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A Ciência das Relações Internacionais
Construção de relações internacionais como ciência autônoma e breve análise sobre os conceitos de
Estado e poder, bem como de alguns princípios básicos de segurança internacional.
Prof. Diego Araujo Gois
1. Itens iniciais
Propósito
Estudar a constituição e o desenvolvimento das relações internacionais como ciência, conceituando as
questões de política internacional e as relações entre os Estados.
Objetivos
Descrever como se constituiu o campo científico das relações internacionais.
 
Reconhecer elementos do campo das relações internacionais.
 
Identificar as características da teoria das relações internacionais.
Introdução
Ao longo do tempo, as relações internacionais evoluíram da prática de sujeitos experientes assumindo funções
de negociação para um campo científico de estudos que compreende e discute as relações dos Estados-
nação.
 
Neste tema, abordaremos as características de relações internacionais como ciência, possibilitando o
conhecimento básico e o funcionamento do campo.
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Pierre Bourdieu 
1. O campo científico das relações internacionais
O campo científico
O Mundo das Nações
Neste vídeo, conheça mais sobre o mundo das nações.
Conteúdo interativo
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Para compreendermos a constituição da área de relações internacionais como ciência autônoma e distinta das
outras ciências sociais e humanas, consideramos oportuno fazer uso das contribuições do sociólogo francês 
Pierre Bourdieu (1930-2002).
Pierre Bourdieu
Foi um sociólogo francês que desenvolveu relevantes contribuições para o pensamento sociológico no
século XX. Suas obras colaboraram para a consolidação da chamada teoria crítica, usada para investigar
as relações de poder e as práticas de dominação de um espaço social, que pode ser, por exemplo,
jornalístico, literário, econômico, cultural, educacional, científico, entre muitos outros, no qual é
demarcada a posição social dos agentes e onde eles também se revelam. 
 
Ao refletir como se estabelece a atividade
científica e por que algumas ideias predominam
em detrimento de outras, Bourdieu (1983)
destacava que um campo científico é um
espaço que envolve uma luta concorrencial
entre pesquisadores, pensadores e intelectuais
em uma disputa sobre o monopólio da
autoridade científica. Esse status de autoridade
científica pode ser traduzido em capacidade
técnica e poder social, garantindo ao
pesquisador ou cientista a capacidade de falar
e de agir legitimamente sobre determinado
tema, sendo denominado de capital científico.
Para Bourdieu, o campo científico deve ser
compreendido para além da leitura dos textos, que deve considerar relação e conexão com a realidade social
e econômica dos agentes e das instituições que produzem e reproduzem o conhecimento científico.
 
Nessa linha desenvolvida por Bourdieu, os julgamentos sobre a capacidade científica de um estudante ou de
um pesquisador estão sempre contaminados pela posição que ele ocupa nas hierarquias instituídas das
grandes escolas, dos departamentos ou das universidades. As práticas científicas nunca podem ser
entendidas como práticas desinteressadas ou neutras, já que produzem e supõem uma forma determinada de
interesse.
A ideia de uma ciência neutra é uma ficção.
(BOURDIEU,1983)
A estrutura das relações objetivas entres os agentes determina o que eles podem ou não fazer em um campo
científico. Como as práticas estão orientadas para a aquisição de autoridade científica de certo campo, os
agentes dominantes serão aqueles que conseguirem impor uma definição aceita pelos seus pares ou por um
grupo de cientistas. Assim, para Bourdieu: a autoridade científica é uma espécie particular de capital que pode
ser acumulado, transmitido e, em certas condições, reconvertido em outras espécies de capital ou prestígio
social.
De acordo com Robert Cox, uma teoria é feita por alguém para o benefício de alguém.
Robert Cox
Robert W. Cox nasceu no Canadá, em 1926. Trabalhou na Organização Internacional do Trabalho (OIT)
por mais de 20 anos. Lecionou na Columbia University, em Nova York, antes de assumir um cargo de
professor na Universidade de York, em Toronto, entre 1977 e 1992. Ele foi feito membro da Ordem do
Canadá em 2014. Junto com Susan Strange, Cox é considerado uma das principais figuras da Economia
Política Internacional (IPE), com importante teoria crítica em Relações Internacionais (IR). Seu trabalho é
marcado por uma abordagem historicista única da ordem mundial e da economia política. Seu modo
histórico de pensamento sempre permaneceu heterodoxo e independente de qualquer escola ou
tradição específica.Fonte: PPE, Universidade de Sidney
Tendo essas ideias em mente, propomos a seguinte
reflexão para orientar o nosso estudo: quais são as
condições sociais para que uma verdade se
estabeleça em determinado campo científico?
O ponto fundamental é entender que a ciência é fruto dos interesses sociais, ou seja, são as
dinâmicas do mundo que impulsionam a ciência. Então, em um quadro de formulação, precisamos
perceber a necessidade de uma investigação, de um entendimento que somente a experiência não
resolve.
Por meio dessa questão, podemos avançar na compreensão sobre o desenvolvimento/
desdobramento da área de relações internacionais como campo científico.
O contexto histórico e a necessidade de um saber na
política internacional
Apesar de ser possível identificar contribuições e reflexões importantes sobre política internacional em alguns
autores da antiguidade, como Tucídides e Sun Tzu, e da modernidade, como Maquiavel, Thomas Hobbes, 
Thomas Moore, Hugo Grotius, entre outros, o estabelecimento da área de relações internacionais como
ciência é um fenômeno datado das primeiras décadas do século XX.
Você sabe a importância desses nomes na construção das relações
internacionais?
Tucídides (Século V a.C.)
Foi um historiador e general ateniense que escreveu sobre a história da
Guerra do Peloponeso, uma sucessão de conflitos desencadeados na
antiga Hélade, durante o período da hegemonia militar de Atenas sobre
as outras cidades-Estado gregas. Contratado pelo comandante
ateniense, Tucídides reforçou os conceitos de Estado, identidade e
governo, com as negociações pertinentes, e ficou associado às relações
internacionais.
Sun Tzu (544-496 a.C.)
Escreveu A Arte da Guerra, em que abordou temas relacionados a
estratégias militares de combate, demonstrando os pontos que levam um
combatente a ser vitorioso. Construiu um sistema que valorizava a
composição identitária e a cultura em conflitos e paz.
Nicolau Maquiavel (1469-1527)
Inventor, historiador e músico, Maquiavel é considerado fundador da
ciência política por causa de seus escritos em O Príncipe, que teriam
fortalecido a noção de Estado. Sem a consecução de Estado Moderno, as
relações internacionais seriam impossíveis.
Hugo Grotius (1583-1645)
Considerado o pai do direito internacional, atuou na Holanda, que se
encontrava em uma situação difícil após o enfrentamento com a Espanha.
Escreveu tratados sobre os direitos de Estados e nações, reconhecidos
como a efetiva fundação do pensamento em relações internacionais.
Thomas Hobbes (1588-1679)
Reconhecido como o filósofo iluminista da ciência política em suas teses
sobre contrato social e fundamentações das relações entre reinos, países
e o papel do Estado. A noção de função, organização e dinâmica do
Estado estão na essência do futuro debate de relações internacionais.
Thomas Moore (1779-1852)
Considerado precursor dos diplomatas modernos por sua atuação e
pelas propostas de relação na corte inglesa, um importante humanista do
Renascimento. Foi vital em negociação de conflitos, unindo o papel de
autoridade que cumpria com o de estabelecer bases para negociação e
política.
Atenção
Termos como Estado, Nação, Governo, que você conhece pelas ciências políticas e sociais, foram
tentativas de organização de um campo científico que analisava sistemas humanos. Os conceitos foram
criados ao mesmo tempo em quese materializavam os cotidianos sociais. República é uma ideia, mas ao
mesmo tempo um sistema político reconhecido nos séculos XIX e XX, bem como democracia, eleições,
governo e nação. 
A ideia contemporânea de país gera uma identificação de fronteiras e identidade que associa as noções de 
Estado e Nação como uma força intrínseca a cada região. Dessa forma, recuperamos um longo histórico de
trocas entre os Estados, para concluir que é o seu amadurecimento e o contexto do século XX que inauguram
a ideia de Nação.
 
