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TEMPERAMENTVM
REVISTA INTERNACIONAL DE HISTORIA Y PENSAMIENTO ENFERMERO
Temperamentvm, 2019; v15: e12520
http://ciberindex.com/c/t/e12520
ISSN: 1699-6011
© Fundación Index, 2019
TEORÍA Y MÉTODO
Recibido: 05.07.2019
Aceptado: 23.10.2019
Processo de Enfermagem de Wanda Horta -
Retrato da obra e reflexões
Emíllia Conceição Gonçalves dos Santos1, Yasmin Saba de Almeida2, Rodrigo Leite Hipólito3,
Patrícia Veras Neves de Oliveira4, Grupo de Estudio del Proceso de Atención en Enfermería5
1Universidad Federal Fluminense, Niterói, Río de Janeiro, Brasil.
2Universidad Federal Fluminense, Niterói, Río de Janeiro, Brasil.
3Universidad Federal Fluminense, Niterói, Río de Janeiro, Brasil.
4Universidad Federal de Río de Janeiro, Río de Janeiro, Brasil.
5Grupo de estudio del Proceso de Atención en Enfermería:
Emíllia Conceição Gonçalves dos Santos
Yasmin Saba de Almeida 
Rodrigo Leite Hipólito
Patrícia Veras Neves de Oliveira 
Luciano Godinho Almuinha Ramos. Marina de Brasil, Rio de Janeiro, Brasil.
Rachel Ribeiro da Silva. Universidad Federal Fluminense, Niterói, Rio de Janeiro, Brasil.
Gabrielle de Castro Oliveira. Universidad Federal Fluminense, Niterói, Rio de Janeiro, Brasil.
Joyce Pereira dos Santos Muniz Silva. Universidad Estácio de Sá, Rio de Janeiro, Brasil.
Correspondencia: emilliagsantos@gmail.com (Emíllia Conceição Gonçalves dos Santos)
Resumo
Objetivo principal: Descrever, refletir e destacar as vantagens e desvantagens da metodologia assistencial de Enfermagem proposta por Wan -
da de Aguiar Horta. Metodologia: Trata-se de uma revisão narrativa, reflexiva, exploratória com finalidade de revisitar os eixos do Processo de
Enfermagem proposto por Wanda de Aguiar Horta. A coleta de dados foi realizada nas bases de dados BDENF e LILACS utilizando-se os ter -
mos: Processo de Enfermagem, Teoria de Enfermagem, Educação em Enfermagem; isolados e em combinação, sendo selecionados 12 arti -
gos. Resultados principais: O Processo de Enfermagem proposto por Wanda de Aguiar Horta é composto por seis fases: Histórico de Enferma -
gem, Diagnóstico de Enfermagem, Plano Assistencial, Plano de Cuidados, Evolução e Prognóstico. Por motivos didáticos e organizacionais as
fases são separadas, todavia, não são estanques, e sim, interligadas. Conclusão principal: Os conceitos de Horta tiveram grande relevância
para as primeiras discussões e realização do Processo de Enfermagem no Brasil.
Palavras chave: Processo de Enfermagem. História da Enfermagem. Educação em Enfermagem.
Proceso de Enfermería de Wanda Horta - Retrato de la obra y reflexiones
Resumen
Objetivo principal: Describir, reflejar y destacar las ventajas y desventajas de la metodología asistencial de Enfermería propuesta por Wanda de
Aguiar Horta. Metodología: Se trata de una revisión narrativa, reflexiva, de abordaje descriptivo, exploratorio con la finalidad de revisar los ejes
del Proceso de Enfermería propuesto por Wanda de Aguiar Horta. La recolección de datos fue realizada en las bases de datos BDENF y LILA -
CS, utilizando los términos: Proceso de Enfermería, Teoría de Enfermería, Educación en Enfermería; aisladas y en combinación, siendo selec -
cionados 12 artículos. Resultados principales: El Proceso de Enfermería propuesto por Wanda de Aguiar Horta está compuesto por seis fases:
Historia de Enfermería, Diagnóstico de Enfermería, Plan Asistencial, Plan de Cuidados, Evolución y Pronóstico. Por motivos didácticos y orga -
nizacionales, las fases son separadas, pero no son estancas, sino interconectadas. Conclusión principal: Los conceptos de Horta tuvieron gran
relevancia para las primeras discusiones y realización del Proceso de Enfermería en Brasil.
Palabras clave: Proceso de enfermería. Historia de la enfermería. Educación en enfermería.
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TEMPERAMENTVM 2019, v15: e12520
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mailto:emilliagsantos@gmail.com
http://ciberindex.com/c/t/e12520
Gonçalves dos Santos, Emíllia Conceição y col. Processo de Enfermagem de Wanda Horta - Retrato da obra e reflexões
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Wanda Horta’s Nursing Process - A description and reflective analysis of her work
Abstract
Aim: To describe, reflect on and highlight the advantages and disadvantages of the nursing care methodology proposed by Wanda de Aguiar
Horta. Methodology: We present a narrative, reflective, descriptive and exploratory analysis of the Nursing Process as proposed by Wanda de
Aguiar Horta. The following databases were searched: BDENF and LILACS; we used the terms Nursing Process, Nursing Theory and Nursing
Education, both isolated and in combination. 12 articles met the inclusion criteria and were selected as part of this investigation. Results: The
Nursing Process proposed by Wanda de Aguiar Horta is composed of six phases: Nursing History, Nursing Diagnosis, Care planning, Nursing
Care Prescription, Evolution and Prognosis. For didactic and organizational reasons, the phases are described separatedly, yet they are not iso -
lated but interconnected. Conclusions: The concepts of Horta had great relevance for the first discussions and implementation of the Nursing
Process in Brazil.
Keywords: Nursing process; History of nursing; Nursing education.
Introdução
A Enfermagem, especialmente a partir dos anos 50 do sé-
culo XX, tem buscado desenvolver um corpo de conhecimen-
tos próprios no sentido de embasar e sistematizar sua prática e
seus cuidados, de modo a favorecer uma assistência funda-
mentada não somente na dimensão biológica do ser humano,
mas na compreensão do homem como ser social e ator princi-
pal no processo saúde-doença, seja no âmbito hospitalar, seja
na saúde coletiva.1
Um exemplo disso é a atuação da Enfermeira na Estratégia
Saúde da Família (ESF), programa que visa à reorganização
da Atenção Básica no Brasil, de acordo com os preceitos do
Sistema Único de Saúde (SUS). Intensos debates acerca dos
processos de trabalho da Enfermeira ocorreram no segundo se-
mestre de 2017. No entanto, apesar da existência da legislação
pertinente, a identidade profissional da Enfermeira sofreu uma
restrição imposta pela decisão liminar proferida no processo
movido pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) em no-
vembro do mesmo ano, a qual suspendeu temporariamente a
Portaria nº 2.488 de 2011, nomeadamente no fragmento que
permite à Enfermeira requisitar exames complementares. Tal
situação prejudicou a efetividade do atendimento na Atenção
Básica em vários programas de saúde, como o ''hiperdia'' (dia-
béticos e hipertensos), tuberculose, hanseníase, infecções se-
xualmente transmissíveis (IST/AIDS), dentre outros agravos.
