela DFC. Estas informações apresentadas na demonstração revelam as alterações efetuadas nas contas caixa/bancos/ equivalentes de uma entidade e possibilita ao investidor e aos usuários em geral o conhecimento sobre a forma adotada pela entidade para gerar e gerir os recursos de caixa e equivalentes. Diante do contexto apresentado pela Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) neste capítulo, também abordarei as novas normas práticas contábeis atribuídas a esta demonstração, objetivo de nossos estudos. Ao final deste capítulo, você será capaz de: • identificar os elementos estruturais e conceituais da Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC); • descrever a composição estrutural da Demonstração do Fluxo de Caixa; • classificar os elementos necessários para mensuração e reconhecimento dos fatos administrativos diante da Demonstração do Fluxo de Caixa. Capítulo 5 132 Contabilidade Básica II 5.2 Conhecendo a teoria Nos capítulos anteriores, você estudou desde a estruturação do patrimônio das entidades até a elaboração do Balanço Patrimonial. Viu também a metodologia de apuração do resultado do exercício e sua estruturação na Demonstração do Resultado do Exercício (DRE). Ainda aprendeu os conceitos e técnicas de distribuição do Lucro Líquido e mutaçõespatrimoniais por meio de Demonstração de Lucro e Prejuízos Acumulados (DLPA) e da Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL). Então, após este estudo sobre as demonstrações patrimoniais e de resultado, chegou o momento de aprender como demonstrar os resultados financeiros da entidade pela Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC). O fluxo de caixa é uma espécie de radiografia da empresa. É por meio dele que o administrador identifica acertos e vulnerabilidades. Seu empenho é fundamental para melhor aproveitar este conteúdo. Vamos começar? A Lei 11.638/2007 tornou a Demonstração do Fluxo de Caixa obrigatória e foi uma das mais importantes inovações trazidas para as Sociedades Anônimas. SAIBA QUE Como você pode perceber, temos um grande desafio pela frente. São informações complexas que estão interligadas com o que você já estudou anteriormente. Mas lembre que com empenho e dedicação nenhuma tarefa é impossível. Enquanto as demonstrações estudadas até o momento tratavam das mutações nos grupos do Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido, a Demonstra- ção do Fluxo de Caixa (DFC) evidencia as mutações do grupo específico do Ativo, o Disponível. Capítulo 5 133 Contabilidade Básica II De acordo com Ribeiro (2010, p. 99), a origem da DFC é atribuída ao Financial Accounting Standards Board (Fasb), que, com o propósito de atender às necessidades norte-americanas no que se refere aos investidores e às empresas que buscavam captar recursos no mercado financeiro, apresentou esse documento por meio do seu Boletim n. 95 de 1987. Entretanto, a Lei das Sociedades Anônimas, que conduz, além das S.A., as demais sociedades, tornou obrigatória a elaboração e apresentação da Demonstração do Fluxo de Caixa. Destaco que no Brasil a Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) substituiu a Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos (DOAR), embora esta fosse considerada uma demonstração rica em informações. O que pesou para o abandono da DOAR foi a sua difícil compreensão pela grande maioria dos investidores. Veja, então, de forma bem simples, como as operações de caixa são apresentadas: Tabela 1 – Estrutura básica da Demonstração do Fluxo de Caixa demonstrAção do Fluxo de CAixA Ano xxxx ENTRADAS - Recebimentos de Clientes 500,00 total Das EntraDas 500,00 SAÍDAS Pagamento a Fornecedores (150,00) Pagamento de Despesas (20,00) total Das saÍDas (170,00) VARIAÇÃO DO PERÍODO (entradas - saídas) 330,00 (+) saldo início do período 100,00 (+) saldo no final do período 430,00 Fonte: Voges (2011) Capítulo 5 134 Contabilidade Básica II Sendo assim, este capítulo mostra primeiro os métodos de elaboração, as principais definições e conceitos e, posteriormente, a forma em que a Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) deve ser apresentada, contemplando todas as variações do grupo de contas do disponível. Você também vai conhecer a forma de elaboração da Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC), tanto pelo método direto quanto pelo método indireto. Você também poderá analisar a DFC na prática por meio de exemplos práticos para posterior elaboração dessa demonstração contábil. Mãos à obra! 5.2.1 Métodos de elaboração A Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) é uma demonstração contábil, essencialmente financeira, que demonstra as entradas e as saídas de dinheiro no decorrer de um determinado período. O estudo possibilita, além da melhor avaliação por parte dos usuários da informação contábil e financeira, a capacidade de geração de caixa e da situação de liquidez e solvência da empresa. Como você percebe, a DFC é um instrumento fundamental para garantir a sobrevivência da empresa. DEFINIÇÃO Ribeiro (2010) define a Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) como um relatório contábil que tem por fim evidenciar as transações ocorridas em um determinado período e que provocaram modificações no saldo da conta caixa. Logo, você pode concluir que a Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) propicia ao gestor financeiro um melhor planejamento das finanças da empresa, pois diante de uma economia inflacionária não é aconselhável o excesso de caixa. Segundo Marion (2009), por meio do planejamento financeiro o gerente saberá o momento certo em que contrairá empréstimos para cobrir a falta (insuficiência) de fundos, bem como o momento apropriado para aplicar no mercado financeiro o excesso de dinheiro. Desta forma o gestor evita a corrosão inflacionária e proporciona maior rendimento à empresa, com menor risco. Capítulo 5 135 Contabilidade Básica II Só com o que apresentei até agora, você já pode perceber a importância e a utilidade da Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) para os usuários da informação contábil, bem como o que esta demonstração pode evidenciar. A elaboração da Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) tornou-se obrigatória a partir de 1 de janeiro de 2008, com o advento da Lei 11.638/2007, a chamada Lei das Sociedades Anônimas. Porém, esta lei não vale para as empresas de capital fechado cujo patrimônio líquido for inferior a R$ 2 milhões, ou seja, a DFC não é obrigatória. Creio ser oportuno destacar que, apesar da lei ter sido aprovada só em 2007, desde 1990 as companhias de capital aberto e muitas outras empresas, opcionalmente, já vinham elaborando essa demonstração contábil. Como você percebe, a DFC, mais do que uma obrigação, é uma análise importante e salutar à empresa. Perceba que há uma legislação a ser obedecida, mas o fato de alguns tipos de associações não serem obrigadas a fazer certas análises contábeis não significa que elas não sejam praticadas, uma vez que deixam a movimentação financeira da empresa mais transparente, mais controlada. A Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) substituiu a Demonstração de Origens e Aplicações de Recursos (DOAR), porém, atualmente, algumas em- presas adotam análise da DOAR para fins gerenciais, mas está cada vez mais caindo em desuso. Um dos motivos para a substituição da Demonstração de Ori- gens e Aplicações de Recursos (DOAR) pela Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) foi a utilidade da informação gerada por essas demonstrações, ou seja, en- quanto a primeira evidencia uma análise mais específica para o longo prazo, a Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) busca analisar as variações de curto prazo. Para Ribeiro (2010), a DFC, por utilizar linguagem e conceitos mais simples, surge como instrumento mais acessível à maioria dos usuários das demonstrações contábeis. O principal objetivo da Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) é eviden- ciar as entradas e saídas de dinheiro da entidade e, para isso, tem por objetivo focar o Regime de Caixa e não de competência como as demais demons- trações contábeis. Capítulo 5 136 Contabilidade Básica II Ribeiro (2010) explica ainda que DFC trata-se de uma demonstração sintetizada dos fatos administrativos que envolvem os fluxos de dinheiro ocorridos durante um determinado período, devidamente registrados a débito (entradas) e a crédito (saídas) da conta caixa. A Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) é um relatório contábil que tem por objetivo evidenciar o que está provocando as variações positivas e negativas no caixa durante aquele determinado período. Segundo Azevedo (2008), estas as informações sobre o fluxo de caixa são fundamentais aos gestores da entidade e aos demais usuários da informação contábil, já que proporcionam: • uma base para avaliar a capacidade de a entidade gerar caixa e honrar seus compromissos; • ciência a respeito de se a entidade está gerando fluxos de caixa positivo ou negativo; • demonstração das necessidades de financiamento; • demonstração de ondevem o dinheiro e para onde está sendo destinado; • identificação do grau de precisão das estimativas passadas de fluxos futuros de caixa; • descrição do critério adotado para a distribuição de lucros/dividendos;. • informação a respeito de se a entidade vem obtendo empréstimo e qual o seu montante. Portanto, como você pode observar, a Demonstração de Fluxo de Caixa (DFC) é, na verdade, um conjunto de informações significativas e úteis tanto para a análise a longo prazo quanto para o curto prazo. Isso quer dizer que o controle do caixa proporciona a programação de compras, gastos, oportunidade investimentos, aquisição de empréstimos, entre outros. Contudo, o fluxo de caixa pode ser tanto realizado como projetado. Ele é realizado quando é a movimentação real da empresa, aquilo que de fato aconteceu. Mas quando o fluxo de caixa ainda é uma expectativa, uma esperança de que aconteça, é classificado como projetado. Logo, é de suma importância que a entidade confronte o fluxo de caixa realizado com o fluxo de caixa projetado para então analisar as variações Capítulo 5 137 Contabilidade Básica II existentes e os seus respectivos motivos. Só assim as finanças estarão realmente sob controle. Mas fique atento porque são diversas as operações que alteram o fluxo de caixa, tais como o recebimento de clientes decorrente de vendas, o pagamento de fornecedores em função da compra, o pagamento de salários dos colaboradores da empresa, a integralização de capital social em dinheiro, aquisição de empréstimo, entre outras tantas operações que fazem parte da rotina financeira da empresa. Diante disto, destaco que a Lei 11.638/2007 não especifica um modelo de Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) que deve ser utilizado pelas entidades, apenas menciona no art. 188 que nesta demonstração as movimentações do dinheiro disponível são divididas em três grupos distintos: atividades operacionais, atividades de investimentos e atividades de financiamentos. LEMBRETE A Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) deve apresentar a movimentação do caixa resultante das atividades operacionais, das operações de investimentos e ações de financiamentos e o seu efeito sobre o saldo de caixa, conciliando assim os saldos no início e no final de cada período. Para Marion (2009), essa demonstração é obtida de forma direta (a partir da movimentação do caixa e equivalentes de caixa) ou de forma indireta (com base no lucro/prejuízo do exercício). Assim, existem dois métodos adotados para a elaboração da Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC), o método direto e o método indireto, conforme será apresentado a seguir. 5.2.2 Conteúdo dos métodos e definições A Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) pode ser estruturada de forma direta, considerando as entradas e saídas de recursos e apurando-se o saldo final de caixa, ou de forma indireta. Preste atenção neste detalhe: a demonstração parte do lucro líquido do exercício, posteriormente as entradas Capítulo 5 138 Contabilidade Básica II e saídas de recursos, apurando o saldo final de caixa. Serão apresentados, a seguir, os métodos direto e indireto de elaboração da Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC). Método direto O método direto de estruturação da Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) é considerado o mais comum entre as entidades onde todos os recursos decorrentes das atividades são registrados a partir do recebimento e pagamentos efetuados no período. Marion (2009) comenta que muitos estudiosos e gestores financeiros se referem ao método direto como o verdadeiro fluxo de caixa. Isso porque neste método as entradas e saídas de recursos do caixa começam pelos valores recebidos decorrentes das vendas, em vez de começar pelo lucro líquido, conforme prevê o método indireto que irei detalhar posteriormente. Apresento a seguir, de forma detalhada, o modelo da Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) pelo método direto reproduzido pela Norma Brasi- leira de Contabilidade. Observe que tabela contém todos os dados relevantes da movimentação financeira da empresa. Tenha em mente que qualquer valor, por menos que seja, é importante para chegar ao resultado financeiro real da empresa Tabela 2 – Demonstração do Fluxo de Caixa pelo método direto MéTODO DIRETO – DEMONSTRAÇÃO DOS fLUXOS DE CAIXA Fluxos de CAixA dAs AtividAdes oPerACionAis Ano Recebimentos de clientes 30.150 Pagamentos a fornecedores e empregados (27.600) 1) Caixa gerado pelas operações 2.550 Juros pagos (270) Imposto de Renda e contribuição social pagos (800) Imposto de Renda na fonte sobre dividendos recebidos (100) 2) Caixa líquido proveniente das atividades operacionais 1.380 Fluxos de caixa das atividades de investimento (480) Capítulo 5 139 Contabilidade Básica II Aquisição da controlada X (550) Compra de ativo imobilizado (350) Recebido pela venda de equipamento 20 Juros recebidos 200 Dividendos recebidos 200 3) Caixa líquido usado nas atividades de investimento (480) Fluxos de caixa das atividades de financiamento Recebido pela emissão de ações 250 Recebido por empréstimo a logo prazo 250 Pagamento de passivo por arrendamento (90) Dividendos pagos* (1.200) 4) Caixa líquido usado nas atividades de financiamento (2 + 3 + atividades de financiamentos) (790) Aumento líquido de caixa e equivalentes de caixa 110 Caixa e equivalentes de caixa no início do período 120 Caixa e equivalentes de caixa no fim do período 230 Fonte: adaptado de NBC-T-3.8 Como citei antes, a Lei 11.638/2007 não especifica um modelo de Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) que deve ser utilizado pelas empresas, apenas menciona no art. 188 as movimentações que devem comportar. Mas atenção porque, posteriormente, a Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) foi disciplinada pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis e pelo Conselho Federal de Contabilidade, por meio da NBC-T-3.8, aprovada pela Resolução n. 1.125/2008 (RIBEIRO, 2010). Como você já pode comprovar, o método direto da Demonstração do Fluxo de Caixa deixa muito clara a movimentação financeira da empresa. São informações simples que revelam a saúde financeira da empresa e que podem ser perfeitamente entendidas por leigos. Na sequência, você vai conhecer o método indireto do DFC, todas as suas peculiaridades e aplicações. Vamos em frente? Método indireto O método indireto é considerado complexo e consiste na elaboração do fluxo de caixa a partir do lucro líquido apurado no exercício, seguido das Capítulo 5 140 Contabilidade Básica II movimentações de entradas e saídas de recursos até chegar ao resultado final do caixa. Segundo Ribeiro (2010, p. 108), por este método, também denominado Método da Reconciliação, os recursos derivadas das atividades operacionais são demonstrados a partir do lucro líquido do exercício, ajustado pela adição das despesas e exclusão das receitas consideradas na apuração do resultado e que não afetaram o caixa da empresa, isto é, que não representaram saídas ou entradas de dinheiro, bem como pela exclusão das receitas realizadas no exercício anterior e pela adição das receitas recebidas antecipadamente que não foram consideradas na apuração do resultado, mas que interferem no caixa da empresa. Logo, o método indireto de estruturação da Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) evidencia, no grupo atividades operacionais, os valores pelo Regime de Competência, onde então se faz a relação entre as movimentações de caixa e o resultado líquido, constante na Demonstração do Resultado do Exercício, também denominado de método de conciliação. Apresento a seguir de forma detalhada o modelo da Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC)pelo método indireto reproduzido pela Norma Brasileira de Contabilidade: Tabela 2 – Demonstração do Fluxo de Caixa pelo método indireto MéTODO INDIRETO – DEMONSTRAÇÃO DOS fLUXOS DE CAIXA Fluxos de CAixA dAs AtividAdes oPerACionAis – Ano Lucro líquido antes do Imposto de Renda e contribuição social 3.350 Ajustes por: Depreciação 450 Perda cambial 40 Renda de investimentos (500) Despesas de juros 400 1) Saldo=> 3.740 Aumento nas contas a receber de clientes e outros (500) Diminuição nos estoques 1.050 Capítulo 5 141 Contabilidade Básica II Diminuição nas contas a pagar – fornecedores (1.740) 2) Caixa proveniente das operações (1.190) Juros pagos (270) Imposto de Renda e contribuição social pagos (800) Imposto de Renda na fonte sobre dividendos recebidos (100) 4) Caixa líquido proveniente das atividades operacionais (1+2+ demais movimentações) 1.380 Fluxos de CAixA dAs AtividAdes de investimento Aquisição da controlada X (550) Compra de ativo imobilizado (350) Recebimento pela venda de equipamento 20 Juros recebidos 200 Dividendos recebidos 200 5) Caixa líquido usado nas atividades de investimento (480) FLUXOS DE CAIXA DAS ATIVIDADES DE FINANCIAMENTO Recebimento pela emissão de ações 250 Recebimento por empréstimos a longo prazo 250 Pagamento de obrigação por arrendamento (90) Dividendos pagos* (1.200) 6) Caixa líquido usado nas atividades de financiamento (790) Aumento líquido de caixa e equivalentes de caixa (4+5+6) 110 Caixa e equivalentes de caixa no início do período 120 Caixa e equivalentes de caixa no fim do período 230 Fonte: adaptado de NBC-T-3.8 Caro aluno, como você pode observar, o método indireto é muito mais complexo em sua forma de estruturação. Cabe também destacar que o saldo final do fluxo de caixa foi o mesmo em ambos os métodos aplicados, tanto no direto e quanto no indireto. Iudícibus, Martins e Gelbcke (2007) comentam que no método indireto, por levar em consideração que o lucro líquido afeta diretamente o caixa, o que é irreal, deve-se retirar os itens que atingem o lucro, mas que não afetam o caixa, e os que afetam o caixa, mas não o lucro. Exemplo disso são as depreciações, vendas de imobilizado, uma vez que afetam o caixa, mas não as atividades operacionais. Capítulo 5 142 Contabilidade Básica II A Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) pelo método indireto requer a atenção e o cuidado para evidenciar todas as movimentações das contas caixa e equivalentes (bancos, aplicações), tomando por base separá-las em conformidade com a atividade. Nesta demonstração, a estruturação parte do lucro ou prejuízo do período, logo, este precisa ser ajustado por contabilizações que não afetaram o caixa, como, por exemplo, a depreciação, as provisões, as variações monetárias ativas e passivas, entre outras. Então, no método indireto, o lucro deve ser ajustado com o aumento ou a redução decorrente das contas patrimoniais até obter-se o saldo de caixa evidenciado na Demonstração do Fluxo de Caixa pelo método direto. LEMBRETE Você deve ficar atento aos sinais das contas patrimoniais. As contas redutoras do ativo e as adições no passivo são representadas como soma na Demonstração do Fluxo de Caixa. Inversamente, as contas redutoras do passivo e adições no ativo são evidenciadas por meio da subtração na DFC, porque demonstram que a empresa necessita de recursos de caixa e equivalentes no exercício. Portanto, todas as contas do ativo e do passivo de curto prazo, ou seja, do circulante, devem ser evidenciadas na Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC), exceto as contas de caixa e equivalentes, que estarão consideradas no saldo. Atente que as contas de empréstimos ou financiamentos, transferidas de longo para curto prazo, não representam saídas de caixa. Segundo Iudícibus, Martins e Gelbcke (2007), no método indireto, por considerar que o lucro líquido afeta diretamente o caixa, o que é ilusório, é preciso retirar os itens que interferem no lucro, mas que não afetam o caixa, e os que afetam o caixa, mas não interferem no lucro, como, por exemplo, as vendas de imobilizado, uma vez que interferem no caixa, mas não nas atividades operacionais, entre outras. Capítulo 5 143 Contabilidade Básica II Para facilitar a sua compreensão do que expus até agora, creio ser de fundamental importância conceituar os elementos de caixa e equivalentes de caixa, como apresento a seguir. Caixa e equivalente de caixa A Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) foi regulamentada pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis que trata dos elementos do caixa como os numerários em espécie e os depósitos bancários disponíveis. Já os elementos equivalentes de caixa referem-se às aplicações financeiras de alta liquidez, ou seja, aquelas que são facilmente transformadas em dinheiro. Conforme Ribeiro (2010, p. 102), equivalentes de caixa abrangem todos os investimentos efetuados pela empresa e que tenham altíssima liquidez. São as sobras de caixa aplicadas no mercado financeiro, cujas operações se caracterizam pela finalidade não especulativa, bem como, conforme já abordamos, pela possibilidade de serem resgatadas imediatamente (no momento que a entidade desejar). Também conforme Ribeiro (2010), os equivalentes de caixa abrangem todos os investimentos efetuados pela empresa que tenham altíssima liquidez. São as sobras de caixa aplicadas no mercado financeiro, cujas operações se caracterizam pela finalidade não especulativa, bem como, conforme já abordamos, pela possibilidade de serem resgatadas imediatamente (no momento que a entidade desejar). Portanto, as aplicações em poupança, os CDBs e RDBs prefixados, entre outros, podem ser considerados elementos equivalentes de caixa. Deste modo, pode-se observar a importância do detalhamento das informações quanto à liquidez das contas pelo gestor financeiro, e principalmente, o controle e o monitoramento das mesmas. A seguir, detalharei para você a classificação, os componentes e a estrutura da Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC). Atenção para os detalhes! Capítulo 5 144 Contabilidade Básica