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1 DA EXECUÇÃO EM GERAL 1. INTRODUÇÃO O CPC dedica o Livro da Parte Especial ao processo de execução. O Livro havia sido dedicado ao processo de conhecimento. Desde a edição da Lei n. 11.232/2005, estabeleceu- se uma distinção fundamental entre dois tipos de execução: a fundada em título judicial, denominada cumprimento de sentença, que constitui, em regra, apenas uma fase subsequente ao processo de conhecimento, na qual tenha sido proferida sentença que reconhece a exigibilidade de uma obrigação; e a fundada em título executivo extrajudicial que, esta sim, implica a formação de um novo processo. A execução civil faz-se, assim, em nosso ordenamento jurídico, por duas maneiras: como uma fase subsequente ao processo de conhecimento, na qual tenha sido proferida sentença que reconhece a exigibilidade de obrigação, não cumprida voluntariamente; ou como processo autônomo, quando fundada em título executivo extrajudicial. O cumprimento de sentença vem tratado no Livro I da Parte Especial como uma fase subsequente ao processo de conhecimento; já o processo de execução vem tratado no Livro II. Assim, a rigor, o cumprimento de sentença deveria ser examinado dentro do livro relativo ao processo de conhecimento. Ocorre que cumprimento de sentença não deixa de ser uma das formas de execução civil. Para melhor sistematização do tema, optou-se por tratar, neste Livro, tanto do processo de execução quanto do cumprimento de sentença, pois os princípios e, em boa parte, as regras que os regem, são os mesmos. Salvo quando fundado em sentença arbitral, penal condenatóriaou estrangeira, o cumprimento de sentença sempre será precedido de um processo civil de conhecimento. processo de conhecimento pode ser condenatório, constitutivo ou declaratório. Estes dois últimos, em regra, não dão ensejo à execução civil, porquanto a sentença cumpre-se automaticamente, sem nenhuma providência do réu. Só a sentença condenatória, em regra, dá ensejo à execução (ficam ressalvadas as sentenças declaratórias ou constitutivas em que se reconhece a exigibilidade do cumprimento de uma obrigação, como será melhor esclarecido no item 10.2.7.1, infra). Antes da Lei n. 11.232/2005, processo de conhecimento, de cunho condenatório e o de execução que lhe seguia eram considerados dois processos distintos, com funções diferentes. Isso exigia que o devedor fosse citado para processo de conhecimento e depois, para o de execução. Após a lei, os dois processos passaram a constituir duas fases distintas de um processo único. O anterior processo de conhecimento tornou-se fase cognitiva, e antigo processo de execução por título judicial tornou-se fase que legislador denominou de "cumprimento de sentença" (a expressão mais precisa seria "cumprimento de decisão", ante a possibilidade de decisão interlocutória de mérito, mas o legislador manteve a expressão originária), mas que não deixa de ser a fase de execução. Com isso, basta que devedor seja citado uma única vez, na fase inicial do processo. A rigor, a alteração foi mais de nomenclatura do que de estrutura. Tudo aquilo que acontecia antes, da petição inicial até a satisfação do julgado, continua se realizando, com muito poucas alterações. Apenas que antes se denominava processo de execução passou a chamar-se fase, tornando despicienda nova citação. Esse processo único, que passou a conter duas fases, foi apelidado de "sincrético", por ter fases distintas, com finalidades diferentes. Quando se tratar de cumprimento de sentença arbitral, penal condenatória ou estrangeira, conquanto fundado em títulojudicial, continuará constituindo um novo processo, porque não há nenhum outro processo judicial civil anterior. No entanto, ainda que assim seja, as regras aplicáveis são as do cumprimento de sentença, pois o título é judicial. é verdade, um novo processo, no qual o executado será citado. Mas, a partir daí, serão aplicadas não as regras do Livro da Parte Especial do CPC, mas as do cumprimento de sentença. Já a execução de título extrajudicial constitui um processo autônomo, não