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DISCIPLINA: 
PROFESSOR: 
: Gestão da Inovação em Meio Ambiente 
: Nayara Guetten Ribaski e Ugo Leandro Belini 
 
PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 
 
 
 
 
APRESENTAÇÃO 
 
Nesta disciplina, você irá compreender os principais conceitos relacionados à inovação. 
Nesse sentido, estudaremos como deve ser o processo de inovação em uma organização 
visando o meio ambiente e também, como deve ser feita a gestão desse processo. 
Primeiramente iremos apresentar os conceitos fundamentais relacionados à inovação, 
qual a diferença entre invenção e inovação, o que é ciência e tecnologia, e o que é criatividade. 
Vamos descrever também quais são os principais tipos e modelos de inovação. Assim, você 
terá a oportunidade de entender o que é a inovação incremental e radical e também, a 
diferença entre inovação fechada e a aberta. 
Em seguida, serão descritas as etapas do processo de inovação, desde a geração de 
ideias até a fase de implementação. Será destacado o processo do Front End, que é a etapa na 
qual os conceitos são desenvolvidos, e como a inovação pode ser monitorada através do funil 
da inovação. 
Uma vez que o processo de inovação seja entendido, serão apresentadas as práticas 
de apoio à gestão da inovação, com destaque para a análise de mercado e a prospecção 
tecnológica. 
Abordaremos os principais motivadores e inibidores do processo de inovação e como 
construir um ambiente que seja propício para inovar. Por fim, será enfatizado o processo de 
gestão da inovação no meio ambiente, que se inicia pelo diagnóstico, passa pela definição do 
conceito de inovação para a empresa, até chegar na construção da estrutura organizacional 
para inovação. 
Nosso objetivo é que, ao final da disciplina, você obtenha a visão geral do processo de 
inovação em meio ambiente e compreenda como deve ser feita a gestão desse processo, de 
modo que a inovação seja um processo sustentável ao longo do tempo e que proporcione 
resultados positivos para a organização. 
 
 
 
 
PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 
 
 
 
 
LISTA DE FIGURAS 
 
Figura 1 – Diferença entre invenção e inovação………………………………………………………………..…10 
Figura 2 – Exemplo de inovação de processo……………………………………………………………………...16 
Figura 3 – Processo de Inovação……………………………………………………………………………………..….24 
Figura 4 – Processo de experimentação (Adaptado de Scherer e Carlomagno, 2009)………...27 
Figura 5 – Fluxograma do processo de inovação……………………………………………………………..….30 
Figura 6 – Funil do front end da inovação……………………………………………………………………….....32 
Figura 7 – Funil de inovação no desenvolvimento de produtos……………………………………….….33 
Figura 8 – Modelo de inovação…………………………………………………………………………………………..34 
Figura 9 – Modelo linear de inovação………………………………………………………………………………...36 
Figura 10 – Representação do modelo Science-push………………………………….………………………36 
Figura 11 – Representação do modelo Market-pull……………………………………….…………………..36 
Figura 12 – Modelo de paralelo de inovação……………………………………………………………………..38 
Figura 13 – Octógono da inovação…………………………………………………………………………………….40 
Figura 14 – Representação de inovação…………………………………………………………………………….42 
Figura 15 – Diagnóstico de Inovação – Exemplo………………………………………………………………..51 
Figura 16 – Classificação de Produtos Inovadores.................................................................52 
 
 
 
LISTA DE TABELAS 
 
Tabela 1 – Dimensões e disponibilidade da tecnologia …………………………………………………….7 
Tabela 2 – Principais ferramentas de Gestão da Inovação Tecnológica……………………………47 
 
 
 
 
 
 
 
PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
1. INTRODUÇÃO…………………………………………………………………………………….……………………….5 
1.1 IMPACTO ECONÔMICO DAS INOVAÇÕES………………………………………………….…………………..5 
2. PRINCIPAIS CONCEITOS…………………………………………………………………………..…………………6 
2.1 CIÊNCIA E TECNOLOGIA…………………………………………………………………………………………………6 
2.2 INOVAÇÃO………………………………………………………………………………………………..…………………..8 
2.3 INVENÇÃO………………………………………………………………………………………………..…………………..9 
2.4 INOVAÇÃO TECNOLÓGICA…………………………………………………………………………………………..10 
3. INOVAÇÃO E COMPETITIVIDADE……………………………………………………………………………….11 
3.1 INOVAÇÃO RADICAL………………………………………………………………….………………………..……….11 
3.2 INOVAÇÃO INCREMENTAL…………………………………………………………………………………..………12 
4. TIPOS DE INOVAÇÃO…………………………………………………………………………………………..…….13 
4.1 PRODUTO……………………………………………………………………………………………………………….…..13 
4.2 PROCESSOS…………………………………………………………………………………………………………….…..15 
4.3 MARKETING………………………………………………………………………………………………………………..18 
4.4 ORGANIZACIONAL………………………………………………………………………………………………………20 
5. PROCESSO OU FASES DA INOVAÇÃO………………………………………………………………………..24 
5.1 IDEALIZAÇÃO……………………………………………………………………………………………………………..25 
5.2 CONCEITUAÇÃO…………………………………………………………………………………………………………26 
5.3 EXPERIMENTAÇÃO………………………………………………………………………………………………….…27 
5.3.1 Defina a ideia a ser experimentada…………………………………………………………………………27 
5.3.2 Defina as incertezas………………………………………………………………………………………………..27 
5.3.3 Estruture o piloto e a amostra…………………………………………………………………………………28 
5.3.4 Execute o piloto……………………………………………………………………………………………………...28 
5.3.5 Avalie resultados……………………………………………………………………………………………………28 
5.4 IMPLEMENTAÇÃO…………………………………………………………………………………………………….29 
5.5 FLUXOGRAMA DO PROCESSO DE INOVAÇÃO……………………………………………………………29 
6. MODELO DE INOVAÇÃO PARA GESTÃO TECNOLÓGICA……………………………………………33 
 
PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 
 
 
 
 
6.1 PRINCÍPIOS DA INOVAÇÃO FECHADA E DA INOVAÇÃO ABERTA………………………………..35 
6.2 MODELOS LINEARES………………………………………………………………………………………………….35 
6.2.1 Modelo Science-push ou Discovery-push………………………………………………………………..36 
6.2.2 Modelo Market-pull ou Demand-pull……………………………………………………………………..36 
6.3 MODELO PARALELO………………………………………………………………………………………………….37 
6.4 MODELOS INTERATIVOS…………………………………………………………………………………………...38 
6.4.1 Octógono Da Inovação……………………………………………………………………………………………39 
7. A GESTÃO DA INOVAÇÃO TECNOLÓGICA…………………………………………………………….…..41 
7.1 GESTÃO……………………………………………………………………………………………………………………..43 
7.2 GESTÃO DA INOVAÇÃO TECNOLÓGICA……………………………………………………………………….44 
7.3 PRÁTICAS/FERRAMENTAS PARA A GESTÃO DA INOVAÇÃO TECNOLÓGICA…………………46 
8. GESTÃO DA INOVAÇÃO NA EMPRESA: DIAGNÓSTICO E IMPLANTAÇÃO……………………49 
8.1 DIAGNÓSTICO DE INOVAÇÃO……………………………………………………………………………………..49 
8.1.1 Dimensões de inovação a serem avaliadas em um diagnóstico……………………………….50 
8.1.2 Questionário de avaliação……………………………………………………………………………………….50 
8.2 INOVAÇÃO DENTRO DAS EMPRESAS...............................................................................51 
8.3 INDICADORES E METAS DE INOVAÇÃO............................................................................52 
8.3 ESTRUTURA ORGANIZACIONAL PARA INOVAÇÃO............................................................55 
9. ECOSISTEMAS DE INOVAÇÃO…………………………………………………………………………………….57 
10. TECNOLOGIAS APLICADAS AO MEIO AMBIENTE EM DIFERENTES CONTEXTOS………….59 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 
 
 
 
 
 
 
PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 
 
 
5 
 
1. INTRODUÇÃO 
O cenário competitivo atual, pautado pela revolução tecnológica e fenômenos 
relativos à globalização, extrema competitividade, ênfase em preços, qualidade e satisfação 
dos clientes exige, como estratégia para a competência, que a empresa contemporânea esteja 
focada de forma permanente na inovação. 
O desenvolvimento tecnológico de qualquer instituição, empresa ou órgão 
governamental, deve ser baseada, indubitavelmente, por meio de estratégias de inovação. 
Através do Decreto 10.534, de 28 de outubro de 2020, o Governo Federal Institui a 
Política Nacional de Inovação e dispõe sobre a sua governança. Uma das finalidades deste 
decreto é orientar, coordenar e articular as estratégias, os programas e as ações de fomento 
à inovação no setor produtivo, para estimular o aumento da produtividade e da 
competitividade das empresas e demais instituições que gerem inovação no País. 
 
1.1 IMPACTO ECONÔMICO DAS INOVAÇÕES 
 
As mudanças tecnológicas produzemnecessidades do cliente, a fim de obter informação valiosa para alimentar o processo de 
inovação, por exemplo, com o objetivo de identificar e avaliar especificações de novos 
produtos. 
• Deve-se avaliar e segmentar o mercado de forma a agrupar os clientes em 
potencial, que possuem necessidades de consumo semelhantes. 
Prospecção Tecnológica 
• Empresas precisam estar cientes de desenvolvimentos tecnológicos interessantes 
e revisar a relevância destes desenvolvimentos para o negócio da empresa. 
• Eles devem fornecer oportunidades estratégicas ou ameaças ao negócio. 
Atividades de previsão e prospecção são caminhos para coletar inteligência sobre 
tecnologia e organizações. 
• A prospecção tecnológica pode ser definida como um meio sistemático de 
mapear desenvolvimentos científicos e tecnológicos futuros capazes de influenciar de 
forma significativa uma indústria, a economia ou a sociedade como um todo. 
• Diferentemente das atividades de previsão clássica, que se dedicam a antecipar 
um futuro suposto como único, os exercícios de prospecção são construídos a partir da 
premissa de que são vários os futuros possíveis. 
Análise de Patentes 
• Obter e avaliar informação de patente o que encontra várias aplicações para 
gestão estratégica da tecnologia. 
• Assim, analisar marcas e patentes significa monitorar novas tecnologias e 
identificar tendências com o olhar que busca decifrar as redes de conhecimento. 
 
 
PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 
 
 
50 
 
Continuação da Tabela 2.... 
Benchmarking 
• Benchmarking é o processo de melhorar o desempenho continuamente, 
identificando, compreendendo, e adaptando práticas proeminentes e os processos 
encontrados dentro e fora de uma organização. 
• É um processo contínuo de comparação dos produtos, serviços e práticas 
empresariais entre os mais fortes concorrentes ou empresas reconhecidas como líderes. 
• É um processo de pesquisa que permite realizar comparações de processos e 
práticas "companhia-a-companhia" para identificar o melhor do melhor e alcançar um 
nível de superioridade ou vantagem competitiva. 
Auditoria Tecnológica 
• É o processo de registro e avaliação sistemática e periódica do potencial 
tecnológico da organização, contribuindo para que a tecnologia seja utilizada de forma 
eficaz para atingir os objetivos organizacionais. 
• A auditoria tecnológica não está restrita ao ambiente de P&D, mas analisa o valor 
da tecnologia nos vários setores da empresa e seus desdobramentos e relações sobre a 
estratégia e competitividade da empresa. 
Gestão de Propriedade 
intellectual 
• Ajudar na proteção e gestão de direitos (patentes). 
Gestão ambiental • Melhorar como a empresa identifica e endereça questões ambientais. 
Gestão de Projetos 
• Gerenciar, administrar, coordenar ou gerir um projeto é a aplicação de técnicas, 
conhecimento e habilidades para garantir que um projeto tenha sucesso. 
• Envolve desde iniciá-lo até finalizá-lo, passando pelas etapas de planejamento, 
execução e atividades de controle. 
Avaliação de Projetos 
• Fornecer informação para estimar o valor de um projeto potencial com referência 
particular para estimação de custos, recursos e benefícios, a fim de obter uma decisão 
sobre prosseguir ou não com um projeto. 
Gestão de Portfólio 
• Técnicas de Gestão de Portfólio (PM) são maneiras sistemáticas de olhar um 
conjunto de projetos de P&D, atividades ou até áreas de negócio, com o objetivo de 
atender um equilíbrio entre risco e retorno, estabilidade e crescimento, atratividade e 
reveses em geral, fazendo o melhor uso dos recursos disponíveis. 
Networking 
• Dispor e manter cooperação entre empresas e entre organizações de negócios e 
organizações de P&D, incluindo universidades, a fim de obter acesso a idéias e tecnologias 
e compartilhar habilidades, recursos, informação e expertise. 
Criatividade 
• Técnicas de criatividade podem ajudar indivíduos particulares ou grupos a se 
tornarem mais criativos ou usar sua originalidade de pensamento ou inventividade para 
situações particulares. 
• Resolução criativa de problemas é uma aplicação da criatividade e técnicas de 
criatividade para problemas e para oportunidades de melhoramento. 
Criação de Equipes 
• Desenvolver a cultura da organização em que times precisam operar, decidir a 
composição de equipes específicas recrutando e gerindo indivíduos para assegurar um 
mix apropriado de habilidades e experiências, trabalhando com a equipe para melhorar 
níveis de confiança, cooperação e entendimento sobre as tarefas a serem cumpridas. 
 
PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 
 
 
51 
 
Continuação da Tabela 2... 
Gestão de Mudanças 
• São processos, ferramentas e técnicas para gerenciar os vários aspectos 
envolvidos em um processo de mudança a fim de que os resultados previstos sejam 
atingidos e da forma mais eficaz possível. 
• O objetivo essencial do Gerenciamento da Mudança é ter uma abordagem 
equilibrada dos aspectos técnicos e organizacionais, visando minimizar as possíveis 
resistências e obter uma transformação mais eficaz, completa e em menor tempo. 
Gestão de Interface 
• Transpor barreiras ou fomentar e encorajar a cooperação entre entidades 
separadas, departamentos, pessoas ou até diferentes organizações durante o processo 
inovativo. 
Produção Enxuta • Analisar todas as atividades dentro de um processo (dentro ou fora da empresa) 
identificando e eliminando “lixo”, definido como atividades que não agregam valor. 
Melhorias Contínuas • Ferramentas para apoiar a empresa a ser tornar uma organização baseada no 
aprendizado e aprimoramento contínuo. 
 
8. GESTÃO DA INOVAÇÃO NA EMPRESA: DIAGNÓSTICO E IMPLANTAÇÃO 
Para implantar a gestão de inovação em uma organização, algumas premissas devem 
ser levadas em consideração. A primeira delas é ter claro o desejo ou a necessidade em inovar. 
Isso acontece quando a empresa busca ter uma vantagem competitiva sustentável ao longo 
do tempo. 
É preciso também que a alta administração, ou alta direção, esteja engajada com a 
inovação, de modo a disponibilizar os recursos necessários, tanto humanos quanto 
financeiros. Além disso, a organização precisa estar disposta a desenvolver uma cultura de 
inovação, motivando a criatividade, o empreendedorismo e a geração e compartilhamento do 
conhecimento. 
Compreendidas as premissas para implantação da gestão da inovação? A seguir 
entenderemos a primeira etapa para implantar a gestão da inovação, que é o diagnóstico. 
 
8.1 DIAGNÓSTICO DE INOVAÇÃO 
O diagnóstico de inovação é a primeira etapa do processo para se implantar a gestão 
da inovação em uma organização. Nessa fase buscamos entender de forma clara qual é a 
 
PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 
 
 
52 
 
capacidade de inovar da organização e o que precisa ser feito para implantar um processo de 
inovação. 
O diagnóstico normalmente é feito através da aplicação de um questionário à alta 
administração, com o objetivo de se obter as informações sobre o estado atual da 
organização. É com base nele que se define qual será o plano de ações para que o processo 
de inovação seja implantado, de modo a se atingir o estado desejado. E você sabe quais são 
as dimensões que devem ser avaliadas no diagnóstico? Veremos agora na sequência. 
 
8.1.1 Dimensões de inovação a serem avaliadas em um diagnóstico 
As dimensões que devem ser avaliadas no diagnóstico dizem respeito aos fatores que 
a gestão da inovação deve levar em consideração para ser implantada com sucesso. Scherer 
e Carlomagno (2009) apresentaram oito dimensões no modelo conhecido como Octógono da 
Inovação (Figura 13). 
 
8.1.2 Questionário de avaliação 
O questionário de avaliação da capacidade de inovação de uma organização é 
construído de forma a analisar as diferentes dimensões da gestão da inovação. Para deixar 
mais claro como o questionário é construído, tomaremos como exemplo o questionário 
proposto por Scherer e Carlomagno(2009), que é baseado no Octógono da Inovação. 
Neste questionário, o desempenho da organização em relação às oito dimensões é 
verificado. Para cada dimensão foram criadas três perguntas, perfazendo um total de 24 
questões. Para cada questão é dada uma nota de 1 a 9, e a nota de cada dimensão é a média 
das três respostas relacionadas àquela dimensão. Por fim, o resultado do diagnóstico é 
apresentado em gráfico tipo radar, conforme exemplo da Figura 15. 
 
PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 
 
 
53 
 
Observa-se nessa figura o resultado de uma empresa fictícia, mostrando como está a 
sua situação perante às oito dimensões. 
 
Figura 15 – Diagnóstico de Inovação – Exemplo 
Fonte: Adaptado de Scherer e Carlomagno (2009, p. 142). 
 
 
8.2 INOVAÇÃO DENTRO DAS EMPRESAS 
Da mesma maneira que existem diferentes conceitos de inovação, cada empresa 
também deve definir qual é o seu entendimento por inovação. Contudo, não é fácil definir 
inovação. Podemos, por exemplo, defini-la como sendo os produtos lançados no último ano, 
ou então nos últimos dois ou três anos. Algumas empresas adotam essa definição, apesar de 
que nem sempre um produto lançado no(s) último(s) anos é realmente uma inovação. Às 
vezes, pode ser apenas uma pequena alteração. 
 
PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 
 
 
54 
 
Outras empresas adotam conceitos mais elaborados. Freitas Filho (2013) apresenta 
um modelo gráfico para definir inovação de produto, considerando o grau de atratividade para 
o consumidor e para o acionista. Esse modelo é apresentado no gráfico da Figura 16. É 
considerado como inovação, apenas os produtos que se encontram nos quadrantes em 
destaque. 
 
Figura 16 – Classificação de Produtos Inovadores 
Fonte: Adaptada de Freitas Filho (2013, p. 65). 
 
Neste tipo de modelo é necessário se definir uma escala, tanto para o grau de 
atratividade ao consumidor, como por exemplo, se o produto é novo ou não no mercado, 
quanto para o acionista, que avalia questões financeiras, como faturamento ou lucratividade 
proveniente da inovação. 
 
8.3 INDICADORES E METAS DE INOVAÇÃO 
 
 
PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 
 
 
55 
 
Os indicadores de inovação servem para medir o processo de inovação. Sem eles, não 
é possível avaliar o desempenho da organização. Segue alguns exemplos de indicadores: 
 
a) Redução de custos 
A redução de custos dos processos internos é um dos principais motivos que levam as 
empresas a buscarem pela inovação. 
Portanto, ao implementar uma ideia inovadora, o índice de redução de custos é um 
indicador muito útil; afinal, não é vantagem se a sua empresa inovar e, ao mesmo tempo, ver 
os seus custos aumentarem significativamente. 
 
b) Investimento em P&D 
A quantidade de investimento em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) é um dos mais 
importantes indicadores de inovação tecnológica nas empresas. 
Isso porque, para inovar, é preciso investir na produção de conhecimento e no 
desenvolvimento de habilidades e de tecnologia. 
 
c) Investimento médio por projeto 
O cálculo para descobrir o investimento médio por projeto não é difícil. Basta pegar 
todo o montante investido e dividi-lo pela quantidade de projetos inovadores que foram 
implementados de fato. 
Como resultado, você terá um indicador de inovação que te mostrará quanto cada 
projeto custou. Essa informação te ajudará também na hora de avaliar o Retorno sobre o 
Investimento (ROI). 
 
d) Retorno sobre o Investimento – ROI 
O Retorno sobre o Investimento é um indicador usado em diferentes aspectos de uma 
empresa; e no quesito inovação ele se mostra bastante útil também. 
 
PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 
 
 
56 
 
Para inovar, é preciso investir. Nesse sentido, o mínimo que se espera de um projeto 
de inovação é que ele traga um retorno capaz de cobrir o investimento. Se o retorno for acima 
do valor investido, a empresa sai no lucro. Caso contrário, é prejuízo. 
 
e) Quantidade de ideias geradas 
Toda inovação parte de uma ideia, as quais são avaliadas e testadas até que cheguem 
a um produto final inovador. Portanto a quantidade de ideias geradas em determinado 
período é um interessante indicador do potencial inovativo da sua empresa. Ou seja: quanto 
mais ideias os seus colaboradores tiverem, maior será a capacidade de a sua empresa inovar. 
Lembrando que, neste indicador, não são consideradas apenas as ideias que acabam 
virando projetos. 
 
f) Taxa de ideias por colaborador 
Neste indicador, é medida a quantidade de ideias geradas por colaborador em 
determinado período. Com essa informação, você pode identificar os colaboradores menos 
produtivos na geração de ideias e, partir disso, dialogar com cada um deles para descobrir as 
causas dessa baixa participação e incentivá-los a participarem mais. 
 
g) Quantidade de projetos em andamento 
Já neste indicador, são contabilizadas as ideias que, de fato, viraram projetos de 
inovação e que já estão em andamento. Com esse indicador, é possível prever o quão intensa 
é a inovação a curto e médio prazo e quantos projetos a sua empresa é capaz de executar em 
determinado período. 
 
h) Quantidade de inovações 
É o momento em que o projeto de inovação abandona o status de “projeto” e é 
efetivamente implementado. A intenção deste indicador é medir quantas inovações a 
empresa conseguiu implementar em determinado período. 
 
PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 
 
 
57 
 
 
i) Taxa de sucesso 
Se o projeto de inovação tem como objetivo lançar um novo produto ou serviço, você 
pode utilizar a taxa de sucesso como indicador para avaliar a recepção do público. Se a taxa 
de sucesso for baixa, significa que a adesão do público não foi satisfatória e que, portanto, é 
preciso rever as estratégias de inovação para futuros produtos ou serviços. 
 
As metas são definidas através da estratégia de inovação. Compreende uma ação, 
seguida de um valor numérico e uma data. Como exemplos de metas, podemos citar: 
• Aumentar o percentual de faturamento dos produtos de inovação em relação ao 
faturamento total, de 12% para 15%, até dezembro de 2020. 
• Aumentar a lucratividade dos produtos inovadores de 15% para 20% até dezembro de 2021. 
 
 
Monitorar os indicadores é o caminho para saber se estamos indo 
em direção às metas. 
 
 
8.3 ESTRUTURA ORGANIZACIONAL PARA INOVAÇÃO 
 
Para que seja feita a gestão da inovação, é necessário que haja uma estrutura 
organizacional para conduzir o processo. Essa estrutura pode variar de acordo com a empresa, 
porém algumas funções são essenciais para se ter uma boa gestão da inovação. 
Em primeiro lugar é preciso se ter o apoio da alta administração, que pode ser feito 
através de um diretor específico, ou então por meio de um comitê executivo. Esse comitê é 
formado por executivos que tenham o poder de decisão sobre o processo de inovação. Outra 
 
PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 
 
 
58 
 
figura muito importante é o gestor do processo, ou seja, quem gerencia as atividades 
relacionadas à inovação, desde a geração de ideias até a comercialização. Ele é o responsável 
também pelo monitoramento dos indicadores e das metas. 
E ao abordarmos esse assunto, precisamos entender a cultura de inovação da 
organização, no entanto, primeiramente temos que entender o que é cultura. A cultura está 
relacionada aos hábitos, às crenças e aos valores de uma determinada comunidade. Na cultura 
organizacional, estamos nos referindo ao comportamento das pessoas e às suas atitudes, 
frente a qualquer situação dentro da organização. 
Cada organização tem sua própria cultura, que é constituída pelos valores propostos 
pela alta administração, somados aos valores individuais de cada colaborador, e que de 
alguma forma são compartilhados por todos. Nem sempre a cultura está escrita, mas pode 
estar presente simplesmente na maneira como as pessoas fazem as coisas dentro da 
organização. Por isso, é importante que todos a conheçam, de modo que possamtambém 
praticá-la. E a cultura de inovação? 
A cultura de inovação está relacionada à maneira como as pessoas que trabalham em 
uma organização lidam com a inovação. Da mesma maneira que a cultura organizacional 
depende da cultura individual, a cultura de inovação depende das experiências individuais de 
cada colaborador. Quanto mais rica e inovadora for a experiência de cada um e quanto mais 
essa experiência for compartilhada, maior será a probabilidade de se ter uma cultura de 
inovação. 
Para compreender melhor a cultura de inovação, vamos analisar uma empresa que 
possui uma cultura de inovação bastante forte. Estamos falando da 3M. Você sabia que em 
torno de 15% do tempo dos colaboradores pode ser dedicado à inovação? Esse é o tempo que 
eles têm para se dedicar a um projeto que esteja relacionado ao negócio da empresa ou à sua 
área de atuação. Esta é uma prática que fortalece a cultura de inovação na 3M e que torna 
possível, por exemplo, a criação de produtos como o Post-it. 
 
 
PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 
 
 
59 
 
9. ECOSISTEMAS DE INOVAÇÃO 
 
Um ecossistema de inovação nada mais é do que um conjunto de fatores que estimula 
a interação e cooperação. Parques tecnológicos, incubadoras e associações são exemplo 
desses ecossistemas. Com isso, tais ambientes acabam se tornando polos criativos com o 
objetivo de impulsionar o resultado de empresas e promover novos talentos. 
Os ecossistemas de inovação apresentam diversos benefícios para uma empresa e 
seus profissionais, como: 
 
a) Troca de experiências 
Independente do seu tempo de atuação, empresas de tecnologia estão sempre em 
busca de novidades. Dessa forma, sempre existem obstáculos a serem superados. Em 
ecossistemas de inovação, é possível aprender com os erros de outras pessoas, além de definir 
novas soluções para seus problemas. Isso acontece porque em um momento de troca, o nível 
de aprendizado costuma ser bastante elevado. Com isso, as organizações conseguem crescer 
de maneira acelerada e assertiva, saindo na frente de seus concorrentes. 
Ações assertivas de empresas mantêm, como colaboradores, profissionais com vasta 
experiência e que já se aposentaram, fomentando a troca de informações com profissionais 
recém formados. 
 
b) Reconhecimento da comunidade 
Estar em um local inovador que estimula o aprendizado é muito importante tanto para 
a comunidade local quanto para o seus clientes. Isso acontece porque quanto mais avançado 
o polo tecnológico é, mais beneficiado o local à sua volta é. Além disso, empresas que 
participam de ecossistemas de inovação costumam estar mais bem preparadas para atender 
às necessidades de seus clientes, tornando-se referência em seu nicho de atuação. 
 
PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 
 
 
60 
 
c) Redes de indicação 
Muitas empresas não realizam parcerias por não conhecerem o trabalho das outras 
organizações. Ao trabalharem em conjunto, é possível ver de perto os resultados e métodos 
empregados. Isso aumenta a confiança e a rede de parcerias, o que ajuda no crescimento de 
todos os envolvidos. Isso também é ótimo para os clientes, já que uma colaboração mútua 
impulsiona os resultados. 
 
d) Melhora de habilidades 
Um ecossistema de inovação é capaz de incentivar a melhora das habilidades dos 
profissionais de qualquer empresa. Dessa forma, fica mais fácil, inclusive, a captação de novos 
talentos. Assim, as empresas já consolidadas no mercado são procuradas por profissionais que 
desejam aprender mais sobre a área, realizando networking e aprimorando os seus 
conhecimentos. 
Um exemplo famoso de um ecossistema de inovação é o Vale do Silício, na Califórnia, 
nos Estados Unidos. Nessa região há grandes empresas de tecnologia junto a várias 
universidades que fornecem novos talentos e conhecimento ao ambiente. 
No Brasil também existem alguns polos tecnológicos, como os que acontecem em 
Campinas, São Paulo. Toda a região conta com empresas que são voltadas para o 
desenvolvimento tecnológico e inovador. 
Dentro dos ecosistemas podemos mencionar os Hubs de Inovação, que consistem em 
espaços físicos nos quais empresas jovens podem colocar em prática as suas ideias inovadoras. 
Os empreendedores que estão inseridos nos hubs, costumam estar no início da carreira e 
muitas vezes não contam com recursos abundantes, têm acesso a um espaço para trabalhar, 
conhecer outros negócios, obter investimentos e fazer parcerias com grandes empresas. 
As startups que estão no hub têm a oportunidade de serem vistas, pois naquele 
ambiente passam investidores e grandes empresas, interessados em descobrir novos 
negócios, seja para investir em uma ideia rentável ou para resolver problemas internos que 
 
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possuam. Além disso, universidades, órgãos de fomento e outros interessados também 
podem estar presentes. 
Outro ponto positivo dos hubs de inovação é o networking: dessa forma, as startups 
não ficam fechadas em suas ideias. Podem trabalhar de maneira colaborativa, inspirar-se em 
outras ideias, fazer parcerias. 
O resultado é um espaço de troca, aprendizado e fomento da cultura do 
empreendedorismo. Pode-se dizer que, nos hubs de inovação, é comum a prática da inovação 
aberta (open innovation), que ocorre quando quando negócios colaboram entre si para criar 
produtos e serviços inovadores. 
Para as empresas e os bancos que investem nesse tipo de espaço, é uma oportunidade 
de se posicionar no ecossistema e de ficar por dentro das novas oportunidades de negócio, 
seja para fazer investimentos ou parcerias. 
Da mesma forma, quando se aproximam de startups, empresas consolidadas no 
mercado podem se inspirar nas práticas inovadoras dos jovens. O modelo de negócio das 
startups, por exemplo, costuma ser voltado para uma estrutura enxuta e produtiva. É algo que 
ajuda a renovar a cultura da empresa, que se mantém relevante. 
 
10. TECNOLOGIAS APLICADAS AO MEIO AMBIENTE EM DIFERENTES CONTEXTOS 
Para você, qual é a relação entre tecnologia e meio ambiente? Há quem diga que 
inteligência artificial e preservação do meio ambiente, por exemplo, são temas distintos. Há 
também aqueles que enxergam o setor de inovação e tecnologia como vilãs para o planeta. 
Essa visão sobre o assunto foi predominante por muito tempo, mas o cenário tem 
mudado nos últimos anos (INSTITUTO LEGADO, 2020). 
 
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62 
 
Aqui, cabe uma importante questão: É possível haver sustentabilidade ambiental sem 
haver sustentabilidade sócio-econômica? Um segmento (empresa, ramo de atividade, por ex.) 
somente é sustentável quando contribui para o desenvolvimento ao gerar, simultaneamente, 
benefícios econômicos, sociais e ambientais – conhecidos como os três pilares desta filosofia. 
Profissionais eram, em sua “atividade de criação”, treinados para integrar aspectos 
funcionais, culturais, tecnológicos e econômicos, com foco em aumento de vendas e lucro. 
Com a evolução das tendências mundiais voltadas para a gestão de meio ambiente e 
sustentabilidade, os tradicionais domínios se expandem para além das características 
estéticas e funcionais do produto e se estendem para a observação e interferência nos 
fenômenos socioambientais e econômicos, propondo novos cenários. Neste contexto, a “eco-
concepção” é utilizada para traduzir a ideia de uma nova abordagem – que consiste em 
projetar o que podemos chamar de sistema-produto, onde considera-se todo o ciclo de vida, 
desde o nascimento até o próprio produto em fim de vida. 
Neste cenário, um importante ator é o Gestor Ambiental, profissional capaz de abordar 
as características dos impactos ambientais dentro de um contexto socioeconômico, 
promovendo, assim, a gestão ambiental nos processos industriais, com foco na 
sustentabilidade e responsabilidade social. 
Segundo Arthur Igreja (2019), Professor da Fundação Getúlio Vargas, a inovação nada 
mais é que um novo jeito de resolverum problema que já existia. Portanto, está diretamente 
ligada à vertente da sustentabilidade. Desse modo, soluções tecnológicas até mesmo na 
criação de produtos de materiais sustentáveis são apenas alguns dos aspectos positivos da 
tecnologia aplicada ao meio ambiente (RECICLA SAMPA, 2019). 
De acordo com um grupo de docentes da Faculdade de Tecnologia da Unicamp, a 
maioria dos problemas atuais na área de preservação ambiental se referem aos elevados 
índices de consumo dos recursos materiais e energéticos. A elevação da temperatura média 
do planeta, por exemplo, é um efeito antropogênico. Consequentemente, apesar de ter 
 
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63 
 
componentes naturais associados a ele, somos os principais responsáveis por tal fenômeno 
(PINELLI, 2016). 
Entretanto, o desenvolvimento tecnológico tem se tornado um auxiliar na minimização 
dos efeitos negativos das atividades produtivas para o meio ambiente. Há várias inovações 
que favorecem a convivência dos seres humanos com o planeta. Outro ponto positivo é que 
governantes, empresários e população estão se conscientizando quanto a importância disso 
(PINELLI, 2016). 
Nesse sentido, consumidores também estão cada vez mais conscientes quanto aos 
impactos ambientais e exigindo soluções mais sustentáveis, o que obriga um posicionamento 
e investimentos por parte das empresas. Além disso, várias universidades brasileiras têm se 
destacado no quesito inovação, contribuindo com soluções que trabalham pela redução dos 
impactos ambientais, como: computadores biodegradáveis, carros elétricos e recicláveis, 
celulares mais econômicos, lâmpadas mais econômicas e tecnologias que fazem uso de fontes 
alternativas de energia, como energia solar ou eólica, por exemplo (BRINGIT, 2019; PINELLI, 
2016). 
Dentre as inúmeras aplicações da tecnologia no cenário ambiental, Pinelli (2016) lista 
quatro principais inovações tecnológicas consideradas mais favoráveis ao meio ambiente: 
 
• Tecnologia da Informação 
O uso de satélites e a popularização da internet permitiu que pessoas de todo o mundo 
evitassem deslocamentos, antes vistos como imprescindíveis. O próprio uso do GPS e de 
outros aplicativos de geolocalização contribuem de maneira decisiva para a redução da 
emissão de CO². 
Segundo o professor José Maria da Silveira, do Instituto de Economia da Unicamp, na 
área da agricultura por exemplo, a utilização desses softwares ajuda na diminuição do uso de 
 
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insumos, fertilizantes e pesticidas. E também proporciona economia em diversas etapas no 
processo de plantio, reduzindo o lançamento de gases na atmosfera. 
 
• Energia Solar 
A energia elétrica se tornou imprescindível para facilitar a vida das pessoas. No 
entanto, sua produção ainda representa uma agressão considerável ao meio ambiente, tanto 
no caso das termoelétricas (que utilizam a queima de combustíveis fósseis), como no das 
hidrelétricas (que geram enormes impactos na região onde são instaladas). 
O Brasil é um dos países com maior participação de fontes renováveis em sua matriz 
energética. As fontes hidrelétricas, eólicas, solares e de biomassa são consideradas fontes 
limpas e renováveis de energia, o que contribui para a redução das emissões de gases de efeito 
estufa e para a mitigação dos impactos das mudanças climáticas. 
Neste contexto, a energia solar mostra-se uma ótima opção para a universalização 
da eletricidade por ser uma energia abundante e inesgotável. A energia solar ainda é uma 
fonte relativamente nova no Brasil, mas tem crescido bastante nos últimos anos. Atualmente, 
representa cerca de 2% da matriz. Ela é gerada a partir da captura da energia do sol por meio 
de painéis fotovoltaicos, que transformam a luz em eletricidade. 
Considerando o clima propício do nosso país, a previsão é que em alguns anos as placas 
solares tornem-se comum nos domicílios e até que pequenos investidores “vendam” esse tipo 
de energia. 
 
• Biocombustíveis 
No ramo de fontes de energia sustentáveis, o Brasil apresenta uma produção 
significativa de etanol. Pois, além de ser uma fonte renovável de energia, sua produção a partir 
da cana apresenta um balanço nulo de produção de CO². Isso porque durante sua fase de 
 
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crescimento, a planta sequestra a mesma quantidade de gás emitido durante a fase de 
fabricação e utilização do combustível. 
 
• Tratamento da água 
O uso de tecnologia para a purificação de águas residuais é uma das principais 
tendências do momento. De acordo com o grupo de docentes da Unicamp, um bom exemplo 
refere-se à utilização de processos oxidativos avançados no tratamento de esgotos, capaz de 
promover a degradação de vários poluentes, resultando em uma água de excelente qualidade. 
Paralelamente aos processos de tratamento, o uso racional da água nas edificações se 
refere às práticas de gerenciamento do uso da água, e envolve aspectos comportamentais 
relacionados aos hábitos pessoais de consumo de água e de uso de aparelhos e equipamentos 
hidro sanitários, onde as ações de sensibilização dos usuários são um ótimo caminho para o 
uso mais racional deste bem. 
Neste sentido, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) possui duas normas: 
(i) NBR 16782, 2019: Conservação de água em edificações, que traz requisitos, procedimentos 
e diretrizes para edificações que optarem pela conservação de água e (ii) NBR 16783, 2019: 
Uso de fontes alternativas de água não potável em edificações, que estabelece procedimentos 
e requisitos para caracterização, dimensionamento, uso, operação e manutenção de sistemas 
de fontes alternativas de água não potável em edificações com uso residencial, comercial, 
institucional, de serviços e de lazer. 
Nos processos de tratamento, além dos convencionais, deve-se dar destaque aos 
sistemas naturais, que são arranjos que reproduzem condições naturais a fim de obter a 
capacidade de ciclar elementos contidos nos esgotos, sem o fornecimento de quaisquer 
fontes de energia externa, pois não demandam, ou não dependem, de infraestruturas de 
elevada complexidade, bombas, e produtos químicos. 
 
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Como exemplos, pode-se citar as lagoas, biofiltros e wetlands construídos, sendo este 
último reprodução de áreas naturais utilizadas no tratamento de efluentes, onde os principais 
elementos atuantes são o meio filtrante (substrato/solo), plantas (macrófitas aquáticas) e 
microrganismos. 
Além dessas tecnologias extremamente importantes para o meio ambiente, também 
existem diversos aplicativos sustentáveis para celular, que oferecem ajuda, dicas e sugestões 
para construir hábitos menos prejudiciais ao planeta, tais como: redução do tempo de banho, 
controle do consumo de energia elétrica, localização de pontos de coleta de materiais 
recicláveis, entre outros (BRINGIT, 2019; RECICLA SAMPA, 2019). 
 
• Fibras vegetais e biomassas 
Diversas fibras vegetais são produzidas em praticamente todos os países e usualmente 
são designadas como materiais lignocelulósicos. Oriundas espontaneamente na natureza, 
atividade agrícola e resíduos, sendo excelentes matérias-primas para a química de polímeros 
e compósitos, o que pode ser comprovado pelo elevado número de patentes nacionais e 
internacionais. Apresentam amplitude de utilização e uma grande vantagem relativa ao meio 
ambiente: são renováveis. 
Nas regiões metropolitanas de grandes cidades, uma importante fonte de biomassa 
são os resíduos de poda das árvores urbanas, que podem ser convertidos em produtos de 
maior valor agregado (PMVA), como painéis reconstituídos e briquetes, para usos em 
bioengenharia e conversão energética, respectivamente. 
Na indústria automobilística, por exemplo, o uso de fibras naturais tem objetivo 
substituir materiais plásticos e metálicos em partes do carro, como painéis, bancos e portas. 
Segundo oCentro de Biocompósitos da Universidade de Toronto, no Canadá, em 2033 cerca 
de 50% dos materiais internos utilizados na fabricação dos carros serão feitos de fibras 
vegetais. 
 
