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GEOTERAPIA AULA 4 Prof. Cristiano Alexandre de Andrade Neiva de Lima 2 CONVERSA INICIAL Nesta aula, faremos uma breve revisão da anatomia para encontrarmos os locais de aplicação das argilas. Abordaremos como realizar a geoterapia em diversas enfermidades e comentaremos sobre a importância da geoterapia abdominal em doenças crônicas sob a visão da naturopatia. TEMA 1 – LOCAIS DE APLICAÇÃO Para que possamos compreender os locais em que precisamos realizar a geoterapia, faremos uma breve revisão da anatomofisiologia e, em seguida, continuaremos com o estudo das aplicações nas enfermidades. 1.1 Resumo de anatomofisiologia O corpo humano é formado de células, as quais têm um sistema interno complexo de metabolismo para sua existência, e que, em conjunto, formam tecidos. Figura 1 – Célula Crédito: Tefi/Shutterstock. https://www.shutterstock.com/pt/g/guniita 3 Para que uma célula viva em plena capacidade, é muito importante a sua nutrição, que é realizada pela ingesta de alimentos e líquidos que tenham componentes vitais para sua sobrevivência. Esses elementos são proteínas (peptídeos – aminoácidos), lipídios (ácidos graxos) e carboidratos (glicose), além de vitaminas e minerais, responsáveis por reações orgânicas. Eles farão parte de todo o sistema de células, tecidos e sistemas. Figura 2 – Tipos de célula Crédito: VectorMine/Shutterstock. As células se organizam em tecidos conforme o seu código genético durante a formação do feto e as interferências do meio. https://www.shutterstock.com/pt/g/normaals 4 Os tipos de tecidos são: epitelial e glandular (pele e tecidos epiteliais dos órgãos internos); conjuntivo (cartilagens, tecido ósseo, tecido sanguíneo e linfa); muscular; nervoso; e mucosas. Figura 3 – Tipos de tecidos Crédito: VectorMine/Shutterstock. https://www.shutterstock.com/pt/g/normaals 5 Figura 4 – Sistemas do corpo humano Crédito: Vecton/Shutterstock. 1.2 Pele e anexos Talvez esse seja o principal tecido a ser estudado, pois é por meio da pele e seus anexos que afetamos os demais tecidos e sistemas com a geoterapia. Considerado o maior órgão do corpo, a pele é composta por duas camadas complexas: a epiderme (superfície) e a derme (tecido conjuntivo – fibras colágenas), e, abaixo, o tecido subcutâneo (hipoderme), rico em lipídios. Ela apresenta também várias glândulas, como as sebáceas e as sudoríparas, bem como pelos receptores, como os de dor e de temperatura. https://www.shutterstock.com/pt/g/Vecton https://www.shutterstock.com/pt/g/Vecton 6 Figura 5 – Anatomia da pele Crédito: MicroOne/Shutterstock. A pele tem várias funções. Além de ser protetora, auxilia no controle de temperatura corporal, oportuniza as sensações táteis (frio, calor, pressão, dor) e faz a excreção de toxinas. É por ela que a troca iônica acontece e atinge as camadas mais profundas, nos vasos sanguíneos e linfáticos; porém, para isso, necessita transpor as membranas celulares. A pele pode desenvolver desde distúrbios mais superficiais – erupções e inflamações como dermatites e eczemas – até comorbidades como psoríase, vitiligo e lúpus. 1.3 Sistema esquelético O sistema esquelético tem 206 ossos, dentre os quais devemos dar mais atenção às vértebras da coluna vertebral (cervical, torácica, lombar, sacral, cóccix) e articulações (cotovelos, joelhos, maléolos, dedos das mãos e pés). São grandes depósitos de minerais como cálcio, fósforo, magnésio e manganês. Hormônios (tireoide, paratireoide, gônadas) e vitaminas (A, C, D, K) são importantes para o metabolismo desse sistema. https://www.shutterstock.com/pt/g/MicroOne https://www.shutterstock.com/pt/g/MicroOne 7 Entre os distúrbios mais comuns estão artrite, artroses, bursites e osteoporose. Figura 6 – Sistema esquelético Crédito: Elenabsl/Shutterstock. 