Prévia do material em texto
FACULDADE KURIOS – FAK PEDAGOGIA – LICENCIATURA PLENA MARIA EUDENIR DE OLIVEIRA SALES A APRENDIZAGEM NA EDUCAÇÃO INFANTIL ATRAVÉS DAS AÇÕES LÚDICAS ALTO SANTO 2017 MARIA EUDENIR DE OLIVEIRA SALES A APRENDIZAGEM NA EDUCAÇÃO INFANTIL ATRAVÉS DAS AÇOES LÚDICAS Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Licenciatura em Pedagogia, como requisito parcial para obtenção do Certificado do Curso de Licenciatura em Pedagogia pela Faculdade KURIOS – FAK sob Orientação da Professora Francisca Taneide Santos de Medeiros. ALTO SANTO 2017 Monografia apresentada para a Disciplina Orientação do Trabalho de Conclusão de Curso de Pedagogia – Licenciatura Plena da Faculdade Kuriós, como pré-requisito de Formação. Orientador: Francisca Taneide Santos de Medeiros _________________________________________ MARIA EUDENIR DE OLIVEIRA SALES Data de entrega: _____/_____/______. ORIENTADOR: _________________________________________ Professor/Orientador; Taneide Medeiros Avaliado por: _________________________________________ Avaliador 1 _________________________________________ Avaliador 2 Conceito geral: _______ _________________________________________ Coordenador Cleison Rabelo AGRADECIMENTOS Agradeço a todas as pessoas que contribuíram com minha caminhada estudantil, a minha família e a todos os meus alunos, que me impulsionaram a busca recursos para melhor ensiná-los. DEDICATÓRIA Dedico este trabalho à Deus, por ter me guiado nesta grande conquista. A minha família, pela incansável dedicação, auxiliando minha jornada acadêmica e de vida, dedico esta conquista com profunda admiração. Aos meus amigos, por terem me dado força e acreditado na concretização desse sonho. Ao minha orientadora Taneide Medeiros, pelo admirável profissionalismo que estiveram presente em cada ensinamento. “Brincar com crianças, não é perder tempo, é ganhá- lo; e se é triste ver meninos sem escola, mais triste ainda é vê-los sentados sem ar, com exercícios estéreis sem valor para a formação do homem.” Carlos Drummond de Andrade A APRENDIZAGEM NA EDUCAÇÃO INFANTIL ATRAVÉS DAS AÇOES LÚDICAS RESUMO Esse trabalho apresenta “A Aprendizagem na Educação Infantil, através das ações lúdicas”, pois no faz de conta as crianças aprender a agir em função da imaginação de uma pessoa, uma personagem, de um objetivo e de situações que não estão imediatamente presentes e perceptivo para elas no momento e que evoca emoções, sentimentos e significados vivenciados em outras circunstancias. Brincar funciona como um cenário no qual as crianças tornam-se capazes não só de imitar a vida como também de transformá-la. Os heróis, por exemplo, lutam contra seus inimigos, mas também podem ter filhos, cozinhar e ir ao circo. A escola ajuda a criança a socializar-se a fazer imaginação é um instrumento que permite a criança relacionar suas necessidades, interesses de um mundo que poucos conhecem e que estão ansiosos, cheios de curiosidade para compreendê-lo, é um meio que utilizam para entender o mundo dos adultos. Brincando ela investiga, conhece a si mesma, reflete e organiza, desorganiza, destrói o mundo a sua maneira. Impedir uma criança de brincar é tirar dela a oportunidade de construir o seu conhecimento e se é brincando que ela adquire esse conhecimento, podemos concluir que brincar na pré-escola é essencial para a preparação dessa criança, em seus primeiros contatos com a escola e que se forem, bem trabalhado permanecerão por toda a vida, pois é a base de sua estrutura educacional. O trabalho ainda trás concepções de autores e discussões sobre o assunto estudado. Palavras-chave: Lúdico – Aprendizagem – Educação – Infantil – Escola. SUMÁRIO INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................... 8 1. O LÚDICO NA EDUCAÇÃO INFANTIL ................................................................................... 9 1.1. APRENDER COM O LÚDICO ............................................................................... 10 1.2. A IMPORTÂNCIA DOS JOGOS E BRINCADEIRAS NO DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA ......................................................................................................................... 12 1.3. O ENSINO/APRENDIZAGEM E AS ATIVIDADES LÚDICAS ................................ 15 1.4. EXPERIÊNCIAS ATRAVÉS DO LÚDICO .............................................................. 18 1.5. AS RAZÕES PARA BRINCAR............................................................................... 19 1.6. O BRINCAR E A ESCOLA ..................................................................................... 20 2. O LÚDICO COMO RECURSO PEDAGÓGICO .................................................................... 23 2.1. O LÚDICO COMO MEIO DA APRENDIZAGEM NA EDUCAÇÃO INFANTIL ......... 25 2.2. OS EDUCADORES E O DESENVOLVIMENTO DAS ATIVIDADES LÚDICAS ..... 27 3. ANÁLISE GERAL – LUDICIDADE E A APRENDIZAGEM ................................................ 30 3.1. JOGOS E BRINCADEIRAS ................................................................................... 30 3.2. CLASSIFICAÇÃO DOS JOGOS ............................................................................ 31 3.3. O BRINCAR E A ESCOLA ..................................................................................... 34 3.4. A IMPORTÂNCIA DO ESPAÇO PARA OS JOGOS E BRINCADEIRAS ................ 37 CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................................................. 40 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................................................... 42 8 INTRODUÇÃO Esse trabalho procura conceituar a Aprendizagem na Educação Infantil, através de Ações Lúdicas, demonstrando sua importância, onde tem a pretensão de contribuir para os trabalhos voltados para estimular o desenvolvimento da autonomia e identidade da criança, esse recurso pedagógico permite na vida da criança, descoberta e criatividade. A criança traz de casa alguns conflitos que podem atrapalhar o seu desenvolvimento, esse recurso pedagógico permite na vida da criança descoberta e criatividade. A criança traz de casa alguns conflitos que podem atrapalhar o seu desenvolvimento e elas não estão no momento preparada para vencê-los. A criança vive num mundo de fantasias que deve ser explorado, o professor precisa fazer com que a criança se sinta pequena diante do professor que vive no mundo diferente do dele. Existem momentos na vida da criança, em que ela ainda não consegue dissociar suas fantasias e a realidade da qual participa. Ao mesmo tempo em que conhece e aceita o que constatar a sua volta, crê que pode ter ilusões e mergulha na fantasia, a criança se confunde entre aceitar a realidade e viver no sonho. É no brinquedo que ela fortifica sua confiança. Por isso pretendemos, com esse estudo, buscar subsídios para que no futuro a criança desenvolva a leitura com desenvoltura e habilidade. Objetivamos com esse estudo facilitar tanto o progresso da personalidade integral da criança, como o processo de cada uma de suas funções psicológicas, intelectuais e morais. Pois ao ingressar na escola, a criança sofre um considerável impacto físico-mental, pois até então, em sua vida era exclusivamenteou, mais exatamente, situando as coisas de seu mundo em uma nova ordem, grata para ele. Seria injusto, neste caso, pensar que não toma a sério este mundo: pelo contrário, toma muito a sério seu brincar e dedica e ele grandes afetos. A antítese do brincar não é gravidade, senão a realidade. A criança distingue muito bem a realidade do mundo e seu brincar, apesar da carga de afeto com que o satura e gosta de apoiar os objetivos e circunstâncias que imagina em objetos tangíveis e visíveis no mundo real. Este apoio é o que ainda diferencia o “brincar” infantil do “fantasiar”. É baseado nesse pensamento que podemos afirmar que possibilitar à criança espaço e oportunidade de expressar suas idéias, movimentos e criatividade, além da atenção que ela necessita, permitirá que ela possa se desenvolver plenamente e assim, também ser autora da cultura. A escola é um espaço de produção cultural e, no decorrer deste trabalho, trataremos sobre as razões e a importância do brincar nesse ambiente, a presença dos pais no brincar do dia a dia e dos benefícios dessa prática nas instituições de ensino. 