O impacto alastrou-se ainda no pré-natal de baixo risco, atra-
sando ou inviabilizando exames essenciais como o VDRL
(Venereal Disease Research Laboratory - sífilis) em um mo-
mento crítico no qual o Brasil enfrentava epidemia declarada
de sífilis, associada a complicações graves, inclusive cegueira
e morte neonatal.2
Avanços em outras profissões de saúde asseguram sua par-
cela no cuidado com o paciente, seja no tratamento de feridas
ou na administração parenteral de medicamentos e vacinas,
em detrimento à tradicional seara da Enfermagem, que tem
perdido espaço.3,4 Desde a década de 70 a Enfermagem de-
fronta-se com dualidade de rumos a serem seguidos no que se
refere a desenvolver-se como ciência própria ou tornar-se a
profissão que assiste à equipe multiprofissional cuidar, mas
deixa de assistir e gerenciar a multifacetada ação cuidativa de
Enfermagem em sua plenitude. Acredita-se ser a Enfermagem
uma ciência aplicada, na fase científica, desenvolvendo suas
teorias, sistematizando seus conhecimentos, pesquisando e tor-
nando-se dia a dia uma ciência. É a partir do Processo de En-
fermagem (PE) que a profissão atinge a maioridade, porém, a
autonomia profissional só será adquirida no momento em que
toda classe passar a utilizar essa metodologiacientífica em
suas ações.5
A efetivação da Sistematização da Assistência de Enferma-
gem continua sendo no cotidiano da Enfermagem brasileira
um desafio e requer planejamento de ações, dimensionamento
adequado de profissionais e resgate de conhecimentos relacio-
nados à Semiologia e Semiotécnica do Cuidar, Fisiopatologia,
Farmacologia e Clínica. O enfermeiro ao pensar no Processo
de Enfermagem deve fazer uma abordagem centrada não ape-
nas nas necessidades fisiológicas, mas nos aspectos biopsicos-
social, espiritual e cultural.1
A Lei nº 7.498, do Exercício Profissional de Enfermagem,
em seu art. 11, alínea c, afirma que “O enfermeiro exerce to-
das as atividades de Enfermagem, cabendo-lhe: 1) Privativa-
mente:... c) planejamento, organização coordenação e ava-
liação dos serviços de assistência de Enfermagem”.6 Nestes
termos, o aspecto ético-legal para realização do Processo de
Enfermagem ancora-se no arcabouço normativo e para o Exer-
cício da Enfermagem pelo Decreto 94.406 de 08/06/87, que
regulamenta a Lei 7.498 de 25/06/86 - Lei do Exercício profis-
sional, especificamente em seus artigos terceiro e oitavo, a sa-
ber: ''Art. 3°: A Prescrição integrante da assistência. Art. 8°: A
Consulta e prescrição são privativas do enfermeiro (a)''. As
concepções preliminares evoluíram e o processo cunhou-se de
novos significados e expressões, passando a ser denominado
Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE).7
Diversos modelos teóricos são desenvolvidos e aplicados
na prática de cuidado da Enfermeira na saúde coletiva e na
área hospitalar, no intuito de encontrar respostas a problemas
de saúde e de doença, em que o modelo clínico essencialmente
biomédico não é resolutivo em sua totalidade. Buscar integrar
os conhecimentos das ciências da natureza com das ciências
sociais e compreensivas, objetivando assistir o ser humano
dentro de uma perspectiva ampla e integral, pode ser um novo
desafio a ser percorrido por todos os que diretamente ou indi-
retamente estão preocupados com as condições de saúde e de
adoecimento da humanidade.1
Em 2009 o Conselho Federal de Enfermagem (COFEN)
publicou a Resolução 358/2009 (revogando a resolução
272/2002) a qual dispõe sobre a ''Sistematização da Assistên-
cia de Enfermagem e a implantação do Processo de Enferma-
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Gonçalves dos Santos, Emíllia Conceição y col. Processo de Enfermagem de Wanda Horta - Retrato da obra e reflexões
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gem em ambientes públicos ou privados, em que ocorre o cui-
dado profissional de Enfermagem e das outras providências''.
Especifica claramente que a SAE deve ser realizada em toda
instituição de saúde, seja pública ou privada e que todas as
etapas deste processo sejam registradas minuciosamente no
prontuário do paciente. A Sistematização da Assistência de
Enfermagem organiza o trabalho profissional quanto ao méto-
do, pessoal e instrumentos, tornando possível a operacionali-
zação do processo de Enfermagem. Desta feita, o Processo de
Enfermagem (Processo de Atenção em Enfermagem - PAE) é
um instrumento metodológico que orienta o cuidado profissio-
nal de Enfermagem e a documentação dessa prática. A opera-
cionalização e documentação do Processo de Enfermagem
evidencia a contribuição da Enfermagem na atenção à saúde
da população, aumentando a visibilidade e o reconhecimento
profissional.8
No Brasil, o marco inicial referente ao emprego da siste-
matização das ações de Enfermagem ocorreu a partir da publi-
cação do livro “Processo de Enfermagem” (PE) de Wanda de
Aguiar Horta, na década de 1970. Baseada na Teoria da Moti-
vação Humana, conhecida por Necessidades Humanas de
Maslow, sob a classificação de João Mohana, a mesma propôs
uma metodologia científica para realização das atividades de
Enfermagem a qual denominou PE. Essa metodologia é per-
meada pelo processo organizado, lógico e sistemático e com-
põe seis etapas: histórico de Enfermagem, diagnóstico de En-
fermagem, plano assistencial, prescrição de Enfermagem, evo-
lução e prognóstico de Enfermagem.5
A Teoria da Motivação é comumente denominada pela En-
fermagem de Teoria das Necessidades Humanas Básicas, a
qual foi aplicada por meio das pesquisas de uma Enfermeira e
Professora, a doutora Wanda de Aguiar Horta, pioneira no
Brasil no que se refere à sistematização (Processo de Atenção
em Enfermagem). Sendo um modelo estrutural voltado à En-
fermagem, é específico e direcionado ao processo de cuidar
em Enfermagem. Entretanto, sua estruturação enquanto
Pro-cesso de Enfermagem apresenta significantes distinções,
por exemplo, face ao modelo estrutural de PE proposto pela
American Nurses Association (ANA) bem como o modelo es-
trutural de Taxonomia Diagnóstica da NANDA Internacional
(NANDA-I).9
Na aplicação do PE são necessárias habilidades interpes-
soais e de raciocínio crítico que se constituem como caracte-
rísticas que subsidiam a prática do método de acordo com os
preceitos do mesmo. Para que as Enfermeiras trabalhem com
segurança, a qualidade do cuidado é essencial de maneira que
sejam identificados dados essenciais que sinalizem mudanças
no estado de saúde; priorização dos problemas que necessitam
intervenção imediata daqueles que poderão ser abordados sub-
sequentemente e implementação de ações as quais corrijam ou
minimizem riscos à saúde. Essas ações devem ser cientifica-
mente justificadas tendo em vista as suas indicações.10
Desta maneira, os objetivos deste artigo são: descrever a
metodologia assistencial de Enfermagem proposta por Wanda
de Aguiar Horta; refletir sobre a metodologia assistencial de
Enfermagem proposta por Wanda de Aguiar Horta e destacar
as vantagens e desvantagens da metodologia assistencial de
Enfermagem proposta por Wanda de Aguiar Horta.
