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FACULDADE ANHANGUERA RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO BÁSICO V – PROCESSOS DE ATUAÇÃO PROFISSIONAL E PSICODIAGNÓSTICO Francisco Chagas Silva Ferreira Valparaiso - GO, 02 de junho de 2025. Francisco Chagas Silva Ferreira RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO BÁSICO V – PROCESSOS DE ATUAÇÃO PROFISSIONAL E PSICODIAGNÓSTICO Relatório Final apresentado para avaliação na disciplina de Estágio Supervisionado Básico V – Processos De Atuação Profissional E Psicodiagnóstico Curso de Psicologia da Faculdade Anhanguera - Valparaiso. Professor Supervisor: Pedro Paulo Martins de Lira Valparaiso de Goiás, 02 de junho de 2025. RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO BÁSICO V – PROCESSOS DE ATUAÇÃO PROFISSIONAL E PSICODIAGNÓSTICO _______________________________________________________________ Francisco Chagas Silva Ferreira Relatório Final apresentado para avaliação na disciplina de Estágio Supervisionado Básico V – Processos De Atuação Profissional E Psicodiagnóstico Curso de Psicologia da Faculdade Anhanguera - Valparaiso. __________________________________ Prof. Pedro Paulo Martins de Lira __________________________________ Cristina Takamoto Coordenadora do curso de Psicologia Valparaiso de Goiás, 02 de junho de 2025. SUMÁRIO 1. IDENTIFICAÇÃO DA REALIZAÇÃO DO ESTÁGIO 5 1.1 Dados Oficiais da Empresa 5 1.2 Supervisor local e setor de trabalho 5 1.3 Professor orientador e disciplina da matriz curricular do curso 6 2. PLANO DE TRABALHO DE ESTÁGIO – PTE 6 2.1 Período de realização 6 2.2 Objetivo geral do estágio 7 2.3 Objetivos específicos 7 3. ATIVIDADES REALIZADAS 7 3.1 Público atendido 7 3.2 Especificidades do estágio em clínica 7 3.3 Aportes Teóricos 8 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS 9 5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 10 1. IDENTIFICAÇÃO DA REALIZAÇÃO DO ESTÁGIO 1.1 Dados Oficiais da Empresa A Anhanguera, para o desenvolvimento do Estágio Supervisionado que deu início em 2025.1 presencialmente, em consonância com a Portaria nº 544 de 16 de junho de 2020 que tem como base o parecer elaborado em abril pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), com a participação ativa da Associação Brasileira de Mantenedoras do Ensino Superior (ABMES), e homologado pelo MEC e resolução 04/2020 do Conselho Federal de Psicologia, estabelece novo plano de atuação para a realização do estágio supervisionado básico v – Psicologia. Este componente curricular tem por objetivo contribuir no desenvolvimento de competências e habilidades dos futuros psicólogos na prática à luz dos fundamentos da psicologia. A Psicologia da Anhanguera busca uma aproximação da sua essência expressa pelos objetivos do curso e perfil do egresso, como forma de garantir a excelência no processo formativo. As adequações de estrutura nesse cenário de excepcionalidade são pautadas pelo estreito cumprimento de todos os atos legais e normativos pertinentes, e pela compreensão de novas demandas, urgentes ou futuras, do mercado de trabalho. 1.2 Supervisor local e setor de trabalho A partir da nova proposta o estágio ocorreu em modelo presencial sob supervisão dos professores supervisores do estágio básico v - no período de 12 de fevereiro a 04 de junho. No modelo proposto, cada paciente foi acolhido por 10 sessões, objetivando uma intervenção psicoterápica, a partir do pressuposto teórico escolhido pelo aluno. Os alunos foram preparados para realizar atendimento e escuta ativa nos casos que chegarem até UBS - Unidade Básica de Saúde da Família, Jockey Clube, utilizando o atendimento via Grupos e Individuais. Com o objetivo de dar continuidade ao processo ensino-aprendizagem e o cumprimento do estágio dentro do período 2025/1, cada aluno conduziu o acolhimento de dois pacientes e cada um destes passou por um atendimento semanal de até uma hora cada. Os horários para atendimento ocorreram nos três turnos: matutino, vespertino e noturno, conforme disponibilidade dos estagiários de Psicologia e pacientes. Foram realizados também semanalmente 01 encontro de supervisão. Os dias e horários da supervisão foram acordados entre o supervisor e seu grupo de alunos e informado para a coordenação. Todos os atendimentos tiveram seus registros em formulário online disponibilizado e armazenado no google drive institucional de cada supervisor até o final do semestre, quando deverá ser realizado o download do arquivo para que o mesmo seja armazenado na Anhanguera. 