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Prévia do material em texto

FACULDADE KURIOS – FAK 
PEDAGOGIA – LICENCIATURA PLENA 
 
 
 
 
 
MARIA EUDENIR DE OLIVEIRA SALES 
 
 
 
 
A APRENDIZAGEM NA EDUCAÇÃO INFANTIL ATRAVÉS DAS 
AÇÕES LÚDICAS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ALTO SANTO 
2017 
 
 
MARIA EUDENIR DE OLIVEIRA SALES 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A APRENDIZAGEM NA EDUCAÇÃO INFANTIL ATRAVÉS DAS 
AÇOES LÚDICAS 
 
 
 
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso 
de Licenciatura em Pedagogia, como requisito parcial 
para obtenção do Certificado do Curso de Licenciatura em 
Pedagogia pela Faculdade KURIOS – FAK sob 
Orientação da Professora Francisca Taneide Santos de 
Medeiros. 
 
 
 
 
 
 
 
ALTO SANTO 
2017 
 
 
Monografia apresentada para a Disciplina Orientação do Trabalho de Conclusão de 
Curso de Pedagogia – Licenciatura Plena da Faculdade Kuriós, como pré-requisito 
de Formação. Orientador: Francisca Taneide Santos de Medeiros 
 
_________________________________________ 
MARIA EUDENIR DE OLIVEIRA SALES 
 
 
Data de entrega: _____/_____/______. 
 
 
 
ORIENTADOR: 
 
 
_________________________________________ 
Professor/Orientador; Taneide Medeiros 
 
 
Avaliado por: 
 
_________________________________________ 
Avaliador 1 
 
 
_________________________________________ 
Avaliador 2 
 
 
Conceito geral: _______ 
 
_________________________________________ 
Coordenador Cleison Rabelo 
 
 
AGRADECIMENTOS 
 
 
Agradeço a todas as pessoas que contribuíram com minha caminhada 
estudantil, a minha família e a todos os meus alunos, que me impulsionaram a 
busca recursos para melhor ensiná-los. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
DEDICATÓRIA 
 
 
Dedico este trabalho à Deus, por ter me guiado nesta grande conquista. 
A minha família, pela incansável dedicação, auxiliando minha jornada 
acadêmica e de vida, dedico esta conquista com profunda admiração. 
Aos meus amigos, por terem me dado força e acreditado na concretização 
desse sonho. 
Ao minha orientadora Taneide Medeiros, pelo admirável profissionalismo 
que estiveram presente em cada ensinamento. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
“Brincar com crianças, não é perder tempo, é ganhá-
lo; e se é triste ver meninos sem escola, mais triste 
ainda é vê-los sentados sem ar, com exercícios 
estéreis sem valor para a formação do homem.” 
 
Carlos Drummond de Andrade 
 
 
A APRENDIZAGEM NA EDUCAÇÃO INFANTIL ATRAVÉS DAS AÇOES LÚDICAS 
 
 
 
RESUMO 
 
 
Esse trabalho apresenta “A Aprendizagem na Educação Infantil, através das ações 
lúdicas”, pois no faz de conta as crianças aprender a agir em função da imaginação 
de uma pessoa, uma personagem, de um objetivo e de situações que não estão 
imediatamente presentes e perceptivo para elas no momento e que evoca emoções, 
sentimentos e significados vivenciados em outras circunstancias. Brincar funciona 
como um cenário no qual as crianças tornam-se capazes não só de imitar a vida 
como também de transformá-la. Os heróis, por exemplo, lutam contra seus inimigos, 
mas também podem ter filhos, cozinhar e ir ao circo. A escola ajuda a criança a 
socializar-se a fazer imaginação é um instrumento que permite a criança relacionar 
suas necessidades, interesses de um mundo que poucos conhecem e que estão 
ansiosos, cheios de curiosidade para compreendê-lo, é um meio que utilizam para 
entender o mundo dos adultos. Brincando ela investiga, conhece a si mesma, reflete 
e organiza, desorganiza, destrói o mundo a sua maneira. Impedir uma criança de 
brincar é tirar dela a oportunidade de construir o seu conhecimento e se é brincando 
que ela adquire esse conhecimento, podemos concluir que brincar na pré-escola é 
essencial para a preparação dessa criança, em seus primeiros contatos com a 
escola e que se forem, bem trabalhado permanecerão por toda a vida, pois é a base 
de sua estrutura educacional. O trabalho ainda trás concepções de autores e 
discussões sobre o assunto estudado. 
 
 
Palavras-chave: Lúdico – Aprendizagem – Educação – Infantil – Escola. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................... 8 
1. O LÚDICO NA EDUCAÇÃO INFANTIL ................................................................................... 9 
1.1. APRENDER COM O LÚDICO ............................................................................... 10 
1.2. A IMPORTÂNCIA DOS JOGOS E BRINCADEIRAS NO DESENVOLVIMENTO DA 
CRIANÇA ......................................................................................................................... 12 
1.3. O ENSINO/APRENDIZAGEM E AS ATIVIDADES LÚDICAS ................................ 15 
1.4. EXPERIÊNCIAS ATRAVÉS DO LÚDICO .............................................................. 18 
1.5. AS RAZÕES PARA BRINCAR............................................................................... 19 
1.6. O BRINCAR E A ESCOLA ..................................................................................... 20 
2. O LÚDICO COMO RECURSO PEDAGÓGICO .................................................................... 23 
2.1. O LÚDICO COMO MEIO DA APRENDIZAGEM NA EDUCAÇÃO INFANTIL ......... 25 
2.2. OS EDUCADORES E O DESENVOLVIMENTO DAS ATIVIDADES LÚDICAS ..... 27 
3. ANÁLISE GERAL – LUDICIDADE E A APRENDIZAGEM ................................................ 30 
3.1. JOGOS E BRINCADEIRAS ................................................................................... 30 
3.2. CLASSIFICAÇÃO DOS JOGOS ............................................................................ 31 
3.3. O BRINCAR E A ESCOLA ..................................................................................... 34 
3.4. A IMPORTÂNCIA DO ESPAÇO PARA OS JOGOS E BRINCADEIRAS ................ 37 
CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................................................. 40 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................................................... 42 
 
 
 
 
 
 
 
8 
 
INTRODUÇÃO 
 
Esse trabalho procura conceituar a Aprendizagem na Educação Infantil, 
através de Ações Lúdicas, demonstrando sua importância, onde tem a pretensão de 
contribuir para os trabalhos voltados para estimular o desenvolvimento da autonomia 
e identidade da criança, esse recurso pedagógico permite na vida da criança, 
descoberta e criatividade. A criança traz de casa alguns conflitos que podem 
atrapalhar o seu desenvolvimento, esse recurso pedagógico permite na vida da 
criança descoberta e criatividade. A criança traz de casa alguns conflitos que podem 
atrapalhar o seu desenvolvimento e elas não estão no momento preparada para 
vencê-los. A criança vive num mundo de fantasias que deve ser explorado, o 
professor precisa fazer com que a criança se sinta pequena diante do professor que 
vive no mundo diferente do dele. 
Existem momentos na vida da criança, em que ela ainda não consegue 
dissociar suas fantasias e a realidade da qual participa. Ao mesmo tempo em que 
conhece e aceita o que constatar a sua volta, crê que pode ter ilusões e mergulha na 
fantasia, a criança se confunde entre aceitar a realidade e viver no sonho. É no 
brinquedo que ela fortifica sua confiança. Por isso pretendemos, com esse estudo, 
buscar subsídios para que no futuro a criança desenvolva a leitura com desenvoltura 
e habilidade. 
Objetivamos com esse estudo facilitar tanto o progresso da personalidade 
integral da criança, como o processo de cada uma de suas funções psicológicas, 
intelectuais e morais. Pois ao ingressar na escola, a criança sofre um considerável 
impacto físico-mental, pois até então, em sua vida era exclusivamenteou, mais exatamente, situando as coisas de seu 
mundo em uma nova ordem, grata para ele. Seria injusto, neste caso, 
pensar que não toma a sério este mundo: pelo contrário, toma muito a sério 
seu brincar e dedica e ele grandes afetos. A antítese do brincar não é 
gravidade, senão a realidade. A criança distingue muito bem a realidade do 
mundo e seu brincar, apesar da carga de afeto com que o satura e gosta de 
apoiar os objetivos e circunstâncias que imagina em objetos tangíveis e 
visíveis no mundo real. Este apoio é o que ainda diferencia o “brincar” 
infantil do “fantasiar”. 
 
É baseado nesse pensamento que podemos afirmar que possibilitar à 
criança espaço e oportunidade de expressar suas idéias, movimentos e criatividade, 
além da atenção que ela necessita, permitirá que ela possa se desenvolver 
plenamente e assim, também ser autora da cultura. 
A escola é um espaço de produção cultural e, no decorrer deste trabalho, 
trataremos sobre as razões e a importância do brincar nesse ambiente, a presença 
dos pais no brincar do dia a dia e dos benefícios dessa prática nas instituições de 
ensino. 
 
