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História da Arte Dadaísmo e Surrealismo Dadaísmo O Dadaísmo, ou simplesmente “Dadá”, foi um movimento artístico pertencente às vanguardas europeias do século XX, cujo lema era: "a destruição também é criação". Foi considerado o movimento propulsor das ideias surrealistas e tinha um caráter ilógico, anti-racionalista e de protesto. Isso porque, através da ironia, buscava questionar a arte e, sobretudo, seu contexto histórico, com a ocorrência da Primeira Guerra Mundial. Em 1916, os artistas e agitadores culturais Hugo Ball, Emmy Hennings, Marcel Janco, Richard Huelsenbeck, Tristan Tzara, Sophie Tauber-Arp e Jean Arp fundam o Cabaret Voltaire. O espaço foi feito com o intuito de ser um lugar para manifestações políticas e artísticas em Zurique, na Suiça. Lá, um grupo de artistas refugiados com tendências anarquistas, dentre escritores, pintores e poetas, reuniram-se para inaugurar uma nova manifestação de arte. É nesse contexto que o poeta romeno Tristan Tzara cria o movimento Dadaísta, em meados da primeira guerra mundial, junto aos artistas Hugo Ball e Hans Arp. Essa proposta de arte era irreverente e espontânea, pautada na irracionalidade, na ironia, na liberdade, no absurdo e no pessimismo. O intuito principal era de chocar a burguesia da época e criticar a arte tradicionalista, a guerra e o sistema. Foi assim que aleatoriamente foi escolhido o termo "dadaísmo". Os artistas reunidos resolveram escolher um termo num dicionário que, de certa maneira, já indicava o caráter ilógico do movimento que surgia. Do francês, o termo “dadá” significa coloquialmente "cavalo de madeira". Nesse sentido, o dadaísmo é considerado um movimento antiartístico, uma vez que questiona a arte e busca o caótico e a imperfeição. O termo antiarte, precursor do dadaísmo, foi cunhado por Marcel Duchamp por volta de 1913 para caracterizar obras que desafiam as definições aceitas de arte. "Eu redijo um manifesto e não quero nada, eu digo portanto certas coisas e sou por princípios contra manifestos (...). Eu redijo este manifesto para mostrar que é possível fazer as ações opostas simultaneamente, numa única fresca respiração; sou contra a ação pela contínua contradição, pela afirmação também, eu não sou nem pró nem contra e não explico por que odeio o bom-senso. A obra de arte não deve ser a beleza em si mesma, porque a beleza está morta." (Tristan Tzara) Podemos destacar algumas características do movimento dadaísta, a saber: Rompimento com os modelos tradicionais e clássicos; Espírito vanguardista e de protesto; Espontaneidade, improvisação e irreverência artística; Anarquismo e niilismo; Busca do caos e desordem; Teor ilógico e irracional; Caráter irônico, radical, destrutivo, agressivo e pessimista; Aversão à guerra e aos valores burgueses; Rejeição ao nacionalismo e ao materialismo; Crítica ao consumismo e ao capitalismo. Cabaret Voltaire em Zurique. Tristan Tzara (1886-1963) Tristan Tzara, nascido Samuel Rosenstock foi um poeta romeno, judeu e francês, um dos iniciadores do Dadaísmo. Em 1916, em plena Primeira Guerra Mundial (1914- 1918), um grupo de refugiados em Zurique, na Suíça, iniciou o movimento artístico e literário chamado Dadaísmo, com o intúito de chocar a burguesia. Seu pseudônimo significaria numa tradução livre "triste terra", tendo sido escolhido para protestar o tratamento dos judeus na Roménia. Após o declínio do movimento dadá, Tzara envolveu-se no surrealismo, juntou-se ao Partido Comunista e à Resistência Francesa. Tudo isto fez com que em obras como "A fuga" (1947), "O fruto permitido" (1958), "A Rosa e o Cão" (1958), esteja patente uma consciência lírica, na qual traduziu as suas preocupações sociais e testemunhou a sua ânsia de defender o homem contra todas as formas de servidão. Tristan Tzara e Jean Cocteau na performance Lampshade, fotografia de May Ray, 1924. Hugo Ball (1886-1927) Hugo Ball foi um poeta, escritor e filósofo alemão. Foi um dos principais artistas do Dadaísmo e escreveu o Manifesto Dadaísta, sendo considerado por muitos teóricos o inventor da poesia fonética. No “Café dês Westens” em Berlim, Ball juntava-se com um grupo de poetas para discutir ideias. Após o início da Primeira Grande Guerra, ele e sua mulher Emmy Hennings, emigraram para a Suíça. Ball empregou-se como pianista e Emmy Hennings como declamadora. Em Fevereiro de 1916, Hugo Ball foi o fundador do Cabaret Voltaire na Spiegelgasse em Zurique, onde conheceu vários artistas como Hans Arp, Marcel Janco e Tristan Tzara, liderando o movimento dadaísta