1.4 Sistema muscular O sistema muscular é formado por tecido muscular (tendões e músculos), que pode ser classificado em tecido muscular liso, esquelético ou cardíaco. O liso está relacionado às vísceras internas e é involuntário, igualmente ao músculo cardíaco (músculo do coração). O músculo esquelético tem ação voluntária e é formado por fibras estriadas. O músculo esquelético dá movimento e estabiliza o sistema esquelético, movimenta o sangue e a linfa, aumenta o calor. Precisa de cálcio para realizar as contrações e manutenção do tônus, bem como do aporte de sangue e do sistema nervoso. Um músculo é formado pela parte carnosa, chamada de músculo, e a parte cartilaginosa, formada por tendões. Os tendões são flexíveis, se inserem nos ossos e nas articulações e formam cadeias musculares que produzem os movimentos. https://www.shutterstock.com/pt/g/elenabsl https://www.shutterstock.com/pt/g/elenabsl 8 Distúrbios comuns desse sistema são as inflamações de tendões (tendinites) e inflamações musculares, como contraturas e mialgias. Figura 7 – Músculos do braço Crédito: Alila Medical Media/Shutterstock. https://www.shutterstock.com/pt/g/alila https://www.shutterstock.com/pt/g/alila 9 Figura 8 – Músculos das costas Crédito: Artemida-psy/Shutterstock. https://www.shutterstock.com/pt/g/Artemida-psy https://www.shutterstock.com/pt/g/Artemida-psy 10 Figura 9 – Músculos da parte inferior traseira do corpo Crédito: Hank Grebe/Shutterstock. https://www.shutterstock.com/pt/g/HankGrebe https://www.shutterstock.com/pt/g/HankGrebe 11 Figura 10 – Músculos ósseos Crédito: Medicalstocks/Shutterstock. https://www.shutterstock.com/pt/g/medicalstocks https://www.shutterstock.com/pt/g/medicalstocks 12 Figura 11 – Músculos ósseos Crédito: Medicalstocks/Shutterstock. 1.5 Sistema nervoso O sistema nervoso é responsável pelos estímulos elétricos que percorrem os neurônios e estimulam a secreção de neurotransmissores, que ativam ou inibem funções de todo o corpo. Temos o sistema nervoso central, formado pelo encéfalo e pela medula espinhal, o sistema nervoso periférico, formado pelo sistema nervoso autônomo (simpático e parassimpático), o sistema nervoso somático (espalhados por todo o corpo e também concentrados nos órgãos dos sentidos – audição, visão, paladar, olfato e tato) e o sistema nervoso entérico (localizados nos plexos entéricos). Todos se intercomunicam entre si. https://www.shutterstock.com/pt/g/medicalstocks https://www.shutterstock.com/pt/g/medicalstocks 13 Figura 12 – Sistema nervoso Crédito: Vecton/Shutterstock. São distúrbios comuns do sistema nervoso periférico as neurites, os neuromas e a fibromialgia. No sistema nervoso central, temos uma infinidade de distúrbios, desde mentais, emocionais, memória, motores, sensoriais, entre outros. 1.6 Sistema endócrino O sistema endócrino é responsável por controlar juntamente com o sistema nervoso as funções orgânicas. Cada glândula produz hormônios com funções específicas, regulando a atividade das células atingidas por eles e o https://www.shutterstock.com/pt/g/Vecton https://www.shutterstock.com/pt/g/Vecton 14 metabolismo do corpo. É responsável também pelo amadurecimento do corpo e seu desenvolvimento sexual. Apesar de o sistema endócrino ser formado pelas glândulas, descobriu-se uma conexão entre o sistema nervoso e o glandular, o hipotálamo. Localizado no encéfalo, juntamente com a hipófise estimulam as demais glândulas, que também são influenciadas por elas. Constituem o sistema endócrino: hipotálamo, hipófise, pineal, tireoide, paratireoide, timo, ilhotas