 
 
 
 
 
 
40 
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
A fantasia de brincar caracteriza a ser desenvolvida para faixa de idade 
da educação infantil, o que determina ficar o espaço para o lúdico. Certamente todos 
os professores que atuem em classes iniciais (creche, jardim de infância, primeira 
série do ensino fundamental) já terão passado pela experiência de observar os seus 
alunos em atitudes, no mínimo, curiosas: conversam com brinquedos e objetos 
como se sua vida tivessem, transformam terra, pedras, papeis em comidinha e 
servem para os amigos, assumem personalidade de outras pessoas tratando de 
doentes como se médicos, fossem ensinados aos seus alunos como os professores, 
cuidando dos filho igual aos pais, conversando como comadres. 
A brincadeira para a criança não representa o jogo e o divertimento para o 
adulto, recreação, ocupação do tempo livre, afastamento da realidade. Brincar não é 
ficar sem fazer nada, como pensam alguns adultos, e necessário estar atento a esse 
caráter sério do ato de brincar, pois esse é o seu trabalho, atividade através da qual 
ela desenvolve potencialidades descobre papeis sociais, limites, experimenta novas 
habilidade, forma um novo conceito de si mesma, aprende a viver e avança para 
novas etapas de domínio do mundo que a cerca. 
A criança se empenha durante as suas atividades do brincar da mesma 
maneira que se esforça para aprender a andar, a falar, a comer, etc. brincar de faz 
de conta, de amarelinha, de roda, de esconde-esconde, de dominó, de jogo de 
cambio são situações que vão sendo gradativamente substituídas por outras, à 
medida que o interesse é transferido para diferentes tipos de jogos, no entanto todos 
eles são tratados com a seriedade respectiva, seriedade que pode ser voluntária ou 
involuntária. 
O brincar permite, ainda, aprender a lidar com as emoções. Pelo brincar, 
a criança equilibra as tensões provenientes do seu mundo cultural, construindo sua 
individualidade, sua marca pessoal e sua personalidade. Mas, é Piaget que nos 
esclarece o brincar, implica uma dimensão evolutiva com as crianças de diferentes 
idades, apresentando características especificas, apresentando formas 
diferenciadas de brincar que criem um ambiente alfabetizador para favorecer o 
processo e aquisição da autonomia de aprendizagem. Para tanto, o saber escolar 
41 
 
deve ser valorizado socialmente e a alfabetização deve ser um processo dinâmico e 
criativo através de jogos, brinquedos, brincadeiras e musicalidade. 
Com a utilização desses recursos pedagógicos, o professor poderá 
utilizar-se, por exemplo, de jogos e brincadeiras e atividades de leitura ou escrita em 
matemática e outros conteúdos, devendo, no entanto, saber usar os recursos no 
momento oportuno, uma vez que as crianças desenvolvam seu raciocínio e 
construam o seu conhecimento de forma descontraída. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
42 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
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Natal/RN- volume 03- número 01- maio, 2005. 
 
ALMEIDA, Paulo Nunes de. Educação Lúdica, Técnicas e Jogos Pedagógicos. 
São Paulo, Loyola, 1995. 
 
BORBA, Ângela Meyer. O brincar como um modo de ser e estar no mundo. In: 
Brasil MEC/ SEB. Ensino fundamental de nove anos: orientações para a 
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Sandra Denise pagel, Aricélia Ribeiro do Nascimento. _ Brasília: Ministério da 
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BROUGÉRE, Gilles. Brinquedo e Cultura. Revisão Técnica e Versão Brasileira 
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CORSARO 2002, apud CARVALHO, Levindo Diniz. UFMG -GT-07: Educação de 
crianças de 0 a 6 anos. Agência financiadora: CNPq. 
 
CUNHA, Nyelse Helena Silva. Brinquedoteca: um mergulho no brincar. São 
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43 
 
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Minidicionário da Lingua Portuguesa. 3.ed. 
Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993. GARCIA 2003 apud, GOMES, Jani Célia 
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(conclusão de graduação). 
 
GRUPOALFA – Grupo de Pesquisa e Alfabetização das alunas e alunos das 
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KISHIAMOTO, TIZUKO. M. Jogos e Brincadeiras e a Educação. São Paulo – 
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KISHIMOTO 1993, apud CARVALHO, Levindo Diniz. UFMG -GT-07: Educação de 
crianças de 0 a 6 anos. Agência financiadora: CNPq. 
 
MACHADO, Marina Marcondes. O brinquedo-sucata e a criança. São Paulo: 
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MEIRA, Ana Marta. A cultura do brincar. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio 
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MENDONÇA, Cristina Nogueira. Abordagens de Projetos na Escola da Infância. 
In: PASCHOAL, Jaqueline Delgado (org.) Trabalho Pedagógico na Educação 
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OLIVEIRA, Marta Kohn, Vygotsky: Aprendizagem e desenvolvimento – um 
processo sócio-histórico. 3ª ed. São Paulo: Ed. Scipione, 1995. 
 
OLIVEIRA, Zilma. Educação infantil: fundamentos e métodos. São Paulo: Cortez, 
2002. 
 
44 
 
PERROTTI, Edmir. A criança e a produção cultural. In: ZILBERMAN, Regina (org). A 
produção cultural para a criança. 4. ed. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1990. 
 
TOLEDO, Cristina. O brincar e a constituição de identidades e diferenças na 
escola. In: Garcia, Regina Leite (Coord.). Anais. II Congresso Internacional – 
Cotidiano: diálogos sobre diálogos. 
 
VYGOTSKY, L. S. apud BORBA, Ângela Meyer. O brincar como um modo de ser 
e estar no mundo. In: Brasil MEC/ SEB. Ensino fundamental de nove anos: 
orientações para a inclusão da criança de seis anos de idade/ organização Jeanete 
Beauchamp, Sandra Denise pagel, Aricélia Ribeiro do Nascimento. _ Brasília: 
Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2007. p. 35. 
 
WAJSKOP, Gisela. Brincar na pré-escola. 7. ed- São Paulo: Cortez, 2007. 
 
WINNICOTT, D. W. O brincar e a realidade. Rio de Janeiro: Imago, 1975.dedicada aos 
brinquedos e ao ambiente familiar. 
Esse estudo será desenvolvido através de dados bibliografados, 
utilizando sites, livros, revistas, vendo concepções de autores e discutindo sobre a 
concepção de cada um. Dessa forma acreditamos que encontraremos a ludicidade 
em momentos prazerosos de aprendizagem, levando a criança a um mundo 
surpreendente através da leitura e da escrita. 
 
9 
 
1. O LÚDICO NA EDUCAÇÃO INFANTIL 
 
O Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (1998, p.13) 
ressalta que: A brincadeira favorece a autoestima das crianças, auxiliando-as a 
superar progressivamente suas aquisições de forma criativa. Brincar contribui, 
assim, para a interiorização de determinados modelos de adultos, no âmbito de 
diversos grupos sociais. Essas significações atribuídas ao brincar transformam-no 
em um espaço singular de contribuição infantil. 
As brincadeiras eram consideradas como um simples, algo sem muita 
importância. Porém, o brincar é algo extremamente humano e importante para o 
desenvolvimento humano, visando a socialização, a interação social e a 
aprendizagem. A educação infantil, como primeira etapa da educação básica, 
atualmente vem se utilizando da ludicidade para desenvolver na criança habilidades, 
despertando o interesse por assuntos que antes eram tratados de maneira 
“superficial”. Dessa forma Kishimoto diz que (2001), o adulto consegue se promover 
no bem estar próprio e de outros. Kishimoto (1998) relata que ao brincar toda 
completa: 
 
[...] se comporta como um poeta, pelo fato de criar um mundo só seu, 
ou, mais exatamente, por transpor as coisas do mundo em que vive 
para um universo novo em acordo com suas convivências. (p.63). 
 
Cada criança tem sua maneira de ver o mundo que está ao seu redor, 
é através da ludicidade que ela transmite aos adultos o seu modo de 
interpretar o mundo exterior. “A brincadeira consiste em uma 
atividade de simulação que reforça o significado da vida cotidiana, 
enquanto processo assimilativo participa do conteúdo da inteligência, 
é a semelhança de aprendizagem” (KISHIMOTO, 1996, p. 32). 
 
 
O lúdico permite um desenvolvimento global e uma visão de mundo mais 
real. Por meio das descobertas e da criatividade a criança pode se expressar, 
analisar, criticar e transformar a realidade. Se bem aplicada e compreendida, a 
educação lúdica poderá contribuir para a melhoria do ensino. Quer na qualificação 
10 
 
ou na formação crítica do educando, quer para redefinir valores e para melhorar o 
relacionamento das pessoas na sociedade. (DALLABONA; MENDES, 2004, p. 107). 
O lúdico prática que possibilita a criança o pensamento, o relacionamento 
com os outros de forma prazerosa, a imaginação é fundamental para um 
desenvolvimento, para se obter uma aprendizagem realmente satisfatória. A criança 
precisa experimentar certos tipos de atividades para que a sua compreensão seja 
total. A ludicidade vem então, como um meio de possibilitar a aprendizagem para as 
crianças de forma que se interessem por buscar um caminho de aprendizagem 
significativo e alegre. 
Educar é ir além da transmissão de informações ou de colocar à 
disposição do educando apenas um caminho, limitando a escolha ao 
seu próprio conhecimento. É ajudar a pessoa a tomar consciência de 
si mesma, dos outros, e da sociedade, oferecendo ferramentas para 
que o outro posa escolher entre muitos caminhos, aquele que for 
compatível com seus valores, sua visão de mundo e com as 
circunstancias adversas que cada um irá encontrar (SANTOS, 1997, 
p. 11 apud RAU; ROMANOWSK; MARTINS, 2005, p.656). 
 