A partir de conflitos, embaixadas e embaixadores, discussões sobre soberania, fronteira, direito foi
fundamentada a trilha da nova dinâmica mundial, que necessitava de uma estrutura fundamental, um debate
acadêmico e estruturado: surgem as ciências das relações internacionais.
A academia e as relações internacionais
O primeiro departamento de relações internacionais foi criado na universidade escocesa de Aberystwyth, em
1917. A disciplina surgiu no Reino Unido, imediatamente após a Primeira Guerra Mundial. O desenvolvimento e
o estabelecimento da ciência ocorreram nos Estados Unidos, após a Segunda Guerra Mundial (NOGUEIRA;
MESSARI, 2005).
 
Antes desse período, os assuntos internacionais eram exclusividade de uma elite profissional de diplomatas e
militares que, de algum modo, estavam envolvidos com as questões de política externa dos Estados. Foi após
os desdobramentos catastróficos da Primeira Guerra Mundial que um grupo de pesquisadores passou a 
estudar de maneira sistemática os fenômenos da política internacional.
 
Segundo o historiador Eric Hobsbawm, antes de 1914 fazia um século que não havia uma grande guerra
envolvendo todas as grandes potências europeias. Os especialistas e historiadores nos assuntos militares
costumavam utilizar as guerras do século XIX como parâmetro para analisar e esboçar a possibilidade de
novos conflitos.
Nesse período, a duração de uma guerra era medida em meses, ou até mesmo em semanas, e as principais
vítimas das intervenções militares das grandes potências eram escolhidas no mundo fraco, ou seja, nas
colônias, nos países periféricos; raramente um país europeu era escolhido como alvo ou adversário.
 
Entretanto, o que parecia improvável aconteceu: a Primeira Guerra Mundial impactou a vida de praticamente
todas as pessoas do mundo. Quem não estava lutando diretamente nas trincheiras, produzia alguma coisa nos
campos, nas plantações ou nos galpões de indústrias (materiais e suprimentos) para abastecer a máquina de
guerra dos países.
 
A humanidade estava diante de um novo paradigma. Para Hobsbawm, além dos efeitos traumáticos e
profundos na vida política dos Estados, a Primeira Guerra Mundial fez desmoronar o edifício de ideias,
princípios, valores e instituições que davam sustentação à civilização. Nessa linha, o psicanalista Sigmund
Freud (1856-1939) também registrou de maneira precisa o espírito de aflição e desencantamento com o que
acontecia:
A guerra, em que não queríamos acreditar, estalou e trouxe consigo a decepção. Não só é mais
sangrenta e mais mortífera do que todas as guerras passadas, por causa do aperfeiçoamento das armas
de ataque e de defesa, mas, pelo menos, tão cruel, exasperada e brutal como qualquer uma delas.
Infringe todas as restrições a que os povos se obrigaram em tempos de paz – o chamado Direito
Internacional –, não reconhece nem os privilégios do ferido e do médico, nem a diferença entre o núcleo
combatente e o pacífico da população, e viola o direito da propriedade. Derruba, com cega cólera, tudo o
que lhe aparece pela frente, como se depois dela já não houvesse de existir nenhum futuro e nenhuma
paz entre os homens. Desfaz todos os laços da solidariedade entre os povos combatentes e ameaça
deixar atrás de si uma exasperação que, durante longo tempo, impossibilitará o reatamento de tais laços.
(FREUD, 2009)
Batalha de Verdun: soldados franceses rastejando por suas próprias armadilhas de
arame farpado no início de um ataque às trincheiras inimigas.
A guerra deixou cicatrizes profundas tanto nos países derrotados quanto nos vencedores. Diante da
decepção, aqueles que alertavam para os efeitos nefastos da lógica belicista passaram a ter papel de
destaque nos debates e na disputa de ideias. À medida que o conflito se desenrolava e as notícias chegavam
do front de batalha pelo rádio, abalava-se cada vez mais o ânimo das populações, dos políticos, dos
pensadores, e os intelectuais críticos à guerra e engajados com a paz aproveitavam a conjuntura para colocar
as suas convicções para circular, tentando influenciar a opinião pública e, consequentemente, os rumos da
política internacional.
 
