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IMPACTOS DA ATIVIDADE FÍSICA NA QUALIDADE DE VIDA DA PESSOA ‎IDOSA
Marinaldo de Jesus Alves Martins
Ricardo Alves Ferreira
RESUMO
O artigo analisa os impactos da prática regular de exercícios físicos influencia positivamente a qualidade de vida dos idosos. A pesquisa utilizou uma revisão bibliográfica de 16 artigos ‎‎publicados entre 2010 e 2025, selecionados das bases PubMed, Periódicos CAPES e ‎SciELO‎, que abordam os efeitos físicos, mentais e sociais dos exercícios em ‎‎idosos. Os resultados evidenciam que a atividade física contribui para a melhora ‎da ‎força muscular, mobilidade, equilíbrio e saúde cardiovascular, além de reduzir ‎‎sintomas de depressão e ansiedade, aprimorar funções cognitivas e promover a ‎‎interação social. Modalidades como caminhada, musculação, hidroginástica e ‎HIIT ‎apresentaram benefícios distintos e significativos, especialmente quando ‎‎acompanhadas por profissionais capacitados. Conclui-se que manter uma rotina de exercícios orientados é indispensável para um ‎envelhecimento com saúde, ‎‎funcional e com maior autonomia, sendo fundamental investir em programas ‎‎acessíveis e adaptados à realidade dos idosos.‎
Palavras-chave: Envelhecimento. Promoção da saúde. Bem-estar.
1 INTRODUÇÃo
Promover saúde e bem-estar por meio da atividade física é essencial, ‎especialmente para idosos, diante do aumento da longevidade e da necessidade de ‎estratégias que assegurem uma vida com qualidade, prevenindo doenças crônicas e ‎promovendo autonomia (DE FIGUEIREDO; DE SOUSA; CHAUD, ‎‎2021).‎ 
Realizar exercícios físicos com frequência traz ganhos importantes, como melhora ‎da locomoção, fortalecimento dos músculos, prevenção de problemas ‎cardiovasculares e redução do risco de quedas. Além disso, os efeitos positivos da ‎atividade física na saúde mental são amplamente documentados, incluindo a ‎diminuição dos sintomas de depressão e ansiedade, além do aprimoramento das ‎funções cognitivas (VENTURELLI et al., 2015; MATSUDO et al., 2003; RUGBEER et ‎al., 2017).‎ 
No entanto, apesar dos benefícios comprovados, apesar dos benefícios conhecidos, uma parcela significativa dos idosos permanece ‎inativa, seja por limitações físicas, falta de acesso ou desconhecimento‎. Diante desse contexto, surge a seguinte problemática: ‎ de que forma a atividade física influencia a qualidade de vida dos idosos e ‎quais estratégias podem ser adotadas para estimular essa prática?‎ 
O objetivo geral deste trabalho é analisar os impactos da prática regular de ‎atividade física na ‎qualidade de vida da população idosa. Para isso, busca-se ‎identificar os benefícios físicos, mentais e ‎funcionais proporcionados pela prática de ‎diferentes tipos de atividade física em idosos.‎ 
O estudo justifica-se pela importância de compreender os impactos da atividade ‎física sobre a saúde dos idosos, contribuindo com a produção acadêmica e ‎subsidiando políticas públicas voltadas à terceira idade‎.‎
2 MATERIAIS E MÉTODOS
A pesquisa foi realizada entre janeiro e abril de 2025. Inicialmente, foram ‎identificados 56 artigos por meio das bases de dados PubMed, Periódicos CAPES e ‎SciELO, utilizando os seguintes descritores: "atividade física na terceira idade", ‎‎"benefícios do exercício físico para idosos", "prevenção de doenças crônicas em ‎idosos" e "qualidade de vida na terceira idade". 
Após a leitura dos títulos e resumos, ‎‎32 artigos foram selecionados para leitura completa. Desses, 16 foram incluídos na ‎análise final por atenderem aos critérios estabelecidos: publicações dos últimos 15 ‎anos (2010 a 2025), com acesso completo e que abordassem de forma direta os ‎efeitos da atividade física na saúde física ou mental de idosos. Foram excluídos ‎artigos duplicados, não disponíveis na íntegra ou sem foco específico na terceira ‎idade.‎ 
A população-alvo deste estudo compreende idosos, com diferentes níveis de ‎mobilidade e participação em atividades físicas regulares. A metodologia envolverá a ‎análise de estudos comparativos sobre os efeitos de diferentes tipos de exercícios, ‎como caminhada, musculação e hidroginástica, na saúde geral dos idosos. ‎.