A brincadeira é de grande importância na infância, onde deve ser vista 
não como um momento de entretenimento e lazer, mas também como uma 
oportunidade de desenvolver nas crianças hábitos e atitudes que os façam 
amadurecer se tornando responsáveis. 
1.1. APRENDER COM O LÚDICO 
Aliar as atividades lúdicas ao processo de ensino aprendizagem pode ser 
de grande valia para o desenvolvimento do aluno, um exemplo de atividade que 
desperta e muito o interesse do aluno é o jogo. 
Os jogos tornam-se mais significativos à medida que a criança se 
desenvolve, porque através da manipulação de materiais variados, ela poderá 
reinventar coisas, reconstruir objetos. Os jogos são uma ótima proposta pedagógica 
na sala de aula, porque proporcionam a relação entre parceiros e grupos, o que é 
um fator de avanço cognitivo, pois durante os jogos a criança estabelece decisões, 
conflitua-se com seus adversários e reexamina seus conceitos. 
11 
 
O jogo para criança é, antes de tudo, uma brincadeira. Mas é, também, 
uma atividade séria onde o faz-de-conta, as estruturas ilusórias, o geometrismo 
infantil e a alegria têm uma importância considerável. O surgimento do verdadeiro 
comportamento lúdico está ligado ao despertar da personalidade. A busca da auto-
afirmação manifesta-se nos jogos sob duas formas: o apelo do mais velho, 
considerado como motor essencial da infância, e o amor à ordem, à regra, levado 
até ao formalismo. 
Durante os jogos, a criança experimenta um sentimento de grande prazer 
ante o descobrimento do novo e suas possibilidades de invenção. Os jogos passam 
a ter significados positivos e de grande utilidade quando o professor proporciona um 
trabalho coletivo, de cooperação, de comunicação e socialização. Os jogos em 
grupo são uma forma de atividade muito indicada para estimular a atividade 
construtivista da criança e a sua vida social. 
A ludicidade na Educação Infantil é uma forma de manifestação no 
processo de desenvolvimento de autonomia e identidade da criança, esse recurso 
pedagógico permite na vida da criança descoberta e criatividade. A criança traz de 
casa alguns conflitos que podem atrapalhar o seu desenvolvimento e elas não estão 
no momento preparada para vencer esses conflitos, mas quando utilizados recursos 
como cenas, jogos, histórias, figuras, desenhos, vivências, representações podem 
servir como meios para tentar vencê-los. A criança vive num mundo de fantasias que 
deve ser explorado, o professor precisa fazer com que a criança se sinta pequena 
diante do professor que vive um mundo diferente do dele. 
Existem momentos na vida da criança, em que ela ainda não consegue 
dissociar suas fantasias e a realidade da qual participa. Ao mesmo tempo em que 
conhece e aceita o que constata a sua volta, crê que pode ter ilusões e mergulha na 
fantasia, a criança se confunde entre aceitar a realidade e viver no sonho. É no 
brinquedo que ela fortifica sua confiança. Por isso pretendemos, com esse estudo, 
buscar subsídios para que no futuro a criança desenvolva a leitura com desenvoltura 
e habilidade. 
A Escola precisa ter como meta a ludicidade, propondo que os 
educadores infantis, transforme o brincar em trabalho pedagógico, onde poderão ser 
12 
 
mediadores da aprendizagem com motivação e prazer, trazendo através do lúdico 
incentivo e interesse pela leitura. 
A educação lúdica contribui e influencia na formação de criança, 
possibilitando um enriquecimento permanente de conhecimento, integrando-se a 
participação, criatividade, livre, crítica, promovendo a interação social e tendo em 
vista o forte compromisso de transformação e modificação do meio em que está 
inserido. 
A prática da ludicidade para ensinar os conteúdos do currículo escolar 
pode propiciar o sucesso da aprendizagem dos alunos, sendo que os benefícios 
dessas atividades vão além das salas de aula, sabemos que esses recursos 
promovem uma maior interação entre os alunos, como também a socialização na 
qual o professor proporciona um relacionamento mais próximo entre ele e o aluno, 
interagindo de modo a buscar ferramentas que elevem além dos conteúdos 
estudados. 
As brincadeiras quando vivenciadas no ambiente escolar como objetivo 
pedagógico podem adquirir um papel de mola propulsora para que aprendizagem 
ocorra de forma natural. 
1.2. A IMPORTÂNCIA DOSJOGOS E BRINCADEIRAS NO DESENVOLVIMENTO 
DA CRIANÇA 
Durante os jogos e brincadeiras, as crianças adquirem diversas 
experiências, interagem com outras pessoas, organizam seus pensamentos, tomam 
decisões, desenvolvem o pensamento abstrato e criam maneiras diversificadas de 
jogar, brincar e produzir conhecimentos. 
O brincar revela a estrutura do mundo da criança, como se organiza 
o seu pensamento, às questões que ela se coloca como vê o mundo 
à sua volta. Na brincadeira, a criança explora as formas de interação 
humana, aprende a lidar com a espera, a antecipar ações, a tomar 
decisões, a participar de uma ação coletiva. (BRASIL, 2007, p.9). 
 
As brincadeiras abrangem grande parte do desenvolvimento da criança, 
quando representa situações observadas no cotidiano que futuramente a criança irá 
13 
 
vivenciar. Criando situações imaginárias confrontada com o real, desenvolve suas 
capacidades e habilidades, as quais muitas vezes não conhecem; dessa forma 
desenvolvem o “eu”. 
Muitas são as concepções sobre o brincar, o seu lugar e sua importância 
na pratica pedagógica. Aqui, enfatizamos sua condição como forma de aprender, 
experimentar-se, relacionar-se, imaginar-se, expressar-se, compreender-se, 
confrontar-se, transformar-se, negociar-se e ser. Esta prática social envolve uma 
atividade simbólica, forma de interação com o outro, criação, desejo, emoção e ação 
voluntária. 
Nesse sentido, os jogos e as brincadeiras são instrumentos pedagógicos 
importantes se determinantes para o desenvolvimento da criança, pois no jogar e no 
brincar as mesmas desenvolvem habilidades necessárias para o seu processo de 
alfabetização e letramento. 
 
O jogo é, portanto, sob as suas duas formas essenciais de exercícios 
sensório-motor e de simbolismo, uma assimilação da real á atividade 
própria, fornecendo a esta seu alimento necessário e transformando 
o real em função das necessidades múltiplas do eu. Por isso, os 
métodos ativos de educação das crianças exigem a todos que se 
forneça as crianças um material conveniente, a fim de que, jogando, 
elas cheguem a assimilar as realidades intelectuais que, sem isso, 
permanecem exteriores à inteligência infantil. (PIAGET, 1976, p.160). 
 
Os jogos, que por muito tempo fizeram parte da didática de grandes 
educadores do passado, hoje, surgem como necessidade absoluta e indispensável 
no processo educativo. Não será abordado o brincar por brincar e sim o brincar sob 
uma perspectiva pedagógica. Almeida (1978) extremamente interessante como 
instrumento pedagógico, pois incentiva a interação e desperta o interesse pelo tema 
estudado, além de fomentar o prazer e a curiosidade. 
Os jogos auxiliam na educação integral do indivíduo, pois podem dar 
conta de uma manifestação sócio-histórica do movimento humano, oportunizando as 
crianças a investigar, problematizar as práticas, provenientes das mais diversas 
manifestações culturais e presentes no seu cotidiano, tematizando-as para melhor 
compreensão. 
Ramos, Ribeiro e Santos (2011), afirma que os jogos não devem ser fins, 
mas meios para atingir objetivos. Estes devem ser aplicados para o benefício 
14 
 
educativo. Ao utilizar os jogos no processo de alfabetização é possível alcançar 
inúmeras ações que possibilitam uma aprendizagem eficaz, como evidencia a 
pesquisa de Queiroz (2003). 
O jogo, portanto, além de ter importância na vida da criança, é o 
verdadeiro impulso da criatividade. E, para isso, o professor se vale da 
aprendizagem lúdica como recurso pedagógico, propiciando espaços e situações de 
aprendizagem que articulem os recursos e capacidades afetivas, emocionais, sociais 
e cognitivas das crianças aos seus conhecimentos prévios e aos conteúdos 
referentes aos diferentes campos de conhecimento. 
É fundamental ter consciência de que o jogo fornece informações a 
respeito da criança, suas emoções, a forma de interagir com seus colegas, seu 
desempenho físico, motor, seu estágio de desenvolvimento, seu nível linguístico, 
sua formação moral. Divertindo-se, a criança aprende a se relacionar com os 
colegas e descobrir o mundo á sua volta. 
Com a divulgação dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) do 
Ensino Fundamental na Área de Língua Portuguesa, destacou-se, no âmbito da 
educação, uma grande preocupação com a dificuldade de leitura e escrita nas séries 
iniciais devido a um trabalho inadequado com a alfabetização. 
A linguagem passou a ser vista como um elemento de comunicação e não 
de discriminação. Assim, não é mais valorizada uma única linguagem padrão ou 
culta como elemento de produção oral e escrita. O universo linguístico dos alunos 
começou a ser respeitado, já que seus conhecimentos e expressões são anteriores 
ao ingresso na escola. 
Ganhar espaço, como ferramenta ideal da aprendizagem, na medida 
em que propõe estimulo ao interesse do aluno, desenvolve níveis 
diferentes de sua experiência pessoal e social, ajuda-o a descobrir 
novas descobertas, desenvolve e enriquece sua personalidade e 
simboliza um instrumento pedagógico que leva ao professor a 
condições de condutor, estimulador e avaliador da aprendizagem. 
(SANTOS, 2000, p.37). 
 
Compreende-se, dessa forma, que o jogo é importante e necessário para 
o desenvolvimento intelectual e social da criança, estimulando sua criticidade, 
criatividade e habilidades sociais. Portanto, ao utilizar-se de atividades lúdicas, o 
15 
 
professor propicia ao aluno oportunidade de integrar-se por meio da Língua 
Portuguesa de forma dinâmica, interpretando texto, expondo ideias, e ao mesmo 
tempo, explorando seus conhecimentos por outras áreas. 
Neste sentido, considera-se que determinados objetivos só podem ser 
conquistados se os conteúdos tiverem um tratamento didático específico, ou seja, se 
houver uma estreita relação entre o que é e como ensinar. Mais do que isso: parte-
se do pressuposto de que a própria definição dos conteúdos é uma questão didática 
que tem relação direta com os objetivos colocados, bem como com as propostas 
curriculares. 
1.3. O ENSINO/APRENDIZAGEM E AS ATIVIDADES LÚDICAS 
O trabalho desenvolvido através das atividades lúdicas, abre espaços 
para que a criança expresse sentimentos e estimule a inteligência, favorecendo a 
assimilação de novos conhecimentos. 
Observamos, portanto que a atividade lúdica tem grande valor como 
recurso pedagógico, oferecendo as crianças condições de vivenciar situações-
problemas, a partir do desenvolvimento de jogos planejados e livres que permitam à 
criança uma vivência no tocante às experiências com a lógica e o raciocínio e 
permitindo atividades físicas e mentais que favorecem a sociabilidade e estimulando 
as reações efetivas, cognitivas, sociais, morais, culturais e linguísticas. 
Acreditando que as atividades lúdicas vão além do simples prazer de 
brincar: 
[...] quando estamos definindo ludicidade como um estado de 
consciência, onde se dá uma experiência em estado de plenitude, 
não estamos falando, em si das atividades objetivas que podem ser 
descritas sociológica e culturalmente como atividade lúdica, como 
jogos ou coisas semelhantes. Estamos, sim, falando do estado 
interno do sujeito que vivencia a experiência lúdica. Mesmo quando o 
sujeito está vivenciando essa experiência com outros, a ludicidade é 
interna; a partilha e a convivência poderão oferecer-lhe, e certamente 
oferecem, sensações do prazer e da convivência, mas, ainda assim, 
essa sensação é comum; porém um grupo, como grupo, não sente, 
mas soma e engloba um sentimento que se torna comum; porém, em 
última instancia, quem sente é o sujeito (LUCKESI, 2004, p.18). 
 
