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ANÁLISE DE SOLO E CALAGEM Para o crescimento e formação de seus tecidos, os vegetais necessitam da contribuição de vários elementos químicos, chamados essenciais. São eles: carbono (C), oxigênio (O), hidrogênio (H), nitrogênio (N), fósforo (P), potássio (K), enxofre (S), cálcio (Ca), magnésio (Mg), boro (B), zinco (Zn), cobre (Cu), manganês (Mn), molibdênio (Mb), ferro (Fe) e cloro (Cl). O carbono e o oxigênio são obtidos diretamente do ar, através dos processos fotossintéticos realizados pelos tecidos verdes do vegetal, com a contribuição da luz solar. O hidrogênio é obtido da água, assim como parte do oxigênio. Os demais elementos são extraídos diretamente do solo. O nitrogênio pode também ser obtido diretamente do ar, mas apenas pelas leguminosas, através do processo chamado de fixação biológica realizada pelos Rhizobium. Carbono, oxigênio e hidrogênio constituem cerca de 95% do peso das plantas e os elementos restantes cerca de 5%. Assim, o solo não é apenas um sustentáculo físico para suporte das plantas, mas um corpo dinâmico e atuante no seu desenvolvimento, através de fornecimento daqueles elementos restantes. Dos elementos que as plantas extraem do solo, o nitrogênio, fósforo, potássio, enxofre, cálcio e magnésio são chamados macronutrientes, por serem absorvidos em quantidades maiores que os demais. Os outros, por serem absorvidos em quantidades menores são chamados micronutrientes, porém não são menos importantes, pois sua ausência limita ou até paralisa o crescimento das plantas. O solo, porém, não é uma fonte inesgotável destes elementos, sendo também variável a quantidade de cada um, bem como existem nutrientes que se esgotam mais rapidamente do que outros, seja por efeito da lixiviação, maior absorção, etc. É essencial que exista um equilíbrio harmônico entre os vários elementos do solo para uma perfeita nutrição e desenvolvimento máximo das plantas. Daí a importância da adubação, que é a devolução ao solo daquilo que dele foi retirado. Para se ter noção da importância da nutrição mineral para as plantas, pode-se fazer uma analogia entre o pasto e um automóvel: o nitrogênio seria o combustível, o fósforo a bateria (extremamente importante para o estabelecimento inicial ou na reforma do pasto, mas menos importante no pasto já estabelecido), cálcio e magnésio (da calagem) seriam os pneus e as câmaras de ar, o potássio seria o lubrificante, o enxofre seria o distribuidor e o zinco, o platinado. Durante muito tempo se acreditou que a adubação de uma pastagem era inútil pois "o capim cresce sozinho", porém o que se obteve com esta mentalidade foram pastos de baixa produção e qualidade (já que as melhores forrageiras são também as mais exigentes) e, consequentemente, baixa produtividade dos animais. Felizmente os produtores já estão conscientes da necessidade de se corrigir a acidez e fertilidade do solo; atualmente, as quantidades utilizadas no país de calcário e fertilizante já são significativas, embora ainda se utilize quantidades muito menores do que o recomendável. Estas práticas são as que mais contribuem para o aumento da produtividade da atividade, além de ajudar a proteger o meio ambiente, pelo crescimento mais rápido das plantas e pelos restos que estas deixam. Entretanto, as despesas com estas práticas podem chegar a aproximadamente 20% do custo de produção, sendo a análise do solo o principal meio que se dispõe para a recomendação correta e econômica da calagem e adubação, maximizando a eficiência e minimizando as perdas. 