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UNIVERSIDADE POTIGUAR – UnP
PRÓ-REITORIA DE GRADUAÇÃO
NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA – NEaD
Contabilidade Básica II
Livro-texto EaD
Natal/RN
2011
V877c Voges, Elaine Cristina Rodrigues. 
 Contabilidade Básica II / Elaine Cristina 
 Rodrigues Voges. – Natal: Edunp, 2011. 
 264p. : il.; 20 cm
 Ebook – Livro eletrônico disponível on-line.
IBSN 978-85-8257-002-9
 1. Contabilidade Básica. I. Título. 
 
RN/UnP/SIB CDU 657
DIRIGENTES DA UNIVERSIDADE POTIGUAR – UnP
Reitoria
Sâmela Soraya Gomes de Oliveira
Pró-Reitoria de Graduação e Ação Comunitária
Sandra Amaral de Araújo
Pró-Reitoria de Pesquisa, Extensão e Pós-Graduação
Aarão Lyra
NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 
DA UNIVERSIDADE POTIGUAR – UnP
Coordenação Geral 
Barney Silveira Arruda
Coordenação Acadêmica
Luciana Lopes Xavier
Coordenação Pedagógica
Edilene Cândido da Silva
Design Instrucional
Priscilla Carla Silveira Menezes
Coordenação de Produção 
de Recursos Didáticos
Michelle Cristine Mazzetto Betti
Revisão de Linguagem e Estrutura em EaD
 Priscilla Carla Silveira Menezes 
Thalyta Mabel Nobre Barbosa 
Úrsula Andréa de Araújo Silva
Gravação e Edição de Vídeos
Michelle Cristine Mazzetto Betti
Coordenação de Logística
Helionara Lucena Nunes
Supervisão de Logística (Mossoró)
Fábio Pereira da Silva
Apoio Acadêmico 
Flávia Helena Miranda de Araújo 
Thalyta Mabel Nobre Barbosa
 Úrsula Andréa de Araújo Silva
Assistente Administrativo 
Eliane Ferreira de Santana
Gibson Marcelo Galvão de Sousa 
Miriam Flávia Medeiros de Araújo
Ricardo Luiz Quirino da Silva 
Elaine Cristina Rodrigues Voges
Contabilidade Básica II
1a Edição
Natal/RN
2011
EQUIPE DE PRODUÇÃO DE RECURSOS DIDÁTICOS
Organização
Luciana Lopes Xavier
Michelle Cristine Mazzetto Betti
Coordenação de Produção de Recursos Didáticos
Michelle Cristine Mazzetto Betti
Revisão de Linguagem e Estrutura em EaD
Thalyta Mabel Nobre Barbosa
Ilustração do Mascote
Lucio Masaaki Matsuno
EQUIPE DE PRODUÇÃO DE MATERIAL DIDÁTICO
Delinea - Tecnologia Educacional
Coordenação Pedagógica
Margarete Lazzaris Kleis
Coordenação de Editoração
Charlie Anderson Olsen
Larissa Kleis Pereira
Coordenação de Revisão Gramatical e Normativa
Simone Regina Dias
Eduard Marquardt
Revisão Gramatical e Normativa
Jacqueline Iensen
Coordenação de Diagramação
Alexandre Alves de Freitas Noronha
Diagramação
Regina C. Cortellini
Ilustrações
Alexandre Beck
ELAINE CRISTINA RODRIGUES VOGES
Caro aluno! 
Sou graduada em Ciências Contábeis pela Universidade do 
Sul de Santa Catarina (Unisul) e especialista em Auditoria de Gestão 
Empresarial pela Faculdade Estácio de Sá. 
Atualmente, leciono no ensino superior, nas modalidades 
presencial e a distância, em instituições privadas para os cursos 
de graduação, nas áreas de Contabilidade Geral, Contabilidade 
Comercial, Contabilidade de Custos, Elaboração e Análise das 
Demonstrações Contábeis, Controladoria e Auditoria, tanto para o 
curso de Ciências Contábeis quanto para o curso de Administração. 
Tenho experiência na implantação de sistemas de Custos de 
Produções, Gerenciamento de Escritório Contábil e Controladoria 
Pública e Privada. Atuo também na área de Gestão Pública.
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CONTABILIDADE BÁSICA II
Bem-vindo! É com muita satisfação que apresento a você, 
aluno, a disciplina de Contabilidade Básica II, cujo objeto de estudo 
são as tecnologias da informação que possibilitam a utilização de 
diversas técnicas para elaborar as demonstrações contábeis.
Muito além da apresentação das técnicas para a elaboração do 
Balanço Patrimonial e das demonstrações de resultado do exercício, 
das mutações do Patrimônio Líquido, de Fluxo de Caixa, do valor 
adicionado e das notas explicativas, a disciplina de Contabilidade 
Básica II está intimamente relacionada com o aprimoramento das 
técnicas de evidenciação para melhor satisfazer as necessidades 
dos usuários das informações contábeis.
Como você pode perceber, o mundo empresarial vem 
passando ao longo dos anos por diversas transformações que 
afetam, diretamente, a estrutura organizacional, exigindo dos 
gestores, agilidade e flexibilidade da informação para a tomada 
de decisão.
Diante desse contexto, nesta disciplina, com o intuito de melhor 
aprofundá-la, foi necessário buscar contribuições das principais 
alterações na harmonização das práticas contábeis, os principais 
usuários dessas demonstrações, bem como suas necessidades, as 
novas exigências da legislação societária, quais os métodos para 
mensuração e o reconhecimento dos elementos contábeis.
Espero que, após o estudo desta disciplina, você desenvolva 
habilidades para a elaboração das demonstrações contábeis em 
concordância com a legislação societária e princípios contábeis, 
mas também, e principalmente, capacidade para a gestão da 
informação na tomada de decisão. 
Saliento que a disciplina está dividida em oito capítulos. Desta 
forma, você terá uma ampla visão sobre as bases teóricas e práticas 
para a elaboração das Demonstrações Contábeis e Notas Explicativas.
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Caro aluno, desejo a você bons estudos!
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OCapítulo 1 - Balanço patrimonial ............................................................... 131.1 Contextualizando ........................................................................................................... 131.2 Conhecendo a teoria ..................................................................................................... 14
1.2.1 Balanço Patrimonial ........................................................................................... 15
1.2.2 Critérios de classificação dos elementos patrimoniais ........................... 26
1.2.3 Contas redutoras do Balanço Patrimonial .................................................. 32
1.2.4 Elaboração do Balanço Patrimonial .............................................................. 32
1.3 Aplicando a teoria na prática ..................................................................................... 40
1.4 Para saber mais ............................................................................................................... 41
1.5 Relembrando ................................................................................................................... 42
1.6 Testando os seus conhecimentos ............................................................................. 42
Onde encontrar ...................................................................................................................... 43
Capítulo 2 - Demonstração do resultado do exercício ............................. 45
2.1 Contextualizando ........................................................................................................... 45
2.2 Conhecendo a teoria ..................................................................................................... 45
2.2.1 Critérios contábeis básicos ............................................................................... 47
2.2.2 Critérios básicos de apresentação ................................................................ 50
2.2.3 Receitas .................................................................................................................... 62
2.2.4 Custos dos produtos vendidos e dos serviços prestados ...................... 63
2.2.5 Despesas ................................................................................................................. 67
2.3 Aplicando a teoria na prática ..................................................................................... 69
2.4 Para saber mais ...............................................................................................................70
2.5 Relembrando ................................................................................................................... 70
2.6 Testando os seus conhecimentos ............................................................................. 71
Onde encontrar ...................................................................................................................... 72
Capítulo 3 - Demonstração de lucros ou prejuízos acumulados ............. 75
3.1 Contextualizando ........................................................................................................... 75
3.2 Conhecendo a teoria ..................................................................................................... 76
3.2.1 Conteúdo e forma de elaboração .................................................................. 77
3.2.2 Forma de apresentação ..................................................................................... 81
3.2.3 Origem das parcelas ........................................................................................... 83
3.2.4 Substituição pela Demonstração das Mutações do 
Patrimônio Líquido (DMPL) .............................................................................. 97
3.3 Aplicando a teoria na prática ..................................................................................... 98
3.4 Para saber mais .............................................................................................................100
3.5 Relembrando .................................................................................................................100
3.6 Testando os seus conhecimentos ...........................................................................101
Onde encontrar ....................................................................................................................101
Capítulo 4 - Demonstração das mutações do patrimônio líquido ........ 103
4.1 Contextualizando .........................................................................................................103
4.2 Conhecendo a teoria ...................................................................................................104
4.2.1 Mutações das contas patrimoniais ..............................................................106
4.2.2 Técnica de preparação .....................................................................................109
4.2.3 Apresentação.......................................................................................................113
4.2.3 Companhias abertas .........................................................................................118
4.3 Aplicando a teoria na prática ............................................................................................................125
4.4 Para saber mais ......................................................................................................................................127
4.5 Relembrando ..........................................................................................................................................127
4.6 Testando os seus conhecimentos ....................................................................................................128
Onde encontrar .............................................................................................................................................129
Capítulo 5 - Demonstração do fluxo de caixa .............................................................131
5.1 Contextualizando ..................................................................................................................................131
5.2 Conhecendo a teoria ............................................................................................................................132
5.2.1 Métodos de elaboração ............................................................................................................134
5.2.2 Conteúdo dos métodos e definições ...................................................................................137
5.2.3 Classificação, componentes e estrutura .............................................................................144
5.2.4 Roteiro para elaborar os fluxos de caixa .............................................................................150
5.3 Aplicando a teoria na prática ............................................................................................................158
5.4 Para saber mais ......................................................................................................................................160
5.5 Relembrando ..........................................................................................................................................160
5.6 Testando os seus conhecimentos ....................................................................................................161
Onde encontrar .............................................................................................................................................161
Capítulo 6 - Demonstração do valor adicionado ........................................................163
6.1 Contextualizando ..................................................................................................................................163
6.2 Conhecendo a teoria ............................................................................................................................164
6.2.1 Entendendo o que é valor adicionado ................................................................................166
6.2.2 Estrutura e composição da DVA ............................................................................................173
6.2.3 Modelo Básico da DVA ..............................................................................................................182
6.3 Aplicando a teoria na prática ............................................................................................................190
6.4 Para saber mais ......................................................................................................................................192
6.5 Relembrando ..........................................................................................................................................192
6.6 Testando os seus conhecimentos ....................................................................................................193
Onde encontrar .............................................................................................................................................194
Capítulo 7 - Notas explicativas .....................................................................................195
7.1 Contextualizando ..................................................................................................................................195
7.2 Conhecendo a teoria ............................................................................................................................196
7.2.1 As notas explicativas conforme a Lei das Sociedades Anônimas e 
a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) 197
7.2.2 Comentários sobre as notas da Lei das Sociedades Anônimas e a 
Comissão de Valores Mobiliários (CVM) 215
7.2.3 Outras notas explicativas .........................................................................................................219
7.2.4 Notas explicativas em demonstrações contábeis comparativas ...............................220
7.2.5 Normas Brasileiras de Contabilidade ...................................................................................222
7.3 Aplicando a teoria na prática ............................................................................................................223
7.4 Para saber mais ......................................................................................................................................2247.5 Relembrando ..........................................................................................................................................225
7.6 Testando os seus conhecimentos ....................................................................................................225
Onde encontrar .............................................................................................................................................226
Capítulo 8 - Sociedades comerciais .............................................................................227
8.1 Contextualizando ..................................................................................................................................227
8.2 Conhecendo a teoria ............................................................................................................................228
8.2.1 Deveres legais do contador .....................................................................................................229
8.2.2 Empresa comercial .....................................................................................................................235
8.2.3 Principais alterações nas normas e práticas contábeis .................................................242
8.2.4 Livros obrigatórios e auxiliares ..............................................................................................247
8.2.5 Sistema de escrituração digital ..............................................................................................253
8.3 Aplicando a teoria na prática ............................................................................................................258
8.4 Para saber mais ......................................................................................................................................258
8.5 Relembrando ..........................................................................................................................................259
8.6 Testando os seus conhecimentos ....................................................................................................261
Onde encontrar .............................................................................................................................................262
Referências ....................................................................................................................263
Capítulo 1
13 Contabilidade Básica II
Balanço patrimonial
CAPÍTULO 1
1.1 Contextualizando
Caro aluno, neste capítulo pretendo demonstrar a você, além das técnicas 
de elaboração do Balanço Patrimonial, as principais alterações ocorridas nos 
últimos anos nas práticas contábeis, que correspondem à normatização da 
contabilidade em consonância com o Comitê de Pronunciamentos Contábeis 
(CPC). Importante também apresentar a Norma Brasileira de Contabilidade 
Técnica (NBC-T 1), denominada estrutura conceitual para a elaboração e 
apresentação das demonstrações contábeis.
Portanto, o texto se constitui dos seguintes tópicos: estrutura do Balanço 
Patrimonial; critérios de classificação dos elementos patrimoniais; contas 
redutoras do Balanço Patrimonial; elaboração do Balanço Patrimonial.
Ao fim deste capítulo, você deverá estar apto a: 
 • identificar as características e elementos conceituais do Balanço 
Patrimonial;
 • identificar os principais usuários das demonstrações contábeis e suas 
necessidades informais;
 • distinguir os elementos necessários para mensuração e reconhecimento 
dos fatos administrativos que devem ser contabilizados.
Capítulo 1
14 Contabilidade Básica II
1.2 Conhecendo a teoria
Você já pensou sobre o significado de patrimônio? Se não, chegou o 
momento de aprofundar seus conhecimentos. É muito importante compreender 
que a sua participação como aluno é fundamental para melhor aproveitar esta 
disciplina. Vamos começar? 
Conforme Marion (2008), patrimônio é o conjunto de bens, direitos e 
obrigações de uma determinada entidade, pessoa física ou jurídica.
Como você pode observar, o conceito de patrimônio abrange os bens, os 
direitos e também as obrigações, vinculados a uma entidade (pessoa física ou 
jurídica). Os bens correspondem a tudo que pode ser avaliado economicamente; 
logo, bens são todos os objetos de uma empresa que sejam para uso, troca ou 
consumo, assim como os computadores, máquinas, equipamentos, software, 
móveis, imóveis etc.
Os bens podem ser classificados em tangíveis 
(aqueles que possuem existência física, são 
corpóreos, são palpáveis, como por exemplo, 
móveis, veículos etc.) e intangíveis (aqueles que 
não possuem existência física, ou seja, não são 
palpáveis – softwares, patentes, marcas etc.).
SAIBA QUE
Ainda tratando do patrimônio da entidade, temos os direitos que 
correspondem aos valores a receber de terceiros. Esses direitos normalmente 
são denominados seguidos da expressão “a receber”. Como por exemplo, 
duplicata a receber, promissória a receber etc.
Você percebe que deve considerar obrigações como patrimônio de uma 
empresa? Logo, as obrigações significam os compromissos que a empresa 
assumiu com terceiros, ou seja, dívidas a pagar. E para esse conceito podemos 
citar: fornecedores a pagar, contas a pagar, impostos a pagar, salários a pagar 
etc. Observe que, na denominação das obrigações usa-se a expressão “a pagar”.
 
