Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

Relações 
Internacionais
Professora Esp. Margarete Campos Vieira 
Reitor 
Prof. Ms. Gilmar de Oliveira
Diretor de Ensino
Prof. Ms. Daniel de Lima
Diretor Financeiro
Prof. Eduardo Luiz
Campano Santini
Diretor Administrativo
Prof. Ms. Renato Valença Correia
Secretário Acadêmico
Tiago Pereira da Silva
Coord. de Ensino, Pesquisa e
Extensão - CONPEX
Prof. Dr. Hudson Sérgio de Souza
Coordenação Adjunta de Ensino
Profa. Dra. Nelma Sgarbosa Roman 
de Araújo
Coordenação Adjunta de Pesquisa
Prof. Dr. Flávio Ricardo Guilherme
Coordenação Adjunta de Extensão
Prof. Esp. Heider Jeferson Gonçalves
Coordenador NEAD - Núcleo de 
Educação à Distância
Prof. Me. Jorge Luiz Garcia Van Dal
Web Designer
Thiago Azenha
Revisão Textual
Beatriz Longen Rohling
Caroline da Silva Marques
Carolayne Beatriz da Silva Cavalcante
Geovane Vinícius da Broi Maciel
Jéssica Eugênio Azevedo
Kauê Berto
Projeto Gráfico, Design e
Diagramação
André Dudatt
Carlos Firmino de Oliveira
2022 by Editora Edufatecie
Copyright do Texto C 2022 Os autores
Copyright C Edição 2022 Editora Edufatecie
O conteúdo dos artigos e seus dados em sua forma, correçao e confiabilidade são de responsabilidade 
exclusiva dos autores e não representam necessariamente a posição oficial da Editora Edufatecie. Per-
mitido o download da obra e o compartilhamento desde que sejam atribuídos créditos aos autores, mas 
sem a possibilidade de alterá-la de nenhuma forma ou utilizá-la para fins comerciais. 
 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação - CIP 
 
V658r Vieira, Margarete Campos 
 Relações internacionais / Margarete Campos Vieira. 
 Paranavaí: EduFatecie, 2022. 
 104 p. : il. Color. 
 
 
 
1. Secretários – Relações internacionais. I. Centro 
 Universitário Unifatecie. II. Núcleo de Educação a 
 Distância. III. Título. 
 
 CDD: 23. ed. 651.374 
 Catalogação na publicação: Zineide Pereira dos Santos – CRB 9/1577 
 