precedido de nenhum anterior. Pode-se dizer que: têm natureza de processos autônomos as execuções fundadas em título extrajudicial e os cumprimentos de sentença arbitral, penal condenatória ou estrangeira; não têm natureza de processo autônomo as execuções fundadas em título judicial, com as exceções supramencionadas. Por essa razão é que se preferiu dar a este Livro o título de execução civil, em vez de "processo de execução".2. COMO LOCALIZAR, NO CPC, os DISPOSITIVOS QUE TRATAM DA EXECUÇÃO CIVIL Há, como visto no item anterior, duas formas de execução civil: cumprimento de sentença (que não forma novo processo, salvo nos casos de sentença arbitral, penal condenatória ou estrangeira) e a execução por título extrajudicial, que sempre resultará na formação de um novo processo. Livro da Parte Especial aplica-se ao processo de execução por título extrajudicial. cumprimento de sentença é tratado no Livro I da Parte Especial, a partir do art. 513 do CPC. O Livro da Parte Especial continua a conter regras que não são apenas de natureza procedimental, mas que dizem respeito aos mecanismos da execução em geral, e se aplicam supletivamente ao cumprimento de sentença se não forem incompatíveis, nem contrariarem algum dos dispositivos específicos supramencionados.3. QUE É EXECUÇÃO? A função do Poder Judiciário é solucionar os conflitos de interesses. Há alguns que, levados a juízo, se resolvem pelo simples pronunciamento judicial, sem necessidade, para a satisfação do titular do direito, de algum tipo de comportamento do obrigado. É o que ocorre quando o conflito advém apenas da incerteza quanto à existência ou não de determinada relação jurídica. Por exemplo: A pensa que B é seu pai, mas este não reconhece essa qualidade. A então propõe em face de B ação de investigação de paternidade, para que a dúvida seja sanada. O juiz colhe as provas e, ao final, profere sentença que, transitada em julgado, terá o condão de afastar a dúvida, sem a necessidade de qualquer conduta ou comportamento do réu. O efeito almejado advém da sentença em si. mesmo vale para os conflitos cuja solução depende tão somente da constituição ou desconstituição de uma relação jurídica. Se A celebra com B um contrato, porque foi coagido, bastará que postule judicialmente a sua anulação. Se o juiz acolher a pretensão, em definitivo, o contrato estará anulado, independentemente de qualquer conduta do réu. A satisfação advém do pronunciamento judicial. Mas há casos em que ela depende de um comportamento, de uma ação ou omissão do réu. O titular da obrigação só se satisfará se réu cumprir uma prestação, de fazer, não fazer, entregar coisa ou pagar. Se o devedor da obrigação não a cumpre, que fazer? O Estado, por meio da lei, mune o Poder Judiciário de poderes para impor o cumprimento, ainda que contra a vontade do devedor, no intuito de satisfazer o credor. Não fosse assim, litígio só seria solucionado por meio da autotutela, o que não se admite nos Estados modernos. Para que Estado-juiz possa desencadear a sanção executiva, fazendo uso dos mecanismos previstos em lei para a satisfação da obrigação, é preciso que esta esteja dotada de um grau suficiente de certeza. Afinal, isso implicará que o Estadotome medidas que podem ser drásticas contra o devedor, invadindo, se necessário, o seu patrimônio para alcançar o resultado almejado. Esse grau de certeza é dado pelo título executivo. A lei considera como tais alguns documentos extrajudiciais, produzidos sem a intervenção do Judiciário, mas aos quais se reconhece esse grau suficiente de certeza. Esses documentos permitirão a instauração do processo de execução. Na ausência deles, o titular da obrigação deve ingressar em juízo com um processo de conhecimento para que Judiciário reconheça a ele direito de fazer cumprir a obrigação. Se o fizer e o devedor não a satisfizer espontaneamente, terá início a fase de cumprimento da sentença (ou fase de execução). O que distingue, portanto, o processo (ou fase) de conhecimento do processo (ou fase) de execução é, antes de tudo, a finalidade de um e de outro. No primeiro, que se busca