Capítulo 1
15 Contabilidade Básica II
Figura 1 – Patrimônio da empresa
Fonte: <www.sxc.hu>
Segundo Crepaldi (1995), a contabilidade é uma ciência concebida 
para coletar, registrar, resumir e interpretar dados e fenômenos que afetam 
as situações patrimoniais, financeiras e econômicas de qualquer entidade. 
Você pode observar a amplitude dos estudos do patrimônio da entidade e o 
quanto a contabilidade auxilia no controle e na geração de informações para 
a tomada de decisão. 
Isto é ressaltado por Chiavenato (1999) quando afirma que o controle 
representa o acompanhamento, monitoramento e avaliação do desempenho 
organizacional para verificar se as coisas estão acontecendo de acordo com o 
que foi planejado, organizado e dirigido.
Em tempo, a contabilidade possui um demonstrativo que possibilita 
a consolidação de todos os registros sobre a movimentação do patrimônio 
da entidade. Partindo disso, apresenta-se no tópico a seguir a estrutura do 
Balanço Patrimonial. 
1.2.1 Balanço Patrimonial 
A estrutura onde os bens e os direitos são registrados no lado do ativo 
e as obrigações no lado do passivo denomina-se Balanço Patrimonial. Neste 
sentido, você pode observar que o registro do patrimônio da entidade é 
realizado de forma organizada e estruturada. No quadro a seguir apresento 
os itens que compõem bens, direitos e obrigações.
Capítulo 1
16 Contabilidade Básica II
Quadro 1 – Balanço Patrimonial
BALANÇO PATRIMONIAL
Bens
 Caixa
 Bancos
 Estoque
 Máquinas
 Marcas
 Veículos
Direitos
 Contas a Receber
obrigações
 Fornecedores a pagar
 Empréstimos bancários a pagar
 Salários a pagar
 Impostos a pagar
 Encargos sociais a pagar
Fonte: adaptado de Marion (2008)
O nome balanço surgiu da ideia de equilíbrio entre as contas, ou seja, 
o ativo e o passivo devem obter uma igualdade na estrutura elaborada, ativo 
igual a passivo (IUDICIBUS; MARION, 2002).
Para Marion (2008), o Balanço Patrimonial é o mais importante relatório 
gerado pela contabilidade. Por meio dele, pode-se identificar a saúde financeira 
e econômica da empresa no fim do ano ou em qualquer data prefixada.
PRATICANDO
O que você diria sobre a saúde financeira das suas 
contas? Você está acumulando lucro ou prejuízo? 
Com as informações que já possui, elabore um 
balanço do seu patrimônio. O resultado poderá 
lhe indicar caminhos para saldaras dívidas e 
começar a acumular capital.
O Balanço Patrimonial é considerado um dos principais relatórios 
na contabilidade, por isso quando se necessita de uma análise mais 
criteriosa, é fundamental procurar complementar as informações por 
meio de detalhamentos dos grupos deste balanço, como, por exemplo, as 
contas clientes, fornecedores, estoques, imobilizado etc., de acordo com o 
objetivo da análise. 
Capítulo 1
17 Contabilidade Básica II
Os autores Iudícibus e Marion (2002) destacam que o balanço é uma 
sombra do passado que se projeta para o futuro. Os analistas deverão 
fazer as estimativas necessárias para ajustar o balanço às mudanças nas 
expectativas e transações. 
O que você pode concluir com isso? Que o Balanço Patrimonial reflete a 
posição do patrimônio em determinado instante, ou seja, é um relatório estático.
Caro aluno, se o balanço reflete a situação financeira da entidade 
em determinado momento, podemos concluir que, a cada alteração de 
patrimônio registrada, temos um novo balanço. Isto é afirmado por Padoveze 
(2000) quando ele diz que o Balanço Patrimonial é um relatório que evidencia 
o patrimônio de uma entidade em determinado instante, e isso implica 
dizer que, no instante seguinte, um novo fato poderá alterar esse balanço. É 
importante que você tenha isso muito claro: o Balanço Patrimonial pode ser 
alterado a partir do cenário onde está inserido.
Cabe destacar ainda que o Balanço Patrimonial mostra apenas os fatos 
registráveis, segundo os princípios contábeis, ou seja, os fatos objetivamente 
mensuráveis em dinheiro, como compras, vendas, pagamentos, recebimentos, 
depósitos, débito em conta, despesas incorridas, receitas faturadas etc. 
deixando de lado uma série inumerável de fatos, como marcas, participação 
de mercado, imagem, tecnologia etc. (MATARAZZO, 2003).
Logo, caro aluno, podemos resumir que se o Balanço Patrimonial é uma 
representação estática do patrimônio, é também um reflexo da movimentação 
financeira da entidade em determinado momento. Com as informações a 
seguir e a observância de aspectos qualitativos e quantitativos, elabore o 
Balanço Patrimonial da Sr. José das Contas do mês de abril de 2011: 
Quadro 2 – Elenco dos gastos do Sr. José das Contas
GASTOS DO SR. JOSé DAS CONTAS
Prestações a pagar 180,00
Dinheiro no bolso 100,00
Salário a receber 980,00
Saldo banco conta corrente 750,00
Saldo poupança 1.200,00
Capítulo 1
18 Contabilidade Básica II
Financiamento da casa a pagar 35.800,00
Mensalidade escola a pagar 480,00
Computador 3.500,00
Casa 80.000,00
Impostos a pagar 130,00
Plano de saúde a pagar 320,00
Veículo 20.000,00
Fonte: Voges (2011)
A partir de agora, vamos aprofundar o estudo do patrimônio, no 
que diz respeito às configurações do Balanço Patrimonial e os estados 
qualitativos patrimoniais.
Composição patrimonial
Ao analisar qualitativamente o patrimônio de uma entidade, você 
percebe que este possui uma parte boa (positiva) e outra ruim (negativa). Esta 
nomenclatura se altera contabilmente, sendo expressa da seguinte forma: 
ativo (a) = parte positiva (bens + direitos)
passivo (p) = parte negativa (obrigações)
Então, o Balanço Patrimonial do Sr. José das Contas, elaborado 
anteriormente, ficaria assim representado:
Capítulo 1
19 Contabilidade Básica II
Quadro 3 – Balanço Patrimonial do Sr. José das Contas
BALANÇO PATRIMONIAL – SR. JOSé DAS CONTAS – PERÍODO: ABRIL 20XX
Ativo passivo
Bens
 Caixa
 Bancos
 Estoque
 Máquinas
 Marcas
 Veículos
Direitos
 Salario a Receber
 100,00
 750,00
 1.200,00
 3.500,00
 80.000,00
 20.000,00
 980,00
obrigações
 Financiam. Casa a pagar
 Mensaidade escola a pagar
 Impostos a pagar
 Plano de Saúde a pagar
 Prestações a pagar
patrimônio líquido
 Lucros
 35.800,00
 480,00
 130,00
 320,00
 180,00
 69.6200,00
total do ativo 106.530,00 total do passivo 103.530,00
Fonte: Voges (2011)
O Balanço Patrimonial sempre deverá estar 
identificado com o nome da entidade e 
período apurado.
SAIBA QUE
Ao analisar a estrutura do Balanço Patrimonial do Sr. José das Contas, 
você nota que o total dos itens positivos (ativo = bens + direitos) é bem maior 
que o total dos itens negativos (passivo = obrigações), revelando uma diferença 
entre ambos de R$ 69.620,00 (106.530,00 – 36.910,00) que representa o lucro 
ou superávit do dinheiro investido pelo Sr. José das Contas.
Contudo, o lucro ou superávit também possui uma representação dentro 
do Balanço Patrimonial a qual chamamos de Patrimônio Líquido. Desta forma, 
o Balanço Patrimonial do Sr. José das Contas ficará representado assim:
Observe também que agora o total do ativo (positiva) está igual ao total 
do passivo (negativa), onde se pode concluir que: patrimônio (PL) = ativo – 
Capítulo 1
20 Contabilidade Básica II
passivo, ou ainda, patrimônio (PL) = bens + direitos – obrigações. Essas fórmulas 
são denominadas de equação patrimonial.
Contudo, para que haja equilíbrio entre os dois lados do Balanço 
Patrimonial, surge o Patrimônio Líquido ou também denominado, situação 
líquida, que demonstra o retorno ou a riqueza do patrimônio em questão.
Aqui, dê atenção para este detalhe: a contabilidade existe de forma 
individual (por entidade), ou seja, a diferença está entre as diversas formas de 
transações econômico-financeiras efetuadas. E, para a elaboração do Balanço 
Patrimonial, é necessária a execução de lançamentos contábeis, registrando 
em contas específicas e livros as operações da entidade. 
Sendo assim, procure visualizar sempre o patrimônio da entidade por 
meio do Balanço Patrimonial, fazendo uma análise comparativa entre o ativo 
e o passivo, e como também a sua situação líquida demonstrada no Patrimônio 
Líquido.
Situações e estados patrimoniais
Observe, caro aluno, que no Balanço Patrimonial estudado até o 
momento, do Sr. José das Contas, o ativo está superior ao passivo, apresentando 
uma situação líquida positiva, ou seja, lucro. Mas, podemos ter casos onde a 
situação será inversa, como segue:
 • situação líquida positiva: ativo > passivo (a soma dos bens e direitos é 
maior que soma das obrigações);
 • situação líquida negativa: ativo < passivo (a soma dos Bens e Direitos 
é menor que soma das obrigações);
 • situação líquida nula: ativo = passivo (a soma dos Bens e Direitos é 
igual a soma das obrigações).
Caro aluno, a partir deste momento vamos estudar o processo de 
contabilização, ou seja, como efetuar os registros no Balanço com base 
nos fatos administrativos ocorridos na empresa. Para isto, será aplicada a 
metodologia de balanços sucessivos, em que o aluno elabora o balanço a cada 
fato administrativo gerando pela empresa.
Capítulo 1
21 Contabilidade Básica II
Contabilizando com balanços sucessivos
Neste momento, vamos proceder à contabilização das principais 
operações econômico-financeiras de uma entidade, por meio da metodologia 
de “balanços sucessivos”. Assim, ficará mais fácil entendermos todo o processo 
de modificação do patrimônio da entidade.
Antes de iniciarmos a confecção dos balanços, precisamos ter o 
conhecimento de como as empresas são criadas. Toda empresa surge de 
uma grande ideia. Porém, para que a grande ideia se concretize, precisamos 
saber se o negócio a ser explorado é viável economicamente. Para isto, faz-se 
necessário um “Plano de negócio”, onde se obtém todas as variáveis favoráveis 
e desfavoráveis ao sucesso do empreendimento, como, por exemplo: clientes 
por região, aceitabilidade do produto/serviço, possíveis fornecedores, ponto 
comercial, entre outras. Outro estudo deve ser quanto ao investimento 
(capital) disponível e necessário para dar inícioàs atividades.
Existem diversos conceitos de capital. Mas inicialmente basta entender 
que capital representa o investimento necessário para abrir o negócio, ou 
seja, é o recurso aplicado na empresa pelos sócios (proprietário ou donos). 
Contabilmente, é denominado de Capital Social ou Capital Subscrito ou ainda, 
Capital Nominal.
 • Contabilizando a criação de uma empresa: os senhores Pedro Pimenta 
e Ágil das Cruzes resolveram em 01/03/2008 abrir uma empresa. A 
empresa será denominada Cia. Aprendiz e terá um investimento 
inicial dos sócios de R$ 80.000,00.
Tabela 1 – Balanço Patrimonial 1
BAlAnço PAtrimoniAl – CiA. APrendiz – 01.03.2008
Ativo PAssivo
 Caixa 80.000,00
patrimônio líquido
 Capital Social 80.000,00
total do ativo 80.000,00 total do passivo 80.000,00
Fonte: Voges (2011)
Capítulo 1
22 Contabilidade Básica II
Diante desta situação, temos o primeiro Balanço Patrimonial da 
empresa, onde os sócios fizeram um investimento inicial de 80.000,00 e 
em dinheiro. O recurso inicialmente aplicado ficou em caixa até que outra 
operação altere seu saldo. Sendo assim, também podemos dizer que temos 
uma origem proveniente dos sócios e uma aplicação colocada à disposição 
da empresa em caixa.
 • Contabilizando a aquisição de imóvel: no dia 05/03/2008 eles 
resolveram comprar um imóvel onde será instalada a sede da 
empresa. O imóvel será uma sala comercial no valor de R$ 30.000,00, 
com pagamento no ato.
Tabela 2 – Balanço Patrimonial 2
BAlAnço PAtrimoniAl – CiA. APrendiz – 05.03.2008
Ativo PAssivo
 Caixa
 Sala Comercial
 50.000,00
 30.000,00
patrimônio líquido
 Capital Social 80.000,00
total do ativo 80.000,00 total do passivo 80.000,00
Fonte: Voges (2011)
Observe que a empresa adquiriu o seu primeiro bem sendo pago 
totalmente à vista, com o recurso disponível em caixa. O Capital Social 
não sofreu alteração, pois os sócios apenas compraram um imóvel com o 
dinheiro do caixa.
 • Contabilizando a aquisição computadores: no dia 10/03/2008 eles 
decidem comprar dois computadores no valor de R$ 2.500,00 cada, 
com pagamento à vista.
Capítulo 1
23 Contabilidade Básica II
Tabela 3 – Balanço Patrimonial 3
BAlAnço PAtrimoniAl – CiA. APrendiz – 10.03.2008
Ativo PAssivo
 Caixa
 Sala Comercial
 Computadores
 45.000,00
 30.000,00
 5.000,00
patrimônio líquido
 Capital Social 80.000,00
total do ativo 80.000,00 total do passivo 80.000,00
Fonte: Voges (2011)
Verifica-se que a empresa adquiriu mais um bem sem precisar de novos 
investimentos dos sócios. Nota-se também que o seu Patrimônio Líquido ainda 
não sofreu alteração, ou seja, PL = A – P 
 • Contabilizando a aquisição de móveis e utensílios: no dia 11/03/2008 
os sócios resolvem comprar os móveis para a sede da empresa, num 
total de R$ 8.000,00 com pagamento em cinco parcelas.
Tabela 4 – Balanço Patrimonial 4
BAlAnço PAtrimoniAl – CiA. APrendiz – 11.03.2008
Ativo PAssivo
 Caixa
 Sala Comercial
 Computadores
 Móveis
 45.000,00
 30.000,00
 5.000,00
 8.000,00
 Contas a Pagar
patrimônio líquido
 Capital Social
 8.000,00
 80.000,00
total do ativo 88.000,00 total do passivo 88.000,00
Fonte: Voges (2011)
A empresa efetua a sua primeira compra a prazo. Logo, o passivo que até 
momento não havia sofrido nenhuma alteração, passou a ter a sua primeira 
conta registrada (contas a pagar). Nota-se que tanto o ativo quanto o passivo 
aumentaram em R$ 8.000,00, sendo que o PL continua o mesmo.
Capítulo 1
24 Contabilidade Básica II
PL = A – P 
PL = 88.000 (-) 8000 = 80.000
 • Contabilizando a venda de um imóvel: no dia 15/03/2008 os sócios 
tomam a seguinte decisão, vender a sala comercial e ir para uma sede 
alugada. O valor da venda foi de R$ 32.000,00 sendo R$ 2.000,00 
recebidos a vista e o restante a prazo.
Tabela 5 – Balanço Patrimonial 5
BAlAnço PAtrimoniAl – CiA. APrendiz – 15.03.2008
Ativo PAssivo
 Caixa
 Duplicatas a Receber
 Computadores
 Móveis
 47.000,00
 30.000,00
 5.000,00
 8.000,00
 Contas a Pagar
patrimônio líquido
 Capital Social
 Lucro
 8.000,00
 80.000,00
 2.000,00
total do ativo 90.000,00 total do passivo 90.000,00
Fonte: Voges (2011)
O grande destaque nesta operação é para o lucro na venda do imóvel, o 
qual fez o patrimônio da empresa crescer.
Destaque também para o aumento do PL para R$ 82.000.
Caso a venda fosse realizada por R$ 28.000,00, a empresa teria 
um prejuízo de R$ 2.000,00, resultando num efeito negativo diante do 
patrimônio da empresa.
Capítulo 1
25 Contabilidade Básica II
Tabela 6 – Balanço Patrimonial 6
BAlAnço PAtrimoniAl – CiA. APrendiz – 01.03.2008
Ativo PAssivo
 Caixa
 Duplicatas a Receber
 Computadores
 Móveis
 47.000,00
 26.000,00
 5.000,00
 8.000,00
 Contas a Pagar
patrimônio líquido
 Capital Social
 Prejuízo
 8.000,00
 80.000,00
 (2.000,00)
total do ativo 86.000,00 total do passivo 86.000,00
Fonte: Voges (2011)
 • Contabilizando o pagamento da dívida: no dia 25/03/2008 os sócios 
quitam a 1ª parcela da compra adquirida no dia 11/03/2008.
Tabela 7 – Balanço Patrimonial 7
BAlAnço PAtrimoniAl – CiA. APrendiz – 25.03.2008
Ativo PAssivo
 Caixa
 Duplicatas a Receber
 Computadores
 Móveis
 45.400,00
 30.000,00
 5.000,00
 8.000,00
 Contas a Pagar
patrimônio líquido
 Capital Social
 Lucro
 6.400,00
 80.000,00
 2.000,00
total do ativo 88.400,00 total do passivo 88.400,00
Fonte: Voges (2011)
A dívida adquirida foi no total de R$ 8.000,00, em 5 parcelas iguais, logo: 
=> 8.000 ÷ 5 = 1.600 cada parcela. A origem de recurso é o caixa e a aplicações 
são as Contas a Pagar.
 • Contabilizando o recebimento de um direito: no dia 28/03/2008 a 
empresa recebe em dinheiro a primeira parcela da venda realizada no 
dia 15/03/2008.
Capítulo 1
26 Contabilidade Básica II
Tabela 8 – Balanço Patrimonial 8
BAlAnço PAtrimoniAl – CiA. APrendiz – 28.03.2008
Ativo PAssivo
 Caixa
 Duplicatas a Receber
 Computadores
 Móveis
 50.400,00
 25.000,00
 5.000,00
 8.000,00
 Contas a Pagar
patrimônio líquido
 Capital Social
 Lucro
 6.400,00
 80.000,00
 2.000,00
total do ativo 88.400,00 total do passivo 88.400,00
Fonte: Voges (2011)
 A venda foi realizada em 6 parcelas iguais 
=> 30.000 ÷ 6 = 5.000 cada parcela.
Contudo, finalizamos por aqui a contabilização por meio de balanços 
sucessivos do mês de março de 2008 da atividade da empresa CIA APREDIZ, 
a qual obteve um ativo de R$ 88.400,00 e um passivo de R$ 6.400,00, logo, 
o Patrimônio Líquido de R$ 82.000,00. Agora, antes de aprofundar os 
conhecimentos sobre o processo de contabilização do Balanço Patrimonial, faz-
se necessário o estudo dos critérios de classificação dos elementos patrimoniais.
1.2.2 Critérios de classificação dos elementos patrimoniais
Caro aluno, neste momento, é com muita satisfação que aprofundamos os 
conhecimentos sobre os critérios de classificação dos elementos patrimoniais. 
A estrutura do Balanço Patrimonial é formada por um elenco de contas 
ordenadas em grupos e subgrupos conforme sua liquidação. 
Portanto, neste momento, percebe-se a necessidade de uma relação 
destas contas, denominado contabilmente, Plano de contas. 
O Plano de contas é um agrupamento ordenado de contas que serão 
utilizadas pela contabilidade de uma determinada empresa. Cada empresa 
possui um Plano de contas específico, o qual é constituído de acordo com seu 
porte e ramo de negócios.
Capítulo 1
27 Contabilidade Básica II
Para Marion (2008), o contador tem de planejar e participar da 
estruturação do Plano de contas, de maneira que a sua principal ferramenta 
seja criada para lhe possibilitaro melhor dos resultados no trato com as 
informações contábeis.
O Plano de contas é constituído da descrição de cada conta, as quais são 
elencadas por grupo de contas e codificadas conforme a ordem liquidez no 
ativo, e ordem de exigibilidade no passivo. Ainda para Marion (2008, p. 62), 
colocando-se todas as contas de forma desordenada, ainda que 
respeitando as noções de passivo e ativo, somando-se caixa com 
máquinas, duplicatas a receber com veículos e assim por diante, 
haveria muita dificuldade para interpretar e analisar o balanço. 
Portanto, as contas no ativo serão classificadas seguindo a ordem de 
liquidez, ou seja, a conta que se transforma em dinheiro mais rápido, fique em 
primeiro lugar, e assim sucessivamente. Já para o passivo temos a classificação 
das contas por ordem de exigibilidade, ou seja, as contas que possuem 
prioridade de pagamento, conforme a data de vencimento do pagamento 
deve ser classificada em primeiro lugar. Contudo, percebe-se que não é a 
empresa que deve se adequar ao Plano de contas, mas sim o Plano de contas 
que se ajusta às necessidades da empresa.
Diante do exposto, conclui-se que a construção do Balanço Patrimonial 
é feita com a classificação dos registros em quatro grandes grupos: Ativo 
Circulante, Ativo Não Circulante, Passivo Circulante e Passivo Não Ccirculante. 
Ativo Circulante
Para Marion (2008, p. 63), “[...] o Ativo Circulante é o grupo que gera 
dinheiro para a empresa pagar suas contas a curto prazo. Esse grupo é 
conhecido como capital de giro, pois seus itens estão sempre se renovando”.
O Ativo Circulante é subdividido em alguns grupos, dentre os quais, 
segundo a NBC-T 3.2, destacam-se: 
 • disponível: são os recursos financeiros que se encontram à disposição 
imediata da Entidade, por exemplo: caixa e bancos;
Capítulo 1
28 Contabilidade Básica II
 • direitos e créditos: são valores a receber decorrentes da atividade 
da empresa, como, por exemplo, vendas a prazo de mercadorias. 
São registrados nesse grupo também os títulos de crédito, quaisquer 
valores mobiliários e os outros direitos;
 • investimentos temporários: são as sobras disponíveis que podem ser 
aplicadas com a intenção de obter rendimento futuro, por exemplo: 
certificados de depósitos bancários, fundos de aplicação imediata, 
títulos do Banco Central etc;
 • estoques: são os valores referentes às existências de produtos ou 
mercadorias disponíveis para produção ou venda;
 • despesas antecipadas: são as aplicações em gastos que tenham 
realização no curso do período subsequente à data do Balanço 
Patrimonial, como, por exemplo, prêmios de seguro, assinaturas de 
jornais e/ou revistas etc.
Ativo Não Circulante
No Ativo Não Circulante são classificadas as demais contas que não 
poderiam ser classificadas no Ativo Circulante, pois seu prazo de vencimento 
ultrapassa 12 meses, como, por exemplo: créditos a receber, máquinas e 
equipamentos, veículos, investimentos permanentes em sociedade coligadas 
e/ou controladas etc. O Ativo Não Circulante é subdividido em: realizável a 
longo prazo, investimentos, imobilizado e intangível. 
Cabe destacar que, conforme a NBC-T 19.1, o imobilizado, o valor residual 
e a vida útil de um ativo imobilizado são revisados pelo menos ao final de cada 
exercício e, se as expectativas diferirem das estimativas anteriores, a mudança 
deve ser contabilizada como mudança de estimativa contábil, segundo a NBC-T 
19.11 – Políticas Contábeis, Mudança de Estimativa e Retificação de Erro.
No ativo intangível estão classificados os direitos que tenham por objeto 
bens incorpóreos destinados à manutenção da companhia ou exercidos com 
essa finalidade, como, por exemplo: softwares, patentes, direitos autorais, 
direitos sobre filmes cinematográficos, franquias, relacionamentos com 
clientes ou fornecedores, fidelidade de clientes, participação no mercado e 
direitos de comercialização, goodwil etc.
Capítulo 1
29 Contabilidade Básica II
Passivo Circulante
No Passivo Circulante estão classificadas as obrigações da entidade 
com terceiros, cujo vencimento ocorrerá até 12 meses. Conforme Iudícibus, 
Martins e Gelbcke (2007), estas obrigações podem representar valores fixos 
ou variáveis, vencidos ou a vencer, em uma data ou em diversas datas futuras. 
O Passivo Circulante é subdividido em alguns grupos de obrigações. Os 
principais são: 
 • fornecedores: decorrentes de compras de mercadorias ou produtos 
utilizados no processo de produção ou comercialização da entidade;
 • obrigações trabalhistas: representam os valores devidos aos 
empregados bem como encargos incidentes sobre os valores, como 
por exemplo, salários a pagar, férias a pagar, INSS e FGTS a pagar 13º 
salário a pagar etc;
 • obrigações fiscais: correspondem os compromissos assumidos junto 
ao governo federal, estadual e municipal oriundos das atividades de 
compra e venda de produtos, mercadorias e prestação de serviços, 
como, por exemplo, PIS, COFINS, IRPJ, CSLL, ICMS, ISS a pagar;
 • empréstimos e financiamentos: correspondem aos valores captados 
pela entidade junto a entidades financeiras. Por exemplo: empréstimos 
bancários, financiamentos etc. 
Passivo Não Circulante
No Passivo Não Circulante são classificadas as obrigações da entidade 
com terceiros, cujo vencimento ocorrerá após 12 meses.
Patrimônio Líquido
Patrimônio Líquido representa o valor contábil da entidade, uma vez 
que: ativo (bens e direitos) menos passivo (obrigações) = Patrimônio Líquido. 
Segundo Perez e Begalli (2002), “O Patrimônio Líquido de uma empresa 
representa a riqueza pertencente aos proprietários [...] e está formalmente 
dividido em lei”. Esta divisão está demonstrada da seguinte forma: capital 
Capítulo 1
30 Contabilidade Básica II
social, reservas de capital, ajustes de avaliação patrimonial, reservas de lucros 
e prejuízos acumulados.
Apresenta-se a seguir, um modelo de Plano de contas:
1. Ativo
1.1 Ativo circulante
1.1.1 Ativo circulante – disponível
1.1.1.1 Ativo circulante – disponível – caixa
1.1.1.2 Ativo circulante – disponível – bancos
1.1.1.2.1 Ativo circulante – disponível – bancos – Banco do Brasil
Tabela 9 – Planos de Contas
PlAno de ContAs
Código ContAs
1.
1.1 
1.1.1
1.1.1.1
1.1.1.2
1.1.1.2.1
ATIVO
ATIVO CIRCULANTE
DISPONÍVEL
Caixa
Bancos
Banco do Brasill
Fonte: Voges (2011)
Após os conhecimentos adquiridos sobre o Plano de contas, salienta-se 
que o Balanço Patrimonial é estruturado de acordo com as normas estabelecidas 
pela legislação brasileira. Sendo oportuno salientar que, recentemente, o 
Balanço Patrimonial sofreu mudanças significativas na sua estrutura e forma 
de apresentação com o advento da Lei 11.638/11 e Medida Provisória 449/08.
A globalização dos negócios e os crescimentos dos investimentos 
estrangeiros fez com que surgisse a necessidade de unificar os demonstrativos 
financeiros, corroborando, então, com a adequação às melhores práticas 
contábeis internacionais – IASB (Internacional Accounting Standards Board).
Outra classificação muito importante do Balanço Patrimonial diz respeito 
à tempestividade das contas, sendo essas classificadas entre circulante e não 
circulante. Para as contas do circulante, deve-se considerar os itens com prazo até 12 
meses, de recebimento ou pagamento. Para aquelas que ultrapassarem 12 meses, 
consideradas de longo prazo, essas devem ser classificadas como não circulante.
Capítulo 1
31 Contabilidade Básica II
Diante do exposto, veja as principais mudanças introduzidas no Balanço 
Patrimonial:
Quadro 4 – Evolução do Balanço Patrimonial
(Como Era) BALANÇO PATRIMONIAL
ativo
ativo Circulante (aC)
ativo realizável a longo prazo (arlp)
ativo permanente
 InvestimentoImobilizado
 Diferido
passivo
passivo Circulante (pC)
passivo Exigível a longo prazo (pElp)
patrimônio líquido
(Como FiCou) BALANÇO PATRIMONIAL
ativo
ativo Circulante (aC)
ativo não-Circulante (anC)
 Realizável a Longo Prazo
 Investimentos
 Imobilizado
 Intangível
passivo
passivo Circulante (pC)
passivo não-Circulante (pnC)
 Exigível a Longo Prazo
patrimônio líquido
Fonte: Voges (2011)
Em suma, pode-se observar que as principais mudanças foram:
 • apresentação do ativo e do passivo em dois grandes grupos 
denominados circulante e não circulante;
 • extinção da nomenclatura do Ativo Permanente, sendo substituído 
pelo Ativo não Circulante;
 • criação do grupo ativo intangível;
 • incorporação dos grupos realizável a longo prazo e exigível a longo 
prazo no Passivo Não Circulante.
Capítulo 1
32 Contabilidade Básica II
1.2.3 Contas redutoras do Balanço Patrimonial 
As contas redutoras ou retificadoras do Balanço Patrimonial são as 
contas que têm saldo contrário ao saldo do grupo ao qual pertencem. Logo, 
as contas redutoras do ativo possuem saldo credor, as quais são: duplicatas 
descontadas, depreciação acumulada, amortização acumulada, provisão para 
crédito de liquidez duvidosa etc. Já as contas redutoras do passivo têm saldo 
devedor, tais como: prejuízos acumulados, ações em tesouraria, custos de 
exercícios futuros etc.
As contas redutoras de valores do ativo e do passivo devem ser 
posicionadas no Balanço Patrimonial, logo abaixo da conta a que se refere, 
ativa ou passiva, precedidas do sinal indicativo de subtração. Apresenta-se a 
seguir um exemplo de conta retificadora do ativo:
Quadro 5 – Exemplo de Conta Retificadora do Ativo Não Circulante
ATIVO
ATIVO NÃO CIRCULANTE
 Permanente
 Imobilizado
 Veículos
 (-) Depreciação acumulada)
Fonte: Voges (2011)
Contudo, as contas redutoras ou retificadoras do Balanço Patrimonial 
possuem a finalidade de ajustar o saldo do patrimônio (ativo ou passivo), 
corroborando com os princípios e práticas contábeis.
1.2.4 Elaboração do Balanço Patrimonial 
Caro aluno, nos tópicos anteriores, vimos o funcionamento da 
contabilidade por meio de balanços sucessivos. A partir de agora, vamos 
utilizar uma metodologia que nos permitirá mais agilidade e segurança na 
contabilização. Vou abordar os conceitos e mecanismos de débito e crédito e, 
também, a apuração de saldos das contas patrimoniais e de resultado.
Capítulo 1
33 Contabilidade Básica II
Para isto, precisamos relatar que a ciência contábil teve seu marco 
histórico em 1494 quando foi publicado, na Itália, pelo Frade Franciscano Luca 
Pacioli, o tractatus de Computis et scripturis, parte da obra intitulada summa 
de arithmética, proportionati et proporcionalitá que descreve o método das 
partidas dobradas.
método das partidas Dobradas = para todo débito existe um crédito
O método das partidas dobradas é um procedimento que permite o 
controle individual de cada conta contábil, registrando individualmente 
os aumentos e diminuições de valores que nelas ocorrerem. Este controle 
individual é realizado por meio de razonetes, que nada mais são que uma 
representação da movimentação de valores ocorridos em cada conta. O 
razonete é representado da seguinte forma:
Tabela 10 – Razonete
nome da Conta
Débito Crédito
Fonte: Voges (2011)
Nota-se que o razonete em sua estrutura possui bastante semelhança 
com o Balanço Patrimonial. O método das partidas dobradas consiste no fato 
de que para qualquer operação há um débito e um crédito de igual valor. 
Portanto, não existe débito sem crédito. Logo, observa-se que no mundo dos 
negócios as ações seguem uma “estrada de mão dupla”.
Capítulo 1
34 Contabilidade Básica II
Exemplo do mecanismo das partidas dobradas:
A empresa JJ Aprendiz solicita ao banco um empréstimo no valor de 
R$ 400 mil.
Figura 2 – Razonetes na prática
Aumento do 
Ativo (D)
Entrada do valor 
na conta bancária 
da empresa
Aumento do 
Passivo (C)
Registro da 
obrigação diante
 da aquisição 
do empréstimo
ATIVO
D Banco cta. Movim. C
Razonetes
PASSIVO
D Emprest. Bancários C
400.000,00 400.000,00
Lançamentos DUPLOS => Débito 400.000
Crédito 400.000
Fonte: Voges (2011)
Como já vimos, o fato contábil necessita de registro, o qual ocorre por 
meio de um lançamento em contas, conforme o fluxo de informações abaixo:
Fato Contábil
lançamento 
Contábil
Conta Contábilregistro Contábil
 • fato contábil: é uma ação que provoca uma alteração nos elementos 
do Patrimônio ou Resultado da entidade;
 • registro contábil: a necessidade da contabilidade em registrar os 
fatos contábeis;
 • lançamento contábil: ato de registrar a ocorrência de um ou mais 
fatos contábeis;
 • contas contábeis: são representações gráficas que evidenciam os 
lançamentos contábeis de diversas naturezas.
Diante do estudo da contas contábeis, é importante ressaltar que 
essas são classificadas em contas patrimoniais e contas de resultados. As 
contas patrimoniais representam a situação do patrimônio da entidade 
(bens, direitos, obrigações e Patrimônio Líquido), logo, estão localizadas no 
Balanço Patrimonial. 
Capítulo 1
35 Contabilidade Básica II
Já as contas de resultado representam as situações que modificam o 
Patrimônio Líquido (despesas e receitas). O resultado entre receita menos 
despesas é transportado para o Patrimônio Líquido na forma de lucro ou prejuízo.
Portanto, analisando o razonete acima, você vai concluir que:
 • as contas do ativo têm saldo devedor, onde os débitos são superiores 
aos créditos. O débito significa aplicação dos recursos. Sempre que os 
recursos são aplicados, como compra de bens, pagamento de dívidas, 
existe um débito na conta correspondente;
 • as contas de passivo têm saldo credor, onde os créditos são 
superiores aos débitos. O crédito significa origem de recursos. Esta 
origem pode ser proveniente dos sócios, a venda de serviços, a 
obtenção de um empréstimo, entre outros, implicará sempre num 
crédito na conta referente;
 • as contas de Patrimônio Líquido têm saldo credor, onde os créditos 
são superiores aos débitos. Portanto, as contas de receitas provocam 
aumento no Patrimônio Líquido, que normalmente possui saldo 
credor, logo as receitas só podem ter saldo credor; as despesas, por 
sua vez, diminuem no Patrimônio Líquido, que normalmente possui 
saldo credor, logo as despesas só podem ter saldo devedor.
Figura 3 – Calculando o saldo credor e devedor
Fonte: Christian Ferrari <www.sxc.hu>
Capítulo 1
36 Contabilidade Básica II
As contas são movimentadas individualmente, registrando-se seus 
aumentos ou diminuições de acordo com o método das partidas dobradas.
Contudo, podemos no quadro abaixo resumir que:
Quadro 5 – Método das partidas dobradas 
natUrEZa Das Contas
para o salDo
saldo aumentar Diminuir
ativo = BEns E DirEitos
passivo = oBriGaçÕEs Com tErCEiros
patrimÔnio lÍQUiDo
rECEitas
DEspEsas
D
C
C
C
D
D
C
C
C
D
C
D
D
D
C
Fonte: Voges (2011)
As contas do ativo, por terem saldo devedor, são aumentadas com 
lançamento de débito e diminuídas com um lançamento de crédito, como, por 
exemplo, no momento do recebimento de uma duplicata de clientes à vista, 
onde o débito será registrado na conta caixa, no ativo, pela entrada do valor 
do dinheiro. Já o crédito será realizado na conta duplicatas a receber, no ativo, 
pela baixa do saldo de duplicatas a receber.
Já as contas do passivo, por terem saldo credor, são aumentadas com 
lançamento de crédito e diminuídas com lançamento de débito. Por exemplo, 
a compra de mercadorias para o estoque a prazo, onde o débito é realizadona conta estoque, no ativo, pela entrada de mercadorias, e o crédito na conta 
de fornecedores, no passivo, pelo registro da compra a prazo.
As contas de receitas e despesas, chamadas de 
contas de resultado também são movimentadas 
pela contabilidade por meio de razonetes, da 
mesma forma que as contas de ativo, passivo e 
Patrimônio Líquido (contas patrimoniais).
SAIBA QUE
Capítulo 1
37 Contabilidade Básica II
Após o lançamento dos fatos nos razonetes você deve então proceder 
a apuração do saldo de cada razonete, ou seja, a apuração de débitos menos 
créditos. Feito isso, chegou a hora de encerrar as contas de resultado para 
então elaborar do Balanço Patrimonial.
Mas como fica a contabilidade agora, com o registro em razonetes de 
todas as contas contábeis, de patrimônio e de resultado?
Vamos exemplificar com as operações que seguem:
 • imagine que a Cia. Aprendiz foi criada com a finalidade de prestar 
serviço. Foi constituída com um imóvel alugado e um capital total de 
R$ 10.000,00 em dinheiro;
 • em seguida, adquire à vista, móveis e utensílios no valor de R$ 1.000,00;
 • posteriormente, a Cia. Aprendiz vende um serviço por R$ 3.000,00 
a vista;
 • pagou salário de funcionário no valor de R$ 1.200,00;
 • paga aluguel no valor de R$ 600,00
Diante destes fatos, pergunto:
A Cia. Aprendiz é lucrativa? E como fica o seu Balanço Patrimonial?
Para obter estas respostas, primeiramente você tem que registrar os fatos 
nos razonetes, utilizando o método das partidas dobradas, onde para todo 
crédito existe um débito corresponde. Após os lançamentos deve-se apurar o 
saldo individual de cada conta, por meio da soma dos débitos menos créditos.
Capítulo 1
38 Contabilidade Básica II
Tabela 11 – Resolução das operações da Cia. Aprendiz
Caixa - aC
Débito Crédito
a
c
10.000,00
3.000,00
1.000,00
1.200,00
600,00
b
d
e
13.000,00 2.800,00
saldo 10.200,00
Capital social - pl
Débito Crédito
10.000,00 a
- 10.000,00
 saldo 10.000,00
móveis/Utensílios - aC
Débito Crédito
b 1.000,00
1.000,00
saldo 1.000,00
venda de serviços - r
Débito Crédito
3.000,00 c
3.000,00
saldo 3.000,00
Desp. com aluguel - r
Débito Crédito
e 600,00
600,00
 saldo 600,00
Desp. com salários - r
Débito Crédito
d 1.200,00
1.200,00
saldo 1.200,00
Fonte: Voges (2011)
Após a apuração dos saldos, você vai concluir o exercício, transferindo os 
saldos das contas de resultado para razonete, ou seja, o resultado.
Tabela 12 – Encerramento das contas de resultado da Cia. Aprendiz
venda de serviços - r
Débito Crédito
3.000,00 c
1 – 3.000,00
saldo 3.000,00 3.000,00
Desp. com aluguel - r
Débito Crédito
e 600,00
600,00 –
saldo 600,00 600,00 2
Desp. com salários - r
Débito Crédito
d 1.200,00
1.200,00 –
saldo 1.200,00 1.200,00 3
rEsUltaDo
Despesas receitas
2
3
600,00
1.200,00
3.000,00 1
1.800,00 3.000,00
saldo 1.200,00
Fonte: Voges (2011)
Capítulo 1
39 Contabilidade Básica II
Note que efetuamos a transferência dos valores das contas de receitas 
e despesa, por meio de lançamentos contábeis (lançamentos 1, 2 e 3), para 
a conta de resultado. Agora o próximo procedimento é transferir o saldo da 
conta de resultado para a conta de lucros acumulados, do Patrimônio Líquido.
Tabela 13 – Transferência do Resultado para o Patrimônio Líquido
lucros acumulados – pl
Débito Crédito
1.200,00 4
1.200,00
rEsUltaDo
Despesas receitas
2
3
600,00
1.200,00
3.000,00 c
1.800,00 3.000,00
4 1.200,00
Fonte: Voges (2011)
Caro aluno, nesta ocasião podemos responder à primeira pergunta 
que questiona se a Cia. Aprendiz é lucrativa, e como vimos na apuração do 
resultado acima, a Cia. Aprendiz obteve um lucro de R$ 2.400,00, sendo uma 
empresa lucrativa até o momento.
Após isso, poderemos elaborar o Balanço Patrimonial, em resposta à 
segunda pergunta.
Quadro 6 – Balanço Patrimonial da Cia. Aprendiz
BALANÇO PATRIMONIAL – CIA. APRENDIz
Ativo passivo
ativo Circulante - aC
 Disponibilidades
 Caixa
ativo não Circulante - anC
 Imobilizado
 Móveis e Utensílios
 10.200,00
 980,00
passivo Circulante - pC
patrimônio líquido
 Capital Social
 Lucros Acumulados
 10.000,00
 1.200,00
total 11.200,00 total 11.200,00
Fonte: Voges (2011)
Capítulo 1
40 Contabilidade Básica II
O Balanço Patrimonial tem por finalidade apresentar a situação 
patrimonial da empresa em um determinado momento, dentro de 
determinados critérios de avaliação. Sendo assim, é a demonstração que 
encerra a sequência dos procedimentos contábeis, apresentando de forma 
ordenada o três elementos do patrimônio: Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido.
1.3 Aplicando a teoria na prática
Para melhor vislumbrar o que você estudou até agora, sugiro o 
acompanhamento do caso a seguir, que poderíamos intitular “O controle do 
Fluxo de Caixa e o papel do contador como gerador de informações”, para 
que você possa refletir sobre o conteúdo que estudou neste capítulo. 
Vimos nos tópicos anteriores que a contabilidade possui o controle e 
registro dos fatos administrativos e, por este motivo, segue seu papel na 
tomada de decisão. Vamos exercitar o conhecimento?
Uma empresa do ramo de doces realizava com frequência vendas por 
encomenda. O cliente adiantava 20% do valor do valor devido, sendo o 
restante pago em 12 parcelas de igual valor. Porém, esta empresa, ao realizar 
suas compras, também utilizava a forma de adiantamento de 30% do valor 
da compra e o restante dividido em 6 parcelas de igual valor. Outra prática 
utilizada pela empresa é o adiantamento de 20% do salário aos funcionários. 
Que análise você faz deste panorama?
Caro aluno, perceba, num primeiro momento, que empresa utiliza 
da forma adiamento para quase todas das suas atividades, o que gera um 
descontrole total do Fluxo de Caixa. Outro ponto de relevância seria a 
diferença entre os percentuais de adiantamento, e também a diferença no 
número de parcelas negociadas a prazo tanto para o cliente quanto para 
o fornecedor. Ou seja, a empresa recebe adiantado dos seus clientes 20%, 
mas paga adiantado aos seus fornecedores o percentual de 30%, gerando 
uma possível saída de caixa maior que a entrada. Fato também relevante 
seria a negociação das parcelas do cliente numa tempestividade maior que a 
negociação com fornecedores, dificultando a gestão do capital de giro diante 
do Fluxo de Caixa. 
Capítulo 1
41 Contabilidade Básica II
Contudo, o empresário, a fim de atender as suas próprias necessidades 
para dar suporte ao processo de tomada de decisões, tem o privilégio e o direito 
de obter informações muito mais detalhadas ou adicionais às apresentadas 
nas demonstrações contábeis. 
Iudícibus e Marion (2002) dizem que a tarefa básica do contador é produzir 
e/ou gerenciar tais informações úteis, sempre levando em consideração a 
prontidão, clareza e precisão. Então, caro aluno, diante deste caso, o contador 
tem o dever de orientar o empresário nas negociações e, principalmente, no 
controle do Fluxo de Caixa. 
1.4 Para saber mais
título: Contabilidade comercial: atualizado conforme a Lei n° 
11.638/07 e Lei n° 11.941/09
Autores: IUDíCIBUS, S.; 
MARION, J. C. Editora: Atlas Ano: 2010
Nesta obra os autores abordam de forma completa o tema as 
novas normas e práticas contábeis. Vale a pena a leitura e para 
complementar seus estudos.
título: Pai rico e pai pobre
Autores: KIyOSAKI, R. J.; 
LECHTER L. S. Editora: Elsevier Ano: 2004
Segundo os autores, a educação formal não prepara as crianças para 
a vida real, e boas notas e formação não bastam para garantir o 
sucesso de alguém.A diferença está entre ter o controle do próprio 
destino ou não. O livro traz lições para controlar o destino e tornar-
se bem sucedido.
site: Conselho Federal de Contabilidade
URL: <http://www.cfc.org.br>
Neste site você encontra informações complementares sobre 
as Normas Brasileiras de Contabilidade, além de acompanhar 
a evolução das mudanças ocorridas com o advento da Lei das 
Sociedades Anônimas, Lei nº 11.638/07.
Capítulo 1
42 Contabilidade Básica II
1.5 Relembrando
Neste capítulo, você aprendeu que:
 • o Balanço Patrimonial é uma demonstração ordenada e estática;
 • para elaborar o Balanço Patrimonial, são necessários conhecimentos 
sobre o método das partidas dobradas, em que para todo crédito 
existe um débito correspondente;
 • na elaboração dos registros contábeis é imprescindível a noção sobre 
os elementos necessários para mensuração e reconhecimento dos 
fatos administrativos que devem ser contabilizados;
 • a contabilidade assume um papel importante na tomada de decisão, 
devido a sua amplitude de controle e registros.
1.6 Testando os seus conhecimentos
Agora, por meio das atividades acadêmicas propostas a seguir, você 
irá colocar em prática o conteúdo estudado. Resolva as operações contábeis 
utilizando o método das partidas dobradas. Posteriormente, elabore o Balanço 
Patrimonial e analise se a empresa é lucrativa e se consegue pagar duas dívidas 
com recursos gerados. Bom trabalho!
1) Dia 04/05 – a Comercial TUBIAS, empresa constituída nesta data, recebe de 
seus sócios R$ 15.000,00 para integralização do capital inicial, composto por 
depósito em Banco do Brasil C/c da empresa no valor de R$ 10.000,00 e R$ 
5.000,00 em móveis para o escritório;
2) Dia 05/05 – adquire mercadorias para estoque, no total de R$ 4.000,00, 
sendo R$ 3.000,00 pagos a vista em cheque e o restante pago em 09/05;
3) Dia 07/05 – adquire um veículo, para entrega de mercadorias, no valor de R$ 
6.000,00 sendo 50% pago à vista em cheque e o restante com financiamento 
bancário a curto prazo;
Capítulo 1
43 Contabilidade Básica II
4) Dia 09/05 – pagamento da dívida do dia 05/05 em cheque;
5) Dia 12/05 – compra de mercadorias para estoque por R$ 5.000,00, sendo 
50% à vista com cheque e o restante para 60 dias;
6) Dia 14/05 – os sócios aumentam o capital social em R$ 5.000,00 em dinheiro, 
depositados em banco;
7) Dia 18/05 – adquire um terreno no valor de R$ 5.000,00, tendo sido entregue 
um cheque de R$ 2.000,00 no ato e o restante será pago em 24 parcelas iguais;
8) Dia 24/05 – compra mobília para o escritório no valor de R$ 600,00, pago 
em cheque.
Onde encontrar
CREPALDI, S. A. Curso básico de contabilidade. São Paulo: Atlas, 2010.
CHIAVENATO, I. Gestão de pessoas. Rio de Janeiro: Campos, 1999.
IUDÍCIBUS, S.; MARION, J. C. introdução à teoria da contabilidade. São Paulo: 
Atlas, 2002. 
______.; MARTINS, E.; GELBCKE, E. R. manual de contabilidade das sociedades 
por ações. São Paulo: Atlas, 2007. 
MARION, J. C. Contabilidade básica. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2008.
PADOVEZE, C. L. manual de contabilidade básica: uma introdução à prática 
contábil. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2000.
PEREZ, J. H.; BEGALLI, G. A. Elaboração das demonstrações contábeis. 3. ed. 
São Paulo: Atlas, 2002.
Capítulo 1
44 Contabilidade Básica II
Capítulo 2
45 Contabilidade Básica II
DEmonstração Do 
rEsUltaDo Do ExErCÍCio
CAPÍTULO 2
2.1 Contextualizando
Caro aluno! Neste capítulo apresentarei a você as técnicas de elaboração 
da Demonstração do Resultado do Exercício, também conhecida pela sigla 
DRE. Sua estrutura segue uma forma resumida da movimentação econômica 
da empresa em um determinado período, com a intenção de demonstrar o 
resultado líquido deste. O resultado pode ser positivo, negativo ou nulo. Por 
este motivo, o conteúdo deste capítulo seguirá as normas e práticas contábeis, 
desde as receitas brutas até o resultado líquido do exercício. 
Ao fim, você será capaz de: 
 • identificar os elementos estruturais e conceituais da Demonstração do 
Resultado do Exercício (DRE);
 • distinguir os principais elementos para a apuração do Resultado 
do Exercício;
 • manusear as ferramentas necessárias para mensuração e 
reconhecimento dos fatos administrativos diante da Demonstração 
do Resultado do Exercício. 
Mãos à obra!
2.2 Conhecendo a teoria
Você já refletiu sobre os aspectos que influenciam no resultado das 
empresas? E que o Patrimônio Líquido, apresentado no Balanço Patrimonial, 
representa a riqueza líquida da entidade? Assim, chegou o momento de 
Capítulo 2
46 Contabilidade Básica II
aprofundar seus conhecimentos. É fundamental a sua participação, caro aluno, 
para o melhor aproveitamento da disciplina. Vamos começar então? 
LEMBRETE
Enquanto o Balanço Patrimonial busca 
apresentar a situação financeira da empresa, 
como, por exemplo, investimentos, capacidade 
de pagamento, contas a receber e contas a pagar, 
entre outros, a Demonstração do resultado do 
Exercício evidencia a situação econômica da empresa, ou seja, lucro 
ou prejuízo, por meio da relação entre receitas, custos e despesas.
Como você pode observar, o Balanço Patrimonial tem um papel 
importante na avaliação da situação financeira da empresa, ou seja, quanto 
à disponibilidade de recursos e de endividamento. Já a Demonstração do 
Resultado do Exercício (DRE) reafirma a situação econômica da empresa, isto 
é, a situação de ganho ou de perda em suas atividades operacionais.
De acordo com Marion (2008), a 
Demonstração do Resultado do Exercício 
é um resumo ordenado das receitas e 
despesas da empresa em determinado 
período, normalmente 12 meses. A 
imagem ao lado representa o conceito 
do autor. Hoje, cada vez mais, é preciso 
que a empresa mantenha seus recursos 
em equilíbrio. O desafio do empresário 
é manter a paridade entre receitas e 
despesas. Lembre-se que, apesar do Brasil 
estar numa situação econômica estável, o 
mundo é globalizado.
A Lei Federal n° 11.638, 28 de dezembro de 2007, que conduz as 
Sociedades Anônimas por Ações e as demais sociedades, estabelece em seu 
Art. 187 a ordem que a Demonstração de Resultado do Exercício deve ser 
apresentada e publicada.
Figura 1 – Na empresa, equilibrar receitas e 
despesas é fundamental
Fonte: Zadorozhnyi Viktor <www.sshutterstock.com>
Capítulo 2
47 Contabilidade Básica II
Ainda tratando do resultado da entidade, e diante da complexidade 
deste assunto, você deve levar em consideração o princípio da Realização da 
Receita e a Confrontação com a despesa. Logo, só se caracteriza a despesa com 
a Realização da Receita. Segundo a Norma Brasileira de Contabilidade Técnica 
(NBCT 1), as receitas e despesas podem ser evidenciadas na Demonstração do 
Resultado do Exercício de várias maneiras, sempre com a intenção de colaborar 
com o usuário da informação contábil na tomada de decisão.
 No capítulo anterior, você estudou os elementos que compõem o 
patrimônio de uma empresa. Você já refletiu sobre como apurar a riqueza de 
uma entidade? 
Em primeiro lugar, é necessário que você conheça alguns conceitos 
básicos sobre quais itens compõem a apuração do resultado ou da riqueza de 
uma entidade, tais como: as receitas que representam o ato de comercializar 
produtos, serviços e ativos, e as despesas que representam os esforços na 
geração das referidas receitas.
Portanto, para avaliar o desempenho de uma entidade, ou ainda, a 
riqueza por ela gerada, a contabilidade é viabilizada por meio da Demonstração 
do Resultado do Exercício, a consolidação de todos os registros sobre a 
movimentação das receitas e despesa, e, o resultado final das atividades 
operacionalizadas. Partindo disto, apresento notópico a seguir os critérios 
básicos e a estrutura da Demonstração do Resultado do Exercício.
2.2.1 Critérios contábeis básicos
Antes de aprofundar os conhecimentos sobre a elaboração e a estrutura 
da Demonstração do Resultado do Exercício, você deve conhecer os regimes 
de contabilização que são: Regime de Competência e Regime de Caixa. 
Tais regimes de contabilização levam em consideração o princípio da 
Realização da Receita e da Confrontação da despesa, ou seja, determinam 
quando as receitas e as despesas serão efetivamente contabilizadas.
O Regime de Competência considera as receitas e despesas contabilizadas 
no momento que estas foram geradas, não importando o recebimento ou o 
pagamento. Já o Regime de Caixa considera a receita e a despesa, mas apenas 
aquelas efetivamente recebidas e pagas. A diferença entre o Regime de 
Capítulo 2
48 Contabilidade Básica II
competência e Regime de Caixa, segundo Iudícibus e Marion (2002), é quando 
se escolhe como ponto normal de reconhecimento da receita aquele em que 
produtos ou serviços são transferidos ao cliente e não, propriamente, o ponto 
em que o dinheiro é recebido. 
Diante disto, existem duas formas de apurar e demonstrar o resultado 
da empresa: pelo Regime de Competência, que evidencia um resultado 
econômico, ou Regime de Caixa, que apresenta um resultado financeiro.
Agora, caro aluno, após o entendimento sobre as formas de apurar o 
Resultado do Exercício, é importante também conhecer as contas de resultados, 
aquelas utilizadas na apuração do resultado (lucro ou prejuízo) e da riqueza 
gerada em determinado exercício social.
Contabilmente, o patrimônio de uma entidade é constituído de bens, 
direitos e obrigações, mas ninguém irá investir em uma empresa sem pensar 
no lucro que ela gera. Portanto, este lucro, ou riqueza gerada, é apurado por 
meio das contas de resultado, denominadas receitas, custos e despesas.
As entradas de itens no Ativo podem ser consideradas como receitas 
derivadas de uma venda de produto, mercadoria ou serviço. Ou ainda, uma 
entrada no Ativo originada de um ganho de aplicação financeira. 
As atividades operacionais das entidades, venda 
de mercadoria ou serviço, ou ainda as atividades 
não operacionais que possuem a intenção de 
ganho, aplicação financeira e juros recebidos, 
devem ser classificadas como receita, pois ambas 
têm o propósito de um benefício econômico. 
SAIBA QUE
As despesas representam o oposto das receitas, sendo a redução dos 
benefícios econômicos da entidade que surgem normalmente, por meio das 
atividades operacionais, por meio dos custos ou redução de ativos e aumento 
de passivos que corroboram com a redução do Patrimônio Líquido. Por 
exemplo: despesa com energia elétrica, custo da mercadoria vendida, descontos 
concedidos aos clientes, juros pagos, despesa com salários, entre outros.
Capítulo 2
49 Contabilidade Básica II
Para Iudícibus (2009), a despesa representa a utilização ou consumo de 
bens e serviços no processo de produzir receitas.
Logo, as despesas surgem da necessidade de geração de receitas. 
Por exemplo: as despesas com salários e encargos existem pelo fato dos 
funcionários estarem colaborando para a venda de produtos e serviços e 
que, consequentemente, irão gerar receita ou ganho. As despesas com as 
compras de mercadoria ou matéria-prima que serão revendidas ou utilizadas 
no processo produtivo, onde ambas contribuirão para a geração de receita, 
