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15/08/20241
Farmacologia Básica
Introdução a Farmacologia / 
Farmacocinética
Docente: Cypriano Galvão da Trindade Neto
Objetivo
 Apresentar os conceitos básicos da Farmacologia;
 Analisar as várias fases da farmacocinética.
15/08/20242
Introdução
15/08/20243
Farmacologia tem origem grega
(Farmakon = drogas e logos = estudo). A
farmacologia é a ciência que estuda os
efeitos de uma substância química sobre a
função dos sistemas biológicos, funda‐
mentalmente dependente da interação
droga/organismo.
Na antiguidade chinesa, existem relatos
do imperador Shen Nung, que viveu por
volta de 3000 a.C. Considerado o pai da
medicina chinesa, responsável por
compor um tratado sobre ervas que por
sua vez foi sendo atualizado por futuras
gerações, o que justifica o profundo
conhecimento do povo chinês no tocante
a ervas medicinais.
Introdução
15/08/20244
Através da história humana percola
e enreda-se a da Farmacologia. O
Papiro de Ebers, datado de
aproximadamente 1500 a. C., apre-
senta cerca de 800 produtos ativos,
derivados de plantas, animais e
minerais, muitos deles preparados e
servidos ao som de orações e
veículados por vinho, cerveja, mel
ou leite, incluindo até mesmo
venenos como cicuta, extrato de
acônito e metais como chumbo e
cobre.
DROGA:
“é toda e qualquer substância, natural ou sintética que, introduzida no organismo
modifica suas funções. As drogas naturais são obtidas através de determinadas
plantas,de animais e de alguns minerais.”
FÁRMACO OU IFA:
“É uma substância química ativa, droga ou matéria‐prima que tenha propriedades
farmacológicas com finalidade medicamentosa utilizada para diagnóstico, alívio ou
tratamento, empregada para modificar ou explorar sistemas fisiológicos ou estados
patológicos em benefício da pessoa na qual se administra.”
MEDICAMENTO:
“Produto farmacêutico tecnicamente obtido ou elaborado com finalidade profilática,
curativa, paliativa ou para fins de diagnóstico.”
REMÉDIO:
“Todo e qualquer meio utilizado para prevenir ou tratar doenças.”
Conceitos importantes
15/08/20245
PREPARAÇÃO OFICINAL:
“É aquela preparada na farmácia cuja fórmula esteja inscrita no Formulário
Nacional ou em Formulários Internacionais reconhecidos pela ANVISA”
PREPARAÇÃO MAGISTRAL:
“É aquela preparada na farmácia, a partir de uma prescrição de profissional
habilitado, destinada a um paciente individualizado, e que estabeleça em
detalhes sua composição, forma farmacêutica, posologia e modo de usar”
FORMA FARMACÊUTICA:
“Forma de apresentação do medicamento: Comprimido, xarope, cápsula, etc;”
MEDICAÇÃO:
“Ação ou efeito de medicar, de tratar ou de se tratar por meio de
medicamentos.”
Conceitos importantes
15/08/20246
Conceitos básicos
15/08/20247
DOSE: 
A dose ou concentração determina o tipo e a magnitude da resposta biológica. Por
definição, dose é a quantidade de um agente administrado para um indivíduo.
DOSAGEM:
é o ato de dosar; é a ação de medir a quantidade de dose que será administrada, em uma
determinada frequência por um período de tempo. Inclui a dose, a frequência de
administração e a duração do tratamento.
POSOLOGIA:
é a forma de utilizar os medicamentos, isto é, o número de vezes e a quantidade de
medicamento a ser utilizada a cada dia.
DOSE LETAL MÉDIA (DL50) :
É a dose calculada estatisticamente, em mg/Kg, de um determinado agente químico ou
físico, necessária para matar 50% dos organismos vivos de uma população de animais, sob
um conjunto de condições definidas.
Finalidade (objetivo) da Farmacologia
15/08/20248
Prevenir
Diagnosticar
Tratar
Via de administração.
