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ANÁLISE DE SOLO E CALAGEM 
 
Para o crescimento e formação de seus tecidos, os vegetais necessitam da contribuição 
de vários elementos químicos, chamados essenciais. São eles: carbono (C), oxigênio (O), 
hidrogênio (H), nitrogênio (N), fósforo (P), potássio (K), enxofre (S), cálcio (Ca), magnésio 
(Mg), boro (B), zinco (Zn), cobre (Cu), manganês (Mn), molibdênio (Mb), ferro (Fe) e cloro 
(Cl). O carbono e o oxigênio são obtidos diretamente do ar, através dos processos 
fotossintéticos realizados pelos tecidos verdes do vegetal, com a contribuição da luz solar. O 
hidrogênio é obtido da água, assim como parte do oxigênio. Os demais elementos são 
extraídos diretamente do solo. O nitrogênio pode também ser obtido diretamente do ar, mas 
apenas pelas leguminosas, através do processo chamado de fixação biológica realizada pelos 
Rhizobium. Carbono, oxigênio e hidrogênio constituem cerca de 95% do peso das plantas e os 
elementos restantes cerca de 5%. Assim, o solo não é apenas um sustentáculo físico para 
suporte das plantas, mas um corpo dinâmico e atuante no seu desenvolvimento, através de 
fornecimento daqueles elementos restantes. 
Dos elementos que as plantas extraem do solo, o nitrogênio, fósforo, potássio, enxofre, 
cálcio e magnésio são chamados macronutrientes, por serem absorvidos em quantidades 
maiores que os demais. Os outros, por serem absorvidos em quantidades menores são 
chamados micronutrientes, porém não são menos importantes, pois sua ausência limita ou até 
paralisa o crescimento das plantas. 
O solo, porém, não é uma fonte inesgotável destes elementos, sendo também variável 
a quantidade de cada um, bem como existem nutrientes que se esgotam mais rapidamente do 
que outros, seja por efeito da lixiviação, maior absorção, etc. É essencial que exista um 
equilíbrio harmônico entre os vários elementos do solo para uma perfeita nutrição e 
desenvolvimento máximo das plantas. Daí a importância da adubação, que é a devolução ao 
solo daquilo que dele foi retirado. 
Para se ter noção da importância da nutrição mineral para as plantas, pode-se fazer 
uma analogia entre o pasto e um automóvel: o nitrogênio seria o combustível, o fósforo a 
bateria (extremamente importante para o estabelecimento inicial ou na reforma do pasto, mas 
menos importante no pasto já estabelecido), cálcio e magnésio (da calagem) seriam os pneus e 
as câmaras de ar, o potássio seria o lubrificante, o enxofre seria o distribuidor e o zinco, o 
platinado. 
Durante muito tempo se acreditou que a adubação de uma pastagem era inútil pois "o 
capim cresce sozinho", porém o que se obteve com esta mentalidade foram pastos de baixa 
produção e qualidade (já que as melhores forrageiras são também as mais exigentes) e, 
consequentemente, baixa produtividade dos animais. Felizmente os produtores já estão 
conscientes da necessidade de se corrigir a acidez e fertilidade do solo; atualmente, as 
quantidades utilizadas no país de calcário e fertilizante já são significativas, embora ainda se 
utilize quantidades muito menores do que o recomendável. Estas práticas são as que mais 
contribuem para o aumento da produtividade da atividade, além de ajudar a proteger o meio 
ambiente, pelo crescimento mais rápido das plantas e pelos restos que estas deixam. 
Entretanto, as despesas com estas práticas podem chegar a aproximadamente 20% do custo de 
produção, sendo a análise do solo o principal meio que se dispõe para a recomendação correta 
e econômica da calagem e adubação, maximizando a eficiência e minimizando as perdas. 
 
1. Conhecimento do solo da propriedade: 
 
 Inicialmente, deve-se conhecer e anotar os tipos de solo da propriedade. Para tanto, 
basta observar os seguintes aspectos: 
a.) Cor: 
Verificar se a terra é vermelha, amarela, preta, cinza ou de outras cores. 
b.) Topografia: 
Verificar se a área se localiza na baixada, na encosta ou no alto do morro. 
c.) Vegetação: 
Observar a cobertura vegetal original, ou seja, verificar se é de mata, de cerrado, de campo 
ou de outros tipos de vegetação. 
d.) Manejo: 
Observar se a área já foi cultivada, adubada e se recebeu calcário. 
e.) Peculiaridades: 
Identificar, se for o caso, aquelas áreas que, por algum motivo, se comportam de forma 
diferente das demais. Por exemplo: áreas que sempre produziram mais, ou mesmo aquelas que 
apresentaram baixa produção. 
 