Metodologia
Este estudo trata-se de uma revisão narrativa, reflexiva, ex-
ploratória com finalidade de revisitar a temática do PE propos-
to por Wanda de Aguiar Horta. A revisão narrativa é apropria-
da para discutir o estado da arte de um determinado assunto,
tendo em vista a tessitura de reflexões em torno desde tema.
Todavia, é essencial para a aquisição e atualização do conheci-
mento sobre uma questão específica, evidenciando argumen-
tos, métodos e subtemas que têm recebido maior ou menor ên-
fase na literatura selecionada.
 Por isso, as principais referências são as obras da mesma
autora e conceitos /teorias que a fundamentaram em seus estu-
dos, bem como trabalhos adjacentes. No delineamento do es-
tudo, não há arco temporal limitado e esta amplitude justifica-
se pela historicidade e primazia de Horta no que tange aos as-
pectos científico-metodológicos da Sistematização da Assis-
tência de Enfermagem em solo brasileiro.
A coleta de dados foi realizada no segundo semestre de
2018 e foram empregados os termos de indexação ou descrito-
res: processo de Enfermagem, teoria de Enfermagem, edu-
cação em Enfermagem; isolados e em combinação, nas bases
de dados BDENF e LILACS. O critério utilizado para inclusão
das publicações era possuir as expressões utilizadas nas buscas
no título ou palavras-chave, evidenciar no resumo que o texto
se relaciona ao PE estruturado por necessidades humanas bási-
cas ou com aspectos vinculados à Wanda Horta. Foram captu-
rados 12 artigos e após aplicação dos critérios, foram selecio-
nadas 5 investigações que tratavam pontualmente das propo-
sições de Horta referentes ao PE. Foram utilizadas ainda obras
literárias clássicas de Wanda Horta, documentos regulatórios
do exercício profissional de Enfermagem e livros diversos,
como aqueles os quais Horta utilizou-se, para balizar suas con-
cepções teóricas (Maslow e Mohana). Artigos que abordassem
o PE por outros modelos teórico-conceituais, artigos duplica-
dos, artigos que não estivessem em Língua Portuguesa,não
coerentes com o objetivo e indisponíveis em texto completo
foram excluídos.
Após terem sido recuperadas as informações-alvo, foram
conduzidas, inicialmente, a leitura dos títulos e resumos dos
artigos, não tendo ocorrido exclusão de publicações nessa eta-
pa. Posteriormente, foi realizada a leitura completa dos cinco
textos.
Como eixos de organização e apreciação, buscou-se ini-
cialmente classificar os estudos quanto às particularidades da
amostragem, agrupando aqueles cujas amostras são artigos pu-
blicados de autoria de Horta e colaboradores, artigos publica-
dos sobre a presente temática de autorias diversificadas e liv-
ros.
A partir daí, prosseguiu-se com a análise da fundamen-
tação teórica dos estudos, bem como a observação das caracte-
rísticas gerais dos materiais, tais como ano de publicação se-
guido de seus objetivos. Por fim, realizou-se a observação da
metodologia aplicada, resultados obtidos e discussão. Especi-
ficamente, para analisar a produção científica identificada, não
se utilizaram técnicas qualitativas e/ou quantitativas específi-
cas de tratamento de dados, tendo sido feita a análise de cada
um dos textos.
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Gonçalves dos Santos, Emíllia Conceição y col. Processo de Enfermagem de Wanda Horta - Retrato da obra e reflexões
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Marcos Teóricos
Optou-se por desmembrar esta fase três componentes didá-
ticos para melhor aprofundamento teórico: "Teoria da Moti-
vação Humana", ''A Enfermagem e as Necessidades Humanas
Básicas'' e "O Processo de Enfermagem".
A Teoria da Motivação Humana
Esta secção descreve a Teoria das Necessidades Humanas
de Maslow a qual está diretamente relacionada com a
concepção epistemológica e metodológica dos trabalhos de
Horta.
O Modelo Conceitual proposto por Horta foi desenvolvido
a partir da Teoria de Abraham Maslow11, a qual teve como pe-
dra basilar suas observações como psicólogo. Fundamenta-se
na motivação humana para satisfação das necessidades básicas
e foi enunciada em meados da década de quarenta. Pratica-
mente todas as teorias históricas e contemporâneas de moti-
vação se unem na consideração das necessidades, impulsos e
estados motivadores.12 O modelo de Maslow propõe a noção
de necessidade como fonte de energia das motivações existen-
te no interior das pessoas.13
A teoria sustenta-se e compreende leis biofísicas que con-
trolam fenômenos universais, como por exemplo: a lei de
equilíbrio, homeostase ou homeodinâmica. A enunciação des-
sa lei refere que em que todo universo se mantém por proces-
sos de equilíbrio dinâmico entre seus seres. A lei da adaptação
igualmente é tomada por fundamento, pela qual todos os seres
interagem com seu meio externo buscando formas de ajusta-
mento para se manter em constância. A lei do holismo descre-
ve que o universo considera a totalidade, o ser humano consti-
tui-se em partes em interação ecológica-social, sendo visto
globalmente. Deve-se evitar a fragmentação e reducionismo
por meio de inter e transdisciplinaridade das ciências. Assim,
o ''todo'' não é meramente a soma das partes constituintes de
cada ser.14
Necessidade é a privação de certas satisfações. A teoria
propõe que os fatores de satisfação do ser humano dividem-se
em cinco níveis dispostos em forma de pirâmide11, como ilus-
trado na Figura 1.