15/08/20249
• Via oral
• Via bucal
• Via sublingual
• Via gastrointestinal
Uso 
Interno
• Via Cutânea (Tópico)
• Via Retal
• Via Vaginal
• Via Oftlamica
• Via Otológica
• Via Nasal
Uso 
Externo
• Via Cutânea (Intradérmico)
• Injetáveis
• Grandes Volumes
• Pequenos Volumes
Uso 
Parenteral
Via de administração.
15/08/202410
Tópica
Epidérmica(Pele)
Inalatória
Auricular
Intra‐nasal
Oftálmica
Retal (Enemas)
Enteral
Bucal
Oral(per Os)
Sublingual
Retal
Via de administração.
15/08/202411
Parenteral
Indireta
Cutânea(Transdérmica)
Inalatória
Conjuntival
Rino orofaríngea
Geniturinária
Direta
IntravenosaIntramuscular SubcutâneaIntraperitonial
IntratecalInterdérmicaIntra‐arterialIntra‐articular
Via de administração.
15/08/202412
Via oral
 Comprimidos 
 Cápsulas
 Drágeas 
 Suspensões
 Emulsões
 Xaropes
 Soluções
Via de administração.
15/08/202413
Intravenosa
Subcutânea
Intramuscular
Intradérmica
Fármacos no organismo
15/08/202414
Fármacos no organismo
15/08/202415
A ação de um fármaco, quando administrado a humanos ou animais, pode ser dividida em três fases:
fase farmacêutica, fase farmacocinética e fase farmacodinâmica.
Na fase farmacêutica, ocorre a desintegração da forma de dosagem, seguida da dissolução da
substância ativa. Na fase farmacocinética tem‐se, “o que o organismo faz com o fármaco”. E na fase
farmacodinâmica encontra‐se “o que o fármaco faz no organismo”.
A farmacocinética é o estudo do movimento de uma substância química, em particular de um
medicamento no interior de um organismo vivo, ou seja, é o estudo dos processos de absorção,
distribuição, biotransformação e excreção. Para que todos estes processos ocorram e para que um
medicamento exerça seu efeito em um determinado local de ação no interior de um organismo vivo, é
necessário que esse medicamento, após a dissolução da forma farmacêutica, consiga atravessar as
barreiras celulares e alcance o seu local de ação (biofase).
Divisões da Farmacologia
15/08/202416
Assim, é necessário reconhecer que a velocidade do
início da ação, a intensidade do efeito e a duração da
ação do fármaco são controladas por quatro vias
fundamentais do movimento e da modificação do
fármaco no organismo.
Primeiro, a absorção do fármaco desde o local de
administração permite o acesso do agente tera‐
pêutico (seja direta ou indiretamente) no plasma.
Segundo, o fármaco pode, então, reversivelmente
sair da circulação sanguínea e distribuir‐se nos
líquidos intersticial e intracelular. Terceiro, o fármaco
pode ser biotransformado no fígado, nos rins ou em
outros tecidos. E, por fim, o fármaco e seus meta‐
bólitos são eliminados do organismo na urina, na bile
ou nas fezes .
15/08/202417
Farmacocinética
Absorção
15/08/202418
O processo pelo qual os fármacos atravessam as membranas corporais e ingressam
na corrente sanguínea é denominado absorção.
Normalmente atravessam as membranas de diversas células, como o epitélio
estratificado da pele, a fina camada de células dos pulmões ou do sistema digestório,
o endotélio capilar e células do tecido ou órgão-alvo.
O fármaco pode atravessar a membrana por: (1) transporte passivo, no qual a célula
não gasta energia; ou (2) transporte especializado, no qual a célula fornece energia
para transportar a molécula através da membrana.
Absorção
15/08/202419
Transporte passivo
Difusão simples ‐ A maior parte dos fármacos atravessa a membrana por difusão simples.
Pequenas moléculas hidrofílicas (peso molecular de até, aproximadamente, 600 Da)
atravessam membranas através dos poros aquosos, em um processo chamado difusão
paracelular, enquanto as moléculas hidrofóbicas se difundem através da porção lipídica das
membranas. A maior parte dos fármacos são moléculas orgânicas grandes e de diferentes
lipossolubilidades. Sua taxa de transporte através das membranas está correlacionada com
sua lipossolubilidade.
