Prévia do material em texto
DISCIPLINA: PROFESSOR: : Gestão da Inovação em Meio Ambiente : Nayara Guetten Ribaski e Ugo Leandro Belini PÓS-GRADUAÇÃO UFPR APRESENTAÇÃO Nesta disciplina, você irá compreender os principais conceitos relacionados à inovação. Nesse sentido, estudaremos como deve ser o processo de inovação em uma organização visando o meio ambiente e também, como deve ser feita a gestão desse processo. Primeiramente iremos apresentar os conceitos fundamentais relacionados à inovação, qual a diferença entre invenção e inovação, o que é ciência e tecnologia, e o que é criatividade. Vamos descrever também quais são os principais tipos e modelos de inovação. Assim, você terá a oportunidade de entender o que é a inovação incremental e radical e também, a diferença entre inovação fechada e a aberta. Em seguida, serão descritas as etapas do processo de inovação, desde a geração de ideias até a fase de implementação. Será destacado o processo do Front End, que é a etapa na qual os conceitos são desenvolvidos, e como a inovação pode ser monitorada através do funil da inovação. Uma vez que o processo de inovação seja entendido, serão apresentadas as práticas de apoio à gestão da inovação, com destaque para a análise de mercado e a prospecção tecnológica. Abordaremos os principais motivadores e inibidores do processo de inovação e como construir um ambiente que seja propício para inovar. Por fim, será enfatizado o processo de gestão da inovação no meio ambiente, que se inicia pelo diagnóstico, passa pela definição do conceito de inovação para a empresa, até chegar na construção da estrutura organizacional para inovação. Nosso objetivo é que, ao final da disciplina, você obtenha a visão geral do processo de inovação em meio ambiente e compreenda como deve ser feita a gestão desse processo, de modo que a inovação seja um processo sustentável ao longo do tempo e que proporcione resultados positivos para a organização. PÓS-GRADUAÇÃO UFPR LISTA DE FIGURAS Figura 1 – Diferença entre invenção e inovação………………………………………………………………..…10 Figura 2 – Exemplo de inovação de processo……………………………………………………………………...16 Figura 3 – Processo de Inovação……………………………………………………………………………………..….24 Figura 4 – Processo de experimentação (Adaptado de Scherer e Carlomagno, 2009)………...27 Figura 5 – Fluxograma do processo de inovação……………………………………………………………..….30 Figura 6 – Funil do front end da inovação……………………………………………………………………….....32 Figura 7 – Funil de inovação no desenvolvimento de produtos……………………………………….….33 Figura 8 – Modelo de inovação…………………………………………………………………………………………..34 Figura 9 – Modelo linear de inovação………………………………………………………………………………...36 Figura 10 – Representação do modelo Science-push………………………………….………………………36 Figura 11 – Representação do modelo Market-pull……………………………………….…………………..36 Figura 12 – Modelo de paralelo de inovação……………………………………………………………………..38 Figura 13 – Octógono da inovação…………………………………………………………………………………….40 Figura 14 – Representação de inovação…………………………………………………………………………….42 Figura 15 – Diagnóstico de Inovação – Exemplo………………………………………………………………..51 Figura 16 – Classificação de Produtos Inovadores.................................................................52 LISTA DE TABELAS Tabela 1 – Dimensões e disponibilidade da tecnologia …………………………………………………….7 Tabela 2 – Principais ferramentas de Gestão da Inovação Tecnológica……………………………47 PÓS-GRADUAÇÃO UFPR SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO…………………………………………………………………………………….……………………….5 1.1 IMPACTO ECONÔMICO DAS INOVAÇÕES………………………………………………….…………………..5 2. PRINCIPAIS CONCEITOS…………………………………………………………………………..…………………6 2.1 CIÊNCIA E TECNOLOGIA…………………………………………………………………………………………………6 2.2 INOVAÇÃO………………………………………………………………………………………………..…………………..8 2.3 INVENÇÃO………………………………………………………………………………………………..…………………..9 2.4 INOVAÇÃO TECNOLÓGICA…………………………………………………………………………………………..10 3. INOVAÇÃO E COMPETITIVIDADE……………………………………………………………………………….11 3.1 INOVAÇÃO RADICAL………………………………………………………………….………………………..……….11 3.2 INOVAÇÃO INCREMENTAL…………………………………………………………………………………..………12 4. TIPOS DE INOVAÇÃO…………………………………………………………………………………………..…….13 4.1 PRODUTO……………………………………………………………………………………………………………….…..13 4.2 PROCESSOS…………………………………………………………………………………………………………….…..15 4.3 MARKETING………………………………………………………………………………………………………………..18 4.4 ORGANIZACIONAL………………………………………………………………………………………………………20 5. PROCESSO OU FASES DA INOVAÇÃO………………………………………………………………………..24 5.1 IDEALIZAÇÃO……………………………………………………………………………………………………………..25 5.2 CONCEITUAÇÃO…………………………………………………………………………………………………………26 5.3 EXPERIMENTAÇÃO………………………………………………………………………………………………….…27 5.3.1 Defina a ideia a ser experimentada…………………………………………………………………………27 5.3.2 Defina as incertezas………………………………………………………………………………………………..27 5.3.3 Estruture o piloto e a amostra…………………………………………………………………………………28 5.3.4 Execute o piloto……………………………………………………………………………………………………...28 5.3.5 Avalie resultados……………………………………………………………………………………………………28 5.4 IMPLEMENTAÇÃO…………………………………………………………………………………………………….29 5.5 FLUXOGRAMA DO PROCESSO DE INOVAÇÃO……………………………………………………………29 6. MODELO DE INOVAÇÃO PARA GESTÃO TECNOLÓGICA……………………………………………33 PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 6.1 PRINCÍPIOS DA INOVAÇÃO FECHADA E DA INOVAÇÃO ABERTA………………………………..35 6.2 MODELOS LINEARES………………………………………………………………………………………………….35 6.2.1 Modelo Science-push ou Discovery-push………………………………………………………………..36 6.2.2 Modelo Market-pull ou Demand-pull……………………………………………………………………..36 6.3 MODELO PARALELO………………………………………………………………………………………………….37 6.4 MODELOS INTERATIVOS…………………………………………………………………………………………...38 6.4.1 Octógono Da Inovação……………………………………………………………………………………………39 7. A GESTÃO DA INOVAÇÃO TECNOLÓGICA…………………………………………………………….…..41 7.1 GESTÃO……………………………………………………………………………………………………………………..43 7.2 GESTÃO DA INOVAÇÃO TECNOLÓGICA……………………………………………………………………….44 7.3 PRÁTICAS/FERRAMENTAS PARA A GESTÃO DA INOVAÇÃO TECNOLÓGICA…………………46 8. GESTÃO DA INOVAÇÃO NA EMPRESA: DIAGNÓSTICO E IMPLANTAÇÃO……………………49 8.1 DIAGNÓSTICO DE INOVAÇÃO……………………………………………………………………………………..49 8.1.1 Dimensões de inovação a serem avaliadas em um diagnóstico……………………………….50 8.1.2 Questionário de avaliação……………………………………………………………………………………….50 8.2 INOVAÇÃO DENTRO DAS EMPRESAS...............................................................................51 8.3 INDICADORES E METAS DE INOVAÇÃO............................................................................52 8.3 ESTRUTURA ORGANIZACIONAL PARA INOVAÇÃO............................................................55 9. ECOSISTEMAS DE INOVAÇÃO…………………………………………………………………………………….57 10. TECNOLOGIAS APLICADAS AO MEIO AMBIENTE EM DIFERENTES CONTEXTOS………….59 PÓS-GRADUAÇÃO UFPR PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 5 1. INTRODUÇÃO O cenário competitivo atual, pautado pela revolução tecnológica e fenômenos relativos à globalização, extrema competitividade, ênfase em preços, qualidade e satisfação dos clientes exige, como estratégia para a competência, que a empresa contemporânea esteja focada de forma permanente na inovação. O desenvolvimento tecnológico de qualquer instituição, empresa ou órgão governamental, deve ser baseada, indubitavelmente, por meio de estratégias de inovação. Através do Decreto 10.534, de 28 de outubro de 2020, o Governo Federal Institui a Política Nacional de Inovação e dispõe sobre a sua governança. Uma das finalidades deste decreto é orientar, coordenar e articular as estratégias, os programas e as ações de fomento à inovação no setor produtivo, para estimular o aumento da produtividade e da competitividade das empresas e demais instituições que gerem inovação no País. 1.1 IMPACTO ECONÔMICO DAS INOVAÇÕES As mudanças tecnológicas produzemnecessidades do cliente, a fim de obter informação valiosa para alimentar o processo de inovação, por exemplo, com o objetivo de identificar e avaliar especificações de novos produtos. • Deve-se avaliar e segmentar o mercado de forma a agrupar os clientes em potencial, que possuem necessidades de consumo semelhantes. Prospecção Tecnológica • Empresas precisam estar cientes de desenvolvimentos tecnológicos interessantes e revisar a relevância destes desenvolvimentos para o negócio da empresa. • Eles devem fornecer oportunidades estratégicas ou ameaças ao negócio. Atividades de previsão e prospecção são caminhos para coletar inteligência sobre tecnologia e organizações. • A prospecção tecnológica pode ser definida como um meio sistemático de mapear desenvolvimentos científicos e tecnológicos futuros capazes de influenciar de forma significativa uma indústria, a economia ou a sociedade como um todo. • Diferentemente das atividades de previsão clássica, que se dedicam a antecipar um futuro suposto como único, os exercícios de prospecção são construídos a partir da premissa de que são vários os futuros possíveis. Análise de Patentes • Obter e avaliar informação de patente o que encontra várias aplicações para gestão estratégica da tecnologia. • Assim, analisar marcas e patentes significa monitorar novas tecnologias e identificar tendências com o olhar que busca decifrar as redes de conhecimento. PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 50 Continuação da Tabela 2.... Benchmarking • Benchmarking é o processo de melhorar o desempenho continuamente, identificando, compreendendo, e adaptando práticas proeminentes e os processos encontrados dentro e fora de uma organização. • É um processo contínuo de comparação dos produtos, serviços e práticas empresariais entre os mais fortes concorrentes ou empresas reconhecidas como líderes. • É um processo de pesquisa que permite realizar comparações de processos e práticas "companhia-a-companhia" para identificar o melhor do melhor e alcançar um nível de superioridade ou vantagem competitiva. Auditoria Tecnológica • É o processo de registro e avaliação sistemática e periódica do potencial tecnológico da organização, contribuindo para que a tecnologia seja utilizada de forma eficaz para atingir os objetivos organizacionais. • A auditoria tecnológica não está restrita ao ambiente de P&D, mas analisa o valor da tecnologia nos vários setores da empresa e seus desdobramentos e relações sobre a estratégia e competitividade da empresa. Gestão de Propriedade intellectual • Ajudar na proteção e gestão de direitos (patentes). Gestão ambiental • Melhorar como a empresa identifica e endereça questões ambientais. Gestão de Projetos • Gerenciar, administrar, coordenar ou gerir um projeto é a aplicação de técnicas, conhecimento e habilidades para garantir que um projeto tenha sucesso. • Envolve desde iniciá-lo até finalizá-lo, passando pelas etapas de planejamento, execução e atividades de controle. Avaliação de Projetos • Fornecer informação para estimar o valor de um projeto potencial com referência particular para estimação de custos, recursos e benefícios, a fim de obter uma decisão sobre prosseguir ou não com um projeto. Gestão de Portfólio • Técnicas de Gestão de Portfólio (PM) são maneiras sistemáticas de olhar um conjunto de projetos de P&D, atividades ou até áreas de negócio, com o objetivo de atender um equilíbrio entre risco e retorno, estabilidade e crescimento, atratividade e reveses em geral, fazendo o melhor uso dos recursos disponíveis. Networking • Dispor e manter cooperação entre empresas e entre organizações de negócios e organizações de P&D, incluindo universidades, a fim de obter acesso a idéias e tecnologias e compartilhar habilidades, recursos, informação e expertise. Criatividade • Técnicas de criatividade podem ajudar indivíduos particulares ou grupos a se tornarem mais criativos ou usar sua originalidade de pensamento ou inventividade para situações particulares. • Resolução criativa de problemas é uma aplicação da criatividade e técnicas de criatividade para problemas e para oportunidades de melhoramento. Criação de Equipes • Desenvolver a cultura da organização em que times precisam operar, decidir a composição de equipes específicas recrutando e gerindo indivíduos para assegurar um mix apropriado de habilidades e experiências, trabalhando com a equipe para melhorar níveis de confiança, cooperação e entendimento sobre as tarefas a serem cumpridas. PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 51 Continuação da Tabela 2... Gestão de Mudanças • São processos, ferramentas e técnicas para gerenciar os vários aspectos envolvidos em um processo de mudança a fim de que os resultados previstos sejam atingidos e da forma mais eficaz possível. • O objetivo essencial do Gerenciamento da Mudança é ter uma abordagem equilibrada dos aspectos técnicos e organizacionais, visando minimizar as possíveis resistências e obter uma transformação mais eficaz, completa e em menor tempo. Gestão de Interface • Transpor barreiras ou fomentar e encorajar a cooperação entre entidades separadas, departamentos, pessoas ou até diferentes organizações durante o processo inovativo. Produção Enxuta • Analisar todas as atividades dentro de um processo (dentro ou fora da empresa) identificando e eliminando “lixo”, definido como atividades que não agregam valor. Melhorias Contínuas • Ferramentas para apoiar a empresa a ser tornar uma organização baseada no aprendizado e aprimoramento contínuo. 