40 CONSIDERAÇÕES FINAIS A fantasia de brincar caracteriza a ser desenvolvida para faixa de idade da educação infantil, o que determina ficar o espaço para o lúdico. Certamente todos os professores que atuem em classes iniciais (creche, jardim de infância, primeira série do ensino fundamental) já terão passado pela experiência de observar os seus alunos em atitudes, no mínimo, curiosas: conversam com brinquedos e objetos como se sua vida tivessem, transformam terra, pedras, papeis em comidinha e servem para os amigos, assumem personalidade de outras pessoas tratando de doentes como se médicos, fossem ensinados aos seus alunos como os professores, cuidando dos filho igual aos pais, conversando como comadres. A brincadeira para a criança não representa o jogo e o divertimento para o adulto, recreação, ocupação do tempo livre, afastamento da realidade. Brincar não é ficar sem fazer nada, como pensam alguns adultos, e necessário estar atento a esse caráter sério do ato de brincar, pois esse é o seu trabalho, atividade através da qual ela desenvolve potencialidades descobre papeis sociais, limites, experimenta novas habilidade, forma um novo conceito de si mesma, aprende a viver e avança para novas etapas de domínio do mundo que a cerca. A criança se empenha durante as suas atividades do brincar da mesma maneira que se esforça para aprender a andar, a falar, a comer, etc. brincar de faz de conta, de amarelinha, de roda, de esconde-esconde, de dominó, de jogo de cambio são situações que vão sendo gradativamente substituídas por outras, à medida que o interesse é transferido para diferentes tipos de jogos, no entanto todos eles são tratados com a seriedade respectiva, seriedade que pode ser voluntária ou involuntária. O brincar permite, ainda, aprender a lidar com as emoções. Pelo brincar, a criança equilibra as tensões provenientes do seu mundo cultural, construindo sua individualidade, sua marca pessoal e sua personalidade. Mas, é Piaget que nos esclarece o brincar, implica uma dimensão evolutiva com as crianças de diferentes idades, apresentando características especificas, apresentando formas diferenciadas de brincar que criem um ambiente alfabetizador para favorecer o processo e aquisição da autonomia de aprendizagem. Para tanto, o saber escolar 41 deve ser valorizado socialmente e a alfabetização deve ser um processo dinâmico e criativo através de jogos, brinquedos, brincadeiras e musicalidade. Com a utilização desses recursos pedagógicos, o professor poderá utilizar-se, por exemplo, de jogos e brincadeiras e atividades de leitura ou escrita em matemática e outros conteúdos, devendo, no entanto, saber usar os recursos no momento oportuno, uma vez que as crianças desenvolvam seu raciocínio e construam o seu conhecimento de forma descontraída. 42 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALMEIDA, M. T. P. O Brincar na Educação Infantil. Revista Virtual EFArtigos. Natal/RN- volume 03- número 01- maio, 2005. ALMEIDA, Paulo Nunes de. Educação Lúdica, Técnicas e Jogos Pedagógicos. São Paulo, Loyola, 1995. BORBA, Ângela Meyer. O brincar como um modo de ser e estar no mundo. In: Brasil MEC/ SEB. Ensino fundamental de nove anos: orientações para a inclusão da criança de seis anos de idade/ organização Jeanete Beauchamp, Sandra Denise pagel, Aricélia Ribeiro do Nascimento. _ Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2007. BRASIL. Estatuto da Criança e do Adolescente. Lei n° 8069, de 13 de julho de 1990. BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei n° 9394, de 20 de dezembro de 1996. BROUGÉRE, Gilles. Brinquedo e Cultura. Revisão Técnica e Versão Brasileira adaptada por Wajskop, Gisela- São Paulo: Cortez, 1995.Coleção questões da nossa época. CARNEIRO, Maria Ângela Barbato e DODGE, Janine J. A descoberta do brincar. São Paulo: Editora Melhoramentos, 2007. CORSARO 2002, apud CARVALHO, Levindo Diniz. UFMG -GT-07: Educação de crianças de 0 a 6 anos. Agência financiadora: CNPq. CUNHA, Nyelse Helena Silva. Brinquedoteca: um mergulho no brincar. São Paulo: Maltese, 1994. 43 FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Minidicionário da Lingua Portuguesa. 3.ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993. GARCIA 2003 apud, GOMES, Jani Célia Santos. Brincar: uma história de ontem e hoje. Campinas—SP. 2006/UNICAMP (conclusão de graduação). GRUPOALFA – Grupo de Pesquisa e Alfabetização das alunas e alunos das classes populares. Rio de Janeiro, Niterói, 2008. IGNACHEWSKI, I. O lúdico na formação do educador. In: ROSA, Adriana (org). Lúdico e alfabetização. Curitiba: Juruá, 2003. pág.81-85. KISHIAMOTO, TIZUKO. M. Jogos e Brincadeiras e a Educação. São Paulo – Cortez, 1996. KISHIMOTO 1993, apud CARVALHO, Levindo Diniz. UFMG -GT-07: Educação de crianças de 0 a 6 anos. Agência financiadora: CNPq. MACHADO, Marina Marcondes. O brinquedo-sucata e a criança. São Paulo: Loyola, 1994. 5ª edição. MEIRA, Ana Marta. A cultura do brincar. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2004. (Dissertação de Mestrado) MENDONÇA, Cristina Nogueira. Abordagens de Projetos na Escola da Infância. In: PASCHOAL, Jaqueline Delgado (org.) Trabalho Pedagógico na Educação Infantil. Londrina: Humanidade, 2007, pág. 41-51. OLIVEIRA, L.C. Uma análise da formação continuada de professores no contexto da prática. In: V Simpósio de Educação do Sudeste Goiano. Educação Brasileira: Análise das Mudanças Recentes. 2006, Jataí. Anais, Jataí: UFG, 2006. OLIVEIRA, Marta Kohn, Vygotsky: Aprendizagem e desenvolvimento – um processo sócio-histórico. 3ª ed. São Paulo: Ed. Scipione, 1995. OLIVEIRA, Zilma. Educação infantil: fundamentos e métodos. São Paulo: Cortez, 2002. 44 PERROTTI, Edmir. A criança e a produção cultural. In: ZILBERMAN, Regina (org). A produção cultural para a criança. 4. ed. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1990. TOLEDO, Cristina. O brincar e a constituição de identidades e diferenças na escola. In: Garcia, Regina Leite (Coord.). Anais. II Congresso Internacional – Cotidiano: diálogos sobre diálogos. VYGOTSKY, L. S. apud BORBA, Ângela Meyer. O brincar como um modo de ser e estar no mundo. In: Brasil MEC/ SEB. Ensino fundamental de nove anos: orientações para a inclusão da criança de seis anos de idade/ organização Jeanete Beauchamp, Sandra Denise pagel, Aricélia Ribeiro do Nascimento. _ Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2007. p. 35. WAJSKOP, Gisela. Brincar na pré-escola. 7. ed- São Paulo: Cortez, 2007. WINNICOTT, D. W. O brincar e a realidade. Rio de Janeiro: Imago, 1975.dedicada aos brinquedos e ao ambiente familiar. Esse estudo será desenvolvido através de dados bibliografados, utilizando sites, livros, revistas, vendo concepções de autores e discutindo sobre a concepção de cada um. Dessa forma acreditamos que encontraremos a ludicidade em momentos prazerosos de aprendizagem, levando a criança a um mundo surpreendente através da leitura e da escrita. 9 1. O LÚDICO NA EDUCAÇÃO INFANTIL O Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (1998, p.13) ressalta que: A brincadeira favorece a autoestima das crianças, auxiliando-as a superar progressivamente suas aquisições de forma criativa. Brincar contribui, assim, para a interiorização de determinados modelos de adultos, no âmbito de diversos grupos sociais. Essas significações atribuídas ao brincar transformam-no em um espaço singular de contribuição infantil. As brincadeiras eram consideradas como um simples, algo sem muita importância. Porém, o brincar é algo extremamente humano e importante para o desenvolvimento humano, visando a socialização, a interação social e a aprendizagem. A educação infantil, como primeira etapa da educação básica, atualmente vem se utilizando da ludicidade para desenvolver na criança habilidades, despertando o interesse por assuntos que antes eram tratados de maneira “superficial”. Dessa forma Kishimoto diz que (2001), o adulto consegue se promover no bem estar próprio e de outros. Kishimoto (1998) relata que ao brincar toda completa: [...] se comporta como um poeta, pelo fato de criar um mundo só seu, ou, mais exatamente, por transpor as coisas do mundo em que vive para um universo novo em acordo com suas convivências. (p.63). Cada criança tem sua maneira de ver o mundo que está ao seu redor, é através da ludicidade que ela transmite aos adultos o seu modo de interpretar o mundo exterior. “A brincadeira consiste em uma atividade de simulação que reforça o significado da vida cotidiana, enquanto processo assimilativo participa do conteúdo da inteligência, é a semelhança de aprendizagem” (KISHIMOTO, 1996, p. 32). O lúdico permite um desenvolvimento global e uma visão de mundo mais real. Por meio das descobertas e da criatividade a criança pode se expressar, analisar, criticar e transformar a realidade. Se bem aplicada e compreendida, a educação lúdica poderá contribuir para a melhoria do ensino. Quer na qualificação 10 ou na formação crítica do educando, quer para redefinir valores e para melhorar o relacionamento das pessoas na sociedade. (DALLABONA; MENDES, 2004, p. 107). O lúdico prática que possibilita a criança o pensamento, o relacionamento com os outros de forma prazerosa, a imaginação é fundamental para um desenvolvimento, para se obter uma aprendizagem realmente satisfatória. A criança precisa experimentar certos tipos de atividades para que a sua compreensão seja total. A ludicidade vem então, como um meio de possibilitar a aprendizagem para as crianças de forma que se interessem por buscar um caminho de aprendizagem significativo e alegre. Educar é ir além da transmissão de informações ou de colocar à disposição do educando apenas um caminho, limitando a escolha ao seu próprio conhecimento. É ajudar a pessoa a tomar consciência de si mesma, dos outros, e da sociedade, oferecendo ferramentas para que o outro posa escolher entre muitos caminhos, aquele que for compatível com seus valores, sua visão de mundo e com as circunstancias adversas que cada um irá encontrar (SANTOS, 1997, p. 11 apud RAU; ROMANOWSK; MARTINS, 2005, p.656). A brincadeira é de grande importância na infância, onde deve ser vista não como um momento de entretenimento e lazer, mas também como uma oportunidade de desenvolver nas crianças hábitos e atitudes que os façam amadurecer se tornando responsáveis. 1.1. APRENDER COM O LÚDICO Aliar as atividades lúdicas ao processo de ensino aprendizagem pode ser de grande valia para o desenvolvimento do aluno, um exemplo de atividade que desperta e muito o interesse do aluno é o jogo. Os jogos tornam-se mais significativos à medida que a criança se desenvolve, porque através da manipulação de materiais variados, ela poderá reinventar coisas, reconstruir objetos. Os jogos são uma ótima proposta pedagógica na sala de aula, porque proporcionam a relação entre parceiros e grupos, o que é um fator de avanço cognitivo, pois durante os jogos a criança estabelece decisões, conflitua-se com seus adversários e reexamina seus conceitos. 