16 
 
O lúdico é considerado prazeroso, devido a sua capacidade de absorver o 
indivíduo de forma intensa e total, criando um clima de entusiasmo e satisfação onde 
a motivação, elevada pelo fator emocional é capaz de geral alegria e interesse. Em 
virtude desse prazer dentro da qual se desenrola, a ludicidade é portadora de um 
interessecheio de energias no sentido de um esforço total para alcançar de seu 
objetivo. As atividades lúdicas são excitantes, mas também requerem um esforço 
voluntário, onde mobilizam esquemas tanto corporais como mentais, estimulando o 
pensamento e ativando o desenvolvimento infantil. As atividades lúdicas integram as 
várias dimensões da personalidade: afetiva, motora e cognitiva ativando o 
envolvimento emocional. 
Assim entendemos que o lúdico na educação infantil possibilita a criança 
compreender o pensamento, a linguagem do outro, desenvolver o raciocínio lógico, 
coordenação motora, e oralidade sendo um instrumento facilitador da aprendizagem, 
contribui para a construção do conhecimento e do desenvolvimento da criança. 
Compreende-se também a grande importância do lúdico no processo ensino 
aprendizagem, uma vez que o brincar permite que a criança realize as atividades 
escolares com prazer, pelo simples fato de aprender brincando, estimulando a 
criança a compreender o mundo e a sua realidade, além de desenvolver vários 
aspectos cognitivos. É através da ludicidade que a criança desperta para novos 
horizontes, novas experiências e novos sonhos, minimizando as intolerâncias que 
muitas delas trazem do mundo em que vivem. 
Dessa forma diz Kishimoto (2000, p. 22) ao referir que: 
Ao permitir a manifestação do imaginário infantil, por meio de objetos 
simbólicos dispostos intencionalmente, a função pedagógica subsidia 
o desenvolvimento integral da criança. Neste sentido, qualquer jogo 
[...], desde que respeite a natureza do ato lúdico, apresenta caráter 
educativo e pode receber também a denominação geral de jogo 
educativo. 
 
Percebemos que o jogo e a brincadeira são experiências vivenciais 
prazerosas, como também são experiências da aprendizagem que tende a se 
constituir em um processo vivenciado prazerosamente. Assim, o meio educativo, ao 
valorizaras atividades lúdicas, ajuda a criança a formar um bom conceito de mundo, 
17 
 
em que a afetividade é acolhida, a sociabilidade vivenciada, a criatividade 
estimulada e os direitos da criança respeitados. 
Diante o estudo, ainda percebemos que a brincadeira é uma atividade 
onde a criança assume diferentes papeis e representações, agindo sempre a 
realidade, transferindo e substituindo as ações cotidianas diante os personagens 
assumidos. 
“O brinquedo propõe um mundo imaginário da criança e do adulto, 
criador do objeto lúdico. No caso da criança, o imaginário varia 
conforme a idade: para o pré-escolar de 3 anos, está carregado de 
animismo; de 5 a 6 anos, integra predominantemente elementos da 
realidade.” (Kishimoto, 2000: pg. 19) 
 
As brincadeiras operam entre com a interpretação real e o imaginário e 
isso trás junto um aprendizado, pois através das brincadeiras a criança vai tomando 
consciência que o imaginário não é correspondente à realidade, embora os dados 
da realidade sirvam de base para o brincar. Por outro lado, através do jogo cria, 
corrige o que acha não está certo, realizando assim seus desejos e sonhos. 
 
A educação infantil, primeira etapa da educação básica, tem como 
finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade, em 
seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a 
ação da família e da comunidade. (BRASIL, 1996, art., 29). 
 
E assim conhecimento construído por meio da ludicidade implica uma 
escola mais autônoma inserindo o direito a liberdade, entrando para as 
manifestações de alegria, da festa, dentro dos limites da escola, e até mesmo nos 
horários de aula, e propiciar assim um aprendizado com expectativas de brincar para 
aprender conteúdos escolares e trazer mais interação, construindo recursos de 
socialização. 
Diante disso, é imprescindível que os professores da educação infantil se 
comprometam com a ludicidade, pois por meio dela as crianças poderão se 
desenvolver física, psicológico, intelectual e socialmente, fazendo com que a 
educação infantil se torne um mundo de brincadeiras, de ludicidade e também de 
aprendizagens. 
18 
 
1.4. EXPERIÊNCIAS ATRAVÉS DO LÚDICO 
Através do lúdico a criança passa pela experiência da posse e das 
negociações necessárias com os outros, diante do desejo de utilização e também, a 
criança se situando nas condições do consumo, sendo também uma aprendizagem 
específica da posse e do consumo, é então, a aprendizagem de uma forma cultural 
específica de relação com o objeto. 
Dessa forma, a criança experimenta comportamentos e papéis, projeta-se 
em atividades dos adultos, pois, ensaia atitudes, valores, hábitos e situações para os 
quais não está preparada na vida real, atribuindo-lhes significados que vão 
aprendendo através dessas brincadeiras. A atuação nesse mundo imaginário cria 
uma zona de desenvolvimento formada por conceitos ou processos em 
desenvolvimento. 
O interesse e desejo de brincar com os outros e participar dos jogos de 
grupo é inato à criança. Assim se formam os grupos de crianças de ambos 
os sexos e idades variadas. São nestes grupos que a criança aprende a 
viver; a vencer e ser vencida, a liderar ou obedecer, a respeitar e a ser 
respeitada, a tomar iniciativa e decisões, a mudar seu comportamento se 
necessário, criar respostas novas e tomar consciência do mundo que a 
rodeia (HEYLEN, 1987, p. 121). 
 
É de grande importância que o planejamento pedagógico, inclua e 
selecionem atividades voltadas a ludicidade, para que além de se divertir a criança 
possa estimular seu raciocínio e criar situações de aprendizagem onde pode 
descobrir e compreender o mundo, por isso os planos elaborados por professores 
precisam está aptos para essa demanda. 
Por meio de uma educação lúdica, os professores colocam a disposição 
das crianças vários caminhos, em que as mesmas podem tomar consciência de si 
próprias e das pessoas com quem convivem, onde adquirem outra visão de mundo, 
buscando encontrar saídas frente às diversas dificuldades que haverão de encontrar 
por esses caminhos. 
De acordo com a Lei 9.394/96: 
 
19 
 
A educação infantil, primeira etapa da educação básica, tem como 
finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade, em 
seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a 
ação da família e da comunidade. (BRASIL, 1996, art, 29). 
 
Diante disso, é necessário que os professores da educação infantil se 
comprometam com a ludicidade, pois por meio dela as crianças poderão se 
desenvolver física, psicológico, intelectual e socialmente, porém isso tem que 
acontecer naturalmente para que a aprendizagem seja espontânea. 
1.5. AS RAZÕES PARA BRINCAR 
Temos várias razões para brincar, pois sabemos que é extremamente 
importante para o desenvolvimento cognitivo, motor, afetivo e social da criança. É 
brincando que a criança expressa vontades e desejos construídos ao longo de sua 
vida, e quanto mais oportunidades a criança tiver de brincar mais fácil será o seu 
desenvolvimento para o aprender. Segundo Carneiro e Dodge (2007, pág. 59), “o 
movimento é, sobretudo para criança pequena, uma forma de expressão e mostra a 
relação existente entre ação, pensamento e linguagem”. A criança consegue lidar 
com situações novas e inesperadas, e age de maneira independente, e consegue 
enxergar e entender o mundo fora do seu cotidiano. 
Atualmente as crianças entendem por brincadeira os jogos eletrônicos, 
fazendo com que as mesmas não se movimentem e as deixando estáticas e com 
isso vão ficando sedentárias e obesas. Com as brincadeiras tradicionais, como, por 
exemplo, pular no pula-pular corda, elástico, pique alto, etc., fazem com que as 
crianças se movimentem a todo tempo, gastando energia e dando liberdade para 
criar proporcionando alegria e prazer. 
As razões para brincar são inúmeras, pois sabemos que a brincadeira só 
faz bem, e só não entendemos porque em muitos lugares isso incomoda tanto na 
sociedade ou algumas pessoas, pais, professores..., massabemos que o brincar é 
um direito da criança, como apresentado na Lei 8.069, de 13 de julho de 1990, 
denominada Estatuto da Criança e do Adolescente, acrescenta no Capítulo II, Art. 
16°, Inciso IV, que toda criança tem o direito de viver o seu tempo de infância que é 
o de brincar, praticar esportes e divertir-se. 
20 
 