é uma sentença, em que juiz diga direito, decidindo se a pretensão do autor deve ser acolhida em face do réu ou não. No segundo, a finalidade é que juiz tome providências concretas, materiais, que tenham por objetivo a satisfação do titular do direito, consubstanciado em um título executivo. No primeiro, juiz resolve a dúvida, a incerteza, a respeito da pretensão do autor; no segundo, ele toma as providências necessárias para satisfação do credor, diante do inadimplemento do devedor.4. INSTRUMENTOS DA SANÇÃO EXECUTIVA Quando o devedor não cumpre a obrigação, de que meios pode se valer o Judiciário para promover a satisfação do credor? Eles podem ser agrupados em duas categorias: os de sub- rogação e os de coerção. Os primeiros são aqueles em que Estado-juiz substitui devedor no cumprimento. Por exemplo: se ele não paga, o Estado apreende bens suficientes do seu patrimônio, e com o produto da excussão, paga credor. Ou, uma vez que o devedor não entrega bem que pertence ao credor, Estado o tira do primeiro e entrega ao segundo. Ou, ainda, se o devedor não cumpre a obrigação de pintar um muro, o Estado autoriza a contratação de outro pintor, que o faça às expensas do devedor. Aquele pagamento, entrega de coisa ou serviço, que era para devedor cumprir voluntariamente, mas não cumpre, Estado realiza no seu lugar. A outra técnica é a da coerção, que se distingue da anterior, porque visa não a que a prestação seja realizada pelo Estado, no lugar do devedor, mas que seja cumprida pelo próprio devedor. Para tanto, a lei mune juiz de poderes para coagi-lo a cumprir aquilo que não queria espontaneamente, como, por exemplo, o de fixar multas diárias, que forcem devedor. Este último instrumento, conquanto possa ser utilizado para cumprimento de todos os tipos de obrigação, é particularmente útil naquelas de caráter que, por sua natureza, não podem ser objeto de sub-rogação. Por exemplo: se devedor, pintor famoso, comprometeu-se a pintar um quadro para determinada exposição, Estado não terá como substituí-lo no cumprimento da obrigação, dada a sua natureza pessoal, mas poderá impor uma multa, suficientemente amedrontadora, para cada dia de omissão, que pressione a vontade do devedor para que ele realize aquilo para que estava obrigado.5. ESPÉCIES DE EXECUÇÃO São várias as classificações da execução civil. Nos itens seguintes, serão examinadas as principais. 5.1. Execução mediata e imediata A primeira é aquela que se aperfeiçoa com a instauração de um processo, no qual o executado deve ser citado; a segunda, aquela que se realiza sem novo processo, como uma sequência natural da fase de conhecimento que lhe antecede. No Brasil, são imediatas as execuções por título judicial, salvo as fundadas em sentença arbitral, penal condenatória ou estrangeira. 5.2. Execução específica É aquela em que se busca a satisfação da pretensão do autor tal como estatuída no título executivo. A efetividade da execução exige que, em caso de inadimplemento do devedor, o credor consiga alcançar resultado o mais próximo possível daquele que obteria caso a obrigação tivesse sido satisfeita espontaneamente. Se o devedor assumiu a obrigação de fazer, não fazer ou entregar coisa, a execução deve assegurar-lhe meios para exigir o cumprimento específico da obrigação, reservando a conversão para perdas e danos apenas para a hipótese de o cumprimento específico tornar-se impossível, ou para quando o credor preferi-la. art. 497 do CPC trata do cumprimento das sentenças que reconheçam a exigibilidade de obrigação de fazer ou não fazer. Determina que o juiz "conceda a tutela específica da obrigação" ou determine providências que "assegurem a obtenção da tutela pelo resultado prático equivalente". art. 499 limita a conversão às perdas e danos às hipóteses de requerimento do autor, ou impossibilidade de tutela específica ou que assegure resultado equivalente. E o art. 536, § 1°, atribui numerosos poderes ao juiz para fazer cumprir a tutela específica.art. 498, que trata do cumprimento das sentenças que reconheçam a obrigação de entrega da coisa, também determina a concessão de tutela específica, reiterando as mesmas disposições aplicáveis às obrigações de fazer ou não fazer. Para a obtenção da tutela específica, o juiz pode valer-se dos instrumentos já mencionados de sub-rogação e de coerção, salvo se a obrigação for personalíssima, caso em que a sub-rogação se inviabiliza. 