A forma ionizada de ácidos ou bases
orgânicas fracas, em geral, tem baixa
lipossolubilidade e não atravessa
prontamente a porção lipídica das
membranas. Em contraste, a forma
não ionizada é mais lipossolúvel e
difunde‐se através das membranas a
uma taxa que é proporcional a sua
lipossolubilidade.
Absorção
15/08/202420
O grau de ionização de uma substância química depende do seu pKa. e do pH da
solução. A relação entre o pKa. e o pH é descrito pelas equações de Henderson-
Hasselbach:
𝑝𝐻 𝑝𝐾 logPara ácidos fracos:
Parabases fracas: 𝑝𝐻 𝑝𝐾 log
Absorção
15/08/202421
Transporte especial
Transporte ativo: O transporte ativo é caracterizado por:
(1) movimento de agentes químicos contra gradientes de concentração ou
eletroquímicos;
(2) saturabilidade a altas concentrações de substratos, apresentando, dessa forma,
capacidade máxima de transporte (Tm);
(3) seletividade para alguns aspectos estruturais de agentes químicos;
(4) inibição quantitativa por antagonistas químicos ou compostos que são carreados
pelo mesmo transportador; e
(5) necessidade de gasto de energia, de modo que inibidores metabólicos bloqueiem o
processo de transporte.
Absorção
15/08/202422
Transporte especial
Transportadores de xenobióticos: A glicoproteína P reconhece e transporta uma
série de substâncias químicas para fora da célula, sejam elas de caráter neutro,
hidrofílico ou lipofílico, impedindo, assim, o acúmulo dessas substâncias no meio
intracelular.
Difusão facilitada: A difusão facilitada é um transporte mediado por carreador que
exibe as propriedades do transporte ativo, exceto pelo fato de o substrato não ser
movido contra um gradiente eletroquímico ou de concentração e o processo não exigir
energia.
Absorção
15/08/202423
A pele é uma barreira relativamente boa para
separar os organismos do seu ambiente. No
entanto, alguns agentes químicos podem ser
absorvidos pela pele em quantidades suficientes
para produzir efeitos sistêmicos.
Diversos fatores que podem aumentar a
absorção de fármacos através da pele incluem:
(1) integridade do estrato córneo com‐
prometida;
(2) hidratação do estrato córneo aumentada;
(3) temperatura aumentada, que eleva o fluxo
sanguíneo na derme;
(4) baixa solubilidade do fármaco no veículo; e
(5) pequeno tamanho.
Absorção
15/08/202424
Fármacos absorvidos pelos pulmões geralmente são
gases, vapores de líquidos voláteis ou volatilizáveis e
aerossóis.
Quando um gás é inalado pelos pulmões, moléculas
de gás difundem‐se do espaço alveolar para o sangue
e, então, dissolvem‐ se até que as moléculas de gás
no sangue estejam em equilíbrio com as moléculas de
gás no espaço alveolar.
Em equilíbrio, a razão da concentração de uma
substância química no sangue e na fase gasosa é
constante. Essa razão de solubilidade é chamada de
coeficiente de partição sangue:gás.
Absorção
15/08/202425
O sistema digestório (SD) é um dos locais mais
importantes para absorção de fármacos.
A absorção de fármacos pode ocorrer ao longo de todo
o SD, mesmo na boca e no reto. Se um fármaco é uma
base ou um ácido orgânico, ele tende a ser absorvido
por difusão simples na parte do SD na qual ele está
presente na forma mais lipossolúvel (não ionizada).
Fatores como a lei da ação das massas, área superficial
e perfusão sanguínea também influenciam a absorção
de bases ou ácidos orgânicos fracos.
A absorção de um fármaco no SD também depende
das propriedades físicas do composto, como
lipossolubilidade e taxa de dissolução. Um aumento na
lipossolubilidade, em geral, aumenta a absorção de
substâncias químicas, e a taxa de dissolução é
inversamente proporcional ao tamanho da partícula.