11 O jogo para criança é, antes de tudo, uma brincadeira. Mas é, também, uma atividade séria onde o faz-de-conta, as estruturas ilusórias, o geometrismo infantil e a alegria têm uma importância considerável. O surgimento do verdadeiro comportamento lúdico está ligado ao despertar da personalidade. A busca da auto- afirmação manifesta-se nos jogos sob duas formas: o apelo do mais velho, considerado como motor essencial da infância, e o amor à ordem, à regra, levado até ao formalismo. Durante os jogos, a criança experimenta um sentimento de grande prazer ante o descobrimento do novo e suas possibilidades de invenção. Os jogos passam a ter significados positivos e de grande utilidade quando o professor proporciona um trabalho coletivo, de cooperação, de comunicação e socialização. Os jogos em grupo são uma forma de atividade muito indicada para estimular a atividade construtivista da criança e a sua vida social. A ludicidade na Educação Infantil é uma forma de manifestação no processo de desenvolvimento de autonomia e identidade da criança, esse recurso pedagógico permite na vida da criança descoberta e criatividade. A criança traz de casa alguns conflitos que podem atrapalhar o seu desenvolvimento e elas não estão no momento preparada para vencer esses conflitos, mas quando utilizados recursos como cenas, jogos, histórias, figuras, desenhos, vivências, representações podem servir como meios para tentar vencê-los. A criança vive num mundo de fantasias que deve ser explorado, o professor precisa fazer com que a criança se sinta pequena diante do professor que vive um mundo diferente do dele. Existem momentos na vida da criança, em que ela ainda não consegue dissociar suas fantasias e a realidade da qual participa. Ao mesmo tempo em que conhece e aceita o que constata a sua volta, crê que pode ter ilusões e mergulha na fantasia, a criança se confunde entre aceitar a realidade e viver no sonho. É no brinquedo que ela fortifica sua confiança. Por isso pretendemos, com esse estudo, buscar subsídios para que no futuro a criança desenvolva a leitura com desenvoltura e habilidade. A Escola precisa ter como meta a ludicidade, propondo que os educadores infantis, transforme o brincar em trabalho pedagógico, onde poderão ser 12 mediadores da aprendizagem com motivação e prazer, trazendo através do lúdico incentivo e interesse pela leitura. A educação lúdica contribui e influencia na formação de criança, possibilitando um enriquecimento permanente de conhecimento, integrando-se a participação, criatividade, livre, crítica, promovendo a interação social e tendo em vista o forte compromisso de transformação e modificação do meio em que está inserido. A prática da ludicidade para ensinar os conteúdos do currículo escolar pode propiciar o sucesso da aprendizagem dos alunos, sendo que os benefícios dessas atividades vão além das salas de aula, sabemos que esses recursos promovem uma maior interação entre os alunos, como também a socialização na qual o professor proporciona um relacionamento mais próximo entre ele e o aluno, interagindo de modo a buscar ferramentas que elevem além dos conteúdos estudados. As brincadeiras quando vivenciadas no ambiente escolar como objetivo pedagógico podem adquirir um papel de mola propulsora para que aprendizagem ocorra de forma natural. 1.2. A IMPORTÂNCIA DOSJOGOS E BRINCADEIRAS NO DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA Durante os jogos e brincadeiras, as crianças adquirem diversas experiências, interagem com outras pessoas, organizam seus pensamentos, tomam decisões, desenvolvem o pensamento abstrato e criam maneiras diversificadas de jogar, brincar e produzir conhecimentos. O brincar revela a estrutura do mundo da criança, como se organiza o seu pensamento, às questões que ela se coloca como vê o mundo à sua volta. Na brincadeira, a criança explora as formas de interação humana, aprende a lidar com a espera, a antecipar ações, a tomar decisões, a participar de uma ação coletiva. (BRASIL, 2007, p.9). As brincadeiras abrangem grande parte do desenvolvimento da criança, quando representa situações observadas no cotidiano que futuramente a criança irá 13 vivenciar. Criando situações imaginárias confrontada com o real, desenvolve suas capacidades e habilidades, as quais muitas vezes não conhecem; dessa forma desenvolvem o “eu”. Muitas são as concepções sobre o brincar, o seu lugar e sua importância na pratica pedagógica. Aqui, enfatizamos sua condição como forma de aprender, experimentar-se, relacionar-se, imaginar-se, expressar-se, compreender-se, confrontar-se, transformar-se, negociar-se e ser. Esta prática social envolve uma atividade simbólica, forma de interação com o outro, criação, desejo, emoção e ação voluntária. Nesse sentido, os jogos e as brincadeiras são instrumentos pedagógicos importantes se determinantes para o desenvolvimento da criança, pois no jogar e no brincar as mesmas desenvolvem habilidades necessárias para o seu processo de alfabetização e letramento. O jogo é, portanto, sob as suas duas formas essenciais de exercícios sensório-motor e de simbolismo, uma assimilação da real á atividade própria, fornecendo a esta seu alimento necessário e transformando o real em função das necessidades múltiplas do eu. Por isso, os métodos ativos de educação das crianças exigem a todos que se forneça as crianças um material conveniente, a fim de que, jogando, elas cheguem a assimilar as realidades intelectuais que, sem isso, permanecem exteriores à inteligência infantil. (PIAGET, 1976, p.160). Os jogos, que por muito tempo fizeram parte da didática de grandes educadores do passado, hoje, surgem como necessidade absoluta e indispensável no processo educativo. Não será abordado o brincar por brincar e sim o brincar sob uma perspectiva pedagógica. Almeida (1978) extremamente interessante como instrumento pedagógico, pois incentiva a interação e desperta o interesse pelo tema estudado, além de fomentar o prazer e a curiosidade. Os jogos auxiliam na educação integral do indivíduo, pois podem dar conta de uma manifestação sócio-histórica do movimento humano, oportunizando as crianças a investigar, problematizar as práticas, provenientes das mais diversas manifestações culturais e presentes no seu cotidiano, tematizando-as para melhor compreensão. Ramos, Ribeiro e Santos (2011), afirma que os jogos não devem ser fins, mas meios para atingir objetivos. Estes devem ser aplicados para o benefício 14 educativo. Ao utilizar os jogos no processo de alfabetização é possível alcançar inúmeras ações que possibilitam uma aprendizagem eficaz, como evidencia a pesquisa de Queiroz (2003). O jogo, portanto, além de ter importância na vida da criança, é o verdadeiro impulso da criatividade. E, para isso, o professor se vale da aprendizagem lúdica como recurso pedagógico, propiciando espaços e situações de aprendizagem que articulem os recursos e capacidades afetivas, emocionais, sociais e cognitivas das crianças aos seus conhecimentos prévios e aos conteúdos referentes aos diferentes campos de conhecimento. É fundamental ter consciência de que o jogo fornece informações a respeito da criança, suas emoções, a forma de interagir com seus colegas, seu desempenho físico, motor, seu estágio de desenvolvimento, seu nível linguístico, sua formação moral. Divertindo-se, a criança aprende a se relacionar com os colegas e descobrir o mundo á sua volta. Com a divulgação dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) do Ensino Fundamental na Área de Língua Portuguesa, destacou-se, no âmbito da educação, uma grande preocupação com a dificuldade de leitura e escrita nas séries iniciais devido a um trabalho inadequado com a alfabetização. A linguagem passou a ser vista como um elemento de comunicação e não de discriminação. Assim, não é mais valorizada uma única linguagem padrão ou culta como elemento de produção oral e escrita. O universo linguístico dos alunos começou a ser respeitado, já que seus conhecimentos e expressões são anteriores ao ingresso na escola. Ganhar espaço, como ferramenta ideal da aprendizagem, na medida em que propõe estimulo ao interesse do aluno, desenvolve níveis diferentes de sua experiência pessoal e social, ajuda-o a descobrir novas descobertas, desenvolve e enriquece sua personalidade e simboliza um instrumento pedagógico que leva ao professor a condições de condutor, estimulador e avaliador da aprendizagem. (SANTOS, 2000, p.37). Compreende-se, dessa forma, que o jogo é importante e necessário para o desenvolvimento intelectual e social da criança, estimulando sua criticidade, criatividade e habilidades sociais. Portanto, ao utilizar-se de atividades lúdicas, o 15 professor propicia ao aluno oportunidade de integrar-se por meio da Língua Portuguesa de forma dinâmica, interpretando texto, expondo ideias, e ao mesmo tempo, explorando seus conhecimentos por outras áreas. Neste sentido, considera-se que determinados objetivos só podem ser conquistados se os conteúdos tiverem um tratamento didático específico, ou seja, se houver uma estreita relação entre o que é e como ensinar. Mais do que isso: parte- se do pressuposto de que a própria definição dos conteúdos é uma questão didática que tem relação direta com os objetivos colocados, bem como com as propostas curriculares. 