seriam outro exemplo.
 Vamos imaginar uma cena muito comum nos canteiros de obras. Na 
sexta-feira à tarde, o administrador faz o pagamento semanal dos operários. O 
que queremos mostrar com esta ideia? Que as despesas de salários e encargos 
só existem pelo fato de os colaboradores estarem contribuindo para a venda 
de produtos e serviços – o que, consequentemente, irá gerar receita. 
Figura 2 – Salários são contabilizados no item despesa da DRE
Fonte: Svilen Milev <www.sxc.hu>
Segundo Iudícibus (2009), o que caracteriza a despesa é o fato dela tratar 
de expirações de fatores de serviços, direta ou indiretamente relacionados 
com a produção e a venda do produto ou serviço da entidade.
Portanto, todas as despesas devem ser geradas com o foco de gerar de 
receita, se não agora, mas num futuro próximo. 
Capítulo 2
50 Contabilidade Básica II
LEMBRETE
As despesas provocam diminuições no Ativo, 
quando pagas, ou aumentos no passivo quando 
geradas e não pagas imediatamente.
Saliento que receitas e despesas só existem quando são confrontadas. 
Vamos saber um pouco mais sobre isso? Quando compramos uma mercadoria 
para revenda, encontramos a situação do custo com a compra e, também, o 
pagamento desta com a redução de um Ativo, normalmente caixa ou banco.
Contudo, o confronto entre receitas menos despesas resulta na apuração 
do Resultado do Exercício, podendo ser positivo (lucro), quando as receitas 
forem superiores as despesas, e quando o inverso, o resultado é negativo 
(prejuízo). A composição deste resultado é apresentada na Demonstração de 
Resultado do Exercício (DRE) que será abordada no próximo item.
2.2.2 Critérios básicos de apresentação 
Na determinação do Resultado do Exercício, e para melhor entendimento 
sobre a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) é preciso considerar os 
princípios contábeis que norteiam a contabilidade das entidades no que tange 
ao reconhecimento das receitas, custos e despesas. 
Este assunto é expresso no § 1º do Art. 187 da Lei 11.638/2007, como segue:
na apuração do resultado você deve considerar as receitas e os 
rendimentos ganhos no período, independentemente da sua 
realização em moeda; os custos, despesas, encargos e perdas, pagos 
ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos.
Desta forma, os elementos citados fazem referência ao princípio 
da Realização da Receita e do Confronto da Despesa, como você já viu 
anteriormente. Cabe ressaltar que, com base nesse princípio contábil, as 
receitas são reconhecidas a partir do momento em que são realizadas, ou 
seja, quando há o repasse de mercadorias, produtos ou serviços, indiferente se 
nestas transações houver ou não o pagamento à vista. 
Capítulo 2
51 Contabilidade Básica II
Segundo Iudícibus e Marion (2002), escolhe-se como ponto normal de 
reconhecimento da receita aquele em que produtos ou serviços são transferidos 
ao cliente e não, propriamente, o ponto em que o dinheiro é recebido.
Já as despesas estão intimamente ligadas à Realização da Receita, ou 
seja, as despesas devem ser confrontadas e reconhecidas contabilmente a 
partir do momento em que gerarem receitas. 
Assim, observa-se a aplicação do Regime da Competência para realização 
das receitas e confrontação das despesas.
Conforme Iudícibus, Martins e Gelbcke (2007), as 
receitas e despesas são apropriadas ao período 
em função de sua incorrência e da vinculação 
da despesa à receita, independente de seus 
reflexos no caixa.
SAIBA QUE
Os critérios de apresentação da evolução das receitas e despesas por meio 
da Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) estão descritos na Lei 6.404, de 
15 de dezembro de 1976, que regula as Sociedades por Ações e, por conseguinte, 
as demais sociedades, inclusive as Sociedades Limitadas. Essa legislação foi 
alterada pela Lei 11.638, de 28 de dezembro de 2007, que estabelece em seu 
Art. 187 a organização que a Demonstração de Resultado do Exercício deve ser 
apresentada, para fins de publicação, além de outras providências.
Em conformidade com o Art. 187 da Lei das Sociedades por Ações, que 
trata sobre correta apresentação da Demonstração do Resultado do Exercício, 
destacam-se os principais pontos:
 • a receita bruta das vendas e serviços, as deduções dasvendas, os 
abatimentos e os impostos;
 • a receita operacional líquida das vendas e serviços, o custo operacional 
das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto;
Capítulo 2
52 Contabilidade Básica II
 • as despesas operacionais referentes às despesas administrativas, 
comerciais e com vendas. Logo após, o resultado financeiro composto 
de receitas e despesas financeiras;
 • o Resultado Operacional, as outras receitas e outras despesas 
operacionais;
 • o Resultado do Exercício antes do Imposto de Renda e Contribuição 
Social e a provisão para o imposto;
 • o lucro ou prejuízo líquido do exercício.
A partir desta estrutura, as Normas Brasil de Contabilidade Técnica, a 
Demonstração do Resultado do Exercício, assumem o papel de evidenciar a 
composição do resultado de um determinado período, em concordância com 
as operações da entidade.
Para Marion (2008), a Demonstração do Resultado do Exercício é um 
resumo ordenado das receitas e despesas da empresa em determinado período, 
normalmente 12 meses.
Já para Iudícibus e Marion (2002), a Demonstração do Resultado do 
Exercício pode apresentar mais poder preceptivo do que o próprio Balanço 
Patrimonial, pois este último aborda o saldo das contas num determinado 
momento, evidenciando os saldos ano após ano e, consequentemente, sendo 
mais útil para se avaliar uma situação estática. A Demonstração de Resultado 
de Exercício refere-se somente a um determinado exercício.
Logo, caro aluno, por ser uma demonstração focada em evidenciar os 
valores econômicos da entidade, ao término apura-se o lucro ou prejuízo, 
além de todos os custos e as despesas intrínsecas à sua atividade operacional.
Para facilitar o aprendizado, principalmente em relação à disposição das 
contas que compõem a Demonstração de Resultado do Exercício, apresento a 
seguir um exemplo dessa demonstração:
Capítulo 2
53 Contabilidade Básica II
Tabela 1 – Demonstração do Resultado do Exercício (DRE)
demonstrAção do resultAdo do exerCíCio – dre
reCeitA BrutA => totAl gerAl de vendAs
(-) Deduções => Neste grupo incluem-se todos os valoes que não 
representam sacrifícios financeiros (esforços) para a 
empresa, mas são ajustes para se chegar a um valor 
mais indicativo que é a Receita Líquida, como por 
exemplo: Impostos sobre as Vendas e Devoluções 
de Vendas.
(-) reCeitAs líquidAs => reCeitAs BrutAs (-) deduções 
(-) Custos => São somente os gastos de fabricação (gastos de 
produção), incluindo matéria-prima, mão de obra, 
depreciação de bens utilizados na produção, 
energia elétrica da fábrica etc.
(-) luCro Bruto => reCeitA líquidA (-) Custos
(-) Despesas => São gastos de escritório, gastos para administrar a 
empresa como um todo: despesas aplicadas desde 
o esforço para colocar os produtos ao cliente 
(propaganda, comissões) até a remuneração do 
capital (despesas financeiras).
(-) luCro oPerACionAl => luCro Bruto (-) desPesAs
(+) Receitas não operacionais
(-) Despesas não operacionais
=>
=>
São receitas não relacionadas diretamente com o 
objetivo da empresa.
São despesas não relacionadas diretamente com o 
objetivo da empresa.
(-) luCro líquido Antes do irPJ => luCro oPerACionAl (+/-) reCeitAs/desPesAs não 
oPerACionAis
(-) IRPJ
(-) CSLL
=>
=>
Imposto de Renda s/ Pessoa Jurídica
Contribuição Social s/ Lucro Líquido
(-) luCro líquido luCro líquido Antes do irPJ e Csll (-) irPJ e Csll
Fonte: Voges (2011)
Prezado aluno, ao analisar os detalhes da Demonstração do Resultado 
do Exercício, percebe-se que é composta por contas sintéticas, ou melhor, são 
contas somadoras de outras contas. Assim, também se pode concluir que o 
resultado apresentado no final é consequência da dedução de cada conta. Por 
este motivo, alguns autores afirmam que a elaboração da Demonstração do 
Resultado do Exercício acontece de forma dedutiva.
Afinal, a DRE apresenta as contas sintéticas as quais expressam, na 
maioria, inúmeras contas analíticas.
Capítulo 2
54 Contabilidade Básica II
Detalhando melhor as contas, temos no grupo receita bruta a alocação de 
todas as vendas operacionais que a empresa teve num determinado período, 
podendo ser a prazo ou à vista, no mercado interno ou externo.
Segundo Matarazzo (2003), somente as receitas 
de vendas normais devem ser alocadas no 
resultado bruto da entidade, uma vez que as 
outras receitas de caráter operacional secundário 
devem figurar após o lucro bruto, que tem o 
papel de mostrar o resultado bruto da atividade 
operacional da empresa. 
SAIBA QUE
Conforme Iudícibus, Martins e Gelbcke (2007), a contabilização das 
vendas deve ser feita pelo seu valor bruto. Impostos, devoluções e abatimentos 
são registrados em contas devedoras específicas. 
No grupo deduções da receita bruta são lançados os tributos e abatimentos 
sobre vendas e as possíveis vendas canceladas. Aqui peço sua especial atenção! 
Os tributos sobre vendas são aqueles determinados e gerados no momento da 
venda por meio de algum documento fiscal, como por exemplo: 
 • ICMS: imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias 
e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e 
intermunicipal e de comunicação; 
 • ISSQN: imposto sobre serviços de qualquer natureza; 
 • COFINS: contribuição para o financiamento da seguridade social.
 • PIS: programa de integração social; 
 • IPI: imposto sobre produtos industrializados.
Mas existem casos em que há devolução de um produto ou cancelamento 
da venda que podem compreender inúmeras justificativas. Dentre algumas 
ressaltam-se os problemas nas embalagens ou na própria mercadoria, 
inconsistências com pedido de venda, entre outros.
Os abatimentos sobre vendas são gerados, normalmente, quando 
o cliente detecta que a sua compra, por qualquer motivo, não atendeu às 
expectativas. O cliente poderá pedir um desconto no preço. 
Capítulo 2
55 Contabilidade Básica II
A receita líquida, por sua vez, corresponde às vendas líquidas da empresa. 
É o resultado obtido pela equação: 
RECEITA BRUTA - DEDUÇÕES = RECEITA LÍQUIDA
Segundo Marion (2008), os impostos sobre vendas não pertencem 
à empresa, mas ao governo. Ela é uma mera intermediária (veículo de 
arrecadação) que arrecada impostos junto ao consumidor e recolhe ao governo. 
Por este motivo é tão importante separar as vendas dos tributos, e 
que se pondere a carga tributária existente no volume comercializado pela 
instituição, porque não se pode contar com o valor total das vendas.
Os custos operacionais da entidade são apresentados após a receita 
líquida. Para Martins (1998), o custo é considerado um gasto relativo ao bem 
ou serviço utilizado na produção de outros bens ou serviços.
Os custos podem ser diretos, quando apropriados diretamente aos 
produtos fabricados, ou indiretos, quando é necessário alguma técnica de 
rateio para a sua apropriação. Dentre os principais custos, destacam-se: 
 • matéria-prima; 
 • mão de obra;
 • material de embalagem; 
 • depreciação; 
 • energia elétrica, entre outros.
Os custos também podem ser classificados de acordo com o volume da 
atividade, ou seja, podem ser fixos ou variáveis. Os custos fixos são aqueles 
que não se alteram em função de aumentos ou diminuições do volume de 
produção, como por exemplo: aluguel da fábrica, seguros da fábrica, entre 
outros. Por sua vez, os custos variáveis mudam conforme o volume de produção, 
como matéria-prima, energia elétrica, entre outros. 
Para Martins (1998), todos os sacrifícios havidos pela aquisição de bens 
ou serviços (gastos) que são estocados nos Ativos da empresa para baixa ou 
Capítulo 2
56 Contabilidade Básica II
amortização quando de sua venda, de seu consumo, de seu desaparecimento 
ou de sua desvalorizaçãosão especificamente chamados de investimentos. 
Posteriormente aos custos, a Demonstração do Resultado evidencia o 
lucro bruto que é resultante da equação: 
RECEITA LÍQUIDA - CUSTOS = LUCRO BRUTO
Após o lucro bruto, a Demonstração do Resultado apresenta as despesas 
operacionais, as quais são divididas em despesas administrativas, de vendas, 
outras despesas e outras receitas. 
Para Iudícibus, Martins e Gelbcke (2007), as despesas operacionais 
constituem-se das despesas pagas ou incorridas para vender produtos e 
administrar a empresa. Isto significa que representam as despesas necessárias 
para manter as atividades da empresa. Ou seja, qualquer empresa, 
independente do seu ramo de atividade, terá na Demonstração do Resultado 
alguma despesa operacional.
Segundo Iudícibus, Martins e Gelbcke (2007), as despesas de vendas 
representam os gastos de promoção, colocação e distribuição dos produtos da 
empresa, bem como os riscos assumidos pela venda. 
Logo, as despesas são necessárias para sustentar e proporcionar maior 
volume de vendas. São alguns exemplos de despesas com vendas: comissões 
sobre vendas, propaganda, publicidade, garantia de produtos, entre outras. 
Outra despesa operacional é a administrativa, fundamental para o 
andamento da empresa. Segundo Iudícibus, Martins e Gelbcke (2007), essas 
despesas representam os gastos, pagos ou incorridos, para direção ou gestão 
da empresa e constituem-se de várias atividades gerais que beneficiam todas 
as fases do negócio ou objeto social. São exemplos de despesas administrativas: 
honorários da administração, salários, material de escritório, entre outras. 
Juntamente com as despesas operacionais é evidenciado o resultado 
financeiro, composto por receitas e despesas financeiras. 
Capítulo 2
57 Contabilidade Básica II
A figura a seguir é uma representação gráfica do que estou falando 
neste capítulo. Administrar uma empresa é interligar vários pontos a fim de 
obter lucro!
Figura 3 – A empresa é feita de receitas, despesas e investimentos 
Fonte: Autor ND <www.shutterstock.com>
Quanto às despesas financeiras, destacam-se: juros passivos, descontos 
concedidos, entre outras. As receitas financeiras consideram os ganhos que 
não podem ser reconhecidos na receita bruta da instituição. Entre as principais 
receitas financeiras destacam-se: juros recebidos, descontos obtidos, entre 
outras. Ainda podem evidenciar os juros passivos quando se paga um valor 
maior do que o devido. 
Observe, caro aluno, que isso ocorre, por exemplo, em empréstimos, em 
decorrência do prazo contratado, ou com fornecedores quando a entidade 
paga o valor em atraso, entre outras situações prováveis. 
Os juros ativos, por sua vez, são apurados quando a empresa recebe um 
valor maior do que o principal. Vamos a um exemplo? Quando um cliente 
paga em atraso, a empresa pode cobrar juros. Isto quer dizer que a empresa 
vai receber mais do que o previsto.
Já os descontos têm praticamente a mesma natureza, ou seja, são 
despesas ou receitas financeiras pela cobrança de um direito ou pagamento 
de uma obrigação. 
Capítulo 2
58 Contabilidade Básica II
Ainda tratando-se de receita e despesas financeiras, podemos citar os 
descontos obtidos quando a empresa paga uma dívida menor em decorrência, 
por exemplo, da quitação antes do prazo do vencimento. Por exemplo: se 
a empresa Silva & Silva Materiais de Construção compra uma tonelada de 
cimento para o seu estoque, consegue vender e paga a dívida antes do prazo, 
ela pode ter um desconto do fornecedor. Logo, o desconto vai para o caixa 
da empresa. Mas se ocorre o contrário – a empresa não consegue cumprir seu 
compromisso com o fornecedor – certamente ela terá que desembolsar um 
valor maior por conta dos juros decorrentes do atraso no pagamento.
Desta forma, o resultado financeiro pode ser tanto positivo quanto 
negativo. Será negativo quando as despesas financeiras forem superiores às 
receitas financeiras. Positivo quando ocorrer o inverso, ou seja, as receitas 
forem superiores às despesas. 
Após as despesas operacionais, é calculado o lucro operacional que é o 
resultado da equação:
LUCRO BRUTO - DESPESAS OPERACIONAIS +/- 
RESULTADO FINANCEIRO = LUCRO OPERACIONAL
Posteriormente ao lucro bruto apresentam-se as despesas e as receitas 
não operacionais que, segundo Iudícibus, Martins e Gelbcke (2007), são 
consideradas gastos, bem como receitas operacionais, atividades acessórias 
do objeto da empresa.
São alguns exemplos de outras receitas não operacionais: venda de 
ativo imobilizado e ganhos com investimentos. As despesas não operacionais 
podem ocorrer pela baixa ou venda de um ativo imobilizado e perdas do 
investimento, entre outras.
Nas últimas linhas da Demonstração do Resultado, apresentam-se as 
provisões para imposto de renda e contribuição social, como segue:
LUCRO OPERACIONAL - IRPJ - CSLL
Capítulo 2
59 Contabilidade Básica II
Esses tributos são calculados diretamente sobre o lucro da empresa ou 
por estimativa de suas vendas brutas, dependendo de sua forma de tributação. 
Mas como é calculado o imposto já que a empresa trabalha com estimativas 
de resultados? A grande maioria das empresas opta pelo sistema do lucro 
real. Isto quer dizer que terão que pagar imposto de renda e contribuição 
social apenas se obtiveram lucro ao final do exercício (anual ou trimestral). As 
instituições que escolhem a tributação pelo lucro presumido terão os impostos 
calculados trimestralmente, independente do lucro no exercício, uma vez que 
as bases de cálculo desses dois tributos são as vendas brutas. 
Mas atenção! As empresas optantes pelo Simples Nacional não terão ao 
final da Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) as linhas que cabem 
ao imposto de renda e contribuição social, uma vez que essa empresa, em 
vez de apurar os oito tributos abrangidos pelo regime unificado (IRPJ, IPI, 
CSLL, COFINS, PIS/PASEP, Contribuição Previdenciária Patronal, ICMS e ISS) 
separadamente, apura os valores devidos em um único aplicativo de cálculo, 
que gera uma única guia de pagamento, denominada DAS (Documento de 
Arrecadação Simplificado) e sua provisão é comprovada no grupo deduções 
da receita bruta na Demonstração do Resultado do Exercício. 
Contudo, ao final, a Demonstração do Resultado do Exercício evidencia 
o resultado econômico da entidade, ou seja, o lucro líquido ou prejuízo, 
como segue:
LUCRO OPERACIONAL - IRPJ - CSLL = LUCRO LÍQUIDO
O art 178 da Lei 11.638/07 determina que o lucro deve ser totalmente 
destinado para capitalização ou distribuição, não podendo permanecer na 
conta lucros acumulados. Mas fique atento porque o artigo também prevê 
que poderá existir a conta prejuízos acumulados. 
Você teve uma prévia sobre prejuízo, item que faz parte da DRE. Agora 
você vai saber sobre o lucro, seus conceitos e destino.
Segundo Marion (2008), o lucro líquido é a sobra à disposição dos 
proprietários (sócios ou acionistas). A figura a seguir mostra que o lucro deve ser 
Capítulo 2
60 Contabilidade Básica II
distribuído entre os acionistas da empresa, 
embora isso nem sempre aconteça.
Você já sabe que o lucro de uma 
empresa é apurado na Demonstração 
do Resultado do Exercício. Este número 
(se o resultado for positivo) deve ser 
destinado ao grupo do Patrimônio 
Líquido ou distribuído, parcialmente ou 
não, conforme a disponibilidade de caixa 
da empresa. 
Mas o fato de aparecer no item lucro 
na DRE não quer dizer que ele vá para o 
bolso do dono. Há dados que precisam ser 
considerados antes de destinar este valor. 
Ressalto que não se deve distribuir lucro 
se a empresa não tiver dinheiro em caixa. 
Destaco ainda que, com o adventodas novas práticas contábeis, o lucro não 
mais poderá ser deixado na conta Lucros Acumulados. Deverá ser destinado ao 
item reservas ou aos sócios.
Você deve estar se perguntando: e quando o resultado for negativo? Bem, 
daí poderá ser compensado com possíveis reservas no Patrimônio Líquido, as 
quais são constituídas para esse fim, compensado com a própria conta capital 
social ou permanecer na conta prejuízos acumulados. 
Contudo, a Demonstração de Resultado do Exercício representa a situação 
econômica da empresa, ou seja, as receitas, despesas, lucro ou prejuízo. Tanto 
as receitas quanto as despesas devem ser apresentadas de forma sintética, 
porque existem outras contas analíticas que detalham a sua composição. 
É importante ficar atento porque a Demonstração do Resultado 
do Exercício acontece de forma dedutiva, seguindo uma ordem para o 
reconhecimento das contas, começando pelas vendas brutas até a apuração 
do resultado final do exercício. A figura a seguir é a representação gráfica da 
operação. Perceba que para fazer uma DRE é preciso isolar receitas e despesas 
para então proceder à demonstração.
Figura 4 – O lucro pode ser distribuído entre os 
acionistas ou reinvestido na empresa
Fonte: Yuralaits Albert <www.shutterstock.com>
Capítulo 2
61 Contabilidade Básica II
Figura 5 – A DRE segue uma ordem para reconhecimento das contas
Fonte: naipung <www.shutterstock.com>
Caro aluno, a Demonstração do Resultado do Exercício é um resumo 
ordenado das receitas e despesas da entidade em determinado período. Sua 
apresentação é de forma dedutiva e na vertical, ou seja, das receitas subtraem-
se os custos e as despesas. O resultado deste cálculo indica a performance do 
exercício (lucro ou prejuízo).
Diante do que foi apresentado até agora, você somou seus 
conhecimentos sobre a diferença entre o Balanço Patrimonial, estudado no 
capítulo 1, e a Demonstração do Resultado do Exercício, trabalhada neste 
capítulo. Vamos relembrar? 
LEMBRETE
O Balanço patrimonial trata do patrimônio (bens, 
direitos e obrigações) das entidades e a DRE 
evidencia o resultado (lucro ou prejuízo) com 
as atividades operacionalizadas pela empresa 
(receitas, custos e despesas). 
Daqui para a frente você terá a oportunidade de estudar, de forma 
mais aprofundada, a apuração e as contas de resultado, ou seja, receitas, custos 
e despesas.
Capítulo 2
62 Contabilidade Básica II
2.2.3 Receitas
As receitas representam as entradas de recursos para o Ativo, decorrente 
das vendas de produtos, mercadorias e serviços e são classificadas como receitas 
operacionais e receitas não operacionais. Vamos ver a diferença entre as duas?
 • As receitas operacionais possuem relação com a atividade fim da 
empresa, como por exemplo, a venda de mercadoria;
 • as receitas não operacionais são originadas na atividade fim da 
empresa, como por exemplo: juros recebidos, ganho na venda de 
imobilizado, entre outros.
CONCEITO
De acordo com Sprouse e Moonitz (apud 
IUDÍCIBUS, 2009, p. 149), a “receita de uma 
empresa durante determinado período de 
tempo representa uma mensuração do valor de 
troca dos produtos (bens ou serviços) durante 
aquele período”.
Para Iudícibus (2009), esta definição é uma das melhores, pois caracteriza 
o que é a receita, essencialmente, e dá margem a uma gama de formas pelas 
quais pode ser reconhecida, com destaque para o fato de que o mercado 
deverá validar o esforço desenvolvido pela empresa, atribuindo um valor de 
troca à produção de bens e serviços.
Destaco que as receitas não operacionais são derivadas de uma atividade 
não operacional da entidade, mas que resulta no aumento do Patrimônio 
Líquido, ou seja, um ganho não operacional, como por exemplo, a venda de 
ativos, juros recebidos de clientes, ganhos com investimentos, entre outros. 
Segundo Iudícibus (2009), um ganho representa um resultado líquido 
favorável resultante de transações ou eventos não relacionados às operações 
normais do empreendimento.
Capítulo 2
63 Contabilidade Básica II
Ressalto que as vendas aumentam o Ativo (Balanço Patrimonial). As 
realizadas à vista elevam o Ativo por meio da Conta caixa. A comercialização a 
prazo aumenta o Ativo por meio da conta Duplicatas a receber.
Contudo, as receitas, operacionais ou não operacionais, são benefícios 
econômicos gerados com o patrimônio registrado no Balanço Patrimonial. As 
receitas vêm das atividades da empresa as quais são oferecidas no mercado, 
independente da sua forma de recebimento.
Quando a venda for realizada à vista, irá gerar uma entrada no caixa da 
empresa, e quando a prazo, gera um saldo no item contas a receber. Ambas as 
contas pertencem ao grupo do Ativo do Balanço Patrimonial.
Portanto, o detalhamento das receitas da empresa é fundamental para 
uma análise futura das vendas por produto e, até mesmo, a carga tributária e 
o custo agregado às suas vendas.
2.2.4 Custos dos produtos vendidos e dos serviços prestados
Os custos representam os gastos empenhados na realização da venda. 
Possivelmente, a grande dificuldade está na separação entre os recursos 
aplicados como custo e despesa. 
Para tanto, saiba que os custos possuem relação direta e visível com o 
produto ou o serviço que está sendo comercializado. Por exemplo: matéria-
prima, energia consumida na produção, seguro da fábrica, mercadoria para 
revenda, mão de obra da produção, entre outros.
Segundo Bruni (2007), custos estão diretamente relacionados ao processo 
de produção de bens ou serviços. 
A situação é diferente na denominação das despesas, que não possuem 
relação direta com o produto ou serviço, mas a entidade precisa dela. Por 
exemplo: mão de obra administrativa, energia consumida pela administração, 
seguro imóvel da administração, entre outros.
Importante salientar que os custos são apurados conforme o controle 
de estoque de cada entidade, devendo seguir um sistema de inventário. Este 
sistema é classificado de três formas:
Capítulo 2
64 Contabilidade Básica II
• pEps – primeiro que entra é o primeiro que sai; 
• UEps – último que entra é o primeiro que sai; 
• Custo médio – média ponderada móvel.
A sigla pEps significa primeiro que entra, primeiro que sai, também 
conhecida por FIFO, iniciais da frase inglesa first in, first out. Adotando este 
critério, a empresa atribuirá às mercadorias estocadas os custos mais recentes 
de aquisição. Assim, os estoques sempre estarão superavaliados, isto é, 
valorados pelo custo em relação às compras efetuadas. 
Quadro 1 – Modelo de controle de estoque pelo PEPS
FiCHa DE ControlE DE EstoQUE mÉtoDo pEps 
mercadoria: peças
Data DCto. EntraDas saÍDas salDos
ope-
ração
nF Qtde.
pço.
Unit
pço. 
total
Qtde.
pço.
Unit.
pco. 
total
saldo Qtde.
pço.
Unit.
pço.
total
05.fev 234 100,00 10,00 1.000,00 100,00 10,00 1.000,00
Saldo 100,00 1.000,00
07.fev 239 100,00 11,00 1.100,00 - - -
100,00 10,00 1.000,00
100,00 11,00 1.100,00
Saldo 200,00 2.100,00
09.fev 1 50,00 10,00 500,00
50,00 10,00 500,00
100,00 11,00 1.100,00
Saldo 150,00 1.600,00
12.fev 2 50,00 10,00 500,00
12.fev 2 10,00 11,00 110,00
90,00 11,00 990,00
Saldo 90,00 990,00
15.fev 298 100,00 20,00 2.000,00 - - -
90,00 11,00 990,00
100,00 20,00 2.000,00
Saldo 190,00 2.990,00
20.fev 4 70,00 11,00 770,00
20,00 11,00 220,00
100,00 20,00 2.000,00
Saldo 120,00 2.220,00
TOTAL 300,00 4.100,00 180,00 1.880,00 120,00 2.220,00
Compras CMV Estoque Final
Fonte: Voges (2011)
Capítulo 2
65 Contabilidade Básica II
O UEps (último que entra é o primeiro que sai) também conhecido como 
LIFO (last-in first-out) é um método de avaliar estoque bastante discutido. O 
custo do estoqueé obtido como se as unidades mais recentes adicionadas ao 
estoque (últimas a entrar) fossem as primeiras unidades vendidas (saídas – 
primeiro a sair). 
Pressupõe-se, deste modo, que o estoque final consiste nas unidades 
mais antigas e é avaliado ao custo das mesmas. Segue-se que, de acordo com 
o método UEPS, o custo dos artigos vendidos (saídas) tende a se refletir no 
custo dos artigos comprados mais recentemente (comprados ou produzidos). 
Também permite reduzir os lucros líquidos expostos (FERREIRA, 2007, p. 35).
Esse método não é tão utilizado, pois dependendo do ramo de atuação a 
empresa poderá ter sérios prejuízos. Por exemplo: produtos hortifrutigranjeiros. 
Impossível priorizar a venda do que chegar por último.
Quadro 2 – Modelo de controle de estoque pelo UEPS
FiCHa DE ControlE DE EstoQUE mÉtoDo UEps 
mercadoria: peças
Data DCto. EntraDas saÍDas salDos
ope-
ração
nF Qtde.
pço.
Unit
pço. 
total
Qtde.
pço.
Unit.
pco. 
total
saldo Qtde.
pço.
Unit.
pço.
total
05.fev 234 100,00 10,00 1.000,00 100,00 10,00 1.000,00
Saldo 100,00 1.000,00
07.fev 239 100,00 11,00 1.100,00 - - -
100,00 10,00 1.000,00
100,00 11,00 1.100,00
Saldo 200,00 2.100,00
09.fev 1 50,00 11,00 550,00
100,00 10,00 1.100,00
50,00 11,00 550,00
Saldo 150,00 1.550,00
12.fev 2 50,00 11,00 550,00
12.fev 2 10,00 10,00 100,00
90,00 10,00 900,00
Saldo 90,00 900,00
15.fev 298 100,00 20,00 2.000,00 - - -
90,00 10,00 900,00
100,00 20,00 2.000,00
Saldo 190,00 2.900,00
20.fev 4 70,00 20,00 1.400,00
90,00 10,00 900,00
Capítulo 2
66 Contabilidade Básica II
30,00 20,00 600,00
Saldo 120,00 1.500,00
TOTAL 300,00 4.100,00 180,00 2.600,00 120,00 1.500,00
Compras CMV Estoque Final
Fonte: Voges (2011)
No custo médio, por sua vez, as mercadorias estocadas serão sempre 
valoradas pela média dos custos de aquisição, sendo estes atualizados a cada 
compra efetuada.
Quadro 3 – Modelo de controle de estoque pelo custo médio
FiCHa DE ControlE DE EstoQUE mÉtoDo CUsto mÉDio 
mercadoria: peças
Data DCto. EntraDas saÍDas salDos
ope-
ração
nF Qtde.
pço.
Unit
pço. 
total
Qtde.
pço.
Unit.
pco. 
total
saldo Qtde.
pço.
Unit.
pço.
total
05.fev 234 100,00 10,00 1.000,00
Saldo 100,00 10,00 1.000,00
07.fev 239 100,00 11,00 1.100,00 - - -
Saldo 200,00 10,50 2.100,00
09.fev 1 50,00 10,50 525,00
15.fev 2 60,00 10,50 630,00
Saldo 90,00 10,50 945,00
15.fev 298 100,00 20,00 2.000,00 - - -
Saldo 190,00 15,50 2.945,00
20.fev 4 70,00 15,50 1.085,00
Saldo 120,00 15,50 1.860,00
TOTAL 300,00 4.100,00 180,00 2.240,00 120,00 15,50 1.860,00
Compras CMV Estoque Final
Fonte: Voges (2011)
Perceba que nos quadros apresentados acima existe um controle sobre as 
entradas e saídas de mercadorias, apurando o real custo do produto adquirido 
e, posteriormente, vendido. Na coluna de saídas, aparece o custo apurado em 
cada mercadoria vendida e, também, o custo total das vendas.
Na apuração do Resultado do Exercício os custos representam elementos 
negativos, diminuindo o lucro e, por consequência, o Patrimônio Líquido.
Capítulo 2
67 Contabilidade Básica II
Os custos diminuem o Ativo (Balanço 
Patrimonial) quando são pagos por meio das 
contas caixa ou bancos. E aumentam o Passivo 
(Balanço Patrimonial) quando realizado por 
meio de compras a prazo.
SAIBA QUE
Contudo, quando a entidade tem a necessidade de conhecer o seu real 
ganho sobre as vendas, é feita a relação entre as vendas realizadas e os custos 
incorridos na operação. Destaco que o custo tem relação direta com os produtos 
e serviços comercializados, logo, se não existir venda não existe custo, pois o 
produto ficou no estoque, sendo considerado um Ativo da empresa.
2.2.5 Despesas
Agora vamos falar sobre as despesas, que são os gastos com a 
administração, não tendo qualquer relação com o produto ou serviço 
comercializado. São consideradas elementos negativos na apuração do 
resultado, mas necessárias ao processo.
Conforme Iudícibus, Martins e Gelbcke (2007), os gastos operacionais são 
as despesas pagas ou incorridas para vender produtos e administrar a empresa.
Estas despesas são necessárias para manter a instituição funcionando. 
Isso significa que, em qualquer entidade ativa, indiferente de sua atividade, 
se for comércio, indústria ou prestação de serviços, terá na Demonstração de 
Resultado alguma despesa operacional.
Os gastos aplicados na elaboração do produto são denominados custos. 
Mas quando o produto está pronto para ser comercializado os gastos passam a ser 
denominados como despesas. Fique atento para esta mudança de nomenclatura.
Afirmam Iudícibus, Martins e Gelbcke (2007) que as despesas de vendas 
representam os gastos de promoção, colocação e distribuição dos produtos 
da empresa, bem como os riscos assumidos pela venda. Estes gastos são 
Capítulo 2
68 Contabilidade Básica II
necessários para manter ou ampliar o volume de vendas dentro daquilo que é 
estabelecido pela empresa. Mas atenção! Eles não fazem parte da composição 
do produto e, por este motivo, são classificados como despesa e não custo. São 
alguns exemplos de despesas com vendas: 
 • salários; 
 • encargos do pessoal da área de vendas;
 • comissões sobre vendas;
 • propaganda e publicidade;
 • garantia de produtos, entre outros.
Cabe também citar que as despesas administrativas, como o próprio 
nome já diz, são aquelas necessárias para administrar a empresa. Segundo 
Iudícibus, Martins e Gelbcke (2007), elas representam os gastos, pagos ou 
incorridos, para direção ou gestão da empresa, envolvendo várias atividades 
gerais que beneficiam todas as fases do negócio ou objeto social. São alguns 
exemplos de despesas administrativas:
 • honorários da administração;
 • salários e encargos do pessoal da área administrativa;
 • despesas judiciais; 
 • material de escritório, entre outras.
Contudo, o confronto entre os elementos positivos (receitas) e os 
elementos negativos (custos e despesas) dão o Resultado do Exercício, podendo 
ser positivo (lucro), quando as receitas forem maiores do que os custos e 
despesas, ou negativo (prejuízo), quando as receitas forem menores do que os 
custos e despesas. Aqui é oportuno destacar que pode ocorrer também uma 
situação nula, onde as receitas são iguais a soma dos custos e despesas.
Ainda, diante dos conceitos sobre as contas de resultados expostos até o 
momento, proponho o estudo sobre a técnica contábil de encerramento das 
contas de receitas, custos e despesas. Vamos em frente!
Encerramento das contas de resultado
Depois de efetuada toda a movimentação contábil, ou seja, compra, 
venda, recebimento, pagamento, entre outros, você deve fazer o encerramento 
das contas para, então, apurar o Resultado do Exercício.
Capítulo 2
69 Contabilidade Básica II
Deve-se então proceder da seguinte forma:
• apurar o saldo individual das contas;
• transferir o saldo das contas de receita para a conta Apuração 
do Resultado do Exercício, por meio do lançamento de débito na 
conta de receita e crédito na conta de Apuração do Resultado 
do Exercício;
• transferir o saldo das contas de custos/despesas para a conta 
Apuração do Resultado do Exercício, por meio do lançamento 
de débito na conta de Apuração do Resultado do Exercício e 
crédito nas contas de custos/despesas;
• calcular o saldo final da conta Apuração do Resultado do 
Exercício. No caso de saldo positivo (lucro) transferir para a conta 
de lucros com o lançamento de débito na conta de Apuração 
do Resultado do Exercício e crédito na conta de lucro. Caso o 
resultado seja negativo (prejuízo), fazer lançamento inverso.
A partir deste momento, as contas foram encerradas e o BalançoPatrimonial também já pode ser finalizado. Termino aqui o capítulo 2, onde 
apresentei os vários aspectos que envolvem a elaboração e a análise do Balanço 
Patrimonial. 
Até agora você conheceu a teoria. Então, vamos praticar?
2.3 Aplicando a teoria na prática
Para exercitar o que você conheceu neste capítulo, vamos analisar um 
caso que poderíamos intitular “O registro da compra e venda de mercadoria”. 
Vamos lá.
A Sra. Maria Clara observou que alguma coisa tinha de errado na 
administração de sua floricultura. Ao tentar entender o Balanço Patrimonial do 
último exercício, entregue por seu contador, percebeu que as algumas contas 
não estavam fechando. Decidiu então fazer uma consulta ao profissional, a 
fim de obter respostas para suas temidas dúvidas. Na conversa, Maria Clara 
questionou onde estaria o dinheiro do caixa tão elevado apresentado no 
balanço do último exercício, e por que o lucro apurado não fechava com o 
saldo de caixa. 
Capítulo 2
70 Contabilidade Básica II
Você saberia explicar o motivo à Sra. Maria Clara?
Caro aluno, perceba que a dificuldade encontrada foi causada pelo 
desconhecimento dos conceitos de Lucro Contábil e Lucro Financeiro.
O lucro Financeiro é o resultado apurado entre as entradas e saídas de 
dinheiro em caixa, resumindo no saldo final de caixa ou ainda, a aplicação 
do Regime de Caixa. Já o lucro Contábil evidencia o resultado de todas 
as operações realizadas, incluindo as contas a pagar e as contas a receber, 
adotando o Regime Competência. Por este motivo se dá a importância do 
contador frente ao seu cliente nas tomadas de decisões, conhecendo o negócio 
e corroborando com informações importantes para o empresário.
2.4 Para saber mais
título: Contabilidade comercial: atualizado conforme a Lei n° 
11.638/07 e Lei n° 11.941/09
Autores: IUDíCIBUS, S.; 
MARION, J. C. Editora: Atlas Ano: 2010 
Nesta obra os autores abordam de forma completa o tema as novas 
normas e práticas contábeis. Vale a pena a leitura e os estudos!
site: Portal da Contabilidade
URL: <http://www.portaldecontabilidade.com.br/>
Vários pontos abordados neste capítulo podem ser encontrados 
neste site. Aprofunde o conhecimento adquirido!
2.5 Relembrando
Neste capítulo, você aprendeu que:
 • são vários os elementos estruturais e conceituais da Demonstração do 
Resultado do Exercício (DRE);
 • existe uma técnica contábil para a apuração do Resultado do Exercício;
Capítulo 2
71 Contabilidade Básica II
 • são inúmeros os elementos necessários para a mensuração e o 
reconhecimento dos fatos administrativos diante da DRE;
 • há uma grande diferença entre o Lucro Financeiro (Regime de Caixa) 
e Lucro Contábil (Regime de Competência);
 • o Lucro Financeiro é o resultado apurado entre as entradas e saídas de 
dinheiro em caixa, resumindo no saldo final de caixa;
 • o Lucro Contábil evidencia o resultado de todas as operações 
realizadas, incluindo as contas a pagar e as contas a receber;
 • a contabilidade assume um papel importante na tomada de decisões 
devido a sua amplitude de controle e registros.
2.6 Testando os seus conhecimentos
Agora, por meio das atividades acadêmicas propostas a seguir, você irá 
colocar em prática o conteúdo estudado. 
Procure refletir sobre as questões e responder a partir de seu 
entendimento.
1) A seguir estão mencionadas as movimentações da empresa Gráfica Flores, 
organizada em 1º de agosto de 2010.
01/08/2010 – integralização de capital em dinheiro no valor de R$ 
70.000,00;
04/08/2010 – aquisição de uma sala comercial para sede da empresa no 
valor de 50.000,00 à vista;
05/08/2010 – recebimento de R$ 2.200,00 por realização de serviços;
11/08/2010 – pagamento de R$ 800,00 de aluguel de um caminhão;
15/08/2010 – compra de móveis e utensílios a prazo por R$ 2.000,00;
23/08/2010 – pagamento de R$ 200,00 de despesas com propaganda;
25/08/2010 – recebimento de R$ 3.520,00 por serviços prestados;
30/08/2010 – pagamento de R$ 2.000,00 de salários;
30/08/2010 – pagamento de R$1.900,00 de energia elétrica.
Capítulo 2
72 Contabilidade Básica II
Resolva a atividade seguindo a ordem:
a) lançar todas as operações nos razonetes;
b) apurar os saldos de todas as contas;
c) transferir para a conta de Apuração do Resultado do Exercício o saldo 
das contas de receitas, custos e despesas;
d) transportar o saldo da conta de Apuração do Resultado do Exercício 
para o Patrimônio Líquido;
e) elaborar o Balanço Patrimonial e a Demonstração do Resultado 
do Exercício.
Onde encontrar
BRUNI, A. L. Gestão de custos e formação de preços. São Paulo: Atlas, 2007.
BRASIL. lei nº 11.638 de 28 de dezembro de 2007. Altera e revoga 
dispositivos da Lei. 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e da Lei 6.385, de 7 
de dezembro de 1976, e estende às sociedades de grande porte disposições 
relativas à elaboração e divulgação de demonstrações financeiras. Disponível 
em:<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/lei/l11638.
htm>. Acesso em: 23 ago. 2011.
FERREIRA, J. A. Custos industriais: uma ênfase gerencial. São Paulo: Editora 
STS, 2007.
IUDÍCIBUS, S. teoria da contabilidade. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2009.
______; MARION, J.C. introdução à teoria da contabilidade. 3. ed. São Paulo: 
Atlas, 2002. 
______; MARTINS, E.; GELBCKE, E. R. manual de contabilidade das sociedades 
por ações. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2007. 
MARION, J. C. Contabilidade básica. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2008.
Capítulo 2
73 Contabilidade Básica II
______; SANTOS, M. C. O perfil do futuro profissional e sua responsabilidade 
social: os dois lados de uma profissão. Disponível em: <http://www. marion.
pro.br/portal/modules/wfsection/article.php?articleid=8>. Acesso em: 23 ago. 
2011.
Capítulo 2
74 Contabilidade Básica II
Capítulo 3
75 Contabilidade Básica II
DEmonstração DE lUCros oU 
prEjUÍZos aCUmUlaDos
CAPÍTULO 3
3.1 Contextualizando
Prezado aluno! Neste capítulo apresentarei a você as técnicas de 
elaboração da Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados, também 
conhecida pela sigla DLPA. Sua estrutura segue uma forma resumida que 
evidencia a distribuição do resultado ao final, ou Lucro Líquido, de cada 
exercício social. Diante do contexto apresentado pela DLPA, reportando 
apenas a análise da distribuição do resultado, este capítulo também abordará 
as novas normas práticas contábeis atribuídas a esta demonstração, objetivo 
de nossos estudos.
Portanto, você estudará o conteúdo e forma de elaboração, a Apresen-
tação, a origem das parcelas da Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados 
e sua substituição pela Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido.
Ao fim deste capítulo, você será capaz de: 
 • selecionar os elementos estruturais e conceituais da Demonstração de 
Lucros ou Prejuízos Acumulados;
 • identificar os elementos envolvidos na distribuição do Lucro Líquido 
do exercício social;
 • discernir os elementos necessários para mensuração e reconhecimento 
dos fatos administrativos diante da Demonstração de Lucros ou 
Prejuízos Acumulados.
Bom estudo!
Capítulo 3
76 Contabilidade Básica II
3.2 Conhecendo a teoria
Nos capítulos anteriores você estudou a estruturação do patrimônio 
das entidades até a elaboração do Balanço Patrimonial. Aprendeu também 
a metodologia de apuração do resultado do exercício e sua estruturação na 
Demonstração do Resultado do Exercício. Agora chegou a hora de estudar os 
conceitos e técnicas de distribuição do Lucro Líquido por meio da Demonstração 
de Lucro e Prejuízos Acumulados (DLPA). 
Como você pode observar, os capítulos seguem um roteiro criado para 
facilitar a compreensão dos conteúdos trabalhados. Mas sua participação e 
envolvimentosão fundamentais para o melhor aproveitamento da disciplina 
e consequente capacitação profissional. Então, vamos começar? 
O lucro gerado pela entidade pertence exclusivamente aos sócios 
e sua distribuição obedece algumas regras. Mas se a empresa não 
tiver disponibilidade financeira, o lucro não pode ser distribuído. 
O dinheiro – que supostamente seria o lucro – deve ser usado para 
custear as despesas.
Como você vê, temos um grande desafio pela frente. Enquanto o 
Balanço Patrimonial assume um papel importante no processo de tomada 
de decisão por evidenciar a situação financeira da entidade, ou seja, a 
sua disponibilidade financeira e de endividamento, a Demonstração do 
Resultado do Exercício (DRE) auxilia na análise da situação econômica da 
empresa, pois mostra a situação de ganho ou perda em suas atividades 
operacionais. Já a Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados 
(DLPA) apresenta a distribuição do resultado do exercício social, ou seja, 
de que forma será repartido o Lucro Líquido. De forma simplificada, 
podemos dizer que a DrE demonstra de que forma a empresa atingiu o 
resultado, enquanto a Dlpa evidencia de que forma este resultado foi 
distribuído.
De acordo com Ribeiro (2010), a Demonstração de Lucros ou Prejuízos 
Acumulados (DLPA) é um relatório contábil que mostra a destinação do Lucro 
Líquido apurado no final de cada exercício social.
Capítulo 3
77 Contabilidade Básica II
Entretanto, a Lei Federal n° 11.638, 28 de Dezembro de 2007, que 
conduz as Sociedades Anônimas por Ações e as demais sociedades, estabelece 
em seu Art. 178 a exclusão da conta Lucros ou Prejuízos Acumulados do 
grupo Patrimônio Líquido, porém, a Demonstração de Lucros ou Prejuízos 
Acumulados (DLPA) era utilizada para evidenciar as mutações ocorridas 
nessa extinta conta.
Sendo assim, todo o Lucro Líquido apurado, no final de cada exercício 
social, deve ser destinado à compensação de prejuízos anteriores, à distribuição 
de dividendos e à constituição de reservas.
Portanto, a Lei Federal n° 11.638, 28 de Dezembro de 2007 não alterou 
o Art. 186 que trata da Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados, 
logo a DLPA deve continuar sendo elaborada mesmo com a conta de Lucro 
Acumulados extinta.
3.2.1 Conteúdo e forma de elaboração
A Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA) deve ser 
estruturada observando-se o Art. 186 da Lei nº 6404/76 alterada pela Lei 
Federal n° 11.638, 28 de Dezembro de 2007, como segue: 
Art 186. A Demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados 
discriminará:
I - o saldo do início do período, os ajustes de exercícios anteriores e 
a correção monetária do saldo inicial;
II - as reversões de reservas e o Lucro Líquido;
III - as transferências para reservas, os dividendos, a parcela dos 
lucros incorporada ao capital e o saldo ao fim do período.
Perceba que o inciso I ainda trata da correção monetária das 
demonstrações financeira foi revogado, inclusive para fins societários, desde 
1º de Janeiro de 1996 pelo Art. 4º da Lei nº 9.429 de 1995.
O § 1º do Art 186, citado anteriormente, estabelece que os ajustes de exer-
cício anteriores sejam considerados aqueles decorrentes de efeitos da mudança 
de critério contábil, ou ainda a retificação de um erro imputável determinado no 
exercício anterior, e que não possa ser atribuído a fatos subsequentes.
Capítulo 3
78 Contabilidade Básica II
Mas atenção: os ajustes de exercícios anteriores devem ser realizados 
com muito critério sempre observando a legislação vigente e, principalmente, 
apresentados em Notas Explicativas no encerramento do exercício social.
Quanto à mudança de critério contábil que seja desaconselhada, pelo 
fato de ir contra a convenção contábil da consistência, toda a modificação que 
gerar um benefício à situação patrimonial da entidade, deverá ser realizada.
Podemos vislumbrar o que observa Iudícibus (2009, p. 64) quanto à 
convenção contábil da consistência:
Caracteriza-se com um conceito de que, desde que tenhamos 
adotado certo critério, entre vários outros que poderiam ser válidos 
à luz dos princípios contábeis, não deveria ele ser alterados nos 
relatórios periódicos, a não ser que absolutamente necessário desde 
que a alteração de critério e os efeitos que possa ter acarretado na 
interpretação por parte dos usuários das tendências e dos resultados 
da empresa sejam evidenciados.
Além de tudo, tais mudanças de critérios contábeis não podem acontecer 
a todo instante, ou seja, em todo exercício social, salienta Iudícibus (2009, p. 
64) quando trata que 
consistência não significa uniformidade nos procedimentos 
contábeis de uma empresa para outra, mas é entendida no sentido 
de que certa empresa utilizou critérios consistentes [...], a fim 
de que a comparabilidade seja assegurada, pelo menos dos dois 
últimos exercícios.
Partindo disso, para esclarecer melhor o assunto, podemos citar como 
exemplo de mudança de critério contábil a alteração do método de avaliação 
de estoque de PEPS (Primeiro que Entra é o Primeiro que Sai) para UEPS (Último 
que Entra é o Primeiro que Sai), ou ainda, alteração do método de cálculo 
da depreciação convencional para a depreciação acelerada, modificação no 
método de avaliação dos investimentos, entre outras.
Ainda tratando do § 1º do Art 186, da Lei nº 6404/76, alterada pela Lei 
Federal n° 11.638, 28 de Dezembro de 2007, a retificação de um erro imputável 
diz respeito apenas aos erros de exercícios anteriores, os quais não podem ser 
atribuídos no exercício atual.
Capítulo 3
79 Contabilidade Básica II
Segundo Ribeiro (2010, p. 93), “os erros de 
escrituração que normalmente ocorrem, sujei-
tando-se a ajustes dessa natureza referem-se a 
erros de cálculo, omissão de lançamentos, erros 
de avaliação de estoque etc.”. As correções e 
ajustes devem fazer parte das Notas Explicativas 
do exercício em que foram constatados.
SAIBA QUE
Os erros de exercícios anteriores identificados e devidamente corrigidos 
devem fazer parte das demonstrações contábeis do exercício em que foram 
constatados, não afetando as demonstrações dos exercícios anteriores, já 
encerradas e publicadas.
Após a realização de todos os ajustes de exercícios anteriores necessários 
apura-se, então, o Lucro Líquido.
Normalmente, apenas uma parte do Lucro Líquido é distribuída aos sócios, 
em forma de dividendos. Já a outra parte é retida pela empresa sendo reinves-
tida no próprio negócio. Então, a destinação do Lucro Líquido é evidenciada 
por meio da Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA).
Logo, a parte do Lucro Líquido retida pela empresa, ou seja, não 
distribuída aos sócios, pode ser utilizada para aumentar o Capital ou ainda a 
constituição de Reservas. Porém, a parte do Lucro Líquido não distribuído aos 
sócios e não empregada no aumento de Capital e na constituição das Reservas 
deve ser alocado na conta de Lucros Acumulados. 
A conta de Lucros ou Prejuízos Acumulados é uma conta do grupo 
Patrimônio Líquido (PL) que suporta o somatório de todos os resultados obtidos 
no decorrer dos exercícios. Quando a empresa obtém um resultado positivo 
(lucro) a conta de Lucros ou Prejuízos Acumulados é creditada com o aumento 
dos lucros. Já na ocorrência de um resultado negativo (prejuízo) a conta de 
Lucros ou Prejuízos Acumulados será debitada reduzindo-se os lucros.
Cabe destacar ainda que o grupo do Patrimônio Líquido (PL) comporta os 
investimentos dos sócios mais o retorno apurado por este. Segundo Iudícibus 
Capítulo 3
80 Contabilidade Básica II
(2010, p. 221), “o PL representa os investimentos dos proprietários (capital) 
mais o lucro acumulado [...]”.
Portanto, esta prática de acumulação dos lucros e prejuízos não é maispossível para as Sociedades Anônimas, conforme a Lei Federal n° 11.638, 28 de 
Dezembro de 2007, pois ela exige que o saldo desta conta seja zerado em cada 
exercício social, isto é, o lucro deve ser distribuído no mesmo exercício social 
em que foi gerado. 
Contudo, embora a Lei Federal n° 11.638, 28 de Dezembro de 2007 tenha 
excluído a conta de Lucros Acumulados para as Sociedades Anônimas, mesmo 
assim a Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados deve ser elaborada 
para que se mantenha a transparência da canalização do Lucro Líquido.
Perceba, na representação gráfica a seguir, a metodologia aplicada para 
a canalização do Lucro Líquido diante das Demonstrações Contábeis:
Quadro 1 – Canalização do Lucro Líquido diante das demonstrações contábeis
BAlAnço PAtrimoniAl 
Ativo PAssivo
31/12/x0 31/12/x1
patrimônio líquido
 