8. GESTÃO DA INOVAÇÃO NA EMPRESA: DIAGNÓSTICO E IMPLANTAÇÃO Para implantar a gestão de inovação em uma organização, algumas premissas devem ser levadas em consideração. A primeira delas é ter claro o desejo ou a necessidade em inovar. Isso acontece quando a empresa busca ter uma vantagem competitiva sustentável ao longo do tempo. É preciso também que a alta administração, ou alta direção, esteja engajada com a inovação, de modo a disponibilizar os recursos necessários, tanto humanos quanto financeiros. Além disso, a organização precisa estar disposta a desenvolver uma cultura de inovação, motivando a criatividade, o empreendedorismo e a geração e compartilhamento do conhecimento. Compreendidas as premissas para implantação da gestão da inovação? A seguir entenderemos a primeira etapa para implantar a gestão da inovação, que é o diagnóstico. 8.1 DIAGNÓSTICO DE INOVAÇÃO O diagnóstico de inovação é a primeira etapa do processo para se implantar a gestão da inovação em uma organização. Nessa fase buscamos entender de forma clara qual é a PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 52 capacidade de inovar da organização e o que precisa ser feito para implantar um processo de inovação. O diagnóstico normalmente é feito através da aplicação de um questionário à alta administração, com o objetivo de se obter as informações sobre o estado atual da organização. É com base nele que se define qual será o plano de ações para que o processo de inovação seja implantado, de modo a se atingir o estado desejado. E você sabe quais são as dimensões que devem ser avaliadas no diagnóstico? Veremos agora na sequência. 8.1.1 Dimensões de inovação a serem avaliadas em um diagnóstico As dimensões que devem ser avaliadas no diagnóstico dizem respeito aos fatores que a gestão da inovação deve levar em consideração para ser implantada com sucesso. Scherer e Carlomagno (2009) apresentaram oito dimensões no modelo conhecido como Octógono da Inovação (Figura 13). 8.1.2 Questionário de avaliação O questionário de avaliação da capacidade de inovação de uma organização é construído de forma a analisar as diferentes dimensões da gestão da inovação. Para deixar mais claro como o questionário é construído, tomaremos como exemplo o questionário proposto por Scherer e Carlomagno(2009), que é baseado no Octógono da Inovação. Neste questionário, o desempenho da organização em relação às oito dimensões é verificado. Para cada dimensão foram criadas três perguntas, perfazendo um total de 24 questões. Para cada questão é dada uma nota de 1 a 9, e a nota de cada dimensão é a média das três respostas relacionadas àquela dimensão. Por fim, o resultado do diagnóstico é apresentado em gráfico tipo radar, conforme exemplo da Figura 15. PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 53 Observa-se nessa figura o resultado de uma empresa fictícia, mostrando como está a sua situação perante às oito dimensões. Figura 15 – Diagnóstico de Inovação – Exemplo Fonte: Adaptado de Scherer e Carlomagno (2009, p. 142). 8.2 INOVAÇÃO DENTRO DAS EMPRESAS Da mesma maneira que existem diferentes conceitos de inovação, cada empresa também deve definir qual é o seu entendimento por inovação. Contudo, não é fácil definir inovação. Podemos, por exemplo, defini-la como sendo os produtos lançados no último ano, ou então nos últimos dois ou três anos. Algumas empresas adotam essa definição, apesar de que nem sempre um produto lançado no(s) último(s) anos é realmente uma inovação. Às vezes, pode ser apenas uma pequena alteração. PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 54 Outras empresas adotam conceitos mais elaborados. Freitas Filho (2013) apresenta um modelo gráfico para definir inovação de produto, considerando o grau de atratividade para o consumidor e para o acionista. Esse modelo é apresentado no gráfico da Figura 16. É considerado como inovação, apenas os produtos que se encontram nos quadrantes em destaque. Figura 16 – Classificação de Produtos Inovadores Fonte: Adaptada de Freitas Filho (2013, p. 65). Neste tipo de modelo é necessário se definir uma escala, tanto para o grau de atratividade ao consumidor, como por exemplo, se o produto é novo ou não no mercado, quanto para o acionista, que avalia questões financeiras, como faturamento ou lucratividade proveniente da inovação. 8.3 INDICADORES E METAS DE INOVAÇÃO PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 55 Os indicadores de inovação servem para medir o processo de inovação. Sem eles, não é possível avaliar o desempenho da organização. Segue alguns exemplos de indicadores: a) Redução de custos A redução de custos dos processos internos é um dos principais motivos que levam as empresas a buscarem pela inovação. Portanto, ao implementar uma ideia inovadora, o índice de redução de custos é um indicador muito útil; afinal, não é vantagem se a sua empresa inovar e, ao mesmo tempo, ver os seus custos aumentarem significativamente. b) Investimento em P&D A quantidade de investimento em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) é um dos mais importantes indicadores de inovação tecnológica nas empresas. Isso porque, para inovar, é preciso investir na produção de conhecimento e no desenvolvimento de habilidades e de tecnologia. c) Investimento médio por projeto O cálculo para descobrir o investimento médio por projeto não é difícil. Basta pegar todo o montante investido e dividi-lo pela quantidade de projetos inovadores que foram implementados de fato. Como resultado, você terá um indicador de inovação que te mostrará quanto cada projeto custou. Essa informação te ajudará também na hora de avaliar o Retorno sobre o Investimento (ROI). d) Retorno sobre o Investimento – ROI O Retorno sobre o Investimento é um indicador usado em diferentes aspectos de uma empresa; e no quesito inovação ele se mostra bastante útil também. PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 56 Para inovar, é preciso investir. Nesse sentido, o mínimo que se espera de um projeto de inovação é que ele traga um retorno capaz de cobrir o investimento. Se o retorno for acima do valor investido, a empresa sai no lucro. Caso contrário, é prejuízo. e) Quantidade de ideias geradas Toda inovação parte de uma ideia, as quais são avaliadas e testadas até que cheguem a um produto final inovador. Portanto a quantidade de ideias geradas em determinado período é um interessante indicador do potencial inovativo da sua empresa. Ou seja: quanto mais ideias os seus colaboradores tiverem, maior será a capacidade de a sua empresa inovar. Lembrando que, neste indicador, não são consideradas apenas as ideias que acabam virando projetos. f) Taxa de ideias por colaborador Neste indicador, é medida a quantidade de ideias geradas por colaborador em determinado período. Com essa informação, você pode identificar os colaboradores menos produtivos na geração de ideias e, partir disso, dialogar com cada um deles para descobrir as causas dessa baixa participação e incentivá-los a participarem mais. g) Quantidade de projetos em andamento Já neste indicador, são contabilizadas as ideias que, de fato, viraram projetos de inovação e que já estão em andamento. Com esse indicador, é possível prever o quão intensa é a inovação a curto e médio prazo e quantos projetos a sua empresa é capaz de executar em determinado período. h) Quantidade de inovações É o momento em que o projeto de inovação abandona o status de “projeto” e é efetivamente implementado. A intenção deste indicador é medir quantas inovações a empresa conseguiu implementar em determinado período. PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 57 i) Taxa de sucesso Se o projeto de inovação tem como objetivo lançar um novo produto ou serviço, você pode utilizar a taxa de sucesso como indicador para avaliar a recepção do público. Se a taxa de sucesso for baixa, significa que a adesão do público não foi satisfatória e que, portanto, é preciso rever as estratégias de inovação para futuros produtos ou serviços. As metas são definidas através da estratégia de inovação. Compreende uma ação, seguida de um valor numérico e uma data. Como exemplos de metas, podemos citar: • Aumentar o percentual de faturamento dos produtos de inovação em relação ao faturamento total, de 12% para 15%, até dezembro de 2020. • Aumentar a lucratividade dos produtos inovadores de 15% para 20% até dezembro de 2021. Monitorar os indicadores é o caminho para saber se estamos indo em direção às metas. 8.3 ESTRUTURA ORGANIZACIONAL PARA INOVAÇÃO Para que seja feita a gestão da inovação, é necessário que haja uma estrutura organizacional para conduzir o processo. Essa estrutura pode variar de acordo com a empresa, porém algumas funções são essenciais para se ter uma boa gestão da inovação. Em primeiro lugar é preciso se ter o apoio da alta administração, que pode ser feito através de um diretor específico, ou então por meio de um comitê executivo. Esse comitê é formado por executivos que tenham o poder de decisão sobre o processo de inovação. Outra PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 58 figura muito importante é o gestor do processo, ou seja, quem gerencia as atividades relacionadas à inovação, desde a geração de ideias até a comercialização. Ele é o responsável também pelo monitoramento dos indicadores e das metas. E ao abordarmos esse assunto, precisamos entender a cultura de inovação da organização, no entanto, primeiramente temos que entender o que é cultura. A cultura está relacionada aos hábitos, às crenças e aos valores de uma determinada comunidade. Na cultura organizacional, estamos nos referindo ao comportamento das pessoas e às suas atitudes, frente a qualquer situação dentro da organização. Cada organização tem sua própria cultura, que é constituída pelos valores propostos pela alta administração, somados aos valores individuais de cada colaborador, e que de alguma forma são compartilhados por todos. Nem sempre a cultura está escrita, mas pode estar presente simplesmente na maneira como as pessoas fazem as coisas dentro da organização. Por isso, é importante que todos a conheçam, de modo que possamtambém praticá-la. E a cultura de inovação? A cultura de inovação está relacionada à maneira como as pessoas que trabalham em uma organização lidam com a inovação. Da mesma maneira que a cultura organizacional depende da cultura individual, a cultura de inovação depende das experiências individuais de cada colaborador. Quanto mais rica e inovadora for a experiência de cada um e quanto mais essa experiência for compartilhada, maior será a probabilidade de se ter uma cultura de inovação. Para compreender melhor a cultura de inovação, vamos analisar uma empresa que possui uma cultura de inovação bastante forte. Estamos falando da 3M. Você sabia que em torno de 15% do tempo dos colaboradores pode ser dedicado à inovação? Esse é o tempo que eles têm para se dedicar a um projeto que esteja relacionado ao negócio da empresa ou à sua área de atuação. Esta é uma prática que fortalece a cultura de inovação na 3M e que torna possível, por exemplo, a criação de produtos como o Post-it. PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 59 9. ECOSISTEMAS DE INOVAÇÃO Um ecossistema de inovação nada mais é do que um conjunto de fatores que estimula a interação e cooperação. Parques tecnológicos, incubadoras e associações são exemplo desses ecossistemas. Com isso, tais ambientes acabam se tornando polos criativos com o objetivo de impulsionar o resultado de empresas e promover novos talentos. Os ecossistemas de inovação apresentam diversos benefícios para uma empresa e seus profissionais, como: a) Troca de experiências Independente do seu tempo de atuação, empresas de tecnologia estão sempre em busca de novidades. Dessa forma, sempre existem obstáculos a serem superados. Em ecossistemas de inovação, é possível aprender com os erros de outras pessoas, além de definir novas soluções para seus problemas. Isso acontece porque em um momento de troca, o nível de aprendizado costuma ser bastante elevado. Com isso, as organizações conseguem crescer de maneira acelerada e assertiva, saindo na frente de seus concorrentes. Ações assertivas de empresas mantêm, como colaboradores, profissionais com vasta experiência e que já se aposentaram, fomentando a troca de informações com profissionais recém formados. b) Reconhecimento da comunidade Estar em um local inovador que estimula o aprendizado é muito importante tanto para a comunidade local quanto para o seus clientes. Isso acontece porque quanto mais avançado o polo tecnológico é, mais beneficiado o local à sua volta é. Além disso, empresas que participam de ecossistemas de inovação costumam estar mais bem preparadas para atender às necessidades de seus clientes, tornando-se referência em seu nicho de atuação. PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 60 c) Redes de indicação Muitas empresas não realizam parcerias por não conhecerem o trabalho