1.3. O ENSINO/APRENDIZAGEM E AS ATIVIDADES LÚDICAS O trabalho desenvolvido através das atividades lúdicas, abre espaços para que a criança expresse sentimentos e estimule a inteligência, favorecendo a assimilação de novos conhecimentos. Observamos, portanto que a atividade lúdica tem grande valor como recurso pedagógico, oferecendo as crianças condições de vivenciar situações- problemas, a partir do desenvolvimento de jogos planejados e livres que permitam à criança uma vivência no tocante às experiências com a lógica e o raciocínio e permitindo atividades físicas e mentais que favorecem a sociabilidade e estimulando as reações efetivas, cognitivas, sociais, morais, culturais e linguísticas. Acreditando que as atividades lúdicas vão além do simples prazer de brincar: [...] quando estamos definindo ludicidade como um estado de consciência, onde se dá uma experiência em estado de plenitude, não estamos falando, em si das atividades objetivas que podem ser descritas sociológica e culturalmente como atividade lúdica, como jogos ou coisas semelhantes. Estamos, sim, falando do estado interno do sujeito que vivencia a experiência lúdica. Mesmo quando o sujeito está vivenciando essa experiência com outros, a ludicidade é interna; a partilha e a convivência poderão oferecer-lhe, e certamente oferecem, sensações do prazer e da convivência, mas, ainda assim, essa sensação é comum; porém um grupo, como grupo, não sente, mas soma e engloba um sentimento que se torna comum; porém, em última instancia, quem sente é o sujeito (LUCKESI, 2004, p.18). 16 O lúdico é considerado prazeroso, devido a sua capacidade de absorver o indivíduo de forma intensa e total, criando um clima de entusiasmo e satisfação onde a motivação, elevada pelo fator emocional é capaz de geral alegria e interesse. Em virtude desse prazer dentro da qual se desenrola, a ludicidade é portadora de um interessecheio de energias no sentido de um esforço total para alcançar de seu objetivo. As atividades lúdicas são excitantes, mas também requerem um esforço voluntário, onde mobilizam esquemas tanto corporais como mentais, estimulando o pensamento e ativando o desenvolvimento infantil. As atividades lúdicas integram as várias dimensões da personalidade: afetiva, motora e cognitiva ativando o envolvimento emocional. Assim entendemos que o lúdico na educação infantil possibilita a criança compreender o pensamento, a linguagem do outro, desenvolver o raciocínio lógico, coordenação motora, e oralidade sendo um instrumento facilitador da aprendizagem, contribui para a construção do conhecimento e do desenvolvimento da criança. Compreende-se também a grande importância do lúdico no processo ensino aprendizagem, uma vez que o brincar permite que a criança realize as atividades escolares com prazer, pelo simples fato de aprender brincando, estimulando a criança a compreender o mundo e a sua realidade, além de desenvolver vários aspectos cognitivos. É através da ludicidade que a criança desperta para novos horizontes, novas experiências e novos sonhos, minimizando as intolerâncias que muitas delas trazem do mundo em que vivem. Dessa forma diz Kishimoto (2000, p. 22) ao referir que: Ao permitir a manifestação do imaginário infantil, por meio de objetos simbólicos dispostos intencionalmente, a função pedagógica subsidia o desenvolvimento integral da criança. Neste sentido, qualquer jogo [...], desde que respeite a natureza do ato lúdico, apresenta caráter educativo e pode receber também a denominação geral de jogo educativo. Percebemos que o jogo e a brincadeira são experiências vivenciais prazerosas, como também são experiências da aprendizagem que tende a se constituir em um processo vivenciado prazerosamente. Assim, o meio educativo, ao valorizaras atividades lúdicas, ajuda a criança a formar um bom conceito de mundo, 17 em que a afetividade é acolhida, a sociabilidade vivenciada, a criatividade estimulada e os direitos da criança respeitados. Diante o estudo, ainda percebemos que a brincadeira é uma atividade onde a criança assume diferentes papeis e representações, agindo sempre a realidade, transferindo e substituindo as ações cotidianas diante os personagens assumidos. “O brinquedo propõe um mundo imaginário da criança e do adulto, criador do objeto lúdico. No caso da criança, o imaginário varia conforme a idade: para o pré-escolar de 3 anos, está carregado de animismo; de 5 a 6 anos, integra predominantemente elementos da realidade.” (Kishimoto, 2000: pg. 19) As brincadeiras operam entre com a interpretação real e o imaginário e isso trás junto um aprendizado, pois através das brincadeiras a criança vai tomando consciência que o imaginário não é correspondente à realidade, embora os dados da realidade sirvam de base para o brincar. Por outro lado, através do jogo cria, corrige o que acha não está certo, realizando assim seus desejos e sonhos. A educação infantil, primeira etapa da educação básica, tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade. (BRASIL, 1996, art., 29). E assim conhecimento construído por meio da ludicidade implica uma escola mais autônoma inserindo o direito a liberdade, entrando para as manifestações de alegria, da festa, dentro dos limites da escola, e até mesmo nos horários de aula, e propiciar assim um aprendizado com expectativas de brincar para aprender conteúdos escolares e trazer mais interação, construindo recursos de socialização. Diante disso, é imprescindível que os professores da educação infantil se comprometam com a ludicidade, pois por meio dela as crianças poderão se desenvolver física, psicológico, intelectual e socialmente, fazendo com que a educação infantil se torne um mundo de brincadeiras, de ludicidade e também de aprendizagens. 18 1.4. EXPERIÊNCIAS ATRAVÉS DO LÚDICO Através do lúdico a criança passa pela experiência da posse e das negociações necessárias com os outros, diante do desejo de utilização e também, a criança se situando nas condições do consumo, sendo também uma aprendizagem específica da posse e do consumo, é então, a aprendizagem de uma forma cultural específica de relação com o objeto. Dessa forma, a criança experimenta comportamentos e papéis, projeta-se em atividades dos adultos, pois, ensaia atitudes, valores, hábitos e situações para os quais não está preparada na vida real, atribuindo-lhes significados que vão aprendendo através dessas brincadeiras. A atuação nesse mundo imaginário cria uma zona de desenvolvimento formada por conceitos ou processos em desenvolvimento. O interesse e desejo de brincar com os outros e participar dos jogos de grupo é inato à criança. Assim se formam os grupos de crianças de ambos os sexos e idades variadas. São nestes grupos que a criança aprende a viver; a vencer e ser vencida, a liderar ou obedecer, a respeitar e a ser respeitada, a tomar iniciativa e decisões, a mudar seu comportamento se necessário, criar respostas novas e tomar consciência do mundo que a rodeia (HEYLEN, 1987, p. 121). É de grande importância que o planejamento pedagógico, inclua e selecionem atividades voltadas a ludicidade, para que além de se divertir a criança possa estimular seu raciocínio e criar situações de aprendizagem onde pode descobrir e compreender o mundo, por isso os planos elaborados por professores precisam está aptos para essa demanda. Por meio de uma educação lúdica, os professores colocam a disposição das crianças vários caminhos, em que as mesmas podem tomar consciência de si próprias e das pessoas com quem convivem, onde adquirem outra visão de mundo, buscando encontrar saídas frente às diversas dificuldades que haverão de encontrar por esses caminhos. De acordo com a Lei 9.394/96: 19 A educação infantil, primeira etapa da educação básica, tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade. (BRASIL, 1996, art, 29). Diante disso, é necessário que os professores da educação infantil se comprometam com a ludicidade, pois por meio dela as crianças poderão se desenvolver física, psicológico, intelectual e socialmente, porém isso tem que acontecer naturalmente para que a aprendizagem seja espontânea. 1.5. AS RAZÕES PARA BRINCAR Temos várias razões para brincar, pois sabemos que é extremamente importante para o desenvolvimento cognitivo, motor, afetivo e social da criança. É brincando que a criança expressa vontades e desejos construídos ao longo de sua vida, e quanto mais oportunidades a criança tiver de brincar mais fácil será o seu desenvolvimento para o aprender. Segundo Carneiro e Dodge (2007, pág. 59), “o movimento é, sobretudo para criança pequena, uma forma de expressão e mostra a relação existente entre ação, pensamento e linguagem”. A criança consegue lidar com situações novas e inesperadas, e age de maneira independente, e consegue enxergar e entender o mundo fora do seu cotidiano. Atualmente as crianças entendem por brincadeira os jogos eletrônicos, fazendo com que as mesmas não se movimentem e as deixando estáticas e com isso vão ficando sedentárias e obesas. Com as brincadeiras tradicionais, como, por exemplo, pular no pula-pular corda, elástico, pique alto, etc., fazem com que as crianças se movimentem a todo tempo, gastando energia e dando liberdade para criar proporcionando alegria e prazer. As razões para brincar são inúmeras, pois sabemos que a brincadeira só faz bem, e só não entendemos porque em muitos lugares isso incomoda tanto na sociedade ou algumas pessoas, pais, professores..., massabemos que o brincar é um direito da criança, como apresentado na Lei 8.069, de 13 de julho de 1990, denominada Estatuto da Criança e do Adolescente, acrescenta no Capítulo II, Art. 16°, Inciso IV, que toda criança tem o direito de viver o seu tempo de infância que é o de brincar, praticar esportes e divertir-se. 20 Então vimos que, a criança tem o direito de brincar pois está amparada por lei, e esta é mais uma razão para que as crianças brincam, além das inúmeras situações que já citamos, porque o brincar favorece a descoberta, a curiosidade, uma vez que auxilia na concentração, na percepção, na observação, e além disso as crianças desenvolvem os músculos, absorvem oxigênio, crescem, movimentam-se no espaço, descobrindo o seu próprio corpo. O brincar tem um papel fundamental neste processo, nas etapas de desenvolvimento da criança. Na brincadeira, a criança representa o mundo em que está inserida, transformando-o de acordo com as suas fantasias e vontades e com isso solucionando problemas. Para Cunha (1994), o brincar é uma característica primordial na vida das crianças, porque é bom, é gostoso e dá felicidade em todos esses momentos das brincadeiras. Além disso, ser feliz e estar mais predisposto a ser bondoso, a amar o próximo e a partilhar fraternalmente, são outros pontos positivos dessa prática só pode ser desenvolvida através do brincar. 