nesta cidade até 1917. O seu objectivo era o de mostrar ao mundo que existiam pessoas com ideais diferentes dos da sociedade em geral. O filósofo e romancista protestou “contra o humilhante facto de haver uma guerra no século XX”, fazendo-o questionar-se acerca dos valores tradicionais Performance de Hugo Ball no Cabaret Voltaire em 1916. Jean Arp (1886-1966) Hans Peter Arp foi um pintor escultor e poeta alemão, naturalizado francês. Em 1915, durante a Primeira Guerra Mundial, foi viver em Zurique, em virtude de possuir nacionalidade alemã, desertando do serviço militar alemão. No ano de 1920, Arp participa numa exposição dadaístita, em Colónia, com Baargeld e Max Ernst. Conhece Breton, e colabora em diversas publicações de conteúdo vanguardista, com poemas e collages. Em 1925, Arp junta-se a um grupo de surrealistas saídos do movimento dada, e expõe em Paris. Em 1926 adquiriu a nacionalidade francesa e passou a usar o nome Jean Arp. Versátil na sua obra, a década de 1930 é dedicada a trabalhos na perspectiva da abstracção geométrica, collages e grafismos com relevo. Na década seguinte, Arp, sempre em mudança, centra o seu trabalho na escultura. A sua obra atinge a fama nas décadas de 1950 e 1960, quando expõe em Nova Iorque (1958) e Paris (1962). Jean Arp, Formas geométricas, 1914. Jean Arp, Colagem geométrica, 1916. Jean Arp, Ilustração para Tristan Tzara, 25 poemas, 1918. Jean Arp, Pássaros no aquário, 1920. Jean Arp, Frente da camisa e garfo, 1922. Jean Arp, A estrela, 1939. Jean Arp, Pastor de nuvens, 1953. Sophie Taeuber-Arp (1889-1943) Destacou-se como uma das principais figuras da arte abstrata, tendo importante participação junto ao Movimento Dada, na Suíça, e incursões pioneiras no Neoplasticismo e Construtivismo. Formada em artes pela Escola de Arte Aplicada de Hamburgo, Sophie Taeuber foi, durante pouco mais de uma década, professora na Escola de Artes e Ofícios de Zurique. Em 1915, toma parte do "Movimento Dada", junto a outros artistas, entre os quais Jean Arp, com quem se casou em 1921. A partir de 1928, passa a morar na França e, em 1930, participa da exposição internacional de "Arte Abstrata e tendências Construtivas" do Movimento Círculo e Quadrado. Ainda dentro da proposta deste grupo, George Vantongerloo e Sophie Taeuber fundam o Grupo Abstração-Criação. No período da II Guerra Mundial, refugia-se em Grasse, no sul da França, onde produz intensamente, com a colaboração de Alberto Magnelli, Jean Arp e Sônia Delaunay. Sophie Taeuber-Arp, Sem título, 1918. Sophie Taeuber-Arp, Guardas militares, 1918. Sophie Taeuber-Arp, Cabeça, 1920. Sophie Taeuber-Arp, Cabeça dadá, 1920. Sophie Taeuber-Arp, Composição dadá, 1920. Sophie Taeuber-Arp e Erika Taeuber, Vestimentas de performance, 1925. Francis Picabia (1879-1953) Francis PIcabia foi um pintor e poeta francês. Estudou em sua cidade natal, Paris, na École des Beaux-Arts e na École des Arts Décoratifs. Recebeu uma forte influência do impressionismo e do fauvismo, em especial de la obra de Picasso e Sisley. De 1909 a 1911 esteve vinculado ao cubismo e foi membro do grupo "Puteaux", onde conheceu os irmãos Marcel Duchamp, Jacques Villon, Suzanne Duchamp e Raymond Duchamp-Villon. Em 1913 viajou aos Estados Unidos, onde entrou em contato com o fotógrafo Alfred Stieglitz e o grupo dadá estadunidense. Em Barcelona, publicou o primeiro número de sua revista dadaísta"391" (1916) contando com colaboradores como Apollinaire, Tristan Tzara, Man Ray e Arp. Após passar um período na Costa Azul com uma forte presença surrealista, regressa a Paris e cria com André Breton a revista "491". Francis Picabia, Love Parade, 1917. Francis Picabia, Máquina gira rápido, 1917. Francis Picabia, Optophone I, 1922. Francis Picabia, Noite espanhola, 1922. Francis Picabia, Noite espanhola, 1922. Marcel Duchamp (1887-1968) Marcel Duchamp foi um pintor, escultor e poeta francês, cidadão dos Estados Unidos a partir de 1955, e inventor dos ready made. Duchamp é um dos precursores da arte conceitual e introduziu a ideia de ready made como objeto de arte. Irmão de Jacques Villon, de Suzanne Duchamp e Raymond Duchamp-Villon, estes também artistas que gozaram de reputação no cenário artístico europeu, Marcel Duchamp começou sua carreira como artista criando pinturas de inspiração romantista, expressionista e cubista. É, no entanto, como escultor que Duchamp vai atingir grande fama. Tendo se mudado para Nova York e largado a Europa numa espécie de estagnação criativa, Duchamp encontra na América um solo fértil para sua arte dadaísta. Duchamp foi o responsável