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Relações Internacionais Professora Esp. Margarete Campos Vieira Reitor Prof. Ms. Gilmar de Oliveira Diretor de Ensino Prof. Ms. Daniel de Lima Diretor Financeiro Prof. Eduardo Luiz Campano Santini Diretor Administrativo Prof. Ms. Renato Valença Correia Secretário Acadêmico Tiago Pereira da Silva Coord. de Ensino, Pesquisa e Extensão - CONPEX Prof. Dr. Hudson Sérgio de Souza Coordenação Adjunta de Ensino Profa. Dra. Nelma Sgarbosa Roman de Araújo Coordenação Adjunta de Pesquisa Prof. Dr. Flávio Ricardo Guilherme Coordenação Adjunta de Extensão Prof. Esp. Heider Jeferson Gonçalves Coordenador NEAD - Núcleo de Educação à Distância Prof. Me. Jorge Luiz Garcia Van Dal Web Designer Thiago Azenha Revisão Textual Beatriz Longen Rohling Caroline da Silva Marques Carolayne Beatriz da Silva Cavalcante Geovane Vinícius da Broi Maciel Jéssica Eugênio Azevedo Kauê Berto Projeto Gráfico, Design e Diagramação André Dudatt Carlos Firmino de Oliveira 2022 by Editora Edufatecie Copyright do Texto C 2022 Os autores Copyright C Edição 2022 Editora Edufatecie O conteúdo dos artigos e seus dados em sua forma, correçao e confiabilidade são de responsabilidade exclusiva dos autores e não representam necessariamente a posição oficial da Editora Edufatecie. Per- mitido o download da obra e o compartilhamento desde que sejam atribuídos créditos aos autores, mas sem a possibilidade de alterá-la de nenhuma forma ou utilizá-la para fins comerciais. Dados Internacionais de Catalogação na Publicação - CIP V658r Vieira, Margarete Campos Relações internacionais / Margarete Campos Vieira. Paranavaí: EduFatecie, 2022. 104 p. : il. Color. 1. Secretários – Relações internacionais. I. Centro Universitário Unifatecie. II. Núcleo de Educação a Distância. III. Título. CDD: 23. ed. 651.374 Catalogação na publicação: Zineide Pereira dos Santos – CRB 9/1577 UNIFATECIE Unidade 1 Rua Getúlio Vargas, 333 Centro, Paranavaí, PR (44) 3045-9898 UNIFATECIE Unidade 2 Rua Cândido Bertier Fortes, 2178, Centro, Paranavaí, PR (44) 3045-9898 UNIFATECIE Unidade 3 Rodovia BR - 376, KM 102, nº 1000 - Chácara Jaraguá , Paranavaí, PR (44) 3045-9898 www.unifatecie.edu.br/site As imagens utilizadas neste livro foram obtidas a partir do site Shutterstock. AUTORA Professora Esp. Margarete Campos Vieira ● Mestranda em Teoria Econômica pela Universidade Estadual de Maringá (UEM 2020/ 2021) ● Pós Graduação em Tecnologias aplicadas ao EAD ● Graduada em Ciências Econômicas pela Universidade Estadual de Maringá ● Pós graduação em Gestão Empresarial com Ênfase em Consultoria e Instrutoria - Unicesumar, ● Pós Graduada em Engenharia de Produção (Incompleta) Unicesumar. ● Pós Graduação em Docência do Ensino Superior (Unicesumar) Atuo com Consultoria Empresarial desde 2008 e, com implantação e treinamentos em Gestão de Processos, mapeamento e melhoria de processos, Engenharia de Processos, Engenharia de produtos, PPCP (Planejamento, Programação e Controle da Produção), Logísticas e Gestão da Cadeia de Suprimentos, etc. Docente na UNIFCV (Centro Universitário Cidade Verde Maringá 2016 até o momento) ministrando disciplinas de: Sistema de Informação Gerencial, Administração e Estratégia de Marketing, Empreendedorismo, Diagnóstico Organizacional, Mercado de Capitais, História Econômica Geral, Logística e Cadeia de Suprimentos e Planejamento Programação e Controle de Produção, Gestão da Qualidade, Logística Internacional etc. Áreas de interesse: Organização Industrial e Estudos Industriais, economia brasileira, economia internacional, economia monetária, indústria de transformação, desenvolvimento econômico e inovação tecnológica. Macroeconomia e Microeconomia, mercado de capitais, gestão de processos industriais, qualidade e produtividade. CURRÍCULO LATTES: http://lattes.cnpq.br/4612802492948047 http://lattes.cnpq.br/4612802492948047 APRESENTAÇÃO DO MATERIAL Seja muito bem-vindo(a)! Prezado (a) aluno (a), se você se interessou pelo assunto desta disciplina, isso já é o início de uma grande jornada que vamos trilhar juntos a partir de agora. Proponho, junto com você, construir nosso conhecimento sobre os conceitos fundamentais da disciplina Relações Internacionais. Além de conhecer seus principais conceitos e definições, vamos explorar as mais diversas áreas de conhecimento e atuações das Relações Internacionais. Na unidade I conheceremos a conceituação geral e ambientação e com isso conhecer as origens das relações internacionais, pensamento político e o fundamento das relações internacionais. Vamos conhecer também a teoria da sociedade civil internacional e o funcionamento das relações internacionais. Já na unidade II ampliaremos nossos conhecimentos e você irá saber mais sobre os destaques internacionais. Além destes destaques você conhecerá ainda os principais marcos metodológicos, análise da Teoria das Relações Internacionais, bem como, os principais autores e suas correntes clássicas e as principais correntes e relações brasileiras. Na sequência na unidade III falaremos a respeito do GLOBALISMO. Nesta unidade destacamos o Brasil e as relações internacionais voltadas ao comércio, e também às relações internacionais e meio ambiente. Sendo assim, falaremos sobre os impactos das relações internacionais e os principais acordos internacionais brasileiro. E por último nesta unidade, trataremos do globalismo na era moderna. Na unidade IV, entenderemos o conteúdo dessa disciplina com o assunto Brasil e as relações internacionais e trazer temas de análise das relações internacionais contemporâneas, integração econômica: acordos multilaterais e acordos regionais/ plurilaterais.E para finalizar esta unidade vamos entender as ameaças e oportunidades empresariais e acordos comerciais e as cadeias globais de valor. Aproveito para reforçar o convite a você, para junto conosco percorrer esta jornada de conhecimento e multiplicar os conhecimentos sobre tantos assuntos abordados em nosso material. Esperamos contribuir para seu crescimento pessoal e profissional. Muito obrigado e bom estudo! SUMÁRIO UNIDADE I ...................................................................................................... 3 Conceituação Geral e Ambientação UNIDADE II ................................................................................................... 24 Destaques Internacionais UNIDADE III .................................................................................................. 51 Globalismo UNIDADE IV .................................................................................................. 78 Brasil e as Relações Internacionais 3 Plano de Estudo: ● Origem das relações internacionais; ● Pensamento político e o fundamento das relações internacionais; ● A teoria da sociedade civil internacional; ● Funcionamento das relações internacionais. Objetivos da Aprendizagem: ● Conceituar e contextualizar a operação hoteleira e sua inserção na cadeia produtiva do Turismo; ● Definir Meio de Hospedagem (MH) e suas tipologias; ● Apresentar o Sistema de Classificação para empreendimentos hoteleiros vigente no Brasil; ● Estabelecer a importância do conhecimento de operação hoteleira para o profissional e demais áreas pertinentes à sua trajetória profissional. UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação Professora Esp. Margarete Campos Vieira 4UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação INTRODUÇÃO Caro (a) aluno Você deve ter ouvido falar bastante sobre Relações Internacionais (RI) e a partir de agora, você entenderá melhor como as RI iniciaram, Para isso, vou resgatar um pouco da história para adentrar e chegar ao objetivo principal. Vou começar então, falando das últimas décadas do séculoXX marcadas pela intensificação das relações entre os povos, de uma maneira como nunca havia ocorrido anteriormente. Você observa que cada vez mais as distâncias ficam menores? Ou seja, você observa que a globalização trouxe e traz constantemente informações rápidas vindas de todo mundo e com isso, tempo e espaço perdem o significado que tinham para nossos pais e avós, e as pessoas de diferentes locais do globo tomam consciência de que “a menor distância entre dois pontos é uma tecla”. Porém, o século XXI chega trazendo também grandes conquistas: a velocidade do fluxo de informação está cada vez maior no mundo, em constante processo de internacionalização, que está integrado física e eletronicamente; é como tomar café em Londres e almoçar em Washington; as fronteiras perdem sua importância; o sistema internacional vê-se cada vez mais integrado; a tecnologia alcança milhões de pessoas, e não há limite ao conhecimento humano. O último século do segundo milênio presenciou uma evolução tecnológica e desenvolvimento industrial. Neste primeiro e-book, você irá viajar comigo para a história das relações internacionais, conhecer um pouco mais sobre como surgiram e os principais motivos desse surgimento. Sendo assim, vou apresentar a você, a origem das relações internacionais, em seguida o pensamento político e o fundamento das relações internacionais, além disso, apresento a teoria da sociedade civil internacional e finalizando, como é o funcionamento das relações internacionais. No final deste conteúdo, apresento a você algumas indicações de leituras e sites que poderá encontrar muitas outras informações sobre as relações internacionais. Convido você para iniciar nossa viagem pelas origens e história das relações inter- nacionais. 5UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação 1. ORIGEM DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS Caro acadêmico (a), você já parou para pensar como surgiram as relações internacionais? De acordo com a literatura da História de Relações Internacionais, tudo se iniciou na Grécia antiga, isso porque: (...) os embaixadores eram enviados esporadicamente em missões especiais a diferentes cidades-estados, a fim de entregar mensagens, intercambiar, ou seja, trocar mensagens e até mesmo oferendas. Sendo assim, estas ações encontram-se na origem da diplomacia. Mas, desde aquele tempo, o diplomata criava uma entidade política de acordo com seu perfil, diferenciando entre público e privado (MAGNOLI, 2013, p. 17). Com essa contextualização, os diplomatas italianos, lançaram as bases modernas e diplomáticas criando condições de anarquias prevalecentes no sistema das cidades-estados e com isso, traz sentido de falta de credibilidade das unidades políticas em razão, de que formaram o terreno histórico tanto para as guerras de conquistas territoriais quanto para práticas, comportamentos e políticas diplomáticas que estão presentes até o dia de hoje. Deste modo, foi se consolidando o uso dos embaixadores permanentes constituindo- se chancelarias estáveis, garantindo práticas diplomáticas e os acessos de privilégios e informações completas, estabelecendo assim o conceito das missões estrangeiras. A partir da época do tratado de Westfália1 , a Europa setecentista determinou a missão diplomática em defesa do interesse nacional com a missão do diplomata. 1Tratados de Westfália chamada Paz de Vestfália (ou de Vestefália, ou ainda Westfália), também conhecida como os Tratados de Münster e Osnabruque (ambas as cidades atualmente na Alemanha), designa uma série de tratados que encerraram a Guerra dos Trinta Anos e também reconheceram oficialmente as Províncias Unidas e a Confederação Suíça, O Tratado Hispano-Neerlandês, que pôs fim à Guerra dos Oitenta Anos, foi assinado no dia 30 de janeiro de 1648 (em Münster). Já o tratado de Vestfália, assinado em 24 de outubro de 1648, em Osnabruque, entre Fernando III, Imperador Romano-Germânico, os demais príncipes alemães, França e Suécia, pôs fim ao conflito entre estas duas últimas potências e o Sacro Império. O Tratado dos Pirenéus (1659), que encerrou a guerra entre França e Espanha, também costuma ser considerado parte da Paz de Vestfália. A Paz de Westfália estabeleceu os princípios que caracterizam o estado moderno, destacando-se a soberania, a igualdade jurídica entre os estados, a territorialidade e a não intervenção. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Paz_de_Vestf%C3%A1lia. Acesso em: 27 de jul. 2021. 6UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação Com isso, a presença dos diplomatas estrangeiros nas capitais tornou-se um sinal de existência de uma sociedade de Estados que tem como principal característica as regras que constituem as estratégias nacionais. Portanto, o diplomata possui a representatividade de interesse de um Estado particular e peculiar, a diplomacia tem o símbolo da consciência geral de que há uma sociedade internacionalizada. Neste contexto, Hedley Bull apresentou a relevância e a permanência dos antigos símbolos da diplomacia Europeia no cenário atual. De acordo com Hedley bull, (1977, p. 183) verifica-se que atualmente a globalização levou aos Estados mais numerosos, mais divididos e assim, existe um ato simbólico com uma metodologia diplomática, que se destaca nas interações e também para uma aceitação universal entre as nações. Além da função que simboliza a diplomacia, Bull (1977) identificou outras quatro funções endógenas do sistema internacional. A característica principal da primeira função objetiva é facilitar a comunicação entre os líderes políticos entre os Estados. A essa função de mensageiro realizada pelos diplomatas, associa-se ao privilégio de imunidade e o direito de trânsito. Os Estados, geralmente, são olhados como uma sociedade internacional e não podem prejudicar as estratégias dos responsáveis pelo fluxo de mensagens. As negociações e acordos entre os Estados associados consistem, na principal característica que simboliza a diplomacia internacional. Esse papel de mediação tem como base o interesse dos representantes políticos de uma nação. A segunda das funções apresentadas por Bull (1977) é nomeada de mediação e persuasão, podendo ser vista como uma diferença entre a política externa em tempos normais, ou seja, em tempos considerados com estabilidade econômica, social e a política externa em tempos de crise, no qual o comportamento da mediação é voltado para estabilização. A terceira função entra com o papel da atividade de inteligência das unidades políticas, isto é, ao mesmo tempo em que se tem acesso a informações essenciais sobre os Estados, o diplomata precisa preservar a incerteza sobre as informações, não deixando certezas à tona. É importante reforçar caro aluno (a), que a dimensão de inteligência da diplomacia tem aceitação universal, pelo menos, enquanto as fronteiras que a desconectam da espionagem permanecem compreensíveis em razão de que, nem sempre essa fronteira é clara e, assim, acontecem cenas de expulsão de diplomata por acusação de espionagem. Como quarta e última função colocada por Bull (1977), a diplomacia tem por objetivo minimizar as fricções no relacionamento entre Estados. 2HEDLEY, Bull. The anarchical society: a study of world politics. London: The Macmillan Press, 1977, p. 183. 7UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação Essa função de comunicação está ligada à utilização de integrações diplomáticas, que são instrumentos para estabelecimento de uma linguagem considerada mais popular, que esclarece regras no qual reduz o campo do exercício da vaidade das nações. Portanto, caro aluno (a), é importante salientar que na antiga Grécia, os Estados cultivavam relações econômicas e comerciais entre si em um alto grau, isso porque as Cidades-Estados tinham relações pacíficas entre si, porém, ao mesmo tempo, estavam em busca de poder e de posse de bens. É relevante rever o passado para o estudo das Relações Internacionais, pois a maiorparte dos eventos a estudar que são: estado, Balance of Power e Nação, se destacam no sistema internacional em toda a trajetória histórica. 8UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação 2. PENSAMENTO POLÍTICO E O FUNDAMENTO DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS No tópico 1 (um), você conheceu um breve resumo da história das Relações Internacionais, você conhecerá o pensamento político e os fundamentos das relações internacionais. Por esse motivo caro aluno (a), inicio este tópico apresentando o pensamento contratualista, essa escola de pensamento se destaca por ser teoria política e filosófica, com a ideia de que existe um pacto ou contrato social, que tira o ser humano de seu estado de natureza e este, é inserido com interação com outros seres humanos em sociedade. Isso pode acontecer por uma linha liberal (Locke) ou realista (Hobbes). Essas duas linhas de pensamento são relevantes, por fornecer os fundamentos do pensamento político moderno e por exercer forte influxo sobre a teoria das Relações Internacionais. Partindo do panorama de que as Relações Internacionais apresentam dois eixos fundamentais, que são: realismo e liberalismo. Vamos analisar ambos a seguir, dentro das correntes de pensamento por ordem cronológica. Sendo assim, o realismo político segue a seguinte linha cronológica de desenvolvimento: ● Tucídides: concepção de equilíbrio de poder; ● Maquiavel: apresentação da moral política, razão de Estado e de governo. É considerado o pai da ciência política moderna; ● Hobbes: mostra o estatocentrismo (analisar o mundo pelo panorama e visão do povo) e sistema de estados anárquico; ● Carr: mostra uma crítica ao idealismo (tudo sendo um modelo ideal); 9UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação ● Morgenthau: apresentou aspectos do realismo, e além de tudo, analisou pressupostos do interesse nacional com aspectos de poder. ● Waltz: mostrou-se o neorealismo (por uma análise sistêmica). A partir destes pensamentos, a filosofia política apresentada por Maquiavel e Hobbes, foram os pensamentos base do realismo político nas relações internacionais, além do que, os princípios organizados teoricamente por Morgenthau e revisados por Waltz, vieram com a visão cuja lógica é a do conflito e poder e os pressupostos serão apresentados a seguir: ● Natureza humana é má; ● Centralidade do Estado cujo interesse é a sobrevivência e maximização de ganhos; ● O foco das relações internacionais é a busca do equilíbrio de poder; ● O Sistema internacional é analisado como anárquico, onde guerra e conflitos são latentes. A corrente liberal, por outro lado, pode ser esquematizada cronologicamente da seguinte forma: ● Locke apresenta o homem em estado de natureza bom; ● Montesquieu realiza uma importante divisão dos poderes e inclui princípios a organização do Estado, ou seja, executivo, legislativo e judiciário; ● Jeremy Bentham parte com análises e teorias do direito internacional; ● John Stuart Mill parte com fundamentos do liberalismo econômico e do livre comércio; ● Immanuel Kant, diante do iluminismo da época vem com o ideal federativo republicano; ● Woodrow Wilson criou um projeto político em relações internacionais, a partir de pensamentos da corte liberal-idealista da época; ● Keohane e Nye surgem com pensamentos do neoliberalismo e complementa com a teoria da interdependência complexa. Por isso, segundo Pecequilo (2004), os pressupostos gerais dessa corrente, seriam: ● Natureza humana é boa (o homem é pacífico e tende à cooperação); ● O sistema internacional é anárquico, mas regulado por leis e propenso à cooperação e comércio; ● Interdependência econômica, disseminação das democracias e instituições internacionais como fatores que geram a cooperação no meio internacional; ● Filosofia da paz e do progresso; ● Percepção de que a complexificação do sistema internacional faz com que, além dos Estados, as forças transnacionais e as organizações internacionais exerçam influência no sistema internacional (PECEQUILO, 2004, p. 115 - 156). Diante desses aspectos, percebe-se a preocupação com o fenômeno da guerra e a busca da paz, é a temática que deu origem ao estudo das relações internacionais. 10UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação Desta forma, é uma área com uma linha de estudos que introduziu uma diversidade de tratados e reflexões filosóficas sobre o tema. Conforme Fonseca (2008), a percepção de Waltz está baseada no âmbito realista que objetiva ligar críticas ao institucionalismo liberal (nas décadas 1970 - 1980), cujo pilar político filosófico é, de um lado, o liberalismo (Locke, Adam Smith) e, de outro, o institucionalismo em relações internacionais, presente em Kant (importante pensador iluminista), no Abade de Saint-Pierre e o projeto da “paz perpétua” por meio de uma confederação de repúblicas. Diante dessa linha de pensamento, Waltz vai até Rousseau, já que este ligou considerações sobre o campo das relações internacionais por meio de sua leitura das apresentações de Saint-Pierre, considerado crítico ao liberalismo econômico. Compreendemos então que: “A possibilidade de guerra é, então, inerente a um sistema de soberanos”, havendo uma “dimensão sistêmica na explicação da origem das guerras”, é que Rousseau desacredita na viabilidade da proposta de “transformar, pela razão, o que foi iniciado pela fortuna, criando-se um ‘corpo político’ com as características de uma confederação de Estados”, pois, para Rousseau, “o importante é mostrar que o caminho possível para a paz perpétua deveria ser necessariamente levar em conta as relações de poder”. Trata-se de um realismo rousseauniano, que “anuncia uma compreensão estrutural do fenômeno da guerra: os Estado entram em conflito não porque sejam compostos de homens naturalmente agressivos, mas porque, ao serem formados, tornam-se agressivos para se preservar como Estados (FONSECA 2008, p. 316). Na visão de Fonseca (2008), a opção por Maquiavel, Hobbes, Rousseau, Locke e Kant, demonstra, que a diversidade de abordagens a qual se refere às relações internacionais ao se apoiar em distintas matrizes, da filosofia política. Assim, existe uma heterogeneidade epistemológica como elemento chave da área de estudos, já que um mesmo fenômeno (seja a guerra/conflito ou a paz/cooperação) pode ser analisado e visto de formas diversas, do ponto de vista teórico metodológico escolhido para destrinchar o tema. 11UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação 3. A TEORIA DA SOCIEDADE CIVIL INTERNACIONAL Caro aluno (a) até aqui, eu e você já conhecemos um bom começo sobre o assunto, Relações Internacionais, mas ainda há muitas informações e conhecimentos interessantes que irei tratar com você. Neste tópico, vou falar com você sobre a teoria da sociedade civil internacional. Segundo os estudos pesquisados por Pinheiro (1998), descreve-se que a sociedade civil, é o assunto mais estudado da teoria política clássica e também usado com frequência no discurso social/político atual. Porém, há uma diversidade de classificações feitas por autores diferentes, desde o período medieval por meio da tradução da Política de Aristóteles, a conceitualização tem sido revisada por muitos filósofos políticos ocidentais significativos, passando por Hobbes, Locke, Rousseau, Ferguson, Smith, Kant, Hegel, Marx, Gramsci e, contemporaneamente, Arato & Cohen. Por meio de uma perspectiva histórica, a conceitualização da sociedade civil, para Hobbes, Locke, Rousseau e Ferguson, por exemplo, era sinal de Estado. Ao contrário do “estado de natureza” que é visto, sob três linhas diferentes em relação à sociedade civil: 1) Família jusnaturalista; 2) Família ligada a Hegel; 3) Família ligada ao associativismo. 12UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação Segundo Pinheiro (1998), o conceito de sociedade civil tinha uma ligação com o Estado, isso porque era visto como uma comunidade política com raízes nos princípios da cidadania. E atéo século XVIII, o foco dos autores como: Hobbes, Locke, Rousseau, Ferguson, Smith, Montesquieu e Hume, eram de estudar detalhadamente os caminhos da sociedade, para ressaltar o Estado de natureza e representar de maneira formal o governo com bases da lei, isto é, em uma sociedade civil. Diante dessa contextualização, o termo sociedade civil coloca um novo estágio na evolução do governo e da civilidade humana: “a ideia de um estágio pré-estatal da humanidade, inspira-se não tanto na antítese sociedade/Estado quanto na antítese natureza/ civilização” (BOBBIO, 1987, p. 27). Na apresentação de Pinheiro (1998), o primeiro filósofo político moderno a expor a questão das origens da sociedade de uma forma detalhada e profunda, foi Thomas Hobbes. Mas, outros autores nesta mesma linha da literatura, colocam o termo sociedade civis das ligações com o termo civilidade. Diante disso, vamos analisar nas palavras de Kaldor (2003), o conceito de civilidade: (...) respeito pela autonomia individual, baseada na segurança e na confiança entre as pessoas (...). (Civilidade) requer regularidade de comportamento, regras de conduta, respeito pela lei e controle da violência. Por isso, uma sociedade civil era sinônimo de sociedade cortês, uma sociedade, nas quais estranhos agem de uma maneira civilizada com relação aos outros, tratando cada um com respeito mútuo, tolerância e confiança, uma sociedade na qual o debate racional e a discussão se tornam possíveis (KALDOR, 2003, p. 17). Com essa autonomia individual apresentada por Kaldor (2003), pode-se identificar em Bobbio (1991), o processo de racionalização do Estado na teoria política moderna, que contém uma visão de modelo dicotômico que coloca o Estado com pontos positivos e negativos à sociedade pré-estatal ou anti-estatal. Desta maneira, conforme Pinheiro (1998), diante dessa vasta literatura, tem-se destaque do papel da propriedade privada no desenvolvimento de uma sociedade civil. Rousseau afirma, que “o primeiro homem que, tendo cercado um pedaço de terra, “(...) dizendo ‘isto é meu’ e encontrando pessoas simples o bastante para acreditar nele, foi o fundador real da sociedade civil” (ROUSSEAU apud COLÁS, 2002, p. 32). Locke, por sua vez, mostra que a sociedade civil está marcada por dualidades, com relação ao lugar da propriedade privada na gênese e no desenvolvimento da sociedade civil. Em Pinheiro (1998), estas distinções levaram a ver Locke como um teórico político do “individualismo possessivo”. Isso porque, o relacionamento de Locke com a propriedade privada, se direciona por outro caminho, o capitalismo agrário, transformações estas, que se encontram expressas em seu pensamento. 13UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação Sendo assim, caro acadêmico (a), vale à pena destacar que foi precisamente esta transformação social, que surgiu a identificação da sociedade civil com uma categoria analítica da economia nas décadas seguintes. Ainda na visão de Pinheiro (1998), por volta do final do século XVIII, a associação da sociedade civil juntamente com a sociedade capitalista de mercado, foi ligada pela emergência da economia política. Através dos escritos de Adam Ferguson, Adam Smith e Karl Marx, é possível identificar a sociedade civil diretamente relacionada com a divisão do trabalho à produção em massa das commodities e uma continuidade das conexões de propriedade privada, caracterizadas pelo capitalismo moderno. Pinheiro (1998) ainda coloca, que em relação à abordagem da ideia de sociedade civil pelo Iluminismo Escocês, os pensadores Ferguson e Smith, por exemplo, tem muita ligação com conceitos como história, civilidade e sociedade. Mediante a isso, destaca-se que a convicção destes autores na visão de sociabilidade, acaba mostrando algo novo que não representa uma negação total da fase anterior. “Foi Locke, o primeiro a introduzir a noção de propriedade privada como uma condição para a sociedade civil” (KALDOR, 2003, p. 18). Com isso, Pinheiro (1998) coloca que Montesquieu diz que o homem nasce da sociedade. Deste modo, a questão então deixa de ser a sociabilidade e passa a levar a um entendimento profundo do porquê, e como as sociedades possuem distinções no tempo e no espaço. A resposta para esse questionamento no decorrer da história e diante de uma vasta literatura nos leva a ver que é um progresso da humanidade, que ocorre em variados momentos, com uma diversidade de cultura e costumes e isso leva a uma diferenciação das formas prévias de sociedade no que tange sociedade civil moderna, ou seja, para explicar a sociedade presente, fazia-se necessário examinar sua evolução e trajetória incluindo assim, dinâmica específica à história, percebe-se que há uma complexidade histórica para ser analisada e que cada região terá sua peculiaridade. Para Pinheiro (1998), o que leva a mudança e dinâmica histórica seria a propriedade, isto porque a propriedade é o elemento-chave para a distinção das nações (riqueza, terras, crescimento, etc.). Em resumo caro acadêmico (a), é por meio do modo de subsistência analisado no âmbito da propriedade privada, da divisão do trabalho e da troca de commodities, que as pessoas, os agentes, passariam a viver em uma sociedade civil. 14UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação Percebe-se, assim, que os autores do Iluminismo Escocês colocam a sociedade civil como a sociedade de mercado capitalista. Para estes autores, a divisão do trabalho e a extensão do comércio levam a estabilidade, riqueza e prosperidade das nações, e essas são características fundamentais da sociedade civil, isto é, o Iluminismo Escocês possui uma representatividade sobre as transformações do entendimento político e econômico da sociedade civil. Pinheiro (1998) ainda afirma que a sociedade civil era constituída por associações, comunidades e corporações, que teriam um objetivo social considerado primordial na relação entre os indivíduos e o Estado. Com isso, o ângulo diferente da sociedade civil, algumas vezes está subordinado ao interesse universal do Estado e sua racionalidade. Assim, a sociedade civil é reconhecida como tendo uma relevante função dentro do projeto de uma Vida Ética. Ainda no que diz respeito à sociedade civil, para Pinheiro (1998), a sociedade civil funcionava como um espaço real de interação social e econômica entre indivíduos. Era instruído por três aspectos: 1. Um “sistema de necessidades”, ou seja, um sistema econômico; 2. Uma “administração da justiça”, que leva uma ideia do liberalismo, isto é, da liberdade individual; 3. E “a política e corporação”, que conduz esse sistema de necessidades e a administração da justiça. Portanto caro aluno (a) observa-se aqui, que o conceito de “sistema de necessidades” surgiu com os economistas escoceses. Desta forma, o pensamento hegeliano conduz que a sociedade civil é habitada por indivíduos donos de direitos, se remete à formulação lockeana. Assim, a apresentação de uma sociedade civil como produto de uma época histórica distinta e dinâmica, é exposta pelos iluministas. Portanto, os elementos que associam a sociedade civil têm caminhos representativos e éticos de interação entre os indivíduos em uma comunidade ampla, no qual os indivíduos são educados nas virtudes da vida civilizada. Por isso, é possível identificar duas inovações na teoria da sociedade civil de Hegel, analisando esses outros caminhos teóricos: 1. O reconhecimento da importância das associações, independentes como componentes fundamentais da sociedade civil, que desempenham o papel de mediadoras entre os indivíduos e o Estado – ou seja, em Hegel “a sociedade civil constitui o momento intermediário entre a família e o Estado (...)” (BOBBIO, 1991, p. 30). 2. Devido à importância que dá às dimensões comunais da existência humana, o conceito hegeliano de sociedade civil, reconhece a centralidade dos indivíduos conscientes e reflexivos na construçãoda sociedade civil moderna (COLÁS, 2002, p. 32). 15UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação Como inovação teórica e conceitual, observa-se também uma inovação em relação com os teóricos anteriores, na medida em que Hegel chama de sociedade civil aquela, que seria a sociedade pré-política, isto é, existe uma fase da sociedade humana, que era até então nomeada de sociedade natural (BOBBIO, 1991). Em relação, à contribuição de Karl Marx, Pinheiro (1998) coloca a ideia de sociedade civil como uma resposta à Hegel e por outro lado de uma visão, de certa forma influenciada pelos teóricos políticos do Iluminismo Escocês. Isto porque existe uma associação desta, com a esfera de produção e pela discussão do aspecto histórico como ponto chave da modernidade. Marx faz uma definição de sociedade civil como luta de classes. Ou seja, como um “sistema de necessidades”, para Marx (1993, p. 53) “a sociedade civil é composta por massas separadas, formada por uma organização, sendo estas massas produtivas, burguesia e o proletariado”. Ainda na visão de Pinheiro (1998), a sociedade civil representa o desenvolvimento das relações econômicas que leva a determinação do momento político. Desta maneira, o Estado entra na visão do autor como uma ordem política, sendo um elemento dependente, e a sociedade civil, se classifica para ele como o reino das relações econômicas, ou melhor, o elemento dominante. Neste ponto é possível encontrarmos uma semelhança, que nos leva a emergência da sociedade civil. Esse ponto está na separação do âmbito privado da produção e da troca da esfera pública do Estado político. 16UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação 4. FUNCIONAMENTO DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS Sobre os funcionamentos das relações internacionais, Magnoli (2013) afirma que as teorias políticas clássicas, são adequadas para levar a um entendimento claro desse assunto, isso porque, concentram seu interesse nas relações internas aos Estados, entre o governante e a sociedade de maneira ampla. O estudo do funcionamento das relações internacionais, ou melhor, das relações estabelecidas entre os Estados, é atual e começou a se destacar no século XX. A preocupação com o sistema internacional de Estados foi incentivada, pela constituição progressiva de uma economia integrada, de âmbito mundial. As mudanças na produção e dos transportes de mercadorias típicas dos séculos XVIII e XIX eram chamadas de Revolução Industrial e nesse momento, surgiram novos estudos buscando entender o funcionamento das relações internacionais de maneira mais ativa. A própria análise do Estado foi cada vez mais influenciada para o entendimento do funcionamento das relações e do comércio internacional, isso porque era extremamente importante para evolução da nação, ou seja, pelo estudo do papel desempenhado por cada Estado no sistema geral e de suas peculiaridades, era possível desenvolver um funcionamento mais adequado. O vasto campo de estudo das relações internacionais não é definido de forma consensual. Uma diversidade de autores encara de modo distinto, o funcionamento das relações internacionais. Diante da vasta literatura, é possível detectar três tradições totalmente diferentes das teorias sobre as relações internacionais e seu funcionamento. 17UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação A primeira dessas tradições gerou a chamada, escola idealista, que veio do pensamento iluminista, apresentando a comunidade de normas, regras e ideias que tem como base, o sistema de Estados. Sua origem e pilar é a noção do direito natural que, aplicada ao sistema internacional, implica o conceito de justiça como dominante das relações entre os Estados. Para Magnoli (2013), no pensamento idealista, o uso eventual da força pelos Estados, encontra um argumento apenas quando orientado pelo desígnio da eliminação da força do interior do sistema, resguardando a justiça internacional das agressões de agentes, que não partilham as mesmas regras consensuais. Mediante a isso, a visão rousseauniana do contrato social, aparece com um contexto peculiar. Os Estados formam uma “comunidade internacional”, sobre um “contrato moral” que tem base na noção de justiça. Essa tradição filosófica foi uma resposta e também, reação moral aos horrores da Primeira Guerra Mundial (1914 - 1918). As doutrinas e políticas formuladas nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha no final da guerra e no entreguerras, apresentam repúdio às práticas estabelecidas da “política da força” e mostram a vontade de submissão das relações entre os Estados, ao império da legislação. A escola idealista tem ligação com a ideia iluminista, isso porque possui um caminho de possibilidade de uma sociedade perfeita. Essa meta moral, nos leva ao caráter considerado reformista dos autores idealistas, que possuem a visão da adaptação do sistema internacional às exigências do direito e da justiça. Um exemplo seria o “Catorze Pontos”, do presidente americano Woodrow Wilson. A segunda tradição informa a escola realista. Sua ênfase, não entra em uma comunidade ideológica do sistema internacional, mas em seu âmbito conflitivo. As raízes dessas correntes de pensamentos encontram-se, em Maquiavel e Hobbes. Maquiavel colocou a relevância e primordialidade da força na prática política, que não está limitada por constrangimentos morais e conferiu uma legitimação aos interesses do soberano. Em sua linha de raciocínio, os fins selecionam e condicionam os meios. Hobbes, como Maquiavel, possui um lado de pessimismo em relação à natureza humana. Seus comentários sobre o sistema internacional possuem um caminho paralelo, entre as ligações estabelecidas pelos Estados e as conexões estabelecidas pelos indivíduos, na ausência de Leviatã. Com esse olhar, a escola realista coloca uma visão da ausência de um poder soberano e imperativo, para um bom funcionamento das relações internacionais. Magnoli (2013) coloca que as doutrinas realistas, formam a mais complexa tradição de política externa, desde que se ajustou o moderno sistema de Estados. 18UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação Deste modo, no plano acadêmico, a escola realista possui em seu desenvolvimento de pensamento, como reação aos fracassos da “política do apaziguamento”, que foi conduzida na Europa do entreguerras. Hans Morgenthau, autor de Politics Among Nations, foi o fundador do pensamento realista contemporâneo e apresentou a meta moral da reforma do sistema internacional, pela análise das condições objetivas, que mostram o comportamento dos Estados, os pensadores realistas deixaram como base em sua argumentação, ideias da anarquia inerente ao processo sistêmico, que tende ao equilíbrio de poder indo contra essa anarquia. As distinções entre os autores realistas a respeito dos instrumentos do comportamento dos Estados surgiram da corrente neo-realista, também nomeada como realismo estrutural, diferente da Morgenthau, que se contentou na definição do comportamento dos Estados como ânsia de poder, os neo-realistas possuem uma preferência para identificação da busca da segurança, como causa última da prática política no sistema internacional. Esse enfoque destaca o problema estrutural presente do sistema, que define os meios e maneiras, até mesmo graus da insegurança, experimentados por cada agente e indivíduo de forma isolada. No pós-guerra, o desenvolvimento de uma complexa rede de instituições internacionais, levou a uma linhagem de autores a rever a ideia de anarquia ligada ao sistema internacional. Esses autores, dentre os quais se destacam Robert Keohane, Joseph Nye e Stanley Hoffmann, estabeleceram, dentro do campo realista, uma corrente institucionalista. Os institucionalistas colocam um destaque na abrangência crescente do direito internacional, mostrando que as instituições que balizam a atuação dos Estados. O impacto da existência da rede de instituições internacionais, sobre umolhar de segurança e credibilidade de estratégias por parte do Estado, principalmente no cenário europeu, é a seção de maior destaque de investigação dessa linha de pensamento. Seu ponto crucial consiste na relevância da limitação da soberania e da paralela queda da insegurança, em razão dos compromissos institucionais. A terceira tradição é a denominada, escola radical. Suas raízes têm como base, o pensamento de Karl Marx e, por isso, a escola radical é também nomeada como: neomarxista. Vale ressaltar, que Karl Marx não produziu uma teoria do sistema internacional, mas da História e da revolução social. Ao contrário das tradições apresentadas anteriormente, seu objeto de pesquisa e de estudo, não se enquadra na cooperação ou no conflito entre Estados, mas no conflito entre as classes sociais. 19UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação O Estado é um elemento marginal no pensamento marxista e o funcionamento e objetivo dos Estados, surge como se fosse um meio para interesses econômicos, políticos e sociais de outros indivíduos. Contudo, principalmente com Lenin, a tradição marxista elaborou um pensamento sobre o funcionamento das relações internacionais. O contexto internacional das últimas décadas do século XIX e início do século XX levaram, à teorização leninista sobre o imperialismo. A expansão neocolonial das potências europeias na Ásia e na África, e as medidas semicoloniais dos Estados Unidos no Caribe, no Pacífico e no Extremo Oriente, estabelecem o foco das preocupações do russo. Lenin concentrou-se na obra Imperialismo, que era um destaque na época do britânico John Hobson. Deste modo, produziu uma versão marxista: Imperialismo levando um estágio superior do capitalismo. Nesta obra, houve influência do olhar e particularidades de pensamento de partidos e organizações de esquerda, o líder revolucionário russo, estabelecia interessantes ligações, interações teóricas e comportamentais entre a economia política do capitalismo, a luta pela divisão de mercados e o imperialismo neocolonial, porém, o argumento original de Lenin, tem a base na ligação entre a prática imperialista e a guerra entre potências. O imperialismo acaba abrindo caminhos para a guerra e também para a revolução social. A estrutura das teorias neomarxistas sobre o sistema internacional possui base, na análise das relações de subordinação econômica entre países em fases iniciais e desiguais de desenvolvimento industrial e tecnológico. Immanuel Wallerstein, um dos mais relevantes pensadores radicais e autor de The capitalist world economy, forneceu as bases conceituais para uma teoria dos sistemas mundiais. O foco dessa teoria está nos padrões de dominação e na rede de relações econômicas entre as sociedades, não na estrutura do sistema internacional de Estados. Ela traça a evolução do sistema capitalista, distinguindo áreas centrais e periféricas, procurando as raízes do desenvolvimento e do subdesenvolvimento. Os enfoques da escola radical possuem um interesse no pensamento dos fenômenos contemporâneos da globalização, podemos citar os fluxos de capital e mercadorias, os mercados financeiros, a internacionalização das corporações industriais e a configuração de blocos econômicos macrorregionais. Do ponto de vista metodológico, as análises neomarxistas, auxiliam principalmente para abrir caminhos de pensamento sobre os agentes do sistema internacional, que não são Estados, ou seja, os grupos econômicos e as corporações transnacionais, entre outras instituições. 20UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação SAIBA MAIS Termos e Conceitos Importantes Monarquias absolutas Monarquias europeias da Idade Moderna, assentadas sobre o fundamento do direito divino do rei, que coloca como subordinado à nobreza. O reinado de Luís XIV na França (1643- 1715) representou o apogeu do absolutismo. Reinos medievais São unidades políticas da Idade Média europeia, fundamentadas pela fragmentação do poder. Nesses reinos, o poder real diluiu-se, de forma horizontal, entre a nobreza feudal e subordinou-se, de forma vertical, à Igreja de Roma. Estado territorial Modelo de Estado que se originou da Idade Moderna, com o advento das monarquias absolutas europeias. Caracteriza-se pela constituição de aparatos burocráticos e militares centrais, e pela definição das fronteiras políticas. Tribunos da plebe Representantes dos plebeus, os cidadãos que não pertenciam à aristocracia patrícia, no governo da República romana. Modelo jusnaturalista Doutrina, segundo a qual existe um direito natural, anterior e superior ao direito positivo, que tem princípios de estabelecimento pelo Estado. Estado-Nação Modelo de Estado que emerge na Idade Contemporânea, com a Revolução Americana e a Revolução Francesa. Caracteriza-se pelo princípio da soberania popular. Fonte: MAGNOLI, Demétrio. Relações internacionais. 2 ed. São Paulo: Saraiva, 2013. P.30. Disponível em: https://www.saraiva.com.br/relacoes-internacionais-teoria-e-historia-2-ed-2013-4912211/p. Acesso em 27 de jul. 2021. https://www.saraiva.com.br/relacoes-internacionais-teoria-e-historia-2-ed-2013-4912211/p 21UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação REFLITA “Só há dois tipos de relação sem conflito: as de subordinação e as que não existem.” Fonte: Marco Aurélio Garcia. 22UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação CONSIDERAÇÕES FINAIS Caro aluno (a) Chegamos ao final da unidade I, onde foi possível apresentar a você alguns conceitos importantes, referente a este rico assunto, Relações Internacionais (RI). Você estudou aqui os primeiros fatos referentes, à origem das relações internacionais, O pensamento político e o fundamento das relações internacionais, além disso, A teoria da sociedade civil internacional e para finalizar a unidade I, Funcionamento das relações internacionais. As Relações Internacionais surgem como, um domínio teórico da Ciência Política no período, imediatamente posterior à Primeira Guerra Mundial. Os estudos foram iniciados pelo Royal Institute of International Affairs, fundado em 1920, o pioneirismo no estudo exclusivo às relações internacionais. No mesmo período, a London School of Economics inaugurou um Departamento de Relações Internacionais, que posteriormente seria relevante para a construção de teorias da escola inglesa de relações internacionais. Observa-se que historicamente, as políticas de profissionalização do corpo diplomático só foram deflagradas, nos países pioneiros, na segunda metade do século XIX. Antes disso, os diplomatas eram recrutados de uma maneira restrita. Naquelas condições, a carreira desenvolvia-se de acordo com regras informais, dependentes, muitas vezes, de laços pessoais ou familiares. A herança dessa época está condicionada em hábitos e atitudes de solidariedade entre diplomatas de diferentes países e numa certa cultura aristocrática que se dissolve, aos poucos, sob o impacto da profissionalização. 23UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO Título: Relações internacionais. 2 ed. Autor: Demétrio Magnoli. Ano: 2013. Editora: Saraiva. Disponível em https://app.saraivadigital.com.br Sinopse: Esta é uma obra de introdução ao campo das relações internacionais e está estruturada, para o estudo das escolas de pensamento em RI das teorias e os da conceitualização, que pretendem oferecer explicações para as políticas dos Estados, nas suas interações com os demais Estados. O seu foco é o sistema internacional a partir da Idade Moderna. Esta obra tem um foco na tradição da linhagem de autores históricos das relações internacionais. Assim, nesse livro, você verá as raízes dos tratados e das guerras, do conflito e da cooperação, e suas devidas peculiaridades para cada região, além disso, os contextos econômicos e culturais delineados. FILME/VÍDEO Título. A Passage to India (Passagem para a Índia, 1984). Ano: 1984. Sinopse: No final dos anos 20, Adela Quested (JudyDavis), uma rica inglesa de ideias liberais, viaja para fora do país pela primeira vez, indo à Índia para encontrar seu noivo. O choque cultural acontece, mas quando tudo parecia facilitar a integração, Adela acusa o jovem Dr. Aziz (Victor Banerjee) de tentativa de estupro durante um passeio até as cavernas de Maraba Link do trailer: https://www.youtube.com/watch?v=1wJiTsARqrE WEB Ministério das Relações Exteriores: http://www.mre.gov.br 24 Plano de Estudo: ● Principais marcos metodológicos; ● Análise da Teoria das Relações Internacionais; ● Principais autores e suas correntes clássicas; ● Principais correntes e relações brasileiras. Objetivos da Aprendizagem: ● Apresentar os principais marcos metodológicos; ● Analisar as principais teorias das Relações Internacionais; ● Estudar os principais autores e suas correntes clássicas; ● Estudar as principais correntes e relações brasileiras. UNIDADE II Destaques Internacionais Professora Esp. Margarete Campos Vieira 25UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação 25UNIDADE II Destaques Internacionais INTRODUÇÃO Prezado (a) acadêmico (a) nesta unidade, será apresentado alguns destaques em pautado nas relações internacionais. É relevante sempre lembrar, que no final desta unidade você terá também algumas curiosidades e dicas de filmes e livros para complementar seus estudos. Para iniciar nossos estudos, iremos apresentar os principais marcos metodológicos, marcos estes, que foram importantes nos estudos das relações internacionais e você poderá entender melhor a importância deles, para os estudos propostos. Após apresentados os principais acontecimentos, será abordado algumas análises sobre as principais teorias das Relações Internacionais. E para aprimorar este estudo, convido você aluno (a), a estudar os principais autores e suas correntes clássicas. Entre estes autores, destacam-se alguns como: Sun Tzu, Tucídides, Tito Lívio e Maquiavel, Hobbes e Richelieu, respectivamente. Por fim, nesta unidade irei apresentar algumas, das principais correntes e relações brasileiras, em relação aos momentos políticos marcantes da época. Portanto, é importante destacar que o pensamento das Relações Internacionais buscou, nas referências clássicas que expliquem melhor os fatos. Sendo assim, destacaram- se vários autores em que o poder é o elemento central de suas teorias. Como já apresentado na Unidade I, para o realismo do século XX que estava se consolidando, diversas conceitualizações como sobrevivência, poder, estado de natureza e auto interesse, era o foco dado na leitura dos clássicos. Nas teorias realistas das relações internacionais, que exigem um caráter objetivo, empírico e detalhista, o Estado é colocado no elemento-chave do debate, pois se considera que o Estado é o ator principal das relações internacionais. Obrigado por continuar comigo e desejo bons estudos! 26UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação 26UNIDADE II Destaques Internacionais 1. PRINCIPAIS MARCOS METODOLÓGICOS Prezado (a) acadêmico (a) neste tópico, você irá estudar sobre os principais marcos metodológicos, que são destaque na literatura das relações internacionais. Todo método opera por meio de um caminho conhecido, para a produção da ciência. Os primeiros registros do conhecimento sobre a natureza e a ciência partem das observações humanas ao longo dos tempos, conforme Castro (2012, p. 271): O método corresponde, nas pesquisas científicas em Relações Internacionais, à determinação de rota factível (dentre as várias trilhas disponíveis ao sujeito e seus interlocutores), para o processo de investigação. Tem duplos sentidos: atender ao próprio pesquisador na análise dos conceitos, na construção formal da pesquisa e no processamento das variáveis no bojo da mecânica da produção acadêmica e revelar ao público interessado (leitores em geral), os meios utilizados no desenho dos resultados encontrados. Método e conhecimento são aportes de construção para o processo científico. Método e ciência trazem complementaridades e necessitam de mútua correlação sob a égide de constante verificação ou testes (CASTRO, 2012, p. 271). Por isso, método e conhecimento não podem ser separados, assim não existe processo, nem cientificidade sem o devido método. Kuhn entende que a ciência normal, é metódica formada e reformada. Segundo Castro (2012, p. 271), as reflexões iniciais surgem de provocações importantes, para os estudos das metodologias, em relações internacionais: Será mesmo um caminho conhecido ou meramente um caminho apenas (re) conhecido pela comunidade acadêmica? O reconhecimento do caminho já amplamente trilhado anteriormente pelos sistemas de teorias (Popper) é uma forma, de inovação nas Relações Internacionais? Ao longo do tempo, acarretando, assim, os paradigmas aceitos perante uma comunidade científica. Assim, o método e sua sistematização formal, denominada de metodologia, vislumbram maneiras que possibilitam o avanço da produção científica e a elevação dos padrões de pensamento crítico e reflexivo (CASTRO, 2012, p. 271). 27UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação 27UNIDADE II Destaques Internacionais Verifica-se que os métodos, seguem uma lógica formal posta e aceita como ponto organizado de partida e de chegada. Não há dúvidas quanto ao ponto de partida; o questionamento reside no caráter e no tipo de lógica formal, posta e aceita para tal. Conforme Castro (2012, p. 272) há alguns questionamentos relevantes: Haveria, objetivamente, lógicas formais que melhor atenderiam os ditames complexos das Relações Internacionais? Existem dados confiáveis para re- futar os saberes científicos da área internacional? Como se poderiam cons- truir parâmetros lógico-sistêmicos de validação da pesquisa em RI? Muitas dessas perguntas são aqui deixadas pairando no ar. De toda maneira, há uma estruturação racional (cartesiana) crítica inerente ao processo metódico para as ciências e humanas, como também para as ciências chamadas duras ou para as ciências da natureza. Tal construção racional é produto de longo processo histórico no campo da filosofia da ciência, do cognitivismo e da epistemologia (CASTRO, 2012, p. 272). 1.1 Do Método Dedutivo Cartesiano Ainda conforme Castro (2012), a construção da organização e da elaboração do método desloca-se, necessariamente, pela construção e reconstrução do discurso, havendo Descartes1 , seu principal desenvolvedor dessa convicção. O racionalismo cartesiano aparece de forma predominante, como um divisor de águas na filosofia renascentista, não somente pela apresentação do cogito (“penso logo existo”), mas, predominantemente, pela sistemática estabelecida sobre a constante refutação e sobre a dinâmica do questionamento como base da experiência da razão. O célebre fundador do racionalismo no século XVII recebeu educação formal jesuíta e exerceu expressiva influência em Spinoza e em Leibniz. Segundo o filósofo francês, há quatro etapas na construção racional-epistemológica da lógica formal dedutiva com sua cientificidade, assim expressa em sua obra Discurso do Método: O primeiro era o de nunca aceitar algo como verdadeiro que eu não conhecesse claramente como tal. [...] O segundo, o de repartir cada uma das dificuldades que eu analisasse em tantas parcelas, quantas fossem possíveis e necessárias a fim de melhor solucioná-las. O terceiro, o de conduzir por ordem meus pensamentos, iniciando pelos objetos mais simples e mais fáceis de conhecer, para elevar-me, pouco a pouco, como galgando degraus, até o conhecimento dos meus compostos, e presumindo até mesmo uma ordem entre os que se procedem naturalmente uns aos outros. E o último, o de efetuar em toda parte relações metódicas tão completas e revisões tão gerais, nas quais tivessem certeza de nada omitir. (DESCARTES, 1999, p. 49 - 51). Descartes (1999) afirma que, a lógica formal do método dedutivo é estruturada por evidência, em sua análise, por síntese e assim, por último na enunciação.O método dedutivo é a indução do geral para o particular de maneira convergente. O método indutivo, por sua vez, alega que quando evidenciados, os dados particulares, geram ideias mais amplas e válidas. 1DESCARTES, René. Discurso do Método. São Paulo, Nova Cultural, 1999. p. 49 - 51. 28UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação 28UNIDADE II Destaques Internacionais Segundo ele, o método dedutivo assegura, que se as premissas são verdadeiras, como consequência, haverá uma conclusão verdadeira e as informações da conclusão, já devem estar contidas nas premissas. Ele ainda afirma que, no dedutivismo, para que uma conclusão seja falsa, uma das premissas também o será. Exemplo: “Todos os países que são continentais possuem grande estatura de poder internacional. Ora, o Brasil é um país continental, logo, o Brasil tem capital de força-poder-interesse (PI) de expressão internacional”: (LAKATOS, 2000, p. 63) Uma lógica diferente e inversa ao método dedutivo deverá ser posta em prática pelo método indutivo, como veremos a seguir. 1.2 Do Método Indutivo no Experimentalismo de Bacon Castro (2012) coloca que Francis Bacon (contemporâneo de Descartes), foi consi- derado, a mente criadora do “método experimental”, além de ter contribuído para o método da indução científica, como Galileu Galilei. Na medida em que Descartes destaca a dedução, como método de alcance de refutações e questionamentos, Galileu e Bacon consideram que o indutivismo (método científico que obtém conclusões gerais a partir de premissas individuais), é o melhor método para chegar à ciência, isto é, uma forma de levar de forma real o método indutivo, é sugerir, com base na observação ocorrida de acontecimentos da mesma natureza, uma conclusão para todos os objectos ou eventos dessa natureza. Na apresentação de Bacon (1999), a tese de que o método científico experimental deveria ter cinco elementos cardeais conforme se constata: (...) a experimentação, a formulação de hipóteses, a repetição, o teste das hipóteses e, finalmente, a formulação de generalizações e leis aplicáveis ao mundo real. O método dedutivo e indutivo são formas de estruturar as trilhas percorridas pela produção científica, na busca de respostas e nas explicações das muitas questões das ciências e, em particular, das Relações Internacionais. Sendo assim, se o processo de reflexão formal e construção metodológica for realizado de maneira imprecisa e imperfeita, os resultados obtidos trarão vieses, gerando, assim, falácias e ambiguidades. A metodologia deve conter, rigorosamente e aplicar o princípio da coesão e coerência, cotejando com objetividade e subjetividade interpretativa, pois assim será possível articular melhor os saberes internacionais, com suas construções multidisciplinares. Sendo assim, “o método e o sistema perfazem a essência do saber científico, no qual o sistema representa o aspecto de conteúdo e o método, o aspecto formal.” Desse modo, método, metódica, metodologia e ciência, são construções formais e partes integrantes de processo intrínseco, ao saber investigativo, que merecem observações e detalhamentos bem específicos para diferenciar suas esferas de abrangência e fronteiras (BACON, 1999, p. 37). Castro (2012) relata que, como ciência autônoma e sistematizada, as relações Internacionais possuem metodologias próprias, mesmo que esta seja baseada em fontes diversas do conhecimento humano. 29UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação 29UNIDADE II Destaques Internacionais O reconhecimento do locus específico das Relações Internacionais é ofertado, por meio de se entender, que elas são uma ciência de vertente política, com inter e transdisciplinaridade, sendo defendidas como canais de argumentação e investigação dessa ciência. Seu nascedouro acadêmico-disciplinar como ciência humana, social e política – na escala ampliada dedutiva – revela que, de forma crescente, tem realizado uma necessidade de reconhecimento de sua autonomia através de um arcabouço metodológico próprio. Castro (2012) nos apresenta que para Bacon, existia um valor hierárquico do experimentalismo como base da intuição e da cientificidade dos objetos sociais. Observemos suas palavras a seguir: A melhor demonstração é, de longe, a experiência, desde que se atenha rigorosamente ao experimento. Se procurarmos aplicá-la a outros fatos tidos por semelhantes, a não ser que se proceda de forma correta e metódica, é falaciosa. [...] Dessa forma, ocorre que os homens realizam os experimentos levianamente, como em um jogo, variando pouco, os experimentos já conhecidos e, se não alcançam os resultados, aborrecem-se e põem de lado os seus desígnios. (BACON, 1999, p. 37 - 97). Bacon é referência para o indutivismo no processo experimental-teórico, sendo assim, a aplicação dessa metodologia para as Relações Internacionais, seria como um endosso de uma estratégia para verificar variáveis aplicadas ao método. Bacon (1999) reforça a essencialidade da confirmação das premissas, para validação das conclusões dos objetos analíticos das Relações Internacionais. Diante disso, no indutivismo, se todas as premissas são verdadeiras, a conclusão é, provavelmente, verdadeira, porém, pode ser ou não totalmente verdadeiras essas premissas estruturantes. A conclusão apresenta uma informação final, por meio da inferência que nem sempre está presente nas premissas. Por exemplo, os países em desenvolvimento que foram estudados recentemente, possuíam políticas cambiais de desvalorização de sua moeda nacional. Logo, todos os dez países que pertencem ao ASEAN, têm práticas de desvalorização cambial. Atualmente, tais assertivas carecem de profundidade, rigor e maior formalismo de observação e de metodologia, no que tange ao processo de verificação e testes de conclusão. 1.3 O Método Hipotético-dedutivo de Popper Castro (2012) esclarece que Karl Popper, é um veemente crítico do método indutivo por formular, que uma teoria deve considerar todo alicerce da construção anterior, bem como seus erros e acertos, além de entender que a ciência deve sempre ser submetida a testes dedutivos. 30UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação 30UNIDADE II Destaques Internacionais O experimentalismo dedutivo é guiado pela formulação de um problema de maneira objetiva, e este gerará suposições e refutações, causando rejeição ou corroboração (aceitação), através de testes e verificação. Para Popper, o falseamento também deverá assumir papel importante como erro a ser evitado na elaboração e formulação de novas teorias. O método hipotético-dedutivo apresenta meios de construir, metodologicamente, a pesquisa em RI de maneira a desenhar o levantamento das variáveis (dependente e independente), por meio da formulação de um problema inicial. A problematização deve ser resultado de eventuais contradições, lacunas e conflitos de expectativas existentes na corrente teórica predominante, isto é, quando as principais correntes teóricas não conseguem, devidamente, responder às questões atuais do foco da pesquisa. Uma conjectura é então formatada para responder, tentativamente, ao problema inicialmente posto. O levantamento de hipóteses é essencial, para a resposta da problematização gerada por quem pesquisa e essas hipóteses devem ser verificadas por ferramentas estatísticas, levando em consideração os objetivos traçados no desenho da pesquisa e também dependem da amostragem. Com isso, testes diversos devem ser realizados pela observação, pela experimentação e pelas análises com vistas à aprovação ou rejeição da pesquisa. Se positiva, então uma nova teoria é formada. 31UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação 31UNIDADE II Destaques Internacionais 2. ANÁLISE DA TEORIA DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS Caro (a) acadêmico (a) neste tópico, você irá estudar a análise da História Diplomática e perceberá que ela revela características distintas e, isso é o que define o objeto e a metodologiausada pelos historiadores nas relações internacionais. Conforme Castro (2012) acredita-se que as relações internacionais, têm sido objeto de grande atenção por parte daqueles que se dedicam às Ciências Sociais. Esse interesse começou a se manifestar no início da década de 1990, quando o fim da Guerra Fria deu partida à intensa discussão a respeito do processo de globalização, e confirmou-se desde os ataques terroristas aos alvos norte-americanos, em setembro de 2001. Todos esses acontecimentos despertaram a atenção dos estudiosos das Ciências Sociais, pois, contribuíram decisivamente para a consolidação de uma ideia apresentada anteriormente, segundo a qual os Estados haviam se elevado a um grau de interdependência irreversível. Consequentemente passou a predominar a ideia, de que já não havia mais como diferenciar os processos internos dos externos, ou melhor, inevitavelmente, todas as decisões relativas a questões internas passavam a apresentar efeitos externos, enquanto as decisões relativas a questões externas acabavam produzindo efeitos internos. Por isso caro (a) acadêmico (a), o conhecimento da realidade, em todas as suas dimensões, passou a incluir, necessariamente, o conhecimento das relações internacionais. Segundo Lessa e Gonçalves (2007), o movimento intelectual decorrente dessa nova maneira de perceber as relações internacionais, mobilizou não apenas politólogos (especialistas em ciências políticas), economistas e juristas, mas também historiadores. Devido à sua complexidade, o conhecimento dos problemas internacionais contemporâneos requer a análise histórica. 32UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação 32UNIDADE II Destaques Internacionais Deste modo, considera-se que não é o suficiente entender o funcionamento das instituições e a capacidade de codificação conceitual, de certos aspectos da realidade. Para a construção do conhecimento é necessário também, acrescentar a esse trabalho intelectual de interpretação da realidade, a articulação dos elementos ao longo do tempo. Quando examinados à luz de sua dimensão temporal, fenômenos sociais, políticos, econômicos e culturais, tornam-se acessíveis. Essa movimentação ao redor dos historiadores, para a produção de conhecimento acerca das relações internacionais teve como importante efeito, despertar a atenção dos estudiosos para a História das Relações Internacionais. De acordo com Lessa e Gonçalves (2007), os estudos históricos que por muito tempo ficaram adormecidos, voltam a ter uma posição importante. O caráter de urgência que passou a marcar o conhecimento sobre determinadas questões internacionais demonstrou que, sem o concurso da História das Relações Internacionais, os fenômenos do presente revelavam-se incompreensíveis. Por isso, quem se sente motivado a elevar seus conhecimentos referentes à História das Relações Internacionais para participar positivamente do debate sobre as questões internacionais contemporâneas, depara-se, no entanto, com a falta de literatura específica. Embora os historiadores estejam permanentemente empenhados em refletir sobre sua prática, procurando reformular teorias, métodos e técnicas de pesquisa, com vistas a produzir um conhecimento da história socialmente útil, a dimensão internacional da história tem sido objeto de preconceitos ou ignorada pelos historiadores. Com esse contexto, ainda assim, muitos têm produzido admiráveis trabalhos de pesquisa, que contribuem significativamente para o conhecimento das questões internacionais. Entretanto, essa prática não tem se traduzido numa explicitação das questões teóricas que envolvem seu trabalho. Por isso, a carência em ligação com essas questões relativas à História das Relações Internacionais, fixou como objetivo deste texto elaborar algumas notas introdutórias sobre o assunto. Caro (a) acadêmico (a) para você entender melhor as Relações Internacionais, é importante entender também uma breve história e conceitos da História Diplomática, que constitui o protótipo da História institucional. Seu desenvolvimento ocorreu no século XIX, coincidindo com a consolidação do moderno Estado-nação na Europa e nas Américas. Marc Ferro (1989) refere-se à História institucional, que visa demonstrar e legitimar a existência de instituições, organizações e regras. A instituição pode ser o Estado, uma Igreja ou um partido político. 33UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação 33UNIDADE II Destaques Internacionais Por meio da história do Estado, por exemplo, consagram-se determinadas interpretações de processos políticos considerados decisivos para sua formação, são exaltadas figuras heróicas que deram a vida pela nação e, por fim, glorifica-se a nacionalidade, tornando-se única. No que diz respeito à História Diplomática, a instituição em questão é o Estado em sua dimensão externa. Portanto, sua luta para proteger sua nação dos inimigos que ameaçam sua soberania é privilegiada. Para o melhor entendimento dessa relação entre história diplomática e os Estados-nação, é conveniente definir o significado da palavra diplomacia. A palavra vem do verbo grego diploun, cujo significado é dobrar. Portanto, o significado original de diploma: peça oficial gravada numa placa dupla de bronze formando um díptico. No tempo do Império Romano, essa placa dobrada era usada como passaporte para as pessoas e salvo-conduto para as viaturas em trânsito pelas rotas imperiais. Mais tarde, o nome do diploma estendeu-se aos documentos oficiais, já não mais metálicos, que conferiam privilégios a seus portadores ou então, registravam os acordos realizados com as comunidades estrangeiras (MARC FERRO, 1989, p. 11). Devido ao acúmulo de grandes quantidades de tratados, os arquivos imperiais ficaram repletos de documentos pequenos, dobrados e redigidos de uma determinada maneira. Para conservar, decifrar e catalogar esses documentos, pessoas especialmente qualificadas passaram a ser empregadas: eram os letrados, que inauguraram assim as profissões de paleógrafo e arquivista. Segundo Harold Nicolson (1948) relata que: (...) até o fim do século XVII essas duas ocupações, foram denominadas res diplomática, que designavam tudo aquilo que se relacionava com os arquivos ou com os diplomas. Os diplomas são, portanto, os mais antigos documentos oficiais escritos. Os letrados – aos quais cabia a tarefa de zelar por sua conservação e interpretar corretamente seu conteúdo – eram os funcionários do Estado, habilitados a informar às autoridades tudo aquilo considerado necessário a respeito dos outros povos, com vistas a orientar a conduta destas em suas negociações. O grau de conhecimento acerca dos interlocutores e, consequentemente, o êxito nas negociações externas dependia, em grande medida, da qualidade da res diplomática (HAROLD NICOLSON, 1948, p. 24). A partir da mesma origem, consolidou-se o significado de diplomacia como “a maneira de conduzir os assuntos exteriores de um sujeito de direito internacional, utilizando meios pacíficos e principalmente a negociação” (PINO, 2001, p. 21). A História Diplomática é a história das relações do Estado com os outros povos, contada com base nos documentos oficiais do Estado (diplomas). Tendo a história brasileira como referência, José Honório Rodrigues apresenta a seguinte definição: A história diplomática investiga e relata a defesa dos direitos nacionais e as relações econômicas, sociais e políticas, que se codificaram em tratados e convenções. Compreende o exame das origens e dos resultados de nossas negociações diplomáticas, as reparações pacíficas de afrontas, às aquisições sem guerra de partes de nosso território, as incorporações definitivas à custa de argumentos históricos e geográficos de grandes trechos, objetos de litígio, como as questões das Missões e do Amapá (RODRIGUES, 1978, p. 169). 34UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação 34UNIDADE II Destaques Internacionais Segundo Lessa e Gonçalves(2007) cabe ressaltar que a definição dada por Rodrigues é impecável. Isso porque o autor identifica com precisão “a defesa dos direitos nacionais” como elemento essencial da História Diplomática, de forma que demonstra inequivocamente, que todo o trabalho de pesquisa do historiador consiste em produzir o relato completo e preciso das negociações diplomáticas – o que depende do sucesso de seu esforço em decodificar as relações diplomáticas consubstanciadas em tratados e convenções. A História Diplomática ganhou forma no século XIX. Seu início foi praticamente determinado pela Revolução Francesa e suas consequências. Segundo o historiador francês Thobie (1986): (...) as mudanças que dela resultaram, estimularam as pesquisas e as reflexões, enquanto os Estados aperfeiçoavam o instrumento ministerial necessário para a eficácia de suas políticas exteriores e buscavam os meios de pôr os seus arquivos à disposição dos pesquisadores (THOBIE, 1986, p. 198). Sendo assim, a reação das monarquias europeias à Revolução Francesa e, logo em seguida, a tentativa de Napoleão Bonaparte de estabelecer um grande império francês na Europa, geraram uma crise internacional que durou mais de duas décadas (1792 - 1815). No plano político-ideológico, a Revolução Francesa e o projeto napoleônico descartaram o absolutismo, incorporaram o nacionalismo ao sistema internacional e criaram condições favoráveis, para a independência das colônias ibéricas nas Américas. Segundo Castro (2012), para estabilizar o quadro político europeu e garantir uma paz duradoura, as forças combinadas do Congresso de Viena (1815), tomaram uma série de medidas para apagar as profundas marcas produzidas pela intervenção napoleônica. Entre elas, as mais importantes foram: restaurar o poder dos príncipes, proteger a integridade dos Estados multinacionais e conter o processo das independências. Com base nos princípios da legitimidade dos príncipes, do concerto europeu e mediante a formação da Santa Aliança, as potências europeias conseguiram, pelo menos até a década de 1830, alcançar parcialmente seus objetivos. Conforme Castro (2012), a Primeira Guerra Mundial também aumentou o interesse pela História Diplomática, o que levou a atingir seu apogeu. O desenvolvimento e os resultados surpreendentes da guerra determinaram a exigência intelectual de encontrar uma explicação convincente para sua eclosão. A sociedade queria saber o que causou a catástrofe que custou tantas vidas e tantos danos. Assim, cabia aos historiadores, estabelecer as razões que levaram a sociedade europeia à perda da ilusão que, durante muito tempo, havia crescido a ponto de se tornar civilizada. Era o caso de se interrogar sobre a falência da diplomacia europeia, objetivada no colapso de seu sistema de alianças políticas, que romperá tão violentamente o equilíbrio do poder mundial. 35UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação 35UNIDADE II Destaques Internacionais Segundo Castro (2012), no Brasil, a produção mais importante da História Diplomática ocorreu na primeira metade do século XX. As prioridades da produção brasileira eram formadas pelas questões de limites, Independência e República. Quantos aos historiadores europeus, a principal questão para os historiadores brasileiros, era a história da formação e consolidação do Estado brasileiro, em relação às suas relações com os demais países. Sendo assim, Castro (2012) escreve que a maioria das obras conhecidas da História Diplomática, foram produzidas após a Primeira Guerra Mundial. Isso se explica pelo impacto que a guerra provocou, que ao mesmo tempo gerou grande decepção em relação ao Velho Continente – que forma o paradigma civilizacional das elites brasileiras – e a necessidade de expressar a verdadeira identidade do Brasil. Além disso, colaborou significativamente para esse interesse pela história diplomática do Brasil a obra executada pelo Barão do Rio Branco, que, por meios apenas pacíficos – negociações diretas, compras e arbitragem – resolveu todos os problemas de fronteira do país, com as nações vizinhas. Embora os documentos sejam importantes, na construção da história, essa disciplina parte do princípio de que o objeto pesquisado é um dado da realidade que preexiste à ação investigativa do historiador. Cabe a ele limpar os arquivos e estabelecer a correta sequência dos acontecimentos de forma imparcial. Portanto, pode-se dizer que o objeto é a história do Estado em suas relações com os outros países, vinculada na forma de instrumentos jurídicos, como tratados, acordos, convenções, etc. O método utilizado é examinar os documentos em busca de evidencias de seu conteúdo. A História das Relações Internacionais é considerada um triunfo da História Diplomática justamente, porque elabora de maneira diferente tanto a definição do objeto como o uso da metodologia de pesquisa. Em termos de sentido, embora a História das Relações Internacionais não negligencie a importância da iniciativa dos Estados, requer a interpretação das influências geográficas, econômicas, culturais e ideológicas que condicionam a ação dos Estados em suas relações externas. Na expressão consagrada por estas, são as “forças profundas” que formam a estrutura na qual os “homens de Estado” agem. Isto é, são essas forças profundas que dão sentido às decisões tomadas pelos representantes oficiais do Estado, nas relações que mantêm com as demais nações e organizações internacionais. Por isso, caro (a) acadêmico (a), o processo de colaboração por parte do historiador, em primeiro lugar, começa com o desenvolvimento de uma hipótese de pesquisa. Após a pesquisa, elaboração de uma hipótese nasce do conhecimento empírico, ou seja, não científico. 36UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação 36UNIDADE II Destaques Internacionais Ou seja, a partir de seu interesse, estudo, curiosidade intelectual ou vivência relacionada com a questão que o historiador levanta a hipótese, que presidirá seu trabalho investigativo. A hipótese, por sua vez, consiste em uma afirmação categórica, por isso, pode ser destacada por algumas características importantes: ● Não pode ser formulada como uma pergunta; ● A hipótese é um a-priori que a pesquisa confirma ou refuta; ● É a partir de sua formulação que tem início, o trabalho científico propriamente dito; ● Isso porque a hipótese orienta o trabalho de seleção da documentação; ● É ela que estabelece o critério de validade dos documentos; ● Por si próprio, todos os documentos são iguais – sua importância ou irrelevância para uma determinada pesquisa depende, portanto, da hipótese com a qual o historiador trabalha. No entanto, neste estudo caro (a) estudante, considerando a História das Relações Internacionais, o documento tem um significado bastante amplo. Diferentemente da História Diplomática, que só reconhece a correspondência diplomática em suas diversas formas, como documento de pesquisa (memorandos, relatórios, memórias, despachos, tratados etc.), a história das relações internacionais considera documentos de pesquisa, todos os registros escritos (jornais, panfletos, livros, cartazes, biografias, cartas etc.) e depoimentos orais rela- tivos à intervenção dos agentes sociais, naquela realidade sob revisão da análise histórica. Uma vez selecionados os documentos, a tarefa do historiador é investigar. O documento nunca contém um único sentido – sua leitura pode possibilitar mais de uma interpretação. É a resposta dada à pergunta formulada pelo historiador, que torna o documento relevante ou inestimável para a comprovação da hipótese acima mencionada. Por essa razão, o interrogatório ao qual o historiador submete o documento, é decisivo para o resultado do estudo. Ou seja, a pergunta que qualifica a pesquisa e o que a torna relevante, são as ferramentas teóricas utilizadas pelo historiador. É o uso correto e criativo dos conceitos, que organiza as idéias contidas nointerrogatório do pesquisador. Os conceitos são ideias de aparência simples – para que possam ser facilmente manejáveis – que encerram em seu significado conteúdo de realidades amplas e complexas. O uso criterioso e coerente dos conceitos garante a objetividade da pesquisa. Nas palavras de Boaventura de Sousa Santos (2001), destaca-se: (...) a objetividade decorre da aplicação rigorosa e honesta dos métodos de investigação, que nos permitem fazer análises que não se reduzem à reprodução antecipada das preferências ideológicas, daqueles que as levam a cabo (SANTOS, 2001, p. 31). 37UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação 37UNIDADE II Destaques Internacionais Assim, a crítica à abordagem metodológica positivista dirigida à História Diplomática é, de fato, parte de um processo muito amplo, que resultou em profunda reformulação dos estudos históricos na década de 1950. Em virtude do pouco prestígio que a História Diplomática teve entre os críticos, que o movimento teórico de sua ultrapassagem pela História das Relações Internacionais, desempenhou um papel puramente marginal na grande renovação dos estudos históricos. Portanto, conforme Castro (2012) foi somente após a Primeira Guerra Mundial que, na Inglaterra e nos Estados Unidos, se estabeleceu um estudo sistemático das relações internacionais. Enquanto os historiadores empenharam-se em pesquisar as origens daquele conflito para identificar o país responsável pela sua eclosão, os políticos, estimulados pelo mesmo acontecimento, buscavam elaborar uma teoria que explicasse, por que as guerras se repetem na história. Pretendia-se que, num futuro próximo, com esse conhecimento, fosse possível a cientistas e estadistas empreender intervenções na realidade internacional para evitar novas guerras. Ao longo da década de 1920, sob a influência do otimismo liberal que caracterizou a intervenção política do presidente norte-americano Woodrow Wilson na Conferência de Paz de Paris (1919), estudiosos europeus e norte-americanos afirmavam que a paz mundial dependia, fundamentalmente, da reforma das instituições. ● O respeito ao direito à autodeterminação dos povos, com a conseqüente dissolução dos impérios coloniais; a substituição dos regimes autoritários por regimes democráticos; ● Aceitação do livre-comércio e extinção das práticas protecionistas; ● A abertura dos mares à livre navegação; ● O aperfeiçoamento do direito internacional; ● E o acatamento por parte dos Estados dos pactos firmados constituía as condições de possibilidades básicas para a paz no mundo. No entanto, essa visão otimista da evolução das relações internacionais, sofreu uma grande crise no início da década de 1930. A crise econômica iniciada nos Estados Unidos no final de 1929, rapidamente tomou conta da região do capitalismo internacional. Seus principais efeitos foram: ● A supressão dos regimes democráticos e a emergência de regimes autoritários; ● O colapso do livre-comércio e a fixação da autarquia como objetivo econômico; ● E a prevalência dos nacionalismos agressivos sobre a cooperação internacional. 38UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação 38UNIDADE II Destaques Internacionais Assim, a formação de tal estrutura internacional, conduziu os Estados europeus à nova guerra mundial, que começou em 1939 e terminou em 1945. A eclosão de uma nova guerra, após apenas 21 anos de paz, diminuiu as esperanças ao longo da década de 1920. Uma vez determinada, verificava-se o quanto o mundo havia mudado. A multipolaridade que até 1939 era marcante no sistema internacional, deu lugar à bipolaridade, ao mesmo tempo em que a cooperação entre a União Soviética e os Estados Unidos, na luta contra os regimes do Eixo, transformou-se em permanente hostilidade a partir de 1947. Este novo contexto internacional confirmava a teoria desenvolvida a partir de 1930, segundo a qual, o conceito de poder constitui a variável fundamental para a análise das relações internacionais. 39UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação 39UNIDADE II Destaques Internacionais 3. PRINCIPAIS AUTORES E SUAS CORRENTES CLÁSSICAS Caro (a) acadêmico, após estudar as análises das relações internacionais, você estudará neste tópico, alguns autores marcantes da história das Relações Internacionais. A escola realista é a mais antiga e a mais amplamente conhecida das escolas de pensamento em Relações Internacionais. Toda teoria não é fundada em um espaço em branco da história. Uma teoria não é por completo vazio, disforme e neutro. Portanto, podemos dizer que a teoria é considerada vaga ou temporária e social. Toda teoria não é desenvolvida através de um vazio de poder – mesmo que isso não esteja ligado ao pensamento científico e à prática intelectual. Com essa contextualização, o conjunto de idéias teóricas básicas apresentadas, é formatado como produto direto de um amplo processo de forças de contribuição, com seus devidos teóricos. Dessa forma, leva a um entendimento, que o realismo é objeto na fenomenologia do conhecimento internacional, que serve como fonte de inspiração causal, para os próprios sujeitos no âmbito externo. Cada teoria criada e verificada em Relações Internacionais advém de vários campos do saber humano e adiciona ao amplo capital intelectual, que compõe o arcabouço teórico (epistemologia) das Relações Internacionais, seus erros e méritos. O campo de batalha e manutenção do poder ideológico acaba também, invadindo as arenas teórico-científicas em várias áreas, em especial, nas Relações Internacionais. 40UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação 40UNIDADE II Destaques Internacionais Os fundadores do realismo clássico podem ser colocados em um hexágono: os três grandes fundadores no mundo antigo (mundo oriental e greco-romano) e as três grandes teorias do renascimento mundial no mundo pós-europeu: Sun Tzu, Tucídides, Tito Lívio e Maquiavel, Hobbes e Richelieu, respectivamente. Neste mesmo sentido histórico-linear, é importante destacar as ricas contribuições de Tucídides e sua narrativa realista sobre a Guerra de Peloponeso, entre 431 - 404 AC, como corolário do realismo na política internacional. A estratégia militar e o discurso do clás- sico, Sun Tzu (A Arte da Guerra) formam os elementos norteadores do realismo clássico. Para reforçar o pensamento do realismo clássico, um de seus principais representantes foi: Segundo Cardeal Richelieu (1947, apud Castro, 2012, p. 314), anotou em seu comentário sobre seu Testamento Político, como ferramenta esclarecedora: “Quem detém o poder, geralmente detém o direito nos assuntos do Estado e quem é fraco, terá dificuldade para fugir da culpabilidade na opinião da maioria das pessoas”. (RICHELIEU, 1947, p. 20 - 25). Para Castro (2012) o rico legado greco-romano, passa pelo mundo antigo e oriental e, com tal, ocorre nesse processo evolutivo contribuições significativas, para a formação epistêmica das Relações Internacionais. Da queda de Roma, em 476 DC, quando se inicia a Idade Média, até o renascimento no final do século XV, aconteceu certo hiato considerado espaçado nas contribuições historiográficas e políticas, com diretas influências para o pensamento realista clássico em Relações Internacionais, especialmente pelo fato do pensamento teológico medieval não permitia que o homem se comportasse como protagonista de seu destino e de suas relações pessoais. Castro (2012) argumenta que o neoclassicismo realista, tem seu corte temporal a partir do ano de 1945, quando o liberalismo idealista do período entre-guerras, ultrapassava o processo de redefinição e relativa queda no contexto do mainstream, e da teoria dominante intelectual da época. A Liga das Nações apresentou-se como uma instituição internacional, com crises internas e algumas incapacidades de articular a ordem mundial e, como resultado, um declínio momentâneo da ideologia. Apesar de Carr ter escrito sua obra máxima “Vinte Anos de Crise”durante a guerra, o neoclassicismo, de cunho realista, terá seu início na grande obra de Hans Morgenthau: Política Entre as Nações. O mundo pós-guerra mostra uma nova forma de compreender o realismo clássico dos principais teóricos, já apresentados no item anterior: Sun Tzu, Tucídides, Tito Lívio, Maquiavel, Hobbes e Richelieu. O impacto das novas tecnologias e dos novos tratados (emergentes hegemonias EUA - URSS) pós – 1945, é expressivo na forma de pensar e de agir do realismo neoclássico, como explicaremos a seguir. 41UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação 41UNIDADE II Destaques Internacionais O mundo pós-guerra inicia a era nuclear das Relações Internacionais. As duas bombas nucleares em Hiroshima e Nagasaki mostram a potência mundial, diante dos avanços nas telecomunicações, medicina, ciências aeronáuticas e espaciais. Analisando a literatura, nesse contexto, inicia-se uma consolidação da separação da disciplina das Relações Internacionais, com sua autonomia metodológica, de outras áreas, tais como, a história e o direito internacional. Com isso, a contextualização da guerra fria, descortina a luta de “soma zero” bipolar, que influenciará nas convicções de Morgenthau sobre a amoralidade da política internacional. Morgenthau defende, ademais, que exista um fosso entre uma moral para a esfera pública e outra para a privada, conforme Castro (2012). 42UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação 42UNIDADE II Destaques Internacionais 4. PRINCIPAIS CORRENTES E RELAÇÕES BRASILEIRAS Caro (a) acadêmico (a) neste tópico, apresento a você alguns dos principais autores que marcaram a história relações internacionais no Brasil Segundo Lessa e Gonçalves (2007) desde a Regência do príncipe D. João ao fim do Primeiro Reinado Em 1822, ao surgir o Estado nacional no Brasil, as relações externas estabeleciam-se sobre bases bastante tensas e conflituosas, devido aos valores europeus e históricos, especialmente, portugueses. De um ponto de vista estrutural, foram instaladas três linhas de energia: ● A primeira, dos eventos ocorridos na transição da era napoleônica, para a restauração reacionária do Congresso de Viena; ● A segunda, da histórica dependência de Portugal em relação à Inglaterra; ● A terceira, a independência das colônias ibéricas, especialmente as vizinhas do sul. Segundo Lessa e Gonçalves (2007), a partir do processo conjuntural, o Estado nacional, nascia no Brasil durante a crise de colocação econômica nos mercados mundiais, após um curto período de bonança e abertura de mercado para as exportações agrícolas propiciadas, pela desorganização temporária da produção de bens tropicais nas colônias européias, durante o conflito pan-europeu. Após o rompimento com Portugal, os mercados compradores se retraíram em virtude da recuperação das colônias européias. Sem esperança de que a mineração se recuperasse e ainda à espera, do que a cafeicultura pudesse restabelecer o ciclo agroexportador, a jovem nação sofria rude contenção econômica, tendo de arcar com as consequências dos tratados comerciais assinados pelo príncipe regente D. João, com a Inglaterra – os quais D. Pe- dro I, renovou durante o processo de reconhecimento da Independência. (LESSA e GONÇALVES, 2007, p. 44). 43UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação 43UNIDADE II Destaques Internacionais Neste breve contexto, devemos notar as dificuldades que os governos e estados brasileiros foram, e ainda são, muitas. No final do material, você poderá conhecer e estudar sobre elas. Agora vamos tratar da primeira república. 4.1 Primeira República Lessa e Gonçalves (2007) apontam que, a chegada da república no Brasil levou a uma mudança de prioridades e perspectivas, nas relações externas brasileiras. Como pequena parte de um positivismo particular, houve o surgimento de uma variante nativista, na qual o Império havia instituído o país de costas para os vizinhos americanos. Portanto, a república que desceu estava determinada a priorizar as relações, com as nações do continente e, com foco em melhorar os laços com os vizinhos, produzindo, de certa maneira, a abolição das propriedades do Estado abolido. Por isso, podemos entender que os Estado Unidos foram uma referência, para a república que aqui nascia pelo nível de desenvolvimento e estabilidade de suas instituições. Pode-se aquilatar a admiração pelos Estados Unidos, pela adoção de alguns preceitos da constituição norte-americana na carta magna de 1891 e pela utilização de elementos simbólicos, entre os quais a primeira bandeira republicana, listrada e com estrelas representando os estados. Priorizar as relações com os países do continente implicava dificuldades importantes no começo da república. Enquanto os Estados Unidos permaneciam incontestes no rol das nações americanas merecedoras de especial atenção, sobretudo por força das relações comerciais, as demais tinham poucos laços econômicos com o Brasil, quando não eram concorrentes no mercado internacional. Se os vizinhos platinos mereciam a devida atenção em virtude do peso histórico das relações com o Brasil. (LESSA e GONÇALVES, 2007, p. 60). Sendo assim, caro (a) acadêmico (a), nos cinco primeiros anos republicanos, sob forte influência militar, não foi possível nenhuma formulação de monta devido à instabilidade política, embora tumultuoso tenha sido pleno de problemas internacionais, com vários incidentes provocados pelas revoltas que então ocorreram, Lessa e Gonçalves (2007, p. 61): (...) Isso se deu, por exemplo, durante a Revolta da Armada, iniciada em 1893, que contestava a legitimidade do mandato de Floriano Peixoto e pro- metia o bombardeio da capital federal. Os comandantes dos navios de guer- ra, estrangeiros ancorados na baía do Rio de Janeiro intervieram. Ameaça- vam usar a força para impedir o confronto, alegando proteger os interesses e a integridade dos cidadãos de seus países. A Inglaterra propôs o envio de forças, o que o governo brasileiro não aceitou. Enquanto o Brasil procurava adquirir navios de guerra, a diplomacia brasileira se esforçava para atender às exigências e dar as explicações necessárias aos governos estrangeiros. Portanto, é relatado que, ao mesmo tempo em que a violenta revolução Federalista ocorria no sul, seus lideres não pararam cruzar a fronteira uruguaia, organizando suas tropas do outro lado. Da mesma forma, a Argentina se inquietou, recusando-se a conceder asilo à beira-mar aos rebeldes, para não ofender o governo brasileiro. 44UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação 44UNIDADE II Destaques Internacionais Por isso, entre outros fatores, a instabilidade atual provocava crises diplomáticas e falta de confiança do estrangeiro na república, recentemente instituída, e pouco se espera do cumprimento dos compromissos internacionais e propósitos de política externa anunciados pouco depois, da Proclamação da República, em 1889. (LESSA e GONÇALVES, 2007). 4.2 Período de Vargas (1930-1945) Conforme Lessa e Gonçalves (2007), o período de quinze anos de Getúlio Vargas foi dos mais movimentados da história brasileira no que diz respeito às relações externas, destacando a sequencia de eventos catastróficos, ocorridos ao redor do mundo. Depois de assumir o governo em meio à recessão americana, que tanto afetou o Brasil em sua capacidade de exportar e saldar compromissos, Vargas com sua política externa – gostaria de se moldar de modo mais pragmático e menos “representativo”, feição até então domi- nante na diplomacia brasileira. Dois meses depois de assumir o cargo, Vargas determinou importantes mudanças no Ministério das Relações Exteriores, o que gerou negociações e preparou a atenção econômica. Portanto, desde o início de seu governo, procurou contar com o concurso do ministério em seu projeto de promover a industrialização brasileira, no sentido de torná-la menos dependente da venda de bens de consumo. (LESSA e GONÇALVES, 2007) 4.3 Período constitucional (1945-1964)Neste contexto, conforme Lessa e Gonçalves (2007), o fascismo se enfraqueceu ao final da Segunda Guerra Mundial, abrindo caminho para a restauração institucional e otimismo democrático no Brasil, com a expectativa de convivência das forças políticas opostas, em meio às dificuldades de crescimento econômico e necessidades sociais. Desse modo, em relação ao plano internacional, emergia um sistema antagônico e bipolarizado: de um lado, o bloco ocidental, liderado pelos Estados Unidos; de outro, o oriental, sob a égide da União Soviética, com suas disputas e conflitos regionais. A esse panorama deu-se o nome de Guerra Fria. As relações internacionais brasileiras nas duas décadas seguintes – e mesmo depois – seriam influenciadas de modo significativo pela interação do quadro interno e externo. Por isso, a estreita relação entre o Brasil e os Estados Unidos durante a guerra, levou o governo Dutra, que o país seria beneficiado em seus interesses de investimento e crescimento econômico. Porém, ao tentar implementar um plano de apoio ao desenvolvimento econômico, baseado na implementação de saúde, alimentação, transportes e energia (Plano Salte), Dutra percebeu que não poderia contar com apoio irrestrito. 45UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação 45UNIDADE II Destaques Internacionais Sendo assim, os Estados Unidos não estavam dispostos a ir além dos investimentos privados, para os quais desejavam tratamento mais flexível sob a lei brasileira. Reivindicaram também, modificação na política cambial e mais liberdade para a importação de produtos americanos, aos quais foram concedidos. Isso levou o Brasil a buscar financiamento para compensar os prejuízos. Sem apoio, o Plano Salte fracassou. 4.4 Do regime militar à redemocratização Conforme Lessa e Gonçalves (2007) O governo Castelo Branco, primeiro do regime militar, reviu completamente a política externa, que se estabeleceu priorizando “segurança e desenvolvimento”. Castelo Branco interpretava o contexto internacional da confrontação bipolar, como uma decisão sobre as relações exteriores, em todos os aspectos, necessária para se adaptar às circunstâncias, pois, uma política externa autônoma para o Brasil seria ilusória: “a preservação da independência pressupõe a aceitação de certo grau de interdependência” (LESSA e GONÇALVES, 2007, p. 92). Como resultado, Cuba foi vista como a causa da instabilidade continental e das tensões com os Estados Unidos, o que levou ao colapso entre o Brasil e o regime de Fidel Castro, segundo o chanceler Vasco Leitão da Cunha. A ruptura foi uma indicação segura de uma mudança na política externa, que passou de “independente” ao alinhamento automático com Washington. Mais tarde, embora o governo brasileiro tenha se recusado a participar da Guerra do Vietnã, concordou em enviar tropas à República Dominicana, integrando a Força Interamericana de Paz, cuja missão era conter a esquerda naquele país. Isso contrariou a tradicional posição brasileira de não-intervenção e respeito à autodeterminação dos povos. Prezado (a) acadêmico (a) é importante relatar, que a história das relações internacionais brasileiras é ampla e rica, em detalhes e informações, aqui apresentei apenas um breve resumo e alguns dos marcos mais importantes, mas mostro ao final deste livro, algumas referências que você poderá consultar e aprender mais. 46UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação 46UNIDADE II Destaques Internacionais SAIBA MAIS 5 curiosidades sobre futebol e relações internacionais que você não sabia Existe uma relação intrínseca entre futebol e as relações internacionais. O futebol é considerado por analistas internacionais, como um instrumento de diplomacia e cultura diplomática. Desde o início do século XX, ele assume importante papel no cenário internacional, e, ao longo da história. Estados e organizações têm, cada vez mais, se apropriado dos esportes para divulgar suas agendas, e o mesmo acontece com o futebol: internamente, ele consolida a identidade nacional e externamente ele é usado para projeção internacional, influência política ajudando na construção de uma imagem positiva do Estado. Portanto, o futebol é uma ferramenta de soft power, e no contexto da Copa do Mundo, apresenta-se 5 curiosidades que ligam o mundo do futebol às relações internacionais para, testar seus conhecimentos sobre o assunto. 1. Vários esportes, incluindo o futebol, foram utilizados na ex- URSS, durante a guerra fria, como forma de projeção internacional, através da conquista de vários títulos mundiais, na tentativa de mostrar a supremacia do modelo econômico socialista. 2. O futebol foi usado nas negociações nazista durante a segunda guerra mundial, para quebrar o isolamento internacional alemão. Como resultado, em 1935, foi organizado uma excursão da seleção alemã à Inglaterra para uma histórica partida contra os inventores do esporte. A Inglaterra venceu por 3 a 0, no entanto, a estratégia do regime nazista alemão prevaleceu. 3. Durante a copa do mundo de 1990, que foi realizada na Itália, houve um papel simbólico para os alemães que ainda viviam sob a divisão do Muro de Berlim. Com a vitória da Alemanha Ocidental, por 1x0 sobre a Argentina, houve um sentimento de união nacional que, mais tarde, no mesmo ano, foi marcado pela queda do muro. A vitória foi comemorada por ambos os lados do muro, ocidental e oriental, e reuniu os corações dos alemães. 4. O Brasil também usou a democracia futebolística, como ferramenta de propaganda. Podemos entender que, o “Jogo da Paz”, realizado durante a presidência de Luiz Inácio Lula da Silva (2004), entre Brasil e Haiti, em Porto Príncipe, capital Haitiana, foi um jogo de iniciativa humanitária do então presidente, para ajudar no processo de paz do Haiti que passava por uma instabilidade política, após o presidente Jean-Bertrand Aristide ser deposto do seu cargo. 47UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação 47UNIDADE II Destaques Internacionais O jogo teve grande repercussão internacional e foi transmitido para mais de cem países. O Brasil venceu por 6 a 0. 5. Em 1969, as eliminatórias da copa do mundo, foram o resultado de um conflito armado entre El Salvador e Honduras, conhecido como a Guerra do Futebol. Apesar das origens do conflito terem o início em disputas territoriais desde o século XIX e da situação de xenofobia, devido a alta imigração de salvadorenhos para Honduras, o enfrentamento entre os dois países foram instigados atos de agressão e xenofobia, que aconteceram nas três partidas para garantir uma vaga na Copa do Mundo no ano seguinte. Fonte: 3 ONGs brasileiras que você precisa conhecer. Whatsrel, 2021. Disponível em: https://whatsrel. com.br/post/3-ongs-brasileiras-que-voce-precisa-conhecer/. Acesso em 27 de jul. 2021. REFLITA “O problema político essencial para o intelectual não é criticar os conteúdos ideológicos que estariam ligados à ciência ou fazer com que sua prática científica seja acompanhada por uma ideologia justa; mas saber se é possível constituir uma nova política da verdade. [...] Não se trata de libertar a verdade de todo sistema de poder – o que seria quimérico na medida em que a própria verdade é poder – mas desvincular o poder da verdade das formas de hegemonia no interior das quais ela funciona no momento.” Autor: Michel Foucault, Microfísica do poder. https://whatsrel.com.br/post/3-ongs-brasileiras-que-voce-precisa-conhecer/ https://whatsrel.com.br/post/3-ongs-brasileiras-que-voce-precisa-conhecer/ 48UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação 48UNIDADE II Destaques Internacionais CONSIDERAÇÕES FINAIS Prezado (a) acadêmico (a), chegamos ao fim desta unidade, e até agora conseguimos identificar destaques internacionais. No tópico 1 (um), você conheceu os principais marcos metodológicos, e ainda os métodos cartesianos (Descartes), método indutivo (Bacon) e o método dedutivo (Popper). É importante ressaltar queo método científico, refere-se à integração das leis básicas dos procedimentos que produzem o conhecimento científico, quer um novo conhecimento, quer uma correção (evolução) ou um aumento na área de incidência de conhecimentos anteriormente existentes. Portanto, é importante estudar os principais pesquisadores destacados no tópico 1. No Tópico 2 (dois), destaca a análise das teorias das relações internacionais. Neste tópico, você pode perceber a importância destas análises na formulação de ideias e entendimento dos fatos ocorridos e as contribuições deles, para o estudo das relações internacionais. O conhecimento da realidade, em todas as suas dimensões, passou a incluir, necessariamente, o conhecimento das relações internacionais. Todo movimento intelectual resultante dessa nova forma de olhar as relações internacionais, mobilizou não apenas especialistas em ciências políticas, economistas e juristas, mas também historiadores. Devido à sua complexidade, o conhecimento dos problemas internacionais contemporâneos requer a análise histórica. No tópico 3 (três), destacam-se os principais autores e suas correntes clássicas que contribuíram para as relações internacionais, entre eles, destaca-se: o Cardeal Richelieu. Patrimônio do mundo oriental e greco-romano Herança do mundo ocidental pós- renascentista Tucídides Maquiavel Sun Tzu Hobbes Tito Lívio Richelieu. No último tópico, a ênfase foi nas principais correntes e relações brasileiras Da Regência do príncipe D. João ao fim do Primeiro Reinado Em 1822, ao surgir o Estado nacional no Brasil ao regime militar à redemocratização governo Castelo Branco entre outros. Espero que esta unidade tenha contribuído para seu aprendizado e aprimoramento, conhecendo alguns destaques internacionais. 49UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação 49UNIDADE II Destaques Internacionais LEITURA COMPLEMENTAR ARTIGO: POLÍTICA INTERNACIONAL, DO PENSAMENTO REALISTA À TEORIA NEORREALISTA: O pensamento teórico de Hans Morgenthau e Kenneth Waltz em perspectiva comparada Paulo Victor Zaneratto Bittencourt1 Resumo: O objetivo do trabalho apresentado é de mostrar um comparativo entre as teorias consideradas realistas de Hans J. Morgenthau e Kenneth N. Waltz. Sabe-se que o pensamento de ambos os autores, se encontra em discussões de literatura distintas da disciplina de relações internacionais, sendo a principal obra de Waltz, Theory of international politics, posterior à obra destaque de Morgenthau, Politics among nations. Assim, vamos compreender que ambos os autores são considerados realistas, com semelhanças e distanciamentos nas obras em questão, e com isso, teremos a melhor compreensão das ideias realistas ao longo daqueles que são convencionalmente chamados, discussões acadêmicas da disciplina de relações internacionais. Para atingir o objetivo proposto, usaremos os “seis princípios do realismo político” de Hans Morgenthau como fundamento para sua teoria, e estabeleceremos a comparação da mesma forma com Waltz, para cuja obra o fundamento tomado será o texto Man, the state, and War. O que colocamos aqui, portanto, é um foco mais certeiro no conjunto da obra dos dois escritores, partindo da proposta de apresentação de “autores” em vez de “escolas de pensamento”, o que faz com que se tenha um detalhamento maior dos argumentos de cada um dos pensadores. Palavras-chave: Balança de poder, sistema internacional, estrutura internacional Fonte: BITTENCOURT, Paulo Victor Zaneratto. Política internacional, do pensamento realista à teoria neorrealista: o pensamento teórico de Hans Morgenthau e Kenneth Waltz em perspectiva comparada. Revista Intratextos, 2017, 8.1: 1 - 22. 50UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação 50UNIDADE II Destaques Internacionais MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO Título: História das Relações Internacionais: teoria e processos / Organizadores: Mônica Leite Lessa, Williams da Silva Gonçalves. Ano: 2007. Editora: Coleção Comenius. Sinopse: Os capítulos mostram as distintas pesquisas apresentadas pelos professores do curso de especialização em História das Relações Internacionais da UERJ, destacando-se a busca de uma visão brasileira das relações internacionais. Assim, possui uma reflexão sobre as relações com base no interesse nacional na promoção do desenvolvimento, mostrando não só o lugar que o país ocupa na estrutura do sistema internacional, mas também temas como equilíbrio de poder para manutenção da paz mundial, poder bruto e poder brando, interdependência e sua complexidade, globalização e estabilidade hegemônica. FILME/VÍDEO Título: Guerra Fria. Ano: 2017 Sinopse: Esse filme de drama polonês tem uma história apaixonada e improvável entre duas pessoas, que estão em uma época dividida. Durante a Guerra Fria, entre a Polônia stalinista e a Paris boêmia dos anos 50, um músico amante da liberdade e uma jovem cantora com histórias e temperamentos distintos, vivem um amor impossível em uma época complexa. Do mesmo diretor de Ida (2013), vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro, o filme foi indicado à Palma de Ouro no Festival de Cannes, onde ganhou o prêmio de melhor diretor. Indicado ao People’s Choice Award no Festival de Toronto. 51 Plano de Estudo: ● Globalismo na era moderna; ● O Brasil e as relações internacionais voltadas ao comércio; ● Relações Internacionais e meio ambiente; ● Impactos das relações internacionais; ● Principais acordos internacionais brasileiro. Objetivos da Aprendizagem: ● Apresentar conceitos de globalismo na era moderna; ● Estudar o Brasil e as relações internacionais voltadas ao comércio; ● Conhecer os conceitos de relações internacionais e meio ambiente; ● Apresentar os impactos das relações internacionais; ● Conhecer os principais acordos internacionais brasileiro. UNIDADE III Globalismo Professora Esp. Margarete Campos Vieira 52UNIDADE III Globalismo INTRODUÇÃO Caro aluno (a) você sabe o que é o globalismo e como ele se difere dos dias de hoje? Quais são as relações e acordos comerciais do Brasil com os outros países? Ao final desta unidade você terá o aprendizado sobre o globalismo. Para atingir esse objetivo, ela será dividida em cinco seções. A primeira seção apresentará os conceitos de globalismo na era moderna, mas antes entenderá o que é globalismo, pois, ainda é bastante confundido com globalização e você entenderá aqui a diferença entre eles. Na segunda seção, você conhecerá um pouco sobre o Brasil e as relações internacionais voltadas ao comércio. Na terceira seção, entenderemos sobre as relações internacionais e sua relação atual com o meio ambiente, afinal, o tema de sustentabilidade, pois além de importante é essencial nas relações internacionais Na quarta seção, o estudo será sobre os impactos das relações internacionais, sabendo que o benefício gerado, será o fortalecimento de qualquer instituição de regulação nas relações entre os indivíduos. E por último na quinta seção, o estudo será referente aos principais acordos internacionais no Brasil, como por exemplo, Mercosul, Preferência Tarifária Regional entre países da ALADI etc. Portanto caro (a) acadêmico, é importante destacar, que nesta unidade trataremos apenas alguns resumos referentes ao globalismo, mas também estarei sugerindo vários materiais complementares para que você aprofunde o vosso estudo. Vamos conhecer um pouco mais sobre globalismo? 53UNIDADE III Globalismo 1. GLOBALISMO NA ERA MODERNA Prezado (a) aluno (a), para iniciarmos este tópico é importante falarmos sobre a conceitualização do globalismo, no qual, muitos confundem o globalismo com a globalização. Conforme BECK (1999), o Globalismo se diferencia da globalização: O Globalismo traz a ideia neoliberal, de que o mercado mundial exclui a ação política, restringindo a globalização ao aspecto econômico. O mercado mundial é visto como dominador, distinguindo-se economia de política. As empresas são imperativas (imperialismoda economia) (BECK, 1999, p. 28). Já a globalização, tem a ideia de um aglomerado das relações sociais que não estão ligadas à política de estado nacional. Assim, a globalização pode ser apresentada como “os processos, em cujo andamento os Estados nacionais veem sua soberania, sua identidade, redes de comunicação, chances de poder e suas orientações, sofrerem a interferência cruzada de atores transnacionais.” (BECK, 1999, p. 30). Movimentos mundiais importantes na proteção do meio ambiente são as ONGS ambientalistas, como a World Wide Fund Nature (WWF) e o Greenpeace. FIGURA 1 - REPRESENTAÇÃO DO GLOBALISMO Fonte: Freepik. Disponível em: https://br.freepik.com/fotos-gratis/globo-terra-cercado-por-maos_4298876. htm#page=1&query=globaliza%C3%A7%C3%A3o&position=4. Acesso em: 27 de jul. 2021. 54UNIDADE III Globalismo Mesmo diante desses métodos de análise prática, entende-se que o globalismo seja classificado como apolítico, mas há muita política por trás dele. Além disso, com a globalização, “não é automático; é na verdade um projeto político praticado, com constante renovação, por atores transnacionais, instituições e coalizões” (COSTALONGA, 2018, p. 13). Caro (a) acadêmico (a), sabe-se que nos países desenvolvidos a ideologia que proponho chamar de “globalismo”, é apenas uma ideologia para uso externo. Esta ideologia, que não deve ser confundida com o fenômeno real da globalização, anuncia o fim do Estado nacional, ou sua perda definitiva de autonomia, afirmando a precedência dos mercados e da “comunidade internacional moderna” sobre interesses nacionais “estreitos” ou “atrasados”. Portanto, é um conceito de exportação, pois, o cidadão de um país desenvolvido, sabe o quão importante é para ele a autonomia de seu próprio país, não tendo o globalismo consequências práticas no interior desses países. Seus cidadãos não têm dúvida sobre qual é o papel de seus governantes, nem o que se espera deles. Monteoliva et al. (2014) apresenta, que para uso externo, entretanto, o globalismo é extremamente eficaz: é uma ferramenta para governos dos países ricos, das agências multilaterais e das empresas multinacionais, para tornar os países em desenvolvimento mais dóceis em relação às políticas públicas, que recomendam implícita ou explicitamente, e que nem sempre consultem nossos interesses. Para os globalistas, são muito diferentes dos internacionalistas. Além de negar a relevância do critério do interesse nacional, acusam todos os que usam esse critério de “nacionalistas”, como se o nacionalismo fosse um fator, como se não houvesse distinção entre o novo e o velho nacionalismo, como se todo nacionalismo fosse fundamentalista. Os velhos nacionalistas, por sua vez, denunciam todas as reformas orientadas para o mercado – muitas das quais eram necessárias – e qualquer política de estabilização macroeconômica responsável, chamando-as de “reformas neoliberais”. Assim, o neoliberalismo globalista é usualmente identificado com reformas orientadas para o mercado, e o nacionalismo é definido em oposição a elas. Esse dualismo é equivocado. A violenta crise dos anos 80 impôs aos países em desenvolvimento, a realização de reformas orientadas para o mercado. O estatista ou o velho nacionalista é radicalmente contrário às reformas, o nacionalista moderno, não. 55UNIDADE III Globalismo As reformas orientadas para o mercado tornaram-se imperativas no Brasil, em função do crescimento distorcido do Estado, do protecionismo comercial, e endividamento externo irresponsável. O ciclo de desenvolvimento, que durou cinquenta anos na América Latina, promoveu inicialmente a industrialização, mas terminou nos anos 80 com uma crise financeira, crise da dívida externa e instabilidade macroeconômica. A partir daí, era necessário promover o ajuste fiscal, restabelecer o equilíbrio de pagamentos, estabilizar os preços, abrir as economias excessivamente protegidas e reformar ou reconstruir o Estado. 56UNIDADE III Globalismo 2. O BRASIL E AS RELAÇÕES INTERNACIONAIS VOLTADAS AO COMÉRCIO Prezado (a) acadêmico (a), neste tópico iremos abordar sobre como o Brasil está em suas relações internacionais em âmbito mundial, voltando-se para o comércio internacional. Assim, vamos resgatar alguns pontos históricos no qual o Brasil se destacou nas relações internacionais. Um ponto que vale destacar antes de iniciarmos esse histórico, é de que o Brasil é um país dependente de tecnologia, ou seja, exportamos commodities e importamos produtos de baixa, média e alta tecnologia. Isso se deve a vários fatores. Tem-se a necessidade de uma diversificação da pauta exportadora além da evolução de outros aspectos que serão apresentados a seguir. Uma delas, seria um pequeno investimento e planejamento de longo prazo para nos tornarmos independentes no âmbito tecnológico. No gráfico 1 (um), é apresentado um comparativo das exportações de Tecnologias da Informação e Comunicação (TICS) de países desenvolvidos e em desenvolvimento de grande, médio e pequeno porte. 57UNIDADE III Globalismo GRÁFICO 1 – EXPORTAÇÕES DE BENS TICS (% DAS EXPORTAÇÕES TOTAIS DE BENS) NOS PAÍSES SELECIONADOS. Fonte: Ribeiro (2019, p. 56). Dados retirados do The World Bank. No gráfico, conseguimos perceber que o Brasil se enquadra no último colocado até 2016 nas exportações de Tecnologias da Informação e Comunicação, junto com a Argentina que de certa forma é considerado um país em desenvolvimento. Vale destacar que no período de 2000 até meados de 2006, o Brasil havia melhorado nessas exportações. Pode-se dizer que essa exportação é por falta de investimento em pesquisa e desenvolvimento? Pode ser. Mas, vale lembrar que temos gastos que precisam ser eficientes. Não é só gastando que gerará resultados em uma economia. Vejamos o gráfico 2 (dois), para comparar internacionalmente com o custo de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). GRÁFICO 2 – DESPESA EM PESQUISA E DESENVOLVIMENTO 1996-2016 (% DO PIB) DOS PAÍSES SELECIONADOS. Fonte: Ribeiro (2019, p. 57). Dados retirados do International Monetary Fund, World Economic Outlook. 58UNIDADE III Globalismo Vale lembrar aqui, que “os gastos de Pesquisa e Desenvolvimento em relação ao PIB incluem capital e despesas correntes nos quatro tipos de setores: empresa, governo, ensino superior e privado” (RIBEIRO, 2019, p.57). Observa-se no Gráfico 2 (dois), que o Brasil até 2016 apresentou um grau de estabilidade (1% a 1,5%) em termos de gastos em P & D em relação ao PIB. Na situação atual, devido aos cortes na educação, a pesquisa provavelmente caiu algumas posições. No gráfico, vemos que a China (considerado um país em desenvolvimento, assim como o Brasil) teve um grande investimento em P & D e no âmbito internacional quando se fala de comércio, o país tem se destacado. Quando falamos de comércio internacional e das relações internacionais, precisamos olhar para o histórico. Olhando para âmbito mundial, as instituições destinadas ao comércio se destacaram a partir da segunda metade do século XIX: A partir da segunda metade do século XIX, e principalmente, desde o começo do século XX, Estados começaram a formar organizações internacionais dedicadas a temas de interesse comum. Essas organizações, tão variadas em objetivos e alcance como a Organização Internacional do Trabalho (OIT), a Organização das Nações Unidas (ONU), a Organização Mundial do Comércio (OMC) ou o Fundo Monetário Internacional (FMI) têm em comum, o fato de se constituírem como um novo espaço para a diplomacia, com implicações políticas importantes para as relações internacionais contemporâneas (RODRIGUES, 2012, p. 53). Um período de maior destaque do Brasil no que tange relações no comércio internacional foi em 2004, no qual o Brasil foi o maior articulador da expansão dos sócios do Mercosul e da criação da Comunidade Sul-Americana de Nações (CSN). Percebe-se que no âmbito comercial e de acordos políticos/econômicos,a construção de blocos se destaca no século XXI (MAGNOLI, 2013; MONTEOLIVA et al., 2014). Em termos de comércio internacional, a China se enquadra como principal parceiro comercial do Brasil. O Brasil é um grande exportador para a China e a China, é um dos países que mais investem no Brasil no âmbito de infraestrutura, tecnologia e eletrônicos. Em 2015, foi criado o “Fundo de Cooperação Brasil-China’’ para ampliar a capacidade produtiva e fomentar investimentos em agricultura, energia, infraestrutura, manufaturas e mineração (FIA, 2020). Os Estados Unidos também são considerados, o maior parceiro comercial do Brasil. O Brasil exporta commodities e produtos semimanufaturados (como ferro, por exemplo) para os Estados Unidos (FIA, 2020). E quais são os produtos que o Brasil mais exporta? Em 1° lugar está a soja, com 12% do total das exportações, em 2° lugar está o Petróleo, em 3° lugar o minério de ferro com 10% das exportações (FIA, 2020). 59UNIDADE III Globalismo E quais países o Brasil mais importa? Em destaque, como já mencionamos a China e os Estados Unidos. Da China importamos muito eletrônicos. Dos Estados Unidos as importações concentram-se em combustíveis e medicamentos. Em terceiro colocado está a Alemanha, no qual importamos muitas peças de veículos (FIA, 2020). E quais os principais acordos internacionais do Brasil na atualidade? A seguir, apresentaremos os três principais. ● União Internacional: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (BRICS).”O objetivo deste grupo é estabelecer governança internacional de acordo com seus interesses, além de desenvolver cooperação setorial em diferentes áreas” (FIA, 2020, p. 1). ● G-20: representando as 19 maiores economias do mundo. Esses representantes fazem parte da área de finanças e líderes dos Bancos Centrais. ● Mercado Comum do Sul (Mercosul): bloco econômico desenvolvido pelo Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. Agora que você conhece a base do panorama de comércio e acordos internacionais, vamos discutir alguns pontos importantes da conjuntura das relações internacionais e do comércio no Brasil. Um ponto em destaque na atualidade é o protecionismo brasileiro, dentre os integrantes do G20, o Brasil é o país com um maior nível de protecionismo. Isso acaba afetando nossas relações internacionais e nosso comércio internacional. Atualmente, por falta de diplomacia dos nossos representantes nossas relações internacionais estão com pouca credibilidade. Além disso, o Brasil de 2019 pra cá, vem perdendo espaço no Mercosul, faltando um acordo de tratado de integração comercial “O Mercosul vem perdendo seu intuito principal de criar um mercado de livre comércio entre os países membros e se tornou uma organização fechada” (EXAME, 2018, p. 01). 60UNIDADE III Globalismo 3. RELAÇÕES INTERNACIONAIS E MEIO AMBIENTE Caro acadêmico (a), neste tópico destaca-se as relações internacionais e o meio ambiente. Atualmente este tema tem se tornado muito importante. Afinal, precisamos não só na produtividade no crescimento da economia mundial, mas também em temas de desenvolvimento econômico, ou seja, temas alternativos que são essenciais para nossa sobrevivência e qualidade de vida. Diante disso, neste tópico vamos conhecer algumas medidas no âmbito mundial, mas principalmente iniciativas no Brasil, em relação as relações internacionais e ao meio ambiente. Vamos lá? Sabemos que é primordial, que os produtores e empresários precisam ter responsabilidade ambiental. É importante notar, que os recursos naturais são limitados e assim, é preciso mais do que nunca uma movimentação e união global, visando a elaboração de metodologias e instrumentos para garantir a sustentabilidade ambiental. Cumpre ressaltar, que o meio ambiente é um valor fundamental para sobrevivência da espécie humana no planeta. Como consequência, o poder público deve planejar suas políticas públicas de forma a compatibilizar o desenvolvimento econômico com o meio ambiente (MAGANHINI, 2007, p. 105). É preciso a união mundial e a troca de conhecimento entre os países para construir soluções de longo prazo, visando a garantia do desenvolvimento econômico e da preservação do meio ambiente. 61UNIDADE III Globalismo Falando sobre o Brasil em 1930, foi tomada a primeira iniciativa no que tange política para o meio ambiente. A política ambiental federal brasileira, surgiu “a partir da pressão de organismos internacionais e multilaterais (Banco Mundial, sistema ONU – Organização das Nações Unidas, e movimento ambientalista de ONGs)” (MOURA, 2016, p. 14). Em 1934, foi criado o primeiro código florestal brasileiro (Decreto no 23.793/1934). Em 1937, houve foco na proteção ambiental de áreas importantes e a criação de parques, sendo um deles o parque de Atibaia. No período de 1930-1960, com o foco no crescimento econômico, houve pouca atenção no assunto de políticas e acordos ambientais no Brasil (MOURA, 2016, p. 14). Em 1960, foi lançado um evento especial, o Serviço Florestal Brasileiro. Em 1972, um marco mundial acontece, a Conferência de Estocolmo estruturada pela Organização das Nações Unidas. O Brasil participou da conferência com a posição de defesa à soberania nacional. Argumentava-se que o crescimento econômico e populacional dos países em desenvolvimento não deveria ser sacrificado e que os países desenvolvidos, deveriam pagar pelos esforços para evitar a poluição ambiental – posição que foi endossada pelos países do chamado Terceiro Mundo (MOURA, 2016, p. 15). No período de 1973 até meados da década de 1980, surge a Secretaria Especial do meio ambiente, Sistema Nacional de Meio Ambiente, Conselho Nacional de Meio Ambiente, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) que é reconhecido mundialmente. Na década de 1990, acontecem mais eventos de relações internacionais destinadas ao meio ambiente. Em 1992, a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (CNUMAD). No mesmo ano, é realizado a Eco-92 ou Rio-92. Estados- nação estavam envolvidos nessa conferência (SENADO FEDERAL DO BRASIL, 2012). Em 2002, aconteceu a Rio+20 onde foram discutidos com representantes internacionais e nacionais, temas atuais como: energia eólica, biomassa, energia solar, hidrelétricas, etc. No ano de 2005 até meados de 2016, foram criadas várias iniciativas destinadas ao meio ambiente. Entre essas iniciativas estão: Fundo Nacional de Desenvolvimento Florestal, Conselho Nacional de Biossegurança, Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável na Aquicultura e da Pesca, entre outras. 62UNIDADE III Globalismo Diante disso, a relação internacional do Brasil com os outros países, é de extrema relevância. Isso porque: “a globalização proporciona a oportunidade para promover o uso eficiente dos recursos e incentivar o desenvolvimento” (OCDE, 2008, p. 9). A cooperação internacional é de grande importância, principalmente para países em desenvolvimento, no qual o Brasil se enquadra: Os países em desenvolvimento têm a oportunidade de aprender com as experiências dos outros países e, tirando proveito dos novos conhecimentos e tecnologias disponíveis, catapultar-se para padrões de atuação mais eficientes em energia e em recursos, permitindo um desenvolvimento mais “verde”. Os países membros e os não-membros têm de trabalhar em conjunto para uma melhor difusão do conhecimento e das melhores práticas e tecnologias disponíveis, retirando benefícios mútuos de padrões de produção e consumo globalmente mais sustentáveis (OCDE, 2008, p. 10). É preciso que os países em desenvolvimento estejam antenados em medidas de sustentabilidade, operando nos países em desenvolvimento e adequar essas medidas em âmbito nacional, afinal temos nossas especificidades e particularidades. Para isso, há a necessidade de interação, diplomacia e fluxo de conhecimento por parte dos representantes nacionais (MAGNOLI,2013; MONTEOLIVA et al., 2014). 63UNIDADE III Globalismo 4. IMPACTOS DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS Caro (a) acadêmico (a) neste tópico, o destaque influencia as relações internacionais, que traz para sociedade e o país como todo. Sabe-se que como quinto maior país do globo em população e dimensão territorial, a economia mundial, condições e pretensões de se tornar uma Grande Potência, o Brasil não pode deixar de ter um papel de destaque nas Relações Internacionais. As relações internacionais no mundo globalizado, cada vez mais, se tornarão parte do nosso cotidiano. No entanto, o desempenho do Brasil no cenário internacional, é menos importante em termos de seus pontos fortes. Foi somente nas últimas décadas do século XX, que começamos a ganhar cada vez mais atenção. Isso coincide com o surgimento e o desenvolvimento dos primeiros cursos de Relações Internacionais no País e com o aumento do interesse nas questões internacionais, por parte de diversos setores da nossa sociedade. Observa-se cada vez mais, a necessidade que os brasileiros buscam obter conhecimento de Relações Internacionais. Na Administração Pública, essa necessidade é mais evidente; no Poder Legislativo, é fundamental que aqueles que assessoram os legisladores estejam cientes das principais linhas da política internacional e da política interna brasileira. Afinal, política interna e política externa estão estreitamente relacionadas às ações de política interna, afetam e são afetadas pela política internacional e vice-versa. 64UNIDADE III Globalismo O Brasil está localizado, com fronteiras com praticamente todos os países sul- americanos e com o Atlântico, como principal rota para a Europa e a África. Somos uma nação considerada pacífica e respeitadora do direito internacional e com incontestáveis atributos de liderança regional. Finalmente, não devemos desconsiderar nossas maiores riquezas: os recursos naturais e um povo multiétnico, empreendedor. Os direitos e garantias fundamentais, estão intimamente relacionados às experiências vivenciadas pela comunidade das nações ao longo de sua história. Foi graças às Revoluções em países como França, EUA e Rússia, e à difusão desses princípios para além de suas fronteiras, que o mundo formou uma cultura de direitos fundamentais que, hoje, são inquestionáveis em qualquer lugar do planeta! E a violação a esses direitos, gera desgosto da comunidade internacional. 