2. Localização da área a ser plantada: 
Deve-se marcar o local que será cultivado dentro da propriedade. 
 
3. Local da retirada da amostra do solo: 
 De cada tipo de terra encontrada no local demarcado, e que será cultivada, recomenda-
se retirar de diferentes lugares, no mínimo 5 sub-amostras de solo para formar uma amostra 
composta. Cada amostra composta deve ser representativa de uma área de aproximadamente 
10 ha. Porém, em grandes áreas é difícil respeitar esse limite. Nesse caso, identificar 10 ha 
dentro da área maior, que sejam representativos do total da gleba e proceder à retirada de 
amostra. 
 É importante ir retirando as amostras em zigue-zague. Não retirar amostras perto de 
cupinzeiros, formigueiros, estrada, cerca, casa, galpão, depósito, chiqueiro, curral e no sulco 
de plantio. 
 
4. Material necessário para retirar a amostra do solo: 
 O material a ser utilizado se compõe de enxadão, trado, balde, facão e sacos plásticos 
que devem ser limpos. Nunca utilize embalagem de defensivos, adubos, sal e remédios. 
 
5. Procedimentos para retirar as amostras: 
a) Com o enxadão, retire o capim, pedras, folhas secas e galhos do lugar escolhido, 
deixando o local limpo. 
b) Com o auxílio do enxadão, cave um buraco em forma de cunha, com um palmo de 
profundidade. Retire toda a terra solta de dentro do buraco e ponha de lado. Essa 
terra NÃO serve para análise. 
c) Com o enxadão ou uma pá reta, corte em uma das paredes do buraco, uma fatia de 
terra com dois dedos de espessura. Esta fatia deve ser retirada de toda a extensão 
da parede, ou seja, da superfície até o fundo do buraco. 
d) Com o facão e ainda com a terra no enxadão, corte a fatia em três partes, 
desprezando as laterais e guardando a parte do meio (± 500g) dentro de um balde 
limpo. A amostra também pode ser retirada com o trado: Para conhecê-la basta 
enterrar o trado a 20 – 25 cm de profundidade e depois puxar. Profundidades 
maiores também podem ser analisadas, desde que se separe uma da outra, pois são 
de horizontes diferentes (uma representa o solo, a outra o subsolo). A terra que sai 
no trado é colocada no balde e representa uma sub-amostra. 
e) Repita essa operação, em zigue-zague, em ± 15 lugares diferentes e que contenham 
o mesmo tipo de terra. Coloque todas as sub-amostras no balde e misture bem. 
f) Após a terra estar bem misturada no balde, retirar a quantidade suficiente para 
encher o saco plástico (± 500g) - (Não envie a terra molhada, deixe-a aberta para 
secar antes de ensacar). 
g) Após o enchimento do saco plástico, amarre bem a boca. Não esquecer de etiquetar 
o saco (Nome, nome da propriedade, endereço, cultura existente, cultura a ser 
plantada e número da amostra). 
h) Anote à parte, em um caderno, o número de cada amostra e o local de onde foi 
retirada. Estas anotações são importantes, pois quando estiver de posse da 
recomendação, você deverá consultar o caderno para identificar o local onde será 
feita a calagem e adubação. 
i) Repita a operação para os outros tipos de solo (não se esqueça de limpar bem os 
instrumentos). 
j) Retiradas todas as amostras, remetê-las ao laboratório. 
 
OBS.: As amostras de solo deverão ser retiradas com antecedência, para que os 
resultados cheguem a tempo e as recomendações possam ser executadas. O ideal é coletar as 
amostras no início do período da seca. 
 
6. Resultados da análise do solo: 
 Depois de analisada a amostra, o laboratório emitirá um resultado, expresso em termos 
de pH (mede a acidez do solo) e teores de Carbono, Fosfatos, Potássio, Cálcio, Magnésio,Alumínio e Hidrogênio. 
A interpretação destes resultados será discutida na próxima seção. 
 