lucros acumulados 200,00 500,00
DEmonstração Do rEsUltaDo Do ExErCÍCio – DrE – 20x1
receita
 (-) Custos
 = Lucro Bruto
 (-) Despesas
 Lucro Líquido
 
700,00
Dlpa
saldo em 31/12/x0
 (+) Lucro Líquido
 = Lucro Disponível
 (-) Dividendos
saldo em 31/12/x1
200,00
700,00
900,00
(400,00)
500,00
Fonte: Iudícibus (2010, p. 239)
Capítulo 3
81 Contabilidade Básica II
Caso a empresa apresente prejuízo, este deve ser acrescentado à conta 
de Prejuízo Acumulados e também evidenciado na Demonstração de Lucros 
ou Prejuízos Acumulados (DLPA).
Prezado aluno, no tópico a seguir será detalhada a estrutura da 
Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados a fim de facilitar o 
entendimento sobre esse assunto.
3.2.2 Forma de apresentação
O Art 186, da Lei nº 6404/76, alterado pela Lei Federal n° 11.638, 28 
de Dezembro de 2007, dispõe sobre a forma como deve ser apresentada a 
Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados, considerando que, para as 
Sociedades Anônimas, o saldo da conta de lucros acumulados deve ser zerado.
Diante disto, alguns autores defendem a substituição da Demonstração 
de Lucros ou Prejuízo Acumulados (DLPA) pela Demonstração das Mutações do 
Patrimônio Líquido (DMPL), que será estudada nos capítulos seguintes devido 
a sua ampliação da análise por todo o grupo de Patrimônio do Líquido, e não 
apenas na conta de Lucros ou Prejuízos Acumulados.
A Demonstração de lucros ou prejuízo 
acumulados (Dlpa) evidencia especificamente 
a conta de Lucros ou Prejuízos Acumulados. A 
Demonstração das mutações do patrimônio 
líquido (Dmpl) apresenta a movimentação de 
todo o grupo de Patrimônio Líquido. 
SAIBA QUE
Afirma Marion (2009) que devido à riqueza de informações, o ideal 
seria a substituição da Demonstração de Lucros ou Prejuízo Acumulados pela 
Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquidos.
O mesmo também também assegura Iudícibus (2010) ao defender que 
a Demonstração de Lucros ou Prejuízo Acumulados pode ser substituída pela 
Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido.
Capítulo 3
82 Contabilidade Básica II
Contudo, mesmo diante das afirmações acima, é necessário destacar 
que a Lei Federal n° 11.638, 28, de dezembro de 2007, não extinguiu a 
Demonstração de Lucros ou Prejuízo Acumulados.
Para a elaboração da Demonstração de Lucros ou Prejuízo Acumulados 
é preciso que seja feita a coleta de dados diretamente do Livro Razão das 
contas envolvidas. 
Para tanto, no quadro a seguir apresento a estrutura da Demonstração 
de Lucros ou Prejuízo Acumulados, conforme Iudícibus (2010).
Quadro 2 – Estrutura da Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA)
DEmonstração Dos lUCros E prEjUÍZos aCUmUlaDos (Dlpa)
saldo de lucros acumulados no início do exercício (31/12/x0)
 (+/-) Ajustes de Exercícios Anteriores
 (+) Reversão de Reservas
 (+) Lucro Líquido do Exercício
 Lucro Total Disponível
 (-) Transferência para a Reserva de Lucros
 a) Reserva Legal
 a) Reserva Estatuária
 a) Reserva para Contingências
 a) Retenção de Lucros (reserva orçamentária) 
 a) Reserva de Lucros a Realizar
 (-) Dividendos
saldo de lucros acumulados no final do exercício (31/12/x1)
Fonte: Iudícibus (2010, p. 240)
Como você pode observar, a Demonstração de Lucros ou Prejuízos 
Acumulados (DLPA) também é apresentada de forma dedutiva e vertical, assim 
como a Demonstração do Resultado do Exercício.
Sua constituição parte do saldo inicial da conta de Lucros Acumulados 
passando por todas as possibilidades de destinação do Lucro Líquido apurando, 
ao final, o saldo de Lucros acumulados do Exercício Social.
Então, prezado aluno, para que você compreenda o tema que estamos 
trabalhando, vou esmiuçar cada conta envolvida com a destinação do Lucro 
Líquido do Exercício Social. Esse detalhamento será apresentado no tópico a 
seguir. Preste atenção!
Capítulo 3
83 Contabilidade Básica II
 3.2.3 Origem das parcelas
Certas parcelas são deduzidas do Lucro Líquido e destinadas a certos fins 
específicos, denominadas contabilmente de Reservas e Dividendos. 
As reservas têm um papel importantíssimo nas Sociedades Anônimas e são 
a garantia aos acionistas de que o Lucro Líquido será destinado corretamente, 
pois são previstas no Estatuto Social da companhia.
Diante do Lucro Líquido apurado, a administração da companhia 
apresentará aos seus acionistas, em Assembleia Geral, o destino do Lucro 
Líquido do Exercício Social.
Segundo Iudícibus (2010, p. 241), “os órgão administrativos, na proposta 
sobre a destinação do lucro apresentada da DLPA, constituem reservas e 
provisão de dividendos, baseando-se nos estatutos das empresas e na Lei das 
Sociedades por Ações”.
Figura 1 – Destinação do Lucro Líquido
Compensação 
de Prejuízos 
Anteriores
Capitalização Distribuição de 
Dividendos
Formação de 
Reserva de 
Lucros
Lucro Líquido do 
Exercício
Fonte: Neves (2007, p. 128)
Portanto, Neves (2007, p. 128) define Reservas de Lucros como “[..] 
as contas constituídas pela apropriação de lucros da companhia”. Ainda 
detalha que estas “[...] representam lucros reservados e constituem garantia e 
segurança adicional para a saúde financeira da companhia [...]”.
A constituição das reservas altera os saldos apenas na composição das 
contas do Patrimônio Líquido, não modificando o seu valor total.
Capítulo 3
84 Contabilidade Básica II
A contabilização das reservas acontece da seguinte forma:
Débito: Lucros Acumulados (PL)
Crédito: Reserva de Lucro (PL)
Entretanto, destaco que são tipos de reservas de lucros conforme a Lei nº 
6.404/76 alterada pela Lei Federal n° 11.638, 28 de dezembro de 2007, os itens 
a seguir. Vamos conhecê-los?
Reserva Legal (Art. 193)
A Reserva Legal tem por finalidade assegurar a integridade do Capital 
Social, devendo ser utilizada apenas para compensar prejuízos ou aumentar 
o capital.
Sua base cálculo conforme Iudícibus (2010, p. 241), “do Lucro Líquido do 
exercício, 5% (cinco por cento) serão aplicados, antes de qualquer destinação 
na constituição da Reserva Legal, que não excederá a 20% (vinte por cento) 
do Capital Social”.
Segundo Neves (2007, p. 139), esta reserva não precisará ser constituída 
quando: 
1º limite (obrigatório): o seu saldo atingir a 20% do valor de 
Capital Social. A Reserva Legal não poderá exceder este limite, cuja 
observância, pela companhia, é obrigatória;
2º limite (facultativo): o seu saldo, antes da constituição referente 
ao exercício em curso, somado ao montante das reservas de capital, 
atingir 30% do Capital Social. A companhia poderá deixar de 
constituir a reserva caso este limite seja atingido, cuja observância 
é, pois facultativa.
Neste momento, faz-se necessária a explicação da existência de Reservas 
de Capital, constituídas a partir de capital de terceiros e não de lucros. 
Neves (2007), cita como exemplo a seguir deconstituição de Reserva de 
Lucro:
Capítulo 3
85 Contabilidade Básica II
Quadro 3 – Exemplo de composição do Patrimònio Líquido
COMPOSIÇÃO DO PATRIMòNIO LÍQUIDO
patrimônio líquido – saldo em 31/12/20x2)
Capital Social
Outras Reservas de Capital
Reserva Legal
Outras Reservas de Lucros
 60.000,00
 10.200,00
 8.000,00
 6.000,00
Fonte: Neves (2007)
Seguindo as orientações contidas no art. 193 da Lei nº 6404/76 alterada 
pela Lei Federal n° 11.638, 28 de Dezembro de 2007, denota-se que a companhia 
com um Capital Social de R$ 60.000,00 terá um valor máximo de reserva de R$ 
2.500,00 ( 60.000 x 5%).
Então, para a constituição do 1º limite obrigatório, temos:
20% de 60.000,00 = 12.000,00
Saldo da reserva de 8.000,00 (+) 2.500,00 = 10.500,00 (limite não atingido)
Já para o cálculo 2º limite facultativo, temos:
30% de 60.000,00 = 18.000,00
 Saldo da reserva de 8.000,00 (+) outras reservas 10.200,00 = 18.200,00 
(limite atingido)
Para facilitar o entendimento, Neves (2007) traz um diagrama de 
sugestão do ex-aluno e AFRF Augusto Roos:
Capítulo 3
86 Contabilidade Básica II
Quadro 4 – Resumo do diagrama de possibilidades
DiaGrama DE possiBiliDaDEs
se A somA reservA legAl
1a
 p
o
ss
ib
ili
d
ad
e Não atinge o 
1º limite
Não atinge o 
2º limite
Constituição obrigatória pelo máximo 
(5% do Lucro Líquido do exercício)
Não atinge o 
1º limite
Atinge o 2º 
limite
Constituição opcional e, caso 
efetuada, pelo máximo (5% do Lucro 
Líquido do exercício)
2a
 p
o
ss
ib
ili
d
ad
e Não atinge o 
1º limite
Atinge o 2º 
limite
Constituição opcional; se feita, pelo 
valor máximo do 1º limite (= teto = 
20% do Capital Social)
Atinge o 1º 
limite (teto)
Não atinge o 
2º limite
Constituição obrigatória até o teto 
(20% do Capital Social)
Fonte: Neves (2007, p. 131)
Com os dados apresentados anteriormente, você pode concluir que, 
neste caso, a companhia não está obrigada a constituir Reserva Legal, mas se 
resolver constituí-la, deverá utilizar o valor máximo da reserva de 2.500,00.
A contabilização seria da seguinte forma:
Débito: Lucros Acumulados (PL)
Crédito: Reserva Legal .................................... 2.500,00
Sendo assim, pode-se concluir que para verificar se a Reserva Legal deve 
ser constituída e qual o valor, basta realizar a seguinte análise:
 • cálculo do percentual máximo fixado por lei (5% do Lucro Líquido 
do exercício);
 • com o resultado do 5% soma-se com as reservas já constituídas 
em exercícios anteriores e, então, compara-se com o valor máximo 
permitido por lei no que diz respeito ao teto de 20%, correspondente 
ao Capital Social.
Capítulo 3
87 Contabilidade Básica II
Portanto, prezado aluno, dentre as reservas de lucros, a Reserva Legal 
é a mais polêmica por necessitar de muitos detalhes para a sua constituição. 
Aproveito então para convidá-lo a estudar as demais Reservas de Lucro. 
Reservas Estatutárias (art. 194)
As Reservas Estatutárias devem ser previstas no Estatuto da companhia 
de modo claro, completo e preciso, fixando seus critérios e estabelecendo 
seus limites.
Segundo o art. 194 da Lei das Sociedades por Ações, o Estatuto 
poderá crias reservas desde que indique, para cada uma, de modo preciso 
e completo, a sua finalidade fixe os critérios para determinar parcela anual 
dos Lucros Líquidos que serão destinados à sua constituição e estabeleça o 
limite máximo de Reservas.
Conforme Neves (2007), os tipos de reservas estatutárias são: reserva 
para aumento de capital, reserva para resgate de debêntures, reserva para 
resgate de partes beneficiárias e reserva de amortização de ações.
Segundo Iudícibus (2010, p. 221), as reservas estatutárias são “as reservas 
estabelecidas pelo Estatuto da empresa, destinadas a fins específicos, tais 
como reserva para renovação de equipamentos, reserva para pesquisa de 
novos produtos etc.”
Pressupondo-se que no Estatuto de determinada Companhia conste que 
10% do Lucro Líquido do exercício será para renovação de equipamentos, 
diante de um Lucro Líquido de 3.000.000,00, terá a previsão de 300.000,00 
para reserva estatutária.
Segue o exemplo de contabilização: 
Débito: Lucros Acumulados (PL)
Crédito: Reserva Estatuária ........................ 300.000,00
Capítulo 3
88 Contabilidade Básica II
Reserva para Contingência (art. 195)
Segundo o art. 195 da Lei das Sociedades por Ações, a Reserva para 
Contingência é parte do Lucro Líquido destinada à formação de reserva 
com a finalidade de compensar, em exercício futuro, a diminuição do lucro 
decorrente de perda julgada provável, cujo valor possa ser estimado.
A constituição de Reserva de Contingência é opcional, mas se for 
realizada, a Lei das Sociedades por Ações afirma que a proposta dos órgãos 
da administração deverá indicar a causa da perda prevista e justificar, com as 
razões de prudência que a recomendem, a constituição de referida reserva.
A situação de contingência é definida por Neves (2007, p. 135) 
como a “situação ou condição que pode surgir para a companhia, na qual 
há possibilidade de ocorrência de despesas ou perdas, cuja certeza de 
acontecimento é futura e discutível”.
Neste caso podemos citar, como exemplo de situação de contingência, 
perdas futuras pela expectativa de queda nos preços de venda, previsão de 
lançamento de produtos pelos concorrentes, entre outras.
Pressupondo-se que no Estatuto de determinada companhia conste que 
8,5% do Lucro Líquido do exercício será destinado à Reserva de Contingência, 
diante de um Lucro Líquido de R$ 3.000.000,00 terá a previsão de 255.000,00 
para Reserva de Contingência.
Débito: Lucros Acumulados (PL)
Crédito: Reserva de Contingência .............. 255.000,00
Logo, a reversão da referida reserva deve ser contabilizada quando as 
suas causas, no momento da constituição, não mais existirem. 
Portanto, a constituição ou reversão da Reserva de Contingência deverá 
constar em Nota Explicativa, identificando sua finalidade, origem e, também, 
a base de cálculo.
Capítulo 3
89 Contabilidade Básica II
Reserva Orçamentária (art. 196)
A Reserva Orçamentária, prevista no art. 196 da Lei das Sociedades 
por Ações, diz respeito ao lucro destinado à expansão ou reservas para 
planos de investimentos.
Segundo a Lei das Sociedades por Ações, fazem parte da Reserva 
Orçamentária as parcelas do Lucro Líquido que poderão ser retiradas para 
expansão da empresa quando prevista em orçamento de capital aprovado 
pela Assembleia Geral.
Segundo Iudícibus (2010), as reservas orçamentárias são as reservas 
destinadas à expansão do Ativo Circulante ou Permanente prevista e 
aprovada em orçamentos.
Entretanto, a Lei das Sociedades por Ações ainda orienta que o orçamento, 
submetido pelos órgãos da administração com a devida justificativa de 
retenção de lucros proposta, deverá compreender, também, todas as fontes 
de recursos e aplicação de capital, fixo ou circulante, e poderá ter a duração 
de até 5 (cinco) exercícios sociais, exceto no caso de execução, por prazo maior, 
de projeto de investimento.
Pressupondo-se que a Assembleia Geral, de determinada companhia 
aprovou um projeto de investimento, em que serão retidos 6% dos lucros do 
exercício de R$ 3.000.000,00, justificados no orçamento de capital, tem-se a 
constituição de um reserva orçamentária de 180.000,00.
Débito: Lucros Acumulados (PL)
Crédito: Reserva Orçamentária .................. 180.000,00
A reversão da reserva orçamentária deverá ser destinada à conta 
de Lucros Acumulados quando cessar o período de expansão, podendo 
ser utilizada também para o aumento de capital ou para compensar 
prejuízos anteriores.Capítulo 3
90 Contabilidade Básica II
Reserva de Lucros a Realizar (art. 197)
Como já vimos em capítulos anteriores, na contabilização pelo Regime 
de Competência, a entidade apura um lucro contábil, mas na grande maioria 
das vezes não representa disponibilidade financeira.
A constituição da Reserva de Lucros a Realizar está na intenção da 
entidade em evitar a distribuição de dividendos obrigatórios sobre a parcela 
do lucro contábil não realizado financeiramente.
lucros a realizar são aqueles lucros ainda não 
concretizados financeiramente.
SAIBA QUE
Portanto, não seria justo pagar dividendos sobre a parcela não realizada 
financeiramente, caso contrário enfraqueceria a situação financeira da 
empresa. Por este motivo, a Reserva de Lucros a Realizar é optativa, deduzida 
do Lucro Líquido do exercício sendo revertida em Exercícios Sociais futuros, em 
que houver realização financeira e disponibilidade em caixa.
Para Iudícibus (2010), a legislação societária admite esta reserva 
no exercício em que o montante de dividendo obrigatório ultrapassar a 
parcela realizada do Lucro Líquido do exercício. Neste caso, o excesso que 
ultrapassou a parcela realizada poderá ser destinado à constituição de 
Reserva de Lucros a Realizar. 
Ainda para Iudícibus (2010, p. 243), considera-se realizada a parcela do 
Lucro Líquido que exceder a soma dos seguintes valores:
Capítulo 3
91 Contabilidade Básica II
• aumento do valor de investimentos em coligadas e controladas. 
Quando os investimentos em coligadas e controladas são 
avaliados pelo Método de Equivalência Patrimonial (veja-se 
capítulo específico sobre o assunto), o valor do investimento 
(Permanente) cresce proporcionalmente ao Patrimônio Líquido 
da Coligada ou Controlada;
• lucro, rendimento ou ganho líquido em operações ou 
contabilização de ativo e passivo pelo valor de mercado, 
cujo prazo de realização financeira ocorra após o término de 
exercício social seguinte.
Segundo o exemplo de Iudícibus (2010), uma companhia que auferiu 
um Lucro Líquido de R$ 3.000,00 e gerou um dividendo obrigatório de R$ 
900,00; apenas R$ 825,00 é Lucro Realizado e R$ 2.165,00 seja resultante 
da Equivalência Patrimonial (lucro não realizado). Neste caso, dividendos 
obrigatórios ultrapassam o valor R$ 65,00 (900 – 825) na parcela realizada, 
podendo-se constituir Reserva de Lucros a Realizar. 
Segue o exemplo de contabilização da Reserva de Lucros a Realizar:
Débito: Lucros Acumulados (PL)
Crédito: Reserva de Lucros a Realizar ............ 2.165,00
Conclui-se então que a constituição da Reserva de Lucros a Realizar está 
focada em manter a saúde financeira da entidade em determinado período, 
proporcionando uma visibilidade de saída de caixa futura, porque não seria 
correto pagar dividendos aos sócios sobre a parcela de lucro não realizada 
financeiramente. Isso pode enfraquecer a situação financeira da empresa.
Dividendos
Dividendo significa a parte do lucro que se destina aos acionistas 
da companhia. 
Nas sociedades limitadas não há legislação que imponha exigências 
quanto à constituição de dividendos. Segundo Neves (2007, p. 147), “há ampla 
liberdade quanto à política a ser adotada pelas empresas”.
Capítulo 3
92 Contabilidade Básica II
Já para as sociedades anônimas, a situação é bem diferente com regras 
estipulas pela Lei das Sociedades Anônimas. Afirma Neves (2010, p. 147) que 
“existem regras mínimas a serem seguidas, que podem inclusive constar no 
estatuto social da companhia”.
 “A partir da Lei das Sociedades por Ações 
observa-se a introdução do Dividendo mínimo 
obrigatório, com o objetivo básico de proteger 
os acionistas, sobretudo, os minoritários.” 
(IUDÍCIBUS, 2010, p. 244).
SAIBA QUE
Diante disto, todas as sociedades por ações passaram a determinar e 
distribuir uma parcela do Lucro Líquido na forma de dividendos para os acionistas.
Discrimina Neves (2007, p. 147) que os Dividendos Obrigatórios são 
classificados dividendos estatutário e legal, como segue:
 • estatutário, quando a distribuição for efetuada segundo as regras 
estabelecidas no estatuto da companhias; 
 • legal, quando o estatuto for omisso e a distribuição for efetuada 
segundo as normas estabelecidas no artigo 202 da Lei nº 6404/76.
Segundo Iudícibus (2010, p. 244), se “o estatuto for omisso, os acionistas 
têm direito de receber como Dividendo Obrigatório a metade do Lucro Líquido 
Ajustado”. Logo, o Lucro Ajustado decorre do Lucro Líquido menos a constituição 
da reserva para contingências e reserva legal, como demonstrado no box a seguir:
Lucro Líquido do Exercício
(-) quota destinada à constituição de Reserva Legal
(-) importância destinada à formação da Reserva de 
Contingência
Fonte: adaptado de iudícibus (2010)
Capítulo 3
93 Contabilidade Básica II
Quanto ao Dividendo obrigatório, no modelo proposto por Iudícibus 
(2010), ao pressupor que determinada Companhia obteve um lucro de R$ 
800.000,00, que há Reservas de Contingência no valor de R$ 50.000,00 e que 
o Estatuto não relata sobre dividendos, o cálculo do Dividendo Obrigatório 
acontecerá da seguinte forma: 
Quadro 5 – Apuração do lucro ajustado
APURAÇÃO DO LUCRO AJUSTADO
lucro líquido
 (-) Reserva Legal (800.000 x 5%)
 (-) Reserva de Contingência
 (=) Lucro Ajustado
 50% do Lucro Líquido Ajustado
 (=) Dividendo Obrigatório
 800.000,00
 (40.000,00)
 (50.200,00)
 710.000,00
 x 50%
 355.000,00
Fonte: adaptado de Iudícibus (2010)
A contabilização dos Dividendos Obrigatórios acontece da seguinte 
maneira:
Débito: Lucros Acumulados (PL)
Crédito: Dividendos a Pagar (PC) ............... 355.000,00
Cabe ainda destacar que o Dividendo Obrigatório, previsto no art. 202 da 
Lei das Sociedades por Ações, alcança a todos os acionistas, sejam eles portadores 
de ações preferências ou ordinárias, acionista controlador ou minotário.
Quanto à distribuição dos dividendos legais, ou seja, aqueles auferidos 
pelo Estatuto Social da companhia, esta deve acontecer obedecendo a 
prioridade das ações preferenciais. Aquelas que não possuem direito a voto, 
porém, seguem com preferência na distribuição de lucros.
Analisando o modelo de Neves (2007), imagine que determinada 
companhia possua em seu Estatuto Social um pagamento de dividendos 
correspondente a 40% do Lucro Líquido, e que em determinado exercício 
social tenha auferido um Lucro Líquido de R$ 32.000.000,00. Os dividendos 
legais (ações preferenciais) deverão ser pagos primeiro, o restante pagos às 
ações ordinárias, conforme se demonstra a seguir:
Capítulo 3
94 Contabilidade Básica II
Quadro 6 – Cálculo dos dividendos legais
CÁLCULO DOS DIVIDENDOS LEGAIS
Ações no Ações
dividendo 
Por Ação
vAlor em r$
Preferenciais 8.000.000,00 0,40 * 3.200.000,00
Ordinárias 24.000.000,00 1,20 ** 28.800.000,00
totais 32.000.000,00 – 32.000.000,00
* Percentual previsto do estatuto social (40%)
** [(32.000.000 - 3.200.000) : 24.000.000] = 1,20
Fonte: adaptado de Neves (2007)
Como você pode observar, a distribuição de lucros exige a análise da 
situação financeira da entidade (disponibilidade de caixa) e também a situação 
societária prevista no Estatuto Social.
Dividendo por ação
A Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA) deve também 
evidenciar o do dividendo por ação do Capital Social.
Conforme Iudícibus (2010), a fórmula para o cálculo por ação do Capital 
Social é a divisão do montante dos Dividendos Distribuídos (ou a distribuir) no 
ano, pelo número de ações em circulação de que é formado o Capital Social.
Iudícibus (2010, p. 245) propõe como exemplo o seguinte caso: a Cia 
Adventista distribuirá 30% de Dividendos sobre o Lucro Líquido e tem capital 
de R$ 8 milhões divididosem R$ 4 milhões de ações. Assim, o dividendo seria 
de 0,255 por ação.
Dividendos = 
900.000 (=> 30% de 3.000.000)
 = 0,225 por ação
4.000.000 (=> no de ações)
Fonte: Iudícibus (2010, p. 245)
Veja na Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA) como 
são evidenciados os dividendos por ação.
Capítulo 3
95 Contabilidade Básica II
Quadro 7 – Cálculo dos dividendos por ações
CIA. ADVENTISTA
demonstrAção de luCros e PreJuízos ACumulAdos
Em mil 31/12/x2 31/12/x3
saldo no início do período
 Ajuste de exercícios anteriores
 (-) Retificação de erros
 Reversão de Reservas
 Reservas para Contingências
 Reservas de Lucros a Realizar
 Lucro Líquido do Exercício
–
–
 950
 