1.3 Professor orientador e disciplina da matriz curricular do curso Disciplina de Estágio Supervisionado Básico V – Processos De Atuação Profissional E Psicodiagnóstico apresenta carga horária de 100 horas e compreende um componente curricular de caráter prático que deve proporcionar a complementação do ensino e da aprendizagem no campo de atuação da psicologia UBS - Unidade Básica de Saúde da Família, Jockey Clube a ser planejado, executado e avaliado em conformidade com o aporte teórico desenvolvido no curso, como instrumento de integração treinamento prático em cenário real, aperfeiçoamento técnico cultural, científico e de relacionamento humano. 2. PLANO DE TRABALHO DE ESTÁGIO – PTE 2.1 Período de realização Foram realizados em um plano de 10 atendimentos psicológicos, no período de 12 de fevereiro a 04 de junho. As supervisões do estágio eram realizadas todas as quartas-feiras pelo período matutino, os atendimentos clínicos possuíam duração de 40 minutos e os registros ocorriam logo após os atendimentos, no horário de 08:40, 09:40, 10:40 e 11:40. 2.2 Objetivo geral do estágio · Atuar no contexto na psicologia clínica, considerando as características das situações e dos problemas específicos da área. 2.3 Objetivos específicos · Observar a avaliação de processos psicológicos de indivíduos e grupos no contexto da clínica psicológica/institucional; · Desenvolver aspectos relacionais de modo a propiciar o desenvolvimento de vínculos interpessoais requeridos na atuação profissional do psicólogo; · Avaliar fenômenos humanos de ordem cognitiva, comportamental e afetiva, no contexto da psicologia clínica. 3. ATIVIDADES REALIZADAS 3.1 Público atendido: Durante o estágio, foram atendidos quatro pacientes adultos, com destaque para o relatório da paciente Taís Gomes dos Anjos. 3.2 Especificidades do estágio em clínica A pratica e os atendimentos clínicos com adultos exige do estagiário uma abordagem que considere a complexidade das experiências de vida, a autonomia e a capacidade de reflexão dos pacientes. O nosso trabalho teve como foco a compreensão das queixas atuais dos pacientes, na exploração de históricos relevantes e na construção conjunta de estratégias para o manejo dos desafios. O caso de Taís Gomes dos Anjos ilustra bem essas particularidades: Na primeira sessão no dia 07/05/2025 - Sessão Inicial: A anamnese revelou que Taís, de 30 anos, casada há três anos, com uma vida conjugal estável e sem dificuldades financeiras aparentes, relatava crises de ansiedade sem identificar os fatores que desencadeassem as mesmas. Mencionou sentir-se emocionalmente debilitada a ponto de não sair da cama em alguns dias. Apesar de notar mudanças na atenção de seu cônjuge (22 anos mais velho) em comparação com o período de namoro, ela não via essa dinâmica como a principal causa de seu sofrimento. A sessão foi concluída com a proposta de elaborar um cronograma terapêutico para investigar mais a fundo os possíveis fatores estressores e a origem dos sintomas ansiosos. Na segunda sessão, após o acolhimento, Taís relatou ter cumprido a tarefa "Controle das Emoções", registrando suas vivências emocionais da semana, demonstrando engajamento. Durante a sessão, foram observados possíveis traços sugestivos do Transtorno do Espectro Autista (TEA). Diante disso, foi aplicado o Quociente do Espectro Autista – Adultos (QA), um questionário de 50 perguntas. A paciente obteve uma pontuação de 38, indicando uma alta possibilidade da presença do espectro. Ao final, foi realizado o encaminhamento para avaliação neurológica para aprofundar a investigação diagnóstica. Naterceira sessão demos continuidade aos temas anteriores, pois, Taís demonstrava maior abertura emocional e uma maior vontade para compartilhar sentimentos mais íntimos, especialmente sobre a hipótese de TEA. Ela também nos trouxe dificuldades em se expressar emocionalmente com o marido, o que impactava sua relação. O Teste Quociente do Espectro do Autismo – Adulto (AQ) 16+ anos foi reaplicado, e Taís obteve 34 pontos. Este resultado, embora não seja um diagnóstico definitivo, reforça a necessidade de uma avaliação clínica aprofundada com equipe multiprofissional para confirmação diagnóstica e planejamento de intervenções. Na Quarta sessão, Taís não compareceu, mas seu esposo foi à UBS para justificar a ausência. Na quinta e última sessão, foi realizado o encerramento do acompanhamento devido à finalização do estágio curricular, cuja duração é limitada. A paciente relatou que, até o momento, não havia conseguido realizar a consulta com o neurologista, profissional para o qual foi encaminhada com o objetivo de aprofundar a investigação diagnóstica acerca da possibilidade de Transtorno do Espectro Autista (TEA). Durante a sessão, foi ressaltada à paciente a importância de manter a abertura e o vínculo terapêutico com os próximos profissionais que darão continuidade ao seu processo psicoterapêutico. Foi pontuado que, embora o ciclo com esta profissional se encerrasse, os próximos psicólogos estarão igualmente preparados para acolhê-la e conduzir o tratamento de forma ética e cuidadosa. Foi reforçado que, caso haja confirmação do diagnóstico por parte do neurologista, o acompanhamento psicológico contínuo será essencial para o desenvolvimento de estratégias que promovam uma melhor qualidade de vida, manejo emocional e bem-estar. A paciente demonstrou certa rigidez emocional frente ao processo de despedida, contudo, acolheu as orientações e compreendeu a importância da continuidade do cuidado. 