4.1 Relações internacionais e a Constituição Brasileira Portanto, é importante destacar aqui as relações internacionais e a Constituição Brasileira, como pode ser visto nos dez incisos do art. 4º da Constituição Federal, nossa Lei Maior, ainda no Título I – “Dos Princípios Fundamentais”, que estabelecem os princípios das relações internacionais do Brasil, o artigo 4º República Federativa do Brasil destaca suas relações internacionais e seus princípios. Em primeiro lugar, é preciso ter independência nacional, sempre colocando direitos humanos como prioridade, em segundo lugar, a autonomia dos povos, sempre buscar uma igualdade entre os Estados, e por fim, proteger a paz indo contra o terrorismo e racismo, assim, sempre se busca o progresso da humanidade redução de conflitos e cooperação entre os povos. 4.2 O Poder Legislativo e às Relações Internacionais A relação internacional brasileira passa pelo Poder Legislativo. Em nosso sistema jurídico-político, quaisquer acordos que o Brasil celebre com outros países ou com instituições internacionais, devem obter aprovação do Congresso Nacional antes de serem ratificados. O art. 49 da Constituição Federal de 1988, estabelece as competências do Congresso Nacional que são: resolução dos tratados, alianças, acordos internacionais visando não afetar o patrimônio nacional. Além disso, garante ao presidente da república a declaração de guerra, de paz e das leis das forças armadas (BRASIL, 1988). O Senado Federal tem o papel mais específico, em razão de que é a Casa Legislativa que realiza as avaliações e aprova a indicação de nossos embaixadores, autoridades máximas das missões diplomáticas do Brasil, indicados para representar o País no Exterior. Também cabe ao Senado realizar a autorização das operações exógenas de natureza financeira dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. 65UNIDADE III Globalismo Cada Casa Legislativa possui Comissões que possuem objetivos de articular os temas de relações exteriores e defesa nacional. No Senado Federal, por exemplo, a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) possui 19 membros titulares e 19 suplentes, e tem como função tratar das questões que interessam às relações internacionais do País. A legislação brasileira deixa clara a relevância do Poder Legislativo nos destinos das relações internacionais do País. Quanto mais o Brasil buscar a integração na comunidade das nações e ocupar o seu devido papel de destaque, mais fundamental se faz o conhecimento, na esfera do Legislativo, dos principais temas de relações internacionais. Vale destacar alguns dos principais fatores que influenciaram as relações internacionais nos anos de 2000, 2005, 2010 e 2014, conforme Almeida (2014): Em 2000, realizou-se a Cúpula do Milênio na ONU: metas para o desenvolvimento dos países pobres; China faz acordos com os principais países membros da OMC para seu ingresso na organização; Vaticano e comunidades cristãs comemoram o 2º milênio do cristianismo; Acordos de Camp David entre Israel e líderes palestinos, com cessão de território ocupado na Cisjordânia e Gaza: problema de Jerusalém impede o acordo definitivo; Vitória de George W. Bush, candidato republicano à presidência; Carta Social do Mercosul, adotada na reunião de cúpula de Buenos Aires; Já no Brasil organiza-se presidentes da América do Sul em Brasília (30/08- 1/09);Vitória do candidato de oposição no México, pondo fim a 70 anos de domínio do PRI; Decidida criação de uma organização para a cooperação na Amazônia (OTCA); Brasil e Portugal comemoram o V Centenário do Descobrimento; Melhoria sensível da situação econômica do país, com pagamento antecipado de empréstimo concedido pelo FMI; Brasil assina o Estatuto de Roma, criando o Tribunal Penal Internacional; Negociado acordo de salvaguardas tecnológicas entre o Brasil e os EUA, para utilização de voos comerciais da base de lançamento de foguetes de Alcântara: será recusado pelo Congresso, sob alegação de perda de soberania (ALMEIDA, 2014, p. 32). No ano seguinte, em 2001, ocorreu a Primeira reunião do Fórum Social Mundial em Porto Alegre, congrega anti-globalizadores de vários países, protestando contra o Fórum Econômico Mundial, de Davos: consigna “um outro mundo é possível, e os movimentos associados às constantes relações de Paz e melhorias vão ocorrendo até nos dias atuais. Em 2005 Almeida (2014) cita novos fatos: Em 2005 China: Parlamento aprova uso da força contra Taiwan se a ilha optar pela independência; Coréia do Norte anuncia posse de armas nucleares; Israel: aprovada retirada da faixa de Gaza em favor da ANP; eleições dão vitória ao Hamas; Vaticano: morte do papa João Paulo II; eleição do cardeal Ratzinger (Bento XVI); G-8 se encontra na Escócia: atentados terroristas e, Londres; Protocolo de Quioto entra em vigor; ONU: comemorações do 60º aniversário; fracassa processo de reforma da Carta com ampliação do Conselho de Segurança; Conselho de Direitos Humanos substitui a antiga Comissão; Peru e Colômbia concluem acordos de livre-comércio com os EUA, abrindo crise na CAN; Venezuela anuncia sua retirada da CAN e adesão ao Mercosul; Conferência de Cúpula das Américas (Mar del Plata) não aprovada, retomada das negociações da Alca; Queda de presidentes na Bolívia e no Equador por manifestações populares; Argentina: recrudescimento do protecionismo contra produtos brasileiros; Mercosul: decisão política pelo ingresso da Venezuela; Última reunião do Fórum Social Mundial no Brasil, depois da perda daprefeitura de Porto Alegre pelo PT; Diplomacia ativa na busca de apoios para as pretensões brasileiras em organismos internacionais, com muitas viagens presidenciais e visitas a Brasília (ALMEIDA, 2014, p. 37). 66UNIDADE III Globalismo Em 2005, o Brasil fracassou em candidaturas próprias para a OMC (Organização Mundial do Comércio), depois em 2006 na copa do mundo na Alemanha onde o Brasil foi desclassificado pela França. Entre outros acontecimentos houve ainda a nacionalização do gás na Bolívia, gerando desconforto para o Brasil já que a Petrobras recusa aumento de preços unilaterais, com isso as críticas referentes a política externa também aumentam. Em 2010 segundo Almeida (2014), novos acontecimentos e parcerias continuaram, como por exemplo: Em 2010 Irã: programa nuclear tem proposta de Brasil e Turquia rejeitada pelo P5+1; novas sanções aplicadas ao país; China: Exposição Universal em Shanghai; Grécia declara insolvência; África do Sul: Espanha vence Copa do Mundo de Futebol; Tsunami no Oceano Pacífico. Terremoto no Haiti vitimou milhares de pessoas, entre elas a brasileira Zilda Arns; Unasul entra em vigor, com secretariado em Quito; Constituída a Celac, que pretende ser uma OEA sem Estados Unidos e Canadá; Chile: direita elege presidente Sebastian Piñera;Chanceler e presidente do Brasil engajam a diplomacia brasileira em negociações tripartites com a diplomacia turca e os dirigentes iranianos numa resolução tentativa dos impasses relativos ao programa nuclear do Irã, objeto de longas e difíceis tratativas entre os cinco membros permanentes do CSNU e a Alemanha (P5+1); presidente Lula viaja a Teheran para, triunfalmente, assinar um acordo de cessão e guarda de urânio do Irã junto à Turquia; acordo foi recusado pelo P5+1; Eleições: PT consegue um terceiro mandato, com eleição da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff; Presidente Lula desrespeita tratado de extradição com a Itália ao não deportar terrorista italiano Cesare Battisti (ALMEIDA, 2014, p. 42). Até 2014, ocorreram muitos movimentos que marcaram as relações internacionais, entre eles protestos, como por exemplo ocorridos em 2013, onde o governo promete fazer várias reformas e também começar um programa de importação de médicos cubanos, sob protestos dos brasileiros; Condenados no processo do Mensalão começam a cumprir penas de prisão; vários dos criminosos políticos são soltos após poucos meses, ao passo que operadores financeiros permanecem presos mais tempo; e Almeida complementa os fatos ocorridos em 2014, conforme segue: Em 2014 Ucrânia: depois da demissão do presidente, Rússia toma a Crimeia e apoia separatistas no leste; Epidemia de ebola na África; Estado Islâmico degola vários reféns ocidentais na Síria; Venezuela: protestos maciços contra a crise econômica; regime mata manifestantes; México muda lei do petróleo; Chile: candidata socialista, Michelle Bachelet eleita presidente novamente; Cúpula do Brics realizada em Fortaleza; Copa do Mundo de Futebol no Brasil: Alemanha campeã; bate Brasil por 7x1; Eleições presidenciais: candidato do PSB, Eduardo Gomes, vítima de acidente aéreo; Marina Silva emerge; Reeleição da presidente Dilma: crise econômica e corrupção na estatal Petrobrás dominam debate eleitoral; desequilíbrio das contas públicas e maquiagens contábeis do governo, dominam debates no parlamento (ALMEIDA, 2014, p. 46). 67UNIDADE III Globalismo Aqui destaquei apenas alguns dos fatos que marcaram as relações internacionais, mas você acadêmico (a) pode observar que os fatos não param, estudar RI é dinâmico e o tempo todo o mundo está mudando, as relações geram conflitos, mas sempre há soluções e parcerias. Em relação a Pandemia do Coronavírus por exemplo, a atuação da Organização Mundial da Saúde (OMS), agência especializada e subordinada às Nações Unidas (ONU), ocorre no sentido de monitorar os dados, orientar os países, organizações e prestar recomendações para que os governos se mobilizam, em uma ação internacional e conjunta, para encontrar meios de frear a curva de contágio e encontrar soluções, inclusive por meio de vacinas. No entanto, cada país tem discricionariedade para determinar as medidas de prevenção e tratamento de seus cidadãos. Por isso, os países têm adotado linhas de condução e procedimentos isolados, com exceção de recentes decisões da União Europeia, ante a consideração da Europa, como novo epicentro de propagação do vírus. 68UNIDADE III Globalismo 5. PRINCIPAIS ACORDOS INTERNACIONAIS BRASILEIROS Prezado (a) acadêmico (a) neste tópico, apresentarei a você os principais acordos internacionais brasileiros referentes às relações internacionais. Até aqui, você deve estar buscando identificar os principais acordos brasileiros. De acordo com Almeida (1999), uma tipologia ampla pode começar pelos elementos mais genéricos da problemática que são vinculados do exterior do Brasil, podem ser apresentados em cada uma das três grandes fases da história do País, que são: (A) Colonial, isto é, a partir de 1530-1550, aproximadamente (com a implantação do sistema de governo geral do Brasil pela coroa portuguesa, no seguimento da atribuição das primeiras capitanias hereditárias) até os anos 1808-1822, que assistem ao movimento gradual, mas irreversível em direção da independência; (B) Independente, a partir daquela última data, até a Revolução de 1930, que assiste, ainda que de maneira algo involuntária, à conclusão do ciclo colonial- exportador da economia brasileira; (C) Nacional, que se estende desde então até os nossos dias, com diferentes subperíodos depois de 1930, a começar pelo longo interregno varguista até 1945, sucedido pela existência tormentosa da República “populista” de 1946, por novo interregno autoritário a partir de 1964, este seguido pela fase de redemocratização que se inicia em 1985 (ALMEIDA, 1999, p. 37). Sendo assim, a primeira fase, tem ligação com os três séculos da era colonial, a problemática chave na definição da inserção internacional do País, é representada pelo status colonial no contexto da economia mercantilista portuguesa. 69UNIDADE III Globalismo Nesse longo período existe uma inserção dependente da formação social brasileira, no que tange o sistema da economia mundial pré-capitalista de então, com uma absorção passiva das alianças internacionais que se movimentam no continente europeu (isto é, a dinâmica de “relações exteriores” do Brasil que mostra o movimento errático dos acordos dinásticas e dos tratados de “amizade e navegação”, feitos por uma Coroa portuguesa temerosa de seus grandes vizinhos europeus, a Espanha e a França em primeiro lugar). Na apresentação de Almeida (1999) a expansão continental do território brasileiro se faz, nesse contexto, com o ritmo das relações interibéricas, isso porque existe uma anulação da linha de Tordesilhas pela obra das entradas e bandeiras. Mas observando mais a fundo podemos colocar o poder da comunidade no desenvolvimento e crescimento sustentável, e em suas fronteiras abertas ao apresentar o empreendimento dos desbravadores do sertão. Ainda na visão de Almeida (1999), no período final da “era colonial”, é possível verificar no Brasil uma lenta estruturação de uma “consciência nacional”, no qual a Nação independentemente do estreito quadro mental da metrópole tutelar, e ao mesmo tempo em que o movimento autonomista vai agindo por interesses políticos dos impulsos, resultantes da grave crise do sistema colonial, que foi acelerado por uma “grande desordem” causada pela hegemonia napoleônica no continente europeu e também pelos avanços produzidos pela visão iluminista em expansão. O fato é que a era independente, que então tem início, vem incluir um fator exclusivo de legitimação externa para a jovem Nação, que surge como novo Estado autônomo por meio de um processo de transição. Vale destacar que nem sempre esse processo vem com uma plena legitimidade, em razão de que é resultantede um tratado de “aquisição” do reconhecimento da nova situação soberana, que foi entre o antigo poder colonial e as potências do período. Com a figura de founding Father de José Bonifácio inicia, a consolidação de um projeto próprio de construção nacional em face aos interesses de poderes hegemônicos externos, no qual é um processo em partes levado pelos fortes vínculos externos, no caso portugueses e acima de tudo a família, do primeiro monarca “brasileiro” da dinastia dos Braganças. A abdicação traz aspectos traumáticos, já que coloca em perigo a própria definição da unidade nacional, que seria obtida a partir do regime regencial transitório. Este, não teme quanto aos instrumentos mais adequados para obtê-la, ainda que à custa de brutal repressão contra certa dinâmica e transformações regionais autonomistas, assim como contra insurreições de caráter social e mesmo étnico. 70UNIDADE III Globalismo A era independente que está em regime republicano, ainda mostrou o acabamento da obra de demarcação das fronteiras do território pátrio, mas não conseguiu a consolidação de uma economia realmente independente, isso porque mesmo que preservada, está em suas funções substanciais de fornecedora de alguns poucos produtos primários a economias mais desenvolvidas (ALMEIDA, 1999). Para Almeida (1999) a era nacional, atingiu o palco da grave crise econômica mundial e começou com a tarefa de garantir os interesses externos da Nação em face dos desafios políticos de um mundo em transformações, entre o capitalismo estilo laissez-faire da belle époque, e a fase de intervencionismo do Estado na economia, que durou até os anos 80 do século XX pelo menos. O regime varguista, nas fases provisória e “constitucional”, como sob o impacto do fechamento estado-novista, dá início ao processo de criação das condições políticas e institucionais, inclusive externas, para o objetivo de modernização do País. A afirmação dos interesses considerados nacionais do Brasil, em um mundo com ascensão distinta entre grandes potências e nações de “segunda classe”, perpassa pelo projeto da industrialização básica, com a capacitação tecnológica independente, além de um longo processo de desenvolvimento. (ALMEIDA, 1999, p. 39). 5.1 A política externa do Brasil na década de 1920 Segundo Garcia (2006), a Política Externa Brasileira tenha apresentado continuidade em vários aspectos, desde o início da República Velha, a atuação externa brasileira sofreu oscilações decorrentes de opções políticas e preferências diplomáticas elaboradas, de acordo com necessidades de cada momento. Segundo Garcia (2006), a década de 1920 foi caracterizada por três eixos de ação da política externa brasileira: os Estados Unidos, a Europa e a América do Sul. A análise da ação externa, nesse período, deve levar em conta: (…) um contexto interno de crise política e institucional, prevalência do modelo agroexportador, dificuldades econômicas, dependência do capital estrangeiro e limitada capacidade estratégico-militar. Convém assinalar, que a formulação e a execução da política externa estavam dominadas por um pequeno círculo de elite, basicamente atores ligados ao Ministério das Relações Exteriores e setores do governo federal (GARCIA, 2006, p. 25). Conforme Garcia (2006, p 25): “na cultura política oligárquica, a ‘amizade’ pressupunha compromissos e obrigações mútuas entre os membros da comunidade. A amizade entre iguais significava aliança, a amizade entre desiguais, proteção em troca de lealdade.” Enquanto o Brasil interpretava sua relação com os EUA como sendo entre iguais, os norte-americanos não recebiam o que esperavam pela proteção prestada, e esse quadro gerava dissonâncias nas relações entre os dois países, fazendo com que ambos tivessem dificuldades em compreender as ações externas um do outro. 71UNIDADE III Globalismo As expectativas norte-americanas de lealdade brasileira não se confirmaram, porque a política externa brasileira não se baseava em um “alinhamento automático” com os EUA na década de 1920. A recusa do Brasil em assinar o Pacto Briand-Kellog – ou Tratado de Paris – e a decisão de não se retirar da Liga das Nações, em um primeiro momento, demonstraram tal assertiva. Quando se refere à Europa, a política externa brasileira tinha como principais preocupações, questões comerciais e financeiras. O envolvimento do Brasil em assuntos políticos no Velho Continente, buscava consolidar a reputação internacional do país, lutando por um assento permanente no Conselho da Liga das Nações, o Brasil pareceu demonstrar não ter calculado bem seu peso na esfera internacional à época, e acabou por gerar crise significativa no âmbito da Liga, ao vetar a entrada da Alemanha na organização e, depois, anunciar sua retirada do Conselho e da própria Organização. Ao se tratar da América do Sul, a diplomacia brasileira não se pautou por questões econômicas, uma vez que o comércio exterior do país era feito majoritariamente com os EUA e Europa, nos anos de 1920. As principais preocupações do Brasil em relação à sua vizinhança passavam por aspectos estratégicos, militares e políticos. Sentindo a necessidade de modernizar e reequipar suas Forças Armadas, o Brasil buscou atuar no cenário internacional de modo a obter legitimidade para seu empreendimento. Tal fato, no entanto, foi responsável por aumentar a rivalidade com a Argentina, gerando tensões entre os dois países. Entre os anos de 1924 e 1929, as missões estrangeiras brasileiras em Montevi- déu, Assunção e, principalmente, Buenos Aires foram instrumentos importantes para a política externa de repressão iniciada por Bernardes e continuada por W. Luis. A questão, então, não foi meramente pessoal, como grande parcela dos autores que escrevem sobre o tema afirma, posto que um dos objetivos declarados pelos insurgentes, era a queda do governo de Artur Bernardes. Desde a eclosão do Segundo 5 de Julho, em 1924, o movimento liderado por Isidoro Dias Lopes produziu repercussões nas relações internacionais do Brasil. As primeiras consequências foram notícias divulgadas no exterior a respeito do movimento revolucionário, gerando imagem negativa do país. A imprensa internacional auferia informações diretamente de seus representantes no Brasil ou por troca de dados entre si. O governo federal deu orientação aos postos do Itamaraty para que atuassem no sentido de desmentir notícias referentes aos movimentos rebeldes, que fossem consideradas infundadas e mentirosas. Isso ocorreu na Europa e na América do Sul, onde as embaixadas e as legações do Brasil publicaram, por diversas vezes, matérias, notas e cartas, com a intenção de reforçar as versões oficiais sobre as agitações no país. 72UNIDADE III Globalismo A guerra de informações entre o governo federal e as agências estrangeiras foi tão significativa que Artur Bernardes passou a censurar não só as notícias que circulavam internamente, como também as informações que os correspondentes estrangeiros enviaram ao exterior. Ainda assim, as informações levantadas pelas agências norte-americanas eram confiáveis, decorrente da provável atuação dos consulados norte-americanos como fontes para a mídia. A reprodução em Buenos Aires de grande parte das notícias publicadas pelos meios norte-americanos, é outro indício da qualidade dessas informações. Como a versão oficial era muito diferente das que circulavam nos jornais estrangeiros, houve protestos brasileiros junto às embaixadas desses dois países e repercussões, inclusive, na Europa. Em nota ao encarregado de negócios da embaixada dos EUA, Pacheco justificou suas ponderações, afirmando que “o Governo seria, portanto, ingênuo se não se defendesse das más e nocivas notícias que semeia a anarquia no País e abala seu crédito no exterior”. O embaixador brasileiro em Buenos Aires Pedro de Toledo, tentou alertar Pacheco sobre as más repercussões da censura e dosprotestos, mas sem sucesso. Dessa maneira, percebe-se que o uso do aparato burocrático do Itamaraty não ficou restrito a amenizar os efeitos negativos que a Coluna Prestes gerou na imagem internacional do Brasil, ou a responder às reclamações internacionais decorrentes dos prejuízos impostos a outras nações. O Governo de Artur Bernardes usou todos os recursos à sua disposição para debelar o movimento subversivo, sendo a rede de postos do Ministério das Relações Exteriores algo importante, juntamente com o serviço de inteligência das Forças Armadas e o próprio Ministério da Guerra. O telegrama 1813, enviado pelo Marechal Rondon a Félix Pacheco, demonstra como a cooperação entre esses órgãos do Executivo ocorreu de maneira estreita, vinculando as ações externas do país aos desdobramentos internos. 73UNIDADE III Globalismo SAIBA MAIS Termos e Conceitos Importantes Pan-americanismo Orientação política e ideológica, voltada para a integração geopolítica dos Estados das Américas sob a liderança dos Estados Unidos. O pan-americanismo surgiu como reação ao domínio colonial europeu nas Américas e desenvolveu-se como instrumento da liderança continental de Washington. “Hemisfério Americano” Noção ideológica que traduziu, no plano geopolítico e diplomático, a ideia da cisão histórica entre o Novo Mundo e o Velho Mundo. No interior da orientação do pan- americanismo, o “Hemisfério Americano”, é a esfera de influência dos Estados Unidos. Sistema Interamericano Sistema de cooperação diplomática e segurança das Américas, criado por iniciativa dos Estados Unidos a partir de 1889. O Sistema Interamericano institucionalizou-se na OEA. Economia agroexportadora Modelo econômico de países pré-industriais que, no quadro da divisão internacional do trabalho, se especializam na exportação de produtos agrícolas. Pensamento cepalino Teoria do desenvolvimento elaborada no quadro da Comissão Econômica para a América Latina (Cepal), nos anos de 1950 e 1960, na qual sustentava uma plataforma política de industrialização autônoma. Substituição de importações Política econômica voltada para a industrialização nacional. A política de substituição de importações, preconizada pelo pensamento cepalino, organizou-se em torno de estratégias de proteção do mercado interno e estímulo à implantação de indústrias modernas. 74UNIDADE III Globalismo Regionalismo aberto Método de integração econômica supranacional, que prevê a progressiva ampliação horizontal do bloco econômico. O Mercosul adotou, desde a sua origem, o método do regionalismo aberto. Fonte: MAGNOLI, Demétrio. Relações internacionais. 2 ed. São Paulo: Saraiva, 2013. P.346 Disponível em: https://www.saraiva.com.br/relacoes-internacionais-teoria-e-historia-2-ed-2013-4912211/p. Acesso em: 27 de jul. 2021. REFLITA “O indivíduo só poderá agir, na medida em que aprender a conhecer o contexto em que está inserido, a saber quais são suas origens e as condições de que depende. E não poderá sabê-la sem ir à escola, começando por observar a matéria bruta que está lá representada.” Fonte: DURKEIM, D. E. (David Émile Durkheim – sociólogo, antropólogo, cientista político, psicólogo social e filósofo francês do século XIX). https://www.saraiva.com.br/relacoes-internacionais-teoria-e-historia-2-ed-2013-4912211/p 75UNIDADE III Globalismo CONSIDERAÇÕES FINAIS Caro (a) acadêmico, chegamos ao final da unidade III, você gostou? Espero que tenha conhecido um pouco mais sobre o globalismo e tudo o envolve. Mas no final desta unidade, quero destacar alguns pontos relevantes tratados aqui. Na primeira seção apresentei o conceito de globalismo e que este conceito, vem com a ideia de neoliberalismo, ou seja, total confiança no mercado. Atualmente esse conceito tem mudado. De todo modo, o globalismo é um tema muito amplo, polêmico e com uma gama muito variada de autores, defensores e críticas, de forma que existem muitas linhas de pensamento a favor e contra essa forma de se observar a dinâmica da globalização. Na segunda seção vimos no contexto internacional, como que o Brasil se enquadra. Neste tópico, percebemos que o Brasil tem uma pauta exportadora baseada em commodities e que importamos produtos de baixa, média e alta tecnologia. Além disso, vimos os principais países que o Brasil comercializa. Em destaque, estão os Estados Unidos e a China. Vimos também os principais acordos comerciais do Brasil e discutimos essas relações e acordos no cenário atual. No terceiro tópico conferimos as principais iniciativas das relações internacionais e meio ambiente olhando mais para o Brasil. Vimos que em 1992, aconteceu a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (CNUMAD) que reuniu uma diversidade de países, neste mesmo ano aconteceu o Rio-92, onde 178 Estados- nações estavam envolvidos, em 2002 acontece a Rio+20 onde foram discutidos com representantes internacionais e nacionais temas atuais, ou seja, foram medidas importantes para aprendizado sobre o planejamento sobre meio ambiente no Brasil. Percebemos que o Brasil precisa muito da troca de conhecimento com países em desenvolvimento, buscando instrumentos e metodologias para a sustentabilidade nacional visando o longo prazo. No quarto tópico, o estudo foi com foco nos impactos das relações internacionais. Destaca-se que os impactos são importantes para o fortalecimento de qualquer instituição de regulação nas relações entre os indivíduos. Por fim, no tópico 5 relatamos sobre os principais acordos internacionais que são decorrentes dos fortalecimentos das relações internacionais, e neste tópico, destacamos alguns acordos. Portanto, caro (a) acadêmico, agradeço sua participação até aqui, espero que continue conosco e tenha ótimos estudos. 