 (100)
 
 –
 –
3.000
 Saldo Disponível 3.850
Proposta da Administração para destinação do Lucro
 Reserva Legal
 Reserva Estatutária
 Reserva para Contingência
 Reserva Orçamentária (para expansão)
 Reserva de Lucros a Realizar
 Dividendos a distribuir (0,225 por ação)
(150)
(300)
(255)
(180)
(95)
(900)
saldo no final do período 950 1.970
Fonte: Iudícibus (2010, p. 245)
Então, como você pode observar, a Demonstração de Lucros ou Prejuízos 
Acumulados (DLPA), embora não seja considerada uma demonstração 
muito complexa em sua estrutura, depende de muitas variáveis para a 
sua existência, principalmente dos critérios de distribuição de lucros e 
constituição da reservas.
Segundo Iudícibus (2010, p. 238),
a destinação (canalização) do Lucro Líquido para os proprietários 
(distribuição de dividendos) ou o reinvestimento na própria 
empresa (retenção de lucros) será evidenciada na Demonstração 
de Lucros ou Prejuízos Acumulados, antes de ser indicada no 
Balanço Patrimonial.
Contudo, posteriormente à canalização ou destinação do Lucro Líquido, a 
parte do Lucro Líquido que ficar retida é conduzida para o Balanço Patrimonial, 
no grupo Patrimônio Líquido em recursos dos proprietários.
Capítulo 3
96 Contabilidade Básica II
Ainda cabe destacar que a distribuição de dividendos está doutrinada 
pela Lei das Sociedades Anônimas e pela Lei nº 10.303 de 31 de outubro de 
2001, que institui ações preferenciais sem direito a voto, ou com restrição ao 
exercício deste direito.
Segundo Neves (2007, p. 160), 
somente serão admitidas à negociação no mercado de valores 
mobiliários, caso as ações preferenciais, exceto as que têm direito 
a dividendos ou mínimos, venham a receber dividendos superiores 
em pelo menos 10% (dez por cento) aos que forem atribuídos às 
ações ordinárias.
Portanto, é válido demonstrar o quadro sinótico apresentado por Neves 
(2010) que trata quanto às particularidades da distribuição de dividendos, 
como a seguir.
Quadro 8 – Sinopse da distribuição de dividendos
DIVISÃO OU CLASSIfICAÇÃO DE DIVIDENDOS
1 – quAnto à ordem de distriBuição dos dividendos
1.1 Prioritários Quando existe prioridade no recebimento de 
dividendos, normalmente concedida aos acionistas 
detentores de ações preferenciais (Lei nº 6.404, de 
1976, artigo 17).
1.2 Não prioritários Quando não existe prioridade na distribuição dos 
dividendos aos acionistas (acionistas detentores de 
ações ordinárias).
2 – quAnto do direito Ao seu reCeBimento
2.1 Cumulativo Quanto o acionista tiver direito ao recebimentos do 
dividendo no exercício em que não houver lucros 
suficientes para a sua distribuição ou quando não for 
possível distribuí-lo no exercício social, seu montante 
será acumulado e distribuído em exercício futuro.
2.2 Não-cumulativo Quando os acionistas perdem o direito ao 
recebimento do dividendo, quando os lucros forem 
insuficientes ou quando não for possível distribuí-lo 
no exercício social.
Capítulo 3
97 Contabilidade Básica II
3 – quAnto à FormA de distriBuição dos luCros
3.1 Mínimo Quando possibilita aos acionistas participar da 
distribuição dos lucros remanescentes, ou seja, 
após todas as distribuições previstas no estatuto 
e, no mínimo, em igualdade de condições com os 
acionistas detentores de ações ordinárias.
3.2 Fixo Quando a ação não participa nos lucros 
remanescentes, ou seja, quando o montante a ser 
recebido a título de dividendo é, normalmente, 
prefixado. Nessa hipótese, caso o montante dos 
lucros possibilitasse a distribuição de importância 
superior aos acionistas com direito a dividendos fixo 
não participam dessa distribuição.
3.3 Obrigatório Quando o estatuto for omisso, os acionistas terão 
o direito de receber os dividendos na forma 
estabelecida pelo artigo º 202 da Lei nº 6.404, de 
1976, ou seja, 50% do lucro ajustado.
Notas:
1) Normalmente, os dividendos fixos e mínimos são atribuídos aos detentores de ações 
preferenciais não havendo, entretanto, impedimento para que sejam atribuídos aos 
acionistas detentores de ações ordinárias.
2) O recebimento de dividendos obrigatório não prejudica o direito ao recebimento 
mínimo ou fixo caso o acionista tenha direito e existam lucros suficientes para tal 
distribuição.
Fonte: Neves (2007, p. 154-155)
Diante do exposto, você pode verificar que a Demonstração de Lucros ou 
Prejuízos Acumulados (DLPA) é um instrumento ou ferramenta de integração 
entre o Balanço Patrimonial e a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE), 
proporcionado aos proprietários clareza nas informações, na distribuição do 
resultado e suas garantias.
3.2.4 Substituição pela Demonstração das Mutações do 
Patrimônio Líquido (DMPL)
Como você pode observar desde o início do capítulo, existem fortes 
correntes pela substituição da Demonstração de Lucros ou Prejuízos 
Acumulados (DLPA) pela Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido 
(DMPL). Este movimento ganhou força a partir da Lei Federal n° 11.638, 28 de 
Dezembro de 2007, que conduz as Sociedades Anônimas por Ações e as demais 
sociedades, e que estabelece em seu art. 178 a exclusão da conta Lucros ou 
Prejuízos Acumulados do grupo Patrimônio Líquido. 
Capítulo 3
98 Contabilidade Básica II
Porém, a Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA) 
continua sendo tratada pela referida legislação em seu art. 186 que conduz 
sobre a sua forma de apresentação.
É considerada um instrumento de integração entre o Balanço Patrimonial 
e a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE).
Mesmo diante das exigências da Lei das Sociedades Anônimas sobre a 
Demonstração de Lucros ou Prejuízo Acumulados (DLPA), as correntes persistem 
sobre a sua extinção. Os autores apontam que Demonstração das Mutações do 
Patrimônio Líquido (DMPL), que será estudada nos capítulos seguintes, possui 
uma melhor ampliação da análise por todo o grupo de Patrimônio do Líquido, 
e não apenas na conta de Lucros ou Prejuízos Acumulados.
Logo, cabe aqui ressaltar que a Demonstração de Lucros ou Prejuízo 
Acumulados (DLPA) demonstra especificamente a conta de Lucros ou Prejuízos 
Acumulados. Mas destaco que a Demonstração das Mutações do Patrimônio 
Líquido evidencia a movimentação de todo o grupo de Patrimônio Líquido. 
Para Iudícibus (2010), a Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados 
pode ser substituída pela Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido.
Marion (2009) justifica que por apresentar maior riqueza de informações, 
o ideal seria a substituição da Demonstração de Lucros ou Prejuízo Acumulados 
pela Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido.
Diante deste cenário, com o advento da Lei Federal n° 11.638, 28 de 
Dezembro de 2007, que altera da Lei das Sociedades Anônimas, as companhias 
continuam obrigadas a apresentar e publicar a Demonstração de Lucros ou 
Prejuízos Acumulados, mesmo conhecendo que o seu saldo estará zerado, 
devido à extinção da conta de Lucros Acumulados.
3.3 Aplicando a teoria na prática
Para melhor aprofundar o que você conheceu até agora, proponhoo desenvolvimento do caso a seguir, para que você possa refletir sobre 
o conteúdo. 
Capítulo 3
99 Contabilidade Básica II
Distribuição de dividendos com diferentes classes de ações preferenciais
Determinada Companhia apresenta R$ 32.000.000,00 de ações, sendo R$ 8.000.000 
de ações preferenciais A, com direito a 0,40 de dividendo fixo; R$ 8.000.000 de 
ações preferenciais de classe B, com direito de 0,40 de dividendo mínimo e R$ 
16.000.000 de ações ordinárias. 
Diante deste cenário, os dividendos serão pagos na ordem descrita do Capital 
Social, como segue:
Ações no Ações
dividendo 
Por Ação
vAlor em r$
Preferenciais classe A 8.000.000,00 0,40 * 3.200.000,00
Preferenciais classe B 8.000.000,00 0,40 * 3.200.000,00
Ordinárias 16.000.000,00 1,60 ** 25.600.000,00
totais 32.000.000,00 – 32.000.000,00
* Percentual previsto do estatuto social (40%)
** [(32.000.000 - 3.200.000 - 3.200.000) : 16.000.000] = 1,60
Fonte: NEVES, S. Contabilidade avançada. 15. ed. São Paulo: Atlas, 2007, p. 152.
Como o dividendo das ações preferenciais classe B (com direito de 
dividendo mínimo) é inferior ao das ações ordinárias (o que não é permitido 
pelo § 4º do art. 17 da Lei das Sociedades por Ações), como devemos redistribuir 
o valor dos dividendos restantes?
Conseguiu? Veja: devemos redistribuir o valor dos dividendos restantes, 
ou seja, R$ 28.800.000,00 (R$ 32.000.000,00 – R$ 3.200.000,00) entre as ações 
preferenciais de classe B, com direito a dividendo mínimo, e o das ações 
ordinárias da seguinte maneira:
Ações no Ações
dividendo 
Por Ação
vAlor em r$
Preferenciais classe A 8.000.000,00 0,40 * 3.200.000,00
Preferenciais classe B 8.000.000,00 1,20 ** 9.600.000,00
Ordinárias 16.000.000,00 1,20 ** 19.200.000,00
totais 32.000.000,00 – 32.000.000,00
* Percentual previsto do estatuto social (40%)
** [(32.000.000 - 3.200.000 - 9.600.000) : 16.000.000] = 1,20
Capítulo 3
100 Contabilidade Básica II
3.4 Para saber mais
título: Contabilidade comercial: atualizado conforme a Lei n° 
11.638/07 e Lei n° 11.941/09
Autores: IUDíCIBUS, S.; 
MARION, J. C. Editora: Atlas Ano: 2010
Nesta obra, os autores abordam de forma completa o tema: as novas 
normas e práticas contábeis. Vale a pena a leitura!
3.5 Relembrando
Neste capítulo, você aprendeu que:
 • são vários os elementos estruturais e conceituais da Demonstração do 
Lucro ou Prejuízos Acumulados (DLPA);
 • existem inúmeras exigências legais quanto à distribuição do 
Lucro Líquido; 
 • a nº Lei Federal n° 11.638, 28 de Dezembro de 2007, que conduz as 
Sociedades Anônimas por Ações e as demais sociedades, estabelece 
em seu art. 178 a exclusão da conta Lucros ou Prejuízos Acumulados 
do grupo Patrimônio Líquido, mas mesmo assim a Demonstração 
de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA) continua sendo tratada 
pela referida legislação em seu art. 186, que conduz sobre a sua 
forma de apresentação;
 • há uma grande diferença entre Demonstração do Lucro ou Prejuízos 
Acumulados (DLPA) e a Demonstração das Mutações do Patrimônio 
Líquido (DMPL).
Capítulo 3
101 Contabilidade Básica II
3.6 Testando os seus conhecimentos
Procure refletir sobre as questões e responder a partir de seu entendimento.
1) Qual a finalidade da Demonstração do Lucro ou Prejuízos Acumulados (DLPA)?
2) A Demonstração do Lucro ou Prejuízos Acumulados (DLPA) representa a 
integração entre quais demonstrações contábeis?
3) Os ajustes exercícios anteriores apresentados na Demonstração do Lucro ou 
Prejuízos Acumulados (DLPA) se reportam a qual princípio/convenção contábil? 
4) Na hipótese do Estatuto Social da companhia ser omisso quanto aos 
Dividendos Obrigatórios, como estes devem ser calculados?
5) Qual a estrutura básica da Demonstração do Lucro ou Prejuízos 
Acumulados (DLPA)?
Onde encontrar
BRASIL. lei nº 11.638 de 28 de dezembro de 2007. Altera e revoga 
dispositivos da Lei. 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e da Lei 6.385, de 7 
de dezembro de 1976, e estende às sociedades de grande porte disposições 
relativas à elaboração e divulgação de demonstrações financeiras. Disponível 
em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/lei/l11638.
htm>. Acesso em: 20 dez. 2010.
IUDÍCIBUS, S. Contabilidade comercial. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2010.
______. teoria da contabilidade. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2009.
MARION, J. C. Contabilidade básica. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2006.
NEVES, S. Contabilidade avançada. 15. ed. São Paulo: Atlas, 2007.
RIBEIRO, O. M. Demonstrações financeiras: mudanças na Lei das Sociedades 
Anônimas, como era e como ficou. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2010.
Capítulo 3
102 Contabilidade Básica II
Capítulo 4
103 Contabilidade Básica II
DEmonstração Das mUtaçÕEs 
Do patrimÔnio lÍQUiDo
CAPÍTULO 4
4.1 Contextualizando
Olá! Neste capítulo, apresento a você as técnicas de elaboração da 
Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido, também conhecida pela 
sigla DMPL. Sua estrutura segue uma forma resumida, para mostrar com mais 
clareza a distribuição do resultado ao final, ou seja, o Lucro Líquido de cada 
Exercício Social. 
Diante do contexto apresentado pela Demonstração de Lucros ou 
Prejuízos Acumulados (DLPA), reportando apenas a análise da distribuição 
do resultado, este capítulo também abordará as novas normas práticas 
contábeis atribuídas a esta demonstração objetivo de nossos estudos. Entre 
os tópicos que vamos trabalhar estão as Demonstrações de Mutações das 
Contas Patrimoniais, as técnicas de preparação e de apresentação e os itens 
que compõem as Companhias Abertas.
Ao fim deste capítulo, você será capaz de: 
 • identificar os elementos estruturais e conceituais da Demonstração 
das Mutações do Patrimônio Líquido;
 • mapear a composição estrutural da Demonstração das Mutações do 
Patrimônio Líquido;
 • distinguir os elementos necessários para mensuração e reconhecimento 
dos fatos administrativos diante da Demonstração das Mutações do 
Patrimônio Líquido.
Capítulo 4
104 Contabilidade Básica II
4.2 Conhecendo a teoria
Nos capítulos anteriores, você estudou a estruturação do patrimônio 
das entidades até a elaboração do Balanço Patrimonial. Conheceu também 
a metodologia de apuração do resultado do exercício e sua estruturação na 
Demonstração do Resultado do Exercício. Outros temas que foram trabalhados 
são os conceitos e técnicas de distribuição do Lucro Líquido por meio da 
Demonstração de Lucro e Prejuízos Acumulados (DLPA). Agora chegou a hora 
de concentrarmos nossos estudos nas mutações patrimoniais pela elaboração 
da Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL). Logo, prezado 
aluno, é fundamental a sua participação para melhor aproveitar esta disciplina. 
Então, vamos estudar? 
O patrimônio líquido representa todo o capital 
investido pelos sócios na empresa, mais o retorno 
gerado com o referido capital. Compreende as 
obrigações da empresa perante os sócios.
SAIBA QUE
Como você pode observar, temos um grande desafio pela frente. 
Enquanto a Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados viabiliza o 
entendimento quanto à distribuição do resultado do exercício social, ou seja, 
de que forma foi destinado o Lucro Líquido, a Demonstração das Mutações 
do Patrimônio Líquido (DMPL) evidencia as variações ocorridas em todas as 
contas que compõem o Patrimônio Líquido num determinado período.
De acordo com Neves (2007), a Demonstração das Mutações do 
Patrimônio Líquido evidenciam as mutações registradas no exercício das contas 
patrimoniais que integram o Patrimônio Líquido.
Quanto às mutações patrimoniais, Neves (2007) afirma que elas podem 
tanto aumentar quanto diminuir o valor contábil do grupo como um todo ou 
apenas mudar sua composiçãointerna.
Entretanto, a Lei das Sociedades Anônimas por Ações que conduz 
além das sociedades anônimas, as demais sociedades, não torna obrigatória 
Capítulo 4
105 Contabilidade Básica II
a elaboração e apresentação da Demonstração das Mutações do Patrimônio 
Líquido (DMPL), porém menciona no art. 186, § 2º, que a Demonstração de 
Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA) deverá indicar o montante do dividendo 
por ação do capital social e poderá ser incluída na Demonstração das Mutações 
do Patrimônio Líquido (DMPL), se elaborada e publicada pela companhia.
Vamos ver como se dá a estrutura da Demonstração das Mutações do 
Patrimônio Líquido (DMPL)?
Tabela 1 – Estrutura da Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido
CAPitAl
reservAs luCros ou 
PreJuízos 
ACumulAdos
totAl
elementos CAPitAl luCros
Saldo no início do período 
(+/-) Ajustes de Períodos 
Anteriores
 (+/-) (+/-)
Saldo inicial ajustado e 
corrigido
 
Reversão de Reservas de 
Lucros
 (-) + 
Integralização de Capital a 
Realizar
+ +
Resultado Líquido do 
Exercício
 (+/-) (+/-)
Formação de reservas de: 
* Lucros + (-) 
* Capital + +
Capitalização de: 
* Reservas + (-) (-)
* Lucros + (-)
Dividendos ou Lucros 
Creditados 
 (-) (-)
Aumento de Capital Social 
Efetuado pelo sócios/
acionistas
+ (-) +
(+/-) Compra/venda de suas 
próprias ações
 
(+/-) Outras mutações 
Saldo Final do Período 
Fonte: Neves (2007)
Capítulo 4
106 Contabilidade Básica II
Destaco aqui que a movimentação e o saldo da coluna de Lucros 
Acumulados deverá ser igual à movimentação da Demonstração dos Lucros ou 
Prejuízos Acumulados, estudada no capítulo anterior.
Sendo assim, este capítulo mostra em primeiro lugar os tipos de mutações 
patrimoniais e, posteriormente, a forma em que a Demonstração das Mutações 
do Patrimônio Líquido (DMPL) deve ser apresentada, contemplando todas as 
variações do Patrimônio Líquido. 
4.2.1 Mutações das contas patrimoniais
Enquanto a Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA) 
evidencia somente uma conta do Patrimônio Líquido, a Demonstração das 
Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) envolve todas as contas contidas 
nesse grupo. 
Grande maioria das empresas opta por não apresentar a Demonstração de 
Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA), mas sim a Demonstração das Mutações 
do Patrimônio Líquido (DMPL) que colabora muito mais na evidenciação da 
informação contábil e já abrange em sua estrutura a Demonstração de Lucros 
ou Prejuízos Acumulados – DLPA.
Para Iudícibus, Martins e Gelbcke (2007, p. 415), a Demonstração das 
Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) “[...] é de muita utilidade, pois 
fornece a movimentação ocorrida durante o exercício nas diversas contas 
componentes do Patrimônio Líquido; faz clara indicação do fluxo de uma 
conta para outra e indica a origem e o valor de cada acréscimo ou diminuição 
no Patrimônio Líquido”. 
No que tange às companhias de capital aberto, a Comissão de Valores 
Mobiliários (CVM) passou a exigir por meio da Instrução CVM n. 59, de 22 de 
dezembro de 1986, a elaboração e divulgação da Demonstração das Mutações 
do Patrimônio Líquido - DMPL, indiferente se a companhia elaborou ou não 
a Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA), uma vez que 
esta última já estará embutida na Demonstração das Mutações do Patrimônio 
Líquido (DMPL). 
Capítulo 4
107 Contabilidade Básica II
A Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) 
representa o grupo do patrimônio líquido apurado no Balanço Patrimonial. 
Veja a seguir o exemplo prático apresentador por Neves (2007), quanto às 
mutações patrimoniais:
Tabela 2 – Dados do Patrimônio Líquido da Companhia Alpha
COMPANHIA ALPHA
dAdos de 31.12.20x4 
Capital social integralizado ............................... 2.000,00
Reservas de capital ................................................ 100,00
Reserva legal .......................................................... 250,00
Reservas estatutárias ............................................. 150,00
Reservas de lucros a realizar ................................. 300,00
TOTAL .................................................................. 2.800,00
Fonte: Neves (2007)
 Apresentam-se a seguir as mutações patrimoniais ocorridas no exer- 
cício 20X5:
mutações das contas do patrimônio líquido em 20x5
1) Valor líquido da receita de 20X4 não contabilizado .........100,00
2) Aumento do capital em dinheiro ...................................... 200,00
3) Reversão de reserva de lucros a realizar ...........................300,00
4) Lucro líquido apurado no exercício de 20X5 .....................400,00
5) Acréscimo da reserva legal (5% x 400,00) .......................... 20,00
6) Acréscimo da reserva estatutária .......................................280,00
7) Dividendos a distribuir ........................................................500,00
Com os dados apresentados no exercício de 20X4 e as mutações 
patrimoniais ocorridas no exercício de 20X5, evidencia-se a seguinte 
Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL):
Capítulo 4
108 Contabilidade Básica II
Tabela 3 – Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido da Companhia Alpha
CAPitAl
reservAs luCros 
ou PreJ. 
ACum.
totAis
elementos CAPitAl legAl estAtut.
luCros A 
reAlizAr
Saldo no início 
do período
2.000,00 100,00 250,00 150,00 300,00 - 2.800,00 
(+/-) Ajustes 
períodos ant.
 100,00 100,00 
Aumento de 
Capital Social
200,00 200,00 
Reversão de 
Reservas Lucros
(300,00) 300,00 - 
Líquido Exercíc. 
31-12-x5
 400,00 400,00 
Destinação do 
Lucro
* Reserva Legal 20,00 (20,00)
* Reservas 
Estatutárias
280,00 (280,00)
* Dividendos (500,00) (500,00)
saldo Final do 
período
2.200,00 100,00 270,00 430,00 - - 3.000,00 
Fonte: Neves (2007)
Como você pôde perceber, a Demonstração das Mutações do Patrimônio 
Líquido é fundamental para as empresas que têm um Patrimônio Líquido 
composto por diversas contas, movimentadas no período por aumentos, 
diminuições ou apenas transferências.
Portanto, as mutações do Patrimônio Líquido podem tanto aumentar 
ou diminuir o valor contábil desse grupo de contas, ou ainda alterar a sua 
composição interna. Logo, a integralização de Capital Social é um exemplo de 
mutação do patrimônio e significa aumento do grupo do Patrimônio Líquido. 
Já o registro contábil de um prejuízo significa uma mutação do Patrimônio 
Líquido negativa.
Capítulo 4
109 Contabilidade Básica II
A constituição ou reversão de reservas também 
representam mutações do patrimônio líquido. 
Porém, essas não alteram o valor final desse 
grupo de contas porque as mutações acontecem 
entre as contas do próprio grupo de contas.
SAIBA QUE
Para Perez e Begalli (2002), sua importância torna-se acentuada, pois 
a demonstração indicará, claramente, a formação e a utilização de todas as 
reservas, e não apenas das originadas por lucros; servirá também para melhor 
compreensão, inclusive quanto ao cálculo dos dividendos obrigatórios. 
Para que você tenha noção da importância desta ferramenta contábil, 
a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) também 
assume um papel importante nas empresas que possuem a consolidação das 
demonstrações contábeis, ou seja, aquelas que trabalham com a somatória 
das demonstrações contábeis de várias empresas, pertencentes a um 
mesmo grupo econômico. A DMPL destaca os resultados obtidos entre essas 
empresas, evidenciando ao usuário da informação contábil o Patrimônio 
Líquido real do grupo.
4.2.2 Técnica de preparação
A Lei 6.404/76 ou a Leidas Sociedades por Ações não prevê um modelo 
específico para a elaboração da Demonstração das Mutações do Patrimônio 
Líquido (DMPL), porém, uma vez que as demais demonstrações contábeis, por 
exigência legal, são publicadas evidenciando valores do período anterior, a 
DMPL também deve ser divulgada de tal forma que compare o período atual 
com o anterior. 
Os dados e as informações para a elaboração desta demonstração devem 
ser extraídos do Livro Razão, das contas do Patrimônio Líquido, contemplando 
apenas a movimentação ocorrida no período analisado. 
Capítulo 4
110 Contabilidade Básica II
A Lei das Sociedades por Ações não fixa um modelo de Demonstração 
das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) que deva ser utilizado pelas 
empresas. Contudo, referencia essa demonstração no § 2º do art. 186, quando 
admite que a Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA) seja 
incluída nela, se elaborada e publicada pela companhia. Desta forma, as 
mesmas informações que a lei determina para DLPA devem fazer parte na 
DMPL, considerando que nesta as informações serão relativas à movimentação 
de todas as contas do Patrimônio Líquido.
Convencionalmente, as companhias têm elaborado a Demonstração das Mu-
tações do Patrimônio Líquido (DMPL) num único quadro composto por colunas. 
Diante das fases da preparação para a elaboração da Demonstração 
das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL), em primeiro lugar é preciso 
identificar as contas do patrimônio líquido, destinando uma coluna para cada 
conta, unidas horizontalmente, conforme o quadro a seguir:
Quadro 1 – Contas do Patrimônio Líquido
DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇõES PATRIMONIAIS
CAPitAl
reservAs luCros ou 
PreJuízos 
ACumulAdosCAPitAl luCros
Fonte: Voges (2011)
Posteriormente, destina-se uma coluna, ou melhor, a primeira coluna 
para a descrição da natureza das transações que confirmam as mutações do 
Patrimônio Líquido, como segue:
Tabela 4 – Inclusão da coluna com as descrições das Mutações do Patrimônio Líquido
DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇõES PATRIMONIAIS
desCrição CAPitAl
reservAs luCros ou 
PreJuízos 
ACumulAdosCAPitAl luCros
aumento de capital
Devolução de capital
resultado líq. do exercício
Destinação de resultado
Destinações estatutárias
Utilização de reservas
Fonte: Voges (2011)
Capítulo 4
111 Contabilidade Básica II
Caro aluno! Observe que a Demonstração das Mutações do Patrimô- 
nio Líquido (DMPL) evidencia informações tanto na análise horizontal 
quanto na vertical.
Agora, chegou a hora de incluir a última coluna para os totais.
Tabela 5 – Inclusão da coluna dos totais das Mutações do Patrimônio Líquido
DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇõES PATRIMONIAIS
desCrição CAPitAl
reservAs luCros ou 
PreJuízos 
ACumulAd.
totAis
CAPitAl luCros
aumento de capital
Devolução de capital
result.líq. do exercício
Destinação de resultado
Destinações estatutárias
Utilização de reservas
Fonte: Voges (2011)
A Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) contempla, 
ainda, tantas linhas quantas corresponderem às transações realizadas, devendo 
ser evidenciadas em relação à movimentação de cada conta.
Como a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) 
apresenta a análise de dois exercícios sociais, neste momento é preciso incluir 
as linhas para saldos iniciais e finais transcritos em cada conta. Na última 
linha, os respectivos saldos finais. Observe estes itens na tabela a seguir.
Tabela 6 – Inclusão dos saldos iniciais e finais das contas do Patrimônio Líquido para dois exercícios sociais
DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇõES PATRIMONIAIS
desCrição CAPitAl
reservAs luCros ou 
PreJuízos 
ACumulAd.
totAis
CAPitAl luCros
saldo inicial em 31/12/x0
aumento de capital
Devolução de capital
resultado líquido do 
exercício
Destinação de resultado
Capítulo 4
112 Contabilidade Básica II
Destinações estatutárias
saldo final em 31/12/x1
Utilização de reservas
saldo final em 31/12/x2
Fonte: Voges (2011)
Portanto a soma algébrica da última linha da demonstração, que será 
indicada na última coluna reservada aos totais, combinará com o total dessa 
mesma coluna que, por sua vez, corresponderá ao total do grupo do Patrimônio 
Líquido do Balanço Patrimonial.
Para se prevenir de um número excessivo de colunas na Demonstração das 
Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL), as informações sobre o Capital Social 
poderão ser apresentadas de forma integral em seus respectivos grupos. Desse 
modo, os fluxos de recursos de uma conta para outra, que mostram a origem 
de cada mutação, deverão ser informados por meio de Notas Explicativas.
Cabe ressaltar que para Marion (2007) o objetivo das demonstrações 
contábeis é fornecer informações sobre a posição patrimonial e financeira, 
o desempenho e as mudanças na posição financeira da entidade, que sejam 
úteis a um grande número de usuários em suas avaliações e tomadas de 
decisão econômica.
Logo, é preciso ter muito cuidado com a validação dos dados durante a 
elaboração das demonstrações contábeis, para que não transmitam informações 
errôneas. Entretanto, destaco que estas demonstrações devem atender às 
necessidades comuns dos usuários, uma vez que retratam informações de 
acontecimentos passados.
Para Marion (2009), embora não seja uma demonstração obrigatória, 
a DMPL é mais completa e abrangente que a DLPA. O autor assinala que é 
relevante para as empresas que movimentam constantemente as contas do 
Patrimônio Líquido.
Capítulo 4
113 Contabilidade Básica II
A apresentação da Demonstração das Mutações 
do Patrimônio Líquido (DMPL) é obrigatória 
apenas nas Companhias de Capital Aberto.
SAIBA QUE
Ainda para Marion (2009), a elaboração da Demonstração das Mutações 
do Patrimônio Líquido (DMPL) elimina a necessidade de se apresentar da 
Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA).
Prezado aluno! Como você pode observar até o momento, é simples a 
técnica de elaboração da Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido 
(DMPL), pois basta identificar, por colunas, as contas do Patrimônio Líquido e, 
nas linhas horizontais, a movimentação das referidas contas.
Entretanto, a fim de atingirmos um melhor entendimento sobre o 
preenchimento das informações na Demonstração das Mutações do Patrimônio 
Líquido (DMPL), no próximo tópico irei expor com detalhes a forma de 
apresentação desta demonstração. Fique atento!
4.2.3 Apresentação
Segundo Ribeiro (2010), a Norma Brasileira de Contabilidade, NBC-T-19.27, 
aprovada pela Resolução CFC n. 1.185/2009, que trata da apresentação das 
Demonstrações Contábeis, apresenta nos itens 106 a 110 as diretrizes para a 
elaboração da Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido.
Ribeiro (2010, p. 98) afirma que o item 106 da norma NBC-T-19.27 
estabelece que a entidade deve apresentar na Demonstração das Mutações 
do Patrimônio Líquido (DMPL) o seguinte:
Capítulo 4
114 Contabilidade Básica II
a) o resultado abrangente do período, apresentando separadamente 
o montante total atribuível aos proprietários da entidade 
controladora e o montante correspondente à participação de 
não controladores;
b) para cada componente do patrimônio líquido, os efeitos 
das alterações nas políticas contábeis e as correções de erros 
reconhecidas de acordo com a NBC-T-19.11 – Políticas Contábeis, 
Mudança de Estimativa e Retificação de Erro;
c) para cada componente do patrimônio liquido, a conciliação 
do saldo no inicio e no final do período, demonstrando-se 
separadamente as mutações decorrentes:
i) do resultado líquido;
ii) de cada item dos outros resultados abrangentes; e
iii) de transações com os proprietários realizadas na condição 
de proprietário, demonstrandoseparadamente suas 
integralizações e as distribuições realizadas, bem como 
modificações nas participações em controladas que não 
implicaram perda do controle.
A maioria das entidades vem elaborando a Demonstração das Mutações 
do Patrimônio Líquido (DMPL) em colunas e cada uma delas representa, de 
forma sintética, uma conta do Patrimônio Líquido, contendo na primeira linha 
o saldo inicial da conta e, na última linha, o saldo final. 
Para entender melhor o conteúdo trabalhado até o momento, apresento 
a seguir os saldos e as mutações do Patrimônio Líquido de uma empresa, para 
os exercícios de 2009 e 2010, e suas etapas no preenchimento da Demonstração 
das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL). Acompanhe!
Tabela 7 – Patrimônio líquido em 31/12/2008
PATRIMôNIO LÍQUIDO
31.12.2008 
Capital social ................................................... 100.000,00
Reservas de capital ............................................. 1.000,00
Reserva lucros ........................................................ 800,00
Lucros e Prej. Acumulados .................................... 500,00
Fonte: Voges (2011)
Neste primeiro momento, após identificar as contas do Patrimônio 
Líquido, deve-se destinar uma coluna para cada conta do Patrimônio Líquido, 
unidas horizontalmente, conforme mostra o quadro a seguir:
Capítulo 4
115 Contabilidade Básica II
Tabela 8 – Composição dos saldos iniciais da Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL)
DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇõES PATRIMONIAIS
desCrição CAPitAl
reservAs luCros ou 
PreJuízos 
ACumulAd.
totAis
CAPitAl luCros
saldo inicial em 31/12/08 100.000,00 1.000,00 800,00 500,00 102.300,00
Fonte: Voges (2011)
No exercício de 2009 a empresa obteve as seguintes mutações no 
Patrimônio Líquido:
 • aumento do Capital Social no valor de 700,00, sendo 500,00 dos Lucros 
Acumulados, 100,00 das Reservas de Capital;
 • constituição das Reservas de Lucros no valor de 200,00;
 • Lucro Líquido do Exercício no valor de 950,00;
 • devolução de Capital no valor de 400,00.
Tabela 9 – Composição das mutações e saldo final da Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) para o 
exercício de 2009
DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇõES PATRIMONIAIS
desCrição CAPitAl
reservAs luCros ou 
PreJuízos 
ACumulAd.
totAis
CAPitAl luCros
Saldo inicial em 31/12/08 100.000,00 1.000,00 800,00 500,00 102.300,00
Aumento de capital 600,00 - - - 600,00
Devolução de capital (400,00) (100,00) - - (500,00)
Result.líquido exercício - - - 950,00 950,00
Destinação de resultado 500,00 - - (500,00) -
Destinações estatutárias - - 200,00 (200,00) -
Saldo final em 31/12/08 100.700,00 900,00 1.000,00 750,00 103.350,00
Fonte: Voges (2011)
Para o exercício de 2010, a empresa obteve as seguintes mutações no 
Patrimônio Líquido:
 • aumento do Capital Social no valor de 400,00 com 200,00 das Reservas 
de Capital e o restante dos sócios;
 • constituição das Reservas de Lucros no valor de 750,00;
 • prejuízo do exercício no valor de 700,00.
Capítulo 4
116 Contabilidade Básica II
 • utilização da Reserva de Lucros no valor de 700,00 para compensar o 
prejuízo do exercício;
 • devolução de capital no valor de 300,00.
Tabela 10 – Composição das mutações e saldo final da Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) para os 
exercícios de 2009 e 2010
DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇõES PATRIMONIAIS
desCrição CAPitAl
reservAs luCros ou 
PreJuízos 
ACumulAd.
totAis
CAPitAl luCros
Saldo inicial em 31/12/08 100.000,00 1.000,00 800,00 500,00 102.300,00
Aumento de capital 600,00 - - - 600,00
Devolução de capital (400,00) (100,00) - - (500,00)
Result.líquido exercício - - - 950,00 950,00
Destinação de resultado 500,00 - - (500,00) -
Destinações estatutárias - - 200,00 (200,00) -
Saldo final em 31/12/09 100.700,00 900,00 1.000,00 750,00 103.350,00
Aumento de capital 400,00 - - - 400,00
Devolução de capital (300,00) 200,00 - - 500,00
Resultado líquido do 
exercício
- - - - 700,00
Destinação de resultado - - 750,00 700,00 750,00
Destinações estatutárias - - (700,00) 750,00
Saldo final em 31/12/10 100.800,00 700,00 1.050,00 700,00 102.550,00
Fonte: Voges (2011)
O modelo anterior evidencia, na coluna total, os fatos que provocaram 
aumentos e diminuições do Patrimônio Líquido no período, já que as 
transferências entre contas desse grupo apenas provocam variações entre as 
respectivas contas, mas não a variação do saldo do Patrimônio Líquido. 
Ainda analisando o quadro, você pode identificar algumas mutações 
ocorridas no Patrimônio Líquido. Veja quais são elas:
 • aumento do capital social de 800,00 comparando o saldo de 2008 
com 2010;
 • a conta de reserva de capital obteve uma redução de 300,00 devido às 
destinações para o aumento do Capital Social tanto em 2009 quanto 
em 2010;
Capítulo 4
117 Contabilidade Básica II
 • a conta de reserva de lucros teve um aumento de 800,00 (2008) para 
1.050,00 (2010), devido a constituição de reservas por meio do saldo 
da conta de lucros acumulado;
 • a conta de lucros acumulados apresentou um saldo zerado em 2010, 
devido à destinação de lucros para o aumento de Capital e também, a 
constituição de Reservas de Lucros.
 • o patrimônio líquido, diante das mutações ocorridas durante os 
exercícios de 2009 e 2010, obteve um aumento de 102.300,00 para 
102.550,00. Esses saldos devem corresponder exatamente aos saldos 
do Balanço Patrimonial.
Entretanto, como você pode observar, algumas mutações estão 
identificadas na Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL).
Para Iudícibus, Martins e Gelbcke (2007) alguns dos principais itens que 
movimentam o saldo da coluna do total da Demonstração das Mutações do 
Patrimônio Líquido (DMPL) são: 
 • acréscimo pelo lucro ou redução pelo prejuízo líquido do exercício; 
 • redução por dividendos; 
 • redução por pagamento ou crédito de juros sobre capital próprio; 
 • acréscimo por reavaliação de ativos; 
 • acréscimo por subscrição e integralização de capital;
 • acréscimo ou redução por ajustes de exercícios anteriores;
 • reversão da reserva de lucros a realizar para a conta dividendos a 
pagar, entre outras.
Ainda para Iudícibus, Martins e Gelbcke (2007), quanto às variações 
entre contas do Patrimônio Líquido que não movimentam o saldo da coluna 
do total na DMPL, destacam-se os principais itens:
 • aumento de capital com a utilização de reservas de lucros;
 • apropriações de Lucro Líquido do exercício para a formação de 
reservas, como Reserva Legal, Reserva de lucros a Realizar, Reservas 
para Contingência, entre outras;
 • reversões de reservas patrimoniais para a conta de resultado do exercício;
 • compensação de prejuízos com reservas, entre outras;
Capítulo 4
118 Contabilidade Básica II
De maneira geral, segundo a Norma Brasileira de Contabilidade, a 
Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) evidenciará:
a) os saldos no início do período;
b) os ajustes de exercícios anteriores;
c) as reversões e transferências de reservas e lucros;
d) os aumentos de capital discriminando sua natureza;
e) a redução de capital;
f) as destinações do lucro líquido do período;
g) as reavaliações de ativos e sua realização líquida do efeito dos 
impostos correspondentes;
h) o resultado líquido do período;
i) as compensações de prejuízos;
j) os lucros distribuídos;
k) os saldos no final do período.
A lei nº 11.638/07 ou lei das sociedades 
anônimas trouxe grandes mudanças para a 
contabilidade do mundo inteiro. A Demonstração 
das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) 
teve alguns ajustes como a extinção da Reserva 
de Reavaliação e inclusão do detalhamento das 
reservas de lucros.
SAIBA QUE
Diante do exposto até o momento,no próximo tópico vou apresentar 
uma sugestão de Marion (2009) para a elaboração da Demonstração das 
Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) quando o saldo da conta de Lucros 
Acumulados for igual a zero, ou seja, situação esta válida para as empresas 
sujeitas à Lei das Sociedades Anônimas.
4.2.3 Companhias abertas
 Para as empresas sujeitas à Lei nº 11.638/07, a chamada Lei das Sociedades 
Anônimas, o saldo da conta de Lucros Acumulados deve aparecer zerado. Esta 
situação se reflete bruscamente na Demonstração das Mutações do Patrimônio 
Líquido (DMPL). 
Capítulo 4
119 Contabilidade Básica II
Mas atenção! A publicação da Demonstração das Mutações do Patrimônio 
Líquido (DMPL) é obrigatória para as Companhias Abertas. Veja, a seguir, a 
sugestão de Marion (2009) para a Demonstração das Mutações do Patrimônio 
Líquido (DMPL) com saldo zero de Lucro Acumulados.
Pressupondo que determinada empresa obteve um lucro de 2.800 no 
exercício de 20X8, e que será totalmente destinado como apresentado a seguir:
Tabela 11 – Destinação do Lucro Líquido
destinAção do luCro líquido
Reserva legal .............................................................. 5%
Reserva estatutária .................................................. 20%
Reserva orçamentária ............................................. 15%
Reserva lucros a realizar ........................................ 480,00
Reserva de contingência ........................................... - 
Dividendos .......................................................... 1.200,00
Fonte: Marion (2009)
Multiplicando seus percentuais de reserva sobre o Lucro Líquido, temos:
Tabela 12 – Composição dos saldos das reservas e dividendos
destinAção do luCro líquido
Reserva legal 5% ´´=> 5% x 2.800 140,00
Reserva estatutária 20% ´´=> 20% x 2.800 560,00
Reserva orçamentária 15% ´´=> 15% x 2.800 420,00
Reserva de lucros a realizar 480,00 480,00
Reserva de contingência - -
Dividendos 1.200,00 1.200,00
Lucro Líquido => 2.800,00
Fonte: Marion (2009)
Segundo Marion (2009), você deve considerar também um aumento de 
capital totalmente integralizado em dinheiro no total de 2.000 e a empresa 
apresentava até o momento, ou seja, exercício de 20X7 os seguintes saldos nas 
contas do Patrimônio Líquido:
Capítulo 4
120 Contabilidade Básica II
Tabela 13 – Composição dos saldos patrimônio líquido de 20X7
destinAção do luCro líquido
Capital social 5.000,00
Reserva de capital 540,00
Reserva legal 260,00
Reserva estatutária 500,00
Reserva orçamentária 320,00
Reserva de lucros a realizar 100,00
Reserva de contingência 280,00
TOTAL 7.000,00
Fonte: Marion (2009)
Diante de todas estas informações mencionadas até aqui e a movimen-
tação registrada durante o exercício de 20X8, é necessário proceder a De-
monstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA). Vamos ver como fica?
Tabela 14 – Demonstração dos Lucros Ou Prejuízos Acumulado (DLPA) 
para o exercício de 20X8
dlPA do exerCíCio 2008
Saldo de lucros acumulados em 20x7 -
 + ajustes de exercícios anteriores -
 + reversão de reservas -
 + lucro líquido de 20x8 2.800,00
 (-) reserva legal (140,00)
 (-) reserva estatutária (560,00)
 (-) reserva orçamentária (420,00)
 (-) reserva de lucros a realizar (480,00)
 (-) dividendos (1.200,00)
Saldo de lucros acumulados em 20x8 -
TOTAL 7.000,00
Fonte: Marion (2009)
Prezado aluno, observe que o saldo inicial de Lucros Acumulados na 
Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA) do exercício de 
20X7 é igual a zero. O mesmo ocorre com o saldo final do exercício de 2008, 
Capítulo 4
121 Contabilidade Básica II
conforme a Lei nº 11.638/07, a Lei das Sociedades Anônimas. Assim, você 
pode verificar que há necessidade de elaborada Demonstração dos Lucros ou 
Prejuízos Acumulados (DLPA), mesmo que esta apresente um saldo zerado.
Agora, cabe a apresentação dos saldos das contas do Patrimônio Líquido 
de 20X8. Vejamos:
Tabela 15 – Composição dos saldos do Patrimônio Líquido dos exercícios de 20X7 e 20X8
PAtrimônio líquido
20x7 20x8
Capital social 5.000,00 7.000,00
Reserva de capital 540,00 540,00
Reserva legal 260,00 400,00
Reserva estatutária 500,00 1.060,00
Reserva de contingência 280,00 280,00
Reserva orçamentária 320,00 740,00
Reserva de lucros a realizar 100,00 580,00
TOTAL 7.000,00 10.600,00
Fonte: Marion (2009)
Entretanto, perceba que com as informações apresentadas até o 
momento, ainda é válida a estruturação da Demonstração das Mutações do 
Patrimônio Líquido (DMPL), mesmo com o saldo da conta de Lucros Acumulados 
igual a zero:
Tabela 16 – Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido para o exercício de 20X8
DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇõES DO PATRIMôNIO LÍQUIDO
movimen-
tAção
CAPitAl
reservA 
de 
CAPitAl
legAl
estAtu-
táriA
Contin-
gênCiA
orçAmen-
táriA
reservAs 
de 
luCros A 
reAlizAr
luCros 
ACumul.
totAl
Saldo em 
31/12/08
5.000,00 540,00 260,00 500,00 280,00 320.00 100,00 - 7.000,00
Aumento de 
capital
2.000,00 2.000,00
Lucro do 
exercício
2.800,00
Distribuição 
do lucro
-
Capítulo 4
122 Contabilidade Básica II
Reserva legal 140,00 (140,00) -
Reserva 
estatutária
560,00 (560,00) -
Reserva de 
contingência
- - -
Reserva 
orçamentária
420,00 (420,00) -
Reserva 
de lucros a 
realizar
480,00 (480,00) -
Dividendos (1.200,00) (1.200,00)
Saldo em 
31/12/x8
7.000,00 540,00 400,00 1.060,00 280,00 740,00 580,00 - 10.600,00
Fonte: Marion (2009)
Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) após 
a Lei nº 11.638/2007
Com o impacto da economia mundial sobre as relações internacionais, 
o mundo acordou nos últimos anos para a globalização da contabilidade, 
destacando-se o advento da Lei 11.638/2007, que proporcionou um novo 
cenário para as demonstrações contábeis.
Cabe, neste momento, o destaque para a exclusão da conta de Reserva 
de Reavaliação onde se passou a considerar alguns ajustes como Realização de 
Reserva de Reavaliação, entre outras inclusões desta lei. 
Outro ponto importante a ressaltar seria o saldo da conta de Lucros 
Acumulados que deverá estar sempre zerado e, mesmo assim, continua sempre 
evidenciado das demonstrações contábeis.
As novas normas brasileiras de contabilidade doutrinam sobre o conteúdo 
e forma de apresentação das demonstrações contábeis em conformidade com 
a Lei das Sociedades Anônimas, onde encontramos a NBC-T-3-4 que trata da 
Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA) e a NBC-T-3-5, que 
evidencia sobre a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL).
Deste modo, com tantas alterações nas estruturas das demonstrações 
contábeis cabe ressaltar o modelo sugerido por Marion (2009) de Demonstração 
das Mutações do Patrimônio Líquido, como você confere a seguir.
Capítulo 4
123
Contabilidade Básica II
Tabela 17 – Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido 
CIA ADVENTISTA
DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇõES DE PATRIMôNIO LÍQUIDO PARA OS EXERCÍCIOS 
fINDOS EM 31 DE DEzEMBRO DE X2 E X1 EM MILHõES DE REAIS
desCrição
CAPitAl soCiAl reservAs de CAPitAl
AJustes de 
AvAliAção 
PAtri-
moniAl
reservAs de 
luCros
PreJuízos 
ACumu-
lAdos
totAl x2 totAis x1
suBsCrito reAlizAdo 
Ações de 
tesourAriA
ágio nAs 
emissões de 
Ações
Prods. de 
AlienAção 
de PArtes 
BeneFiCiá-
riAs e 
Bônus de 
suBsCrição
saldos iniciais
ajustes de anos 
anteriores
Efeitos das 
mudanças 
de critérios 
contábeis
retificação 
de erros de 
exercícios 
anteriores
saldo conforme 
esta publicação
Capítulo 4
124
Contabilidade Básica II
aumento de 
capital com 
lucros e reservas 
em espécieaquisição de 
ações próprias
realização 
da reserva de 
avaliação
lucro líquido do 
exercício
Distribuição 
proposta à 
assembleia dos 
acionistas
reservas 
Dividendos a 
distribuir 
(x por ação)
saldos Finais
Fonte: Marion (2009)
Portanto, você pode perceber a importância de demonstrar as mutações entre as contas do Patrimônio Líquido, 
mesmo quando o saldo da conta de Lucros Acumulados estiver zerada.
Capítulo 4
125 Contabilidade Básica II
Então, diante deste novo cenário da contabilidade, as relações comerciais, 
e principalmente as internacionais, transformaram as demonstrações 
financeiras, unificando as informações em âmbito mundial.
Portanto, além do Balanço Patrimonial, da Demonstração do Resultado 
do Exercício (DRE), da Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados 
(DLPA), a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) assume 
um papel importantíssimo na tomada de decisão, pois indica como a empresa 
destinou o seu lucro contábil, a movimentação do seu fluxo dos dividendos 
e, por fim, todas as Mutações do Patrimônio Líquido, que são de extrema 
importância nas ações de captação de recursos e de investimentos.
4.3 Aplicando a teoria na prática
Para melhor aprofundar o que você conheceu até agora, propo-
nho o desenvolvimento do caso a seguir, para que você possa refletir so- 
bre o conteúdo. 
Destinação do lucro líquido
A Companhia Alvarez, que comercializa material de construção, 
apresenta os seguintes saldos nas contas do Patrimônio Líquido de 20X7:
Tabela 18 – Saldos do Patrimônio Líquido do exercício de 20X7
PAtrimônio líquido
20x7
Capital social 7.500,00
Reserva de capital 810,00
Reserva legal 390,00
Reserva estatutária 750,00
Reserva de contingência 420,00
Reserva orçamentária 480,00
Reserva de lucros a realizar 150,00
TOTAL 10.500,00
Fonte: Voges (2011)
Capítulo 4
126 Contabilidade Básica II
Pois bem! No exercício de 20x8, a empresa Alvarez registrou um Lucro 
Líquido de R$ 4.200,00, que deverá ser totalmente distribuído, nos seguintes 
percentuais: 5% para Reserva Legal, 20% para Reserva Estatutária e 15% 
para Reserva Orçamentária. Pergunto: qual o valor que será destinado para 
dividendos? Quais os saldos das contas do Patrimônio Líquido para 20X8?
Chegou aos valores? Acompanhe
Se você respondeu R$ 2.520,00 para o valor destinado aos dividendos, 
conforme demonstrado no quadro a seguir, parabéns!
Tabela 19 – Destinação do Resultado
destinAção do resultAdo
20x7
luCro 
distriBuído 
 em 20x8
Capital social 7.500,00
Reserva de capital 810,00
Reserva legal 390,00 210,00
Reserva estatutária 750,00 840,00
Reserva de contingência 420,00
Reserva orçamentária 480,00 630,00
Reserva de lucros a realizar 150,00
Dividendos 2.520,00
TOTAL 10.500,00 4.200,00
Fonte: Voges (2011))
Capítulo 4
127 Contabilidade Básica II
E referente aos saldos das contas do Patrimônio Líquido para 20X8, 
acompanhe a resposta na tabela:
Tabela 20 – Saldos das contas do Patrimônio Líquido dos exercícios de 20X7 e 20X8
PAtrimônio líquido
20x7 20x8
Capital social 7.500,00 7.500,00
Reserva de capital 810,00 810,00
Reserva legal 390,00 600,00
Reserva estatutária 750,00 1.590,00
Reserva de contingência 420,00 420,00
Reserva orçamentária 480,00 1.110,00
Reserva de lucros a realizar 150,00 150,00
Dividendos 12.180,00
TOTAL 10.500,00 4.200,00
Fonte: Voges (2011))
4.4 Para saber mais
título: Contabilidade comercial: atualizado conforme a Lei n° 
11.638/07 e Lei n° 11.941/09
Autores: IUDíCIBUS, S.; 
MARION, J. C. Editora: Atlas (SP) Ano: 2010
Nesta obra, os autores abordam de forma completa as novas normas 
e práticas contábeis. Vale a pena a leitura para complementar seus 
estudos!
 