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• Embalagens 
Embalagens são tradicionalmente concebidas para acondicionar e proteger algo, 
porém também são fundamentais instrumentos de venda e consolidação de uma marca. 
Ambientalmente falando, as embalagens podem ser exemplo de resíduos presentes em 
diversas atividades dentro da classificação de resíduos sólidos, como: limpeza urbana, 
domiciliares, comerciais, da construção civil, dos serviços de transporte de sistemas 
agrossilvopastoris. 
Visto esta ampla gama de utilização, e como potencial poluente ambiental, iniciativas 
tem avançado na concepção de produtos em diferentes frentes, como: Avanço das 
embalagens celulósicas; Avanço de embalagens híbridas; Embalagens com barreiras; 
Embalagens ativas e com Incorporação de nanomateriais. 
Embalagens de polpa celulósica ou de papelão ondulado apresentam vantagens de 
serem recicláveis, biodegradáveis e provenientes de fontes renováveis. Ainda, deve-se 
considerar que o papel está entre os produtos que apresentam maior taxa de reciclagem no 
Brasil. No total, 66,7% (IBÁ, 2022) de todos os papéis que circularam no País, foram 
encaminhados à reciclagem. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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68 
 
REFERENCIAL 
ABNT NBR ISO 14001 (2015). Sistemas de gestão ambiental – requisitos com orientações para 
uso. Rio de Janeiro, 2015, 41 p. 
 
BRINGIT. Tecnologias do bem: iniciativas a favor do meio ambiente. 2019. Disponível em: . 
FREITAS FILHO, F. L. Gestão da inovação: teoria e prática para implantação. São Paulo: Atlas, 
2013. 
 
IDEC – Instituto de Defesa do Consumidor. Entenda o que é obsolescência programada. 
Disponível em: https://idec.org.br/consultas/dicas-e-direitos/entenda-o-que-e-
obsolescencia-programada 
 
INDUSTRIA BRASILEIRA DE ÁVORES (IBÁ). Relatório Anual 2022. Brasil, IBÁ, 89 p. Disponível 
em: https://www.iba.org/publicacoes 
 
INSTITUTO LEGADO. Tecnologia e meio ambiente: conheça 3 cases de impacto ambiental. 
2020. Disponível em: . 
 
MANZINI, E; VEZOLLI, C. O Desenvolvimento de Produtos Sustentáveis. EDUSP, 368 p, 2011. 
 
MATTOS, J. R. L.; GUIMARÃES, L. S. Gestão da tecnologia e inovação: uma abordagem prática. 
2. ed. São Paulo: Saraiva, 2010. 
 
 
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69 
 
OECD. Manual de Oslo: proposta de diretrizes para coleta e interpretação de dados sobre 
inovação tecnológica. 3. ed. Tradução para o português pela FINEP. S.I: s.n., 2005. 
 
PINELLI, N. Tecnologia a favor do meio-ambiente. 2016. Disponível em: 
. 
 
PROTESTE. Embalagens enganosas. Disponível em : 
https://www.proteste.org.br/institucional/imprensa/press-release/2016/mais-dois-
produtos-terao-que-alterar-embalagens-enganosas 
 
RECICLA SAMPA. Tecnologia, uma grande aliada do meio ambiente. 2019. Disponível em: . 
RIBASKI, Nayara Guetten. Apostila de Gestão Ambiental. Faculdades da Indústria – IEL, 2013. 
 
ROTHWELL, R. Towards the fifth generation innovation process. International Marketing 
Review, v. 11, n. 1, 1994. 
 
SCHERER, F. O.; CARLOMAGNO, M. S. Gestão da inovação na prática: como aplicar conceitos 
e ferramentas para alavancar a inovação. São Paulo: Atlas, 2009.inovações e, evidentemente, causam impactos 
significativos, do ponto de vista econômico. 
Na ausência de inovações com o crescimento do capital, ou a sua diversificação em 
relação à mão-de-obra existente, devido a produtividade física marginal decrescente do 
capital, diminuem os lucros (ou a taxa de juros) e acumulação de capital. 
A produção crescente de inovações eleva a produtividade do capital, o lucro 
empresarial e ainda aumenta o salário real. O aumento do salário ocorre devido ao aumento 
da produtividade da mão-de-obra, independentemente das pressões sindicais, dos processos 
de regulamentação de monopólios e das intervenções assistenciais ou reguladoras do 
governo. 
 
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6 
 
A manifestação do empresário (produtor de inovações), responsável pelo 
empreendimento (novas combinações de fatores de produção) constitui o “elemento 
fundamental do desenvolvimento econômico”. 
De acordo com pesquisas do National Bureau of Economics Research, mais de 50% do 
aumento da produtividade per capita e salários reais se deve às mudanças técnicas – avanços 
científicos e de planejamento, melhoramento de processos industriais e “know-how” de 
métodos de direção e treinamento da mão-de-obra. 
A inovação tecnológica, indutora do desenvolvimento econômico, crescimento de 
emprego, renda e inclusão social, depende também, entre outras coisas, de uma organização 
de grande número de pequenas, médias e grandes empresas disseminadas em todos os 
segmentos da economia e regiões do país e permeando os setores produtivos. 
As grandes empresas dependem das pequenas e médias que, por sua vez, dependem 
das grandes empresas. As empresas de médio e de pequeno porte e as grandes não são 
alternativas ou competidoras entre si, mas, sim, complementares. 
No Brasil, as micro e pequenas empresas ressentem-se da dificuldade de se consolidar. 
Consequentemente, diversas instituições, públicas e privadas promovem e apoiam iniciativas 
que assegurem a viabilidade econômica desses empreendimentos (incubadoras de empresas, 
universidades, centros de pesquisa, instituições de fomento, instituições financeiras). 
 
2. PRINCIPAIS CONCEITOS 
 
2.1 CIÊNCIA E TECNOLOGIA 
A ciência é um conjunto organizado dos conhecimentos relativos ao universo objetivo, 
envolvendo seus fenômenos naturais, ambientais e comportamentais. Pode ser pura ou 
fundamental ou pode ser aplicada. 
a) Pura: quando desvinculada aos objetivos práticos. 
 
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7 
 
b) Aplicada: quando visa consequências determinadas. 
Mattos e Guimarães (2010, p. 15) definem tecnologia como o “conjunto ordenado de 
conhecimentos científicos, técnicos, empíricos e intuitivos empregados no desenvolvimento, 
na produção, na comercialização e na utilização de bens ou serviços”. E geralmente é 
desenvolvida no setor produtivo das organizações, por meio de pesquisa, desenvolvimento 
experimental e engenharia. 
 Quanto às dimensões a tecnologia pode ser: 
 a) Materializada: equipamentos, artefatos, softwares, aplicativos... 
 b) Documentada: manuais, plantas, layouts, memórias descritivas, livros técnicos, 
etc... 
 c) imaterial: conjunto de conhecimentos teóricos e práticos necessários para conceber, 
fabricar e utilizar bens e serviços. Exemplo: uma receita de família não documentada, 
conhecimentos que não são materializados ou documentados, etc... 
 Quanto à disponibilidade a tecnologia pode ser imediata e não-imediata, como pode 
ser visualizado na Tabela 1 a seguir: 
 
Tabela 1 – Dimensões e disponibilidade da tecnologia 
Dimensões 
Disponibilidade 
Imediata Não Imediata 
Materializada Uso imediato Adaptabilidade 
Documentada 
Manuais, livros, revistas, 
publicações da especialidade 
Protegida por patentes e direitos 
intelectuais 
Imaterial 
Acesso/recurso a pessoas e 
equipes com experiência no 
domínio em causa 
Implícita ou Tácita, requer esforço de 
formação ou assimilação 
 
 
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8 
 
Apesar de diferentes, as definições de ciência e tecnologia estão interligadas. A ciência 
está relacionada à aquisição de conhecimento por meio de um processo sistematizado, que 
pode ser repetido e verificado. Assim, para desenvolver ciência, é necessário o trabalho 
exaustivo, baseado num método rigoroso, além de compreender melhor um determinado 
fenômeno. Em contrapartida, a tecnologia é a aplicação da ciência em algum produto, serviço 
ou processo. Assim, os dois conceitos trabalham juntos nesse processo. 
 
2.2 INOVAÇÃO 
Inovação pode ser conceituada como um conjunto de evoluções que alteram os 
métodos de produção, criando novas formas de organização do trabalho, produção de novas 
mercadorias, novos usos, formas de consumo e novos mercados. 
Segundo OCDE (2005, p. 55), “Inovação é a implementação de um produto (bem ou 
serviço) novo ou significativamente melhorado, ou um processo, ou um novo método de 
marketing, ou um novo método organizacional nas práticas de negócios, na organização do 
local de trabalho ou nas relações externas”. 
 A inovação pode ser definida, também, por diferentes perspectivas. Podemos analisá-
la como um processo, desde a geração da ideia até o seu lançamento no mercado, ou, ainda, 
como a gestão de todas as atividades relacionadas ao processo de inovação. Em conformidade 
com essa visão, constituem inovações: 
• A introdução de um novo bem com o qual os consumidores ainda não estão 
acostumados ou de uma nova qualidade de um bem. 
• Introdução de novo processo de produção, ainda não testado pela experiência no 
ramo da indústria, que não precisa ser baseado em descoberta científica nova, 
podendo constituir também em um novo processo de comercializar uma mercadoria. 
• Abertura de um novo mercado em que a indústria do país não tenha ainda entrado, 
quer tenha esse mercado existido ou não. 
 
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9 
 
• Conquista ou descoberta de novas fontes de matéria prima ou de bens semifaturados 
já existentes ou criadas. 
• Estabelecimento de nova forma de organização industrial com uma formação de 
monopólio ou fragmentação de um monopólio. 
Essas inovações podem resultar de ideias e percepções sobre necessidades de clientes, 
utilização de novos materiais de baixo custo, descoberta de novos segmentos de mercado. 
Podem também resultar, mas não necessariamente, de criações originadas de pesquisa e 
desenvolvimento. 
 
 
Você sabe dizer qual é a base do processo de inovação? Ele 
sempre parte de um novo conhecimento e de uma nova ideia, 
que são desenvolvidos e implantados com sucesso no mercado. 
 
 
 
2.3 INVENÇÃO 
Invenção é uma nova ideia, a criação de um novo produto ou processo, que não tem a 
pretensão de ser aceito no mercado. Criada sem demanda de mercado, a invenção surge de 
um processo criativo, sem objetivo comercial definido. 
 A partir do momento em que adquire potencial para ser explorada no mercado e 
comercializada, torna-se inovação. 
Para se alcançar a inovação, a ideia de um produto ou processo inventado deve estar 
disponível no mercado e ser utilizado, aceite por ele! Ou seja, que as pessoas comprem os 
produtos desenvolvidos. 
A principal diferença entre inovação e invenção pode ser visualizada na Figura 1 a 
seguir: 
 
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10 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 1 – Diferença entre invenção e inovação 
 
2.4 INOVAÇÃO TECNOLÓGICA 
É a transformação de uma ideia em um produto vendável, novo ou melhorado, deve-
se criar alterações úteis ao potencial econômico e social da empresa. É realizado por meio da 
aplicação de novos conhecimentos tecnológicos, que resulta em novos produtos, processos 
ou serviços, ou melhoria significativa de alguns dos seus atributos. 
Ou seja, é um tipo de inovação que utiliza a tecnologia para aumentar a e ciência de 
um processo produtivo ou, então, para possibilitar ou aprimorar o desenvolvimentode um 
produto. É a inovação e a tecnologia trabalhando juntas para melhorar procedimentos e 
produtos disponíveis na sua rotina! E isto é tão importante que atualmente a sigla P&D incluiu 
a letra I de Inovação, ou seja, P&D + I, pois é um quesito fundamental de busca pelas Equipes 
Multidisciplinares que atuam nestas demandas. 
A inovação tecnológica envolve também conhecimentos nas áreas de marketing e na 
área de gestão das organizações, devido ao elevado ritmo de inovação que alteram os 
procedimentos internos de gestão. 
INVENÇÃO X INOVAÇÃO 
Ideia, esboço ou um modelo 
para um dispositivo, 
produto, processo ou 
sistema novo ou 
aperfeiçoado 
Produto, serviço ou processo 
que pode ser 
comercializado, tem um 
mercado potencial e é 
obtida ou provém de 
trabalhos de P&D 
 
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11 
 
No cenário atual de competitividade e globalização de mercados, a inovação 
tecnológica é o fator de sobrevivência das organizações! 
 
 
Deseja aprofundar seu conhecimento sobre inovação 
tecnológica? Confira vários exemplos de inovações tecnológicas 
nos mais diversos campos do conhecimento. 
Acesse: . 
 