Absorção
15/08/202426
Distribuição
15/08/202427
Após ingressar no sangue, o fármaco pode se distribuir pelo organismo. A taxa de
distribuição para os órgãos ou tecidos é determinada inicialmente pelo fluxo sanguíneo e
pela taxa de difusão para fora do leito capilar nas células de um órgão ou tecido em
particular.
A distribuição final depende amplamente da afinidade do xenobiótico para vários tecidos.
A concentração de um fármaco no sangue depende amplamente de seu volume de
distribuição (Vd). O Vd é o volume no qual a quantidade do fármaco precisaria ser
uniformemente dissolvida para produzir a concentração sanguínea observada.
1 – fármaco no sangue; 2 – fármaco no espaço extracelular; 3 – fármaco no espaço intracelular; 4 -
Fármaco ligado aos tecidos.
Distribuição
15/08/202428
Para melhor entendimento do conceito de volume de distribuição aparente (Vd ou
também chamado por alguns autores de Vda) de um medicamento, considere a situação
hipotética descrita a seguir:
Em um frasco há um volume desconhecido de água e nele foram introduzidos 10 g
de um medicamento; após a homogeneização da solução, verificou-se que a
concentração do medicamento na solução é de 0,01 g/L . Considerando essas
informações, é possível conhecer o volume de água contido no frasco, uma vez que
a concentração (C) de qualquer substância é dada pela relação massa (m) e volume
(V), a saber:
Distribuição
15/08/202429
Realizando uma analogia do frasco com um ser vivo e conhecendo a dose (massa)
do medicamento administrado e a concentração plasmática do medicamento, é
possível calcular o volume de distribuição aparente (Vd). Esse parâmetro
farmacocinético é definido como o volume no qual uma determinada quantidade de
medicamento precisaria ser uniformemente distribuído para produzir a concentração
sanguínea observada.
Biotransformação
15/08/202430
Biotransformação é a conversão metabólica de substâncias endógenas e
xenobióticos para compostos de maior solubilidade em água. Em geral, as
propriedades físicas de um xenobiótico são modificadas daquelas que favorecem a
absorção (lipofilia) para aquelas que favorecem a excreção na urina e nas fezes
(hidrofilia). Uma exceção a essa regra é a eliminação de compostos voláteis por
exalação.
A biotransformação de xenobióticos é realizada por um número limitado de enzimas
com ampla especificidade de substratos. A síntese de algumas dessas enzimas é
disparada pelo xenobiótico (pelo processo de indução enzimática), mas, na maioria
dos casos, as enzimas são expressas constitutivamente (i.e., elas são sintetizadas
na ausência de um estímulo externo discernível).
Biotransformação
15/08/202431
Os seres humanos e diversos animais desenvolveram mecanismos enzimáticos
localizados principalmente no fígado, responsáveis pela biotransformação de
compostos lipossolúveis; estas enzimas metabolizadoras localizam‐se celularmente
no retículo endoplasmático liso das células.
Toda substância química absorvida pelo sistema gastrintestinal vai
obrigatoriamente até o fígado através da veia porta, no qual é biotransformada
(efeito de primeira passagem), para posteriormente poder alcançar o restante do
organismo. No entanto, o fígado não é o único local em que se dá a
biotransformação de medicamentos e agentes tóxicos. Muitos outros órgãos e
tecidos possuem enzimas que normalmente biotransformam substratos
endógenos, podendo também biotransformar substratos exógenos com suficiente
semelhança molecular com seus substratos endógenos naturais.
Biotransformação
15/08/202432
As reações de hidrólise, redução e oxidação
expõem ou introduzem um grupamento
funcional (‐OH, ‐NH2 ‐SH ou ‐COOH) e
normalmente resultam apenas em pequeno
aumento da hidrofilicidade.
As reações de biotransformação conjugativas
incluem glicuronidação, sulfonação (mais
comumente chamada de sulfatação ),
acetilação, metilação, conjugação com
glutationa (síntese de ácido mercaptúrico) e
conjugação com aminoácidos (tais como glicina,
taurina e ácido glutâmico).
A maioria dessas reações resulta em um grande
aumento da hidrofilicidade dos xenobióticos e,
assim, promove um aumento significativo na
excreção de substâncias estranhas.