II 5.2.3 Classificação, componentes e estrutura A Lei das Sociedades por Ações ou a Lei 11.638/2007 não trata de nenhum modelo de Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) que deve ser apresentado pelas entidades, apenas referencia em seu art. 188 que nessa demonstração as movimentações das disponibilidades serão divididas em três grupos distintos: • atividades operacionais; • atividades de investimentos; • atividades de financiamentos. Para uma melhor aceitação e análise da Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) pelo usuário da informação, a Lei 11.638/2007 divide essa demonstração em atividades, uma vez que sua elaboração, estruturação e interpretação se tornam simples. Isso porque estas três atividades estão relacionadas de acordo com a natureza da informação que lhe dá origem. Quanto aos três grupos de atividade, Iudícibus, Martins e Gelbcke (2007) abordam o seguinte exemplo: a compra de matéria-prima para a produção é uma atividade operacional; a compra de uma máquina utilizada na geração de outros produtos é uma atividade de investimento, e a compra de ações da própria empresa é uma atividade de financiamento. A Norma Brasileira de Contabilidade a NBC-T 3.8 disciplina as empresas a apresentarem seus relatórios de fluxos de caixa decorrentes das atividades operacionais, de investimento e de financiamento da maneira mais apropriada aos seus negócios. Esta flexibilidade é importante porque a empresa define a melhor forma de trabalhar as suas informações. Portanto, a classificação das atividades deve harmonizar as informaçõesde maneira que os usuários possam avaliar o impacto de tais atividades sobre a posição financeira da entidade. Ainda, essas informações podem também ser usadas para avaliar a relação dessas atividades entre si. Desta forma, podemos considerar como atividades operacionais aquelas resultantes das atividades foco da empresa, realizadas conforme seu objeto social, ou seja, atividades de produção, comercialização e Capítulo 5 145 Contabilidade Básica II prestação de serviços, como, por exemplo, cobrança de clientes, pagamento a fornecedores, pagamento a funcionários, entre outros. Segundo Ribeiro (2010), as atividades operacionais compreendem às transações que envolvem a consecução do objeto social da entidade. Está claro até aqui? Então vamos em frente! As atividades de investimentos são aquelas que decorrem principalmente da compra e venda de elementos do ativo (não circulante) da empresa que não seriam destinados à ven-da, e sim utilizados para produção, comercialização ou prestação de serviços. Esses ativos são classificados como não circulante nos subgrupos de investimentos, imobilizado ou intangível, como máquinas e equipamentos, softwares, participação em outras entidades, entre outros. Conforme Marion (2009), as atividades de investimentos referem-se ao não circulante da empresa. Quando uma empresa compra máquinas, ações, prédios etc., reduz o caixa. Quando a empresa vende esses itens, aumenta o caixa. As atividades de financiamento são aquelas que decorrem da captação de recursos de sócios, acionistas ou instituições financeiras (empréstimos e/ou financiamentos bancários). Essas atividades possuem relação com o endividamento da entidade, tanto de longo como de curto prazo. Para Marion (2009), os financiamentos poderão vir dos proprietários (aumento de capital em dinheiro) ou de terceiros (financiamentos, bancos, entre outros). Além de tudo, um único fato administrativo/financeiro pode ser classificado em mais de uma atividade, como, por exemplo, quando a empresa efetua o pagamento de uma parcela de um empréstimo bancário com juros. O valor do principal pagamento deve ser classificado como atividade de financiamento e os juros incidentes sobre a parcela podem ser classificados como atividade operacional. Capítulo 5 146 Contabilidade Básica II PRATICANDO Como você viu, existem três grupos de atividades. Se a compra de matéria-prima para a produção é uma atividade operacional e a compra de uma máquina utilizada na geração de outros produtos é uma atividade de investimento, como podemos classificar a compra (resgate) de ações da própria empresa? Se você respondeu que é uma atividade de financiamento, acertou! Conforme Ribeiro (2008), as transações que devem integrar a Demons- tração do Fluxo de Caixa (DFC) serão abordadas a seguir. Atividades operacionais a) São consideradas entradas: • recebimento de clientes em virtude de vendas, à vista, de mercadorias, serviços ou de outros bens do Ativo Circulante; • recebimento de clientes decorrentes de duplicatas referentes a vendas de bens ou prestação de serviços realizados a prazo; • recebimento proveniente de descontos de duplicatas oriundas da venda de bens ou da prestação de serviços a prazo; • recebimento de juros sobre empréstimos concedidos, sobre financiamentos relativos a vendas de bens do Ativo Circulante ou à prestação de serviços, ou, ainda, sobre aplicações financeiras; • recebimento das demais receitas operacionais, realizadas ou não, ou, ainda, daquelas já realizadas e devidamente contabilizadas em contas representativas de direitos; • recebimento pela venda ou resgate de títulos e valores mobiliários, exceto aqueles considerados investimentos; Capítulo 5 147 Contabilidade Básica II • recebimento de dividendos por participação no capital de outras empresas; • recebimento de indenizações por sinistros ocorridos em bens ou insumos destinados à produção ou à venda; • todos os demais recebimentos, desde que não se enquadrem em atividades de investimentos ou de financiamentos. Exemplos: os reembolsos recebidos de fornecedores decorrentes de devoluções de compras de mercadorias serão classificados como atividades operacionais, enquanto os reembolsos recebidos de fornecedores decorrentes de devolução de compra de bens do Ativo Permanente serão classificados como atividades de investimentos. b) São consideradas saídas: • pagamentos efetuados a fornecedores em virtude de compras à vista de mercadorias ou de serviços – ou ainda de outros bens do Ativo Circulante; • pagamento de duplicatas a fornecedores, em virtude de compras de mercadorias ou de serviços, ou, ainda, de outros bens do Ativo Circulante, efetuadas a prazo; • pagamento de juros e descontos comerciais ou financeiros e de outras despesas financeiras; • pagamento de despesas em geral: antes da ocorrência de seus fatos geradores (despesas antecipadas), no momento da ocorrência de seus fatos geradores e após a ocorrência de seus fatos geradores (já devidamente apropriadas e registradas em contas de obrigação) ; • pagamentos aos governos federal, estadual e municipal, referentes a tributos: imposto de renda e contribuição social sobre o lucro líquido, taxas diversas etc.; • pagamento ou recolhimento de obrigações trabalhistas, previdenciárias e outras; Capítulo 5 148 Contabilidade Básica II • aplicações financeiras em títulos e valores mobiliários, classificáveis no Ativo Circulante; • outras saídas de caixa, desde que não se enquadrem entre as atividades de investimentos ou financiamentos, como adiantamentos a fornecedores para aquisição de bens classificáveis no Ativo Circulante ou para a utilização de serviços, reembolso a clientes em decorrência de vendas canceladas ou de abatimentos concedidos etc. Atividades de investimento a) Considera-se como entradas: • recebimento do principal decorrente de empréstimos ou financiamentos efetuados a terceiros; • resgate de aplicações financeiras, exceto as equivalentes de caixa ou outras do Ativo Circulante; • recebimento pela venda de títulos de investimentos de outras entidades; • recebimento pela venda de participações em outras empresas; • recebimento pelo resgate de participações em outras empresas; • recebimentos decorrentes de vendas de bens de uso da empresa ou de outros bens do Ativo Permanente; • juros recebidos de contratos mútuos. b) Saídas: • desembolsos relativos à concessão de empréstimos a terceiros; • aplicações financeiras em títulos e valores mobiliários, classificáveis no ativo realizável a longo prazo; • pagamentos pela aquisição de títulos e valores mobiliários de outras entidades, classificáveis no Ativo Permanente; • pagamentos relativos à aquisição de bens de uso, classificáveis no ativo imobilizado. Atividades de financiamento a) Entradas: Capítulo 5 149 Contabilidade Básica II • recebimento de recursos financeiros dos proprietários como realização do capital ou pela venda de ações emitidas; • empréstimos obtidos a curto ou a longo prazo, com emissão de notas promissórias, debêntures, letras hipotecárias, títulos de dívida, recebimento de juros decorrentes de empréstimos efetuados a terceiros etc.; • recebimento de recursos financeiros decorrentes de doações de ca- ráter permanente ou temporário, com finalidade exclusiva de aqui- sição, construção ou expansão, incluídos bens de uso classificáveis no ativo imobilizado. b) Saídas: • pagamentos ao proprietário, sócios ou acionistas referentes a reembolso de seus investimentos no capital da entidade, ou refe- rentes a pagamento de dividendos, jurossobre o capital próprio ou outras distribuições; • pagamento de empréstimos obtidos; • pagamento de juros sobre empréstimos obtidos. Diante do conteúdo exposto até o momento, é válido apresentar que algumas transações não movimentam as disponibilidades, logo, não devem integrar a Demonstração do Fluxo de Caixa – DFC. Segundo Ribeiro (2009), as transações que não devem integrar a Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) são: • aumentos de capital com o aproveitamento de reservas; • aumentos de capital com conversão de obrigações de curto e longo prazos; • aumentos de capital com integralização em bens do ativo imobilizado; Capítulo 5 150 Contabilidade Básica II • recebimento de doações, exceto em dinheiro; • transferência de valores do Passivo Não Circulante para o Passivo Circulante e do Realizável a Longo Prazo para o Ativo Circulante; • distribuição de dividendos, enquanto não forem pagos. Essa transação reduz o Patrimônio Líquido e aumenta o Passivo Circulante, porém não movimenta o caixa. É bom ressaltar que, no momento do pagamento dos dividendos, por ocorrer saída de numerário do disponível, o caixa ficará afetado e, consequentemente, o fato será informado na DFC; • compensação de valores passivos com valores ativos, desde que não envolvam dinheiro entre outros; • convém salientar que, na DFC, não devem figurar as transações que correspondam a ingressos virtuais no caixa, como ocorre, por exemplo, no momento da integralização de capital com bens do ativo imobilizado ou com a aquisição de bens do ativo imobilizado financiados a longo prazo. Na extinta DOAR essas transações deviam ser informadas, considerando-se que tenha ocorrido ingresso de dinheiro no Ativo Circulante e imediata saída para aquisição dos referidos bens. Na DFC, transações dessa natureza não aparecem, devendo ser objeto de informação em Notas Explicativas. Caro aluno, apresentei até aqui os principais conceitos, a classificação e os métodos de estruturação da Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC). A partir deste momento, para que você entenda a função de cada um dos itens estudados e a importância do conhecimento adquirido, apresento no tópico a seguir um roteiro para estruturação da Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC). 5.2.4 Roteiro para elaborar os fluxos de caixa Para estruturar a Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) da empresa, os dados são extraídos dos registros financeiros, conforme a elaboração das demais demonstrações contábeis. Capítulo 5 151 Contabilidade Básica II Na confecção do Balanço Patrimonial, da Demonstração do Resultado do Exercício (DRE), da Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA) e na Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) leva-se em consideração o Regime de Competência, ou seja, os fatos são registrados no momento de sua ocorrência lançando os valores a vista ou a prazo. Já para a confecção da Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) é considerado o Regime de Caixa, ou seja, os registros são realizados em decorrência do recebimento e pagamento. SAIBA QUE Cada demonstração contábil possui seu grau de dificuldade dependendo do amplitude do seu detalhamento. Conforme Ribeiro (2009, p. 116), há demonstrações que são simples de serem elaboradas, como é o caso do Balanço Patrimonial, da DLPA e da DMPL, as quais são elaboradas a partir dos saldos das contas extraídos diretamente do livro Razão, sem maiores complicações. Porém, para se elaborar a DFC, dependendo da complexidade das operações que ocorreram durante o exercício, será necessário preparar mapas ou outros demonstrativos para facilitar o agrupamento de dados a serem indicados nesse demonstrativo contábil. Destaco que para a confecção da Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) é necessário, em primeiro lugar, disponibilizar todos os registros contábeis realizados durante o exercício social, contemplando os livros contábeis (diário e razão), bem como as demonstrações contábeis já encerradas. Importante assinalar que na estruturação da Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC), tanto pelo método direto quanto pelo método indireto, os dados são coletados a partir do Balanço Patrimonial, do exercício atual e anterior, e da Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) do exercício atual. Para os casos onde existe a necessidade do detalhamento da conta é necessário o uso do livro razão. Capítulo 5 152 Contabilidade Básica II Em posse dos livros contábeis e das demonstrações, você deve observar as principais transações que afetaram o caixa, aumentando ou reduzindo o seu saldo, tais como integralização de capital em dinheiro, aquisição de empréstimo, vendas à vista, pagamento de fornecedores, pagamento de despesas, entre outras. É importante também a identificação das transações que não afetaram o caixa, como por exemplo, a depreciação, provisão para crédito de liquidez duvidosa, entre outras. A atenção aos detalhes vai fazer toda a diferença na sua atuação profissional! Depois de identificadas as principais transações de caixa, deve-se optar por um método de estrutura e, então, classificar as transações por grupo de atividades. Logo, tanto na Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC), na forma direta e na indireta, as informações devem ser apresentadas por grupo de atividade, tais como operacionais, investimento e financiamento, conforme a Lei das Sociedades por Ações. Portanto, no grupo das atividades de investimentos e de financiamentos os dados serão iguais, tanto no método direto quanto no método indireto. Para Ribeiro (2009), o que muda é a forma de apresentar a origem e o destino do dinheiro em decorrência das atividades operacionais. A Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) tem a intenção de esclarecer algumas situações controversas na empresa, como, por exemplo, quando esta possui um lucro alto e um saldo de caixa baixo. Ou, ainda, como a empresa pode ter registrado prejuízo num determinado período com um saldo de caixa alto. REFLEXÃO Perceba que na escolha da Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) da forma indireta é preciso ter o entendimento de que a sua estrutura inicia a partir do resultado do exercício, ajustando-o pela supressão dos resultados não financeiros e pela adição ou exclusão das variações ocorridas nos grupos de contas do Ativo Circulante, exceto as disponibilidades e o Passivo Circulante. Diante do exposto, destaco que se adicionam ao resultado do exercício as despesas que não transitam pelo caixa como, por exemplo, a depreciação Capítulo 5 153 Contabilidade Básica II e subtraem-se também as receitas que não transitam pelo caixa. Neste caso, as mais comuns são as receitas decorrentes das participações societárias contabilizadas pelo método de equivalência patrimonial, em que existe apenas a agregação do valor do ganho sem transitar pelo fluxo financeiro. Em seguida, já no grupo das atividades operacionais, são registradas na Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) as variações, para mais ou para menos, decorrentes de todos os grupos de contas do Ativo Circulante, exceto das disponibilidades e do Passivo Circulante. Desta forma, vamos obter o resultado gerado ou consumido pelas atividades operacionais. Observe que na Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) pela forma direta, no grupo de atividades operacionais, é evidenciado o total dos valores recebidos de clientes, bem como o total dos valores pagos aos fornecedores e aos empregados. O resultado das atividades operacionais decorre dos recebimentos e dos pagamentos ocorridos durante o exercício. Posteriormente, são registrados os pagamentos realizados a título de imposto de renda e contribuição social, os recebimentos porreembolso de seguros, os pagamentos de contingências, os recebimentos vindos de lucros para, finalmente, ser informado o valor líquido decorrente do confronto entre os demais recebimentos e pagamentos ocorridos no período e não incluídos nos itens anteriores. Contudo, depois de identificadas as atividades operacionais, temos que apurar as transações dos financiamentos decorrentes de terceiros (financiadoras e bancos) ou sócios (dividendos e aumento de capital), registrando na Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) as suas variações tanto quando aumentarem ou diminuírem os saldos. A seguir, devem ser apuradas as transações das atividades de investimento, ou seja, aquelas que se referem ao não circulante da empresa como, por exemplo, a compra de máquinas, imóvel ou ainda a venda de ações. E, por fim, a apuração do saldo inicial e final da Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC), destacando os fluxos por grupo de atividade. Para facilitar o processo de aprendizagem, proponho a análise de um exemplo, que foi adaptado para facilitar seu entendimento. Vamos a ele! Capítulo 5 154 Contabilidade Básica II Exemplo de confecção da DFC proposto por Marion (2009) Com base no Balanço Patrimonial dos exercícios de 20x4 e 20x5 e Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) e Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA) de 20x5 da Casa de Lingeries, exemplo proposto por Marion (2009), deve-se estruturar a Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) pelos métodos direto e indireto: Tabela 4 – Demonstração dos Lucros ou Prejuízos acumulados da Casa das Lingeries BALANÇO PATRIMONIAL CAsA dAs lingeries ltdA. ativo 31-12-x4 31-12-x5 passivo 31-12-x4 31-12-x5 CirCUlantE 580.000,00 650.000,00 CirCUlantE 340.000,00 280.000,00 Caixa 40.000,00 10.000,00 Fornecedores 200.000,00 220.000,00 Duplic.a Receber 150.000,00 220.000,00 Salários a Pagar 30.000,00 40.000,00 Estoques 390.000,00 420.000,00 Impostos a Pagar 60.000,00 6.000,00 Dividend.a Pagar 50.000,00 14.000,00 não CirCUlantE 210.000,00 180.000,00 não CirCUlantE 450.000,00 550.000,00 Realizável a longo prazo 50.000,00 40.000,00 Exigível a longo prazo (financia- mentos) 100.000,00 150.000,00 Investimentos 60.000,00 50.000,00 Imobilizado 70.000,00 60.000,00 PATRIM. LÍQUIDO 350.000,00 400.000,00 Intangível 30.000,00 30.000,00 Capital 300.000,00 340.000,00 Reservas Lucro 50.000,00 60.000,00 total 790.000,00 830.000,00 total 790.000,00 830.000,00 Fonte: adaptado de Marion (2009) Tabela 5 – Demonstração do Resultado do Exercício da Casa das Lingeries DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO CAsA dAs lingeries – 20x5 Receita Líquida 800.000,00 (-) Custo da Mercadoria Vendida (650.000,00) lucro Bruto 150.000,00 Capítulo 5 155 Contabilidade Básica II (-) Despesas Operacionais Vendas (30.000,00) Administrativas (inclui depreciação de 10.000) (70.000,00) Financeiras (despesa de 30.000 e receita 10.000) (20.000,00) lucro operacional 30.000,00 (-) Imposto de Renda e Contribuição Social (6.000,00) lucro líquido 24.000,00 Fonte: Marion (2009) Tabela 6 – Demonstração dos Lucros ou Prejuízos acumulados da Casa das Lingeries DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO CAsA dAs lingeries – 20x5 Lucros acumulados de 31-12-x4 50.000,00 (+) Lucro Líquido de 31-12-x5 24.000,00 Saldo a disposição dos sócios 74.000,00 (-) Dividendos (14.000,00) Lucros acumulados de 31-12-x5 60.000,00 Fonte: Marion (2009) Com a análise das demonstrações contábeis apresentadas, você pode verificar que: Quanto às entradas Receita operacional recebida = receita líquida de 800.000 + duplicatas a receber (x4) 150.000 – duplicatas a receber (x5) 220.000 = 730.000 Receita Financeira = 10.000 (DRE) Recebimento de coligadas = realizável a longo prazo (x4) - realizável a longo prazo (x5) = 10.000 Vendas investimentos = investimento (x4) - investimentos (x5) = 10.000 Novos financiamentos = financiamento a pagar de (x5) - financiamento a pagar de (x4) = 50.000 Capítulo 5 156 Contabilidade Básica II Aumento capital = Capital (x5) – Capital (x4) = 40.000 Quanto às saídas Compras pagas = compras 680.000 + fornecedores (x4) 200.000 - fornecedores (x5) 220.000 = 660.000 Despesas vendas pagas = 30.000 (DRE) Despesas administrativas = 70.000 (DRE) - depreciação 10.000 + salários a pagar (x4) 30.000 - salários a pagar (x5) 40.000= 50.000 Despesas financeiras = 30.000 (DRE) Imposto de renda = 6.000 (DRE) + IR a pagar (x4) 60.000 - IR a pagar (x5) 6.000 = 60.000 Dividendos pagos = 14.000 (DLPA) + dividendos pagos (x4) 60.000 - dividendos pagas (x5) 14.000 = 50.000 Tabela 7 – Método indireto MéTODO INDIRETO – DEMONSTRAÇÃO DOS fLUXOS DE CAIXA CAsA dAs lingeries – 20x5 a) atividade operacionais Lucro líquido 24.000,00 (+) despesas econômicas (não afetam o caixa) Depreciação 10.000,00 Ajuste por Mudança do Capital de Giro 34.000,00 (aumento ou redução durante o ano) Ativo Circulante Duplicatas a Receber - aumento (reduz o caixa) (70.000,00) Estoque de Lingeries - aumento (reduz o caixa) (30.000,00) (100.000,00) Passivo Circulante Fornecedores - aumento (melhora o caixa) 20.000,00 Capítulo 5 157 Contabilidade Básica II Salários a Pagar - aumento (melhora o caixa) 10.000,00 Impostos a Recolher - redução (piora o caixa) (54.000,00) (24.000,00) – (124.000,00) Fluxo de Caixa das Atividades Operacionais b) atividades de investimentos Não houve variação no imobilizado – Vendas de Ações de Coligadas 10.000,00 Recebimentos de Empresas Coligadas 10.000,00 20.000,00 c) atividades de Financiamentos Novos Financiamentos 50.000,00 Aumento de Capital em dinheiro 40.000,00 Dividendos (50.000,00) 40.000,00 – 60.000,00 Redução de Caixa no ano (30.000,00) Saldo Inicial de Caixa 40.000,00 Saldo Final de Caixa 10.000,00 10.000,00 Fonte: Marion (2009) Tabela 8 – Método direto MéTODO INDIRETO – DEMONSTRAÇÃO DOS fLUXOS DE CAIXA CAsA dAs lingeries – 20x5 saldo inicial em 31-12-x4 40.000,00 Entradas Receita operacional recebida 730.000,00 Receitas financeiras 10.000,00 Recebimentos de coligadas 10.000,00 