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ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE 
DOS POVOS INDÍGENAS NO 
CONTEXTO DO SUS
Débora Rangel Arruda
Enfermeira-FACENE
Msa.Ciências da Saúde UNA-SUS
Esp. Gestão nas regiões de saúde SIRIO LIBANÊS
Esp. Saúde Publica-FIP
Esp. Saúde da Família-FIP
Esp. Saúde Coletiva-FIP
PORTARIA N°254, DE 31 JANEIRO DE 2002
• O Ministro de Estado da Saúde, no uso de suas atribuições legais, e Considerando a 
necessidade de o Setor Saúde dispor de uma política de atenção à saúde dos povos 
indígenas;
• Considerando a conclusão do processo de elaboração da referida política, que envolveu 
consultas a diferentes segmentos direta e indiretamente envolvidos com o tema; e
• Considerando a aprovação da proposta da política mencionada, pelo Conselho Nacional de 
Saúde, em sua reunião ordinária de novembro de 2001, resolve: 
• Art. 1o Aprovar a Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas, cuja íntegra 
consta do anexo desta Portaria e dela é parte integrante.
• Art. 2o Determinar que os órgãos e entidades do Ministério da Saúde, cujas ações se 
relacionem com o tema objeto da política ora aprovada, promovam a elaboração ou a 
readequação de seus planos, programas, projetos e atividades na conformidade das 
diretrizes e responsabilidades nela estabelecidas.
• Art. 3o Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.
José Serra
• A Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas integra a 
Política Nacional de Saúde, compatibilizando as determinações das 
Leis Orgânicas da Saúde com as da Constituição Federal, que 
reconhecem aos povos indígenas suas especificidades étnicas e 
culturais e seus direitos territoriais.
• A implementação da Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos 
Indígenas requer a adoção de um modelo complementar e 
diferenciado de organização dos serviços – voltados para a proteção, 
promoção e recuperação da saúde , que garanta aos índios o exercício 
de sua cidadania nesse campo.
• Para sua efetivação, deverá ser criada uma rede de serviços nas terras 
indígenas, de forma a superar as deficiências de cobertura, acesso e 
aceitabilidade do Sistema Único de Saúde para essa população. É 
indispensável, portanto, a adoção de medidas que viabilizem o 
aperfeiçoamento do funcionamento e a adequação da capacidade do 
Sistema, tornando factível e eficaz a aplicação dos princípios e diretrizes 
da descentralização, universalidade, eqüidade, participação comunitária 
e controle social. Para que esses princípios possam ser efetivados, é 
necessário que a atenção à saúde se dê de forma diferenciada, levando-
se em consideração as especificidades culturais, epidemiológicas e 
operacionais desses povos. Assim, dever-se-á desenvolver e fazer uso de 
tecnologias apropriadas por meio da adequação das formas ocidentais 
convencionais de organização de serviços.
• Para sua efetivação, deverá ser criada uma rede de serviços nas terras 
indígenas, de forma a superar as deficiências de cobertura, acesso e 
aceitabilidade do Sistema Único de Saúde para essa população. É 
indispensável, portanto, a adoção de medidas que viabilizem o 
aperfeiçoamento do funcionamento e a adequação da capacidade do 
Sistema, tornando factível e eficaz a aplicação dos princípios e 
diretrizes da descentralização, universalidade, eqüidade, participação 
comunitária e controle social. 
• Para que esses princípios possam ser efetivados, é necessário que a 
atenção à saúde se dê de forma diferenciada, levando-se em 
consideração as especificidades culturais, epidemiológicas e 
operacionais desses povos. Assim, dever-se-á desenvolver e fazer uso 
de tecnologias apropriadas por meio da adequação das formas 
ocidentais convencionais de organização de serviços.