3.3 Aportes Teóricos Durante o estágio, a atuação clínica foi pautada por uma abordagem integrativa, que combinou elementos da Psicanálise, da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e da Terapia Breve. A Psicanálise nos forneceu a base para a escuta aprofundada, permitindo a compreensão de aspectos inconscientes, históricos de vida e dinâmicas relacionais que podem influenciar o sofrimento psíquico. Essa perspectiva auxiliou na identificação de padrões e conflitos que, mesmo não sendo a queixa principal, contribuem para o quadro geral do paciente. No caso de Taís, a Psicanálise nos ofertou uma melhor analise para que pudéssemos entender suas dificuldades de expressão emocional ou a dinâmica com o cônjuge. A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) foi crucial para a intervenção focada em sintomas e na mudança de padrões de pensamento e comportamento. A TCC, possui uma estrutura orientada nos objetivos e técnicas específicas (como o registro de emoções, que Taís utilizou), permitiu que pudéssemos trabalhar diretamente com as crises de ansiedade e a identificação de pensamentos disfuncionais. Sua aplicação foi evidente na busca por identificar fatores desencadeantes e na psicoeducação, capacitando o paciente a gerenciar seus sintomas de forma mais efetiva. Por fim, a Terapia Breve orientou a prática em um modelo focado na resolução de problemas e na aplicação de metas terapêuticas em um período de tempo definido. Dada a natureza do estágio, a Terapia Breve foi fundamental para otimizar os atendimentos, priorizando as queixas mais urgentes e buscando intervenções que pudessem gerar impacto significativo em poucas sessões, mesmo quando um processo mais longo se fazia necessário para o aprofundamento diagnóstico, como no caso de Taís. 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS O estágio na Unidade Básica de Saúde da Família (UBS) Jockey Clube foi uma experiência fundamental para a nossa formação como psicólogo(a). Atuar nesse contexto nos proporcionou um contato direto com a realidade da saúde pública, permitindo a compreensão das demandas da comunidade e a aplicação de conhecimentos teóricos em situações práticas e diversas. A vivência na UBS reforçou a importância do acolhimento, da escuta qualificada e da adaptação a diferentes perfis de pacientes. A oportunidade de lidar com casos variados, como o de Taís, que trouxe a complexidade da ansiedade e a hipótese diagnóstica de TEA, desafiou a nossa capacidade de avaliação, planejamento e intervenção, sempre sob uma excelente supervisão. Esse ambiente diversificado nos estimulou a desenvolver nossa flexibilidade clínica e ainda pode nos auxiliar em questões que envolvem uma percepção mais ampliada sobre a saúde mental e seus determinantes sociais. Além disso, a nossa interação com a equipe multiprofissional da UBS ampliou mais ainda nossa visão sobre a integralidade do cuidado e a importância do trabalho na rede pública. Por fim, A experiência consolidou a compreensão do papel do psicólogo na atenção primária, evidenciando a relevância da profissão na promoção da saúde, prevenção de agravos e no suporte à população. 5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BECK, Judith S. Terapia cognitivo-comportamental: teoria e prática. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2021. CARVALHO, Marcele Regine de; MALAGRIS, Lucia Emmanoel Novaes; RANGÉ, Bernard P. (Org.). Psicoeducação em terapia cognitivo-comportamental. Novo Hamburgo: Sinopsys, 2019. DE SHAZER, Steve. Em busca de soluções: uma abordagem de construção. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994. FREUD, Sigmund. Compêndio da psicanálise. Tradução de Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2017. KNAPP, Paulo; BECK, Aaron T. Fundamentos, modelos conceituais, aplicações e pesquisa da terapia cognitiva. Revista Brasileira de Psiquiatria, v. 30, supl. 2, p. s54-s64, 2008. KÜBLER-ROSS, Elisabeth. A roda da vida: memórias do viver e do morrer. Tradução de Maria Luiza Newlands Silveira. Rio de Janeiro: GMT, 1998. SAFRA, Fabio. A face avessa do espelho: sobre o lugar da escuta na psicanálise. São Paulo: Via Lettera, 2005. WALTMAN, Scott H. et al. Questionamento socrático para terapeutas: aprenda a pensar e a intervir como um terapeuta cognitivo-comportamental. Porto Alegre: Artmed, 2023. image1.jpg