das outras organizações. Ao trabalharem em conjunto, é possível ver de perto os resultados e métodos empregados. Isso aumenta a confiança e a rede de parcerias, o que ajuda no crescimento de todos os envolvidos. Isso também é ótimo para os clientes, já que uma colaboração mútua impulsiona os resultados. d) Melhora de habilidades Um ecossistema de inovação é capaz de incentivar a melhora das habilidades dos profissionais de qualquer empresa. Dessa forma, fica mais fácil, inclusive, a captação de novos talentos. Assim, as empresas já consolidadas no mercado são procuradas por profissionais que desejam aprender mais sobre a área, realizando networking e aprimorando os seus conhecimentos. Um exemplo famoso de um ecossistema de inovação é o Vale do Silício, na Califórnia, nos Estados Unidos. Nessa região há grandes empresas de tecnologia junto a várias universidades que fornecem novos talentos e conhecimento ao ambiente. No Brasil também existem alguns polos tecnológicos, como os que acontecem em Campinas, São Paulo. Toda a região conta com empresas que são voltadas para o desenvolvimento tecnológico e inovador. Dentro dos ecosistemas podemos mencionar os Hubs de Inovação, que consistem em espaços físicos nos quais empresas jovens podem colocar em prática as suas ideias inovadoras. Os empreendedores que estão inseridos nos hubs, costumam estar no início da carreira e muitas vezes não contam com recursos abundantes, têm acesso a um espaço para trabalhar, conhecer outros negócios, obter investimentos e fazer parcerias com grandes empresas. As startups que estão no hub têm a oportunidade de serem vistas, pois naquele ambiente passam investidores e grandes empresas, interessados em descobrir novos negócios, seja para investir em uma ideia rentável ou para resolver problemas internos que PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 61 possuam. Além disso, universidades, órgãos de fomento e outros interessados também podem estar presentes. Outro ponto positivo dos hubs de inovação é o networking: dessa forma, as startups não ficam fechadas em suas ideias. Podem trabalhar de maneira colaborativa, inspirar-se em outras ideias, fazer parcerias. O resultado é um espaço de troca, aprendizado e fomento da cultura do empreendedorismo. Pode-se dizer que, nos hubs de inovação, é comum a prática da inovação aberta (open innovation), que ocorre quando quando negócios colaboram entre si para criar produtos e serviços inovadores. Para as empresas e os bancos que investem nesse tipo de espaço, é uma oportunidade de se posicionar no ecossistema e de ficar por dentro das novas oportunidades de negócio, seja para fazer investimentos ou parcerias. Da mesma forma, quando se aproximam de startups, empresas consolidadas no mercado podem se inspirar nas práticas inovadoras dos jovens. O modelo de negócio das startups, por exemplo, costuma ser voltado para uma estrutura enxuta e produtiva. É algo que ajuda a renovar a cultura da empresa, que se mantém relevante. 10. TECNOLOGIAS APLICADAS AO MEIO AMBIENTE EM DIFERENTES CONTEXTOS Para você, qual é a relação entre tecnologia e meio ambiente? Há quem diga que inteligência artificial e preservação do meio ambiente, por exemplo, são temas distintos. Há também aqueles que enxergam o setor de inovação e tecnologia como vilãs para o planeta. Essa visão sobre o assunto foi predominante por muito tempo, mas o cenário tem mudado nos últimos anos (INSTITUTO LEGADO, 2020). PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 62 Aqui, cabe uma importante questão: É possível haver sustentabilidade ambiental sem haver sustentabilidade sócio-econômica? Um segmento (empresa, ramo de atividade, por ex.) somente é sustentável quando contribui para o desenvolvimento ao gerar, simultaneamente, benefícios econômicos, sociais e ambientais – conhecidos como os três pilares desta filosofia. Profissionais eram, em sua “atividade de criação”, treinados para integrar aspectos funcionais, culturais, tecnológicos e econômicos, com foco em aumento de vendas e lucro. Com a evolução das tendências mundiais voltadas para a gestão de meio ambiente e sustentabilidade, os tradicionais domínios se expandem para além das características estéticas e funcionais do produto e se estendem para a observação e interferência nos fenômenos socioambientais e econômicos, propondo novos cenários. Neste contexto, a “eco- concepção” é utilizada para traduzir a ideia de uma nova abordagem – que consiste em projetar o que podemos chamar de sistema-produto, onde considera-se todo o ciclo de vida, desde o nascimento até o próprio produto em fim de vida. Neste cenário, um importante ator é o Gestor Ambiental, profissional capaz de abordar as características dos impactos ambientais dentro de um contexto socioeconômico, promovendo, assim, a gestão ambiental nos processos industriais, com foco na sustentabilidade e responsabilidade social. Segundo Arthur Igreja (2019), Professor da Fundação Getúlio Vargas, a inovação nada mais é que um novo jeito de resolverum problema que já existia. Portanto, está diretamente ligada à vertente da sustentabilidade. Desse modo, soluções tecnológicas até mesmo na criação de produtos de materiais sustentáveis são apenas alguns dos aspectos positivos da tecnologia aplicada ao meio ambiente (RECICLA SAMPA, 2019). De acordo com um grupo de docentes da Faculdade de Tecnologia da Unicamp, a maioria dos problemas atuais na área de preservação ambiental se referem aos elevados índices de consumo dos recursos materiais e energéticos. A elevação da temperatura média do planeta, por exemplo, é um efeito antropogênico. Consequentemente, apesar de ter PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 63 componentes naturais associados a ele, somos os principais responsáveis por tal fenômeno (PINELLI, 2016). Entretanto, o desenvolvimento tecnológico tem se tornado um auxiliar na minimização dos efeitos negativos das atividades produtivas para o meio ambiente. Há várias inovações que favorecem a convivência dos seres humanos com o planeta. Outro ponto positivo é que governantes, empresários e população estão se conscientizando quanto a importância disso (PINELLI, 2016). Nesse sentido, consumidores também estão cada vez mais conscientes quanto aos impactos ambientais e exigindo soluções mais sustentáveis, o que obriga um posicionamento e investimentos por parte das empresas. Além disso, várias universidades brasileiras têm se destacado no quesito inovação, contribuindo com soluções que trabalham pela redução dos impactos ambientais, como: computadores biodegradáveis, carros elétricos e recicláveis, celulares mais econômicos, lâmpadas mais econômicas e tecnologias que fazem uso de fontes alternativas de energia, como energia solar ou eólica, por exemplo (BRINGIT, 2019; PINELLI, 2016). Dentre as inúmeras aplicações da tecnologia no cenário ambiental, Pinelli (2016) lista quatro principais inovações tecnológicas consideradas mais favoráveis ao meio ambiente: • Tecnologia da Informação O uso de satélites e a popularização da internet permitiu que pessoas de todo o mundo evitassem deslocamentos, antes vistos como imprescindíveis. O próprio uso do GPS e de outros aplicativos de geolocalização contribuem de maneira decisiva para a redução da emissão de CO². Segundo o professor José Maria da Silveira, do Instituto de Economia da Unicamp, na área da agricultura por exemplo, a utilização desses softwares ajuda na diminuição do uso de PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 64 insumos, fertilizantes e pesticidas. E também proporciona economia em diversas etapas no processo de plantio, reduzindo o lançamento de gases na atmosfera. • Energia Solar A energia elétrica se tornou imprescindível para facilitar a vida das pessoas. No entanto, sua produção ainda representa uma agressão considerável ao meio ambiente, tanto no caso das termoelétricas (que utilizam a queima de combustíveis fósseis), como no das hidrelétricas (que geram enormes impactos na região onde são instaladas). O Brasil é um dos países com maior participação de fontes renováveis em sua matriz energética. As fontes hidrelétricas, eólicas, solares e de biomassa são consideradas fontes limpas e renováveis de energia, o que contribui para a redução das emissões de gases de efeito estufa e para a mitigação dos impactos das mudanças climáticas. Neste contexto, a energia solar mostra-se uma ótima opção para a universalização da eletricidade por ser uma energia abundante e inesgotável. A energia solar ainda é uma fonte relativamente nova no Brasil, mas tem crescido bastante nos últimos anos. Atualmente, representa cerca de 2% da matriz. Ela é gerada a partir da captura da energia do sol por meio de painéis fotovoltaicos, que transformam a luz em eletricidade. Considerando o clima propício do nosso país, a previsão é que em alguns anos as placas solares tornem-se comum nos domicílios e até que pequenos investidores “vendam” esse tipo de energia. • Biocombustíveis No ramo de fontes de energia sustentáveis, o Brasil apresenta uma produção significativa de etanol. Pois, além de ser uma fonte renovável de energia, sua produção a partir da cana apresenta um balanço nulo de produção de CO². Isso porque durante sua fase de PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 65 crescimento, a planta sequestra a mesma quantidade de gás emitido durante a fase de fabricação e utilização do combustível. • Tratamento da água O uso de tecnologia para a purificação de águas residuais é uma das principais tendências do momento. De acordo com o grupo de docentes da Unicamp, um bom exemplo refere-se à utilização de processos oxidativos avançados no tratamento de esgotos, capaz de promover a degradação de vários poluentes, resultando em uma água de excelente qualidade. Paralelamente aos processos de tratamento, o uso racional da água nas edificações se refere às práticas de gerenciamento do uso da água, e envolve aspectos comportamentais relacionados aos hábitos pessoais de consumo de água e de uso de aparelhos e equipamentos hidro sanitários, onde as ações de sensibilização dos usuários são um ótimo caminho para o uso mais racional deste bem. Neste sentido, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) possui duas normas: (i) NBR 16782, 2019: Conservação de água em edificações, que traz requisitos, procedimentos e diretrizes para edificações que optarem pela conservação de água e (ii) NBR 16783, 2019: Uso de fontes alternativas de água não potável em edificações, que estabelece procedimentos e requisitos para caracterização, dimensionamento, uso, operação e manutenção de sistemas de fontes alternativas de água não potável em edificações com uso residencial, comercial, institucional, de serviços e de lazer. Nos processos de tratamento, além dos convencionais, deve-se dar destaque aos sistemas naturais, que são arranjos que reproduzem condições naturais a fim de obter a capacidade de ciclar elementos contidos nos esgotos, sem o fornecimento de quaisquer fontes de energia externa, pois não demandam, ou não dependem, de infraestruturas de elevada complexidade, bombas, e produtos químicos. PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 66 Como exemplos, pode-se citar as lagoas, biofiltros e wetlands construídos, sendo este último reprodução de áreas naturais utilizadas no tratamento de efluentes, onde os principais elementos atuantes são o meio filtrante (substrato/solo), plantas (macrófitas aquáticas) e microrganismos. Além dessas tecnologias extremamente importantes para o meio ambiente, também existem diversos aplicativos sustentáveis para celular, que oferecem ajuda, dicas e sugestões para construir hábitos menos prejudiciais ao planeta, tais como: redução do tempo de banho, controle do consumo de energia elétrica, localização de pontos de coleta de materiais recicláveis, entre outros (BRINGIT, 2019; RECICLA SAMPA, 2019). • Fibras vegetais e biomassas Diversas fibras vegetais são produzidas em praticamente todos os países e usualmente são designadas como materiais lignocelulósicos. Oriundas espontaneamente na natureza, atividade agrícola e resíduos, sendo excelentes matérias-primas para a química de polímeros e compósitos, o que pode ser comprovado pelo elevado número de patentes nacionais e internacionais. Apresentam amplitude de utilização e uma grande vantagem relativa ao meio ambiente: são renováveis. Nas regiões metropolitanas de grandes cidades, uma importante fonte de biomassa são os resíduos de poda das árvores urbanas, que podem ser convertidos em produtos de maior valor agregado (PMVA), como painéis reconstituídos e briquetes, para usos em bioengenharia e conversão energética, respectivamente. Na indústria automobilística, por exemplo, o uso de fibras naturais tem objetivo substituir materiais plásticos e metálicos em partes do carro, como painéis, bancos e portas. Segundo oCentro de Biocompósitos da Universidade de Toronto, no Canadá, em 2033 cerca de 50% dos materiais internos utilizados na fabricação dos carros serão feitos de fibras vegetais. PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 67 • Embalagens Embalagens são tradicionalmente concebidas para acondicionar e proteger algo, porém também são fundamentais instrumentos de venda e consolidação de uma marca. Ambientalmente falando, as embalagens podem ser exemplo de resíduos presentes em diversas atividades dentro da classificação de resíduos sólidos, como: limpeza urbana, domiciliares, comerciais, da construção civil, dos serviços de transporte de sistemas agrossilvopastoris. Visto esta ampla gama de utilização, e como potencial poluente ambiental, iniciativas tem avançado na concepção de produtos em diferentes frentes, como: Avanço das embalagens celulósicas; Avanço de embalagens híbridas; Embalagens com barreiras; Embalagens ativas e com Incorporação de nanomateriais. Embalagens de polpa celulósica ou de papelão ondulado apresentam vantagens de serem recicláveis, biodegradáveis e provenientes de fontes renováveis. Ainda, deve-se considerar que o papel está entre os produtos que apresentam maior taxa de reciclagem no Brasil. No total, 66,7% (IBÁ, 2022) de todos os papéis que circularam no País, foram encaminhados à reciclagem. PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 68 REFERENCIAL ABNT NBR ISO 14001 (2015). Sistemas de gestão ambiental – requisitos com orientações para uso. Rio de Janeiro, 2015, 41 p. BRINGIT. Tecnologias do bem: iniciativas a favor do meio ambiente. 