Biotransformação
15/08/202433
O sistema citocromo P450 (CYP) está em primeiro lugar em termos de versatilidade catalítica
e do amplo número de xenobióticos que ele detoxifica ou ativa. A maior concentração de
enzimas CYP envolvidas na biostransformação de xenobióticos é encontrada no retículo
endoplasmático hepático (microssomos), mas elas estão presentes virtualmente em todos
os tecidos.
Biotransformação
15/08/202434
Xenobiótico Metabólito Eliminação
Intermediário 
reativo
Necrose
Formação de 
antígenos
Mutação
Inibição 
Enzimática
Reação 
autoimune
Câncer
Excreção 
15/08/202435
Fármacos são eliminados do organismo por diversas rotas. Muitos xenobióticos,
entretanto, precisam ser transformados em produtos mais hidrossolúveis antesde serem excretados na urina. Todas as secreções parecem ter habilidade de
excretar agentes químicos; fármacos são encontrados no suor, na saliva, nas
lágrimas e no leite. Basicamente, um medicamento pode ser excretado após
biotransformação ou mesmo na sua forma inalterada. Os três principais órgãos
responsáveis pela excreção de medicamentos são:
os rins, no quais os medicamentos hidrossolúveis são excretados;
o fígado, no qual, após biotransformação, os medicamentos são excretados
pela bile;
e os pulmões, responsáveis pela excreção de medicamentos voláteis.
Pequenas quantidades de medicamentos podem também ser excretadas pela
saliva, suor e leite materno.
Estudos Farmacocinéticos
15/08/202436
Os estudos farmacocinéticos empregam modelos e a descrição matemática da disposição
cinética (absorção, distribuição, biotransformação e excreção) do xenobiótico no organismo.
No modelo clássico, considera‐se que os xenobióticos sejam distribuídos completamente no
organismo em um, dois ou mais compartimentos.
ka é a constante de velocidade
de absorção de primeira
ordem para o compartimento
central (1),
kel é a constante de velocidade
de eliminação de primeira
ordem a partir do compar‐
timento central
15/08/202437
A análise farmacocinética mais simples requer a quantificação da concentração plasmática
de um xenobiótico em diversos momentos após a administração de uma dose intravenosa
em bolus.
Considerando o organismo como uma unidade homogênea, os compostos com
farmacocinética monocompartimental, apresentam equilíbrio instantâneo entre o sangue e
os diversos tecidos.
Isso não significa que a concentração do xenobiótico é a mesma em todo o organismo, mas
que as alterações que ocorrem nas concentrações plasmáticas refletem alterações
proporcionais nas concentrações teciduais.
Estudos Farmacocinéticos
15/08/202438
O modelo monocompartimental assume que o equilíbrio de distribuição do
xenobiótico entre o plasma e os tecidos ocorra instantaneamente. O volume de
distribuição aparente (Vd) é uma constante de proporcionalidade que relaciona a
quantidade total do xenobiótico no organismo com sua concentração plasmática
sendo geralmente descrito por unidade em litros ou litros por quilograma de peso
corporal.
Assim, um xenobiótico com alta afinidade pelos tecidos também apresentará um alto
volume de distribuição. No entanto, um xenobiótico que permanecer predominantemente
no plasma apresentará um baixo Vd, cujo valor se aproximará do volume de plasma.
Estudos Farmacocinéticos
15/08/202439
ka é a constante de velocidade de absorção de primeira ordem para o
compartimento central (1),
k12 e k21 são as constantes de velocidade de distribuição de primeira
ordem "para" e "a partir do" compartimento periférico (2);
K10 é a constante de velocidade de eliminação de primeira ordem a partir
do compartimento central
Estudos Farmacocinéticos
15/08/202440
O clearance (Cl) descreve a velocidade de eliminação do xenobiótico do organismo como o
volume de fluido que é totalmente depurado do xenobiótico por unidade de tempo.
Portanto, o clearance apresenta unidade de fluxo (mL/min). Um clearance de 100 mL/min
significa que 100 mL de sangue ou plasma são completamente depurados do xenobiótico por
minuto.