Nesse contexto, um amplo conjunto de pesquisadores considerava fundamental compreender de maneira
sistemática e científica os fenômenos que abalavam a política internacional. O objetivo de tal preocupação era
declaradamente normativo. Ou seja, o estudo em bases científicas da política internacional era a melhor
maneira de demonstrar que a guerra era um equívoco, evitando que esses eventos trágicos voltassem a
ocorrer entre as nações. Era, então, comum que os pesquisadores e acadêmicos tivessem uma estreita
ligação ao mundo político, como diplomatas, governantes ou conselheiros governamentais, ou, ainda, como
líderes políticos de movimentos pacifistas (MENDES, 2019).
Segundo os pesquisadores, a ideia de que as divergências políticas pudessem ser resolvidas pela via militar
não cabia mais na nova realidade internacional. Norman Angell, por exemplo, entendia que uma crença
errônea fazia parte do imaginário dos governantes da época, e era uma grande ilusão acreditar que uma
guerra poderia proporcionar vantagens materiais a quem a empreendia:
Norman Angell
Ralph Norman Angell Lane (1872-1967) foi escritor e político britânico. Atuou no parlamento inglês entre
1929-1931 como membro do Partido Trabalhista Inglês, ao qual era filiado desde 1920. Também atuou no
conselho do Real Instituto de Assuntos Internacionais e foi membro executivo no Comitê Mundial contra
a Guerra e o Fascismo, membro do Comitê Executivo da Sociedade de Nações e sendo seu presidente.
Já em 1933 foi condecorado com o prêmio Nobel da Paz. Sua obra mais conhecida é The Great Illusion
escrita em 1910. 
Não que a guerra seja impossível, mas é fútil e ineficaz, mesmo quando vitoriosa, como meio de alcançar
aqueles objetivos morais e materiais que resultam das necessidades dos modernos povos europeus; por
conseguinte, da percepção e compreensão dessa verdade vai depender a solução do problema do
armamentismo e da guerra.
(ANGELL, 2002)
Ideias como as de Angell estavam em evidência no período após a Primeira Guerra Mundial. Iniciativas como a
tentativa de criar a Liga das Nações, o fim da diplomacia secreta, o desenvolvimento do comércio
internacional e do intercâmbio entre os Estados eram algumas medidas que se destacavam na pauta de
discussões políticas. A ideia era estimular a criação de vínculos que, se rompidos, trariam consequências ruins
para todas as partes.
Liga das Nações
Considerada o embrião da ONU, uma tentativa de mesa comum para as negociações políticas
internacionais. 
O argumento usado era que a probabilidade de guerra entre
os países cairia na medida em que aumentassem as trocas
e os laços entre eles. Um dos chavões da época era a
máxima “mais comércio, menos guerras”.
Verificando o aprendizado
Questão 1
Foi após os desdobramentos catastróficos da
Primeira Guerra Mundial que um grupo de pesquisadores passou a estudar de maneira
sistemática os fenômenos da política internacional. Sobre esse período, está correto:
A
O objetivo da primeira geração de pesquisadores era estimular o progresso intelectual e científico sem
interferir no ambiente político dos países.
B
No início do século XX, as relações internacionais foram disseminadas pelos países periféricos, gerando uma
produção advinda desses países.
C
Ideias voltadas para o intercâmbio comercial entre os Estados estavam em baixa, após a Primeira Guerra
Mundial, devido aobaixo nível de interdependência entre as nações.
D
Antes desse período, os assuntos internacionais eram exclusividade de uma elite profissional de diplomatas e
militares que, de alguma forma, estava envolvida com as questões de política externa dos Estados.
E
A formação dos Estados-nação no século XVIII e a mediação para evitar as tensões vividas por esses centros
de poder marcaram o início do campo acadêmico das relações internacionais.
A alternativa D está correta.
As relações internacionais saem do campo da ação dos sujeitos que precisam executar seus princípios. A
produção sobre o assunto vinha do modelo de “fazer” e os registros eram de experiência para um princípio
de investigar, consolidar, perceber como poderiam gerar possibilidades e ações que permitissem um melhor
controle e dinâmica desses processos.
Questão 2
As práticas científicas, a produção de teorias, ideias, verdades, segundo Bourdieu, estão
sempre conectadas com a realidade social dos agentes e das instituições que produzem e
reproduzem o conhecimento científico. Desse modo:
A
As práticas científicas nunca podem ser entendidas como práticas desinteressadas ou neutras. Elas produzem
e supõem uma forma determinada de interesse. Segundo Bourdieu (1983), “a ideia de uma ciência neutra é
uma ficção”.
B
As práticas científicas são voltadas para o estabelecimento de verdades relativas diante da pluralidade de
perspectivas científicas.
C
As práticas científicas estão sempre em evidência e costumam ser levadas em consideração pela opinião
pública e por autoridades governamentais.
D
As relações internacionais não são práticas científicas, pois o seu campo teórico emerge das relações práticas
e não dos pressupostos relacionais teóricos do campo científico.
E
As práticas científicas nada mais são do que um conjunto de diretrizes doutrinárias e éticas que servem de
parâmetros para a atividade profissional dos pesquisadores e cientistas.
A alternativa A está correta.
As práticas relativas às relações internacionais têm um longo trajeto de ações e conhecimento do mundo
prático. Fossem impérios, reinos ou nações, sempre houve os sujeitos que atuavam nesse processo de
mediar, negociar, construir relações. No entanto, no século XX, surgiu a necessidade de uma investigação
prática, fundamentada e científica, logo, emergiu um campo de características singulares partilhados e
investigados por sujeitos que tentavam compreender o seu papel.
2. Os elementos do campo das relações internacionais
Relações internacionais e as ciências sociais
Da Guerra à Ciência
Neste vídeo, conheça mais sobre da Guerra à Ciência.
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As ciências humanas ou humanidades referem-se àquelas áreas do conhecimento que têm o ser humano
como seu objeto central de estudo. Elas contemplam todas as áreas que estudam o homem como ser social e
suas várias formas de organização social e política.
 
Antes do desenvolvimento da academia moderna (final do século XIX e início do século XX), os pensadores e
intelectuais concebiam as questões humanas, sociais, políticas e filosóficas dentro um sistema total, ou seja,
as coisas deveriam ser aprendidas e compreendidas dentro da sua totalidade. Não havia uma separação do
conhecimento por áreas ou disciplinas.
 
Com a solidificação e o crescimento da academia moderna, a divisão do saber em áreas do conhecimento se
intensificou. Isso aconteceu com todas as ciências de maneira geral, e com as ciências sociais não foi
diferente.
Saiba mais
Diversas disciplinas, como Sociologia, Economia, Antropologia, Ciência Política, entre outras, são
produtos desse momento histórico, sobretudo nas universidades europeias e norte-americanas. Com a
origem do primeiro departamento de relações internacionais, em 1917, o período entre o fim do século
XIX e o início do século XX foi marcado pelo estabelecimento de inúmeras associações disciplinares
profissionais na Europa e nos Estados Unidos. 
A história das ciências das relações internacionais:
conceituando
De acordo com Reinhart Koselleck (2006), conceitos são estruturas temporais, eles só fazem sentido quando
aplicados no seu tempo, mesmo que recebam influências do passado e suas aplicações sejam reformuladas
no futuro. 
 
A proposição de uma ciência das relações internacionais com epistemologia e base conceitual próprias é fruto
de um amadurecimento de suas práticas e da fundamentação dos seus conceitos.
As relações internacionais têm datas diversas de nascimento. Alguns autores situam seu início nos acordos da
chamada Paz de Vestefália, já que se passa a falar efetivamente em Estado/Nação e suas características.
Paz de Vestefália
A diplomacia, exercida por homens hábeis em negociação, era marcada por uma série de
recomendações e manuais de comportamento.As tradições de guerras entre os reinos se mantinham
desde o fim da Idade Média. Se a luta entre senhores era uma tônica, a unificação monárquica vivida nos
séculos XV e XVI criou grandes conflitos entre os Estados/reinos, que permaneceram vivos e marcantes
até a Revolução Francesa. Nesse momento, ocorreu um processo um pouco diverso, com um conjunto
de acordos finalizando os conflitos – a Paz de Vestefália.
Essa paz permitiu consolidação de fronteiras, valorização de identidades, unificação de países, inaugurando
uma fase de consolidação das nações, como um conceito de reconhecimento político, social, cultural e militar.
 
O conjunto dessas práticas, no entanto, não conceitua as relações internacionais como um campo de saber
que reflete sobre o seu ofício. Para existir uma ciência das relações internacionais, é necessário que haja uma
organização intelectual do campo científico. É um novo campo de ciência, com especificidades em uma
burocracia acadêmica estruturalista e com elementos singulares.
 