1. Conhecimento do solo da propriedade: Inicialmente, deve-se conhecer e anotar os tipos de solo da propriedade. Para tanto, basta observar os seguintes aspectos: a.) Cor: Verificar se a terra é vermelha, amarela, preta, cinza ou de outras cores. b.) Topografia: Verificar se a área se localiza na baixada, na encosta ou no alto do morro. c.) Vegetação: Observar a cobertura vegetal original, ou seja, verificar se é de mata, de cerrado, de campo ou de outros tipos de vegetação. d.) Manejo: Observar se a área já foi cultivada, adubada e se recebeu calcário. e.) Peculiaridades: Identificar, se for o caso, aquelas áreas que, por algum motivo, se comportam de forma diferente das demais. Por exemplo: áreas que sempre produziram mais, ou mesmo aquelas que apresentaram baixa produção. 2. Localização da área a ser plantada: Deve-se marcar o local que será cultivado dentro da propriedade. 3. Local da retirada da amostra do solo: De cada tipo de terra encontrada no local demarcado, e que será cultivada, recomenda- se retirar de diferentes lugares, no mínimo 5 sub-amostras de solo para formar uma amostra composta. Cada amostra composta deve ser representativa de uma área de aproximadamente 10 ha. Porém, em grandes áreas é difícil respeitar esse limite. Nesse caso, identificar 10 ha dentro da área maior, que sejam representativos do total da gleba e proceder à retirada de amostra. É importante ir retirando as amostras em zigue-zague. Não retirar amostras perto de cupinzeiros, formigueiros, estrada, cerca, casa, galpão, depósito, chiqueiro, curral e no sulco de plantio. 4. Material necessário para retirar a amostra do solo: O material a ser utilizado se compõe de enxadão, trado, balde, facão e sacos plásticos que devem ser limpos. Nunca utilize embalagem de defensivos, adubos, sal e remédios. 5. Procedimentos para retirar as amostras: a) Com o enxadão, retire o capim, pedras, folhas secas e galhos do lugar escolhido, deixando o local limpo. b) Com o auxílio do enxadão, cave um buraco em forma de cunha, com um palmo de profundidade. Retire toda a terra solta de dentro do buraco e ponha de lado. Essa terra NÃO serve para análise. c) Com o enxadão ou uma pá reta, corte em uma das paredes do buraco, uma fatia de terra com dois dedos de espessura. Esta fatia deve ser retirada de toda a extensão da parede, ou seja, da superfície até o fundo do buraco. d) Com o facão e ainda com a terra no enxadão, corte a fatia em três partes, desprezando as laterais e guardando a parte do meio (± 500g) dentro de um balde limpo. A amostra também pode ser retirada com o trado: Para conhecê-la basta enterrar o trado a 20 – 25 cm de profundidade e depois puxar. Profundidades maiores também podem ser analisadas, desde que se separe uma da outra, pois são de horizontes diferentes (uma representa o solo, a outra o subsolo). A terra que sai no trado é colocada no balde e representa uma sub-amostra. e) Repita essa operação, em zigue-zague, em ± 15 lugares diferentes e que contenham o mesmo tipo de terra. Coloque todas as sub-amostras no balde e misture bem. f) Após a terra estar bem misturada no balde, retirar a quantidade suficiente para encher o saco plástico (± 500g) - (Não envie a terra molhada, deixe-a aberta para secar antes de ensacar). g) Após o enchimento do saco plástico, amarre bem a boca. Não esquecer de etiquetar o saco (Nome, nome da propriedade, endereço, cultura existente, cultura a ser plantada e número da amostra). h) Anote à parte, em um caderno, o número de cada amostra e o local de onde foi retirada. Estas anotações são importantes, pois quando estiver de posse da recomendação, você deverá consultar o caderno para identificar o local onde será feita a calagem e adubação. i) Repita a operação para os outros tipos de solo (não se esqueça de limpar bem os instrumentos). j) Retiradas todas as amostras, remetê-las ao laboratório. OBS.: As amostras de solo