5.3. Execução por título judicial ou extrajudicial Toda execução há de estar fundada em título executivo, que poderá ser judicial ou extrajudicial, conforme a sua origem. São títulos judiciais aqueles previstos no art. 515, e extrajudiciais os previstos no art. 784. A distinção entre esses dois tipos de execução é fundamental, pois, em regra, a de título judicial é imediata, sem novo processo (salvo a fundada em sentença arbitral, estrangeira, penal condenatória) e a por título extrajudicial sempre implica a formação de processo autônomo. 5.4. Cumprimento definitivo ou provisório de sentença 5.4.1. Hipóteses de cumprimento provisório Essa é uma classificação que só diz respeito ao cumprimento de sentença, pois a execução de título extrajudicial é sempre definitiva. O cumprimento de sentença será provisório quando fundado em decisão judicial não transitada em julgado (decisão interlocutória de mérito, nos casos de julgamento antecipado parcial do mérito, sentença ou acórdão sobre os quais ainda pende recurso não provido de efeito suspensivo, conforme art. 520 do CPC) e também na efetivação de tutela provisória, nos termos do art. 297, parágrafo único. Afora essas hipóteses, cumprimento de sentença será definitivo, ainda que haja agravo de instrumento pendente contra a decisão que julgou a impugnação.A execução por título extrajudicial será sempre definitiva, nos termos da Súmula 317 do Superior Tribunal de Justiça. Ela o será mesmo se houver apelação pendente contra a sentença de extinção sem resolução de mérito ou de improcedência dos embargos. Nessas situações, ainda há um risco de reversão do resultado, uma vez que existe recurso pendente. No entanto, legislador optou por considerar a execução definitiva. Tanto na definitiva como na provisória, se houver reversão do julgado, e disso advierem prejuízos para o devedor, o credor responderá objetivamente pelos danos, que deverão ser por ele ressarcidos. 5.4.2. Diferenças entre cumprimento definitivo e provisório de sentença O art. 520 do CPC dispõe que cumprimento provisório far-se-á pelo mesmo modo que o definitivo, inclusive no que concerne à incidência de multa e honorários advocatícios, a que se refere art. 523, § 1°, do CPC. As diferenças são pequenas e decorrem de haver recurso pendente, o que torna sempre possível a reversão do julgado. As principais peculiaridades do cumprimento provisório são: corre por conta e risco do credor, que assume a responsabilidade pela reversão do julgado, pois ainda há recurso pendente. Caso a sentença seja reformada, cumprir- ressarcir os danos que causou, que prescinde de prova de culpa. Parece-nos que essa regra, embora venha tratada em dispositivo que regulamenta cumprimento provisório de sentença, também poderá ser aplicada ao cumprimento definitivo e à execução por título extrajudicial, nos casos em que ainda haja possibilidade de reversão do julgado, como nos exemplos do item anterior; caso haja a reversão, seja pela reforma ou pela anulação da sentença, as partes serão repostas ao status quo ante, e osdanos serão liquidados nos mesmos autos; o cumprimento provisório de sentença, tal como definitivo, realiza-se nos autos em que o título foi constituído. Mas, como eles encontram-se no órgão ad quem para apreciação do recurso, se processo não for eletrônico, há necessidade de novos autos, constituídos pela petição que dá início à fase de cumprimento de sentença, acompanhada das peças enumeradas no art. 522, parágrafo único; no cumprimento provisório, o credor deve prestar caução, mas apenas para levantamento de depósito em dinheiro e a prática de atos que importem transferência de posse ou alienação de propriedade ou de outro direito real, ou dos quais possa resultar grave dano ao executado. A caução deve ser suficiente e