3. INOVAÇÃO E COMPETITIVIDADE 
A competitividade pela conquista de mercados requer a utilização de novas 
tecnologias para aumentar a produtividade, melhorar a qualidade dos produtos e serviços e 
reduzir custos. Inovação é o resultado da aplicação eficaz de uma ou de diversas tecnologias 
no desenvolvimento de novos produtos ou na melhoria dos processos de produção. 
A produção de inovações exige conhecimento, criatividade, persistência e 
proatividade, entre outros atributos. E isso depende muito do empresário que tem o perfil do 
empreendedor. 
As pequenas empresas, desde a Segunda Grande Guerra são responsáveis por 50% de 
todas as inovações e por 95% de todas as inovações radicais. 
A inovação é classificada como incremental quando está associada a uma melhoria, e 
como radical, quando ocorre uma mudança significativa no conceito. 
 
3.1 INOVAÇÃO RADICAL 
Inovações radicais ou revolucionárias transformam as formas de relacionamento entre 
consumidores e fornecedores, reestruturam aspectos da economia nos mercados, 
 
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12 
 
desestabilizam produtos existentes e originam categorias de bens cujos atributos são 
completamente novos. 
Trata-se de um produto ou processo que apresente desempenho sem precedentes ou 
com características conhecidas que melhorem significativamente o desempenho ou o custo 
transformando os mercados existentes ou criando novos mercados. Esta categoria de 
inovação frequentemente é concebida a partir de novas ideias que redundam em projetos 
bem estruturados de P&D+I, executados com o concurso de empresas diversas em parceria e 
recursos suficientes. 
No caso da inovação radical analisam-se as vantagens de substituir uma determinada 
tecnologia por uma nova tecnologia e explorar as suas possíveis utilizações, criando produtos 
e mercados para esses produtos acionando-se, deste modo, o mecanismo gerador da 
inovação. 
Como exemplos de inovações radicais podemos ter a tomografia computadorizada, as 
imagens de ressonância magnética, computadores pessoais e os telefones celulares. 
 
3.2 INOVAÇÃO INCREMENTAL 
As inovações incrementais são geralmente oriundas de necessidades do mercado, 
determinadas por demanda dos consumidores que, avaliada a sua viabilidade, pode provocar 
a inovação que permita satisfazer essa demanda. Resumidamente, de um produto existente 
para o subsequente a tecnologia é modificada para satisfazer as necessidades ou eliminar um 
defeito do produto anterior. 
 Um fabricante de celulares implementa uma inovação incremental a partir do 
lançamento de novos aparelhos com design mais moderno e novas funções. 
Na inovação incremental, o tempo de desenvolvimento é menor, o prazo de 
implantação é pequeno e o risco é menor. Já a inovação radical está associada a uma mudança 
de conceito e resulta em um novo processo. É uma mudança única e o tempo de 
desenvolvimento e de implantação é longo. Nesse caso, o risco é maior. 
 
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13 
 
4. TIPOS DE INOVAÇÃO 
A inovação é a introdução de algo novo em qualquer atividade humana. É vetor de 
desenvolvimento humano e melhoria da qualidade de vida. Em uma empresa, inovar significa 
introduzir algo novo ou modificar substancialmente algo existente. Segundo o Manual de 
Oslo, há quatro tipos de inovação: de produto (bens ou serviços), de processo, organizacionais 
e de marketing (OCDE, 2005, p. 23). 
Os tipos de inovação, de produto e de processos, são chamados de Inovações 
Tecnológicas, porque seus métodos e recursos estão fundamentados na utilização da 
tecnologia. E os tipos de inovação organizacionais e de marketing são realizados pela empresa 
com base em sua vivência no mercado. 
 
4.1 PRODUTO 
É a introdução de um novo bem ou serviço no mercado. A mudança substancial de um 
bem ou serviço já existente também é considerada Inovação de Produto. Para que um bem 
ou um serviço seja reconhecido como inovador, é necessário que o mercado o acolha e passe 
a utilizá-lo. Portanto, é o volume de compras pelo mercado que define se um produto é 
inovador ou não. O simples lançamento de um produto novo, mesmo que tenha patente 
concedida, não significa que a empresa inovou. Fazer coisas novas, de antigas maneiras! 
 
As inovações de produto excluem: 
• Mudanças ou melhoramentos menores; 
• Atualizações de rotina; 
• Mudanças sazonais regulares (como nas linhas de vestuário); 
• Personalização para apenas um cliente que não inclua atributos 
fundamentalmente diferentes se comparados a produtos feitos para outros 
clientes; 
 
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14 
 
• Mudanças no desenho que não alteram a função, o uso previsto ou as 
características técnicas do bem ou serviço; 
• A simples revenda de novos bens e serviços adquiridos de outras empresas. 
 
Alguns exemplos de inovação de produto: 
 
a) Bens 
• A substituição de insumos por materiais com características melhoradas (tecidos 
respiráveis, ligas leves, mas resistentes, plásticos não agressivos ao meio 
ambiente etc.); 
• Sistemas de posicionamento global (GPS) em equipamentos de transporte; 
• Câmeras em telefones celulares; 
• Sistemas de fecho em vestuário; 
• Aparelhos domésticos que incorporam softwares que melhoram a facilidade ou 
a conveniência de uso, como torradeiras que desligam automaticamente quando 
o pão está torrado; 
• Softwares anti-fraude que perfilam e rastreiam as transações financeiras 
individuais; 
• Redes sem fio embutidas em laptops; 
• Produtos alimentícios com novas características funcionais (margarinas que 
reduzem os níveis de colesterol no sangue, iogurtes produzidos com novos tipos 
de culturas, etc.); 
• Produtos com consumo de energia significativamente reduzido (refrigeradores 
com o uso eficiente de energia etc.); 
• Mudanças significativas em produtos para atender padrões ambientais; 
• Aquecedores programáveis e termostatos; 
• Telefones IP (protocolo de Internet); 
• Novos medicamentos com efeitos significativamente melhorados. 
 
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15 
 
No processo de inovação de um produto, é fundamental considerar algumas 
estratégias que visam uma melhor gestão sustentável em meio ambiente, como: (i) 
minimizar os recursos utilizados na fase de produção, fazendo gestão de energia, 
insumos e matérias primas envolvidas; (ii) projetar com recursos de baixo impacto 
ambiental; (iii) otimizar e estender a vida dos produtos, pensando em estratégias que 
possibilitem a reciclagem e (iv) facilitar a desmontagem (Manzini e Vezolli, 2011). 
Assim, neste contexto, o ideal é sempre buscar o uso de materiais provenientes 
de fontes renováveis – como por exemplo fibras vegetais em substituição às fibras 
sintéticas, ou que provenhamde sobras de processos produtivos ou que já tenham sido 
eliminados, bem como que possam ser biodegradáveis e que não contenham materiais 
tóxicos ou danosos ao produto, seres vivos e meio ambiente. 
Assim, na prevenção da geração de possíveis resíduos que possam gerar passíveis 
ambientais, pode-se dar prioridade à eliminação ou redução na origem e ao reuso. 
Algumas ações possíveis são: Mudança de tecnologia no processo de produção; nos 
equipamentos; lay-out; uso de controles e automação; Mudanças no produto, em sua 
composição, design, durabilidade e princípios de reciclagem; Mudança nas matérias 
primas, como a substituição de tradicionais por materiais renováveis, controle de 
qualidade na compra e recebimento; controle das condições de estocagem e, por fim, 
Adoção de processos de recuperação e reuso, atrelado à constante capacitação dos 
profissionais envolvidos. 
Deve-se ter, também, como normatização reguladora a ser considerada, a 
Política Nacional dos Resíduos Sólidos (PNRS), Lei n° 12.305/2010, que dispõe sobre 
seus princípios, objetivos e instrumentos, bem como sobre as diretrizes relativas à 
gestão integrada e ao gerenciamento de resíduos sólidos, incluídos os perigosos, às 
responsabilidades dos geradores e do poder público e aos instrumentos econômicos 
aplicáveis. 
Neste documento, resíduo sólido é toda substância, objeto ou bem descartado 
resultante de atividades humanas em sociedade, nos estados sólido ou semissólido, 
 
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16 
 
bem como gases contidos em recipientes e líquidos cujas particularidades tornem 
inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou em corpos d’água, ou exijam 
para isso soluções técnica ou economicamente inviáveis em face da melhor tecnologia 
disponível. Já os rejeitos são resíduos sólidos que, depois de esgotadas todas as 
possibilidades de tratamento e recuperação por processos tecnológicos disponíveis e 
economicamente viáveis, não apresentem outra possibilidade que não a disposição final 
ambientalmente adequada. 
Também, no processo inovativo de um produto, muito se discute sobre o design 
de obsolescência, que é o desenvolvimento pensado para ser tem produto de vida curta. 
Por exemplo: quando você vai consertar determinado produto e a peça de reposição 
tem custo próximo ao valor total do mesmo produto, este pode ser considerado um 
produto com obsolescência programada. Porém, o produto ser “planejado” para parar 
de funcionar ou se tornar obsoleto em um curto período é uma prática industrial que 
deve ser combatida (IDEC, 2012), pois também pode aumentar o passivo ambiental no 
tocante a uma incorreta destinação. 
 
 
b) Serviços 
• Novos serviços que melhoram muito o acesso dos consumidores a bens ou 
serviços, como o serviço de entrega e retirada em casa para aluguel de 
automóveis; 
• Serviço de assinatura Netflix; 
• Serviço de Airbnb; 
• Serviços de Internet de vibra ótica; 
• Serviços de Internet como bancos ou sistemas de pagamentos de contas; 
• Novas formas de garantia, como a garantia estendida para bens novos ou usados, 
ou garantias em pacotes com outros serviços, como cartões de crédito, contas 
bancárias ou cartões de fidelidade para os consumidores; 
 
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17 
 
• Novos tipos de empréstimos, por exemplo, empréstimos a taxas variáveis com 
um teto fixo para o valor da taxa; 
• Criação de sites na Internet, onde novos serviços como a oferta gratuita de 
informações sobre produtos e várias funções de suporte ao cliente; 
• A introdução de cartões inteligentes e de cartões plásticos de várias funções; 
• Novos serviços de pagamento como Pix e picpay; 
• Um novo escritório bancário de auto-atendimento; 
• A oferta aos clientes de um novo "sistema de controle de fornecimento" que 
possibilite aos clientes checar se as entregas dos contratantes atendem às 
especificações. 
 
4.2 PROCESSOS 
É a introdução de um novo método de produção ou de distribuição, ou 
significativamente melhorados. A inovação de processos pode viabilizar a fabricação e 
distribuição de produtos novos, a redução de custos de produção e logística e melhoria na 
qualidade de produtos já existentes. Fazer coisas antigas, de novas maneiras! 
Um exemplo de inovação de processo pode ser observado na Figura 2, que retrata uma 
linha de montagem da indústria automobilística. 
 
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18 
 
 
Figura 2 – Exemplo de inovação de processo. 
Fonte: A evolução histórica das linhas de montagens de veículos. Disponível em: 
https://brasilmecanico.com.br/2019/08/evolucao-historica-das-linhas-de-montagens/ (2021). 
Ex: A Pringles - Não sendo verdadeiramente batatas fritas, este produto desenvolvido 
pela Procter & Gamble, é reconhecido pelo consumidor como tal. A sua tecnologia de 
produção é completamente distinta da utilizada na fabricação das batatas fritas ditas clássicas. 
As inovações de processo excluem: 
• Mudanças ou melhoramentos menores; 
• Um aumento nas capacitações dos produtos ou serviços por meio da adição de 
sistemas de fabricação ou de logística muito similares àqueles já em uso. 
 
Alguns exemplos de inovação do processo: 
 
 
http://www.pringles.com/index.html
 
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19 
 
a) Produção 
• Instalação de uma tecnologia de fabricação nova ou melhorada, como os 
equipamentos de automação ou sensores em tempo real capazes de ajustar 
processos; 
• Novos equipamentos exigidos para produtos novos ou melhorados; 
• Instrumentos de corte a laser; 
• Embalagem automatizada; 
• Desenvolvimento de produto auxiliado por computador; 
• Digitalização de processos de impressão; 
• Equipamentos computadorizados para o controle da qualidade da produção; 
• Equipamentos de testes melhorados para o monitoramento da produção. 
• Uso da Inteligência Artificial. 
 
b) Entrega e operações 
 
• Scanners/Computadores portáteis para registrar bens e estoques; 
• Introdução de códigos de barras ou de chips de identificação por freqüência de 
rádio passiva (RFID) para rastrear materiais ao longo da cadeia de fornecimento; 
• Sistemas de rastreamento GPS para equipamentos de transporte; 
• Introdução de softwares para identificar rotas de distribuição ótimas; 
• Softwares ou rotinas novos ou melhorados para sistemas de compra, 
contabilidade ou manutenção; 
• Introdução de sistemas eletrônicos de liquidação; 
• Introdução de um sistema automatizado de resposta por voz; 
 
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20 
 
• Introdução de um sistema eletrônico de fornecimento de tickets; 
• Novas ferramentas de softwares desenhadas para melhorar os fluxos de oferta; 
• Redes de computadores novas ou significativamente melhoradas. 
 