 
UNIFATECIE Unidade 1 
Rua Getúlio Vargas, 333
Centro, Paranavaí, PR
(44) 3045-9898
UNIFATECIE Unidade 2 
Rua Cândido Bertier 
Fortes, 2178, Centro, 
Paranavaí, PR
(44) 3045-9898
UNIFATECIE Unidade 3 
Rodovia BR - 376, KM 
102, nº 1000 - Chácara 
Jaraguá , Paranavaí, PR
(44) 3045-9898
www.unifatecie.edu.br/site
As imagens utilizadas neste
livro foram obtidas a partir 
do site Shutterstock.
AUTORA
Professora Esp. Margarete Campos Vieira
● Mestranda em Teoria Econômica pela Universidade Estadual de Maringá (UEM 
2020/ 2021) 
● Pós Graduação em Tecnologias aplicadas ao EAD 
● Graduada em Ciências Econômicas pela Universidade Estadual de Maringá 
● Pós graduação em Gestão Empresarial com Ênfase em Consultoria e Instrutoria 
- Unicesumar, 
● Pós Graduada em Engenharia de Produção (Incompleta) Unicesumar. 
● Pós Graduação em Docência do Ensino Superior (Unicesumar) 
Atuo com Consultoria Empresarial desde 2008 e, com implantação e treinamentos 
em Gestão de Processos, mapeamento e melhoria de processos, Engenharia de Processos, 
Engenharia de produtos, PPCP (Planejamento, Programação e Controle da Produção), 
Logísticas e Gestão da Cadeia de Suprimentos, etc. Docente na UNIFCV (Centro Universitário 
Cidade Verde Maringá 2016 até o momento) ministrando disciplinas de: Sistema de Informação 
Gerencial, Administração e Estratégia de Marketing, Empreendedorismo, Diagnóstico 
Organizacional, Mercado de Capitais, História Econômica Geral, Logística e Cadeia de 
Suprimentos e Planejamento Programação e Controle de Produção, Gestão da Qualidade, 
Logística Internacional etc. Áreas de interesse: Organização Industrial e Estudos Industriais, 
economia brasileira, economia internacional, economia monetária, indústria de transformação, 
desenvolvimento econômico e inovação tecnológica. Macroeconomia e Microeconomia, 
mercado de capitais, gestão de processos industriais, qualidade e produtividade.
CURRÍCULO LATTES: http://lattes.cnpq.br/4612802492948047
http://lattes.cnpq.br/4612802492948047 
APRESENTAÇÃO DO MATERIAL
Seja muito bem-vindo(a)!
Prezado (a) aluno (a), se você se interessou pelo assunto desta disciplina, isso já é 
o início de uma grande jornada que vamos trilhar juntos a partir de agora. Proponho, junto 
com você, construir nosso conhecimento sobre os conceitos fundamentais da disciplina 
Relações Internacionais. Além de conhecer seus principais conceitos e definições, vamos 
explorar as mais diversas áreas de conhecimento e atuações das Relações Internacionais.
Na unidade I conheceremos a conceituação geral e ambientação e com isso 
conhecer as origens das relações internacionais, pensamento político e o fundamento das 
relações internacionais. Vamos conhecer também a teoria da sociedade civil internacional 
e o funcionamento das relações internacionais.
Já na unidade II ampliaremos nossos conhecimentos e você irá saber mais sobre 
os destaques internacionais. Além destes destaques você conhecerá ainda os principais 
marcos metodológicos, análise da Teoria das Relações Internacionais, bem como, os 
principais autores e suas correntes clássicas e as principais correntes e relações brasileiras.
Na sequência na unidade III falaremos a respeito do GLOBALISMO. Nesta unidade 
destacamos o Brasil e as relações internacionais voltadas ao comércio, e também às 
relações internacionais e meio ambiente. Sendo assim, falaremos sobre os impactos das 
relações internacionais e os principais acordos internacionais brasileiro. E por último nesta 
unidade, trataremos do globalismo na era moderna.
Na unidade IV, entenderemos o conteúdo dessa disciplina com o assunto Brasil 
e as relações internacionais e trazer temas de análise das relações internacionais 
contemporâneas, integração econômica: acordos multilaterais e acordos regionais/
plurilaterais.E para finalizar esta unidade vamos entender as ameaças e oportunidades 
empresariais e acordos comerciais e as cadeias globais de valor.
Aproveito para reforçar o convite a você, para junto conosco percorrer esta jornada 
de conhecimento e multiplicar os conhecimentos sobre tantos assuntos abordados em 
nosso material. Esperamos contribuir para seu crescimento pessoal e profissional. 
Muito obrigado e bom estudo!
SUMÁRIO
UNIDADE I ...................................................................................................... 3
Conceituação Geral e Ambientação
UNIDADE II ................................................................................................... 24
Destaques Internacionais
UNIDADE III .................................................................................................. 51
Globalismo
UNIDADE IV .................................................................................................. 78
Brasil e as Relações Internacionais 
3
Plano de Estudo:
● Origem das relações internacionais;
● Pensamento político e o fundamento das relações internacionais;
● A teoria da sociedade civil internacional; 
● Funcionamento das relações internacionais.
Objetivos da Aprendizagem:
● Conceituar e contextualizar a operação hoteleira e 
sua inserção na cadeia produtiva do Turismo;
● Definir Meio de Hospedagem (MH) e suas tipologias;
● Apresentar o Sistema de Classificação para 
empreendimentos hoteleiros vigente no Brasil;
● Estabelecer a importância do conhecimento de operação hoteleira para o
 profissional e demais áreas pertinentes à sua trajetória profissional.
UNIDADE I
Conceituação Geral 
e Ambientação
Professora Esp. Margarete Campos Vieira 
4UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação
INTRODUÇÃO
Caro (a) aluno 
Você deve ter ouvido falar bastante sobre Relações Internacionais (RI) e a partir de 
agora, você entenderá melhor como as RI iniciaram, Para isso, vou resgatar um pouco da 
história para adentrar e chegar ao objetivo principal. 
Vou começar então, falando das últimas décadas do séculoXX marcadas pela 
intensificação das relações entre os povos, de uma maneira como nunca havia ocorrido 
anteriormente. 
Você observa que cada vez mais as distâncias ficam menores? Ou seja, você 
observa que a globalização trouxe e traz constantemente informações rápidas vindas de 
todo mundo e com isso, tempo e espaço perdem o significado que tinham para nossos pais 
e avós, e as pessoas de diferentes locais do globo tomam consciência de que “a menor 
distância entre dois pontos é uma tecla”.
Porém, o século XXI chega trazendo também grandes conquistas: a velocidade 
do fluxo de informação está cada vez maior no mundo, em constante processo de 
internacionalização, que está integrado física e eletronicamente; é como tomar café em 
Londres e almoçar em Washington; as fronteiras perdem sua importância; o sistema 
internacional vê-se cada vez mais integrado; a tecnologia alcança milhões de pessoas, e 
não há limite ao conhecimento humano. O último século do segundo milênio presenciou 
uma evolução tecnológica e desenvolvimento industrial.
Neste primeiro e-book, você irá viajar comigo para a história das relações 
internacionais, conhecer um pouco mais sobre como surgiram e os principais motivos desse 
surgimento. Sendo assim, vou apresentar a você, a origem das relações internacionais, em 
seguida o pensamento político e o fundamento das relações internacionais, além disso, 
apresento a teoria da sociedade civil internacional e finalizando, como é o funcionamento 
das relações internacionais.
No final deste conteúdo, apresento a você algumas indicações de leituras e sites 
que poderá encontrar muitas outras informações sobre as relações internacionais.
Convido você para iniciar nossa viagem pelas origens e história das relações inter-
nacionais. 
5UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação
1. ORIGEM DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS
Caro acadêmico (a), você já parou para pensar como surgiram as relações 
internacionais? De acordo com a literatura da História de Relações Internacionais, tudo se 
iniciou na Grécia antiga, isso porque:
(...) os embaixadores eram enviados esporadicamente em missões especiais 
a diferentes cidades-estados, a fim de entregar mensagens, intercambiar, ou 
seja, trocar mensagens e até mesmo oferendas. Sendo assim, estas ações 
encontram-se na origem da diplomacia. Mas, desde aquele tempo, o diplomata 
criava uma entidade política de acordo com seu perfil, diferenciando entre 
público e privado (MAGNOLI, 2013, p. 17).
Com essa contextualização, os diplomatas italianos, lançaram as bases modernas e 
diplomáticas criando condições de anarquias prevalecentes no sistema das cidades-estados 
e com isso, traz sentido de falta de credibilidade das unidades políticas em razão, de que 
formaram o terreno histórico tanto para as guerras de conquistas territoriais quanto para 
práticas, comportamentos e políticas diplomáticas que estão presentes até o dia de hoje.
Deste modo, foi se consolidando o uso dos embaixadores permanentes constituindo-
se chancelarias estáveis, garantindo práticas diplomáticas e os acessos de privilégios e 
informações completas, estabelecendo assim o conceito das missões estrangeiras.
A partir da época do tratado de Westfália1 , a Europa setecentista determinou a 
missão diplomática em defesa do interesse nacional com a missão do diplomata.
1Tratados de Westfália chamada Paz de Vestfália (ou de Vestefália, ou ainda Westfália), também conhecida como os Tratados de Münster 
e Osnabruque (ambas as cidades atualmente na Alemanha), designa uma série de tratados que encerraram a Guerra dos Trinta Anos e também 
reconheceram oficialmente as Províncias Unidas e a Confederação Suíça, O Tratado Hispano-Neerlandês, que pôs fim à Guerra dos Oitenta Anos, foi 
assinado no dia 30 de janeiro de 1648 (em Münster). Já o tratado de Vestfália, assinado em 24 de outubro de 1648, em Osnabruque, entre Fernando 
III, Imperador Romano-Germânico, os demais príncipes alemães, França e Suécia, pôs fim ao conflito entre estas duas últimas potências e o Sacro 
Império. O Tratado dos Pirenéus (1659), que encerrou a guerra entre França e Espanha, também costuma ser considerado parte da Paz de Vestfália. 
A Paz de Westfália estabeleceu os princípios que caracterizam o estado moderno, destacando-se a soberania, a igualdade jurídica entre os estados, a 
territorialidade e a não intervenção. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Paz_de_Vestf%C3%A1lia. Acesso em: 27 de jul. 2021.
6UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação
Com isso, a presença dos diplomatas estrangeiros nas capitais tornou-se um 
sinal de existência de uma sociedade de Estados que tem como principal característica 
as regras que constituem as estratégias nacionais. 
Portanto, o diplomata possui a representatividade de interesse de um Estado 
particular e peculiar, a diplomacia tem o símbolo da consciência geral de que há uma 
sociedade internacionalizada.
Neste contexto, Hedley Bull apresentou a relevância e a permanência dos antigos 
símbolos da diplomacia Europeia no cenário atual. De acordo com Hedley bull, (1977, p. 
183) verifica-se que atualmente a globalização levou aos Estados mais numerosos, mais 
divididos e assim, existe um ato simbólico com uma metodologia diplomática, que se destaca 
nas interações e também para uma aceitação universal entre as nações. 
Além da função que simboliza a diplomacia, Bull (1977) identificou outras quatro 
funções endógenas do sistema internacional. A característica principal da primeira função 
objetiva é facilitar a comunicação entre os líderes políticos entre os Estados. A essa função 
de mensageiro realizada pelos diplomatas, associa-se ao privilégio de imunidade e o direito 
de trânsito. Os Estados, geralmente, são olhados como uma sociedade internacional e não 
podem prejudicar as estratégias dos responsáveis pelo fluxo de mensagens.
As negociações e acordos entre os Estados associados consistem, na principal 
característica que simboliza a diplomacia internacional. Esse papel de mediação tem como 
base o interesse dos representantes políticos de uma nação.
A segunda das funções apresentadas por Bull (1977) é nomeada de mediação e 
persuasão, podendo ser vista como uma diferença entre a política externa em tempos normais, 
ou seja, em tempos considerados com estabilidade econômica, social e a política externa 
em tempos de crise, no qual o comportamento da mediação é voltado para estabilização.
A terceira função entra com o papel da atividade de inteligência das unidades políticas, 
isto é, ao mesmo tempo em que se tem acesso a informações essenciais sobre os Estados, o 
diplomata precisa preservar a incerteza sobre as informações, não deixando certezas à tona. 
É importante reforçar caro aluno (a), que a dimensão de inteligência da diplomacia 
tem aceitação universal, pelo menos, enquanto as fronteiras que a desconectam da 
espionagem permanecem compreensíveis em razão de que, nem sempre essa fronteira é 
clara e, assim, acontecem cenas de expulsão de diplomata por acusação de espionagem. 
Como quarta e última função colocada por Bull (1977), a diplomacia tem por objetivo 
minimizar as fricções no relacionamento entre Estados. 
2HEDLEY, Bull. The anarchical society: a study of world politics. London: The Macmillan Press, 1977, p. 183.
7UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação
Essa função de comunicação está ligada à utilização de integrações diplomáticas, 
que são instrumentos para estabelecimento de uma linguagem considerada mais popular, 
que esclarece regras no qual reduz o campo do exercício da vaidade das nações. 
Portanto, caro aluno (a), é importante salientar que na antiga Grécia, os Estados 
cultivavam relações econômicas e comerciais entre si em um alto grau, isso porque as 
Cidades-Estados tinham relações pacíficas entre si, porém, ao mesmo tempo, estavam em 
busca de poder e de posse de bens.
É relevante rever o passado para o estudo das Relações Internacionais, pois a 
maiorparte dos eventos a estudar que são: estado, Balance of Power e Nação, se destacam 
no sistema internacional em toda a trajetória histórica.
8UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação
2. PENSAMENTO POLÍTICO E O FUNDAMENTO DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS
No tópico 1 (um), você conheceu um breve resumo da história das Relações 
Internacionais, você conhecerá o pensamento político e os fundamentos das relações 
internacionais.
Por esse motivo caro aluno (a), inicio este tópico apresentando o pensamento 
contratualista, essa escola de pensamento se destaca por ser teoria política e filosófica, 
com a ideia de que existe um pacto ou contrato social, que tira o ser humano de seu estado 
de natureza e este, é inserido com interação com outros seres humanos em sociedade. Isso 
pode acontecer por uma linha liberal (Locke) ou realista (Hobbes). Essas duas linhas de 
pensamento são relevantes, por fornecer os fundamentos do pensamento político moderno 
e por exercer forte influxo sobre a teoria das Relações Internacionais. 
Partindo do panorama de que as Relações Internacionais apresentam dois eixos 
fundamentais, que são: realismo e liberalismo. Vamos analisar ambos a seguir, dentro das 
correntes de pensamento por ordem cronológica.
Sendo assim, o realismo político segue a seguinte linha cronológica de desenvolvimento: 
● Tucídides: concepção de equilíbrio de poder; 
● Maquiavel: apresentação da moral política, razão de Estado e de governo. É 
considerado o pai da ciência política moderna;
● Hobbes: mostra o estatocentrismo (analisar o mundo pelo panorama e visão do 
povo) e sistema de estados anárquico;
● Carr: mostra uma crítica ao idealismo (tudo sendo um modelo ideal); 
9UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação
● Morgenthau: apresentou aspectos do realismo, e além de tudo, analisou 
pressupostos do interesse nacional com aspectos de poder.
● Waltz: mostrou-se o neorealismo (por uma análise sistêmica). 
A partir destes pensamentos, a filosofia política apresentada por Maquiavel e Hobbes, 
foram os pensamentos base do realismo político nas relações internacionais, além do que, 
os princípios organizados teoricamente por Morgenthau e revisados por Waltz, vieram com 
a visão cuja lógica é a do conflito e poder e os pressupostos serão apresentados a seguir: 
● Natureza humana é má; 
● Centralidade do Estado cujo interesse é a sobrevivência e maximização de ganhos; 
● O foco das relações internacionais é a busca do equilíbrio de poder; 
● O Sistema internacional é analisado como anárquico, onde guerra e conflitos são 
latentes.
A corrente liberal, por outro lado, pode ser esquematizada cronologicamente da 
seguinte forma: 
● Locke apresenta o homem em estado de natureza bom; 
● Montesquieu realiza uma importante divisão dos poderes e inclui princípios a 
organização do Estado, ou seja, executivo, legislativo e judiciário; 
● Jeremy Bentham parte com análises e teorias do direito internacional; 
● John Stuart Mill parte com fundamentos do liberalismo econômico e do livre comércio;
● Immanuel Kant, diante do iluminismo da época vem com o ideal federativo republicano; 
● Woodrow Wilson criou um projeto político em relações internacionais, a partir de 
pensamentos da corte liberal-idealista da época; 
● Keohane e Nye surgem com pensamentos do neoliberalismo e complementa 
com a teoria da interdependência complexa. 
Por isso, segundo Pecequilo (2004), os pressupostos gerais dessa corrente, seriam: 
● Natureza humana é boa (o homem é pacífico e tende à cooperação); 
● O sistema internacional é anárquico, mas regulado por leis e propenso à 
cooperação e comércio; 
● Interdependência econômica, disseminação das democracias e instituições 
internacionais como fatores que geram a cooperação no meio internacional; 
● Filosofia da paz e do progresso; 
● Percepção de que a complexificação do sistema internacional faz com que, 
além dos Estados, as forças transnacionais e as organizações internacionais 
exerçam influência no sistema internacional (PECEQUILO, 2004, p. 115 - 156).
Diante desses aspectos, percebe-se a preocupação com o fenômeno da guerra e a 
busca da paz, é a temática que deu origem ao estudo das relações internacionais.
10UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação
Desta forma, é uma área com uma linha de estudos que introduziu uma diversidade 
de tratados e reflexões filosóficas sobre o tema. 
Conforme Fonseca (2008), a percepção de Waltz está baseada no âmbito realista que 
objetiva ligar críticas ao institucionalismo liberal (nas décadas 1970 - 1980), cujo pilar político 
filosófico é, de um lado, o liberalismo (Locke, Adam Smith) e, de outro, o institucionalismo 
em relações internacionais, presente em Kant (importante pensador iluminista), no Abade 
de Saint-Pierre e o projeto da “paz perpétua” por meio de uma confederação de repúblicas. 
Diante dessa linha de pensamento, Waltz vai até Rousseau, já que este ligou 
considerações sobre o campo das relações internacionais por meio de sua leitura 
das apresentações de Saint-Pierre, considerado crítico ao liberalismo econômico. 
Compreendemos então que:
“A possibilidade de guerra é, então, inerente a um sistema de soberanos”, 
havendo uma “dimensão sistêmica na explicação da origem das guerras”, é 
que Rousseau desacredita na viabilidade da proposta de “transformar, pela 
razão, o que foi iniciado pela fortuna, criando-se um ‘corpo político’ com as 
características de uma confederação de Estados”, pois, para Rousseau, “o 
importante é mostrar que o caminho possível para a paz perpétua deveria ser 
necessariamente levar em conta as relações de poder”. Trata-se de um realismo 
rousseauniano, que “anuncia uma compreensão estrutural do fenômeno 
da guerra: os Estado entram em conflito não porque sejam compostos de 
homens naturalmente agressivos, mas porque, ao serem formados, tornam-se 
agressivos para se preservar como Estados (FONSECA 2008, p. 316).
Na visão de Fonseca (2008), a opção por Maquiavel, Hobbes, Rousseau, Locke e 
Kant, demonstra, que a diversidade de abordagens a qual se refere às relações internacionais 
ao se apoiar em distintas matrizes, da filosofia política. Assim, existe uma heterogeneidade 
epistemológica como elemento chave da área de estudos, já que um mesmo fenômeno 
(seja a guerra/conflito ou a paz/cooperação) pode ser analisado e visto de formas diversas, 
do ponto de vista teórico metodológico escolhido para destrinchar o tema. 
11UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação
3. A TEORIA DA SOCIEDADE CIVIL INTERNACIONAL
Caro aluno (a) até aqui, eu e você já conhecemos um bom começo sobre o 
assunto, Relações Internacionais, mas ainda há muitas informações e conhecimentos 
interessantes que irei tratar com você. Neste tópico, vou falar com você sobre a teoria da 
sociedade civil internacional.
Segundo os estudos pesquisados por Pinheiro (1998), descreve-se que a sociedade 
civil, é o assunto mais estudado da teoria política clássica e também usado com frequência 
no discurso social/político atual. Porém, há uma diversidade de classificações feitas por 
autores diferentes, desde o período medieval por meio da tradução da Política de Aristóteles, 
a conceitualização tem sido revisada por muitos filósofos políticos ocidentais significativos, 
passando por Hobbes, Locke, Rousseau, Ferguson, Smith, Kant, Hegel, Marx, Gramsci e, 
contemporaneamente, Arato & Cohen. 
Por meio de uma perspectiva histórica, a conceitualização da sociedade civil, para 
Hobbes, Locke, Rousseau e Ferguson, por exemplo, era sinal de Estado. Ao contrário do 
“estado de natureza” que é visto, sob três linhas diferentes em relação à sociedade civil: 
1) Família jusnaturalista; 
2) Família ligada a Hegel; 
3) Família ligada ao associativismo. 
12UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação
Segundo Pinheiro (1998), o conceito de sociedade civil tinha uma ligação com o 
Estado, isso porque era visto como uma comunidade política com raízes nos princípios 
da cidadania. E atéo século XVIII, o foco dos autores como: Hobbes, Locke, Rousseau, 
Ferguson, Smith, Montesquieu e Hume, eram de estudar detalhadamente os caminhos da 
sociedade, para ressaltar o Estado de natureza e representar de maneira formal o governo 
com bases da lei, isto é, em uma sociedade civil. 
Diante dessa contextualização, o termo sociedade civil coloca um novo estágio 
na evolução do governo e da civilidade humana: “a ideia de um estágio pré-estatal da 
humanidade, inspira-se não tanto na antítese sociedade/Estado quanto na antítese natureza/
civilização” (BOBBIO, 1987, p. 27). 
Na apresentação de Pinheiro (1998), o primeiro filósofo político moderno a expor 
a questão das origens da sociedade de uma forma detalhada e profunda, foi Thomas 
Hobbes. Mas, outros autores nesta mesma linha da literatura, colocam o termo sociedade 
civis das ligações com o termo civilidade. Diante disso, vamos analisar nas palavras de 
Kaldor (2003), o conceito de civilidade:
(...) respeito pela autonomia individual, baseada na segurança e na confiança 
entre as pessoas (...). (Civilidade) requer regularidade de comportamento, 
regras de conduta, respeito pela lei e controle da violência. Por isso, uma 
sociedade civil era sinônimo de sociedade cortês, uma sociedade, nas quais 
estranhos agem de uma maneira civilizada com relação aos outros, tratando 
cada um com respeito mútuo, tolerância e confiança, uma sociedade na qual 
o debate racional e a discussão se tornam possíveis (KALDOR, 2003, p. 17). 
Com essa autonomia individual apresentada por Kaldor (2003), pode-se identificar 
em Bobbio (1991), o processo de racionalização do Estado na teoria política moderna, 
que contém uma visão de modelo dicotômico que coloca o Estado com pontos positivos e 
negativos à sociedade pré-estatal ou anti-estatal.
Desta maneira, conforme Pinheiro (1998), diante dessa vasta literatura, tem-se 
destaque do papel da propriedade privada no desenvolvimento de uma sociedade civil. 
Rousseau afirma, que “o primeiro homem que, tendo cercado um pedaço de terra, “(...) 
dizendo ‘isto é meu’ e encontrando pessoas simples o bastante para acreditar nele, foi o 
fundador real da sociedade civil” (ROUSSEAU apud COLÁS, 2002, p. 32). Locke, por sua 
vez, mostra que a sociedade civil está marcada por dualidades, com relação ao lugar da 
propriedade privada na gênese e no desenvolvimento da sociedade civil. 
Em Pinheiro (1998), estas distinções levaram a ver Locke como um teórico político 
do “individualismo possessivo”. Isso porque, o relacionamento de Locke com a propriedade 
privada, se direciona por outro caminho, o capitalismo agrário, transformações estas, que 
se encontram expressas em seu pensamento. 
13UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação
Sendo assim, caro acadêmico (a), vale à pena destacar que foi precisamente esta 
transformação social, que surgiu a identificação da sociedade civil com uma categoria 
analítica da economia nas décadas seguintes. 
Ainda na visão de Pinheiro (1998), por volta do final do século XVIII, a associação 
da sociedade civil juntamente com a sociedade capitalista de mercado, foi ligada pela 
emergência da economia política. Através dos escritos de Adam Ferguson, Adam Smith 
e Karl Marx, é possível identificar a sociedade civil diretamente relacionada com a divisão 
do trabalho à produção em massa das commodities e uma continuidade das conexões de 
propriedade privada, caracterizadas pelo capitalismo moderno. 
Pinheiro (1998) ainda coloca, que em relação à abordagem da ideia de sociedade 
civil pelo Iluminismo Escocês, os pensadores Ferguson e Smith, por exemplo, tem muita 
ligação com conceitos como história, civilidade e sociedade. Mediante a isso, destaca-se que 
a convicção destes autores na visão de sociabilidade, acaba mostrando algo novo que não 
representa uma negação total da fase anterior. “Foi Locke, o primeiro a introduzir a noção de 
propriedade privada como uma condição para a sociedade civil” (KALDOR, 2003, p. 18). 
Com isso, Pinheiro (1998) coloca que Montesquieu diz que o homem nasce da 
sociedade. Deste modo, a questão então deixa de ser a sociabilidade e passa a levar 
a um entendimento profundo do porquê, e como as sociedades possuem distinções no 
tempo e no espaço. 
A resposta para esse questionamento no decorrer da história e diante de uma 
vasta literatura nos leva a ver que é um progresso da humanidade, que ocorre em variados 
momentos, com uma diversidade de cultura e costumes e isso leva a uma diferenciação das 
formas prévias de sociedade no que tange sociedade civil moderna, ou seja, para explicar 
a sociedade presente, fazia-se necessário examinar sua evolução e trajetória incluindo 
assim, dinâmica específica à história, percebe-se que há uma complexidade histórica para 
ser analisada e que cada região terá sua peculiaridade. 
Para Pinheiro (1998), o que leva a mudança e dinâmica histórica seria a 
propriedade, isto porque a propriedade é o elemento-chave para a distinção das nações 
(riqueza, terras, crescimento, etc.).
Em resumo caro acadêmico (a), é por meio do modo de subsistência analisado no 
âmbito da propriedade privada, da divisão do trabalho e da troca de commodities, que as 
pessoas, os agentes, passariam a viver em uma sociedade civil. 
14UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação
Percebe-se, assim, que os autores do Iluminismo Escocês colocam a sociedade 
civil como a sociedade de mercado capitalista. Para estes autores, a divisão do trabalho e 
a extensão do comércio levam a estabilidade, riqueza e prosperidade das nações, e essas 
são características fundamentais da sociedade civil, isto é, o Iluminismo Escocês possui 
uma representatividade sobre as transformações do entendimento político e econômico 
da sociedade civil. 
Pinheiro (1998) ainda afirma que a sociedade civil era constituída por associações, 
comunidades e corporações, que teriam um objetivo social considerado primordial na 
relação entre os indivíduos e o Estado. Com isso, o ângulo diferente da sociedade civil, 
algumas vezes está subordinado ao interesse universal do Estado e sua racionalidade. 
Assim, a sociedade civil é reconhecida como tendo uma relevante função dentro do projeto 
de uma Vida Ética. 
Ainda no que diz respeito à sociedade civil, para Pinheiro (1998), a sociedade civil 
funcionava como um espaço real de interação social e econômica entre indivíduos. Era 
instruído por três aspectos:
1. Um “sistema de necessidades”, ou seja, um sistema econômico; 
2. Uma “administração da justiça”, que leva uma ideia do liberalismo, isto é, da 
liberdade individual; 
3. E “a política e corporação”, que conduz esse sistema de necessidades e a 
administração da justiça.
Portanto caro aluno (a) observa-se aqui, que o conceito de “sistema de necessidades” 
surgiu com os economistas escoceses. Desta forma, o pensamento hegeliano conduz 
que a sociedade civil é habitada por indivíduos donos de direitos, se remete à formulação 
lockeana. Assim, a apresentação de uma sociedade civil como produto de uma época 
histórica distinta e dinâmica, é exposta pelos iluministas.
Portanto, os elementos que associam a sociedade civil têm caminhos representativos 
e éticos de interação entre os indivíduos em uma comunidade ampla, no qual os indivíduos 
são educados nas virtudes da vida civilizada. Por isso, é possível identificar duas inovações 
na teoria da sociedade civil de Hegel, analisando esses outros caminhos teóricos: 
1. O reconhecimento da importância das associações, independentes 
como componentes fundamentais da sociedade civil, que desempenham o 
papel de mediadoras entre os indivíduos e o Estado – ou seja, em Hegel “a 
sociedade civil constitui o momento intermediário entre a família e o Estado 
(...)” (BOBBIO, 1991, p. 30).
2. Devido à importância que dá às dimensões comunais da existência 
humana, o conceito hegeliano de sociedade civil, reconhece a centralidade 
dos indivíduos conscientes e reflexivos na construçãoda sociedade civil 
moderna (COLÁS, 2002, p. 32). 
15UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação
Como inovação teórica e conceitual, observa-se também uma inovação em relação 
com os teóricos anteriores, na medida em que Hegel chama de sociedade civil aquela, que 
seria a sociedade pré-política, isto é, existe uma fase da sociedade humana, que era até 
então nomeada de sociedade natural (BOBBIO, 1991). 
Em relação, à contribuição de Karl Marx, Pinheiro (1998) coloca a ideia de 
sociedade civil como uma resposta à Hegel e por outro lado de uma visão, de certa 
forma influenciada pelos teóricos políticos do Iluminismo Escocês. Isto porque existe uma 
associação desta, com a esfera de produção e pela discussão do aspecto histórico como 
ponto chave da modernidade. 
Marx faz uma definição de sociedade civil como luta de classes. Ou seja, como 
um “sistema de necessidades”, para Marx (1993, p. 53) “a sociedade civil é composta 
por massas separadas, formada por uma organização, sendo estas massas produtivas, 
burguesia e o proletariado”.
Ainda na visão de Pinheiro (1998), a sociedade civil representa o desenvolvimento 
das relações econômicas que leva a determinação do momento político. Desta maneira, o 
Estado entra na visão do autor como uma ordem política, sendo um elemento dependente, 
e a sociedade civil, se classifica para ele como o reino das relações econômicas, ou melhor, 
o elemento dominante. Neste ponto é possível encontrarmos uma semelhança, que nos 
leva a emergência da sociedade civil. Esse ponto está na separação do âmbito privado da 
produção e da troca da esfera pública do Estado político. 
16UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação
4. FUNCIONAMENTO DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS
Sobre os funcionamentos das relações internacionais, Magnoli (2013) afirma que 
as teorias políticas clássicas, são adequadas para levar a um entendimento claro desse 
assunto, isso porque, concentram seu interesse nas relações internas aos Estados, entre 
o governante e a sociedade de maneira ampla. O estudo do funcionamento das relações 
internacionais, ou melhor, das relações estabelecidas entre os Estados, é atual e começou 
a se destacar no século XX. 
A preocupação com o sistema internacional de Estados foi incentivada, pela 
constituição progressiva de uma economia integrada, de âmbito mundial. As mudanças na 
produção e dos transportes de mercadorias típicas dos séculos XVIII e XIX eram chamadas 
de Revolução Industrial e nesse momento, surgiram novos estudos buscando entender o 
funcionamento das relações internacionais de maneira mais ativa.
 A própria análise do Estado foi cada vez mais influenciada para o entendimento do 
funcionamento das relações e do comércio internacional, isso porque era extremamente 
importante para evolução da nação, ou seja, pelo estudo do papel desempenhado por 
cada Estado no sistema geral e de suas peculiaridades, era possível desenvolver um 
funcionamento mais adequado.
O vasto campo de estudo das relações internacionais não é definido de forma 
consensual. Uma diversidade de autores encara de modo distinto, o funcionamento das 
relações internacionais. Diante da vasta literatura, é possível detectar três tradições 
totalmente diferentes das teorias sobre as relações internacionais e seu funcionamento.
17UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação
A primeira dessas tradições gerou a chamada, escola idealista, que veio do pensamento 
iluminista, apresentando a comunidade de normas, regras e ideias que tem como base, o 
sistema de Estados. Sua origem e pilar é a noção do direito natural que, aplicada ao sistema 
internacional, implica o conceito de justiça como dominante das relações entre os Estados. 
Para Magnoli (2013), no pensamento idealista, o uso eventual da força pelos Estados, 
encontra um argumento apenas quando orientado pelo desígnio da eliminação da força do 
interior do sistema, resguardando a justiça internacional das agressões de agentes, que 
não partilham as mesmas regras consensuais. Mediante a isso, a visão rousseauniana do 
contrato social, aparece com um contexto peculiar. Os Estados formam uma “comunidade 
internacional”, sobre um “contrato moral” que tem base na noção de justiça.
Essa tradição filosófica foi uma resposta e também, reação moral aos horrores da 
Primeira Guerra Mundial (1914 - 1918). As doutrinas e políticas formuladas nos Estados 
Unidos e na Grã-Bretanha no final da guerra e no entreguerras, apresentam repúdio às 
práticas estabelecidas da “política da força” e mostram a vontade de submissão das relações 
entre os Estados, ao império da legislação.
A escola idealista tem ligação com a ideia iluminista, isso porque possui um 
caminho de possibilidade de uma sociedade perfeita. Essa meta moral, nos leva ao caráter 
considerado reformista dos autores idealistas, que possuem a visão da adaptação do 
sistema internacional às exigências do direito e da justiça. Um exemplo seria o “Catorze 
Pontos”, do presidente americano Woodrow Wilson.
A segunda tradição informa a escola realista. Sua ênfase, não entra em uma 
comunidade ideológica do sistema internacional, mas em seu âmbito conflitivo. As raízes 
dessas correntes de pensamentos encontram-se, em Maquiavel e Hobbes. Maquiavel 
colocou a relevância e primordialidade da força na prática política, que não está limitada por 
constrangimentos morais e conferiu uma legitimação aos interesses do soberano. Em sua 
linha de raciocínio, os fins selecionam e condicionam os meios. Hobbes, como Maquiavel, 
possui um lado de pessimismo em relação à natureza humana. Seus comentários sobre o 
sistema internacional possuem um caminho paralelo, entre as ligações estabelecidas pelos 
Estados e as conexões estabelecidas pelos indivíduos, na ausência de Leviatã. Com esse 
olhar, a escola realista coloca uma visão da ausência de um poder soberano e imperativo, 
para um bom funcionamento das relações internacionais.
Magnoli (2013) coloca que as doutrinas realistas, formam a mais complexa tradição 
de política externa, desde que se ajustou o moderno sistema de Estados. 
18UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação
Deste modo, no plano acadêmico, a escola realista possui em seu desenvolvimento 
de pensamento, como reação aos fracassos da “política do apaziguamento”, que foi 
conduzida na Europa do entreguerras. 
Hans Morgenthau, autor de Politics Among Nations, foi o fundador do pensamento 
realista contemporâneo e apresentou a meta moral da reforma do sistema internacional, 
pela análise das condições objetivas, que mostram o comportamento dos Estados, os 
pensadores realistas deixaram como base em sua argumentação, ideias da anarquia 
inerente ao processo sistêmico, que tende ao equilíbrio de poder indo contra essa anarquia.
As distinções entre os autores realistas a respeito dos instrumentos do comportamento 
dos Estados surgiram da corrente neo-realista, também nomeada como realismo estrutural, 
diferente da Morgenthau, que se contentou na definição do comportamento dos Estados 
como ânsia de poder, os neo-realistas possuem uma preferência para identificação da busca 
da segurança, como causa última da prática política no sistema internacional. Esse enfoque 
destaca o problema estrutural presente do sistema, que define os meios e maneiras, até 
mesmo graus da insegurança, experimentados por cada agente e indivíduo de forma isolada.
No pós-guerra, o desenvolvimento de uma complexa rede de instituições 
internacionais, levou a uma linhagem de autores a rever a ideia de anarquia ligada ao sistema 
internacional. Esses autores, dentre os quais se destacam Robert Keohane, Joseph Nye e 
Stanley Hoffmann, estabeleceram, dentro do campo realista, uma corrente institucionalista. 
Os institucionalistas colocam um destaque na abrangência crescente do direito 
internacional, mostrando que as instituições que balizam a atuação dos Estados. O 
impacto da existência da rede de instituições internacionais, sobre umolhar de segurança 
e credibilidade de estratégias por parte do Estado, principalmente no cenário europeu, é a 
seção de maior destaque de investigação dessa linha de pensamento. Seu ponto crucial 
consiste na relevância da limitação da soberania e da paralela queda da insegurança, em 
razão dos compromissos institucionais.
A terceira tradição é a denominada, escola radical. Suas raízes têm como base, o 
pensamento de Karl Marx e, por isso, a escola radical é também nomeada como: neomarxista. 
Vale ressaltar, que Karl Marx não produziu uma teoria do sistema internacional, mas da 
História e da revolução social. 
Ao contrário das tradições apresentadas anteriormente, seu objeto de pesquisa e 
de estudo, não se enquadra na cooperação ou no conflito entre Estados, mas no conflito 
entre as classes sociais. 
19UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação
O Estado é um elemento marginal no pensamento marxista e o funcionamento e 
objetivo dos Estados, surge como se fosse um meio para interesses econômicos, políticos 
e sociais de outros indivíduos. Contudo, principalmente com Lenin, a tradição marxista 
elaborou um pensamento sobre o funcionamento das relações internacionais.
O contexto internacional das últimas décadas do século XIX e início do século 
XX levaram, à teorização leninista sobre o imperialismo. A expansão neocolonial das 
potências europeias na Ásia e na África, e as medidas semicoloniais dos Estados Unidos 
no Caribe, no Pacífico e no Extremo Oriente, estabelecem o foco das preocupações do 
russo. Lenin concentrou-se na obra Imperialismo, que era um destaque na época do 
britânico John Hobson. Deste modo, produziu uma versão marxista: Imperialismo levando 
um estágio superior do capitalismo. 
Nesta obra, houve influência do olhar e particularidades de pensamento de partidos 
e organizações de esquerda, o líder revolucionário russo, estabelecia interessantes ligações, 
interações teóricas e comportamentais entre a economia política do capitalismo, a luta pela 
divisão de mercados e o imperialismo neocolonial, porém, o argumento original de Lenin, 
tem a base na ligação entre a prática imperialista e a guerra entre potências.
O imperialismo acaba abrindo caminhos para a guerra e também para a revolução 
social. A estrutura das teorias neomarxistas sobre o sistema internacional possui base, na 
análise das relações de subordinação econômica entre países em fases iniciais e desiguais 
de desenvolvimento industrial e tecnológico. Immanuel Wallerstein, um dos mais relevantes 
pensadores radicais e autor de The capitalist world economy, forneceu as bases conceituais 
para uma teoria dos sistemas mundiais. O foco dessa teoria está nos padrões de dominação 
e na rede de relações econômicas entre as sociedades, não na estrutura do sistema 
internacional de Estados. Ela traça a evolução do sistema capitalista, distinguindo áreas 
centrais e periféricas, procurando as raízes do desenvolvimento e do subdesenvolvimento.
Os enfoques da escola radical possuem um interesse no pensamento dos 
fenômenos contemporâneos da globalização, podemos citar os fluxos de capital e 
mercadorias, os mercados financeiros, a internacionalização das corporações industriais e 
a configuração de blocos econômicos macrorregionais. Do ponto de vista metodológico, as 
análises neomarxistas, auxiliam principalmente para abrir caminhos de pensamento sobre 
os agentes do sistema internacional, que não são Estados, ou seja, os grupos econômicos 
e as corporações transnacionais, entre outras instituições.
20UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação
SAIBA MAIS
Termos e Conceitos Importantes
Monarquias absolutas
Monarquias europeias da Idade Moderna, assentadas sobre o fundamento do direito 
divino do rei, que coloca como subordinado à nobreza. O reinado de Luís XIV na França 
(1643- 1715) representou o apogeu do absolutismo.
Reinos medievais
São unidades políticas da Idade Média europeia, fundamentadas pela fragmentação do 
poder. Nesses reinos, o poder real diluiu-se, de forma horizontal, entre a nobreza feudal 
e subordinou-se, de forma vertical, à Igreja de Roma.
Estado territorial
Modelo de Estado que se originou da Idade Moderna, com o advento das monarquias 
absolutas europeias. Caracteriza-se pela constituição de aparatos burocráticos e 
militares centrais, e pela definição das fronteiras políticas.
Tribunos da plebe
Representantes dos plebeus, os cidadãos que não pertenciam à aristocracia patrícia, no 
governo da República romana.
Modelo jusnaturalista
Doutrina, segundo a qual existe um direito natural, anterior e superior ao direito positivo, 
que tem princípios de estabelecimento pelo Estado.
Estado-Nação
Modelo de Estado que emerge na Idade Contemporânea, com a Revolução Americana 
e a Revolução Francesa. Caracteriza-se pelo princípio da soberania popular.
Fonte: MAGNOLI, Demétrio. Relações internacionais. 2 ed. São Paulo: Saraiva, 2013. P.30. Disponível 
em: https://www.saraiva.com.br/relacoes-internacionais-teoria-e-historia-2-ed-2013-4912211/p. Acesso 
em 27 de jul. 2021.
https://www.saraiva.com.br/relacoes-internacionais-teoria-e-historia-2-ed-2013-4912211/p
21UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação
REFLITA 
“Só há dois tipos de relação sem conflito: as de subordinação e as que não existem.”
Fonte: Marco Aurélio Garcia. 
22UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Caro aluno (a) 
Chegamos ao final da unidade I, onde foi possível apresentar a você alguns 
conceitos importantes, referente a este rico assunto, Relações Internacionais (RI).
Você estudou aqui os primeiros fatos referentes, à origem das relações internacionais, 
O pensamento político e o fundamento das relações internacionais, além disso, A teoria 
da sociedade civil internacional e para finalizar a unidade I, Funcionamento das relações 
internacionais. As Relações Internacionais surgem como, um domínio teórico da Ciência 
Política no período, imediatamente posterior à Primeira Guerra Mundial. Os estudos foram 
iniciados pelo Royal Institute of International Affairs, fundado em 1920, o pioneirismo no 
estudo exclusivo às relações internacionais. No mesmo período, a London School of 
Economics inaugurou um Departamento de Relações Internacionais, que posteriormente 
seria relevante para a construção de teorias da escola inglesa de relações internacionais. 
Observa-se que historicamente, as políticas de profissionalização do corpo 
diplomático só foram deflagradas, nos países pioneiros, na segunda metade do século XIX. 
Antes disso, os diplomatas eram recrutados de uma maneira restrita. Naquelas condições, 
a carreira desenvolvia-se de acordo com regras informais, dependentes, muitas vezes, 
de laços pessoais ou familiares. A herança dessa época está condicionada em hábitos 
e atitudes de solidariedade entre diplomatas de diferentes países e numa certa cultura 
aristocrática que se dissolve, aos poucos, sob o impacto da profissionalização.
23UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação
MATERIAL COMPLEMENTAR
LIVRO 
Título: Relações internacionais. 2 ed. 
Autor: Demétrio Magnoli.
Ano: 2013.
Editora: Saraiva. Disponível em https://app.saraivadigital.com.br
Sinopse: Esta é uma obra de introdução ao campo das relações 
internacionais e está estruturada, para o estudo das escolas de 
pensamento em RI das teorias e os da conceitualização, que 
pretendem oferecer explicações para as políticas dos Estados, 
nas suas interações com os demais Estados. 
O seu foco é o sistema internacional a partir da Idade Moderna. Esta 
obra tem um foco na tradição da linhagem de autores históricos das 
relações internacionais. Assim, nesse livro, você verá as raízes 
dos tratados e das guerras, do conflito e da cooperação, e suas 
devidas peculiaridades para cada região, além disso, os contextos 
econômicos e culturais delineados. 
FILME/VÍDEO
Título. A Passage to India (Passagem para a Índia, 1984).
Ano: 1984.
Sinopse: No final dos anos 20, Adela Quested (JudyDavis), uma 
rica inglesa de ideias liberais, viaja para fora do país pela primeira 
vez, indo à Índia para encontrar seu noivo. O choque cultural 
acontece, mas quando tudo parecia facilitar a integração, Adela 
acusa o jovem Dr. Aziz (Victor Banerjee) de tentativa de estupro 
durante um passeio até as cavernas de Maraba
Link do trailer: https://www.youtube.com/watch?v=1wJiTsARqrE
WEB 
Ministério das Relações Exteriores: http://www.mre.gov.br
24
Plano de Estudo:
● Principais marcos metodológicos;
● Análise da Teoria das Relações Internacionais;
● Principais autores e suas correntes clássicas;
● Principais correntes e relações brasileiras.
Objetivos da Aprendizagem:
● Apresentar os principais marcos metodológicos;
● Analisar as principais teorias das Relações Internacionais;
● Estudar os principais autores e suas correntes clássicas;
● Estudar as principais correntes e relações brasileiras.
UNIDADE II
Destaques Internacionais
Professora Esp. Margarete Campos Vieira 
25UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação 25UNIDADE II Destaques Internacionais
INTRODUÇÃO
Prezado (a) acadêmico (a) 
nesta unidade, será apresentado alguns destaques em pautado nas relações 
internacionais. É relevante sempre lembrar, que no final desta unidade você terá também 
algumas curiosidades e dicas de filmes e livros para complementar seus estudos. Para iniciar 
nossos estudos, iremos apresentar os principais marcos metodológicos, marcos estes, que 
foram importantes nos estudos das relações internacionais e você poderá entender melhor 
a importância deles, para os estudos propostos.
Após apresentados os principais acontecimentos, será abordado algumas análises 
sobre as principais teorias das Relações Internacionais. E para aprimorar este estudo, 
convido você aluno (a), a estudar os principais autores e suas correntes clássicas. Entre 
estes autores, destacam-se alguns como: Sun Tzu, Tucídides, Tito Lívio e Maquiavel, 
Hobbes e Richelieu, respectivamente.
Por fim, nesta unidade irei apresentar algumas, das principais correntes e relações 
brasileiras, em relação aos momentos políticos marcantes da época.
Portanto, é importante destacar que o pensamento das Relações Internacionais 
buscou, nas referências clássicas que expliquem melhor os fatos. Sendo assim, destacaram-
se vários autores em que o poder é o elemento central de suas teorias. 
 Como já apresentado na Unidade I, para o realismo do século XX que estava se 
consolidando, diversas conceitualizações como sobrevivência, poder, estado de natureza 
e auto interesse, era o foco dado na leitura dos clássicos. Nas teorias realistas das 
relações internacionais, que exigem um caráter objetivo, empírico e detalhista, o Estado é 
colocado no elemento-chave do debate, pois se considera que o Estado é o ator principal 
das relações internacionais.
Obrigado por continuar comigo e desejo bons estudos!
26UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação 26UNIDADE II Destaques Internacionais
1. PRINCIPAIS MARCOS METODOLÓGICOS
Prezado (a) acadêmico (a) neste tópico, você irá estudar sobre os principais marcos 
metodológicos, que são destaque na literatura das relações internacionais. Todo método 
opera por meio de um caminho conhecido, para a produção da ciência. Os primeiros 
registros do conhecimento sobre a natureza e a ciência partem das observações humanas 
ao longo dos tempos, conforme Castro (2012, p. 271):
O método corresponde, nas pesquisas científicas em Relações Internacionais, 
à determinação de rota factível (dentre as várias trilhas disponíveis ao sujeito 
e seus interlocutores), para o processo de investigação. Tem duplos sentidos: 
atender ao próprio pesquisador na análise dos conceitos, na construção 
formal da pesquisa e no processamento das variáveis no bojo da mecânica 
da produção acadêmica e revelar ao público interessado (leitores em geral), 
os meios utilizados no desenho dos resultados encontrados. Método e 
conhecimento são aportes de construção para o processo científico. Método 
e ciência trazem complementaridades e necessitam de mútua correlação sob 
a égide de constante verificação ou testes (CASTRO, 2012, p. 271).
Por isso, método e conhecimento não podem ser separados, assim não existe 
processo, nem cientificidade sem o devido método. Kuhn entende que a ciência normal, 
é metódica formada e reformada.
Segundo Castro (2012, p. 271), as reflexões iniciais surgem de provocações 
importantes, para os estudos das metodologias, em relações internacionais:
Será mesmo um caminho conhecido ou meramente um caminho apenas (re) 
conhecido pela comunidade acadêmica? O reconhecimento do caminho já 
amplamente trilhado anteriormente pelos sistemas de teorias (Popper) é uma 
forma, de inovação nas Relações Internacionais? Ao longo do tempo, acarretando, 
assim, os paradigmas aceitos perante uma comunidade científica. Assim, o 
método e sua sistematização formal, denominada de metodologia, vislumbram 
maneiras que possibilitam o avanço da produção científica e a elevação dos 
padrões de pensamento crítico e reflexivo (CASTRO, 2012, p. 271).
27UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação 27UNIDADE II Destaques Internacionais
Verifica-se que os métodos, seguem uma lógica formal posta e aceita como 
ponto organizado de partida e de chegada. Não há dúvidas quanto ao ponto de partida; 
o questionamento reside no caráter e no tipo de lógica formal, posta e aceita para tal. 
Conforme Castro (2012, p. 272) há alguns questionamentos relevantes:
Haveria, objetivamente, lógicas formais que melhor atenderiam os ditames 
complexos das Relações Internacionais? Existem dados confiáveis para re-
futar os saberes científicos da área internacional? Como se poderiam cons-
truir parâmetros lógico-sistêmicos de validação da pesquisa em RI? Muitas 
dessas perguntas são aqui deixadas pairando no ar. De toda maneira, há 
uma estruturação racional (cartesiana) crítica inerente ao processo metódico 
para as ciências e humanas, como também para as ciências chamadas duras 
ou para as ciências da natureza. Tal construção racional é produto de longo 
processo histórico no campo da filosofia da ciência, do cognitivismo e da 
epistemologia (CASTRO, 2012, p. 272).
1.1 Do Método Dedutivo Cartesiano
Ainda conforme Castro (2012), a construção da organização e da elaboração do 
método desloca-se, necessariamente, pela construção e reconstrução do discurso, havendo 
Descartes1 , seu principal desenvolvedor dessa convicção. O racionalismo cartesiano 
aparece de forma predominante, como um divisor de águas na filosofia renascentista, não 
somente pela apresentação do cogito (“penso logo existo”), mas, predominantemente, pela 
sistemática estabelecida sobre a constante refutação e sobre a dinâmica do questionamento 
como base da experiência da razão. O célebre fundador do racionalismo no século XVII 
recebeu educação formal jesuíta e exerceu expressiva influência em Spinoza e em Leibniz. 
Segundo o filósofo francês, há quatro etapas na construção racional-epistemológica da 
lógica formal dedutiva com sua cientificidade, assim expressa em sua obra Discurso do Método:
O primeiro era o de nunca aceitar algo como verdadeiro que eu não conhecesse 
claramente como tal. [...] O segundo, o de repartir cada uma das dificuldades 
que eu analisasse em tantas parcelas, quantas fossem possíveis e necessárias 
a fim de melhor solucioná-las. O terceiro, o de conduzir por ordem meus 
pensamentos, iniciando pelos objetos mais simples e mais fáceis de conhecer, 
para elevar-me, pouco a pouco, como galgando degraus, até o conhecimento 
dos meus compostos, e presumindo até mesmo uma ordem entre os que se 
procedem naturalmente uns aos outros. E o último, o de efetuar em toda parte 
relações metódicas tão completas e revisões tão gerais, nas quais tivessem 
certeza de nada omitir. (DESCARTES, 1999, p. 49 - 51).
Descartes (1999) afirma que, a lógica formal do método dedutivo é estruturada 
por evidência, em sua análise, por síntese e assim, por último na enunciação.O método 
dedutivo é a indução do geral para o particular de maneira convergente. 
 O método indutivo, por sua vez, alega que quando evidenciados, os dados 
particulares, geram ideias mais amplas e válidas. 
 1DESCARTES, René. Discurso do Método. São Paulo, Nova Cultural, 1999. p. 49 - 51.
28UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação 28UNIDADE II Destaques Internacionais
Segundo ele, o método dedutivo assegura, que se as premissas são verdadeiras, 
como consequência, haverá uma conclusão verdadeira e as informações da conclusão, 
já devem estar contidas nas premissas. Ele ainda afirma que, no dedutivismo, para que 
uma conclusão seja falsa, uma das premissas também o será. Exemplo: “Todos os países 
que são continentais possuem grande estatura de poder internacional. Ora, o Brasil é 
um país continental, logo, o Brasil tem capital de força-poder-interesse (PI) de expressão 
internacional”: (LAKATOS, 2000, p. 63)
Uma lógica diferente e inversa ao método dedutivo deverá ser posta em prática 
pelo método indutivo, como veremos a seguir.
1.2 Do Método Indutivo no Experimentalismo de Bacon
Castro (2012) coloca que Francis Bacon (contemporâneo de Descartes), foi consi-
derado, a mente criadora do “método experimental”, além de ter contribuído para o método 
da indução científica, como Galileu Galilei. Na medida em que Descartes destaca a dedução, 
como método de alcance de refutações e questionamentos, Galileu e Bacon consideram 
que o indutivismo (método científico que obtém conclusões gerais a partir de premissas 
individuais), é o melhor método para chegar à ciência, isto é, uma forma de levar de forma 
real o método indutivo, é sugerir, com base na observação ocorrida de acontecimentos da 
mesma natureza, uma conclusão para todos os objectos ou eventos dessa natureza.
Na apresentação de Bacon (1999), a tese de que o método científico experimental 
deveria ter cinco elementos cardeais conforme se constata:
(...) a experimentação, a formulação de hipóteses, a repetição, o teste das 
hipóteses e, finalmente, a formulação de generalizações e leis aplicáveis 
ao mundo real. O método dedutivo e indutivo são formas de estruturar as 
trilhas percorridas pela produção científica, na busca de respostas e nas 
explicações das muitas questões das ciências e, em particular, das Relações 
Internacionais. Sendo assim, se o processo de reflexão formal e construção 
metodológica for realizado de maneira imprecisa e imperfeita, os resultados 
obtidos trarão vieses, gerando, assim, falácias e ambiguidades. A metodologia 
deve conter, rigorosamente e aplicar o princípio da coesão e coerência, 
cotejando com objetividade e subjetividade interpretativa, pois assim será 
possível articular melhor os saberes internacionais, com suas construções 
multidisciplinares. Sendo assim, “o método e o sistema perfazem a essência 
do saber científico, no qual o sistema representa o aspecto de conteúdo e o 
método, o aspecto formal.” Desse modo, método, metódica, metodologia e 
ciência, são construções formais e partes integrantes de processo intrínseco, 
ao saber investigativo, que merecem observações e detalhamentos bem 
específicos para diferenciar suas esferas de abrangência e fronteiras (BACON, 
1999, p. 37).
Castro (2012) relata que, como ciência autônoma e sistematizada, as relações 
Internacionais possuem metodologias próprias, mesmo que esta seja baseada em fontes 
diversas do conhecimento humano. 
29UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação 29UNIDADE II Destaques Internacionais
O reconhecimento do locus específico das Relações Internacionais é ofertado, 
por meio de se entender, que elas são uma ciência de vertente política, com inter e 
transdisciplinaridade, sendo defendidas como canais de argumentação e investigação dessa 
ciência. Seu nascedouro acadêmico-disciplinar como ciência humana, social e política – na 
escala ampliada dedutiva – revela que, de forma crescente, tem realizado uma necessidade 
de reconhecimento de sua autonomia através de um arcabouço metodológico próprio.
Castro (2012) nos apresenta que para Bacon, existia um valor hierárquico do 
experimentalismo como base da intuição e da cientificidade dos objetos sociais. Observemos 
suas palavras a seguir:
A melhor demonstração é, de longe, a experiência, desde que se atenha 
rigorosamente ao experimento. Se procurarmos aplicá-la a outros fatos tidos 
por semelhantes, a não ser que se proceda de forma correta e metódica, é 
falaciosa. [...] Dessa forma, ocorre que os homens realizam os experimentos 
levianamente, como em um jogo, variando pouco, os experimentos já 
conhecidos e, se não alcançam os resultados, aborrecem-se e põem de lado 
os seus desígnios. (BACON, 1999, p. 37 - 97).
Bacon é referência para o indutivismo no processo experimental-teórico, sendo 
assim, a aplicação dessa metodologia para as Relações Internacionais, seria como um 
endosso de uma estratégia para verificar variáveis aplicadas ao método. 
Bacon (1999) reforça a essencialidade da confirmação das premissas, para 
validação das conclusões dos objetos analíticos das Relações Internacionais. Diante disso, 
no indutivismo, se todas as premissas são verdadeiras, a conclusão é, provavelmente, 
verdadeira, porém, pode ser ou não totalmente verdadeiras essas premissas estruturantes. 
A conclusão apresenta uma informação final, por meio da inferência que nem 
sempre está presente nas premissas. Por exemplo, os países em desenvolvimento que 
foram estudados recentemente, possuíam políticas cambiais de desvalorização de sua 
moeda nacional. Logo, todos os dez países que pertencem ao ASEAN, têm práticas 
de desvalorização cambial. Atualmente, tais assertivas carecem de profundidade, rigor 
e maior formalismo de observação e de metodologia, no que tange ao processo de 
verificação e testes de conclusão.
1.3 O Método Hipotético-dedutivo de Popper
Castro (2012) esclarece que Karl Popper, é um veemente crítico do método indutivo 
por formular, que uma teoria deve considerar todo alicerce da construção anterior, bem 
como seus erros e acertos, além de entender que a ciência deve sempre ser submetida a 
testes dedutivos. 
30UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação 30UNIDADE II Destaques Internacionais
O experimentalismo dedutivo é guiado pela formulação de um problema de maneira 
objetiva, e este gerará suposições e refutações, causando rejeição ou corroboração (aceitação), 
através de testes e verificação. Para Popper, o falseamento também deverá assumir papel 
importante como erro a ser evitado na elaboração e formulação de novas teorias.
O método hipotético-dedutivo apresenta meios de construir, metodologicamente, 
a pesquisa em RI de maneira a desenhar o levantamento das variáveis (dependente e 
independente), por meio da formulação de um problema inicial. A problematização deve 
ser resultado de eventuais contradições, lacunas e conflitos de expectativas existentes na 
corrente teórica predominante, isto é, quando as principais correntes teóricas não conseguem, 
devidamente, responder às questões atuais do foco da pesquisa. Uma conjectura é então 
formatada para responder, tentativamente, ao problema inicialmente posto. 
O levantamento de hipóteses é essencial, para a resposta da problematização 
gerada por quem pesquisa e essas hipóteses devem ser verificadas por ferramentas 
estatísticas, levando em consideração os objetivos traçados no desenho da pesquisa e 
também dependem da amostragem. Com isso, testes diversos devem ser realizados pela 
observação, pela experimentação e pelas análises com vistas à aprovação ou rejeição da 
pesquisa. Se positiva, então uma nova teoria é formada. 
31UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação 31UNIDADE II Destaques Internacionais
2. ANÁLISE DA TEORIA DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS
 