Figura 1. Pirâmide das necessidades humanas básicas
Fonte: Construída por Gonçalves dos Santos, Emíllia C.; de Almeida, Yasmin Saba, 2019. Baseado em Maslow, Abraham Harold.
Introdução à psicologia do ser. Rio de Janeiro: Eldorado, 1962.
As necessidades de nível inferior constituem a base da pi-
râmide e compreendem as necessidades fisiológicas e de segu-
rança. O topo da pirâmide é constituído pelas necessidades de
nível elevado, representantes da busca pela individualização
do ser. São as imprescindibilidades sociais, de estima e de au-
torrealização. À medida que um nível de necessidade é atendi-
do, o próximo torna-se preponderante. Cada um dos níveis
pode ser definido da seguinte forma: 1. Fisiológicas: incluem
fome, sede, abrigo, sexo e outras necessidades corporais. 2.
Segurança: abrange segurança e proteção contra danos físicos
e emocionais. 3. Sociais: alberga afeição, aceitação, amizade e
sensação de pertencer a um grupo. 4. Estima: envolve fatores
internos de estima, como respeito próprio, realização e autono-
mia; e fatores externos de estima, como status, reconhecimen-
to e atenção. 5. Autorrealização: a intenção de se tornar tudo
que a pessoa é capaz de ser, desenvolvendo o próprio poten-
cial.15
A maior parcela dos conceitos de motivação desenvolvera-
se a partir do artigo A theory of human motivation16 e do livro
Motivation and personality.17 O objetivo era elaborar uma teo-
ria positiva da motivação e estivesse em conformidade com os
fatos clínicos e observados experimentalmente. Procede-se a
classificação das necessidades em seis grupos. As cinco pri-
meiras apontadas como famílias de necessidades básicas: as
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Gonçalves dos Santos, Emíllia Conceição y col. Processo de Enfermagem de Wanda Horta - Retrato da obra e reflexões
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necessidades fisiológicas, necessidades de segurança, necessi-
dade de amor, necessidade de estima, necessidades de auto-
rrealização, necessidades de conhecer e compreender. Diver-
sos estudiosos ignoram a última categoria, talvez pelas hetero-
geneidades coletividades humanas.
As necessidades fisiológicas são consideradas dominantes,
ou seja, se há ausência de vários grupamentos de necessida-
des, provavelmente, a motivação será pautada nas necessida-
des fisiológicas. No caso de o organismo ser gerido por uma
das necessidades fisiológicas, as demais serão colocadas em
segundo plano e a ação humana terá como foco satisfazer tal
necessidade fisiológica. O divisor de águas é determinado
quando a necessidade fisiológica é atendida e surgem novas
necessidades. Uma vez que seja atendida, deixará de existir
como decisivo no comportamento e passará a assumir o papel
de necessidade potencial, podendo surgir novamente se não
forem satisfeitas. As necessidades de segurança surgem quan-
do as fisiológicas estão completas ou relativamente satisfei-
tas.11 Desta feita, as necessidades humanas tendem a obedecer
a uma hierarquia, ou seja, uma escala de valores a serem trans-
postos. A partir do momento em que o indivíduo satisfaz uma
necessidade, surge outra em seu lugar, exigindo sempre que as
pessoas busquem meios para satisfazê-la.1
Pode-se observar a necessidade de segurança de maneira
mais clara nos bebês e crianças, uma vez que não inibem a sua
reação ao sentirem insegurança. Tal segurança pode ser ex-
pressa tanto fisicamente, como por exemplo, o bebê não sentir
mais o colo da mãe. No que tange ao emocional, o medo da
criança de perder o amor dos pais. A necessidade de segu-
rança, mais notada nos adultos, pode ser percebida na necessi-
dade de uma religião ou filosofia que organiza o universo e a
si de forma coerente e segura.11 Neste ponto, considera-se o
homem inseguro para escolher sozinho seus princípios e virtu-
des, exigindo uma base ideológica para justificar seus atos.
Logo que as necessidades de segurança sejam parcialmente
saciadas, começará o ciclo da necessidade de amor e de per-
tença, também denominada gregária. O ser humano demanda
manter relações afetivas com outras pessoas, desejando al-
cançar uma posição no grupo. A não satisfação dessas necessi-
dades é a causa mais encontrada na sociedade dos casos de
psicopatologia graves. 
Assegura-se, ainda, ser inverdade considerar o sexona cla-
sse das necessidades de amor e pertencimento.17 O sexo pode
ser estudado como uma necessidade puramente fisiológica e
que o comportamento sexual é determinado, também, por ou-
tras necessidades. A maioria das pessoas estabelece elevada
avaliação de si mesma no que tange ao auto-respeito, a autoes-
tima e estima dos outros. As necessidades de estima podem
ser divididas em dois subgrupos. O primeiro compreende o
desejo de força para conquistar, a independência e a liberdade.
O segundo, o desejo de prestígio, importância ou apreço.
Quando satisfeitas, tais necessidades conduzem a sensação de
autoconfiança, valor, força e capacidade de ser útil ao mundo.
Porém, a frustração destas leva a sentimento de inferioridade,
fraqueza e impotência que, consequentemente, originam o
desânimo e depressão. Ainda que todas as necessidades bási-
cas estejam, pelo menos, parcialmente satisfeitas, um indiví-
duo pode sentir-se descontente por não estar utilizando toda a
sua capacidade. A necessidade humana de ser tudo o que pode
alcançar chama-se necessidade de autorrealização.
Existem algumas condições para a satisfação das necessi-
dades básicas, como a liberdade de expressão, de busca pelas
informações, a justiça, honestidade e ordem social. Sem essas
condições a satisfação das necessidades básicas torna-se impo-
ssível ou gravemente ameaçada.
A hierarquia dos grupos não obedece a uma ordem fixa,
contradizendo o começo das discussões motivacionais, onde
se defende que uma necessidade só surge após a necessidade
de nível inferior ser, no mínimo, parcialmente atendida. Exis-
tem diversos casos onde se pode notar a inversão da hierar-
quia. Por vezes, as pessoas sentem a necessidade de autoesti-
ma antes da necessidade de amor. Em outras, o nível de aspi-
ração pode prescindir-se, como num caso de longo período de
desemprego e a garantia de comida suficiente já o satisfaz.11
Desta forma, a cultura de cada sociedade também deve ser
considerada na classificação das necessidades básicas. Porém,
em experiências antropológicas constatou-se que, mesmo par-
ticipando de sociedades diferentes, os indivíduos apresentam
verossimilhanças, num primeiro momento.