deverão ser retiradas com antecedência, para que os resultados cheguem a tempo e as recomendações possam ser executadas. O ideal é coletar as amostras no início do período da seca. 6. Resultados da análise do solo: Depois de analisada a amostra, o laboratório emitirá um resultado, expresso em termos de pH (mede a acidez do solo) e teores de Carbono, Fosfatos, Potássio, Cálcio, Magnésio,Alumínio e Hidrogênio. A interpretação destes resultados será discutida na próxima seção. Acidez: O solo se torna ácido porque as chamadas “bases trocáveis”, potássio (K+), cálcio (Ca2+) e magnésio (Mg2+), principalmente, são substituídas pelos íons H+. Este hidrogênio pode vir da água da chuva, dos adubos amoniacais, ou ainda ser produzido pelos microrganismos do solo que oxidam o nitrogênio a nitrato (nitrificação), além de, quando as raízes absorvem um elemento básico (K, Ca, Mg,...), haver liberação de certa quantidade de íons hidrogênio. Assim, a acidez é expressa como pH (potencial de hidrogênio) e, no Brasil, os solos podem ser classificados como: Fortemente ácido pH 7,0. 2) Acidez Potencial: Tendo o solo passado anteriormente por uma fase inicial em que predomina o hidrogênio livre (H+), surge o alumínio (Al3+), que além de contribuir para a acidez é tóxico para as plantas. A acidez potencial é representada pela soma (H+ + Al3+) e é medida pelo método SMP, em miliequivalentes por 100 cm3 de solo (meq/100cm3). 3) Acidez Fisiológica: Outro aspecto que deve ser levado em consideração, sob ponto de vista de aplicação prática, é a acidez fisiológica, provocada por certos adubos nitrogenados (sulfato de amônio, nitrato de amônio, uréia e fosfatos de amônio). A medida desta acidez é dada em kg de calcário necessários para neutralizá-la, conforme tabela abaixo. Tabela 1 – Equivalente de acidez de certos adubos nitrogenados. Adubo (tonelada) Calcário (kg) Sulfato de amônio 1.100 Nitrato de amônio 620 Uréia 840 Fosfato Monoamônio (MAP) 650 Fosfato Diamônio (DAP) 700 O pH e as plantas: Como o próprio nome indica, pH é apenas um índice que mede a acidez do solo. Por trás do pH tem uma série de coisas que tornam os solos menos férteis e as culturas menos produtivas, tais como: 1. pobreza em cálcio e magnésio; 2. alta saturação por alumínio; 3. alta saturação por manganês; 4. alta fixação de fósforo; 5. baixa disponibilidade de potássio, enxofre e molibdênio; 6. baixa atividade dos microrganismos do solo; e, 7. menor aproveitamento dos adubos. Tabela 2 – pH mais apropriado para algumas culturas. CULTURA pH Leguminosas tropicais 6,0 Cana-de-açúcar, Arroz 6,5 Aveia, Gramíneas forrageiras, Centeio, Cevada, Milho, Soja, Sorgo 7,0 Trevos, Trigo, Alfafa 7,5 Tabela 3 – Estimativa da variação percentual da assimilação dos principais nutrientes pelas plantas, em função do pH do solo. NUTRIENTES pH 4,5 5,0 5,5 6,0 6,5 7,0 Nitrogênio 20 50 75 100 100 100 Fósforo 30 32 40 50 100 100 Potássio 30 35 70 90 100 100 Enxofre 40 80 100 100 100 100 Cálcio 20 40 50 67 83 100 Magnésio 20 40 50 70 80 100 Média 27 46 64 79 93 100 1 - CALAGEM: Para o desenvolvimento e produção econômica dos vegetais, estes necessitam ter à sua disposição um satisfatório estado de disponibilidade de macro e micronutrientes no solo e a máxima disponibilidade destes nutrientes é conseguida quando o pH do solo encontra-se entre 6,0 e 6,5. Nesta faixa de pH, temos os seguintes eventos: ▪ não há mais toxidez por alumínio e manganês; ▪ maior desenvolvimento dos microrganismos do solo, proporcionando maior mineralização da matéria orgânica, liberando principalmente nitrogênio, enxofre e boro, entre outros; ▪ maior eficiência de fixação de nitrogênio do ar pelas leguminosas; e, ▪ transformação dos adubos de formas não assimiláveis para formas