Acidez: 
O solo se torna ácido porque as chamadas “bases trocáveis”, potássio (K+), cálcio (Ca2+) e 
magnésio (Mg2+), principalmente, são substituídas pelos íons H+. Este hidrogênio pode vir da 
água da chuva, dos adubos amoniacais, ou ainda ser produzido pelos microrganismos do solo 
que oxidam o nitrogênio a nitrato (nitrificação), além de, quando as raízes absorvem um 
elemento básico (K, Ca, Mg,...), haver liberação de certa quantidade de íons hidrogênio. 
Assim, a acidez é expressa como pH (potencial de hidrogênio) e, no Brasil, os solos 
podem ser classificados como: 
Fortemente ácido pH 7,0. 
 
2) Acidez Potencial: 
Tendo o solo passado anteriormente por uma fase inicial em que predomina o 
hidrogênio livre (H+), surge o alumínio (Al3+), que além de contribuir para a acidez é tóxico 
para as plantas. A acidez potencial é representada pela soma (H+ + Al3+) e é medida pelo 
método SMP, em miliequivalentes por 100 cm3 de solo (meq/100cm3). 
 
3) Acidez Fisiológica: 
Outro aspecto que deve ser levado em consideração, sob ponto de vista de aplicação 
prática, é a acidez fisiológica, provocada por certos adubos nitrogenados (sulfato de amônio, 
nitrato de amônio, uréia e fosfatos de amônio). 
A medida desta acidez é dada em kg de calcário necessários para neutralizá-la, 
conforme tabela abaixo. 
 
Tabela 1 – Equivalente de acidez de certos adubos nitrogenados. 
Adubo (tonelada) Calcário (kg) 
Sulfato de amônio 1.100 
Nitrato de amônio 620 
Uréia 840 
Fosfato Monoamônio (MAP) 650 
Fosfato Diamônio (DAP) 700 
 
O pH e as plantas: 
Como o próprio nome indica, pH é apenas um índice que mede a acidez do solo. Por 
trás do pH tem uma série de coisas que tornam os solos menos férteis e as culturas menos 
produtivas, tais como: 
1. pobreza em cálcio e magnésio; 
2. alta saturação por alumínio; 
3. alta saturação por manganês; 
4. alta fixação de fósforo; 
5. baixa disponibilidade de potássio, enxofre e molibdênio; 
6. baixa atividade dos microrganismos do solo; e, 
7. menor aproveitamento dos adubos. 
 
Tabela 2 – pH mais apropriado para algumas culturas. 
CULTURA pH 
Leguminosas tropicais 6,0 
Cana-de-açúcar, Arroz 6,5 
Aveia, Gramíneas forrageiras, Centeio, Cevada, Milho, Soja, Sorgo 7,0 
Trevos, Trigo, Alfafa 7,5 
 
Tabela 3 – Estimativa da variação percentual da assimilação dos principais nutrientes 
pelas plantas, em função do pH do solo. 
NUTRIENTES 
pH 
4,5 5,0 5,5 6,0 6,5 7,0 
Nitrogênio 20 50 75 100 100 100 
Fósforo 30 32 40 50 100 100 
Potássio 30 35 70 90 100 100 
Enxofre 40 80 100 100 100 100 
Cálcio 20 40 50 67 83 100 
Magnésio 20 40 50 70 80 100 
Média 27 46 64 79 93 100 
 
1 - CALAGEM: 
Para o desenvolvimento e produção econômica dos vegetais, estes necessitam ter à sua 
disposição um satisfatório estado de disponibilidade de macro e micronutrientes no solo e a 
máxima disponibilidade destes nutrientes é conseguida quando o pH do solo encontra-se entre 
6,0 e 6,5. Nesta faixa de pH, temos os seguintes eventos: 
▪ não há mais toxidez por alumínio e manganês; 
▪ maior desenvolvimento dos microrganismos do solo, proporcionando maior mineralização 
da matéria orgânica, liberando principalmente nitrogênio, enxofre e boro, entre outros; 
▪ maior eficiência de fixação de nitrogênio do ar pelas leguminosas; e, 
▪ transformação dos adubos de formas não assimiláveis para formas assimiláveis pelas 
plantas. 
 