As necessidades não devem ser consideradas como as ex-
clusivas determinantes do comportamento, pois este é direcio-
nado por multifatoriedade. No contexto das determinantes mo-
tivacionais, o comportamento tende a ser motivado por diver-
sas necessidades básicas em concomitância. É possível anali-
sar o ato de um indivíduo e perceber a evidência de suas nece-
ssidades fisiológicas, de segurança, de amor, de estima e auto-
rrealização. Pode-se dizer ainda, que nem todo comportamen-
to é motivado, como o comportamento expressivo, considera-
do apenas um reflexo da personalidade.17
A Enfermagem e as Necessidades Humanas Básicas
Horta18 construiu uma definição bem específica sobre En-
fermagem:
A Enfermagem é um serviço prestado ao homem, em que o Homem como
parte integrante do Universo está sujeito a estados de equilíbrio e desequilí -
brio no tempo e no espaço. O próprio Homem, como agente de mudança é
também a causa de equilíbrio e desequilíbrio em seu próprio dinamismo. As-
sim, a Enfermagem é parte integrante da equipe de saúde e como parte inte-
grante da equipe de saúde, a Enfermagem mantém o equilíbrio dinâmico, pre-
vine desequilíbrios e reverte desequilíbrios. O Homem tem necessidades bási-
cas que precisam ser atendidas para seu completo bem-estar. O conhecimento
do Homem a respeito do atendimento de suas necessidades é limitado por seu
próprio saber exigindo, por isto, o auxílio de profissional habilitado. Em esta-
dos de desequilíbrio esta assistência se faz mais necessária. Todos os conheci-
mentos e técnicas acumuladas sobre a Enfermagem dizem respeito ao cuidado
do ser humano, isto é, como atendê-lo em suas necessidades básicas. A Enfer-
magem assiste o Homem no atendimento de suas necessidades básicas, valen-
do-se para isto dos conhecimentos e princípios científicos das ciências físico-
químicas, biológicas e psicossociais.18
Observa-se que Wanda Horta define o que a Enfermagem
faz, fornecendo-lhe uma identidade profissional: a Enferma-
gem como parte integrante da equipe de saúde empreende es-
tados de equilíbrio, previne estados de desequilíbrio e reverte
desequilíbrios em equilíbrio pela assistência ao homem no
atendimento de suas necessidades básicas. Procura reconduzir
o homem a situação de equilíbrio dinâmico no tempo e es-
paço. Desta teoria decorrem definições, proposições e princí-
pios que fundamentam a ciência de Enfermagem.19
Nestes termos, a Enfermagem é a ciência e a arte de assis-
tir ao ser humano (indivíduo, família e comunidade) no atendi-
mento de suas necessidades básicas, de torná-lo independente
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Gonçalves dos Santos, Emíllia Conceição y col. Processo de Enfermagem de Wanda Horta - Retrato da obra e reflexões
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desta assistência, quando possível, pelo ensino do autocuida-
do; de recuperar, manter e promover a saúde em colaboração
com outros profissionais. Assistir em Enfermagem é fazer
pelo ser humano tudo aquilo que não pode fazer por si mesmo;
auxiliar quando parcialmente impossibilitado de autocuidar-
se; orientar ou ensinar, supervisionar e encaminhar a outros
profissionais.20
A ciência da Enfermagem compreende o estudo das neces-
sidades humanas básicas, dos fatores que alteram sua manifes-
tação e atendimento e na assistência a ser prestada. A partir
dessa assertiva, Horta19 infere alguns princípios: 1. A Enfer-
magem respeita e mantém a unicidade, autenticidade e indivi-
dualidade do Homem. 2. A Enfermagem é prestada ao Ho-
mem e não à sua doença ou desequilíbrio. 3. Todo o cuidado
de Enfermagem é preventivo, curativo e de reabilitação. 4. A
Enfermagem reconhece o Homem como membro de uma fa-
mília e de uma comunidade. 5. A Enfermagem reconhece o ser
humano como elemento participante ativo no seu autocuidado.
Para que a Enfermagem atue eficientemente, necessita des-
envolver sua metodologia de trabalho que está fundamentada
no método científico. Este método de atuação da Enfermagem
é denominado Processo (de Atenção) de Enfermagem.18
O Processo de Enfermagem
O Processo de Enfermagem (PE) é a dinâmica das ações
sistematizadas e inter-relacionadas, visando à assistência ao
ser humano e caracteriza-se pelo inter-relacionamento e dina-
mismo de suas fases ou passos. A interrelação e a igual impor-
tância destas fases no processo podem ser representadas grafi-
camente na Figura 2, por um hexágono, cujas faces são veto-
res bi-orientados, demonstrando a re-interação de movimen-
tos. No centro deste hexágono situar-se-ia o indivíduo, a famí-
lia e a comunidade. Distinguem-se seis fases ou passos.5
Figura 2. Hexágono de Horta representando a dinâmica do Processo de Enfermagem
Fonte: Construída por Gonçalves dos Santos, Emíllia C; de Almeida, Yasmin Saba, 2019. Baseado em Horta, Wanda de Aguiar. Enfermagem: teoria, con-
ceitos, princípios e processo. Revista da Escola de Enfermagem da USP 1974; 8(1):7-17. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v8n1/0080-6234-
reeusp-8-1-007.pdf [acesso: 16/05/2018].
A expressão “Processo de Enfermagem” foi empregada
pela primeira vez por Ida Orlando e Martha Rogers, em 1961
para explicar o cuidado de Enfermagem.5
Com finalidade de obter a interpretação mais acurada
possível dos termos utilizados por Horta, há de se possuir fa-
miliaridade com alguns conceitos, como por exemplo, concei-
tos acerca de necessidade, necessidade básica, necessidade hu-
mana básica afetada e problema de Enfermagem.
''Necessidade'' é a falta de algo desejável e ''Necessidade
Básica'' é aquela a qual sua ausência determina doença e sua
presença evita a doença.21,22 Horta aprimorou conceitose
cunhou o termo ''Necessidade Humana Básica Afetada'', como
estados de tensões, conscientes ou não, resultantes de desequi-
líbrios dos processos vitais.5 Ela designou também como Pro-
blema de Enfermagem "situações ou condições decorrentes
dos desequilíbrios das necessidades humanas básicas que exi-
gem assistência de Enfermagem." Pode-se citar como exem-
plos a necessidade de oxigenação, a cianose ou a dispnéia. A
necessidade de amor poderia estar presente em manifestações
como depressão, choro, apatia.