Vendas de investimentos 10.000,00 Novos financiamentos 50.000,00 Aumento de capital 40.000,00 850.000,00 saídas (660.000,00) Capítulo 5 158 Contabilidade Básica II Compras pagas (660.000,00) Despesas de vendas pagas (30.000,00) Despesas sdministrativas (50.000,00) Despesas financeiras (30.000,00) Imposto de renda (60.000,00) Dividendos pagos (50.000,00) (880.000,00) saldo Final em 31-12-x5 10.000,00 Fonte: Marion (2009) Ao analisar as tabelas anteriores você pode observar a confecção da Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) tanto pelo método direto quanto pelo método indireto, onde o primeiro parte do saldo inicial de caixa e o segundo do resultado apurado no exercício. Se o Fluxo de Caixa é tão importante, por que sua aplicação é restrita na maioria das empre- sas? Pesquise junto a três empresas e ques- tione se elas adotam o fluxo de caixa como instrumento de decisão financeira. Em caso posi- tivo, pergunte há quanto tempo; se negativo, tente identificar o motivo. DESAFIO 5.3 Aplicando a teoria na prática Para aprofundar o que conheceu até agora, proponho o desenvolvi- mento do caso a seguir, para que você possa refletir sobre o conteúdo trabalho neste capítulo. Diferença entre o fluxo econômico (DrE) e fluxo financeiro (DFC) A Papelaria Asa Branca apresenta os seguintes saldos: • geração de receita de 5.650,00 tendo recebido 5.550,00;• custo com o serviço prestado foi de 3.600,00 tendo pago apenas 3.500,00; • depreciação de 1.200,00; Capítulo 5 159 Contabilidade Básica II • despesas Operacionais pagas de 900,00; • novos investimentos no imobilizado de 600,00 pagos; • amortização de financiamentos de 300,00 pagos; • pagamentos de dividendo 200,00. Tabela 9 – Fluxo econômico (DRE) e fluxo financeiro (DFC) fLUXO ECONôMICO (DRE) E fLUXO fINANCEIRO (DfC) itens Fluxo eConômiCo (dre) Fluxo FinAnCeiro (dFC) Receita 5.650,00 5.550,00 (-) Custo Serviço (3.600,00) (3.500,00) (-) Depreciação (1.200,00) – = Lucro Bruto 850,00 2.050,00 (-) Despesa Operacional (900,00) (900,00) = Resultado Parcial (50,00) 1.150,00 Novos Investimentos Imobilizado – (600,00) Amortização de Financiamentos – (300,00) Pagamentos de Dividendos – (200,00) = Resultado Final (50,00) 50,00 Fonte: Marion (2009) Pergunta-se: qual o resultado apurado no fluxo econômico (DRE) e fluxo financeiro (DFC) da Papelaria Asa Branca? Se você chegou à conclusão de que o fluxo econômico (DRE) resultou em prejuízo de 50,00 e no fluxo financeiro (DFC) um lucro de 50,00, parabéns! Você acertou! Mas se esta não foi a sua resposta, refaça a atividade e consulte as informações do capítulo. Prezado aluno! Nesta prática você pode observar o quanto é importante evidenciar o resultado econômico e financeiro, pois, na grande maioria das vezes, o empresário não possui o entendimento sobre a diferença do saldo de caixa e o resultado apurando na entidade. Logo, com a confecção do fluxo econômico (DRE) e do fluxo financeiro (DFC) a informação fica mais adequada para o usuário. Capítulo 5 160 Contabilidade Básica II 5.4 Para saber mais título: Contabilidade comercial: atualizado conforme a Lei n° 11.638/07 e Lei n° 11.941/09 Autores: IUDíCIBUS, S.; MARION, J. C. Editora: Atlas (SP) Ano: 2010 Este livro alia os aspectos teóricos básicos da contabilidade comercial aos aspectos legais e fiscais vigentes no Brasil, mantendo- se sempre um equilíbrio entre teoria, fundamentação legal e obrigações fiscais. Foram incluídos assuntos que se tornaram relevantes em anos recentes, tais como exportação e importação, contabilização de matriz e filial, custo de reposição, custo mercantil, introdução à linguagem Basic nas operações comerciais e financeiras, entre outros. site: Conselho Federal de Contabilidade URL: <http://www.cfc.org.br/> Acesse o site do Conselho Federal de Contabilidade e confira por completo a NBC-T-3.8. Assim você poderá analisar com mais propriedade os critérios de estruturação da Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC). De fácil navegação, o portal apresenta leis, decretos, resoluções, instruções normativas, entre outros. 5.5 Relembrando Neste capítulo, você aprendeu que: • são vários os elementos estruturais e conceituais da Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC); • a Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) pode ser elaborada de forma direta (método direto) ou de forma indireta (método indireto), que parte do lucro líquido para o saldo final de caixa; • a Lei Federal n° 11.638, 28 de dezembro de 2007, que conduz as Sociedades Anônimas por Ações e as demais sociedades, não estabelece nenhum modelo para a Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC), mas disciplina, em seu Art. 188, que nessa demonstração as movimentações das disponibilidades serão divididas em três grupos Capítulo 5 161 Contabilidade Básica II distintos: atividades operacionais, atividades de investimentos e atividades de financiamentos; • é fundamental a apresentação da Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) juntamente com a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) para que o usuário perceba a diferença entre o resultado econômico e o resultado financeiro. 5.6 Testando os seus conhecimentos Agora, por meio das atividades propostas a seguir você colocará em prática a teoria que estudou até agora. Mãos à obra! Procure refletir sobre as questões e responder a partir de seu entendimento. 1) Qual a finalidade da Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC)? 2) Explique quais são os métodos de estruturação da Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC). 3) Cite três exemplos de atividades operacionais, de atividades de investimentos e de atividades de financiamento. Onde encontrar BRASIL. lei nº 11.638 de 28 de dezembro de 2007. Altera e revoga dispositivos da Lei. 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e da Lei 6.385, de 7 de dezembro de 1976, e estende às sociedades de grande porte disposições relativas à elaboração e divulgação de demonstrações financeiras. Disponível em:<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/lei/l11638. htm>. Acesso em: 20 dez. 2010. ______. normas Brasileiras de Contabilidade – NBC. NBC-T 3.8. Disponível em: <http:// www.cfc.org.br/sisweb/sre/Default.aspx>. Acesso em: 12 abr. 2010. AZEVEDO, O. R. Dva x DFC. São Paulo: IOB, 2008. Capítulo 5 162 Contabilidade Básica II IUDÍCIBUS, S.; MARTINS, E.; GELBCKE, E. R. manual de contabilidade das sociedades por ações. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2007. MARION, J. C. Contabilidade empresarial. 15. ed. São Paulo: Atlas, 2009. ______. análise das demonstrações contábeis. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2009. NEVES, S. Contabilidade avançada. 15. ed. São Paulo: Atlas, 2007. RIBEIRO, O. M. Demonstrações financeiras: mudanças na Lei das Sociedades Anônimas: como era e como ficou. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2010. Capítulo 6 163 Contabilidade Básica II DEmonstração Do valor aDiCionaDo CAPÍTULO 6 6.1 Contextualizando Olá! Neste capítulo apresentarei as técnicas de elaboração da Demonstração do Valor Adicionado, também conhecida pela sigla DVA. A Demonstração do Valor Adicionado é o informe contábil que evidencia, de forma sintética, os valores correspondentes à formação da riqueza gerada pela empresa em determinado período e sua respectiva distribuição. Esta análise é importante porque, junto ao Balanço Patrimonial (BP), Demonstração de Resultado de Exercício (DRE), Demonstração de Lucros ou Prejuízos acumulados (DLPA), Demonstração das Mutações Patrimônio Líquido (DMPL), Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC), forma-se o mosaico que revela a performance financeira da empresa. Lembre-se que estes dados são fundamentais para que você possa compreender e gerenciar os fluxos financeiros dentro da empresa. Obviamente, por se tratar de um demonstrativo contábil, suas informações devem ser extraídas da escrituração, com base nas Normas Contábeis vigentes e tendo como base o Princípio Contábil da Competência. A riqueza gerada pela empresa, medida no conceito de valor adicio- nado, é calculada a partir da diferença entre o valor de sua produção e o dos bens e serviços produzidos por terceiros utilizados no processo de produção da empresa. A Demonstração do Valor Adicionado (DVA), que também pode integrar o balanço social, constitui, desse modo, uma importante fonte de informações, pois, ao apresentar esse conjunto de elementos, Capítulo 6 164 Contabilidade Básica II permite a análise do desempenho econômico da empresa, evidenciando a geração de riqueza, assim como dos efeitos sociais produzidos pela distribuição da mesma. Sua estrutura segue uma forma resumida, a qual tem por objetivo evidenciar o valor agregado da empresa. Neste capítulo, apresento objetivos, conceito e benefícios desta nova demonstração contábil, introduzida pela nova lei das Sociedades Anônimas, a Lei nº 11.638/2007. Ao final deste capítulo, você será capaz de: • identificar os elementos conceituais e estruturais da Demonstração do Valor Adicionado (DVA); • descrever a composição do valor agregado à empresa; • distinguiros elementos necessários para a mensuração e o reconhecimento dos fatos administrativos diante da Demonstração do Valor Adicionado (DVA). 6.2 Conhecendo a teoria Nos capítulos anteriores, você estudou a forma de estruturação de quase todas as demonstrações contábeis, faltando apenas a Demonstração do Valor Adicionado (DVA). Esta demonstração foi introduzida com o advento da consolidação mundial das normas da contabilidade. No Brasil, a Demonstração do Valor Adicionado (DVA) tornou-se obrigatória a partir de 1º de janeiro de 2008, com a Lei nº. 11.638/2007, que rege as companhias de capital aberto. Até o final do ano de 2007, a DVA não era obrigatória, embora algumas companhias já viessem utilizando a referida demonstração e evidenciando informações societárias, junto às Notas Explicativas e relatórios da administração. Capítulo 6 165 Contabilidade Básica II A Demonstração do valor adicionado (Dva) é obrigatória para as companhias abertas, Mas recomenda-se a sua elaboração para as demais empresas também, uma vez que evidencia o quanto foi gerado de riqueza pela entidade e de que maneira foi distribuída. SAIBA QUE A Demonstração do Valor Adicionado (DVA) revela o quanto de riqueza a entidade gerou ou produziu num determinado período em relação aos seus fatores de produção e de que maneira este dinheiro foi distribuído para empregados, investidores, governo, entre outros, além dos possíveis valores armazenados pela própria entidade. Por incentivo da Comissão de Valores Imobiliários (CVM), desde a dé- cada de 1990 a Demonstração do Valor Adicionado (DVA) vem sendo adotada pelas principais sociedades anônimas de capital aberto que operam no mercado brasileiro. Neste capítulo estudaremos os elementos básicos e conceituais que devem constar na estrutura da Demonstração do Valor Adicionado (DVA) para um melhor entendimento sobre a movimentação financeira da empresa: saber o que o foi arrecadado e para onde foi este dinheiro. Ao final deste capítulo, você aprenderá a forma de preenchimento da Demonstração do Valor Adicionado (DVA) por meio de um exemplo prático para posterior elaboração dessa demonstração contábil. Você sabe qual a diferença entre lucro e riqueza gerada? O que significa valor adicionado ou agregado? Este é o grande desafio deste capítulo. Mãos à obra! Começo nossa conversa citando Ribeiro (2010, p. 120), que diz: Capítulo 6 166 Contabilidade Básica II o conhecimento da riqueza que será gerada e agregada por uma empresa aos seus fatores de produção, por influenciar diretamente na formação do Produto Interno Bruto (PIB), tem sido fator decisivo em alguns países emergentes quando se analisa a possibilidade de autorização de implantação em seu território de empresa transnacional. O autor trata a questão de forma mais generalista, mas observe na afirmação a seguir, de Iudícibus (2010, p. 283), em que se trata dos questionamentos entre a riqueza gerada e valor adicionado com mais praticidade. Diz que, se subtrairmos das vendas todas as compras de bens e serviços, teremos o montante de recursos que a empresa gera para remunerar salários, juros, impostos, e reinvestir em seu negócio. Estes recursos financeiros gerados levam-nos a contemplar o montante de valor que a empresa está agregando (adicionando) como consequência de sua atividade. O Valor Agregado corresponde ao PIB da empresa. A soma de todos os valores agregados da empresa daria o PIB do país. A Demonstração do Valor Adicionado (DVA) é uma demonstração contábil (financeira) com informações de natureza social, diferente das demais contábeis que abordam patrimônio e resultado do exercício. Logo, percebe-se que a Demonstração do Valor Adicionado (DVA) representa um grande avanço para a ciência contábil, principalmente porque as informações de natureza social atingem um universo maior de usuários. Então, após o estudo sobre as demonstrações patrimoniais e de resulta- do que você estudou nos capítulos anteriores, chegou o momento de apren- der como demonstrar a riqueza gerada pelas empresas por meio da Demons- tração do Valor Adicionado (DVA). A DVA faz parte de uma sequência de ações contábeis que você está estudando nesta disciplina. É fundamental que você domine sua teoria, a fim de praticá-la com o maior grau de eficiência ao longo de sua carreira profissional. 6.2.1 Entendendo o que é valor adicionado O valor adicionado, ou valor agregado, procura demonstrar qual o valor gerado pela atividade produtiva da empresa e para onde esta canaliza ou distribui sua renda. Capítulo 6 167 Contabilidade Básica II Iudícibus (2010) questiona: admitindo que o va- lor que a empresa adiciona por meio de sua atividade seja um “bolo”, para quem estão sen- do distribuídas as fatias e de que tamanho são? REFLEXÃO Pois bem! Como já disse anteriormente, até o final do ano de 2007 a Demonstração do Valor Adicionado (DVA) não era obrigatória, porém muitas companhias abertas já vinham apresentando informações de natureza social, junto às notas explicativas ou relatórios da administração. Portanto, somente a partir de 1º de janeiro de 2008, com o advento da Lei nº. 11.638/2007, a Demonstração do Valor Adicionado (DVA) tornou- se obrigatória para as companhias de capital aberto. Logo, recomenda-se sua elaboração para as demais empresas, uma vez que evidencia o quanto foi gerado de riqueza pela entidade e de que maneira esta riqueza vem sendo distribuída. Desde 1992, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) vinham incentivando as empresas a divulgarem as informações de caráter social, porém, somente 15 anos depois tornou-se obrigatória e, mesmo assim, por enquanto somente para algumas empresas em específico. Ribeiro (2010) relata que a Demonstração do Valor Adicionado (DVA) surgiu na Europa por influência da Grã-Bretanha, França e Alemanha, e tem sido cada vez mais difundida e adotada por outros países, principalmente por recomendação expressa da Organização das Nações Unidas (ONU). Destaco que o valor adicionando apresentado pela Demonstração do Valor Adicionado (DVA) é decorrente da diferença entre a receita de vendas e os custos. Para Ribeiro (2010), o valor adicionado que é demonstrado na DVA corresponde à diferença entre o valor da receita de vendas e os custos dos recursos adquiridos de terceiros. Capítulo 6 168 Contabilidade Básica II PRATICANDO Para exemplificar, consideremos que uma determinada empresa comercialize sua mercadoria adquirida pelo fornecedor por R$ 200,00 e tenha sido vendida por R$ 320,00. Qual é o valor adicionado pela empresa? Perceba que embora a receita de vendas dessa empresa tenha sido de R$ 320,00, esta agregou à economia do país R$ 120,00, uma dez que o valor de R$ 200,00 representa a riqueza gerada pelo fornecedor da mercadoria. Portanto, o valor adicionado é de R$ 120,00, que corresponde à remuneração dos esforços da empresa em decorrência de sua atividade. Logo, podemos dizer que nesses esforços estão incluídos os empregados (mão de obra), os financiadores (capitais de terceiros), os investidores (capital próprio) e o governo (impostos em contrapartida de benefícios sociais). Perceba que as informações contidas na Demonstração do Valor Adicionado (DVA) proporcionam uma análise do desempenho econômico da entidade, além de auxiliar no cálculo do PIB e de outros indicadores sociais. A Demonstração do Valor Adicionado (DVA) evidencia a riqueza gerada pela entidade, em decorrência da relação de diferença entre as receitas, vendas e custos relacionados a estas receitas. A DVA revela também de que forma tal riqueza foi distribuída entre empregados(salários e benefícios), acionistas (remuneração do capital investido e dividendos), financiadores (pagamento de juros e custo aquisição dos insumos) e sociedade (recolhimento dos tributos ao governo), entre outras. Conforme a norma brasileira de contabilidade a NBC-T 3.7, a distribuição da riqueza criada deve ser detalhada, minimamente, da seguinte forma: • pessoal e encargos; • impostos, taxas e contribuições; • juros e aluguéis; • juros sobre o capital próprio (JCP) e dividendos; • lucros retidos/prejuízos do exercício. Capítulo 6 169 Contabilidade Básica II Cabe ressaltar que todas as informações apresentadas na Demonstração do Valor Adicionado (DVA) têm como origem a contabilidade, portanto pode-se comparar esta demonstração com as demais demonstrações contábeis, principalmente com a Demonstração de Resultado do Exercício (DRE), analisando-se a diferença entre os dados apresentados. Ao contrário das demais demonstrações con- tábeis, consideradas de natureza financeira e econômica, a Demonstração do Valor Adicio- nado (DVA) é classificada como uma análise de natureza social. SAIBA QUE Destacam Perez e Begalli (2002) que além de fornecer uma conotação macroeconômica, a DVA complementa bem a DRE, uma vez que demonstra adequadamente a destinação dada ao valor adicionado gerado no período, apresentando os diversos beneficiários do processo produtivo. É muito importante a apresentação da Demonstração do Valor Adicionado (DVA) juntamente com a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE), pois ambas possuem a fonte de origem nas atividades geradas pela entidade. Segundo Ribeiro (2010), não restam dúvidas de que a DVA representa um grande avanço para a própria ciência contábil, especialmente porque os indicadores e as informações de natureza social que ela oferece atingem um universo maior de usuários ao evidenciar a riqueza gerada e de que forma foi distribuída. Observe que a análise da Demonstração do Valor Adicionado (DVA) é muito interessante, pois não ressalta apenas as receitas, custos, despesas e o resultado da entidade; evidencia também quais os principais grupos que se beneficiaram destes valores. Como você já sabe que a Demonstração do Valor Adicionado (DVA) é obrigatória apenas para as companhias abertas, percebe-se o quanto a DVA é Capítulo 6 170 Contabilidade Básica II importante para a qualidade das informações no momento da consolidação das demonstrações contábeis. Destaca Azevedo (2008) que embora a DVA não seja exigida nas normas internacionais de contabilidade, a CVM não vê qualquer conflito com estas, posto que a DVA, além de ser uma informação adicional, agrega bastante qualidade ao conjunto básico de demonstrações exigidas pelo IASB. Neste momento, cabe esclarecer que IASB – Internacional Accounting Standards Board é o Conselho de Normas Internacionais de Contabilidade com sede em Londres, que auxilia a normatização internacional da contabilidade. Ainda quanto aos estudos de valor adicionado ou valor agregado, Azevedo (2008) assinala que para conceituarmos valor adicionado é preciso antes entender um conceito macroeconômico, chamado Produto Nacional. Portanto, o Produto Nacional representa uma medida, em unidades monetárias, em decorrência do fluxo total de bens e serviços de consumo final produzidos pelo sistema econômico de uma nação em determinado período (ano), ou seja, mostra o valor monetário de todos os bens produzidos na economia de modo sincrônico. Logo, diante deste conceito, Azevedo (2008) faz o seguinte questionamento: E os bens e serviços intermediários que foram consumidos durante o processo produtivo? Por que não são adicionados no cômputo do produto nacional? Excelente questionamento! O autor (2008, p. 124) responde com a seguinte explicação: Vamos imaginar um produto, produzido pela empresa A, cujo preço de venda (receita) importa na quantia de R$ 1.000,00. A empresa, para produzi-lo, adicionou alguns insumos ou, em outras palavras, bens e serviços intermediários produzidos, por exemplo, pela empresa B, cujo preço de venda (receita) foi de R$ 600,00. De quanto seria então o produto nacional considerando apenas as duas empresas? Numa primeira tentativa de resposta, seríamos instados a somar as receitas de vendas de ambas as empresas e aí incorreríamos em grave erro, pois estaríamos fazendo uma dupla contagem. No cálculo do produto nacional, são computados apenas os produtos e serviços de consumo final, os bens intermediários consumidos durante o processo produtivo não são computados, exatamente para se evitar a mencionada dupla contagem. Capítulo 6 171 Contabilidade Básica II Entretanto, percebemos o quanto é complexa a amplitude da análise do valor agregado, principalmente quanto se trata da análise de uma nação. Assim sendo, Mendes (1998 apud AZEVEDO, 2008, p. 30) traz um exemplo ilustrativo muito interessante que destaco a seguir: Considere uma economia na qual as únicas transações ocorridas foram as seguintes: 1. Agricultor = transação: venda de algodão em rama para a indústria têxtil por R$ 1.000,00; 2. Indústria têxtil = transação: venda de tecido de algodão para a indústria de confecções por R$ 1.400,00; 3. Indústria de confecções = transação: venda de camisas para os consumidores finais por R$ 1.700,00. Analisando as operações, temos o seguinte quadro: Tabela 1 – Operações realizadas DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO unidAdes ProdutorAs vendAs BrutAs CPv/Cmv vAlor AdiCionAdo Agricultor (algodão) R$ 1.000,00 Ind. Têxtil (tecido) R$ 1.400,00 R$ 1.000,00 R$ 400,00 Ind. Confecção (camisas) R$ 1.700,00 R$ 1.400,00 R$ 300,00 Produto Nacional ou Valor Adicionado R$ 1.700,00 Fonte: Azevedo (2008) Contudo, o valor adicionado pode ser apresentado pela relação entre: vendas brutas (produção total) R$ 1.000,00; (-) Insumos adquiridos de outras empresas (consumos intermediários) R$ 600,00; = valor adicionado R$ 400,00 Capítulo 6 172 Contabilidade Básica II Logo você pode perceber que o valor adicionado ao total pago às outras empresas (consumos intermediários) é de R$ 400,00. Com a demonstração anterior cabe ainda o questionamento: de onde vem o dinheiro para pagar a mão de obra e a remuneração dos sócios? Segundo Azevedo (2008, p. 125), a resposta é muito simples: da riqueza gerada ou adicionada, parte irá remunerar a mão de obra e a outra parte aos sócios, temos aqui um conceito primário de renda, a remuneração dos fatores de produção, ou seja, o total dos pagamentos efetuados aos fatores de produção que foram utilizados para a obtenção do produto. Sendo assim, você pode concluir que na economia o produto é considerado igual à renda, enquanto na contabilidade o valor adicionado é igual ao total destinado deste valor. Guarde bem esta diferença! Conforme Ribeiro (2010), o PIB é um indicador próprio para mensurar a atividade econômica de uma região, porque consiste na soma (em valores monetários) de todos os bens e serviços finais produzidos em uma região (país, estado, bairro) durante um determinado período (ano, mês). Mas fique atento porque na análise do PIB, a economia considera que produto é igual à renda. Na contabilidade, o valor adicionado é igual ao total destinado. Veja na tabela a seguir como as informações podem ser resumidas: Tabela 2 – Resumo das operações ocorridas OPERAÇõES – RESUMO vAlor AdiCionAdo destinAção do vAlor AdiCionAdo Total da Produção 1.000,00 Salários 100,00 (-) Produção Intermediária (600,00) Pró-labore/lucro sócios 300,00 = Valor Adicionado 400,00 Destinação 400,00 Fonte: Azevedo (2008) Capítulo 6 173 Contabilidade Básica II Contudo,a elaboração da Demonstração do Valor Adicionado (DVA) é uma maneira bem simples de apreciar a riqueza das informações extraídas, principalmente se comparada às demais demonstrações contábeis. No tópico a seguir, será apresentada a estrutura e a composição da Demonstração do Valor Adicionado (DVA). 