1.6. O BRINCAR E A ESCOLA O brincar está associado à criança há séculos. Mas foi através de uma ruptura de pensamento que a brincadeira passou a ser percebida e valorizada no espaço educacional das crianças menores. No passado, o que se via era o brincar apenas como forma de fuga ou distração, não lhe sendo conferido o caráter educativo. O brincar tem a função socializadora e integradora. A sociedade moderna cada vez mais tem sofrido transformações em relação ao brincar e ao espaço que se tem para brincar, os pais e os filhos têm pouco tempo para ficarem juntos e brincar. A escola acaba sendo a única fonte transmissora de cultura, onde ainda existem espaços para as crianças brincarem, tendo os profissionais de educação a incumbência de ensinar e resgatar as brincadeiras populares, mas não só isso, como também o jogo deve fazer parte do cotidiano das crianças, e seria usado como uma nova forma de transmitir conhecimento, pois a atividade lúdica é benéfica ao aprendizado. De acordo com Almeida (2005, p. 5): 21 A brincadeira se caracteriza por alguma estruturação e pela utilização de regras. A brincadeira é uma atividade que pode ser tanto coletiva quanto individual. Na brincadeira a existência das regras não limita a ação lúdica, a criança pode modificá-la, ausentar-se quando desejar, incluir novos membros, modificar as próprias regras, enfim existe maior liberdade de ação para as crianças. A prática da brincadeira na escola promove aspectos diversos na criança que serão de suma importância para o seu desenvolvimento biopsicosocial, sendo imprescindível para uma formação sólida e completa. O brincar vai desde a sua prática livre até uma atividade dirigida, com regras e normas. Os jogos são ótimos para desenvolver o raciocínio lógico, e também para o desenvolvimento físico, motor, social e cognitivo, e atualmente a aplicação desta nova maneira de transmissão de conhecimento é até mais fácil pelos recursos e metodologias disponíveis para o professor. Apesar da visão renovada das possibilidades de utilização dos jogos na escola, o jogo ainda está muito distante de ser integrado realmente como recurso e metodologia. Em geral, o uso dos jogos no cotidiano escolar se restringe a atividades extremamente dirigidas, que contribuem muito pouco para o desenvolvimento da autonomia, da criatividade e da produção de cultura. Segundo Carneiro e Dodge (2007, p.91): Para que a prática da brincadeira se torne uma realidade na escola, é preciso mudar a visão dos estabelecimentos a respeito dessa ação e a maneira como entendem o currículo. Isso demanda uma transformação que necessita de um corpo docente capacitado e adequadamente instruído para refletir e alterar suas práticas. Envolve, para tanto, uma mudança de postura e disposição para muito trabalho. Muitas das vezes a escola não oferece oportunidades, espaços para a prática da brincadeira livre, e quase sempre, impede que aconteça. Seria valoroso que a escola se apropriasse da brincadeira, porque isso traria resultados mais relevantes e adequados às necessidades do mundo de hoje. Apesar da sua importância, a prática da brincadeira na pré-escola ainda tem “fama” de ser apenas preparatória para a escola, sem valor pedagógico ou como um passatempo. 22 De acordo com Borba (2007, p.34): A brincadeira é uma palavra estritamente associada à infância e às crianças. Porém, ao menos nas sociedades ocidentais, ainda é considerada irrelevante ou de pouco valor do ponto de vista da educação formal, assumindo frequentemente a significação de oposição ao trabalho, tanto no contexto da escola quanto no cotidiano familiar. Então, podemos dizer que isso é uma difícil tarefa a ser resolvida, porque nem sempre a instituição de ensino atribui o devido valor ao brincar, o que acontece no máximo é integrar a brincadeira fazendo uma atividade dirigida, e também depende do profissional de educação estar preparado para mudanças e usar isso no seu cotidiano. ´ 23 2. O LÚDICO COMO RECURSO PEDAGÓGICO A educação por meio do lúdico possibilita um favorável crescimento da criança, investindo numa elaboração íntegra do conhecimento infantil. Enquanto joga e brinca, podem ser recriados conceitos cotidianos, compreendendo, encenando, reelaborando a realidade, contribuindo assim para uma maneira melhor de se relacionar com o outro e desenvolvendo sua identidade e autonomia. O lúdico como método pedagógico prioriza a liberdade de expressão e criação. Por meio dessa ferramenta, a criança aprende de uma forma menos rígida, mais tranquila e prazerosa, possibilitando o alcance dos mais diversos níveis do desenvolvimento. Cabe assim, uma estimulação por parte do adulto/professor para a criação de ambiente que favoreça a propagação do desenvolvimento infantil, por intermédio da ludicidade. É importante ressaltar, que a motivação do educador escolar para proporcionar a atividade lúdica é fundamental para que o aluno possa despertar o interesse para criar, desenvolver, participar, buscando a construção do conhecimento. O desenvolvimento lúdico nas práticas pedagógicas na escola, não deve ser visto apenas como descontração, mas sim, como meio para o desenvolvimento do aprimoramento do raciocínio lógico, cognitivo e social de maneira espontânea e prazerosa para a criança. Os adultos enquanto educadores devem ter cautela no que expõem para as crianças, pois uma das ferramentas da aprendizagem infantil é a repetição. A Criança, jogo e brincadeira estão intrinsecamente interligados, no entanto, o nosso sistema escolar não percebe essa interligação e cerceia a criança das suas necessidades de movimento, expressão e de construção de seu conhecimento a partir do seu próprio corpo. Apesar de estar inserida neste meio, a escola precisa perceber a criança como um ser em constante desenvolvimento. A ação de educar não pode restringir-se à simples preocupação com as estruturas mentais, mas também com a expressão do corpo em sua totalidade. Se 24 educar é libertar, então, os processos que regem esta ação educativa devem fornecer subsídios para que tal idéia se concretize. A aprendizagem através do lúdico deve ser considerada do ponto de vista das crianças, propondo a compreensão dos conteúdos a partir da reconstrução que ela realiza. A aprendizagem é assegurada através da estruturação cognitiva dos conhecimentos prévios que as crianças constroem quando elaboramseus novos conhecimentos. Paulo Freire diz: “Que ensinar não é transferir conhecimentos, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção” (2001, p.52). Criar em sala de aula situações onde o aluno possa fazer indagações, permitindo-se assim construir o seu conhecimento. Ser um ser crítico, aberto à sugestões, valorizando também o ponto de vista de seus alunos e não somente o seu próprio. É de fundamental importância ter as práticas lúdicas como objetos permanentes de estudo e implementação, para que além de se resgatar valores culturais possa ampliar a capacidade de criação e articulação com uma proposta que valorize a educação em todos seus aspectos. Mas para que se atinja os objetivos que permeiam as práticas lúdicas, é preciso um comprometimento em conjunto da equipe que faz parte da Instituição como professor, psicopedagogos, diretores dentre outros em trabalhar com seriedade, explorando novas possibilidades a fim de produzir um ensino significativo de qualidade para a vida de seus alunos. A brincadeira é muito importante para o desenvolvimento psicológico, social e cognitivo da criança, pois é através dela que a criança consegue expressar seus sentimentos em relação ao mundo social. As atividades lúdicas preparam a criança para o desempenho de papéis sociais, para a compreensão do funcionamento do mundo, para demonstrar e vivenciar emoções. Quanto mais a criança brinca, mais ela se desenvolve sob os mais variados aspectos, desde os afetivo-emocionais, motor, cognitivo, até o corporal. 