CARACTERIZAÇÃO DOS POVOS INDÍGENAS NO BRASIL 
QUANTOS SÃO, QUEM SÃO, ONDE ESTÃO
• 817.000 POPULAÇÃO GERAL (IBGE, 2010);
• 614.182 POPULAÇÃO ALDEADA (SIASI/MS, 2012); 
• 230 POVOS;
• FALAM MAIS DE 180 LÍNGUAS;
• ESTÃO DISTRIBUÍDOS EM TODOS OS 26 ESTADOS E NO DISTRITO FEDERAL, 
• E EM 438 MUNICÍPIOS, SENDO 11% DE MÉDIO PORTE (ACIMA DE 80 MIL HABITANTES),
• E 50% DE PEQUENO PORTE (MENOS DE 20 MIL HAB);
• VIVEM EM 688 TERRAS INDÍGENAS: 
• 60,46 % REGULARIZADAS;
• 39,54 % Outros;
• MORAM EM 4.702 ALDEIAS;
• OCUPAM 109.550.282 HECTARES DE TERRA (12,64% DO TERRITÓRIO NACIONAL)
• A população indígena brasileira é estimada em, aproximadamente, 
370.000 pessoas, pertencentes a cerca de 210 povos, falantes de mais 
de 170 línguas identificadas. 
• Cada um destes povos tem sua própria maneira de entender e se 
organizar diante do mundo, que se manifesta nas suas diferentes 
formas de organização social, política, econômica e de relação com o 
meio ambiente e ocupação de seu território.
• Há indícios da existência de 55 grupos que permanecem isolados, 
sendo que, com 12 deles, a Fundação Nacional do Índio, FUNAI, vem 
desenvolvendo algum tipo de trabalho de reconhecimento e 
regularização fundiária. Por outro lado, há também aqueles, como os 
Potiguara, Guarani e Tupiniquim, cujos ancestrais presenciaram a 
chegada das primeiras embarcações que cruzaram o Atlântico há 
cinco séculos.
• Os povos indígenas estão presentes em todos os estados brasileiros, 
exceto no Piauí e Rio Grande do Norte, vivendo em 579 terras 
indígenas que se encontram em diferentes situações de regularização 
fundiária e que ocupam cerca de 12% do território nacional. Uma 
parcela vive em áreas urbanas, geralmente em periferias.
• Os povos indígenas enfrentam situações distintas de tensão social, 
ameaças e vulnerabilidade. A expansão das frentes econômicas 
(extrativismo, trabalho assalariado temporário, projetos de 
desenvolvimento) vem ameaçando a integridade do ambiente nos 
seus territórios e também os seus saberes, sistemas econômicos e 
organização social.
1 – Alagoas/Sergipe
2 – Altamira
3 – Alto Rio Juruá
4 – Alto Rio Negro
5 – Alto Rio Purus
6 – Alto Rio Solimões
7 – Amapá e Norte do Pará
8 – Araguaia
9 – Bahia
10 – Ceará
11 – Cuiabá
12 – Guamá-Tocantins
13 – Kayapó Mato Grosso
14 – Kayapó Pará
15 – Leste Roraima
16 – Médio Rio Solimões e 
 Afluentes
17 – Manaus
18 – Maranhão
19 – Mato Grosso do Sul
20 – Minas Gerais e 
 Espírito Santo
21 – Médio Rio Purus
22 – Interior Sul
23 – Parintins
24 – Pernambuco
25 – Porto Velho
26 – Potiguara
27 – Rio Tapajós
28 – Litoral Sul
29 – Tocantins
30 – Vale do javari
31 – Vilhena
32 – Xavante
33 – Xingu
34 - Yanomami
• Muitos desses povos estão ameaçados de desaparecimento, sendo que 
entre alguns deles o número de indivíduos se reduziu a ponto de 
comprometer a sua reprodução biológica. O Estado de Rondônia, onde 
uma intensa atividade madeireira, garimpeira e agropecuária tem 
provocado altíssima mortalidade.
• Em relação à morbidade, verifica-se uma alta incidência de infecções 
respiratórias e gastrointestinais agudas, malária, tuberculose, doenças 
sexualmente transmissíveis, desnutrição e doenças preveníveis por vacinas, 
evidenciando um quadro sanitário caracterizado pela alta ocorrência de 
agravos que poderiam ser significativamente reduzidos com o 
estabelecimento de ações sistemáticas e continuadas de atenção básica à 
saúde no interior das áreas indígenas.