Caro (a) acadêmico (a) neste tópico, você irá estudar a análise da História 
Diplomática e perceberá que ela revela características distintas e, isso é o que define o 
objeto e a metodologiausada pelos historiadores nas relações internacionais.
Conforme Castro (2012) acredita-se que as relações internacionais, têm sido 
objeto de grande atenção por parte daqueles que se dedicam às Ciências Sociais. Esse 
interesse começou a se manifestar no início da década de 1990, quando o fim da Guerra 
Fria deu partida à intensa discussão a respeito do processo de globalização, e confirmou-se 
desde os ataques terroristas aos alvos norte-americanos, em setembro de 2001. Todos 
esses acontecimentos despertaram a atenção dos estudiosos das Ciências Sociais, pois, 
contribuíram decisivamente para a consolidação de uma ideia apresentada anteriormente, 
segundo a qual os Estados haviam se elevado a um grau de interdependência irreversível. 
Consequentemente passou a predominar a ideia, de que já não havia mais como 
diferenciar os processos internos dos externos, ou melhor, inevitavelmente, todas as 
decisões relativas a questões internas passavam a apresentar efeitos externos, enquanto 
as decisões relativas a questões externas acabavam produzindo efeitos internos. 
Por isso caro (a) acadêmico (a), o conhecimento da realidade, em todas as suas 
dimensões, passou a incluir, necessariamente, o conhecimento das relações internacionais. 
Segundo Lessa e Gonçalves (2007), o movimento intelectual decorrente dessa nova maneira de 
perceber as relações internacionais, mobilizou não apenas politólogos (especialistas em ciências 
políticas), economistas e juristas, mas também historiadores. Devido à sua complexidade, o 
conhecimento dos problemas internacionais contemporâneos requer a análise histórica. 
32UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação 32UNIDADE II Destaques Internacionais
Deste modo, considera-se que não é o suficiente entender o funcionamento das 
instituições e a capacidade de codificação conceitual, de certos aspectos da realidade. Para 
a construção do conhecimento é necessário também, acrescentar a esse trabalho intelectual 
de interpretação da realidade, a articulação dos elementos ao longo do tempo. Quando 
examinados à luz de sua dimensão temporal, fenômenos sociais, políticos, econômicos e 
culturais, tornam-se acessíveis.
 Essa movimentação ao redor dos historiadores, para a produção de conhecimento 
acerca das relações internacionais teve como importante efeito, despertar a atenção dos 
estudiosos para a História das Relações Internacionais. 
De acordo com Lessa e Gonçalves (2007), os estudos históricos que por muito 
tempo ficaram adormecidos, voltam a ter uma posição importante. O caráter de urgência que 
passou a marcar o conhecimento sobre determinadas questões internacionais demonstrou 
que, sem o concurso da História das Relações Internacionais, os fenômenos do presente 
revelavam-se incompreensíveis.
 Por isso, quem se sente motivado a elevar seus conhecimentos referentes à 
História das Relações Internacionais para participar positivamente do debate sobre as 
questões internacionais contemporâneas, depara-se, no entanto, com a falta de literatura 
específica. Embora os historiadores estejam permanentemente empenhados em refletir 
sobre sua prática, procurando reformular teorias, métodos e técnicas de pesquisa, com 
vistas a produzir um conhecimento da história socialmente útil, a dimensão internacional da 
história tem sido objeto de preconceitos ou ignorada pelos historiadores.
Com esse contexto, ainda assim, muitos têm produzido admiráveis trabalhos 
de pesquisa, que contribuem significativamente para o conhecimento das questões 
internacionais. Entretanto, essa prática não tem se traduzido numa explicitação das 
questões teóricas que envolvem seu trabalho. Por isso, a carência em ligação com essas 
questões relativas à História das Relações Internacionais, fixou como objetivo deste texto 
elaborar algumas notas introdutórias sobre o assunto. 
Caro (a) acadêmico (a) para você entender melhor as Relações Internacionais, é 
importante entender também uma breve história e conceitos da História Diplomática, que 
constitui o protótipo da História institucional. Seu desenvolvimento ocorreu no século XIX, 
coincidindo com a consolidação do moderno Estado-nação na Europa e nas Américas.
Marc Ferro (1989) refere-se à História institucional, que visa demonstrar e legitimar 
a existência de instituições, organizações e regras. A instituição pode ser o Estado, uma 
Igreja ou um partido político.
33UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação 33UNIDADE II Destaques Internacionais
Por meio da história do Estado, por exemplo, consagram-se determinadas 
interpretações de processos políticos considerados decisivos para sua formação, são 
exaltadas figuras heróicas que deram a vida pela nação e, por fim, glorifica-se a nacionalidade, 
tornando-se única. No que diz respeito à História Diplomática, a instituição em questão é o 
Estado em sua dimensão externa. 
Portanto, sua luta para proteger sua nação dos inimigos que ameaçam sua soberania 
é privilegiada. Para o melhor entendimento dessa relação entre história diplomática e os 
Estados-nação, é conveniente definir o significado da palavra diplomacia. A palavra vem do 
verbo grego diploun, cujo significado é dobrar. Portanto, o significado original de diploma: 
peça oficial gravada numa placa dupla de bronze formando um díptico. 
No tempo do Império Romano, essa placa dobrada era usada como 
passaporte para as pessoas e salvo-conduto para as viaturas em trânsito 
pelas rotas imperiais. Mais tarde, o nome do diploma estendeu-se aos 
documentos oficiais, já não mais metálicos, que conferiam privilégios a seus 
portadores ou então, registravam os acordos realizados com as comunidades 
estrangeiras (MARC FERRO, 1989, p. 11).
Devido ao acúmulo de grandes quantidades de tratados, os arquivos imperiais 
ficaram repletos de documentos pequenos, dobrados e redigidos de uma determinada 
maneira. Para conservar, decifrar e catalogar esses documentos, pessoas especialmente 
qualificadas passaram a ser empregadas: eram os letrados, que inauguraram assim as 
profissões de paleógrafo e arquivista. Segundo Harold Nicolson (1948) relata que:
(...) até o fim do século XVII essas duas ocupações, foram denominadas res 
diplomática, que designavam tudo aquilo que se relacionava com os arquivos 
ou com os diplomas. Os diplomas são, portanto, os mais antigos documentos 
oficiais escritos. Os letrados – aos quais cabia a tarefa de zelar por sua 
conservação e interpretar corretamente seu conteúdo – eram os funcionários 
do Estado, habilitados a informar às autoridades tudo aquilo considerado 
necessário a respeito dos outros povos, com vistas a orientar a conduta destas 
em suas negociações. O grau de conhecimento acerca dos interlocutores e, 
consequentemente, o êxito nas negociações externas dependia, em grande 
medida, da qualidade da res diplomática (HAROLD NICOLSON, 1948, p. 24).
A partir da mesma origem, consolidou-se o significado de diplomacia como “a 
maneira de conduzir os assuntos exteriores de um sujeito de direito internacional, utilizando 
meios pacíficos e principalmente a negociação” (PINO, 2001, p. 21). A História Diplomática é 
a história das relações do Estado com os outros povos, contada com base nos documentos 
oficiais do Estado (diplomas). Tendo a história brasileira como referência, José Honório 
Rodrigues apresenta a seguinte definição:
A história diplomática investiga e relata a defesa dos direitos nacionais e as 
relações econômicas, sociais e políticas, que se codificaram em tratados e 
convenções. Compreende o exame das origens e dos resultados de nossas 
negociações diplomáticas, as reparações pacíficas de afrontas, às aquisições 
sem guerra de partes de nosso território, as incorporações definitivas à custa 
de argumentos históricos e geográficos de grandes trechos, objetos de litígio, 
como as questões das Missões e do Amapá (RODRIGUES, 1978, p. 169).
34UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação 34UNIDADE II Destaques Internacionais
Segundo Lessa e Gonçalves(2007) cabe ressaltar que a definição dada por Rodrigues 
é impecável. Isso porque o autor identifica com precisão “a defesa dos direitos nacionais” 
como elemento essencial da História Diplomática, de forma que demonstra inequivocamente, 
que todo o trabalho de pesquisa do historiador consiste em produzir o relato completo e 
preciso das negociações diplomáticas – o que depende do sucesso de seu esforço em 
decodificar as relações diplomáticas consubstanciadas em tratados e convenções.
A História Diplomática ganhou forma no século XIX. Seu início foi praticamente 
determinado pela Revolução Francesa e suas consequências. Segundo o historiador 
francês Thobie (1986):
(...) as mudanças que dela resultaram, estimularam as pesquisas e as reflexões, 
enquanto os Estados aperfeiçoavam o instrumento ministerial necessário para 
a eficácia de suas políticas exteriores e buscavam os meios de pôr os seus 
arquivos à disposição dos pesquisadores (THOBIE, 1986, p. 198).
Sendo assim, a reação das monarquias europeias à Revolução Francesa e, logo 
em seguida, a tentativa de Napoleão Bonaparte de estabelecer um grande império francês 
na Europa, geraram uma crise internacional que durou mais de duas décadas (1792 - 1815). 
No plano político-ideológico, a Revolução Francesa e o projeto napoleônico descartaram 
o absolutismo, incorporaram o nacionalismo ao sistema internacional e criaram condições 
favoráveis, para a independência das colônias ibéricas nas Américas. 
Segundo Castro (2012), para estabilizar o quadro político europeu e garantir uma 
paz duradoura, as forças combinadas do Congresso de Viena (1815), tomaram uma série 
de medidas para apagar as profundas marcas produzidas pela intervenção napoleônica.
Entre elas, as mais importantes foram: restaurar o poder dos príncipes, proteger a 
integridade dos Estados multinacionais e conter o processo das independências. Com base 
nos princípios da legitimidade dos príncipes, do concerto europeu e mediante a formação 
da Santa Aliança, as potências europeias conseguiram, pelo menos até a década de 1830, 
alcançar parcialmente seus objetivos.
Conforme Castro (2012), a Primeira Guerra Mundial também aumentou o interesse 
pela História Diplomática, o que levou a atingir seu apogeu. O desenvolvimento e os 
resultados surpreendentes da guerra determinaram a exigência intelectual de encontrar 
uma explicação convincente para sua eclosão. A sociedade queria saber o que causou 
a catástrofe que custou tantas vidas e tantos danos. Assim, cabia aos historiadores, 
estabelecer as razões que levaram a sociedade europeia à perda da ilusão que, durante 
muito tempo, havia crescido a ponto de se tornar civilizada. Era o caso de se interrogar 
sobre a falência da diplomacia europeia, objetivada no colapso de seu sistema de alianças 
políticas, que romperá tão violentamente o equilíbrio do poder mundial.
35UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação 35UNIDADE II Destaques Internacionais
Segundo Castro (2012), no Brasil, a produção mais importante da História Diplomática 
ocorreu na primeira metade do século XX. As prioridades da produção brasileira eram 
formadas pelas questões de limites, Independência e República. Quantos aos historiadores 
europeus, a principal questão para os historiadores brasileiros, era a história da formação 
e consolidação do Estado brasileiro, em relação às suas relações com os demais países. 
Sendo assim, Castro (2012) escreve que a maioria das obras conhecidas da 
História Diplomática, foram produzidas após a Primeira Guerra Mundial. Isso se explica 
pelo impacto que a guerra provocou, que ao mesmo tempo gerou grande decepção em 
relação ao Velho Continente – que forma o paradigma civilizacional das elites brasileiras 
– e a necessidade de expressar a verdadeira identidade do Brasil. Além disso, colaborou 
significativamente para esse interesse pela história diplomática do Brasil a obra executada 
pelo Barão do Rio Branco, que, por meios apenas pacíficos – negociações diretas, compras 
e arbitragem – resolveu todos os problemas de fronteira do país, com as nações vizinhas.
Embora os documentos sejam importantes, na construção da história, essa disciplina 
parte do princípio de que o objeto pesquisado é um dado da realidade que preexiste à ação 
investigativa do historiador. Cabe a ele limpar os arquivos e estabelecer a correta sequência 
dos acontecimentos de forma imparcial. 
Portanto, pode-se dizer que o objeto é a história do Estado em suas relações com 
os outros países, vinculada na forma de instrumentos jurídicos, como tratados, acordos, 
convenções, etc. O método utilizado é examinar os documentos em busca de evidencias de 
seu conteúdo. A História das Relações Internacionais é considerada um triunfo da História 
Diplomática justamente, porque elabora de maneira diferente tanto a definição do objeto como 
o uso da metodologia de pesquisa. Em termos de sentido, embora a História das Relações 
Internacionais não negligencie a importância da iniciativa dos Estados, requer a interpretação 
das influências geográficas, econômicas, culturais e ideológicas que condicionam a ação 
dos Estados em suas relações externas. Na expressão consagrada por estas, são as “forças 
profundas” que formam a estrutura na qual os “homens de Estado” agem. Isto é, são essas 
forças profundas que dão sentido às decisões tomadas pelos representantes oficiais do 
Estado, nas relações que mantêm com as demais nações e organizações internacionais.
Por isso, caro (a) acadêmico (a), o processo de colaboração por parte do historiador, em 
primeiro lugar, começa com o desenvolvimento de uma hipótese de pesquisa. Após a pesquisa, 
elaboração de uma hipótese nasce do conhecimento empírico, ou seja, não científico. 
36UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação 36UNIDADE II Destaques Internacionais
Ou seja, a partir de seu interesse, estudo, curiosidade intelectual ou vivência 
relacionada com a questão que o historiador levanta a hipótese, que presidirá seu trabalho 
investigativo. A hipótese, por sua vez, consiste em uma afirmação categórica, por isso, 
pode ser destacada por algumas características importantes:
● Não pode ser formulada como uma pergunta; 
● A hipótese é um a-priori que a pesquisa confirma ou refuta; 
● É a partir de sua formulação que tem início, o trabalho científico propriamente dito; 
● Isso porque a hipótese orienta o trabalho de seleção da documentação; 
● É ela que estabelece o critério de validade dos documentos; 
● Por si próprio, todos os documentos são iguais – sua importância ou irrelevância 
para uma determinada pesquisa depende, portanto, da hipótese com a qual o 
historiador trabalha. 
No entanto, neste estudo caro (a) estudante, considerando a História das Relações 
Internacionais, o documento tem um significado bastante amplo. Diferentemente da História 
Diplomática, que só reconhece a correspondência diplomática em suas diversas formas, 
como documento de pesquisa (memorandos, relatórios, memórias, despachos, tratados etc.), 
a história das relações internacionais considera documentos de pesquisa, todos os registros 
escritos (jornais, panfletos, livros, cartazes, biografias, cartas etc.) e depoimentos orais rela-
tivos à intervenção dos agentes sociais, naquela realidade sob revisão da análise histórica. 
Uma vez selecionados os documentos, a tarefa do historiador é investigar. O documento 
nunca contém um único sentido – sua leitura pode possibilitar mais de uma interpretação.
É a resposta dada à pergunta formulada pelo historiador, que torna o documento 
relevante ou inestimável para a comprovação da hipótese acima mencionada. Por essa razão, o 
interrogatório ao qual o historiador submete o documento, é decisivo para o resultado do estudo. 
Ou seja, a pergunta que qualifica a pesquisa e o que a torna relevante, são as ferramentas 
teóricas utilizadas pelo historiador. É o uso correto e criativo dos conceitos, que organiza as 
idéias contidas nointerrogatório do pesquisador. Os conceitos são ideias de aparência simples 
– para que possam ser facilmente manejáveis – que encerram em seu significado conteúdo de 
realidades amplas e complexas. O uso criterioso e coerente dos conceitos garante a objetividade 
da pesquisa. Nas palavras de Boaventura de Sousa Santos (2001), destaca-se:
(...) a objetividade decorre da aplicação rigorosa e honesta dos métodos 
de investigação, que nos permitem fazer análises que não se reduzem à 
reprodução antecipada das preferências ideológicas, daqueles que as levam 
a cabo (SANTOS, 2001, p. 31).
37UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação 37UNIDADE II Destaques Internacionais
Assim, a crítica à abordagem metodológica positivista dirigida à História Diplomática 
é, de fato, parte de um processo muito amplo, que resultou em profunda reformulação 
dos estudos históricos na década de 1950. Em virtude do pouco prestígio que a História 
Diplomática teve entre os críticos, que o movimento teórico de sua ultrapassagem pela 
História das Relações Internacionais, desempenhou um papel puramente marginal na 
grande renovação dos estudos históricos. 
Portanto, conforme Castro (2012) foi somente após a Primeira Guerra Mundial que, 
na Inglaterra e nos Estados Unidos, se estabeleceu um estudo sistemático das relações 
internacionais. Enquanto os historiadores empenharam-se em pesquisar as origens daquele 
conflito para identificar o país responsável pela sua eclosão, os políticos, estimulados pelo 
mesmo acontecimento, buscavam elaborar uma teoria que explicasse, por que as guerras 
se repetem na história. Pretendia-se que, num futuro próximo, com esse conhecimento, 
fosse possível a cientistas e estadistas empreender intervenções na realidade internacional 
para evitar novas guerras.
Ao longo da década de 1920, sob a influência do otimismo liberal que caracterizou 
a intervenção política do presidente norte-americano Woodrow Wilson na Conferência de 
Paz de Paris (1919), estudiosos europeus e norte-americanos afirmavam que a paz mundial 
dependia, fundamentalmente, da reforma das instituições.
● O respeito ao direito à autodeterminação dos povos, com a conseqüente 
dissolução dos impérios coloniais; a substituição dos regimes autoritários por 
regimes democráticos;
● Aceitação do livre-comércio e extinção das práticas protecionistas;
● A abertura dos mares à livre navegação; 
● O aperfeiçoamento do direito internacional; 
● E o acatamento por parte dos Estados dos pactos firmados constituía as condições 
de possibilidades básicas para a paz no mundo.
No entanto, essa visão otimista da evolução das relações internacionais, sofreu 
uma grande crise no início da década de 1930. A crise econômica iniciada nos Estados 
Unidos no final de 1929, rapidamente tomou conta da região do capitalismo internacional. 
Seus principais efeitos foram: 
● A supressão dos regimes democráticos e a emergência de regimes autoritários; 
● O colapso do livre-comércio e a fixação da autarquia como objetivo econômico; 
● E a prevalência dos nacionalismos agressivos sobre a cooperação internacional.
38UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação 38UNIDADE II Destaques Internacionais
Assim, a formação de tal estrutura internacional, conduziu os Estados europeus à 
nova guerra mundial, que começou em 1939 e terminou em 1945. A eclosão de uma nova 
guerra, após apenas 21 anos de paz, diminuiu as esperanças ao longo da década de 1920. 
Uma vez determinada, verificava-se o quanto o mundo havia mudado. A multipolaridade que 
até 1939 era marcante no sistema internacional, deu lugar à bipolaridade, ao mesmo tempo 
em que a cooperação entre a União Soviética e os Estados Unidos, na luta contra os regimes 
do Eixo, transformou-se em permanente hostilidade a partir de 1947. Este novo contexto 
internacional confirmava a teoria desenvolvida a partir de 1930, segundo a qual, o conceito 
de poder constitui a variável fundamental para a análise das relações internacionais. 
39UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação 39UNIDADE II Destaques Internacionais
3. PRINCIPAIS AUTORES E SUAS CORRENTES CLÁSSICAS
 