25 2.1. O LÚDICO COMO MEIO DA APRENDIZAGEM NA EDUCAÇÃO INFANTIL O brincar é vital para o desenvolvimento do corpo e da mente. Nele se reconhece um meio de proporcionar educação integral, em situações naturais de aprendizagem que geram forte interesse em aprender e garantem prazer. O lúdico viabiliza a construção do conhecimento de forma interessante e prazerosa, garantindo nas crianças a motivação intrínseca necessária para uma boa aprendizagem, até convertê-las em adultos maduros, com grande imaginação e autoconfiança, mesmos aqueles que apresentam alguma dificuldade na sua aprendizagem ou na aquisição do conhecimento. Damos ênfase às metodologias que se alicerçam no “brincar”, no facilitar as coisas do aprender através do jogo, da brincadeira, da fantasia, do encantamento. A arte-magia do ensinar-aprender (ROJAS,1997), permite que o outro construa por meio da alegria e do prazer de querer fazer. O jogo e a brincadeira estão presentes em todos as fazes da vida dos seres humanos, tornando especial a sua existência. De alguma forma o lúdico se faz presente e acrescenta um ingrediente indispensável no relacionamento entre as pessoas, possibilitando que a criatividade aflore. Defendemos nesse trabalho uma metodologia em que o brincar é a ludicidade do aprender. A criança aprende enquanto brinca. Fazem parte dessa pesquisa três momentos que alicerçam o interdisciplinar dos sujeitos envolvidos: o faz-de-conta, que é o momento de ênfase à imaginação vivenciando idéias por meio da literatura infantil. Dramatizar, contar, viver e elaborar historias criando seu próprio espaço-lúdico por meio de livro de pano. No momento dois, damos ênfase ao brinquedo, do brincar com outras pessoas e, do brincar em grupo. No brincar com outras pessoas a criança aprende a viver socialmente, respeitando regras, cumprindo normas, esperando sua vez e interagindo de uma forma mais organizada. No grupo, aprende a partilhar e a fazer um movimento rotativo tão importante para a socialização e o diálogo. Sabemos que é importante ter um jogo no processo de aprendizagem, contudo não adianta possuir o melhor jogo se o professor não souber estimular as 26 crianças para que a aprendizagem se torne significativa. O professor tem que saber instigar o aluno a partir da curiosidade gerada construir, junto com o aluno, as associações necessárias. Como nos traz Faria e Salles (2007), os professores podem utilizar o lúdico (jogos, brincadeiras e brinquedos) apenas como uma estratégia para conseguir transmitir determinado conteúdo; não sendo importante para esses docentes se o lúdico auxiliaria no processo ensino-aprendizagem das crianças. A professora a deixa visível na sua fala, na segunda questão. “Como o lúdico pode ser usado no processo ensino-aprendizagem? que ela utiliza a curiosidade como um modo de despertar a curiosidade das crianças, depois as crianças fazem uma atividade e depois conversam sobre a atividade e ela consegue saber o que as crianças conseguiram entender e aprender a partir da atividade. “O brincar é uma das formas privilegiadas de as crianças se expressarem, se relacionarem, descobrirem, explorarem, conhecerem e darem significado ao mundo, bem como de construírem sua própria subjetividade, constituindo-se como sujeitos humanos em determinada cultura. É, portanto, uma das linguagens da criança, e como as demais, aprendida social e culturalmente” (FARIAS e SALES, 2007, p.70). Além disso, Vygostsky (1998) afirma que o brincar é um espaço de aprendizagem onde a criança age além do seu comportamento humano. No brincar, ela age como se fosse maior do que é na realidade, realizando simbolicamente, o que mais tarde realizará na vida real. Embora aparentemente expresse apenas o que mais gosta, a criança quando brinca, aprende a se subordinar às regras das situações que reconstrói. Para tanto, é preciso que o professor tenha um suporte teórico e acima de tudo acredite que o jogo e a brincadeira se constituam ferramentas indispensáveis no processo de alfabetização, possibilitando a aquisição dos conhecimentos de forma prazerosa. Necessário se faz proporcionar momentos de estudos com os professores voltados para esta temática, buscando oferecer diretrizes para que o trabalho a ser desenvolvido incorpore uma proposta metodológica onde o lúdico ocupe um espaço de relevância no processo de ensino e aprendizagem. O lúdico possibilita a formação integral dos educandos, pautado na concepção de que a 27 “criança aprende melhor brincando”, isto é, quando as crianças se interagem por meio de atividades lúdicas, elas próprias constroem o seu conhecimento e se apropriar de um saber significativo. 2.2. OS EDUCADORES E O DESENVOLVIMENTO DAS ATIVIDADES LÚDICAS Portanto, os professores, na posição não de meros transmissores de informações e conhecimentos sistemáticos, mas como mediadores desses conhecimentos, devem oportunizar condições para que, por meio do desenvolvimento dessas atividades, a criança possa construir de forma autônoma o seu próprio conhecimento. Assim, na prática pedagógica atualmente sugere-se que seja utilizada atividades lúdicas como forma de facilitar a motivação do aluno, além de sua adaptação e socialização do mesmo no seio escolar, visto que, através do lúdico, a criança estando motivada se adapta no ambiente no qual está inserido, aprendendo a conviver no dia-a-dia com as pessoas que compõe o meio social no qual está inserido. Esse “brincar” na sala de aula motiva a inteligência e à vontade de aprender na criança, fazendo com que ela solte sua imaginação e desenvolva sua criatividade, possibilitando a cada dia, o exercício constante da concentração e da atenção nas aulas. Desse modo, Pozo (2002, p.70) destaca a importância do jogo na motivação da aprendizagem, já que: A utilização de atividades lúdicas como forma de facilitar o período de adaptação e socialização ao meio escolar, pois através do lúdico a criança vai se adaptando ao ambiente em que está inserido e com as pessoas que muitas vezes o compõem. Assim, essa forma lúdica de motivação é desenvolvida a partir da inserção de jogos e brincadeiras no planejamento escolar, bem como a inserção de atividades dinâmicas na sala de aula, no intuito de tornar essa aprendizagem uma prática constantede busca pelo conhecimento, onde competências e habilidades devem ser exploradas nos educandos para que estes sejam incluídos de maneira globalizada no meio social e exerçam com sabedoria à sua posição como cidadãos 28 críticos e compromissados com diversas mudanças significativas realizadas através da apropriação do conhecimento. Nessa perspectiva, quanto à opinião sobre o lúdico (jogos e brincadeiras) no processo de ensino-aprendizagem na Educação Infantil, o docente destacou que o lúdico é de extrema importância, pois, é brincando que a criança vai aprender e se tornar algo até mais atrativo, que prende a atenção da criança. Por meio do lúdico, o aprendizado vai ter mais significado para o aluno, tendo em vista que vai se explorar o material concreto e colorido, ajudando a criança a fixar o conteúdo. O jogo simbólico caracteriza-se pela representação da realidade, por uma tendência imitativa e imaginativa. Aplica-se à imaginação, devido ao fato de ser situações as quais são impossíveis de serem realizadas sozinhas, devido à sua faixa etária. Para Vygotsky apud Arce (2004), uma das atividades principais da infância é a brincadeira, relacionando com a sua teoria, a brincadeira cria uma zona de desenvolvimento proximal da criança, pois permite à criança a interiorização de ações que ultrapassam sua idade, mas permitindo uma aquisição da sua realidade circundante de maneira criativa. Através do jogo simbólico, a criança passa a adquirir a capacidade de representar simbolicamente suas ações por meio de sua capacidade de pensar. Pode-se tomar como exemplo, os bonecos/bonecas que as crianças tomam, como pai/mãe, filho/filha, as caixas de papelões que tomam com carros entre outras coisas, que simbolizam coisas da realidade. Através da utilização dos jogos, as crianças exprimem seus desejos por meio do real. E é uma maneira também de facilitar a compreensão acerca da realidade, já que ainda são incapazes de entender respostas realistas. Uma função dessas inúmeras fantasias elaboradas pelas crianças, é a de equilibrá-la emocionalmente, oportunizando dessa forma uma melhor elaboração e diminuição de suas angústias e ansiedades, agindo também, como método de autodefesa e auto afirmação. O crescer é algo inerentemente conflituoso, no entanto a criança ultrapassa a linha da racionalidade e atribui na fantasia como forma de elaboração 29 para as mais diversas vivências. Dessa forma, quando na brincadeira a mesma fica doente, morre, são formas destas lidarem com suas angústias. Os jogos e brincadeiras têm papel estimulante para a criança no momento da ação lúdica. Tanto brinquedo, quanto à brincadeira, permitem a exploração do seu potencial criativo de numa sequência de ações libertas e naturais em que a imaginação se apresenta como atração principal. Por meio do brinquedo a criança reinventa o mundo e libera suas atividades e fantasias. Frente a estas reflexões podemos afirmar que o processo de construção do aprendizagem será efetivado mediante a participação da criança no brincar. O prazer, não é suficiente para justificar a importância do brincar. Possui, porém um relevante justamente com outros fatores, uma vez que leva a criança a ter iniciativa. A criança é incapaz de separar a princípio, a realidade da fantasia, o brincar para a criança e muito séria. Devemos conhecer de fato esse instrumento (brinquedo) para compreendermos seu real valor na vida criança. Se, como educadores e pais, desconhecemos as necessidades das crianças e os incentivos capazes de levá-las a atuar, estaremos prejudicando seu processo de desenvolvimento. É considerado que os jogos é a riqueza do imaginário infantil, através ele a criança libera seus sentidos, em todas as ocasiões, fazendo assim com que a criança tenha mais segurança no aprender, algo, onde o brinquedo e sem dúvida um instrumento capaz de ajudar a criança a se desenvolver, intelectual, socialmente e cognitivamente. 