76UNIDADE III Globalismo LEITURA COMPLEMENTAR Cronologia das Relações Internacionais do Brasil Nesta Cronologia das Relações Internacionais do Brasil, estão sintetizados os principais fatos que marcaram a história das relações internacionais do Brasil, desde o período dos descobrimentos até os dias de hoje, complementados pelos eventos mais relevantes casos, tanto no plano interno quanto no âmbito mundial. Dado o seu grande sucesso entre o público leitor, além de ser atualizada até o ano de 2016, esta terceira edição foi ampliada para inclusão de novas informações e o aprofundamento e detalhamento da cronologia. É essencial para área acadêmica, por se tratar de uma fonte indispensável de estudo para provas e concursos, e por ser um instrumento para quem está iniciando seu contato com a disciplina. Assim como o livro Diplomacia Brasileira e Política Externa – Documentos Históricos, também editado pela Contraponto, o leitor tem à sua disposição um dos mais completos materiais sobre a história da política externa brasileira. Fonte: GARCIA, Eugênio Vargas. Cronologia das relações internacionais do Brasil. Rio de Janeiro: Contraponto, 2005. 77UNIDADE III Globalismo MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO Título: Introdução ao estudo das relações internacionais Autores: Antônio Carlos Lessa; Henrique Altemani de Oliveira; Thiago Gehre; Virgílio Arraes. Ano: 2013. Editora: Saraiva. Sinopse: Esse livro tem o objetivo geral de mostrar alicerces teóricos, de definições e metodologia a ciência das Relações Internacionais (RI). Este primeiro volume traz consigo os aspectos identitários, colocando o surgimento do pensamento teórico e as ideias primordiais das principais instituições que caracterizam a vida internacional. A obra apresenta uma visão geral desse campo de estudo, mostrando a diversidade de abordagens científicas das RI. Além disso, possui uma linguagem direta e acessível, deixando a leitura leve e de fácil entendimento com união da teoria com a prática. FILME/VÍDEO Título: Brexit Ano: 2019. Sinopse: O filme mostra a ação do responsável pela campanha para saída da Grã-Bretanha da União Europeia, Dominic Cummings.A narrativa tem a apresentação das estratégias de comunicação, e assim, usa-se das redes sociais e das ações, para convencer os eleitores britânicos favoráveis ao Brexit. O filme conduz um relevante debate sobre o papel das mídias sociais e o impacto nos processos democráticos que atingem diversos países. 78 Plano de Estudo: ● Temas de análises das relações internacionais contemporâneas; ● Integração econômica: acordos multilaterais e acordos regionais/plurilaterais; ● Ameaças e oportunidades empresariais; ● Acordos comerciais e as cadeias globais de valor. Objetivos da Aprendizagem: ● Conceituar e contextualizar temas de análises das relações internacionais contemporâneas; ● Compreender os tipos de Integração econômica: acordos multilaterais e acordos regionais/plurilaterais; ● Estudar e compreender as ameaças e oportunidades empresariais; ● Estabelecer a importância dos acordos comerciais e as cadeias globais de valor. UNIDADE IV Brasil e as Relações Internacionais Professora Esp. Margarete Campos Vieira 79UNIDADE IV Brasil e as Relações Internacionais INTRODUÇÃO Caro aluno (a), no final desta unidade você terá o aprendizado sobre o Brasil e as relações internacionais. Para atingir esse objetivo, essa unidade será dividida em quatro seções. A primeira terá algumas abordagens e temas sobre as relações contemporâneas da atualidade. Na segunda seção aprenderemos sobre a integração econômica, veremos sobre os acordos multilaterais, acordos regionais e plurilaterais. Na terceira seção compreenderemos sobre as ameaças e oportunidades empresariais, por fim, na última seção entenderemos sobre os acordos comerciais e as cadeias globais de valor, que é um assunto de extrema relevância do século XXI. Todas as seções terão uma análise, partindo do geral para o específico, ou seja, falaremos de mundo, mas nosso foco será entender sobre o Brasil e as relações interna- cionais. Vamos lá? 80UNIDADE IV Brasil e as Relações Internacionais 1. TEMAS E ANÁLISE DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS CONTEMPORÂNEAS Você sabe como estava o cenário pós Segunda Guerra Mundial? Estados Unidos e União Soviética foram considerados os países vencedores, com pensamento político- econômico totalmente diferentes: o capitalismo e o comunismo. Diante dessa diferença, houve tensões entre essas duas potências e assim houve uma guerra fria (ALMEIDA, 2006). Aproveitando o contexto pós-guerra, os Estados Unidos iniciaram com uma medida de relação internacional com a Europa. Sabemos bem que o interesse e o individualismo dos EUA estavam além da reconstrução europeia, eles também visavam o revigoramento do capitalismo, não deixando espaço para a Rússia (ALMEIDA, 2006). O elemento singular mais relevante para a mudança de padrões nas relações internacionais contemporâneas nas duas últimas décadas do século XX, foi o fim do socialismo, enquanto polo articulador de um sistema socioeconômico concorrente ao domínio tradicional ldo liberal capitalismo. Essa dissolução de um sistema — cujas estruturas de comando e dominação tinham sido até então consideradas como dotadas de uma certa rigidez — foi de certa forma inesperada, pois que ocorrida em um momento, no qual o socialismo soviético procurava, precisamente, reformar-se e adaptar-se às novas condições da revolução tecnológica em curso, caracterizada pela microeletrônica e suas aplicações às telecomunicações. A derrocada do socialismo que, para todos os efeitos práticos, confunde-se com o desaparecimento da própria União Soviética, foi fundamental para a superação substantiva do período conhecido como Guerra Fria e para a transição da bipolaridade para uma nova situação de equilíbrio e convivência entre grandes potências, cujos contornos não estão claramente definidos em termos de relações internacionais (ALMEIDA, 2006, p. 12). Essa medida financeira e de reconstrução financeira, ficou conhecida como Plano Marshall. Com a reconstrução da Europa, os EUA aumentaram seus laços no comércio internacional e se destaca mundialmente. 81UNIDADE IV Brasil e as Relações Internacionais Nos EUA (pós-crise de 1929) welfare state se destaca, visando questões mais humanistas e com maior defesa do intervencionismo estatal. Portanto, acaba surgindo modelos similares em todo mundo. FIGURA 1 - ESTADOS UNIDOS Fonte: Freepik. Disponível em: https://br.freepik.com/vetores-gratis/estilo-grunge-fundo-da-bandeira- americana_893044.htm#page=1&query=estados%20unidos&position=1. Acesso em: 27 jul. 2021. O modelo de Bem-Estar Social, também foi introduzido no Brasil na década de 1930. Nesse período a sociedade passava para uma fase mais industrial (ainda atrasado comparado a outros países). Vale destacar, que nas décadas de 1950 e 1960 vieram à tona do Brasil temas ligados ao desenvolvimento econômico, por meio da Comissão Econômica para a América Latina (Cepal). Essas linhas de pensadores visavam criar um modelo de desenvolvimento industrial autônomo para os países da América Latina. Com a crise do Petróleo, houve um esgotamento do Estado de Bem-Estar Social, isso porque o nível de desemprego e a inflação não estavam sendo resolvidas. Consequentemente, a capacidade financeira dos governos em conseguir atender as necessidades da população e realizar investimentos, estava sendo questionada. Os países em desenvolvimento (Brasil se enquadra nesse modelo) foram os que mais sofreram nesse período. A crise de 1980 gerou altas taxas de desemprego e alta inflação (ALMEIDA, 2006). Em meados dos anos 90, as esperanças depositadas em uma nova fase de crescimento rápido no bojo da globalização – na qual se destacaram as economias emergentes da Ásia oriental – se desfizeram nas grandes crises financeiras e cambiais da segunda metade da década, englobando sucessivamente vários países asiáticos, a Rússia e o próprio Brasil (ALMEIDA, 2006, p. 19). Os países em desenvolvimento pegavam empréstimos do exterior, para investir em sua industrialização e na tentativa de investir, para sair da crise econômica. Podemos analisar este ponto na tabela: crescimento da dívida externa da América Latina. O Brasil aumentou consideravelmente sua dívida externa do ano de 1977 para 1987. 82UNIDADE IV Brasil e as Relações Internacionais TABELA 1 - CRESCIMENTO DA DÍVIDA EXTERNA DA AMÉRICA LATINA (DÍVIDA TOTAL EM % DO PIB) Fonte: Adaptado de Paul Kennedy, Preparing For the Twentieth-First Century, 1993, p. 205. Como vimos na tabela e na discussão acima, o Brasil acabou endividado e o capitalismo atrasado em relação a outros países desenvolvidos. Com a falta de investimento em setores essenciais, também tivemos impactos na educação, saúde, infraestrutura, inovação, etc. Analisando em contexto de comércio internacional, nos enquadramos em um modelo agroexportador, ou seja, importamos bens manufaturados e produtos de baixa, média e alta tecnologia, e exportamos commodities. Somos dependentes dos países desenvolvidos. Um ponto em destaque falando de política externa, é a Área de Livre Comércio das Américas (ALCA). E o que foi a ALCA? Pode-se dizer que foi um aspecto histórico das relações, tanto do Brasil quanto com os Estados Unidos, para a articulação do Brasil no contexto internacional. Assim: A hipotética recusa brasileira à Alca, equivaleria a uma profunda ruptura na parceria entre Brasil e Estados Unidos, que funcionou como alicerce da política externa brasileira ao longo do século XX. Além disso, provavelmente isolaria o Brasil, ou, no máximo, o Mercosul, no “Hemisfério Americano”. O principal benefício da Alca reside a um acesso mais amplo ao enorme mercado consumidor dos Estados Unidos, porém, esse benefício tem significados diferenciados para as economias latino-americanas. As economias pouco industrializadas, cujas exportações se concentram em commodities minerais e agrícolas, usufruiriam de vantagens palpáveis e desvantagens marginais. Porém, economias industriais como a brasileirae a argentina, seriam expostas diretamente à concorrência das poderosas corporações transnacionais dos Estados Unidos (MAGNOLI, 2013, p. 344). A ALCA foi relevante para a interação do Brasil com os países e para influência do país, nas tomadas de decisões com instituições financeiras e de segurança relevantes, como o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e Organização dos Estados Americanos (OEA). PAÍSES 1977 1982 1987 Argentina 10 31 62 Brasil 13 20 29 Chile 28 23 89 Guiana 100 158 353 Honduras 29 53 71 Jamaica 31 69 139 México 25 32 59 Venezuela 10 16 52 83UNIDADE IV Brasil e as Relações Internacionais FIGURA 2 - ACORDOS COMERCIAIS Pode-se dizer então, que com o cenário do pós-guerra mundial e com o fim da guerra fria, houve uma quebra da bipolaridade Rússia e Estados Unidos. E EUA se instaurou como a força internacional com capacidade dominante (político, econômico, social ou cultural) até hoje, principalmente com o Brasil (MAGNOLI, 2013). 84UNIDADE IV Brasil e as Relações Internacionais 2. INTEGRAÇÃO ECONÔMICA: ACORDOS MULTILATERAIS E ACORDOS REGIONAIS/PLURILATERAIS Caro acadêmico (a), para começar este tópico é importante falarmos sobre os conceitos de integração econômica, acordos multilaterais e acordos regionais/plurilaterais. Vamos aprender sobre cada um deles? A conceitualização da integração econômica na América Latina, veio com a inspiração da Comissão Econômica para a América Latina (Cepal) no período da guerra fria. E no que refletia essa ideia? “Refletia uma reação limitada à hegemonia dos Estados Unidos e ao pan-americanismo, influenciada pela descolonização afro-asiática e pela iniciativa de unificação europeia” (MAGNOLI, 2013, p. 341). A Cepal conseguiu analisar, que a América Latina tinha suas especificidades e particularidades, e que não é porque uma medida política funcionou em um país, que funcionaria aqui. Era preciso voltar um “olhar para dentro” e entender os problemas existentes nos países em desenvolvimento, ou seja, era preciso “formulação de estratégias de desenvolvimento para América Latina” (MAGNOLI, 2013, p. 341). Os acordos multilaterais são aqueles realizados a partir de três países. Existe o Sistema Comercial Multilateral, ou melhor, “sistema de tratados e regras de comércio internacionais emanados do Gatt e da Organização Mundial do Comércio” (MAGNOLI, 2013, p. 238). Existem acordos bilaterais que são apenas dois países. Já os acordos plurilaterais são compostos de muitos países e as regras contratuais, buscam atender a todos eles. 85UNIDADE IV Brasil e as Relações Internacionais Os acordos regionais são feitos de um estado, município com outros estados e municípios. “A integração crescente dos mercados, a aceleração dos fluxos de mercadorias e capital, e a criação de blocos econômicos regionais, acentuaram extraordinariamente a importância do mundo dos negócios na formulação da política externa’’ (MAGNOLI, 2013, p. 09). Agora que conseguimos entender os conceitos, vamos falar sobre as relações internacionais e como está a postura na atualidade no que tange sobre a integração econômica. A partir do século XXI, as relações internacionais por parte dos governantes precisam estar conectadas na ideia, de que a política externa precisa ser parte do seu desenvolvimento nacional. O processo de internacionalização não se remete apenas em um processo político, econômico, social ou cultural, ele se refere a todos os campos e, ao mesmo tempo, esses campos estão interligados. Atualmente, incorporou-se a dinâmica disciplinar de debate e tem-se uma pluralidade teórica e, assim dentro das relações internacionais enquanto campo científico, a promoção de conhecimento com múltiplas perspectivas. No Brasil o planejamento não foi com planejamento de longo prazo para acompanhar essa internacionalização e globalização, isso porque as empresas brasileiras não estavam conseguindo acompanhar em sintonia com as transformações internacionais. Na década de 90, houve uma política de liberalização econômica. Lembrando que nesse período o país enfrentava sérias dificuldades de retomada econômica, havia muito desemprego, inflação e dívida externa. Um acordo relevante deste período foi o Mercado Comum do Sul (Mercosul) feito pelo Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. E do que se tratava o Mercosul? O tratado incorporava os instrumentos que vinham sendo firmados junto à Aladi, que concentravam seus dispositivos na liberalização comercial. Como primeiro resultado, em um período de apenas seis anos, o comércio intrabloco conheceu um crescimento de 300% (MONTEOLIVA et al., 2014, p. 115). Além do Mercosul, em 1992 foi realizada a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento no Rio de Janeiro. Esse acontecimento foi um marco no que tange assuntos desenvolvimentistas visando a preservação ambiental, ou seja, não só pensar no crescimento econômico, mas também em assuntos de desenvolvimento sustentável. Outra integração econômica considerada relevante é a Cúpula do Grupo dos 15 em 1990, essa integração focava nos 15 países em desenvolvimento (MONTEOLIVA et al., 2014). 86UNIDADE IV Brasil e as Relações Internacionais Segundo Monteoliva et al (2014, p. 113), Fernando Henrique Cardoso veio com a proposta de multilateralismo e com uma visão de uma nova ordem em contexto internacional “pautada nos princípios de democracia e da economia de mercado, para promover o equilíbrio financeiro do país e melhorar o padrão de inserção internacional” (MONTEOLIVA et al., 2014, p. 113). O método, mais uma vez sem planejamento, era a eliminação de barreiras não tarifárias e a exposição de nossas empresas à concorrência internacional. Na prática, o país tinha dificuldade em se posicionar a favor da integração hemisférica com os Estados Unidos, ou da ampliação dos laços bilaterais com Washington. Além disso, não era claro em que medida o Mercosul deveria se consolidar como bloco, por meio da tarifa externa comum (TEC), o que significaria um distanciamento dos interesses norte-americanos (MONTEOLIVA et al., 2014, p. 119). Em 1995, se tem uma integração econômica importante, foi criada a Organização Mundial do Comércio (OMC), “incluindo as negociações relativas a acordos agrícolas, investimentos relacionados aos serviços comerciais e direitos de propriedade intelectual” (MONTEOLIVA et al., 2014, p. 120). Em 1997 o Brasil aderiu ao Protocolo de Quioto, em 1998 ao Estatuto de Roma e, além disso, contribuiu com o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, que tinha projetos e planejamentos para as crises internacionais. Ressalta-se, que no governo FHC, buscou-se autonomia: A busca por autonomia manifestou-se por meio de negociações em diversos foros internacionais, em reuniões birregionais e nas relações com a vizinhança sul-americana. Exemplos dessas iniciativas foram a I Conferência Ministerial da OMC (1996), na qual o Brasil não aderiu de imediato ao Acordo sobre tecnologia da informação (1996); a VIII Cúpula ibero-americana (1998), na qual Fernando Henrique defendeu a criação de um imposto internacional de 0,5% a ser aplicado sobre capitais de curto prazo e cuja arrecadação, deveria ser utilizada na estabilização de países com dificuldades financeiras e, em programas de combate à pobreza (MONTEOLIVA et al., 2014, p. 122). No ano de 2000 houve a primeira reunião de presidentes da América do Sul e nessa reunião, foram levadas para debates as relações políticas, comerciais e sobre a integração física da região, ou melhor, a integração sul-americana, e assim, surgiu a Iniciativa da Infraestrutura Sul-Americana (IIRSA), “com objetivo de fomentar projetos de integração nas áreas de energia, transporte e telecomunicações, tendo como diretriz “12 eixos de integração e desenvolvimento” (MONTEOLIVA et al., 2014, p. 123). 87UNIDADE IV Brasil e as Relações Internacionais Em 2003, com LuizInácio Lula da Silva como presidente, o país manteve alguns pontos da política monetária de Fernando Henrique, como o plano real que trouxe certo equilíbrio para a inflação e no contexto internacional, passou a agir com um maior ativismo. Vale destacar, que nesse período tinha “uma conjuntura internacional favorável ao crescimento econômico e ao protagonismo de países ditos emergentes” (MONTEOLIVA, 2014, p. 113). No que tange à integração internacional e política de comércio exterior, Lula buscava: (...) aumento das exportações, os investimentos produtivos e a assimilação de tecnologia, e as diretrizes da nossa diplomacia seriam as negociações de acordos comerciais com vantagens concretas para o país, o combate a práticas protecionistas e a ampliação dos mercados consumidores de bens primários ou semielaborados, que continuavam a ter papel importante na pauta exportadora. Assim, na ALCA, nas negociações Mercosul-União Europeia e na Organização Mundial do Comércio (...) (MONTEOLIVA et al., 2014, p. 125). Percebemos aqui a relação com a visão cepalina, ou seja, nesse governo conseguimos perceber que o objetivo, era o desenvolvimento econômico da América do Sul. Nos anos posteriores tivemos nesse governo, várias integrações da Sul-Americana. Segundo (MONTEOLIVA et al., 2014 p. 126), algumas destas importantes integrações são: ● Acordo de complementação econômica entre Mercosul, Colômbia, Equador e a Venezuela em 2003; ● Acordo de livre comércio Mercosul-Comunidade Andina em 2004; ● Criação da Comunidade Sul-americana de Nações; ● I Reunião de chefes da comunidade Sul-Americana de Nações em 2005; ● I Reunião energética da América do Sul em 2008, entre outras importantes integrações. Algumas participações no âmbito mundial foram importantes, no que tange diplomacia e acordos internacionais no Brasil. O Brasil participou de reuniões com o G4 e debates relevantes sobre segurança com a Organização das Nações Unidas. Além disso, na Organização Mundial do Comércio (OMC) o Brasil estava à frente na formação de um grupo de países em desenvolvimento (G20 econômico). Houve também, o BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China). E o que fazia o BRIC? (...) formalizado em 2007, tinha vocação essencialmente política, sem descuidar de temas comerciais e econômicos. O BRIC, que promove a comunicação e a concertação de posições entre suas chancelarias, tem visto seu poder aumentar diante do rápido crescimento de suas econômicas e da crise que atingiu os países ricos a partir de 2008. Em 2010, foi realizada a cúpula do Bric-Ibas, em Brasília, na qual, diante da crise econômica internacional, foi reafirmado o compromisso com o desenvolvimento (MONTEOLIVA et al., 2014, p. 127). Em sequência ao governo Lula, Dilma tem relações internacionais com uma certa linha de continuidade ao governo anterior. 88UNIDADE IV Brasil e as Relações Internacionais Ela teve uma postura favorável ao Mercosul e fortaleceu laços com a Cúpula América do Sul-Países Árabes, BRICS e G20. Com uma certa incerteza e instabilidades políticas do Brasil no primeiro governo de Dilma, o empresariado não teve um processo de internacionalização tão rápido como no governo Lula, havia muita resistência. Temer assume após o impeachment com uma postura mais ortodoxa, processos de privatizações e corte de gastos. “resgata política externa na força transformadora do liberalismo econômico” (MONTEOLIVA, 2014, p. 16). A China foi o acordo brasileiro que permaneceu intacto tanto em Lula, quanto em Dilma e Temer “A China representou a principal linha de continuidade entre a política externa dos governos Lula, Dilma e Temer, em nenhum momento sua relevância foi questionada” (MONTEOLIVA, 2014, p. 135). Por fim, temos o atual governo que nos mostra certa postura de ideologização e pragmatismo. Deste modo, aparenta-se que “indica uma mudança de orientação da política externa brasileira, resultante da motivação ideológica conservadora” (MONTEOLIVA, 2014, p. 145). Isso afeta de certa forma nossas relações internacionais, credibilidade internacional, acaba tendo um certo “desconforto” em setores econômicos relevantes, como agroexportação e entre diferentes setores da opinião pública, impactando o processo decisório da política externa brasileira (MONTEOLIVA, 2014, p. 145). 89UNIDADE IV Brasil e as Relações Internacionais 3. AMEAÇAS E OPORTUNIDADES EMPRESARIAIS Neste tópico vamos citar algumas crises, ameaças e possíveis oportunidades para as relações internacionais contemporâneas. Buscaremos falar em âmbito mundial e âmbito nacional – Brasil. Vivemos em 2008 uma crise financeira nos EUA que atingiu o mundo inteiro. Desde a década de 1990, o preço dos imóveis nos Estados Unidos começou a subir continuamente, formando a famosa “bolha imobiliária” que veio estourar em 2008. Diante disso, muitas pessoas começaram a investir no mercado imobiliário em razão da valorização. De 2000 até 2008, o dinheiro concedido para crédito imobiliário dobrou. GRÁFICO 1 - EVOLUÇÃO DO ÍNDICE DE PREÇOS DOS IMÓVEIS NOS ESTADOS UNIDOS DE 1987 A 2007 Fonte: Torres (2008). 90UNIDADE IV Brasil e as Relações Internacionais É possível dizer, que a crise foi intensificada no momento da falência do Banco de Investimento Lehman Brothers em 2008, após o FED (Federal Reserve) recusar socorrer a instituição. Pode afirmar também, que a globalização comercial e financeira e, Estados Unidos como sendo o centro da economia global, fez com que a crise se alastrasse. De certa forma, se não fosse a pressão do governo talvez essa crise não teria acontecido. Faltou responsabilidade financeira no mercado. A recuperação do mercado financeiro foi “maquiada” com dinheiro público novamente, assim, a economia dos Estados Unidos voltou a estabilizar. Após a crise financeira, alguns países conseguiram retomar seu crescimento e desenvolvimento econômico. Porém, agora estamos enfrentando uma crise econômica e sanitária devido ao Coronavírus, sendo considerada a maior crise de toda história. No mundo e no Brasil, já há previsões de uma crise econômica forte. Neste caso, a atuação do Estado dos diversos países deve se intensificar. As preocupações orçamentárias nesse momento devem ser totalmente abandonadas, pois as políticas econômicas precisam garantir a melhor harmonia possível da sociedade, inclusive garantindo os direitos sociais segundo Pactos internacionais de que o Brasil é signatário, como o Pacto Internacional de Direitos Econômicos, Sociais, Culturais (PIDESC) e, a Constituição Federal de 1988 (NASCIMENTO e RIBEIRO, 2020, p. 01). O momento que estamos passando já nos deixa claro que todos os países sofrerão com o endividamento tanto interno quanto externo. Mais do que nunca, as relações internacionais e o compartilhamento do conhecimento cientifico, devem ser fortalecidos para que todos consigam enfrentar essa crise. Apresentamos, pós governo de Michel Temer (2016 - 2018), a ascensão ao poder do presidente eleito Jair Bolsonaro, no ano de 2019, é possível analisar inicialmente, uma linha de continuidade entre a política econômica de Temer e Bolsonaro, uma vez que a conturbada mudança que transitou pela economia brasileira inicia-se no governo de Temer e tem certa profundidade no governo de Bolsonaro, que também implementa políticas puramente ortodoxas em um ambiente, parecido, de desaceleração econômica, além de tomar medidas que minimiza o papel do Estado na economia. Em um contexto marcado por problemas institucionais, cenário internacional não muito favorável e economia com certa estagnação, o presidente Bolsonaro inicia seu governo com uma postura nada política, sustentando um perfil autoritário e de manipulação em massa, culminando em uma instabilidade econômica ainda maior, isso porque afeta a democracia e a credibilidade do país em âmbito internacional. 