Horta desenvolveu a diferenciação entre assistência e cui-
dado, sendo ''Assistência de Enfermagem'' a aplicação, pela
enfermeira, do processo de Enfermagem para prestar o con-
junto de cuidados e medidas que visam atender as necessida-
des básicas do ser humano. ''Cuidado de Enfermagem'' é en-
tendido como a ação planejada, deliberativa ou automática da
enfermeira, resultante de sua percepção, observação e análise
do comportamento, situação ou condição do ser humano.18
Atinente a isso, a estrutura das Necessidades Humanas de
Maslow22, designada enquanto Teoria da Motivação Humana é
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http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v8n1/0080-6234-reeusp-8-1-007.pdf
http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v8n1/0080-6234-reeusp-8-1-007.pdf
Gonçalves dos Santos, Emíllia Conceição y col. Processo de Enfermagem de Wanda Horta - Retrato da obra e reflexões
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amplamente aceita como base assistencial porque pode ser
usada com diversas Teorias de Enfermagem sem entrar em
conflito.21 Nas Ciências de Enfermagem, entende-se que existe
certa hierarquia para tais necessidades. As necessidades de ní-
vel inferior são àquelas ligadas à sobrevivência, são funções
vegetativas, as quais preenchem quesitos de necessidades físi-
cas que precisam ser atendidas para que a vida orgânica conti-
nue.
Nunca há satisfação completa e permanente de uma neces-
sidade, pois, se houvesse, não haveria mais motivação indivi-
dual.22
Wanda Horta5 recomendara utilizar na Enfermagem a de-
nominação de João Mohana23 o qual fixa uma classificação
para as necessidades, a saber, de nível psicobiológico, psicos-
social e psico-espiritual. Assim, Horta estruturou a Teoria das
Necessidades Humanas Básicas (NHB) abarcando conceitos
oriundos da Teoria da Motivação Humana de Maslow17 e de
João Mohana23 em sua obra "O Mundo e Eu". A Teoria de W.
Horta, a rigor, um Modelo Conceitual, apresentara perspectiva
ampla que classifica as necessidades humanas em níveis psi-
cobiológicos, psicossociais e psicoespirituais, as quais pos-
suem uma categorização hierárquica, considerando o ser hu-
mano a partir das suas necessidades básicas, permitindo a ela-
boração de ações sistematizadas de Enfermagem, fundamen-
tando a assistência prestada.
Assim, existem as necessidades fisiológicas, como necessi-
dade de oxigenação, hidratação, alimentação, manutenção de
temperatura adequada, eliminações, sono/repouso, ausência de
dor. Necessidade de Segurança e Proteção: física e psicológi-
ca; de Amor e Gregária: referindo-se ao sentido de pertencer,
de família e pessoas significativas; Necessidade de Autoesti-
ma, ou seja, de estar satisfeito consigo, manter boa autoima-
gem; e de Autorrealização, significando crescer e desenvolver-
se, atingir metas. O quadro sinóptico a seguir organiza os con-
ceitos ora elencados. [Quadro 1]
O Processo de Enfermagem proposto por Wanda de
Aguiar Horta é composto por seis fases: Histórico de Enfer-
magem, Diagnóstico de Enfermagem, Plano Assistencial, Pla-
no de Cuidados ou Prescrição de Enfermagem, Evolução e
Prognóstico.5
Quadro 1. Classificação das Necessidades Humanas Básicas
Necessidades
psicobiológicas
Necessidades
psicossociais
Necessidades
psicoespirituais
Oxigenação
Hidratação
Eliminação
Sono e Repouso
Exercício e atividade física
Sexualidade
Abrigo
Mecânica corporal
Motilidade
Integridade cutaneomucosa
Integridade física
Regulação: térmica, hormonal,
neurológica, hidrossalina, eletrolítica,
imunológica, crescimento celular,
vascular
Locomoção
Percepção: olfativa, visual, auditiva,
tátil, gustativa, dolorosa
Ambiente
Terapêutica
Segurança
Amor
Liberdade
Comunicação
Criatividade
Aprendizagem (educação à saúde)
Gregária
Recreação
Lazer
Espaço
Orientação no tempo e espaço
Aceitação
Autorrealização
Autoestima
Participação
Autoimagem
Atenção
Religiosa ou teológica
Ética ou de filosofia de vida
Fonte: Horta, Wanda de Aguiar. O processo de Enfermagem. São Paulo: EPU/EDUSP, 1979.
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Resultados e discussão
O Histórico é roteiro sistematizado para o levantamento de
dados do paciente significativos para Enfermagem e que torna
possível a identificação de seus problemas. Estes dados, con-
venientemente analisados e avaliados, levarão ao segundo pas-
so: Diagnóstico de Enfermagem - A identificação das
necessidades do ser humano que precisam de atendimento e a
determinação, pela enfermeira, do grau de dependência perti-
nente a este atendimento em natureza e extensão.18 O bom his-
tórico é conciso e informativo, determinando prioridades de
cuidado imediato, devendo, entretanto, manter individuali-
zação do paciente. Pode ser realizado como uma entrevista in-
formal ou na ocasião da admissão à unidade. Avalia-se o esta-
do geral do paciente e registram-se dados sociodemográficos.
O Histórico de Enfermagem pode ser padronizado pela insti-
tuição, porém em geral é necessária experiência para sua exe-
cução eficiente e eficaz. Além disso, o histórico é composto
por quatro etapas interligadas, que não são estanques: identifi-
cação, hábitos relacionados às necessidades básicas, manu-
tenção de saúde e queixa principal/exame físico.5 Pretendera-
se esclarecer a aplicabilidade do PE por meio de um relato de
caso clínico, conforme a seguir:
O. P. S. 37 anos, sexo feminino, branca, casada, com duas filhas (7 e 5
anos). É católica praticante, brasileira, tem curso primário completo, é natural
e procedente de São Paulo. Foi admitida pelo ambulatório, é a segunda inter-
nação no hospital. Diagnóstico médico: incontinência urinária. Percepções e
expectativas: — Tem medo de morrer e deixar as filhas; procurou deixar tudo
em ordem em sua casa antes de ser internada. Gosta do hospital, embora não
tenha ficado satisfeita com o atendimento proporcionado por algumas aten-
dentes quando esteve internada pela primeira vez. Como teve muita dor de es-
tômago e retenção urinaria as atendentes disseram-lhe que era 'manha' de sua
parte. Atribui sua doença ao último parto.24
Ao referir-se à identificação, trata-se da determinação da
natureza ou das características distintivas de um indivíduo,
como nome e endereço.
