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UNISINOS – ESCOLA DE GESTÃO E NEGÓCIOS LOGÍSTICA COMO FATOR DE COMPETITIVIDADE Reflexão inicial: diferenciais competitivos Michael Porter é ainda hoje uma das principais autoridades quando se trata de estratégia empresarial. Foi Porter quem introduziu as três estratégias genéricas – liderança por custos, diferenciação e enfoque. Confesso que sempre ouvi falar em diferenciais competitivos mas fora algum ou outro exemplo mais claro, isso era um conceito um tanto quanto abstrato para compreender. Quando li um livro chamado “A Estratégia do Oceano Azul”, ficou muito claro o que eram diferenciais competitivos e como eles poderiam ser “encontrados”. Os autores fornecem uma metodologia simples mas poderosa para encontrar potenciais diferenciais competitivos e se destacar dos concorrentes. “A única maneira de superar os concorrentes é não mais superar os concorrentes”, dizem os autores. Ou seja, se você tiver diferenciais competitivos que seus concorrentes não possuem, você tornou sua concorrência irrelevante. Mas que tipo de coisas podem ser considerados diferenciais competitivos? Um chip diferenciado em um computador; um processo de fabricação que possibilita maior produtividade, reduzindo custos e aumentando as receitas ao mesmo tempo; uma competência que você consegue desenvolver em sua equipe e que não é encontrada no mercado; uma marca forte; um serviço de assistência técnica eficiente; são todos exemplos de diferenciais competitivos. Ou seja, podem ser formas de de diferenciais de seus concorrentes e com isso obter a preferência de seus clientes. Ah, antes de seguir adiante, se você gosta desse assunto, recomendo que leia o livro que citei! SERÁ QUE A LOGÍSTICA PODE FORNECER DIFERENCIAIS COMPETITIVOS? Ainda não tratamos sobre a relação entre as atividades logísticas e os custos empresariais. Mas como vimos rapidamente acima, uma das estratégias genéricas que podem ser utilizadas diz respeito a liderança de custos, o que significa oferecer o menor preço. Ora, sendo as operações logísticas com armazenagem e transporte bastante onerosas como veremos, sempre é possível obter reduções de custos melhorando essas operações, logo, a logística tem potencial bastante significativo para ser fonte de diferencial competitivo. Ou seja, as operações logísticas costumam ser sabidamente complexas. Essa complexidade geralmente envolve custos também. Logo, se conseguirmos melhorar a eficiência da PROF. FABIANO AHLERT FUNÇÕES E INFRAESTRUTURA LOGÍSTICA Prof. Fabiano Ahlert operação, a logística pode ser uma fonte de diferencial competitivo bastante difícil de ser copiado. Isso porque, se você fosse um fabricante de computadores e seu diferencial fosse um chip, seu concorrente poderia facilmente comprar seu computador e desmontar para descobrir o que está lhe dando vantagem em relação ao produto dele. Ele encontraria o chip e o próximo passo seria tentar encontrar um chip igual ou parecido para colocar no produto dele. Agora, se você conseguir uma redução significativa de custos nas operações logísticas de armazenagem e transporte desse mesmo computador e seus componentes, e com isso puder oferecer seu produto mais barato, quando ele comprar e abrir o computador para ver o que está lhe permitindo vender mais barato, o que ele irá encontrar? Absolutamente nada, pois o diferencial não está no produto, está no processo. Dessa forma, será muito mais difícil ele copiar o que você está fazendo. Também a operação logística pode lhe possibilitar entregar seu produto mais rapidamente que seus concorrentes. Isso é outra forma de se diferenciar que, embora também possa impactar em custos, tem como foco principal o atendimento dos clientes de forma mais eficiente. Alguns outros exemplos de diferenciais competitivos baseados na logística você já viu quando leu o texto que fala sobre a Zara e a velocidade com que ela consegue disponibilizar em suas lojas pelo mundo peças de coleções recém-lançadas na Europa. Ou o exemplo da FedEx, que comprou uma empresa de fotocópias e passou a oferecer a possibilidade de