Aula 01 - Luciano
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OAB XVII EXAME - PILARES 
Direito Civil 
Luciano Figueiredo 
 
1 
Direito Civil 
Parte Geral 
 
Material para o Curso Pilares OAB. 
Elaboração: Luciano L. Figueiredo1. 
 
Parte Geral 
 
1. Validade do Negócio Jurídico 
 
Art. 104. A validade do negócio jurídico 
requer: 
I - agente capaz; 
II - objeto lícito, possível, determinado ou 
determinável; 
III - forma prescrita ou não defesa em lei. 
 
I \u2013 Capacidade do Agente: Já estudada na 
aula de Pessoa Física. 
 
II \u2013 Objeto Lícito, Possível, Determinado ou 
Determinável 
 
III \u2013 Forma Prescrita ou Não Defesa em Lei. 
 
Art. 107. A validade da declaração de 
vontade não dependerá de forma especial, 
senão quando a lei expressamente a exigir. 
 
Hipótese em que a vontade é vinculada: 
 
Art. 108. Não dispondo a lei em contrário, a 
escritura pública é essencial à validade dos 
negócios jurídicos que visem à 
constituição, transferência, modificação ou 
renúncia de direitos reais sobre imóveis de 
valor superior a trinta vezes o maior salário 
mínimo vigente no País. 
 
IV \u2013 Consentimento Válido 
 
Pode ser pelo silêncio? Art. 111 do CC: 
 
Art. 111. O silêncio importa anuência, 
quando as circunstâncias ou os usos o 
 
1 Advogado. Sócio do Figueiredo & Figueiredo Advocacia e 
Consultoria. Graduado em Direito pela Universidade 
Salvador (UNIFACS). Especialista (Pós-Graduado) em 
Direito do Estado pela Universidade Federal da Bahia 
(UFBA). Mestre em Direito Privado pela Universidade 
autorizarem, e não for necessária a 
declaração de vontade expressa. 
 
1.1 Teoria das Invalidades 
 
Duas observações iniciais: 
 
I. As nulidades nunca são implícitas 
(exigem sempre texto de lei). 
 
II. As invalidades admitem uma gradação. 
 
a) Nulidade Absoluta 
 
Hipóteses: 
 
Art.166. É nulo o negócio jurídico quando: 
I - celebrado por pessoa absolutamente 
incapaz; 
II - for ilícito, impossível ou indeterminável 
o seu objeto; 
III - o motivo determinante, comum a ambas 
as partes, for ilícito; 
IV - não revestir a forma prescrita em lei; 
V - for preterida alguma solenidade que a lei 
considere essencial para a sua validade; 
VI - tiver por objetivo fraudar lei imperativa; 
VII - a lei taxativamente o declarar nulo, ou 
proibir-lhe a prática, sem cominar sanção. 
 
Art. 167. É nulo o negócio jurídico 
simulado, mas subsistirá o que se 
dissimulou, se válido for na substância e na 
forma. 
§ 1o Haverá simulação nos negócios 
jurídicos quando: 
I - aparentarem conferir ou transmitir 
direitos a pessoas diversas daquelas às 
quais realmente se conferem, ou 
transmitem; 
II - contiverem declaração, confissão, 
condição ou cláusula não verdadeira; 
III - os instrumentos particulares forem 
antedatados, ou pós-datados. 
Federal da Bahia (UFBA). Professor de Direito Civil. 
Palestrante. Autor de Artigos Científicos e Livros Jurídicos. 
Instagram: @lucianolimafigueiredo. Fan Page: Luciano 
Lima Figueiredo. Twitter: @civilfigueiredo. 
 
 
 
 
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§ 2o Ressalvam-se os direitos de terceiros 
de boa-fé em face dos contraentes do 
negócio jurídico simulado. 
Características: 
 
1. O ato nulo atinge interesse público 
superior; 
2. Pode ser arguida pelas partes, por 
terceiro interessado, pelo Ministério 
Público, quando lhe couber intervir, ou, até 
mesmo, pronunciada de ofício pelo Juiz ex 
ofício; 
3. Não admite confirmação (ratificação), 
mas pode ser convertido; 
4. A ação declaratória de nulidade é 
decidida por sentença de natureza 
declaratória de efeitos \u201cex tunc\u201d; 
5. A nulidade, segundo o novo Código Civil, 
pode ser reconhecida a qualquer tempo, 
não se sujeitando a prazo prescricional 
(imprescritível) ou decadencial. 
 
# Atenção: apesar de o juiz poder 
reconhecer ex ofício a nulidade, ele não tem 
permissão para supri-la, ainda que a 
requerimento da parte (art. 168 p.u, CC/02). 
 