• A tuberculose e a infecção pelo HIV/Aids é um dos agravos que 
acometem com maior freqüência e severidade as comunidades 
indígenas;
• Em algumas regiões, onde a população indígena tem um 
relacionamento mais estreito com a população regional, nota-se o 
aparecimento de novos problemas de saúde relacionados às 
mudanças introduzidas no seu modo de vida e, especialmente, na 
alimentação: a hipertensão arterial, o diabetes, o câncer, o 
alcoolismo, a depressão e o suicídio são problemas cada vez mais 
freqüentes em diversas comunidades.
• A deficiência do sistema de informações em saúde, que não 
contempla, entre outros dados, a identificação étnica e o domicílio do 
paciente indígena, dificulta a construção do perfil epidemiológico e 
cria dificuldades para a sistematização de ações voltadas para a 
atençãoà saúde dos povos indígenas.
• A descontinuidade das ações e a carência de profissionais fizeram 
com que muitas comunidades indígenas se mobilizassem, desde os 
anos 70, de diversas maneiras, especialmente por intermédio de suas 
organizações juridicamente constituídas, para adquirir conhecimentos 
e controle sobre as doenças e agravos de maior impacto sobre sua 
saúde, dando origem a processos locais e regionais de capacitação de 
agentes indígenas de saúde e de valorização da medicina tradicional 
indígena, com a participação das diversas instituições envolvidas com 
a assistência à saúde indígena.
• Mesmo sem um programa de formação e uma inserção institucional 
definidos, mais de 3.900 agentes indígenas de saúde vinham atuando 
no Brasil. A maioria deles trabalhando voluntariamente, sem 
acompanhamento ou suprimento sistemático de insumos para suas 
atividades. Em algumas regiões da Amazônia, onde as distâncias são 
medidas em dias de viagens por estradas em precário estado de 
conservação ou rios de navegabilidade difícil ou impossível durante o 
período da seca, os agentes indígenas de saúde são o único recurso das 
comunidades diante de determinadas doenças. Cerca de 13% dos 
agentes indígenas de saúde estão inseridos no Programa de Agentes 
Comunitários de Saúde, a maioria no Nordeste. Na Região Amazônica, 
a maioria das iniciativas foi tomada por organizações indígenas e não-
governamentais.
AGENTE INDÍGENA DE SAÚDE
• Pense num trabalhador que atua na prevenção de doenças e na 
promoção da saúde, inserido em uma equipe multidisciplinar 
composta por médico, enfermeiro, odontólogo e auxiliar de 
enfermagem, entre outros. Ele cadastra as famílias que moram em 
sua área de abrangência, detecta problemas de saúde, acompanha 
tratamentos de longa duração e ainda o desenvolvimento de crianças, 
idosos, gestantes e pacientes crônicos, operando diretamente na 
comunidade em que vive. Pensou no agente comunitário de saúde 
(ACS)?
• Agora, imagine que essa comunidade é uma aldeia, que seus 
habitantes muitas vezes não falam português e têm visões de mundo, 
de saúde e de doença distintas daquelas de, por exemplo, médicos e 
enfermeiros. Pense ainda que as dificuldades de acesso e a distância 
entre uma aldeia e outra podem significar dias de viagem e que por 
isso não é possível ter uma equipe de saúde presente, em tempo 
integral, em cada uma delas.
• Nesses casos, é preciso haver um profissional com funções análogas 
às do ACS e que, como ele, more no seu local de atuação, mas que 
tenha algumas especificidades: ele deve também traduzir idiomas 
para que as equipes e as comunidades se entendam, ser uma ponte 
entre suas diferentes concepções de saúde e de mundo e ter 
responsabilidades como o único profissional de saúde do local 
quando o resto da equipe não puder estar por perto.
Esse é o agente indígena de saúde (AIS) e seu trabalho é essencial 
para o Subsistema de Atenção à Saúde Indígena, um modelo criado 
em 1999 para funcionar de acordo com os princípios do Sistema 
Único de Saúde (SUS) e articulado a ele.