2019. Disponível em: . FREITAS FILHO, F. L. Gestão da inovação: teoria e prática para implantação. São Paulo: Atlas, 2013. IDEC – Instituto de Defesa do Consumidor. Entenda o que é obsolescência programada. Disponível em: https://idec.org.br/consultas/dicas-e-direitos/entenda-o-que-e- obsolescencia-programada INDUSTRIA BRASILEIRA DE ÁVORES (IBÁ). Relatório Anual 2022. Brasil, IBÁ, 89 p. Disponível em: https://www.iba.org/publicacoes INSTITUTO LEGADO. Tecnologia e meio ambiente: conheça 3 cases de impacto ambiental. 2020. Disponível em: . MANZINI, E; VEZOLLI, C. O Desenvolvimento de Produtos Sustentáveis. EDUSP, 368 p, 2011. MATTOS, J. R. L.; GUIMARÃES, L. S. Gestão da tecnologia e inovação: uma abordagem prática. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2010. PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 69 OECD. Manual de Oslo: proposta de diretrizes para coleta e interpretação de dados sobre inovação tecnológica. 3. ed. Tradução para o português pela FINEP. S.I: s.n., 2005. PINELLI, N. Tecnologia a favor do meio-ambiente. 2016. Disponível em: . PROTESTE. Embalagens enganosas. Disponível em : https://www.proteste.org.br/institucional/imprensa/press-release/2016/mais-dois- produtos-terao-que-alterar-embalagens-enganosas RECICLA SAMPA. Tecnologia, uma grande aliada do meio ambiente. 2019. Disponível em: . RIBASKI, Nayara Guetten. Apostila de Gestão Ambiental. Faculdades da Indústria – IEL, 2013. ROTHWELL, R. Towards the fifth generation innovation process. International Marketing Review, v. 11, n. 1, 1994. SCHERER, F. O.; CARLOMAGNO, M. S. Gestão da inovação na prática: como aplicar conceitos e ferramentas para alavancar a inovação. São Paulo: Atlas, 2009.inovações e, evidentemente, causam impactos significativos, do ponto de vista econômico. Na ausência de inovações com o crescimento do capital, ou a sua diversificação em relação à mão-de-obra existente, devido a produtividade física marginal decrescente do capital, diminuem os lucros (ou a taxa de juros) e acumulação de capital. A produção crescente de inovações eleva a produtividade do capital, o lucro empresarial e ainda aumenta o salário real. O aumento do salário ocorre devido ao aumento da produtividade da mão-de-obra, independentemente das pressões sindicais, dos processos de regulamentação de monopólios e das intervenções assistenciais ou reguladoras do governo. PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 6 A manifestação do empresário (produtor de inovações), responsável pelo empreendimento (novas combinações de fatores de produção) constitui o “elemento fundamental do desenvolvimento econômico”. De acordo com pesquisas do National Bureau of Economics Research, mais de 50% do aumento da produtividade per capita e salários reais se deve às mudanças técnicas – avanços científicos e de planejamento, melhoramento de processos industriais e “know-how” de métodos de direção e treinamento da mão-de-obra. A inovação tecnológica, indutora do desenvolvimento econômico, crescimento de emprego, renda e inclusão social, depende também, entre outras coisas, de uma organização de grande número de pequenas, médias e grandes empresas disseminadas em todos os segmentos da economia e regiões do país e permeando os setores produtivos. As grandes empresas dependem das pequenas e médias que, por sua vez, dependem das grandes empresas. As empresas de médio e de pequeno porte e as grandes não são alternativas ou competidoras entre si, mas, sim, complementares. No Brasil, as micro e pequenas empresas ressentem-se da dificuldade de se consolidar. Consequentemente, diversas instituições, públicas e privadas promovem e apoiam iniciativas que assegurem a viabilidade econômica desses empreendimentos (incubadoras de empresas, universidades, centros de pesquisa, instituições de fomento, instituições financeiras). 2. PRINCIPAIS CONCEITOS 2.1 CIÊNCIA E TECNOLOGIA A ciência é um conjunto organizado dos conhecimentos relativos ao universo objetivo, envolvendo seus fenômenos naturais, ambientais e comportamentais. Pode ser pura ou fundamental ou pode ser aplicada. a) Pura: quando desvinculada aos objetivos práticos. PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 7 b) Aplicada: quando visa consequências determinadas. Mattos e Guimarães (2010, p. 15) definem tecnologia como o “conjunto ordenado de conhecimentos científicos, técnicos, empíricos e intuitivos empregados no desenvolvimento, na produção, na comercialização e na utilização de bens ou serviços”. E geralmente é desenvolvida no setor produtivo das organizações, por meio de pesquisa, desenvolvimento experimental e engenharia. Quanto às dimensões a tecnologia pode ser: a) Materializada: equipamentos, artefatos, softwares, aplicativos... b) Documentada: manuais, plantas, layouts, memórias descritivas, livros técnicos, etc... c) imaterial: conjunto de conhecimentos teóricos e práticos necessários para conceber, fabricar e utilizar bens e serviços. Exemplo: uma receita de família não documentada, conhecimentos que não são materializados ou documentados, etc... Quanto à disponibilidade a tecnologia pode ser imediata e não-imediata, como pode ser visualizado na Tabela 1 a seguir: Tabela 1 – Dimensões e disponibilidade da tecnologia Dimensões Disponibilidade Imediata Não Imediata Materializada Uso imediato Adaptabilidade Documentada Manuais, livros, revistas, publicações da especialidade Protegida por patentes e direitos intelectuais Imaterial Acesso/recurso a pessoas e equipes com experiência no domínio em causa Implícita ou Tácita, requer esforço de formação ou assimilação PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 8 Apesar de diferentes, as definições de ciência e tecnologia estão interligadas. A ciência está relacionada à aquisição de conhecimento por meio de um processo sistematizado, que pode ser repetido e verificado. Assim, para desenvolver ciência, é necessário o trabalho exaustivo, baseado num método rigoroso, além de compreender melhor um determinado fenômeno. Em contrapartida, a tecnologia é a aplicação da ciência em algum produto, serviço ou processo. Assim, os dois conceitos trabalham juntos nesse processo. 2.2 INOVAÇÃO Inovação pode ser conceituada como um conjunto de evoluções que alteram os métodos de produção, criando novas formas de organização do trabalho, produção de novas mercadorias, novos usos, formas de consumo e novos mercados. Segundo OCDE (2005, p. 55), “Inovação é a implementação de um produto (bem ou serviço) novo ou significativamente melhorado, ou um processo, ou um novo método de marketing, ou um novo método organizacional nas práticas de negócios, na organização do local de trabalho ou nas relações externas”. A inovação pode ser definida, também, por diferentes perspectivas. Podemos analisá- la como um processo, desde a geração da ideia até o seu lançamento no mercado, ou, ainda, como a gestão de todas as atividades relacionadas ao processo de inovação. Em conformidade com essa visão, constituem inovações: • A introdução de um novo bem com o qual os consumidores ainda não estão acostumados ou de uma nova qualidade de um bem. • Introdução de novo processo de produção, ainda não testado pela experiência no ramo da indústria, que não precisa ser baseado em descoberta científica nova, podendo constituir também em um novo processo de comercializar uma mercadoria. • Abertura de um novo mercado em que a indústria do país não tenha ainda entrado, quer tenha esse mercado existido ou não. PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 9 • Conquista ou descoberta de novas fontes de matéria prima ou de bens semifaturados já existentes ou criadas. • Estabelecimento de nova forma de organização industrial com uma formação de monopólio ou fragmentação de um monopólio. Essas inovações podem resultar de ideias e percepções sobre necessidades de clientes, utilização de novos materiais de baixo custo, descoberta de novos segmentos de mercado. Podem também resultar, mas não necessariamente, de criações originadas de pesquisa e desenvolvimento. Você sabe dizer qual é a base do processo de inovação? Ele sempre parte de um novo conhecimento e de uma nova ideia, que são desenvolvidos e implantados com sucesso no mercado. 2.3 INVENÇÃO Invenção é uma nova ideia, a criação de um novo produto ou processo, que não tem a pretensão de ser aceito no mercado. Criada sem demanda de mercado, a invenção surge de um processo criativo, sem objetivo comercial definido. A partir do momento em que adquire potencial para ser explorada no mercado e comercializada, torna-se inovação. Para se alcançar a inovação, a ideia de um produto ou processo inventado deve estar disponível no mercado e ser utilizado, aceite por ele! Ou seja, que as pessoas comprem os produtos desenvolvidos. A principal diferença entre inovação e invenção pode ser visualizada na Figura 1 a seguir: PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 10 Figura 1 – Diferença entre invenção e inovação 2.4 INOVAÇÃO TECNOLÓGICA É a transformação de uma ideia em um produto vendável, novo ou melhorado, deve- se criar alterações úteis ao potencial econômico e social da empresa. É realizado por meio da aplicação de novos conhecimentos tecnológicos, que resulta em novos produtos, processos ou serviços, ou melhoria significativa de alguns dos seus atributos. Ou seja, é um tipo de inovação que utiliza a tecnologia para aumentar a e ciência de um processo produtivo ou, então, para possibilitar ou aprimorar o desenvolvimentode um produto. É a inovação e a tecnologia trabalhando juntas para melhorar procedimentos e produtos disponíveis na sua rotina! E isto é tão importante que atualmente a sigla P&D incluiu a letra I de Inovação, ou seja, P&D + I, pois é um quesito fundamental de busca pelas Equipes Multidisciplinares que atuam nestas demandas. A inovação tecnológica envolve também conhecimentos nas áreas de marketing e na área de gestão das organizações, devido ao elevado ritmo de inovação que alteram os procedimentos internos de gestão. INVENÇÃO X INOVAÇÃO Ideia, esboço ou um modelo para um dispositivo, produto, processo ou sistema novo ou aperfeiçoado Produto, serviço ou processo que pode ser comercializado, tem um mercado potencial e é obtida ou provém de trabalhos de P&D PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 11 No cenário atual de competitividade e globalização de mercados, a inovação tecnológica é o fator de sobrevivência das organizações! Deseja aprofundar seu conhecimento sobre inovação tecnológica? Confira vários exemplos de inovações tecnológicas nos mais diversos campos do conhecimento. Acesse: . 3. INOVAÇÃO E COMPETITIVIDADE A competitividade pela conquista de mercados requer a utilização de novas tecnologias para aumentar a produtividade, melhorar a qualidade dos produtos e serviços e reduzir custos. Inovação é o resultado da aplicação eficaz de uma ou de diversas tecnologias no desenvolvimento de novos produtos ou na melhoria dos processos de produção. A produção de inovações exige conhecimento, criatividade, persistência e proatividade, entre outros atributos. E isso depende muito do empresário que tem o perfil do empreendedor. As pequenas empresas, desde a Segunda Grande Guerra são responsáveis por 50% de todas as inovações e por 95% de todas as inovações radicais. A inovação é classificada como incremental quando está associada a uma melhoria, e como radical, quando ocorre uma mudança significativa no conceito. 