6.2.2 Estrutura e composição da DVA A Lei das Sociedades Anônimas não trata apenas da estrutura e composição da Demonstração do Valor Adicionado (DVA), deixando a normatização dessa matéria a cargo dos órgãos regulamentadores da contabilidade. Segundo Ribeiro (2010, p. 122), no inc. II do art. 188, da Lei, no entanto, apresentam-se as informações mínimas que devem ser indicadas na DVA, como: o valor da riqueza gerada pela companhia, a sua distribuição entre os elementos (como empregados, financiadores, acionistas, governo e outros) que contribuíram para a geração dessa riqueza e parcela da riqueza não distribuída. Observe que Ribeiro (2010) esclarece que a DVA foi disciplinada pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), por meio do Pronunciamento Técnico CPC n. 09/2008 e também pelo Conselho Federal de Contabilidade, por meio da NBC-T-3.7, aprovada pela Resolução n. 1.138/2008. Esses documentos abordam os critérios para elaboração e divulgação da Demonstração do Valor Adicionado (DVA). Pois bem, para a elaboração da Demonstração do Valor Adicionado (DVA) as informações devem ser extraídas da contabilidade, com base no princípio da competência, onde todos os atos administrativos são registrados no momento de sua ocorrência, independente do seu pagamento ou recebimento. São utilizadas como base as informações da Demonstração do Resultado do Exercício (DRE), sendo de extrema importância durante o processo de elaboração da Demonstração do Valor Adicionado (DVA) o acesso aos livros contábeis razão e diário. Capítulo 6 174 Contabilidade Básica II Como a Lei nº. 11.638/2007 não oferece detalhes acerca dos itens que integrarão a Demonstração do Valor Adicionado (DVA), deixando a normatização dessa matéria a cargo dos órgãos reguladores, comenta Azevedo (2008) que se pode concluir que a entidade poderá acrescentar ou detalhar outras informações na DVA quando o montante e a natureza de um item ou o somatório de itens similares forem de tal magnitude que a sua visualização em separado ajude na apresentação mais adequada da DVA. A estrutura da Demonstração do Valor Adicionado (DVA) está dividida em duas partes. Na primeira apresenta-se a riqueza gerada pela entidade, contemplando os valores relacionados às receitas brutas e outras, os insumos adquiridos de terceiros e demais valores recebidos em transferência, como, por exemplo, as receitas financeiras. Completada esta primeira parte, apresenta- se o valor total adicionado a distribuir e, logo em seguida, na segunda parte, apresenta-se de que forma este valor foi distribuído. A Demonstração do valor adicionado (Dva) está dividida em duas partes: a primeira, que contempla todos os valores de riqueza gerada, e a segunda, que mostra de que forma esta riqueza foi distribuída. SAIBA QUE A Norma Brasileira de Contabilidade a NBC-T 3.7 foi reformulada para atender a Lei nº. 11.638/2007, ou Lei das Sociedades Anônimas, a qual surgiu em decorrência da necessidade de harmonização das práticas contábeis brasileiras às internacionais. Esta Norma Brasileira de Contabilidade, por meio da Resolução CFC nº. 1.138/08, que considera o Pronunciamento Técnico CPC 09 – Demonstração do Valor Adicionado, define critérios para elaboração e apresentação da DVA. Cabe destacar que a Demonstração do Valor Adicionado (DVA) também é importante para a elaboração do Balanço Social, pois contempla elementos e tem por finalidade evidenciar a riqueza criada pela entidade e sua distribuição durante determinado período. Capítulo 6 175 Contabilidade Básica II Tomando como base a NBC-T 3.7, apresento a seguir os elementos necessários para a elaboração da Demonstração do Valor Adicionado (DVA) e um modelo básico utilizado nas empresas em geral, também apresentado por Ribeiro (2010). Estrutura da demonstração do valor adicionado (DVA) primeira parte – riqueza criada pela própria entidade Nesta primeira parte, a Demonstração do Valor Adicionado (DVA) deve apresentar de forma detalhada a riqueza criada pela entidade. Os principais componentes da riqueza criada estão apresentados a seguir. receitas • vendas de mercadorias, produtos e serviços: contemplam os valores dos tributos incidentes sobre as receitas com vendas, como, por exemplo, ICMS, IPI, PIS e COFINS, ou seja, corresponde ao ingresso bruto ou faturamento bruto, mesmo quando na demonstração do resultado, tais tributos estejam fora do cálculo dessas receitas; • outras receitas: seguindo o modo do item anterior, inclui os tributos incidentes sobre essas receitas; • provisão para créditos de liquidação duvidosa: inclui os valores relativos à constituição e reversão dessa provisão. insumos adquiridos de terceiros • Custo dos produtos, das mercadorias e dos serviços vendidos: contempla os valores das matérias primas adquiridas junto a fornecedores e contidas no custo do produto vendido, das mercadorias e dos serviços vendidos adquiridos de terceiros; logo, não inclui gastos com pessoal; • materiais, energia, serviços de terceiros e outros: abrangem os valores relativos às despesas originadas da utilização bens e serviços adquiridos junto a terceiros. Nos valores dos custos dos produtos e mercadorias vendidas, materiais, serviços, energia, entre outras; consumidos, devem ser considerados os tributos inclusos no momento da compra, Capítulo 6 176 Contabilidade Básica II como por exemplo o ICMS, IPI, PIS e COFINS, recuperáveis ou não. Observe que esta prática é diferente das utilizadas na demonstração do resultado; • perda e recuperação de valores ativos: inclui os valores originados pelos ajustes por avaliação a valor de mercado de estoques, imobilizados, investimentos, entre outros. Devem ser inclusos também, os valores reconhecidos no resultado do período, tanto na constituição quanto na reversão de provisão para perdas por desvalorização de ativos; • depreciação, amortização e exaustão: contempla o valor da despesa ou do custo contabilizado no período, com o desgaste físico do bem imobilizado. valor adicionado recebido em transferência • resultado de equivalência patrimonial: abrange o resultado decor- rente da equivalência patrimonial. Pode representar receita ou despesa; se despesa, deve ser considerado como redução ou valor negativo; se receita, considerar o inverso; • receitas financeiras: abordam todas as receitas financeiras, inclusive as variações cambiais ativas, independentemente de sua origem; • outras receitas: incluem as demais receitas como, por exemplo, os dividendos relativos a investimentos avaliados ao custo, aluguéis, direitos de franquia, entre outras. Estrutura da Demonstração do Valor Adicionado (DVA) Segunda parte – distribuição da riqueza Até agora você viu de onde vêm os recursos Nesta segunda parte, na Demonstração do Valor Adicionado (DVA) é preciso apresentar de forma detalhada como a riqueza gerada pela entidade foi distribuída ou canalizada. Os principais componentes dessa distribuição são: Capítulo 6 177 Contabilidade Básica II pessoal Inclui os valores apropriados ao custo e ao resultado do exercício por meio de: • remuneração direta: contempla os valores relativos a salários, 13º salário, férias, comissões, horas extras, honorários da administração (inclusive os pagamentos baseados em ações), participação de empregados nos resultados, entreoutros; • benefícios: abrange os valores aplicados em assistência médica, planos de aposentadoria, alimentação, transporte, entre outros; • FGts: inclui os depósitos em conta vinculada dos empregados. impostos, taxas e contribuições Contemplam os valores relativos ao Imposto de Renda, Contribuição Social sobre o lucro, contribuições ao INSS (inclusos os valores do Seguro de Acidentes do Trabalho) em decorrência do ônus do empregador, e os demais impostos e contribuições a que a entidade esteja sujeita. Para os impostos compensáveis ou recuperáveis, tais como o ICMS, IPI, PIS e Cofins, estes devem ser considerados apenas os valores devidos ou já pagos, pois representam a diferença entre os impostos incidentes sobre as receitas e os valores incidentes sobre os itens considerados como insumos adquiridos de terceiros. Vejamos: • federais: abrangem os tributos de recolhimento à União, incluso aqueles que são repassados no todo ou em parte aos estados, municípios, autarquias, entre outros, como, por exemplo: IRPJ, CSSL, IPI, CIDE, PIS, COFINS. Nesse caso, inclui-se também a contribuição sindical patronal; • estaduais: contemplam os tributos devidos aos estados, inclusive aqueles que são repassados no todo ou em parte aos municípios, autarquias entre outros, tais como: o ICMS e o IPVA; • municipais: incluem os tributos de recolhimento aos municípios, contemplando aqueles que são repassados no todo ou em parte às autarquias, ou quaisquer outras entidades, tais como: o ISS e o IPTU. Capítulo 6 178 Contabilidade Básica II remuneração de capitais de terceiros Representam os valores pagos ou creditados aos financiadores externos de capital. Compõem-se de: • juros: contemplam as despesas financeiras, as variações cambiais passivas, relativas a qualquer espécie de empréstimos e financiamentos junto a instituições financeiras, as empresas do grupo ou a outras formas de obtenção de recursos. Abrangem os valores que foram capitalizados no decorrer do período; • aluguéis: contemplam os aluguéis pagos ou creditados a terceiros, inclusive os acrescidos aos ativos. Também são incluídos os valores pagos em decorrência de arrendamento mercantil; • outras: abrangem outras remunerações diversas que configurem trans- ferência de riqueza a terceiros, ainda que originadas em capital intelec- tual, tais como royalties, franquias, direitos autorais, entre outros. remuneração de capitais próprios Inclui os valores decorrentes da remuneração atribuída aos sócios e acionistas. • juros sobre o capital próprio e dividendos: representam os valores pagos ou creditados aos sócios e acionistas por conta do resultado positivo do período, ressalvando-se que os valores dos juros sobre o capital próprio são transferidos para conta de reserva de lucros. Devem ser contemplados apenas os valores distribuídos com base no resultado positivo do próprio exercício, sem considerar os dividendos distribuídos com base em lucros acumulados de exercícios anteriores, uma vez que já foram tratados como lucros retidos no exercício em que foram gerados; • lucros retidos e prejuízos do exercício: abordam os valores relativos ao lucro do exercício destinados às reservas, inclusive os juros sobre o capital próprio quando tiverem esse tratamento. No caso de prejuízo, esse valor deve ter um sinal negativo. As quantias destinadas aos sócios e acionistas na forma de e em decorrência de juros sobre o capital próprio, independentemente de serem registradas como passivo (a Capítulo 6 179 Contabilidade Básica II pagar) ou como reserva de lucros, devem ter o mesmo tratamento dado aos dividendos. Observe que a Demonstração do Valor Adicionado (DVA) possui uma estrutura simples, porém detalhada, muito semelhante à Demonstração do Resultado do Exercício (DRE). A grande diferença entre a Demonstração do Valor Adicionado (DVA) e a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) está forma como a informação é canalizada, ou seja, a DRE apresenta o resultado do exercício sem indicar a sua distribuição. Já a Demonstração do Valor Adicionado (DVA) revela a riqueza gerada e de que maneira foi canalizada para o sistema da empresa. Uma empresa tem duas formas de financiar a sua atividade: recorrendo a capitais próprios ou a capitais alheios. Quais serão as diferenças entre esses termos? REFLEXÃO Apenas respondendo a questão anterior, os capitais próprios são aqueles que não têm qualquer contrapartida fixa de remuneração, ou seja, trata-se de capital que pode ou não ser remunerado de acordo com a rendibilidade gerada pela empresa. Os capitais alheios, por sua vez, são aqueles que partem de uma remuneração mínima fixada (que pode ser uma taxa fixa ou variável, de acordo com uma taxa de referência de mercado) e que em regra possuem um esquema de reembolso previamente definido. Vamos continuar. Índices em que valor adicionado serve como importante indicador O valor adicionado é de extrema importância na análise de alguns índices, como, por exemplo, o índice de potencial do ativo em gerar riqueza, índice de retenção da receita e o valor adicionado per capita. Capítulo 6 180 Contabilidade Básica II Iudícibus (2010) apresenta os índices citados da seguinte forma: Índice: potencial do ativo em gerar riqueza VALOR ADICIONADO ATIVO Este índice representa o quanto o ativo, financiado por capital próprio e capital de terceiros, gera receita, ou seja, o quanto o ativo financiado gera riqueza para a entidade. Logo, este índice mede o quanto cada real aplicado no ativo gera de riqueza. Portanto, o ideal para o índice que mede o potencial do ativo em gerar riqueza é que tenha um crescimento ao longo dos exercícios. Índice: retenção da receita VALOR AGREGADO RECEITA TOTAL Este índice analisa o quanto fica retido da receita total referente aos valores investidos de terceiros (outras empresas) a título de matéria-prima, embalagem, serviços, entre outras. Logo, o índice de retenção da receita apresenta o quanto fica dentro da empresa, acrescentando valor ou benefícios para os funcionários, acionistas, governo e lucro retido. Índice: valor adicionado per capita VALOR ADICIONADO ATIVO Capítulo 6 181 Contabilidade Básica II Este índice avalia o quanto cada funcionário contribui para a geração de receita da empresa. Todavia, representa um indicador de produtividade que informa a participação de cada empregado na riqueza gerada pela empresa. Iudícibus (2010) ainda apresenta os seguintes indicadores para análise: Mostra a participação dos empre- gados no Valor Adicionado. Mostra a participação dos bancos no Valor Adicionado. Mostra a participação dos acionistas no Valor Adicionado. Mostra a participação do governo no Valor Adicionado. Mostra a participação da empresa reinvestindo seu próprio lucro. Diante do conteúdo exposto até aqui, você percebe a importância e a relevância da Demonstração do Valor Adicionado (DVA), principalmente como auxílio para a tomada de decisão quanto à riqueza gerada e sua canalização. A partir deste momento, vamos estudar um modelo básico de Demonstração do Valor apresentado por Ribeiro (2010). EMPREGADOS VALOR ADICIONADO JUROS VALOR ADICIONADO DIVIDENDOS VALOR ADICIONADO IMPOSTOS VALOR ADICIONADO LUCRO REINVESTIDO VALOR ADICIONADO Capítulo 6 182 Contabilidade Básica II 6.2.3 Modelo Básico da DVA Neste tópico, apresento o modelo básico para a Demonstração do Valor Adicionado (DVA) o qual foi extraído da NBC-T 3.7, o qual pode ser utilizado nas empresas em geral. Observe que as informações contidas na Demonstração do Valor Adicionado (DVA) derivam das contas deresultado e também de algumas contas patrimoniais. A estrutura da Demonstração do Valor Adicionado (DVA) tem sua como principal fonte de origem as informações contidas na Demonstração do Resultado do Exercício (DRE). Cabe ressaltar a existência de uma vinculação entre as duas demonstrações contábeis o que proporciona a concretização de informações entre elas. Assim sendo, no momento da elaboração da Demonstração do Valor Adicionado (DVA), todas as contas de resultado já estão devidamente encerradas nos registros contábeis da empresa, e as demais demonstrações contábeis, já elaboradas, principalmente o Balanço Patrimonial e a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE). Quanto às contas de resultado que serão consultadas para a elaboração da Demonstração do Valor Adicionado (DVA), são todas aquelas que representam as receitas, as despesas e os custos, e sempre observando o princípio da competência. Já no que diz respeito às contas patrimoniais, as receitas são representadas pelas participações de terceiros (debêntures, empregados, administradores, acionistas, tributos sobre o lucro líquido, entre outras), bem como pela remuneração sobre capital investido pertencente aos acionistas. Portanto, para elaborar a Demonstração do Valor Adicionado (DVA), a coleta de dados deve ser dirigida ao livro razão. No caso do livro razão ser processado de forma manual ou digital, e não estejam previstas contas sintéticas, devem-se agrupar os valores conforme a estrutura da Demonstração do Valor Adicionado (DVA), sendo este procedimento imprescindível para facilitar a elaboração dessa demonstração. Capítulo 6 183 Contabilidade Básica II Quanto à riqueza das informações da Demonstração do Valor Adicionado (DVA), Ribeiro (2010, p. 34) relata: Não restam dúvidas de que a DVA representa um grande avanço para a própria ciência contábil, especialmente porque os indicadores e as informações de natureza social que ela oferece atingem um universo maior de usuários ao evidenciar a riqueza gerada pela empresa e a forma como ela foi distribuída entre os empregados (salários e benefícios), os acionistas (remuneração do capital investido em forma de juros e dividendos), os financiadores (pagamentos de juros e do custo dos insumos adquiridos de fornecedores) e a sociedade (por meio do recolhimento dos tributos ao governo). Ainda descreve Ribeiro que é preciso tomar cuidado para evitar supervalorizar esse demonstrativo em detrimento dos demais, que continuam perfeitamente válidos e bastante úteis pelas informações técnicas que oferecem acerca da situação patrimonial, bem como da gestão econômica e financeira do patrimônio empresarial. Assim sendo, destaco que a Demonstração do Valor Adicionado (DVA) é uma demonstração contábil (financeira) diferente das demais demonstrações financeiras (contábeis) exigidas pela Lei das Sociedades por Ações em função de tratar de informações de natureza social. Entretanto, a Demonstração do Valor Adicionado (DVA) é uma maneira simples de aprimorar e quantificar as informações quanto à riqueza gerada pela entidade, principalmente ao comparar por meio de percentuais cada item que o compõe em relação ao valor adicionado nela explicitado. Deste modo, é possível acompanhar o quanto a entidade gerou de riqueza e como esta foi distribuída em benefício da coletividade, bem como qual foi a contribuição de cada setor da coletividade na formação desta riqueza. A seguir apresenta-se um modelo de Demonstração do Valor Adicionado (DVA) extraído da NBC-T 3.7 apresentado por Ribeiro (2010), que poderá ser utilizado nas empresas em geral. Capítulo 6 184 Contabilidade Básica II Quadro 1 – Modelo de Demonstração do Valor Adicionado (DVA) DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO (DVA) emPresA ABC – exerCíCio Findo em: Descrição Em milhares de reais x2 Em milhares de reais x1 1 – RECEITAS 1.1 – Vendas de mercadorias, produtos e serviços 1.2 – Outras receitas 1.3 – Receitas relativas à construção de ativos próprios 1.4 – Provisão para créditos de liquidação duvidosa – Reversão/(Constituição) 2 – INSUMOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS (incluem os valores dos impostos – ICMS, IPI, PIS e COFINS) 2.1 – Custos dos produtos, das mercadorias e dos serviços vendidos 2.2 – Materiais, energia, serviços de terceiros e outros 2.3 – Perda/Recuperação de valores ativos 2.4 – Outras (especificar) 3 – VALOR ADICIONADO BRUTO (1-2) 4 – DEPRECIAÇÃO, AMORTIZAÇÃO E EXAUSTÃO 5 – VALOR ADICIONADO LÍQUIDO PRODUZIDO PELA ENTIDADE (3-4) 6 – VALOR ADICIONADO RECEBIDO EM TRANSFERÊNCIA 6.1 – Resultado de equivalência patrimonial 6.2 – Receitas financeiras 6.3 – Outras 7 – VALOR ADICIONADO TOTAL A DISTRIBUIR (5+6) 8 – DISTRIBUIÇÃO DO VALOR ADICIONADO 8.1 – Pessoal 8.1.1 – Remuneração direta 8.1.2 – Benefícios 8.1.3 – F.G.T.S. 8.2 – Impostos, taxas e contribuições 8.2.1 – Federais 8.2.2 – Estaduais Capítulo 6 185 Contabilidade Básica II 8.2.3 – Municipais 8.3 – Remuneração de capitais de terceiros 8.3.1 – Juros 8.3.2 – Aluguéis 8.3.3 – Outras 8.4 – Remuneração de capitais próprios 8.4.1 – Juros sobre o capital próprio 8.4.2 – Dividendos 8.4.3 – Lucros retidos/Prejuízo do exercício 8.4.4 – Participação dos não controladores nos lucros retidos (só p/ consolidação) * O total do item 8 deve ser exatamente igual ao item 7 Fonte: Ribeiro (2010) As instruções para o preenchimento da DVA já foram apresentadas anteriormente, e para melhorar o entendimento sofre a estrutura da Demonstração do Valor Adicionado (DVA), vamos colocar em prática o que foi estudado ao longo do capítulo com o exemplo de Marion (2009). As demonstrações contábeis apresentadas a seguir estruturam a Demonstração do Valor Adicionado (DVA) da empresa Casa das Lingeries Ltda. Lembro que todas as demonstrações contábeis já foram encerradas nos exercícios de x4 e x5, faltando apenas a Demonstração do Valor Adicionado (DVA) do exercício de x5. Tabela 3 – Balanço patrimonial BALANÇO PATRIMONIAL CAsA dAs lingeries ltdA. ativo 31-12-x4 31-12-x5 passivo 31-12-x4 31-12-x5 CirCUlantE 580.000,00 650.000,00 CirCUlantE 340.000,00 280.000,00 Caixa 40.000,00 10.000,00 Fornecedores 200.000,00 220.000,00 Duplic.a Receber 150.000,00 220.000,00 Salários a Pagar 30.000,00 40.000,00 Estoques 390.000,00 420.000,00 Impostos a Pagar 60.000,00 6.000,00 Dividend.a Pagar 50.000,00 14.000,00 Capítulo 6 186 Contabilidade Básica II não CirCUlantE 210.000,00 180.000,00 não CirCUlantE 450.000,00 550.000,00 Realizável a longo prazo 50.000,00 