4.3 MARKETING 
 
É a implementação de um novo método de marketing na empresa. Este novo plano 
mercadológico deve alterar significativamente a concepção do produto, identidade visual 
(embalagem etc.) e forma de comercialização (promoção, precificação etc.). Essas mudanças 
têm o objetivo de abrir novos mercados, melhorar o atendimento dos consumidores e 
aumentar as vendas de produtos novos ou já existentes, lembrando que cerca de 90% dos 
produtos existentes no país dependem exclusivamente da embalagem como instrumento de 
venda. O novo método mercadológico pode ter sido elaborado na empresa ou adquirido ou 
copiado de outros empreendimentos. 
As inovações de marketing excluem: 
• Mudanças na concepção ou na embalagem do produto, no posicionamento do 
produto, na promoção do produto ou na formação de preços baseadas em 
métodos de mercado previamente utilizados pela empresa; 
• Mudanças sazonais, regulares ou de rotina nos instrumentos e marketing; 
• O uso de métodos de marketing já aplicados, para atingir um novo mercado 
geográfico ou um novo segmento de mercado (por exemplo, grupos de clientes 
sócio-demográficos). 
 
Alguns exemplos de inovação de marketing:PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 
 
 
21 
 
a) Concepção e embalagem 
• Implementação de uma mudança significativa na concepção de uma linha de 
móveis para dar-lhe nova aparência e ampliar seu apelo; 
• Implementação de uma concepção fundamentalmente nova para frascos de 
loção para o corpo visando dar ao produto uma aparência exclusiva. 
 
b) Posicionamento (canais de vendas) 
• Introdução pela primeira vez de licenciamento de produtos; 
• Introdução pela primeira vez de vendas diretas ou de varejo exclusivo; 
• Implementação de um novo conceito para a apresentação de produtos como os 
salões de vendas para móveis desenhados de acordo com temas, permitindo aos 
consumidores visualizar os produtos em salas totalmente decoradas; 
• Implementação de um sistema de informação personalizado, obtido, por exemplo, 
a partir de cartões de fidelidade, para adequar a apresentação de produtos às 
necessidades específicas dos consumidores individuais. 
 
c) Formação de preços 
• Introdução de um novo método que possibilite aos consumidores escolher as 
especificações do produto desejado no site da empresa e então ver o preço para 
o produto especificado; 
• O uso pela primeira vez de um método para variar o preço de um bem ou serviço 
segundo sua demanda; 
• O uso pela primeira vez de ofertas especiais reservadas, acessíveis apenas aos 
possuidores de cartão de crédito da loja ou cartão de recompensas. 
 
 
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22 
 
d) Promoção 
• O uso pela primeira vez de marcas registradas; 
• O uso pela primeira vez de posicionamento de produto em filmes ou em 
programas de televisão; 
• Introdução de um símbolo de marca fundamentalmente novo visando posicionar 
o produto da empresa em um novo mercado; 
• O uso pela primeira vez do lançamento de um produto por meio de líderes de 
opinião, celebridades ou grupos particulares que estejam na moda ou que 
estabeleçam tendências de produtos. 
Uma questão importante, envolvendo comunicação, marketing e embalagens, é a 
maquiagem verde ou “greenwashing”, que são irregularidades na rotulagem ambiental de 
produtos disponíveis para compra. Como exemplos pode-se citar: uso indevido de selos 
próprios, sem o respaldo de certificadoras credenciadas; o emprego de adjetivos, como a 
palavra “ecológico”, sem informações adicionais que justifiquem isso; destaques para 
características do produto como se fossem exclusivas, mas que são comuns a todos os 
concorrentes. 
Ações de maquiagem verde podem ser alvo de processos éticos instaurados pelo 
Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária – CONAR, como o realizado em 
parceria com a PROTESTE e que identificou cerca de 12 produtos com irregularidades em suas 
rotulagens ambientais (PROTESTE, 2016). 
 
4.4 ORGANIZACIONAL 
É a implementação de métodos organizacionais não utilizados anteriormente pela 
empresa a fim de reduzir custos administrativos e de suprimentos. A Inovação Organizacional 
é de caráter administrativo, de gestão de pessoas e de gestão da organização. 
 
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23 
 
Na prática, significa a implantação de: novas rotinas e procedimentos; sistemas de 
produção enxutos; gestão da qualidade; centralização/descentralização de atividades; 
integração de diferentes negócios etc. A Inovação Organizacional também pode ocorrer nas 
relações externas da empresa, por exemplo, o estabelecimento de parcerias com entidades 
do mesmo setor, fornecedores e clientes, universidades e institutos de pesquisas. 
As inovações organizacionais excluem: 
• Mudanças nas práticas de negócios, na organização do local de trabalho ou nas 
relações externas baseadas em métodos organizacionais já em uso na empresa; 
• Mudanças na estratégia de gerenciamento da empresa, a menos que estejam 
acompanhadas pela introdução de um novo método organizacional; 
• Fusões e aquisições de outras empresas. 
 
Alguns exemplos de inovação organizacional: 
 
a) Práticas de negócios 
• Estabelecimento de uma nova base de dados das melhores práticas, lições e 
outros conhecimentos mais facilmente acessíveis a outros; 
• Introdução pela primeira vez de um sistema de monitoramento integrado para 
as atividades da empresa (produção, financiamento, estratégia, marketing); 
• Introdução pela primeira vez de sistemas de gerenciamento para a produção 
geral ou para operações de fornecimento, como gerenciamento da cadeia de 
fornecimento, reengenharia de negócios, produção enxuta, sistema de 
gerenciamento de qualidade; 
• Introdução pela primeira vez de programas de treinamento para criar equipes 
eficientes e funcionais que integram funcionários de diferentes setores ou áreas 
de responsabilidade. 
 
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24 
 
 
b) Organização do local de trabalho 
• Implementação pela primeira vez da responsabilidade de trabalho 
descentralizada para os trabalhadores da empresa, como conceder muito mais 
controle e responsabilidade sobre os processos de trabalho para o pessoal de 
produção, distribuição e vendas; 
• Estabelecimento pela primeira vez de equipes de trabalho formais e informais 
para melhorar a acessibilidade e o compartilhamento de conhecimentos de 
diferentes departamentos, como marketing, pesquisa e produção; 
• Implementação pela primeira vez de um sistema anônimo de relato de incidentes 
para encorajar a comunicação de erros ou riscos visando identificar suas causas 
e reduzir sua freqüência. 
 
c) Relações externas 
• Introdução pela primeira vez de padrões de controle de qualidade para 
fornecedores e subcontratados; 
• Uso pela primeira vez do fornecimento externo (outsourcing) de pesquisa e de 
produção; 
• Ingresso pela primeira vez na colaboração de pesquisas com universidades ou 
outras organizações de pesquisa. 
 
Os quatro tipos de inovação têm pontos em comum: 
 
 
 
 
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25 
 
a) Novidade 
No caso das Inovações Tecnológicas, é preciso um produto ou processo novo, ou pelo 
menos substancialmente modificados se existente anteriormente. Já nas Inovações de 
Marketing e Organizacionais, a empresa deve utilizar métodos novos. 
 
b) Ganho 
Qualquer tipo de inovação deve forçosamente trazer ganhos para a empresa, como 
aumento de vendas, rentabilidade, redução de custos, aumento do portfólio de produtos, 
diversificação de mercado e mais competitividade. Atenção, se foram implementados 
métodos novos na comercialização de produtos ou na descentralização do poder decisório da 
empresa, mas não houveram ganhos, não ocorreu inovação. Se o produto lançado não 
emplacou no mercado, também não ocorreu inovação. 
 
c) Inovação para o mercado ou para a empresa 
É possível inovar para o mercado e/ou para a empresa. O produto é novo para o 
mercado quando é uma absoluta novidade, ou seja, o primeiro para os consumidores. Ex.: o 
primeiro aparelho celular. Se alguns anos depois desta inovação, uma empresa que fazia 
aparelhos de radiotelecomunicação decidiu produzir aparelhos celulares, ela estará lançando 
produto novo para a empresa. 
Portanto, a inovação na empresa só é reconhecida quando há ganho (resultados 
econômicos) obtido por meio da implementação novos produtos ou processos ou práticas de 
marketing ou organizacionais. 
Além dos quatro tipos de inovação analisados, é possível também inovar no modelo 
de negócio. Esse tipo de inovação está relacionado à maneira como se extrai valor de um 
determinado negócio. 
 
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26 
 
Para entender melhor esse conceito, vamos analisar o Google. Seu principal serviço, 
totalmente gratuito, é um portal de buscas na Internet. Mas, então, como o Google ganha 
dinheiro? Sua forma de extrair valor é pela publicidade. Isso é o que chamamos de inovação 
no modelo de negócios! 
 
- Artigo: Havaianas - sucesso da utilização do marketing público e 
privado (administradores.com.br) Disponível em: 
https://administradores.com.br/artigos/havaianas-sucesso-da-utilizacao-do-marketing-publico-e-privado 
 
 
 
5. PROCESSO OU FASES DA INOVAÇÃO 
 Embora a inovação possa ter origem em uma ideia, ou em um evento fortuito, ela não 
pode ser dependente do acaso ou fruto apenas da sorte. Esperar por inspiração não é um bom 
método. Antecedendo uma boa ideia, normalmente há horas de esforços que produzem 
insight até chegar à conexão final. Uma empresa não deve depender apenas de uma ideia 
iluminada inusitada e ocasional para desenvolver sua capacidade competitiva. Mais que isso, 
uma ideia, se não for gerenciada, perde-se no tempo e é atropelada pela rotina. 
 A inovação, portanto, não é uma atividade eventual, é um processo a ser gerenciado, 
desde a ideia inicial até a implementação. Um processo de inovação inicia-se pela geração de 
novas ideias (idealização), segue com o refinamento do conceito da ideia proposta 
(conceituação), passa pela redução das incertezas (experimentação) e chega à concreta 
transformação dos mesmos em inovações (implementação). A figura 3 mostra de forma 
esquemática o processo de inovação. 
 
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27 
 
 
Figura 3 – Processo de Inovação 
 
A inovação não pode ser tratada, em uma organização, como uma iniciativa isolada, 
pois seus resultados não seriam sustentáveis ao longo do tempo. O que se espera é que a 
inovação seja permanente e, para isso, deve ser tratada como um processo. 
 
5.1 IDEALIZAÇÃO 
 A primeira etapa do processo de inovação é a idealização. Como o próprio nome 
sugere, é quando as ideias são geradas. Essa inovação consiste na captação de ideias advindas 
tanto do interior como do exterior da empresa. Como as ideias são a matéria-prima para a 
inovação, deve-se estimular a constante alimentação de novas ideias. A idealização está 
associada à junção da criatividade com a informação e conhecimento. Nessa primeira etapa, 
a quantidade de ideias é mais importante do que a qualidade, uma vez que a etapa seguinte 
irá permitir o aprimoramento das mesmas e também a seleção das mais promissoras. 
Informações coletadas externamente à empresa mais o conhecimento internalizado 
combinados de forma criativa constituem, portanto, a fórmula para a geração de novas ideias. 
Para que essa etapa seja efetiva, alguns fatores são importantes, por exemplo, as 
pessoas que participam dessa etapa precisam ter um bom conhecimento tanto sobre as 
 
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28 
 
tecnologias relacionadas ao produto ou processo, quanto sobre o mercado. Além disso, é 
fundamental que a criatividade seja estimulada. 
As fontes externas de ideias podem ser consumidores, fornecedores, concorrentes, 
especialistas, institutos de pesquisa e universidades e, também, patentes, publicações 
especializadas, relatórios de tendências, páginas da web, feiras e exposições, etc. 
A geração de ideias internas pode ser um processo espontâneo ou induzido. Na 
geração espontânea, colocam-se à disposição dos colaboradores caixas de sugestões ou 
sistemas virtuais de coleta. Na medida em que há um insight, ou que surge uma nova ideia, 
ela é canalizada para a análise. As caixas se sugestões apresentaram por muitos anos o 
instrumento mais utilizado para coletar ideias dos colaboradores. Mostram-se excelentes 
especialmente quando utilizadas para a implementação de melhorias, mas apresentam sérias 
limitações quando se buscam realmente ideias inovadoras. 
A indução de ideias é feita periodicamente por meio de técnicas específicas, que 
podem e devem ser utilizadas para fomentar a criatividade. Antes de as ideias avançarem 
rumo à fase de Conceituação, é preciso que haja uma avaliação das iniciativas propostas, 
separando-as de acordo com a sua complexidade e nível de clareza. 
 
5.2 CONCEITUAÇÃO 
 A conceituação é o processo de transformar a ideia em um conceito. Participam dessa 
etapa o criador da ideia e qualquer outra pessoa que posa contribuir para o desenvolvimento 
do conceito. A chamada polinização cruzada na qual se faz uma ideia percorrer diferentes 
departamentos ou filiais da empresa, ajuda no preenchimento de lacunas nos conceitos. 
 Essa etapa consiste em avaliar de maneira qualitativa a ideia, de maneira a definir 
questões vinculadas a quatro aspectos básicos: mercado, tecnologia, fator humano e 
alinhamento com o negócio. 
 
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29 
 
 Em relação ao mercado, são levados em consideração critérios relativos a tendências 
dos usuários, ao tamanho e crescimento do mercado potencial, ao desenvolvimento do 
conceito e à vantagem competitiva que se espera em relação aos concorrentes existentes. 
 Nesse momento é importante criar personas para a sua ideia. Persona é uma 
representação fictícia do seu cliente ideal de um negócio. É baseado em dados e 
características de clientes reais, como comportamento, dados demográficos, problemas, 
desafios e objetivos. Uma boa definição de persona passa justamente pelo contato com o seu 
público-alvo. Assim, em uma rápida análise, você pode identificar características comuns 
entre os potenciais compradores. 
 Resumindo, na conceituação, ocorre o refinamento de uma ideia: avalia-se seu 
potencial de aceitação no mercado, assim como se os recursos necessários para seu 
desenvolvimento estão disponíveis. 
 