91UNIDADE IV Brasil e as Relações Internacionais No cenário atual de crisesanitária, com a pandemia do Novo Coronavírus (COVID-19), o país se encontra em uma situação em que os investimentos na área de saúde, tecnologia e inovação, foram mínimos, até o momento, o que dificulta ainda mais a obtenção de uma estrutura necessária para lidar com a crise, além da contínua preocupação com o corte de gastos em setores essenciais, que agora, mais do que nunca, faz falta, como é o caso da área da saúde. Como oportunidades no âmbito mundial, a inovação está como principal. O coronavírus nos trouxe uma nova forma de viver, com novas invenções em todas as profissões. Alguns setores se destacam, como: ciência da computação, tecnologia da informação, marketing e propaganda, telecomunicação, indústria 4.0, internet das coisas, internet 5G, entre outros. É um momento para investir em qualificação e inovação no ambiente empresarial. O fluxo de informações, globalização e a inovação, está com uma intensa velocidade e precisa de mão de obra qualificada. Sobre o cenário internacional brasileiro, conseguimos ver que há uma clara necessidade de um fortalecimento e modernização da produção industrial, um verdadeiro processo de reindustrialização, para que este possa atender a demanda interna e também possa ter competitividade com no mercado externo, aumentando as exportações não somente em commodities, mas em produtos de baixa, média e alta tecnologias. Isso é relevante para que o Brasil não fique dependente de produtos com inovação e tecnologia dos países internacionais, é necessário olhar para dentro e buscar uma “autossuficiência”. Essas medidas são também, importantes instrumentos para a geração de empregos qualificados, que refletem nos melhores salários e, assim, conseguir reincorporar a massa trabalhadora represada pela crise econômica e agravada pela pandemia. A história mostra que o processo de desenvolvimento de todos os países passou pelo surgimento e crescimento da indústria. 92UNIDADE IV Brasil e as Relações Internacionais 4. ACORDOS COMERCIAIS E AS CADEIAS GLOBAIS DE VALOR Para falarmos de cadeias globais de valor é importante o entendimento do conceito de integração produtiva e integração vertical. Nos anos entre 1990 e 2008, é verificado que com a internacionalização produtiva e o crescimento do fluxo do comércio internacional, a interação de investimentos de países desenvolvidos com países em desenvolvimento só aumenta. Esse método faz com que tenha uma eficiência na produção. Assim, a integração produtiva representa o método pelo qual a firma “(I) passa a adquirir, via importações, os insumos, partes e componentes que, são utilizados no seu processo produtivo; e (II) estabelece, no contexto do processo de terceirização, alianças/ cooperação estratégicas com seus fornecedores”. Já a integração vertical é uma representação dos resultados das fusões, aquisições e investimentos, que são efetivados pela empresa (MACHADO, 2010, p. 122-123). Com isso, podemos ampliar a abordagem do que é uma cadeia global de valor que ficou muito conhecida na década de 2000, iniciando-se nos países Leste, Sudeste Asiático e Leste Europeu. (...) uma cadeia mapeia a sequência vertical de eventos que levam à distribuição, consumo e manutenção de bens e serviços – reconhecendo que várias cadeias de valor, frequentemente compartilham fatores econômicos comuns e são dinâmicas na medida em que são reutilizadas e reconfiguradas de forma contínua – enquanto uma rede enfatiza a natureza e a extensão das relações interfirmas, que vinculam conjuntos de firmas a grupos econômicos maiores (STURGEON, 2007, p. 10, tradução nossa). 93UNIDADE IV Brasil e as Relações Internacionais Diante disso, a cadeia global de valor teve destaque, em razão de determinar a competitividade de diversos países que se enquadram com a existência de uma pauta exportadora com produtos que poderiam ter os custos minimizados, se realizados com uma metodologia de processos de produção fragmentada. “A ideia de produzir em cadeias, está associada aos benefícios derivados da redução de custos na obtenção de matérias-primas e/ou de processamento de etapas produtivas a custos de fatores reduzidos” (OLIVEIRA, 2015, p. 11). Para os acordos comerciais contemporâneos estão complexos, exigindo uma reorganização produtiva. As cadeias globais de valor surgem com a intenção de “agregação de valor a um bem ao longo de sua cadeia produtiva”, além disso, com a expansão das cadeias globais de valor, existe a possibilidade de pequenas e médias empresas terem um engajamento na economia global. A participação nas CGVs, pode facilitar o acesso de pequenas e médias empresas a mercados externos e diversificados, economias de escala e escopo, aprendizagem tecnológica e transferência de tecnologia, assim como acesso a importações competitivas para produção doméstica e para exportação. Por outro lado, a participação nas CGVs também pode “trancar” (lock -in) empresas e países em atividades de baixo valor agregado, sustentadas por vantagens competitivas estáticas, baseadas em baixos custos de produção sem benefícios de longo prazo para aprendizado, inovação e desenvolvimento. Essas oportunidades e desafios da participação em cadeias globais de valor requerem atenção, tanto por parte das empresas, como de governos e organizações internacionais, devido a suas implicações políticas para o desenvolvimento (OLIVEIRA, 2015, p. 42). Existem vários modelos quando se fala de cadeias globais de valor, além disso, existem variações de setores. Como modelo principal, falaremos de três tipos de países que estão destacados na visão de Oliveira (2015, p. 11 e 12). O primeiro tipo chamaremos de “País I”, o segundo de “País 2” e o terceiro tipo de “país 3”. QUADRO 1 - TIPOLOGIA DAS CADEIAS GLOBAIS DE VALOR Fonte: Baseado em: Oliveira (2015). O Brasil se enquadra como país do tipo 1. Isso porque temos a pauta exportadora focada em commodities, além disso, “As estimativas da OCDE indicam que a participação do país nas cadeias de valor é muito pequena, e o componente importado das nossas exportações é muito reduzido” (OLIVEIRA, 2015, p 12). TIPOLOGIA DAS CADEIAS GLOBAIS DE VALOR Tipo Como se enquadra nas cadeias globais de valor? País I Fornecedor de matéria-prima País II Ocorre a montagem final do produto, a partir dos insumos proporcionados pelos países tipo I. País III Concentração da parte mais rara do processo de produção. Se concentra a governança de toda cadeia. 94UNIDADE IV Brasil e as Relações Internacionais Falando de política comercial brasileira no período de 2003-2010 conseguimos certo destaque no cenário internacional, isso porque o governo deste período buscava uma diversificação da pauta exportadora e negociações comerciais multilaterais. Considera-se, entretanto, que a ambição brasileira de “mudar a geografia comercial do mundo”, se referia à diversificação de parcerias e ao aumento da capacidade de influência do país nas negociações internacionais de comércio. O uso dessa expressão pelo Brasil não estava relacionado às novas dinâmicas do comércio internacional vista de uma perspectiva sistêmica, ou à nova divisão internacional do trabalho que emerge com a dispersão geográfica da produção (OLIVEIRA, 2015, p. 28). É importante lembrar, que a partir de 2002 tivemos superávits comerciais na balança comercial chamado de “boom exportador”, tanto que a China estava crescendo de uma maneira surreal, e também porque houve incentivos por parte do governo com redução de carga tributária e políticas de incentivo à exportação. Com a postura do governo, acordos internacionais, políticas nacionais e comerciais de longo prazo, estávamos buscando o método de um “desenvolvimento nacional de dentro para fora” com planejamento a longo prazo, visando um desenvolvimento e crescimento econômico sustentável. A dívida externa nesse período foi reduzida e as reservas internacionais (dólares como reserva no país)aumentaram, isto é, já não estávamos tão vulneráveis internacionalmente como éramos nos anos anteriores. O gráfico 1 a seguir mostrará esses pontos. GRÁFICO 2 - BRASIL: DÍVIDA EXTERNA PÚBLICA E RESERVAS INTERNACIONAIS (DEZ 91-DEZ 11) Fonte: Instituto Mercado Popular (2016). No período do governo Lula, o Brasil tinha a maioria de suas importações e acordos comerciais com Estados Unidos, China, Argentina e Alemanha. 95UNIDADE IV Brasil e as Relações Internacionais Já nas exportações, era China e Estados Unidos. Continuamos no esforço em estimular a ciência para exportar produtos de baixa, média e alta tecnologia, mas não foi o suficiente. O Brasil continuou sendo dependente das importações de tecnologia e exportando commodities. Deste modo, “o governo Lula, avançou em um processo definido nos governos anteriores, acelerou a alavancagem do capitalismo Brasileiro, articulou empresários e Estado, mas não mudou o lugar do Brasil na economia mundial” (VIDIGAL, 2021, p. 128). No cenário de Dilma Rousseff estávamos passando por um período de escândalos, manifestações e quebra de confiança. O que acabou afetando em alguns acordos e credibilidade no âmbito internacional. A economia começou a ficar estagnada e com discordâncias políticas, chegamos no impeachment. Temer ingressa com um discurso de austeridade fiscal, ou seja, de que se precisa organizar as contas públicas do país e para isso é necessário cortar gastos dos setores da economia considerados essenciais. O discurso, com base na austeridade fiscal, de que o Estado quebrou ainda é forte. Porém, com a pandemia do Covid-19, diversos economistas, inclusive aqueles que lideraram a ideia que o “Estado quebrou”, estão discutindo a importância do Estado na atuação da coronacrise. Seguindo a aplicação de políticas econômicas adotadas em âmbito internacional no enfrentamento da coronacrise, o discurso se unifica em formas que o governo pode atuar com objetivo de amenizar os impactos econômicos e sociais da pandemia (NASCIMENTO e RIBEIRO, 2020, p. 01) Junto a isso, no âmbito internacional uma diversidade de presidentes com uma postura tendendo mais para a direita. Donald Trump é um deles, sem uma postura de diplomacia, sem visões humanistas. E atualmente no Brasil, temos Jair Bolsonaro com uma postura semelhante à de Donald Trump. O que acaba afetando o Brasil em seus acordos e relações internacionais por falta de diplomacia e credibilidade. Além disso, afeta o grau de confiança e expectativa nacional, fazendo com que os empresários fiquem receosos em investir e gerar empregos, o que implica em um atraso na retomada econômica. Dentro de uma reflexão sobre a situação política, econômica e social do Brasil, atualmente, é interessante ir de encontro com um pensamento de equidade e, entender o quanto às relações internacionais e os acordos comerciais são relevantes, principalmente agora em momentos de pandemia, em que precisamos de outros países para produzir uma vacina. 96UNIDADE IV Brasil e as Relações Internacionais SAIBA MAIS Termos e Conceitos Importantes Ambientalismo Pode-se dizer que é uma mobilidade política consolidada em volta do tema, que tange ao meio ambiente das suas conexões com o tema de desenvolvimento econômico tão importante para a Economia. A expressão mais evidente do ambientalismo foi a criação e a solidificação dos “partidos verdes” na Europa, desde a década de 1970. Desenvolvimento sustentável É uma metodologia de desenvolvimento econômico, no qual o suporte de recursos naturais é pautada por uma interpretação de um patrimônio e da criação de uma condição para a reprodução, sempre olhando a longo prazo, e para rearticulação e mapeamento dos padrões de produção e consumo. Neomalthusianismo É uma abordagem desenvolvida pelo Clube de Roma e parcialmente estruturada, sobre a teoria de Malthus ligada ao crescimento demográfico. Os neomalthusianos colocam que o crescimento econômico dos países em desenvolvimento vai depender de medidas de controle da natalidade. Explosão demográfica Modelo de explicação das elevadas taxas de crescimento vegetativo nos países do Terceiro Mundo no pós-guerra. A noção de “explosão demográfica” passa a ser prioridade no pensamento neomalthusiano. Aquecimento global Tendência de longo prazo que leva ao aumento das temperaturas médias superficiais do planeta. O aquecimento global é uma tese em destaque nos dias de hoje, no qual existem muitas pesquisas acadêmicas buscando meios de controle. Gases de estufa Gases que levam a uma intensidade do efeito estufa natural da atmosfera terrestre. En- tre os gases de estufa, o dióxido de carbono se destaca. 97UNIDADE IV Brasil e as Relações Internacionais Biomas Ecossistemas naturais terrestres de dimensões subcontinentais, como as florestas tropicais, savanas, pradarias, desertos, a taiga e a tundra. Fonte: MAGNOLI, Demétrio. Relações internacionais. 2 ed. São Paulo: Saraiva, 2013. p.250. Disponível em: https://www.saraiva.com.br/relacoes-internacionais-teoria-e-historia-2-ed-2013-4912211/p. Acesso em: 27 de jul. 2021. REFLITA Em sua opinião, o que justifica a afirmação de que o Brasil é importante fator nas relações internacionais do século XXI? O Brasil está bem inserido? Fonte: MONTEOLIVA, Francisco Fernando; VIDIGAL, Carlos Eduardo. OLIVEIRA, Henrique Altemani de; LESSA, Antônio Carlos. História das relações internacionais do Brasil. São Paulo: Saraiva, 2014 p.147 https://www.saraiva.com.br/relacoes-internacionais-teoria-e-historia-2-ed-2013-4912211/p 98UNIDADE IV Brasil e as Relações Internacionais CONSIDERAÇÕES FINAIS Gostou desta unidade? O que você aprendeu? Vamos fazer uma conclusão rápida de alguns pontos considerados relevantes. Na primeira seção vimos como os Estados Unidos se tornou o país dominante mundialmente e como ele influencia até hoje, alguns comportamentos de outros países. Vale lembrar aqui, que os Estados Unidos também têm a moeda dominante e isso implica em questões cambiais e comerciais dos outros países. Aprendemos que com o cenário do pós-guerra mundial e com o fim da guerra fria, houve uma quebra da bipolaridade Rússia e Estados Unidos. E EUA se instaurou como a força internacional com capacidade dominante. Aprendemos também sobre alguns acordos dos países em desenvolvimento como a ALCA. Na segunda seção vimos sobre os conceitos de integração econômica e acordos multilaterais e plurilaterais. Além disso, compreendemos que a Comissão Econômica para a América Latina (Cepal), foi a inspiração dessa ideia na América Latina. A Cepal conseguiu analisar as necessidades dos países em desenvolvimento. Analisamos algumas integrações econômicas e acordos considerados importantes no Brasil a partir da década de 90. Compreendemos sobre o Mercosul, a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a associação do Brasil com o Protocolo de Quioto, a Iniciativa da Infraestrutura Sul-Americana, Organização Mundial do Comércio, sobre os BRIC (Brasil., Rússia, Índia e China), entre outros. Na seção três foi realizada uma discussão das ameaças, crises e oportunidades empresariais da contemporaneidade. Vimos que passamos pela crise financeira em 2008 com os Estados Unidos que se alastrou para o resto do mundo, deixando sequelas nos países em desenvolvimento e agora estamos enfrentando uma crise sanitária e econômica. Mais do que nunca, os países precisam estabelecer acordos para que possamos todos sair dessa crise. No que tange sobre oportunidades empresariais, os setores ligados à inovação se destacam nesse período. É o setor atual que está com maior valuation no mercado. Na seção quatro, discutimos sobre acordos comerciais e sobre as cadeias de valores globais. Aprendemos o conceito, a tipologia e o quanto a cadeia global é importante no processo de internacionalização. Vimos que o Brasil se enquadra como tipo 1 na tipologia da cadeia globalde valor. Discutimos também sobre os acordos e a postura dos atuais governantes do Brasil e como isso, afeta a credibilidade do país e as relações internacionais. 99UNIDADE IV Brasil e as Relações Internacionais MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO Título: História das Relações Internacionais do Brasil Autor: Francisco Doratioto / Carlos Eduardo Vidigal. Editora: Saraiva. Sinopse: Muitos foram os desafios, adversidades, pressões internacionais e internas no Brasil. Entre muitas oscilações, o país teve uma certa consolidação da sua soberania e uma tradição autônoma e universal, sem contar suas peculiaridades e complexidade. Para que os leitores possam discutir o que esperar das relações internacionais do Brasil para os próximos anos, esta obra faz um levantamento histórico de seis momentos considerados de maior destaque do País: a Independência do Estado Nacional (1822-1845); Soberania, intervencionismo e pragmatismo (1845- 1889); Americanismo, ativismo (1889-1930); o Desenvolvimento, latino-americanismo (1930-1961); Autonomia, universalismo e sul- americanização (1961-1989); e, por fim, O Brasil no mundo com internacionalização e globalização (1990-2019). Além disso, essa edição traz uma discussão dos governos atuais. FILME/VÍDEO Título: Querido Embaixador Ano: 2018. Sinopse: Luiz Martins de Souza Dantas (Norival Rizzo) era o embaixador do Brasil na Itália até 1922, quando teve sua transferência para Paris. Em Paris o homem vive em um cotidiano de luxo, com muito networking e política. Nesse contexto, começa a Segunda Guerra Mundial e o embaixador passa a viver em um mundo de tomada de decisões que pode tanto fazer mal, quanto bem aos brasileiros. (Não recomendado para menores de 16 anos). 100 REFERÊNCIAS ALMEIDA, Paulo Roberto de. Brasileiros na Guerra Civil Espanhola, 1936-1939: combatentes brasileiros na luta contra o fascismo, Revista de Sociologia e Política, Curitiba: UFPR (4/12), 35 - 66, 1999. ALMEIDA, Paulo Roberto de. Política internacional, contexto regional e diplomacia brasileira, acompanhada de listagem seletiva da produção acadêmica em relações internacionais e em política externa do Brasil, de 1954 a 2014. Academia EDU, 2014. Disponível emhttps://www.academia.edu/38611415/Pol%C3%ADtica_internacional_ contexto_regional_e_diplomacia_brasileira_acompanhada_de_listagem_seletiva_ da_produ%C3%A7%C3%A3o_acad%C3%AAmica_em_rela%C3%A7%C3%B5es_ internacionais_e_em_pol%C3%ADtica_externa_do_Brasil_de_1954_a_2014. Acesso em: 21 set. 2021. ALMEIDA, Paulo Roberto. 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Entendo a Crise do Subprime. Visão do Banco Nacional do Desenvolvimento. Número 44. jan. 2008. 105 CONCLUSÃO GERAL Caro (a) aluno (a) Chegamos ao final da disciplina Relações Internacionais. Ao longo das quatro unidades foram debatidos assuntos pertinentes a esse tema. Na Unidade I, o destaque foi para Conceituação geral. Na Unidade II, o assunto estudado foram os Destaques Internacionais. Na unidade III, o foco principal foi o Globalismo. E para concluir a disciplina a Unidade IV trouxe o assunto, o Brasil e as relações internacionais. Partindo dessas concepções, na Unidade I foi possível compreender a ambientação e, para melhor compreensão, fez necessários estudos das origens das relações internacionais, pensamento político, fundamento das relações internacionais e ainda, a teoria da sociedade civil internacional e funcionamento das relações internacionais. Observou-se que as Relações Internacionais, é algo tão antigo quanto à origem da espécie humana, pois está relacionada à comunicação entre as pessoas e os países. As relações internacionais tiveram início na Grécia antiga, onde os embaixadores eram enviados esporadicamente em missões especiais a diferentes cidades-estados, a fim de entregar mensagens, intercambiar, ou seja, trocar mensagens e até mesmo oferendas. Na Unidade II, o estudo foi pautado nos destaques internacionais e para isso, estudaram-se os principais marcos mercadológicos, que são importantes para o melhor entendimento dos estudos das relações internacionais. Neste tópico, observou-se que os métodos têm duplos sentidos: atender ao próprio pesquisador na análise dos conceitos, e também, ao público interessado (leitores, em geral), os meios utilizados no desenho dos resultados encontrados. Por isso, método e conhecimento são aportes de construção para o processo científico. Método e ciência trazem complementaridades e necessitam de mútua correlação sob a égide de constante verificação ou testes. Após conhecer um pouco mais sobre os marcos metodológicos, o estudo passou para a análise da Teoria das Relações Internacionais, e para complementar foi apresentado os principais autores e suas correntes clássicas e por último as principais correntes e relações brasileiras. Na unidade III, o estudo foi pautado no Globalismo na era moderna, e soube-se que o globalismo é um tema muito amplo, polêmico e com uma gama muito variada de autores, defensores e críticas, de forma que existam muitas linhas de pensamento a favor e contra essa forma, de se observar a dinâmica da globalização. Para complementar, o debate foi apresentado o tópico: O Brasil e as relações internacionais voltadas ao comércio e às relações internacionais e meio ambiente; sabendo, que o meio ambiente é um dos assuntos mais discutidos nas relações internacionais, pois influenciam as relações comerciais. Por isso também, destacaram-se os impactos das relações internacionais e por último, os principais acordos internacionais brasileiro. Para finalizar na unidade IV, o assunto foi o Brasil e as Relações Internacionais. Para isso, o primeiro tópico apresenta temas de análise das relações internacionais contemporâneas. Pode-se dizer então, que com o cenário do pós-guerra mundial e com o fim da guerra fria, houve uma quebra da bipolaridade Rússia e Estados Unidos. Os Estados Unidos se instaurou, como a força internacional com capacidade dominante (político, econômico, social ou cultural) até hoje, principalmente com o Brasil (MAGNOLI, 2013). No tópico 2 (dois), o estudo mostrou que, com a Integração econômica houve acordos multilaterais e acordos regionais/plurilaterais. No Brasil o planejamento não foi de longo prazo para acompanhar essa internacionalização e globalização, isso porque as empresas brasileiras não estavam conseguindo acompanhar em sintonia, com as transformações internacionais, mas foram ocorrendo de forma gradativa. No tópico III, as ameaças e oportunidades empresariais foram os assuntos principais e neste contexto, não se pode esquecer a crise financeira de 2008, que começou nos EUA, no qual atingiu o mundo inteiro. Entretanto, ressalta-se que desde a Década de 1990, o preço dos imóveis nos Estados Unidos começaram a subir continuamente, formando a famosa “bolha imobiliária” que veio estourar em 2008. Diante disso, muitas pessoas começaram a investir no mercado imobiliário em razão da valorização. De 2000 até 2008, o dinheiro concedido para crédito imobiliário dobrou, além das crises, mudanças de governos, pandemias, etc. São fatores, que também contribuem e, que fazem parte de toda história das relações internacionais. O Brasil se encontra em uma situação em que os investimentos na área de saúde, tecnologia e inovação, foram mínimos, até o momento, o que dificulta ainda mais a obtenção de uma estrutura necessária para lidar com a crise, além da contínua preocupação com o corte de gastos em setores essenciais, que agora, mais do que nunca, faz falta, como é o caso da área da saúde. Por último, no tópico IV o assunto estudado foi os acordos comerciais e as cadeias de valor. Neste tópico, estudaram-se os principais fatores que afetam o grau de confiança e expectativa nacional, fazendo com que os empresários fiquem receosos em investir e gerar empregos, o que implica em um atraso na retomada econômica. Dentro de uma reflexão sobre a situação política, econômica e social do Brasil, atualmente, é interessante ir de encontro com um pensamento de equidade e entender o quanto às relações internacionais e os acordos comerciais são relevantes, principalmente agora em momentos de pandemia, no qual precisamos de outros países para produzir uma vacina. Portanto, caro (a) acadêmico, finalizo aqui nossa disciplina de Relações Internacionais e desejo ainda, que você continue estudando sobre este tão valioso assunto, siga nossas dicas e referências bibliográficas sugeridas em cada unidade. Desejo a você, caro (a) aluno (a), muito sucesso em sua formação acadêmica e profissional! Até breve! +55 (44) 3045 9898 Rua Getúlio Vargas, 333 - Centro CEP 87.702-200 - Paranavaí - PR www.unifatecie.edu.br UNIDADE I Conceituação Geral e Ambientação UNIDADE II Destaques Internacionais UNIDADE III Globalismo UNIDADE IV Brasil e as Relações Internacionais