Caro (a) acadêmico, após estudar as análises das relações internacionais, você 
estudará neste tópico, alguns autores marcantes da história das Relações Internacionais. 
A escola realista é a mais antiga e a mais amplamente conhecida das escolas de 
pensamento em Relações Internacionais. 
Toda teoria não é fundada em um espaço em branco da história. Uma teoria não é 
por completo vazio, disforme e neutro. Portanto, podemos dizer que a teoria é considerada 
vaga ou temporária e social. Toda teoria não é desenvolvida através de um vazio de poder 
– mesmo que isso não esteja ligado ao pensamento científico e à prática intelectual. 
Com essa contextualização, o conjunto de idéias teóricas básicas apresentadas, 
é formatado como produto direto de um amplo processo de forças de contribuição, com 
seus devidos teóricos. Dessa forma, leva a um entendimento, que o realismo é objeto na 
fenomenologia do conhecimento internacional, que serve como fonte de inspiração causal, 
para os próprios sujeitos no âmbito externo.
Cada teoria criada e verificada em Relações Internacionais advém de vários campos 
do saber humano e adiciona ao amplo capital intelectual, que compõe o arcabouço teórico 
(epistemologia) das Relações Internacionais, seus erros e méritos. O campo de batalha e 
manutenção do poder ideológico acaba também, invadindo as arenas teórico-científicas em 
várias áreas, em especial, nas Relações Internacionais.
40UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação 40UNIDADE II Destaques Internacionais
Os fundadores do realismo clássico podem ser colocados em um hexágono: os três 
grandes fundadores no mundo antigo (mundo oriental e greco-romano) e as três grandes 
teorias do renascimento mundial no mundo pós-europeu: Sun Tzu, Tucídides, Tito Lívio e 
Maquiavel, Hobbes e Richelieu, respectivamente.
Neste mesmo sentido histórico-linear, é importante destacar as ricas contribuições 
de Tucídides e sua narrativa realista sobre a Guerra de Peloponeso, entre 431 - 404 AC, 
como corolário do realismo na política internacional. A estratégia militar e o discurso do clás-
sico, Sun Tzu (A Arte da Guerra) formam os elementos norteadores do realismo clássico. 
Para reforçar o pensamento do realismo clássico, um de seus principais representantes foi:
Segundo Cardeal Richelieu (1947, apud Castro, 2012, p. 314), anotou em seu 
comentário sobre seu Testamento Político, como ferramenta esclarecedora: “Quem detém o 
poder, geralmente detém o direito nos assuntos do Estado e quem é fraco, terá dificuldade 
para fugir da culpabilidade na opinião da maioria das pessoas”. (RICHELIEU, 1947, p. 20 - 25).
Para Castro (2012) o rico legado greco-romano, passa pelo mundo antigo e oriental 
e, com tal, ocorre nesse processo evolutivo contribuições significativas, para a formação 
epistêmica das Relações Internacionais. Da queda de Roma, em 476 DC, quando se 
inicia a Idade Média, até o renascimento no final do século XV, aconteceu certo hiato 
considerado espaçado nas contribuições historiográficas e políticas, com diretas influências 
para o pensamento realista clássico em Relações Internacionais, especialmente pelo fato 
do pensamento teológico medieval não permitia que o homem se comportasse como 
protagonista de seu destino e de suas relações pessoais. 
Castro (2012) argumenta que o neoclassicismo realista, tem seu corte temporal a 
partir do ano de 1945, quando o liberalismo idealista do período entre-guerras, ultrapassava 
o processo de redefinição e relativa queda no contexto do mainstream, e da teoria 
dominante intelectual da época. A Liga das Nações apresentou-se como uma instituição 
internacional, com crises internas e algumas incapacidades de articular a ordem mundial e, 
como resultado, um declínio momentâneo da ideologia.
 Apesar de Carr ter escrito sua obra máxima “Vinte Anos de Crise”durante a guerra, 
o neoclassicismo, de cunho realista, terá seu início na grande obra de Hans Morgenthau: 
Política Entre as Nações. O mundo pós-guerra mostra uma nova forma de compreender 
o realismo clássico dos principais teóricos, já apresentados no item anterior: Sun Tzu, 
Tucídides, Tito Lívio, Maquiavel, Hobbes e Richelieu. O impacto das novas tecnologias e 
dos novos tratados (emergentes hegemonias EUA - URSS) pós – 1945, é expressivo na 
forma de pensar e de agir do realismo neoclássico, como explicaremos a seguir.
41UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação 41UNIDADE II Destaques Internacionais
O mundo pós-guerra inicia a era nuclear das Relações Internacionais. As duas 
bombas nucleares em Hiroshima e Nagasaki mostram a potência mundial, diante dos 
avanços nas telecomunicações, medicina, ciências aeronáuticas e espaciais. 
Analisando a literatura, nesse contexto, inicia-se uma consolidação da separação da 
disciplina das Relações Internacionais, com sua autonomia metodológica, de outras áreas, 
tais como, a história e o direito internacional. Com isso, a contextualização da guerra fria, 
descortina a luta de “soma zero” bipolar, que influenciará nas convicções de Morgenthau 
sobre a amoralidade da política internacional. Morgenthau defende, ademais, que exista um 
fosso entre uma moral para a esfera pública e outra para a privada, conforme Castro (2012).
42UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação 42UNIDADE II Destaques Internacionais
4. PRINCIPAIS CORRENTES E RELAÇÕES BRASILEIRAS
Caro (a) acadêmico (a) neste tópico, apresento a você alguns dos principais autores 
que marcaram a história relações internacionais no Brasil
Segundo Lessa e Gonçalves (2007) desde a Regência do príncipe D. João ao fim 
do Primeiro Reinado Em 1822, ao surgir o Estado nacional no Brasil, as relações externas 
estabeleciam-se sobre bases bastante tensas e conflituosas, devido aos valores europeus 
e históricos, especialmente, portugueses. De um ponto de vista estrutural, foram instaladas 
três linhas de energia: 
● A primeira, dos eventos ocorridos na transição da era napoleônica, para a 
restauração reacionária do Congresso de Viena; 
● A segunda, da histórica dependência de Portugal em relação à Inglaterra; 
● A terceira, a independência das colônias ibéricas, especialmente as vizinhas do sul. 
Segundo Lessa e Gonçalves (2007), a partir do processo conjuntural, o Estado 
nacional, nascia no Brasil durante a crise de colocação econômica nos mercados mundiais, 
após um curto período de bonança e abertura de mercado para as exportações agrícolas 
propiciadas, pela desorganização temporária da produção de bens tropicais nas colônias 
européias, durante o conflito pan-europeu. 
Após o rompimento com Portugal, os mercados compradores se retraíram 
em virtude da recuperação das colônias européias. Sem esperança de que a 
mineração se recuperasse e ainda à espera, do que a cafeicultura pudesse 
restabelecer o ciclo agroexportador, a jovem nação sofria rude contenção 
econômica, tendo de arcar com as consequências dos tratados comerciais 
assinados pelo príncipe regente D. João, com a Inglaterra – os quais D. Pe-
dro I, renovou durante o processo de reconhecimento da Independência. 
(LESSA e GONÇALVES, 2007, p. 44).
43UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação 43UNIDADE II Destaques Internacionais
Neste breve contexto, devemos notar as dificuldades que os governos e estados 
brasileiros foram, e ainda são, muitas. No final do material, você poderá conhecer e estudar 
sobre elas. Agora vamos tratar da primeira república.
4.1 Primeira República
Lessa e Gonçalves (2007) apontam que, a chegada da república no Brasil levou 
a uma mudança de prioridades e perspectivas, nas relações externas brasileiras. Como 
pequena parte de um positivismo particular, houve o surgimento de uma variante nativista, 
na qual o Império havia instituído o país de costas para os vizinhos americanos. Portanto, 
a república que desceu estava determinada a priorizar as relações, com as nações do 
continente e, com foco em melhorar os laços com os vizinhos, produzindo, de certa 
maneira, a abolição das propriedades do Estado abolido. Por isso, podemos entender que 
os Estado Unidos foram uma referência, para a república que aqui nascia pelo nível de 
desenvolvimento e estabilidade de suas instituições. 
Pode-se aquilatar a admiração pelos Estados Unidos, pela adoção de alguns 
preceitos da constituição norte-americana na carta magna de 1891 e pela 
utilização de elementos simbólicos, entre os quais a primeira bandeira 
republicana, listrada e com estrelas representando os estados. Priorizar as 
relações com os países do continente implicava dificuldades importantes no 
começo da república. Enquanto os Estados Unidos permaneciam incontestes 
no rol das nações americanas merecedoras de especial atenção, sobretudo 
por força das relações comerciais, as demais tinham poucos laços econômicos 
com o Brasil, quando não eram concorrentes no mercado internacional. Se os 
vizinhos platinos mereciam a devida atenção em virtude do peso histórico das 
relações com o Brasil. (LESSA e GONÇALVES, 2007, p. 60).
Sendo assim, caro (a) acadêmico (a), nos cinco primeiros anos republicanos, sob 
forte influência militar, não foi possível nenhuma formulação de monta devido à instabilidade 
política, embora tumultuoso tenha sido pleno de problemas internacionais, com vários 
incidentes provocados pelas revoltas que então ocorreram, Lessa e Gonçalves (2007, p. 61):
(...) Isso se deu, por exemplo, durante a Revolta da Armada, iniciada em 
1893, que contestava a legitimidade do mandato de Floriano Peixoto e pro-
metia o bombardeio da capital federal. Os comandantes dos navios de guer-
ra, estrangeiros ancorados na baía do Rio de Janeiro intervieram. Ameaça-
vam usar a força para impedir o confronto, alegando proteger os interesses 
e a integridade dos cidadãos de seus países. A Inglaterra propôs o envio de 
forças, o que o governo brasileiro não aceitou. Enquanto o Brasil procurava 
adquirir navios de guerra, a diplomacia brasileira se esforçava para atender 
às exigências e dar as explicações necessárias aos governos estrangeiros. 
Portanto, é relatado que, ao mesmo tempo em que a violenta revolução Federalista 
ocorria no sul, seus lideres não pararam cruzar a fronteira uruguaia, organizando suas 
tropas do outro lado. Da mesma forma, a Argentina se inquietou, recusando-se a conceder 
asilo à beira-mar aos rebeldes, para não ofender o governo brasileiro. 
44UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação 44UNIDADE II Destaques Internacionais
Por isso, entre outros fatores, a instabilidade atual provocava crises diplomáticas e 
falta de confiança do estrangeiro na república, recentemente instituída, e pouco se espera do 
cumprimento dos compromissos internacionais e propósitos de política externa anunciados 
pouco depois, da Proclamação da República, em 1889. (LESSA e GONÇALVES, 2007).
4.2 Período de Vargas (1930-1945)
Conforme Lessa e Gonçalves (2007), o período de quinze anos de Getúlio Vargas 
foi dos mais movimentados da história brasileira no que diz respeito às relações externas, 
destacando a sequencia de eventos catastróficos, ocorridos ao redor do mundo. Depois 
de assumir o governo em meio à recessão americana, que tanto afetou o Brasil em sua 
capacidade de exportar e saldar compromissos, Vargas com sua política externa – gostaria 
de se moldar de modo mais pragmático e menos “representativo”, feição até então domi-
nante na diplomacia brasileira. Dois meses depois de assumir o cargo, Vargas determinou 
importantes mudanças no Ministério das Relações Exteriores, o que gerou negociações e 
preparou a atenção econômica. 
Portanto, desde o início de seu governo, procurou contar com o concurso do 
ministério em seu projeto de promover a industrialização brasileira, no sentido de torná-la 
menos dependente da venda de bens de consumo. (LESSA e GONÇALVES, 2007)
4.3 Período constitucional (1945-1964)Neste contexto, conforme Lessa e Gonçalves (2007), o fascismo se enfraqueceu 
ao final da Segunda Guerra Mundial, abrindo caminho para a restauração institucional e 
otimismo democrático no Brasil, com a expectativa de convivência das forças políticas 
opostas, em meio às dificuldades de crescimento econômico e necessidades sociais. 
Desse modo, em relação ao plano internacional, emergia um sistema antagônico 
e bipolarizado: de um lado, o bloco ocidental, liderado pelos Estados Unidos; de outro, o 
oriental, sob a égide da União Soviética, com suas disputas e conflitos regionais. A esse 
panorama deu-se o nome de Guerra Fria. As relações internacionais brasileiras nas duas 
décadas seguintes – e mesmo depois – seriam influenciadas de modo significativo pela 
interação do quadro interno e externo.
Por isso, a estreita relação entre o Brasil e os Estados Unidos durante a guerra, 
levou o governo Dutra, que o país seria beneficiado em seus interesses de investimento e 
crescimento econômico. Porém, ao tentar implementar um plano de apoio ao desenvolvimento 
econômico, baseado na implementação de saúde, alimentação, transportes e energia 
(Plano Salte), Dutra percebeu que não poderia contar com apoio irrestrito. 
45UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação 45UNIDADE II Destaques Internacionais
Sendo assim, os Estados Unidos não estavam dispostos a ir além dos investimentos 
privados, para os quais desejavam tratamento mais flexível sob a lei brasileira. Reivindicaram 
também, modificação na política cambial e mais liberdade para a importação de produtos 
americanos, aos quais foram concedidos. Isso levou o Brasil a buscar financiamento para 
compensar os prejuízos. Sem apoio, o Plano Salte fracassou.
4.4 Do regime militar à redemocratização 
Conforme Lessa e Gonçalves (2007) O governo Castelo Branco, primeiro do regime 
militar, reviu completamente a política externa, que se estabeleceu priorizando “segurança 
e desenvolvimento”. Castelo Branco interpretava o contexto internacional da confrontação 
bipolar, como uma decisão sobre as relações exteriores, em todos os aspectos, necessária 
para se adaptar às circunstâncias, pois, uma política externa autônoma para o Brasil 
seria ilusória: “a preservação da independência pressupõe a aceitação de certo grau de 
interdependência” (LESSA e GONÇALVES, 2007, p. 92).
Como resultado, Cuba foi vista como a causa da instabilidade continental e das 
tensões com os Estados Unidos, o que levou ao colapso entre o Brasil e o regime de Fidel 
Castro, segundo o chanceler Vasco Leitão da Cunha. A ruptura foi uma indicação segura de 
uma mudança na política externa, que passou de “independente” ao alinhamento automático 
com Washington. Mais tarde, embora o governo brasileiro tenha se recusado a participar da 
Guerra do Vietnã, concordou em enviar tropas à República Dominicana, integrando a Força 
Interamericana de Paz, cuja missão era conter a esquerda naquele país. Isso contrariou a 
tradicional posição brasileira de não-intervenção e respeito à autodeterminação dos povos.
Prezado (a) acadêmico (a) é importante relatar, que a história das relações 
internacionais brasileiras é ampla e rica, em detalhes e informações, aqui apresentei apenas 
um breve resumo e alguns dos marcos mais importantes, mas mostro ao final deste livro, 
algumas referências que você poderá consultar e aprender mais.
46UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação 46UNIDADE II Destaques Internacionais
SAIBA MAIS
5 curiosidades sobre futebol e relações internacionais que você não sabia
Existe uma relação intrínseca entre futebol e as relações internacionais. 
O futebol é considerado por analistas internacionais, como um instrumento de diplomacia 
e cultura diplomática. Desde o início do século XX, ele assume importante papel no 
cenário internacional, e, ao longo da história.
Estados e organizações têm, cada vez mais, se apropriado dos esportes para divulgar 
suas agendas, e o mesmo acontece com o futebol: internamente, ele consolida a 
identidade nacional e externamente ele é usado para projeção internacional, influência 
política ajudando na construção de uma imagem positiva do Estado. 
Portanto, o futebol é uma ferramenta de soft power, e no contexto da Copa do Mundo, 
apresenta-se 5 curiosidades que ligam o mundo do futebol às relações internacionais 
para, testar seus conhecimentos sobre o assunto. 
1. Vários esportes, incluindo o futebol, foram utilizados na ex- URSS, durante a guerra fria, 
como forma de projeção internacional, através da conquista de vários títulos mundiais, 
na tentativa de mostrar a supremacia do modelo econômico socialista. 
2. O futebol foi usado nas negociações nazista durante a segunda guerra mundial, para 
quebrar o isolamento internacional alemão. Como resultado, em 1935, foi organizado 
uma excursão da seleção alemã à Inglaterra para uma histórica partida contra os 
inventores do esporte. A Inglaterra venceu por 3 a 0, no entanto, a estratégia do regime 
nazista alemão prevaleceu.
3. Durante a copa do mundo de 1990, que foi realizada na Itália, houve um papel 
simbólico para os alemães que ainda viviam sob a divisão do Muro de Berlim. Com 
a vitória da Alemanha Ocidental, por 1x0 sobre a Argentina, houve um sentimento de 
união nacional que, mais tarde, no mesmo ano, foi marcado pela queda do muro. A 
vitória foi comemorada por ambos os lados do muro, ocidental e oriental, e reuniu os 
corações dos alemães.
4. O Brasil também usou a democracia futebolística, como ferramenta de propaganda. 
Podemos entender que, o “Jogo da Paz”, realizado durante a presidência de Luiz Inácio 
Lula da Silva (2004), entre Brasil e Haiti, em Porto Príncipe, capital Haitiana, foi um jogo 
de iniciativa humanitária do então presidente, para ajudar no processo de paz do Haiti 
que passava por uma instabilidade política, após o presidente Jean-Bertrand Aristide ser 
deposto do seu cargo.
47UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação 47UNIDADE II Destaques Internacionais
O jogo teve grande repercussão internacional e foi transmitido para mais de cem países. 
O Brasil venceu por 6 a 0.
5. Em 1969, as eliminatórias da copa do mundo, foram o resultado de um conflito armado 
entre El Salvador e Honduras, conhecido como a Guerra do Futebol. Apesar das origens 
do conflito terem o início em disputas territoriais desde o século XIX e da situação de 
xenofobia, devido a alta imigração de salvadorenhos para Honduras, o enfrentamento 
entre os dois países foram instigados atos de agressão e xenofobia, que aconteceram 
nas três partidas para garantir uma vaga na Copa do Mundo no ano seguinte. 
Fonte: 3 ONGs brasileiras que você precisa conhecer. Whatsrel, 2021. Disponível em: https://whatsrel.
com.br/post/3-ongs-brasileiras-que-voce-precisa-conhecer/. Acesso em 27 de jul. 2021.
REFLITA 
“O problema político essencial para o intelectual não é criticar os
conteúdos ideológicos que estariam ligados à ciência ou fazer com que sua
prática científica seja acompanhada por uma ideologia justa; mas saber se é
possível constituir uma nova política da verdade.
[...]
Não se trata de libertar a verdade de todo sistema de poder – o
que seria quimérico na medida em que a própria verdade é poder – mas
desvincular o poder da verdade das formas de hegemonia no interior das
quais ela funciona no momento.”
Autor: Michel Foucault, Microfísica do poder.
https://whatsrel.com.br/post/3-ongs-brasileiras-que-voce-precisa-conhecer/
https://whatsrel.com.br/post/3-ongs-brasileiras-que-voce-precisa-conhecer/
48UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação 48UNIDADE II Destaques Internacionais
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
Prezado (a) acadêmico (a), chegamos ao fim desta unidade, e até agora conseguimos 
identificar destaques internacionais.
No tópico 1 (um), você conheceu os principais marcos metodológicos, e ainda os 
métodos cartesianos (Descartes), método indutivo (Bacon) e o método dedutivo (Popper). 
É importante ressaltar queo método científico, refere-se à integração das leis básicas 
dos procedimentos que produzem o conhecimento científico, quer um novo conhecimento, 
quer uma correção (evolução) ou um aumento na área de incidência de conhecimentos 
anteriormente existentes. Portanto, é importante estudar os principais pesquisadores 
destacados no tópico 1.
No Tópico 2 (dois), destaca a análise das teorias das relações internacionais. 
Neste tópico, você pode perceber a importância destas análises na formulação de ideias 
e entendimento dos fatos ocorridos e as contribuições deles, para o estudo das relações 
internacionais. O conhecimento da realidade, em todas as suas dimensões, passou a incluir, 
necessariamente, o conhecimento das relações internacionais. Todo movimento intelectual 
resultante dessa nova forma de olhar as relações internacionais, mobilizou não apenas 
especialistas em ciências políticas, economistas e juristas, mas também historiadores. 
Devido à sua complexidade, o conhecimento dos problemas internacionais contemporâneos 
requer a análise histórica. 
No tópico 3 (três), destacam-se os principais autores e suas correntes clássicas 
que contribuíram para as relações internacionais, entre eles, destaca-se: o Cardeal 
Richelieu. Patrimônio do mundo oriental e greco-romano Herança do mundo ocidental pós- 
renascentista Tucídides Maquiavel Sun Tzu Hobbes Tito Lívio Richelieu.
No último tópico, a ênfase foi nas principais correntes e relações brasileiras Da 
Regência do príncipe D. João ao fim do Primeiro Reinado Em 1822, ao surgir o Estado 
nacional no Brasil ao regime militar à redemocratização governo Castelo Branco entre outros.
Espero que esta unidade tenha contribuído para seu aprendizado e aprimoramento, 
conhecendo alguns destaques internacionais.
49UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação 49UNIDADE II Destaques Internacionais
LEITURA COMPLEMENTAR
ARTIGO:
POLÍTICA INTERNACIONAL, DO PENSAMENTO REALISTA À TEORIA 
NEORREALISTA: O pensamento teórico de Hans Morgenthau e Kenneth Waltz em 
perspectiva comparada
Paulo Victor Zaneratto Bittencourt1 
Resumo:
O objetivo do trabalho apresentado é de mostrar um comparativo entre as teorias 
consideradas realistas de Hans J. Morgenthau e Kenneth N. Waltz. Sabe-se que o 
pensamento de ambos os autores, se encontra em discussões de literatura distintas da 
disciplina de relações internacionais, sendo a principal obra de Waltz, Theory of international 
politics, posterior à obra destaque de Morgenthau, Politics among nations. Assim, vamos 
compreender que ambos os autores são considerados realistas, com semelhanças e 
distanciamentos nas obras em questão, e com isso, teremos a melhor compreensão das 
ideias realistas ao longo daqueles que são convencionalmente chamados, discussões 
acadêmicas da disciplina de relações internacionais. Para atingir o objetivo proposto, 
usaremos os “seis princípios do realismo político” de Hans Morgenthau como fundamento 
para sua teoria, e estabeleceremos a comparação da mesma forma com Waltz, para cuja 
obra o fundamento tomado será o texto Man, the state, and War. O que colocamos aqui, 
portanto, é um foco mais certeiro no conjunto da obra dos dois escritores, partindo da 
proposta de apresentação de “autores” em vez de “escolas de pensamento”, o que faz com 
que se tenha um detalhamento maior dos argumentos de cada um dos pensadores.
Palavras-chave: Balança de poder, sistema internacional, estrutura internacional
Fonte: BITTENCOURT, Paulo Victor Zaneratto. Política internacional, do 
pensamento realista à teoria neorrealista: o pensamento teórico de Hans Morgenthau e 
Kenneth Waltz em perspectiva comparada. Revista Intratextos, 2017, 8.1: 1 - 22.
50UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação 50UNIDADE II Destaques Internacionais
MATERIAL COMPLEMENTAR
LIVRO 
Título: História das Relações Internacionais: teoria e processos / 
Organizadores: Mônica Leite Lessa, Williams da Silva Gonçalves. 
Ano: 2007.
Editora: Coleção Comenius.
Sinopse: Os capítulos mostram as distintas pesquisas 
apresentadas pelos professores do curso de especialização em 
História das Relações Internacionais da UERJ, destacando-se a 
busca de uma visão brasileira das relações internacionais. Assim, 
possui uma reflexão sobre as relações com base no interesse 
nacional na promoção do desenvolvimento, mostrando não só 
o lugar que o país ocupa na estrutura do sistema internacional, 
mas também temas como equilíbrio de poder para manutenção da 
paz mundial, poder bruto e poder brando, interdependência e sua 
complexidade, globalização e estabilidade hegemônica.
FILME/VÍDEO 
Título: Guerra Fria.
Ano: 2017
Sinopse: Esse filme de drama polonês tem uma história 
apaixonada e improvável entre duas pessoas, que estão em uma 
época dividida. Durante a Guerra Fria, entre a Polônia stalinista e a 
Paris boêmia dos anos 50, um músico amante da liberdade e uma 
jovem cantora com histórias e temperamentos distintos, vivem um 
amor impossível em uma época complexa. Do mesmo diretor de 
Ida (2013), vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro, o filme 
foi indicado à Palma de Ouro no Festival de Cannes, onde ganhou 
o prêmio de melhor diretor. Indicado ao People’s Choice Award no 
Festival de Toronto. 
51
Plano de Estudo:
● Globalismo na era moderna;
● O Brasil e as relações internacionais voltadas ao comércio;
● Relações Internacionais e meio ambiente;
● Impactos das relações internacionais;
● Principais acordos internacionais brasileiro.
Objetivos da Aprendizagem:
● Apresentar conceitos de globalismo na era moderna;
● Estudar o Brasil e as relações internacionais voltadas ao comércio; 
● Conhecer os conceitos de relações internacionais e meio ambiente;
● Apresentar os impactos das relações internacionais;
● Conhecer os principais acordos internacionais brasileiro.
UNIDADE III
Globalismo
Professora Esp. Margarete Campos Vieira 
52UNIDADE III Globalismo
INTRODUÇÃO
Caro aluno (a) 
você sabe o que é o globalismo e como ele se difere dos dias de hoje? Quais são 
as relações e acordos comerciais do Brasil com os outros países? Ao final desta unidade 
você terá o aprendizado sobre o globalismo. Para atingir esse objetivo, ela será dividida 
em cinco seções. 
A primeira seção apresentará os conceitos de globalismo na era moderna, mas 
antes entenderá o que é globalismo, pois, ainda é bastante confundido com globalização e 
você entenderá aqui a diferença entre eles.
Na segunda seção, você conhecerá um pouco sobre o Brasil e as relações 
internacionais voltadas ao comércio. Na terceira seção, entenderemos sobre as relações 
internacionais e sua relação atual com o meio ambiente, afinal, o tema de sustentabilidade, 
pois além de importante é essencial nas relações internacionais
Na quarta seção, o estudo será sobre os impactos das relações internacionais, 
sabendo que o benefício gerado, será o fortalecimento de qualquer instituição de regulação 
nas relações entre os indivíduos. 
E por último na quinta seção, o estudo será referente aos principais acordos 
internacionais no Brasil, como por exemplo, Mercosul, Preferência Tarifária Regional entre 
países da ALADI etc.
Portanto caro (a) acadêmico, é importante destacar, que nesta unidade trataremos 
apenas alguns resumos referentes ao globalismo, mas também estarei sugerindo vários 
materiais complementares para que você aprofunde o vosso estudo. Vamos conhecer um 
pouco mais sobre globalismo?
53UNIDADE III Globalismo
1. GLOBALISMO NA ERA MODERNA
Prezado (a) aluno (a), para iniciarmos este tópico é importante falarmos sobre a 
conceitualização do globalismo, no qual, muitos confundem o globalismo com a globalização. 
Conforme BECK (1999), o Globalismo se diferencia da globalização:
O Globalismo traz a ideia neoliberal, de que o mercado mundial exclui a 
ação política, restringindo a globalização ao aspecto econômico. O mercado 
mundial é visto como dominador, distinguindo-se economia de política. As 
empresas são imperativas (imperialismoda economia) (BECK, 1999, p. 28).
Já a globalização, tem a ideia de um aglomerado das relações sociais que não estão 
ligadas à política de estado nacional. Assim, a globalização pode ser apresentada como “os 
processos, em cujo andamento os Estados nacionais veem sua soberania, sua identidade, 
redes de comunicação, chances de poder e suas orientações, sofrerem a interferência 
cruzada de atores transnacionais.” (BECK, 1999, p. 30). Movimentos mundiais importantes 
na proteção do meio ambiente são as ONGS ambientalistas, como a World Wide Fund 
Nature (WWF) e o Greenpeace. 
FIGURA 1 - REPRESENTAÇÃO DO GLOBALISMO
 