 
 
5.3 EXPERIMENTAÇÃO 
A experimentação consiste em testar na prática o conceito. Um exemplo é o 
desenvolvimento de um protótipo, seguido dos primeiros testes de qualidade. É também 
nessa etapa que se analisa a aceitação do produto no mercado. O objetivo, durante a 
experimentação, é tornar o produto pronto para ser implementado. 
 Para auxiliar a estruturação de um projeto de experimentação, sugere-se os seguintes 
passos ilustrados na figura 4: 
 
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Figura 4 – Processo de experimentação (Adaptado de Scherer e Carlomagno, 2009) 
 
5.3.1 Defina a ideia a ser experimentada 
 
 Nem todas as ideias e conceitos inovadores exigem experimentação. Quanto maior o 
nível de incerteza, maior a necessidade de ter esse feedback antes de implementar em larga 
escala. Assim, o primeiro passo é selecionar a ideia. 
 
5.3.2 Defina as incertezas 
 A inteligência numa estruturação de experimentação reside na adequada definição das 
incertezas. Depois de definidas as principais incertezas, é preciso selecionar quais podem ter 
maior impacto futuro e por isso devem ser testadas. 
 
5.3.3 Estruture o piloto e a amostra 
 
 Ao invés de testar a ideia com todos os clientes, ou em todos os pontos de venda ou 
em todas as unidades da empresa, deve-se definir qual será a amplitude do experimento. Um 
Definição da 
idéia a ser 
experimentada
Definição de 
incertezas
Estruturação 
do 
experimento
Execução do 
piloto
Avaliação dos 
resultados
 
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31 
 
piloto também precisa ter uma data para começar e uma data para terminar. Além disso, deve 
haver um roteiro definido para avaliar as incertezas selecionadas. 
 
5.3.4 Execute o piloto 
 
 A execução do piloto deve ser feita mantendo as premissas e focando as incertezas 
selecionadas. Surgindo novas questões, a empresa pode avaliar se inclui no projeto em 
andamento ou se é necessária outra experiência. 
 
5.3.5 Avalie resultados 
 
 Ao final do experimento é possível discernir quais mudanças precisam ser realizadas 
para ampliar as chances de êxito da inovação. É o momento avaliar cada uma das incertezas 
selecionadas para o teste. Sanadas as incertezas, é hora de implementar. 
 
 
 
5.4 IMPLEMENTAÇÃO 
 
 Evidentemente, é do interesse da empresa que os projetos atinjam seus objetivos 
finais, ou seja, transformem-se realmente em inovações no mercado. Nessa etapa, o projeto 
de inovação é submetido ao teste de mercado para que seja validado pelos consumidores-
alvo. 
 
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32 
 
 O planejamento da implementação da inovação consiste naidentificação e alocação 
dos recursos que serão utilizados para o desenvolvimento desta. Determina-se também que 
outros recursos serão necessários. 
 
5.5 FLUXOGRAMA DO PROCESSO DE INOVAÇÃO 
 
Para facilitar o entendimento do processo de inovação, é apresentado, na Figura 5, um 
exemplo de fluxograma, que representa possíveis etapas do processo de inovação, em um 
nível mais operacional. 
 
Figura 5 – Fluxograma do processo de inovação. 
 
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33 
 
 
Como podemos verificar, o processo de inovação inicia com a geração de ideias. Em 
seguida, elas são documentadas e avaliadas, então, é dado um retorno ao autor se a ideia será 
ou não aproveitada. Caso não seja aprovada, ela é armazenada no banco de ideias. Se for 
aprovada, segue o fluxo e é feito o desenvolvimento do conceito. Caso o conceito não seja 
aprovado, segue para o banco de ideias; caso seja, inicia-se o desenvolvimento do produto 
até seu lançamento. Uma vez que esteja no mercado, os indicadores do projeto são avaliados. 
Se as metas não foram atingidas, as causas são investigadas; se foram cumpridas, aplica-se a 
política de reconhecimento e recompensa, e o processo chega ao fim. 
 
Em qualquer processo de inovação, dar um retorno ao autor da ideia 
é muito importante, pois, assim, ele se sente valorizado, mesmo que 
a resposta seja negativa, e continua participando da geração de 
ideias. 
 
A gestão da inovação dentro de uma organização compreende todas as etapas do 
processo de inovação, desde o levantamento e a seleção das oportunidades, passando pela 
definição dos recursos necessários, até a implementação. Para facilitar essa gestão, algumas 
ferramentas podem ser utilizadas, como o funil da inovação. O funil de inovação é uma 
ferramenta de gestão que permite reunir ideias inovadoras e auxiliar a gestão empresarial a 
definir se a aplicação prática das ideias é viáveis ou não. 
Existem diferentes formas de representar o funil de inovação, todas com o objetivo de 
mostrar alguns indicadores de inovação, desde a geração da ideia, até o produto já lançado. 
Os indicadores podem variar de acordo com a situação. 
Entretanto, normalmente se considera a quantidade de ideias ou projetos e o 
potencial de faturamento. Para entender melhor como funciona o funil da inovação, vamos 
 
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34 
 
apresentar duas situações em que ele é usado. A Figura 6 traz o funil da inovação considerando 
o front end1. 
 
Figura 6 – Funil do front end da inovação. 
Fonte: adaptado de Freitas Filho (2013). 
 
Observa-se que foram geradas 350 ideias, das quais foram aprovadas 42 e 
desenvolvidos seis conceitos; destes, dois foram aprovados e encaminhados para o 
desenvolvimento de produtos. 
Agora, vamos analisar um exemplo de funil de inovação durante a fase de 
desenvolvimento de produto, conforme apresentado na Figura 7: 
 
 
1 O front end da inovação pode ser caracterizado pela geração e seleção de ideias, pela 
identificação de oportunidades e pelo desenvolvimento de conceitos. 
 
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35 
 
 
Figura 7 – Funil de inovação no desenvolvimento de produtos. 
 
 
Observe que é possível identificar o potencial de faturamento dos projetos de 
inovação em desenvolvimento (Projetos A, B, C e D), que, juntos, somam cinco milhões e 
novecentos mil dólares, e também dos produtos já lançados, que é de dois milhões de dólares. 
O funil da inovação no front end indica o potencial de geração de inovação. Já o funil 
no desenvolvimento indica o potencial de faturamento dos projetos que já estão em 
andamento, assim como o faturamento dos produtos já lançados. Juntas, as duas ferramentas 
possibilitam a gestão do processo como um todo, desde a geração de ideias, até o lançamento 
das inovações. 
 
6. MODELO DE INOVAÇÃO PARA GESTÃO TECNOLÓGICA 
É importante destacar que existem diferentes modelos de inovação, cada um com 
dimensões distintas para representar os processos. É por meio do modelo que a organização 
 
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36 
 
gerencia esse processo, a fim de garantir os resultados da inovação. Bessant e Tidd (2009) 
apresentam um esquema para a gestão da inovação, conforme apresentado na Figura 8: 
 
Figura 8 – Modelo de inovação. 
Fonte: adaptado de Bessant e Tidd (2009). 
 
A partir da figura 8, vemos que a primeira dimensão é constituída pela liderança e pelo 
direcionamento estratégico, que consiste no caminho a ser seguido pela organização. 
Ela está relacionada à forma com a liderança executa o plano estratégico. A segunda 
dimensão, por sua vez, consiste na organização inovadora, que está relacionada à estrutura 
organizacional e à cultura da empresa. Essa dimensão avalia se existe um ambiente favorável 
à inovação e que facilite a aprendizagem. 
 
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37 
 
Outra dimensão importante é o processo, representado no modelo pela sequência 
“gerar, selecionar e implementar”. É por meio dele que as ideias são transformadas em 
inovação. 
Por fim, os canais proativos representam todos aqueles que, de alguma forma, 
contribuem com o processo de inovação como um todo. Podem ser de dentro da empresa 
(inovação fechada) ou de fora da empresa (inovação aberta). 
Neste contexto, ferramentas de qualidade podem ser um importante aliado. Como 
exemplo, pode -se citar o ciclo PDCA (iniciais das palavras Plan, Do, Check e Action), etapas 
que podem ser norteadas por: Pensar na forma de atingir os objetivos; Planejar para atingir 
os objetivos (onde? quando?); Executar o que foi planejado; Avaliar o que foi implementado 
e Pensar numa forma de melhorar o que foi implementado. 
Outra importante ferramenta é a melhoria contínua, que em muitos casos apresenta 
fácil implantação e não necessita de grandes aportes financeiros, e ainda traz a vantagem de 
criar um clima organizacional pró ativo, trazendo os colaboradores a um maior pertencimento 
à sua atuação profissional, dando voz a todos dentro da cadeia hierárquica e alavancando 
vantagens nos diversos setores envolvidos. 
 
6.1 PRINCÍPIOS DA INOVAÇÃO FECHADA E DA INOVAÇÃO ABERTA 
A inovação fechada parte do pressuposto de que a inovação é desenvolvida totalmente 
dentro da organização. Nesse modelo, não são buscados parceiros para o processo de 
inovação, pois ele é concentrado nas áreas de pesquisa e desenvolvimento da empresa. 
Na inovação fechada, o conhecimento interno é enfatizado. Já a inovação aberta 
extrapola os limites da empresa. Buscam-se competências não encontradas internamente. 
Podem ser por meio de fornecedores, clientes, pessoas de outras empresas, ou quem estiver 
disposto a colaborar para o sucesso de um projeto de inovação. Nesse caso, dá valor às 
parcerias. 
 
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38 
 
 
6.2 MODELOS LINEARES 
Ele parte do princípio de que a inovação ocorre em etapas e de forma sequencial. 
Primeiramente, é feita uma pesquisa fundamental ou básica, para que, em seguida, seu 
resultado seja aplicado a um produto ou processo. O passo seguinte é fazer um 
desenvolvimento experimental, até que o projeto se transforme num produto. Por último, 
ocorre a comercialização. 
 
 
Figura 9 – Modelo linear de inovação. 
 
6.2.1 Modelo Science-push ou Discovery-push 
 O Science-push (Figura 10) parte do pressuposto que é a partir da ciência que a 
inovação vai ocorrer, sendo um modelo bastante interessante por parte dos cientistas, pois 
justifica maiores investimentos em pesquisa básica. 
 
Figura 10 – Representação do modelo Science-push 
 
 
 
Pesquisa básica 
orientada pela 
curiosidade
Pesquisa aplicada
Desenvolvimento 
experimental
Inovação 
tecnológica
 
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39 
 
6.2.2 Modelo Market-pull ou Demand-pull 
 
 O modelo de market-pull (Figura 11) possui como ponto de partida ao processo de 
inovação tecnológica o fator da procura pelo mercado,mais do que a disponibilidade de 
conhecimentos científicos. 
 
Figura 11 – Representação do modelo Market-pull 
Atualmente é reconhecido que o processo de inovação não pode ser representado por 
uma sequência linear de eventos a partir de um único fator. O processo ocorre de forma 
interativa, envolvendo a combinação e a sinergia de muitos fatores, como por exemplo: 
• Domínio de conhecimentos técnico-científicos específicos 
• Necessidades e atitudes sociais 
• Procura pelo mercado 
• Apoio governamental mediante definição de prioridades e aplicação de 
instrumentos de fomento apropriados 
• Capacidade de risco do poder público e do setor empresarial 
• Disponibilidade de capital para investimentos 
• Qualidade do sistema das tecnologias industriais básicas 
• Disponibilidade e qualidade dos serviços de apoio 
• Dimensão e qualidade do sistema de educação tecnológica, etc... 
 
Procura pelo 
mercado
Pesquisa aplicada
Desenvolvimento 
experimental
Inovação 
tecnológica
 
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40 
 
6.3 MODELO PARALELO 
O modelo paralelo é semelhante ao modelo linear, porém leva em consideração, como 
entradas do processo, as necessidades de mercado e as novas tecnologias. Essas entradas 
alimentam o processo em qualquer uma das etapas e caminham em paralelo. 
 
Figura 12 – Modelo de paralelo de inovação. 
Fonte: adaptado de Rothwell (1994). 
 
Nesse modelo, a inovação pode ser proveniente de uma nova tecnologia, ser 
demandada pelo mercado ou, então, pode ocorrer as duas situações simultaneamente. 
 
6.4 MODELOS INTERATIVOS 
 
 Ao menos dois desenvolvimentos intelectuais foram necessários para que emergissem 
os modelos interativos. Um deles dizia respeito ao desenvolvimento da ciência e da tecnologia 
no âmbito cultural; o outro tratava das relações entre conhecimento e tecnologia, no sentido 
de desenvolvimento de inovações. 
 