3.1 INOVAÇÃO RADICAL Inovações radicais ou revolucionárias transformam as formas de relacionamento entre consumidores e fornecedores, reestruturam aspectos da economia nos mercados, PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 12 desestabilizam produtos existentes e originam categorias de bens cujos atributos são completamente novos. Trata-se de um produto ou processo que apresente desempenho sem precedentes ou com características conhecidas que melhorem significativamente o desempenho ou o custo transformando os mercados existentes ou criando novos mercados. Esta categoria de inovação frequentemente é concebida a partir de novas ideias que redundam em projetos bem estruturados de P&D+I, executados com o concurso de empresas diversas em parceria e recursos suficientes. No caso da inovação radical analisam-se as vantagens de substituir uma determinada tecnologia por uma nova tecnologia e explorar as suas possíveis utilizações, criando produtos e mercados para esses produtos acionando-se, deste modo, o mecanismo gerador da inovação. Como exemplos de inovações radicais podemos ter a tomografia computadorizada, as imagens de ressonância magnética, computadores pessoais e os telefones celulares. 3.2 INOVAÇÃO INCREMENTAL As inovações incrementais são geralmente oriundas de necessidades do mercado, determinadas por demanda dos consumidores que, avaliada a sua viabilidade, pode provocar a inovação que permita satisfazer essa demanda. Resumidamente, de um produto existente para o subsequente a tecnologia é modificada para satisfazer as necessidades ou eliminar um defeito do produto anterior. Um fabricante de celulares implementa uma inovação incremental a partir do lançamento de novos aparelhos com design mais moderno e novas funções. Na inovação incremental, o tempo de desenvolvimento é menor, o prazo de implantação é pequeno e o risco é menor. Já a inovação radical está associada a uma mudança de conceito e resulta em um novo processo. É uma mudança única e o tempo de desenvolvimento e de implantação é longo. Nesse caso, o risco é maior. PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 13 4. TIPOS DE INOVAÇÃO A inovação é a introdução de algo novo em qualquer atividade humana. É vetor de desenvolvimento humano e melhoria da qualidade de vida. Em uma empresa, inovar significa introduzir algo novo ou modificar substancialmente algo existente. Segundo o Manual de Oslo, há quatro tipos de inovação: de produto (bens ou serviços), de processo, organizacionais e de marketing (OCDE, 2005, p. 23). Os tipos de inovação, de produto e de processos, são chamados de Inovações Tecnológicas, porque seus métodos e recursos estão fundamentados na utilização da tecnologia. E os tipos de inovação organizacionais e de marketing são realizados pela empresa com base em sua vivência no mercado. 4.1 PRODUTO É a introdução de um novo bem ou serviço no mercado. A mudança substancial de um bem ou serviço já existente também é considerada Inovação de Produto. Para que um bem ou um serviço seja reconhecido como inovador, é necessário que o mercado o acolha e passe a utilizá-lo. Portanto, é o volume de compras pelo mercado que define se um produto é inovador ou não. O simples lançamento de um produto novo, mesmo que tenha patente concedida, não significa que a empresa inovou. Fazer coisas novas, de antigas maneiras! As inovações de produto excluem: • Mudanças ou melhoramentos menores; • Atualizações de rotina; • Mudanças sazonais regulares (como nas linhas de vestuário); • Personalização para apenas um cliente que não inclua atributos fundamentalmente diferentes se comparados a produtos feitos para outros clientes; PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 14 • Mudanças no desenho que não alteram a função, o uso previsto ou as características técnicas do bem ou serviço; • A simples revenda de novos bens e serviços adquiridos de outras empresas. Alguns exemplos de inovação de produto: a) Bens • A substituição de insumos por materiais com características melhoradas (tecidos respiráveis, ligas leves, mas resistentes, plásticos não agressivos ao meio ambiente etc.); • Sistemas de posicionamento global (GPS) em equipamentos de transporte; • Câmeras em telefones celulares; • Sistemas de fecho em vestuário; • Aparelhos domésticos que incorporam softwares que melhoram a facilidade ou a conveniência de uso, como torradeiras que desligam automaticamente quando o pão está torrado; • Softwares anti-fraude que perfilam e rastreiam as transações financeiras individuais; • Redes sem fio embutidas em laptops; • Produtos alimentícios com novas características funcionais (margarinas que reduzem os níveis de colesterol no sangue, iogurtes produzidos com novos tipos de culturas, etc.); • Produtos com consumo de energia significativamente reduzido (refrigeradores com o uso eficiente de energia etc.); • Mudanças significativas em produtos para atender padrões ambientais; • Aquecedores programáveis e termostatos; • Telefones IP (protocolo de Internet); • Novos medicamentos com efeitos significativamente melhorados. PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 15 No processo de inovação de um produto, é fundamental considerar algumas estratégias que visam uma melhor gestão sustentável em meio ambiente, como: (i) minimizar os recursos utilizados na fase de produção, fazendo gestão de energia, insumos e matérias primas envolvidas; (ii) projetar com recursos de baixo impacto ambiental; (iii) otimizar e estender a vida dos produtos, pensando em estratégias que possibilitem a reciclagem e (iv) facilitar a desmontagem (Manzini e Vezolli, 2011). Assim, neste contexto, o ideal é sempre buscar o uso de materiais provenientes de fontes renováveis – como por exemplo fibras vegetais em substituição às fibras sintéticas, ou que provenhamde sobras de processos produtivos ou que já tenham sido eliminados, bem como que possam ser biodegradáveis e que não contenham materiais tóxicos ou danosos ao produto, seres vivos e meio ambiente. Assim, na prevenção da geração de possíveis resíduos que possam gerar passíveis ambientais, pode-se dar prioridade à eliminação ou redução na origem e ao reuso. Algumas ações possíveis são: Mudança de tecnologia no processo de produção; nos equipamentos; lay-out; uso de controles e automação; Mudanças no produto, em sua composição, design, durabilidade e princípios de reciclagem; Mudança nas matérias primas, como a substituição de tradicionais por materiais renováveis, controle de qualidade na compra e recebimento; controle das condições de estocagem e, por fim, Adoção de processos de recuperação e reuso, atrelado à constante capacitação dos profissionais envolvidos. Deve-se ter, também, como normatização reguladora a ser considerada, a Política Nacional dos Resíduos Sólidos (PNRS), Lei n° 12.305/2010, que dispõe sobre seus princípios, objetivos e instrumentos, bem como sobre as diretrizes relativas à gestão integrada e ao gerenciamento de resíduos sólidos, incluídos os perigosos, às responsabilidades dos geradores e do poder público e aos instrumentos econômicos aplicáveis. Neste documento, resíduo sólido é toda substância, objeto ou bem descartado resultante de atividades humanas em sociedade, nos estados sólido ou semissólido, PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 16 bem como gases contidos em recipientes e líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou em corpos d’água, ou exijam para isso soluções técnica ou economicamente inviáveis em face da melhor tecnologia disponível. Já os rejeitos são resíduos sólidos que, depois de esgotadas todas as possibilidades de tratamento e recuperação por processos tecnológicos disponíveis e economicamente viáveis, não apresentem outra possibilidade que não a disposição final ambientalmente adequada. Também, no processo inovativo de um produto, muito se discute sobre o design de obsolescência, que é o desenvolvimento pensado para ser tem produto de vida curta. Por exemplo: quando você vai consertar determinado produto e a peça de reposição tem custo próximo ao valor total do mesmo produto, este pode ser considerado um produto com obsolescência programada. Porém, o produto ser “planejado” para parar de funcionar ou se tornar obsoleto em um curto período é uma prática industrial que deve ser combatida (IDEC, 2012), pois também pode aumentar o passivo ambiental no tocante a uma incorreta destinação. b) Serviços • Novos serviços que melhoram muito o acesso dos consumidores a bens ou serviços, como o serviço de entrega e retirada em casa para aluguel de automóveis; • Serviço de assinatura Netflix; • Serviço de Airbnb; • Serviços de Internet de vibra ótica; • Serviços de Internet como bancos ou sistemas de pagamentos de contas; • Novas formas de garantia, como a garantia estendida para bens novos ou usados, ou garantias em pacotes com outros serviços, como cartões de crédito, contas bancárias ou cartões de fidelidade para os consumidores; PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 17 • Novos tipos de empréstimos, por exemplo, empréstimos a taxas variáveis com um teto fixo para o valor da taxa; • Criação de sites na Internet, onde novos serviços como a oferta gratuita de informações sobre produtos e várias funções de suporte ao cliente; • A introdução de cartões inteligentes e de cartões plásticos de várias funções; • Novos serviços de pagamento como Pix e picpay; • Um novo escritório bancário de auto-atendimento; • A oferta aos clientes de um novo "sistema de controle de fornecimento" que possibilite aos clientes checar se as entregas dos contratantes atendem às especificações. 4.2 PROCESSOS É a introdução de um novo método de produção ou de distribuição, ou significativamente melhorados. A inovação de processos pode viabilizar a fabricação e distribuição de produtos novos, a redução de custos de produção e logística e melhoria na qualidade de produtos já existentes. Fazer coisas antigas, de novas maneiras! Um exemplo de inovação de processo pode ser observado na Figura 2, que retrata uma linha de montagem da indústria automobilística. PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 18 Figura 2 – Exemplo de inovação de processo. Fonte: A evolução histórica das linhas de montagens de veículos. Disponível em: https://brasilmecanico.com.br/2019/08/evolucao-historica-das-linhas-de-montagens/ (2021). Ex: A Pringles - Não sendo verdadeiramente batatas fritas, este produto desenvolvido pela Procter & Gamble, é reconhecido pelo consumidor como tal. A sua tecnologia de produção é completamente distinta da utilizada na fabricação das batatas fritas ditas clássicas. As inovações de processo excluem: • Mudanças ou melhoramentos menores; • Um aumento nas capacitações dos produtos ou serviços por meio da adição de sistemas de fabricação ou de logística muito similares àqueles já em uso. Alguns exemplos de inovação do processo: http://www.pringles.com/index.html PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 19 a) Produção • Instalação de uma tecnologia de fabricação nova ou melhorada, como os equipamentos de automação ou sensores em tempo real capazes de ajustar processos; • Novos equipamentos exigidos para produtos novos ou melhorados; • Instrumentos de corte a laser; • Embalagem automatizada; • Desenvolvimento de produto auxiliado por computador; • Digitalização de processos de impressão; • Equipamentos computadorizados para o controle da qualidade da produção; • Equipamentos de testes melhorados para o monitoramento da produção. • Uso da Inteligência Artificial. b) Entrega e operações • Scanners/Computadores portáteis para registrar bens e estoques; • Introdução de códigos de barras ou de chips de identificação por freqüência de rádio passiva (RFID) para rastrear materiais ao longo da cadeia de fornecimento; • Sistemas de rastreamento GPS para equipamentos de transporte; • Introdução de softwares para identificar rotas de distribuição ótimas; • Softwares ou rotinas novos ou melhorados para sistemas de compra, contabilidade ou manutenção; • Introdução de sistemas eletrônicos de liquidação; • Introdução de um sistema automatizado de resposta por voz; PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 20 • Introdução de um sistema eletrônico de fornecimento de tickets; • Novas ferramentas de softwares desenhadas para melhorar os fluxos de oferta; • Redes de computadores novas ou significativamente melhoradas. 