Capítulo 4
128 Contabilidade Básica II
4.5 Relembrando
Neste capítulo, você descobriu que:
 • são vários os elementos estruturais e conceituais da Demonstração 
das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL);
 • existem inúmeras exigências legais quanto à distribuição do Lucro 
Líquido; 
 • a Lei Federal n° 11.638, 28 de dezembro de 2007, que conduz as 
Sociedades Anônimas por Ações e as demais sociedades, estabelece 
em seu art. 178 a exclusão da conta Lucros ou Prejuízos Acumulados 
do grupo Patrimônio Líquido, mas mesmo assim, a Demonstração 
das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) é obrigatória para as 
companhias abertas; 
 • há uma grande diferença entre Demonstração do Lucro ou Prejuízos 
Acumulados (DLPA) e a Demonstração das Mutações do Patrimônio 
Líquido (DMPL).
4.6 Testando os seus conhecimentos
Procure refletir sobre as questões e responder a partir de seu entendimento.
1) Qual a finalidade da Demonstração das Mutações do Patrimônio 
Líquido – DMPL?
2) A Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido – DMPL representa a 
integração entre quais demonstrações contábeis?
3) Com o advento da Lei nº 11.638/07, quais foram as principais alterações 
para a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido – DMPL?
4) Qual a estrutura básica da Demonstração das Mutações do Patrimônio 
Líquido – DMPL?
Capítulo 4
129 Contabilidade Básica II
Onde encontrar
BRASIL. lei nº 11.638 de 28 de dezembro de 2007. Altera e revoga 
dispositivos da Lei. 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e da Lei 6.385, de 7 
de dezembro de 1976, e estende às sociedades de grande porte disposições 
relativas à elaboração e divulgação de demonstrações financeiras. Disponível 
em:<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007- 2010/2007/lei/l11638.
htm>. Acesso em: 20 dez. 2010.
IUDÍCIBUS, S.; MARTINS, E.; GELBCKE, E. R. manual de contabilidade das 
sociedades por ações. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2007.
MARION, J. C. Contabilidade empresarial. 15. ed. São Paulo: Atlas, 2009.
NEVES, S. Contabilidade avançada. 15. ed. São Paulo: Atlas, 2007.
RIBEIRO, O. M. Demonstrações financeiras – mudanças na Lei das Sociedades 
Anônimas: como era e como ficou. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2010.
Capítulo 4
130 Contabilidade Básica II
Capítulo 5
131 Contabilidade Básica II
DEmonstração Do 
FlUxo DE Caixa
CAPÍTULO 5
5.1 Contextualizando
Prezado aluno! Chegamos ao quinto capítulo de nossa disciplina e 
apresento aqui um importante item para aprimorar seus conhecimentos. 
Trata-se da Demonstração de Fluxo de Caixa, também conhecida pela 
sigla DFC. Você aprenderá sobre como demonstrar os objetivos, métodos 
e benefícios trazidos pela DFC. Estas informações apresentadas na 
demonstração revelam as alterações efetuadas nas contas caixa/bancos/
equivalentes de uma entidade e possibilita ao investidor e aos usuários em 
geral o conhecimento sobre a forma adotada pela entidade para gerar e 
gerir os recursos de caixa e equivalentes.
Diante do contexto apresentado pela Demonstração do Fluxo de Caixa 
(DFC) neste capítulo, também abordarei as novas normas práticas contábeis 
atribuídas a esta demonstração, objetivo de nossos estudos.
Ao final deste capítulo, você será capaz de: 
 • identificar os elementos estruturais e conceituais da Demonstração do 
Fluxo de Caixa (DFC);
 • descrever a composição estrutural da Demonstração do Fluxo 
de Caixa;
 • classificar os elementos necessários para mensuração e 
reconhecimento dos fatos administrativos diante da Demonstração 
do Fluxo de Caixa. 
Capítulo 5
132 Contabilidade Básica II
5.2 Conhecendo a teoria
Nos capítulos anteriores, você estudou desde a estruturação do 
patrimônio das entidades até a elaboração do Balanço Patrimonial. Viu também 
a metodologia de apuração do resultado do exercício e sua estruturação na 
Demonstração do Resultado do Exercício (DRE). Ainda aprendeu os conceitos 
e técnicas de distribuição do Lucro Líquido e mutaçõespatrimoniais por meio 
de Demonstração de Lucro e Prejuízos Acumulados (DLPA) e da Demonstração 
das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL). Então, após este estudo sobre as 
demonstrações patrimoniais e de resultado, chegou o momento de aprender 
como demonstrar os resultados financeiros da entidade pela Demonstração 
do Fluxo de Caixa (DFC). 
O fluxo de caixa é uma espécie de radiografia da empresa. É por meio 
dele que o administrador identifica acertos e vulnerabilidades. 
Seu empenho é fundamental para melhor aproveitar este conteúdo. 
Vamos começar? 
A Lei 11.638/2007 tornou a Demonstração 
do Fluxo de Caixa obrigatória e foi uma das 
mais importantes inovações trazidas para as 
Sociedades Anônimas.
SAIBA QUE
Como você pode perceber, temos um grande desafio pela frente. São 
informações complexas que estão interligadas com o que você já estudou 
anteriormente. Mas lembre que com empenho e dedicação nenhuma 
tarefa é impossível.
Enquanto as demonstrações estudadas até o momento tratavam das 
mutações nos grupos do Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido, a Demonstra- 
ção do Fluxo de Caixa (DFC) evidencia as mutações do grupo específico do 
Ativo, o Disponível.
Capítulo 5
133 Contabilidade Básica II
De acordo com Ribeiro (2010, p. 99),
a origem da DFC é atribuída ao Financial Accounting Standards 
Board (Fasb), que, com o propósito de atender às necessidades 
norte-americanas no que se refere aos investidores e às empresas 
que buscavam captar recursos no mercado financeiro, apresentou 
esse documento por meio do seu Boletim n. 95 de 1987. 
Entretanto, a Lei das Sociedades Anônimas, que conduz, além das 
S.A., as demais sociedades, tornou obrigatória a elaboração e apresentação 
da Demonstração do Fluxo de Caixa. Destaco que no Brasil a Demonstração 
do Fluxo de Caixa (DFC) substituiu a Demonstração das Origens e Aplicações 
de Recursos (DOAR), embora esta fosse considerada uma demonstração rica 
em informações. O que pesou para o abandono da DOAR foi a sua difícil 
compreensão pela grande maioria dos investidores.
Veja, então, de forma bem simples, como as operações de caixa 
são apresentadas:
Tabela 1 – Estrutura básica da Demonstração do Fluxo de Caixa
demonstrAção do Fluxo de CAixA Ano xxxx
ENTRADAS -
 Recebimentos de Clientes 500,00
 total Das EntraDas 500,00
SAÍDAS
 Pagamento a Fornecedores (150,00)
 Pagamento de Despesas (20,00)
 total Das saÍDas (170,00)
 VARIAÇÃO DO PERÍODO (entradas - saídas) 330,00
 (+) saldo início do período 100,00
 (+) saldo no final do período 430,00
Fonte: Voges (2011)
 
Capítulo 5
134 Contabilidade Básica II
Sendo assim, este capítulo mostra primeiro os métodos de elaboração, 
as principais definições e conceitos e, posteriormente, a forma em que a 
Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) deve ser apresentada, contemplando 
todas as variações do grupo de contas do disponível.
Você também vai conhecer a forma de elaboração da Demonstração do 
Fluxo de Caixa (DFC), tanto pelo método direto quanto pelo método indireto. 
Você também poderá analisar a DFC na prática por meio de exemplos práticos 
para posterior elaboração dessa demonstração contábil. Mãos à obra!
5.2.1 Métodos de elaboração
A Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) é uma demonstração contábil, 
essencialmente financeira, que demonstra as entradas e as saídas de dinheiro 
no decorrer de um determinado período. O estudo possibilita, além da 
melhor avaliação por parte dos usuários da informação contábil e financeira, 
a capacidade de geração de caixa e da situação de liquidez e solvência da 
empresa. Como você percebe, a DFC é um instrumento fundamental para 
garantir a sobrevivência da empresa.
DEFINIÇÃO
Ribeiro (2010) define a Demonstração do Fluxo 
de Caixa (DFC) como um relatório contábil que 
tem por fim evidenciar as transações ocorridas 
em um determinado período e que provocaram 
modificações no saldo da conta caixa.
Logo, você pode concluir que a Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) 
propicia ao gestor financeiro um melhor planejamento das finanças da 
empresa, pois diante de uma economia inflacionária não é aconselhável o 
excesso de caixa.
Segundo Marion (2009), por meio do planejamento financeiro o gerente 
saberá o momento certo em que contrairá empréstimos para cobrir a falta 
(insuficiência) de fundos, bem como o momento apropriado para aplicar no 
mercado financeiro o excesso de dinheiro. Desta forma o gestor evita a corrosão 
inflacionária e proporciona maior rendimento à empresa, com menor risco.
Capítulo 5
135 Contabilidade Básica II
Só com o que apresentei até agora, você já pode perceber a importância 
e a utilidade da Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) para os usuários da 
informação contábil, bem como o que esta demonstração pode evidenciar. 
A elaboração da Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) tornou-se 
obrigatória a partir de 1 de janeiro de 2008, com o advento da Lei 11.638/2007, 
a chamada Lei das Sociedades Anônimas. Porém, esta lei não vale para 
as empresas de capital fechado cujo patrimônio líquido for inferior a R$ 2 
milhões, ou seja, a DFC não é obrigatória. 
Creio ser oportuno destacar que, apesar da lei ter sido aprovada só em 
2007, desde 1990 as companhias de capital aberto e muitas outras empresas, 
opcionalmente, já vinham elaborando essa demonstração contábil. Como 
você percebe, a DFC, mais do que uma obrigação, é uma análise importante e 
salutar à empresa.
Perceba que há uma legislação a ser obedecida, mas o fato de alguns 
tipos de associações não serem obrigadas a fazer certas análises contábeis não 
significa que elas não sejam praticadas, uma vez que deixam a movimentação 
financeira da empresa mais transparente, mais controlada. 
A Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) substituiu a Demonstração de 
Origens e Aplicações de Recursos (DOAR), porém, atualmente, algumas em-
presas adotam análise da DOAR para fins gerenciais, mas está cada vez mais 
caindo em desuso. Um dos motivos para a substituição da Demonstração de Ori-
gens e Aplicações de Recursos (DOAR) pela Demonstração do Fluxo de Caixa 
(DFC) foi a utilidade da informação gerada por essas demonstrações, ou seja, en- 
quanto a primeira evidencia uma análise mais específica para o longo prazo, a 
Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) busca analisar as variações de curto prazo. 
Para Ribeiro (2010), a DFC, por utilizar linguagem e conceitos mais 
simples, surge como instrumento mais acessível à maioria dos usuários das 
demonstrações contábeis. 
O principal objetivo da Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) é eviden-
ciar as entradas e saídas de dinheiro da entidade e, para isso, tem por objetivo 
focar o Regime de Caixa e não de competência como as demais demons- 
trações contábeis. 
Capítulo 5
136 Contabilidade Básica II
Ribeiro (2010) explica ainda que DFC trata-se de uma demonstração 
sintetizada dos fatos administrativos que envolvem os fluxos de dinheiro 
ocorridos durante um determinado período, devidamente registrados a débito 
(entradas) e a crédito (saídas) da conta caixa. 
A Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) é um relatório contábil que 
tem por objetivo evidenciar o que está provocando as variações positivas e 
negativas no caixa durante aquele determinado período. 
Segundo Azevedo (2008), estas as informações sobre o fluxo de caixa são 
fundamentais aos gestores da entidade e aos demais usuários da informação 
contábil, já que proporcionam: 
 • uma base para avaliar a capacidade de a entidade gerar caixa e honrar 
seus compromissos; 
 • ciência a respeito de se a entidade está gerando fluxos de caixa 
positivo ou negativo; 
 • demonstração das necessidades de financiamento; 
 • demonstração de ondevem o dinheiro e para onde está sendo 
destinado; 
 • identificação do grau de precisão das estimativas passadas de fluxos 
futuros de caixa; 
 • descrição do critério adotado para a distribuição de lucros/dividendos;. 
 • informação a respeito de se a entidade vem obtendo empréstimo e 
qual o seu montante. 
Portanto, como você pode observar, a Demonstração de Fluxo de Caixa 
(DFC) é, na verdade, um conjunto de informações significativas e úteis tanto 
para a análise a longo prazo quanto para o curto prazo. Isso quer dizer 
que o controle do caixa proporciona a programação de compras, gastos, 
oportunidade investimentos, aquisição de empréstimos, entre outros.
Contudo, o fluxo de caixa pode ser tanto realizado como projetado. 
Ele é realizado quando é a movimentação real da empresa, aquilo que de 
fato aconteceu. Mas quando o fluxo de caixa ainda é uma expectativa, uma 
esperança de que aconteça, é classificado como projetado. 
Logo, é de suma importância que a entidade confronte o fluxo de caixa 
realizado com o fluxo de caixa projetado para então analisar as variações 
Capítulo 5
137 Contabilidade Básica II
existentes e os seus respectivos motivos. Só assim as finanças estarão 
realmente sob controle.
Mas fique atento porque são diversas as operações que alteram o 
fluxo de caixa, tais como o recebimento de clientes decorrente de vendas, o 
pagamento de fornecedores em função da compra, o pagamento de salários 
dos colaboradores da empresa, a integralização de capital social em dinheiro, 
aquisição de empréstimo, entre outras tantas operações que fazem parte da 
rotina financeira da empresa.
Diante disto, destaco que a Lei 11.638/2007 não especifica um modelo de 
Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) que deve ser utilizado pelas entidades, 
apenas menciona no art. 188 que nesta demonstração as movimentações 
do dinheiro disponível são divididas em três grupos distintos: atividades 
operacionais, atividades de investimentos e atividades de financiamentos.
LEMBRETE
A Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) deve 
apresentar a movimentação do caixa resultante 
das atividades operacionais, das operações de 
investimentos e ações de financiamentos e o seu 
efeito sobre o saldo de caixa, conciliando assim 
os saldos no início e no final de cada período. 
Para Marion (2009), essa demonstração é obtida de forma direta (a partir 
da movimentação do caixa e equivalentes de caixa) ou de forma indireta (com 
base no lucro/prejuízo do exercício). 
Assim, existem dois métodos adotados para a elaboração da Demonstração 
do Fluxo de Caixa (DFC), o método direto e o método indireto, conforme será 
apresentado a seguir.
5.2.2 Conteúdo dos métodos e definições
A Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) pode ser estruturada de 
forma direta, considerando as entradas e saídas de recursos e apurando-se 
o saldo final de caixa, ou de forma indireta. Preste atenção neste detalhe: a 
demonstração parte do lucro líquido do exercício, posteriormente as entradas 
Capítulo 5
138 Contabilidade Básica II
e saídas de recursos, apurando o saldo final de caixa. Serão apresentados, a 
seguir, os métodos direto e indireto de elaboração da Demonstração do Fluxo 
de Caixa (DFC).
Método direto
O método direto de estruturação da Demonstração do Fluxo de 
Caixa (DFC) é considerado o mais comum entre as entidades onde todos os 
recursos decorrentes das atividades são registrados a partir do recebimento e 
pagamentos efetuados no período. 
Marion (2009) comenta que muitos estudiosos e gestores financeiros 
se referem ao método direto como o verdadeiro fluxo de caixa. Isso 
porque neste método as entradas e saídas de recursos do caixa começam 
pelos valores recebidos decorrentes das vendas, em vez de começar 
pelo lucro líquido, conforme prevê o método indireto que irei detalhar 
posteriormente. 
Apresento a seguir, de forma detalhada, o modelo da Demonstração 
do Fluxo de Caixa (DFC) pelo método direto reproduzido pela Norma Brasi-
leira de Contabilidade. Observe que tabela contém todos os dados relevantes 
da movimentação financeira da empresa. Tenha em mente que qualquer 
valor, por menos que seja, é importante para chegar ao resultado financeiro 
real da empresa
Tabela 2 – Demonstração do Fluxo de Caixa pelo método direto
MéTODO DIRETO – DEMONSTRAÇÃO DOS fLUXOS DE CAIXA
 Fluxos de CAixA dAs AtividAdes oPerACionAis Ano
Recebimentos de clientes 30.150
Pagamentos a fornecedores e empregados (27.600)
1) Caixa gerado pelas operações 2.550
Juros pagos (270)
Imposto de Renda e contribuição social pagos (800)
Imposto de Renda na fonte sobre dividendos recebidos (100)
2) Caixa líquido proveniente das atividades operacionais 1.380
Fluxos de caixa das atividades de investimento (480)
Capítulo 5
139 Contabilidade Básica II
Aquisição da controlada X (550)
Compra de ativo imobilizado (350)
Recebido pela venda de equipamento 20
Juros recebidos 200
Dividendos recebidos 200
3) Caixa líquido usado nas atividades de investimento (480)
Fluxos de caixa das atividades de financiamento 
Recebido pela emissão de ações 250
Recebido por empréstimo a logo prazo 250
Pagamento de passivo por arrendamento (90)
Dividendos pagos* (1.200)
4) Caixa líquido usado nas atividades de financiamento (2 + 3 + 
atividades de financiamentos)
(790)
Aumento líquido de caixa e equivalentes de caixa 110
Caixa e equivalentes de caixa no início do período 120
Caixa e equivalentes de caixa no fim do período 230
Fonte: adaptado de NBC-T-3.8
Como citei antes, a Lei 11.638/2007 não especifica um modelo de 
Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) que deve ser utilizado pelas empresas, 
apenas menciona no art. 188 as movimentações que devem comportar. 
Mas atenção porque, posteriormente, a Demonstração do Fluxo de 
Caixa (DFC) foi disciplinada pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis e pelo 
Conselho Federal de Contabilidade, por meio da NBC-T-3.8, aprovada pela 
Resolução n. 1.125/2008 (RIBEIRO, 2010).
Como você já pode comprovar, o método direto da Demonstração 
do Fluxo de Caixa deixa muito clara a movimentação financeira da empresa. 
São informações simples que revelam a saúde financeira da empresa e que 
podem ser perfeitamente entendidas por leigos. Na sequência, você vai 
conhecer o método indireto do DFC, todas as suas peculiaridades e aplicações. 
Vamos em frente?
Método indireto
O método indireto é considerado complexo e consiste na elaboração 
do fluxo de caixa a partir do lucro líquido apurado no exercício, seguido das 
Capítulo 5
140 Contabilidade Básica II
movimentações de entradas e saídas de recursos até chegar ao resultado 
final do caixa.
Segundo Ribeiro (2010, p. 108),
por este método, também denominado Método da Reconciliação, 
os recursos derivadas das atividades operacionais são demonstrados 
a partir do lucro líquido do exercício, ajustado pela adição das 
despesas e exclusão das receitas consideradas na apuração do 
resultado e que não afetaram o caixa da empresa, isto é, que 
não representaram saídas ou entradas de dinheiro, bem como 
pela exclusão das receitas realizadas no exercício anterior e pela 
adição das receitas recebidas antecipadamente que não foram 
consideradas na apuração do resultado, mas que interferem no 
caixa da empresa.
Logo, o método indireto de estruturação da Demonstração do Fluxo 
de Caixa (DFC) evidencia, no grupo atividades operacionais, os valores pelo 
Regime de Competência, onde então se faz a relação entre as movimentações 
de caixa e o resultado líquido, constante na Demonstração do Resultado do 
Exercício, também denominado de método de conciliação. 
Apresento a seguir de forma detalhada o modelo da Demonstração do 
Fluxo de Caixa (DFC)pelo método indireto reproduzido pela Norma Brasileira 
de Contabilidade:
Tabela 2 – Demonstração do Fluxo de Caixa pelo método indireto
MéTODO INDIRETO – DEMONSTRAÇÃO DOS fLUXOS DE CAIXA
 Fluxos de CAixA dAs AtividAdes oPerACionAis – Ano
Lucro líquido antes do Imposto de Renda e contribuição social 3.350
Ajustes por: 
 Depreciação 450
 Perda cambial 40
 Renda de investimentos (500)
 Despesas de juros 400
1) Saldo=> 3.740
Aumento nas contas a receber de clientes e outros (500)
Diminuição nos estoques 1.050
Capítulo 5
141 Contabilidade Básica II
Diminuição nas contas a pagar – fornecedores (1.740)
2) Caixa proveniente das operações (1.190)
Juros pagos (270)
Imposto de Renda e contribuição social pagos (800)
Imposto de Renda na fonte sobre dividendos recebidos (100)
4) Caixa líquido proveniente das atividades operacionais (1+2+ 
demais movimentações)
1.380
Fluxos de CAixA dAs AtividAdes de investimento 
Aquisição da controlada X (550)
Compra de ativo imobilizado (350)
Recebimento pela venda de equipamento 20
Juros recebidos 200
Dividendos recebidos 200
5) Caixa líquido usado nas atividades de investimento (480)
FLUXOS DE CAIXA DAS ATIVIDADES DE FINANCIAMENTO 
Recebimento pela emissão de ações 250
Recebimento por empréstimos a longo prazo 250
Pagamento de obrigação por arrendamento (90)
Dividendos pagos* (1.200)
6) Caixa líquido usado nas atividades de financiamento (790)
Aumento líquido de caixa e equivalentes de caixa (4+5+6) 110
Caixa e equivalentes de caixa no início do período 120
Caixa e equivalentes de caixa no fim do período 230
Fonte: adaptado de NBC-T-3.8
Caro aluno, como você pode observar, o método indireto é muito mais 
complexo em sua forma de estruturação. Cabe também destacar que o saldo 
final do fluxo de caixa foi o mesmo em ambos os métodos aplicados, tanto no 
direto e quanto no indireto.
Iudícibus, Martins e Gelbcke (2007) comentam que no método indireto, 
por levar em consideração que o lucro líquido afeta diretamente o caixa, o 
que é irreal, deve-se retirar os itens que atingem o lucro, mas que não afetam 
o caixa, e os que afetam o caixa, mas não o lucro. Exemplo disso são as 
depreciações, vendas de imobilizado, uma vez que afetam o caixa, mas não as 
atividades operacionais.
Capítulo 5
142 Contabilidade Básica II
A Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) pelo método indireto requer 
a atenção e o cuidado para evidenciar todas as movimentações das contas 
caixa e equivalentes (bancos, aplicações), tomando por base separá-las em 
conformidade com a atividade.
Nesta demonstração, a estruturação parte do lucro ou prejuízo do 
período, logo, este precisa ser ajustado por contabilizações que não afetaram 
o caixa, como, por exemplo, a depreciação, as provisões, as variações 
monetárias ativas e passivas, entre outras. Então, no método indireto, o 
lucro deve ser ajustado com o aumento ou a redução decorrente das contas 
patrimoniais até obter-se o saldo de caixa evidenciado na Demonstração do 
Fluxo de Caixa pelo método direto. 
LEMBRETE
Você deve ficar atento aos sinais das contas 
patrimoniais. As contas redutoras do ativo e 
as adições no passivo são representadas como 
soma na Demonstração do Fluxo de Caixa. 
Inversamente, as contas redutoras do passivo e 
adições no ativo são evidenciadas por meio da subtração na DFC, 
porque demonstram que a empresa necessita de recursos de caixa e 
equivalentes no exercício.
Portanto, todas as contas do ativo e do passivo de curto prazo, ou seja, 
do circulante, devem ser evidenciadas na Demonstração do Fluxo de Caixa 
(DFC), exceto as contas de caixa e equivalentes, que estarão consideradas no 
saldo. Atente que as contas de empréstimos ou financiamentos, transferidas 
de longo para curto prazo, não representam saídas de caixa.
Segundo Iudícibus, Martins e Gelbcke (2007), no método indireto, por 
considerar que o lucro líquido afeta diretamente o caixa, o que é ilusório, é 
preciso retirar os itens que interferem no lucro, mas que não afetam o caixa, 
e os que afetam o caixa, mas não interferem no lucro, como, por exemplo, 
as vendas de imobilizado, uma vez que interferem no caixa, mas não nas 
atividades operacionais, entre outras.
Capítulo 5
143 Contabilidade Básica II
Para facilitar a sua compreensão do que expus até agora, creio ser de 
fundamental importância conceituar os elementos de caixa e equivalentes de 
caixa, como apresento a seguir.
Caixa e equivalente de caixa
A Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) foi regulamentada pelo Comitê 
de Pronunciamentos Contábeis que trata dos elementos do caixa como os 
numerários em espécie e os depósitos bancários disponíveis. Já os elementos 
equivalentes de caixa referem-se às aplicações financeiras de alta liquidez, ou 
seja, aquelas que são facilmente transformadas em dinheiro.
Conforme Ribeiro (2010, p. 102),
equivalentes de caixa abrangem todos os investimentos efetuados 
pela empresa e que tenham altíssima liquidez. São as sobras de caixa 
aplicadas no mercado financeiro, cujas operações se caracterizam 
pela finalidade não especulativa, bem como, conforme já 
abordamos, pela possibilidade de serem resgatadas imediatamente 
(no momento que a entidade desejar).
Também conforme Ribeiro (2010), os equivalentes de caixa abrangem 
todos os investimentos efetuados pela empresa que tenham altíssima liquidez. 
São as sobras de caixa aplicadas no mercado financeiro, cujas operações se 
caracterizam pela finalidade não especulativa, bem como, conforme já 
abordamos, pela possibilidade de serem resgatadas imediatamente (no 
momento que a entidade desejar).
Portanto, as aplicações em poupança, os CDBs e RDBs prefixados, entre 
outros, podem ser considerados elementos equivalentes de caixa. 
Deste modo, pode-se observar a importância do detalhamento 
das informações quanto à liquidez das contas pelo gestor financeiro, e 
principalmente, o controle e o monitoramento das mesmas.
A seguir, detalharei para você a classificação, os componentes e a 
estrutura da Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC). Atenção para os detalhes!
Capítulo 5
144 Contabilidade Básica II
5.2.3 Classificação, componentes e estrutura
A Lei das Sociedades por Ações ou a Lei 11.638/2007 não trata de 
nenhum modelo de Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) que deve ser 
apresentado pelas entidades, apenas referencia em seu art. 188 que nessa 
demonstração as movimentações das disponibilidades serão divididas em 
três grupos distintos: 
 • atividades operacionais;
 • atividades de investimentos;
 • atividades de financiamentos. 
Para uma melhor aceitação e análise da Demonstração do Fluxo de Caixa 
(DFC) pelo usuário da informação, a Lei 11.638/2007 divide essa demonstração 
em atividades, uma vez que sua elaboração, estruturação e interpretação se 
tornam simples. Isso porque estas três atividades estão relacionadas de acordo 
com a natureza da informação que lhe dá origem. 
Quanto aos três grupos de atividade, Iudícibus, Martins e Gelbcke (2007) 
abordam o seguinte exemplo: a compra de matéria-prima para a produção é 
uma atividade operacional; a compra de uma máquina utilizada na geração 
de outros produtos é uma atividade de investimento, e a compra de ações da 
própria empresa é uma atividade de financiamento. 
A Norma Brasileira de Contabilidade a NBC-T 3.8 disciplina as empresas 
a apresentarem seus relatórios de fluxos de caixa decorrentes das atividades 
operacionais, de investimento e de financiamento da maneira mais apropriada 
aos seus negócios. Esta flexibilidade é importante porque a empresa define a 
melhor forma de trabalhar as suas informações.
Portanto, a classificação das atividades deve harmonizar as 
informaçõesde maneira que os usuários possam avaliar o impacto de 
tais atividades sobre a posição financeira da entidade. Ainda, essas 
informações podem também ser usadas para avaliar a relação dessas 
atividades entre si. 
Desta forma, podemos considerar como atividades operacionais 
aquelas resultantes das atividades foco da empresa, realizadas conforme 
seu objeto social, ou seja, atividades de produção, comercialização e 
Capítulo 5
145 Contabilidade Básica II
prestação de serviços, como, por exemplo, cobrança de clientes, pagamento 
a fornecedores, pagamento a funcionários, entre outros.
Segundo Ribeiro (2010), as atividades operacionais compreendem às 
transações que envolvem a consecução do objeto social da entidade.
Está claro até aqui? Então vamos em frente! As atividades de 
investimentos são aquelas que decorrem principalmente da compra e 
venda de elementos do ativo (não circulante) da empresa que não seriam 
destinados à ven-da, e sim utilizados para produção, comercialização ou 
prestação de serviços. 
Esses ativos são classificados como não circulante nos subgrupos de 
investimentos, imobilizado ou intangível, como máquinas e equipamentos, 
softwares, participação em outras entidades, entre outros. 
Conforme Marion (2009), as atividades de investimentos referem-se 
ao não circulante da empresa. Quando uma empresa compra máquinas, 
ações, prédios etc., reduz o caixa. Quando a empresa vende esses itens, 
aumenta o caixa.
As atividades de financiamento são aquelas que decorrem da 
captação de recursos de sócios, acionistas ou instituições financeiras 
(empréstimos e/ou financiamentos bancários). Essas atividades possuem 
relação com o endividamento da entidade, tanto de longo como de 
curto prazo. 
Para Marion (2009), os financiamentos poderão vir dos proprietários 
(aumento de capital em dinheiro) ou de terceiros (financiamentos, bancos, 
entre outros).
Além de tudo, um único fato administrativo/financeiro pode ser 
classificado em mais de uma atividade, como, por exemplo, quando a empresa 
efetua o pagamento de uma parcela de um empréstimo bancário com juros. 
O valor do principal pagamento deve ser classificado como atividade de 
financiamento e os juros incidentes sobre a parcela podem ser classificados 
como atividade operacional. 
Capítulo 5
146 Contabilidade Básica II
PRATICANDO
Como você viu, existem três grupos de atividades. 
Se a compra de matéria-prima para a produção 
é uma atividade operacional e a compra de 
uma máquina utilizada na geração de outros 
produtos é uma atividade de investimento, 
como podemos classificar a compra (resgate) de ações da 
própria empresa? 
Se você respondeu que é uma atividade de financiamento, acertou! 
Conforme Ribeiro (2008), as transações que devem integrar a Demons-
tração do Fluxo de Caixa (DFC) serão abordadas a seguir.
 Atividades operacionais
a) São consideradas entradas: 
 • recebimento de clientes em virtude de vendas, à vista, de mercadorias, 
serviços ou de outros bens do Ativo Circulante; 
 • recebimento de clientes decorrentes de duplicatas referentes a vendas 
de bens ou prestação de serviços realizados a prazo; 
 • recebimento proveniente de descontos de duplicatas oriundas da 
venda de bens ou da prestação de serviços a prazo; 
 • recebimento de juros sobre empréstimos concedidos, sobre 
financiamentos relativos a vendas de bens do Ativo Circulante ou à 
prestação de serviços, ou, ainda, sobre aplicações financeiras; 
 • recebimento das demais receitas operacionais, realizadas ou não, ou, 
ainda, daquelas já realizadas e devidamente contabilizadas em contas 
representativas de direitos; 
 • recebimento pela venda ou resgate de títulos e valores mobiliários, 
exceto aqueles considerados investimentos;
Capítulo 5
147 Contabilidade Básica II
 • recebimento de dividendos por participação no capital de 
outras empresas; 
 • recebimento de indenizações por sinistros ocorridos em bens ou 
insumos destinados à produção ou à venda;
 • todos os demais recebimentos, desde que não se enquadrem em 
atividades de investimentos ou de financiamentos. Exemplos: os 
reembolsos recebidos de fornecedores decorrentes de devoluções 
de compras de mercadorias serão classificados como atividades 
operacionais, enquanto os reembolsos recebidos de fornecedores 
decorrentes de devolução de compra de bens do Ativo Permanente 
serão classificados como atividades de investimentos.
b) São consideradas saídas:
 • pagamentos efetuados a fornecedores em virtude de compras à 
vista de mercadorias ou de serviços – ou ainda de outros bens do 
Ativo Circulante;
 • pagamento de duplicatas a fornecedores, em virtude de compras 
de mercadorias ou de serviços, ou, ainda, de outros bens do Ativo 
Circulante, efetuadas a prazo; 
 • pagamento de juros e descontos comerciais ou financeiros e de 
outras despesas financeiras; 
 • pagamento de despesas em geral: antes da ocorrência de seus fatos 
geradores (despesas antecipadas), no momento da ocorrência de 
seus fatos geradores e após a ocorrência de seus fatos geradores (já 
devidamente apropriadas e registradas em contas de obrigação) ; 
 • pagamentos aos governos federal, estadual e municipal, referentes a 
tributos: imposto de renda e contribuição social sobre o lucro líquido, 
taxas diversas etc.;
 • pagamento ou recolhimento de obrigações trabalhistas, 
previdenciárias e outras;
Capítulo 5
148 Contabilidade Básica II
 • aplicações financeiras em títulos e valores mobiliários, classificáveis 
no Ativo Circulante;
 • outras saídas de caixa, desde que não se enquadrem entre 
as atividades de investimentos ou financiamentos, como 
adiantamentos a fornecedores para aquisição de bens classificáveis 
no Ativo Circulante ou para a utilização de serviços, reembolso a 
clientes em decorrência de vendas canceladas ou de abatimentos 
concedidos etc.
Atividades de investimento
a) Considera-se como entradas:
 • recebimento do principal decorrente de empréstimos ou 
financiamentos efetuados a terceiros; 
 • resgate de aplicações financeiras, exceto as equivalentes de caixa ou 
outras do Ativo Circulante; 
 • recebimento pela venda de títulos de investimentos de 
outras entidades;
 • recebimento pela venda de participações em outras empresas; 
 • recebimento pelo resgate de participações em outras empresas; 
 • recebimentos decorrentes de vendas de bens de uso da empresa ou 
de outros bens do Ativo Permanente; 
 • juros recebidos de contratos mútuos.
b) Saídas:
 • desembolsos relativos à concessão de empréstimos a terceiros;
 • aplicações financeiras em títulos e valores mobiliários, classificáveis no 
ativo realizável a longo prazo;
 • pagamentos pela aquisição de títulos e valores mobiliários de outras 
entidades, classificáveis no Ativo Permanente; 
 • pagamentos relativos à aquisição de bens de uso, classificáveis no 
ativo imobilizado.
Atividades de financiamento
a) Entradas:
Capítulo 5
149 Contabilidade Básica II
 • recebimento de recursos financeiros dos proprietários como 
realização do capital ou pela venda de ações emitidas; 
 • empréstimos obtidos a curto ou a longo prazo, com emissão de 
notas promissórias, debêntures, letras hipotecárias, títulos de dívida, 
recebimento de juros decorrentes de empréstimos efetuados a 
terceiros etc.; 
 • recebimento de recursos financeiros decorrentes de doações de ca- 
ráter permanente ou temporário, com finalidade exclusiva de aqui-
sição, construção ou expansão, incluídos bens de uso classificáveis no 
ativo imobilizado.
b) Saídas:
 • pagamentos ao proprietário, sócios ou acionistas referentes a 
reembolso de seus investimentos no capital da entidade, ou refe-
rentes a pagamento de dividendos, jurossobre o capital próprio ou 
outras distribuições; 
 • pagamento de empréstimos obtidos; 
 • pagamento de juros sobre empréstimos obtidos. 
Diante do conteúdo exposto até o momento, é válido apresentar que 
algumas transações não movimentam as disponibilidades, logo, não devem 
integrar a Demonstração do Fluxo de Caixa – DFC. 
Segundo Ribeiro (2009), as transações que não devem integrar a 
Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) são:
 • aumentos de capital com o aproveitamento de reservas;
 • aumentos de capital com conversão de obrigações de curto e 
longo prazos;
 • aumentos de capital com integralização em bens do ativo imobilizado;
Capítulo 5
150 Contabilidade Básica II
 • recebimento de doações, exceto em dinheiro;
 • transferência de valores do Passivo Não Circulante para o Passivo 
Circulante e do Realizável a Longo Prazo para o Ativo Circulante;
 • distribuição de dividendos, enquanto não forem pagos. Essa 
transação reduz o Patrimônio Líquido e aumenta o Passivo Circulante, 
porém não movimenta o caixa. É bom ressaltar que, no momento 
do pagamento dos dividendos, por ocorrer saída de numerário do 
disponível, o caixa ficará afetado e, consequentemente, o fato será 
informado na DFC;
 • compensação de valores passivos com valores ativos, desde que não 
envolvam dinheiro entre outros;
 • convém salientar que, na DFC, não devem figurar as transações 
que correspondam a ingressos virtuais no caixa, como ocorre, por 
exemplo, no momento da integralização de capital com bens do 
ativo imobilizado ou com a aquisição de bens do ativo imobilizado 
financiados a longo prazo. Na extinta DOAR essas transações deviam 
ser informadas, considerando-se que tenha ocorrido ingresso de 
dinheiro no Ativo Circulante e imediata saída para aquisição dos 
referidos bens. Na DFC, transações dessa natureza não aparecem, 
devendo ser objeto de informação em Notas Explicativas.
Caro aluno, apresentei até aqui os principais conceitos, a classificação 
e os métodos de estruturação da Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC). 
A partir deste momento, para que você entenda a função de cada um dos 
itens estudados e a importância do conhecimento adquirido, apresento no 
tópico a seguir um roteiro para estruturação da Demonstração do Fluxo de 
Caixa (DFC).
5.2.4 Roteiro para elaborar os fluxos de caixa
Para estruturar a Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) da empresa, 
os dados são extraídos dos registros financeiros, conforme a elaboração das 
demais demonstrações contábeis.
Capítulo 5
151 Contabilidade Básica II
Na confecção do Balanço Patrimonial, da 
Demonstração do Resultado do Exercício 
(DRE), da Demonstração de Lucros ou Prejuízos 
Acumulados (DLPA) e na Demonstração das 
Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) leva-se 
em consideração o Regime de Competência, ou 
seja, os fatos são registrados no momento de sua 
ocorrência lançando os valores a vista ou a prazo. 
Já para a confecção da Demonstração do Fluxo 
de Caixa (DFC) é considerado o Regime de Caixa, ou seja, os registros 
são realizados em decorrência do recebimento e pagamento.
SAIBA QUE
Cada demonstração contábil possui seu grau de dificuldade dependendo 
do amplitude do seu detalhamento. 
Conforme Ribeiro (2009, p. 116),
há demonstrações que são simples de serem elaboradas, como é 
o caso do Balanço Patrimonial, da DLPA e da DMPL, as quais são 
elaboradas a partir dos saldos das contas extraídos diretamente do 
livro Razão, sem maiores complicações. Porém, para se elaborar a 
DFC, dependendo da complexidade das operações que ocorreram 
durante o exercício, será necessário preparar mapas ou outros 
demonstrativos para facilitar o agrupamento de dados a serem 
indicados nesse demonstrativo contábil. 
Destaco que para a confecção da Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) 
é necessário, em primeiro lugar, disponibilizar todos os registros contábeis 
realizados durante o exercício social, contemplando os livros contábeis (diário 
e razão), bem como as demonstrações contábeis já encerradas.
Importante assinalar que na estruturação da Demonstração do Fluxo de 
Caixa (DFC), tanto pelo método direto quanto pelo método indireto, os dados 
são coletados a partir do Balanço Patrimonial, do exercício atual e anterior, e 
da Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) do exercício atual. Para os 
casos onde existe a necessidade do detalhamento da conta é necessário o uso 
do livro razão.
Capítulo 5
152 Contabilidade Básica II
Em posse dos livros contábeis e das demonstrações, você deve observar 
as principais transações que afetaram o caixa, aumentando ou reduzindo 
o seu saldo, tais como integralização de capital em dinheiro, aquisição de 
empréstimo, vendas à vista, pagamento de fornecedores, pagamento de 
despesas, entre outras. É importante também a identificação das transações 
que não afetaram o caixa, como por exemplo, a depreciação, provisão para 
crédito de liquidez duvidosa, entre outras. A atenção aos detalhes vai fazer 
toda a diferença na sua atuação profissional!
Depois de identificadas as principais transações de caixa, deve-se optar 
por um método de estrutura e, então, classificar as transações por grupo de 
atividades. Logo, tanto na Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC), na forma 
direta e na indireta, as informações devem ser apresentadas por grupo de 
atividade, tais como operacionais, investimento e financiamento, conforme a 
Lei das Sociedades por Ações.
Portanto, no grupo das atividades de investimentos e de financiamentos 
os dados serão iguais, tanto no método direto quanto no método indireto. 
Para Ribeiro (2009), o que muda é a forma de apresentar a origem e o destino 
do dinheiro em decorrência das atividades operacionais.
A Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) tem 
a intenção de esclarecer algumas situações 
controversas na empresa, como, por exemplo, 
quando esta possui um lucro alto e um saldo de 
caixa baixo. Ou, ainda, como a empresa pode ter 
registrado prejuízo num determinado período 
com um saldo de caixa alto.
REFLEXÃO
Perceba que na escolha da Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) da 
forma indireta é preciso ter o entendimento de que a sua estrutura inicia a 
partir do resultado do exercício, ajustando-o pela supressão dos resultados não 
financeiros e pela adição ou exclusão das variações ocorridas nos grupos de 
contas do Ativo Circulante, exceto as disponibilidades e o Passivo Circulante. 
Diante do exposto, destaco que se adicionam ao resultado do exercício 
as despesas que não transitam pelo caixa como, por exemplo, a depreciação 
Capítulo 5
153 Contabilidade Básica II
e subtraem-se também as receitas que não transitam pelo caixa. Neste caso, 
as mais comuns são as receitas decorrentes das participações societárias 
contabilizadas pelo método de equivalência patrimonial, em que existe apenas 
a agregação do valor do ganho sem transitar pelo fluxo financeiro.
Em seguida, já no grupo das atividades operacionais, são registradas na 
Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) as variações, para mais ou para menos, 
decorrentes de todos os grupos de contas do Ativo Circulante, exceto das 
disponibilidades e do Passivo Circulante. Desta forma, vamos obter o resultado 
gerado ou consumido pelas atividades operacionais. 
Observe que na Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) pela forma 
direta, no grupo de atividades operacionais, é evidenciado o total dos valores 
recebidos de clientes, bem como o total dos valores pagos aos fornecedores 
e aos empregados. O resultado das atividades operacionais decorre dos 
recebimentos e dos pagamentos ocorridos durante o exercício. 
Posteriormente, são registrados os pagamentos realizados a título de 
imposto de renda e contribuição social, os recebimentos porreembolso de 
seguros, os pagamentos de contingências, os recebimentos vindos de lucros 
para, finalmente, ser informado o valor líquido decorrente do confronto entre 
os demais recebimentos e pagamentos ocorridos no período e não incluídos 
nos itens anteriores. 
Contudo, depois de identificadas as atividades operacionais, temos 
que apurar as transações dos financiamentos decorrentes de terceiros 
(financiadoras e bancos) ou sócios (dividendos e aumento de capital), 
registrando na Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) as suas variações tanto 
quando aumentarem ou diminuírem os saldos.
A seguir, devem ser apuradas as transações das atividades de investimento, 
ou seja, aquelas que se referem ao não circulante da empresa como, por 
exemplo, a compra de máquinas, imóvel ou ainda a venda de ações.
E, por fim, a apuração do saldo inicial e final da Demonstração do Fluxo 
de Caixa (DFC), destacando os fluxos por grupo de atividade.
Para facilitar o processo de aprendizagem, proponho a análise de um 
exemplo, que foi adaptado para facilitar seu entendimento. Vamos a ele!
Capítulo 5
154 Contabilidade Básica II
Exemplo de confecção da DFC proposto por Marion (2009)
Com base no Balanço Patrimonial dos exercícios de 20x4 e 20x5 e 
Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) e Demonstração dos Lucros ou 
Prejuízos Acumulados (DLPA) de 20x5 da Casa de Lingeries, exemplo proposto 
por Marion (2009), deve-se estruturar a Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) 
pelos métodos direto e indireto:
Tabela 4 – Demonstração dos Lucros ou Prejuízos acumulados da Casa das Lingeries
BALANÇO PATRIMONIAL 
 CAsA dAs lingeries ltdA.
ativo 31-12-x4 31-12-x5 passivo 31-12-x4 31-12-x5 
 CirCUlantE 580.000,00 650.000,00 CirCUlantE 340.000,00 280.000,00 
 Caixa 40.000,00 10.000,00 Fornecedores 200.000,00 220.000,00 
 Duplic.a Receber 150.000,00 220.000,00 Salários a Pagar 30.000,00 40.000,00 
 Estoques 390.000,00 420.000,00 Impostos a Pagar 60.000,00 6.000,00 
 Dividend.a Pagar 50.000,00 14.000,00 
 não CirCUlantE 210.000,00 180.000,00 não CirCUlantE 450.000,00 550.000,00
 Realizável a 
longo prazo
50.000,00 40.000,00 Exigível a longo 
prazo (financia-
mentos)
100.000,00 150.000,00 
 Investimentos 60.000,00 50.000,00 
 Imobilizado 70.000,00 60.000,00 PATRIM. LÍQUIDO 350.000,00 400.000,00 
 Intangível 30.000,00 30.000,00 Capital 300.000,00 340.000,00 
 Reservas Lucro 50.000,00 60.000,00 
total 790.000,00 830.000,00 total 790.000,00 830.000,00
Fonte: adaptado de Marion (2009)
Tabela 5 – Demonstração do Resultado do Exercício da Casa das Lingeries
DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO
 CAsA dAs lingeries – 20x5
Receita Líquida 800.000,00 
(-) Custo da Mercadoria Vendida (650.000,00)
lucro Bruto 150.000,00 
Capítulo 5
155 Contabilidade Básica II
(-) Despesas Operacionais 
 Vendas (30.000,00)
 Administrativas (inclui depreciação de 10.000) (70.000,00)
 Financeiras (despesa de 30.000 e receita 10.000) (20.000,00)
lucro operacional 30.000,00 
(-) Imposto de Renda e Contribuição Social (6.000,00)
lucro líquido 24.000,00 
Fonte: Marion (2009)
Tabela 6 – Demonstração dos Lucros ou Prejuízos acumulados da Casa das Lingeries
DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO
 CAsA dAs lingeries – 20x5
Lucros acumulados de 31-12-x4 50.000,00 
 (+) Lucro Líquido de 31-12-x5 24.000,00 
Saldo a disposição dos sócios 74.000,00 
 (-) Dividendos (14.000,00)
Lucros acumulados de 31-12-x5 60.000,00 
Fonte: Marion (2009)
Com a análise das demonstrações contábeis apresentadas, você pode 
verificar que:
Quanto às entradas
 Receita operacional recebida = receita líquida de 800.000 + duplicatas a 
receber (x4) 150.000 – duplicatas a receber (x5) 220.000 = 730.000
Receita Financeira = 10.000 (DRE)
 Recebimento de coligadas = realizável a longo prazo (x4) - realizável a 
longo prazo (x5) = 10.000
Vendas investimentos = investimento (x4) - investimentos (x5) = 10.000
 Novos financiamentos = financiamento a pagar de (x5) - financiamento 
a pagar de (x4) = 50.000
Capítulo 5
156 Contabilidade Básica II
Aumento capital = Capital (x5) – Capital (x4) = 40.000
Quanto às saídas
 Compras pagas = compras 680.000 + fornecedores (x4) 200.000 - 
fornecedores (x5) 220.000 = 660.000
Despesas vendas pagas = 30.000 (DRE)
 Despesas administrativas = 70.000 (DRE) - depreciação 10.000 + salários a 
pagar (x4) 30.000 - salários a pagar (x5) 40.000= 50.000
Despesas financeiras = 30.000 (DRE)
 Imposto de renda = 6.000 (DRE) + IR a pagar (x4) 60.000 - IR a pagar (x5) 
6.000 = 60.000
 Dividendos pagos = 14.000 (DLPA) + dividendos pagos (x4) 60.000 - 
dividendos pagas (x5) 14.000 = 50.000
Tabela 7 – Método indireto
MéTODO INDIRETO – DEMONSTRAÇÃO DOS fLUXOS DE CAIXA
 CAsA dAs lingeries – 20x5
a) atividade operacionais
Lucro líquido 24.000,00
 (+) despesas econômicas (não afetam o caixa) 
Depreciação 10.000,00
 