A meia‐vida de eliminação (T1/2) é o tempo necessário para que a concentração do
xenobiótico no sangue ou plasma reduza à metade. É dependente tanto do volume de
distribuição quanto do clearance. A T1/2 pode ser calculada a partir do Vd e do Cl :
Estudos Farmacocinéticos
A biodisponibilidade indica a velocidade e a extensão pelas quais um fármaco é
absorvido, a partir de um produto farmacêutico e torna‐se disponível no local de
ação.
Por se tratar de um parâmetro relacionado à absorção, não se aplica a fármaco
administrado por via intravascular. A absorção é a transferência do fármaco do local
de administração para a corrente sanguínea. Assim, por definição, um fármaco
administrado por via intravenosa é 100,0 % biodisponível, isto é, toda a dose do
fármaco é administrada diretamente na corrente circulatória e está disponível para
interagir com os receptores e desencadear o efeito farmacológico.
A disponibilidade biológica do fármaco é fundamental para o desenvolvimento da
forma farmacêutica e é essencial para a avaliação da eficácia do medicamento.
15/08/202441
Biodisponibilidade
Os dados sobre a biodisponibilidade são usados para determinar: 
I. quantidade ou proporção absorvida do fármaco ou forma farmacêutica;
II. velocidade em que foi absorvido;
III. duração de sua presença no líquido ou tecido biológico; e quando correlacionado
com a reação do paciente;
IV. relação entre as concentrações sanguíneas, a eficácia clínica e a toxicidade do
fármaco.
Biodisponibilidade
15/08/202442
A biodisponibilidade depende da absorção ou entrada na circulação sistêmica e do perfil
farmacocinético do fármaco ou de seus metabólitos em função do tempo no sistema
biológico adequado, por exemplo, sangue, plasma ou urina. Em termos gráficos, a
biodisponibilidade de um fármaco administrado em um sistema tecidual adequado, por
exemplo, o plasma, é representada por uma curva de concentração‐tempo.
Biodisponibilidade
15/08/202443
Biodisponilidade relativa é a comparação da biodisponibilidade sistêmica de um fármaco
com a biodisponibilidade um fármaco padrão, sendo que AAC é utilizada na comparação;
A biodisponibilidade relativa igual a 1 (ou 100%) implica que a biodisponibilidade dos dois
fármacos é a mesma, mas não indica a completada absorção sistêmica. Esta determinação é
muito importante nos estudos de medicamentos genéricos.
A fração (F), ou biodisponibilidade absoluta, de um fármaco administrado por via oral pode
ser calculada por comparação da área abaixo da curva (AAC) depois da administração, com
aquela obtida após uso intravenoso:
Biodisponibilidade relativa e absoluta
F 
AACoral 
AACintravenosa
15/08/202444
15/08/202445
Biodisponibilidade relativa e absoluta
F 
AACoral 
AACintravenosa
15/08/202446
A biodisponibilidade (F), expressa a fração da dose absorvida.
Biodisponibilidade relativa e absoluta
Fatores fisiológicos
– Idade; 
– Presença de patologias associadas; 
– Trato gastrointestinal; 
– pH; 
– Tempo de esvaziamento gástrico; 
– Tipo de dieta; 
– Viscosidade do conteúdo do TGI; 
– Secreções e líquidos coadministrados; 
– Presença de sais biliares; 
– Permeabilidade do fármaco através da membrana. 
Fatores que alteram a Biodisponibilidade 
de Medicamentos
15/08/202447
Fatores físico‐químicos
– Natureza química (solubilidade); 
– pKa; 
– Polimorfismo (metaestáveis); 
– Estado físico; 
– Solvatos, hidratos e anidros; 
– Coeficiente de partição; 
– Tamanho de partícula (granulometria); 
– Quiralidade.
Fatores que alteram a Biodisponibilidade 
de Medicamentos
15/08/202448
Fatores relacionados à forma farmacêutica
– Excipientes; 
– Natureza química; 
– Capacidade de adsorção; 
– Quantidade empregada na formulação; 
– Fatores tecnológicos ( Tipo de processo; tempo e velocidade de agitação; tipo de 
granulação; temperatura de secagem; força de compressão, etc).