30 3. ANÁLISE GERAL – LUDICIDADE E A APRENDIZAGEM As brincadeiras infantis e os jogos lúdicos revelem um conteúdo riquíssimo, que pode ser usado para estimular o aprendizado de crianças durante toda a sua vida e na fase da infância quando ocorrem aprendizados importantes e essenciais para a formação da personalidade do ser humano, os jogos e brincadeiras têm um impacto em toda a história de vida de uma criança. Assim entendemos que através do aprendizado lúdico é possível enriquecer e completar o que é lecionado dentro da escola, sendo visto que cada vez mais o aprendizado ultrapassa os limites das salas de aula e ganha espaço no ambiente em que a criança vive e se realiza. Desta forma, a promoção do direito de brincar e praticar esportes, assim como a capacitação de profissionais e a formação contínua de educadores que se dedicam ao trabalho nesta área torna-se decisivo para garantir que a infância seja cada vez mais repleta de experiências positivas, nas quais esses direitos sejam garantidos e respeitados, trazendo através dessas atividades mais prazer, comprometimento e igualdade. O professor deve sempre manter a preocupação de despertar nas crianças, não só estes processos em si, como o desejo de desenvolvê-los, a vontade de aprender, de querer saber mais e melhor, esta motivação pode apenas ser despertada por educadores competentes, sensíveis às necessidades e dificuldades dos seus alunos, sendo capaz de lhes apresentarem metodologias adequadas, ilustradoras da matéria em estudo e facilitadoras da retenção e compreensão das mesmas, em vista a este objetivo, sugere-se o incentivo, não apenas do pensamento dedutivo, como também do intuitivo, porque, se é importante ensinar o “espírito” e métodos científicos, não é menos importante ensiná-los a lidar com a sua intuição, de modo a que possa chegar às suas próprias conclusões e aventurar-se sozinho pelos domínios do saber e do desconhecimento. 3.1. JOGOS E BRINCADEIRAS O ensino-aprendizagem no decorrer dos anos vem sofrendo mudanças na metodologia de ensino buscando formas que facilitem o trabalho do professor no 31 processo de aprendizagem. As mudanças referentes aos recursos didáticos, principalmente os pedagógicos, incluem os jogos que, quando usados adequadamente tornam a aprendizagem menos mecânica e mais significativa e prazerosa para o aluno, refletindo assim, no seu desenvolvimento cognitivo. Os jogos em épocas passadas eram utilizados nas escolas apenas como recreação e fora dela como lazer. Sabe-se, porém que, os jogos além de proporcionar prazer e alegria exercem também papel importante no desenvolvimento intelectual do aluno quando aplicado adequadamente. À medida que a escola dá oportunidade à criança de experimentar o concreto utilizando os jogos de maneira pedagógica, faz com que as experiências acumuladas lhe proporcionem a formação de conceitos como: semelhanças e diferenças, classificação, seriação e a partir desses conceitos tem condições de descrever, comparar e representar graficamente. Nos tempos atuais ainda existem muitas escolas que funcionam no sistema tradicional de ensino, limitando a ação educativa do educando, deixando de incluir no planejamento educacional, atividades que priorizem os movimentos livres e espontâneos do educando. Outras, embora usando métodos tecnológicos modernos, também inibem o lado criativo do educando, causando muitas vezes prejuízo na aprendizagem. Uma boa aprendizagem se dá através da motivação estimuladora e criativa proporcionando assim prazer em aprender. 3.2. CLASSIFICAÇÃO DOS JOGOS Jogos do Exercício: Os jogos de exercício, primeiros a aparecerem na vida da criança, não incluem intervenção de símbolos ou ficções e nem de regras; a criança executa simplesmente pelo prazer que encontra na própria atividade, e não com o objetivo de adaptação. A principal característica do jogonesta fase é o seu aspecto prazeroso. E agir para satisfazer-se. O prazer é o que trás significado para a ação: o bebê mama não para sobreviver, mas pelo prazer que o mamar trás, à medida que alivia um desconforto, um desprazer. Ao descrever a classificação e evolução dos jogos de exercícios, Piaget divide-os em duas categorias: jogos de exercícios sensório-motores e jogos de 32 pensamento. Dentro dos jogos de exercícios sensório-motores podemos distinguir três classes: 1) Jogos de exercícios simples. Estes jogos se limitam a reproduzir fielmente um comportamento adaptado pelo simples prazer que se encontra em repetir tal comportamento. Quase todos os jogos sensório-motores referentes ao período de 1 a 18 meses pertencem a essa classe. A criança usa nessa fase sensório-motora a imitação para se adaptar à realidade, aprender novas ações (estruturas) ou satisfazer uma necessidade, por exemplo: quando tenta arrastar o corpo e chega próximo a um objeto que quer (aprendendo a engatinhar) ou quando tenta o “ba, bá, dá, dá”, experimentando novas combinações de sons no espaço de imitar fonemas adultos. Os jogos de exercícios não têm essa finalidade da imitação, sua finalidade é divertir e servir como instrumento de realização de um prazer em fazer funcionar, exercitar, estruturas já aprendidas. Assim podemos exemplificar: quando uma criança sobe e desce inúmeras vezes uma escada, ela repete esta ação pelo único prazer que encontra em repetir. Combinações sem finalidade. A única diferença entre a primeira classe e a segunda baseia-se no fato de que a criança não se limita a exercer simplesmente atividades anteriormente adquiridas, mas passa a construir com elas novas combinações que são lúdicas desde o início. Combinações com finalidades. Assim podemos exemplificar a criança ao atirar vezes seguidas um objeto para fora do berço, andar pela casa toda por um período longo de tempo. Nesses jogos as combinações possuem uma finalidade predominante lúdica. Por exemplo: Ao pularem sobre os pneus, procuram descobrir novas formas de saltar, rolar livremente os pneus, passar por dentro (imitando túnel). Jogos do Pensamento: Uma segunda categoria que divide os jogos de exercício é a dos jogos de exercícios de pensamento. Para estes podemos apontar as mesmas classes discutidas anteriormente. E dentre elas encontramos todas as passagens entre o exercício sensóriomotor, o da inteligência prática e o da inteligência verbal. PIAGET (1994) exemplifica dizendo que uma criança tendo aprendido o formular perguntas, poderá se divertir pelo simples prazer de perguntar (exercício simples). Por outro lado, poderá relatar algo que não existe pelo prazer de combinar as palavras sem finalidade (combinações sem finalidade). Ou ainda pode inventar 33 palavras ou descrições pelo simples prazer que encontra ao inventar (combinações lúdicas de pensamento com finalidade). Jogos Simbólicos: São jogos que implicam a representação isto é, a diferenciação entre significantes e significados. No jogo simbólico há o prazer, a descoberta do significado, como no jogo de exercício, mas com acréscimo do símbolo. A criança demonstra seu funcionamento simbólico, através de alguns comportamentos: - Quando imita uma determinada situação, que presenciou em outro momento demonstra uma representação interna desse acontecimento; - Quando brinca de faz-de-conta, transformando um objeto em outro, uma vassoura pode vir a ser, nas mãos de uma criança um cavalo, um lápis pode se tornar um avião; - No jogo, quando apresenta uma interpretação própria dos acontecimentos que fazem parte do seu dia-a-dia; - Quando começa a usar a linguagem para se expressar e se comunicar com os outros; - Quando desenha, pinta, modela... a criança expressa aquilo que conhece e tem significado para ela. É construindo representações que a criança registra, pensa, lê o mundo através do jogo simbólico, do faz-de-conta, a criança assimila a realidade externa adulta à sua realidade interna. A hora do jogo é um momento carregado de significações. A criança tem necessidade de vivenciar o jogo simbólico: quando a criança brinca, joga ou desenha, está desenvolvendo a capacidade de representar, de simbolizar. Está interagindo com o mundo. Está recebendo, internalizando idéias e sentimentos. E está dando sua resposta criativa. O jogo simbólico constitui uma atividade real essencialmente egocêntrica e sua função consiste em atender o eu por meio de uma transformação do real em função de sua própria satisfação. “jogo simbólico não é um esforço de submissão do sujeito ao real, mas, ao contrário, uma assimilação deformada da realidade do eu” (PIAGET: 1971, p. 29). 34 Enquanto no jogo de exercício não há estrutura representativa especificamente lúdica, no jogo simbólico a representação está presente, havendo, portanto, uma dissociação entre o significante e o significado. Jogos de Regra: Os jogos com regras aparecem numa etapa posterior aos jogos de símbolos. Para uma criança de 2 ou 3 anos, o simples fato de subir os degraus de uma escada já é uma satisfação. Ao passo que para uma criança de 6 anos, por exemplo, esta atividade só será atraente se envolver algumas regras determinando o procedimento: subir com um pé só, de dois em dois degraus, pulando etc. São as regras que irão impor necessidades de maior ou menor atenção e regular o comportamento da criança. Se nas primeiras brincadeiras infantis e naquelas que envolvem situações imaginarias o prazer está no processo, nos jogos com regras o prazer é obtido no resultado alcançado, e no cumprimento das normas. São jogos que permitem a criança auto regular-se. E não em menor medida, auto avaliar-se, uma vez que as regras são estabelecidas a priori, e estão à disposição para que todos os participantes as conheçam mesmo sendo uma atividade lúdica da criança socializada, o jogo de regra se desenvolve continuamente durante toda a vida. Por isso, seu aparecimento é mais tardio só se constitui entre os quatros e os sete anos, intensificando-se na idade de sete a onze anos. Afinal, os jogos de regras são jogos de combinações sensório-motoras ou intelectuais, com competição entre os indivíduos, fazendo com que a regra seja necessária. Nessa categoria de jogo as regras podem ser transmitidas por gerações passadas ou podem ser estabelecidas por acordo entre os participantes no momento em que jogam. Ao discutir ainda as categorias dos jogos, PIAGET (1971) diz que os jogos de construção não constituem uma categoria como os outros jogos acima descritos, mas eles são construídos pelo exercício, o símbolo e a regra. 