4.3 MARKETING É a implementação de um novo método de marketing na empresa. Este novo plano mercadológico deve alterar significativamente a concepção do produto, identidade visual (embalagem etc.) e forma de comercialização (promoção, precificação etc.). Essas mudanças têm o objetivo de abrir novos mercados, melhorar o atendimento dos consumidores e aumentar as vendas de produtos novos ou já existentes, lembrando que cerca de 90% dos produtos existentes no país dependem exclusivamente da embalagem como instrumento de venda. O novo método mercadológico pode ter sido elaborado na empresa ou adquirido ou copiado de outros empreendimentos. As inovações de marketing excluem: • Mudanças na concepção ou na embalagem do produto, no posicionamento do produto, na promoção do produto ou na formação de preços baseadas em métodos de mercado previamente utilizados pela empresa; • Mudanças sazonais, regulares ou de rotina nos instrumentos e marketing; • O uso de métodos de marketing já aplicados, para atingir um novo mercado geográfico ou um novo segmento de mercado (por exemplo, grupos de clientes sócio-demográficos). Alguns exemplos de inovação de marketing:PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 21 a) Concepção e embalagem • Implementação de uma mudança significativa na concepção de uma linha de móveis para dar-lhe nova aparência e ampliar seu apelo; • Implementação de uma concepção fundamentalmente nova para frascos de loção para o corpo visando dar ao produto uma aparência exclusiva. b) Posicionamento (canais de vendas) • Introdução pela primeira vez de licenciamento de produtos; • Introdução pela primeira vez de vendas diretas ou de varejo exclusivo; • Implementação de um novo conceito para a apresentação de produtos como os salões de vendas para móveis desenhados de acordo com temas, permitindo aos consumidores visualizar os produtos em salas totalmente decoradas; • Implementação de um sistema de informação personalizado, obtido, por exemplo, a partir de cartões de fidelidade, para adequar a apresentação de produtos às necessidades específicas dos consumidores individuais. c) Formação de preços • Introdução de um novo método que possibilite aos consumidores escolher as especificações do produto desejado no site da empresa e então ver o preço para o produto especificado; • O uso pela primeira vez de um método para variar o preço de um bem ou serviço segundo sua demanda; • O uso pela primeira vez de ofertas especiais reservadas, acessíveis apenas aos possuidores de cartão de crédito da loja ou cartão de recompensas. PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 22 d) Promoção • O uso pela primeira vez de marcas registradas; • O uso pela primeira vez de posicionamento de produto em filmes ou em programas de televisão; • Introdução de um símbolo de marca fundamentalmente novo visando posicionar o produto da empresa em um novo mercado; • O uso pela primeira vez do lançamento de um produto por meio de líderes de opinião, celebridades ou grupos particulares que estejam na moda ou que estabeleçam tendências de produtos. Uma questão importante, envolvendo comunicação, marketing e embalagens, é a maquiagem verde ou “greenwashing”, que são irregularidades na rotulagem ambiental de produtos disponíveis para compra. Como exemplos pode-se citar: uso indevido de selos próprios, sem o respaldo de certificadoras credenciadas; o emprego de adjetivos, como a palavra “ecológico”, sem informações adicionais que justifiquem isso; destaques para características do produto como se fossem exclusivas, mas que são comuns a todos os concorrentes. Ações de maquiagem verde podem ser alvo de processos éticos instaurados pelo Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária – CONAR, como o realizado em parceria com a PROTESTE e que identificou cerca de 12 produtos com irregularidades em suas rotulagens ambientais (PROTESTE, 2016). 4.4 ORGANIZACIONAL É a implementação de métodos organizacionais não utilizados anteriormente pela empresa a fim de reduzir custos administrativos e de suprimentos. A Inovação Organizacional é de caráter administrativo, de gestão de pessoas e de gestão da organização. PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 23 Na prática, significa a implantação de: novas rotinas e procedimentos; sistemas de produção enxutos; gestão da qualidade; centralização/descentralização de atividades; integração de diferentes negócios etc. A Inovação Organizacional também pode ocorrer nas relações externas da empresa, por exemplo, o estabelecimento de parcerias com entidades do mesmo setor, fornecedores e clientes, universidades e institutos de pesquisas. As inovações organizacionais excluem: • Mudanças nas práticas de negócios, na organização do local de trabalho ou nas relações externas baseadas em métodos organizacionais já em uso na empresa; • Mudanças na estratégia de gerenciamento da empresa, a menos que estejam acompanhadas pela introdução de um novo método organizacional; • Fusões e aquisições de outras empresas. Alguns exemplos de inovação organizacional: a) Práticas de negócios • Estabelecimento de uma nova base de dados das melhores práticas, lições e outros conhecimentos mais facilmente acessíveis a outros; • Introdução pela primeira vez de um sistema de monitoramento integrado para as atividades da empresa (produção, financiamento, estratégia, marketing); • Introdução pela primeira vez de sistemas de gerenciamento para a produção geral ou para operações de fornecimento, como gerenciamento da cadeia de fornecimento, reengenharia de negócios, produção enxuta, sistema de gerenciamento de qualidade; • Introdução pela primeira vez de programas de treinamento para criar equipes eficientes e funcionais que integram funcionários de diferentes setores ou áreas de responsabilidade. PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 24 b) Organização do local de trabalho • Implementação pela primeira vez da responsabilidade de trabalho descentralizada para os trabalhadores da empresa, como conceder muito mais controle e responsabilidade sobre os processos de trabalho para o pessoal de produção, distribuição e vendas; • Estabelecimento pela primeira vez de equipes de trabalho formais e informais para melhorar a acessibilidade e o compartilhamento de conhecimentos de diferentes departamentos, como marketing, pesquisa e produção; • Implementação pela primeira vez de um sistema anônimo de relato de incidentes para encorajar a comunicação de erros ou riscos visando identificar suas causas e reduzir sua freqüência. c) Relações externas • Introdução pela primeira vez de padrões de controle de qualidade para fornecedores e subcontratados; • Uso pela primeira vez do fornecimento externo (outsourcing) de pesquisa e de produção; • Ingresso pela primeira vez na colaboração de pesquisas com universidades ou outras organizações de pesquisa. Os quatro tipos de inovação têm pontos em comum: PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 25 a) Novidade No caso das Inovações Tecnológicas, é preciso um produto ou processo novo, ou pelo menos substancialmente modificados se existente anteriormente. Já nas Inovações de Marketing e Organizacionais, a empresa deve utilizar métodos novos. b) Ganho Qualquer tipo de inovação deve forçosamente trazer ganhos para a empresa, como aumento de vendas, rentabilidade, redução de custos, aumento do portfólio de produtos, diversificação de mercado e mais competitividade. Atenção, se foram implementados métodos novos na comercialização de produtos ou na descentralização do poder decisório da empresa, mas não houveram ganhos, não ocorreu inovação. Se o produto lançado não emplacou no mercado, também não ocorreu inovação. c) Inovação para o mercado ou para a empresa É possível inovar para o mercado e/ou para a empresa. O produto é novo para o mercado quando é uma absoluta novidade, ou seja, o primeiro para os consumidores. Ex.: o primeiro aparelho celular. Se alguns anos depois desta inovação, uma empresa que fazia aparelhos de radiotelecomunicação decidiu produzir aparelhos celulares, ela estará lançando produto novo para a empresa. Portanto, a inovação na empresa só é reconhecida quando há ganho (resultados econômicos) obtido por meio da implementação novos produtos ou processos ou práticas de marketing ou organizacionais. Além dos quatro tipos de inovação analisados, é possível também inovar no modelo de negócio. Esse tipo de inovação está relacionado à maneira como se extrai valor de um determinado negócio. PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 26 Para entender melhor esse conceito, vamos analisar o Google. Seu principal serviço, totalmente gratuito, é um portal de buscas na Internet. Mas, então, como o Google ganha dinheiro? Sua forma de extrair valor é pela publicidade. Isso é o que chamamos de inovação no modelo de negócios! - Artigo: Havaianas - sucesso da utilização do marketing público e privado (administradores.com.br) Disponível em: https://administradores.com.br/artigos/havaianas-sucesso-da-utilizacao-do-marketing-publico-e-privado 5. PROCESSO OU FASES DA INOVAÇÃO Embora a inovação possa ter origem em uma ideia, ou em um evento fortuito, ela não pode ser dependente do acaso ou fruto apenas da sorte. Esperar por inspiração não é um bom método. Antecedendo uma boa ideia, normalmente há horas de esforços que produzem insight até chegar à conexão final. Uma empresa não deve depender apenas de uma ideia iluminada inusitada e ocasional para desenvolver sua capacidade competitiva. Mais que isso, uma ideia, se não for gerenciada, perde-se no tempo e é atropelada pela rotina. A inovação, portanto, não é uma atividade eventual, é um processo a ser gerenciado, desde a ideia inicial até a implementação. Um processo de inovação inicia-se pela geração de novas ideias (idealização), segue com o refinamento do conceito da ideia proposta (conceituação), passa pela redução das incertezas (experimentação) e chega à concreta transformação dos mesmos em inovações (implementação). A figura 3 mostra de forma esquemática o processo de inovação. PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 27 Figura 3 – Processo de Inovação A inovação não pode ser tratada, em uma organização, como uma iniciativa isolada, pois seus resultados não seriam sustentáveis ao longo do tempo. O que se espera é que a inovação seja permanente e, para isso, deve ser tratada como um processo. 5.1 IDEALIZAÇÃO A primeira etapa do processo de inovação é a idealização. Como o próprio nome sugere, é quando as ideias são geradas. Essa inovação consiste na captação de ideias advindas tanto do interior como do exterior da empresa. Como as ideias são a matéria-prima para a inovação, deve-se estimular a constante alimentação de novas ideias. A idealização está associada à junção da criatividade com a informação e conhecimento. Nessa primeira etapa, a quantidade de ideias é mais importante do que a qualidade, uma vez que a etapa seguinte irá permitir o aprimoramento das mesmas e também a seleção das mais promissoras. Informações coletadas externamente à empresa mais o conhecimento internalizado combinados de forma criativa constituem, portanto, a fórmula para a geração de novas ideias. Para que essa etapa seja efetiva, alguns fatores são importantes, por exemplo, as pessoas que participam dessa etapa precisam ter um bom conhecimento tanto sobre as PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 28 tecnologias relacionadas ao produto ou processo, quanto sobre o mercado. Além disso, é fundamental que a criatividade seja estimulada. As fontes externas de ideias podem ser consumidores, fornecedores, concorrentes, especialistas, institutos de pesquisa e universidades e, também, patentes, publicações especializadas, relatórios de tendências, páginas da web, feiras e exposições, etc. A geração de ideias internas pode ser um processo espontâneo ou induzido. Na geração espontânea, colocam-se à disposição dos colaboradores caixas de sugestões ou sistemas virtuais de coleta. Na medida em que há um insight, ou que surge uma nova ideia, ela é canalizada para a análise. As caixas se sugestões apresentaram por muitos anos o instrumento mais utilizado para coletar ideias dos colaboradores. Mostram-se excelentes especialmente quando utilizadas para a implementação de melhorias, mas apresentam sérias limitações quando se buscam realmente ideias inovadoras. A indução de ideias é feita periodicamente por meio de técnicas específicas, que podem e devem ser utilizadas para fomentar a criatividade. Antes de as ideias avançarem rumo à fase de Conceituação, é preciso que haja uma avaliação das iniciativas propostas, separando-as de acordo com a sua complexidade e nível de clareza. 5.2 CONCEITUAÇÃO A conceituação é o processo de transformar a ideia em um conceito. Participam dessa etapa o criador da ideia e qualquer outra pessoa que posa contribuir para o desenvolvimento do conceito. A chamada polinização cruzada na qual se faz uma ideia percorrer diferentes departamentos ou filiais da empresa, ajuda no preenchimento de lacunas nos conceitos. Essa etapa consiste em avaliar de maneira qualitativa a ideia, de maneira a definir questões vinculadas a quatro aspectos básicos: mercado, tecnologia, fator humano e alinhamento com o negócio. PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 29 Em relação ao mercado, são levados em consideração critérios relativos a tendências dos usuários, ao tamanho e crescimento do mercado potencial, ao desenvolvimento do conceito e à vantagem competitiva que se espera em relação aos concorrentes existentes. Nesse momento é importante criar personas para a sua ideia. Persona é uma representação fictícia do seu cliente ideal de um negócio. É baseado em dados e características de clientes reais, como comportamento, dados demográficos, problemas, desafios e objetivos. Uma boa definição de persona passa justamente pelo contato com o seu público-alvo. Assim, em uma rápida análise, você pode identificar características comuns entre os potenciais compradores. Resumindo, na conceituação, ocorre o refinamento de uma ideia: avalia-se seu potencial de aceitação no mercado, assim como se os recursos necessários para seu desenvolvimento estão disponíveis. 