O caminho é o de estabelecer conceitos e construções sobre esses conceitos que passamos a reconhecer.
Antes do desenvolvimento da academia moderna (final do século XIX e início do século XX), os pensadores e
intelectuais concebiam as questões humanas, sociais, políticas e filosóficas dentro de um sistema total, ou
seja, as coisas deveriam ser aprendidas e compreendidas dentro da sua totalidade. Não havia ainda uma
separação do conhecimento por áreas ou disciplinas.
Totalidade
O filósofo alemão Friedrich Hegel (1770-1831) é considerado como o ápice do pensamento totalizante e
absoluto da filosofia moderna. Segundo Habermas, o sistema de pensamento hegeliano representa a
filosofia da modernidade por excelência.
Qual é a melhor maneira de se estudar relações internacionais?
Essa pergunta motivou e ainda motiva acalorados debates teóricos e pedagógicos em muitos centros
de pesquisa.
Esse processo consolidou as divisões de saberes dentro da incipiente academia moderna. No período
entre o fim do século XIX e o início do século XX, aspectos voltados para a especificidade, junto com
o alto grau de especialização, foram contemplados como modelos na busca pelo conhecimento. Com
o desenvolvimento da área de relações internacionais, novos desafios e temas demandaram a criação
de outras disciplinas no interior de seu próprio recorte metodológico e científico. O aumento da
complexidade da esfera internacional aumentou, em igual proporção, a necessidade de novas
disciplinas para compreender e explicar tais fenômenos.
A urgência foi um aspecto fundamental. Se no século XIX, a ciência se consolidou com seus termos
técnicos, com sua epistemologia, pegando elementos de investigação e filosofia, transformando seu
acesso em algo difícil a não iniciados e com os gabinetes lotados de grandes debates, as ciências das
relações internacionais não tinham esse tempo. No século XX, seus debates viram o mundo ser
consumido em guerras. Havia a ideia de que grupos intelectuais precisavam estudar os fenômenos e
achar as soluções.
Enquanto campos de saber desenvolvem suas pesquisas acerca de problemas em curso, com
práticas, tradições e buscam solucionar seus problemas intelectuais,as relações internacionais se
manifestam no campo coletivo e a pesquisa pode significar muito para realidade mundial.
Banquete da Guarda Civil de Amsterdã em celebração da Paz, de Münster
Bartholomeus van der Helst (1648)
A prática antiga das relações internacionais não estava dando certo e era necessário encontrar novas
soluções. Considerada irmã de história e sociologia que, no início do século XX, já tinham quadros
consolidados, os pesquisadores de relações internacionais enfrentavam uma corrida para evitar equívocos,
crises e processos que marcaram o mundo e resultaram em milhões de mortos.
Monodisciplinaridade versus interdisciplinaridade
O que está em jogo é o grau de influência de outras áreas do conhecimento nas relações internacionais. Até
que ponto as RI devem possuir apenas disciplinas próprias? Um curso de RI poderia ser estruturado apenas
com o uso de disciplinas correntes de outros cursos, como, por exemplo, Economia, Direito, Administração,
Sociologia, Antropologia e Filosofia?
 
Uma forma encontrada para tentar equacionar essas questões foi definir uma estrutura básica curricular que
contemplasse disciplinas específicas e disciplinas auxiliares:
Essa pluralidade vem se consolidando como um dos aspectos centrais das relações internacionais. O elevado
grau de flexibilidade e abrangência da área permite o desenvolvimento de um perfil crítico, propositivo e
analítico, que consegue ir do específico ao holístico, do particular para o geral.
 
Esse tipo de formação ampla permite ao aluno potencializar a capacidade de ações de liderança e de
pensamento estratégico, pensando como sujeito e cidadão tanto na esfera local quanto global, na sua
comunidade e no mundo.
 
A discussão sobre quantitatividade versus qualitatividade é típica de metodologia e métodos de pesquisa. A
principal diferença entre pesquisa quantitativa e qualitativa é em relação ao tratamento que se dá aos dados
empíricos. Veremos o objetivo de cada pesquisa a seguir:
O estudo de relações internacionais no Brasil é tradicional e importante, mas sua ciência ainda é pouco
desenvolvida no país, apesar de existir uma disciplina dedicada a esse estudo há quase um século na
Inglaterra e há pouco menos do que isso nos Estados Unidos.
As teorias das relações internacionais têm a finalidade de formular métodos e conceitos que permitam
compreender a natureza e o funcionamento do sistema internacional, bem como explicar os fenômenos
mais importantes que moldam a política mundial.
(NOGUEIRA; MESSARI, 2005)
Se analisarmos historicamente o campo de relações internacionais, compreenderemos que, por ser muito 
jovem e filho da nova realidade de mundo, é necessário constituir um corpo particular de teorias para
entendermos que suas características (fronteira, identidade, nação) estão presentes em processos
incrementais (comércio, regulamentação, cidadania) e criam um objeto vivo, em construção, que precisa ter
especialistas atentos e prontos para que as ações, interações, conflitos e negociações tenham lugar nas
margens da jurisdição dos Estados: o espaço internacional (NOGUEIRA; MESSARI, 2005).
 