Fatores que alteram a Biodisponibilidade 
de Medicamentos
15/08/202449
Partindo do princípio de que a ação terapêutica de uma substância ativa depende da sua
disponibilização no local de ação, numa concentração efetiva, durante um período
determinado, é previsível que, na presença de resultados farmacocinéticos semelhantes, se
obtenha uma ação terapêutica equivalente.
Em outras palavras, se um mesmo indivíduo apresentar em um período adequadamente
estabelecido, concentrações plasmáticas semelhantes de um mesmo fármaco, a partir de
dois medicamentos, supõe‐se que se observem efeitos similares. Surge assim o conceito de
bioequivalência.
A bioequivalência é um estudo comparativo entre as biodisponibilidades de dois
medicamentos que possuem a mesma indicação terapêutica e que são administrados pela
mesma via e na mesma dose;
Dois medicamentos são considerados bioequivalentes quando não foremconstatadas
diferenças estatisticamente significativas entre a quantidade absorvida e a velocidade de
absorção, através de um estudo comparativo em condições padronizadas. Ou seja, se suas
biodisponibilidades, após a administração da mesma dose molar, são similares em tal grau,
que seus efeitos sejam essencialmente os mesmos.
Bioequivalência
15/08/202450
Bioequivalência
15/08/202451
Evidências clínicas
I. Falta de eficácia terapêutica;
II. Índice terapêutico (janela terapêutica) estreito, isto é, menor que 2 vezes a
diferença entre a dose letal média (ou a concentração mínima tóxica) e a dose
efetiva média (concentração mínima efetiva);
III. Evidências de vários efeitos adversos
Problemas encontrados na bioequivalência
15/08/202452
Exercício 
15/08/202453
1. Todas as sentenças abaixo relacionadas ao volume de distribuição aparente
(Vd) estão corretas, exceto:
A. O Vd relaciona a quantidade total do xenobiótico no organismo com a
concentração no plasma.
B. O Vd é o espaço aparente no qual a quantidade do xenobiótico é distribuída
no organismo, resultando em uma determinada concentração plasmática.
C. Um xenobiótico que permanece no plasma apresenta baixo Vd.
D. O Vd será baixo para um xenobiótico com alta afinidade para os tecidos.
E. O Vd pode ser usado para estimar a quantidade do xenobiótico no
organismo se a concentração plasmática for conhecida.
Exercícios
2 ‐ As curvas A, B e C representam o perfil da concentração plasmática de um
fármaco, obtida após a administração em dose única.
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Em relação às vias de administração,
(A) as curvas B e C são típicas de
medicamentos administrados por via
oral.
(B) a curva C é típica de um medicamento
administrado por via endovenosa.
(C) a curva B é típica de um medicamento
administrado por via endovenosa.
(D) a curva A indica que o medicamento foi
administrado por via oral.
(E) as curvas A e B são típicas de medica‐
mentos administrados por via endove‐
nosa.
Exercícios
3 ‐ Foi realizado um estudo objetivando a comparação da biodisponibilidade de duas
formulações de quecertina 250 mg cápsulas (antioxidante, usado para prevenir doenças
relacionadas à idade. As formulações foram testadas pela primeira vez para a
bioequivalência. Considerando a faixa de aceitação (intervalo de confiança) para o teste de
bioequivalência entre 80,0 % ‐ 125,0 %, pelos resultados apresentados abaixo, as duas
formulações de quecertina são bioequivalentes? Justifique sua resposta.
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Referências para estudo 
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RITTER. James M. et al. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2020. Rang & Dale
Farmacologia 808p.
BRUNTON, Laurence L. (Org.). As Bases farmacológicas da terapêutica de Goodman & 
Gilman. 13. ed.Porto Alegre: Artmed, 2019.
SILVA, Penildon. Farmacologia. 8. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2019, 1328 p.
GOLAN, David E. et al. Princípios de farmacologia: a base fisiopatológica da 
farmacoterapia. 3. ed. Rio de Janeiro: Guanabara. Koogan, 2014.
Acesso a aula
15/08/202457
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