assimiláveis pelas plantas. Como 60 a 70% dos solos brasileiros apresentam pH médio entre 5,0 e 5,5, aceita-se a calagem como necessidade geral em todo o país. Além da correção do pH, a calagem tem também a função de fornecimento de cálcio e magnésio, minerais importantes para o desenvolvimento das forragens. Não se deve considerar a calagem como custo extra, pois ela se paga com o prejuízo que se terá caso não seja feita; para se ter uma idéia, em pH 5,0 apenas 50% do adubo é aproveitado pelas plantas, e a pH 6,0, 100% do adubo é aproveitado. O cálcio tem grande importância no desenvolvimento das raízes, na formação da estrutura (vigor e resistência) da planta, ajuda a neutralizar os ácidos orgânicos, incrementa a produção de sementes e grãos, aumenta o valor nutricional das forrageiras e no metabolismo do nitrogênio. Já o magnésio tem sua principal importância como componente da clorofila, incrementando a fotossíntese e por ser um catalizador da absorção de fósforo, e os animais que consomem exclusivamente forrageiras pobres em magnésio apresentam hipomagnesenemia ou "tétano da forragem", ainda mais grave se a pastagem for adubada com altas doses de potássio. Para as leguminosas, o cálcio e o magnésio têm ação efetiva no processo de fixação de nitrogênio pelo Rhizobium. A maneira adequada de se fornecer cálcio e magnésio ao solo é a calagem (aplicação de calcário). Tipos de calcário: O calcário pode ser de 3 tipos: Tipo de calcário % CaO % MgO Calcítico 40 a 45 1 a 5 Magnesiano 31 a 39 6 a 12 Dolomítico 25 a 30 13 a 20 Deve-se tomar cuidado com o uso contínuo de calcário calcítico pois pode alterar a relação Ca:Mg do solo (ideal 3 a 5:1) e, consequentemente, reduzir a produção. Além destes, na tabela abaixo estão descritos os principais fertilizantes utilizados no Brasil, que contém também cálcio e magnésio em sua composição. Tabela 4 - Fertilizantes que contém em sua composição cálcio e magnésio. Produto % CaO % MgO Nitrato de cálcio 28 --- Nitrocálcio 4-5 2-3 Superfosfato simples 28 --- Superfosfato concentrado 28 --- Superfosfato Triplo 20 --- Termofosfato 28 16 Fosfato parcialmente acidulado 35 --- Fosfato natural 42-48 --- Sulfato de magnésio --- 16 Além de fornecer cálcio e magnésio como nutrientes, a calagem tem outras funções, tais como: a) elevar o pH do solo: aumentando a disponibilidade de fósforo e molibdênio, entre outros; b) neutralizar alumínio, manganês e ferro, que em pH baixo pode estar em formas e quantidades tóxicas para as plantas e para os Rhizobium; Por outro lado, a calagem excessiva pode imobilizar certos nutrientes (Zn, B, Cu e até Mn e Fe), causando deficiência dos mesmos às plantas. Também a calagem excessiva ou quando não acompanhada de adubação fosfatada, conduz a um desequilíbrio da relação Ca:P na forragem, com desagradáveis conseqüências para a nutrição animal. Dois fatores primordiais devem ser levados em conta na recomendação da calagem: 1) As diversas plantas forrageiras se comportam diferentemente quanto à acidez do solo; algumas conseguem estabelecer-se e apresentar produção razoável em solos ácidos, outras necessitam de solos com pH mais alto para se estabelecer e apresentar boa produção. 