Fonte: Freepik. Disponível em: https://br.freepik.com/fotos-gratis/globo-terra-cercado-por-maos_4298876.
htm#page=1&query=globaliza%C3%A7%C3%A3o&position=4. Acesso em: 27 de jul. 2021.
54UNIDADE III Globalismo
Mesmo diante desses métodos de análise prática, entende-se que o globalismo seja 
classificado como apolítico, mas há muita política por trás dele. Além disso, com a globalização, 
“não é automático; é na verdade um projeto político praticado, com constante renovação, por 
atores transnacionais, instituições e coalizões” (COSTALONGA, 2018, p. 13).
Caro (a) acadêmico (a), sabe-se que nos países desenvolvidos a ideologia que 
proponho chamar de “globalismo”, é apenas uma ideologia para uso externo. Esta ideologia, 
que não deve ser confundida com o fenômeno real da globalização, anuncia o fim do Estado 
nacional, ou sua perda definitiva de autonomia, afirmando a precedência dos mercados e da 
“comunidade internacional moderna” sobre interesses nacionais “estreitos” ou “atrasados”. 
Portanto, é um conceito de exportação, pois, o cidadão de um país desenvolvido, sabe 
o quão importante é para ele a autonomia de seu próprio país, não tendo o globalismo 
consequências práticas no interior desses países. Seus cidadãos não têm dúvida sobre 
qual é o papel de seus governantes, nem o que se espera deles. 
Monteoliva et al. (2014) apresenta, que para uso externo, entretanto, o globalismo 
é extremamente eficaz: é uma ferramenta para governos dos países ricos, das agências 
multilaterais e das empresas multinacionais, para tornar os países em desenvolvimento 
mais dóceis em relação às políticas públicas, que recomendam implícita ou explicitamente, 
e que nem sempre consultem nossos interesses. 
Para os globalistas, são muito diferentes dos internacionalistas. Além de negar a 
relevância do critério do interesse nacional, acusam todos os que usam esse critério de 
“nacionalistas”, como se o nacionalismo fosse um fator, como se não houvesse distinção 
entre o novo e o velho nacionalismo, como se todo nacionalismo fosse fundamentalista. Os 
velhos nacionalistas, por sua vez, denunciam todas as reformas orientadas para o mercado 
– muitas das quais eram necessárias – e qualquer política de estabilização macroeconômica 
responsável, chamando-as de “reformas neoliberais”. 
Assim, o neoliberalismo globalista é usualmente identificado com reformas 
orientadas para o mercado, e o nacionalismo é definido em oposição a elas. Esse dualismo 
é equivocado. A violenta crise dos anos 80 impôs aos países em desenvolvimento, a 
realização de reformas orientadas para o mercado. O estatista ou o velho nacionalista é 
radicalmente contrário às reformas, o nacionalista moderno, não. 
55UNIDADE III Globalismo
As reformas orientadas para o mercado tornaram-se imperativas no Brasil, em 
função do crescimento distorcido do Estado, do protecionismo comercial, e endividamento 
externo irresponsável. 
O ciclo de desenvolvimento, que durou cinquenta anos na América Latina, promoveu 
inicialmente a industrialização, mas terminou nos anos 80 com uma crise financeira, crise 
da dívida externa e instabilidade macroeconômica. A partir daí, era necessário promover 
o ajuste fiscal, restabelecer o equilíbrio de pagamentos, estabilizar os preços, abrir as 
economias excessivamente protegidas e reformar ou reconstruir o Estado.
56UNIDADE III Globalismo
2. O BRASIL E AS RELAÇÕES INTERNACIONAIS VOLTADAS AO COMÉRCIO
Prezado (a) acadêmico (a), neste tópico iremos abordar sobre como o Brasil 
está em suas relações internacionais em âmbito mundial, voltando-se para o comércio 
internacional. Assim, vamos resgatar alguns pontos históricos no qual o Brasil se destacou 
nas relações internacionais. 
Um ponto que vale destacar antes de iniciarmos esse histórico, é de que o Brasil 
é um país dependente de tecnologia, ou seja, exportamos commodities e importamos 
produtos de baixa, média e alta tecnologia. Isso se deve a vários fatores. Tem-se a 
necessidade de uma diversificação da pauta exportadora além da evolução de outros 
aspectos que serão apresentados a seguir.
Uma delas, seria um pequeno investimento e planejamento de longo prazo para 
nos tornarmos independentes no âmbito tecnológico. No gráfico 1 (um), é apresentado 
um comparativo das exportações de Tecnologias da Informação e Comunicação (TICS) de 
países desenvolvidos e em desenvolvimento de grande, médio e pequeno porte. 
57UNIDADE III Globalismo
GRÁFICO 1 – EXPORTAÇÕES DE BENS TICS (% DAS EXPORTAÇÕES TOTAIS DE 
BENS) NOS PAÍSES SELECIONADOS.
 
Fonte: Ribeiro (2019, p. 56). Dados retirados do The World Bank.
No gráfico, conseguimos perceber que o Brasil se enquadra no último colocado até 
2016 nas exportações de Tecnologias da Informação e Comunicação, junto com a Argentina 
que de certa forma é considerado um país em desenvolvimento. Vale destacar que no 
período de 2000 até meados de 2006, o Brasil havia melhorado nessas exportações. 
Pode-se dizer que essa exportação é por falta de investimento em pesquisa e 
desenvolvimento? Pode ser. Mas, vale lembrar que temos gastos que precisam ser eficientes. 
Não é só gastando que gerará resultados em uma economia. Vejamos o gráfico 2 (dois), para 
comparar internacionalmente com o custo de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). 
GRÁFICO 2 – DESPESA EM PESQUISA E DESENVOLVIMENTO 1996-2016 (% DO PIB) 
DOS PAÍSES SELECIONADOS.
 
Fonte: Ribeiro (2019, p. 57). Dados retirados do International Monetary Fund, World Economic Outlook. 
58UNIDADE III Globalismo
Vale lembrar aqui, que “os gastos de Pesquisa e Desenvolvimento em relação ao 
PIB incluem capital e despesas correntes nos quatro tipos de setores: empresa, governo, 
ensino superior e privado” (RIBEIRO, 2019, p.57). Observa-se no Gráfico 2 (dois), que o 
Brasil até 2016 apresentou um grau de estabilidade (1% a 1,5%) em termos de gastos em 
P & D em relação ao PIB. Na situação atual, devido aos cortes na educação, a pesquisa 
provavelmente caiu algumas posições. 
No gráfico, vemos que a China (considerado um país em desenvolvimento, assim 
como o Brasil) teve um grande investimento em P & D e no âmbito internacional quando se 
fala de comércio, o país tem se destacado.
Quando falamos de comércio internacional e das relações internacionais, precisamos 
olhar para o histórico. Olhando para âmbito mundial, as instituições destinadas ao comércio 
se destacaram a partir da segunda metade do século XIX:
A partir da segunda metade do século XIX, e principalmente, desde o começo 
do século XX, Estados começaram a formar organizações internacionais 
dedicadas a temas de interesse comum. Essas organizações, tão variadas em 
objetivos e alcance como a Organização Internacional do Trabalho (OIT), a 
Organização das Nações Unidas (ONU), a Organização Mundial do Comércio 
(OMC) ou o Fundo Monetário Internacional (FMI) têm em comum, o fato de 
se constituírem como um novo espaço para a diplomacia, com implicações 
políticas importantes para as relações internacionais contemporâneas 
(RODRIGUES, 2012, p. 53).
Um período de maior destaque do Brasil no que tange relações no comércio 
internacional foi em 2004, no qual o Brasil foi o maior articulador da expansão dos sócios do 
Mercosul e da criação da Comunidade Sul-Americana de Nações (CSN). Percebe-se que 
no âmbito comercial e de acordos políticos/econômicos,a construção de blocos se destaca 
no século XXI (MAGNOLI, 2013; MONTEOLIVA et al., 2014).
Em termos de comércio internacional, a China se enquadra como principal parceiro 
comercial do Brasil. O Brasil é um grande exportador para a China e a China, é um dos 
países que mais investem no Brasil no âmbito de infraestrutura, tecnologia e eletrônicos. 
Em 2015, foi criado o “Fundo de Cooperação Brasil-China’’ para ampliar a capacidade 
produtiva e fomentar investimentos em agricultura, energia, infraestrutura, manufaturas e 
mineração (FIA, 2020).
Os Estados Unidos também são considerados, o maior parceiro comercial do Brasil. 
O Brasil exporta commodities e produtos semimanufaturados (como ferro, por exemplo) 
para os Estados Unidos (FIA, 2020).
E quais são os produtos que o Brasil mais exporta? Em 1° lugar está a soja, com 
12% do total das exportações, em 2° lugar está o Petróleo, em 3° lugar o minério de ferro 
com 10% das exportações (FIA, 2020).
59UNIDADE III Globalismo
E quais países o Brasil mais importa? Em destaque, como já mencionamos a China 
e os Estados Unidos. Da China importamos muito eletrônicos. Dos Estados Unidos as 
importações concentram-se em combustíveis e medicamentos. Em terceiro colocado está 
a Alemanha, no qual importamos muitas peças de veículos (FIA, 2020).
E quais os principais acordos internacionais do Brasil na atualidade? A seguir, 
apresentaremos os três principais.
● União Internacional: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (BRICS).”O objetivo 
deste grupo é estabelecer governança internacional de acordo com seus interesses, 
além de desenvolver cooperação setorial em diferentes áreas” (FIA, 2020, p. 1).
● G-20: representando as 19 maiores economias do mundo. Esses representantes 
fazem parte da área de finanças e líderes dos Bancos Centrais. 
● Mercado Comum do Sul (Mercosul): bloco econômico desenvolvido pelo Brasil, 
Argentina, Uruguai e Paraguai. 
Agora que você conhece a base do panorama de comércio e acordos internacionais, 
vamos discutir alguns pontos importantes da conjuntura das relações internacionais e do 
comércio no Brasil.
 Um ponto em destaque na atualidade é o protecionismo brasileiro, dentre os 
integrantes do G20, o Brasil é o país com um maior nível de protecionismo. Isso acaba 
afetando nossas relações internacionais e nosso comércio internacional. Atualmente, por 
falta de diplomacia dos nossos representantes nossas relações internacionais estão com 
pouca credibilidade. Além disso, o Brasil de 2019 pra cá, vem perdendo espaço no Mercosul, 
faltando um acordo de tratado de integração comercial “O Mercosul vem perdendo seu 
intuito principal de criar um mercado de livre comércio entre os países membros e se tornou 
uma organização fechada” (EXAME, 2018, p. 01).
60UNIDADE III Globalismo
3. RELAÇÕES INTERNACIONAIS E MEIO AMBIENTE
Caro acadêmico (a), neste tópico destaca-se as relações internacionais e o meio 
ambiente. Atualmente este tema tem se tornado muito importante. Afinal, precisamos não 
só na produtividade no crescimento da economia mundial, mas também em temas de 
desenvolvimento econômico, ou seja, temas alternativos que são essenciais para nossa 
sobrevivência e qualidade de vida. Diante disso, neste tópico vamos conhecer algumas 
medidas no âmbito mundial, mas principalmente iniciativas no Brasil, em relação as relações 
internacionais e ao meio ambiente. Vamos lá?
Sabemos que é primordial, que os produtores e empresários precisam ter 
responsabilidade ambiental. É importante notar, que os recursos naturais são limitados e 
assim, é preciso mais do que nunca uma movimentação e união global, visando a elaboração 
de metodologias e instrumentos para garantir a sustentabilidade ambiental. 
Cumpre ressaltar, que o meio ambiente é um valor fundamental para 
sobrevivência da espécie humana no planeta. Como consequência, o poder 
público deve planejar suas políticas públicas de forma a compatibilizar o 
desenvolvimento econômico com o meio ambiente (MAGANHINI, 2007, p. 105). 
É preciso a união mundial e a troca de conhecimento entre os países para 
construir soluções de longo prazo, visando a garantia do desenvolvimento econômico e da 
preservação do meio ambiente. 
61UNIDADE III Globalismo
Falando sobre o Brasil em 1930, foi tomada a primeira iniciativa no que tange política 
para o meio ambiente. A política ambiental federal brasileira, surgiu “a partir da pressão de 
organismos internacionais e multilaterais (Banco Mundial, sistema ONU – Organização das 
Nações Unidas, e movimento ambientalista de ONGs)” (MOURA, 2016, p. 14). 
Em 1934, foi criado o primeiro código florestal brasileiro (Decreto no 23.793/1934). 
Em 1937, houve foco na proteção ambiental de áreas importantes e a criação de parques, 
sendo um deles o parque de Atibaia. No período de 1930-1960, com o foco no crescimento 
econômico, houve pouca atenção no assunto de políticas e acordos ambientais no Brasil 
(MOURA, 2016, p. 14).
Em 1960, foi lançado um evento especial, o Serviço Florestal Brasileiro. Em 1972, 
um marco mundial acontece, a Conferência de Estocolmo estruturada pela Organização 
das Nações Unidas.
O Brasil participou da conferência com a posição de defesa à soberania 
nacional. Argumentava-se que o crescimento econômico e populacional 
dos países em desenvolvimento não deveria ser sacrificado e que os 
países desenvolvidos, deveriam pagar pelos esforços para evitar a poluição 
ambiental – posição que foi endossada pelos países do chamado Terceiro 
Mundo (MOURA, 2016, p. 15).
No período de 1973 até meados da década de 1980, surge a Secretaria Especial do 
meio ambiente, Sistema Nacional de Meio Ambiente, Conselho Nacional de Meio Ambiente, 
Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) que é 
reconhecido mundialmente. 
Na década de 1990, acontecem mais eventos de relações internacionais destinadas 
ao meio ambiente. Em 1992, a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e 
o Desenvolvimento (CNUMAD). No mesmo ano, é realizado a Eco-92 ou Rio-92. Estados-
nação estavam envolvidos nessa conferência (SENADO FEDERAL DO BRASIL, 2012).
Em 2002, aconteceu a Rio+20 onde foram discutidos com representantes 
internacionais e nacionais, temas atuais como: energia eólica, biomassa, energia solar, 
hidrelétricas, etc. No ano de 2005 até meados de 2016, foram criadas várias iniciativas 
destinadas ao meio ambiente. Entre essas iniciativas estão: Fundo Nacional de 
Desenvolvimento Florestal, Conselho Nacional de Biossegurança, Política Nacional de 
Desenvolvimento Sustentável na Aquicultura e da Pesca, entre outras. 
62UNIDADE III Globalismo
Diante disso, a relação internacional do Brasil com os outros países, é de extrema 
relevância. Isso porque: “a globalização proporciona a oportunidade para promover o uso 
eficiente dos recursos e incentivar o desenvolvimento” (OCDE, 2008, p. 9). A cooperação 
internacional é de grande importância, principalmente para países em desenvolvimento, no 
qual o Brasil se enquadra:
Os países em desenvolvimento têm a oportunidade de aprender com as 
experiências dos outros países e, tirando proveito dos novos conhecimentos 
e tecnologias disponíveis, catapultar-se para padrões de atuação mais 
eficientes em energia e em recursos, permitindo um desenvolvimento mais 
“verde”. Os países membros e os não-membros têm de trabalhar em conjunto 
para uma melhor difusão do conhecimento e das melhores práticas e 
tecnologias disponíveis, retirando benefícios mútuos de padrões de produção 
e consumo globalmente mais sustentáveis (OCDE, 2008, p. 10).
É preciso que os países em desenvolvimento estejam antenados em medidas de 
sustentabilidade, operando nos países em desenvolvimento e adequar essas medidas em 
âmbito nacional, afinal temos nossas especificidades e particularidades. Para isso, há a 
necessidade de interação, diplomacia e fluxo de conhecimento por parte dos representantes 
nacionais (MAGNOLI,2013; MONTEOLIVA et al., 2014). 
63UNIDADE III Globalismo
4. IMPACTOS DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS
Caro (a) acadêmico (a) neste tópico, o destaque influencia as relações internacionais, 
que traz para sociedade e o país como todo. 
Sabe-se que como quinto maior país do globo em população e dimensão territorial, 
a economia mundial, condições e pretensões de se tornar uma Grande Potência, o Brasil 
não pode deixar de ter um papel de destaque nas Relações Internacionais. As relações 
internacionais no mundo globalizado, cada vez mais, se tornarão parte do nosso cotidiano. 
No entanto, o desempenho do Brasil no cenário internacional, é menos importante em termos 
de seus pontos fortes. Foi somente nas últimas décadas do século XX, que começamos a 
ganhar cada vez mais atenção. Isso coincide com o surgimento e o desenvolvimento dos 
primeiros cursos de Relações Internacionais no País e com o aumento do interesse nas 
questões internacionais, por parte de diversos setores da nossa sociedade.
Observa-se cada vez mais, a necessidade que os brasileiros buscam obter 
conhecimento de Relações Internacionais. Na Administração Pública, essa necessidade 
é mais evidente; no Poder Legislativo, é fundamental que aqueles que assessoram os 
legisladores estejam cientes das principais linhas da política internacional e da política 
interna brasileira. Afinal, política interna e política externa estão estreitamente relacionadas 
às ações de política interna, afetam e são afetadas pela política internacional e vice-versa.
64UNIDADE III Globalismo
O Brasil está localizado, com fronteiras com praticamente todos os países sul-
americanos e com o Atlântico, como principal rota para a Europa e a África. Somos uma 
nação considerada pacífica e respeitadora do direito internacional e com incontestáveis 
atributos de liderança regional. Finalmente, não devemos desconsiderar nossas maiores 
riquezas: os recursos naturais e um povo multiétnico, empreendedor.
Os direitos e garantias fundamentais, estão intimamente relacionados às 
experiências vivenciadas pela comunidade das nações ao longo de sua história. Foi graças 
às Revoluções em países como França, EUA e Rússia, e à difusão desses princípios para 
além de suas fronteiras, que o mundo formou uma cultura de direitos fundamentais que, 
hoje, são inquestionáveis em qualquer lugar do planeta! E a violação a esses direitos, gera 
desgosto da comunidade internacional.
4.1 Relações internacionais e a Constituição Brasileira 
Portanto, é importante destacar aqui as relações internacionais e a Constituição 
Brasileira, como pode ser visto nos dez incisos do art. 4º da Constituição Federal, nossa Lei 
Maior, ainda no Título I – “Dos Princípios Fundamentais”, que estabelecem os princípios das 
relações internacionais do Brasil, o artigo 4º República Federativa do Brasil destaca suas 
relações internacionais e seus princípios. Em primeiro lugar, é preciso ter independência 
nacional, sempre colocando direitos humanos como prioridade, em segundo lugar, a 
autonomia dos povos, sempre buscar uma igualdade entre os Estados, e por fim, proteger a 
paz indo contra o terrorismo e racismo, assim, sempre se busca o progresso da humanidade 
redução de conflitos e cooperação entre os povos.
4.2 O Poder Legislativo e às Relações Internacionais 
A relação internacional brasileira passa pelo Poder Legislativo. Em nosso sistema 
jurídico-político, quaisquer acordos que o Brasil celebre com outros países ou com instituições 
internacionais, devem obter aprovação do Congresso Nacional antes de serem ratificados. 
O art. 49 da Constituição Federal de 1988, estabelece as competências do Congresso 
Nacional que são: resolução dos tratados, alianças, acordos internacionais visando não 
afetar o patrimônio nacional. Além disso, garante ao presidente da república a declaração 
de guerra, de paz e das leis das forças armadas (BRASIL, 1988).
O Senado Federal tem o papel mais específico, em razão de que é a Casa 
Legislativa que realiza as avaliações e aprova a indicação de nossos embaixadores, 
autoridades máximas das missões diplomáticas do Brasil, indicados para representar o 
País no Exterior. Também cabe ao Senado realizar a autorização das operações exógenas 
de natureza financeira dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
65UNIDADE III Globalismo
Cada Casa Legislativa possui Comissões que possuem objetivos de articular os temas 
de relações exteriores e defesa nacional. No Senado Federal, por exemplo, a Comissão de 
Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) possui 19 membros titulares e 19 suplentes, 
e tem como função tratar das questões que interessam às relações internacionais do País.
A legislação brasileira deixa clara a relevância do Poder Legislativo nos destinos 
das relações internacionais do País. Quanto mais o Brasil buscar a integração na 
comunidade das nações e ocupar o seu devido papel de destaque, mais fundamental se faz 
o conhecimento, na esfera do Legislativo, dos principais temas de relações internacionais. 
Vale destacar alguns dos principais fatores que influenciaram as relações internacionais 
nos anos de 2000, 2005, 2010 e 2014, conforme Almeida (2014):
Em 2000, realizou-se a Cúpula do Milênio na ONU: metas para o desenvolvimento 
dos países pobres; China faz acordos com os principais países membros da 
OMC para seu ingresso na organização; Vaticano e comunidades cristãs 
comemoram o 2º milênio do cristianismo; Acordos de Camp David entre Israel 
e líderes palestinos, com cessão de território ocupado na Cisjordânia e Gaza: 
problema de Jerusalém impede o acordo definitivo; Vitória de George W. 
Bush, candidato republicano à presidência; Carta Social do Mercosul, 
adotada na reunião de cúpula de Buenos Aires; Já no Brasil organiza-se 
presidentes da América do Sul em Brasília (30/08- 1/09);Vitória do candidato 
de oposição no México, pondo fim a 70 anos de domínio do PRI; Decidida 
criação de uma organização para a cooperação na Amazônia (OTCA); Brasil 
e Portugal comemoram o V Centenário do Descobrimento; Melhoria sensível 
da situação econômica do país, com pagamento antecipado de empréstimo 
concedido pelo FMI; Brasil assina o Estatuto de Roma, criando o Tribunal 
Penal Internacional; Negociado acordo de salvaguardas tecnológicas entre o 
Brasil e os EUA, para utilização de voos comerciais da base de lançamento de 
foguetes de Alcântara: será recusado pelo Congresso, sob alegação de perda 
de soberania (ALMEIDA, 2014, p. 32). 
No ano seguinte, em 2001, ocorreu a Primeira reunião do Fórum Social Mundial em 
Porto Alegre, congrega anti-globalizadores de vários países, protestando contra o Fórum 
Econômico Mundial, de Davos: consigna “um outro mundo é possível, e os movimentos 
associados às constantes relações de Paz e melhorias vão ocorrendo até nos dias atuais. 
Em 2005 Almeida (2014) cita novos fatos:
Em 2005 China: Parlamento aprova uso da força contra Taiwan se a ilha optar 
pela independência; Coréia do Norte anuncia posse de armas nucleares; Israel: 
aprovada retirada da faixa de Gaza em favor da ANP; eleições dão vitória ao 
Hamas; Vaticano: morte do papa João Paulo II; eleição do cardeal Ratzinger 
(Bento XVI); G-8 se encontra na Escócia: atentados terroristas e, Londres; 
Protocolo de Quioto entra em vigor; ONU: comemorações do 60º aniversário; 
fracassa processo de reforma da Carta com ampliação do Conselho de 
Segurança; Conselho de Direitos Humanos substitui a antiga Comissão; Peru 
e Colômbia concluem acordos de livre-comércio com os EUA, abrindo crise 
na CAN; Venezuela anuncia sua retirada da CAN e adesão ao Mercosul; 
Conferência de Cúpula das Américas (Mar del Plata) não aprovada, retomada 
das negociações da Alca; Queda de presidentes na Bolívia e no Equador por 
manifestações populares; Argentina: recrudescimento do protecionismo contra 
produtos brasileiros; Mercosul: decisão política pelo ingresso da Venezuela; 
Última reunião do Fórum Social Mundial no Brasil, depois da perda daprefeitura 
de Porto Alegre pelo PT; Diplomacia ativa na busca de apoios para as pretensões 
brasileiras em organismos internacionais, com muitas viagens presidenciais e 
visitas a Brasília (ALMEIDA, 2014, p. 37).
66UNIDADE III Globalismo
Em 2005, o Brasil fracassou em candidaturas próprias para a OMC (Organização 
Mundial do Comércio), depois em 2006 na copa do mundo na Alemanha onde o Brasil foi 
desclassificado pela França. Entre outros acontecimentos houve ainda a nacionalização 
do gás na Bolívia, gerando desconforto para o Brasil já que a Petrobras recusa aumento 
de preços unilaterais, com isso as críticas referentes a política externa também aumentam. 
Em 2010 segundo Almeida (2014), novos acontecimentos e parcerias continuaram, como 
por exemplo:
Em 2010 Irã: programa nuclear tem proposta de Brasil e Turquia rejeitada 
pelo P5+1; novas sanções aplicadas ao país; China: Exposição Universal em 
Shanghai; Grécia declara insolvência; África do Sul: Espanha vence Copa do 
Mundo de Futebol; Tsunami no Oceano Pacífico. Terremoto no Haiti vitimou 
milhares de pessoas, entre elas a brasileira Zilda Arns; Unasul entra em vigor, 
com secretariado em Quito; Constituída a Celac, que pretende ser uma OEA 
sem Estados Unidos e Canadá; Chile: direita elege presidente Sebastian 
Piñera;Chanceler e presidente do Brasil engajam a diplomacia brasileira 
em negociações tripartites com a diplomacia turca e os dirigentes iranianos 
numa resolução tentativa dos impasses relativos ao programa nuclear do Irã, 
objeto de longas e difíceis tratativas entre os cinco membros permanentes 
do CSNU e a Alemanha (P5+1); presidente Lula viaja a Teheran para, 
triunfalmente, assinar um acordo de cessão e guarda de urânio do Irã junto à 
Turquia; acordo foi recusado pelo P5+1; Eleições: PT consegue um terceiro 
mandato, com eleição da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff; Presidente 
Lula desrespeita tratado de extradição com a Itália ao não deportar terrorista 
italiano Cesare Battisti (ALMEIDA, 2014, p. 42).
Até 2014, ocorreram muitos movimentos que marcaram as relações internacionais, 
entre eles protestos, como por exemplo ocorridos em 2013, onde o governo promete fazer 
várias reformas e também começar um programa de importação de médicos cubanos, 
sob protestos dos brasileiros; Condenados no processo do Mensalão começam a cumprir 
penas de prisão; vários dos criminosos políticos são soltos após poucos meses, ao passo 
que operadores financeiros permanecem presos mais tempo; e Almeida complementa os 
fatos ocorridos em 2014, conforme segue:
Em 2014 Ucrânia: depois da demissão do presidente, Rússia toma a Crimeia 
e apoia separatistas no leste; Epidemia de ebola na África; Estado Islâmico 
degola vários reféns ocidentais na Síria; Venezuela: protestos maciços 
contra a crise econômica; regime mata manifestantes; México muda lei do 
petróleo; Chile: candidata socialista, Michelle Bachelet eleita presidente 
novamente; Cúpula do Brics realizada em Fortaleza; Copa do Mundo 
de Futebol no Brasil: Alemanha campeã; bate Brasil por 7x1; Eleições 
presidenciais: candidato do PSB, Eduardo Gomes, vítima de acidente aéreo; 
Marina Silva emerge; Reeleição da presidente Dilma: crise econômica e 
corrupção na estatal Petrobrás dominam debate eleitoral; desequilíbrio das 
contas públicas e maquiagens contábeis do governo, dominam debates no 
parlamento (ALMEIDA, 2014, p. 46).
67UNIDADE III Globalismo
Aqui destaquei apenas alguns dos fatos que marcaram as relações internacionais, mas 
você acadêmico (a) pode observar que os fatos não param, estudar RI é dinâmico e o tempo 
todo o mundo está mudando, as relações geram conflitos, mas sempre há soluções e parcerias.
Em relação a Pandemia do Coronavírus por exemplo, a atuação da Organização 
Mundial da Saúde (OMS), agência especializada e subordinada às Nações Unidas (ONU), 
ocorre no sentido de monitorar os dados, orientar os países, organizações e prestar 
recomendações para que os governos se mobilizam, em uma ação internacional e conjunta, 
para encontrar meios de frear a curva de contágio e encontrar soluções, inclusive por meio 
de vacinas. No entanto, cada país tem discricionariedade para determinar as medidas 
de prevenção e tratamento de seus cidadãos. Por isso, os países têm adotado linhas de 
condução e procedimentos isolados, com exceção de recentes decisões da União Europeia, 
ante a consideração da Europa, como novo epicentro de propagação do vírus.
68UNIDADE III Globalismo
5. PRINCIPAIS ACORDOS INTERNACIONAIS BRASILEIROS
 