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A corrente evolucionista sobre o progresso técnico, coloca que as formas de 
relacionamento entre pesquisa e atividade econômica são múltiplas e que o processo de 
inovação é percebido como sendo interativo e multidirecional, não havendo uma etapa 
apenas - a da invenção, em que o aumento do conhecimento é aproveitado pelo sistema 
econômico. 
Price (1973) desenvolveu um modelo interativo, que desafiou o modelo linear e 
reafirmou a noção da construção do processo de acumulação ou transferência da velha para 
a nova ciência e, de modo similar, da velha para a nova tecnologia. 
Price considerou que a acumulação da ciência e da tecnologia interagiam 
historicamente, embora de modo não muito intenso, de maneira que se pode afirmar que 
existia uma simbiose entre as duas. 
A principal característica dos modelos interativos, então, é a representação de que 
todo o processo de mudança tecnológica ocorre de forma interativa entre todos os elementos 
constituintes do processo. Diferente dos modelos lineares, nos quais as etapas ocorrem 
apenas uma após a outra, sem interação nem feedback entre esses elementos. 
 
6.4.1 Octógono Da Inovação 
O octógono da inovação apresenta oito dimensões sobre a capacidade de inovar de 
uma organização. É um instrumento que pode ser utilizado para realizar o diagnóstico de 
inovação de uma organização ou para a gestão da inovação. Observe a Figura 13: 
 
 
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Figura 13 – Octógono da inovação. 
Fonte: adaptado de Scherer e Carlomagno (2009). 
 
• Estratégia: consiste na direção que a organização deve seguir para atingir os resultados da 
inovação e sua contribuição para os resultados da organização. 
• Cultura da inovação: refere-se à maneira como as pessoas se comportam, de modo a 
construir um ambiente propício à inovação. 
 
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• Liderança para inovação: diz respeito ao comprometimento dos líderes com o 
resultado da inovação, incluindo questões relativas à provisão de recursos, à motivação dos 
colaboradores, ao estabelecimento de metas e à cobrança de resultados. Além disso, a 
liderança é também responsável pelas políticas de reconhecimento e recompensa. 
• Pessoas: quem faz efetivamente a inovação acontecer são as pessoas. Sem pessoas não se 
inova. Por isso, é necessário construir times com pessoas motivadas, criativas e competentes, 
de modo a obter os melhores resultados. 
• Estrutura organizacional: pode ser um motivador ou um inibidor da inovação. Alguns fatores 
motivam a inovação, e eles variam de empresa para empresa. Sendo assim, cada organização 
deve identificar o que motiva e o que inibe seus colaboradores no processo de inovação. 
• Processo: é fundamental para que a inovação seja contínua e consistente dentro de 
uma organização. Estabelecer um processo é uma forma de buscar a sustentabilidade 
de um programa de inovação. 
• Funding: são os recursos necessários, já que, sem recursos, as empresas não conseguem 
inovar. As organizações que inovam, normalmente, disponibilizam um percentual do seu 
faturamento para investir em projeto de inovação. 
• Relacionamento: está relacionada à forma como a empresa se relaciona com todos 
os stakeholders. 
 
7. A GESTÃO DA INOVAÇÃO TECNOLÓGICA 
Para a sobrevivência e sustentabilidade das organizações, sabemos que é preciso 
vender bem os produtos ou serviços por elas propostos e gerados. Mas isso não significa que 
tal situação é a mais cômoda ou satisfatória para garanti-la por muito tempo, devemos sair 
 
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44 
 
dessa (estável) zona de conforto e buscar novas tecnologias e inovações para melhor competir 
no mercado. 
Deve-se entender que inovação (Figura 14) não é algo que ocorra apenas em países 
avançados e em indústrias de alta tecnologia, pelo contrário, já é algo que ocorre no dia a dia 
das empresas brasileiras. O processo inovativo acontece quando a empresa domina e 
implementa o design e a produção de bens e serviços que sejam novos para ela, independente 
do fato de serem novos ou não para os seus concorrentes. 
 
 
Figura 14 – Representação de inovação 
 
Para atender essa condição é preciso produzir com alta qualidade, prazo para entrega 
no tempo certo e gerar lucro para a empresa, ainda usando os recursos necessários à 
utilização das melhores tecnologias nos produtos ou nos processos de fabricação. 
O descaso com a inovação e investimento em tecnologia, pode levar à ruína tanto os 
produtos quanto a organização, isso porque enquanto uma empresa procura produzir mais 
aquilo que está dando certo, outras estão em constante desenvolvimento e pesquisas, 
superando com grande diferencial e custo de fabricação, incidindo no preço final. 
Existe uma ligação direta entre a tecnologia e a estratégia de desenvolvimento, em que 
para as organizações não basta encontrar as tecnologias do futuro, mas sim dominá-las o 
suficiente para garantir tal avanço. A participação efetiva dos colaboradores com a devida 
resposta, pelo representante da gestão, traz grande retorno para a empresa e para os 
colaboradores, que se sentem mais valorizados como profissional e a empresa com os 
resultados por essa ação. 
 
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45 
 
Motivando as parcerias estratégicas entre governos, empresas e universidades, 
multiplica-se a capacidade de investimento por meio da criação dos fundos setoriais, 
buscando modernizar a gestão do sistema, quer pela agilização das instituições de fomento, 
quer pela criação da Agência de Gestão Estratégica, quer ainda pela tentativa de abrir cada 
vez mais os procedimentos à participação efetiva da ponta do sistema, isto é, de seus usuários, 
na gestão eficiente e crítica de seu funcionamento. 
Transformar conhecimento em riqueza é o grande desafio contemporâneo para países 
em desenvolvimento, ou, na nova nomenclatura, emergentes como o Brasil. Vários são os 
indicadores que mostram, nos últimos 20 anos,mudanças positivas no país, com índices de 
desenvolvimento bastante favoráveis. A participação do país na produção do conhecimento 
científico mundial subiu de 0,6% para 1,2%, considerando-se aí apenas as publicações 
indexadas. O número de doutores que formávamos anualmente em 1980 era de 500, subindo 
para 1.500 em 1990 e para quase 6.000 em 2000. 
 
7.1 GESTÃO 
 
A gestão de todo negócio tem como propósito direcionar, organizar, e coordenar todas 
as ações dentro de uma empresa, desde a área de recursos humanos até a área de 
manutenção operacional. 
Desta forma, pela sua abrangência, essa função deixou de ser restrita aos 
administradores para ser expandida a todos com capacidade de gerenciar toda e qualquer 
função dentro da empresa, podendo ser na área humana, ambiental, social e demais áreas 
dentro da organização. 
 
 
 
 
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7.2 GESTÃO DA INOVAÇÃO TECNOLÓGICA 
De acordo com Saenz e Capote (2002), a gestão tecnológica pode ser definida como: 
“a gerência sistemática de todas as atividades no interior da empresa com relação à geração, 
aquisição, início da produção, aperfeiçoamento, assimilação e comercialização das 
tecnologias requeridas pela empresa, incluindo a cooperação e alianças com outras 
instituições; abrange também o desenho, promoção e administração de práticas e 
ferramentas para a captação e/ou produção de informação que permita a melhoria 
continuada e sistemática da qualidade e da produtividade”. 
Este conceito pode ser complementado de acordo com a ABNT NBR 14001 (2015): “a 
expectativa da sociedade em relação ao desenvolvimento sustentável, à responsabilização por 
prestar contas tem evoluído com legislações mais rigorosas, crescentes pressões sobre o maio 
ambiente, decorrentes do uso ineficiente de recursos, gerenciamento impróprio dos rejeitos 
e perda de biodiversidade”. Com isto, as organizações tem adotado uma abordagem 
sistemática na gestão ambiental, com a implementação de sistemas de gestão ambiental que 
visam contribuir com o pilar ambiental da sustentabilidade. 
Porém, gerenciamento tecnológico, mais especificamente falando, pode-se dizer que 
é a forma de administrar inovações tecnológicas dentro de qualquer empresa. Desta forma, 
Tecnologia e Inovação estão intimamente ligadas. 
Cunha (2005) coloca que gerenciar tecnologias seria todas as atividades da empresa 
relacionadas à Pesquisa e Desenvolvimento e também a aquisição de novos equipamentos, 
desenvolvimento de novos produtos e serviços. 
Investir em Pesquisa e Desenvolvimento é um dos principais indicativos de que uma 
companhia se preocupa em inovar. A intenção de inovar é convertida em esforço para 
realização desta inovação, e consequentemente em converter esta inovação em resultados, 
tanto para a geração de conhecimento como para grandes oportunidades de negócio. 
Com a aprovação pela Assembleia Legislativa do Paraná do Projeto de Lei n.º 662/2020, 
de autoria do Poder Executivo, o Estado do Paraná junta-se a outras Unidades da Federação 
 
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como Acre, Amapá, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, 
Pernambuco e São Paulo que já possuem legislação atualizada de estímulo ao 
desenvolvimento regional da pesquisa científica e tecnológica e à inovação, adaptadas ao 
Novo Marco Legal da Ciência, Tecnologia e Inovação do Governo Federal (Lei n.º 
13.243/2016), que promoveu significativas e importantes alterações na Lei n.º 10.973/2004. 
O programa Paraná Inovador, base estratégica da atual gestão à frente do Governo do 
Estado, vem alcançando seus objetivos já que, conforme índice criado pela FIEC (Federação 
das Industrias do Estado do Ceará), o Paraná ocupa o segundo lugar dentre os estados mais 
inovadores do Brasil, perdendo apenas para São Paulo. A inovação que reduz custos, aumenta 
a produtividade e proporciona novos mercados consumidores tem na sua construção estadual 
a colaboração numa parceria permanente com várias instituições e organismos, como por 
exemplo a Fundação Araucária, Superintendência Geral de Ciência, Tecnologia e Ensino 
Superior (SETI), Superintendência Geral de Inovação (SGI), Sistema Estadual de Parques 
Tecnológicos (Separtec), Universidades estaduais e federais atuantes no território 
paranaense, Instituto Tecnológico do Paraná (Tecpar) e outros entes do Sistema de CT&I 
estadual. 
Para qualquer negócio, a gestão tecnológica é essencial, pois auxilia na administração 
de todas as operações existentes dentro da empresa de forma mais eficaz, podendo reduzir 
riscos comerciais aumentando sua flexibilidade e capacidade de resposta frente às frequentes 
mudanças do mercado. 
O fato de a gestão tecnológica estar diretamente ligada à produção diária de toda 
empresa faz com que muitas vezes não se observe nitidamente a importância desta no 
processo de inovação dentro da empresa. Sendo que, é por meio do gerenciamento da 
tecnologia no processo produtivo e que se pode observar os desvios, involuntários ou 
provocados por meio de práticas diárias que conduzem ao processo de inovação na empresa. 
Observa-se, desta forma, que gerenciar inovações tecnológicas não é tarefa fácil e 
muitas empresas, se não todas, se deparam com esta dificuldade no decorrer de sua jornada. 
 
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Para auxiliar e tornar mais padronizado o processo de inovação tecnológica, foram 
estabelecidos modelos e ferramentas que permitem uma melhor organização, compreensão, 
orientação, fomento e medição. A utilização dessas ferramentas de gestão de tecnologia 
juntamente com sistemas de inteligência competitiva é o diferencial para a competitividade 
tanto das grandes como das Pequenas e Médias Empresas (PMEs). 
 
 
7.3 PRÁTICAS/FERRAMENTAS PARA A GESTÃO DA INOVAÇÃO TECNOLÓGICA 
 
De acordo com o Temaguide2, a gestão da tecnologia pode ser organizada de modo 
sistemático antecipando-se a futuros requisitos, ou de modo flexível respondendo às 
necessidades urgentes ou novas necessidades que vão surgindo. 
Para suprir as necessidades da gestão tecnológica, as ferramentas (práticas) de modo 
prático auxiliam: 
• no gerenciamento de projetos; 
• na preparação antecipada de um novo projeto; 
• na preparação do lançamento do produto no mercado; 
• no aumento do rendimento da empresa; 
• outros. 
A palavra “ferramenta” é utilizada por ser um termo simples e também por ser uma 
expressão que indica um benefício prático direto, além de indicar que o usuário da ferramenta 
controla como deve ser aplicado e como se utiliza. 
 
2 é um compêncio de conhecimento e ferramentas sobre gestão da inovação, organizado pela COTEC e editado 
em 1998. Apesar de seus 12 anos de existência seu conteúdo continua atual, e é a principal referência teórica 
em gestão da inovação. 
 
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As ferramentas ou práticas selecionadas a seguir são descritas pela fundação Cotec no 
trabalho de Temaguide, modulo I de 1999. Foram desenvolvidas com o intuito de sistematizar 
a maneira como as práticas de Gestão da Inovação Tecnológica são aplicadas. Apesar de seus 
12 anos de existência seu conteúdo continua atual, e é a principal referência teórica em gestão 
da inovação. 
As ferramentas descritas pelo Cotec (Tabela 2) são um processo de seleção de várias 
técnicas utilizadas por várias empresas (estudo de caso), cujo propósito é auxiliar os usuários 
na gestão da tecnologia e inovação. Algumas dessas ferramentas são conceitos de técnicas 
que se tornaram usuais ou novas formas de aplicação de uma ferramenta bem conhecida, 
como é o caso do benchmarking, não utilizada especificamente para a gestão da tecnologia, 
mas adaptadas para cada processo. 
Tabela 2 – Principais ferramentas de Gestão da Inovação Tecnológica 
Ferramentas Objetivo 
Análise de Mercado 
• Analisar todos os aspectos do mercado, e em particular comportamento e

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