2) Diferentes solos ácidos necessitam diferentes quantidades de calcário para elevar o seu pH a determinado nível desejado. Assim, para o mesmo nível de acidez, solos argilosos ou com maior teor de matéria orgânica necessitam de mais calagem que os solos arenosos ou com menos matéria orgânica para atingir o mesmo pH. 3) A produção máxima das forrageiras depende não só dos teores isolados destes nutrientes no solo, mas também do equilíbrio entre eles, pois, assim como acontece no organismo animal, o excesso de um pode inibir a absorção do outro pela planta, provocando efeitos negativos na produtividade. Assim, para a maioria das culturas, a relação K/Mg/Ca no solo deve estar entre 1:3:9 a 1:5:25. Sintomas de deficiência: De cálcio:Amarelecimento das margens das folhas mais novas, que se dirige para o centro. Crescimento desuniforme das folhas, ficando tortas e, as vezes, com ganchos nas pontas. Murchamento e morte das gemas terminais e gemas laterais dormentes. Murchamento das folhas e colápso dos pecíolos. Raízes mal desenvolvidas, com apodrecimento gelatinoso nas pontas e pelos absorventes inchados. Pequena frutificação ou produção de frutos anormais. Produção pequena ou nula de sementes e , nas leguminosas, baixa nodulação. De magnésio: Clorose nas folhas, usualmente começando e sendo mais severa nas folhas mais velhas, em algumas espécies seguida por aparecimento de cores anormais nas folhas (arroxeada, alaranjada ou vermelha). Cálculo da necessidade de calagem: Existem vários critérios para o cálculo da necessidade de calagem, o mais comum é o de Saturação de Bases. Este método apresenta a vantagem de ser bastante flexível, de acordo com o solo (CTC), a cultura (V%) e a qualidade do calcário (PRNT). A saturação de bases (V1) corresponde à participação percentual de S, onde S = K + Ca + Mg, no valor de T, onde T = S + H + Al, ou seja: V = S x 100 T Assim, obtendo-se, por exemplo os resultados de análise de solo abaixo, teremos: pH = 5,2 C% = 1,56 (também pode ser expresso como matéria orgânica, onde: M.O.(%) = %C x 1,72) PO4 3- = 0,03 e.mg /100g K+ = 0,27 e.mg /100g Ca2+ = 0,40 e.mg /100g Mg2+ = 0,20 e.mg /100g Al3+ = 0,40 e.mg /100g H+ = 5,50 e.mg/100g O valor de T será: T = 0,27 + 0,40 + 0,20 + 0,40 + 5,50 = 6,77 e.mg/100g; E o valor de S: S = 0,27 + 0,40 + 0,20 = 0,87 e.mg/100g. Logo, o índice de saturação de bases será: V = 0,87 x 100 = 13%. 6,77 Assim, o calcário deverá fornecer Ca e Mg suficientes para preencher (70 – 13 = ) 57% dos sítios de troca. A quantidade de calcário (t/ha) a usar é dada pela expressão: N.C. = (V2 – V1) x T x p N.C. = necessidade de calagem; PRNT V2 = saturação de bases adequada para a cultura (Tabela 4); V1 = saturação de bases da análise do solo; T = capacidade de troca de cátions do solo (CTC); p = fator profundidade. p = 1,0 → para 20 cm de profundidade; p = 1,5 → para 30 cm de profundidade; p = 2,0 → para 40 cm de profundidade. PRNT = Poder Relativo de Neutralização Total (mede eficiência do corretivo) Admitindo-se que se incorpore o calcário a 30cm de profundidade e que este calcário tenha 80% de PRNT, teremos: N.C. = (70 – 13) X 6,8 X 1,5 = 7,3 t de calcário / ha. 80 Tabela 4 – Faixa de valores de saturação de bases adequadas para as principais forrageiras. CULTURA FAIXA DE V% Arroz 40-50 Milho e Sorgo 60-70 Trigo 50-60 Cana-de-açúcar 50-60 Mandioca 40-50 Rami 50-60 Girassol 60-70 Leguminosas Alfafa, Leucena, Soja perene 50-60 Centrosema, desmódio, galáxia, cudzu, galopogônio, siratro e estilozantes 30-40 Gramíneas Rhodes, Jaraguá e Napier (capineira) 50-60 Pangola, coast-cross, estrela, green panic (fenação) 50-60 Napier, pangola, coast-cross, estrela, green-panic (pastejo) 30-40 Braquiárias, setárias e gordura 30-40 Napier, pangola, coast-cross, estrela, green-panic (pastejo intensivo) 50-60 Aplicação do calcário: É importante lembrar: o solo precisa estar corrigido (pH 6,0 a 6,5) para que a adubação seja bem aproveitada pelas plantas; e, a reação do calcário depende do tempo e da umidade do solo. Na prática, dois aspectos fundamentais precisam ser observados: 1) Se aplicarmos calcário grosso, demorará de 3 a 4 meses para corrigir o solo; 2) se aplicarmos um calcário fino, o tempo para correção do solo é bem menor, de 20 a 30 dias. Convém lembrar também