pelo conceito de ready made, que é o transporte de um elemento da vida cotidiana, a princípio não reconhecido como artístico, para o campo das artes. A princípio como uma brincadeira entre seus amigos, entre os quais Francis Picabia e Henri-Pierre Roché, Duchamp passou a incorporar material de uso comum nas suas esculturas. Em vez de trabalhá-los artisticamente, ele simplesmente os considerava prontos e os exibia como obras de arte. A Fonte, obra que fez repercutir o nome de Duchamp ao redor do mundo, especialmente depois de sua morte, está baseada nesse conceito de ready made: pensada inicialmente por Duchamp, que enviou-a com a assinatura "R. Mutt" - fábrica que produziu o urinol, lida ao lado da peça, para figurar entre as obras a serem julgadas para um concurso de arte promovido nos Estados Unidos. A escultura foi rejeitada pelo júri, uma vez que, na avaliação deste, não havia nela nenhum sinal de labor artístico. Com efeito, trata-se de um urinol comum, branco e esmaltado, comprado numa loja de construção e assim mesmo enviado ao júri. A sua obra está vinculada, de algum modo, ao seu modo de vida boêmio, propiciado pelo convívio com pessoas influentes e poderosas no meio artístico norte-americano. Num de seus acessos de iconoclastia, Duchamp lançou na cena artística nova-iorquina a figura de Madame Rrose Sélavy (cujo nome se assemelha à expressão francesa Eros, c'est la vie, "é a vida", ou arrose, c’est la vie), um artista dotado de uma ironia profunda, bem como de uma paixão por trocadilhos (evidentemente, aspectos oriundos da personalidade do próprio Duchamp). Rrose Sélavy também assinou uma parte dos ready made, podendo ela mesma ser considerada um ready made duchampiano, na medida em que era uma espécie de transfiguração artística de uma personalidade real do artista. Duchamp era, ainda, entusiasta do xadrez, tendo se filiado a vários clubes e participado com relativo êxito de torneios mundo afora. Pode-se dizer que uma parte da sua vida foi consagrada ao estudo desse jogo. Além disso, dedicou-se ao estudo da "quarta dimensão", o que, de alguma forma, orientou a sua criatividade artística para problemas óticos. Os rotoreliefs, discos coloridos que quando girados com extrema rapidez produziam efeitos óticos, foram mais uma de suas tentativas de se aproximar das pesquisas que fazia. O estudo do olhar sobre a arte interessou muito a Duchamp, que se opunha àquilo que ele próprio dizia ser a "arte retiniana", ou seja, uma arte que agrada à vista. Pode-se, de certo modo, compreender toda a arte de Duchamp como um esforço para se afastar da "arte retiniana" e passar para uma arte mais "cerebral", em que se ressaltam os aspectos mais intelectuais do labor artístico. Dessa forma, os ready made são uma tentativa de escapar da "arte retiniana", uma vez que confrontam o público, oferecendo-lhe algo que ele próprio já viu algures, forçando-o a pensar e refletir sobre a questão da arte enquanto linguagem. Marcel Duchamp, Nu descendo a escada II, 1912. Marcel Duchamp, Roda de bicicleta, 1913. Marcel Duchamp, Porta-garrafas, 1914. Marcel Duchamp, Antecipação do braço quebrado, 1915. Marcel Duchamp, Fonte, 1917. Marcel Duchamp, 50 cc do ar de Paris, 1919. Marcel Duchamp, L.H.O.O.Q., Mona Lisa com bigode, 1919. Marcel Duchamp, Hemisfério rotativo, 1925. Marcel Duchamp, Madame Rrose Sélavy, fotografias de Man Ray, 1920-1921. Rrose Sélavy, Belle Haleine, Eau de voilette, 1921. Marcel Duchamp, A noiva despida pelos seus celibatários, O grande vidro, 1915-1923. Marcel Duchamp, Étant donnés, 1945-1966. Surrealismo O surrealismo foi uma das vanguardas artísticas europeias que surgiu em Paris no início do século XX. Esse movimento originou-se em reação ao racionalismo e ao materialismo da sociedade ocidental. A arte surrealista não se restringiu à pintura, de modo que também influenciou outras manifestações artísticas: a escultura, a literatura, o teatro e o cinema. Na Europa, o período entre as duas guerras (1918-1939) ficou conhecido como "os anos loucos". Assim, a incerteza sobre a predominância da paz levou ao desejo de "viver apenas o presente". Foi nesse período de insatisfação, desequilíbrio e contradições, que surgiram diversos movimentos artísticos voltados para uma nova interpretação e expressão da realidade. Esses movimentos ficaram conhecidos como "vanguardas europeias". O Surrealismo foi uma dessas correntes e teve como precedente indispensável o Dadaísmo e a pintura metafísica de Giorgio de Chirico (1888-1978). André Breton, escritor francês e ex-participante do Dadaísmo, rompeu