Área de atuação
• A descentralização do subsistema foi alcançada pela sua organização 
em 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (Dseis) – a divisão das 
áreas não leva em conta necessariamente a divisão oficial do 
território brasileiro em estados e municípios, mas sim a distribuição 
tradicional dos povos, bem como sua cultura e a relação entre eles. 
Um Dsei contém várias aldeias, e é nele que se estrutura o 
atendimento à saúde, no âmbito da atenção básica, para aquela 
região delimitada. Além disso, todo Dsei tem um pólo-base, que pode 
estar localizado tanto em uma aldeia como em um município 
próximo. Os AIS atuam em cada uma das aldeias, tendo o pólo como 
primeira referência. É nele que está presente a equipe multidisciplinar 
de saúde, que cumpre uma agenda de visitação às aldeias do distrito.
• Apesar de essa estrutura só ter se consolidado no fim dos anos 1990, 
a atividade dos agentes indígenas não é tão recente. Segundo Luiza 
Garnelo, pesquisadora do Instituto de Pesquisa Leônidas e Maria 
Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), os AIS existem pelo menos desde a 
década de 1970 , subsistema, já havia cerca de 2 mil agentes em todo 
o Brasil.
• Mas o trabalho ainda não constitui uma profissão reconhecida e regulamentada, 
mesmo que já faça parte da Classificação Brasileira de Ocupações (CBO). De 
acordo com o Departamento de Saúde Indígena da Fundação Nacional de Saúde 
(Dsei/Funasa), existe hoje um esforço para fazer com que os AIS sejam ao menos 
incluídos na Emenda Constitucional 51, que dispõe sobre a contratação agentes 
de combate a endemias (ACE) e ACS – a emenda aponta que a contratação deve 
se dar por meio de processo seletivo público, o que se estenderia aos AIS. De 
acordo com o Departamento, normalmente os AIS são contratados por vínculo 
direto pelos municípios com recursos da Secretaria de Atenção à Saúde (SAS/MS) 
ou por convênios. A seleção, por sua vez, é em geral baseada em uma avaliação e 
na indicação da própria comunidade. “Em alguns casos, há também uma 
comissão formada por lideranças indígenas e representantes do distrito e do 
município que avalia os indicados, mas essa não é a regra: em geral, prevalece a 
indicação. Isso dá margem a certos riscos, como o de haver escolhas por conta de 
parentescos com as lideranças tradicionais. O processo precisa ser aperfeiçoado”, 
ressalta.
Formação e elevação da escolaridade
• Ainda em 1999, a Funasa começou a elaboração de um Programa de 
Formação Inicial dos AIS. Hoje, existe um curso composto por seis 
módulos organizado pela Fundação em parceria com as Escolas 
Técnicas do SUS ou outras instituições formadoras. “A formação se dá 
em serviço e, ao todo, são 1.080 horas, divididas em momentos de 
concentração e de dispersão, e os instrutores são os próprios 
profissionais das equipes multidisciplinares”, descreve Raimunda. Ela 
explica ainda que o primeiro módulo é introdutório, dando conta da 
organização do subsistema, enquanto os demais são dirigidos a 
determinados problemas específicos, como doenças sexualmente 
transmissíveis, doenças da pele e saúde da mulher. Dos 3.900 AIS que 
atuam no país, cerca de 500 já concluíram todos os módulos.
• A integração entre a qualificação profissional e a educação básica ainda 
não é comum, mas já existem experiências nesse sentido: “Em alguns 
casos, a qualificação se dá junto com o ensino fundamental, o que já é uma 
realidade em Cuiabá, por exemplo. Para isso, as secretarias municipais de 
educação também são envolvidas.
• Desde janeiro do ano passado, uma nova proposta de formação integrada 
está sendo posta em prática, nas comunidades da região do Alto Rio Negro: 
trata-se de um curso que pretende unir a qualificação dos agentes não 
mais ao ensino fundamental, mas ao nível médio. A ideia é formar técnicos 
em Agente Comunitário de Saúde Indígena (ACIS), e o curso é voltado aos 
250 AIS que atualmente trabalham na região. O projeto foi concebido por 
equipes da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz)
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