Prezado (a) acadêmico (a) neste tópico, apresentarei a você os principais acordos 
internacionais brasileiros referentes às relações internacionais. Até aqui, você deve estar 
buscando identificar os principais acordos brasileiros.
De acordo com Almeida (1999), uma tipologia ampla pode começar pelos elementos 
mais genéricos da problemática que são vinculados do exterior do Brasil, podem ser 
apresentados em cada uma das três grandes fases da história do País, que são:
(A) Colonial, isto é, a partir de 1530-1550, aproximadamente (com a 
implantação do sistema de governo geral do Brasil pela coroa portuguesa, no 
seguimento da atribuição das primeiras capitanias hereditárias) até os anos 
1808-1822, que assistem ao movimento gradual, mas irreversível em direção 
da independência; 
(B) Independente, a partir daquela última data, até a Revolução de 1930, que 
assiste, ainda que de maneira algo involuntária, à conclusão do ciclo colonial-
exportador da economia brasileira;
(C) Nacional, que se estende desde então até os nossos dias, com diferentes 
subperíodos depois de 1930, a começar pelo longo interregno varguista até 
1945, sucedido pela existência tormentosa da República “populista” de 1946, 
por novo interregno autoritário a partir de 1964, este seguido pela fase de 
redemocratização que se inicia em 1985 (ALMEIDA, 1999, p. 37).
Sendo assim, a primeira fase, tem ligação com os três séculos da era colonial, a 
problemática chave na definição da inserção internacional do País, é representada pelo 
status colonial no contexto da economia mercantilista portuguesa. 
69UNIDADE III Globalismo
Nesse longo período existe uma inserção dependente da formação social brasileira, 
no que tange o sistema da economia mundial pré-capitalista de então, com uma absorção 
passiva das alianças internacionais que se movimentam no continente europeu (isto é, a 
dinâmica de “relações exteriores” do Brasil que mostra o movimento errático dos acordos 
dinásticas e dos tratados de “amizade e navegação”, feitos por uma Coroa portuguesa 
temerosa de seus grandes vizinhos europeus, a Espanha e a França em primeiro lugar). 
Na apresentação de Almeida (1999) a expansão continental do território brasileiro se 
faz, nesse contexto, com o ritmo das relações interibéricas, isso porque existe uma anulação 
da linha de Tordesilhas pela obra das entradas e bandeiras. Mas observando mais a fundo 
podemos colocar o poder da comunidade no desenvolvimento e crescimento sustentável, e 
em suas fronteiras abertas ao apresentar o empreendimento dos desbravadores do sertão.
Ainda na visão de Almeida (1999), no período final da “era colonial”, é possível 
verificar no Brasil uma lenta estruturação de uma “consciência nacional”, no qual a Nação 
independentemente do estreito quadro mental da metrópole tutelar, e ao mesmo tempo em 
que o movimento autonomista vai agindo por interesses políticos dos impulsos, resultantes 
da grave crise do sistema colonial, que foi acelerado por uma “grande desordem” causada 
pela hegemonia napoleônica no continente europeu e também pelos avanços produzidos 
pela visão iluminista em expansão. 
O fato é que a era independente, que então tem início, vem incluir um fator exclusivo 
de legitimação externa para a jovem Nação, que surge como novo Estado autônomo por 
meio de um processo de transição. Vale destacar que nem sempre esse processo vem 
com uma plena legitimidade, em razão de que é resultantede um tratado de “aquisição” 
do reconhecimento da nova situação soberana, que foi entre o antigo poder colonial e as 
potências do período. 
Com a figura de founding Father de José Bonifácio inicia, a consolidação de um projeto 
próprio de construção nacional em face aos interesses de poderes hegemônicos externos, no 
qual é um processo em partes levado pelos fortes vínculos externos, no caso portugueses e 
acima de tudo a família, do primeiro monarca “brasileiro” da dinastia dos Braganças. 
A abdicação traz aspectos traumáticos, já que coloca em perigo a própria definição 
da unidade nacional, que seria obtida a partir do regime regencial transitório. Este, não 
teme quanto aos instrumentos mais adequados para obtê-la, ainda que à custa de brutal 
repressão contra certa dinâmica e transformações regionais autonomistas, assim como 
contra insurreições de caráter social e mesmo étnico. 
70UNIDADE III Globalismo
A era independente que está em regime republicano, ainda mostrou o acabamento 
da obra de demarcação das fronteiras do território pátrio, mas não conseguiu a consolidação 
de uma economia realmente independente, isso porque mesmo que preservada, está em 
suas funções substanciais de fornecedora de alguns poucos produtos primários a economias 
mais desenvolvidas (ALMEIDA, 1999).
Para Almeida (1999) a era nacional, atingiu o palco da grave crise econômica 
mundial e começou com a tarefa de garantir os interesses externos da Nação em face dos 
desafios políticos de um mundo em transformações, entre o capitalismo estilo laissez-faire 
da belle époque, e a fase de intervencionismo do Estado na economia, que durou até os 
anos 80 do século XX pelo menos.
O regime varguista, nas fases provisória e “constitucional”, como sob o impacto 
do fechamento estado-novista, dá início ao processo de criação das condições políticas e 
institucionais, inclusive externas, para o objetivo de modernização do País. A afirmação dos 
interesses considerados nacionais do Brasil, em um mundo com ascensão distinta entre 
grandes potências e nações de “segunda classe”, perpassa pelo projeto da industrialização 
básica, com a capacitação tecnológica independente, além de um longo processo de 
desenvolvimento. (ALMEIDA, 1999, p. 39).
5.1 A política externa do Brasil na década de 1920 
Segundo Garcia (2006), a Política Externa Brasileira tenha apresentado continuidade 
em vários aspectos, desde o início da República Velha, a atuação externa brasileira sofreu 
oscilações decorrentes de opções políticas e preferências diplomáticas elaboradas, de 
acordo com necessidades de cada momento. Segundo Garcia (2006), a década de 1920 
foi caracterizada por três eixos de ação da política externa brasileira: os Estados Unidos, a 
Europa e a América do Sul. A análise da ação externa, nesse período, deve levar em conta: 
(…) um contexto interno de crise política e institucional, prevalência do modelo 
agroexportador, dificuldades econômicas, dependência do capital estrangeiro 
e limitada capacidade estratégico-militar. Convém assinalar, que a formulação 
e a execução da política externa estavam dominadas por um pequeno círculo 
de elite, basicamente atores ligados ao Ministério das Relações Exteriores e 
setores do governo federal (GARCIA, 2006, p. 25).
Conforme Garcia (2006, p 25): “na cultura política oligárquica, a ‘amizade’ 
pressupunha compromissos e obrigações mútuas entre os membros da comunidade. A 
amizade entre iguais significava aliança, a amizade entre desiguais, proteção em troca 
de lealdade.” Enquanto o Brasil interpretava sua relação com os EUA como sendo entre 
iguais, os norte-americanos não recebiam o que esperavam pela proteção prestada, e esse 
quadro gerava dissonâncias nas relações entre os dois países, fazendo com que ambos 
tivessem dificuldades em compreender as ações externas um do outro.
71UNIDADE III Globalismo
As expectativas norte-americanas de lealdade brasileira não se confirmaram, 
porque a política externa brasileira não se baseava em um “alinhamento automático” com 
os EUA na década de 1920. A recusa do Brasil em assinar o Pacto Briand-Kellog – ou 
Tratado de Paris – e a decisão de não se retirar da Liga das Nações, em um primeiro 
momento, demonstraram tal assertiva.
Quando se refere à Europa, a política externa brasileira tinha como principais 
preocupações, questões comerciais e financeiras. O envolvimento do Brasil em assuntos 
políticos no Velho Continente, buscava consolidar a reputação internacional do país, lutando 
por um assento permanente no Conselho da Liga das Nações, o Brasil pareceu demonstrar 
não ter calculado bem seu peso na esfera internacional à época, e acabou por gerar crise 
significativa no âmbito da Liga, ao vetar a entrada da Alemanha na organização e, depois, 
anunciar sua retirada do Conselho e da própria Organização.
Ao se tratar da América do Sul, a diplomacia brasileira não se pautou por questões 
econômicas, uma vez que o comércio exterior do país era feito majoritariamente com os 
EUA e Europa, nos anos de 1920. As principais preocupações do Brasil em relação à sua 
vizinhança passavam por aspectos estratégicos, militares e políticos. Sentindo a necessidade 
de modernizar e reequipar suas Forças Armadas, o Brasil buscou atuar no cenário internacional 
de modo a obter legitimidade para seu empreendimento. Tal fato, no entanto, foi responsável 
por aumentar a rivalidade com a Argentina, gerando tensões entre os dois países.
Entre os anos de 1924 e 1929, as missões estrangeiras brasileiras em Montevi-
déu, Assunção e, principalmente, Buenos Aires foram instrumentos importantes para a 
política externa de repressão iniciada por Bernardes e continuada por W. Luis. A questão, 
então, não foi meramente pessoal, como grande parcela dos autores que escrevem sobre 
o tema afirma, posto que um dos objetivos declarados pelos insurgentes, era a queda do 
governo de Artur Bernardes.
Desde a eclosão do Segundo 5 de Julho, em 1924, o movimento liderado por 
Isidoro Dias Lopes produziu repercussões nas relações internacionais do Brasil. As 
primeiras consequências foram notícias divulgadas no exterior a respeito do movimento 
revolucionário, gerando imagem negativa do país. A imprensa internacional auferia 
informações diretamente de seus representantes no Brasil ou por troca de dados entre si. 
O governo federal deu orientação aos postos do Itamaraty para que atuassem no sentido 
de desmentir notícias referentes aos movimentos rebeldes, que fossem consideradas 
infundadas e mentirosas. Isso ocorreu na Europa e na América do Sul, onde as embaixadas 
e as legações do Brasil publicaram, por diversas vezes, matérias, notas e cartas, com a 
intenção de reforçar as versões oficiais sobre as agitações no país.
72UNIDADE III Globalismo
A guerra de informações entre o governo federal e as agências estrangeiras foi 
tão significativa que Artur Bernardes passou a censurar não só as notícias que circulavam 
internamente, como também as informações que os correspondentes estrangeiros 
enviaram ao exterior. 
Ainda assim, as informações levantadas pelas agências norte-americanas eram 
confiáveis, decorrente da provável atuação dos consulados norte-americanos como fontes 
para a mídia. A reprodução em Buenos Aires de grande parte das notícias publicadas pelos 
meios norte-americanos, é outro indício da qualidade dessas informações. Como a versão 
oficial era muito diferente das que circulavam nos jornais estrangeiros, houve protestos 
brasileiros junto às embaixadas desses dois países e repercussões, inclusive, na Europa. 
Em nota ao encarregado de negócios da embaixada dos EUA, Pacheco justificou suas 
ponderações, afirmando que “o Governo seria, portanto, ingênuo se não se defendesse das 
más e nocivas notícias que semeia a anarquia no País e abala seu crédito no exterior”. O 
embaixador brasileiro em Buenos Aires Pedro de Toledo, tentou alertar Pacheco sobre as 
más repercussões da censura e dosprotestos, mas sem sucesso.
Dessa maneira, percebe-se que o uso do aparato burocrático do Itamaraty não ficou 
restrito a amenizar os efeitos negativos que a Coluna Prestes gerou na imagem internacional 
do Brasil, ou a responder às reclamações internacionais decorrentes dos prejuízos impostos 
a outras nações. O Governo de Artur Bernardes usou todos os recursos à sua disposição 
para debelar o movimento subversivo, sendo a rede de postos do Ministério das Relações 
Exteriores algo importante, juntamente com o serviço de inteligência das Forças Armadas 
e o próprio Ministério da Guerra. O telegrama 1813, enviado pelo Marechal Rondon a Félix 
Pacheco, demonstra como a cooperação entre esses órgãos do Executivo ocorreu de 
maneira estreita, vinculando as ações externas do país aos desdobramentos internos.
73UNIDADE III Globalismo
SAIBA MAIS
Termos e Conceitos Importantes
Pan-americanismo
Orientação política e ideológica, voltada para a integração geopolítica dos Estados 
das Américas sob a liderança dos Estados Unidos. O pan-americanismo surgiu como 
reação ao domínio colonial europeu nas Américas e desenvolveu-se como instrumento 
da liderança continental de Washington.
“Hemisfério Americano”
Noção ideológica que traduziu, no plano geopolítico e diplomático, a ideia da cisão 
histórica entre o Novo Mundo e o Velho Mundo. No interior da orientação do pan-
americanismo, o “Hemisfério Americano”, é a esfera de influência dos Estados Unidos.
Sistema Interamericano
Sistema de cooperação diplomática e segurança das Américas, criado por iniciativa dos 
Estados Unidos a partir de 1889. O Sistema Interamericano institucionalizou-se na OEA.
Economia agroexportadora
Modelo econômico de países pré-industriais que, no quadro da divisão internacional do 
trabalho, se especializam na exportação de produtos agrícolas.
Pensamento cepalino
Teoria do desenvolvimento elaborada no quadro da Comissão Econômica para a América 
Latina (Cepal), nos anos de 1950 e 1960, na qual sustentava uma plataforma política de 
industrialização autônoma.
Substituição de importações
Política econômica voltada para a industrialização nacional. A política de substituição de 
importações, preconizada pelo pensamento cepalino, organizou-se em torno de estratégias 
de proteção do mercado interno e estímulo à implantação de indústrias modernas.
74UNIDADE III Globalismo
Regionalismo aberto
Método de integração econômica supranacional, que prevê a progressiva ampliação 
horizontal do bloco econômico. O Mercosul adotou, desde a sua origem, o método do 
regionalismo aberto.
Fonte: MAGNOLI, Demétrio. Relações internacionais. 2 ed. São Paulo: Saraiva, 2013. P.346 Disponível 
em: https://www.saraiva.com.br/relacoes-internacionais-teoria-e-historia-2-ed-2013-4912211/p. Acesso 
em: 27 de jul. 2021.
REFLITA 
“O indivíduo só poderá agir, na medida em que aprender a conhecer o contexto em que 
está inserido, a saber quais são suas origens e as condições de que depende. E não 
poderá sabê-la sem ir à escola, começando por observar a matéria bruta que está lá 
representada.” 
Fonte: DURKEIM, D. E. (David Émile Durkheim – sociólogo, antropólogo, cientista político, psicólogo 
social e filósofo francês do século XIX).
https://www.saraiva.com.br/relacoes-internacionais-teoria-e-historia-2-ed-2013-4912211/p
75UNIDADE III Globalismo
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Caro (a) acadêmico, chegamos ao final da unidade III, você gostou? Espero que 
tenha conhecido um pouco mais sobre o globalismo e tudo o envolve. Mas no final desta 
unidade, quero destacar alguns pontos relevantes tratados aqui.
Na primeira seção apresentei o conceito de globalismo e que este conceito, vem com 
a ideia de neoliberalismo, ou seja, total confiança no mercado. Atualmente esse conceito 
tem mudado. De todo modo, o globalismo é um tema muito amplo, polêmico e com uma 
gama muito variada de autores, defensores e críticas, de forma que existem muitas linhas 
de pensamento a favor e contra essa forma de se observar a dinâmica da globalização. 
Na segunda seção vimos no contexto internacional, como que o Brasil se 
enquadra. Neste tópico, percebemos que o Brasil tem uma pauta exportadora baseada 
em commodities e que importamos produtos de baixa, média e alta tecnologia. Além disso, 
vimos os principais países que o Brasil comercializa. Em destaque, estão os Estados 
Unidos e a China. Vimos também os principais acordos comerciais do Brasil e discutimos 
essas relações e acordos no cenário atual. 
No terceiro tópico conferimos as principais iniciativas das relações internacionais e 
meio ambiente olhando mais para o Brasil. Vimos que em 1992, aconteceu a Conferência 
das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (CNUMAD) que reuniu 
uma diversidade de países, neste mesmo ano aconteceu o Rio-92, onde 178 Estados-
nações estavam envolvidos, em 2002 acontece a Rio+20 onde foram discutidos com 
representantes internacionais e nacionais temas atuais, ou seja, foram medidas importantes 
para aprendizado sobre o planejamento sobre meio ambiente no Brasil. Percebemos que o 
Brasil precisa muito da troca de conhecimento com países em desenvolvimento, buscando 
instrumentos e metodologias para a sustentabilidade nacional visando o longo prazo.
No quarto tópico, o estudo foi com foco nos impactos das relações internacionais. 
Destaca-se que os impactos são importantes para o fortalecimento de qualquer instituição 
de regulação nas relações entre os indivíduos. Por fim, no tópico 5 relatamos sobre os 
principais acordos internacionais que são decorrentes dos fortalecimentos das relações 
internacionais, e neste tópico, destacamos alguns acordos.
Portanto, caro (a) acadêmico, agradeço sua participação até aqui, espero que 
continue conosco e tenha ótimos estudos.
76UNIDADE III Globalismo
LEITURA COMPLEMENTAR
Cronologia das Relações Internacionais do Brasil
Nesta Cronologia das Relações Internacionais do Brasil, estão sintetizados os 
principais fatos que marcaram a história das relações internacionais do Brasil, desde o 
período dos descobrimentos até os dias de hoje, complementados pelos eventos mais 
relevantes casos, tanto no plano interno quanto no âmbito mundial. 
Dado o seu grande sucesso entre o público leitor, além de ser atualizada até o 
ano de 2016, esta terceira edição foi ampliada para inclusão de novas informações e o 
aprofundamento e detalhamento da cronologia. 
É essencial para área acadêmica, por se tratar de uma fonte indispensável de 
estudo para provas e concursos, e por ser um instrumento para quem está iniciando seu 
contato com a disciplina.
Assim como o livro Diplomacia Brasileira e Política Externa – Documentos Históricos, 
também editado pela Contraponto, o leitor tem à sua disposição um dos mais completos 
materiais sobre a história da política externa brasileira. 
Fonte: GARCIA, Eugênio Vargas. Cronologia das relações internacionais do Brasil. 
Rio de Janeiro: Contraponto, 2005. 
77UNIDADE III Globalismo
MATERIAL COMPLEMENTAR
LIVRO 
Título: Introdução ao estudo das relações internacionais
Autores: Antônio Carlos Lessa; Henrique Altemani de Oliveira; 
Thiago Gehre; Virgílio Arraes. 
Ano: 2013.
Editora: Saraiva. 
Sinopse: Esse livro tem o objetivo geral de mostrar alicerces teóricos, 
de definições e metodologia a ciência das Relações Internacionais 
(RI). Este primeiro volume traz consigo os aspectos identitários, 
colocando o surgimento do pensamento teórico e as ideias primordiais 
das principais instituições que caracterizam a vida internacional. A 
obra apresenta uma visão geral desse campo de estudo, mostrando 
a diversidade de abordagens científicas das RI. Além disso, possui 
uma linguagem direta e acessível, deixando a leitura leve e de fácil 
entendimento com união da teoria com a prática.
 
FILME/VÍDEO 
Título: Brexit
Ano: 2019.
Sinopse: O filme mostra a ação do responsável pela campanha para 
saída da Grã-Bretanha da União Europeia, Dominic Cummings.A narrativa tem a apresentação das estratégias de comunicação, 
e assim, usa-se das redes sociais e das ações, para convencer 
os eleitores britânicos favoráveis ao Brexit. O filme conduz um 
relevante debate sobre o papel das mídias sociais e o impacto nos 
processos democráticos que atingem diversos países.
78
Plano de Estudo:
● Temas de análises das relações internacionais contemporâneas;
● Integração econômica: acordos multilaterais e acordos regionais/plurilaterais;
● Ameaças e oportunidades empresariais; 
● Acordos comerciais e as cadeias globais de valor.
Objetivos da Aprendizagem:
● Conceituar e contextualizar temas de análises das
 relações internacionais contemporâneas;
● Compreender os tipos de Integração econômica: acordos 
multilaterais e acordos regionais/plurilaterais;
● Estudar e compreender as ameaças e oportunidades empresariais;
● Estabelecer a importância dos acordos comerciais 
e as cadeias globais de valor.
UNIDADE IV
Brasil e as Relações
 Internacionais 
Professora Esp. Margarete Campos Vieira 
79UNIDADE IV Brasil e as Relações Internacionais 
INTRODUÇÃO
Caro aluno (a), no final desta unidade você terá o aprendizado sobre o Brasil e as 
relações internacionais. Para atingir esse objetivo, essa unidade será dividida em quatro seções. 
A primeira terá algumas abordagens e temas sobre as relações contemporâneas da atualidade. 
Na segunda seção aprenderemos sobre a integração econômica, veremos sobre os 
acordos multilaterais, acordos regionais e plurilaterais. Na terceira seção compreenderemos 
sobre as ameaças e oportunidades empresariais, por fim, na última seção entenderemos 
sobre os acordos comerciais e as cadeias globais de valor, que é um assunto de extrema 
relevância do século XXI. 
Todas as seções terão uma análise, partindo do geral para o específico, ou seja, 
falaremos de mundo, mas nosso foco será entender sobre o Brasil e as relações interna-
cionais. Vamos lá? 
80UNIDADE IV Brasil e as Relações Internacionais 
1. TEMAS E ANÁLISE DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS CONTEMPORÂNEAS 
Você sabe como estava o cenário pós Segunda Guerra Mundial? Estados Unidos 
e União Soviética foram considerados os países vencedores, com pensamento político-
econômico totalmente diferentes: o capitalismo e o comunismo. Diante dessa diferença, 
houve tensões entre essas duas potências e assim houve uma guerra fria (ALMEIDA, 2006).
Aproveitando o contexto pós-guerra, os Estados Unidos iniciaram com uma medida 
de relação internacional com a Europa. Sabemos bem que o interesse e o individualismo 
dos EUA estavam além da reconstrução europeia, eles também visavam o revigoramento 
do capitalismo, não deixando espaço para a Rússia (ALMEIDA, 2006).
O elemento singular mais relevante para a mudança de padrões nas relações 
internacionais contemporâneas nas duas últimas décadas do século XX, foi o 
fim do socialismo, enquanto polo articulador de um sistema socioeconômico 
concorrente ao domínio tradicional ldo liberal capitalismo. Essa dissolução de 
um sistema — cujas estruturas de comando e dominação tinham sido até então 
consideradas como dotadas de uma certa rigidez — foi de certa forma inesperada, 
pois que ocorrida em um momento, no qual o socialismo soviético procurava, 
precisamente, reformar-se e adaptar-se às novas condições da revolução 
tecnológica em curso, caracterizada pela microeletrônica e suas aplicações às 
telecomunicações. A derrocada do socialismo que, para todos os efeitos práticos, 
confunde-se com o desaparecimento da própria União Soviética, foi fundamental 
para a superação substantiva do período conhecido como Guerra Fria e para a 
transição da bipolaridade para uma nova situação de equilíbrio e convivência 
entre grandes potências, cujos contornos não estão claramente definidos em 
termos de relações internacionais (ALMEIDA, 2006, p. 12).
Essa medida financeira e de reconstrução financeira, ficou conhecida como Plano 
Marshall. Com a reconstrução da Europa, os EUA aumentaram seus laços no comércio 
internacional e se destaca mundialmente.
81UNIDADE IV Brasil e as Relações Internacionais 
 Nos EUA (pós-crise de 1929) welfare state se destaca, visando questões mais 
humanistas e com maior defesa do intervencionismo estatal. Portanto, acaba surgindo 
modelos similares em todo mundo. 
FIGURA 1 - ESTADOS UNIDOS 
 