40.000,00 Exigível a longo prazo (financia- mentos) 100.000,00 150.000,00 Investimentos 60.000,00 50.000,00 Imobilizado 70.000,00 60.000,00 patrim. lÍQUiDo 350.000,00 400.000,00 Intangível 30.000,00 30.000,00 Capital 300.000,00 340.000,00 Reservas Lucro 50.000,00 60.000,00 total 790.000,00 830.000,00 total 790.000,00 830.000,00 Fonte: Marion (2009) Tabela 4 – Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO – DRE CAsA dAs lingeries – 20x5 Receita Líquida 800.000,00 (-) Custo da Mercadoria Vendida (650.000,00) lucro Bruto 150.000,00 (-) Despesas Operacionais Vendas (30.000,00) Administrativas (inclui depreciação de 10.000) (70.000,00) Financeiras (despesa de 30.000 e receita 10.000) (20.000,00) lucro operacional 30.000,00 (-) Imposto de Renda e Contribuição Social (6.000,00) lucro líquido 24.000,00 Fonte: Marion (2009) Na Demonstração do Resultado do Exercício da Casa das Lingeries, você percebe que a empresa apurou um resultado positivo de R$ 24.000,00 e sua destinaçãoapresentada da Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados. Capítulo 6 187 Contabilidade Básica II Tabela 5 – Demonstração dos Lucros ou Prejuízos acumulados DEMONSTRAÇÃO DOS LUCROS OU PREJUÍzOS ACUMULADOS CAsA dAs lingeries – 20x5 Lucros acumulados de 31-12-x4 50.000,00 (+) Lucro Líquido de 31-12-x5 24.000,00 Saldo a disposição dos sócios 74.000,00 (-) Dividendos (14.000,00) Lucros acumulados de 31-12-x5 60.000,00 Fonte: Marion (2009) Tabela 6 – Demonstração do Fluxo de Caixa pelo método direto DEMONSTRAÇÃO DOS fLUXOS DE CAIXA – MéTODO DIRETO CAsA dAs lingeries – 20x5 saldo inicial em 31-12-x4 40.000,00 Entradas Receita operacional recebida 730.000,00 Receitas financeiras 10.000,00 Recebimentos de coligadas 10.000,00 Vendas de investimentos 10.000,00 Novos financiamentos 50.000,00 Aumento de capital 40.000,00 850.000,00 saídas (660.000,00) Compras pagas (660.000,00) Despesas de vendas pagas (30.000,00) Despesas sdministrativas (50.000,00) Despesas financeiras (30.000,00) Imposto de renda (60.000,00) Dividendos pagos (50.000,00) (880.000,00) saldo Final em 31-12-x5 10.000,00 Fonte: Marion (2009) Capítulo 6 188 Contabilidade Básica II Observe que o resultado financeiro da empresa Casa das Lingeries obteve uma redução em seu saldo de caixa de R$ 30.000,00, apurando um saldo final de caixa no exercício de 31-12-x5 de R$ 10.000,00. Portanto, com os dados das demonstrações contábeis revelados até aqui, a Casa da Lingeries apresentará uma Demonstração do Valor Adicionado (DVA) estruturadas da seguinte forma: Tabela 7 – Demonstração do Valor Adicionado (DVA) DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO – DVA ANÁLISE VERTICAL CAsA dAs lingeries 20x5. Receita Operacional 800.000,00 (-) Custo da Mercadoria Vendida (Compras) (650.000,00) Valor Adicionado Bruto geradp nas operações 150.000,00 (-) Depreciaçãor (10.000,00) Valor Adicionado Líquido 140.000,00 (+) Receita Financeira 10.000,00 Valor Adicionado 150.000,00 100% Distribuição do valor adicionado Empregados (90.000,00) 60% Juros (30.000,00) 20% Dividendos (14.000,00) 9,33% Impostos (6.000,00) 4% Outros 0% Lucro Reinvestido (10.000,00) 6,67% Fonte: Marion (2009) Então, o valor adicionado de R$ 150.000,00 corresponde ao igual valor distribuído. Observe também a composição dos percentuais da análise vertical. As informações para a composição da Demonstração do Valor Adicionado (DVA) foram extraídas das demonstrações contábeis apresentadas como, por exemplo, o valor da receita operacional que foi extraído da Demonstração do Resultado do Exercício (DRE). Outro exemplo seria o valor da receita financeira extraído da Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC). Capítulo 6 189 Contabilidade Básica II Para a realização da análise da Demonstração do Valor Adicionado (DVA), você deve aplicar os índices de avaliação referenciados por Iudícibus (2010). Cabe ressaltar que Marion (2009) também apresenta os mesmos indicadores, o que reafirma a importância da sua aplicação para a análise da Demonstração do Valor Adicionado (DVA). Assim sendo, segue a aplicação dos índices para a análise da Demonstração do Valor Adicionado (DVA) da empresa Casa das Lingeries Ltda. do exercício de x5, apresentados por Marion (2009): 1. Potencial do ativo em gerar riqueza Valor Adicionado = 150.000 = 0,18 O ideal é que este índice cresça ao longo dos anosAtivo 830.000 2. Retenção da Receita Valor Agregado = 150.000 = 0,19 Representa parte da receita comprometida com terceirosReceita Total 800.000 3. Valor Adicionado per capita Valor Adicionado = 150.000 = 15.000 Indicador de produtividade e participação dos funcionários na riqueza gerada No Funcionários 10 4. O Valor Adicionado é o denominador Empregados = 90.000 = 60% Valor Adicionado 150.000 Juros = 30.000 = 20% Valor Adicionado 150.000 Dividendos = 14.000 = 9,33% Valor Adicionado 150.000 Impostos = 6.000 = 4% Valor Adicionado 150.000 Lucro Reinvestido = 10.000 = 6,67% Valor Adicionado 150.000 Após a composição dos indicadores, é necessário construir o quadro abaixo para a concepção da análise horizontal, ou seja, a análise da tendência e da relevância de cada indicador. Capítulo 6 190 Contabilidade Básica II Tabela 9 – Análise horizontal ANÁLISE HORIzONTAL distriBuição 20x3 20x4 20x5 Empregados 52% 57% 60% Juros 26% 23% 20% Dividendos 11% 10% 9% Impostos 4% 4% 4% Lucro Reinvestido 7% 6% 7% total 100% 100% 100% Fonte: Marion (2009) Marion (2009) assinala que enquanto observamos uma estabilidade em relação aos impostos e lucro reinvestido, percebemos que a “fatia” dos empregados tem aumentado no bolo, principalmente em função da redução dos juros. Quais as diferenças entre a DrE (Demonstração de Resultado do Exercício) e a Dva? Você sabe dizer? REFLEXÃO 6.3 Aplicando a teoria na prática Para melhor aprofundar o que você conheceu até agora, proponho a análise do caso a seguir, para que você possa refletir sobre o conteúdo. Os dois sócios da Imobiliária Almeida, os irmãos Orcelino e Adalberto, estão passando por um momento de crise. Desde que formalizaram a empresa, estão implantando novas rotinas de trabalho. Como o negócio deles sempre foi vender imóveis e não administrar uma empresa, um dos sócios, Orcelino, ainda resiste muito às práticas contábeis. Ele acredita que não é preciso ter um acompanhamento tão rigoroso do movimento financeiro da empresa. Capítulo 6 191 Contabilidade Básica II No seu entendimento, que ele define como prático, basta apenas somar os lucros e subtrair as despesas. Orcelino diz para Adalberto Pedro que as várias demonstrações que a contabilidade exige são repetitivas e desnecessárias, pois no fundo todas têm o mesmo objetivo: apresentar o desempenho financeiro da empresa. Adalberto já não sabe mais que argumentos usar para convencer o sócio. Como você está aprendendo ao longo da disciplina, as demonstrações contábeis são fundamentais para o gerenciamento da empresa. Quais argumentos Adalberto pode usar para mostrar a Orcelino que a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) e a Demonstração do Valor Adicionado (DVA) são operações contábeis fundamentais para a saúde financeira da empresa? O exemplo é fictício, mas é possível que um dia você se depare com uma situação semelhante. Se você respondeu de pronto que a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) evidencia o resultado da empresa em determinado período, e que a Demonstração do Valor Adicionado (DVA) apresenta a riqueza gerada pela entidade, parabéns! Acertou! Na sua reposta, você também deve observar que ambas têm enfoques bem diferentes e objetivam fornecer informações sob distintos pontos de vista, o que as torna complementares e imprescindíveis. Lembre que Neves (2007) apresenta com clareza a distinção entre as duas demonstrações contábeis. O autor diz que a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) evidencia o resultado da entidade em determinado período e a Demonstração do Valor Adicionado (DVA) indica de forma clara e precisa a distribuição da riqueza gerada, ou seja, a parte que pertence aos sócios ou acionistas, a que pertence a terceiros, a que pertence a funcionários e a que pertence ao governo. A Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) indica a parte desti- nada a terceiros, funcionários e governo, que é considerada como despesa ou custo; logo, reduz a parte do lucro e, consequentemente, a parte que seria destinada aos sócios. Capítulo 6 192 Contabilidade Básica II Portanto,ambas as demonstrações contábeis são eficientes aos usuários da informação contábil, porém, com enfoques diferenciados. Este é o principal argumento que Adalberto vai usar para convencer Orcelino de que não há repetição de processos, mas sim uma forma de identificar o que está dando certo ou errado na administração. 6.4 Para saber mais título: Contabilidade comercial: atualizado conforme a Lei n° 11.638/07 e Lei n° 11.941/09 Autores: IUDíCIBUS, S.; MARION, J. C. Editora: Atlas (SP) Ano: 2010 Este livro diferencia-se pela atualidade dos temas apresentados e pela sua abrangência no tratamento de assuntos, muitas vezes tratados em outras disciplinas de Contabilidade. Esta edição inclui alterações ocorridas na legislação e alia os aspectos teóricos básicos da Contabilidade Comercial aos aspectos legais e fiscais vigentes no Brasil, mantendo sempre um equilíbrio entre teoria, fundamentação legal e obrigações fiscais. site: Conselho Federal de Contabilidade URL: <http://www.cfc.org.br/> O site do Conselho Federal de Contabilidade é uma importante fonte de consulta para complementar as informações trabalhadas ao longo do capítulo. Além de todas as orientações pertinentes à profissão, o conselho disponibiliza a legislação que rege a contabilidade. Sugiro que você confira a NBC-T-3.7 para analisar com mais propriedade os critérios de estruturação da Demonstração do Valor Adicionado (DVA). 6.5 Relembrando Neste capítulo, você aprendeu que: • são vários os elementos estruturais e conceituais Demonstração do Valor Adicionado (DVA); • a DVA evidencia a riqueza gerada pela empresa e sua forma de distribuição; Capítulo 6 193 Contabilidade Básica II • a DVA é obrigatória apenas para as companhias abertas, mas por sua transparência é adotada por outras empresas; • na economia o produto é considerado igual à renda, enquanto na contabilidade o valor adicionado é igual total destinado deste valor; • a DVA está dividida em duas partes: a primeira que contempla todos os valores de riqueza gerada e a segunda, de que forma esta riqueza foi distribuída; • o valor adicionado demonstra a efetiva contribuição da empresa, dentro de uma visão global de desempenho, para a geração de riqueza da economia na qual está inserida, sendo resultado do esforço conjugado de todos os seus fatores de produção; • a DVA possui uma estrutura simples, porém detalhada, muito semelhante à Demonstração do Resultado do Exercício (DRE); • a grande diferença entre a DVA e a DRE é que esta diz como a informação é canalizada, ou seja, a DRE apresenta o resultado do exercício sem indicar a sua distribuição. Já a DVA demonstra a riqueza gerada e de que maneira foi canalizada para o sistema da empresa. 6.6 Testando os seus conhecimentos Agora, por meio das atividades acadêmicas propostas abaixo, você irá colocar em prática o conteúdo estudado. Procure refletir sobre as questões e responder a partir de seu entendimento. 1) Qual o objetivo da Demonstração do Valor Adicionado (DVA)? 2) Quem está obrigado a apresentar a DVA? Desde quando? 3) Quanto às demais empresas que não estão obrigadas a elaborar a DVA, qual o posicionamento dos principais órgãos regulamentadores da contabilidade? 4) Comente de que forma a DVA está dividida. Capítulo 6 194 Contabilidade Básica II Onde encontrar AZEVEDO, O. R. Dva x DFC. São Paulo: IOB, 2008. BRASIL. lei nº 11.638 de 28 de dezembro de 2007. Altera e revoga dispositivos da Lei. 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e da Lei 6.385, de 7 de dezembro de 1976, e estende às sociedades de grande porte disposições relativas à elaboração e divulgação de demonstrações financeiras. Disponível em:<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/lei/l11638. htm>. Acesso em: 20 dez. 2010. ______. normas Brasileiras de Contabilidade – nBC. NBC-T 3.7. Disponível em: <http:// www.cfc.org.br/sisweb/sre/Default.aspx>. Acesso em: 12 abr. 2010. IUDÍCIBUS, S.; MARTINS, E.; GELBCKE, E. R. manual de contabilidade das sociedades por ações. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2010. MARION, J. C. análise das demonstrações contábeis. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2009. NEVES, S. Contabilidade avançada. 15. ed. São Paulo: Atlas, 2007. PEREZ, J.H.; BEGALLI, G. A. Elaboração das demonstrações contábeis. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2002. RIBEIRO, O. M. Demonstrações financeiras – mudanças na Lei das Sociedades Anônimas: como era e como ficou. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2010. Capítulo 7 195 Contabilidade Básica II notas ExpliCativas CAPÍTULO 7 7.1 Contextualizando Prezado aluno! Chegamos ao sétimo capítulo de nossa disciplina. Apresentarei o conceito, a importância e os objetivos das notas explicativas. Elas podem ser consideradas como um complemento às demonstrações contábeis, quadros analíticos ou outras demonstrações que permitem a plena avaliação da situação e da evolução patrimonial da empresa. Também apresentarei exemplos e comentários de acordo com a Lei 6.404/76 – conhecida com a Lei das Sociedades por Ações –, que foi alterada pela Lei 11.638/07. Importante comentar que a lei 6.404/76 enumera o mínimo dessas notas e induz sua ampliação quando for necessário para o devido esclarecimento da situação patrimonial e dos resultados do exercício. Nesse valor mínimo incluem-se a descrição dos critérios de avaliação dos elementos patrimoniais e das práticas contábeis adotadas, dos ajustes dos exercícios anteriores, reavaliações, ônus sobre ativos, detalhamento das dívidas de longo prazo, do capital e dos investimentos relevantes em outras empresas, eventos subsequentes importantes após a data do balanço, entre outros. Ao final deste capítulo, você será capaz de: • classificar as notas explicativas das demonstrações contábeis; • distinguir os elementos conceituais e estruturais das mesmas; • identificar as notas explicativas necessárias para melhor interpretação das demonstrações contábeis. Capítulo 7 196 Contabilidade Básica II 7.2 Conhecendo a teoria Além das demonstrações contábeis, já estudadas até o momento (DRE, DLPA, DFC), a contabilidade agrega outras informações complementares, ou seja, outros indicativos no sentido de enriquecer os relatórios contábeis e financeiros que proporcionam mais clareza e segurança às informações prestadas. Essas evidenciações visam prestar esclarecimentos aos usuários das demonstrações contábeis e, por este motivo, ganham destaque e formalidades para o melhor aproveitamento pelo usuário. Tais evidenciações são denominadas pela contabilidade como notas explicativas. Essas devem ser elaboradas de tal forma que possam ajudar o usuário da contabilidade a interpretar de maneira mais simples e rápida aquilo que não foi detalhado nas demonstrações contábeis. Marion (2009) afirma que as evidenciações contábeis e financeiras devem ser relevantes tanto quantitativa quanto qualitativamente. Atente que as notas explicativas abragem mudanças nos procedimentos contábeis, de um exercício para o outro, devendo ser destacadas e enfatizadas, principalmente, quando modificarem o resultado do exercício. De acordo com Iudícibus, Martins e Gelbcke (2007), as notas explicativas podem estar expressas tanto na forma descritiva como na forma de quadros analíticos, ou mesmo englobar outras demonstrações contábeis. As notas explicativas estão disciplinadas na Lei das Sociedades Anônimas – Lei 6.404/76, alterada pela Lei 11.638/07, que trata em seu § 4º do artigo 176 que “as demonstrações serão complementadas por notas explicativas e outros quadros analíticos ou demonstrações contábeis necessários para esclarecimento da situação patrimonial e dos resultados do exercício”. Importante assinalar queas notas explicativas devem descrever as práticas contábeis da empresa, ou seja, o contexto operacional, o cenário dos investimentos, os métodos de estimativas, base de mensuração e atualização de ativos e passivos, as contingências, os rateios, as provisões, entre outras. Apenas com esta breve introdução, você já percebeu que as notas explicativas fazem toda a diferença na análise nas finanças de uma empresa. Agora, uma observação importante: a Lei das Sociedades Anônimas disciplina Capítulo 7 197 Contabilidade Básica II as notas explicativas, porém, a sua adequação às rotinas contábeis fica a cargo da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), como veremos nos tópicos a seguir. 7.2.1 As notas explicativas conforme a Lei das Sociedades Anônimas e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) Imagine que você tenha acesso à contabilidade da empresa onde trabalha. Embora participe das atividades administrativas, há dados que constam nas demonstrações que deixam você em dúvida. É aqui que entra a importância das notas explicativas porque, como diz o nome, elas esclarecem e interpretam os itens que podem não estar claros ou que gerem dúvidas na documentação contábil da empresa, tornando a situação patrimonial e os resultados do exercício acessíveis aos usuários. Como já dito anteriormente, a Lei das Sociedades Anônimas estabelece no § 4º do artigo 176 que “as demonstrações serão complementadas por notas explicativas e outros quadros analíticos ou demonstrações contábeis necessários para esclarecimento da situação patrimonial e dos resultados do exercício”. Pois bem, interpretando esta citação fica claro que as notas explicativas são parte integrante das demonstrações contábeis, visto que permitem aos usuários das informações conhecer detalhadamente a composição dos bens, direitos e obrigações da entidade. Veja que nem sempre um acionista ou sócio de uma empresa é um expert em contabilidade. As notas explicativas contêm as informações necessárias para o esclarecimento da situação patrimonial, ou seja, o detalhamento de uma determinada conta contábil, saldo ou transação financeira, ou até mesmo o detalhamento de valores relativos ao resultado apurado no exercício. A amplitude das informações relativas às notas explicativas pode atingir uma ou mais demonstrações contábeis, seja o Balanço Patrimonial (BP), a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE), a Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA), a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL), entre outras. As notas explicativas devem expor detalhadamente as práticas contábeis da entidade, ou seja, o contexto operacional, a situação atualizada dos Capítulo 7 198 Contabilidade Básica II investimentos, metodologia de captação de recursos de terceiros, os métodos de estimativas, a base de mensuração de ativos e passivos, as contingências, os rateios, entre outros. Destaco que elas são utilizadas também para detalhar o saldo de contas contábeis sintéticas apresentadas nas demonstrações sem muita clareza, ou ainda explicar a origem de determinadas contas ou simplesmente evidenciá- las de tal maneira que o usuário da informação contábil tenha segurança ao analisar tais informações. As notas explicativas também revelam as informações não financeiras, como, por exemplo, riscos a que a empresa está sujeita, políticas de proteção cambial, posicionamento da carteira de clientes, entre outras. Ressalto que serve ainda para identificar e possíveis erros de contabilização cometidos no exercício atual ou de períodos anteriores. A evidenciação de erros contábeis em notas explicativas não justifica os erros, apenas esclarece a situação. SAIBA QUE O Art. 176, § 4º, da Lei nº 6.404/76 diz que as demonstrações serão complementadas por notas explicativas e outros quadros analíticos ou demonstrações contábeis necessários ao esclarecimento da situação patrimonial e dos resultados do exercício. Já o § 5º, da referida lei, comenta que as notas explicativas devem: I. apresentar informações sobre a base de preparação das demonstrações financeiras e das práticas contábeis específicas selecionadas e aplicadas para negócios e eventos significativos; II. divulgar as informações exigidas pelas práticas contábeis adotadas no Brasil que não estejam apresentadas em nenhuma outra parte das demonstrações financeiras; III. fornecer informações adicionais não indicadas nas próprias demonstrações financeiras e consideradas necessárias para uma apresentação adequada; Capítulo 7 199 Contabilidade Básica II IV. indicar: a) os principais critérios de avaliação dos elementos patrimoniais, especialmente estoques, dos cálculos de depreciação, amortização e exaustão, de constituição de provisões para encargos ou riscos, e dos ajustes para atender a perdas prováveis na realização de elementos do ativo; b) os investimentos em outras sociedades, quando relevantes; c) o aumento de valor de elementos do ativo resultante de novas avaliações; d) os ônus reais constituídos sobre elementos do ativo, as garantias prestadas a terceiros e outras responsabilidades eventuais ou contingentes; e) a taxa de juros, as datas de vencimento e as garantias das obrigações a longo prazo; f) o número, espécies e classes das ações do capital social; g) as opções de compra de ações outorgadas e exercidas no exercício; h) os ajustes de exercícios anteriores; i) os eventos subsequentes à data de encerramento do exercício que tenham, ou possam vir a ter, efeito relevante sobre a situação financeira e os resultados futuros da companhia. Logo, entende-se que são inúmeras as informações que devem abranger as notas explicativas, contudo sua elaboração não deve se restringir somente aos fatores previstos na lei, mas sim dar conta de todas as demais informações necessárias para um melhor entendimento sobre a situação financeira e econômica da entidade. De acordo com a NBC-T 6.2, as informações contidas nas notas explicativas necessitam ser relevantes, complementares e/ou suplementares àquelas não suficientemente evidenciadas, ou não constantes nas demonstrações contábeis propriamente ditas, podendo abranger informações de natureza patrimonial, econômica, financeira, legal, física e social. Ainda, de acordo com a NBC-T 6.2, para que as notas explicativas tenham o efeito desejado, devem ser observados os seguintes aspectos em sua elaboração: • as informações devem contemplar os fatores de integridade, autenticidade, precisão, sinceridade e relevância; • os textos devem ser simples, objetivos, claros e concisos; • os assuntos devem ser ordenados observando as demonstrações contábeis, tanto para os agrupamentos como para as contas que os compõem; Capítulo 7 200 Contabilidade Básica II • os assuntos relacionados devem ser agrupados segundo seus