Parágrafo único. As nulidades devem ser 
pronunciadas pelo juiz, quando conhecer 
do negócio jurídico ou dos seus efeitos e as 
encontrar provadas, não lhe sendo 
permitido supri-las, ainda que a 
requerimento das partes. 
 
# Atenção: Entende o STJ que a argüição 
de nulidade absoluta nas instâncias 
extraordinárias demanda a observância do 
requisito do prequestionamento. 
Informativo 329, STJ: 
 
ALIENAÇÃO. BEM IMÓVEL. CLÁUSULA. 
INALIENABILIDADE. NULIDADE 
ABSOLUTA. DECLARAÇÃO. OFÍCIO. 
PREQUESTIONAMENTO. 
 
Destacaram as instâncias anteriores que os 
gravames em questão incidem, tão-
somente, sobre os frutos, e não, 
propriamente, sobre o imóvel. O Tribunal 
estadual manteve-se nos exatos limites da 
questão da prescritibilidade, ou não, da 
pretensão de reconhecimento da nulidade 
do negócio jurídico entabulado, mantendo-
se silente sobre qualquer outra matéria. 
Não obstante, ainda que se trate de questão 
chamada de "ordem pública", isto é, 
nulidade absoluta \u2013 passível, segundo 
respeitável doutrina, de conhecimento a 
qualquer tempo, em qualquer grau de 
jurisdição \u2013, este Superior Tribunal já 
cristalizou seu entendimento pela 
impossibilidade de se conhecer da matéria 
de ofício, quando inexistente o necessário 
prequestionamento. Ocorrida essa 
nulidade, a prescrição a ser aplicada é a 
vintenária. Com esse entendimento, a 
Turma não conheceu do REsp, anotando 
que a ação foi ajuizada trinta e oito anos 
após o registro da alienação. O Min. 
Antônio de Pádua Ribeiro acompanhou o 
Min. Relator apenas na conclusão, por 
entender incidente a Súm. n. 283-STF, pois 
defende a imprescritibilidade dos atos 
nulos. Precedentes citados: REsp 178.342-
RS, DJ 3/11/1998; AgRg no REsp 478.379-
RS, DJ 3/4/2006; Edcl no REsp 750.406-ES, 
DJ 21/11/2005; REsp 919.243-SP, DJ 
7/5/2007, e REsp 591.401-SP, DJ 13/9/2004. 
REsp 297.117-RS, Rel. Min. Hélio Quaglia 
Barbosa, julgado em 28/8/2007. 
 
b) Nulidade Relativa (Anulabilidade) 
 
Hipóteses: 
 
Art. 171. Além dos casos expressamente 
declarados na lei, é anulável o negócio 
jurídico: 
I - por incapacidade relativa do agente; 
II - por vício resultante de erro, dolo, 
coação, estado de perigo, lesão ou fraude 
contra credores. 
 
Características: 
 
1. O ato anulável atinge interesses 
particulares, legalmente tutelados (por isso 
a gravidade não é tão relevante quanto na 
hipótese de nulidade); 
 
 
 
 
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2. Somente pode ser arguida pelos 
legítimos interessados; 
3. Admite confirmação expressa ou tácita 
(ratificação); 
4. A anulabilidade somente pode ser 
arguida, pela via judicial, em prazos 
decadenciais de 4 (regra geral) ou 2 (regra 
supletiva) anos, salvo norma específica 
sem sentido contrário (art. 178 e 179). 
 
Art. 178. É de quatro anos o prazo de 
decadência para pleitear-se a anulação do 
negócio jurídico, contado: 
I - no caso de coação, do dia em que ela 
cessar; 
II - no de erro, dolo, fraude contra credores, 
estado de perigo ou lesão, do dia em que se 
realizou o negócio jurídico; 
III - no de atos de incapazes, do dia em que 
cessar a incapacidade. 
 
Art. 179. Quando a lei dispuser que 
determinado ato é anulável, sem 
estabelecer prazo para pleitear-se a 
anulação, será este de dois anos, a contar 
da data da conclusão do ato. 
 
2. Prescrição e Decadência 
 
2.1 Conceitos 
 
2.2 Observações Correlatas 
 
I. Os prazos prescricionais, por serem 
sempre legais, não podem ser alterados 
pela vontade das partes (ar. 192). E os 
decadenciais? 
 
Art. 192. Os prazos de prescrição não 
podem ser alterados por acordo das partes. 
 
II. A prescrição, por ser uma defesa do 
devedor, pode ser renunciada, nos termos 
do art.