No segundo momento, a autora faz menção aos hábitos re-
lacionados às necessidades básicas e aponta para as condições
ambientais como moradia, condições higiênico-sanitárias, bem
como aspectos referentes ao auto-cuidado corporal. É impres-
cindível que a Enfermeira, no histórico, pesquise acerca dos
hábitos alimentares no que tange aos aspectos quali-quantitati-
vos e vesico-intestinais. O histórico de Enfermagem deve ain-
da albergar a investigação dos padrões de sono e repouso (ho-
ras noturnas) e reprodutivo - sexual (parceiros, uso de preser-
vativos, métodos contraceptivos) e prática de exercícios físi-
cos. Outros hábitos relacionados às necessidades básicas elen-
cados são referentes ao tempo de qualidade do indivíduo em
recreação e lazer assim como sua participaçãona vida fami-
liar, religiosa, comunitária e na vida profissional.18
A terceira categoria de informações a serem coletadas no
Histórico de Enfermagem é denominada por Horta como
necessidade de Manutenção de Saúde. Diz respeito ao calen-
dário vacinal e saúde bucal. A seguir, a teórica estabelece o
foco da Enfermeira sobre a necessidade realizar com autono-
mia o Exame Físico. Salientou-se a necessidade da correta
execução da higienização das mãos e a não expor-se
desnecessariamente o paciente. O exame físico proposto, na
década de 70 por Horta20, fora revolucionário para época e en-
volvia metodologia céfalo-caudal; hodiernamente designado
também como céfalo-podálico e orientara acerca da realização
de técnicas propedêuticas como inspeção e palpação. Apontara
para uma parcimoniosa avaliação do estado geral do cliente e
perpassava por itens como facies, coramento cutâneo mucoso,
dados antropométricos e postura, sinais vitais bem como con-
dições de higiene e condições venosas e musculares tendo em
vista administração de medicações.
Concluía-se esta etapa de sistematização por meio do re-
gistro da Queixa do Paciente, a saber, o que o utente referia
acerca de seu estado de saúde.
Analisando os dados colhidos no histórico, são identifica-
dos os problemas de Enfermagem. Estes, por sua vez, levam à
identificação das necessidades humanas básicas afetadas e do
grau de dependência do paciente com relação à Enfermagem.
[Figura 3]
Figura 3. Esquema das ações de Enfermagem segundo o grau de dependência
Fonte: Construída por Gonçalves dos Santos, Emíllia C.; de Almeida, Yasmin Saba, 2019.
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A metodologia assistencial proposta por Horta é bastante
peculiar relativamente à formulação dos diagnósticos de En-
fermagem. O Diagnóstico de Enfermagem (DE) é "a identifi-
cação das necessidades do ser humano que necessitam atendi-
mento e a determinação do grau de dependência do mesmo
com relação à assistência de Enfermagem, em natureza e ex-
tensão".18 Na qualificação de dependência total está implícita a
extensão e a natureza do cuidado o qual compreende tudo
aquilo que a Enfermagem realiza pelo ser humano quando este
não tem condições de executar por si, seja qual for a causa.
Em havendo dependência parcial, a assistência de Enferma-
gem pode situar-se em termos de ajuda, orientação, supervisão
e encaminhamento, havendo uma ordenação sequencial fluida
e inter-relacionada desta assistência, isto é, quando a depen-
dência é de ajuda, esta implica necessariamente em orientação,
supervisão ou encaminhamento, quando couber.5
O Plano Assistencial refere-se à determinação global da
assistência de Enfermagem que o indivíduo recebe de acordo
com o DE e é avaliado diariamente. É o resultado da análise
do DE, examinando-se os problemas de Enfermagem, as nece-
ssidades afetadas e o grau de dependência, seja total ou par-
cial. O plano é sistematizado em termos do conceito de assistir
em Enfermagem, isto é, encaminhamentos, supervisão (obser-
vação e controle), orientação, ajuda e execução de cuidados
(realizar).5,18 Algumas orientações funcionais para redação de-
vem ser seguidas, como por exemplo, compreender que sendo
o plano uma ferramenta de grande amplitude, não tem a carac-
terística de especificar a ação. As especificações são assinala-
das no plano de cuidados (prescrição de Enfermagem), que se
constitui na etapa seguinte. Deve-se redigir primeiro os cuida-
dos referentes às necessidades cuja categorização é de depen-
dência total. Atenta-se igualmente para o título geral: fazer,
ajudar; e em um segundo momento; orientar, supervisionar e
encaminhar. O cuidado de Enfermagem deve ser escrito de
maneira genérica, a saber, "Lavar cabelos", "Registrar tempe-
ratura, pulso, frequência ventilatória e tensão arterial",
"Banhar no leito", "Realizar tratamento da ferida".5
O Plano de cuidados é referente à implementação do plano
assistencial pelo roteiro diário que coordena a ação da equipe
de Enfermagem na execução dos cuidados adequados ao aten-
dimento das necessidades básicas e específicas do ser huma-
no.18 Na prática clínica, é a prescrição de cuidados de Enfer-
magem a qual é a dinâmica efetivada do plano assistencial,
avaliado diariamente. Trata-se do roteiro aprazado que coorde-
na a ação da equipe de Enfermagem nos cuidados adequados
ao atendimento das necessidades básicas e específicas do ser
humano.5 Deve-se atentar para enumeração dos cuidados prio-
ritários tendo em vista um objetivo operacional com especifi-
cação da ação, ou seja, da prescrição e para tal, utilizar o ver-
bo no infinitivo, indicando a ação.25 Num caso clínico de
cliente dependente total dos cuidados de Enfermagem relativa-
mente a higiene corporal: "Banhar no leito 1x dia com água
morna e sabonete líquido emoliente", "Realizar tratamento da
ferida com cobertura úmida, oclusiva, ácidos graxos essenciais
em gaze estéril após irrigação com solução de NaCl 0,9%
aquecido em seringa de 20ml e agulha calibre 40x12 (1,2x40-
mm /18G / 1 1/2 inch)".
Evolução de Enfermagem é o relato diário das mudanças
sucessivas que ocorrem no paciente enquanto estiver sob as-
sistência. É uma avaliação global do plano.5 Por meio dela é
possível avaliar as respostas do paciente à assistência prestada.
Entende-se que esta avaliação permeia na realidade todas as
etapas do processo. Devem ser anotados os dados subjetivos e
dados objetivos, de forma clara e sucinta. Deve contemplar a
resolução de problemas de Enfermagem e o atual status diag-
nóstico, e adjuntamente, os aspectos clínicos. Da evolução po-
derão advir mudanças no diagnóstico e plano, demonstrando-
se mudança do estado dos problemas.
O Prognóstico é relacionado à estimativa da capacidade do
ser humano em atender as suas necessidades após a implemen-
tação do plano assistencial e à luz dos dados obtidos pela evo-
lução.5 É a constatação das condições em que o paciente atin-
giu alta: independente dos cuidados ou dependente de cuida-
dos de Enfermagem? Um bom prognóstico é o do cliente que
evolui para restabelecimento de seu autocuidado. Um prog-
nóstico sombrio é referente àquele que se direciona para de-
pendência total dos cuidados de Enfermagem. [Figura 4]
Figura 4. Esquema de prognóstico de Enfermagem
Fonte: Construída por Gonçalves dos Santos, Emíllia C.; de Almeida, Yasmin Saba, 2019.