pancreáticas (langerhans), suprarrenais, ovários e testículos. Saiba mais Além dessas glândulas, órgãos como estômago, rins, coração e o tecido adiposo também produzem hormônios. Sugerimos o estudo desses hormônios de cada glândula para se aprofundar no entendimento da fisiologia humana.Figura 13 – Sistema endócrino masculino e feminino Crédito: Vecton/Shutterstock. Cada glândula poderá apresentar como distúrbios o hipo ou o hiperfuncionamento na produção de seus hormônios, ou inflamações de seu próprio órgão – como tireoidite, pancreatite, orquite (inflamação dos testículos). Entre os desequilíbrios hormonais, deve-se estudar cada hormônio. Citamos aqui, por exemplo, os mais conhecidos: o hipotireoidismo, que reduz o https://www.shutterstock.com/pt/g/Vecton https://www.shutterstock.com/pt/g/Vecton 15 metabolismo do corpo, e o hipertireoidismo, que eleva excessivamente as atividades orgânicas. Outra disfunção em épocas modernas é o alto índice de cortisol gerado por estresse nas suprarrenais, alternando as rotas endócrinas. 1.7 Sistemas internos Ainda temos os sistemas internos: sistema respiratório, sistema digestório, sistema urinário, sistema genital, sistema cardiovascular, sistema linfático. Para trabalhar com o corpo humano devemos estar a par de todos os sistemas. Figura 14 – Sistemas internos na mulher Crédito: GraphicsRF.com/Shutterstock. https://www.shutterstock.com/pt/g/colematt https://www.shutterstock.com/pt/g/colematt 16 Figura 15 – Sistemas internos nos homens Crédito: GraphicsRF.com/Shutterstock. https://www.shutterstock.com/pt/g/colematt https://www.shutterstock.com/pt/g/colematt 17 Figura 16 – Sistema interno Crédito: Metamorworks/Shutterstock. https://www.shutterstock.com/pt/g/chombosan https://www.shutterstock.com/pt/g/chombosan 18 Figura 17 – Sistema interno Crédito: Hank Grebe/Shutterstock. TEMA 2 – ANAMNESE Para fazer a escolha da argila a ser utilizada, da temperatura e do tempo, devemos fazer uma boa anamnese, voltada para essa escolha e objetivos. Uma anamnese é a avaliação do paciente de forma detalhada, na qual deve conter idade, sexo, altura, peso, pressão arterial, se tem diabetes (glicemia), se tem outras comorbidades e a queixa principal. Cada um pode montar sua própria ficha de anamnese, entretanto, a seguir, dispomos um exemplo de uma ficha que pode ser aplicada na prática clínica. https://www.shutterstock.com/pt/g/HankGrebe https://www.shutterstock.com/pt/g/HankGrebe 19 Quadro 1 – Ficha de anamnese FICHA DE ANAMNESE NOME:_________________________________________________________ IDADE:______ENDEREÇO:________________________________________ TEL:___________________ESTADO CIVIL:_______________FILHOS:_____ PROFISSÃO:____________________P.A.: _____________ALTURA:_______ PESO:_________ DATA: ___/___/____ QUEIXA PRINCIPAL: _______________________________________________________________ HISTÓRICO:_____________________________________________________ MEDICAMENTOS E OUTROS TRATAMENTOS: ________________________ _______________________________________________________________ QUEIXAS SECUNDÁRIAS:_________________________________________ REVISÃO DE SISTEMAS: DIGESTÃO:_____________________________________________________ EVACUAÇÃO:___________________________________________________ URINA/INCHAÇO:________________________________________________ CARDIOVASCULAR:_____________ CICLO MENSTRUAL:_______________ RESPIRAÇÃO:________________ ÓRGÃOS DOS SENTIDOS:____________ SONO:____________________________ FRIO/CALOR:_________________ SUDORESE:____________DORES:__________________________________ ESCALA (0 A 10):_________________________________________________ ESTADO EMOCIONAL: ___________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ TRATAMENTO UTILIZADO: (QUAL(IS) ARGILA(S), TEMPERATURA, TEMPO, FREQUÊNCIA)___________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ DATA:___/___/___ OBSERVAÇÕES DA RECONSULTA:________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ Fonte: Lima, 2021. TEMA 3 – APLICANDO A GEOTERAPIA Após realizar a anamnese, escolher as argilas e as formas de tratamento, direcionamos o paciente para a sala de aplicação. A sala de aplicação deve ser uma temperatura agradável. Se for muito fria, podemos utilizar aquecedores e/ou bolsas de água quente nos pés e outras regiões mais frias; se muito quente, deixar circular o ar, abrindo as janelas ou usando ventiladores. Se o ambiente não estiver muito quente, convém cobrir o 20 paciente, pois a argila reterá o calor do corpo, causando um breve resfriamento, o que pode causar desconforto. 3.1 Reações durante e após a geoterapia As argilas mais claras tendem a oferecer menos reações, enquanto as mais coloridas, indo para o escuro ou tons avermelhados, tendem a oferecer mais reações. As reações do corpo podem começar logo após o início da aplicação, como é o caso das acnes, pústulas ou furúnculos, que supuram pela ação da argila, o que pode causar coceira e vermelhidão até dois ou três dias após a aplicação, com sintomas de desintoxicação. Alguns organismos reagem mais rápido, outros podem ter reações mais lentas, o que vai sugerir tratamentos mais prolongados. O corpo pode realizar uma catarse, que é o processo do organismo de fazer uma desintoxicação promovendo uma reação de expurgo, o que às vezes dá impressão de piora, mas é a desintoxicação que está acontecendo. Sinais comuns de desintoxicação são dor de cabeça, fezes com muco ou diarreia, aumento da supuração de acne, aumento de catarro da rinite, sinusite, sudorese, aumento da diurese, piora da pele inicialmente. Algumas vezes serão necessárias outras terapias coadjuvantes para reduzir reações, tais como hidroterapia, cromoterapia, massagem, auriculoterapia, fitoterapia e terapia floral. Caso as reações sejam muito intensas, convém espaçar a terapia de uma para duas semanas, ou caso não percebamos reações muito evidentes, podemos aproximar as sessões para duas a três vezes na semana. Em hospitais naturopáticos, em razão do acompanhamento de terapeutas, a geoterapia é realizada diariamente de uma a duas vezes no dia, juntamente com outras terapias que estimulam a desintoxicação e regeneração. TEMA 4 – INTESTINOS: NOSSO SEGUNDO CÉREBRO Não é de hoje que esse pensamento ocupa a mente dos naturistas, de que intestino regular e saudável seja sinal de boa saúde e bom humor. Muitos terapeutas como naturopatas, homeopatas e iridólogos mencionam que o intestino está diretamente relacionado com a saúde do corpo e da mente, afinal, 21 no corpo há 4,5 metros de intestinos, um sistema nervoso específico para esses órgãos (sistema nervoso entérico) e uma vasta flora intestinal produtora de várias enzimas, além do grande aporte sanguíneo, o que deve ter relação com a saúde do organismo. Figura 19 – Intestino: diretamente relacionado com a saúde do corpo e da mente Crédito: Sakurra/Shutterstock. Diversos estudos encontrados em revistas científicas como Pubmed, Scielo, Bireme, falam da relação dos intestinos com o eixo hipotalamo-pituitárial- adrenal (HPA), também chamado de sistema neuroendócrino. Esse sistema está relacionado com a liberação de hormônios e enzimas que agem sobre o corpo como resposta ao estresse externo físico ou emocional. Relações descobertas recentemente apontam que o sistema neuroendocrino e a microbiota (flora) intestinal se interrelacionam