Como 60 a 70% dos solos brasileiros apresentam pH médio entre 5,0 e 5,5, aceita-se a 
calagem como necessidade geral em todo o país. 
Além da correção do pH, a calagem tem também a função de fornecimento de cálcio e 
magnésio, minerais importantes para o desenvolvimento das forragens. Não se deve 
considerar a calagem como custo extra, pois ela se paga com o prejuízo que se terá caso não 
seja feita; para se ter uma idéia, em pH 5,0 apenas 50% do adubo é aproveitado pelas plantas, 
e a pH 6,0, 100% do adubo é aproveitado. 
O cálcio tem grande importância no desenvolvimento das raízes, na formação da 
estrutura (vigor e resistência) da planta, ajuda a neutralizar os ácidos orgânicos, incrementa a 
produção de sementes e grãos, aumenta o valor nutricional das forrageiras e no metabolismo 
do nitrogênio. Já o magnésio tem sua principal importância como componente da clorofila, 
incrementando a fotossíntese e por ser um catalizador da absorção de fósforo, e os animais 
que consomem exclusivamente forrageiras pobres em magnésio apresentam 
hipomagnesenemia ou "tétano da forragem", ainda mais grave se a pastagem for adubada com 
altas doses de potássio. Para as leguminosas, o cálcio e o magnésio têm ação efetiva no 
processo de fixação de nitrogênio pelo Rhizobium. A maneira adequada de se fornecer cálcio 
e magnésio ao solo é a calagem (aplicação de calcário). 
 
Tipos de calcário: 
O calcário pode ser de 3 tipos: 
Tipo de calcário % CaO % MgO 
Calcítico 40 a 45 1 a 5 
Magnesiano 31 a 39 6 a 12 
Dolomítico 25 a 30 13 a 20 
 
Deve-se tomar cuidado com o uso contínuo de calcário calcítico pois pode alterar a 
relação Ca:Mg do solo (ideal 3 a 5:1) e, consequentemente, reduzir a produção. 
Além destes, na tabela abaixo estão descritos os principais fertilizantes utilizados no 
Brasil, que contém também cálcio e magnésio em sua composição. 
 
Tabela 4 - Fertilizantes que contém em sua composição cálcio e magnésio. 
Produto % CaO % MgO 
Nitrato de cálcio 28 --- 
Nitrocálcio 4-5 2-3 
Superfosfato simples 28 --- 
Superfosfato concentrado 28 --- 
Superfosfato Triplo 20 --- 
Termofosfato 28 16 
Fosfato parcialmente acidulado 35 --- 
Fosfato natural 42-48 --- 
Sulfato de magnésio --- 16 
 
Além de fornecer cálcio e magnésio como nutrientes, a calagem tem outras funções, 
tais como: 
a) elevar o pH do solo: aumentando a disponibilidade de fósforo e molibdênio, entre 
outros; 
b) neutralizar alumínio, manganês e ferro, que em pH baixo pode estar em formas e 
quantidades tóxicas para as plantas e para os Rhizobium; 
Por outro lado, a calagem excessiva pode imobilizar certos nutrientes (Zn, B, Cu e até 
Mn e Fe), causando deficiência dos mesmos às plantas. Também a calagem excessiva ou 
quando não acompanhada de adubação fosfatada, conduz a um desequilíbrio da relação Ca:P 
na forragem, com desagradáveis conseqüências para a nutrição animal. 
Dois fatores primordiais devem ser levados em conta na recomendação da calagem: 
1) As diversas plantas forrageiras se comportam diferentemente quanto à acidez do 
solo; algumas conseguem estabelecer-se e apresentar produção razoável em solos 
ácidos, outras necessitam de solos com pH mais alto para se estabelecer e 
apresentar boa produção. 
2) Diferentes solos ácidos necessitam diferentes quantidades de calcário para elevar o 
seu pH a determinado nível desejado. Assim, para o mesmo nível de acidez, solos 
argilosos ou com maior teor de matéria orgânica necessitam de mais calagem que 
os solos arenosos ou com menos matéria orgânica para atingir o mesmo pH. 
3) A produção máxima das forrageiras depende não só dos teores isolados destes 
nutrientes no solo, mas também do equilíbrio entre eles, pois, assim como acontece 
no organismo animal, o excesso de um pode inibir a absorção do outro pela planta, 
provocando efeitos negativos na produtividade. Assim, para a maioria das culturas, 
a relação K/Mg/Ca no solo deve estar entre 1:3:9 a 1:5:25. 
 
Sintomas de deficiência: 
De cálcio:Amarelecimento das margens das folhas mais novas, que se dirige para o centro. 
Crescimento desuniforme das folhas, ficando tortas e, as vezes, com ganchos nas pontas. 
Murchamento e morte das gemas terminais e gemas laterais dormentes. Murchamento das 
folhas e colápso dos pecíolos. Raízes mal desenvolvidas, com apodrecimento gelatinoso nas 
pontas e pelos absorventes inchados. Pequena frutificação ou produção de frutos anormais. 
Produção pequena ou nula de sementes e , nas leguminosas, baixa nodulação. 
 