Disciplinas específicas 
Visam a preencher as necessidades
consideradas mínimas para a formação de
um futuro profissional da área de relações
internacionais: introdução às relações
internacionais, teoria das relações
internacionais, política externa brasileira e
segurança internacional.
Disciplinas auxiliares 
Podem variar de acordo com o perfil da
instituição de ensino que oferece o
curso. Por exemplo, pode-se privilegiar
disciplinas voltadas para o direito, para a
economia e negociações internacionais,
comércio exterior, entre outros.
Pesquisa de base quantitativa 
Visa a coletar fatos e números, organizando-
os estatisticamente para mensurar e tirar
conclusões gerais da amostra.
Pesquisa qualitativa 
Descreve e aprofunda o estudo de um
tema, obtendo informações, opiniões,
motivações para oferecer uma
explicação mais detalhada do objeto de
estudo
Isso, no entanto, não deve ser uma crise em que as questões internacionais necessitem ser isoladas de
problemas jurídicos e sociais, como se eles restringissem seu olhar ao ambiente doméstico e as relações
internacionais fossem as únicas a lidar com o mundo complexo dessas relações.
Atenção
Relações internacionais não são um campo de estudo isolado; dialogam com direito, comércio,
problemas e autonomia nacional. É necessária uma teoria que dê conta dessa especificidade e uma
disciplina acadêmica que congregue os estudos e reúna os pesquisadores dedicados às relações
internacionais, sem romper com o aprendizado e as trocas de diversos campos e pesquisas. 
Verificando o aprendizado
Questão 1
Na sua origem, o princípio básico que fundamentava os debates de relação internacional era:
A
Monodisciplinaridade.
B
Interdisciplinaridade.
C
Estudo de fluxos internacionais.
D
Fundamento de conceitos singulares e próprios da área.
E
Estímulo às trocas comerciais e acadêmicas entre os países.
A alternativa C está correta.
O campo de estudos fundamenta-se em perceber princípios relacionais e seus estudos, suas práticas e
adaptações. O fundamento é de estudo e pesquisa e que se manifesta na prática.
Questão 2
O princípio da tensão entre monodisciplinaridade versus interdisciplinaridade reside
centralmente no fato de:
A
As relações internacionais pertencerem ao campo das ciências jurídicas ou sociais.
B
As relações internacionais serem constituídas por conceitos quantitativos ou qualitativos.
C
As relações internacionais serem uma ciência ou uma prática.
D
As relações internacionais terem conceitos filosóficos próprios ou terem de importar os conceitos da História,
ciência mais próxima a ela.
E
As relações internacionais serem constituídas por linhas singulares e próprias ou por apropriação de
conceitos.
A alternativa E está correta.
Como uma ciência recente no campo e fruto de uma longa trajetória de práticas, os debates passam a
incorporar essas experiências ou se devem importar conceitos para constituir sua própria epistemologia.
3. As características da teoria das relações internacionais
Estatologia e cratologia: estado e poder na política
internacional
Uma breve História dos Conceitos
Neste vídeo, conheça mais sobre uma breve História dos Conceitos.
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Dois pontos são considerados essenciais quando se estuda política internacional: o Estado e o poder. Assim,
faremos uso da estatologia (Estudo científico do Estado) e da cratologia (Estudo sobre a natureza do poder),
por entendermos que essas duas categorias trazem elementos importantes e auxiliam os estudos das
relações internacionais como ciência. Outros atores e dinâmicas também são relevantes, porém analisar o
Estado e o poder merece uma atenção especial neste módulo.
Estátua de São Pedro, símbolo ideológico do poder do Papa e do Estado do
Vaticano, portando a chave do Reino dos Céus, Cidade do Vaticano.
Estado
O Estado nacional é o ente principal e norteador em termos de estática e dinâmica das relações internacionais
e, por isso, é um elemento central do sistema internacional. Uma das definições mais precisas e conhecidas
nos estudos sobre o Estado é a do sociólogo alemão Max Weber, que afirma que todos os Estados se fundam
na força e têm, na capacidade de fazer uso da violência, o seu meio específico.
Devemos conceber o Estado contemporâneo como uma comunidade humana que, dentro dos limites de
determinado território – a noção de território corresponde a um dos elementos essenciais do Estado –
reivindica o monopólio do uso legítimo da violência física.
(WEBER, 2006)
Do ponto de vista histórico, o Estado moderno é produto de um largo processo de transformações sociais e
econômicas do medievalismo para o renascimento humanista dos séculos XVI e XVII. Há uma vasta literatura
dedicada e estudar as origens do Estado moderno sob diversas perspectivas, entre elas:
 
1. Jurídica
 
2. Sociológica
 
3. Econômica4. Historiográfica
 
Entretanto, para o nosso objetivo, consideramos oportuno pensar o Estado moderno como produto de um
demorado amadurecimento das instituições de controle social e dominação que se transformaram, ao longo
do tempo, em entidades capazes de estabelecer um tipo de ordem social.
 
Uma série de instituições surgiram para dar materialidade à capacidade de dominação do Estado moderno,
sendo que, através delas, é possível cumprir o seu papel fundamental na manutenção de um sistema social e
econômico de dominação.
 
Segundo o historiador Perry Anderson, a introdução de exércitos regulares, burocracias permanentes,
impostos nacionais, leis codificadas e os primórdios de um mercado unificado por parte das monarquias
absolutas são as características indispensáveis para o surgimento do Estado moderno.
 
Simultaneamente ao surgimento do Estado, o modo de produção feudal, baseado na servidão, estava sendo
sucedido pelo modo de produção capitalista na Europa, fazendo com que a maneira como a sociedade
produzia riqueza e se organizava fosse modificada profundamente.
 
Umas das marcas desse processo é a ampliação dos antagonismos/diferenças de classe, levando ao aumento
das lutas e das tensões sociais. Assim, o Estado é formado como resultado dessas lutas e desenvolve
mecanismos para mediar os conflitos e administrar a sociedade civil.
 
Esse processo de centralização do poder do Estado, do ponto de vista interno, é acompanhado pelo
reconhecimento externo de outros Estados soberanos. Um marco desse processo é a Paz de Vestefália
(1648), que estabeleceu os princípios básicos do Estado moderno e do direito internacional.
 
Conceitos como a igualdade jurídica entre os estados soberanos, territorialidade delimitada e reconhecida,
população permanente, poder soberano no âmbito interno e externo e a não intervenção em assuntos
domésticos ganharam uma definição mais precisa após esse tratado. Por isso, a Paz de Vestefália pode ser
considerada uma referência fundamental para o estudo das relações internacionais, da diplomacia moderna e
do sistema internacional de Estados.
 
O princípio de não interferência em assuntos internos foi fundamental, e uma pré-condição, para se criar a
estabilidade e a ordem internacional.
 
Assim, a entidade política estatal ganhou uma forma jurídica. A reflexão em torno da questão é ampla, e não é
o nosso objetivo esgotar todas as possibilidades de teorias, análises e interpretações. Entretanto, um ponto
relevante para termos em mente é pensar o Estado com a materialização política da organização da
sociedade.
Atenção
Percebe-se que não exploramos aqui algumas questões sobre as formas de governo, que são as mais
variadas, mas sim aquele elemento constitutivo do Estado, que é a capacidade de exercer a coerção e
fazer a mediação dos conflitos na sociedade. 
Poder
Além do Estado, um dos conceitos mais mencionados e discutidos dentro das relações internacionais e da
ciência política é o conceito de poder. Como usamos a definição de Max Weber, de que o Estado é uma
entidade que reivindica o monopólio do uso legítimo da violência física, tendo nas relações de dominação o
seu fundamento específico, neste tópico, pretendemos avançar um pouco mais no uso dos termos poder,
força e dominação.
O Estado consiste em uma relação de dominação do homem sobre o homem, logo, tal entidade só pode existir
sob a condição de que os homens dominados se submetam à autoridade continuamente reivindicada pelos
dominadores.
Comentário
Em outras palavras, poder, força e dominação são fenômenos típicos das relações sociais, estando
sempre presentes em qualquer sistema político, nacional ou internacional. Sendo assim, a cratologia
surge como a ciência que estuda o poder, suas formas, expressões e manifestações, como ação
consciente do ser humano. 
Muitos autores já transitaram por essas vias de discutir as questões referentes ao poder. Hannah Arendt
(1994), por exemplo, entende que o poder é inerente a qualquer comunidade política e resulta da capacidade
humana para agir em conjunto, o que requer o consenso de muitos quanto a curso comum de ação. Arendt faz
questão de se distinguir dos pensadores que entendem a violência como manifestação máxima do poder.
Segundo ela, poder e violência são conceitos opostos, sendo que é a desintegração do poder que enseja a
violência.
 
No desenvolvimento do seu pensamento, Arendt nos oferece algumas conceituações que nos auxiliam nos
estudos:
Força
Entendida como a energia liberada por
movimentos físicos ou sociais.
Autoridade
Reconhecimento inquestionado, que não requer
coerção nem persuasão, e que não é destruído
pela violência, mas sim pelo desprezo.
Trazendo essa discussão sobre o poder e a sua manifestação nas relações internacionais, Rochman (1999)
oferece uma contribuição relevante ao analisar como o conceito de poder é tratado por autores centrais da
área.
 