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Considerando as peculiaridades do Processo de Enferma-
gem é possível tratar as eventuais incorreções em suas fases.
Por motivos didáticos e organizacionais as fases são separa-
das, contudo, não são estanques e sim, fluidas e interligadas.
Ao traçar o diagnóstico e consoante a coleta de dados, é factí-
vel uma previsão aproximada da etapa seguinte. Nesse senti-
do, ao ser determinado o diagnóstico, já se tem ideia do prog-
nóstico, por exemplo.
Apesar da SAE oferecer ao enfermeiro uma possibilidade
de organizar seu trabalho com base em uma filosofia e um mé-
todo que prioriza a individualidade do cuidado, os profissio-
nais enfrentam adversidades para sua prática. As dificuldades
para a sua execução se devem a fatores relacionados às con-
dições de trabalho dos enfermeiros e ainda relacionados ao de-
mérito de suas incongruências as quais o tornaram difícil de
aplicar.
No âmbito dos motivos para a sua frequente ausência na
práxis de Enfermagembrasileira, há relatos de 'falta de tempo',
parco conhecimento teórico, distanciamento de aplicação clí-
nica efetiva e dimensionamento de pessoal (recursos huma-
nos) aquém do necessário. A organização de espaços para dis-
cussão da temática é importante. Acredita-se que trabalhos
que analisem esta interface entre a teoria e a prática da imple-
mentação da SAE devam ser incentivados desde a graduação,
tendo em vista minimizar a dicotomia.26
Inobstante, a importância do PE é diretamente relacionada
à visibilidade do trabalho do Enfermeiro e, por conseguinte,
da identidade profissional. O uso do PE reflete em melhoria da
qualidade dos cuidados de Enfermagem prestados à popu-
lação.9 Assim sendo, é fundamental por várias razões. A SAE
por meio do PE define ações do enfermeiro, determinando
identidade profissional e estimula pesquisa, formação e desen-
volvimento de um corpo de conhecimentos específicos de
Ciências da Enfermagem, fundamental para delinear, manter e
evoluir seu escopo. Igualmente, qualifica o profissional e a as-
sistência prestada, determinado especificidade e especiali-
zação do processo cuidativo, elevando o nível de segurança do
paciente. Corrobora para o alcance de certificações relativa-
mente à acreditações hospitalares e excelência em gestão e
qualidade.
Entretanto, é importante pôr em relevo as insuficiências e
as incongruências do PE formulado por Horta. O número
grande desdobramentos pode determinar menor adesão dos
enfermeiros para realização do processo.
Considera-se ainda, a questão especificamente da etapa
diagnóstica, pois o elemento selecionado como categoria diag-
nóstica por Horta (Necessidade Humana Básica) não represen-
ta um elemento especificador da assistência de Enfermagem,
conforme esquema a seguir: [Figura 5]
Figura 5. Esquema de Necessidade Humana Básica afetada
Fonte: Construída por Gonçalves dos Santos, Emíllia Conceição; de Almeida, Yasmin Saba, 2018.
É possível perceber que para cada problema observado
oriundo da Necessidade Humana Básica (NHB) afetada (cate-
goria) pode ser necessária uma ação distinta, e por isso, sinali-
za-se que a NHB não é elemento especificador da assistência
de Enfermagem. O título diagnóstico e a forma pela qual são
redigidos são imprescindíveis para clareza e especificidade da
nomenclatura.
Embora se esteja perante entidades distintas: o modelo de
Wanda Horta é, sobretudo, uma proposta de metodologia as-
sistencial enquanto a NANDA-I propõe uma taxonomia, no
tocante à análise da fase diagnóstica, pode-se tecer algumas
considerações à guisa de conclusão. A título de exemplo, a ta-
xonomia diagnóstica da NANDA-I por meio do diagnóstico
“Desobstrução ineficaz das vias aéreas” (Ineffective Airway
Clearance) permite que o enfermeiro decida a conduta (isto é,
a ação a ser realizada) de maneira mais célere, como por
exemplo, aspiração das vias aéreas. Ou o DE “Integridade da
pele prejudicada” (Impaired Skin Integrity) em que a enfer-
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meira prontamente vislumbra uma possível resolução do DE
vigente - focado no problema - por meio de mudança de decú-
bito.27 Assim, há direcionamento efetivo para as possíveis
ações as quais podem ser selecionadas pela enfermeira para
atender as necessidades de saúde do usuário do serviço de saú-
de.
Conclusão
O Modelo Conceitual de Horta foi descrito e reflexionado
neste estudo, pois possui grande relevância para as primeiras
discussões e realização do PE no Brasil. As primeiras insti-
tuições a adotá-lo como paradigma para a Enfermagem foram
hospitais universitários e de cardiologia no sudeste e sul do
Brasil, que ainda o utilizam com adaptações, seguidos de vá-
rias outras experiências hospitalares que iniciaram de maneira
diferente o processo de implantação. No que se refere aos mé-
ritos do PE desenvolvido por Wanda de Aguiar Horta, pode-
mos citar o pioneirismo da pesquisadora na questão da Siste-
matização da Assistência de Enfermagem propondo um Proce-
sso de Enfermagem, tornando o Brasil atento a esta questão. A
estudiosa em tela propôs um modelo de planejamento da ação
de Enfermagem que para época (década de 60-70) era revolu-
cionário para a profissão, com finalidade de embasar cientifi-
camente a prática e visando elevar a Enfermagem a um pata-
mar superior.
Prescindindo-se do modelo biomédico de enfoque médico-
patológico, esta foi sua principal vantagem, no qual se procura
individualizar a assistência. Outro aspecto positivo a destacar
é a inserção do prognóstico de Enfermagem, que propicia fe-
chamento e conclusão do processo. Nestes termos, determinou
avanços na Enfermagem brasileira e deve ser honrada. Horta
assegurava que “Autonomia profissional só será alcançada
quando toda a classe utilizar metodologia científica em suas
ações, o que só será possível com o contínuo e eficiente uso
do Processo de Enfermagem”.5 Entende-se que essa assertiva
permanece válida.
Nota
A American Nurses Association (ANA) determina como padrão de prática o Processo de Enfermagem e endossa que em sua etapa
diagnóstica seja utilizada a classificação NANDA. A Associação Norte Americana de Diagnósticos de Enfermagem, posterior -
mente denominada NANDA-Internacional, estruturou um sistema de classificação de linguagem de Enfermagem (Taxonomia
Diagnóstica, de Intervenções e Resultados: NANDA-NIC-NOC).28
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