3 RESULTADOS E discussão
Fica evidente que o exercício físico contínuo gera efeitos positivos na qualidade de ‎vida de pessoas idosas‎, conforme demonstrado por diversos estudos ‎analisados. Galvão et al. (2024) destacam que o treinamento com pesos e ‎exercícios aeróbicos promove a remissão da sarcopenia, o fortalecimento muscular e a melhora do equilíbrio são alguns dos resultados ‎observados, destacando que treinos ‎ de força em alta ‎velocidade pode ser decisivo na funcionalidade e independência de idosos. De forma ‎complementar, os autores Correia e Perfeto (2021) mostram que o treino intervalado de alta ‎intensidade (HIIT) também proporciona ganhos relevantes, como redução de ‎gordura corporal e aumento de massa magra, fatores diretamente relacionados à ‎capacidade funcional e à vitalidade no envelhecimento.‎ 
A pesquisa de Alves et al. (2021) destaca a relevância de integrar o exercício físico ‎ao dia a dia, relacionando essa prática à queda da pressão arterial e à redução de ‎riscos cardiovasculares.‎ Em consonância, Campos e Pitanga (2013) ‎exploram as experiências do projeto “Educar para a atividade física”, revelando que ‎práticas corporais como a caminhada e a musculação contribuíram para melhorias ‎físicas e mentais entre idosas participantes. ‎ 
A prática em grupo também mostrou relevância, como evidenciado por ‎Rugbeer et al. (2017), que analisaram o impacto de exercícios físicos em idosos ‎institucionalizados. O estudo contou com 100 participantes divididos em dois grupos, ‎submetidos a sessões de exercício em grupo com duração de 12 semanas, sendo ‎realizadas 2x/semana (Grupo B) e 3x/semana (Grupo A). Os resultados ‎demonstraram melhora significativa na saúde mental, com um total de 50,39 pontos ‎no grupo que treinou 3x/semana, e na função social (SF), com um total de 72,30 ‎pontos para esse mesmo grupo. A vitalidade também aumentou, com um total de ‎‎52,39 pontos, confirmando que maior frequência de exercício proporciona melhores ‎resultados em bem-estar psicológico.‎ 
Em relação à variedade de modalidades, De Souza et al. (2015) ‎apontam que caminhadas, hidroginástica e outros exercícios diversificados são ‎eficazes para manter e melhorar a saúde física e mental, desde que essas práticas sejam realizadas com frequência e respeitem os limites e ‎capacidades de cada pessoa. 
De acordo com De Sá, Cury e Ribeiro (2016), esse aspecto é reforçado pela análise ‎da atuação das equipes de saúde da família ‎‎no município de Diamantina (MG), que desenvolveram ações de atividade ‎física voltadas a ‎idosos, como grupos de caminhada, alongamentos e práticas como ‎Qigong. O estudo foi ‎realizado com 28 profissionais e identificou que 92,9% dos ‎entrevistados concordaram que a ‎prática melhora a qualidade de vida, e 85,7% ‎reconheceram benefícios sociais, fisiológicos e ‎psicológicos. Também foi apontado no estudo que a limitação na variedade de atividades ‎oferecidas compromete os resultados esperados‎, a ‎ausência de ‎articulação entre equipes e instituições de ensino, e a limitação da formação ‎‎profissional foram desafios importantes, indicando a necessidade de capacitação ‎contínua e ‎estratégias mais diversificadas e estruturadas na atenção básica à ‎saúde.‎ 
A relação entre atividade física e desempenho cognitivo também foi ‎observada por Soares, Diniz e Cattuzzo (2013), que analisaram como diferentes ‎domínios de atividade física – como transporte ativo, ‎lazer e atividades domésticas – ‎ demonstram conexão com o desempenho cognitivo de pessoas idosas. Entre os ‎homens, notou-se relação entre o deslocamento ativo e memória semântica (r = 0,333; ‎p = ‎‎0,036). Enquanto entre a as mulheres, a resistência cardiorrespiratória mostrou vínculo com a memória ‎episódica‎ (r = 0,403; p = 0,007). Os dados indicam que diferentes formas de exercício físico afetam áreas ‎específicas das funções cognitivas‎, ‎sendo necessário ‎promover práticas adequadas paraambos os gêneros.‎ 
Camboim et al. (2017) reforçam o impacto positivo do exercício na saúde mental e ‎física, relatando percepções de melhora entre as participantes, o que destaca o ‎papel do bem-estar sentido na continuidade da prática. Outro ponto relevante refere-se à prevenção de condições ‎crônicas. Ciolac e Guimarães (2004) mostram que exercícios aeróbicos e resistidos ‎são eficazes na prevenção e tratamento da síndrome metabólica, sendo ‎recomendada uma frequência mínima de três vezes por semana com sessões entre ‎‎30 a 60 minutos. Esses dados são reforçados por Menezes et al. (2021), que ‎discutem os benefícios da atividade física mesmo durante o isolamento social ‎imposto pela pandemia de COVID-19, indicando que adaptações domiciliares são ‎viáveis e contribuem significativamente para a manutenção da saúde metabólica dos ‎idosos.‎ 