atributos comuns; • os dados devem permitir comparações com os de datas de períodos anteriores; • as referências a leis, decretos, regulamentos, normas brasileiras de contabilidade e outros atos normativos devem ser fundamentados e restritos aos casos em que tais citações contribuam para o entendimento do assunto tratado na nota explicativa. Já a NBC-T 19.27 determina que a entidade deve divulgar, caso ainda não tenha tornado pública em outro local, além das demonstrações contábeis, as seguintes informações nas notas explicativas: • o domicílio e a forma jurídica da entidade, o seu país de registro e o endereço da sede registrada (ou o local principal dos negócios, se diferente da sede registrada); • a descrição da natureza das operações da entidade e das suas principais atividades; • o nome da entidade controladorae a entidade controladora do grupo em última instância; • se for uma entidade constituída por tempo determinado, informação a respeito do tempo de duração. LEMBRETE Todas as informações são relevantes, uma vez que os usuários da informação necessitam saber tudo o que acontece na movimentação contábil da empresa. Atente que entre os conjuntos de dados importantes também podem ser destacados: o mercado onde a entidade atua, a atividade principal e outras secundárias que podem fornecer subsídios para aumento do resultado, marcas sob seu registro, processos trabalhistas previsíveis, entre outras. Observe que todas essas informações não estão evidenciadas nas demonstrações contábeis, reforçando a importância de destacá-las e fundamentá-las para o esclarecimento dos usuários – e ainda podemos dizer que não só estas situações, mas Capítulo 7 201 Contabilidade Básica II quaisquer outras que venham a tornar as demonstrações contábeis mais transparentes e seguras. Para que você conheça as notas explicativas e sua estrutura, contexto e escrita, apresento como exemplo as notas explicativas publicadas da empresa Bons Sonhos S/A. Este documento reproduz todos os atos administrativos, fiscais e contábeis de uma grande empresa têxtil do Brasil. Figura 1 – Transparência é a palavra de ordem na contabilidade Fonte: wavebreakmedia ltd <www.shutterstock.com> Apesar de ser um material longo, contém todos os detalhes que podem ajudar no esclarecimento de possíveis dúvidas sobre o tema. Tenho certeza que o esforço vai valer a pena! reprodução de notas Explicativas Bons sonHos s/a Notas explicativas da administração às demonstrações financeiras em 31 de dezembro de 2009 e de 2008 Em milhares de reais, exceto quando indicado de outra forma Contexto operacional A companhia, com sede em Jaraguá (SC), é de capital aberto e tem como atividades preponderantes a industrialização e comercialização das seguintes linhas de produtos: cama, mesa, banho e tecidos para decoração. Capítulo 7 202 Contabilidade Básica II A companhia possui estrutura e os custos administrativos, gerenciais e operacionais parcialmente compartilhados com as demais empresas controladas. apresentação das demonstrações financeiras consolidadas e principais práticas contábeis apresentação das demonstrações financeiras consolidadas As demonstrações financeiras a seguir foram aprovadas pelo Conselho de Administração da companhia em 15 de março de 2010. As demonstrações financeiras foram elaboradas e estão sendo apresentadas de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil, com base nas disposições contidas na Lei das Sociedades por Ações e nas normas estabelecidas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). As principais práticas contábeis adotadas na elaboração destas demonstrações financeiras correspondem às normas e orientações que estão vigentes para as demonstrações financeiras encerradas em 31 de dezembro de 2009, que serão diferentes daquelas que serão utilizadas para elaboração das demonstrações financeiras de 31 de dezembro de 2010. Na elaboração das demonstrações financeiras, é necessário utilizar estimativas para contabilizar certos ativos, passivos e outras transações. As demonstrações financeiras da companhia e suas controladas incluem, portanto, estimativas referentes à seleção das vidas úteis do ativo imobilizado, provisões necessárias para passivos contingentes, determinações de provisões para imposto de renda e outras similares. Os resultados reais podem apresentar variações em relação às estimativas. Descrição das principais práticas contábeis adotadas a) Caixa e equivalentes de caixa Caixa e equivalentes de caixa incluem dinheiro em caixa, depósitos bancários e investimentos de curto prazo de alta liquidez com vencimentos originais Capítulo 7 203 Contabilidade Básica II de três meses ou menos, que são prontamente conversíveis em um montante conhecido de caixa e que estão sujeitos a um insignificante risco de mudança de valor. b) instrumentos financeiros Classificação e mensuração A companhia classifica seus ativos financeiros sob as categorias: mensurados ao valor justo por meio do resultado e empréstimos e recebíveis, uma vez que não existem ativos financeiros mantidos até o vencimento e disponíveis para venda. A classificação depende da finalidade para a qual os ativos financeiros foram adquiridos. A administração determina a classificação de seus ativos financeiros no reconhecimento inicial. ativos financeiros mensurados ao valor justo por meio do resultado Os ativos financeiros mensurados ao valor justo por meio do resultado são ativos financeiros mantidos para negociação ativa e frequente. Os ativos dessa categoria são classificados como ativos circulantes. Os ganhos ou as perdas decorrentes de variações no valor justo de ativos financeiros mensurados ao valor justo por meio do resultado são apresentados na demonstração do resultado em “resultado financeiro” no período em que ocorrem. Empréstimos e recebíveis Incluem-se nessa categoria os empréstimos concedidos e os recebíveis que são ativos financeiros não derivativos com pagamentos fixos ou determináveis, não cotados em um mercado ativo. São incluídos como Ativo Circulante, exceto aqueles com prazo de vencimento superior a 12 meses após a data do balanço (estes são classificados como ativos não circulantes). Os empréstimos e recebíveis da Companhia compreendem os empréstimos a controladas, contas a receber de clientes, demais contas a receber, caixa e equivalentes de caixa, exceto os investimentos de curto prazo. Os empréstimos e recebíveis são contabilizados pelo custo amortizado, usando o método da taxa de juros efetiva. Capítulo 7 204 Contabilidade Básica II valor justo Os valores justos dos investimentos com cotação pública são baseados nos preços atuais de compra. Para os ativos financeiros sem mercado ativo ou cotação pública, a Companhia estabelece o valor justo através de técnicas de avaliação. Essas técnicas incluem o uso de operações recentes contratadas com terceiros, a referência a outros instrumentos que são substancialmente similares, a análise de fluxos de caixa descontados e os modelos de precificação de opções que fazem o maior uso possível de informações geradas pelo mercado e contam o mínimo possível com informações geradas pela administração da própria entidade. A companhia avalia, na data do balanço, se há evidência objetiva de que um ativo financeiro ou um grupo de ativos financeiros está registrado por valor acima de seu valor recuperável (impairment). Se houver alguma evidência para os ativos financeiros disponíveis para venda, a perda cumulativa – mensurada como a diferença entre o custo de aquisição e o valor justo atual, menos qualquer perda por impairment desse ativo financeiro previamente reconhecida no resultado – é retirada do patrimônio e reconhecida na demonstração do resultado. instrumentos derivativos e atividades de hedge Inicialmente, os derivativos são reconhecidos pelo valor justo na data em que um contrato de derivativos é celebrado e são, subsequentemente, remensurados ao seu valor justo, com as variações do valor justo lançadas contra o resultado, exceto quando o derivativo for designado como um instrumento de hedge de fluxo de caixa. Embora a companhia faça uso de derivativos com o objetivo de proteção, ela não aplica a chamada contabilização de hedge (hedge accounting). O valor justo dos instrumentos derivativos está divulgado na Nota 16 (i). c) Contas a receber de clientes As contas a receber de clientes são avaliadas no momento inicial pelovalor presente e deduzidas da provisão para créditos de liquidação duvidosa. A provisão para créditos de liquidação duvidosa é estabelecida quando existe Capítulo 7 205 Contabilidade Básica II uma evidência objetiva de que a Companhia não será capaz de cobrar todos os valores devidos de acordo com os prazos originais das contas a receber. O valor da provisão é a diferença entre o valor contábil e o valor recuperável. A administração avaliou aquelas situações, nas quais existe a possibilidade de uma diferença, na data de reconhecimento inicial, entre o valor nominal e o valor justo de ativos e passivos financeiros e concluiu que os efeitos do desconto ao valor presente de ativos e passivos monetários de curto prazo, em 31 de dezembro de 2009, ou em quaisquer períodos anteriores, não são relevantes, consequentemente não efetuou o respectivo registro. d) Estoques Os estoques são apresentados pelo menor valor entre o custo e o valor líquido realizável. O custo é determinado usando-se o método da média ponderada móvel. O custo dos produtos acabados e dos produtos em elaboração compreende matérias-primas, mão de obra direta, outros custos diretos e despesas gerais de produção relacionadas (com base na capacidade operacional normal). O valor realizável líquido é o preço de venda estimado para o curso normal dos negócios, deduzidos os custos de execução e as despesas de venda. As importações em andamento são demonstradas ao custo acumulado de cada importação. e) imposto de renda e contribuição social A provisão para o imposto de renda é constituída com a inclusão da parcela de incentivos fiscais e calculada com base nas alíquotas atualmente vigentes no país. O imposto de renda e a contribuição social diferidos são calculados sobre diferenças temporárias entre as bases de cálculo do imposto sobre ativos e passivos e os valores contábeis das demonstrações financeiras. As alíquotas desses impostos, definidas atualmente para determinação desses créditos diferidos, são de 25% para o imposto de renda e de 9% para a contribuição social. f) Depósitos judiciais Os depósitos judiciais são atualizados monetariamente e apresentados em nota explicativa como dedução do valor de um correspondente passivo Capítulo 7 206 Contabilidade Básica II constituído quando não houver possibilidade de resgate dos depósitos, a menos que ocorra desfecho favorável da questão para a entidade. g) investimentos em controladas Os investimentos em sociedades controladas são registrados e avaliados pelo método de equivalência patrimonial, reconhecido no resultado do exercício como despesa (ou receita) operacional. No caso de variação cambial de investimento em controladas no exterior, as variações no valor do investimento decorrentes exclusivamente de variação cambial são registradas na conta “Ajuste de avaliação patrimonial”, no patrimônio líquido da Companhia, e somente são registradas ao resultado do exercício quando o investimento for vendido ou baixado para perda. Para efeitos do cálculo da equivalência patrimonial, ganhos ou transações a realizar entre a Companhia e suas controladas são eliminados na medida da participação da Companhia; perdas não realizadas também são eliminadas, a menos que a transação forneça evidências de perda permanente (impairment) do ativo transferido. Nos casos em que as controladas possuam passivo a descoberto são efetuadas provisões para perdas com investimentos, registrados no Passivo Não Circulante. As demonstrações financeiras das controladas são elaboradas de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil, não sendo necessárias alterações nas mesmas para garantir a consistência com as práticas adotadas pela companhia. h) Conversão de moeda estrangeira As transações em moeda estrangeira são convertidas para reais usando-se as taxas de câmbio em vigor nas datas das transações. Os saldos das contas de balanço são convertidos pela taxa cambial da data do balanço. Ganhos e perdas cambiais resultantes da liquidação dessas transações e da conversão de ativos e passivos monetários denominados em moeda estrangeira são reconhecidos na demonstração do resultado. i) imobilizado O imobilizado é demonstrado ao custo corrigido monetariamente até 31 de dezembro de 1995, sendo a depreciação calculada pelo método linear, de acordo com as taxas divulgadas na Nota 9. A exaustão das florestas é calculada Capítulo 7 207 Contabilidade Básica II tomando-se por base a metragem da lenha extraída, em relação à metragem estimada como produção total de cada floresta. Terrenos não são depreciados. Ganhos e perdas em alienações são determinados pela comparação dos valores de alienação com o valor contábil e são incluídos no resultado. Os custos dos encargos sobre empréstimos tomados para financiar a construção do imobilizado foram capitalizados durante o período necessário para executar e preparar o ativo para o uso pretendido. Reparos e manutenção são apropriados ao resultado durante o período em que são incorridos. O custo das principais renovações é incluído no valor contábil do ativo no momento em que for provável que os benefícios econômicos futuros que ultrapassarem o padrão de desempenho inicialmente avaliado para o ativo existente fluirão para a Companhia. As principais renovações são depreciadas ao longo da vida útil restante do ativo relacionado. j) ativos intangíveis Composto pelos custos de aquisição de marcas e patentes e programas de computador (softwares). Os custos com a aquisição de softwares são amortizados usando-se o método linear ao longo de sua vida útil estimada, pelas taxas descritas na Nota 10. Os gastos associados ao desenvolvimento ou à manutenção de softwares são reconhecidos como despesas na medida em que são incorridos. Os gastos diretamente associados a softwares identificáveis e únicos, controlados pela Companhia e que, provavelmente, gerarão benefícios econômicos maiores que os custos por mais de um ano, são reconhecidos como ativos intangíveis. Os gastos diretos incluem a remuneração dos funcionários da equipe de desenvolvimento de softwares e a parte adequada das despesas gerais relacionadas. k) Diferido O diferido, formado até 31 de dezembro de 2008, principalmente por Gastos de Implantação e Despesas Pré-Operacionais, é amortizado no período de até dez anos. Capítulo 7 208 Contabilidade Básica II l) redução ao valor recuperável de ativos O imobilizado e outros ativos não circulantes, inclusive os ativos intangíveis, são revistos para se identificar perdas não recuperáveis sempre que eventos ou alterações nas circunstâncias indicarem que o valor contábil pode não ser recuperável. Quando aplicável, a perda é reconhecida pelo montante em que o valor contábil do ativo ultrapassa seu valor recuperável, que é o maior entre o preço líquido de venda e o valor em uso de um ativo. Para fins de avaliação, os ativos são agrupados no nível mais baixo para o qual existem fluxos de caixa identificáveis separadamente. m) arrendamento mercantil Os arrendamentos mercantis de imobilizado, nos quais a Companhia fica substancialmente com todos os riscos e benefícios de propriedade, são classificados como arrendamentos financeiros. Os arrendamentos financeiros são registrados como se fosse uma compra financiada, reconhecendo, no seu início, um ativo imobilizado e um passivo de financiamento (arrendamento). O imobilizado adquirido através de arrendamentos financeiros é depreciado pelas taxas definidas na Nota 9. n) provisões As provisões são reconhecidas quando a companhia possui uma obrigação presente, legal ou implícita, como resultado de eventospassados e é provável que uma saída de recursos seja necessária para liquidar a obrigação e uma estimativa confiável do valor possa ser feita. o) Benefício a funcionários – participação nos lucros e bônus O reconhecimento dessa participação é usualmente efetuado quando do encerramento do exercício, momento em que o valor pode ser mensurado de maneira confiável pela Companhia. p) Empréstimos e financiamentos Os empréstimos e financiamentos tomados são reconhecidos, inicialmente, pelo valor justo, no recebimento dos recursos líquidos dos custos de transação. Em seguida, os empréstimos e financiamentos tomados são apresentados pelo custo Capítulo 7 209 Contabilidade Básica II amortizado, isto é, acrescidos de encargos e juros proporcionais ao período incorrido (“pro rata temporis”). q) reconhecimento de receita A receita compreende o valor presente pela venda de mercadorias e serviços. A receita pela venda de mercadorias é reconhecida quando os riscos significativos e os benefícios de propriedade das mercadorias são transferidos para o comprador. Os dividendos são reconhecidos quando o direito de receber o pagamento é estabelecido. A receita decorrente de incentivos fiscais de subvenção para investimentos, recebida na forma de ativo monetário, é reconhecida no resultado do exercício, de maneira sistemática, ao longo do exercício, quando do pagamento da parcela devida do referido imposto que corresponde à condição de reconhecimento da receita no resultado do exercício. r) Consolidação das demonstrações financeiras Para as companhias controladas pela Bons Sonhos S/A., mencionadas na Nota 8, foi consolidada a totalidade de seus ativos, passivos e resultados, sendo destacadas, quando aplicável, as participações minoritárias no patrimônio líquido e no resultado das controladas. As demonstrações financeiras consolidadas foram elaboradas em conformidade com as práticas contábeis adotadas no Brasil. Assim sendo, foram eliminadas as participações de uma empresa em outra, os saldos de contas e as receitas e despesas, bem como os lucros não realizados entre as companhias. A Companhia e suas controladas adotam práticas contábeis uniformes para o registro de suas operações e avaliação dos elementos patrimoniais, sendo que as demonstrações financeiras das controladas no exterior foram preparadas de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil, nas suas respectivas moedas. normas e interpretações de normas que ainda não estão em vigor As normas e interpretações de normas relacionadas, a seguir, foram publicadas e são obrigatórias para os exercícios sociais iniciados em ou após 1º de janeiro de 2010. Além dessas, também foram publicadas outras normas e interpretações que alteram as práticas contábeis adotadas no Brasil, dentro do processo de convergência com as normas internacionais. As normas a seguir são apenas Capítulo 7 210 Contabilidade Básica II aquelas que poderão (ou deverão) impactar as demonstrações financeiras da companhia de forma mais relevante. Nos termos dessas novas normas, as cifras do exercício de 2009, aqui apresentadas, deverão ser reapresentadas para fins de comparação. A companhia não adotou antecipadamente essas normas no exercício findo em 31 de dezembro de 2009. a) pronunciamentos . CPC 16 - Estoques . CPC 18 - Investimentos em coligadas . CPC 20 - Custos de empréstimos . CPC 21 - Demonstração intermediária . CPC 23 - Políticas contábeis, mudança de estimativa e retificação de erros . CPC 24 - Eventos subsequentes . CPC 25 - Provisões, passivos e ativos contingentes . CPC 26 - Apresentação das demonstrações contábeis . CPC 27 - Ativo imobilizado . CPC 29 - Ativo biológico e produto agrícola . CPC 30 - Receitas . CPC 32 - Tributos sobre o lucro . CPC 33 - Benefícios a empregados . CPC 35 - Demonstrações separadas . CPC 36 - Demonstrações consolidadas . CPC 37 - Adoção inicial das normas internacionais de contabilidade . CPC 38 - Instrumentos financeiros: reconhecimento e mensuração . CPC 39 - Instrumentos financeiros: apresentação . CPC 40 - Instrumentos financeiros: evidenciação b) interpretações . ICPC 01 - Contratos de concessão . ICPC 03 - Aspectos complementares das operações de arrendamento mercantil . ICPC 04 - Alcance do CPC10 – Pagamento baseado em ações . ICPC 05 - CPC 10 – Pagamento baseado em ações . ICPC 06 - Hedges de investimentos líquidos em uma operação no exterior . ICPC 07 - Distribuição de dividendos in natura . ICPC 08 - Contabilização da proposta de pagamento de dividendos . ICPC 09 - Demonstrações contábeis individuais, separadas, consolidadas e aplicação do método de equivalência Capítulo 7 211 Contabilidade Básica II . ICPC 10 - Esclarecimentos sobre os CPC 27 e CPC 28 . ICPC 11 - Recebimento em transferência de ativos de clientes . ICPC 12 - Mudanças em passivos por desativação, restauração e outros passivos similares Tabela 1 – Caixa e equivalentes de caixa CAIXA E EQUIVALENTES DE CAIXA ControlAdorA ConsolidAdo 2009 2008 2009 2008 Caixa e bancos 1.102 10.828 1.310 11.150 Aplicações financeiras 32.620 11.651 35.398 13.833 33.722 22.479 36.708 24.983 Fonte:<www.cosif.com.br/> As aplicações financeiras referem-se a certificados de depósitos bancários e remunerados aproximadamente à taxa de 100% do Certificado de Depósito Interfinanceiro – CDI, com opção de resgate imediato, classificados como mantidos para negociação (mensurados ao valor justo através do resultado). Tabela 2 – Contas a receber de clientes CONTAS A RECEBER DE CLIENTES ControlAdorA ConsolidAdo 2009 2008 2009 2008 Clientes no país 56.096 73.755 85.630 112.058 Clientes no exterior 5.266 15.460 5.266 15.460 Provisão para devedores duvidosos (1.008) (3.613) (1.512) (3.670) Adiantam. de contratos de câmbio (2.240) (2.240) 60.354 83.362 89.384 121.608 Realizável a longo prazo Clientes do país ajustado a valor presente 718 718 718 718 Fonte:<www.cosif.com.br/> Capítulo 7 212 Contabilidade Básica II A composição do saldo de contas a receber por idade de vencimento é como segue: Em setembro de 2009, o Ministério Público deferiu o processamento da recuperação: Tabela 3 – Saldo de contas a receber por idade de vencimento SALDO DE CONTAS A RECEBER ControlAdorA ConsolidAdo 2009 2008 2009 2008 A vencer 58.617 80.275 87.372 118.077 Vencidos há 30 dias 1.098 3.096 1.289 3.124 Vencidos de 31 a 60 dias 166 1.094 190 1.138 Vencidos de 61 a 90 dias 118 898 134 1.040 Vencidos de 91 a 180 dias 355 239 398 469 Vencidos há mais de 180 dias 1.008 3.613 1.513 3.670 61.362 89.215 90.896 127.518 Fonte:<www.cosif.com.br/> Em setembro de 2009, o Ministério Público deferiu o processamento da recuperação judicial de um dos clientes. Tendo como base a aprovação do Plano de Recuperação Judicial e as alternativas de pagamento apresentadas aos credores. A Companhia, em dezembro de 2008, havia provisionado em perdas todas as duplicatas em aberto desse cliente no valor de R$ 1.765. Em função do processo de recuperação judicial, renegociação da dívida e opção de recebimento, em 30 de setembro de 2009 foi revertido um montante de R$ 1.235, sendo que sobre esse saldo foi aplicado o desconto a valor presente. Na data da renegociação, de R$ 533 (em 31 de dezembro de 2009 equivale a R$ 517), o que será revertido durante o prazo de recebimento. Em 31 de dezembro de 2009, o saldo destas contas a receber era de R$ 718. Capítulo 7 213 Contabilidade Básica II Estoques Tabela 4 – Estoques ESTOQUES ControlAdorA ConsolidAdo 2009 2008 2009 2008 Produtos Acabados 10.4999.590 16.806 26.543 Produtos em elaboração 11.666 13.720 15.236 14.780 Matérias-primas 16.710 8.115 24.233 22.123 Ferramentas, peças e material de manutenção 1.401 1.517 1.401 1.517 Importações em andamento 767 439 2.939 6.912 Almoxarifado 197 269 344 369 Outros estoques 335 409 335 409 41.575 34.059 61.294 72.653 Fonte:<www.cosif.com.br/> tributos a recuperar Tabela 5 – Tributos a Recuperar TRIBUTOS A RECUPERAR ControlAdorA ConsolidAdo 2009 2008 2009 2008 Circulante ICMS 3.110 4.422 ICMS s/ Imobilizado 1.436 1.541 1.542 1.652 IPI 657 1.069 1.329 1.684 PIS/COFINS 10 1.173 PIS/COFINS s/ Imobilizado 81 84 110 84 Adicional de IR Estadual - SC 762 732 762 732 Capítulo 7 214 Contabilidade Básica II Credito Presumidos PIS/ Cofins 535 535 535 535 Outros 335 74 336 75 IRPJ/CSLL a compensar 766 Antecipação IRPJ/CSLL 1.424 3.189 1.497 4.894 5.230 7.224 9.997 15.251 realizável a longo prazo 16.710 8.115 24.233 22.123 ICMS s/ Imobilizado 1.634 2.839 1.770 3.069 PIS/COFINS s/ Imobilizado 34 45 1.634 2.873 1.770 3.114 6.864 10.097 11.767 18.365 Fonte:<www.cosif.com.br/> Obs.: os dados das notas explicativas são reais, apenas o nome da empresa é fictício. Com o exemplo anterior você percebe a importância das notas explicativas para o entendimento dos registros contábeis apresentados, bem como aqueles fatos que ainda não tiveram seu impacto contábil e financeiro. E talvez sejam tão importantes quanto as próprias demonstrações contábeis e financeiras, visto que as informações contidas permitem que o usuário tenha clareza do que acontece na empresa de forma ampla e analítica. Isto quer dizer que elas funcionam como se fossem o raio-x da empresa. Note também a amplitude de abrangência das notas explicativas, pois tratam das evidenciações tanto das contas patrimoniais quanto daquelas que atribuem algum impacto no resultado. Na leitura, você deve ter observado a preocupação da companhia quanto às Normas Brasileiras de Contabilidade, pronunciamentos em vigor ou não, destacando sempre os aspectos primordiais para a análise do usuário da informação contábil. Capítulo 7 215 Contabilidade Básica II Bem, após todo esse estudo, no tópico a seguir comentarei as notas explicativas em relação à Lei das Sociedades Anônimas e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). 