Então vimos que, a criança tem o direito de brincar pois está amparada 
por lei, e esta é mais uma razão para que as crianças brincam, além das inúmeras 
situações que já citamos, porque o brincar favorece a descoberta, a curiosidade, 
uma vez que auxilia na concentração, na percepção, na observação, e além disso as 
crianças desenvolvem os músculos, absorvem oxigênio, crescem, movimentam-se 
no espaço, descobrindo o seu próprio corpo. O brincar tem um papel fundamental 
neste processo, nas etapas de desenvolvimento da criança. Na brincadeira, a 
criança representa o mundo em que está inserida, transformando-o de acordo com 
as suas fantasias e vontades e com isso solucionando problemas. 
Para Cunha (1994), o brincar é uma característica primordial na vida das 
crianças, porque é bom, é gostoso e dá felicidade em todos esses momentos das 
brincadeiras. Além disso, ser feliz e estar mais predisposto a ser bondoso, a amar o 
próximo e a partilhar fraternalmente, são outros pontos positivos dessa prática só 
pode ser desenvolvida através do brincar. 
1.6. O BRINCAR E A ESCOLA 
O brincar está associado à criança há séculos. Mas foi através de uma 
ruptura de pensamento que a brincadeira passou a ser percebida e valorizada no 
espaço educacional das crianças menores. No passado, o que se via era o brincar 
apenas como forma de fuga ou distração, não lhe sendo conferido o caráter 
educativo. 
O brincar tem a função socializadora e integradora. A sociedade moderna 
cada vez mais tem sofrido transformações em relação ao brincar e ao espaço que se 
tem para brincar, os pais e os filhos têm pouco tempo para ficarem juntos e brincar. 
A escola acaba sendo a única fonte transmissora de cultura, onde ainda existem 
espaços para as crianças brincarem, tendo os profissionais de educação a 
incumbência de ensinar e resgatar as brincadeiras populares, mas não só isso, 
como também o jogo deve fazer parte do cotidiano das crianças, e seria usado como 
uma nova forma de transmitir conhecimento, pois a atividade lúdica é benéfica ao 
aprendizado. 
De acordo com Almeida (2005, p. 5): 
21 
 
 
A brincadeira se caracteriza por alguma estruturação e pela utilização 
de regras. A brincadeira é uma atividade que pode ser tanto coletiva 
quanto individual. Na brincadeira a existência das regras não limita a 
ação lúdica, a criança pode modificá-la, ausentar-se quando desejar, 
incluir novos membros, modificar as próprias regras, enfim existe 
maior liberdade de ação para as crianças. 
 
A prática da brincadeira na escola promove aspectos diversos na criança 
que serão de suma importância para o seu desenvolvimento biopsicosocial, sendo 
imprescindível para uma formação sólida e completa. 
O brincar vai desde a sua prática livre até uma atividade dirigida, com 
regras e normas. Os jogos são ótimos para desenvolver o raciocínio lógico, e 
também para o desenvolvimento físico, motor, social e cognitivo, e atualmente a 
aplicação desta nova maneira de transmissão de conhecimento é até mais fácil 
pelos recursos e metodologias disponíveis para o professor. 
Apesar da visão renovada das possibilidades de utilização dos jogos na 
escola, o jogo ainda está muito distante de ser integrado realmente como recurso e 
metodologia. Em geral, o uso dos jogos no cotidiano escolar se restringe a 
atividades extremamente dirigidas, que contribuem muito pouco para o 
desenvolvimento da autonomia, da criatividade e da produção de cultura. 
Segundo Carneiro e Dodge (2007, p.91): 
 
Para que a prática da brincadeira se torne uma realidade na escola, é 
preciso mudar a visão dos estabelecimentos a respeito dessa ação e a 
maneira como entendem o currículo. Isso demanda uma transformação que 
necessita de um corpo docente capacitado e adequadamente instruído para 
refletir e alterar suas práticas. Envolve, para tanto, uma mudança de postura 
e disposição para muito trabalho. 
 
Muitas das vezes a escola não oferece oportunidades, espaços para a 
prática da brincadeira livre, e quase sempre, impede que aconteça. Seria valoroso 
que a escola se apropriasse da brincadeira, porque isso traria resultados mais 
relevantes e adequados às necessidades do mundo de hoje. Apesar da sua 
importância, a prática da brincadeira na pré-escola ainda tem “fama” de ser apenas 
preparatória para a escola, sem valor pedagógico ou como um passatempo. 
22 
 
De acordo com Borba (2007, p.34): 
 
A brincadeira é uma palavra estritamente associada à infância e às 
crianças. Porém, ao menos nas sociedades ocidentais, ainda é considerada 
irrelevante ou de pouco valor do ponto de vista da educação formal, 
assumindo frequentemente a significação de oposição ao trabalho, tanto no 
contexto da escola quanto no cotidiano familiar. 
 
Então, podemos dizer que isso é uma difícil tarefa a ser resolvida, porque 
nem sempre a instituição de ensino atribui o devido valor ao brincar, o que acontece 
no máximo é integrar a brincadeira fazendo uma atividade dirigida, e também 
depende do profissional de educação estar preparado para mudanças e usar isso no 
seu cotidiano. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
´ 
23 
 
2. O LÚDICO COMO RECURSO PEDAGÓGICO 
 
A educação por meio do lúdico possibilita um favorável crescimento da 
criança, investindo numa elaboração íntegra do conhecimento infantil. Enquanto joga 
e brinca, podem ser recriados conceitos cotidianos, compreendendo, encenando, 
reelaborando a realidade, contribuindo assim para uma maneira melhor de se 
relacionar com o outro e desenvolvendo sua identidade e autonomia. 
O lúdico como método pedagógico prioriza a liberdade de expressão e 
criação. Por meio dessa ferramenta, a criança aprende de uma forma menos rígida, 
mais tranquila e prazerosa, possibilitando o alcance dos mais diversos níveis do 
desenvolvimento. Cabe assim, uma estimulação por parte do adulto/professor para a 
criação de ambiente que favoreça a propagação do desenvolvimento infantil, por 
intermédio da ludicidade. 
É importante ressaltar, que a motivação do educador escolar para 
proporcionar a atividade lúdica é fundamental para que o aluno possa despertar o 
interesse para criar, desenvolver, participar, buscando a construção do 
conhecimento. 
O desenvolvimento lúdico nas práticas pedagógicas na escola, não deve 
ser visto apenas como descontração, mas sim, como meio para o desenvolvimento 
do aprimoramento do raciocínio lógico, cognitivo e social de maneira espontânea e 
prazerosa para a criança. Os adultos enquanto educadores devem ter cautela no 
que expõem para as crianças, pois uma das ferramentas da aprendizagem infantil é 
a repetição. 
A Criança, jogo e brincadeira estão intrinsecamente interligados, no 
entanto, o nosso sistema escolar não percebe essa interligação e cerceia a criança 
das suas necessidades de movimento, expressão e de construção de seu 
conhecimento a partir do seu próprio corpo. Apesar de estar inserida neste meio, a 
escola precisa perceber a criança como um ser em constante desenvolvimento. 
A ação de educar não pode restringir-se à simples preocupação com as 
estruturas mentais, mas também com a expressão do corpo em sua totalidade. Se 
24 
 
educar é libertar, então, os processos que regem esta ação educativa devem 
fornecer subsídios para que tal idéia se concretize. 
A aprendizagem através do lúdico deve ser considerada do ponto de vista 
das crianças, propondo a compreensão dos conteúdos a partir da reconstrução que 
ela realiza. A aprendizagem é assegurada através da estruturação cognitiva dos 
conhecimentos prévios que as crianças constroem quando elaboramseus novos 
conhecimentos. 
Paulo Freire diz: 
 
“Que ensinar não é transferir conhecimentos, mas criar as possibilidades 
para a sua própria produção ou a sua construção” (2001, p.52). 
 
Criar em sala de aula situações onde o aluno possa fazer indagações, 
permitindo-se assim construir o seu conhecimento. Ser um ser crítico, aberto à 
sugestões, valorizando também o ponto de vista de seus alunos e não somente o 
seu próprio. 
É de fundamental importância ter as práticas lúdicas como objetos 
permanentes de estudo e implementação, para que além de se resgatar valores 
culturais possa ampliar a capacidade de criação e articulação com uma proposta 
que valorize a educação em todos seus aspectos. Mas para que se atinja os 
objetivos que permeiam as práticas lúdicas, é preciso um comprometimento em 
conjunto da equipe que faz parte da Instituição como professor, psicopedagogos, 
diretores dentre outros em trabalhar com seriedade, explorando novas 
possibilidades a fim de produzir um ensino significativo de qualidade para a vida de 
seus alunos. 
A brincadeira é muito importante para o desenvolvimento psicológico, 
social e cognitivo da criança, pois é através dela que a criança consegue expressar 
seus sentimentos em relação ao mundo social. As atividades lúdicas preparam a 
criança para o desempenho de papéis sociais, para a compreensão do 
funcionamento do mundo, para demonstrar e vivenciar emoções. Quanto mais a 
criança brinca, mais ela se desenvolve sob os mais variados aspectos, desde os 
afetivo-emocionais, motor, cognitivo, até o corporal. 
25 
 
