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O RACIONALISMO E O EMPIRISMO NA ORIGEM DAS IDEIAS
O que é conhecer
Conhecer é representar, cuidadosamente, o que é exterior à mente. 
No processo de conhecimento, dois elementos são indispensáveis: O Sujeito e o Objeto.
O sujeito é o elemento que conhece e o objeto é o elemento conhecido.
Sujeito: Nossa consciência, nossa mente. 
Objeto: A realidade, o mundo e os fenômenos (e a nossa própria consciência, quando nós refletimos).
A necessidade de investigação do real conduz o indivíduo ao conhecimento, ao mesmo tempo em que o indivíduo problematiza o meio em que vive e questiona a realidade que é imposta a ele. 
A busca do conhecimento através da problematização, e assim, fica claro a importância da Filosofia em favor da transformação do homem. (Cipriano Luckesi e Elizete Passos (2004, p. 13)
O questionamento do homem diante da realidade e em busca de conhecimento, o diferencia não só dos animais, mas também um homem do outro.
É dessa capacidade de questionar, criticar e pensar o mundo, atribuindo significados à realidade, que é permitido ao homem criar o conhecimento. 
“Ele se constrói por meio de longa busca, por meio de esforço de desvendamento. A elucidação do mundo exterior exige imaginação investida, busca disciplinada e metodológica, tendo em vista captar os meandros do real.” (Cipriano Luckesi e Elizete Passos (2004, p. 19):
Para obter conhecimento, é importante entender que, os fatos que cerca o homem, são imprescindíveis para a sua formação histórica. 
O conhecimento é uma construção que se vai desenvolvendo e se complexificando. 
Ele tem um caráter evolutivo e dialético.
Nesse processo, também se definem comportamentos, regras, leis e padrões que caracterizam cada grupo social, acordos que são estabelecidos socialmente, com o mundo e o conhecimento que o envolve, muitas vezes sem ao menos serem questionados por aqueles que vivem submetidos àquela cultura.
A filosofia, enquanto uma área do conhecimento humano vai abordar o conhecimento figurando/interpretando o mundo real. 
Assim, o conhecimento filosófico passa a ser uma resposta em busca das verdades que fazem parte do mundo em que vivemos, pois, como afirma Hegel (1999, p. 394), “a filosofia tem a tarefa de captar, pensando e compreendendo, a verdade”.
Através do conhecimento filosófico, filosofamos. 
O que é filosofar?
É questionar, é duvidar é ter curiosidades. 
O conhecimento filosófico é uma ponte para o desvelamento da realidade em que vivemos.
É um ato de desocultamento da realidade, pois a Filosofia procura descortinar a realidade do real. 
É também um ato de assombro, pois a todo instante ela nos leva ao inusitado, a novos horizontes e possibilidades.
Possibilidades do conhecimento na modernidade 
Empirismo e Racionalismo
Empirismo
É a forma de conhecer que valoriza nossas percepções sensoriais.
A palavra empirismo é usada para classificar as propostas surgidas no período da filosofia moderna (meados do século XV ao século XVIII) que defendeu a construção de conhecimento com base na experiência. A origem etimológica do nome dessa corrente de pensamento é a palavra grega empeiria, que tem sentido muito próximo ao de “experiência”.
CARACTERÍSTICAS DO EMPIRISMO
A verdade está na percepção dos sentidos;
Não existem ideias inatas, isto é, toda ideia foi adquirida pela percepção sensorial.
“ Suponhamos, portanto, que a mente seja uma folha em branco, desprovida de caratceres, sem qualquer ideia. De que modo receberá as ideias? (...) Respondo: da experiência. É este o fundamento de todos os nossos conhecimentos; daí extraem a sua origem primeira.” 
(Ensaio sobre o entendimento humano, Livro II, Cap. 1, sec. 19) John Locke
A importância do mundo material para os empiristas aproxima suas reflexões de teorias dos pensadores da ciência experimental, que obteve muitos avanços no mesmo período. 
Francis Bacon, considerado o fundador do método científico moderno, deixa claro que a experiência é o elemento fundacional do conhecimento.
Principais filósofos do empirismo
John Locke
A teoria epistemológica de John Locke é uma investigação sobre a mente e sua capacidade de conhecer. Em Ensaio acerca do entendimento humano, nomeou tudo aquilo em que se pode pensar como ideia e defendeu que sua origem seriam as sensações como as ideias de quente e amarelo, e as operações mentais, como a dúvida.
Essas ideias são adquiridas por uma relação direta entre o entendimento e a experiência, sendo classificadas como simples, e podem ainda ser associadas para gerar ideias complexas.
A base de todo conhecimento seria as ideias simples, e como todas são captadas por alguma sensação (interna ou não), então Locke critica aqueles que defendem as ideias inatas — posição atribuída aos racionalistas.
Para esclarecer a proposta, pode-se colocar a seguinte pergunta: é possível imaginar um gosto que jamais tivesse sido degustado? John Locke argumentou que, se algumas ideias fossem realmente inatas, as crianças conheceriam princípios lógicos já desde o nascimento e outras noções seriam comuns a todas as pessoas, mas isso não é constatado em lugar algum.
David Hume
Em Investigação sobre o entendimento humano (1748), teve como objetivo estudar a mente. 
Os conteúdos da mente, chamados de percepções, são adquiridos apenas em contato com a realidade. 