7.2.2 Comentários sobre as notas da Lei das Sociedades Anônimas e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) Como você já sabe, as demonstrações contábeis resultam do processamento de grandes números de transações agregados de acordo com a sua natureza ou função. Ao término desse processo, os dados são apresentados condensados e classificados, dando assim origem às demonstrações contábeis. Porém, caso um item ou conta não esteja suficientemente justificado, ou seja, exposto com clareza e objetividade, esse deve ser materializado com relatórios complementares e notas explicativas. Relembro que as notas explicativas devem discriminar, com clareza e objetividade, as informações necessárias para o correto entendimento do conteúdo das demonstrações financeiras, a partir dos itens previstos no parágrafo 5º do artigo 176 da Lei 6.404/76 – Lei das Sociedades Anônimas. As responsabilidades e evidenciações não refletidas nas demonstrações financeiras serão apresentadas em notas explicativas ou em quadros demonstrativos. Diante da complexidade do tema, a Lei das Sociedades Anônimas aborda as notas explicativas apenas nos artigos 176 e 247. Já a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) trata desse assunto em vários pareceres e ofícios conforme apresentado a seguir: Cvm – Comissão de valores mobiliários – Companhias abertas • Consolidação de pareceres de orientação Cvm – notas Explicativas à Ofício Circular CVM 578/1985 à Ofício Circular CVM 309/1086 à Parecer de Orientação CVM 015/1987 à Parecer de Orientação CVM 017/1989 à Parecer de Orientação CVM 018/1990 à Parecer de Orientação CVM 024/1992 Capítulo 7 216 Contabilidade Básica II • parecer de orientação Cvm 004/1979 – Aspectos da Lei 6.404 aplicáveis à adequação das demonstrações financeiras de companhias abertas; • instrução Cvm 475/2008 – Dispõe sobre a obrigatoriedade de divulgação em Nota Explicativa das aplicações em instrumentos financeiros; • Deliberação Cvm 550/2008 – Instrumentos Financeiros Derivativos em Nota Explicativa às Informações Trimestrais (ITR). Como você pode observar, a Lei das Sociedades Anônimas aborda as notas explicativas apenas nos artigos 176 e 247. Porém, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) tem um importante papel no assunto. Por quê? DESAFIO Tais ofícios e pareceres abordam de forma detalhada a maneira como as evidenciações devem ser apresentadas. Leia com atenção o exemplo a seguir! Ofício Circular 578/1985 Segundo este documento, os procedimentos efetivamente utilizados pela companhia devem ser apresentados com clareza, sem o uso de expressões genéricas, tais como: taxas permitidas pela legislação em vigor ou dentro dos limites da legislação tributária. As notas explicativas sobre obrigações e gravames devem ser completas: as relativas a arrendamento mercantil, por exemplo, têm de conter: saldo, valor e número de prestações, juros embutidos, variação monetária, entre outros dados pertinentes. Essas notas também não podem se limitar aos itens contidos no parágrafo 5º do artigo 176 da Lei 6.404/1976 ou item XXXIV da Instrução CVM 01/78 (Revogada - vide Instrução CVM 247/96 e Nota Explicativa 247/96). Uma análise criteriosa deve ser feita para atendimento ao “caput”, ao parágrafo 4º do artigo 176 e aos próprios objetivos da Contabilidade e suas Demonstrações. Capítulo 7 217 Contabilidade Básica II Ofício Circular 309/1986 Sendo a evidenciação (disclosure) um dos objetivos básicos da contabilidade, de modo a garantir aos usuários informações completas e confiáveis sobre a situação financeira e os resultados da companhia, as notas explicativas que integram as demonstrações financeiras devem apresentar informações quantitativas de maneira ordenada e clara. As notas explicativas deverão discriminar, com clareza e objetividade, os esclarecimentos necessários ao correto entendimento do conteúdo das demonstrações financeiras, a partir dos itens previstos no § 5º do art. 176 da Lei 6.404/1976/76. Todas as responsabilidades não refletidas nas demonstrações financeiras serão evidenciadas em notas ou em quadros demonstrativos. Os quadros discriminam os investimentos relevantes, arrendamento mercantil, garantias, empréstimos e financiamentos e outras informações em que haja predominância do aspecto quantitativo. Reforço também que não podem ser usadas as notas genéricas (“... taxas permitidas pela legislação...”), redundantes (“... elaboradas de acordo com a lei...”) ou conflitantes (“... de acordo com as legislações societária, tributária e normas específicas dos órgãos reguladores da matéria...”). Parecer de Orientação CVM 15/1987 A Lei 6.404/1976 determina que as demonstrações financeiras contábeis devem ser acompanhadas por notas explicativas e outros quadros analíticos ou demonstrações contábeis necessários para esclarecimento da situação patrimonial e dos resultados do exercício (artigo 176, parágrafo 4°). Apresenta, ainda, relação das informações mínimas que devem obrigatoriamente constar em nota (parágrafo 5°). Além disso, a CVM, usando a faculdade conferida nas Leis n° 6.404/1976 e 6.385/1976, determina a apresentação em nota de diversas outras informações necessárias ao esclarecimento, conhecimento e análise da situação e dos resultados da companhia.Apesar disso, muitas companhias abertas ainda não vêm fazendo uso adequado das notas explicativas, descumprindo as determinações acima, tanto pela omissão de informação, quanto pela divulgação de informações desnecessárias. Tanto assim é que durante o presente exercício ainda foram observadas deficiências nas notas explicativas de Capítulo 7 218 Contabilidade Básica II significativo número de companhias abertas (foram registrados mais de 300 casos). Deficiências essas que vão desde a falta de apresentação das informações mínimas requeridas na Lei 6.404/1976, há mais de 10 anos, até o não atendimento das instruções e deliberações mais recentes da CVM. A maior incidência, neste último caso, se deve, principalmente, à falta de divulgação das transações entre Partes Relacionadas (NBC-T-17 e NBC-T-11.14) requerida pela Deliberação CVM 26/1986 (REVOGADA pela Deliberação CVM 560/2008), e das informações relativas às reavaliações de ativo requerida pela Deliberação CVM 027/1986. A seguir, relacionamos os principais itens que devem ser objeto de divulgação em nota explicativa e respectivas disposições normativas. Além dessas, outras informações são requeridas no presente parecer de orientação. Alertamos, no entanto, que esta é uma relação mínima e que não deve restringir a apresentação de outras informações pela companhia: 1. Ações em Tesouraria - Instrução CVM 10/1980 (artigo 21). [...] 23. Transações entre Partes Relacionadas (NBC-T-17 e NBC-T-11.14) - Deliberação CVM 026/1986 (diversos itens). Além dessas informações, visando o pleno conhecimento pelos acionistas e investidores a respeito da forma e do montante da remuneração do seu investimento na companhia e da proteção e preservação desse investimento, é requerido que sejam evidenciadas em nota, quadro auxiliar ou em relatório as seguintes informações: a) Nota sobre Dividendos: Deve ser apresentada demonstração do cálculo do dividendo proposto pela administração. Assim, por exemplo, se o estatuto estabelece o pagamento de dividendo mínimo obrigatório de 25% do lucro líquido ajustado, a companhia deverá apresentar essa demonstração a partir do lucro líquido do exercício evidenciando as deduções permitidas para reservas, as reversões de reservas, os ajustes de exercícios anteriores (se considerados), o lucro base para cálculo do dividendo, o percentual aplicado, o valor do dividendo proposto e as deduções e as deduções de dividendos antecipados e sua correção monetária se aplicáveis. b) Nota sobre Seguros: A companhia deve informar se e quais os ativos, responsabilidades ou interesses cobertos por seguros e os respectivos montantes, especificados por modalidade. Portanto, a Lei das Sociedades Anônimas trata este assunto sem muita propriedade e detalhamento, ficando a cargo da Comissão de Valores Mobiliários a regulamentação e apropriação das notas explicativas. Capítulo 7 219 Contabilidade Básica II Para Iudícibus (2009), a Lei das Sociedades Anônimas deixa bastante a desejar quanto ao assunto notas explicativas, dando a impressão de que devido à urgência e complexidade, em sua elaboração muitos aspectos foram anexados quando a seção já estava pronta, de modo que remendou- se a redação da Lei, perdendo a sequência, ordem e clareza. EXPLORANDO Para complementar seus estudos, sugiro que você visite o site <http://www.cosif.com.br>. Lá, você encontrará informações com riqueza de detalhes que vão lhe ajudar a complementar seus estudos e podem render interessantes pesquisas sobre o tema. 7.2.3 Outras notas explicativas Além das notas explicativas sobre as demonstrações contábeis e financeiras existem outras evidenciações que também devem ser respaldadas, como por exemplo as notas explicativas sobre o contexto operacional da companhia. Embora não estejam previstos na Lei das Sociedades Anônimas, a Comissão de Valores Mobiliários e outros órgãos regulamentadores vêm estimulando as companhias a divulgar de forma usual, como a primeira das Notas Explicativas com o título Operações ou Contexto Operacional, o conteúdo sobre o ramo de atividade de exploração, a base de atuação no mercado e também uma apresentação da situação do negócio se este estiver em fase de implantação ou expansão. Acredita-se que, desta forma, a informação contábil estará mais próxima do usuário, transcrevendo os grandes números em informações para análise e interpretação dos dados. Você pode observar um modelo de nota explicativa de contexto operacional no exemplo da companhia Bons Sonhos S/A apresentado em tópicos anteriores deste capítulo, como segue: Capítulo 7 220 Contabilidade Básica II Bons sonHos s/a Notas explicativas da administração às demonstrações financeiras em 31 de dezembro de 2009 e de 2008 Em milhares de reais, exceto quando indicado de outra forma 1. Contexto operacional: A Companhia, com sede em Jaraguá do Sul (SC), é de capital aberto e tem como atividades preponderantes a industrialização e comercialização das seguintes linhas de produtos: cama, mesa, banho e tecidos para decoração. A Companhia possui estrutura e os custos administrativos, gerenciais e operacionais parcialmente compartilhados com as demais empresas controladas. Logo, tais informações são ferramentas para fidelizar os investidores ao tentarem interpretar as demonstrações contábeis, melhorando o seu julgamento quanto à razoabilidade das informações contábeis e financeiras apresentadas. Caro aluno, diante desse extenso cenário sobre o assunto notas explicativas, vamos ao estudo do último tópico deste capítulo, que trata das notas explicativas nas apresentações de demonstrações contábeis de forma comparativa. 7.2.4 Notas explicativas em demonstrações contábeis comparativas A escrituração contábil teve o seu cenário alterado nos últimos anos em decorrência da alteração da Lei nº 6.404/1976 – Lei das Sociedades Anônimas por força da Lei nº 11.638/2007, e também pela publicação da Medida Provisória nº 449/2008 que foi convertida na Lei nº 11.941/2009. Diante desse contexto, o parágrafo § 1º do artigo 176 da Lei 6.404/76 permanece inalterado, disciplinando que “as demonstrações de cada exercício serão publicadas com a indicação dos valores correspondentes das demonstrações contábeis do exercício anterior”. E assim como as demonstrações contábeis devem ser publicadas de forma comparativa com o exercício anterior, as notas explicativas também devem atender ao mesmo requisito, porém, sempre vislumbrando o exercício da publicação. Capítulo 7 221 Contabilidade Básica II Ressalta-se que não é usual fazer análises comparativas e conclusão no texto das notas explicativas, pois, o texto deve atender apenas o que a lei disciplina, ou seja, justificar as evidências. Portanto, devem-se deixar as análises e interpretações para os usuários das informações contábeis. Logo, prezado acadêmico, você pode observar o exemplo apresentado em tópicos anteriores, da Companhia Bons Sonhos S/A., que traz as notas explicativas das demonstrações contábeis dos exercícios de 2008 e 2009. Como você pode constatar, em nenhum momento o texto das notas explicativas abordou análise e conclusões comparativas entre os exercícios, apenas justificou as evidenciações apresentadas pela companhia. Veja no exemplo da nota explicativa do Imobilizado, que embora teve diversas variáveis, nenhuma análise conclusiva foi abordada. Bons sonHos s/a Notas explicativas da administração às demonstrações financeiras em 31 de dezembro de 2009 e de 2008 Em milhares de reais, exceto quando indicado de outra forma i) imobilizado O imobilizado é demonstrado ao custo corrigido monetariamente até 31 de dezembro de 1995,sendo a depreciação calculada pelo método linear, de acordo com as taxas divulgadas na Nota 9. A exaustão das florestas é calculada tomando-se por base a metragem da lenha extraída, em relação à metragem estimada como produção total de cada floresta. Terrenos não são depreciados. Ganhos e perdas em alienações são determinados pela comparação dos valores de alienação com o valor contábil e são incluídos no resultado. Os custos dos encargos sobre empréstimos tomados para financiar a construção do imobilizado foram capitalizados durante o período necessário para executar e preparar o ativo para o uso pretendido. Reparos e manutenção são apropriados ao resultado durante o período em que são incorridos. O custo das principais renovações é incluído no valor contábil do ativo no momento em que for provável que os benefícios econômicos futuros que ultrapassarem o padrão de desempenho inicialmente avaliado para o ativo existente fluirão para a Companhia. As principais renovações são depreciadas ao longo da vida útil restante do ativo relacionado. Portanto, como você pode observar, a nota explicativa demonstrada trata as evidenciações da conta imobilizado, com muita objetividade e observância às normas contábeis, não reportando a qualquer comparação o exercício anterior, somente a descrição dos fatos. Capítulo 7 222 Contabilidade Básica II 7.2.5 Normas Brasileiras de Contabilidade A globalização dos mercados impulsionou a harmonização das normas e práticas contábeis. Consequentemente, surgiram novas convergências para as Normas Brasileiras de Contabilidade, as chamadas NBCs. A adequação das Normas Brasileiras de Contabilidade aos padrões internacionais foi realizada pelos órgãos regulamentadores do setor contábil. E sendo assim, o Conselho Federal de Contabilidade editou a Resolução do CFC n. 1.156/09, que estabelece a nova estrutura básica das Normas Brasileiras de Contabilidade (NBCs). Atualmente, as normas editadas pelo Conselho Federal de Contabilidade estão sendo ajustadas à rotina da contabilidade, apropriando-se à linguagem e à metodologia internacional. Outro fato muito importante foi a criação do Comitê de Pronunciamentos Contábeis – CPC, pela Resolução do CFC n. 1.055/05, que tem sob sua responsabilidade e obrigação o estudo, emissão e pronunciamentos técnicos sobre procedimentos de contabilidade e divulgação das informações de natureza contábil, no qual o Conselho Federal de Contabilidade é membro em conjunto com a Abrasca, Apimec Nacional, Bovespa, Ibracon e Fipecafi. Portanto, de acordo com o entendimento do grupo de estudos sobre as Normas Brasileiras de Contabilidade, a norma é uma indicação de conduta obrigatória, ou seja, são regras e procedimentos para a uniformização dos entendimentos e interpretações na Contabilidade, tanto de natureza doutrinária quanto aplicada. As Normas Brasileiras de Contabilidade dividem-se em duas modalidades distintas, normas profissionais e normas técnicas, podendo ser detalhadas e particularizadas por meio de interpretações técnicas, identificadas pela sigla IT. Contudo, também poderão ser emitidos Comunicados técnicos quando ocorrerem situações decorrentes de atos governamentais que afetem, transitoriamente, as Normas Brasileiras de Contabilidade (NBC), identificados pela sigla CT. Capítulo 7 223 Contabilidade Básica II Contudo, se o contador não respeitar as Normas Brasileiras de Contabilidade (NBCs), isso implica em infração disciplinar, sujeita às penalidades previstas nas alíneas c, d, e do art. 27 do Decreto Lei n. 9.295/46. Dependendo do caso, também poderá ser aplicado o Código de Ética profissional do contabilista. PRATICANDO Coloque à prova as informações que você adquiriu ao longo deste capítulo. Acesse <http:// ri.lasa.com.br/upload/2otrimestre/00002237. pdf> e analise as Notas Explicativas das Lojas Americanas, data-base de 30/06/2008. Mãos à obra! 7.3 Aplicando a teoria na prática Para melhor aprofundar o que você conheceu até agora, proponho o desenvolvimento do caso a seguir. Bons sonHos s/a Notas explicativas da administração às demonstrações financeiras em 31 de dezembro de 2009 e de 2008 Em milhares de reais, exceto quando indicado de outra forma 1 – Contexto operacional: A Companhia, com sede em Jaraguá do Sul (SC), é de capital aberto e tem como atividades preponderantes a industrialização e comercialização das seguintes linhas de produtos: cama, mesa, banho e tecidos para decoração. A companhia possui estrutura e os custos administrativos, gerenciais e operacionais parcialmente compartilhados com as demais empresas controladas. Analisando o exemplo da companhia Bons Sonhos S/A, apresentado como a primeira nota explicativa da sua atividade dentro do contexto operacional, qual a importância de termos este detalhe quando da divulgação das informações para o mercado? Capítulo 7 224 Contabilidade Básica II Chegou a uma resposta? Se você respondeu que a riqueza de detalhes que as notas explicativas apresentam é um importante patrimônio da credibilidade da empresa, parabéns, acertou! Os usuários da informação contábil, principalmente os externos da companhia, como por exemplo, investidores e credores, terão uma visão mais real da situação da empresa. A expansão ou implantação de novos negócios serão consideradas nas análises dos indicadores de mercado. Quanto à companhia Bons Sonhos S/A, a nota explicativa mostra clareza quanto ao mercado atual, forma de operação e atividades, bem como sua relação com as controladas. 7.4 Para saber mais título: Contabilidade comercial: atualizado conforme a Lei n° 11.638/07 e Lei n° 11.941/09 Autores: IUDíCIBUS, S.; MARION, J. C. Editora: Atlas (SP) Ano: 2010 Nesta obra os autores abordam de forma completa o tema as novas normas e práticas contábeis. Trata-se de uma obra que não apena apresenta a legislação, mas traz importantes comentários, interpretações para as Lei n° 11.638/07 e Lei n° 11.941/09 Vale a pena a leitura e os estudos! site: Conselho Federal de Contabilidade URL: <http://www.cfc.org.br/> O site da Comissão de Valores Mobiliários é uma rica fonte de pesquisas. Lá você encontra além da legislação completa, comentada e interpretada, alertas sobre as ações da CVM, como a suspensão de operações de companhias, comunicados de fatos relevantes ao mercado, além de uma área especial para consulta de processos. 7.5 Relembrando Neste capítulo, você viu que as notas explicativas: • apresentam as mudanças nos procedimentos contábeis de um exercício para o outro; Capítulo 7 225 Contabilidade Básica II • devem ser destacadas e enfatizadas, principalmente quando modificarem o resultado do exercício; • podem estar expressas tanto na forma descritiva como na forma de quadros analíticos, ou mesmo englobar outras demonstrações contábeis; • são uma importante ferramenta de transparência da situação financeira da instituição; • reforçam a credibilidade da empresa junto aos acionistas e investidores; • estão disciplinadas na Lei das Sociedades Anônimas – Lei 6.404/76, alterada pela Lei 11.638/07, que trata em seu § 4º do artigo 176; mas Comissão de Valores trata desse assunto em vários pareceres e ofícios; • têm uma estrutura padrão que deve ser respeitada; • diante da globalização, receberam uma unificação, assim como outros procedimentos contábeis. Hoje, além das normas vigentes no Brasil, há uma linguagem internacional que precisa ser respeitada. 