5.3 EXPERIMENTAÇÃO A experimentação consiste em testar na prática o conceito. Um exemplo é o desenvolvimento de um protótipo, seguido dos primeiros testes de qualidade. É também nessa etapa que se analisa a aceitação do produto no mercado. O objetivo, durante a experimentação, é tornar o produto pronto para ser implementado. Para auxiliar a estruturação de um projeto de experimentação, sugere-se os seguintes passos ilustrados na figura 4: PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 30 Figura 4 – Processo de experimentação (Adaptado de Scherer e Carlomagno, 2009) 5.3.1 Defina a ideia a ser experimentada Nem todas as ideias e conceitos inovadores exigem experimentação. Quanto maior o nível de incerteza, maior a necessidade de ter esse feedback antes de implementar em larga escala. Assim, o primeiro passo é selecionar a ideia. 5.3.2 Defina as incertezas A inteligência numa estruturação de experimentação reside na adequada definição das incertezas. Depois de definidas as principais incertezas, é preciso selecionar quais podem ter maior impacto futuro e por isso devem ser testadas. 5.3.3 Estruture o piloto e a amostra Ao invés de testar a ideia com todos os clientes, ou em todos os pontos de venda ou em todas as unidades da empresa, deve-se definir qual será a amplitude do experimento. Um Definição da idéia a ser experimentada Definição de incertezas Estruturação do experimento Execução do piloto Avaliação dos resultados PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 31 piloto também precisa ter uma data para começar e uma data para terminar. Além disso, deve haver um roteiro definido para avaliar as incertezas selecionadas. 5.3.4 Execute o piloto A execução do piloto deve ser feita mantendo as premissas e focando as incertezas selecionadas. Surgindo novas questões, a empresa pode avaliar se inclui no projeto em andamento ou se é necessária outra experiência. 5.3.5 Avalie resultados Ao final do experimento é possível discernir quais mudanças precisam ser realizadas para ampliar as chances de êxito da inovação. É o momento avaliar cada uma das incertezas selecionadas para o teste. Sanadas as incertezas, é hora de implementar. 5.4 IMPLEMENTAÇÃO Evidentemente, é do interesse da empresa que os projetos atinjam seus objetivos finais, ou seja, transformem-se realmente em inovações no mercado. Nessa etapa, o projeto de inovação é submetido ao teste de mercado para que seja validado pelos consumidores- alvo. PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 32 O planejamento da implementação da inovação consiste naidentificação e alocação dos recursos que serão utilizados para o desenvolvimento desta. Determina-se também que outros recursos serão necessários. 5.5 FLUXOGRAMA DO PROCESSO DE INOVAÇÃO Para facilitar o entendimento do processo de inovação, é apresentado, na Figura 5, um exemplo de fluxograma, que representa possíveis etapas do processo de inovação, em um nível mais operacional. Figura 5 – Fluxograma do processo de inovação. PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 33 Como podemos verificar, o processo de inovação inicia com a geração de ideias. Em seguida, elas são documentadas e avaliadas, então, é dado um retorno ao autor se a ideia será ou não aproveitada. Caso não seja aprovada, ela é armazenada no banco de ideias. Se for aprovada, segue o fluxo e é feito o desenvolvimento do conceito. Caso o conceito não seja aprovado, segue para o banco de ideias; caso seja, inicia-se o desenvolvimento do produto até seu lançamento. Uma vez que esteja no mercado, os indicadores do projeto são avaliados. Se as metas não foram atingidas, as causas são investigadas; se foram cumpridas, aplica-se a política de reconhecimento e recompensa, e o processo chega ao fim. Em qualquer processo de inovação, dar um retorno ao autor da ideia é muito importante, pois, assim, ele se sente valorizado, mesmo que a resposta seja negativa, e continua participando da geração de ideias. A gestão da inovação dentro de uma organização compreende todas as etapas do processo de inovação, desde o levantamento e a seleção das oportunidades, passando pela definição dos recursos necessários, até a implementação. Para facilitar essa gestão, algumas ferramentas podem ser utilizadas, como o funil da inovação. O funil de inovação é uma ferramenta de gestão que permite reunir ideias inovadoras e auxiliar a gestão empresarial a definir se a aplicação prática das ideias é viáveis ou não. Existem diferentes formas de representar o funil de inovação, todas com o objetivo de mostrar alguns indicadores de inovação, desde a geração da ideia, até o produto já lançado. Os indicadores podem variar de acordo com a situação. Entretanto, normalmente se considera a quantidade de ideias ou projetos e o potencial de faturamento. Para entender melhor como funciona o funil da inovação, vamos PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 34 apresentar duas situações em que ele é usado. A Figura 6 traz o funil da inovação considerando o front end1. Figura 6 – Funil do front end da inovação. Fonte: adaptado de Freitas Filho (2013). Observa-se que foram geradas 350 ideias, das quais foram aprovadas 42 e desenvolvidos seis conceitos; destes, dois foram aprovados e encaminhados para o desenvolvimento de produtos. Agora, vamos analisar um exemplo de funil de inovação durante a fase de desenvolvimento de produto, conforme apresentado na Figura 7: 1 O front end da inovação pode ser caracterizado pela geração e seleção de ideias, pela identificação de oportunidades e pelo desenvolvimento de conceitos. PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 35 Figura 7 – Funil de inovação no desenvolvimento de produtos. Observe que é possível identificar o potencial de faturamento dos projetos de inovação em desenvolvimento (Projetos A, B, C e D), que, juntos, somam cinco milhões e novecentos mil dólares, e também dos produtos já lançados, que é de dois milhões de dólares. O funil da inovação no front end indica o potencial de geração de inovação. Já o funil no desenvolvimento indica o potencial de faturamento dos projetos que já estão em andamento, assim como o faturamento dos produtos já lançados. Juntas, as duas ferramentas possibilitam a gestão do processo como um todo, desde a geração de ideias, até o lançamento das inovações. 6. MODELO DE INOVAÇÃO PARA GESTÃO TECNOLÓGICA É importante destacar que existem diferentes modelos de inovação, cada um com dimensões distintas para representar os processos. É por meio do modelo que a organização PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 36 gerencia esse processo, a fim de garantir os resultados da inovação. Bessant e Tidd (2009) apresentam um esquema para a gestão da inovação, conforme apresentado na Figura 8: Figura 8 – Modelo de inovação. Fonte: adaptado de Bessant e Tidd (2009). A partir da figura 8, vemos que a primeira dimensão é constituída pela liderança e pelo direcionamento estratégico, que consiste no caminho a ser seguido pela organização. Ela está relacionada à forma com a liderança executa o plano estratégico. A segunda dimensão, por sua vez, consiste na organização inovadora, que está relacionada à estrutura organizacional e à cultura da empresa. Essa dimensão avalia se existe um ambiente favorável à inovação e que facilite a aprendizagem. PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 37 Outra dimensão importante é o processo, representado no modelo pela sequência “gerar, selecionar e implementar”. É por meio dele que as ideias são transformadas em inovação. Por fim, os canais proativos representam todos aqueles que, de alguma forma, contribuem com o processo de inovação como um todo. Podem ser de dentro da empresa (inovação fechada) ou de fora da empresa (inovação aberta). Neste contexto, ferramentas de qualidade podem ser um importante aliado. Como exemplo, pode -se citar o ciclo PDCA (iniciais das palavras Plan, Do, Check e Action), etapas que podem ser norteadas por: Pensar na forma de atingir os objetivos; Planejar para atingir os objetivos (onde? quando?); Executar o que foi planejado; Avaliar o que foi implementado e Pensar numa forma de melhorar o que foi implementado. Outra importante ferramenta é a melhoria contínua, que em muitos casos apresenta fácil implantação e não necessita de grandes aportes financeiros, e ainda traz a vantagem de criar um clima organizacional pró ativo, trazendo os colaboradores a um maior pertencimento à sua atuação profissional, dando voz a todos dentro da cadeia hierárquica e alavancando vantagens nos diversos setores envolvidos. 6.1 PRINCÍPIOS DA INOVAÇÃO FECHADA E DA INOVAÇÃO ABERTA A inovação fechada parte do pressuposto de que a inovação é desenvolvida totalmente dentro da organização. Nesse modelo, não são buscados parceiros para o processo de inovação, pois ele é concentrado nas áreas de pesquisa e desenvolvimento da empresa. Na inovação fechada, o conhecimento interno é enfatizado. Já a inovação aberta extrapola os limites da empresa. Buscam-se competências não encontradas internamente. Podem ser por meio de fornecedores, clientes, pessoas de outras empresas, ou quem estiver disposto a colaborar para o sucesso de um projeto de inovação. Nesse caso, dá valor às parcerias. PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 38 6.2 MODELOS LINEARES Ele parte do princípio de que a inovação ocorre em etapas e de forma sequencial. Primeiramente, é feita uma pesquisa fundamental ou básica, para que, em seguida, seu resultado seja aplicado a um produto ou processo. O passo seguinte é fazer um desenvolvimento experimental, até que o projeto se transforme num produto. Por último, ocorre a comercialização. Figura 9 – Modelo linear de inovação. 6.2.1 Modelo Science-push ou Discovery-push O Science-push (Figura 10) parte do pressuposto que é a partir da ciência que a inovação vai ocorrer, sendo um modelo bastante interessante por parte dos cientistas, pois justifica maiores investimentos em pesquisa básica. Figura 10 – Representação do modelo Science-push Pesquisa básica orientada pela curiosidade Pesquisa aplicada Desenvolvimento experimental Inovação tecnológica PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 39 6.2.2 Modelo Market-pull ou Demand-pull O modelo de market-pull (Figura 11) possui como ponto de partida ao processo de inovação tecnológica o fator da procura pelo mercado,mais do que a disponibilidade de conhecimentos científicos. Figura 11 – Representação do modelo Market-pull Atualmente é reconhecido que o processo de inovação não pode ser representado por uma sequência linear de eventos a partir de um único fator. O processo ocorre de forma interativa, envolvendo a combinação e a sinergia de muitos fatores, como por exemplo: • Domínio de conhecimentos técnico-científicos específicos • Necessidades e atitudes sociais • Procura pelo mercado • Apoio governamental mediante definição de prioridades e aplicação de instrumentos de fomento apropriados • Capacidade de risco do poder público e do setor empresarial • Disponibilidade de capital para investimentos • Qualidade do sistema das tecnologias industriais básicas • Disponibilidade e qualidade dos serviços de apoio • Dimensão e qualidade do sistema de educação tecnológica, etc... Procura pelo mercado Pesquisa aplicada Desenvolvimento experimental Inovação tecnológica PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 40 6.3 MODELO PARALELO O modelo paralelo é semelhante ao modelo linear, porém leva em consideração, como entradas do processo, as necessidades de mercado e as novas tecnologias. Essas entradas alimentam o processo em qualquer uma das etapas e caminham em paralelo. Figura 12 – Modelo de paralelo de inovação. Fonte: adaptado de Rothwell (1994). Nesse modelo, a inovação pode ser proveniente de uma nova tecnologia, ser demandada pelo mercado ou, então, pode ocorrer as duas situações simultaneamente. 6.4 MODELOS INTERATIVOS Ao menos dois desenvolvimentos intelectuais foram necessários para que emergissem os modelos interativos. Um deles dizia respeito ao desenvolvimento da ciência e da tecnologia no âmbito cultural; o outro tratava das relações entre conhecimento e tecnologia, no sentido de desenvolvimento de inovações. PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 41 A corrente evolucionista sobre o progresso técnico, coloca que as formas de relacionamento entre pesquisa e atividade econômica são múltiplas e que o processo de inovação é percebido como sendo interativo e multidirecional, não havendo uma etapa apenas - a da invenção, em que o aumento do conhecimento é aproveitado pelo sistema econômico. Price (1973) desenvolveu um modelo interativo, que desafiou o modelo linear e reafirmou a noção da construção do processo de acumulação ou transferência da velha para a nova ciência e, de modo similar, da velha para a nova tecnologia. Price considerou que a acumulação da ciência e da tecnologia interagiam historicamente, embora de modo não muito intenso, de maneira que se pode afirmar que existia uma simbiose entre as duas. A principal característica dos modelos interativos, então, é a representação de que todo o processo de mudança tecnológica ocorre de forma interativa entre todos os elementos constituintes do processo. Diferente dos modelos lineares, nos quais as etapas ocorrem apenas uma após a outra, sem interação nem feedback entre esses elementos. 