que os calcários não são solúveis em água e que os efeitos da calagem dependem de uma boa mistura do calcário com a terra. Portanto, precisamos incorporar o calcário o máximo possível, numa camada de solo de pelo menos 30 cm de profundidade. A aplicação de calcário deve ser realizada a lanço sobre toda a superfície do solo antes da primeira aração para seu preparo, a fim de que o material seja perfeitamente incorporado ao solo pela aração e pelas gradagens subseqüentes. Recomenda-se a aplicação de calcário pelo menos 60 dias antes do plantio do pasto. No caso de pastagens já formadas cujas condições de acidez indiquem a necessidade de aplicação do corretivo, desde que o pasto esteja bem fechado, não se justifica a reforma total só para fazer calagem. Então aplica-se o calcário à lanço, em cobertura, após o rebaixamento do pasto, preferivelmente no início da estação das águas. Depois da distribuição do calcário, será recomendável uma gradagem para escarificar o solo e melhorar a penetração do corretivo, que será lenta. Essa aplicação deve ser espaçada de, no mínimo, 1 a 2 meses de adubações fosfatadas e/ou nitrogenadas. Também não se deve aplicar doses maiores que 3 t/ha. Se as quantidades necessárias forem superiores a esta, parcela-se a aplicação em 2 anos consecutivos. A profundidade de incorporação do calcário é influenciada pela forma de aplicação. Assim, pode-se recomendar também a aplicação do calcário em duas etapas: metade antes da aração e metade depois da aração e antes da gradagem. Na impossibilidade de dividir a dosagem, aplicar toda a quantidade de calcário antes da aração e, em seguida, arar e gradear. Quanto mais profunda for a camada de solo corrigida, maiores os benefícios da calagem, que se resumem no seguinte: Maior desenvolvimento do sistema radicular; maior o aproveitamento dos adubos; maior resistência à secas; e, maior produção. Interpretação da análise de solo: Para que se possa interpretar uma análise de solo é preciso, antes, conhecer os "Padrões de fertilidade do solo", descritos no quadro abaixo. Uma vez interpretada, o passo seguinte serão as recomendações de adubação dos principais elementos, isto é, nitrogênio, fósforo e potássio, já que os outros ítens (Al, Ca e Mg e pH) serão solucionados através da calagem, como já vimos. No quadro 2 estão apresentadas as recomendações para cada um dos três elementos separadamente para pastagens, capineiras e campos de feno de gramíneas, gramíneas anuais de inverno e milho ou sorgo para silagem. Quadro 1 - Padrões de fertilidade do solo. Nutriente Nível de fertilidade Classe de fertilidade Nível crítico no solo e.mg / 100 cm3 ppm Fósforo (P) 0,30 > 30 Alta Potássio (K) 0,30 > 120 Alta Cálcio (Ca) e Magnésio (Mg) 5,0 Alta Alumínio (Al) 1,00 Alta Matéria orgânica (MO) 2,5 % Alta pH > 5,0 Fortemente ácido 5,5 5,0 a 5,5 Medianamente ácido 5,5 a 6,0 Pouco ácido > 6,0 Neutro Quadro 2 - Recomendações de adubação para os diversos tipos de explorações forrageiras. Tipo de exploração Adubação fosfatada Adubação nitrogenada Adubação potássica g P/cm3 kg de P2O5/ha g P/cm3 kg de N/ha Nível de exploração g K/cm3 kg de K2O/ha Pastagem 30 --- > 30 120 150 > 120 20 Capineiras Idem Idem 30 150 > 120 20 Campo de feno de gramíneas Idem Idem Idem Idem 120 30 Gramíneas anuais de inverno Idem Idem Idem Idem 120 20 Silagem (milho ou sorgo) pH 5 5 - 5,4 >5,5 Em cober- tura (10 kg de N/ha no plantio) pH 5 5 - 5,4 >5,5 Ca + Mg (meq/100cm3) 5,0 1 - 7 60 60 5030 30 40 20 20 20 20 50 60 60 > 120 --- --- --- Obs. Importante: As recomendações de adubação nitrogenada são feitas com base no teor de fósforo, uma vez que a planta somente tem condições de aproveitar doses elevadas de nitrogênio quando o teor de fósforo for alto.