Ajuste por Mudança do Capital de Giro 34.000,00 
(aumento ou redução durante o ano) 
Ativo Circulante 
 Duplicatas a Receber - aumento (reduz o caixa) (70.000,00) 
 Estoque de Lingeries - aumento (reduz o caixa) (30.000,00) 
 (100.000,00) 
Passivo Circulante 
 Fornecedores - aumento (melhora o caixa) 20.000,00
Capítulo 5
157 Contabilidade Básica II
 Salários a Pagar - aumento (melhora o caixa) 10.000,00 
 Impostos a Recolher - redução (piora o caixa) (54.000,00) 
 (24.000,00) 
 – (124.000,00)
Fluxo de Caixa das Atividades Operacionais 
b) atividades de investimentos 
Não houve variação no imobilizado – 
Vendas de Ações de Coligadas 10.000,00 
Recebimentos de Empresas Coligadas 10.000,00 
 20.000,00 
c) atividades de Financiamentos 
Novos Financiamentos 50.000,00 
Aumento de Capital em dinheiro 40.000,00 
Dividendos (50.000,00) 
 40.000,00 
 – 60.000,00
Redução de Caixa no ano (30.000,00)
Saldo Inicial de Caixa 40.000,00
Saldo Final de Caixa 10.000,00 10.000,00
Fonte: Marion (2009)
Tabela 8 – Método direto
MéTODO INDIRETO – DEMONSTRAÇÃO DOS fLUXOS DE CAIXA
 CAsA dAs lingeries – 20x5
saldo inicial em 31-12-x4 40.000,00
Entradas
 Receita operacional recebida 730.000,00 
 Receitas financeiras 10.000,00 
 Recebimentos de coligadas 10.000,00 
 Vendas de investimentos 10.000,00 
 Novos financiamentos 50.000,00 
 Aumento de capital 40.000,00 850.000,00 
 
saídas (660.000,00) 
Capítulo 5
158 Contabilidade Básica II
 Compras pagas (660.000,00) 
 Despesas de vendas pagas (30.000,00) 
 Despesas sdministrativas (50.000,00) 
 Despesas financeiras (30.000,00) 
 Imposto de renda (60.000,00) 
 Dividendos pagos (50.000,00) (880.000,00)
saldo Final em 31-12-x5 10.000,00
Fonte: Marion (2009)
Ao analisar as tabelas anteriores você pode observar a confecção da 
Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) tanto pelo método direto quanto pelo 
método indireto, onde o primeiro parte do saldo inicial de caixa e o segundo 
do resultado apurado no exercício. 
Se o Fluxo de Caixa é tão importante, por que 
sua aplicação é restrita na maioria das empre- 
sas? Pesquise junto a três empresas e ques-
tione se elas adotam o fluxo de caixa como 
instrumento de decisão financeira. Em caso posi- 
tivo, pergunte há quanto tempo; se negativo, 
tente identificar o motivo.
DESAFIO
5.3 Aplicando a teoria na prática
Para aprofundar o que conheceu até agora, proponho o desenvolvi-
mento do caso a seguir, para que você possa refletir sobre o conteúdo trabalho 
neste capítulo.
Diferença entre o fluxo econômico (DrE) e fluxo financeiro (DFC)
A Papelaria Asa Branca apresenta os seguintes saldos: 
• geração de receita de 5.650,00 tendo recebido 5.550,00;• custo com o serviço prestado foi de 3.600,00 tendo pago apenas 3.500,00;
• depreciação de 1.200,00;
Capítulo 5
159 Contabilidade Básica II
• despesas Operacionais pagas de 900,00;
• novos investimentos no imobilizado de 600,00 pagos;
• amortização de financiamentos de 300,00 pagos;
• pagamentos de dividendo 200,00.
Tabela 9 – Fluxo econômico (DRE) e fluxo financeiro (DFC)
fLUXO ECONôMICO (DRE) E fLUXO fINANCEIRO (DfC)
itens
Fluxo 
eConômiCo 
(dre)
 Fluxo 
FinAnCeiro 
(dFC)
Receita 5.650,00 5.550,00 
 (-) Custo Serviço (3.600,00) (3.500,00)
 (-) Depreciação (1.200,00) –
 = Lucro Bruto 850,00 2.050,00 
 (-) Despesa Operacional (900,00) (900,00)
 = Resultado Parcial (50,00) 1.150,00 
Novos Investimentos Imobilizado – (600,00)
Amortização de Financiamentos – (300,00)
Pagamentos de Dividendos – (200,00)
= Resultado Final (50,00) 50,00 
Fonte: Marion (2009)
Pergunta-se: qual o resultado apurado no fluxo econômico (DRE) e fluxo 
financeiro (DFC) da Papelaria Asa Branca?
Se você chegou à conclusão de que o fluxo econômico (DRE) resultou 
em prejuízo de 50,00 e no fluxo financeiro (DFC) um lucro de 50,00, parabéns! 
Você acertou! Mas se esta não foi a sua resposta, refaça a atividade e consulte 
as informações do capítulo.
Prezado aluno! Nesta prática você pode observar o quanto é importante 
evidenciar o resultado econômico e financeiro, pois, na grande maioria das 
vezes, o empresário não possui o entendimento sobre a diferença do saldo 
de caixa e o resultado apurando na entidade. Logo, com a confecção do 
fluxo econômico (DRE) e do fluxo financeiro (DFC) a informação fica mais 
adequada para o usuário.
Capítulo 5
160 Contabilidade Básica II
5.4 Para saber mais
título: Contabilidade comercial: atualizado conforme a Lei n° 
11.638/07 e Lei n° 11.941/09
Autores: IUDíCIBUS, S.; 
MARION, J. C. Editora: Atlas (SP) Ano: 2010
Este livro alia os aspectos teóricos básicos da contabilidade 
comercial aos aspectos legais e fiscais vigentes no Brasil, mantendo-
se sempre um equilíbrio entre teoria, fundamentação legal e 
obrigações fiscais. Foram incluídos assuntos que se tornaram 
relevantes em anos recentes, tais como exportação e importação, 
contabilização de matriz e filial, custo de reposição, custo 
mercantil, introdução à linguagem Basic nas operações comerciais e 
financeiras, entre outros.
site: Conselho Federal de Contabilidade
URL: <http://www.cfc.org.br/>
Acesse o site do Conselho Federal de Contabilidade e confira 
por completo a NBC-T-3.8. Assim você poderá analisar com mais 
propriedade os critérios de estruturação da Demonstração do Fluxo 
de Caixa (DFC). De fácil navegação, o portal apresenta leis, decretos, 
resoluções, instruções normativas, entre outros.
5.5 Relembrando
Neste capítulo, você aprendeu que:
 • são vários os elementos estruturais e conceituais da Demonstração do 
Fluxo de Caixa (DFC); 
 • a Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) pode ser elaborada de forma 
direta (método direto) ou de forma indireta (método indireto), que 
parte do lucro líquido para o saldo final de caixa;
 • a Lei Federal n° 11.638, 28 de dezembro de 2007, que conduz 
as Sociedades Anônimas por Ações e as demais sociedades, não 
estabelece nenhum modelo para a Demonstração do Fluxo de Caixa 
(DFC), mas disciplina, em seu Art. 188, que nessa demonstração as 
movimentações das disponibilidades serão divididas em três grupos 
Capítulo 5
161 Contabilidade Básica II
distintos: atividades operacionais, atividades de investimentos e 
atividades de financiamentos;
 • é fundamental a apresentação da Demonstração do Fluxo de Caixa 
(DFC) juntamente com a Demonstração do Resultado do Exercício 
(DRE) para que o usuário perceba a diferença entre o resultado 
econômico e o resultado financeiro.
5.6 Testando os seus conhecimentos
Agora, por meio das atividades propostas a seguir você colocará em 
prática a teoria que estudou até agora. Mãos à obra! Procure refletir sobre 
as questões e responder a partir de seu entendimento.
1) Qual a finalidade da Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC)?
2) Explique quais são os métodos de estruturação da Demonstração do Fluxo 
de Caixa (DFC).
3) Cite três exemplos de atividades operacionais, de atividades de 
investimentos e de atividades de financiamento.
Onde encontrar
BRASIL. lei nº 11.638 de 28 de dezembro de 2007. Altera e revoga 
dispositivos da Lei. 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e da Lei 6.385, de 7 
de dezembro de 1976, e estende às sociedades de grande porte disposições 
relativas à elaboração e divulgação de demonstrações financeiras. Disponível 
em:<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/lei/l11638.
htm>. Acesso em: 20 dez. 2010.
______. normas Brasileiras de Contabilidade – NBC. NBC-T 3.8. Disponível em: 
<http:// www.cfc.org.br/sisweb/sre/Default.aspx>. Acesso em: 12 abr. 2010.
AZEVEDO, O. R. Dva x DFC. São Paulo: IOB, 2008.
Capítulo 5
162 Contabilidade Básica II
IUDÍCIBUS, S.; MARTINS, E.; GELBCKE, E. R. manual de contabilidade das 
sociedades por ações. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2007.
MARION, J. C. Contabilidade empresarial. 15. ed. São Paulo: Atlas, 2009.
______. análise das demonstrações contábeis. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2009.
NEVES, S. Contabilidade avançada. 15. ed. São Paulo: Atlas, 2007.
RIBEIRO, O. M. Demonstrações financeiras: mudanças na Lei das Sociedades 
Anônimas: como era e como ficou. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2010.
Capítulo 6
163 Contabilidade Básica II
DEmonstração Do 
valor aDiCionaDo
CAPÍTULO 6
6.1 Contextualizando
Olá! Neste capítulo apresentarei as técnicas de elaboração da 
Demonstração do Valor Adicionado, também conhecida pela sigla DVA. A 
Demonstração do Valor Adicionado é o informe contábil que evidencia, de 
forma sintética, os valores correspondentes à formação da riqueza gerada 
pela empresa em determinado período e sua respectiva distribuição.
Esta análise é importante porque, junto ao Balanço Patrimonial (BP), 
Demonstração de Resultado de Exercício (DRE), Demonstração de Lucros 
ou Prejuízos acumulados (DLPA), Demonstração das Mutações Patrimônio 
Líquido (DMPL), Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC), forma-se o mosaico 
que revela a performance financeira da empresa. Lembre-se que estes dados 
são fundamentais para que você possa compreender e gerenciar os fluxos 
financeiros dentro da empresa.
Obviamente, por se tratar de um demonstrativo contábil, suas 
informações devem ser extraídas da escrituração, com base nas Normas 
Contábeis vigentes e tendo como base o Princípio Contábil da Competência.
A riqueza gerada pela empresa, medida no conceito de valor adicio-
nado, é calculada a partir da diferença entre o valor de sua produção e o dos 
bens e serviços produzidos por terceiros utilizados no processo de produção 
da empresa.
A Demonstração do Valor Adicionado (DVA), que também pode 
integrar o balanço social, constitui, desse modo, uma importante 
fonte de informações, pois, ao apresentar esse conjunto de elementos, 
Capítulo 6
164 Contabilidade Básica II
permite a análise do desempenho econômico da empresa, evidenciando 
a geração de riqueza, assim como dos efeitos sociais produzidos pela 
distribuição da mesma.
Sua estrutura segue uma forma resumida, a qual tem por objetivo 
evidenciar o valor agregado da empresa. Neste capítulo, apresento objetivos, 
conceito e benefícios desta nova demonstração contábil, introduzida pela 
nova lei das Sociedades Anônimas, a Lei nº 11.638/2007.
 Ao final deste capítulo, você será capaz de: 
 • identificar os elementos conceituais e estruturais da Demonstração do 
Valor Adicionado (DVA);
 • descrever a composição do valor agregado à empresa;
 • distinguiros elementos necessários para a mensuração e o 
reconhecimento dos fatos administrativos diante da Demonstração 
do Valor Adicionado (DVA).
6.2 Conhecendo a teoria
Nos capítulos anteriores, você estudou a forma de estruturação de quase 
todas as demonstrações contábeis, faltando apenas a Demonstração do Valor 
Adicionado (DVA). Esta demonstração foi introduzida com o advento da 
consolidação mundial das normas da contabilidade. 
No Brasil, a Demonstração do Valor Adicionado (DVA) tornou-se 
obrigatória a partir de 1º de janeiro de 2008, com a Lei nº. 11.638/2007, que 
rege as companhias de capital aberto. Até o final do ano de 2007, a DVA 
não era obrigatória, embora algumas companhias já viessem utilizando a 
referida demonstração e evidenciando informações societárias, junto às Notas 
Explicativas e relatórios da administração.
Capítulo 6
165 Contabilidade Básica II
A Demonstração do valor adicionado (Dva) é 
obrigatória para as companhias abertas, Mas 
recomenda-se a sua elaboração para as demais 
empresas também, uma vez que evidencia o 
quanto foi gerado de riqueza pela entidade e 
de que maneira foi distribuída.
SAIBA QUE
A Demonstração do Valor Adicionado (DVA) revela o quanto de riqueza 
a entidade gerou ou produziu num determinado período em relação aos 
seus fatores de produção e de que maneira este dinheiro foi distribuído para 
empregados, investidores, governo, entre outros, além dos possíveis valores 
armazenados pela própria entidade. 
Por incentivo da Comissão de Valores Imobiliários (CVM), desde a dé- 
cada de 1990 a Demonstração do Valor Adicionado (DVA) vem sendo adotada 
pelas principais sociedades anônimas de capital aberto que operam no 
mercado brasileiro.
Neste capítulo estudaremos os elementos básicos e conceituais que 
devem constar na estrutura da Demonstração do Valor Adicionado (DVA) para 
um melhor entendimento sobre a movimentação financeira da empresa: saber 
o que o foi arrecadado e para onde foi este dinheiro. Ao final deste capítulo, 
você aprenderá a forma de preenchimento da Demonstração do Valor 
Adicionado (DVA) por meio de um exemplo prático para posterior elaboração 
dessa demonstração contábil. 
Você sabe qual a diferença entre lucro e riqueza gerada? O que 
significa valor adicionado ou agregado? Este é o grande desafio deste 
capítulo. Mãos à obra!
Começo nossa conversa citando Ribeiro (2010, p. 120), que diz:
Capítulo 6
166 Contabilidade Básica II
o conhecimento da riqueza que será gerada e agregada por uma 
empresa aos seus fatores de produção, por influenciar diretamente 
na formação do Produto Interno Bruto (PIB), tem sido fator decisivo 
em alguns países emergentes quando se analisa a possibilidade 
de autorização de implantação em seu território de empresa 
transnacional. 
O autor trata a questão de forma mais generalista, mas observe 
na afirmação a seguir, de Iudícibus (2010, p. 283), em que se trata dos 
questionamentos entre a riqueza gerada e valor adicionado com mais 
praticidade. Diz que,
se subtrairmos das vendas todas as compras de bens e serviços, 
teremos o montante de recursos que a empresa gera para remunerar 
salários, juros, impostos, e reinvestir em seu negócio. Estes recursos 
financeiros gerados levam-nos a contemplar o montante de valor 
que a empresa está agregando (adicionando) como consequência 
de sua atividade. O Valor Agregado corresponde ao PIB da 
empresa. A soma de todos os valores agregados da empresa daria 
o PIB do país.
A Demonstração do Valor Adicionado (DVA) é uma demonstração 
contábil (financeira) com informações de natureza social, diferente das demais 
contábeis que abordam patrimônio e resultado do exercício.
Logo, percebe-se que a Demonstração do Valor Adicionado (DVA) 
representa um grande avanço para a ciência contábil, principalmente porque 
as informações de natureza social atingem um universo maior de usuários.
Então, após o estudo sobre as demonstrações patrimoniais e de resulta-
do que você estudou nos capítulos anteriores, chegou o momento de apren- 
der como demonstrar a riqueza gerada pelas empresas por meio da Demons-
tração do Valor Adicionado (DVA). 
A DVA faz parte de uma sequência de ações contábeis que você está 
estudando nesta disciplina. É fundamental que você domine sua teoria, a fim de 
praticá-la com o maior grau de eficiência ao longo de sua carreira profissional.
6.2.1 Entendendo o que é valor adicionado
O valor adicionado, ou valor agregado, procura demonstrar qual o valor 
gerado pela atividade produtiva da empresa e para onde esta canaliza ou 
distribui sua renda. 
Capítulo 6
167 Contabilidade Básica II
Iudícibus (2010) questiona: admitindo que o va- 
lor que a empresa adiciona por meio de sua 
atividade seja um “bolo”, para quem estão sen-
do distribuídas as fatias e de que tamanho são?
REFLEXÃO
Pois bem! Como já disse anteriormente, até o final do ano de 2007 a 
Demonstração do Valor Adicionado (DVA) não era obrigatória, porém muitas 
companhias abertas já vinham apresentando informações de natureza social, 
junto às notas explicativas ou relatórios da administração. 
Portanto, somente a partir de 1º de janeiro de 2008, com o advento 
da Lei nº. 11.638/2007, a Demonstração do Valor Adicionado (DVA) tornou-
se obrigatória para as companhias de capital aberto. Logo, recomenda-se 
sua elaboração para as demais empresas, uma vez que evidencia o quanto 
foi gerado de riqueza pela entidade e de que maneira esta riqueza vem 
sendo distribuída.
Desde 1992, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o Conselho 
Federal de Contabilidade (CFC) vinham incentivando as empresas a divulgarem 
as informações de caráter social, porém, somente 15 anos depois tornou-se 
obrigatória e, mesmo assim, por enquanto somente para algumas empresas 
em específico. 
Ribeiro (2010) relata que a Demonstração do Valor Adicionado (DVA) 
surgiu na Europa por influência da Grã-Bretanha, França e Alemanha, e tem 
sido cada vez mais difundida e adotada por outros países, principalmente por 
recomendação expressa da Organização das Nações Unidas (ONU). 
Destaco que o valor adicionando apresentado pela Demonstração do 
Valor Adicionado (DVA) é decorrente da diferença entre a receita de vendas e 
os custos. Para Ribeiro (2010), o valor adicionado que é demonstrado na DVA 
corresponde à diferença entre o valor da receita de vendas e os custos dos 
recursos adquiridos de terceiros.
Capítulo 6
168 Contabilidade Básica II
PRATICANDO
Para exemplificar, consideremos que uma 
determinada empresa comercialize sua 
mercadoria adquirida pelo fornecedor por R$ 
200,00 e tenha sido vendida por R$ 320,00. Qual 
é o valor adicionado pela empresa?
Perceba que embora a receita de vendas dessa empresa tenha sido de R$ 
320,00, esta agregou à economia do país R$ 120,00, uma dez que o valor de R$ 
200,00 representa a riqueza gerada pelo fornecedor da mercadoria.
Portanto, o valor adicionado é de R$ 120,00, que corresponde à 
remuneração dos esforços da empresa em decorrência de sua atividade.
Logo, podemos dizer que nesses esforços estão incluídos os empregados 
(mão de obra), os financiadores (capitais de terceiros), os investidores (capital 
próprio) e o governo (impostos em contrapartida de benefícios sociais). 
Perceba que as informações contidas na Demonstração do Valor 
Adicionado (DVA) proporcionam uma análise do desempenho econômico da 
entidade, além de auxiliar no cálculo do PIB e de outros indicadores sociais. 
A Demonstração do Valor Adicionado (DVA) evidencia a riqueza gerada 
pela entidade, em decorrência da relação de diferença entre as receitas, vendas 
e custos relacionados a estas receitas. A DVA revela também de que forma 
tal riqueza foi distribuída entre empregados(salários e benefícios), acionistas 
(remuneração do capital investido e dividendos), financiadores (pagamento 
de juros e custo aquisição dos insumos) e sociedade (recolhimento dos tributos 
ao governo), entre outras.
Conforme a norma brasileira de contabilidade a NBC-T 3.7, a distribuição 
da riqueza criada deve ser detalhada, minimamente, da seguinte forma: 
 • pessoal e encargos; 
 • impostos, taxas e contribuições; 
 • juros e aluguéis; 
 • juros sobre o capital próprio (JCP) e dividendos; 
 • lucros retidos/prejuízos do exercício. 
Capítulo 6
169 Contabilidade Básica II
Cabe ressaltar que todas as informações apresentadas na 
Demonstração do Valor Adicionado (DVA) têm como origem a contabilidade, 
portanto pode-se comparar esta demonstração com as demais demonstrações 
contábeis, principalmente com a Demonstração de Resultado do Exercício 
(DRE), analisando-se a diferença entre os dados apresentados.
Ao contrário das demais demonstrações con-
tábeis, consideradas de natureza financeira e 
econômica, a Demonstração do Valor Adicio-
nado (DVA) é classificada como uma análise de 
natureza social. 
SAIBA QUE
Destacam Perez e Begalli (2002) que além de fornecer uma conotação 
macroeconômica, a DVA complementa bem a DRE, uma vez que demonstra 
adequadamente a destinação dada ao valor adicionado gerado no período, 
apresentando os diversos beneficiários do processo produtivo. 
É muito importante a apresentação da Demonstração do Valor 
Adicionado (DVA) juntamente com a Demonstração do Resultado do 
Exercício (DRE), pois ambas possuem a fonte de origem nas atividades 
geradas pela entidade.
Segundo Ribeiro (2010), não restam dúvidas de que a DVA representa 
um grande avanço para a própria ciência contábil, especialmente porque 
os indicadores e as informações de natureza social que ela oferece atingem 
um universo maior de usuários ao evidenciar a riqueza gerada e de que 
forma foi distribuída.
Observe que a análise da Demonstração do Valor Adicionado (DVA) é 
muito interessante, pois não ressalta apenas as receitas, custos, despesas e o 
resultado da entidade; evidencia também quais os principais grupos que se 
beneficiaram destes valores. 
Como você já sabe que a Demonstração do Valor Adicionado (DVA) é 
obrigatória apenas para as companhias abertas, percebe-se o quanto a DVA é 
Capítulo 6
170 Contabilidade Básica II
importante para a qualidade das informações no momento da consolidação 
das demonstrações contábeis.
Destaca Azevedo (2008) que embora a DVA não seja exigida nas normas 
internacionais de contabilidade, a CVM não vê qualquer conflito com estas, 
posto que a DVA, além de ser uma informação adicional, agrega bastante 
qualidade ao conjunto básico de demonstrações exigidas pelo IASB. 
Neste momento, cabe esclarecer que IASB – Internacional Accounting 
Standards Board é o Conselho de Normas Internacionais de Contabilidade com 
sede em Londres, que auxilia a normatização internacional da contabilidade.
Ainda quanto aos estudos de valor adicionado ou valor agregado, 
Azevedo (2008) assinala que para conceituarmos valor adicionado é preciso 
antes entender um conceito macroeconômico, chamado Produto Nacional. 
Portanto, o Produto Nacional representa uma medida, em unidades 
monetárias, em decorrência do fluxo total de bens e serviços de consumo final 
produzidos pelo sistema econômico de uma nação em determinado período 
(ano), ou seja, mostra o valor monetário de todos os bens produzidos na 
economia de modo sincrônico.
Logo, diante deste conceito, Azevedo (2008) faz o seguinte questionamento: 
E os bens e serviços intermediários que foram consumidos durante o processo 
produtivo? Por que não são adicionados no cômputo do produto nacional?
Excelente questionamento! O autor (2008, p. 124) responde com a 
seguinte explicação:
Vamos imaginar um produto, produzido pela empresa A, cujo 
preço de venda (receita) importa na quantia de R$ 1.000,00. A 
empresa, para produzi-lo, adicionou alguns insumos ou, em outras 
palavras, bens e serviços intermediários produzidos, por exemplo, 
pela empresa B, cujo preço de venda (receita) foi de R$ 600,00. De 
quanto seria então o produto nacional considerando apenas as 
duas empresas? Numa primeira tentativa de resposta, seríamos 
instados a somar as receitas de vendas de ambas as empresas e aí 
incorreríamos em grave erro, pois estaríamos fazendo uma dupla 
contagem. No cálculo do produto nacional, são computados 
apenas os produtos e serviços de consumo final, os bens intermediários 
consumidos durante o processo produtivo não são computados, 
exatamente para se evitar a mencionada dupla contagem. 
Capítulo 6
171 Contabilidade Básica II
Entretanto, percebemos o quanto é complexa a amplitude da análise do 
valor agregado, principalmente quanto se trata da análise de uma nação.
Assim sendo, Mendes (1998 apud AZEVEDO, 2008, p. 30) traz um exemplo 
ilustrativo muito interessante que destaco a seguir:
Considere uma economia na qual as únicas transações ocorridas 
foram as seguintes: 
1. Agricultor = transação: venda de algodão em rama para a 
indústria têxtil por R$ 1.000,00; 
2. Indústria têxtil = transação: venda de tecido de algodão para a 
indústria de confecções por R$ 1.400,00;
3. Indústria de confecções = transação: venda de camisas para os 
consumidores finais por R$ 1.700,00. 
Analisando as operações, temos o seguinte quadro: 
Tabela 1 – Operações realizadas
DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO
unidAdes ProdutorAs
vendAs 
BrutAs
CPv/Cmv
vAlor 
AdiCionAdo
Agricultor (algodão) R$ 1.000,00
Ind. Têxtil (tecido) R$ 1.400,00 R$ 1.000,00 R$ 400,00
Ind. Confecção (camisas) R$ 1.700,00 R$ 1.400,00 R$ 300,00
Produto Nacional ou Valor Adicionado R$ 1.700,00
Fonte: Azevedo (2008)
Contudo, o valor adicionado pode ser apresentado pela relação entre: 
vendas brutas (produção total) R$ 1.000,00; 
(-) Insumos adquiridos de outras empresas 
(consumos intermediários) R$ 600,00; 
= valor adicionado R$ 400,00
Capítulo 6
172 Contabilidade Básica II
Logo você pode perceber que o valor adicionado ao total pago às outras 
empresas (consumos intermediários) é de R$ 400,00.
Com a demonstração anterior cabe ainda o questionamento: de onde 
vem o dinheiro para pagar a mão de obra e a remuneração dos sócios? 
Segundo Azevedo (2008, p. 125), a resposta é muito simples: 
da riqueza gerada ou adicionada, parte irá remunerar a mão de 
obra e a outra parte aos sócios, temos aqui um conceito primário 
de renda, a remuneração dos fatores de produção, ou seja, o total 
dos pagamentos efetuados aos fatores de produção que foram 
utilizados para a obtenção do produto.
Sendo assim, você pode concluir que na economia o produto é 
considerado igual à renda, enquanto na contabilidade o valor adicionado é 
igual ao total destinado deste valor. Guarde bem esta diferença!
Conforme Ribeiro (2010), o PIB é um indicador próprio para mensurar 
a atividade econômica de uma região, porque consiste na soma (em valores 
monetários) de todos os bens e serviços finais produzidos em uma região (país, 
estado, bairro) durante um determinado período (ano, mês).
Mas fique atento porque na análise do PIB, a economia considera que 
produto é igual à renda. Na contabilidade, o valor adicionado é igual ao 
total destinado. 
Veja na tabela a seguir como as informações podem ser resumidas:
Tabela 2 – Resumo das operações ocorridas
OPERAÇõES – RESUMO
vAlor AdiCionAdo destinAção do vAlor AdiCionAdo
Total da Produção 1.000,00 Salários 100,00 
(-) Produção Intermediária (600,00) Pró-labore/lucro sócios 300,00 
= Valor Adicionado 400,00 Destinação 400,00 
Fonte: Azevedo (2008)
Capítulo 6
173 Contabilidade Básica II
Contudo,a elaboração da Demonstração do Valor Adicionado (DVA) é 
uma maneira bem simples de apreciar a riqueza das informações extraídas, 
principalmente se comparada às demais demonstrações contábeis. 
No tópico a seguir, será apresentada a estrutura e a composição da 
Demonstração do Valor Adicionado (DVA).
6.2.2 Estrutura e composição da DVA
A Lei das Sociedades Anônimas não trata apenas da estrutura e composição 
da Demonstração do Valor Adicionado (DVA), deixando a normatização dessa 
matéria a cargo dos órgãos regulamentadores da contabilidade.
Segundo Ribeiro (2010, p. 122),
no inc. II do art. 188, da Lei, no entanto, apresentam-se as 
informações mínimas que devem ser indicadas na DVA, como: o 
valor da riqueza gerada pela companhia, a sua distribuição entre os 
elementos (como empregados, financiadores, acionistas, governo e 
outros) que contribuíram para a geração dessa riqueza e parcela da 
riqueza não distribuída.
Observe que Ribeiro (2010) esclarece que a DVA foi disciplinada pelo 
Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), por meio do Pronunciamento 
Técnico CPC n. 09/2008 e também pelo Conselho Federal de Contabilidade, por 
meio da NBC-T-3.7, aprovada pela Resolução n. 1.138/2008. Esses documentos 
abordam os critérios para elaboração e divulgação da Demonstração do Valor 
Adicionado (DVA).
Pois bem, para a elaboração da Demonstração do Valor Adicionado (DVA) 
as informações devem ser extraídas da contabilidade, com base no princípio da 
competência, onde todos os atos administrativos são registrados no momento 
de sua ocorrência, independente do seu pagamento ou recebimento. 
São utilizadas como base as informações da Demonstração do Resultado 
do Exercício (DRE), sendo de extrema importância durante o processo de 
elaboração da Demonstração do Valor Adicionado (DVA) o acesso aos livros 
contábeis razão e diário. 
Capítulo 6
174 Contabilidade Básica II
Como a Lei nº. 11.638/2007 não oferece detalhes acerca dos itens 
que integrarão a Demonstração do Valor Adicionado (DVA), deixando a 
normatização dessa matéria a cargo dos órgãos reguladores, comenta Azevedo 
(2008) que se pode concluir que a entidade poderá acrescentar ou detalhar 
outras informações na DVA quando o montante e a natureza de um item ou 
o somatório de itens similares forem de tal magnitude que a sua visualização 
em separado ajude na apresentação mais adequada da DVA. 
A estrutura da Demonstração do Valor Adicionado (DVA) está dividida 
em duas partes. Na primeira apresenta-se a riqueza gerada pela entidade, 
contemplando os valores relacionados às receitas brutas e outras, os insumos 
adquiridos de terceiros e demais valores recebidos em transferência, como, por 
exemplo, as receitas financeiras. Completada esta primeira parte, apresenta-
se o valor total adicionado a distribuir e, logo em seguida, na segunda parte, 
apresenta-se de que forma este valor foi distribuído.
 
A Demonstração do valor adicionado (Dva) 
está dividida em duas partes: a primeira, que 
contempla todos os valores de riqueza gerada, 
e a segunda, que mostra de que forma esta 
riqueza foi distribuída.
SAIBA QUE
A Norma Brasileira de Contabilidade a NBC-T 3.7 foi reformulada para 
atender a Lei nº. 11.638/2007, ou Lei das Sociedades Anônimas, a qual surgiu 
em decorrência da necessidade de harmonização das práticas contábeis 
brasileiras às internacionais. 
Esta Norma Brasileira de Contabilidade, por meio da Resolução CFC nº. 
1.138/08, que considera o Pronunciamento Técnico CPC 09 – Demonstração do 
Valor Adicionado, define critérios para elaboração e apresentação da DVA.
Cabe destacar que a Demonstração do Valor Adicionado (DVA) também 
é importante para a elaboração do Balanço Social, pois contempla elementos e 
tem por finalidade evidenciar a riqueza criada pela entidade e sua distribuição 
durante determinado período. 
Capítulo 6
175 Contabilidade Básica II
Tomando como base a NBC-T 3.7, apresento a seguir os elementos 
necessários para a elaboração da Demonstração do Valor Adicionado (DVA) e 
um modelo básico utilizado nas empresas em geral, também apresentado por 
Ribeiro (2010).
Estrutura da demonstração do valor adicionado (DVA)
primeira parte – riqueza criada pela própria entidade
Nesta primeira parte, a Demonstração do Valor Adicionado (DVA) deve 
apresentar de forma detalhada a riqueza criada pela entidade. Os principais 
componentes da riqueza criada estão apresentados a seguir.
receitas 
 • vendas de mercadorias, produtos e serviços: contemplam os valores 
dos tributos incidentes sobre as receitas com vendas, como, por 
exemplo, ICMS, IPI, PIS e COFINS, ou seja, corresponde ao ingresso 
bruto ou faturamento bruto, mesmo quando na demonstração do 
resultado, tais tributos estejam fora do cálculo dessas receitas;
 • outras receitas: seguindo o modo do item anterior, inclui os tributos 
incidentes sobre essas receitas;
 • provisão para créditos de liquidação duvidosa: inclui os valores 
relativos à constituição e reversão dessa provisão. 
insumos adquiridos de terceiros 
 • Custo dos produtos, das mercadorias e dos serviços vendidos: 
contempla os valores das matérias primas adquiridas junto a 
fornecedores e contidas no custo do produto vendido, das mercadorias 
e dos serviços vendidos adquiridos de terceiros; logo, não inclui gastos 
com pessoal;
 • materiais, energia, serviços de terceiros e outros: abrangem os valores 
relativos às despesas originadas da utilização bens e serviços adquiridos 
junto a terceiros. Nos valores dos custos dos produtos e mercadorias 
vendidas, materiais, serviços, energia, entre outras; consumidos, 
devem ser considerados os tributos inclusos no momento da compra, 
Capítulo 6
176 Contabilidade Básica II
como por exemplo o ICMS, IPI, PIS e COFINS, recuperáveis ou não. 
Observe que esta prática é diferente das utilizadas na demonstração 
do resultado;
 • perda e recuperação de valores ativos: inclui os valores originados 
pelos ajustes por avaliação a valor de mercado de estoques, 
imobilizados, investimentos, entre outros. Devem ser inclusos 
também, os valores reconhecidos no resultado do período, tanto 
na constituição quanto na reversão de provisão para perdas por 
desvalorização de ativos;
 • depreciação, amortização e exaustão: contempla o valor da despesa 
ou do custo contabilizado no período, com o desgaste físico do 
bem imobilizado.
valor adicionado recebido em transferência 
 • resultado de equivalência patrimonial: abrange o resultado decor-
rente da equivalência patrimonial. Pode representar receita ou 
despesa; se despesa, deve ser considerado como redução ou valor 
negativo; se receita, considerar o inverso;
 • receitas financeiras: abordam todas as receitas financeiras, inclusive 
as variações cambiais ativas, independentemente de sua origem;
 • outras receitas: incluem as demais receitas como, por exemplo, os 
dividendos relativos a investimentos avaliados ao custo, aluguéis, 
direitos de franquia, entre outras.
Estrutura da Demonstração do Valor Adicionado (DVA)
Segunda parte – distribuição da riqueza 
Até agora você viu de onde vêm os recursos Nesta segunda parte, na 
Demonstração do Valor Adicionado (DVA) é preciso apresentar de forma 
detalhada como a riqueza gerada pela entidade foi distribuída ou canalizada. 
Os principais componentes dessa distribuição são: 
Capítulo 6
177 Contabilidade Básica II
pessoal
Inclui os valores apropriados ao custo e ao resultado do exercício por 
meio de: 
 • remuneração direta: contempla os valores relativos a salários, 13º 
salário, férias, comissões, horas extras, honorários da administração 
(inclusive os pagamentos baseados em ações), participação de 
empregados nos resultados, entreoutros; 
 • benefícios: abrange os valores aplicados em assistência médica, planos 
de aposentadoria, alimentação, transporte, entre outros; 
 • FGts: inclui os depósitos em conta vinculada dos empregados. 
impostos, taxas e contribuições 
Contemplam os valores relativos ao Imposto de Renda, Contribuição 
Social sobre o lucro, contribuições ao INSS (inclusos os valores do Seguro de 
Acidentes do Trabalho) em decorrência do ônus do empregador, e os demais 
impostos e contribuições a que a entidade esteja sujeita. Para os impostos 
compensáveis ou recuperáveis, tais como o ICMS, IPI, PIS e Cofins, estes devem 
ser considerados apenas os valores devidos ou já pagos, pois representam a 
diferença entre os impostos incidentes sobre as receitas e os valores incidentes 
sobre os itens considerados como insumos adquiridos de terceiros. Vejamos:
 • federais: abrangem os tributos de recolhimento à União, incluso aqueles 
que são repassados no todo ou em parte aos estados, municípios, 
autarquias, entre outros, como, por exemplo: IRPJ, CSSL, IPI, CIDE, PIS, 
COFINS. Nesse caso, inclui-se também a contribuição sindical patronal;
 • estaduais: contemplam os tributos devidos aos estados, inclusive 
aqueles que são repassados no todo ou em parte aos municípios, 
autarquias entre outros, tais como: o ICMS e o IPVA;
 • municipais: incluem os tributos de recolhimento aos municípios, 
contemplando aqueles que são repassados no todo ou em parte às 
autarquias, ou quaisquer outras entidades, tais como: o ISS e o IPTU. 
Capítulo 6
178 Contabilidade Básica II
remuneração de capitais de terceiros
Representam os valores pagos ou creditados aos financiadores externos 
de capital. Compõem-se de:
 • juros: contemplam as despesas financeiras, as variações cambiais 
passivas, relativas a qualquer espécie de empréstimos e financiamentos 
junto a instituições financeiras, as empresas do grupo ou a outras 
formas de obtenção de recursos. Abrangem os valores que foram 
capitalizados no decorrer do período;
 • aluguéis: contemplam os aluguéis pagos ou creditados a terceiros, 
inclusive os acrescidos aos ativos. Também são incluídos os valores 
pagos em decorrência de arrendamento mercantil;
 • outras: abrangem outras remunerações diversas que configurem trans- 
ferência de riqueza a terceiros, ainda que originadas em capital intelec- 
tual, tais como royalties, franquias, direitos autorais, entre outros. 
remuneração de capitais próprios
Inclui os valores decorrentes da remuneração atribuída aos sócios e 
acionistas. 
 • juros sobre o capital próprio e dividendos: representam os valores 
pagos ou creditados aos sócios e acionistas por conta do resultado 
positivo do período, ressalvando-se que os valores dos juros sobre o 
capital próprio são transferidos para conta de reserva de lucros. Devem 
ser contemplados apenas os valores distribuídos com base no resultado 
positivo do próprio exercício, sem considerar os dividendos distribuídos 
com base em lucros acumulados de exercícios anteriores, uma vez que já 
foram tratados como lucros retidos no exercício em que foram gerados;
 • lucros retidos e prejuízos do exercício: abordam os valores relativos 
ao lucro do exercício destinados às reservas, inclusive os juros sobre o 
capital próprio quando tiverem esse tratamento. No caso de prejuízo, 
esse valor deve ter um sinal negativo. As quantias destinadas aos sócios 
e acionistas na forma de e em decorrência de juros sobre o capital 
próprio, independentemente de serem registradas como passivo (a 
Capítulo 6
179 Contabilidade Básica II
pagar) ou como reserva de lucros, devem ter o mesmo tratamento 
dado aos dividendos.
Observe que a Demonstração do Valor Adicionado (DVA) possui uma 
estrutura simples, porém detalhada, muito semelhante à Demonstração do 
Resultado do Exercício (DRE). 
A grande diferença entre a Demonstração do Valor Adicionado (DVA) e a 
Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) está forma como a informação 
é canalizada, ou seja, a DRE apresenta o resultado do exercício sem indicar 
a sua distribuição. Já a Demonstração do Valor Adicionado (DVA) revela a 
riqueza gerada e de que maneira foi canalizada para o sistema da empresa.
Uma empresa tem duas formas de financiar a 
sua atividade: recorrendo a capitais próprios 
ou a capitais alheios. Quais serão as diferenças 
entre esses termos?
REFLEXÃO
Apenas respondendo a questão anterior, os capitais próprios são aqueles 
que não têm qualquer contrapartida fixa de remuneração, ou seja, trata-se 
de capital que pode ou não ser remunerado de acordo com a rendibilidade 
gerada pela empresa.
Os capitais alheios, por sua vez, são aqueles que partem de uma 
remuneração mínima fixada (que pode ser uma taxa fixa ou variável, de 
acordo com uma taxa de referência de mercado) e que em regra possuem um 
esquema de reembolso previamente definido. Vamos continuar.
Índices em que valor adicionado serve como importante 
indicador
O valor adicionado é de extrema importância na análise de alguns 
índices, como, por exemplo, o índice de potencial do ativo em gerar riqueza, 
índice de retenção da receita e o valor adicionado per capita.
Capítulo 6
180 Contabilidade Básica II
Iudícibus (2010) apresenta os índices citados da seguinte forma:
Índice: potencial do ativo em gerar riqueza
VALOR ADICIONADO
ATIVO
Este índice representa o quanto o ativo, financiado por capital próprio 
e capital de terceiros, gera receita, ou seja, o quanto o ativo financiado 
gera riqueza para a entidade. Logo, este índice mede o quanto cada real 
aplicado no ativo gera de riqueza. Portanto, o ideal para o índice que mede 
o potencial do ativo em gerar riqueza é que tenha um crescimento ao longo 
dos exercícios.
Índice: retenção da receita
VALOR AGREGADO
RECEITA TOTAL
Este índice analisa o quanto fica retido da receita total referente aos 
valores investidos de terceiros (outras empresas) a título de matéria-prima, 
embalagem, serviços, entre outras. Logo, o índice de retenção da receita 
apresenta o quanto fica dentro da empresa, acrescentando valor ou benefícios 
para os funcionários, acionistas, governo e lucro retido.
Índice: valor adicionado per capita
VALOR ADICIONADO
ATIVO
Capítulo 6
181 Contabilidade Básica II
Este índice avalia o quanto cada funcionário contribui para a geração de 
receita da empresa. Todavia, representa um indicador de produtividade que 
informa a participação de cada empregado na riqueza gerada pela empresa.
Iudícibus (2010) ainda apresenta os seguintes indicadores para análise:
Mostra a participação dos empre-
gados no Valor Adicionado.
Mostra a participação dos bancos no 
Valor Adicionado.
Mostra a participação dos acionistas 
no Valor Adicionado.
Mostra a participação do governo 
no Valor Adicionado.
Mostra a participação da empresa 
reinvestindo seu próprio lucro.
Diante do conteúdo exposto até aqui, você percebe a importância e a 
relevância da Demonstração do Valor Adicionado (DVA), principalmente como 
auxílio para a tomada de decisão quanto à riqueza gerada e sua canalização.
A partir deste momento, vamos estudar um modelo básico de 
Demonstração do Valor apresentado por Ribeiro (2010).
EMPREGADOS
VALOR ADICIONADO
JUROS
VALOR ADICIONADO
DIVIDENDOS
VALOR ADICIONADO
IMPOSTOS
VALOR ADICIONADO
LUCRO REINVESTIDO
VALOR ADICIONADO
Capítulo 6
182 Contabilidade Básica II
6.2.3 Modelo Básico da DVA
Neste tópico, apresento o modelo básico para a Demonstração do Valor 
Adicionado (DVA) o qual foi extraído da NBC-T 3.7, o qual pode ser utilizado 
nas empresas em geral. Observe que as informações contidas na Demonstração 
do Valor Adicionado (DVA) derivam das contas deresultado e também de 
algumas contas patrimoniais.
A estrutura da Demonstração do Valor Adicionado (DVA) tem sua como 
principal fonte de origem as informações contidas na Demonstração do 
Resultado do Exercício (DRE). Cabe ressaltar a existência de uma vinculação 
entre as duas demonstrações contábeis o que proporciona a concretização de 
informações entre elas. 
Assim sendo, no momento da elaboração da Demonstração do Valor 
Adicionado (DVA), todas as contas de resultado já estão devidamente encerradas 
nos registros contábeis da empresa, e as demais demonstrações contábeis, 
já elaboradas, principalmente o Balanço Patrimonial e a Demonstração do 
Resultado do Exercício (DRE).
Quanto às contas de resultado que serão consultadas para a elaboração 
da Demonstração do Valor Adicionado (DVA), são todas aquelas que 
representam as receitas, as despesas e os custos, e sempre observando o 
princípio da competência.
Já no que diz respeito às contas patrimoniais, as receitas são representadas 
pelas participações de terceiros (debêntures, empregados, administradores, 
acionistas, tributos sobre o lucro líquido, entre outras), bem como pela 
remuneração sobre capital investido pertencente aos acionistas.
Portanto, para elaborar a Demonstração do Valor Adicionado (DVA), 
a coleta de dados deve ser dirigida ao livro razão. No caso do livro razão 
ser processado de forma manual ou digital, e não estejam previstas contas 
sintéticas, devem-se agrupar os valores conforme a estrutura da Demonstração 
do Valor Adicionado (DVA), sendo este procedimento imprescindível para 
facilitar a elaboração dessa demonstração.
Capítulo 6
183 Contabilidade Básica II
Quanto à riqueza das informações da Demonstração do Valor Adicionado 
(DVA), Ribeiro (2010, p. 34) relata:
Não restam dúvidas de que a DVA representa um grande 
avanço para a própria ciência contábil, especialmente porque os 
indicadores e as informações de natureza social que ela oferece 
atingem um universo maior de usuários ao evidenciar a riqueza 
gerada pela empresa e a forma como ela foi distribuída entre os 
empregados (salários e benefícios), os acionistas (remuneração do 
capital investido em forma de juros e dividendos), os financiadores 
(pagamentos de juros e do custo dos insumos adquiridos de 
fornecedores) e a sociedade (por meio do recolhimento dos 
tributos ao governo).
Ainda descreve Ribeiro que é preciso tomar cuidado para evitar 
supervalorizar esse demonstrativo em detrimento dos demais, que continuam 
perfeitamente válidos e bastante úteis pelas informações técnicas que 
oferecem acerca da situação patrimonial, bem como da gestão econômica e 
financeira do patrimônio empresarial.
Assim sendo, destaco que a Demonstração do Valor Adicionado (DVA) é 
uma demonstração contábil (financeira) diferente das demais demonstrações 
financeiras (contábeis) exigidas pela Lei das Sociedades por Ações em função 
de tratar de informações de natureza social.
Entretanto, a Demonstração do Valor Adicionado (DVA) é uma maneira 
simples de aprimorar e quantificar as informações quanto à riqueza gerada 
pela entidade, principalmente ao comparar por meio de percentuais cada 
item que o compõe em relação ao valor adicionado nela explicitado.
Deste modo, é possível acompanhar o quanto a entidade gerou de 
riqueza e como esta foi distribuída em benefício da coletividade, bem 
como qual foi a contribuição de cada setor da coletividade na formação 
desta riqueza.
A seguir apresenta-se um modelo de Demonstração do Valor Adicionado 
(DVA) extraído da NBC-T 3.7 apresentado por Ribeiro (2010), que poderá ser 
utilizado nas empresas em geral.
Capítulo 6
184 Contabilidade Básica II
Quadro 1 – Modelo de Demonstração do Valor Adicionado (DVA)
DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO (DVA)
 emPresA ABC – exerCíCio Findo em:
Descrição
Em milhares 
de reais 
x2
Em milhares 
de reais 
x1
1 – RECEITAS
1.1 – Vendas de mercadorias, produtos e serviços
1.2 – Outras receitas
1.3 – Receitas relativas à construção de ativos próprios
1.4 – Provisão para créditos de liquidação duvidosa – 
Reversão/(Constituição)
2 – INSUMOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS 
(incluem os valores dos impostos – ICMS, IPI, PIS e COFINS)
2.1 – Custos dos produtos, das mercadorias e dos serviços 
vendidos
2.2 – Materiais, energia, serviços de terceiros e outros
2.3 – Perda/Recuperação de valores ativos
2.4 – Outras (especificar)
3 – VALOR ADICIONADO BRUTO (1-2)
4 – DEPRECIAÇÃO, AMORTIZAÇÃO E EXAUSTÃO
5 – VALOR ADICIONADO LÍQUIDO PRODUZIDO PELA 
ENTIDADE (3-4)
6 – VALOR ADICIONADO RECEBIDO EM TRANSFERÊNCIA
6.1 – Resultado de equivalência patrimonial
6.2 – Receitas financeiras
6.3 – Outras
7 – VALOR ADICIONADO TOTAL A DISTRIBUIR (5+6)
8 – DISTRIBUIÇÃO DO VALOR ADICIONADO
8.1 – Pessoal
8.1.1 – Remuneração direta
8.1.2 – Benefícios
8.1.3 – F.G.T.S.
8.2 – Impostos, taxas e contribuições
8.2.1 – Federais
8.2.2 – Estaduais
Capítulo 6
185 Contabilidade Básica II
8.2.3 – Municipais
8.3 – Remuneração de capitais de terceiros
8.3.1 – Juros
8.3.2 – Aluguéis
8.3.3 – Outras
8.4 – Remuneração de capitais próprios
8.4.1 – Juros sobre o capital próprio
8.4.2 – Dividendos
8.4.3 – Lucros retidos/Prejuízo do exercício
8.4.4 – Participação dos não controladores nos lucros 
retidos (só p/ consolidação)
* O total do item 8 deve ser exatamente igual ao item 7
Fonte: Ribeiro (2010)
As instruções para o preenchimento da DVA já foram apresentadas 
anteriormente, e para melhorar o entendimento sofre a estrutura da 
Demonstração do Valor Adicionado (DVA), vamos colocar em prática o que foi 
estudado ao longo do capítulo com o exemplo de Marion (2009). 
As demonstrações contábeis apresentadas a seguir estruturam a 
Demonstração do Valor Adicionado (DVA) da empresa Casa das Lingeries 
Ltda. Lembro que todas as demonstrações contábeis já foram encerradas nos 
exercícios de x4 e x5, faltando apenas a Demonstração do Valor Adicionado 
(DVA) do exercício de x5.
Tabela 3 – Balanço patrimonial
BALANÇO PATRIMONIAL 
 CAsA dAs lingeries ltdA.
ativo 31-12-x4 31-12-x5 passivo 31-12-x4 31-12-x5 
 CirCUlantE 580.000,00 650.000,00 CirCUlantE 340.000,00 280.000,00 
 Caixa 40.000,00 10.000,00 Fornecedores 200.000,00 220.000,00 
 Duplic.a Receber 150.000,00 220.000,00 Salários a Pagar 30.000,00 40.000,00 
 Estoques 390.000,00 420.000,00 Impostos a Pagar 60.000,00 6.000,00 
 Dividend.a Pagar 50.000,00 14.000,00 
Capítulo 6
186 Contabilidade Básica II
 não CirCUlantE 210.000,00 180.000,00 não CirCUlantE 450.000,00 550.000,00
 Realizável a 
longo prazo
50.000,00 40.000,00 Exigível a longo 
prazo (financia-
mentos)
100.000,00 150.000,00 
 Investimentos 60.000,00 50.000,00 
 Imobilizado 70.000,00 60.000,00 patrim. lÍQUiDo 350.000,00 400.000,00 
 Intangível 30.000,00 30.000,00 Capital 300.000,00 340.000,00 
 Reservas Lucro 50.000,00 60.000,00 
total 790.000,00 830.000,00 total 790.000,00 830.000,00
Fonte: Marion (2009)
Tabela 4 – Demonstração do Resultado do Exercício (DRE)
DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO – DRE
 CAsA dAs lingeries – 20x5
Receita Líquida 800.000,00 
(-) Custo da Mercadoria Vendida (650.000,00)
lucro Bruto 150.000,00 
(-) Despesas Operacionais 
 Vendas (30.000,00)
 Administrativas (inclui depreciação de 10.000) (70.000,00)
 Financeiras (despesa de 30.000 e receita 10.000) (20.000,00)
lucro operacional 30.000,00 
(-) Imposto de Renda e Contribuição Social (6.000,00)
lucro líquido 24.000,00 
Fonte: Marion (2009)
Na Demonstração do Resultado do Exercício da Casa das Lingeries, você 
percebe que a empresa apurou um resultado positivo de R$ 24.000,00 e sua 
destinaçãoapresentada da Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados.
Capítulo 6
187 Contabilidade Básica II
Tabela 5 – Demonstração dos Lucros ou Prejuízos acumulados
DEMONSTRAÇÃO DOS LUCROS OU PREJUÍzOS ACUMULADOS
 CAsA dAs lingeries – 20x5
Lucros acumulados de 31-12-x4 50.000,00 
 (+) Lucro Líquido de 31-12-x5 24.000,00 
Saldo a disposição dos sócios 74.000,00 
 (-) Dividendos (14.000,00)
Lucros acumulados de 31-12-x5 60.000,00 
Fonte: Marion (2009)
Tabela 6 – Demonstração do Fluxo de Caixa pelo método direto
DEMONSTRAÇÃO DOS fLUXOS DE CAIXA – MéTODO DIRETO
 CAsA dAs lingeries – 20x5
saldo inicial em 31-12-x4 40.000,00
Entradas
 Receita operacional recebida 730.000,00 
 Receitas financeiras 10.000,00 
 Recebimentos de coligadas 10.000,00 
 Vendas de investimentos 10.000,00 
 Novos financiamentos 50.000,00 
 Aumento de capital 40.000,00 850.000,00 
 
saídas (660.000,00) 
 Compras pagas (660.000,00) 
 Despesas de vendas pagas (30.000,00) 
 Despesas sdministrativas (50.000,00) 
 Despesas financeiras (30.000,00) 
 Imposto de renda (60.000,00) 
 Dividendos pagos (50.000,00) (880.000,00)
saldo Final em 31-12-x5 10.000,00
Fonte: Marion (2009)
Capítulo 6
188 Contabilidade Básica II
 Observe que o resultado financeiro da empresa Casa das Lingeries 
obteve uma redução em seu saldo de caixa de R$ 30.000,00, apurando um 
saldo final de caixa no exercício de 31-12-x5 de R$ 10.000,00.
Portanto, com os dados das demonstrações contábeis revelados até 
aqui, a Casa da Lingeries apresentará uma Demonstração do Valor Adicionado 
(DVA) estruturadas da seguinte forma:
 