3.3. O BRINCAR E A ESCOLA O brincar está associado à criança há séculos. Mas foi através de uma ruptura de pensamento que a brincadeira passou a ser percebida e valorizada no espaço educacional das crianças menores. No passado, o que se via era o brincar apenas como forma de fuga ou distração, não lhe sendo conferido o caráter educativo. 35 O brincar tem a função socializadora e integradora. A sociedade moderna cada vez mais tem sofrido transformações em relação ao brincar e ao espaço que se tem para brincar, os pais e os filhos têm pouco tempo para ficarem juntos e brincar. A escola acaba sendo a única fonte transmissora de cultura, onde ainda existem espaços para as crianças brincarem, tendo os profissionais de educação a incumbência de ensinar e resgatar as brincadeiras populares, mas não só isso, como também o jogo deve fazer parte do cotidiano das crianças, e seria usado como uma nova forma de transmitir conhecimento, pois a atividade lúdica é benéfica ao aprendizado. De acordo com Almeida (2005, p. 5): A brincadeira se caracteriza por alguma estruturação e pela utilização de regras. A brincadeira é uma atividade que pode ser tanto coletiva quanto individual. Na brincadeira a existência das regrasnão limita a ação lúdica, a criança pode modificá-la, ausentar-se quando desejar, incluir novos membros, modificar as próprias regras, enfim existe maior liberdade de ação para as crianças. A prática da brincadeira na escola promove aspectos diversos na criança que serão de suma importância para o seu desenvolvimento biopsicosocial, sendo imprescindível para uma formação sólida e completa. Segundo Wajskop (2007, p.25): A criança desenvolve-se pela experiência social nas interações que estabelece, desde cedo, com a experiência sócio-histórica dos adultos e do mundo por eles criado. Dessa forma, a brincadeira é uma atividade humana na qual as crianças são introduzidas constituindo-se um modo de assimilar e recriar a experiência sócio- cultural dos alunos. O brincar vai desde a sua prática livre até uma atividade dirigida, com regras e normas. Os jogos são ótimos para desenvolver o raciocínio lógico, e também para o desenvolvimento físico, motor, social e cognitivo, e atualmente a aplicação desta nova maneira de transmissão de conhecimento é até mais fácil pelos recursos e metodologias disponíveis para o professor. 36 Apesar da visão renovada das possibilidades de utilização dos jogos na escola, o jogo ainda está muito distante de ser integrado realmente como recurso e metodologia. Em geral, o uso dos jogos no cotidiano escolar se restringe a atividades extremamente dirigidas, que contribuem muito pouco para o desenvolvimento da autonomia, da criatividade e da produção de cultura. Segundo Carneiro e Dodge (2007, p.91): Para que a prática da brincadeira se torne uma realidade na escola, é preciso mudar a visão dos estabelecimentos a respeito dessa ação e a maneira como entendem o currículo. Isso demanda uma transformação que necessita de um corpo docente capacitado e adequadamente instruído para refletir e alterar suas práticas. Envolve, para tanto, uma mudança de postura e disposição para muito trabalho. Muitas das vezes a escola não oferece oportunidades, espaços para a prática da brincadeira livre, e quase sempre, impede que aconteça. Seria valoroso que a escola se apropriasse da brincadeira, porque isso traria resultados mais relevantes e adequados às necessidades do mundo de hoje. Apesar da sua importância, a prática da brincadeira na pré-escola ainda tem “fama” de ser apenas preparatória para a escola, sem valor pedagógico ou como um passatempo. De acordo com Borba (2007, p.34): A brincadeira é uma palavra estritamente associada à infância e às crianças. Porém, ao menos nas sociedades ocidentais, ainda é considerada irrelevante ou de pouco valor do ponto de vista da educação formal, assumindo frequentemente a significação de oposição ao trabalho, tanto no contexto da escola quanto no cotidiano familiar. Então, podemos dizer que isso é uma difícil tarefa a ser resolvida, porque nem sempre a instituição de ensino atribui o devido valor ao brincar, o que acontece no máximo é integrar a brincadeira fazendo uma atividade dirigida, e também depende do profissional de educação estar preparado para mudanças e usar isso no seu cotidiano. 37 3.4. A IMPORTÂNCIA DO ESPAÇO PARA OS JOGOS E BRINCADEIRAS A urbanização, fenômeno comum desde o princípio do século passado, afetou vários países, inclusive, de maneira marcante, o Brasil. Houve uma concentração populacional em muitas cidades, determinando uma nova forma de utilização dos espaços. As casas foram sendo substituídas por condomínios verticais, com menos espaços físicos internos e externos. As áreas privadas, e mesmo as públicas, destinadas ao lazer, têm sido substituídas por espaços produtivos mais lucrativos. As consequências da urbanização pouco planejada e da falta de espaços de lazer também se refletem nas moradias cujos espaços domiciliares são inadequados para brincar. Alguns pais colocam os condomínios como uma saída para esse problema. É importante que sejam oferecidos às crianças espaço de transmissão de cultura para que elas possam brincar e, assim terem oportunidades de criação, pois quando a criança brinca, reinventa cenas do cotidiano que a marcam, construindo sua própria história. As crianças que com frequência brincam de faz-de-conta tendem a cooperar mais com outras crianças e tendem a ser mais populares e alegres do que aquelas que não brincam de modo imaginativo. Ao movimentar o seu corpo, a criança inventa brincadeiras e, assim, constitui o seu eu, sua imaginação e seus pensamentos. Quanto maior for a qualidade do brincar maior será o desenvolvimento cognitivo. Porém, muitos adultos limitam esse movimento e impedem a criança de se desenvolver nesse sentido, pois consideram que uma criança que se movimenta muito e que precisa de espaço para se expressar, é hiperativa ou arteira. Dessa forma, muitos acreditam que a criança que consegue permanecer parada, sentada em frente à televisão é a que está mais próxima da civilidade e merece maior crédito. Os adultos e as crianças que brincam juntas de faz-de-conta tendem a ter uma relação mais saudável e prazerosa. Devido às mudanças na realidade econômica, a infância vem sofrendo uma perda no seu espaço e, assim, um processo de abandono das brincadeiras vem 38 sendo percebido, que são substituídas por outras atividades como: assistir televisão, jogos em computadores ou videogames como forma de preencher o tempo em que ficam em casa sozinhas. Segundo Brougére (1995, p.50), “A televisão transformou a vida e a cultura da criança, as referências de que ela dispõe. Ela influenciou, particularmente, sua cultura lúdica”. Os meios de comunicação, principalmente a TV, representam um percentual muito grande de tempo na vida das crianças, a rua e os espaços públicos ou coletivos são poucos frequentados pelas crianças, e esses espaços são de suma importância para se ganhar liberdade e exercer autonomia. O bombardeio que se tem percebido da mídia nos lares torna-se perigoso, no que diz respeito a que tipo de cidadão irá se formar. Nossa sociedade está cada vez mais sem tempo e espaços lúdicos. Garcia (2003, p.126-127 apud GOMES, 2006, p.20) afirma que: ...assim, além das crianças, dos adolescentes e dos jovens atualmente não possuírem o espaço da rua para desenvolver a socialização, também não possuem um rol de convivência familiar que lhes permita estabelecer maiores relações com o diferente (em idade, gênero, classe social, étnica, geracional e outros) As transformações no mundo atual acabaram interferindo de forma negativa, no espaço, no tempo e na participação dos pais no brincar. Os adultos deveriam valorizar esses pontos de forma positiva. Para Freud há tremenda importância à articulação entre o brincar, a criação e a arte. Segundo Carneiro e Dodge (2007), diante dessa situação, podemos destacar quatro espaços que podem ser reconsiderados ou criados como locais onde as crianças possam realizar livremente suas brincadeiras: a observação da natureza, o teatro, a brinquedoteca e a escola. A observação da natureza é fundamental, pois os benefícios que ela fornece são provenientes do contato com ela, a variedade de coisas que ela apresenta, descoberta das cores, formas, odores, sabores, pode ser relacionado às diferenças existentes entre os seres humanos. 39 O teatro também permite uma relação direta entre o público e os atores, exigindo, ainda, a criatividade para fazer cenário e figurino. A brinquedoteca é uma opção bastante atrativa, porque tem um espaço organizado, que permite a livre escolha da criança tanto em relação aos objetos quanto a atividades. Segundo Freud (1973, p.1344, apud MEIRA, 2004, p.84): Não haveremos de buscar já na criança as primeiras marcas da atividade poética? A ocupação favorita e mais intensa da criança é o jogo. Acaso seja lícito afirmar que toda criança que joga se conduz como um poeta, criando- se um mundo próprio