O que nomeia como impressões são a via pela qual os conteúdos adentram a mente e não se restringem apenas ao que resulta diretamente de nossas experiências, mas incluem as emoções e os desejos.
RACIONALISMO
Somente a razão humana, trabalhando com os princípios lógicos, pode atingir o conhecimento verdadeiro.
O racionalismo foi uma corrente filosófica muito importante da Modernidade. 
Como concepção de conhecimento filosófico, o racionalismo começa a tomar corpo durante o Renascentismo, mas as suas primeiras origens podem remontar à filosofia grega, com as teses idealistas platônicas e a concepção do princípio da causalidade.
Principal objetivo do racionalismo:
Teorizar o modo de conhecer dos seres humanos, não aceitando qualquer elemento empírico como fonte do conhecimento verdadeiro. 
Para os racionalistas, todas as ideias que temos têm origem na pura racionalidade, o que impõe também uma concepção inatista, isto é, de que as ideias têm origens inatas no ser humano, nascendo conosco em nosso intelecto e sendo usadas e descobertas pelas pessoas que fazem melhor uso da razão. 
São considerados filósofos racionalistas Descartes, Spinoza e Leibniz.
Para o racionalista, a verdade só pode ser conhecida mediante o trabalho lógico da mente, independentemente das percepções sensoriais.
CARACTERÍSTICAS DO RACIONALISMO
Como a epistemologia (vertente filosófica que investiga as teorias do conhecimento), o racionalismo afirma que todo o conhecimento humano advém da pura racionalidade e do intelecto. 
As experiências práticas, para os racionalistas, não têm valor cognitivo, podendo inclusive enganar-nos ao oferecer-nos impressões errôneas. 
Os racionalistas defendem que as ideias surgem da pura e simples capacidade racional e impulsionam o intelecto, formando os conhecimentos com base nas leis universais da razão.
A razão humana é o único instrumento capaz de conhecer a verdade;
Os princípios lógicos fundamentais são inatos, ou seja, não dependem da experiência sensorial;
A experiência sensorial é uma fonte permanente de erros;
Ao nascermos, trazemos em nossa inteligência alguns princípios racionais e ideias verdadeiras.
“De sorte que, após ter pensado bastante nisso e de ter examinado cuidadosamente todas as coisas, cumpre enfim concluir e ter por constante que essa proposição, eu sou, eu existo, é necessariamente verdadeira todas as vezes que a enuncio ou que a concebo em meu espírito.” 
(Regras para direção do Espírito) René Descartes
A QUESTÃO DO INATISMO
Percebemos que o princípio do racionalismo é a teoria do inatismo, ou seja, a crença de que, ao nascermos, já trazemos conosco algumas ideias. Por outro lado, o empirismo fundamenta-se na crençade que nossa mente nasce vazia e somente no contato com o mundo, por meio dos nossos sentidos, é que iremos construir as ideias.
RACIONALISMO E RENASCIMENTO
É no contexto do Renascimento que as ideias racionalistas começam a ganhar força na Europa. Defendendo um retorno aos ideais da Grécia Antiga e uma valorização do conhecimento humano, os renascentistas operaram uma significativa revolução cultural em sua época. Invenções do período, como a imprensa, impulsionaram também a vontade de conhecer.
A ciência começa a tornar-se mais específica e revela novas descobertas na passagem do Renascimento para a Modernidade. 
No centro das discussões filosóficas coloca-se a seguinte pergunta: como é possível o conhecimento?
Esse questionamento, que surge no início da Modernidade por conta do desenvolvimento intelectual renascentista, faz surgir a epistemologia ou teoria do conhecimento, tendo como principais divisões, no decorrer desse período, o racionalismo e o empirismo.
EMPIRISMO E RACIONALISMO: UM CAMPO DE DISPUTAS
A disputa entre empiristas e defensores do racionalismo é sobre a origem do conhecimento. 
Enquanto os racionalistas buscam um conhecimento que possa ser universalmente válido, empiristas enfatizam a investigação da realidade que se apresenta ao ser humano. 
O primeiro grupo de filósofos implementou diversas análises conceituais e argumentos baseados em deduções, enquanto esses últimos dependeram em geral de raciocínios indutivos.
A ênfase na experiência não indica um abandono da razão. 
O que esteve sob suspeita é seu uso como único meio de alcançar conhecimentos. 
Todas as propostas dos filósofos desse período, sejam racionalistas ou não, já foram criticadas, modificadas ou abandonadas.
Apresentaram, certamente, noções e teorias que foram influentes não apenas para a continuação da reflexão filosófica mas também para as ciências que se desenvolviam nesse período e para as teorias científicas que surgiram depois.
Fontes:
LIMA, José Aparecido de Oliveira; MELO,Elizabete Amorim de Almeida; MENEZES, Anderson de Alencar. A necessidade do conhecimento filosófico para a formação humana. Disponível em: http://fajopa.com/contemplacao/index.php/contemplacao/article/viewFile/87/89
OLIVEIRA, Marco. "Empirismo"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/filosofia/empirismo.htm. Acesso em 31 de agosto de 2020.
PORFíRIO, Francisco. "Racionalismo"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/filosofia/racionalismo.htm. Acesso em 31 de agosto de 2020.
SECRETARIA DE EDUCAÇÃO. Pernambuco. Ciências Humanas e suas tecnologias. O conhecimento: apreensão e expressão da realidade. 
Forúm de discussão
Discuta sobre a importância do conhecimento filosófico para a formação humana.
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