A aderência ao exercício físico, aspecto crucial para o sucesso dos ‎programas, é abordada por Silva et al. (2023), que identificam a percepção de ‎prazer como fator determinante para a continuidade dos idosos nas atividades. A ‎adequação da intensidade e volume à resposta afetiva individual pode, portanto, ‎maximizar o engajamento e os resultados. Matsudo et al. (2003) ressaltam que, mesmo em idosas mais velhas, o exercício ‎físico frequente favorece o desempenho motor e a funcionalidade nas atividades ‎cotidianas.‎ 
Finalmente, estudos como o de Souza (2023) e De Figueiredo, De Sousa e ‎Chaud (2021), reafirmam que tanto atividades físicas quanto esportivas, ‎independentemente do impacto, podem contribuir para o envelhecimento saudável, ‎desde que realizadas de forma regular e adaptadas às necessidades da população ‎idosa. De Figueiredo, De Sousa e Chaud (2021) ainda ressaltam que os ganhos ‎físicos, cognitivos e sociais são mais expressivos quando há orientação profissional, ‎o que indica a necessidade de políticas públicas que ampliem o acesso e o suporte ‎técnico aos idosos. Por fim, Venturelli et al. (2015) evidenciam que diferentes tipos ‎de treino, como resistência e relaxamento, impactam positivamente na pressão ‎arterial e bem-estar mental, demonstrando que programas personalizados e ‎integrativos são os mais eficazes.‎ 
Os estudos avaliados comprovam que o exercício físico proporciona benefícios ‎amplos e relevantes para a terceira idade, sendo crucial para um envelhecimento ‎mais ativo e com qualidade. Contudo, ‎observa-se a limitação de alguns estudos quanto ao tamanho amostral e à duração ‎dos programas avaliados, o que indica a necessidade de pesquisas futuras com ‎delineamentos mais robustos. Além disso, é necessário investir em estratégias de ‎engajamento e acessibilidade, especialmente para idosos com limitações funcionais ‎ou em contextos de vulnerabilidade social. A presente discussão, portanto, contribui ‎para o aprofundamento do conhecimento acadêmico e aponta caminhos para ‎políticas públicas mais eficazes no cuidado com a terceira idade.‎ 
5 considerações finais
Os dados desta pesquisa revelam que a atividade física constante favorece diversos ‎aspectos da vida do idoso. A análise dos ‎estudos selecionados mostra que os benefícios ultrapassam o condicionamento ‎físico, refletindo diretamente na autonomia, na saúde mental, na prevenção de ‎doenças crônicas e na promoção do bem-estar. Comprovam-se, assim, os efeitos fundamentais da atividade física na busca por um ‎envelhecimento mais saudável e participativo‎.‎ 
Fisicamente, manter uma rotina de exercícios colabora para preservar e melhorar força ‎muscular, mobilidade e equilíbrio, fatores essenciais para a autonomia funcional ‎de idosos.‎ ‎Mentalmente, há uma redução nos sintomas de ‎depressão e ansiedade, além de melhorias nas ‎funções cognitivas, como memória e ‎atenção. Socialmente, a participação em atividades em ‎grupo promove a interação ‎social, reduzindo o isolamento e fortalecendo os vínculos ‎comunitários.‎ 
A escolha variada de práticas físicas e o acompanhamento adequado de ‎profissionais especializados favorecem maior adesão dos idosos às atividades. Programas acessíveis, personalizados e com acompanhamento ‎contínuo garantem maior segurança e motivação. Além disso, ambientes ‎acolhedores e socialmente estimulantes exercem papel relevante na manutenção da ‎prática, ao favorecerem o bem-estar mental e os vínculos afetivos.‎ 
A pesquisa cumpre sua proposta ao demonstrar com dados sólidos os principais ‎efeitos positivos da prática física sobre a qualidade de vida na terceira idade. A análise crítica dos artigos permite identificar padrões, lacunas e ‎oportunidades de aplicação prática, tanto em intervenções quanto em políticas ‎públicas. Tais dados contribuem para a formulação de propostas voltadas à ‎promoção da saúde e ao enfrentamento do sedentarismo entre idosos.‎ 
Diante disso, fica clara a urgência de investir em programas físicos voltados ‎especialmente às necessidades da população idosa. A promoção do envelhecimento ‎com dignidade, autonomia e saúde depende da criação de ações contínuas, ‎intersetoriais e alinhadas às demandas reais dessa população. Ao reconhecer a ‎atividade física como direito e necessidade, abre-se caminho para transformações ‎significativas na vida dos idosos e na construção de uma sociedade mais ativa e ‎inclusiva.‎
REFERÊNCIAS
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