Fonte: Freepik. Disponível em: https://br.freepik.com/vetores-gratis/estilo-grunge-fundo-da-bandeira-
americana_893044.htm#page=1&query=estados%20unidos&position=1. Acesso em: 27 jul. 2021.
O modelo de Bem-Estar Social, também foi introduzido no Brasil na década de 
1930. Nesse período a sociedade passava para uma fase mais industrial (ainda atrasado 
comparado a outros países). Vale destacar, que nas décadas de 1950 e 1960 vieram à tona 
do Brasil temas ligados ao desenvolvimento econômico, por meio da Comissão Econômica 
para a América Latina (Cepal). Essas linhas de pensadores visavam criar um modelo de 
desenvolvimento industrial autônomo para os países da América Latina. 
Com a crise do Petróleo, houve um esgotamento do Estado de Bem-Estar 
Social, isso porque o nível de desemprego e a inflação não estavam sendo resolvidas. 
Consequentemente, a capacidade financeira dos governos em conseguir atender as 
necessidades da população e realizar investimentos, estava sendo questionada. Os países 
em desenvolvimento (Brasil se enquadra nesse modelo) foram os que mais sofreram nesse 
período. A crise de 1980 gerou altas taxas de desemprego e alta inflação (ALMEIDA, 2006).
Em meados dos anos 90, as esperanças depositadas em uma nova fase de 
crescimento rápido no bojo da globalização – na qual se destacaram as economias 
emergentes da Ásia oriental – se desfizeram nas grandes crises financeiras e 
cambiais da segunda metade da década, englobando sucessivamente vários 
países asiáticos, a Rússia e o próprio Brasil (ALMEIDA, 2006, p. 19).
Os países em desenvolvimento pegavam empréstimos do exterior, para investir 
em sua industrialização e na tentativa de investir, para sair da crise econômica. Podemos 
analisar este ponto na tabela: crescimento da dívida externa da América Latina. O Brasil 
aumentou consideravelmente sua dívida externa do ano de 1977 para 1987. 
82UNIDADE IV Brasil e as Relações Internacionais 
TABELA 1 - CRESCIMENTO DA DÍVIDA EXTERNA DA AMÉRICA LATINA 
(DÍVIDA TOTAL EM % DO PIB)
Fonte: Adaptado de Paul Kennedy, Preparing For the Twentieth-First Century, 1993, p. 205.
Como vimos na tabela e na discussão acima, o Brasil acabou endividado e o capitalismo 
atrasado em relação a outros países desenvolvidos. Com a falta de investimento em setores 
essenciais, também tivemos impactos na educação, saúde, infraestrutura, inovação, etc. 
Analisando em contexto de comércio internacional, nos enquadramos em um 
modelo agroexportador, ou seja, importamos bens manufaturados e produtos de baixa, 
média e alta tecnologia, e exportamos commodities. Somos dependentes dos países 
desenvolvidos. Um ponto em destaque falando de política externa, é a Área de Livre 
Comércio das Américas (ALCA). E o que foi a ALCA? Pode-se dizer que foi um aspecto 
histórico das relações, tanto do Brasil quanto com os Estados Unidos, para a articulação 
do Brasil no contexto internacional. Assim:
A hipotética recusa brasileira à Alca, equivaleria a uma profunda ruptura 
na parceria entre Brasil e Estados Unidos, que funcionou como alicerce da 
política externa brasileira ao longo do século XX. Além disso, provavelmente 
isolaria o Brasil, ou, no máximo, o Mercosul, no “Hemisfério Americano”. O 
principal benefício da Alca reside a um acesso mais amplo ao enorme mercado 
consumidor dos Estados Unidos, porém, esse benefício tem significados 
diferenciados para as economias latino-americanas. As economias pouco 
industrializadas, cujas exportações se concentram em commodities minerais 
e agrícolas, usufruiriam de vantagens palpáveis e desvantagens marginais. 
Porém, economias industriais como a brasileirae a argentina, seriam expostas 
diretamente à concorrência das poderosas corporações transnacionais dos 
Estados Unidos (MAGNOLI, 2013, p. 344).
A ALCA foi relevante para a interação do Brasil com os países e para influência 
do país, nas tomadas de decisões com instituições financeiras e de segurança relevantes, 
como o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e Organização dos Estados 
Americanos (OEA). 
PAÍSES 1977 1982 1987
Argentina 10 31 62
Brasil 13 20 29
Chile 28 23 89
Guiana 100 158 353
Honduras 29 53 71
Jamaica 31 69 139
México 25 32 59
Venezuela 10 16 52
83UNIDADE IV Brasil e as Relações Internacionais 
FIGURA 2 - ACORDOS COMERCIAIS
 
Pode-se dizer então, que com o cenário do pós-guerra mundial e com o fim da guerra 
fria, houve uma quebra da bipolaridade Rússia e Estados Unidos. E EUA se instaurou como 
a força internacional com capacidade dominante (político, econômico, social ou cultural) até 
hoje, principalmente com o Brasil (MAGNOLI, 2013). 
84UNIDADE IV Brasil e as Relações Internacionais 
2. INTEGRAÇÃO ECONÔMICA: ACORDOS MULTILATERAIS E ACORDOS 
REGIONAIS/PLURILATERAIS
Caro acadêmico (a), para começar este tópico é importante falarmos sobre os 
conceitos de integração econômica, acordos multilaterais e acordos regionais/plurilaterais. 
Vamos aprender sobre cada um deles? 
A conceitualização da integração econômica na América Latina, veio com a 
inspiração da Comissão Econômica para a América Latina (Cepal) no período da guerra 
fria. E no que refletia essa ideia? “Refletia uma reação limitada à hegemonia dos Estados 
Unidos e ao pan-americanismo, influenciada pela descolonização afro-asiática e pela 
iniciativa de unificação europeia” (MAGNOLI, 2013, p. 341).
A Cepal conseguiu analisar, que a América Latina tinha suas especificidades 
e particularidades, e que não é porque uma medida política funcionou em um país, que 
funcionaria aqui. Era preciso voltar um “olhar para dentro” e entender os problemas 
existentes nos países em desenvolvimento, ou seja, era preciso “formulação de estratégias 
de desenvolvimento para América Latina” (MAGNOLI, 2013, p. 341).
Os acordos multilaterais são aqueles realizados a partir de três países. Existe o Sistema 
Comercial Multilateral, ou melhor, “sistema de tratados e regras de comércio internacionais 
emanados do Gatt e da Organização Mundial do Comércio” (MAGNOLI, 2013, p. 238). 
Existem acordos bilaterais que são apenas dois países. Já os acordos plurilaterais 
são compostos de muitos países e as regras contratuais, buscam atender a todos eles.
85UNIDADE IV Brasil e as Relações Internacionais 
Os acordos regionais são feitos de um estado, município com outros estados e municípios. 
“A integração crescente dos mercados, a aceleração dos fluxos de mercadorias e capital, e 
a criação de blocos econômicos regionais, acentuaram extraordinariamente a importância do 
mundo dos negócios na formulação da política externa’’ (MAGNOLI, 2013, p. 09).
Agora que conseguimos entender os conceitos, vamos falar sobre as relações 
internacionais e como está a postura na atualidade no que tange sobre a integração 
econômica. A partir do século XXI, as relações internacionais por parte dos governantes 
precisam estar conectadas na ideia, de que a política externa precisa ser parte do seu 
desenvolvimento nacional. 
O processo de internacionalização não se remete apenas em um processo político, 
econômico, social ou cultural, ele se refere a todos os campos e, ao mesmo tempo, esses 
campos estão interligados. Atualmente, incorporou-se a dinâmica disciplinar de debate 
e tem-se uma pluralidade teórica e, assim dentro das relações internacionais enquanto 
campo científico, a promoção de conhecimento com múltiplas perspectivas. 
No Brasil o planejamento não foi com planejamento de longo prazo para acompanhar 
essa internacionalização e globalização, isso porque as empresas brasileiras não estavam 
conseguindo acompanhar em sintonia com as transformações internacionais.
Na década de 90, houve uma política de liberalização econômica. Lembrando que 
nesse período o país enfrentava sérias dificuldades de retomada econômica, havia muito 
desemprego, inflação e dívida externa. Um acordo relevante deste período foi o Mercado 
Comum do Sul (Mercosul) feito pelo Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. E do que se 
tratava o Mercosul? 
O tratado incorporava os instrumentos que vinham sendo firmados junto à 
Aladi, que concentravam seus dispositivos na liberalização comercial. Como 
primeiro resultado, em um período de apenas seis anos, o comércio intrabloco 
conheceu um crescimento de 300% (MONTEOLIVA et al., 2014, p. 115).
Além do Mercosul, em 1992 foi realizada a Conferência das Nações Unidas sobre 
Meio Ambiente e Desenvolvimento no Rio de Janeiro. Esse acontecimento foi um marco no que 
tange assuntos desenvolvimentistas visando a preservação ambiental, ou seja, não só pensar 
no crescimento econômico, mas também em assuntos de desenvolvimento sustentável. Outra 
integração econômica considerada relevante é a Cúpula do Grupo dos 15 em 1990, essa 
integração focava nos 15 países em desenvolvimento (MONTEOLIVA et al., 2014).
86UNIDADE IV Brasil e as Relações Internacionais 
Segundo Monteoliva et al (2014, p. 113), Fernando Henrique Cardoso veio 
com a proposta de multilateralismo e com uma visão de uma nova ordem em contexto 
internacional “pautada nos princípios de democracia e da economia de mercado, para 
promover o equilíbrio financeiro do país e melhorar o padrão de inserção internacional” 
(MONTEOLIVA et al., 2014, p. 113).
O método, mais uma vez sem planejamento, era a eliminação de barreiras 
não tarifárias e a exposição de nossas empresas à concorrência internacional. 
Na prática, o país tinha dificuldade em se posicionar a favor da integração 
hemisférica com os Estados Unidos, ou da ampliação dos laços bilaterais 
com Washington. Além disso, não era claro em que medida o Mercosul 
deveria se consolidar como bloco, por meio da tarifa externa comum (TEC), 
o que significaria um distanciamento dos interesses norte-americanos 
(MONTEOLIVA et al., 2014, p. 119).
Em 1995, se tem uma integração econômica importante, foi criada a Organização 
Mundial do Comércio (OMC), “incluindo as negociações relativas a acordos agrícolas, 
investimentos relacionados aos serviços comerciais e direitos de propriedade intelectual” 
(MONTEOLIVA et al., 2014, p. 120). 
Em 1997 o Brasil aderiu ao Protocolo de Quioto, em 1998 ao Estatuto de Roma e, 
além disso, contribuiu com o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, 
que tinha projetos e planejamentos para as crises internacionais. Ressalta-se, que no 
governo FHC, buscou-se autonomia:
A busca por autonomia manifestou-se por meio de negociações em diversos 
foros internacionais, em reuniões birregionais e nas relações com a vizinhança 
sul-americana. Exemplos dessas iniciativas foram a I Conferência Ministerial 
da OMC (1996), na qual o Brasil não aderiu de imediato ao Acordo sobre 
tecnologia da informação (1996); a VIII Cúpula ibero-americana (1998), na 
qual Fernando Henrique defendeu a criação de um imposto internacional de 
0,5% a ser aplicado sobre capitais de curto prazo e cuja arrecadação, deveria 
ser utilizada na estabilização de países com dificuldades financeiras e, em 
programas de combate à pobreza (MONTEOLIVA et al., 2014, p. 122).
No ano de 2000 houve a primeira reunião de presidentes da América do Sul e nessa 
reunião, foram levadas para debates as relações políticas, comerciais e sobre a integração 
física da região, ou melhor, a integração sul-americana, e assim, surgiu a Iniciativa da 
Infraestrutura Sul-Americana (IIRSA), “com objetivo de fomentar projetos de integração 
nas áreas de energia, transporte e telecomunicações, tendo como diretriz “12 eixos de 
integração e desenvolvimento” (MONTEOLIVA et al., 2014, p. 123). 
87UNIDADE IV Brasil e as Relações Internacionais 
Em 2003, com LuizInácio Lula da Silva como presidente, o país manteve alguns 
pontos da política monetária de Fernando Henrique, como o plano real que trouxe certo 
equilíbrio para a inflação e no contexto internacional, passou a agir com um maior ativismo. 
Vale destacar, que nesse período tinha “uma conjuntura internacional favorável ao crescimento 
econômico e ao protagonismo de países ditos emergentes” (MONTEOLIVA, 2014, p. 113). 
No que tange à integração internacional e política de comércio exterior, Lula buscava:
(...) aumento das exportações, os investimentos produtivos e a assimilação 
de tecnologia, e as diretrizes da nossa diplomacia seriam as negociações 
de acordos comerciais com vantagens concretas para o país, o combate a 
práticas protecionistas e a ampliação dos mercados consumidores de bens 
primários ou semielaborados, que continuavam a ter papel importante na pauta 
exportadora. Assim, na ALCA, nas negociações Mercosul-União Europeia e 
na Organização Mundial do Comércio (...) (MONTEOLIVA et al., 2014, p. 125).
Percebemos aqui a relação com a visão cepalina, ou seja, nesse governo 
conseguimos perceber que o objetivo, era o desenvolvimento econômico da América do 
Sul. Nos anos posteriores tivemos nesse governo, várias integrações da Sul-Americana. 
Segundo (MONTEOLIVA et al., 2014 p. 126), algumas destas importantes integrações são: 
● Acordo de complementação econômica entre Mercosul, Colômbia, Equador e a 
Venezuela em 2003; 
● Acordo de livre comércio Mercosul-Comunidade Andina em 2004; 
● Criação da Comunidade Sul-americana de Nações;
● I Reunião de chefes da comunidade Sul-Americana de Nações em 2005;
● I Reunião energética da América do Sul em 2008, entre outras importantes integrações.
Algumas participações no âmbito mundial foram importantes, no que tange 
diplomacia e acordos internacionais no Brasil. O Brasil participou de reuniões com o G4 e 
debates relevantes sobre segurança com a Organização das Nações Unidas. Além disso, 
na Organização Mundial do Comércio (OMC) o Brasil estava à frente na formação de um 
grupo de países em desenvolvimento (G20 econômico). Houve também, o BRIC (Brasil, 
Rússia, Índia e China). E o que fazia o BRIC?
(...) formalizado em 2007, tinha vocação essencialmente política, sem descuidar 
de temas comerciais e econômicos. O BRIC, que promove a comunicação e a 
concertação de posições entre suas chancelarias, tem visto seu poder aumentar 
diante do rápido crescimento de suas econômicas e da crise que atingiu os 
países ricos a partir de 2008. Em 2010, foi realizada a cúpula do Bric-Ibas, 
em Brasília, na qual, diante da crise econômica internacional, foi reafirmado 
o compromisso com o desenvolvimento (MONTEOLIVA et al., 2014, p. 127).
Em sequência ao governo Lula, Dilma tem relações internacionais com uma certa 
linha de continuidade ao governo anterior.
88UNIDADE IV Brasil e as Relações Internacionais 
Ela teve uma postura favorável ao Mercosul e fortaleceu laços com a Cúpula 
América do Sul-Países Árabes, BRICS e G20. Com uma certa incerteza e instabilidades 
políticas do Brasil no primeiro governo de Dilma, o empresariado não teve um processo de 
internacionalização tão rápido como no governo Lula, havia muita resistência.
Temer assume após o impeachment com uma postura mais ortodoxa, processos 
de privatizações e corte de gastos. “resgata política externa na força transformadora do 
liberalismo econômico” (MONTEOLIVA, 2014, p. 16). A China foi o acordo brasileiro que 
permaneceu intacto tanto em Lula, quanto em Dilma e Temer “A China representou a 
principal linha de continuidade entre a política externa dos governos Lula, Dilma e Temer, 
em nenhum momento sua relevância foi questionada” (MONTEOLIVA, 2014, p. 135). 
Por fim, temos o atual governo que nos mostra certa postura de ideologização e 
pragmatismo. Deste modo, aparenta-se que “indica uma mudança de orientação da política 
externa brasileira, resultante da motivação ideológica conservadora” (MONTEOLIVA, 
2014, p. 145). 
Isso afeta de certa forma nossas relações internacionais, credibilidade internacional, 
acaba tendo um certo “desconforto” em setores econômicos relevantes, como agroexportação 
e entre diferentes setores da opinião pública, impactando o processo decisório da política 
externa brasileira (MONTEOLIVA, 2014, p. 145).
 
89UNIDADE IV Brasil e as Relações Internacionais 
3. AMEAÇAS E OPORTUNIDADES EMPRESARIAIS
Neste tópico vamos citar algumas crises, ameaças e possíveis oportunidades para 
as relações internacionais contemporâneas. Buscaremos falar em âmbito mundial e âmbito 
nacional – Brasil. 
Vivemos em 2008 uma crise financeira nos EUA que atingiu o mundo inteiro. Desde 
a década de 1990, o preço dos imóveis nos Estados Unidos começou a subir continuamente, 
formando a famosa “bolha imobiliária” que veio estourar em 2008. Diante disso, muitas 
pessoas começaram a investir no mercado imobiliário em razão da valorização. De 2000 
até 2008, o dinheiro concedido para crédito imobiliário dobrou. 
GRÁFICO 1 - EVOLUÇÃO DO ÍNDICE DE PREÇOS DOS IMÓVEIS NOS ESTADOS 
UNIDOS DE 1987 A 2007 
 
Fonte: Torres (2008).
90UNIDADE IV Brasil e as Relações Internacionais 
É possível dizer, que a crise foi intensificada no momento da falência do Banco de 
Investimento Lehman Brothers em 2008, após o FED (Federal Reserve) recusar socorrer 
a instituição. Pode afirmar também, que a globalização comercial e financeira e, Estados 
Unidos como sendo o centro da economia global, fez com que a crise se alastrasse. 
De certa forma, se não fosse a pressão do governo talvez essa crise não teria 
acontecido. Faltou responsabilidade financeira no mercado. A recuperação do mercado 
financeiro foi “maquiada” com dinheiro público novamente, assim, a economia dos Estados 
Unidos voltou a estabilizar. 
Após a crise financeira, alguns países conseguiram retomar seu crescimento e 
desenvolvimento econômico. Porém, agora estamos enfrentando uma crise econômica e 
sanitária devido ao Coronavírus, sendo considerada a maior crise de toda história.
No mundo e no Brasil, já há previsões de uma crise econômica forte. 
Neste caso, a atuação do Estado dos diversos países deve se intensificar. 
As preocupações orçamentárias nesse momento devem ser totalmente 
abandonadas, pois as políticas econômicas precisam garantir a melhor 
harmonia possível da sociedade, inclusive garantindo os direitos sociais 
segundo Pactos internacionais de que o Brasil é signatário, como o Pacto 
Internacional de Direitos Econômicos, Sociais, Culturais (PIDESC) e, a 
Constituição Federal de 1988 (NASCIMENTO e RIBEIRO, 2020, p. 01).
O momento que estamos passando já nos deixa claro que todos os países sofrerão 
com o endividamento tanto interno quanto externo. Mais do que nunca, as relações 
internacionais e o compartilhamento do conhecimento cientifico, devem ser fortalecidos 
para que todos consigam enfrentar essa crise. 
Apresentamos, pós governo de Michel Temer (2016 - 2018), a ascensão ao poder 
do presidente eleito Jair Bolsonaro, no ano de 2019, é possível analisar inicialmente, uma 
linha de continuidade entre a política econômica de Temer e Bolsonaro, uma vez que a 
conturbada mudança que transitou pela economia brasileira inicia-se no governo de Temer 
e tem certa profundidade no governo de Bolsonaro, que também implementa políticas 
puramente ortodoxas em um ambiente, parecido, de desaceleração econômica, além de 
tomar medidas que minimiza o papel do Estado na economia.
Em um contexto marcado por problemas institucionais, cenário internacional não 
muito favorável e economia com certa estagnação, o presidente Bolsonaro inicia seu 
governo com uma postura nada política, sustentando um perfil autoritário e de manipulação 
em massa, culminando em uma instabilidade econômica ainda maior, isso porque afeta a 
democracia e a credibilidade do país em âmbito internacional.
91UNIDADE IV Brasil e as Relações Internacionais 
No cenário atual de crisesanitária, com a pandemia do Novo Coronavírus 
(COVID-19), o país se encontra em uma situação em que os investimentos na área de 
saúde, tecnologia e inovação, foram mínimos, até o momento, o que dificulta ainda mais a 
obtenção de uma estrutura necessária para lidar com a crise, além da contínua preocupação 
com o corte de gastos em setores essenciais, que agora, mais do que nunca, faz falta, 
como é o caso da área da saúde.
Como oportunidades no âmbito mundial, a inovação está como principal. O 
coronavírus nos trouxe uma nova forma de viver, com novas invenções em todas as 
profissões. Alguns setores se destacam, como: ciência da computação, tecnologia da 
informação, marketing e propaganda, telecomunicação, indústria 4.0, internet das coisas, 
internet 5G, entre outros. É um momento para investir em qualificação e inovação no 
ambiente empresarial. O fluxo de informações, globalização e a inovação, está com uma 
intensa velocidade e precisa de mão de obra qualificada. 
Sobre o cenário internacional brasileiro, conseguimos ver que há uma clara 
necessidade de um fortalecimento e modernização da produção industrial, um verdadeiro 
processo de reindustrialização, para que este possa atender a demanda interna e também 
possa ter competitividade com no mercado externo, aumentando as exportações não 
somente em commodities, mas em produtos de baixa, média e alta tecnologias. Isso é 
relevante para que o Brasil não fique dependente de produtos com inovação e tecnologia 
dos países internacionais, é necessário olhar para dentro e buscar uma “autossuficiência”.
 Essas medidas são também, importantes instrumentos para a geração de 
empregos qualificados, que refletem nos melhores salários e, assim, conseguir reincorporar 
a massa trabalhadora represada pela crise econômica e agravada pela pandemia. A história 
mostra que o processo de desenvolvimento de todos os países passou pelo surgimento e 
crescimento da indústria.
92UNIDADE IV Brasil e as Relações Internacionais 
4. ACORDOS COMERCIAIS E AS CADEIAS GLOBAIS DE VALOR
Para falarmos de cadeias globais de valor é importante o entendimento do conceito 
de integração produtiva e integração vertical. Nos anos entre 1990 e 2008, é verificado que 
com a internacionalização produtiva e o crescimento do fluxo do comércio internacional, a 
interação de investimentos de países desenvolvidos com países em desenvolvimento só 
aumenta. Esse método faz com que tenha uma eficiência na produção. 
Assim, a integração produtiva representa o método pelo qual a firma “(I) passa a 
adquirir, via importações, os insumos, partes e componentes que, são utilizados no seu 
processo produtivo; e (II) estabelece, no contexto do processo de terceirização, alianças/
cooperação estratégicas com seus fornecedores”.
 Já a integração vertical é uma representação dos resultados das fusões, aquisições 
e investimentos, que são efetivados pela empresa (MACHADO, 2010, p. 122-123). Com isso, 
podemos ampliar a abordagem do que é uma cadeia global de valor que ficou muito conhecida 
na década de 2000, iniciando-se nos países Leste, Sudeste Asiático e Leste Europeu. 
(...) uma cadeia mapeia a sequência vertical de eventos que levam à 
distribuição, consumo e manutenção de bens e serviços – reconhecendo que 
várias cadeias de valor, frequentemente compartilham fatores econômicos 
comuns e são dinâmicas na medida em que são reutilizadas e reconfiguradas 
de forma contínua – enquanto uma rede enfatiza a natureza e a extensão das 
relações interfirmas, que vinculam conjuntos de firmas a grupos econômicos 
maiores (STURGEON, 2007, p. 10, tradução nossa).
93UNIDADE IV Brasil e as Relações Internacionais 
Diante disso, a cadeia global de valor teve destaque, em razão de determinar a 
competitividade de diversos países que se enquadram com a existência de uma pauta 
exportadora com produtos que poderiam ter os custos minimizados, se realizados com uma 
metodologia de processos de produção fragmentada. 
“A ideia de produzir em cadeias, está associada aos benefícios derivados da redução 
de custos na obtenção de matérias-primas e/ou de processamento de etapas produtivas a 
custos de fatores reduzidos” (OLIVEIRA, 2015, p. 11). 
Para os acordos comerciais contemporâneos estão complexos, exigindo uma 
reorganização produtiva. As cadeias globais de valor surgem com a intenção de “agregação 
de valor a um bem ao longo de sua cadeia produtiva”, além disso, com a expansão das 
cadeias globais de valor, existe a possibilidade de pequenas e médias empresas terem um 
engajamento na economia global. 
A participação nas CGVs, pode facilitar o acesso de pequenas e médias 
empresas a mercados externos e diversificados, economias de escala e 
escopo, aprendizagem tecnológica e transferência de tecnologia, assim 
como acesso a importações competitivas para produção doméstica e para 
exportação. Por outro lado, a participação nas CGVs também pode “trancar” 
(lock -in) empresas e países em atividades de baixo valor agregado, 
sustentadas por vantagens competitivas estáticas, baseadas em baixos 
custos de produção sem benefícios de longo prazo para aprendizado, 
inovação e desenvolvimento. Essas oportunidades e desafios da participação 
em cadeias globais de valor requerem atenção, tanto por parte das empresas, 
como de governos e organizações internacionais, devido a suas implicações 
políticas para o desenvolvimento (OLIVEIRA, 2015, p. 42).
Existem vários modelos quando se fala de cadeias globais de valor, além disso, 
existem variações de setores. Como modelo principal, falaremos de três tipos de países 
que estão destacados na visão de Oliveira (2015, p. 11 e 12). O primeiro tipo chamaremos 
de “País I”, o segundo de “País 2” e o terceiro tipo de “país 3”. 
QUADRO 1 - TIPOLOGIA DAS CADEIAS GLOBAIS DE VALOR
Fonte: Baseado em: Oliveira (2015).
O Brasil se enquadra como país do tipo 1. Isso porque temos a pauta exportadora 
focada em commodities, além disso, “As estimativas da OCDE indicam que a participação 
do país nas cadeias de valor é muito pequena, e o componente importado das nossas 
exportações é muito reduzido” (OLIVEIRA, 2015, p 12).
TIPOLOGIA DAS CADEIAS GLOBAIS DE VALOR
Tipo Como se enquadra nas cadeias globais de valor?
País I Fornecedor de matéria-prima
País II Ocorre a montagem final do produto, a partir dos 
insumos proporcionados pelos países tipo I.
País III Concentração da parte mais rara do processo de 
produção. Se concentra a governança de toda cadeia.
94UNIDADE IV Brasil e as Relações Internacionais 
Falando de política comercial brasileira no período de 2003-2010 conseguimos 
certo destaque no cenário internacional, isso porque o governo deste período buscava uma 
diversificação da pauta exportadora e negociações comerciais multilaterais.
Considera-se, entretanto, que a ambição brasileira de “mudar a geografia 
comercial do mundo”, se referia à diversificação de parcerias e ao aumento 
da capacidade de influência do país nas negociações internacionais de 
comércio. O uso dessa expressão pelo Brasil não estava relacionado às novas 
dinâmicas do comércio internacional vista de uma perspectiva sistêmica, 
ou à nova divisão internacional do trabalho que emerge com a dispersão 
geográfica da produção (OLIVEIRA, 2015, p. 28).
É importante lembrar, que a partir de 2002 tivemos superávits comerciais na balança 
comercial chamado de “boom exportador”, tanto que a China estava crescendo de uma 
maneira surreal, e também porque houve incentivos por parte do governo com redução de 
carga tributária e políticas de incentivo à exportação. 
Com a postura do governo, acordos internacionais, políticas nacionais e comerciais 
de longo prazo, estávamos buscando o método de um “desenvolvimento nacional de dentro 
para fora” com planejamento a longo prazo, visando um desenvolvimento e crescimento 
econômico sustentável. 
A dívida externa nesse período foi reduzida e as reservas internacionais (dólares como 
reserva no país)aumentaram, isto é, já não estávamos tão vulneráveis internacionalmente 
como éramos nos anos anteriores. O gráfico 1 a seguir mostrará esses pontos.
GRÁFICO 2 - BRASIL: DÍVIDA EXTERNA PÚBLICA E RESERVAS INTERNACIONAIS 
(DEZ 91-DEZ 11)
 