2.1. O LÚDICO COMO MEIO DA APRENDIZAGEM NA EDUCAÇÃO INFANTIL 
O brincar é vital para o desenvolvimento do corpo e da mente. Nele se 
reconhece um meio de proporcionar educação integral, em situações naturais de 
aprendizagem que geram forte interesse em aprender e garantem prazer. 
O lúdico viabiliza a construção do conhecimento de forma interessante e 
prazerosa, garantindo nas crianças a motivação intrínseca necessária para uma boa 
aprendizagem, até convertê-las em adultos maduros, com grande imaginação e 
autoconfiança, mesmos aqueles que apresentam alguma dificuldade na sua 
aprendizagem ou na aquisição do conhecimento. 
Damos ênfase às metodologias que se alicerçam no “brincar”, no facilitar 
as coisas do aprender através do jogo, da brincadeira, da fantasia, do 
encantamento. A arte-magia do ensinar-aprender (ROJAS,1997), permite que o 
outro construa por meio da alegria e do prazer de querer fazer. 
O jogo e a brincadeira estão presentes em todos as fazes da vida dos 
seres humanos, tornando especial a sua existência. De alguma forma o lúdico se faz 
presente e acrescenta um ingrediente indispensável no relacionamento entre as 
pessoas, possibilitando que a criatividade aflore. 
Defendemos nesse trabalho uma metodologia em que o brincar é a 
ludicidade do aprender. A criança aprende enquanto brinca. Fazem parte dessa 
pesquisa três momentos que alicerçam o interdisciplinar dos sujeitos envolvidos: o 
faz-de-conta, que é o momento de ênfase à imaginação vivenciando idéias por meio 
da literatura infantil. Dramatizar, contar, viver e elaborar historias criando seu próprio 
espaço-lúdico por meio de livro de pano. 
No momento dois, damos ênfase ao brinquedo, do brincar com outras 
pessoas e, do brincar em grupo. No brincar com outras pessoas a criança aprende a 
viver socialmente, respeitando regras, cumprindo normas, esperando sua vez e 
interagindo de uma forma mais organizada. No grupo, aprende a partilhar e a fazer 
um movimento rotativo tão importante para a socialização e o diálogo. 
Sabemos que é importante ter um jogo no processo de aprendizagem, 
contudo não adianta possuir o melhor jogo se o professor não souber estimular as 
26 
 
crianças para que a aprendizagem se torne significativa. O professor tem que saber 
instigar o aluno a partir da curiosidade gerada construir, junto com o aluno, as 
associações necessárias. 
Como nos traz Faria e Salles (2007), os professores podem utilizar o 
lúdico (jogos, brincadeiras e brinquedos) apenas como uma estratégia para 
conseguir transmitir determinado conteúdo; não sendo importante para esses 
docentes se o lúdico auxiliaria no processo ensino-aprendizagem das crianças. A 
professora a deixa visível na sua fala, na segunda questão. “Como o lúdico pode ser 
usado no processo ensino-aprendizagem? que ela utiliza a curiosidade como um 
modo de despertar a curiosidade das crianças, depois as crianças fazem uma 
atividade e depois conversam sobre a atividade e ela consegue saber o que as 
crianças conseguiram entender e aprender a partir da atividade. 
“O brincar é uma das formas privilegiadas de as crianças se expressarem, 
se relacionarem, descobrirem, explorarem, conhecerem e darem significado ao 
mundo, bem como de construírem sua própria subjetividade, constituindo-se como 
sujeitos humanos em determinada cultura. É, portanto, uma das linguagens da 
criança, e como as demais, aprendida social e culturalmente” (FARIAS e SALES, 
2007, p.70). 
Além disso, Vygostsky (1998) afirma que o brincar é um espaço de 
aprendizagem onde a criança age além do seu comportamento humano. No brincar, 
ela age como se fosse maior do que é na realidade, realizando simbolicamente, o 
que mais tarde realizará na vida real. Embora aparentemente expresse apenas o 
que mais gosta, a criança quando brinca, aprende a se subordinar às regras das 
situações que reconstrói. 
Para tanto, é preciso que o professor tenha um suporte teórico e acima de 
tudo acredite que o jogo e a brincadeira se constituam ferramentas indispensáveis 
no processo de alfabetização, possibilitando a aquisição dos conhecimentos de 
forma prazerosa. Necessário se faz proporcionar momentos de estudos com os 
professores voltados para esta temática, buscando oferecer diretrizes para que o 
trabalho a ser desenvolvido incorpore uma proposta metodológica onde o lúdico 
ocupe um espaço de relevância no processo de ensino e aprendizagem. O lúdico 
possibilita a formação integral dos educandos, pautado na concepção de que a 
27 
 
“criança aprende melhor brincando”, isto é, quando as crianças se interagem por 
meio de atividades lúdicas, elas próprias constroem o seu conhecimento e se 
apropriar de um saber significativo. 
 
2.2. OS EDUCADORES E O DESENVOLVIMENTO DAS ATIVIDADES LÚDICAS 
Portanto, os professores, na posição não de meros transmissores de 
informações e conhecimentos sistemáticos, mas como mediadores desses 
conhecimentos, devem oportunizar condições para que, por meio do 
desenvolvimento dessas atividades, a criança possa construir de forma autônoma o 
seu próprio conhecimento. 
Assim, na prática pedagógica atualmente sugere-se que seja utilizada 
atividades lúdicas como forma de facilitar a motivação do aluno, além de sua 
adaptação e socialização do mesmo no seio escolar, visto que, através do lúdico, a 
criança estando motivada se adapta no ambiente no qual está inserido, aprendendo 
a conviver no dia-a-dia com as pessoas que compõe o meio social no qual está 
inserido. Esse “brincar” na sala de aula motiva a inteligência e à vontade de 
aprender na criança, fazendo com que ela solte sua imaginação e desenvolva sua 
criatividade, possibilitando a cada dia, o exercício constante da concentração e da 
atenção nas aulas. Desse modo, Pozo (2002, p.70) destaca a importância do jogo 
na motivação da aprendizagem, já que: 
 
A utilização de atividades lúdicas como forma de facilitar o período de 
adaptação e socialização ao meio escolar, pois através do lúdico a 
criança vai se adaptando ao ambiente em que está inserido e com as 
pessoas que muitas vezes o compõem. 
 
Assim, essa forma lúdica de motivação é desenvolvida a partir da 
inserção de jogos e brincadeiras no planejamento escolar, bem como a inserção de 
atividades dinâmicas na sala de aula, no intuito de tornar essa aprendizagem uma 
prática constantede busca pelo conhecimento, onde competências e habilidades 
devem ser exploradas nos educandos para que estes sejam incluídos de maneira 
globalizada no meio social e exerçam com sabedoria à sua posição como cidadãos 
28 
 
críticos e compromissados com diversas mudanças significativas realizadas através 
da apropriação do conhecimento. 
Nessa perspectiva, quanto à opinião sobre o lúdico (jogos e brincadeiras) 
no processo de ensino-aprendizagem na Educação Infantil, o docente destacou que 
o lúdico é de extrema importância, pois, é brincando que a criança vai aprender e se 
tornar algo até mais atrativo, que prende a atenção da criança. Por meio do lúdico, o 
aprendizado vai ter mais significado para o aluno, tendo em vista que vai se explorar 
o material concreto e colorido, ajudando a criança a fixar o conteúdo. 
O jogo simbólico caracteriza-se pela representação da realidade, por uma 
tendência imitativa e imaginativa. Aplica-se à imaginação, devido ao fato de ser 
situações as quais são impossíveis de serem realizadas sozinhas, devido à sua faixa 
etária. Para Vygotsky apud Arce (2004), uma das atividades principais da infância é 
a brincadeira, relacionando com a sua teoria, a brincadeira cria uma zona de 
desenvolvimento proximal da criança, pois permite à criança a interiorização de 
ações que ultrapassam sua idade, mas permitindo uma aquisição da sua realidade 
circundante de maneira criativa. 
Através do jogo simbólico, a criança passa a adquirir a capacidade de 
representar simbolicamente suas ações por meio de sua capacidade de pensar. 
Pode-se tomar como exemplo, os bonecos/bonecas que as crianças tomam, como 
pai/mãe, filho/filha, as caixas de papelões que tomam com carros entre outras 
coisas, que simbolizam coisas da realidade. 
Através da utilização dos jogos, as crianças exprimem seus desejos por 
meio do real. E é uma maneira também de facilitar a compreensão acerca da 
realidade, já que ainda são incapazes de entender respostas realistas. Uma função 
dessas inúmeras fantasias elaboradas pelas crianças, é a de equilibrá-la 
emocionalmente, oportunizando dessa forma uma melhor elaboração e diminuição 
de suas angústias e ansiedades, agindo também, como método de autodefesa e 
auto afirmação. 
 O crescer é algo inerentemente conflituoso, no entanto a criança 
ultrapassa a linha da racionalidade e atribui na fantasia como forma de elaboração 
29 
 
para as mais diversas vivências. Dessa forma, quando na brincadeira a mesma fica 
doente, morre, são formas destas lidarem com suas angústias. 
Os jogos e brincadeiras têm papel estimulante para a criança no momento 
da ação lúdica. Tanto brinquedo, quanto à brincadeira, permitem a exploração do 
seu potencial criativo de numa sequência de ações libertas e naturais em que a 
imaginação se apresenta como atração principal. Por meio do brinquedo a criança 
reinventa o mundo e libera suas atividades e fantasias. 
Frente a estas reflexões podemos afirmar que o processo de construção 
do aprendizagem será efetivado mediante a participação da criança no brincar. O 
prazer, não é suficiente para justificar a importância do brincar. Possui, porém um 
relevante justamente com outros fatores, uma vez que leva a criança a ter iniciativa. 
A criança é incapaz de separar a princípio, a realidade da fantasia, o brincar para a 
criança e muito séria. 
Devemos conhecer de fato esse instrumento (brinquedo) para 
compreendermos seu real valor na vida criança. Se, como educadores e pais, 
desconhecemos as necessidades das crianças e os incentivos capazes de levá-las a 
atuar, estaremos prejudicando seu processo de desenvolvimento. 
É considerado que os jogos é a riqueza do imaginário infantil, através ele 
a criança libera seus sentidos, em todas as ocasiões, fazendo assim com que a 
criança tenha mais segurança no aprender, algo, onde o brinquedo e sem dúvida um 
instrumento capaz de ajudar a criança a se desenvolver, intelectual, socialmente e 
cognitivamente. 
 