6.4.1 Octógono Da Inovação O octógono da inovação apresenta oito dimensões sobre a capacidade de inovar de uma organização. É um instrumento que pode ser utilizado para realizar o diagnóstico de inovação de uma organização ou para a gestão da inovação. Observe a Figura 13: PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 42 Figura 13 – Octógono da inovação. Fonte: adaptado de Scherer e Carlomagno (2009). • Estratégia: consiste na direção que a organização deve seguir para atingir os resultados da inovação e sua contribuição para os resultados da organização. • Cultura da inovação: refere-se à maneira como as pessoas se comportam, de modo a construir um ambiente propício à inovação. PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 43 • Liderança para inovação: diz respeito ao comprometimento dos líderes com o resultado da inovação, incluindo questões relativas à provisão de recursos, à motivação dos colaboradores, ao estabelecimento de metas e à cobrança de resultados. Além disso, a liderança é também responsável pelas políticas de reconhecimento e recompensa. • Pessoas: quem faz efetivamente a inovação acontecer são as pessoas. Sem pessoas não se inova. Por isso, é necessário construir times com pessoas motivadas, criativas e competentes, de modo a obter os melhores resultados. • Estrutura organizacional: pode ser um motivador ou um inibidor da inovação. Alguns fatores motivam a inovação, e eles variam de empresa para empresa. Sendo assim, cada organização deve identificar o que motiva e o que inibe seus colaboradores no processo de inovação. • Processo: é fundamental para que a inovação seja contínua e consistente dentro de uma organização. Estabelecer um processo é uma forma de buscar a sustentabilidade de um programa de inovação. • Funding: são os recursos necessários, já que, sem recursos, as empresas não conseguem inovar. As organizações que inovam, normalmente, disponibilizam um percentual do seu faturamento para investir em projeto de inovação. • Relacionamento: está relacionada à forma como a empresa se relaciona com todos os stakeholders. 7. A GESTÃO DA INOVAÇÃO TECNOLÓGICA Para a sobrevivência e sustentabilidade das organizações, sabemos que é preciso vender bem os produtos ou serviços por elas propostos e gerados. Mas isso não significa que tal situação é a mais cômoda ou satisfatória para garanti-la por muito tempo, devemos sair PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 44 dessa (estável) zona de conforto e buscar novas tecnologias e inovações para melhor competir no mercado. Deve-se entender que inovação (Figura 14) não é algo que ocorra apenas em países avançados e em indústrias de alta tecnologia, pelo contrário, já é algo que ocorre no dia a dia das empresas brasileiras. O processo inovativo acontece quando a empresa domina e implementa o design e a produção de bens e serviços que sejam novos para ela, independente do fato de serem novos ou não para os seus concorrentes. Figura 14 – Representação de inovação Para atender essa condição é preciso produzir com alta qualidade, prazo para entrega no tempo certo e gerar lucro para a empresa, ainda usando os recursos necessários à utilização das melhores tecnologias nos produtos ou nos processos de fabricação. O descaso com a inovação e investimento em tecnologia, pode levar à ruína tanto os produtos quanto a organização, isso porque enquanto uma empresa procura produzir mais aquilo que está dando certo, outras estão em constante desenvolvimento e pesquisas, superando com grande diferencial e custo de fabricação, incidindo no preço final. Existe uma ligação direta entre a tecnologia e a estratégia de desenvolvimento, em que para as organizações não basta encontrar as tecnologias do futuro, mas sim dominá-las o suficiente para garantir tal avanço. A participação efetiva dos colaboradores com a devida resposta, pelo representante da gestão, traz grande retorno para a empresa e para os colaboradores, que se sentem mais valorizados como profissional e a empresa com os resultados por essa ação. PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 45 Motivando as parcerias estratégicas entre governos, empresas e universidades, multiplica-se a capacidade de investimento por meio da criação dos fundos setoriais, buscando modernizar a gestão do sistema, quer pela agilização das instituições de fomento, quer pela criação da Agência de Gestão Estratégica, quer ainda pela tentativa de abrir cada vez mais os procedimentos à participação efetiva da ponta do sistema, isto é, de seus usuários, na gestão eficiente e crítica de seu funcionamento. Transformar conhecimento em riqueza é o grande desafio contemporâneo para países em desenvolvimento, ou, na nova nomenclatura, emergentes como o Brasil. Vários são os indicadores que mostram, nos últimos 20 anos,mudanças positivas no país, com índices de desenvolvimento bastante favoráveis. A participação do país na produção do conhecimento científico mundial subiu de 0,6% para 1,2%, considerando-se aí apenas as publicações indexadas. O número de doutores que formávamos anualmente em 1980 era de 500, subindo para 1.500 em 1990 e para quase 6.000 em 2000. 7.1 GESTÃO A gestão de todo negócio tem como propósito direcionar, organizar, e coordenar todas as ações dentro de uma empresa, desde a área de recursos humanos até a área de manutenção operacional. Desta forma, pela sua abrangência, essa função deixou de ser restrita aos administradores para ser expandida a todos com capacidade de gerenciar toda e qualquer função dentro da empresa, podendo ser na área humana, ambiental, social e demais áreas dentro da organização. PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 46 7.2 GESTÃO DA INOVAÇÃO TECNOLÓGICA De acordo com Saenz e Capote (2002), a gestão tecnológica pode ser definida como: “a gerência sistemática de todas as atividades no interior da empresa com relação à geração, aquisição, início da produção, aperfeiçoamento, assimilação e comercialização das tecnologias requeridas pela empresa, incluindo a cooperação e alianças com outras instituições; abrange também o desenho, promoção e administração de práticas e ferramentas para a captação e/ou produção de informação que permita a melhoria continuada e sistemática da qualidade e da produtividade”. Este conceito pode ser complementado de acordo com a ABNT NBR 14001 (2015): “a expectativa da sociedade em relação ao desenvolvimento sustentável, à responsabilização por prestar contas tem evoluído com legislações mais rigorosas, crescentes pressões sobre o maio ambiente, decorrentes do uso ineficiente de recursos, gerenciamento impróprio dos rejeitos e perda de biodiversidade”. Com isto, as organizações tem adotado uma abordagem sistemática na gestão ambiental, com a implementação de sistemas de gestão ambiental que visam contribuir com o pilar ambiental da sustentabilidade. Porém, gerenciamento tecnológico, mais especificamente falando, pode-se dizer que é a forma de administrar inovações tecnológicas dentro de qualquer empresa. Desta forma, Tecnologia e Inovação estão intimamente ligadas. Cunha (2005) coloca que gerenciar tecnologias seria todas as atividades da empresa relacionadas à Pesquisa e Desenvolvimento e também a aquisição de novos equipamentos, desenvolvimento de novos produtos e serviços. Investir em Pesquisa e Desenvolvimento é um dos principais indicativos de que uma companhia se preocupa em inovar. A intenção de inovar é convertida em esforço para realização desta inovação, e consequentemente em converter esta inovação em resultados, tanto para a geração de conhecimento como para grandes oportunidades de negócio. Com a aprovação pela Assembleia Legislativa do Paraná do Projeto de Lei n.º 662/2020, de autoria do Poder Executivo, o Estado do Paraná junta-se a outras Unidades da Federação PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 47 como Acre, Amapá, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Pernambuco e São Paulo que já possuem legislação atualizada de estímulo ao desenvolvimento regional da pesquisa científica e tecnológica e à inovação, adaptadas ao Novo Marco Legal da Ciência, Tecnologia e Inovação do Governo Federal (Lei n.º 13.243/2016), que promoveu significativas e importantes alterações na Lei n.º 10.973/2004. O programa Paraná Inovador, base estratégica da atual gestão à frente do Governo do Estado, vem alcançando seus objetivos já que, conforme índice criado pela FIEC (Federação das Industrias do Estado do Ceará), o Paraná ocupa o segundo lugar dentre os estados mais inovadores do Brasil, perdendo apenas para São Paulo. A inovação que reduz custos, aumenta a produtividade e proporciona novos mercados consumidores tem na sua construção estadual a colaboração numa parceria permanente com várias instituições e organismos, como por exemplo a Fundação Araucária, Superintendência Geral de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (SETI), Superintendência Geral de Inovação (SGI), Sistema Estadual de Parques Tecnológicos (Separtec), Universidades estaduais e federais atuantes no território paranaense, Instituto Tecnológico do Paraná (Tecpar) e outros entes do Sistema de CT&I estadual. Para qualquer negócio, a gestão tecnológica é essencial, pois auxilia na administração de todas as operações existentes dentro da empresa de forma mais eficaz, podendo reduzir riscos comerciais aumentando sua flexibilidade e capacidade de resposta frente às frequentes mudanças do mercado. O fato de a gestão tecnológica estar diretamente ligada à produção diária de toda empresa faz com que muitas vezes não se observe nitidamente a importância desta no processo de inovação dentro da empresa. Sendo que, é por meio do gerenciamento da tecnologia no processo produtivo e que se pode observar os desvios, involuntários ou provocados por meio de práticas diárias que conduzem ao processo de inovação na empresa. Observa-se, desta forma, que gerenciar inovações tecnológicas não é tarefa fácil e muitas empresas, se não todas, se deparam com esta dificuldade no decorrer de sua jornada. PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 48 Para auxiliar e tornar mais padronizado o processo de inovação tecnológica, foram estabelecidos modelos e ferramentas que permitem uma melhor organização, compreensão, orientação, fomento e medição. A utilização dessas ferramentas de gestão de tecnologia juntamente com sistemas de inteligência competitiva é o diferencial para a competitividade tanto das grandes como das Pequenas e Médias Empresas (PMEs). 7.3 PRÁTICAS/FERRAMENTAS PARA A GESTÃO DA INOVAÇÃO TECNOLÓGICA De acordo com o Temaguide2, a gestão da tecnologia pode ser organizada de modo sistemático antecipando-se a futuros requisitos, ou de modo flexível respondendo às necessidades urgentes ou novas necessidades que vão surgindo. Para suprir as necessidades da gestão tecnológica, as ferramentas (práticas) de modo prático auxiliam: • no gerenciamento de projetos; • na preparação antecipada de um novo projeto; • na preparação do lançamento do produto no mercado; • no aumento do rendimento da empresa; • outros. A palavra “ferramenta” é utilizada por ser um termo simples e também por ser uma expressão que indica um benefício prático direto, além de indicar que o usuário da ferramenta controla como deve ser aplicado e como se utiliza. 2 é um compêncio de conhecimento e ferramentas sobre gestão da inovação, organizado pela COTEC e editado em 1998. Apesar de seus 12 anos de existência seu conteúdo continua atual, e é a principal referência teórica em gestão da inovação. PÓS-GRADUAÇÃO UFPR 49 As ferramentas ou práticas selecionadas a seguir são descritas pela fundação Cotec no trabalho de Temaguide, modulo I de 1999. Foram desenvolvidas com o intuito de sistematizar a maneira como as práticas de Gestão da Inovação Tecnológica são aplicadas. Apesar de seus 12 anos de existência seu conteúdo continua atual, e é a principal referência teórica em gestão da inovação. As ferramentas descritas pelo Cotec (Tabela 2) são um processo de seleção de várias técnicas utilizadas por várias empresas (estudo de caso), cujo propósito é auxiliar os usuários na gestão da tecnologia e inovação. Algumas dessas ferramentas são conceitos de técnicas que se tornaram usuais ou novas formas de aplicação de uma ferramenta bem conhecida, como é o caso do benchmarking, não utilizada especificamente para a gestão da tecnologia, mas adaptadas para cada processo. Tabela 2 – Principais ferramentas de Gestão da Inovação Tecnológica Ferramentas Objetivo Análise de Mercado • Analisar todos os aspectos do mercado, e em particular comportamento e