De magnésio: 
 Clorose nas folhas, usualmente começando e sendo mais severa nas folhas mais 
velhas, em algumas espécies seguida por aparecimento de cores anormais nas folhas 
(arroxeada, alaranjada ou vermelha). 
 
Cálculo da necessidade de calagem: 
 Existem vários critérios para o cálculo da necessidade de calagem, o mais comum é o 
de Saturação de Bases. Este método apresenta a vantagem de ser bastante flexível, de acordo 
com o solo (CTC), a cultura (V%) e a qualidade do calcário (PRNT). 
 A saturação de bases (V1) corresponde à participação percentual de S, onde S = K + 
Ca + Mg, no valor de T, onde T = S + H + Al, ou seja: 
 
V = S x 100 
 T 
 
Assim, obtendo-se, por exemplo os resultados de análise de solo abaixo, teremos: 
pH = 5,2 
C% = 1,56 (também pode ser expresso como 
matéria orgânica, onde: 
M.O.(%) = %C x 1,72) 
PO4
3- = 0,03 e.mg /100g 
 
K+ = 0,27 e.mg /100g 
Ca2+ = 0,40 e.mg /100g 
Mg2+ = 0,20 e.mg /100g 
Al3+ = 0,40 e.mg /100g 
H+ = 5,50 e.mg/100g 
 
O valor de T será: T = 0,27 + 0,40 + 0,20 + 0,40 + 5,50 = 6,77 e.mg/100g; 
E o valor de S: S = 0,27 + 0,40 + 0,20 = 0,87 e.mg/100g. 
Logo, o índice de saturação de bases será: V = 0,87 x 100 = 13%. 
 6,77 
Assim, o calcário deverá fornecer Ca e Mg suficientes para preencher (70 – 13 = ) 
57% dos sítios de troca. A quantidade de calcário (t/ha) a usar é dada pela expressão: 
 
N.C. = (V2 – V1) x T x p N.C. = necessidade de calagem; 
 PRNT V2 = saturação de bases adequada para a cultura (Tabela 4); 
V1 = saturação de bases da análise do solo; 
T = capacidade de troca de cátions do solo (CTC); 
p = fator profundidade. 
p = 1,0 → para 20 cm de profundidade; 
p = 1,5 → para 30 cm de profundidade; 
p = 2,0 → para 40 cm de profundidade. 
PRNT = Poder Relativo de Neutralização Total (mede 
eficiência do corretivo) 
 
Admitindo-se que se incorpore o calcário a 30cm de profundidade e que este calcário 
tenha 80% de PRNT, teremos: 
 
N.C. = (70 – 13) X 6,8 X 1,5 = 7,3 t de calcário / ha. 
 80 
Tabela 4 – Faixa de valores de saturação de bases adequadas para as principais forrageiras. 
CULTURA FAIXA DE V% 
Arroz 40-50 
Milho e Sorgo 60-70 
Trigo 50-60 
Cana-de-açúcar 50-60 
Mandioca 40-50 
Rami 50-60 
Girassol 60-70 
Leguminosas 
Alfafa, Leucena, Soja perene 50-60 
Centrosema, desmódio, galáxia, cudzu, galopogônio, siratro e 
estilozantes 
30-40 
Gramíneas 
Rhodes, Jaraguá e Napier (capineira) 50-60 
Pangola, coast-cross, estrela, green panic (fenação) 50-60 
Napier, pangola, coast-cross, estrela, green-panic (pastejo) 30-40 
Braquiárias, setárias e gordura 30-40 
Napier, pangola, coast-cross, estrela, green-panic (pastejo intensivo) 50-60 
 