com o líder do movimento dadaísta Tristan Tzara. Com isso, lançou em Paris, em 1924, o Manifesto Surrealista, que trouxe para o mundo um novo modo de encarar a arte. Segundo ele, o termo consiste em: “SURREALISMO, s.m. Automatismo psíquico puro pelo qual se propõe exprimir, seja verbalmente, seja por escrito, seja de qualquer outra maneira, o funcionamento real do pensamento. Ditado do pensamento, na ausência de todo controle exercido pela razão, fora de toda preocupação estética ou moral.” (André Breton) No manifesto, os princípios surrealistas são apresentados, entre eles a isenção da lógica e a adoração de uma realidade superior, chamada "maravilhosa". Nesse mesmo ano, circula o primeiro número da revista A Revolução Surrealista, que reunia todos os meios de expressão artística, com exclusão da música. O surrealismo propõe a valorização da fantasia, da loucura e a utilização da reação automática. Nessa perspectiva, o artista deve deixar-se levar pelo impulso, registrando tudo o que lhe vier à mente, sem se preocupar com a lógica. Os artistas surrealistas tinham como objetivo usar o potencial do subconsciente e dos sonhos como fonte para a criação de imagens fantásticas. Assim, as artes plásticas e a literatura eram vistas como um meio de expressar a fusão dos sonhos e da realidade em um tipo de realidade absoluta, uma "surrealidade". Na mesma época, o estudo da psicanálise estava em desenvolvimento - sobretudo por Sigmund Freud - o que veio a influenciar significativamente o surrealismo. Na pintura, o Surrealismo tomou duas direções: a pintura surrealista figurativa e a abstrata. Em ambas, adaptou as técnicas de escrita automática dos poetas surrealistas. O intuito era liberar a mente do controle consciente e produzir um fluxo de ideias do subconsciente. Essas obras eram abstratas ou figurativas. Em outra perspectiva, o surrealismo baseou-se em reconstruções elaboradas e meticulosas de um mundo de sonho, onde objetos eram colocados em uma justaposição inesperada. De forma simplificada, podemos listar as seguintes características dessa vertente artística: pensamento livre; expressividade espontânea; influência dasteorias da psicanálise; criação de uma "realidade paralela"; criação de cenas irreais; valorização do inconsciente. Grupo de artistas surrealistas nos anos 30: da esquerda para a direita: Tristan Tzara, Paul Éluard, André Breton, Hans Arp, Salvador Dali, Yves Tanguy, Max Ernst, René Crevel e Man Ray Man Ray (1890-1976) Man Ray nascido Emanuel Radnitzky foi um pintor, fotógrafo e cineasta norte-americano, importante figura do dadaísmo em Nova York e, depois, do surrealismo em Paris. Foi um dos nomes mais importantes do movimento da década de 1920, responsável por inovações artísticas na fotografia. Muda-se na infância para Nova Iorque. Estudante de arquitectura, engenharia e artes plásticas, inicia-se na pintura ainda jovem. Em 1915 conhece o pintor francês Marcel Duchamp, com quem funda o grupo dadá nova-iorquino. Em 1921 contacta com o movimento surrealista na pintura. Trabalha como fotógrafo para financiar a pintura e, com a nova atividade, desenvolve a sua arte, a "raiografia", ou fotograma, criando imagens abstratas (obtidas sem o auxílio da câmara) mas com a exposição à luz de objetos previamente dispersos sobre o papel fotográfico. Como cineasta, produz filmes surrealistas, como L'Étoile de Mer (1928), com o auxílio de uma técnica chamada solarização, pela qual inverte parcialmente os tons da fotografia. Muda-se para a Califórnia em 1940, para explorar as possibilidades expressivas da fotografia. Aí dá aulas sobre o tema. Seis anos depois, retorna a França. Em 1963 publica a autobiografia Auto-Retrato. Man Ray, O presente, 1921. Man Ray, Objeto indestrutível, 1923. Man Ray, O violino de Ingres, 1924. Man Ray, Preto e Branco, 1926. Man Ray, Solarização, 1931. Man Ray, Lágrimas de vidro, 1932. Man Ray, Auto-retrato com arma, 1932. Man Ray, A hora do observatório: Os amantes, 1936. Man Ray, Dora Maar, 1936. Marx Ernst (1891-1976) Marx Ernst foi um pintor alemão, naturalizado norte-americano e depois francês. Também praticou a poesia entre os surrealistas, movimento do qual fez parte. Em 1914 Ernst veio a conhecer o surrealismo através de um grande pintor surrealista, Jean Arp, pelo qual manteve a amizade pela vida inteira. Em 1916 Ernst foi convocado pelo serviço militar alemão para lutar na Primeira Guerra Mundial. O conflito armado teve forte influência na formação de Ernst como artista. Após a guerra Ernst foi morar em Colônia com Jean Arp e Johannes Baargeld, vindo