7.6 Testando os seus conhecimentos Agora, preste atenção no enunciado, reflita, pesquise e responda: 1) Qual o objetivo da divulgação das notas explicativas junto às demonstrações contábeis? 2) A evidenciaçãode erros em notas explicativas pela contabilidade faz com que os erros sejam justificados? 3) Como a Lei das Sociedades Anônimas e a Comissão de Valores Mobiliários tratam o assunto notas explicativas? Capítulo 7 226 Contabilidade Básica II Onde encontrar BRASIL. lei nº 11.638 de 28 de dezembro de 2007. Altera e revoga dispositivos da Lei. 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e da Lei 6.385, de 7 de dezembro de 1976, e estende às sociedades de grande porte disposições relativas à elaboração e divulgação de demonstrações financeiras. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/lei/l11638. htm>. Acesso em: 20 dez. 2010. ______. normas brasileiras de contabilidade – NBC. NBC-T 6.2. Disponível em: <http://www.cfc.org.br/sisweb/sre/Default.aspx>. Acesso em: 12 out. 2011. ______. normas brasileiras de contabilidade – NBC. NBC-T 19.27. Disponível em: <http://www.cfc.org.br/sisweb/sre/Default.aspx>. Acesso em: 12 out. 2011. IUDÍCIBUS, S.; MARTINS, E.; GELBCKE, E. R. manual de contabilidade das sociedades por ações. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2007. MARION, J. C. análise das demonstrações contábeis. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2009. RIBEIRO, O. M. Demonstrações financeiras – mudanças na lei das sociedades anônimas: como era e como ficou. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2010. Capítulo 8 227 Contabilidade Básica II soCiEDaDEs ComErCiais CAPÍTULO 8 8.1 Contextualizando Olá! Você já parou para pensar na importância do contador na vida de uma empresa? Pois saiba que além de ter uma atividade fundamental na composição dos dados que indicam a saúde financeira da instituição, ele também é responsável por todas as informações repassadas ao fisco, aos sócios, acionistas e investidores a respeito da empresa. Neste capítulo, que encerra nossa disciplina, vou apresentar não só o papel deste profissional, mas também sua responsabilidade jurídica. Há muito que o contador deixou de ser apenas um profissional contratado para elaborar demonstrações financeiras. Hoje ele é também um profissional de gestão, responsável legal pela veracidade destas informações. Além disso, será complementado o tema notas explicativas, tratado no capítulo anterior, abordando-se a função esclarecedora desta ferramenta que evita uma possível interpretação dúbia dos demonstrativos contábeis da empresa. Outro item que vamos trabalhar se refere à Lei 6.404/76 – conhecida com a Lei das Sociedades por Ações, alterada pela Lei 11.638/07. As mudanças nas práticas contábeis serão explicitadas por meio de exemplos e comentários para facilitar a sua compreensão. Atente para este item, já que ele afeta profundamente a sua atividade profissional. Livros obrigatórios e o Sistema Público de Escrituração Digital (SPED) completam a proposta da disciplina. Ao fim deste capítulo, você será capaz de: Capítulo 8 228 Contabilidade Básica II • identificar os deveres legais do contador; • distinguir as principais características e elementos de uma sociedade; • descrever as principais alterações das normas e práticas contábeis; • analisar as notas explicativas necessárias à correta interpretação das demonstrações contábeis; • identificar os livros obrigatórios e auxiliares da escrituração contábil e a finalidade do Sistema de Escrituração Digital. Lembro que a boa formação profissional não exige apenas o domínio da legislação e das ferramentas de trabalho, mas a constante atualização com os fatos que movimentam a economia, a política e a sociedade globalizada. Desejo ótimos estudos! 8.2 Conhecendo a teoria A contabilidade é uma ciência social. Digo isso porque a atuação humana pode alterar a estrutura patrimonial de qualquer empresa. O objeto de estudo da contabilidade é o patrimônio das instituições mercantis, seus fenômenos e variações, tanto no aspecto quantitativo quanto no qualitativo. Sua função é registrar os fatos e atos de natureza econômico-financeira e interpretar suas consequências na dinâmica da empresa. Como você já sabe, os atos contábeis se consolidam por meio do emprego de diversos controles, leis, normas e princípios que devem ser adotados e seguidos à risca. Só assim as empresas saberão, a qualquer momento, qual a sua real situação contábil e financeira, podendo localizar e reverter os pontos que geram o desempenho negativo, bem como reforçar ações bem sucedidas. Você já sabe que a contabilidade deriva do uso das contas contábeis. De acordo com a doutrina oficial brasileira, a contabilidade é uma ciência social, da mesma forma que a economia e a administração. No Brasil, os profissionais de contabilidade são chamados e contabilistas. Aqueles que concluem os cursos de nível superior de Ciências Contábeis recebem o diploma de bacharel em Ciências Contábeis (contador). Existe também o título técnico de contabilidade para quem possui formação de nível médio/técnico. Capítulo 8 229 Contabilidade Básica II Entre as várias áreas da contabilidade, destaca-se a Contabilidade Comercial, na qual se consagra o estudo e o controle do patrimônio das empresas, cuja intenção é fornecer informações sobre sua composição e suas variações, além do resultado decorrente de sua atividade mercantil. Cabe ressaltar que o contador tem um papel fundamental: o de ser o responsável por todos esses controles, garantindo a integridade e a legalidade da instituição comercial. Ressalto que, no cotidiano do contador, não basta apenas gerar informações em grande quantidade. É necessário interpretar os dados de forma qualitativa, pois eles vão desenhar a atual situação da empresa, ou seja, o contador precisa se adaptar às obrigações exigidas diariamente pelos usuários internos e externos da contabilidade, proporcionando, cada vez mais, a agregação de valor na informação disponibilizada. Também apresento neste capítulo os deveres legais do contador, as principais características e elementos de uma empresa comercial, as alterações nas normas e práticas contábeis, os livros obrigatórios e auxiliares e o Sistema Público de Escrituração Digital. Lembre que o SPED constitui-se em mais um avanço na informatização da relação entre o fisco e os contribuintes. Saiba ainda que esta disciplina foi elaborada com o objetivo de apresentar conhecimento suficiente para que você possa atuar, além de contador(a), como um(a) consultor(a) para as empresas que conquistar como clientes. Mas é claro que seu interesse e curiosidade podem render boas pesquisas. Vamos em frente? 8.2.1 Deveres legais do contador A contabilidade pode ser compreendida como o estudo dos controles do patrimônio das empresas comerciais. Como você já sabe, a área deve fornecer informações sobre sua composição e suas variações, além do resultado decorrente de sua atividade mercantil. O contador tem um papel essencial diante das empresas comerciais porque é responsável por esses controles. A perspectiva profissional do contador das empresas comerciais era considerada modesta e imperceptível até pouco tempo, seja pelo número de empresas que contratavam seus serviços, seja pela própria dimensão das entidades, consideradas pequenas. Capítulo 8 230 Contabilidade Básica II Porém, a globalização dos mercados e a estabilidade econômica passaram a exigir do contador uma posição diferenciada, proativa, que cruza dados para gerar informações que são interpretadas, produzindo conhecimento. Hoje, o contador não está no mercado de trabalho apenas para prestar informações ao fisco ou enviar as guias de arrecadação às empresas. Atualmente, este profissional está assumindo a função de gestor, pois ele está preparado para avaliar e dizer para onde vai aempresa, quais rumos devem ser tomados, mercados que devem ser atingidos, produtos que trarão retorno à empresa. Diante deste cenário, independente do tamanho da empresa – se grande, média ou pequena –, todas necessitam da atuação eficiente do contador e devem ser vistas pelo profissional de forma personalizada, pois cada uma tem as suas particularidades. Estamos na era da informação e da produção de conteúdo, e o agente contábil não pode ignorar esse momento e se fechar em suas convicções. Um dos bens mais preciosos para a gestão corporativa é a informação; se utilizada no momento e na medida certa, faz toda a diferença para o sucesso da empresa, garantindo sua permanência no mercado e o bom retorno dos investimentos para os sócios, acionistas e funcionários. Iudícibus e Marion (2002) destacam que o desenvolvimento dos conglomerados multiplica as oportunidades para tais profissionais, pois é onde a atividade de distribuição é um dos pontos-chave, mesmo com a ampliação e modernização das empresas que operam em grandes mercados, às vezes ultrapassando até as fronteiras geográficas de um país. Portanto, para que o contador tenha condições de fornecer esse tipo de informação, precisará ter uma boa formação cultural e, principalmente, conhecimentos da economia mundial. Dessa forma, é preciso recolher os dados nas fontes certas e interpretar as informações, de forma qualitativa e quantitativa como, por exemplo, qual o real custo do produto e qual o preço de venda adequado à realidade de mercado; quando e como captar recursos de terceiros ou próprios; qual o capital de giro necessário para que a empresa não perca sua liquidez; como Capítulo 8 231 Contabilidade Básica II administrar a mão de obra empregada ou terceirizada nos mais diversos departamentos, entre outras. Levantar dúvidas e buscar subsídios para respondê-las exige amplo conhecimento não só no manejo das ferramentas contábeis, mas domínio sobre o contexto econômico e social no qual a empresa está inserida. Lembre-se que esta é uma necessidade da empresa e um dever do contador que, como já vimos, não pode mais ter uma postura passiva. O profissional precisa buscar por benefícios fiscais, redução da carga tributária, viabilidade de investimentos, entre outras. Mas se ele não estiver intelectualmente preparado, por mais boa vontade que tenha, não conseguirá buscar as melhores soluções para o seu cliente. Depende do contador a informação eficiente e eficaz porque há cada vez mais profissionais qualificados, e o mercado de trabalho é promissor. Diante deste cenário, é importante conhecer os deveres legais estabelecidos pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC), que devem ser respeitados; caso contrário, o profissional está sujeito a punições financeiras ou até mesmo à perda do registro de contador. Saiba que o Código Civil aprovado pela Lei 10.406, de 10 de janeiro de 2002 trata nos artigos nº 1177 e nº 1178, Seção III, sobre a responsabilidade civil dos contabilistas. Essa é uma garantia para a empresa, pois caso ele provoque qualquer dano à instituição ou à sociedade, será responsável solidariamente com o empresário pelos seus atos. Veja a seguir os principais artigos da legislação sobre os deveres do profissional (COSIF, 2011): art. 1177 – Os assentos lançados nos livros ou fichas do preponente, por qualquer dos prepostos encarregados de sua escrituração, produzem, salvo se houver procedido de má-fé, os mesmos efeitos como se o fossem por aquele. Parágrafo único. No exercício de suas funções, os prepostos são pessoalmente responsáveis, perante os preponentes, pelos atos culposos; e, perante terceiros, solidariamente com o preponente, pelos atos dolosos; art. 1178 – Os preponentes são responsáveis pelos atos de quaisquer prepostos, praticados nos seus estabelecimentos e relativos à atividade da empresa, ainda que não autorizados por escrito. Capítulo 8 232 Contabilidade Básica II Parágrafo único. Quando tais atos forem praticados fora do estabelecimento, somente obrigarão o preponente nos limites dos poderes conferidos por escrito, cujo instrumento pode ser suprido pela certidão ou cópia autêntica do seu teor. O contador é a pessoa responsável por todas as informações contábeis e, portanto, responde diretamente pela veracidade dessas informações, indiferente se declarar estar ciente ou não do que ocorreu ou está ocorrendo na entidade. A legislação é uma proteção à sociedade civil, porque o contador não pode justificar um ato irregular alegando que cumpriu a uma determinação da direção da empresa. O contador atende às exigências legais, uma vez que, a partir do momento em que assume a contabilidade de uma entidade, passa a ser inteiramente responsável por todas as informações prestadas e apresentadas. SAIBA QUE Mas apenas respeitar a legislação não basta. Há o Código de Ética do Profissional Contabilista, constituído pela Resolução 803/1996 do Conselho Federal de Contabilidade, que trata em seu Capítulo II, Artigo 2º, os deveres do contabilista. Perceba que há condutas que são comuns a todos os profissionais. No entanto, destaco aqui algumas para reforçar seu compromisso em exercer a profissão com ética e competência. São nove itens que podem fazer toda a diferença na sua conduta de contabilista (COSIF, 2011): I. Exercer a profissão com zelo, diligência e honestidade, observada a legislação vigente e resguardados os interesses de seus clientes e/ou empregadores, sem prejuízo da dignidade e independência profissional. II. Guardar sigilo sobre o que souber em razão do exercício profissional lícito, inclusive no âmbito do serviço público, ressalvados os casos previstos em lei ou quando solicitado por autoridades competentes, entre estas os Conselhos Regionais de Contabilidade. III. Zelar pela sua competência exclusiva na orientação técnica dos serviços a seu cargo. Capítulo 8 233 Contabilidade Básica II IV. Comunicar, desde logo, ao cliente ou empregador, em documento reservado, eventual circunstância adversa que possa influir na decisão daquele que lhe formular consulta ou lhe confiar trabalho, estendendo-se a obrigação a sócios e executores. V. Inteirar-se de todas as circunstâncias, antes de emitir opinião sobre qualquer caso. VI. Renunciar às funções que exerce, logo que se positive falta de confiança por parte do cliente ou empregador, a quem deverá notificar com trinta dias de antecedência, zelando, contudo, para que os interesses dos mesmos não sejam prejudicados, evitando declarações públicas sobre os motivos da renúncia. VII. Se substituído em suas funções, informar ao substituto sobre fatos que devam chegar ao conhecimento deste a fim de habilitá-lo para o bom desempenho das funções a serem exercidas. VIII. Manifestar, a qualquer tempo, a existência de impedimento para o exercício da profissão. IX. Ser solidário com os movimentos de defesa da dignidade profissional, seja propugnando por remuneração condigna, seja zelando por condições de trabalho compatíveis com o exercício ético-profissional da Contabilidade e seu aprimoramento técnico. Por ter o domínio das informações mais reservadas sobre a empresa, o Código de Ética do Profissional Contabilista proíbe o profissional de adotar determinadas condutas. Veja o que o diz o capítulo II, art. 3º (COSIF, 2011): I. anunciar, em qualquer modalidade ou veículo de comunicação, conteúdo que resulte na diminuição do colega, da Organização Contábil ou da classe, sendo sempre admitida a indicação de títulos, especializações, serviços oferecidos, trabalhos realizados e relação de clientes; II. assumir, direta ou indiretamente, serviços de qualquer natureza, com prejuízo moral ou desprestígiopara a classe; III. auferir qualquer provento em função do exercício profissional que não decorra exclusivamente de sua prática lícita; IV. assinar documentos ou peças contábeis elaborados por outros, alheio à sua orientação, supervisão e fiscalização; V. exercer a profissão, quando impedido, ou facilitar, por qualquer meio, o seu exercício aos não habilitados ou impedidos; VI. manter organização contábil sob forma não autorizada pela legislação pertinente; VII. valer-se de agenciador de serviços, mediante participação desse nos honorários a receber; VIII. concorrer para a realização de ato contrário à legislação ou destinado a fraudá-la ou praticar, no exercício da profissão, ato definido como crime ou contravenção; IX. solicitar ou receber do cliente ou empregador qualquer vantagem que saiba aplicação ilícita; Capítulo 8 234 Contabilidade Básica II X. prejudicar, culposa ou dolosamente, interesse confiado a sua responsabilidade profissional; XI. recusar-se a prestar contas de quantias que lhe forem, comprovadamente, confiadas; XII. reter abusivamente livros, papéis ou documentos, comprovadamente confiados à sua guarda; XIII. aconselhar o cliente ou o empregador contra disposições expressas em lei ou contra os princípios fundamentais e as Normas Brasileiras de Contabilidade (NBC) editadas pelo Conselho Federal de Contabilidade; XIV. exercer atividade ou ligar o seu nome a empreendimentos com finalidades ilícitas; XV. revelar negociação confidenciada pelo cliente ou empregador para acordo ou transação que, comprovadamente, tenha tido conhecimento; XVI. emitir referência que identifique o cliente ou empregador, com quebra de sigilo profissional, em publicação em que haja menção a trabalho que tenha realizado ou orientado, salvo quando autorizado por eles; XVII. iludir ou tentar iludir a boa-fé de cliente, empregador ou de terceiros, alterando ou deturpando o exato teor de documentos, bem como fornecendo falsas informações ou elaborando peças contábeis inidôneas; XVIII. não cumprir, no prazo estabelecido, determinação dos Conselhos Regionais de Contabilidade, depois de regularmente notificado; XIX. intitular-se com categoria profissional que não possua, na profissão contábil; XX. elaborar demonstrações contábeis sem observância dos Princípios Fundamentais e das Normas Brasileiras de Contabilidade editadas pelo Conselho Federal de Contabilidade; XXI. renunciar à liberdade profissional, devendo evitar quaisquer restrições ou imposições que possam prejudicar a eficácia e correção de seu trabalho; XXII. publicar ou distribuir, em seu nome, trabalho científico ou técnico do qual não tenha participado. Como você pode observar, são inúmeras as responsabilidades do profissional contábil tratadas tanto pelo Código Civil quanto pelo Código de Ética do Profissional Contabilista, sempre lembrando que esse profissional responde solidariamente com os proprietários da empresa. Contudo, atente que a função do contador está muito além do que somente elaborar relatórios contábeis, pois são esses profissionais que possuem a base de informação mais completa da entidade. Desta forma, estão capacitados para sugerir ações para redução de custos, otimização dos recursos financeiros, Capítulo 8 235 Contabilidade Básica II aumentar receitas, reduzir impostos, entre outros. Porém, além de muita competência profissional, é necessário ética e seriedade na execução das tarefas. 8.2.2 Empresa comercial No cenário do mercado mercantil, as empresas comerciais são distinguidas em três segmentos: indústria, comércio e/ou prestadoras de serviços. Para um melhor entendimento, vamos caracterizar cada uma delas. De maneira geral, podemos dizer que as indústrias são responsáveis pela operação que altera a natureza da matéria, o funcionamento, o acabamento, a apresentação, a finalidade do produto ou o seu aperfeiçoamento para consumo. Nesse sentido, o regulamento do Imposto sobre o Produto Industrializado (IPI), aprovado pelo Decreto 7.212/2010, considera o processo industrialização como: • transformação: a manipulação da matéria-prima ou de produto intermediário, resulta na criação de um novo produto. Ex.: madeira que se transforma em cabo de vassoura; • beneficiamento: refere-se a modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto. No beneficiamento não há fabricação de um produto. Ex.: arroz parboilizado; • montagem: consiste na reunião de produtos, peças ou partes que resultam em novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal. Ex.: montadora de carros; • acondicionamento ou reacondicionamento: alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria; • renovação ou recondicionamento: exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado. Ex.: reciclagem de papel. Capítulo 8 236 Contabilidade Básica II Como você sabe, o Brasil é um dos países que mais crescem no mundo. A estabilidade da moeda, a redução dos índices de desemprego e a pequena distribuição de renda, por meio dos programas sociais do Governo Federal, têm estimulado o crescimento da economia. Além da indústria, outro segmento que cresce no Brasil a índices estrondosos é o da prestação de serviços. Trata- se de empresas que têm como alvo de seu negócio a oferta de serviços. Com a estabilização da economia e um pequeno, mas já significativo, aumento do poder de compra dos brasileiros, boa parte das famílias já pode comprar, além de produtos, também serviços. Limpeza, segurança, transporte e guarda de bens, entre outras tantas atividades que o ramo comporta, encontram uma recepção na sociedade. Isso movimenta economia, cria novas oportunidades de trabalho produzido pelo capital intelectual de um indivíduo que gera emprego, renda, impostos. Diante dos atos do comércio, a empresa é definida como aquela que é intermediária entre o produtor e o consumidor ou usuário de bens, na intenção de obter lucros. Iudícibus e Marion (2008) destacam a atividade comercial como uma das mais importantes, porque coloca à disposição dos consumidores, física ou economicamente limitados, grande variedade de bens e serviços, necessários à satisfação das necessidades humanas. Logo, destaca-se a existência de vários segmentos reunidos numa única empresa, ou seja, a instituição pode ter atividade industrial, comercial e de prestação de serviços, porém, cada um destes ramos precisa aparecer no contrato social definido como atividades primárias e secundárias. Lembro que a empresa comercial pode ser constituída por uma pessoa física, no exercício individual do comércio, ou por um grupo de pessoas, sob a forma de sociedade. Neste caso, pode ser composta tanto por pessoas físicas quanto por jurídicas. De acordo com Andrade (2002), a sociedade mercantil é a união de duas ou mais pessoas que firmam um contrato e, mutuamente, obrigam- se a somar esforços, com o objetivo de tirar proveito dos atos de comércio praticados em comum. Capítulo 8 237 Contabilidade Básica II Portanto, a sociedade estabelecida por um ato constitutivo, compreendendo uma pessoa física ou grupo de pessoas, por meio de suas ações mútuas, coloca em prática uma nova pessoa denominada pessoa jurídica. As empresas comerciais são caracterizadas pela diversidade de pessoas que a formam e somam ações mútuas em torno de um único patrimônio com a pretensão de lucro. Assim, pode-se dizer que o comércio surge de uma nova ideia que, colocada em prática,