Rochman (1999) inicia a discussão trazendo Thomas Hobbes para o debate, no qual identifica três elementos
básicos de poder: o militar, o econômico e o ideológico/psicossocial. A divisão de poder em Hobbes poderia
ser feita em duas partes:
Poder temporal
Ramifica-se em imperium (poder militar, ligado à
segurança) e dominium (poder econômico, que
provê os recursos de sustentação às políticas).
Poder espiritual
É o poder ideológico, que estabelece e
consolida a coesão e a disciplina sociais,
fornecendo apoio às ações governamentais
internas e externas.
Conforme Rochman destaca, a limitação de poder em Hobbes coloca em risco a paz e a segurança do Estado,
já que o controle e as possibilidades de manipulação de recursos ficam restritas. Deve-se, então, maximizar o
poder, de forma a garantir maior autonomia ao soberano no exercício da política.
 
Rochman (1999) destaca que, assim como Hobbes, Edward Carr também entende o poder como sendo um
todo inseparável, mas pode ser segmentado em poder militar, poder econômico e poder sobre a opinião.
Resumindo
Para as relações internacionais, o poder militar possui uma importância destacada em relação aos
demais. Para Rochman, o poder militar, no pensamento de Carr, é fundamental não só para atingir
objetivos bélicos ou de guerra, mas também para construir um status de potência mundialmente
relevante. Nessa linha, o poder econômico era visto como uma ferramenta do poder militar, ou seja, as
questões relacionadas a mercados, empréstimos, ajudas financeiras, entre outras, devem estar
subordinadas à lógica de uma estratégia de ampliação do poderio militar. 
Morgenthau (2003) afirma que a política entre as nações gira em torno de três princípios básicos:
Isso significa que o poder de um Estado possui elementos concretos e que podem ser mensuráveis. A
geografia, a extensão territorial, o tamanho da população, os recursos naturais, a capacidade industrial são
alguns elementos de poder essenciais para a sustentação e segurança de uma nação.
 
Além desses elementos concretos, o poder também conta com elementos intangíveis, relacionados a padrões
culturais de uma população. O caráter nacional, a moral nacional, a qualidade do governo e da diplomacia, são
características que, se combinadas, podem oferecer instrumentos para a projeção de poder internacional de
um país.
 
Aron (2002) afirma que o soldado e o diplomata são personagens centrais dos Estados. Segundo ele, a
diferença das relações internacionais para as outras áreas das ciências sociais é que o objeto de estudo de RI
está sempre no limite entre a paz e a guerra.
 
Por não existir uma instância que detenha o monopólio da violência no plano internacional, o meio
internacional aproxima-se do modelo hobbesiano de estado de natureza, ou seja, a arena internacional pode
ser definida como um sistema anárquico, sem uma autoridade definida, em que o estado de guerra deve ser
considerado sempre como uma possibilidade real no cálculo político dos Estados.
Resumindo
Aron (2002) sintetiza poder: no campo das relações internacionais, poder é a capacidade que tem uma
unidade políticade impor sua vontade aos demais. Em poucas palavras, poder político não é um valor
absoluto, mas uma relação entre os homens. 
Princípios de segurança internacional
Dentro da trajetória da disciplina de relações internacionais, uma subárea cresceu de maneira tão significativa
que merece destaque. Segundo Buzan e Hansen (2012), onde quer que se lecione relações internacionais, o 
estudo de segurança internacional é um dos seus elementos centrais e, por isso, acabou se tornando uma das
principais subáreas da disciplina de RI.
 