e afetam-se bidirecionalmente, interferindo nos hormônios que equilibram a homeostase orgânica e o sistema imunológico, sendo alvo para estudo de doenças como depressão, síndrome do intestino irritável e Alzheimer. Estudos sugerem que o sistema HPA interfere na microbiota intestinal e na permeabilidade gastrointestinal, enquanto a microbiota também afeta o sistema HPA liberandopeptídeos que atravessam a barreia hematoencefálica, provocando uma modificação no funcionamento cerebral (Farzi et al., 2018). https://www.shutterstock.com/pt/g/Kobizka+Viktoriia https://www.shutterstock.com/pt/g/Kobizka+Viktoriia 22 Por esses motivos, os naturistas sempre prezam pelo bom funcionamento dos intestinos, com uma boa dieta que preserva e modula a microbiota, com sucos que reforçam a flora saudável e promovem a lavagem intestinal, o uso de geoterapia abdominal e oral para estimular a desintoxicação dos intestinos, removendo o excesso de calor (sugere inflamações), toxinas e melhoria da microbiota. Outra visão relacionada com alguns princípios de escolas naturistas, como a homotoxicologia, é a de que o corpo sempre tenta se livrar de toxinas, iniciando com processos agudos com depurações, como acnes, diarreias, vômitos, e depois segue com processos inflamatórios (-ites), tais como dermatites, tendinites, bursites, dores de cabeça, gastrites, hepatites, colites, entre outras, por fim, processos de deposição, que geram as doenças crônicas, autoimunes e degenerativas como artrites reumatoide, psoríase, fibromialgia, câncer. Logo, com essa visão, queremos promover a reação contrária, por isso que podem aparecer outras reações orgânicas de desintoxicação. E é por esse motivo que se recomenda, sempre que possível, o cataplasma abdominal, principalmente em doenças crônicas ou doenças agudas do trato gastrointestinal. TEMA 5 – GEOTERAPIA NA PRÁTICA Como já mencionado, as terapias complementares integrativas não apresentam ainda métodos que comprovem a sua ação de forma sistemática, conforme os estipulados pela ciência atual, principalmente por serem métodos pouco lucrativos e de difícil aplicabilidade. Por isso, quando mencionamos tratamentos, são os utilizados com embasamento empírico e que, ao longo dos anos, se sedimentaram entre os terapeutas naturistas. No entanto, por intermédio de estudo e espírito investigativo, poderemos ir além desses protocolos e usar o conhecimento adquirido de estudos modernos, que englobam química, bioquímica e, inclusive, física e química quântica. Antes da aplicação da argila, a pele deve estar limpa, sem filtro solar, maquiagem ou outros produtos que aumentem a barreira de interferência. Na epiderme, encontramos a queratina, que impermeabiliza a pele para prevenir a perda de água, bem como a entrada de patógenos. Por isso, sugere-se também uma leve esfoliação da pele, caso esteja intacta, para reduzir essa tensão e favorecer a penetração da argila. Esta pode ser feita com as argilas brancas, 23 caulinitas ou cristais de quartzo; caso queira fazer com as argilas verdes e cinzas, tomar muito cuidado com peles mais sensíveis, finas, avermelhadas, pois são mais abrasivas. 5.1 Pele Para aplicar em distúrbios da pele, o cataplasma ou compressa deverá ser de 1 a 2 cm e o tempo de permanência média de uma a duas horas, conforme o agravamento da comorbidade e as observações comentadas em momentos anteriores, como idade e constituição individual. 