idônea, arbitrada de plano pelo juiz e prestada nos próprios autos (CPC, art. 520, IV). Controverte-se sobre a necessidade de requerimento do executado. Parece-nos que juiz a determinará de ofício quando se apresentarem as situações de risco, indicadas no dispositivo legal. Ofertada a caução, juiz ouvirá o devedor e decidirá em seguida. A finalidade é resguardar o executado de eventuais prejuízos, em caso de alteração ou anulação da sentença. Por isso, juiz só a imporá para os atos que possam trazer efetivo prejuízo ao devedor, em razão de potencial irreversibilidade, como os mencionados acima. Não há necessidade de caução no início à execução, nem para proceder à penhora ou avaliação do bem. Prestada, o credor poderá levantar dinheiro e promover a expropriação de bens. Mas caso a sentença seja modificada ou anulada, a caução garantirá devedor dos prejuízos. Há casos em que, apesar de provisório cumprimento de sentença, credor poderá praticar tais atos mesmo sem prestar caução. O legislador a dispensa quando a necessidade do credor for premente, ou a possibilidade de reversão do julgado for menosprovável. A dispensa ocorrerá quando: "o crédito for de natureza alimentar, independentemente de sua origem". Essa hipótese engloba os alimentos do direito de família, decorrentes do casamento, união estável ou parentesco; e de ato ilícito, como as pensões devidas aos herdeiros, em caso de morte, ou à vítima, em caso de incapacidade. O legislador dispensa a caução atendendo à necessidade do credor; credor demonstrar situação de necessidade". Haverá situações em que o credor terá dificuldade de prestar a caução, embora fique evidenciada a necessidade de receber o valor que lhe é devido. O juiz, aplicando o princípio da proporcionalidade, sopesará o risco e dispensará a caução, se entender que a necessidade do credor exige cumprimento da sentença, ainda que ele não tenha como prestar a caução; "pender agravo do art. 1.042", isto é, agravo em recurso especial ou extraordinário, que cabe quando o Presidente ou Vice-Presidente do Tribunal de origem indeferir o recurso especial ou extraordinário, em juízo prévio de admissibilidade; "a sentença a ser provisoriamente cumprida estiver em consonância com súmula do STF ou STJ ou em conformidade com acórdão proferido no julgamento de casos repetitivos". Contudo, mesmo nesses casos, a exigência da caução será mantida se da dispensa puder resultar risco de grave dano de difícil ou incerta reparação. CLASSIFICAÇÃO DAS EXECUÇÕES QUANTO AO FUNDAMENTO FUNDAMENTO CARACTERÍSTICAS EXECUÇÃO Títulos executivos judiciais, Não formam um novo FUNDADA EM isto é, emanados do Poder processo, mas apenas uma fase, TÍTULO Judiciário, e enumerados no art. razão pela qual dispensam a JUDICIAL 515 do CPC. citação do réu, salvo se fundadas (cumprimento em sentença penal, arbitral ou de sentença)estrangeira. EXECUÇÃO Títulos executivos Constituem um novo processo, FUNDADA EM extrajudiciais, documentos não em que o réu deverá ser citado. TÍTULO provenientes do Judiciário, aos EXTRAJUDICIAL quais a lei atribui eficácia executiva. Estão enumerados no art. 784 do CPC. QUANTO AO CARÁTER O cumprimento de sentença pode ser definitivo ou provisório, este último tratado nos arts. 520 a 522 do CPC. Pode ainda ser autônomo, quando cria um novo processo, ou imediato, quando constitui apenas uma fase, sem que haja novo processo. NATUREZA DA ATIVIDADE REGRA EXECUTIVA TÍTULO Autônoma, isto é, é prescindível Execução definitiva. EXECUTIVO o prévio processo de conhecimento, EXTRAJUDICIAL porque a lei outorga eficácia executiva a certos títulos, atribuindo-lhes a certeza necessária para desencadear o processo de execução. TÍTULO Imediata, sem processo Cumprimento definitivo: EXECUTIVO autônomo, o que pressupõe prévia se a decisão de mérito, JUDICIAL atividade cognitiva, sem a qual o sentença ou acórdão já direito não adquire a certeza houver transitado em necessária para que se possa julgado. invadir, coercitivamente, o Cumprimento provisório: patrimônio do devedor. se a decisão, sentença ou acórdão tiver sido impugnado por recurso, sem