Fonte: Instituto Mercado Popular (2016).
No período do governo Lula, o Brasil tinha a maioria de suas importações e acordos 
comerciais com Estados Unidos, China, Argentina e Alemanha.
95UNIDADE IV Brasil e as Relações Internacionais 
 Já nas exportações, era China e Estados Unidos. Continuamos no esforço em 
estimular a ciência para exportar produtos de baixa, média e alta tecnologia, mas não foi 
o suficiente. 
O Brasil continuou sendo dependente das importações de tecnologia e exportando 
commodities. Deste modo, “o governo Lula, avançou em um processo definido nos governos 
anteriores, acelerou a alavancagem do capitalismo Brasileiro, articulou empresários e 
Estado, mas não mudou o lugar do Brasil na economia mundial” (VIDIGAL, 2021, p. 128).
No cenário de Dilma Rousseff estávamos passando por um período de escândalos, 
manifestações e quebra de confiança. O que acabou afetando em alguns acordos e 
credibilidade no âmbito internacional. A economia começou a ficar estagnada e com 
discordâncias políticas, chegamos no impeachment. 
Temer ingressa com um discurso de austeridade fiscal, ou seja, de que se precisa 
organizar as contas públicas do país e para isso é necessário cortar gastos dos setores da 
economia considerados essenciais. 
O discurso, com base na austeridade fiscal, de que o Estado quebrou ainda é 
forte. Porém, com a pandemia do Covid-19, diversos economistas, inclusive 
aqueles que lideraram a ideia que o “Estado quebrou”, estão discutindo a 
importância do Estado na atuação da coronacrise. Seguindo a aplicação de 
políticas econômicas adotadas em âmbito internacional no enfrentamento 
da coronacrise, o discurso se unifica em formas que o governo pode atuar 
com objetivo de amenizar os impactos econômicos e sociais da pandemia 
(NASCIMENTO e RIBEIRO, 2020, p. 01)
Junto a isso, no âmbito internacional uma diversidade de presidentes com uma 
postura tendendo mais para a direita. Donald Trump é um deles, sem uma postura de 
diplomacia, sem visões humanistas. 
E atualmente no Brasil, temos Jair Bolsonaro com uma postura semelhante à de 
Donald Trump. O que acaba afetando o Brasil em seus acordos e relações internacionais 
por falta de diplomacia e credibilidade. Além disso, afeta o grau de confiança e expectativa 
nacional, fazendo com que os empresários fiquem receosos em investir e gerar empregos, 
o que implica em um atraso na retomada econômica.
Dentro de uma reflexão sobre a situação política, econômica e social do Brasil, 
atualmente, é interessante ir de encontro com um pensamento de equidade e, entender o 
quanto às relações internacionais e os acordos comerciais são relevantes, principalmente agora 
em momentos de pandemia, em que precisamos de outros países para produzir uma vacina.
96UNIDADE IV Brasil e as Relações Internacionais 
 
SAIBA MAIS
Termos e Conceitos Importantes
Ambientalismo
Pode-se dizer que é uma mobilidade política consolidada em volta do tema, que tange 
ao meio ambiente das suas conexões com o tema de desenvolvimento econômico tão 
importante para a Economia. A expressão mais evidente do ambientalismo foi a criação 
e a solidificação dos “partidos verdes” na Europa, desde a década de 1970.
Desenvolvimento sustentável
É uma metodologia de desenvolvimento econômico, no qual o suporte de recursos 
naturais é pautada por uma interpretação de um patrimônio e da criação de uma condição 
para a reprodução, sempre olhando a longo prazo, e para rearticulação e mapeamento 
dos padrões de produção e consumo.
Neomalthusianismo
É uma abordagem desenvolvida pelo Clube de Roma e parcialmente estruturada, sobre 
a teoria de Malthus ligada ao crescimento demográfico. Os neomalthusianos colocam 
que o crescimento econômico dos países em desenvolvimento vai depender de medidas 
de controle da natalidade.
Explosão demográfica
Modelo de explicação das elevadas taxas de crescimento vegetativo nos países do 
Terceiro Mundo no pós-guerra. A noção de “explosão demográfica” passa a ser prioridade 
no pensamento neomalthusiano.
Aquecimento global
Tendência de longo prazo que leva ao aumento das temperaturas médias superficiais 
do planeta. O aquecimento global é uma tese em destaque nos dias de hoje, no qual 
existem muitas pesquisas acadêmicas buscando meios de controle.
Gases de estufa
Gases que levam a uma intensidade do efeito estufa natural da atmosfera terrestre. En-
tre os gases de estufa, o dióxido de carbono se destaca.
97UNIDADE IV Brasil e as Relações Internacionais 
Biomas
Ecossistemas naturais terrestres de dimensões subcontinentais, como as florestas 
tropicais, savanas, pradarias, desertos, a taiga e a tundra.
Fonte: MAGNOLI, Demétrio. Relações internacionais. 2 ed. São Paulo: Saraiva, 2013. p.250. Disponível 
em: https://www.saraiva.com.br/relacoes-internacionais-teoria-e-historia-2-ed-2013-4912211/p. Acesso 
em: 27 de jul. 2021.
REFLITA 
Em sua opinião, o que justifica a afirmação de que o Brasil é importante fator nas relações 
internacionais do século XXI? O Brasil está bem inserido? 
Fonte: MONTEOLIVA, Francisco Fernando; VIDIGAL, Carlos Eduardo. OLIVEIRA, Henrique Altemani de; 
LESSA, Antônio Carlos. História das relações internacionais do Brasil. São Paulo: Saraiva, 2014 p.147
https://www.saraiva.com.br/relacoes-internacionais-teoria-e-historia-2-ed-2013-4912211/p
98UNIDADE IV Brasil e as Relações Internacionais 
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Gostou desta unidade? O que você aprendeu? Vamos fazer uma conclusão rápida 
de alguns pontos considerados relevantes. Na primeira seção vimos como os Estados 
Unidos se tornou o país dominante mundialmente e como ele influencia até hoje, alguns 
comportamentos de outros países. 
Vale lembrar aqui, que os Estados Unidos também têm a moeda dominante e isso 
implica em questões cambiais e comerciais dos outros países. Aprendemos que com o cenário 
do pós-guerra mundial e com o fim da guerra fria, houve uma quebra da bipolaridade Rússia e 
Estados Unidos. E EUA se instaurou como a força internacional com capacidade dominante. 
Aprendemos também sobre alguns acordos dos países em desenvolvimento como a ALCA. 
Na segunda seção vimos sobre os conceitos de integração econômica e acordos 
multilaterais e plurilaterais. Além disso, compreendemos que a Comissão Econômica para 
a América Latina (Cepal), foi a inspiração dessa ideia na América Latina. A Cepal conseguiu 
analisar as necessidades dos países em desenvolvimento. Analisamos algumas integrações 
econômicas e acordos considerados importantes no Brasil a partir da década de 90.
Compreendemos sobre o Mercosul, a Conferência das Nações Unidas sobre 
Meio Ambiente e Desenvolvimento, a associação do Brasil com o Protocolo de Quioto, a 
Iniciativa da Infraestrutura Sul-Americana, Organização Mundial do Comércio, sobre os 
BRIC (Brasil., Rússia, Índia e China), entre outros. 
Na seção três foi realizada uma discussão das ameaças, crises e oportunidades 
empresariais da contemporaneidade. Vimos que passamos pela crise financeira em 2008 
com os Estados Unidos que se alastrou para o resto do mundo, deixando sequelas nos 
países em desenvolvimento e agora estamos enfrentando uma crise sanitária e econômica. 
Mais do que nunca, os países precisam estabelecer acordos para que possamos todos 
sair dessa crise. No que tange sobre oportunidades empresariais, os setores ligados à inovação 
se destacam nesse período. É o setor atual que está com maior valuation no mercado.
Na seção quatro, discutimos sobre acordos comerciais e sobre as cadeias de 
valores globais. Aprendemos o conceito, a tipologia e o quanto a cadeia global é importante 
no processo de internacionalização. Vimos que o Brasil se enquadra como tipo 1 na tipologia 
da cadeia globalde valor. Discutimos também sobre os acordos e a postura dos atuais 
governantes do Brasil e como isso, afeta a credibilidade do país e as relações internacionais. 
99UNIDADE IV Brasil e as Relações Internacionais 
MATERIAL COMPLEMENTAR
LIVRO 
Título: História das Relações Internacionais do Brasil
Autor: Francisco Doratioto / Carlos Eduardo Vidigal.
Editora: Saraiva.
Sinopse: Muitos foram os desafios, adversidades, pressões 
internacionais e internas no Brasil. Entre muitas oscilações, 
o país teve uma certa consolidação da sua soberania e uma 
tradição autônoma e universal, sem contar suas peculiaridades e 
complexidade. Para que os leitores possam discutir o que esperar 
das relações internacionais do Brasil para os próximos anos, esta 
obra faz um levantamento histórico de seis momentos considerados 
de maior destaque do País: a Independência do Estado Nacional 
(1822-1845); Soberania, intervencionismo e pragmatismo (1845-
1889); Americanismo, ativismo (1889-1930); o Desenvolvimento, 
latino-americanismo (1930-1961); Autonomia, universalismo e sul-
americanização (1961-1989); e, por fim, O Brasil no mundo com 
internacionalização e globalização (1990-2019). Além disso, essa 
edição traz uma discussão dos governos atuais.
FILME/VÍDEO 
Título: Querido Embaixador
Ano: 2018.
Sinopse: Luiz Martins de Souza Dantas (Norival Rizzo) era 
o embaixador do Brasil na Itália até 1922, quando teve sua 
transferência para Paris. Em Paris o homem vive em um cotidiano 
de luxo, com muito networking e política. Nesse contexto, começa 
a Segunda Guerra Mundial e o embaixador passa a viver em um 
mundo de tomada de decisões que pode tanto fazer mal, quanto 
bem aos brasileiros. (Não recomendado para menores de 16 anos).
100
REFERÊNCIAS
ALMEIDA, Paulo Roberto de. Brasileiros na Guerra Civil Espanhola, 1936-1939: 
combatentes brasileiros na luta contra o fascismo, Revista de Sociologia e Política, 
Curitiba: UFPR (4/12), 35 - 66, 1999.
ALMEIDA, Paulo Roberto de. Política internacional, contexto regional e diplomacia 
brasileira, acompanhada de listagem seletiva da produção acadêmica em relações 
internacionais e em política externa do Brasil, de 1954 a 2014. Academia EDU, 2014.
Disponível emhttps://www.academia.edu/38611415/Pol%C3%ADtica_internacional_
contexto_regional_e_diplomacia_brasileira_acompanhada_de_listagem_seletiva_
da_produ%C3%A7%C3%A3o_acad%C3%AAmica_em_rela%C3%A7%C3%B5es_
internacionais_e_em_pol%C3%ADtica_externa_do_Brasil_de_1954_a_2014. Acesso 
em: 21 set. 2021.
ALMEIDA, Paulo Roberto. As duas últimas décadas do século XX: fim do socialismo e 
a retomada da globalização. In: SARAIVA, José Flávio Sombra. História das Relações 
Internacionais Contemporâneas: das sociedades internacionais do século XIX à era da 
globalização. 2a. revista e atualizada; São Paulo: Saraiva, 2006, p. 253 - 316.
BACON, Francis. Novum organum – Aforismos sobre a interpretação da natureza e o 
reino do homem. São Paulo, Nova Cultural, 1999. pp. 37 - 97.
BECK, Ulrich. O que é Globalização? equívocos do globalismo: respostas à globalização. 
São Paulo: Paz e Terra, 1999.
BOBBIO, Norberto. O conceito de sociedade civil. Rio de Janeiro: Graal, 1982.
BOBBIO, Norberto. Thomas Hobbes. Rio de Janeiro: Campus, 1991.
BRASIL, Constituição Federal. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. 
Brasília, DF: Senador.
CASTRO, Thales. Teoria das relações internacionais. Brasília: FUNAG, 2012.
COLÁS, Alejandro. International civil society. Social movements in world politics. Cambrid-
ge: Polity. 2002.
101
COSTALONGA, Luana Rigotti. O que é globalização – equívocos globalismo e resposta à 
globalização. Conhecimento interativo, São José dos Pinhais, PR. v.12, n.2. p. 52 - 69, jul/
dez. 2018. 
DESCARTES, René. Discurso do Método. São Paulo, Nova Cultural, 1999. 
EXAME. Relações internacionais: 5 pontos para ficar atento. Revista Exame. Fev. 2018. 
Disponível em: https://exame.com/blog/instituto-millenium/relacoes-internacionais-5-pon-
tos-para-voce-ficar-atento/. Acesso em 27 de jul. 2021.
FERRO, Marc. A história vigiada. São Paulo: Martins Fontes, 1989.
FIA. Principais parceiros comerciais do Brasil: países, produtos e acordos. Fundação 
Instituto de Administração. Jan. 2020. 
FONSECA JR, Gelson. O interesse e a regra: ensaios sobre multilateralismo. São Paulo: 
Paz e Terra, 2008
GARCIA, Eugênio Vargas. Entre a América e a Europa: A política externa brasileira na 
década de 20. Brasília: Editora Universidade de Brasília / FUNAG (Fundação Alexandre 
de Gusmão), 2006.
GARCIA, Eugênio Vargas. Cronologia das relações internacionais do Brasil. Rio de Janei-
ro: Contraponto, 2005. 
HEDLEY, Bull. The anarchical society: a study of world politics. London: The Macmillan 
Press, 1977
INSTITUTO MERCADO POPULAR. A ascensão e a queda do PT em 13 gráficos. 2016. 
Disponível em: https://mercadopopular.org/economia/a-ascensao-e-queda-do-pt-em-
-13-graficos/. Acesso em 27 de jul. 2021. 
KENNEDY, Paul M. Preparing for the Twentieth-First Century. New York: Vintage Books, 
1993.
KENNEDY, Paul M. The Rise and Fall of Great Powers: economic change and military 
conflict from 1500 to 2000. New York: Random House, 1987.
102
LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina. Metodologia científica. 3ª. ed. São Paulo, Atlas, 
2000.
LESSA, Antonio Carlos; OLIVEIRA, Henrique Altemani de; GEHRE, Thiago; ARRAES, 
Virgílio. Introdução ao estudo das relações internacionais. São Paulo: Saraiva, 2013. 
LESSA, Mônica Leite; GONÇALVES, da Silva Williams. História das Relações internacio-
nais: teoria e processos / Organizadores, Rio de Janeiro: EdUERJ, 2007. 250 p. – (Cole-
ção Comenius)
MACHADO, J. B. M. Integração produtiva: referencial analítico, experiência europeia e 
lições para o Mercosul. In: ALVAREZ, R.; BAUMANN, R.; WOHLERS, M. (Orgs.). Integra-
ção Produtiva: caminhos para o Mercosul. Brasília: Agência Brasileira de Desenvolvimento 
Industrial, 2010. Série Cadernos da indústria ABDI XVI. Cap. 3, p. 116- 155.
MAGANHINI, Thais Bernardes. Extrafiscalidade ambiental: um instrumento de compatibili-
zação entre o desenvolvimento econômico e o meio ambiente. Marilia: Tese (Mestrado em 
Direito) -Curso de Pós Graduação em Direito, Universidade de Marilia, 2007.
MAGNOLI, Demétrio. Relações internacionais. 2 ed. São Paulo: Saraiva, 2013. Disponível 
em: https://app.saraivadigital.com.br. Acesso em: 27 de jul. 2021.
MARX, Karl. Manuscritos econômico-filosóficos. Lisboa: Edições 70, LDA, 1993.
MONTEOLIVA, Francisco Fernando; VIDIGAL, Carlos Eduardo. OLIVEIRA, Henrique 
Altemani de; LESSA, Antônio Carlos. História das relações internacionais do Brasil. São 
Paulo: Saraiva, 2014. 
MONTEOLIVA, Francisco Fernando; VIDIGAL, Carlos Eduardo; OLIVEIRA, Henrique 
Altemani de; LESSA, Antonio Carlos. História das Relações Internacionais do Brasil. São 
Paulo: Saraiva, 2014. Disponível em: https://app.saraivadigital.com.br. Acesso em 27 de 
jul. 2021.
MOURA, A, M, M. Trajetória da política ambiental federal no Brasil. Instituto de Economia 
Aplicada (IPEA). Rio de Janeiro – RJ. 2016. 
NASCIMENTO, Julio. RIBEIRO, Luana. Atuação do Estado e pesquisa científica em 
tempos de coronacrise. Brasil debate. 2020. Disponível em: https://brasildebate.com.br/
atuacao-do-estado-e-pesquisa-cientifica-em-tempos-de-coronacrise/. Acesso em 27 de jul. 
2021.
103
NICOLSON, Harold. Diplomatie. Lausana: Éditions de la Baconnière, Neuchatel, 1948.
OLIVEIRA, Susan Elizabeth Martins Cesar de. Cadeias globais de valor e os novos 
padrões de comércio internacional: estratégias de inserção de Brasil e Canadá. Brasília: 
FUNAG, 2015. Disponível em: http://funag.gov.br/biblioteca/download/1124Cadeias_glo-
bais_de_valor_e_os_novos_padroes_internacionais.pdf. Acesso em 27 de jul. 2021.
ORGANIZAÇÃO DE COOPERAÇÃO E DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO (OCDE). 
Perspectivas Ambientais da OCDE para 2030. 2008. 
PECEQUILO, Cristina Soreanu. Introdução às Relações Internacionais. Temas, atores e 
visões. Petrópolis: Editora Vozes, 2004.
PINHEIRO, Paulo Sérgio. O conceito de sociedadecivil. Rio de Janeiro, PUC, 1998.
PINO, Ismael Moreno. La diplomacia: aspectos teóricos y prácticos de su ejercicio profe-
sional. México: Fundo de Cultura Econômica, 2001.
RIBEIRO, Luana da Silva. O Marco Legal (CT&I) no Sistema Nacional de Inovação: Uma 
avaliação de indicadores selecionados. Repositório de Dissertações da Universidade 
Estadual Paulista (UNESP). 2019. 
RICHELIEU, Cardeal. Testament Politique. Paris: Robert Laffont, 1947. pp. 20-25.
RODRIGUES, José Honório. Teoria da história do Brasil: introdução metodológica. São 
Paulo: Companhia Editora Nacional, 1978.
RODRIGUES, Thiago Moreira. Relações internacionais. Universidade Federal de Santa 
Catarina (UFSC). Coordenação de aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Brasil). 
2012.
SANTOS, Boaventura de Sousa. A crítica da razão indolente: contra o desperdício da 
experiência. São Paulo: Cortez, 2001.
SENADO FEDERAL DO BRASIL. Rio+20, 2012. Disponível em: https://www.senado.gov.
br/NOTICIAS/JORNAL/EMDISCUSSAO/rio20/a-rio20.aspx. Acesso em 27 de jul. 2021.
104
STURGEON, T. J. Does Manufacturing Still Matter? The Organizational Delinking of 
Production from Innovation. BRIE Working Paper 92B. Cambridge, August, 1997.
THOBIE, Jacques. “Histoire diplomatique”. In: BURGUIÈRE, André (org.). Dictionnaire des 
sciences historiques. Paris: PUF, 1986.
TORRES, F, Ernani Teixeira. Entendo a Crise do Subprime. Visão do Banco Nacional do 
Desenvolvimento. Número 44. jan. 2008.
105
CONCLUSÃO GERAL
Caro (a) aluno (a)
Chegamos ao final da disciplina Relações Internacionais. Ao longo das quatro 
unidades foram debatidos assuntos pertinentes a esse tema. Na Unidade I, o destaque 
foi para Conceituação geral. Na Unidade II, o assunto estudado foram os Destaques 
Internacionais. Na unidade III, o foco principal foi o Globalismo. E para concluir a disciplina 
a Unidade IV trouxe o assunto, o Brasil e as relações internacionais.
Partindo dessas concepções, na Unidade I foi possível compreender a 
ambientação e, para melhor compreensão, fez necessários estudos das origens das 
relações internacionais, pensamento político, fundamento das relações internacionais e 
ainda, a teoria da sociedade civil internacional e funcionamento das relações internacionais. 
Observou-se que as Relações Internacionais, é algo tão antigo quanto à origem da espécie 
humana, pois está relacionada à comunicação entre as pessoas e os países. As relações 
internacionais tiveram início na Grécia antiga, onde os embaixadores eram enviados 
esporadicamente em missões especiais a diferentes cidades-estados, a fim de entregar 
mensagens, intercambiar, ou seja, trocar mensagens e até mesmo oferendas.
Na Unidade II, o estudo foi pautado nos destaques internacionais e para isso, 
estudaram-se os principais marcos mercadológicos, que são importantes para o melhor 
entendimento dos estudos das relações internacionais. Neste tópico, observou-se que os 
métodos têm duplos sentidos: atender ao próprio pesquisador na análise dos conceitos, e 
também, ao público interessado (leitores, em geral), os meios utilizados no desenho dos 
resultados encontrados. 
Por isso, método e conhecimento são aportes de construção para o processo 
científico. Método e ciência trazem complementaridades e necessitam de mútua correlação 
sob a égide de constante verificação ou testes. Após conhecer um pouco mais sobre os 
marcos metodológicos, o estudo passou para a análise da Teoria das Relações Internacionais, 
e para complementar foi apresentado os principais autores e suas correntes clássicas e por 
último as principais correntes e relações brasileiras.
Na unidade III, o estudo foi pautado no Globalismo na era moderna, e soube-se que 
o globalismo é um tema muito amplo, polêmico e com uma gama muito variada de autores, 
defensores e críticas, de forma que existam muitas linhas de pensamento a favor e contra 
essa forma, de se observar a dinâmica da globalização. Para complementar, o debate foi 
apresentado o tópico: O Brasil e as relações internacionais voltadas ao comércio e às 
relações internacionais e meio ambiente; sabendo, que o meio ambiente é um dos assuntos 
mais discutidos nas relações internacionais, pois influenciam as relações comerciais. Por 
isso também, destacaram-se os impactos das relações internacionais e por último, os 
principais acordos internacionais brasileiro. 
Para finalizar na unidade IV, o assunto foi o Brasil e as Relações Internacionais. 
Para isso, o primeiro tópico apresenta temas de análise das relações internacionais 
contemporâneas. Pode-se dizer então, que com o cenário do pós-guerra mundial e com o 
fim da guerra fria, houve uma quebra da bipolaridade Rússia e Estados Unidos. Os Estados 
Unidos se instaurou, como a força internacional com capacidade dominante (político, 
econômico, social ou cultural) até hoje, principalmente com o Brasil (MAGNOLI, 2013). 
No tópico 2 (dois), o estudo mostrou que, com a Integração econômica houve acordos 
multilaterais e acordos regionais/plurilaterais. No Brasil o planejamento não foi de longo 
prazo para acompanhar essa internacionalização e globalização, isso porque as empresas 
brasileiras não estavam conseguindo acompanhar em sintonia, com as transformações 
internacionais, mas foram ocorrendo de forma gradativa. No tópico III, as ameaças e 
oportunidades empresariais foram os assuntos principais e neste contexto, não se pode 
esquecer a crise financeira de 2008, que começou nos EUA, no qual atingiu o mundo 
inteiro. Entretanto, ressalta-se que desde a Década de 1990, o preço dos imóveis nos 
Estados Unidos começaram a subir continuamente, formando a famosa “bolha imobiliária” 
que veio estourar em 2008. 
Diante disso, muitas pessoas começaram a investir no mercado imobiliário em razão 
da valorização. De 2000 até 2008, o dinheiro concedido para crédito imobiliário dobrou, além 
das crises, mudanças de governos, pandemias, etc. São fatores, que também contribuem 
e, que fazem parte de toda história das relações internacionais. O Brasil se encontra em 
uma situação em que os investimentos na área de saúde, tecnologia e inovação, foram 
mínimos, até o momento, o que dificulta ainda mais a obtenção de uma estrutura necessária 
para lidar com a crise, além da contínua preocupação com o corte de gastos em setores 
essenciais, que agora, mais do que nunca, faz falta, como é o caso da área da saúde. Por 
último, no tópico IV o assunto estudado foi os acordos comerciais e as cadeias de valor. 
Neste tópico, estudaram-se os principais fatores que afetam o grau de confiança e 
expectativa nacional, fazendo com que os empresários fiquem receosos em investir e gerar 
empregos, o que implica em um atraso na retomada econômica.
Dentro de uma reflexão sobre a situação política, econômica e social do Brasil, 
atualmente, é interessante ir de encontro com um pensamento de equidade e entender o quanto 
às relações internacionais e os acordos comerciais são relevantes, principalmente agora em 
momentos de pandemia, no qual precisamos de outros países para produzir uma vacina.
Portanto, caro (a) acadêmico, finalizo aqui nossa disciplina de Relações 
Internacionais e desejo ainda, que você continue estudando sobre este tão valioso assunto, 
siga nossas dicas e referências bibliográficas sugeridas em cada unidade.
Desejo a você, caro (a) aluno (a), muito sucesso em sua formação acadêmica e 
profissional!
Até breve!
+55 (44) 3045 9898
Rua Getúlio Vargas, 333 - Centro
CEP 87.702-200 - Paranavaí - PR
www.unifatecie.edu.br
	UNIDADE I
	Conceituação Geral 
	e Ambientação
	UNIDADE II
	Destaques Internacionais
	UNIDADE III
	Globalismo
	UNIDADE IV
	Brasil e as Relações
	 Internacionais

Mais conteúdos dessa disciplina