Ao abranger temáticas como guerras, terrorismo, defesa, capacidade bélico-militar, conflitos internacionais,
armas nucleares, entre outros, os estudos da área de segurança internacional avançaram na mesma medida
em que a preocupação e a maximização da segurança se tornavam os objetivos últimos de todos os Estados
no sistema internacional. Ou seja, segurança é um tema de relevância analítica e normativa.
Na sua gênese, os estudos de segurança internacional surgiram dos debates sobre como proteger o Estado
contra ameaças externas e internas, logo após a Segunda Guerra Mundial. Antes desse período, tais questões
eram tratadas em áreas como estudos da guerra, geopolítica, história militar e estudos estratégicos. Autores
célebres como Carl von Clausewitz (imagem) trouxeram reflexões relevantes para se pensar o fenômeno da
guerra na política.
Carl von Clausewitz
Carl von Clausewitz (1780-1831) foi um militar do Reino da Prússia que ocupou o posto de general e é
considerado um grande estrategista militar e teórico da guerra por sua obra Da Guerra.
Saiba mais
É de Clausewitz a célebre expressão de que a guerra é a continuação da política por outros meios. 
Para Buzan e Hansen (2012), depois da Segunda Guerra Mundial, a literatura de segurança internacional
passou a se estruturar em torno de quatro questões, que representam o cerne da segurança internacional:
Estado como referência das análises
Refere-se a privilegiar o Estado como objeto de referência nas análises. Segurança existe quando
algo precisa ser assegurado, e garantir a segurança do Estado seria o meio mais eficiente de garantir
a segurança de outros objetos de referência. Ou seja, mesmo que o objeto esteja em risco ou sob
ameaça (seja um grupo étnico, um grupo de indivíduos, o meio ambiente, o planeta etc.), quem deve
ser protegido é o Estado. Dentro desse ponto de vista, a expectativa é de que um Estado protegido e
poderoso devolvesse proteção à sociedade.
Ameaças podem surgir de questões internas
Incluir no rol das ameaças tanto questões internas quanto externas. No período após a Segunda
Guerra Mundial, havia uma concepção de que o sistema internacional estava dividido entre dois
grandes jogadores: EUA e União Soviética (sistema bipolar: dois polos de poder). A preocupação com
a soberania estava articulada com as ameaças externas, ideologicamente opostas, e com a
capacidade de manter a coesão social interna. O objetivo dos estudos era diagnosticar e tentar
reverter as fraquezas internas que podiam impactar na capacidade de o Estado projetar força militar e
política.
Dois polos de poder
A principal característica de um sistema é a forma como está distribuído o poder. Muitos analistas de
relações internacionais pensam o sistema internacional em polos de poder.
Exemplo: Sistema bipolar, dois polos de poder; sistema unipolar, um único polo de poder; sistema
multipolar, vários polos de poder.
Desassociação dos conceitos Segurança e Força
Tem como eixo a expansão da ideia de segurança para além de temas militares e que envolvem o uso
da força. Aspectos sociais, econômicos e ambientais foram incorporados nas análises sobre
segurança internacional. Nessa perspectiva, é necessário levar em conta outras capacidades dos
Estados, como, por exemplo, o vigor econômico, a estabilidade de governo, o fornecimento de
energia, a ciência e a tecnologia, o acesso a alimentos e recursos naturais.
Segurança não sendo apenas uma questão urgente
Diz respeito à ideia de segurança necessariamente ligada à dinâmica de ameaças, perigos e
urgências. É importante destacar que boa parte da produção do conhecimento sobre segurança
estava sendo produzida nos Estados Unidos e na Europa Ocidental, e a ideia dominante era de que a
União Soviética constituía uma clara ameaça, um oponente hostil ao bloco capitalista.
Desse modo, os Estados (ocidentais) se viam diante da necessidade de adquirir cada vez mais
capacidade/poder, ao mesmo tempo que faziam com que o seu o oponente (URSS) se sentisse mais
inseguro. Dentro desse tipo de abordagem, e partindo do pressuposto de que o sistema internacional
é baseado na competição, os dois lados se empenhariam em um círculo vicioso de acumulação de
poder.
Fotografia de aviões bombardeiros Lancaster na Batalha da Grã-Bretanha, Segunda
Guerra Mundial. 
Características políticas influentes
É importante destacar dois aspectos relevantes da conjuntura política do momento após a Segunda Guerra
Mundial que influenciaram a constituição dos estudos de segurança internacional. Vamos lá?
Contexto da Guerra fria
Com o fim da Segunda Guerra Mundial, duas grandes potências ideologicamente opostas passaram a
monopolizar o poder global, e praticamente todas as decisões relevantes sobre política internacional
tinham, necessariamente, que passar por esses dois países. Estados Unidos e União Soviética
rivalizavam para ver quem conseguia mais poder e influência sobre os demais países do mundo. Com
essa disputa, dois grandes blocos, o bloco ocidental capitalista e o bloco oriental socialista, foram
formados. Apesar de não ter ocorrido uma guerra direta entre as duas grandes potências, EUA e
URSS apoiavam seus respectivos aliados nos conflitos ao redor do mundo, as chamadas guerras
patrocinadas ou guerra por procuração.
Armas nucleares
Diante do clima de hostilidade da Guerra Fria, muitos analistas advogavam que Estados Unidos e
União Soviética só não entraram em guerra diretamente devido ao medo da destruição mútua,
possibilitada pelos efeitos devastadores das bombas nucleares. O medo de que um conflito nuclear
significasse praticamente o suicídio de toda a civilização era real e estava presente no tabuleiro da
política internacional. Não por acaso, iniciativas voltadas para a redução do arsenal nuclear, como o
Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), foram desenvolvidas para limitar o arsenal nuclear entre
os países signatários.
Para fecharmos este módulo, vamos refletir sobre o conceito de poder político, por Raymond Aron:
No campo das relações internacionais, poder é a capacidade que tem uma unidade política de impor sua
vontade aos demais. Em poucas palavras, poder político não é um valor absoluto, mas uma relação entre
os homens.
(ARON, 2002)
Verificando o aprendizado
Questão 1
Um dos princípios centrais para reconhecimento dos conceitos que consolidam a ideia de
soberania e do sistema internacional moderno foi:
A
O princípio de precaução em relação à tomada de decisão dos estadistas no contexto de crise políticas. 
B
O princípio de legalidade que fundava uma norma jurídica na qual todos os Estados são livres para agirem
como quiserem no sistema internacional.
C
O princípio de não interferência em assuntos internos foi pressuposto teórico, que acaba tornando-se prático,
para criar estabilidade na ordem internacional e fundamento para as análises políticas.
D
O princípio de isonomia entre os cidadãos, no qual todas as pessoas poderiam exigir igualdade de tratamento
nos diferentes países.
E
Fundamentar as relações internacionais como um princípio jurídico, em um tribunal comum, para dirimir
questões que não poderiam ser mediadas.
A alternativa C está correta.
A teoria das relações internacionais sobre poder e Estado se consolida a partir do reconhecimento de uma
ordem internacional e de regras que possam explicitar o seu fundamento.
Questão 2
Reconhecer os principais pensadores que fundamentam o campo é um exercício necessário.
Nesse sentido, um dos pioneiros e mais comentados pensadoresdas relações internacionais é
Hans Morgenthau. Considerado um dos percursores do realismo teórico, Morgenthau
influenciou uma geração, sobretudo de norte-americanos, de acadêmicos e pensadores das
relações internacionais. Sobre o conceito norteador das ciências internacionais, devemos
notar que:
A
A política entre as nações gira em torno de pontos fundamentais, a manutenção de poder, os incrementos de
poder e as demonstrações de poder. Dessa forma, o poder de um Estado possui elementos concretos e que
podem ser mensuráveis. 
B
A política entre as nações gira em torno do poder simbólico sendo constituído de elementos complexos e que
não podem ser mensuráveis teoricamente.
C
A diplomacia é o meio mais eficaz de uma política pública ser efetivada. O papel do diplomata é considerar as
reais necessidades de uma nação e defendê-las.
D
A política entre as nações gira em torno de relações de três princípios básicos: busca de investimento externo;
valorização das empresas nacionais; e inserção nas cadeias globais de valor. Dessa forma, um Estado
consegue se desenvolver, aumentar o seu poder no sistema internacional. 
E
A política internacional é diferente de direito internacional, e em um primeiro momento os princípios estavam
relacionados ao direito, só depois foram ampliados para discussões de poder.
A alternativa A está correta.
É uma questão de observar a modelagem conceitual, não de concordância ou discordância, mas
entendimento de princípio e formulação. Política Internacional é uma formulação teorizada e, por isso,
fundamentada em movimentos políticos.
4. Conclusão
Considerações finais
Neste tema, procuramos mostrar como a constituição das relações internacionais, como campo científico
autônomo, é um fenômeno datado das primeiras décadas do século XX.
 
Com o desenvolvimento da academia moderna e após os desdobramentos catastróficos da Primeira Guerra
Mundial, um grupo de pesquisadores passou a estudar de maneira sistemática os fenômenos da política
internacional. Nesse contexto, o primeiro departamento de relações internacionais foi criado na universidade
escocesa de Aberystwyth, em 1917.
 
O objetivo dessa primeira geração de estudiosos era declaradamente normativo. A tentativa era demonstrar,
por meio do estudo científico e sistemático da política internacional, que a guerra era um erro, evitando que os
eventos trágicos de um conflito generalizado voltassem a ocorrer entre as nações. Ideias que buscavam a
criação de vínculos entre os Estados eram vistas como uma forma de aumentar a probabilidade da paz. Um
dos chavões da época era a máxima: mais comércio, menos guerras.
 
Mostramos que o conceito de Estado e poder são fundamentais para o estudo das relações internacionais.
Apesar de ser estudado sob diversas perspectivas (jurídica, sociológica, econômica, historiográfica),
consideramos oportuno pensar o Estado moderno como produto de um lento amadurecimento das
instituições de controle social e dominação que se transformaram, ao longo do tempo, em entidades capazes
de estabelecer um tipo de ordem social.
 
O processo foi acompanhado pelo reconhecimento externo de outros Estados soberanos. Diante disso, a Paz
de Vestefália (1648) pode ser considerada como uma referência para o estudo das relações internacionais, da
diplomacia moderna e do sistema internacional de Estados.
 
Já sobre o poder, utilizamos as contribuições do sociólogo Max Weber para pensar os termos poder, força e
dominação. Segundo Weber, o Estado é uma entidade que reivindica o monopólio do uso legítimo da violência
física, tendo nas relações de dominação do homem sobre o homem o seu fundamento específico; tal entidade
só pode existir sob a condição de que os homens dominados se submetam à autoridade continuamente
reivindicada pelos dominadores.
 