 
 
 
 
 
 
30 
 
3. ANÁLISE GERAL – LUDICIDADE E A APRENDIZAGEM 
 
As brincadeiras infantis e os jogos lúdicos revelem um conteúdo 
riquíssimo, que pode ser usado para estimular o aprendizado de crianças durante 
toda a sua vida e na fase da infância quando ocorrem aprendizados importantes e 
essenciais para a formação da personalidade do ser humano, os jogos e 
brincadeiras têm um impacto em toda a história de vida de uma criança. Assim 
entendemos que através do aprendizado lúdico é possível enriquecer e completar o 
que é lecionado dentro da escola, sendo visto que cada vez mais o aprendizado 
ultrapassa os limites das salas de aula e ganha espaço no ambiente em que a 
criança vive e se realiza. 
Desta forma, a promoção do direito de brincar e praticar esportes, assim 
como a capacitação de profissionais e a formação contínua de educadores que se 
dedicam ao trabalho nesta área torna-se decisivo para garantir que a infância seja 
cada vez mais repleta de experiências positivas, nas quais esses direitos sejam 
garantidos e respeitados, trazendo através dessas atividades mais prazer, 
comprometimento e igualdade. 
O professor deve sempre manter a preocupação de despertar nas 
crianças, não só estes processos em si, como o desejo de desenvolvê-los, a 
vontade de aprender, de querer saber mais e melhor, esta motivação pode apenas 
ser despertada por educadores competentes, sensíveis às necessidades e 
dificuldades dos seus alunos, sendo capaz de lhes apresentarem metodologias 
adequadas, ilustradoras da matéria em estudo e facilitadoras da retenção e 
compreensão das mesmas, em vista a este objetivo, sugere-se o incentivo, não 
apenas do pensamento dedutivo, como também do intuitivo, porque, se é importante 
ensinar o “espírito” e métodos científicos, não é menos importante ensiná-los a lidar 
com a sua intuição, de modo a que possa chegar às suas próprias conclusões e 
aventurar-se sozinho pelos domínios do saber e do desconhecimento. 
3.1. JOGOS E BRINCADEIRAS 
O ensino-aprendizagem no decorrer dos anos vem sofrendo mudanças na 
metodologia de ensino buscando formas que facilitem o trabalho do professor no 
31 
 
processo de aprendizagem. As mudanças referentes aos recursos didáticos, 
principalmente os pedagógicos, incluem os jogos que, quando usados 
adequadamente tornam a aprendizagem menos mecânica e mais significativa e 
prazerosa para o aluno, refletindo assim, no seu desenvolvimento cognitivo. 
Os jogos em épocas passadas eram utilizados nas escolas apenas como 
recreação e fora dela como lazer. Sabe-se, porém que, os jogos além de 
proporcionar prazer e alegria exercem também papel importante no desenvolvimento 
intelectual do aluno quando aplicado adequadamente. À medida que a escola dá 
oportunidade à criança de experimentar o concreto utilizando os jogos de maneira 
pedagógica, faz com que as experiências acumuladas lhe proporcionem a formação 
de conceitos como: semelhanças e diferenças, classificação, seriação e a partir 
desses conceitos tem condições de descrever, comparar e representar 
graficamente. Nos tempos atuais ainda existem muitas escolas que funcionam no 
sistema tradicional de ensino, limitando a ação educativa do educando, deixando de 
incluir no planejamento educacional, atividades que priorizem os movimentos livres e 
espontâneos do educando. 
Outras, embora usando métodos tecnológicos modernos, também inibem 
o lado criativo do educando, causando muitas vezes prejuízo na aprendizagem. Uma 
boa aprendizagem se dá através da motivação estimuladora e criativa 
proporcionando assim prazer em aprender. 
3.2. CLASSIFICAÇÃO DOS JOGOS 
 
Jogos do Exercício: Os jogos de exercício, primeiros a aparecerem na 
vida da criança, não incluem intervenção de símbolos ou ficções e nem de regras; a 
criança executa simplesmente pelo prazer que encontra na própria atividade, e não 
com o objetivo de adaptação. A principal característica do jogonesta fase é o seu 
aspecto prazeroso. E agir para satisfazer-se. O prazer é o que trás significado para a 
ação: o bebê mama não para sobreviver, mas pelo prazer que o mamar trás, à 
medida que alivia um desconforto, um desprazer. 
Ao descrever a classificação e evolução dos jogos de exercícios, Piaget 
divide-os em duas categorias: jogos de exercícios sensório-motores e jogos de 
32 
 
pensamento. Dentro dos jogos de exercícios sensório-motores podemos distinguir 
três classes: 1) Jogos de exercícios simples. Estes jogos se limitam a reproduzir 
fielmente um comportamento adaptado pelo simples prazer que se encontra em 
repetir tal comportamento. Quase todos os jogos sensório-motores referentes ao 
período de 1 a 18 meses pertencem a essa classe. A criança usa nessa fase 
sensório-motora a imitação para se adaptar à realidade, aprender novas ações 
(estruturas) ou satisfazer uma necessidade, por exemplo: quando tenta arrastar o 
corpo e chega próximo a um objeto que quer (aprendendo a engatinhar) ou quando 
tenta o “ba, bá, dá, dá”, experimentando novas combinações de sons no espaço de 
imitar fonemas adultos. Os jogos de exercícios não têm essa finalidade da imitação, 
sua finalidade é divertir e servir como instrumento de realização de um prazer em 
fazer funcionar, exercitar, estruturas já aprendidas. Assim podemos exemplificar: 
quando uma criança sobe e desce inúmeras vezes uma escada, ela repete esta 
ação pelo único prazer que encontra em repetir. 
Combinações sem finalidade. A única diferença entre a primeira classe e 
a segunda baseia-se no fato de que a criança não se limita a exercer simplesmente 
atividades anteriormente adquiridas, mas passa a construir com elas novas 
combinações que são lúdicas desde o início. 
Combinações com finalidades. Assim podemos exemplificar a criança ao 
atirar vezes seguidas um objeto para fora do berço, andar pela casa toda por um 
período longo de tempo. Nesses jogos as combinações possuem uma finalidade 
predominante lúdica. Por exemplo: Ao pularem sobre os pneus, procuram descobrir 
novas formas de saltar, rolar livremente os pneus, passar por dentro (imitando túnel). 
Jogos do Pensamento: Uma segunda categoria que divide os jogos de 
exercício é a dos jogos de exercícios de pensamento. Para estes podemos apontar 
as mesmas classes discutidas anteriormente. E dentre elas encontramos todas as 
passagens entre o exercício sensóriomotor, o da inteligência prática e o da 
inteligência verbal. 
PIAGET (1994) exemplifica dizendo que uma criança tendo aprendido o 
formular perguntas, poderá se divertir pelo simples prazer de perguntar (exercício 
simples). Por outro lado, poderá relatar algo que não existe pelo prazer de combinar 
as palavras sem finalidade (combinações sem finalidade). Ou ainda pode inventar 
33 
 
palavras ou descrições pelo simples prazer que encontra ao inventar (combinações 
lúdicas de pensamento com finalidade). 
Jogos Simbólicos: São jogos que implicam a representação isto é, a 
diferenciação entre significantes e significados. No jogo simbólico há o prazer, a 
descoberta do significado, como no jogo de exercício, mas com acréscimo do 
símbolo. A criança demonstra seu funcionamento simbólico, através de alguns 
comportamentos: 
- Quando imita uma determinada situação, que presenciou em outro 
momento demonstra uma representação interna desse acontecimento; 
- Quando brinca de faz-de-conta, transformando um objeto em outro, uma 
vassoura pode vir a ser, nas mãos de uma criança um cavalo, um lápis pode se 
tornar um avião; 
- No jogo, quando apresenta uma interpretação própria dos 
acontecimentos que fazem parte do seu dia-a-dia; 
- Quando começa a usar a linguagem para se expressar e se comunicar 
com os outros; - Quando desenha, pinta, modela... a criança expressa aquilo que 
conhece e tem significado para ela. 
É construindo representações que a criança registra, pensa, lê o mundo 
através do jogo simbólico, do faz-de-conta, a criança assimila a realidade externa 
adulta à sua realidade interna. A hora do jogo é um momento carregado de 
significações. A criança tem necessidade de vivenciar o jogo simbólico: quando a 
criança brinca, joga ou desenha, está desenvolvendo a capacidade de representar, 
de simbolizar. Está interagindo com o mundo. Está recebendo, internalizando idéias 
e sentimentos. E está dando sua resposta criativa. 
O jogo simbólico constitui uma atividade real essencialmente egocêntrica 
e sua função consiste em atender o eu por meio de uma transformação do real em 
função de sua própria satisfação. “jogo simbólico não é um esforço de submissão do 
sujeito ao real, mas, ao contrário, uma assimilação deformada da realidade do eu” 
(PIAGET: 1971, p. 29). 
34 
 
Enquanto no jogo de exercício não há estrutura representativa 
especificamente lúdica, no jogo simbólico a representação está presente, havendo, 
portanto, uma dissociação entre o significante e o significado. 
Jogos de Regra: Os jogos com regras aparecem numa etapa posterior 
aos jogos de símbolos. Para uma criança de 2 ou 3 anos, o simples fato de subir os 
degraus de uma escada já é uma satisfação. Ao passo que para uma criança de 6 
anos, por exemplo, esta atividade só será atraente se envolver algumas regras 
determinando o procedimento: subir com um pé só, de dois em dois degraus, 
pulando etc. São as regras que irão impor necessidades de maior ou menor atenção 
e regular o comportamento da criança. Se nas primeiras brincadeiras infantis e 
naquelas que envolvem situações imaginarias o prazer está no processo, nos jogos 
com regras o prazer é obtido no resultado alcançado, e no cumprimento das normas. 
São jogos que permitem a criança auto regular-se. E não em menor medida, auto 
avaliar-se, uma vez que as regras são estabelecidas a priori, e estão à disposição 
para que todos os participantes as conheçam mesmo sendo uma atividade lúdica da 
criança socializada, o jogo de regra se desenvolve continuamente durante toda a 
vida. Por isso, seu aparecimento é mais tardio só se constitui entre os quatros e os 
sete anos, intensificando-se na idade de sete a onze anos. 
Afinal, os jogos de regras são jogos de combinações sensório-motoras ou 
intelectuais, com competição entre os indivíduos, fazendo com que a regra seja 
necessária. Nessa categoria de jogo as regras podem ser transmitidas por gerações 
passadas ou podem ser estabelecidas por acordo entre os participantes no 
momento em que jogam. Ao discutir ainda as categorias dos jogos, PIAGET (1971) 
diz que os jogos de construção não constituem uma categoria como os outros jogos 
acima descritos, mas eles são construídos pelo exercício, o símbolo e a regra. 
3.3. O BRINCAR E A ESCOLA 
O brincar está associado à criança há séculos. Mas foi através de uma 
ruptura de pensamento que a brincadeira passou a ser percebida e valorizada no 
espaço educacional das crianças menores. No passado, o que se via era o brincar 
apenas como forma de fuga ou distração, não lhe sendo conferido o caráter 
educativo. 
35 
 