a fundar o Grupo Dada de Colônia. Este grupo artístico estava interessado no estranhamento da experiência perceptiva. Ernst Fez uma exibição em 1920 em Colonia, mas foi fechada pela polícia, alegando que a exposição era obscena demais. Ernst acabou se mudando para Paris em 1922, onde veio a se juntar com o grupo surrealista. Era amigo de Gala e Paul Éluard, André Breton e Tristan Tzara. Ernst viveu em Nova York entre 1941 a 1945, em 1942 conheceu a pintora surrealista Dorothea Tanning. Em 1946 se casou com ela no Arizona. Em 1958 voltou a morar em França até sua morte. Marx Ernst, Figuras ambíguas, 1919. Marx Ernst, Fruto de uma longa experiência, 1919. Marx Ernst, Plêiades, 1920. Marx Ernst, O rouxinol chinês, 1920. Marx Ernst, O elefante celebridade, 1921. Marx Ernst, Édipo Rex, 1922. Marx Ernst, O cavalo carteiro, 1932. Giorgio de Chirico (1888-1978) Giorgio de Chirico foi um pintor italiano. Fez parte do movimento chamado pintura metafísica, considerado um precursor do surrealismo. Após estudar na Grécia e em Munique instalou-se em Paris, onde estabelece fortes relações de amizade com Apollinaire. No início dos anos 20, a sua obra obtém um êxito considerável nos meios vanguardistas e, em 1925, participa na primeira exposição surrealista. A pintura metafílistica de Giorgio de Chirico antecipa elementos que depois aparecem na pintura surrealista: padrões arquitectónicos, grandes espaços nus, manequins anónimos e ambientes oníricos. Do dadaísmo, os pintores surrealistas e, com eles, De Chirico, herdam directamente as atitudes destrutivas e niilistas. O que o próprio artista qualifica de «pintura metafísica» corresponde à necessidade de sonho, de mistério e de erotismo própria do surrealismo. E assim, desde que este movimento vê a luz, a obra de De Chirico conhece um êxito considerável. Giorgio de Chirico, Heitor e Andrômeda, 1912. Giorgio de Chirico, A incerteza do poeta, 1913. Giorgio de Chirico, Canção de amor, 1914. Giorgio de Chirico, O profeta, 1915. Giorgio de Chirico, O grande metafísico, 1918. Giorgio de Chirico, As musas inquietas, 1918. Giorgio de Chirico, As duas máscaras, 1926. Giorgio de Chirico, Um trovador, 1950. Joan Miró (1893-1983) Joan Miró foi um escultor, pintor, gravurista e ceramista surrealista espanhol. No início da década de 1920, conheceu o fundador do movimento surrealista André Breton entre outros artistas. A pintura O Carnaval de Arlequim, 1924-25, e Maternidade, 1924, inauguraram uma linguagem cujos símbolos remetem a uma fantasia, sem as profundezas das questões psicanalistas surrealistas. Participou na primeira exposição surrealista em 1925. No fim da sua vida reduziu os elementos de sua linguagem artística a pontos, linhas, alguns símbolos e reduziu a cor, passando a usar basicamente o branco e o preto. Algumas obras revelam grande espontaneidade, enquanto em outras se percebe a técnica feita com muito cuidado, e esse contraste também aparece em suas esculturas. Miró tornou-se mundialmente famoso e expôs seus trabalhos, inclusive ilustrações feitas para livros, em vários países. Miró atribuía, para cada elemento da realidade um símbolo, uma “tradução poética”, um signo que se repete em cada um de seus quadros. O signo é muito mais metáfora do que imagem. Esses signos eram inseridos dentro de um vazio, e essa combinação entre vazio e signos é o que define esteticamente a obra de Joan Miró. Em 1954, ganhou o prêmio de gravura da Bienal de Veneza e, quatro anos mais tarde, o mural que realizou para o edifício da UNESCO em Paris[1] ganhou o Prêmio Internacional da Fundação Guggenheim. Em 1963, o Museu Nacional de Arte Moderna de Paris realizou uma exposição de toda a sua obra. Em 1978 recebeu a Medalha de Ouro da Generalidade da Catalunha e o Prêmio Antonio Feltrinelli. Joan Miró, O campo cultivado, 1923. Joan Miró, Paisagem catalã (O caçador), 1924. Joan Miró, Dançarina, 1925. Joan Miró, Pessoa jogando uma pedra em um pássaro, 1926. Joan Miró, Pintura, 1933. Joan Miró, Figura à noite guiada pelos rastros fosforescentes de caracóis, 1940. Joan Miró, Números e constelações em amor com uma mulher, 1941. Joan Miró, Constelação despertando ao amanhecer, 1941. Joan Miró, Mulheres e pássaros ao nascer do sol, 1946. Joan Miró, Figuras e cachorro em frente ao sol, 1949. Joan Miró, Azul II, 1961. Joan Miró, O ouro de Atzur, 1967. Joan Miró, A lua verde, 1972. René Magritte (1889-1967) René Magritte foi um dos principais artistas surrealistas belgas. René Magritte praticava tanto o surrealismo realista, como o realismo mágico. Começou a imitar a