Na sua gênese, os estudos de segurança internacional surgiram dos debates sobre como proteger o Estado
contra ameaças externas e internas, logo após a Segunda Guerra Mundial. Para Buzan e Hansen (2012), a
literatura de segurança internacional passou a se estruturar em torno de quatro questões: privilegiar o Estado
como objeto de referência nas análises; incluir no rol das ameaças tanto questões internas quanto externas;
aspectos sociais, econômicos e ambientais foram incorporados nas análises sobre segurança internacional; e
a ideia de segurança necessariamente ligada à dinâmica de ameaças, perigos e urgências
Podcast
Neste vídeo, conheça mais sobre a Ciência das Relações Internacionais.
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Leia o livro Escritos sobre a Guerra e a Morte, de Sigmund Freud. Você perceberá como discussões sobre a
angústia e capacidade de soluções estão em debate.
 
Leia os clássicos para compreender as transformações políticas e a formação das relações internacionais
como ciência: O príncipe, de Maquiavel; O Leviatã, de Thomas Hobbes; A Grande Ilusão, de Norman Angell.
 
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Hugo Grotius e as relações internacionais: entre o direito e a guerra, de G.R. Barnabé.
 
Crítica de Rousseau ao Jus ad bellum e ao Jus in bello de Hugo Grotius, de Evaldo Becker.
 
Instituições, atores e dinâmicas do ensino e da pesquisa em relações internacionais no Brasil: o diálogo
entre a história, a ciência política e os novos paradigmas de interpretação (dos anos 90 aos nossos
dias), de Antônio Carlos Lessa.
 
Ciência, política e relações internacionais, de Marcos Chor Maio.
Referências
ANDERSON, P. Linhagens do Estado Absolutista. São Paulo: Unesp, 2016.
 
ANGELL, R. N. A Grande ilusão. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado, 2002.
 
ARENDT, H. Sobre a violência. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 1994.
 
ARON, R. Paz e guerra entre as nações. Brasília: Editora Universidade de Brasília, Instituto de Pesquisa de
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BOURDIEU, P. O campo científico. In: ORTIZ, R. (org.). Pierre Bourdieu: Sociologia. Trad. de Paula Montero e
Alícia Auzmendi. São Paulo: Ática, 1983.
 
BUZAN, B.; HANSEN, L. A Evolução dos Estudos de Segurança Internacional. Trad. Flávio Lira. São Paulo:
Editora Unesp, 2012.
 
CARR, E. H. Vinte Anos de Crise 1919-1939. Brasília: Editora UnB, 2001.
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CASTRO, T. Teoria das relações internacionais. Brasília: FUNAG. 2012.
 
HOBSBAWM, E. A Era dos Impérios (1875-1914). Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2008.
 
KOSELLECK, R. Futuro passado: contribuição à semântica dos tempos passados. Rio de Janeiro: Contraponto,
2006.
 
MENDES, P. E. O nascimento das relações internacionais como ciência social: uma análise comparada do
mundo Anglo-americano e da Europa continental. Austral: Revista Brasileira de Estratégia e relações
internacionais, v. 8, n. 16, p. 19-50, 2019.
 
MORGENTHAU, H. A Política entre as Nações: A luta pelo poder e pela paz. Brasília: Editora Universidade de
Brasília. Instituto de Pesquisa de Relações internacionais. 2003.
 
NOGUEIRA, J. P.; MESSARI, N. Teoria das relações internacionais: correntes e debates. Rio de Janeiro: Elsevier,
2005.
 
ROCHMAN, A. R. A Avaliação de poder nas relações internacionais. Lua Nova. Revista de Cultura e Política,
São Paulo, v. 46, 1999.
 
WEBER, M. A Política como Vocação. In: WEBER, M. Ciência e Política, Duas Vocações. São Paulo: Editora
Cultrix, 1996.
 
WEBER, M. Ciência e Política: duas vocações. São Paulo: Cultrix, 2006.
	A Ciência das Relações Internacionais
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Objetivos
	Introdução
	1. O campo científico das relações internacionais
	O campo científico
	O Mundo das Nações
	Conteúdo interativo
	Tendo essas ideias em mente, propomos a seguinte reflexão para orientar o nosso estudo:  quais são as condições sociais para que uma verdade se estabeleça em determinado campo científico?
	O contexto histórico e a necessidade de um saber na política internacional
	Você sabe a importância desses nomes na construção das relações internacionais?
	Tucídides (Século V a.C.)
	Sun Tzu (544-496 a.C.)
	Nicolau Maquiavel (1469-1527)
	Hugo Grotius(1583-1645)
	Thomas Hobbes (1588-1679)
	Thomas Moore (1779-1852)
	Atenção
	A academia e as relações internacionais
	Verificando o aprendizado
	Foi após os desdobramentos catastróficos da Primeira Guerra Mundial que um grupo de pesquisadores passou a estudar de maneira sistemática os fenômenos da política internacional. Sobre esse período, está correto:
	As práticas científicas, a produção de teorias, ideias, verdades, segundo Bourdieu, estão sempre conectadas com a realidade social dos agentes e das instituições que produzem e reproduzem o conhecimento científico. Desse modo:
	2. Os elementos do campo das relações internacionais
	Relações internacionais e as ciências sociais
	Da Guerra à Ciência
	Conteúdo interativo
	Saiba mais
	A história das ciências das relações internacionais: conceituando
	Qual é a melhor maneira de se estudar relações internacionais?
	Monodisciplinaridade versus interdisciplinaridade
	Atenção
	Verificando o aprendizado
	Na sua origem, o princípio básico que fundamentava os debates de relação internacional era:
	O princípio da tensão entre monodisciplinaridade versus interdisciplinaridade reside centralmente no fato de:
	3. As características da teoria das relações internacionais
	Estatologia e cratologia: estado e poder na política internacional
	Uma breve História dos Conceitos
	Conteúdo interativo
	Estado
	1.  Jurídica
	2.  Sociológica
	3.  Econômica
	4.  Historiográfica
	Atenção
	Poder
	Comentário
	Força
	Autoridade
	Poder temporal
	Poder espiritual
	Resumindo
	Resumindo
	Princípios de segurança internacional
	Saiba mais
	Estado como referência das análises
	Ameaças podem surgir de questões internas
	Dois polos de poder
	Desassociação dos conceitos Segurança e Força
	Segurança não sendo apenas uma questão urgente
	Características políticas influentes
	Contexto da Guerra fria
	Armas nucleares
	Verificando o aprendizado
	Um dos princípios centrais para reconhecimento dos conceitos que consolidam a ideia de soberania e do sistema internacional moderno foi:
	Reconhecer os principais pensadores que fundamentam o campo é um exercício necessário. Nesse sentido, um dos pioneiros e mais comentados pensadores das relações internacionais é Hans Morgenthau. Considerado um dos percursores do realismo teórico, Morgenthau influenciou uma geração, sobretudo de norte-americanos, de acadêmicos e pensadores das relações internacionais. Sobre o conceito norteador das ciências internacionais, devemos notar que:
	4. Conclusão
	Considerações finais
	Podcast
	Conteúdo interativo
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	Referências

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