efeito suspensivo; ou nos casos de efetivação de tutela provisória. O QUE DISTINGUE O CUMPRIMENTO PROVISÓRIO DE SENTENÇA DO DEFINITIVO Ambos se processam do mesmo modo, com a diferença de que oprovisório corre por conta e risco do exequente, já que há sempre o risco de reforma. Por isso, nela se exige caução para os atos que importem levantamento de dinheiro, transferência de posse ou alienação de domínio ou que possam trazer grave dano ao executado. Mas, mesmo nesses casos, a caução poderá ser dispensada nas hipóteses do art. 521 do CPC. QUANTO ÀS PRESTAÇÕES EXECUÇÃO IMEDIATA EXECUÇÃO AUTÔNOMA (FUNDADA EM TÍTULO (FUNDADA EM TÍTULO EXECUTIVO JUDICIAL) EXECUTIVO EXTRAJUDICIAL) Obrigação Arts. 536 e 537 Arts. 814 e seguintes do CPC de fazer ou não fazer Obrigação Art. 538 Arts. 806 e seguintes de entrega de coisa Obrigação Arts. 523 a 527 Art. 824 por quantia certa6. PRINCÍPIOS GERAIS DA EXECUÇÃO Já foram examinados, no início deste Livro, os princípios gerais do processo civil. Cumpre estudar, agora, os peculiares à execução. 6.1. Princípio da autonomia Antes das reformas de 2005, a execução, tanto de título judicial quanto extrajudicial, era sempre um processo autônomo. Com as alterações, apenas a segunda continua implicando a constituição de um novo processo (com as ressalvas da execução de sentença arbitral, penal condenatória e estrangeira). O cumprimento de sentença não implica mais processo autônomo, mas uma fase subsequente. Nem por isso perdeu autonomia, porquanto a fase executiva não se confunde com a cognitiva. A autonomia persiste, se não com um processo novo, ao menos com o desencadeamento de uma nova fase processual. 6.2. Princípio da patrimonialidade A execução recai sobre o patrimônio do devedor, sobre os seus bens, não sobre sua pessoa. É o que dispõe o art. 789 do CPC: "O devedor responde com todos os seus bens presentes e futuros para o cumprimento de suas obrigações, salvo as restrições estabelecidas em lei". Esse princípio é uma grande conquista, e já vai longe a época em que o inadimplemento podia gerar prisões, capturas ou torturas. Atualmente, só há um caso de prisão civil em nosso ordenamento jurídico: a do devedor de alimentos decorrentes do direito de família, isto é, de casamento, união estável e parentesco. Não subsiste mais a do depositário infiel, consoante decidiu o Supremo Tribunal Federal no RE 466.343, tanto nos casos de alienação fiduciária em garantia quanto nos demais casos, incluindo depositário judicial (esse entendimento converteu- se, depois, na Súmula Vinculante 25 do STF). Outros meios de coerção, como a multa, a busca e apreensão e atomada de bens não violam o princípio da patrimonialidade, já que dizem respeito aos bens do devedor, não à sua pessoa. 6.3. Princípio do exato adimplemento credor deve, dentro do possível, obter o mesmo resultado que seria alcançado caso o devedor tivesse cumprido voluntariamente a obrigação. A execução civil será mais eficiente se alcançar esse resultado, e a legislação tem aparelhado o juiz, permitindo-lhe a aplicação de meios de coerção e sub-rogação. A execução deve ser específica, atribuindo ao credor exatamente aquilo a que faz jus, como determinam os arts. 497 e 498 do CPC, que tratam da execução das obrigações de fazer, não fazer e entregar coisa, respectivamente. Só em duas situações a obrigação específica será substituída pela de reparação de danos: quando o credor preferir, ou quando o cumprimento específico se tornar impossível. Esse princípio impõe, por outro lado, que a execução se limite àquilo que seja suficiente para o cumprimento da obrigação. art. 831 do CPC estabelece: "A penhora deverá recair sobre tantos bens quantos bastem para o pagamento do principal atualizado, dos juros, das custas e dos honorários advocatícios". Por isso, se, quando da excussão dos bens do devedor, o valor alcançado for suficiente para o pagamento integral do credor, o juiz suspenderá a expropriação dos restantes. 