vanguarda, mas precisava realmente de uma linguagem mais poética e viu-se influenciado pela pintura metafísica de Giorgio de Chirico. Em 1916, ingressou na Academia Real de Belas-Artes, em Bruxelas, onde estudou por dois anos. Trabalhou em uma fábrica de papel de Parede, e foi designer de cartazes e anúncios até 1926. Mudou-se para Paris em 1927, onde começou a envolver-se nas atividades do grupo surrealista, tornando-se grande amigo dos poetas André Breton e Paul Éluard e do pintor Marcel Duchamp. Magritte tinha espírito travesso, e, em A queda, os seus bizarros homens de chapéu-coco despencam do céu absolutamente serenos, expressando algo da vida como conhecemos. A sua arte, pintada com tal nitidez que parece muitíssimo realista, caracteriza o amor surrealista aos paradoxos visuais: embora as coisaspossam dar a impressão de serem normais, existem anomalias por toda a parte: A Queda tem uma estranha exatidão, e o surrealismo atrai justamente porque explora a nossa compreensão oculta da esquisitice terrena. René Magritte, A difícil travessia, 1926. René Magritte, Tentando o impossível, 1928. René Magritte, O espelho falso, 1928. René Magritte, Os amantes, 1928. René Magritte, A Traição das Imagens (Isto não é um cachimbo), 1929. René Magritte, A eterna evidência, 1930. René Magritte, Estupro, 1934. René Magritte, Reprodução proibida, 1937. René Magritte, O liberador, 1947. René Magritte, Golconda, 1953. Salvador Dali (1904-1989) Salvador Dali foi um importante pintor espanhol, conhecido pelo seu trabalho surrealista. O trabalho de Dalí chama a atenção pela incrível combinação de imagens bizarras, oníricas, com excelente qualidade plástica. Dalí foi influenciado pelos mestres do classicismo. Salvador Dalí teve também trabalhos artísticos no cinema, escultura, e fotografia. Colaborou com a Walt Disney no curta de animação Destino, que foi Lançado postumamente em 2003 e, ao lado de Alfred Hitchcock, no filme Spellbound. Também foi autor de poemas dentro da mesma linha surrealista. Tinha uma reconhecida tendência a atitudes e realizações extravagantes destinadas a chamar a atenção, o que por vezes aborrecia aqueles que apreciavam a sua arte, ao mesmo tempo que incomodava os seus críticos, já que sua forma de estar teatral e excêntrica tendia a eclipsar o seu trabalho artístico. Em outubro de 1921, Dalí foi viver para Madrid, onde estudou na Academia de Artes de San Fernando. Dalí foi expulso da Academia em 1926, pouco tempo depois dos exames finais, em que declarou que ninguém na Academia era suficientemente competente para o avaliar. Em 1924 fez a sua primeira viagem a Paris, onde se encontrou com Pablo Picasso, que era admirado pelo jovem Dalí. Nos anos seguintes, Dali realizou uma série de trabalhos fortemente influenciados por Picasso e Miró, enquanto ia desenvolvendo o seu estilo próprio. Juntou-se oficialmente ao grupo surrealista no bairro parisiense de Montparnasse (embora o seu trabalho já estivesse a ser influenciado há dois anos pelo surrealismo). A política desempenhou um papel significativo na sua emergência como um artista. Ele foi por vezes retratado como um apoiante do autoritário Francisco Franco. André Breton, líder do movimento surrealista, fez um grande esforço para dissociar o seu nome do surrealismo. Salvador Dali, Um cão andaluz, 1928. Salvador Dali, O enigma do meu desejo, ou Minha mãe, Minha mãe, Minha mãe, 1929. Salvador Dali, Mulher-Cavalo Paranóica (Mulher Adormecida Invisível, Leão, Cavalo), 1930. Salvador Dali, Objeto escatológico funcionando simbolicamente (o sapato surrealista), 1931. Salvador Dali, A Persistência da Memória, 1931. Salvador Dali, Ovos no prato sem o plano, 1932. Salvador Dali, Fonte necrófila fluindo de um piano de cauda, 1933. Salvador Dali, Face de Mae West que pode ser usada como apartamento surrealista, 1935. Salvador Dali, Telefone de lagosta, 1936. Salvador Dali, Venus de Milo com gavetas, 1936. Hans Bellmer (1902-1975) Hans Bellmer foi um artista alemão, mais conhecido pelas bonecas púberes em tamanho real que produziu em meados da década de 1930. Historiadores da arte e da fotografia também o consideram um fotógrafo surrealista. Bellmer estudou em Berlim com George Grosz e estabeleceu-se como designer gráfico e pintor. Em 1935, sua obra foi considerada "degenerada" pelos nazistas. O artista fugiu então para Paris, onde se juntou ao grupo de Jean Arp, Max Ernst, Marcel Duchamp e Man Ray. Passou a ser conhecido como um dos principais fotógrafos surrealistas. Fez ainda desenhos eróticos e gravuras, geralmente associadas ao mundo onírico