Aplicação do calcário: 
É importante lembrar: o solo precisa estar corrigido (pH 6,0 a 6,5) para que a adubação 
seja bem aproveitada pelas plantas; e, a reação do calcário depende do tempo e da umidade do 
solo. Na prática, dois aspectos fundamentais precisam ser observados: 1) Se aplicarmos 
calcário grosso, demorará de 3 a 4 meses para corrigir o solo; 2) se aplicarmos um calcário 
fino, o tempo para correção do solo é bem menor, de 20 a 30 dias. 
Convém lembrar também que os calcários não são solúveis em água e que os efeitos 
da calagem dependem de uma boa mistura do calcário com a terra. Portanto, precisamos 
incorporar o calcário o máximo possível, numa camada de solo de pelo menos 30 cm de 
profundidade. 
 A aplicação de calcário deve ser realizada a lanço sobre toda a superfície do solo antes 
da primeira aração para seu preparo, a fim de que o material seja perfeitamente incorporado 
ao solo pela aração e pelas gradagens subseqüentes. Recomenda-se a aplicação de calcário 
pelo menos 60 dias antes do plantio do pasto. 
No caso de pastagens já formadas cujas condições de acidez indiquem a necessidade 
de aplicação do corretivo, desde que o pasto esteja bem fechado, não se justifica a reforma 
total só para fazer calagem. Então aplica-se o calcário à lanço, em cobertura, após o 
rebaixamento do pasto, preferivelmente no início da estação das águas. Depois da distribuição 
do calcário, será recomendável uma gradagem para escarificar o solo e melhorar a penetração 
do corretivo, que será lenta. Essa aplicação deve ser espaçada de, no mínimo, 1 a 2 meses de 
adubações fosfatadas e/ou nitrogenadas. Também não se deve aplicar doses maiores que 3 
t/ha. Se as quantidades necessárias forem superiores a esta, parcela-se a aplicação em 2 anos 
consecutivos. 
A profundidade de incorporação do calcário é influenciada pela forma de aplicação. 
Assim, pode-se recomendar também a aplicação do calcário em duas etapas: metade antes da 
aração e metade depois da aração e antes da gradagem. Na impossibilidade de dividir a 
dosagem, aplicar toda a quantidade de calcário antes da aração e, em seguida, arar e gradear. 
Quanto mais profunda for a camada de solo corrigida, maiores os benefícios da 
calagem, que se resumem no seguinte: Maior desenvolvimento do sistema radicular; maior o 
aproveitamento dos adubos; maior resistência à secas; e, maior produção. 
 
Interpretação da análise de solo: 
 
Para que se possa interpretar uma análise de solo é preciso, antes, conhecer os 
"Padrões de fertilidade do solo", descritos no quadro abaixo. 
Uma vez interpretada, o passo seguinte serão as recomendações de adubação dos 
principais elementos, isto é, nitrogênio, fósforo e potássio, já que os outros ítens (Al, Ca e Mg 
e pH) serão solucionados através da calagem, como já vimos. 
No quadro 2 estão apresentadas as recomendações para cada um dos três elementos 
separadamente para pastagens, capineiras e campos de feno de gramíneas, gramíneas anuais 
de inverno e milho ou sorgo para silagem. 
Quadro 1 - Padrões de fertilidade do solo. 
Nutriente 
Nível de fertilidade 
Classe de fertilidade Nível crítico no solo 
e.mg / 100 cm3 ppm 
Fósforo (P) 
 0,30 > 30 Alta 
Potássio (K) 
 0,30 > 120 Alta 
Cálcio (Ca) e 
Magnésio (Mg) 
 5,0 Alta 
Alumínio (Al) 
 1,00 Alta 
Matéria 
orgânica (MO) 
 2,5 % Alta 
pH 
> 5,0 Fortemente ácido 
5,5 
5,0 a 5,5 Medianamente ácido 
5,5 a 6,0 Pouco ácido 
> 6,0 Neutro 
 
 Quadro 2 - Recomendações de adubação para os diversos tipos de explorações forrageiras. 
Tipo de 
exploração 
Adubação fosfatada Adubação nitrogenada Adubação potássica 
g 
P/cm3 
kg de P2O5/ha 
g 
P/cm3 
kg de N/ha 
Nível de exploração 
g 
K/cm3 
kg de K2O/ha 
Pastagem 
 30 --- > 30 120 150 > 120 20 
Capineiras Idem Idem 
 30 150 > 120 20 
Campo de 
feno de 
gramíneas 
Idem Idem Idem Idem 
 120 30 
Gramíneas 
anuais de 
inverno 
Idem Idem Idem Idem 
 120 20 
Silagem 
(milho ou 
sorgo) 
 pH 5 5 - 5,4 >5,5 Em 
cober-
tura (10 
kg de 
N/ha no 
plantio) 
pH 5 5 - 5,4 >5,5 
Ca + Mg 
(meq/100cm3) 
 5,0 
1 - 7 60 60 5030 30 40 20 20 20 20 50 60 60 > 120 --- --- --- 
Obs. Importante: As recomendações de adubação nitrogenada são feitas com base no teor de 
fósforo, uma vez que a planta somente tem condições de aproveitar doses 
elevadas de nitrogênio quando o teor de fósforo for alto.

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