6.4. Princípio da disponibilidade do processo pelo credor A execução é feita a benefício do credor, para que possa satisfazer o seu crédito. Ele pode desistir dela a qualquer tempo, sem necessidade de consentimento do devedor. É o que dispõe o art. 775 do CPC: "O exequente tem o direito de desistir de toda a execução ou de apenas alguma medida executiva". Ela se distingue do processo de conhecimento, em que a desistência dependerá do consentimento do réu, quando ele já tenha oferecido contestação, o que se justifica porque este pode desejar um pronunciamento dojuiz, que impeça o autor de voltar a juízo para rediscutir a questão. Há um caso em que a desistência da execução demanda a anuência do devedor: se houver impugnação ou embargos, que não versarem apenas sobre questões processuais, mas matéria de fundo, caso em que o executado-embargante poderá desejar o pronunciamento do juiz a respeito. Em síntese, a desistência é livre quando: a execução não estiver impugnada ou embargada; a impugnação ou os embargos opostos versarem sobre matéria processual. Ao extinguir a execução, por desistência, o juiz condenará o credor ao pagamento das custas e honorários advocatícios. 6.5. Princípio da utilidade A execução só se justifica se trouxer alguma vantagem para o credor, pois a sua finalidade é trazer a satisfação total ou parcial do crédito. Não se justifica que não o faça, mas provoque apenas prejuízos ao devedor. Por isso, o art. 836 do CPC deixa expresso: "Não se levará a efeito a penhora quando ficar evidente que o produto da execução dos bens encontrados será totalmente absorvido pelo pagamento das custas da execução". Se os bens encontrados forem suficientes para fazer frente a alguma parte, ainda que pequena, do débito, a execução prosseguirá. 6.6. Princípio da menor onerosidade Vem estabelecido no art. 805 do CPC: "Quando por vários meios exequente puder promover a execução, o juiz mandará que se faça pelo modo menos gravoso para o executado". Esse princípio precisa ser conjugado com os anteriores, do exato adimplemento e da patrimonialidade da execução. Ele não autorizaque o executado escolha sobre quais bens a penhora deva recair, nem permite que se exima da obrigação. A escolha do bem penhorável é do credor, e o devedor não pode exigir a substituição senão por dinheiro. Pode haver dois modos equivalentes para alcançar o resultado almejado pelo credor. Em casos assim, há de prevalecer menos gravoso ao devedor. Por exemplo: pode ser que ele tenha dois bens imóveis próximos, de igual valor e liquidez, cada qual suficiente para garantia do débito. Não há razão para que o credor exija que a penhora recaia sobre um deles, só porque o devedor utiliza para alguma finalidade. Ainda que a execução seja feita em benefício do credor, não se pode usá-la para impor ao devedor desnecessários incômodos, humilhações ou ofensas. O juiz deve conduzir o processo em busca da satisfação do credor, sem ônus desnecessários ao devedor, cabendo a este quando invocar art. 805, indicar outros meios mais eficazes e menos onerosos, sob pena de manutenção dos atos executivos já determinados. 6.7. Princípio do contraditório O contraditório não é um princípio específico da execução, mas do processo em geral. Chegou a existir controvérsia sobre sua incidência na execução civil, e havia quem sustentasse que, como o executado não oferece resposta no bojo da execução, mas por meio da ação autônoma de embargos, esse princípio estaria ausente. Ainda que com mitigações, que se justificam pela natureza da execução, contraditório há de estar presente. O executado deve ser citado (quando a execução for fundada em título extrajudicial) e intimado de todos os atos do processo, tendo oportunidade de manifestar-se, por meio de advogado. Quando há cálculos de liquidação, penhora e avaliação de bens, ou qualquer outro incidente processual, ele terá oportunidade de manifestar-se. O executado ainda poderá apresentar defesa no bojo da execução, como as exceções e objeções de pré-executividade ou aimpugnação, no cumprimento de sentença. art. 5°, LV, da CF assegura o contraditório a todos os procedimentos jurisdicionais e administrativos. Como a execução civil tem natureza jurisdicional, ele há de ser observado.