impressão para entrega ou disponibilização em outros locais. O exemplo da Toshiba, que terceirizou a assistência técnica de seus notebooks com a UPS (empresa de logística de encomendas), é uma tendência que tem ganhado espaço, com as empresas de logística assumindo parte da operação de seus clientes, com isso diversificando sua oferta de serviços e aumentando suas receitas. No caso da UPS e Toshiba, ao invés de a UPS somente fazer o transporte dos notebooks dos clientes para alguma assistência da Toshiba, ela mesma já realiza o reparo, ganhando tempo e reduzindo o número de empresas envolvidas no processo. Esse conceito é conhecido como integração, na qual a empresa de logística acaba integrando parte do processo de seu cliente. Chamamos empresas que atuam desta forma de “integrador logístico”. Ainda falando em exemplos disso, podemos citar o exemplo da outra matéria deste módulo, da revista Tecnologística, que mostra possíveis mudanças no cenário mundial em função da impressão 3D, que é uma das principais promessas da Indústria 4.0. Após uma breve análise, pode-se constatar que o setor de transportes pode sofrer grandes reduções de volume de trabalho em função da impressão em 3D, uma vez que um produto qualquer pode ser impresso em qualquer lugar do mundo, eliminando ou reduzindo a necessidade de transportes e estocagem de produtos acabados. Algumas idéias apresentadas na matéria sugerem até mesmo que as empresas de transporte possam ter caminhões equipados com impressoras 3D e que possam ir imprimindo o produto durante o percurso de entrega. Empresas que estão atentas aos cenários e possíveis mudanças tecnológicas tem melhores condições de se adaptar e sair na frente de seus concorrentes, ao invés de lutar contra a adoção dessas novas tecnologias. Logo, a resposta à nossa pergunta parece ser: sim, a logística pode oferecer diferenciais competitivos. Prof. Fabiano Ahlert Antes de voltar aos materiais de estudo do módulo, dê uma olhada na reflexão que vem a seguir... PARA REFLETIR UM POUCO MAIS SOBRE O CASO... Como falamos, as operações logísticas são complexas, costumam exigir altos investimentos em softwares e outros ativos (caminhões, navios, empilhadeiras, etc.). Uma indústria de eletrodomésticos, por exemplo, pode até ter um bom desempenho em suas principais operações logísticas, mas precisamos concordar que o foco da empresa – ou core business, como chamamos – não é na operação logística, mas sim no desenvolvimento, produção e venda de eletrodomésticos. Em função dessa complexidade e dos elevados custos e investimentos, muitas vezes a solução mais fácil e mais barata pode ser terceirizar essas operações logísticas, delegando-as para empresas que são especializadas nessas operações e que, pelo know how que já possuem na área, conseguem desenvolver essas atividades de forma mais eficiente e barata. Dessa forma, essa indústria de eletrodomésticos pode voltar todas as suas forças e atenção para a produção de seus produtos, deixando de se preocupar com os detalhes de planejamentos de operações logísticas. Agora, vamos refletir um pouco sobre isso: se você não consegue ganhar eficiência em suas operações logísticas e resolve terceirizar para melhorar a operação e reduzir custos, muito bem, a princípio você consegue resolver esse problema de forma relativamente fácil. Mas e se o seu concorrente terceirizar também as atividades logísticas com a mesma empresa que você? Seu concorrente tambémterá uma operação logística tão eficiente e barata quanto a sua. E onde estará o diferencial competitivo proporcionado pela logística? Ele se perdeu, pois essa operação não está mais em suas mãos. Logo, se você quiser manter um diferencial competitivo, deve manter sob o seu controle o processo. A grande questão é: vale a pena desenvolver um diferencial competitivo em suas operações logísticas realizando altos investimentos e gerenciando operações complexas? Essa parece ser uma pergunta que para ser bem respondida precisa ser avaliada caso a caso... Este material foi elaborado pelo Prof. Fabiano Ahlert e cedido ao curso de Logística da Unisinos.