e ao inconsciente. Depois da Segunda Guerra Mundial, viveu uma vida de pobreza e de relativo isolamento. Em 1957, realizou uma série de retratos de artistas e escritores como Wilfredo Lam, Albert Camus, Jehan Mayoux, Gaston Bachelard e Jean Arp. Foi ainda o autor das ilustrações da segunda edição de A História do Olho, de Georges Bataille. Sua obra é encontrada em museus de arte moderna em todo o mundo. Hans Bellmer, A boneca, 1934. Hans Bellmer, A boneca, 1934. Hans Bellmer, A boneca, 1936. Hans Bellmer, A boneca, 1936. Hans Bellmer, A boneca, 1936. Hans Bellmer, A boneca, 1938. Hans Bellmer, A boneca, 1938. Hans Bellmer, A boneca, 1938. Alberto Giacometti (1901-1966) Alberto Giacometti foi um artista plástico suíço que se distinguiu pelas suas esculturas e pinturas surrealistas inicialmente e expressionistas posteriormente. Inicia a sua formação em Genebra, deslocando-se em 1923 para Paris, onde estuda com Antoine Bourdelle. Nessa época conheceu alguns dos principais pintores dadaístas, cubistas e surrealistas que influenciaram o seu início de carreira. Adere ao movimento surrealista entre 1930 e 1934, período em que produziu algumas obras fundamentais para a caracterização da escultura surrealista. Nos trabalhos realizados depois da Segunda Guerra Mundial, onde a figura humana protagoniza as suas pesquisas plásticas, Giacometti recupera a capacidade expressiva da imagem e do objecto, acompanhando a tendência neo-figurativa que, nestes anos, marca o percurso criativo de vários artistas plásticos. Esta representação do corpo humano marca o período mais original de Giacometti. A recorrência dos temas e das soluções plásticas adoptadas resulta de um posicionamento teórico identificado com a filosofia existencialista, como o testemunha a amizade entre Giacometti e Jean-Paul Sartre.[2] O existencialismo na obra de Giacometti traduz-se numa essencialidade e numa repetição dos meios expressivos e dos gestos formais, que imprimem à figura humana uma significação fundamental: uma linha vertical confrontando com a horizontalidade do mundo. A deformação dramática das proporções, o alongamento das formas e a manipulação da superfície e da textura acentuam a materialidade dos objectos e a capacidade expressiva e poética da obra de arte. Alberto Giacometti, Jaula, 1931. Alberto Giacometti, Mesa surrealista, 1933. Alberto Giacometti, Mulher com a garganta cortada, 1932-1940. Alberto Giacometti, O homem andando I, 1941. Alberto Giacometti, A mão, 1947. Alberto Giacometti, Nariz, 1949-1964. Alberto Giacometti, O cão, 1951-1957. Frida Kahlo (1907-1954) Frida Kahlo foi uma pintora mexicana conhecida pelos seus muitos retratos, autorretratos, e obras inspiradas na natureza e artefactos do México. Inspirada pela cultura popular do país, empregou um estilo de arte popular naïf para explorar questões de identidade, pós-colonialismo, género, classe, e raça na sociedade mexicana. As suas pinturas tinham frequentemente fortes elementos autobiográficos e misturavam realismo com fantasia. Para além de pertencer ao movimento Mexicayotl pós-revolucionário, que procurava definir uma identidade mexicana, Kahlo é descrita como uma surrealista ou realista mágica. Ela é conhecida por pintar sobre a sua experiência de dor crónica. Nascida de pai alemão e mãe mestiça, Kahlo passou a maior parte da sua infância e vida adulta na La Casa Azul, a sua casa de família em Coyoacán. Embora tenha sido incapacitada pela poliomielite quando criança, Kahlo foi uma estudante promissora, rumo à escola de medicina, até sofrer um acidente de autocarro aos dezoito anos, o que lhe causou dores e problemas médicos para toda a vida. Durante a sua recuperação, ela voltou ao seu interesse de infância pela arte com a ideia de se tornar artista. Os interesses de Kahlo na política e na arte levaram-na a aderir ao Partido Comunista Mexicano em 1927, através do qual conheceu o seu colega artista mexicano Diego Rivera. O casal casou em 1929, e passou o final dos anos vinte e início dos anos trinta a viajar juntos no México e nosEstados Unidos. Durante este período, ela desenvolveu o seu estilo artístico, inspirando-se principalmente na cultura popular mexicana, e pintou sobretudo pequenos autorretratos que misturam elementos de crenças pré-colombianas e católicas. As suas pinturas suscitaram o interesse do artista surrealista André Breton, que organizou a primeira exposição individual de Kahlo na Julien Levy Gallery em Nova Iorque em 1938; a exposição foi um sucesso, e foi seguida por outra em Paris em 1939. A sempre frágil saúde de Kahlo