O brincar tem a função socializadora e integradora. A sociedade moderna 
cada vez mais tem sofrido transformações em relação ao brincar e ao espaço que se 
tem para brincar, os pais e os filhos têm pouco tempo para ficarem juntos e brincar. 
A escola acaba sendo a única fonte transmissora de cultura, onde ainda existem 
espaços para as crianças brincarem, tendo os profissionais de educação a 
incumbência de ensinar e resgatar as brincadeiras populares, mas não só isso, 
como também o jogo deve fazer parte do cotidiano das crianças, e seria usado como 
uma nova forma de transmitir conhecimento, pois a atividade lúdica é benéfica ao 
aprendizado. 
De acordo com Almeida (2005, p. 5): 
 
A brincadeira se caracteriza por alguma estruturação e pela utilização 
de regras. A brincadeira é uma atividade que pode ser tanto coletiva 
quanto individual. Na brincadeira a existência das regrasnão limita a 
ação lúdica, a criança pode modificá-la, ausentar-se quando desejar, 
incluir novos membros, modificar as próprias regras, enfim existe 
maior liberdade de ação para as crianças. 
 
A prática da brincadeira na escola promove aspectos diversos na criança 
que serão de suma importância para o seu desenvolvimento biopsicosocial, sendo 
imprescindível para uma formação sólida e completa. 
Segundo Wajskop (2007, p.25): 
A criança desenvolve-se pela experiência social nas interações que 
estabelece, desde cedo, com a experiência sócio-histórica dos 
adultos e do mundo por eles criado. Dessa forma, a brincadeira é 
uma atividade humana na qual as crianças são introduzidas 
constituindo-se um modo de assimilar e recriar a experiência sócio-
cultural dos alunos. 
 
O brincar vai desde a sua prática livre até uma atividade dirigida, com 
regras e normas. Os jogos são ótimos para desenvolver o raciocínio lógico, e 
também para o desenvolvimento físico, motor, social e cognitivo, e atualmente a 
aplicação desta nova maneira de transmissão de conhecimento é até mais fácil 
pelos recursos e metodologias disponíveis para o professor. 
36 
 
Apesar da visão renovada das possibilidades de utilização dos jogos na 
escola, o jogo ainda está muito distante de ser integrado realmente como recurso e 
metodologia. Em geral, o uso dos jogos no cotidiano escolar se restringe a 
atividades extremamente dirigidas, que contribuem muito pouco para o 
desenvolvimento da autonomia, da criatividade e da produção de cultura. 
Segundo Carneiro e Dodge (2007, p.91): 
 
Para que a prática da brincadeira se torne uma realidade na escola, é 
preciso mudar a visão dos estabelecimentos a respeito dessa ação e a 
maneira como entendem o currículo. Isso demanda uma transformação que 
necessita de um corpo docente capacitado e adequadamente instruído para 
refletir e alterar suas práticas. Envolve, para tanto, uma mudança de postura 
e disposição para muito trabalho. 
 
Muitas das vezes a escola não oferece oportunidades, espaços para a 
prática da brincadeira livre, e quase sempre, impede que aconteça. Seria valoroso 
que a escola se apropriasse da brincadeira, porque isso traria resultados mais 
relevantes e adequados às necessidades do mundo de hoje. Apesar da sua 
importância, a prática da brincadeira na pré-escola ainda tem “fama” de ser apenas 
preparatória para a escola, sem valor pedagógico ou como um passatempo. 
De acordo com Borba (2007, p.34): 
 
A brincadeira é uma palavra estritamente associada à infância e às 
crianças. Porém, ao menos nas sociedades ocidentais, ainda é considerada 
irrelevante ou de pouco valor do ponto de vista da educação formal, 
assumindo frequentemente a significação de oposição ao trabalho, tanto no 
contexto da escola quanto no cotidiano familiar. 
 
Então, podemos dizer que isso é uma difícil tarefa a ser resolvida, porque 
nem sempre a instituição de ensino atribui o devido valor ao brincar, o que acontece 
no máximo é integrar a brincadeira fazendo uma atividade dirigida, e também 
depende do profissional de educação estar preparado para mudanças e usar isso no 
seu cotidiano. 
 
37 
 
3.4. A IMPORTÂNCIA DO ESPAÇO PARA OS JOGOS E BRINCADEIRAS 
A urbanização, fenômeno comum desde o princípio do século passado, 
afetou vários países, inclusive, de maneira marcante, o Brasil. Houve uma 
concentração populacional em muitas cidades, determinando uma nova forma de 
utilização dos espaços. 
As casas foram sendo substituídas por condomínios verticais, com menos 
espaços físicos internos e externos. As áreas privadas, e mesmo as públicas, 
destinadas ao lazer, têm sido substituídas por espaços produtivos mais lucrativos. 
As consequências da urbanização pouco planejada e da falta de espaços 
de lazer também se refletem nas moradias cujos espaços domiciliares são 
inadequados para brincar. Alguns pais colocam os condomínios como uma saída 
para esse problema. 
É importante que sejam oferecidos às crianças espaço de transmissão de 
cultura para que elas possam brincar e, assim terem oportunidades de criação, pois 
quando a criança brinca, reinventa cenas do cotidiano que a marcam, construindo 
sua própria história. As crianças que com frequência brincam de faz-de-conta 
tendem a cooperar mais com outras crianças e tendem a ser mais populares e 
alegres do que aquelas que não brincam de modo imaginativo. 
Ao movimentar o seu corpo, a criança inventa brincadeiras e, assim, 
constitui o seu eu, sua imaginação e seus pensamentos. Quanto maior for a 
qualidade do brincar maior será o desenvolvimento cognitivo. Porém, muitos adultos 
limitam esse movimento e impedem a criança de se desenvolver nesse sentido, pois 
consideram que uma criança que se movimenta muito e que precisa de espaço para 
se expressar, é hiperativa ou arteira. 
Dessa forma, muitos acreditam que a criança que consegue permanecer 
parada, sentada em frente à televisão é a que está mais próxima da civilidade e 
merece maior crédito. Os adultos e as crianças que brincam juntas de faz-de-conta 
tendem a ter uma relação mais saudável e prazerosa. 
Devido às mudanças na realidade econômica, a infância vem sofrendo 
uma perda no seu espaço e, assim, um processo de abandono das brincadeiras vem 
38 
 
sendo percebido, que são substituídas por outras atividades como: assistir televisão, 
jogos em computadores ou videogames como forma de preencher o tempo em que 
ficam em casa sozinhas. 
Segundo Brougére (1995, p.50), “A televisão transformou a vida e a 
cultura da criança, as referências de que ela dispõe. Ela influenciou, particularmente, 
sua cultura lúdica”. Os meios de comunicação, principalmente a TV, representam um 
percentual muito grande de tempo na vida das crianças, a rua e os espaços públicos 
ou coletivos são poucos frequentados pelas crianças, e esses espaços são de suma 
importância para se ganhar liberdade e exercer autonomia. O bombardeio que se 
tem percebido da mídia nos lares torna-se perigoso, no que diz respeito a que tipo 
de cidadão irá se formar. Nossa sociedade está cada vez mais sem tempo e 
espaços lúdicos. 
Garcia (2003, p.126-127 apud GOMES, 2006, p.20) afirma que: 
 
...assim, além das crianças, dos adolescentes e dos jovens atualmente não 
possuírem o espaço da rua para desenvolver a socialização, também não 
possuem um rol de convivência familiar que lhes permita estabelecer 
maiores relações com o diferente (em idade, gênero, classe social, étnica, 
geracional e outros) 
 
As transformações no mundo atual acabaram interferindo de forma 
negativa, no espaço, no tempo e na participação dos pais no brincar. Os adultos 
deveriam valorizar esses pontos de forma positiva. Para Freud há tremenda 
importância à articulação entre o brincar, a criação e a arte. 
Segundo Carneiro e Dodge (2007), diante dessa situação, podemos 
destacar quatro espaços que podem ser reconsiderados ou criados como locais 
onde as crianças possam realizar livremente suas brincadeiras: a observação da 
natureza, o teatro, a brinquedoteca e a escola. 
A observação da natureza é fundamental, pois os benefícios que ela 
fornece são provenientes do contato com ela, a variedade de coisas que ela 
apresenta, descoberta das cores, formas, odores, sabores, pode ser relacionado às 
diferenças existentes entre os seres humanos. 
39 
 
O teatro também permite uma relação direta entre o público e os atores, 
exigindo, ainda, a criatividade para fazer cenário e figurino. A brinquedoteca é uma 
opção bastante atrativa, porque tem um espaço organizado, que permite a livre 
escolha da criança tanto em relação aos objetos quanto a atividades. 
Segundo Freud (1973, p.1344, apud MEIRA, 2004, p.84): 
 
Não haveremos de buscar já na criança as primeiras marcas da atividade 
poética? A ocupação favorita e mais intensa da criança é o jogo. Acaso seja 
lícito afirmar que toda criança que joga se conduz como um poeta, criando-
se um mundo próprio

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