Tabela 7 – Demonstração do Valor Adicionado (DVA)
DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO – DVA ANÁLISE 
VERTICAL
 CAsA dAs lingeries 20x5.
Receita Operacional 800.000,00
 (-) Custo da Mercadoria Vendida (Compras) (650.000,00)
Valor Adicionado Bruto geradp nas operações 150.000,00
 (-) Depreciaçãor (10.000,00)
Valor Adicionado Líquido 140.000,00
 (+) Receita Financeira 10.000,00
Valor Adicionado 150.000,00 100%
Distribuição do valor adicionado
 Empregados (90.000,00) 60%
 Juros (30.000,00) 20%
 Dividendos (14.000,00) 9,33%
 Impostos (6.000,00) 4%
 Outros 0%
 Lucro Reinvestido (10.000,00) 6,67%
Fonte: Marion (2009)
Então, o valor adicionado de R$ 150.000,00 corresponde ao igual valor 
distribuído. Observe também a composição dos percentuais da análise vertical. 
As informações para a composição da Demonstração do Valor Adicionado 
(DVA) foram extraídas das demonstrações contábeis apresentadas como, por 
exemplo, o valor da receita operacional que foi extraído da Demonstração do 
Resultado do Exercício (DRE). Outro exemplo seria o valor da receita financeira 
extraído da Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC).
Capítulo 6
189 Contabilidade Básica II
Para a realização da análise da Demonstração do Valor Adicionado (DVA), 
você deve aplicar os índices de avaliação referenciados por Iudícibus (2010). 
Cabe ressaltar que Marion (2009) também apresenta os mesmos indicadores, o 
que reafirma a importância da sua aplicação para a análise da Demonstração 
do Valor Adicionado (DVA).
Assim sendo, segue a aplicação dos índices para a análise da Demonstração 
do Valor Adicionado (DVA) da empresa Casa das Lingeries Ltda. do exercício 
de x5, apresentados por Marion (2009):
1. Potencial do ativo em gerar riqueza
Valor Adicionado
=
150.000
= 0,18
O ideal é que este índice cresça 
ao longo dos anosAtivo 830.000
2. Retenção da Receita 
Valor Agregado
=
150.000
= 0,19
Representa parte da receita 
comprometida com terceirosReceita Total 800.000
3. Valor Adicionado per capita 
Valor Adicionado
=
150.000
= 15.000
Indicador de produtividade e 
participação dos funcionários na 
riqueza gerada
No Funcionários 10
4. O Valor Adicionado é o denominador
Empregados
=
90.000
= 60%
Valor Adicionado 150.000
Juros
=
30.000
= 20%
Valor Adicionado 150.000
Dividendos
=
14.000
= 9,33%
Valor Adicionado 150.000
Impostos
=
6.000
= 4%
Valor Adicionado 150.000
Lucro Reinvestido
=
10.000
= 6,67%
Valor Adicionado 150.000
Após a composição dos indicadores, é necessário construir o quadro 
abaixo para a concepção da análise horizontal, ou seja, a análise da tendência 
e da relevância de cada indicador.
Capítulo 6
190 Contabilidade Básica II
Tabela 9 – Análise horizontal
ANÁLISE HORIzONTAL
distriBuição 20x3 20x4 20x5 
Empregados 52% 57% 60%
Juros 26% 23% 20%
Dividendos 11% 10% 9%
Impostos 4% 4% 4%
Lucro Reinvestido 7% 6% 7%
total 100% 100% 100%
Fonte: Marion (2009)
Marion (2009) assinala que enquanto observamos uma estabilidade em 
relação aos impostos e lucro reinvestido, percebemos que a “fatia” dos empregados 
tem aumentado no bolo, principalmente em função da redução dos juros.
Quais as diferenças entre a DrE (Demonstração 
de Resultado do Exercício) e a Dva? 
Você sabe dizer?
REFLEXÃO
6.3 Aplicando a teoria na prática
Para melhor aprofundar o que você conheceu até agora, proponho a 
análise do caso a seguir, para que você possa refletir sobre o conteúdo. 
Os dois sócios da Imobiliária Almeida, os irmãos Orcelino e Adalberto, 
estão passando por um momento de crise. Desde que formalizaram a empresa, 
estão implantando novas rotinas de trabalho. Como o negócio deles sempre 
foi vender imóveis e não administrar uma empresa, um dos sócios, Orcelino, 
ainda resiste muito às práticas contábeis. Ele acredita que não é preciso ter 
um acompanhamento tão rigoroso do movimento financeiro da empresa. 
Capítulo 6
191 Contabilidade Básica II
No seu entendimento, que ele define como prático, basta apenas 
somar os lucros e subtrair as despesas. Orcelino diz para Adalberto Pedro 
que as várias demonstrações que a contabilidade exige são repetitivas 
e desnecessárias, pois no fundo todas têm o mesmo objetivo: apresentar 
o desempenho financeiro da empresa. Adalberto já não sabe mais que 
argumentos usar para convencer o sócio. 
Como você está aprendendo ao longo da disciplina, as demonstrações 
contábeis são fundamentais para o gerenciamento da empresa. Quais 
argumentos Adalberto pode usar para mostrar a Orcelino que a 
Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) e a Demonstração do Valor 
Adicionado (DVA) são operações contábeis fundamentais para a saúde 
financeira da empresa?
O exemplo é fictício, mas é possível que um dia você se depare com 
uma situação semelhante. Se você respondeu de pronto que a Demonstração 
do Resultado do Exercício (DRE) evidencia o resultado da empresa em 
determinado período, e que a Demonstração do Valor Adicionado (DVA) 
apresenta a riqueza gerada pela entidade, parabéns! Acertou! Na sua reposta, 
você também deve observar que ambas têm enfoques bem diferentes e 
objetivam fornecer informações sob distintos pontos de vista, o que as torna 
complementares e imprescindíveis. 
Lembre que Neves (2007) apresenta com clareza a distinção entre as 
duas demonstrações contábeis. O autor diz que a Demonstração do Resultado 
do Exercício (DRE) evidencia o resultado da entidade em determinado período 
e a Demonstração do Valor Adicionado (DVA) indica de forma clara e precisa 
a distribuição da riqueza gerada, ou seja, a parte que pertence aos sócios ou 
acionistas, a que pertence a terceiros, a que pertence a funcionários e a que 
pertence ao governo.
A Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) indica a parte desti-
nada a terceiros, funcionários e governo, que é considerada como despesa ou 
custo; logo, reduz a parte do lucro e, consequentemente, a parte que seria 
destinada aos sócios.
Capítulo 6
192 Contabilidade Básica II
Portanto,ambas as demonstrações contábeis são eficientes aos usuários 
da informação contábil, porém, com enfoques diferenciados. Este é o principal 
argumento que Adalberto vai usar para convencer Orcelino de que não há 
repetição de processos, mas sim uma forma de identificar o que está dando 
certo ou errado na administração.
6.4 Para saber mais
título: Contabilidade comercial: atualizado conforme a Lei n° 
11.638/07 e Lei n° 11.941/09
Autores: IUDíCIBUS, S.; 
MARION, J. C. Editora: Atlas (SP) Ano: 2010
Este livro diferencia-se pela atualidade dos temas apresentados 
e pela sua abrangência no tratamento de assuntos, muitas vezes 
tratados em outras disciplinas de Contabilidade. Esta edição inclui 
alterações ocorridas na legislação e alia os aspectos teóricos básicos 
da Contabilidade Comercial aos aspectos legais e fiscais vigentes no 
Brasil, mantendo sempre um equilíbrio entre teoria, fundamentação 
legal e obrigações fiscais.
site: Conselho Federal de Contabilidade
URL: <http://www.cfc.org.br/>
O site do Conselho Federal de Contabilidade é uma importante 
fonte de consulta para complementar as informações trabalhadas 
ao longo do capítulo. Além de todas as orientações pertinentes 
à profissão, o conselho disponibiliza a legislação que rege a 
contabilidade. Sugiro que você confira a NBC-T-3.7 para analisar com 
mais propriedade os critérios de estruturação da Demonstração do 
Valor Adicionado (DVA).
6.5 Relembrando
Neste capítulo, você aprendeu que:
 • são vários os elementos estruturais e conceituais Demonstração do 
Valor Adicionado (DVA);
 • a DVA evidencia a riqueza gerada pela empresa e sua forma 
de distribuição;
Capítulo 6
193 Contabilidade Básica II
 • a DVA é obrigatória apenas para as companhias abertas, mas por sua 
transparência é adotada por outras empresas;
 • na economia o produto é considerado igual à renda, enquanto na 
contabilidade o valor adicionado é igual total destinado deste valor;
 • a DVA está dividida em duas partes: a primeira que contempla todos 
os valores de riqueza gerada e a segunda, de que forma esta riqueza 
foi distribuída;
 • o valor adicionado demonstra a efetiva contribuição da empresa, 
dentro de uma visão global de desempenho, para a geração de 
riqueza da economia na qual está inserida, sendo resultado do esforço 
conjugado de todos os seus fatores de produção;
 • a DVA possui uma estrutura simples, porém detalhada, muito 
semelhante à Demonstração do Resultado do Exercício (DRE);
 • a grande diferença entre a DVA e a DRE é que esta diz como a 
informação é canalizada, ou seja, a DRE apresenta o resultado do 
exercício sem indicar a sua distribuição. Já a DVA demonstra a riqueza 
gerada e de que maneira foi canalizada para o sistema da empresa.
6.6 Testando os seus conhecimentos
Agora, por meio das atividades acadêmicas propostas abaixo, você irá 
colocar em prática o conteúdo estudado. Procure refletir sobre as questões e 
responder a partir de seu entendimento.
1) Qual o objetivo da Demonstração do Valor Adicionado (DVA)?
2) Quem está obrigado a apresentar a DVA? Desde quando? 
3) Quanto às demais empresas que não estão obrigadas a elaborar a 
DVA, qual o posicionamento dos principais órgãos regulamentadores 
da contabilidade?
4) Comente de que forma a DVA está dividida. 
Capítulo 6
194 Contabilidade Básica II
Onde encontrar
AZEVEDO, O. R. Dva x DFC. São Paulo: IOB, 2008.
BRASIL. lei nº 11.638 de 28 de dezembro de 2007. Altera e revoga 
dispositivos da Lei. 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e da Lei 6.385, de 7 
de dezembro de 1976, e estende às sociedades de grande porte disposições 
relativas à elaboração e divulgação de demonstrações financeiras. Disponível 
em:<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/lei/l11638.
htm>. Acesso em: 20 dez. 2010.
______. normas Brasileiras de Contabilidade – nBC. NBC-T 3.7. Disponível em: 
<http:// www.cfc.org.br/sisweb/sre/Default.aspx>. Acesso em: 12 abr. 2010.
IUDÍCIBUS, S.; MARTINS, E.; GELBCKE, E. R. manual de contabilidade das 
sociedades por ações. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2010. 
MARION, J. C. análise das demonstrações contábeis. 5. ed. São Paulo: Atlas, 
2009.
NEVES, S. Contabilidade avançada. 15. ed. São Paulo: Atlas, 2007.
PEREZ, J.H.; BEGALLI, G. A. Elaboração das demonstrações contábeis. 3. ed. 
São Paulo: Atlas, 2002.
RIBEIRO, O. M. Demonstrações financeiras – mudanças na Lei das Sociedades 
Anônimas: como era e como ficou. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2010.
Capítulo 7
195 Contabilidade Básica II
notas ExpliCativas
CAPÍTULO 7
7.1 Contextualizando
Prezado aluno! Chegamos ao sétimo capítulo de nossa disciplina. 
Apresentarei o conceito, a importância e os objetivos das notas explicativas. 
Elas podem ser consideradas como um complemento às demonstrações 
contábeis, quadros analíticos ou outras demonstrações que permitem a plena 
avaliação da situação e da evolução patrimonial da empresa.
Também apresentarei exemplos e comentários de acordo com a Lei 
6.404/76 – conhecida com a Lei das Sociedades por Ações –, que foi alterada 
pela Lei 11.638/07.
Importante comentar que a lei 6.404/76 enumera o mínimo dessas notas 
e induz sua ampliação quando for necessário para o devido esclarecimento da 
situação patrimonial e dos resultados do exercício. 
Nesse valor mínimo incluem-se a descrição dos critérios de avaliação dos 
elementos patrimoniais e das práticas contábeis adotadas, dos ajustes dos 
exercícios anteriores, reavaliações, ônus sobre ativos, detalhamento das dívidas 
de longo prazo, do capital e dos investimentos relevantes em outras empresas, 
eventos subsequentes importantes após a data do balanço, entre outros. 
Ao final deste capítulo, você será capaz de: 
 • classificar as notas explicativas das demonstrações contábeis;
 • distinguir os elementos conceituais e estruturais das mesmas;
 • identificar as notas explicativas necessárias para melhor interpretação 
das demonstrações contábeis.
Capítulo 7
196 Contabilidade Básica II
7.2 Conhecendo a teoria
Além das demonstrações contábeis, já estudadas até o momento 
(DRE, DLPA, DFC), a contabilidade agrega outras informações complementares, 
ou seja, outros indicativos no sentido de enriquecer os relatórios contábeis e 
financeiros que proporcionam mais clareza e segurança às informações prestadas.
Essas evidenciações visam prestar esclarecimentos aos usuários das 
demonstrações contábeis e, por este motivo, ganham destaque e formalidades 
para o melhor aproveitamento pelo usuário. 
Tais evidenciações são denominadas pela contabilidade como notas 
explicativas. Essas devem ser elaboradas de tal forma que possam ajudar 
o usuário da contabilidade a interpretar de maneira mais simples e rápida 
aquilo que não foi detalhado nas demonstrações contábeis. Marion (2009) 
afirma que as evidenciações contábeis e financeiras devem ser relevantes 
tanto quantitativa quanto qualitativamente. 
Atente que as notas explicativas abragem mudanças nos procedimentos 
contábeis, de um exercício para o outro, devendo ser destacadas e enfatizadas, 
principalmente, quando modificarem o resultado do exercício.
De acordo com Iudícibus, Martins e Gelbcke (2007), as notas explicativas 
podem estar expressas tanto na forma descritiva como na forma de quadros 
analíticos, ou mesmo englobar outras demonstrações contábeis. As notas 
explicativas estão disciplinadas na Lei das Sociedades Anônimas – Lei 6.404/76, 
alterada pela Lei 11.638/07, que trata em seu § 4º do artigo 176 que “as 
demonstrações serão complementadas por notas explicativas e outros quadros 
analíticos ou demonstrações contábeis necessários para esclarecimento da 
situação patrimonial e dos resultados do exercício”.
Importante assinalar queas notas explicativas devem descrever as 
práticas contábeis da empresa, ou seja, o contexto operacional, o cenário dos 
investimentos, os métodos de estimativas, base de mensuração e atualização 
de ativos e passivos, as contingências, os rateios, as provisões, entre outras. 
Apenas com esta breve introdução, você já percebeu que as notas 
explicativas fazem toda a diferença na análise nas finanças de uma empresa. 
Agora, uma observação importante: a Lei das Sociedades Anônimas disciplina 
Capítulo 7
197 Contabilidade Básica II
as notas explicativas, porém, a sua adequação às rotinas contábeis fica a cargo 
da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), como veremos nos tópicos a seguir.
7.2.1 As notas explicativas conforme a Lei das Sociedades 
Anônimas e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM)
Imagine que você tenha acesso à contabilidade da empresa onde 
trabalha. Embora participe das atividades administrativas, há dados que 
constam nas demonstrações que deixam você em dúvida. É aqui que entra a 
importância das notas explicativas porque, como diz o nome, elas esclarecem 
e interpretam os itens que podem não estar claros ou que gerem dúvidas na 
documentação contábil da empresa, tornando a situação patrimonial e os 
resultados do exercício acessíveis aos usuários.
Como já dito anteriormente, a Lei das Sociedades Anônimas estabelece 
no § 4º do artigo 176 que “as demonstrações serão complementadas por 
notas explicativas e outros quadros analíticos ou demonstrações contábeis 
necessários para esclarecimento da situação patrimonial e dos resultados 
do exercício”.
Pois bem, interpretando esta citação fica claro que as notas explicativas 
são parte integrante das demonstrações contábeis, visto que permitem aos 
usuários das informações conhecer detalhadamente a composição dos bens, 
direitos e obrigações da entidade. 
Veja que nem sempre um acionista ou sócio de uma empresa é um expert 
em contabilidade. As notas explicativas contêm as informações necessárias 
para o esclarecimento da situação patrimonial, ou seja, o detalhamento de 
uma determinada conta contábil, saldo ou transação financeira, ou até mesmo 
o detalhamento de valores relativos ao resultado apurado no exercício.
A amplitude das informações relativas às notas explicativas pode atingir 
uma ou mais demonstrações contábeis, seja o Balanço Patrimonial (BP), a 
Demonstração do Resultado do Exercício (DRE), a Demonstração dos Lucros ou 
Prejuízos Acumulados (DLPA), a Demonstração das Mutações do Patrimônio 
Líquido (DMPL), entre outras.
As notas explicativas devem expor detalhadamente as práticas contábeis 
da entidade, ou seja, o contexto operacional, a situação atualizada dos 
Capítulo 7
198 Contabilidade Básica II
investimentos, metodologia de captação de recursos de terceiros, os métodos 
de estimativas, a base de mensuração de ativos e passivos, as contingências, os 
rateios, entre outros. 
Destaco que elas são utilizadas também para detalhar o saldo de contas 
contábeis sintéticas apresentadas nas demonstrações sem muita clareza, ou 
ainda explicar a origem de determinadas contas ou simplesmente evidenciá-
las de tal maneira que o usuário da informação contábil tenha segurança ao 
analisar tais informações.
As notas explicativas também revelam as informações não financeiras, 
como, por exemplo, riscos a que a empresa está sujeita, políticas de proteção 
cambial, posicionamento da carteira de clientes, entre outras. Ressalto que 
serve ainda para identificar e possíveis erros de contabilização cometidos no 
exercício atual ou de períodos anteriores. 
A evidenciação de erros contábeis em notas 
explicativas não justifica os erros, apenas 
esclarece a situação.
SAIBA QUE
O Art. 176, § 4º, da Lei nº 6.404/76 diz que as demonstrações serão 
complementadas por notas explicativas e outros quadros analíticos ou 
demonstrações contábeis necessários ao esclarecimento da situação patrimonial 
e dos resultados do exercício. Já o § 5º, da referida lei, comenta que as notas 
explicativas devem: 
I. apresentar informações sobre a base de preparação das 
demonstrações financeiras e das práticas contábeis específicas 
selecionadas e aplicadas para negócios e eventos significativos; 
II. divulgar as informações exigidas pelas práticas contábeis 
adotadas no Brasil que não estejam apresentadas em nenhuma 
outra parte das demonstrações financeiras; 
III. fornecer informações adicionais não indicadas nas próprias 
demonstrações financeiras e consideradas necessárias para uma 
apresentação adequada; 
Capítulo 7
199 Contabilidade Básica II
IV. indicar: 
a) os principais critérios de avaliação dos elementos patrimoniais, 
especialmente estoques, dos cálculos de depreciação, amortização 
e exaustão, de constituição de provisões para encargos ou riscos, 
e dos ajustes para atender a perdas prováveis na realização de 
elementos do ativo; 
b) os investimentos em outras sociedades, quando relevantes; 
c) o aumento de valor de elementos do ativo resultante de novas 
avaliações;
d) os ônus reais constituídos sobre elementos do ativo, as garantias 
prestadas a terceiros e outras responsabilidades eventuais ou 
contingentes; 
e) a taxa de juros, as datas de vencimento e as garantias das 
obrigações a longo prazo; 
f) o número, espécies e classes das ações do capital social; 
g) as opções de compra de ações outorgadas e exercidas no 
exercício; 
h) os ajustes de exercícios anteriores;
i) os eventos subsequentes à data de encerramento do exercício 
que tenham, ou possam vir a ter, efeito relevante sobre a situação 
financeira e os resultados futuros da companhia. 
Logo, entende-se que são inúmeras as informações que devem abranger 
as notas explicativas, contudo sua elaboração não deve se restringir somente 
aos fatores previstos na lei, mas sim dar conta de todas as demais informações 
necessárias para um melhor entendimento sobre a situação financeira e 
econômica da entidade. 
De acordo com a NBC-T 6.2, as informações contidas nas notas explicativas 
necessitam ser relevantes, complementares e/ou suplementares àquelas não 
suficientemente evidenciadas, ou não constantes nas demonstrações contábeis 
propriamente ditas, podendo abranger informações de natureza patrimonial, 
econômica, financeira, legal, física e social. 
Ainda, de acordo com a NBC-T 6.2, para que as notas explicativas tenham o 
efeito desejado, devem ser observados os seguintes aspectos em sua elaboração: 
 • as informações devem contemplar os fatores de integridade, 
autenticidade, precisão, sinceridade e relevância; 
 • os textos devem ser simples, objetivos, claros e concisos; 
 • os assuntos devem ser ordenados observando as demonstrações 
contábeis, tanto para os agrupamentos como para as contas que 
os compõem; 
Capítulo 7
200 Contabilidade Básica II
 • os assuntos relacionados devem ser agrupados segundo seus 
atributos comuns; 
 • os dados devem permitir comparações com os de datas de 
períodos anteriores; 
 • as referências a leis, decretos, regulamentos, normas brasileiras de 
contabilidade e outros atos normativos devem ser fundamentados e 
restritos aos casos em que tais citações contribuam para o entendimento 
do assunto tratado na nota explicativa. 
Já a NBC-T 19.27 determina que a entidade deve divulgar, caso ainda não 
tenha tornado pública em outro local, além das demonstrações contábeis, as 
seguintes informações nas notas explicativas: 
 • o domicílio e a forma jurídica da entidade, o seu país de registro e 
o endereço da sede registrada (ou o local principal dos negócios, se 
diferente da sede registrada); 
 • a descrição da natureza das operações da entidade e das suas 
principais atividades;
 • o nome da entidade controladorae a entidade controladora do grupo 
em última instância; 
 • se for uma entidade constituída por tempo determinado, informação 
a respeito do tempo de duração. 
LEMBRETE
Todas as informações são relevantes, uma vez 
que os usuários da informação necessitam saber 
tudo o que acontece na movimentação contábil 
da empresa.
Atente que entre os conjuntos de dados importantes também 
podem ser destacados: o mercado onde a entidade atua, a atividade 
principal e outras secundárias que podem fornecer subsídios para 
aumento do resultado, marcas sob seu registro, processos trabalhistas 
previsíveis, entre outras. Observe que todas essas informações não 
estão evidenciadas nas demonstrações contábeis, reforçando a 
importância de destacá-las e fundamentá-las para o esclarecimento 
dos usuários – e ainda podemos dizer que não só estas situações, mas 
Capítulo 7
201 Contabilidade Básica II
quaisquer outras que venham a tornar as demonstrações contábeis mais 
transparentes e seguras. 
Para que você conheça as notas explicativas e sua estrutura, contexto e 
escrita, apresento como exemplo as notas explicativas publicadas da empresa 
Bons Sonhos S/A. Este documento reproduz todos os atos administrativos, 
fiscais e contábeis de uma grande empresa têxtil do Brasil. 
Figura 1 – Transparência é a palavra de ordem na contabilidade
Fonte: wavebreakmedia ltd <www.shutterstock.com>
Apesar de ser um material longo, contém todos os detalhes que podem 
ajudar no esclarecimento de possíveis dúvidas sobre o tema. Tenho certeza 
que o esforço vai valer a pena!
reprodução de notas Explicativas 
Bons sonHos s/a
Notas explicativas da administração às demonstrações 
financeiras em 31 de dezembro de 2009 e de 2008 
Em milhares de reais, exceto quando indicado de outra forma
Contexto operacional
A companhia, com sede em Jaraguá (SC), é de capital aberto e tem como 
atividades preponderantes a industrialização e comercialização das seguintes 
linhas de produtos: cama, mesa, banho e tecidos para decoração. 
Capítulo 7
202 Contabilidade Básica II
A companhia possui estrutura e os custos administrativos, gerenciais e 
operacionais parcialmente compartilhados com as demais empresas controladas. 
apresentação das demonstrações financeiras consolidadas e principais 
práticas contábeis
apresentação das demonstrações financeiras consolidadas
As demonstrações financeiras a seguir foram aprovadas pelo Conselho de 
Administração da companhia em 15 de março de 2010. 
As demonstrações financeiras foram elaboradas e estão sendo apresentadas de 
acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil, com base nas disposições 
contidas na Lei das Sociedades por Ações e nas normas estabelecidas pela 
Comissão de Valores Mobiliários (CVM). 
As principais práticas contábeis adotadas na elaboração destas demonstrações 
financeiras correspondem às normas e orientações que estão vigentes para as 
demonstrações financeiras encerradas em 31 de dezembro de 2009, que serão 
diferentes daquelas que serão utilizadas para elaboração das demonstrações 
financeiras de 31 de dezembro de 2010. 
Na elaboração das demonstrações financeiras, é necessário utilizar 
estimativas para contabilizar certos ativos, passivos e outras transações. 
As demonstrações financeiras da companhia e suas controladas 
incluem, portanto, estimativas referentes à seleção das vidas úteis do 
ativo imobilizado, provisões necessárias para passivos contingentes, 
determinações de provisões para imposto de renda e outras similares. Os 
resultados reais podem apresentar variações em relação às estimativas. 
Descrição das principais práticas contábeis adotadas 
a) Caixa e equivalentes de caixa
Caixa e equivalentes de caixa incluem dinheiro em caixa, depósitos bancários 
e investimentos de curto prazo de alta liquidez com vencimentos originais 
Capítulo 7
203 Contabilidade Básica II
de três meses ou menos, que são prontamente conversíveis em um montante 
conhecido de caixa e que estão sujeitos a um insignificante risco de mudança 
de valor. 
b) instrumentos financeiros
Classificação e mensuração 
A companhia classifica seus ativos financeiros sob as categorias: mensurados 
ao valor justo por meio do resultado e empréstimos e recebíveis, uma vez que 
não existem ativos financeiros mantidos até o vencimento e disponíveis para 
venda. A classificação depende da finalidade para a qual os ativos financeiros 
foram adquiridos. A administração determina a classificação de seus ativos 
financeiros no reconhecimento inicial.
ativos financeiros mensurados ao valor justo por meio do resultado 
Os ativos financeiros mensurados ao valor justo por meio do resultado são 
ativos financeiros mantidos para negociação ativa e frequente. Os ativos dessa 
categoria são classificados como ativos circulantes. Os ganhos ou as perdas 
decorrentes de variações no valor justo de ativos financeiros mensurados 
ao valor justo por meio do resultado são apresentados na demonstração do 
resultado em “resultado financeiro” no período em que ocorrem. 
Empréstimos e recebíveis 
Incluem-se nessa categoria os empréstimos concedidos e os recebíveis 
que são ativos financeiros não derivativos com pagamentos fixos ou 
determináveis, não cotados em um mercado ativo. São incluídos como 
Ativo Circulante, exceto aqueles com prazo de vencimento superior a 12 
meses após a data do balanço (estes são classificados como ativos não 
circulantes). Os empréstimos e recebíveis da Companhia compreendem os 
empréstimos a controladas, contas a receber de clientes, demais contas 
a receber, caixa e equivalentes de caixa, exceto os investimentos de 
curto prazo. Os empréstimos e recebíveis são contabilizados pelo custo 
amortizado, usando o método da taxa de juros efetiva. 
Capítulo 7
204 Contabilidade Básica II
valor justo 
Os valores justos dos investimentos com cotação pública são baseados nos 
preços atuais de compra. Para os ativos financeiros sem mercado ativo 
ou cotação pública, a Companhia estabelece o valor justo através de 
técnicas de avaliação. Essas técnicas incluem o uso de operações recentes 
contratadas com terceiros, a referência a outros instrumentos que são 
substancialmente similares, a análise de fluxos de caixa descontados 
e os modelos de precificação de opções que fazem o maior uso possível 
de informações geradas pelo mercado e contam o mínimo possível com 
informações geradas pela administração da própria entidade. 
A companhia avalia, na data do balanço, se há evidência objetiva de que um 
ativo financeiro ou um grupo de ativos financeiros está registrado por valor 
acima de seu valor recuperável (impairment). Se houver alguma evidência 
para os ativos financeiros disponíveis para venda, a perda cumulativa – 
mensurada como a diferença entre o custo de aquisição e o valor justo atual, 
menos qualquer perda por impairment desse ativo financeiro previamente 
reconhecida no resultado – é retirada do patrimônio e reconhecida na 
demonstração do resultado. 
instrumentos derivativos e atividades de hedge 
Inicialmente, os derivativos são reconhecidos pelo valor justo na data em que um 
contrato de derivativos é celebrado e são, subsequentemente, remensurados 
ao seu valor justo, com as variações do valor justo lançadas contra o resultado, 
exceto quando o derivativo for designado como um instrumento de hedge de 
fluxo de caixa.
Embora a companhia faça uso de derivativos com o objetivo de proteção, ela 
não aplica a chamada contabilização de hedge (hedge accounting). 
O valor justo dos instrumentos derivativos está divulgado na Nota 16 (i). 
c) Contas a receber de clientes
As contas a receber de clientes são avaliadas no momento inicial pelovalor 
presente e deduzidas da provisão para créditos de liquidação duvidosa. A 
provisão para créditos de liquidação duvidosa é estabelecida quando existe 
Capítulo 7
205 Contabilidade Básica II
uma evidência objetiva de que a Companhia não será capaz de cobrar todos 
os valores devidos de acordo com os prazos originais das contas a receber. O 
valor da provisão é a diferença entre o valor contábil e o valor recuperável. 
A administração avaliou aquelas situações, nas quais existe a possibilidade 
de uma diferença, na data de reconhecimento inicial, entre o valor nominal 
e o valor justo de ativos e passivos financeiros e concluiu que os efeitos do 
desconto ao valor presente de ativos e passivos monetários de curto prazo, 
em 31 de dezembro de 2009, ou em quaisquer períodos anteriores, não são 
relevantes, consequentemente não efetuou o respectivo registro. 
d) Estoques
Os estoques são apresentados pelo menor valor entre o custo e o valor líquido 
realizável. O custo é determinado usando-se o método da média ponderada 
móvel. O custo dos produtos acabados e dos produtos em elaboração 
compreende matérias-primas, mão de obra direta, outros custos diretos e 
despesas gerais de produção relacionadas (com base na capacidade operacional 
normal). O valor realizável líquido é o preço de venda estimado para o curso 
normal dos negócios, deduzidos os custos de execução e as despesas de venda. 
As importações em andamento são demonstradas ao custo acumulado de 
cada importação. 
e) imposto de renda e contribuição social
A provisão para o imposto de renda é constituída com a inclusão da parcela 
de incentivos fiscais e calculada com base nas alíquotas atualmente vigentes 
no país. 
O imposto de renda e a contribuição social diferidos são calculados sobre 
diferenças temporárias entre as bases de cálculo do imposto sobre ativos e 
passivos e os valores contábeis das demonstrações financeiras. As alíquotas desses 
impostos, definidas atualmente para determinação desses créditos diferidos, são 
de 25% para o imposto de renda e de 9% para a contribuição social.
f) Depósitos judiciais
Os depósitos judiciais são atualizados monetariamente e apresentados em 
nota explicativa como dedução do valor de um correspondente passivo 
Capítulo 7
206 Contabilidade Básica II
constituído quando não houver possibilidade de resgate dos depósitos, a 
menos que ocorra desfecho favorável da questão para a entidade. 
g) investimentos em controladas
Os investimentos em sociedades controladas são registrados e avaliados pelo 
método de equivalência patrimonial, reconhecido no resultado do exercício 
como despesa (ou receita) operacional. No caso de variação cambial de 
investimento em controladas no exterior, as variações no valor do investimento 
decorrentes exclusivamente de variação cambial são registradas na conta 
“Ajuste de avaliação patrimonial”, no patrimônio líquido da Companhia, e 
somente são registradas ao resultado do exercício quando o investimento 
for vendido ou baixado para perda. Para efeitos do cálculo da equivalência 
patrimonial, ganhos ou transações a realizar entre a Companhia e suas 
controladas são eliminados na medida da participação da Companhia; perdas 
não realizadas também são eliminadas, a menos que a transação forneça 
evidências de perda permanente (impairment) do ativo transferido. Nos casos 
em que as controladas possuam passivo a descoberto são efetuadas provisões 
para perdas com investimentos, registrados no Passivo Não Circulante. 
As demonstrações financeiras das controladas são elaboradas de acordo com 
as práticas contábeis adotadas no Brasil, não sendo necessárias alterações nas 
mesmas para garantir a consistência com as práticas adotadas pela companhia. 
h) Conversão de moeda estrangeira
As transações em moeda estrangeira são convertidas para reais usando-se as 
taxas de câmbio em vigor nas datas das transações. Os saldos das contas de 
balanço são convertidos pela taxa cambial da data do balanço. Ganhos e perdas 
cambiais resultantes da liquidação dessas transações e da conversão de ativos 
e passivos monetários denominados em moeda estrangeira são reconhecidos 
na demonstração do resultado. 
i) imobilizado
O imobilizado é demonstrado ao custo corrigido monetariamente até 31 de 
dezembro de 1995, sendo a depreciação calculada pelo método linear, de 
acordo com as taxas divulgadas na Nota 9. A exaustão das florestas é calculada 
Capítulo 7
207 Contabilidade Básica II
tomando-se por base a metragem da lenha extraída, em relação à metragem 
estimada como produção total de cada floresta. Terrenos não são depreciados.
Ganhos e perdas em alienações são determinados pela comparação dos valores 
de alienação com o valor contábil e são incluídos no resultado. 
Os custos dos encargos sobre empréstimos tomados para financiar a construção 
do imobilizado foram capitalizados durante o período necessário para 
executar e preparar o ativo para o uso pretendido. Reparos e manutenção são 
apropriados ao resultado durante o período em que são incorridos. O custo 
das principais renovações é incluído no valor contábil do ativo no momento 
em que for provável que os benefícios econômicos futuros que ultrapassarem 
o padrão de desempenho inicialmente avaliado para o ativo existente fluirão 
para a Companhia. As principais renovações são depreciadas ao longo da vida 
útil restante do ativo relacionado. 
j) ativos intangíveis
Composto pelos custos de aquisição de marcas e patentes e programas 
de computador (softwares). Os custos com a aquisição de softwares são 
amortizados usando-se o método linear ao longo de sua vida útil estimada, 
pelas taxas descritas na Nota 10. 
Os gastos associados ao desenvolvimento ou à manutenção de softwares são 
reconhecidos como despesas na medida em que são incorridos. Os gastos 
diretamente associados a softwares identificáveis e únicos, controlados pela 
Companhia e que, provavelmente, gerarão benefícios econômicos maiores que 
os custos por mais de um ano, são reconhecidos como ativos intangíveis. Os gastos 
diretos incluem a remuneração dos funcionários da equipe de desenvolvimento 
de softwares e a parte adequada das despesas gerais relacionadas. 
k) Diferido
O diferido, formado até 31 de dezembro de 2008, principalmente por Gastos 
de Implantação e Despesas Pré-Operacionais, é amortizado no período de até 
dez anos. 
Capítulo 7
208 Contabilidade Básica II
l) redução ao valor recuperável de ativos
O imobilizado e outros ativos não circulantes, inclusive os ativos intangíveis, 
são revistos para se identificar perdas não recuperáveis sempre que eventos 
ou alterações nas circunstâncias indicarem que o valor contábil pode não 
ser recuperável. Quando aplicável, a perda é reconhecida pelo montante 
em que o valor contábil do ativo ultrapassa seu valor recuperável, que é o 
maior entre o preço líquido de venda e o valor em uso de um ativo. Para 
fins de avaliação, os ativos são agrupados no nível mais baixo para o qual 
existem fluxos de caixa identificáveis separadamente.
m) arrendamento mercantil
Os arrendamentos mercantis de imobilizado, nos quais a Companhia fica 
substancialmente com todos os riscos e benefícios de propriedade, são 
classificados como arrendamentos financeiros. Os arrendamentos financeiros 
são registrados como se fosse uma compra financiada, reconhecendo, no seu 
início, um ativo imobilizado e um passivo de financiamento (arrendamento). 
O imobilizado adquirido através de arrendamentos financeiros é depreciado 
pelas taxas definidas na Nota 9. 
n) provisões
As provisões são reconhecidas quando a companhia possui uma obrigação 
presente, legal ou implícita, como resultado de eventospassados e é provável 
que uma saída de recursos seja necessária para liquidar a obrigação e uma 
estimativa confiável do valor possa ser feita. 
o) Benefício a funcionários – participação nos lucros e bônus
O reconhecimento dessa participação é usualmente efetuado quando do 
encerramento do exercício, momento em que o valor pode ser mensurado de 
maneira confiável pela Companhia. 
p) Empréstimos e financiamentos
Os empréstimos e financiamentos tomados são reconhecidos, inicialmente, pelo 
valor justo, no recebimento dos recursos líquidos dos custos de transação. Em 
seguida, os empréstimos e financiamentos tomados são apresentados pelo custo 
Capítulo 7
209 Contabilidade Básica II
amortizado, isto é, acrescidos de encargos e juros proporcionais ao período 
incorrido (“pro rata temporis”). 
q) reconhecimento de receita
A receita compreende o valor presente pela venda de mercadorias e serviços. A 
receita pela venda de mercadorias é reconhecida quando os riscos significativos 
e os benefícios de propriedade das mercadorias são transferidos para o 
comprador. Os dividendos são reconhecidos quando o direito de receber o 
pagamento é estabelecido. 
A receita decorrente de incentivos fiscais de subvenção para investimentos, 
recebida na forma de ativo monetário, é reconhecida no resultado do 
exercício, de maneira sistemática, ao longo do exercício, quando do 
pagamento da parcela devida do referido imposto que corresponde à 
condição de reconhecimento da receita no resultado do exercício.
r) Consolidação das demonstrações financeiras
Para as companhias controladas pela Bons Sonhos S/A., mencionadas na Nota 
8, foi consolidada a totalidade de seus ativos, passivos e resultados, sendo 
destacadas, quando aplicável, as participações minoritárias no patrimônio 
líquido e no resultado das controladas. As demonstrações financeiras 
consolidadas foram elaboradas em conformidade com as práticas contábeis 
adotadas no Brasil. Assim sendo, foram eliminadas as participações de uma 
empresa em outra, os saldos de contas e as receitas e despesas, bem como os 
lucros não realizados entre as companhias. A Companhia e suas controladas 
adotam práticas contábeis uniformes para o registro de suas operações e 
avaliação dos elementos patrimoniais, sendo que as demonstrações financeiras 
das controladas no exterior foram preparadas de acordo com as práticas 
contábeis adotadas no Brasil, nas suas respectivas moedas. 
normas e interpretações de normas que ainda não estão em vigor
As normas e interpretações de normas relacionadas, a seguir, foram publicadas 
e são obrigatórias para os exercícios sociais iniciados em ou após 1º de janeiro de 
2010. Além dessas, também foram publicadas outras normas e interpretações 
que alteram as práticas contábeis adotadas no Brasil, dentro do processo de 
convergência com as normas internacionais. As normas a seguir são apenas 
Capítulo 7
210 Contabilidade Básica II
aquelas que poderão (ou deverão) impactar as demonstrações financeiras da 
companhia de forma mais relevante. Nos termos dessas novas normas, as cifras 
do exercício de 2009, aqui apresentadas, deverão ser reapresentadas para fins 
de comparação. A companhia não adotou antecipadamente essas normas no 
exercício findo em 31 de dezembro de 2009. 
a) pronunciamentos
. CPC 16 - Estoques 
. CPC 18 - Investimentos em coligadas 
. CPC 20 - Custos de empréstimos 
. CPC 21 - Demonstração intermediária 
. CPC 23 - Políticas contábeis, mudança de estimativa e retificação de erros 
. CPC 24 - Eventos subsequentes 
. CPC 25 - Provisões, passivos e ativos contingentes 
. CPC 26 - Apresentação das demonstrações contábeis 
. CPC 27 - Ativo imobilizado 
. CPC 29 - Ativo biológico e produto agrícola 
. CPC 30 - Receitas 
. CPC 32 - Tributos sobre o lucro 
. CPC 33 - Benefícios a empregados 
. CPC 35 - Demonstrações separadas
. CPC 36 - Demonstrações consolidadas 
. CPC 37 - Adoção inicial das normas internacionais de contabilidade 
. CPC 38 - Instrumentos financeiros: reconhecimento e mensuração 
. CPC 39 - Instrumentos financeiros: apresentação 
. CPC 40 - Instrumentos financeiros: evidenciação 
b) interpretações
. ICPC 01 - Contratos de concessão 
. ICPC 03 - Aspectos complementares das operações de arrendamento mercantil 
. ICPC 04 - Alcance do CPC10 – Pagamento baseado em ações 
. ICPC 05 - CPC 10 – Pagamento baseado em ações 
. ICPC 06 - Hedges de investimentos líquidos em uma operação no exterior 
. ICPC 07 - Distribuição de dividendos in natura 
. ICPC 08 - Contabilização da proposta de pagamento de dividendos 
. ICPC 09 - Demonstrações contábeis individuais, separadas, consolidadas e 
aplicação do método de equivalência 
Capítulo 7
211 Contabilidade Básica II
. ICPC 10 - Esclarecimentos sobre os CPC 27 e CPC 28 
. ICPC 11 - Recebimento em transferência de ativos de clientes 
. ICPC 12 - Mudanças em passivos por desativação, restauração e outros passivos 
similares 
Tabela 1 – Caixa e equivalentes de caixa
CAIXA E EQUIVALENTES DE CAIXA
ControlAdorA ConsolidAdo
2009 2008 2009 2008
Caixa e bancos 1.102 10.828 1.310 11.150 
Aplicações financeiras 32.620 11.651 35.398 13.833 
33.722 22.479 36.708 24.983 
Fonte:<www.cosif.com.br/>
As aplicações financeiras referem-se a certificados de depósitos bancários e 
remunerados aproximadamente à taxa de 100% do Certificado de Depósito 
Interfinanceiro – CDI, com opção de resgate imediato, classificados como 
mantidos para negociação (mensurados ao valor justo através do resultado). 
Tabela 2 – Contas a receber de clientes
CONTAS A RECEBER DE CLIENTES
ControlAdorA ConsolidAdo
2009 2008 2009 2008
Clientes no país 56.096 73.755 85.630 112.058 
Clientes no exterior 5.266 15.460 5.266 15.460 
Provisão para devedores 
duvidosos
(1.008) (3.613) (1.512) (3.670)
Adiantam. de contratos de 
câmbio
(2.240) (2.240)
60.354 83.362 89.384 121.608 
Realizável a longo prazo
Clientes do país ajustado a 
valor presente
718 718
718 718
Fonte:<www.cosif.com.br/>
Capítulo 7
212 Contabilidade Básica II
A composição do saldo de contas a receber por idade de vencimento é como 
segue:
Em setembro de 2009, o Ministério Público deferiu o processamento da 
recuperação:
Tabela 3 – Saldo de contas a receber por idade de vencimento 
SALDO DE CONTAS A RECEBER
ControlAdorA ConsolidAdo
2009 2008 2009 2008
A vencer 58.617 80.275 87.372 118.077 
Vencidos há 30 dias 1.098 3.096 1.289 3.124 
Vencidos de 31 a 60 dias 166 1.094 190 1.138 
Vencidos de 61 a 90 dias 118 898 134 1.040 
Vencidos de 91 a 180 dias 355 239 398 469 
Vencidos há mais de 180 dias 1.008 3.613 1.513 3.670 
61.362 89.215 90.896 127.518 
Fonte:<www.cosif.com.br/>
Em setembro de 2009, o Ministério Público deferiu o processamento da 
recuperação judicial de um dos clientes. Tendo como base a aprovação do 
Plano de Recuperação Judicial e as alternativas de pagamento apresentadas 
aos credores. A Companhia, em dezembro de 2008, havia provisionado em 
perdas todas as duplicatas em aberto desse cliente no valor de R$ 1.765. Em 
função do processo de recuperação judicial, renegociação da dívida e opção 
de recebimento, em 30 de setembro de 2009 foi revertido um montante de 
R$ 1.235, sendo que sobre esse saldo foi aplicado o desconto a valor presente. 
Na data da renegociação, de R$ 533 (em 31 de dezembro de 2009 equivale 
a R$ 517), o que será revertido durante o prazo de recebimento. Em 31 de 
dezembro de 2009, o saldo destas contas a receber era de R$ 718. 
Capítulo 7
213 Contabilidade Básica II
Estoques
Tabela 4 – Estoques 
ESTOQUES
ControlAdorA ConsolidAdo
2009 2008 2009 2008
Produtos Acabados 10.4999.590 16.806 26.543 
Produtos em elaboração 11.666 13.720 15.236 14.780 
Matérias-primas 16.710 8.115 24.233 22.123 
Ferramentas, peças e material 
de manutenção
1.401 1.517 1.401 1.517 
Importações em andamento 767 439 2.939 6.912 
Almoxarifado 197 269 344 369 
Outros estoques 335 409 335 409 
41.575 34.059 61.294 72.653 
Fonte:<www.cosif.com.br/>
tributos a recuperar
Tabela 5 – Tributos a Recuperar 
TRIBUTOS A RECUPERAR
ControlAdorA ConsolidAdo
2009 2008 2009 2008
Circulante
 ICMS 3.110 4.422 
 ICMS s/ Imobilizado 1.436 1.541 1.542 1.652 
 IPI 657 1.069 1.329 1.684 
 PIS/COFINS 10 1.173 
 PIS/COFINS s/ Imobilizado 81 84 110 84 
 Adicional de IR Estadual - SC 762 732 762 732 
Capítulo 7
214 Contabilidade Básica II
 Credito Presumidos PIS/
Cofins
535 535 535 535 
 Outros 335 74 336 75 
 IRPJ/CSLL a compensar 766 
 Antecipação IRPJ/CSLL 1.424 3.189 1.497 4.894 
5.230 7.224 9.997 15.251 
realizável a longo prazo 16.710 8.115 24.233 22.123 
 ICMS s/ Imobilizado 1.634 2.839 1.770 3.069 
 PIS/COFINS s/ Imobilizado 34 45 
1.634 2.873 1.770 3.114 
6.864 10.097 11.767 18.365 
Fonte:<www.cosif.com.br/>
Obs.: os dados das notas explicativas são reais, apenas o nome da empresa é 
fictício.
Com o exemplo anterior você percebe a importância das notas 
explicativas para o entendimento dos registros contábeis apresentados, 
bem como aqueles fatos que ainda não tiveram seu impacto contábil 
e financeiro. E talvez sejam tão importantes quanto as próprias 
demonstrações contábeis e financeiras, visto que as informações contidas 
permitem que o usuário tenha clareza do que acontece na empresa de 
forma ampla e analítica. Isto quer dizer que elas funcionam como se 
fossem o raio-x da empresa.
Note também a amplitude de abrangência das notas explicativas, pois 
tratam das evidenciações tanto das contas patrimoniais quanto daquelas que 
atribuem algum impacto no resultado.
Na leitura, você deve ter observado a preocupação da companhia 
quanto às Normas Brasileiras de Contabilidade, pronunciamentos em vigor ou 
não, destacando sempre os aspectos primordiais para a análise do usuário da 
informação contábil.
Capítulo 7
215 Contabilidade Básica II
Bem, após todo esse estudo, no tópico a seguir comentarei as notas 
explicativas em relação à Lei das Sociedades Anônimas e a Comissão de Valores 
Mobiliários (CVM).
7.2.2 Comentários sobre as notas da Lei das Sociedades 
Anônimas e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM)
Como você já sabe, as demonstrações contábeis resultam do 
processamento de grandes números de transações agregados de acordo 
com a sua natureza ou função. Ao término desse processo, os dados 
são apresentados condensados e classificados, dando assim origem às 
demonstrações contábeis. Porém, caso um item ou conta não esteja 
suficientemente justificado, ou seja, exposto com clareza e objetividade, 
esse deve ser materializado com relatórios complementares e 
notas explicativas.
Relembro que as notas explicativas devem discriminar, com 
clareza e objetividade, as informações necessárias para o correto 
entendimento do conteúdo das demonstrações financeiras, a partir 
dos itens previstos no parágrafo 5º do artigo 176 da Lei 6.404/76 – Lei 
das Sociedades Anônimas. As responsabilidades e evidenciações não 
refletidas nas demonstrações financeiras serão apresentadas em notas 
explicativas ou em quadros demonstrativos. 
Diante da complexidade do tema, a Lei das Sociedades Anônimas 
aborda as notas explicativas apenas nos artigos 176 e 247. Já a Comissão de 
Valores Mobiliários (CVM) trata desse assunto em vários pareceres e ofícios 
conforme apresentado a seguir:
Cvm – Comissão de valores mobiliários – Companhias abertas
 • Consolidação de pareceres de orientação Cvm – notas Explicativas
 à Ofício Circular CVM 578/1985
 à Ofício Circular CVM 309/1086
 à Parecer de Orientação CVM 015/1987
 à Parecer de Orientação CVM 017/1989
 à Parecer de Orientação CVM 018/1990
 à Parecer de Orientação CVM 024/1992
Capítulo 7
216 Contabilidade Básica II
 • parecer de orientação Cvm 004/1979 – Aspectos da Lei 6.404 aplicáveis 
à adequação das demonstrações financeiras de companhias abertas;
 • instrução Cvm 475/2008 – Dispõe sobre a obrigatoriedade de 
divulgação em Nota Explicativa das aplicações em instrumentos 
financeiros;
 • Deliberação Cvm 550/2008 – Instrumentos Financeiros Derivativos em 
Nota Explicativa às Informações Trimestrais (ITR).
Como você pode observar, a Lei das Sociedades 
Anônimas aborda as notas explicativas apenas 
nos artigos 176 e 247. Porém, a Comissão de 
Valores Mobiliários (CVM) tem um importante 
papel no assunto. Por quê?
DESAFIO
Tais ofícios e pareceres abordam de forma detalhada a maneira 
como as evidenciações devem ser apresentadas. Leia com atenção o 
exemplo a seguir!
Ofício Circular 578/1985
Segundo este documento, os procedimentos efetivamente utilizados 
pela companhia devem ser apresentados com clareza, sem o uso de expressões 
genéricas, tais como: taxas permitidas pela legislação em vigor ou dentro 
dos limites da legislação tributária. As notas explicativas sobre obrigações e 
gravames devem ser completas: as relativas a arrendamento mercantil, por 
exemplo, têm de conter: saldo, valor e número de prestações, juros embutidos, 
variação monetária, entre outros dados pertinentes. Essas notas também não 
podem se limitar aos itens contidos no parágrafo 5º do artigo 176 da Lei 
6.404/1976 ou item XXXIV da Instrução CVM 01/78 (Revogada - vide Instrução 
CVM 247/96 e Nota Explicativa 247/96). Uma análise criteriosa deve ser feita 
para atendimento ao “caput”, ao parágrafo 4º do artigo 176 e aos próprios 
objetivos da Contabilidade e suas Demonstrações.
Capítulo 7
217 Contabilidade Básica II
Ofício Circular 309/1986
Sendo a evidenciação (disclosure) um dos objetivos básicos da 
contabilidade, de modo a garantir aos usuários informações completas 
e confiáveis sobre a situação financeira e os resultados da companhia, 
as notas explicativas que integram as demonstrações financeiras devem 
apresentar informações quantitativas de maneira ordenada e clara. As 
notas explicativas deverão discriminar, com clareza e objetividade, os 
esclarecimentos necessários ao correto entendimento do conteúdo das 
demonstrações financeiras, a partir dos itens previstos no § 5º do art. 176 da Lei 
6.404/1976/76. Todas as responsabilidades não refletidas nas demonstrações 
financeiras serão evidenciadas em notas ou em quadros demonstrativos. Os 
quadros discriminam os investimentos relevantes, arrendamento mercantil, 
garantias, empréstimos e financiamentos e outras informações em que haja 
predominância do aspecto quantitativo.
Reforço também que não podem ser usadas as notas genéricas (“... taxas 
permitidas pela legislação...”), redundantes (“... elaboradas de acordo com a 
lei...”) ou conflitantes (“... de acordo com as legislações societária, tributária e 
normas específicas dos órgãos reguladores da matéria...”).
Parecer de Orientação CVM 15/1987
A Lei 6.404/1976 determina que as demonstrações financeiras 
contábeis devem ser acompanhadas por notas explicativas e outros quadros 
analíticos ou demonstrações contábeis necessários para esclarecimento 
da situação patrimonial e dos resultados do exercício (artigo 176, 
parágrafo 4°). Apresenta, ainda, relação das informações mínimas que 
devem obrigatoriamente constar em nota (parágrafo 5°). Além disso, a 
CVM, usando a faculdade conferida nas Leis n° 6.404/1976 e 6.385/1976, 
determina a apresentação em nota de diversas outras informações 
necessárias ao esclarecimento, conhecimento e análise da situação e dos 
resultados da companhia.Apesar disso, muitas companhias abertas ainda não vêm fazendo 
uso adequado das notas explicativas, descumprindo as determinações 
acima, tanto pela omissão de informação, quanto pela divulgação de 
informações desnecessárias. Tanto assim é que durante o presente 
exercício ainda foram observadas deficiências nas notas explicativas de 
Capítulo 7
218 Contabilidade Básica II
significativo número de companhias abertas (foram registrados mais de 
300 casos). Deficiências essas que vão desde a falta de apresentação das 
informações mínimas requeridas na Lei 6.404/1976, há mais de 10 anos, 
até o não atendimento das instruções e deliberações mais recentes da 
CVM. A maior incidência, neste último caso, se deve, principalmente, à 
falta de divulgação das transações entre Partes Relacionadas (NBC-T-17 e 
NBC-T-11.14) requerida pela Deliberação CVM 26/1986 (REVOGADA pela 
Deliberação CVM 560/2008), e das informações relativas às reavaliações 
de ativo requerida pela Deliberação CVM 027/1986.
A seguir, relacionamos os principais itens que devem ser objeto de 
divulgação em nota explicativa e respectivas disposições normativas. Além 
dessas, outras informações são requeridas no presente parecer de orientação. 
Alertamos, no entanto, que esta é uma relação mínima e que não deve 
restringir a apresentação de outras informações pela companhia:
1. Ações em Tesouraria - Instrução CVM 10/1980 (artigo 21).
[...]
23. Transações entre Partes Relacionadas (NBC-T-17 e NBC-T-11.14) 
- Deliberação CVM 026/1986 (diversos itens).
Além dessas informações, visando o pleno conhecimento pelos 
acionistas e investidores a respeito da forma e do montante da 
remuneração do seu investimento na companhia e da proteção e 
preservação desse investimento, é requerido que sejam evidenciadas 
em nota, quadro auxiliar ou em relatório as seguintes informações:
a) Nota sobre Dividendos:
Deve ser apresentada demonstração do cálculo do dividendo 
proposto pela administração. Assim, por exemplo, se o estatuto 
estabelece o pagamento de dividendo mínimo obrigatório de 25% 
do lucro líquido ajustado, a companhia deverá apresentar essa 
demonstração a partir do lucro líquido do exercício evidenciando 
as deduções permitidas para reservas, as reversões de reservas, os 
ajustes de exercícios anteriores (se considerados), o lucro base para 
cálculo do dividendo, o percentual aplicado, o valor do dividendo 
proposto e as deduções e as deduções de dividendos antecipados e 
sua correção monetária se aplicáveis.
b) Nota sobre Seguros:
A companhia deve informar se e quais os ativos, responsabilidades 
ou interesses cobertos por seguros e os respectivos montantes, 
especificados por modalidade.
Portanto, a Lei das Sociedades Anônimas trata este assunto sem muita 
propriedade e detalhamento, ficando a cargo da Comissão de Valores 
Mobiliários a regulamentação e apropriação das notas explicativas.
Capítulo 7
219 Contabilidade Básica II
Para Iudícibus (2009), a Lei das Sociedades Anônimas deixa bastante 
a desejar quanto ao assunto notas explicativas, dando a impressão de que 
devido à urgência e complexidade, em sua elaboração muitos aspectos 
foram anexados quando a seção já estava pronta, de modo que remendou-
se a redação da Lei, perdendo a sequência, ordem e clareza.
EXPLORANDO
Para complementar seus estudos, sugiro que 
você visite o site <http://www.cosif.com.br>. Lá, 
você encontrará informações com riqueza de 
detalhes que vão lhe ajudar a complementar 
seus estudos e podem render interessantes 
pesquisas sobre o tema.
7.2.3 Outras notas explicativas
Além das notas explicativas sobre as demonstrações contábeis 
e financeiras existem outras evidenciações que também devem ser 
respaldadas, como por exemplo as notas explicativas sobre o contexto 
operacional da companhia.
Embora não estejam previstos na Lei das Sociedades Anônimas, a 
Comissão de Valores Mobiliários e outros órgãos regulamentadores vêm 
estimulando as companhias a divulgar de forma usual, como a primeira 
das Notas Explicativas com o título Operações ou Contexto Operacional, 
o conteúdo sobre o ramo de atividade de exploração, a base de atuação 
no mercado e também uma apresentação da situação do negócio se este 
estiver em fase de implantação ou expansão.
Acredita-se que, desta forma, a informação contábil estará mais 
próxima do usuário, transcrevendo os grandes números em informações 
para análise e interpretação dos dados.
Você pode observar um modelo de nota explicativa de contexto 
operacional no exemplo da companhia Bons Sonhos S/A apresentado em 
tópicos anteriores deste capítulo, como segue:
Capítulo 7
220 Contabilidade Básica II
Bons sonHos s/a
Notas explicativas da administração às demonstrações 
financeiras em 31 de dezembro de 2009 e de 2008 
Em milhares de reais, exceto quando indicado de outra forma
1. Contexto operacional: 
A Companhia, com sede em Jaraguá do Sul (SC), é de capital 
aberto e tem como atividades preponderantes a industrialização 
e comercialização das seguintes linhas de produtos: cama, mesa, 
banho e tecidos para decoração. 
A Companhia possui estrutura e os custos administrativos, gerenciais 
e operacionais parcialmente compartilhados com as demais 
empresas controladas. 
Logo, tais informações são ferramentas para fidelizar os investidores 
ao tentarem interpretar as demonstrações contábeis, melhorando o 
seu julgamento quanto à razoabilidade das informações contábeis e 
financeiras apresentadas.
Caro aluno, diante desse extenso cenário sobre o assunto notas 
explicativas, vamos ao estudo do último tópico deste capítulo, que trata 
das notas explicativas nas apresentações de demonstrações contábeis de 
forma comparativa.
7.2.4 Notas explicativas em demonstrações contábeis 
comparativas
A escrituração contábil teve o seu cenário alterado nos últimos anos em 
decorrência da alteração da Lei nº 6.404/1976 – Lei das Sociedades Anônimas 
por força da Lei nº 11.638/2007, e também pela publicação da Medida Provisória 
nº 449/2008 que foi convertida na Lei nº 11.941/2009. 
Diante desse contexto, o parágrafo § 1º do artigo 176 da Lei 6.404/76 
permanece inalterado, disciplinando que “as demonstrações de cada 
exercício serão publicadas com a indicação dos valores correspondentes das 
demonstrações contábeis do exercício anterior”.
E assim como as demonstrações contábeis devem ser publicadas de 
forma comparativa com o exercício anterior, as notas explicativas também 
devem atender ao mesmo requisito, porém, sempre vislumbrando o exercício 
da publicação.
Capítulo 7
221 Contabilidade Básica II
Ressalta-se que não é usual fazer análises comparativas e conclusão no 
texto das notas explicativas, pois, o texto deve atender apenas o que a lei 
disciplina, ou seja, justificar as evidências. Portanto, devem-se deixar as análises 
e interpretações para os usuários das informações contábeis.
Logo, prezado acadêmico, você pode observar o exemplo apresentado 
em tópicos anteriores, da Companhia Bons Sonhos S/A., que traz as notas 
explicativas das demonstrações contábeis dos exercícios de 2008 e 2009. Como 
você pode constatar, em nenhum momento o texto das notas explicativas 
abordou análise e conclusões comparativas entre os exercícios, apenas 
justificou as evidenciações apresentadas pela companhia. Veja no exemplo da 
nota explicativa do Imobilizado, que embora teve diversas variáveis, nenhuma 
análise conclusiva foi abordada.
Bons sonHos s/a
Notas explicativas da administração às demonstrações 
financeiras em 31 de dezembro de 2009 e de 2008 
Em milhares de reais, exceto quando indicado de outra forma
i) imobilizado
O imobilizado é demonstrado ao custo corrigido monetariamente 
até 31 de dezembro de 1995,sendo a depreciação calculada pelo 
método linear, de acordo com as taxas divulgadas na Nota 9. A 
exaustão das florestas é calculada tomando-se por base a metragem 
da lenha extraída, em relação à metragem estimada como produção 
total de cada floresta. Terrenos não são depreciados.
Ganhos e perdas em alienações são determinados pela comparação 
dos valores de alienação com o valor contábil e são incluídos no 
resultado. 
Os custos dos encargos sobre empréstimos tomados para financiar 
a construção do imobilizado foram capitalizados durante o período 
necessário para executar e preparar o ativo para o uso pretendido. 
Reparos e manutenção são apropriados ao resultado durante o 
período em que são incorridos. O custo das principais renovações é 
incluído no valor contábil do ativo no momento em que for provável 
que os benefícios econômicos futuros que ultrapassarem o padrão 
de desempenho inicialmente avaliado para o ativo existente fluirão 
para a Companhia. As principais renovações são depreciadas ao 
longo da vida útil restante do ativo relacionado. 
Portanto, como você pode observar, a nota explicativa demonstrada trata 
as evidenciações da conta imobilizado, com muita objetividade e observância 
às normas contábeis, não reportando a qualquer comparação o exercício 
anterior, somente a descrição dos fatos.
Capítulo 7
222 Contabilidade Básica II
7.2.5 Normas Brasileiras de Contabilidade
A globalização dos mercados impulsionou a harmonização das normas e 
práticas contábeis. Consequentemente, surgiram novas convergências para as 
Normas Brasileiras de Contabilidade, as chamadas NBCs. 
A adequação das Normas Brasileiras de Contabilidade aos padrões 
internacionais foi realizada pelos órgãos regulamentadores do setor contábil. 
E sendo assim, o Conselho Federal de Contabilidade editou a Resolução do CFC 
n. 1.156/09, que estabelece a nova estrutura básica das Normas Brasileiras de 
Contabilidade (NBCs). 
Atualmente, as normas editadas pelo Conselho Federal de 
Contabilidade estão sendo ajustadas à rotina da contabilidade, 
apropriando-se à linguagem e à metodologia internacional.
Outro fato muito importante foi a criação do Comitê de 
Pronunciamentos Contábeis – CPC, pela Resolução do CFC n. 1.055/05, 
que tem sob sua responsabilidade e obrigação o estudo, emissão e 
pronunciamentos técnicos sobre procedimentos de contabilidade e 
divulgação das informações de natureza contábil, no qual o Conselho 
Federal de Contabilidade é membro em conjunto com a Abrasca, Apimec 
Nacional, Bovespa, Ibracon e Fipecafi. 
Portanto, de acordo com o entendimento do grupo de estudos sobre 
as Normas Brasileiras de Contabilidade, a norma é uma indicação de conduta 
obrigatória, ou seja, são regras e procedimentos para a uniformização 
dos entendimentos e interpretações na Contabilidade, tanto de natureza 
doutrinária quanto aplicada. 
As Normas Brasileiras de Contabilidade dividem-se em duas 
modalidades distintas, normas profissionais e normas técnicas, podendo 
ser detalhadas e particularizadas por meio de interpretações técnicas, 
identificadas pela sigla IT. Contudo, também poderão ser emitidos 
Comunicados técnicos quando ocorrerem situações decorrentes de atos 
governamentais que afetem, transitoriamente, as Normas Brasileiras de 
Contabilidade (NBC), identificados pela sigla CT. 
Capítulo 7
223 Contabilidade Básica II
Contudo, se o contador não respeitar as Normas Brasileiras de 
Contabilidade (NBCs), isso implica em infração disciplinar, sujeita às 
penalidades previstas nas alíneas c, d, e do art. 27 do Decreto Lei n. 9.295/46. 
Dependendo do caso, também poderá ser aplicado o Código de Ética 
profissional do contabilista.
PRATICANDO
Coloque à prova as informações que você 
adquiriu ao longo deste capítulo. Acesse <http://
ri.lasa.com.br/upload/2otrimestre/00002237.
pdf> e analise as Notas Explicativas das Lojas 
Americanas, data-base de 30/06/2008. 
Mãos à obra!
7.3 Aplicando a teoria na prática
Para melhor aprofundar o que você conheceu até agora, proponho o 
desenvolvimento do caso a seguir. 
Bons sonHos s/a
Notas explicativas da administração às demonstrações 
financeiras em 31 de dezembro de 2009 e de 2008 
Em milhares de reais, exceto quando indicado de outra forma
1 – Contexto operacional: 
A Companhia, com sede em Jaraguá do Sul (SC), é de capital aberto e tem como 
atividades preponderantes a industrialização e comercialização das seguintes linhas 
de produtos: cama, mesa, banho e tecidos para decoração. 
A companhia possui estrutura e os custos administrativos, gerenciais e operacionais 
parcialmente compartilhados com as demais empresas controladas. 
Analisando o exemplo da companhia Bons Sonhos S/A, apresentado 
como a primeira nota explicativa da sua atividade dentro do contexto 
operacional, qual a importância de termos este detalhe quando da divulgação 
das informações para o mercado?
Capítulo 7
224 Contabilidade Básica II
Chegou a uma resposta?
Se você respondeu que a riqueza de detalhes que as notas explicativas 
apresentam é um importante patrimônio da credibilidade da empresa, 
parabéns, acertou! Os usuários da informação contábil, principalmente os 
externos da companhia, como por exemplo, investidores e credores, terão 
uma visão mais real da situação da empresa. A expansão ou implantação de 
novos negócios serão consideradas nas análises dos indicadores de mercado. 
Quanto à companhia Bons Sonhos S/A, a nota explicativa mostra clareza 
quanto ao mercado atual, forma de operação e atividades, bem como sua 
relação com as controladas.
7.4 Para saber mais
título: Contabilidade comercial: atualizado conforme a Lei n° 
11.638/07 e Lei n° 11.941/09
Autores: IUDíCIBUS, S.; 
MARION, J. C. Editora: Atlas (SP) Ano: 2010
Nesta obra os autores abordam de forma completa o tema as 
novas normas e práticas contábeis. Trata-se de uma obra que não 
apena apresenta a legislação, mas traz importantes comentários, 
interpretações para as Lei n° 11.638/07 e Lei n° 11.941/09
Vale a pena a leitura e os estudos!
site: Conselho Federal de Contabilidade
URL: <http://www.cfc.org.br/>
O site da Comissão de Valores Mobiliários é uma rica fonte de 
pesquisas. Lá você encontra além da legislação completa, comentada 
e interpretada, alertas sobre as ações da CVM, como a suspensão 
de operações de companhias, comunicados de fatos relevantes ao 
mercado, além de uma área especial para consulta de processos.
7.5 Relembrando
Neste capítulo, você viu que as notas explicativas:
 • apresentam as mudanças nos procedimentos contábeis de um 
exercício para o outro;
Capítulo 7
225 Contabilidade Básica II
 • devem ser destacadas e enfatizadas, principalmente quando 
modificarem o resultado do exercício;
 • podem estar expressas tanto na forma descritiva como na 
forma de quadros analíticos, ou mesmo englobar outras 
demonstrações contábeis; 
 • são uma importante ferramenta de transparência da situação 
financeira da instituição;
 • reforçam a credibilidade da empresa junto aos acionistas 
e investidores;
 • estão disciplinadas na Lei das Sociedades Anônimas – Lei 6.404/76, 
alterada pela Lei 11.638/07, que trata em seu § 4º do artigo 176; mas 
Comissão de Valores trata desse assunto em vários pareceres e ofícios;
 • têm uma estrutura padrão que deve ser respeitada;
 • diante da globalização, receberam uma unificação, assim como outros 
procedimentos contábeis. Hoje, além das normas vigentes no Brasil, 
há uma linguagem internacional que precisa ser respeitada.
7.6 Testando os seus conhecimentos
Agora, preste atenção no enunciado, reflita, pesquise e responda:
1) Qual o objetivo da divulgação das notas explicativas junto às 
demonstrações contábeis?
2) A evidenciaçãode erros em notas explicativas pela contabilidade faz 
com que os erros sejam justificados?
3) Como a Lei das Sociedades Anônimas e a Comissão de Valores Mobiliários 
tratam o assunto notas explicativas?
Capítulo 7
226 Contabilidade Básica II
Onde encontrar
BRASIL. lei nº 11.638 de 28 de dezembro de 2007. Altera e revoga 
dispositivos da Lei. 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e da Lei 6.385, de 7 
de dezembro de 1976, e estende às sociedades de grande porte disposições 
relativas à elaboração e divulgação de demonstrações financeiras. Disponível 
em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/lei/l11638.
htm>. Acesso em: 20 dez. 2010.
______. normas brasileiras de contabilidade – NBC. NBC-T 6.2. Disponível em: 
<http://www.cfc.org.br/sisweb/sre/Default.aspx>. Acesso em: 12 out. 2011.
______. normas brasileiras de contabilidade – NBC. NBC-T 19.27. 
Disponível em: <http://www.cfc.org.br/sisweb/sre/Default.aspx>. Acesso 
em: 12 out. 2011.
IUDÍCIBUS, S.; MARTINS, E.; GELBCKE, E. R. manual de contabilidade das 
sociedades por ações. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2007. 
MARION, J. C. análise das demonstrações contábeis. 5. ed. São Paulo: 
Atlas, 2009.
RIBEIRO, O. M. Demonstrações financeiras – mudanças na lei das sociedades 
anônimas: como era e como ficou. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2010.
Capítulo 8
227 Contabilidade Básica II
soCiEDaDEs ComErCiais
CAPÍTULO 8
8.1 Contextualizando
Olá! Você já parou para pensar na importância do contador na vida 
de uma empresa? Pois saiba que além de ter uma atividade fundamental 
na composição dos dados que indicam a saúde financeira da instituição, ele 
também é responsável por todas as informações repassadas ao fisco, aos 
sócios, acionistas e investidores a respeito da empresa. Neste capítulo, que 
encerra nossa disciplina, vou apresentar não só o papel deste profissional, mas 
também sua responsabilidade jurídica. 
Há muito que o contador deixou de ser apenas um profissional contratado 
para elaborar demonstrações financeiras. Hoje ele é também um profissional 
de gestão, responsável legal pela veracidade destas informações. 
Além disso, será complementado o tema notas explicativas, tratado no 
capítulo anterior, abordando-se a função esclarecedora desta ferramenta 
que evita uma possível interpretação dúbia dos demonstrativos contábeis 
da empresa. 
Outro item que vamos trabalhar se refere à Lei 6.404/76 – conhecida 
com a Lei das Sociedades por Ações, alterada pela Lei 11.638/07. As mudanças 
nas práticas contábeis serão explicitadas por meio de exemplos e comentários 
para facilitar a sua compreensão. Atente para este item, já que ele afeta 
profundamente a sua atividade profissional. Livros obrigatórios e o Sistema 
Público de Escrituração Digital (SPED) completam a proposta da disciplina.
Ao fim deste capítulo, você será capaz de: 
Capítulo 8
228 Contabilidade Básica II
 • identificar os deveres legais do contador;
 • distinguir as principais características e elementos de uma sociedade;
 • descrever as principais alterações das normas e práticas contábeis;
 • analisar as notas explicativas necessárias à correta interpretação das 
demonstrações contábeis;
 • identificar os livros obrigatórios e auxiliares da escrituração contábil e 
a finalidade do Sistema de Escrituração Digital.
Lembro que a boa formação profissional não exige apenas o domínio da 
legislação e das ferramentas de trabalho, mas a constante atualização com os 
fatos que movimentam a economia, a política e a sociedade globalizada.
Desejo ótimos estudos!
8.2 Conhecendo a teoria
A contabilidade é uma ciência social. Digo isso porque a atuação 
humana pode alterar a estrutura patrimonial de qualquer empresa. O objeto 
de estudo da contabilidade é o patrimônio das instituições mercantis, seus 
fenômenos e variações, tanto no aspecto quantitativo quanto no qualitativo. 
Sua função é registrar os fatos e atos de natureza econômico-financeira e 
interpretar suas consequências na dinâmica da empresa. 
Como você já sabe, os atos contábeis se consolidam por meio do 
emprego de diversos controles, leis, normas e princípios que devem ser 
adotados e seguidos à risca. Só assim as empresas saberão, a qualquer 
momento, qual a sua real situação contábil e financeira, podendo 
localizar e reverter os pontos que geram o desempenho negativo, bem 
como reforçar ações bem sucedidas.
Você já sabe que a contabilidade deriva do uso das contas contábeis. 
De acordo com a doutrina oficial brasileira, a contabilidade é uma 
ciência social, da mesma forma que a economia e a administração. No 
Brasil, os profissionais de contabilidade são chamados e contabilistas. 
Aqueles que concluem os cursos de nível superior de Ciências Contábeis 
recebem o diploma de bacharel em Ciências Contábeis (contador). Existe 
também o título técnico de contabilidade para quem possui formação de 
nível médio/técnico.
Capítulo 8
229 Contabilidade Básica II
Entre as várias áreas da contabilidade, destaca-se a Contabilidade 
Comercial, na qual se consagra o estudo e o controle do patrimônio das 
empresas, cuja intenção é fornecer informações sobre sua composição e suas 
variações, além do resultado decorrente de sua atividade mercantil. Cabe 
ressaltar que o contador tem um papel fundamental: o de ser o responsável 
por todos esses controles, garantindo a integridade e a legalidade da 
instituição comercial.
Ressalto que, no cotidiano do contador, não basta apenas gerar 
informações em grande quantidade. É necessário interpretar os dados de 
forma qualitativa, pois eles vão desenhar a atual situação da empresa, ou 
seja, o contador precisa se adaptar às obrigações exigidas diariamente pelos 
usuários internos e externos da contabilidade, proporcionando, cada vez mais, 
a agregação de valor na informação disponibilizada. 
Também apresento neste capítulo os deveres legais do contador, as 
principais características e elementos de uma empresa comercial, as alterações 
nas normas e práticas contábeis, os livros obrigatórios e auxiliares e o Sistema 
Público de Escrituração Digital. Lembre que o SPED constitui-se em mais um 
avanço na informatização da relação entre o fisco e os contribuintes.
Saiba ainda que esta disciplina foi elaborada com o objetivo de 
apresentar conhecimento suficiente para que você possa atuar, além de 
contador(a), como um(a) consultor(a) para as empresas que conquistar como 
clientes. Mas é claro que seu interesse e curiosidade podem render boas 
pesquisas. Vamos em frente?
8.2.1 Deveres legais do contador
A contabilidade pode ser compreendida como o estudo dos controles do 
patrimônio das empresas comerciais. Como você já sabe, a área deve fornecer 
informações sobre sua composição e suas variações, além do resultado 
decorrente de sua atividade mercantil. O contador tem um papel essencial 
diante das empresas comerciais porque é responsável por esses controles.
A perspectiva profissional do contador das empresas comerciais era 
considerada modesta e imperceptível até pouco tempo, seja pelo número 
de empresas que contratavam seus serviços, seja pela própria dimensão das 
entidades, consideradas pequenas. 
Capítulo 8
230 Contabilidade Básica II
Porém, a globalização dos mercados e a estabilidade econômica 
passaram a exigir do contador uma posição diferenciada, proativa, que 
cruza dados para gerar informações que são interpretadas, produzindo 
conhecimento. 
Hoje, o contador não está no mercado de trabalho apenas para 
prestar informações ao fisco ou enviar as guias de arrecadação às empresas. 
Atualmente, este profissional está assumindo a função de gestor, pois ele está 
preparado para avaliar e dizer para onde vai aempresa, quais rumos devem 
ser tomados, mercados que devem ser atingidos, produtos que trarão retorno 
à empresa.
Diante deste cenário, independente do tamanho da empresa – se grande, 
média ou pequena –, todas necessitam da atuação eficiente do contador e 
devem ser vistas pelo profissional de forma personalizada, pois cada uma tem 
as suas particularidades. 
Estamos na era da informação e da produção de conteúdo, e o agente 
contábil não pode ignorar esse momento e se fechar em suas convicções. 
Um dos bens mais preciosos para a gestão corporativa é a informação; se 
utilizada no momento e na medida certa, faz toda a diferença para o sucesso 
da empresa, garantindo sua permanência no mercado e o bom retorno dos 
investimentos para os sócios, acionistas e funcionários.
Iudícibus e Marion (2002) destacam que o desenvolvimento dos 
conglomerados multiplica as oportunidades para tais profissionais, pois é onde 
a atividade de distribuição é um dos pontos-chave, mesmo com a ampliação 
e modernização das empresas que operam em grandes mercados, às vezes 
ultrapassando até as fronteiras geográficas de um país.
Portanto, para que o contador tenha condições de fornecer esse tipo 
de informação, precisará ter uma boa formação cultural e, principalmente, 
conhecimentos da economia mundial. 
Dessa forma, é preciso recolher os dados nas fontes certas e interpretar 
as informações, de forma qualitativa e quantitativa como, por exemplo, qual 
o real custo do produto e qual o preço de venda adequado à realidade de 
mercado; quando e como captar recursos de terceiros ou próprios; qual o 
capital de giro necessário para que a empresa não perca sua liquidez; como 
Capítulo 8
231 Contabilidade Básica II
administrar a mão de obra empregada ou terceirizada nos mais diversos 
departamentos, entre outras. 
Levantar dúvidas e buscar subsídios para respondê-las exige amplo 
conhecimento não só no manejo das ferramentas contábeis, mas domínio 
sobre o contexto econômico e social no qual a empresa está inserida.
Lembre-se que esta é uma necessidade da empresa e um dever do 
contador que, como já vimos, não pode mais ter uma postura passiva. 
O profissional precisa buscar por benefícios fiscais, redução da carga 
tributária, viabilidade de investimentos, entre outras. Mas se ele não 
estiver intelectualmente preparado, por mais boa vontade que tenha, não 
conseguirá buscar as melhores soluções para o seu cliente. Depende do 
contador a informação eficiente e eficaz porque há cada vez mais profissionais 
qualificados, e o mercado de trabalho é promissor.
Diante deste cenário, é importante conhecer os deveres legais 
estabelecidos pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC), que devem ser 
respeitados; caso contrário, o profissional está sujeito a punições financeiras 
ou até mesmo à perda do registro de contador.
Saiba que o Código Civil aprovado pela Lei 10.406, de 10 de janeiro de 
2002 trata nos artigos nº 1177 e nº 1178, Seção III, sobre a responsabilidade civil 
dos contabilistas. Essa é uma garantia para a empresa, pois caso ele provoque 
qualquer dano à instituição ou à sociedade, será responsável solidariamente 
com o empresário pelos seus atos. 
Veja a seguir os principais artigos da legislação sobre os deveres do 
profissional (COSIF, 2011):
art. 1177 – Os assentos lançados nos livros ou fichas do preponente, 
por qualquer dos prepostos encarregados de sua escrituração, 
produzem, salvo se houver procedido de má-fé, os mesmos efeitos 
como se o fossem por aquele. 
Parágrafo único. No exercício de suas funções, os prepostos são 
pessoalmente responsáveis, perante os preponentes, pelos atos 
culposos; e, perante terceiros, solidariamente com o preponente, 
pelos atos dolosos;
art. 1178 – Os preponentes são responsáveis pelos atos de quaisquer 
prepostos, praticados nos seus estabelecimentos e relativos à 
atividade da empresa, ainda que não autorizados por escrito.
Capítulo 8
232 Contabilidade Básica II
Parágrafo único. Quando tais atos forem praticados fora do 
estabelecimento, somente obrigarão o preponente nos limites dos 
poderes conferidos por escrito, cujo instrumento pode ser suprido 
pela certidão ou cópia autêntica do seu teor.
O contador é a pessoa responsável por todas as informações contábeis 
e, portanto, responde diretamente pela veracidade dessas informações, 
indiferente se declarar estar ciente ou não do que ocorreu ou está ocorrendo 
na entidade. 
A legislação é uma proteção à sociedade civil, 
porque o contador não pode justificar um 
ato irregular alegando que cumpriu a uma 
determinação da direção da empresa. O contador 
atende às exigências legais, uma vez que, a partir 
do momento em que assume a contabilidade 
de uma entidade, passa a ser inteiramente 
responsável por todas as informações prestadas 
e apresentadas.
SAIBA QUE
Mas apenas respeitar a legislação não basta. Há o Código de Ética 
do Profissional Contabilista, constituído pela Resolução 803/1996 do 
Conselho Federal de Contabilidade, que trata em seu Capítulo II, Artigo 
2º, os deveres do contabilista. Perceba que há condutas que são comuns a 
todos os profissionais. No entanto, destaco aqui algumas para reforçar seu 
compromisso em exercer a profissão com ética e competência. 
São nove itens que podem fazer toda a diferença na sua conduta de 
contabilista (COSIF, 2011): 
I. Exercer a profissão com zelo, diligência e honestidade, 
observada a legislação vigente e resguardados os interesses de 
seus clientes e/ou empregadores, sem prejuízo da dignidade e 
independência profissional.
II. Guardar sigilo sobre o que souber em razão do exercício 
profissional lícito, inclusive no âmbito do serviço público, ressalvados 
os casos previstos em lei ou quando solicitado por autoridades 
competentes, entre estas os Conselhos Regionais de Contabilidade.
III. Zelar pela sua competência exclusiva na orientação técnica 
dos serviços a seu cargo.
Capítulo 8
233 Contabilidade Básica II
IV. Comunicar, desde logo, ao cliente ou empregador, em 
documento reservado, eventual circunstância adversa que possa 
influir na decisão daquele que lhe formular consulta ou lhe confiar 
trabalho, estendendo-se a obrigação a sócios e executores.
V. Inteirar-se de todas as circunstâncias, antes de emitir opinião 
sobre qualquer caso.
VI. Renunciar às funções que exerce, logo que se positive falta 
de confiança por parte do cliente ou empregador, a quem deverá 
notificar com trinta dias de antecedência, zelando, contudo, para 
que os interesses dos mesmos não sejam prejudicados, evitando 
declarações públicas sobre os motivos da renúncia.
VII. Se substituído em suas funções, informar ao substituto sobre 
fatos que devam chegar ao conhecimento deste a fim de habilitá-lo 
para o bom desempenho das funções a serem exercidas.
VIII. Manifestar, a qualquer tempo, a existência de impedimento 
para o exercício da profissão.
IX. Ser solidário com os movimentos de defesa da dignidade 
profissional, seja propugnando por remuneração condigna, seja 
zelando por condições de trabalho compatíveis com o exercício 
ético-profissional da Contabilidade e seu aprimoramento técnico.
Por ter o domínio das informações mais reservadas sobre a empresa, o 
Código de Ética do Profissional Contabilista proíbe o profissional de adotar 
determinadas condutas. Veja o que o diz o capítulo II, art. 3º (COSIF, 2011):
I. anunciar, em qualquer modalidade ou veículo de 
comunicação, conteúdo que resulte na diminuição do colega, 
da Organização Contábil ou da classe, sendo sempre admitida 
a indicação de títulos, especializações, serviços oferecidos, 
trabalhos realizados e relação de clientes;
II. assumir, direta ou indiretamente, serviços de qualquer 
natureza, com prejuízo moral ou desprestígiopara a classe;
III. auferir qualquer provento em função do exercício profissional 
que não decorra exclusivamente de sua prática lícita;
IV. assinar documentos ou peças contábeis elaborados por outros, 
alheio à sua orientação, supervisão e fiscalização;
V. exercer a profissão, quando impedido, ou facilitar, por 
qualquer meio, o seu exercício aos não habilitados ou impedidos;
VI. manter organização contábil sob forma não autorizada pela 
legislação pertinente;
VII. valer-se de agenciador de serviços, mediante participação 
desse nos honorários a receber;
VIII. concorrer para a realização de ato contrário à legislação ou 
destinado a fraudá-la ou praticar, no exercício da profissão, ato 
definido como crime ou contravenção;
IX. solicitar ou receber do cliente ou empregador qualquer 
vantagem que saiba aplicação ilícita;
Capítulo 8
234 Contabilidade Básica II
X. prejudicar, culposa ou dolosamente, interesse confiado a sua 
responsabilidade profissional;
XI. recusar-se a prestar contas de quantias que lhe forem, 
comprovadamente, confiadas;
XII. reter abusivamente livros, papéis ou documentos, 
comprovadamente confiados à sua guarda;
XIII. aconselhar o cliente ou o empregador contra disposições 
expressas em lei ou contra os princípios fundamentais e as Normas 
Brasileiras de Contabilidade (NBC) editadas pelo Conselho Federal 
de Contabilidade;
XIV. exercer atividade ou ligar o seu nome a empreendimentos 
com finalidades ilícitas;
XV. revelar negociação confidenciada pelo cliente ou empregador 
para acordo ou transação que, comprovadamente, tenha 
tido conhecimento;
XVI. emitir referência que identifique o cliente ou empregador, 
com quebra de sigilo profissional, em publicação em que haja 
menção a trabalho que tenha realizado ou orientado, salvo 
quando autorizado por eles;
XVII. iludir ou tentar iludir a boa-fé de cliente, empregador ou de 
terceiros, alterando ou deturpando o exato teor de documentos, 
bem como fornecendo falsas informações ou elaborando peças 
contábeis inidôneas;
XVIII. não cumprir, no prazo estabelecido, determinação dos 
Conselhos Regionais de Contabilidade, depois de regularmente 
notificado;
XIX. intitular-se com categoria profissional que não possua, na 
profissão contábil;
XX. elaborar demonstrações contábeis sem observância dos 
Princípios Fundamentais e das Normas Brasileiras de Contabilidade 
editadas pelo Conselho Federal de Contabilidade;
XXI. renunciar à liberdade profissional, devendo evitar quaisquer 
restrições ou imposições que possam prejudicar a eficácia e 
correção de seu trabalho;
XXII. publicar ou distribuir, em seu nome, trabalho científico ou 
técnico do qual não tenha participado.
Como você pode observar, são inúmeras as responsabilidades do 
profissional contábil tratadas tanto pelo Código Civil quanto pelo Código de 
Ética do Profissional Contabilista, sempre lembrando que esse profissional 
responde solidariamente com os proprietários da empresa.
Contudo, atente que a função do contador está muito além do que 
somente elaborar relatórios contábeis, pois são esses profissionais que possuem a 
base de informação mais completa da entidade. Desta forma, estão capacitados 
para sugerir ações para redução de custos, otimização dos recursos financeiros, 
Capítulo 8
235 Contabilidade Básica II
aumentar receitas, reduzir impostos, entre outros. Porém, além de muita 
competência profissional, é necessário ética e seriedade na execução das tarefas.
8.2.2 Empresa comercial
No cenário do mercado mercantil, as empresas comerciais são 
distinguidas em três segmentos: indústria, comércio e/ou prestadoras de 
serviços. Para um melhor entendimento, vamos caracterizar cada uma delas.
De maneira geral, podemos dizer que as indústrias são responsáveis 
pela operação que altera a natureza da matéria, o funcionamento, 
o acabamento, a apresentação, a finalidade do produto ou o seu 
aperfeiçoamento para consumo. 
Nesse sentido, o regulamento do Imposto sobre o Produto 
Industrializado (IPI), aprovado pelo Decreto 7.212/2010, considera o processo 
industrialização como:
 • transformação: a manipulação da matéria-prima ou de produto 
intermediário, resulta na criação de um novo produto. Ex.: madeira 
que se transforma em cabo de vassoura;
 • beneficiamento: refere-se a modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer 
forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a 
aparência do produto. No beneficiamento não há fabricação de um 
produto. Ex.: arroz parboilizado;
 • montagem: consiste na reunião de produtos, peças ou partes que 
resultam em novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a 
mesma classificação fiscal. Ex.: montadora de carros;
 • acondicionamento ou reacondicionamento: alterar a 
apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda 
que em substituição da original, salvo quando a embalagem 
colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria; 
 • renovação ou recondicionamento: exercida sobre produto usado 
ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado. Ex.: 
reciclagem de papel.
Capítulo 8
236 Contabilidade Básica II
Como você sabe, o Brasil é um dos países que mais crescem no mundo. 
A estabilidade da moeda, a redução dos índices de desemprego e a pequena 
distribuição de renda, por meio dos programas sociais do Governo Federal, têm 
estimulado o crescimento da economia. Além da indústria, outro segmento 
que cresce no Brasil a índices estrondosos é o da prestação de serviços. Trata-
se de empresas que têm como alvo de seu negócio a oferta de serviços. Com 
a estabilização da economia e um pequeno, mas já significativo, aumento do 
poder de compra dos brasileiros, boa parte das famílias já pode comprar, além 
de produtos, também serviços.
Limpeza, segurança, transporte e guarda de bens, entre outras tantas 
atividades que o ramo comporta, encontram uma recepção na sociedade. Isso 
movimenta economia, cria novas oportunidades de trabalho produzido pelo 
capital intelectual de um indivíduo que gera emprego, renda, impostos. 
Diante dos atos do comércio, a empresa é definida como aquela que 
é intermediária entre o produtor e o consumidor ou usuário de bens, na 
intenção de obter lucros.
Iudícibus e Marion (2008) destacam a atividade comercial como uma 
das mais importantes, porque coloca à disposição dos consumidores, física ou 
economicamente limitados, grande variedade de bens e serviços, necessários 
à satisfação das necessidades humanas.
Logo, destaca-se a existência de vários segmentos reunidos numa única 
empresa, ou seja, a instituição pode ter atividade industrial, comercial e de 
prestação de serviços, porém, cada um destes ramos precisa aparecer no 
contrato social definido como atividades primárias e secundárias.
Lembro que a empresa comercial pode ser constituída por uma pessoa 
física, no exercício individual do comércio, ou por um grupo de pessoas, sob a 
forma de sociedade. Neste caso, pode ser composta tanto por pessoas físicas 
quanto por jurídicas.
De acordo com Andrade (2002), a sociedade mercantil é a união de 
duas ou mais pessoas que firmam um contrato e, mutuamente, obrigam-
se a somar esforços, com o objetivo de tirar proveito dos atos de comércio 
praticados em comum.
Capítulo 8
237 Contabilidade Básica II
Portanto, a sociedade estabelecida por um ato constitutivo, 
compreendendo uma pessoa física ou grupo de pessoas, por meio de suas 
ações mútuas, coloca em prática uma nova pessoa denominada pessoa jurídica.
As empresas comerciais são caracterizadas pela diversidade de pessoas 
que a formam e somam ações mútuas em torno de um único patrimônio com 
a pretensão de lucro. Assim, pode-se dizer que o comércio surge de uma nova 
ideia que, colocada em prática,

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