começou a agravar-se na mesma década. Realizou a sua primeira exposição individual no México em 1953, pouco antes da sua morte, em 1954, com 47 anos. O trabalho de Frida Kahlo como artista permaneceu relativamente desconhecido até finais dos anos 70, quando o seu trabalho foi redescoberto por historiadores de arte e ativistas políticos. No início dos anos 90, ela tinha-se tornado não só uma figura reconhecida na história da arte, mas também considerada como um ícone para o Movimento Chicano, o movimento feminista e o movimento LGBT. O trabalho de Kahlo tem sido celebrado internacionalmente como emblemático das tradições nacionais e indígenas mexicanas e por feministas pelo que é visto como a sua representação intransigente da experiência e forma feminina. Frida Kahlo, Frieda e Diego, 1931. Frida Kahlo, Hospital Henry Ford (a cama voadora), 1932. Frida Kahlo, Autorretrato ao longo da fronteira entre o México e os Estados Unidos, 1932. Frida Kahlo, Fulang-Chang e eu, 1937. Frida Kahlo, Minha babá e eu, 1937. Frida Kahlo, Memória (O coração), 1937. Frida Kahlo, O que a água me deu, 1938. Frida Kahlo, As duas Fridas, 1939. Frida Kahlo, Autorretrato com cabelo cortado, 1940. Frida Kahlo, Autorretrato com colar de espinhos, 1940. Frida Kahlo, O sonho (A cama), 1940. Frida Kahlo, Raízes, 1943. Frida Kahlo, Autorretrato como Tehuana, 1943. Frida Kahlo, A coluna quebrada, 1944. Frida Kahlo, Sem esperança, 1945. Frida Kahlo, Árvore da esperança, Mantenha firme, 1946. Frida Kahlo, O veado ferido, 1946. Meret Oppenheim (1913-1985) Meret Oppenheim foi uma artista plástica e fotógrafa suíça associada ao movimento surrealista. Aos 16 anos começou a estudar pintura e com 19 anos mudou-se para Paris para continuar seus estudos na Académie de la Grande Chaumière. Nesta cidade, conheceu Alberto Giacometti e Jean Arp, que a convidou para participar da exposição surrealista do Salon des surindépendants, onde conheceu André Breton, Max Ernst e Man Ray. Para este último, ela representou como modelo para várias das suas fotografias de nus mais conhecidas. Em 1936, ela fez o seu trabalho mais conhecido: "Le dejeuner en fourrure", um conjunto de xícara e pires de chá revestidos por pele de gazela; que se tornou um dos objetos mais conhecidos do surrealismo e foi comprado pelo Museu de Arte Moderna em Nova York. A partir dos anos oitenta, ela começou a publicar escritos e, em 1981, editou Sansibar, que é uma coleção de poemas. Após sua morte por um ataque cardíaco, em 1985, realizaram-se várias exposições coletivas e retrospectivas de seu trabalho, mas o maior tributo é o Prêmio Meret Oppenheim, concedido anualmente pelo "Escritório Suíço da Cultura" » para artistas com mais de mais de quarenta anos. Meret Oppenheim, Luvas de pele com dedos de madeira, 1936. Meret Oppenheim, Minha babá, 1936. Meret Oppenheim, Objeto (Almoço em pele), 1936. Meret Oppenheim, O casal, 1956. Meret Oppenheim, Esquilo, 1959. Meret Oppenheim, Par de luvas, 1985. image7.jpg image13.jpg image1.jpg image28.jpg image17.jpg image18.jpg image25.jpg image11.jpg image10.jpg image40.jpg image16.jpg image32.jpg image20.jpg image29.jpg image23.jpg image3.jpg image2.jpg image4.jpg image24.jpg image5.jpg image9.jpg image6.jpg image36.jpg image8.jpg image35.jpg image12.jpg image27.jpg image14.jpg image21.jpg image42.jpg image15.jpg image26.jpg image38.jpg image19.jpg image22.jpg image39.jpg image34.jpg image33.jpg image37.jpg image43.jpg image31.jpg image30.jpg image52.jpg image41.jpg image51.jpg image55.jpg image49.jpg image48.jpg image47.jpg image44.jpg image61.jpg image50.jpg image53.jpg image45.jpg image46.jpg image57.jpg image63.jpg image54.jpg image56.jpg image64.jpg image59.jpg image62.jpg image58.jpg image60.jpg image69.jpg image79.jpg image67.jpg image65.jpg image81.jpg image66.jpg image78.jpg image72.jpg image70.jpg image71.jpg image86.jpg image68.jpg image73.jpg image83.jpg image87.jpg image75.jpg image76.jpg image85.jpg image74.jpg image84.jpg image89.jpg image120.jpg image88.jpg image77.jpg image80.jpg image117.jpg image82.jpg image90.jpg image97.jpg image94.jpg image108.jpg image123.jpg image107.jpg image121.jpg image114.jpg image92.jpg image127.jpg image126.jpg image93.jpg image101.jpg image116.jpg image125.jpg image122.jpg image131.jpg image91.jpg image95.jpg image96.jpg image99.jpg image102.jpg image98.jpg image100.jpg image104.jpg image103.jpg image110.jpg image106.jpg image105.jpg image109.jpg image111.jpg image113.jpg image112.jpg image118.jpg image115.jpg image124.jpg image119.jpg image129.jpg image130.jpg image128.jpg