5.1.1 Queimaduras Em queimaduras leves a moderadas de fogo, sol ou elétrica, pode-se aplicar a argila em forma de compressa e fria. Deve-se repetir até que a argila não esquente mais rapidamente, depois repetir o processo de 1 a 2 vezes ao dia, conforme a gravidade. Peretto (2009) sugere, em caso de queimadura dos pés e mãos, mergulhá-los em um balde com argila bem mole (líquida) e deixá-los por uma hora, duas vezes por dia. Lembre-se de não reutilizar a argila. Se o tratamento for inicial, as cicatrizes de queimaduras vão se reduzir. Vila y Campania (2000) sugere, para queimadura por químicos ácidos, a argila fria, e para queimaduras por químicos básicos, utilizar o suco de limão, para neutralizá-las. Após recomenda-se lavar abundantemente e não expor ao sol. Em casos graves de queimadura, deve-se chamar a emergência pelo 192, para ser direcionado a um centro especializado de queimadura. Queimadura graves não doem, atingiram profundamente a pele, geralmente atingem mais que 10% do corpo, vão necessitar de hidratação, antibióticos e outros cuidados de suporte médico. 5.1.2 Dermatites e eczemas Para o tratamento de eczemas e dermatites é necessário ter paciência e persistência. São necessárias aplicações de compressas ou cataplasmas de 1 a 2 cm por pelo menos três meses e entre uma e duas horas, pelo menos uma vez por semana. Geralmente, em casos de vermelhidão, corpo muito quente, principalmente na região abdominal, também é aconselhável argila abdominal, 24 na região de intestinos e estômago. É importante, juntamente com os conceitos de cura natural, promover a desintoxicação com a melhoria da dieta, sucos alcalinizantes e tratamento emocional, como psicoterapia, terapia floral e constelação familiar. Nos casos de dermatites e eczemas na pele seca, utilizamos as argilas ricas em caulinitas, dolomitas, e a elas pode-se adicionar uma colher de chá de germe de trigo, óleo de coco ou linhaça, por exemplo. Ainda podemos adicionar infusos ou decoctos de plantas como Matricaria chamomilla L. (camomila), Calendula officinalis L. (calêndula), Stryphnodendrom adstrigens (Mart.) Coville (barbatimão), Aloe vera sp. Para dermatites seborreicas, as argilas mais secativas são mais efetivas, ricas em esmectitas (argilas verdes e cinzas) e em enxofre (argilas cinzas e pretas). A argila preta é mais difícil de ser removida, por isso é interessante avaliar se a paciente não se importa de ficar no rosto com o resquício da argila no dia. Não é adequado o uso de óleos, mas infusos com Calendula officinalis L. (calêndula) e Stryphnodendrom adstrigens (Mart.) Coville (barbatimão) são utilizados tanto na assepsia como adstringentes. Inicialmente, a pele poderá ficar mais oleosa ou piorar, por isso deve-se manter o tratamento até o alívio dos sintomas. As aplicações podem ser feitas diariamente ou com espaçamento de dois dias em casos agudos ou graves. 5.1.3 Feridas, úlceras, cortes e hematomas Feridas ou úlceras abertas não são tratadas com geoterapia diretamente sobre a ferida. O tratamento de feridas abertas é um grande risco, especialmente as de grande extensão e supurativas. Se for uma argila de má procedência, pode contaminar a lesão, e também há a dificuldade de limpeza. Entretanto, a geoterapia é utilizada em longo prazo empiricamente e seus terapeutas a indicam, especialmente porque são ricas em silício e alumínio, considerados regeneradores e cicatrizantes de uso tópico. Nesse caso, é essencial usar argilas estéreis e de boa procedência. Podemos usar também a técnica de esterilização caseira, que pode ser utilizada em um tecido um pouco mais fechado como o de linho, de preferência fervido, uma folha de couve bem lavada e fervida ou a pele da cebola. O procedimento é manter por duas horas diariamente sobre as feridas, cuidando para que não sequem. Se a argila esquentar muito rapidamente, deve ser trocada. Podem ser utilizados infusos ou unguentos de 25 plantas que auxiliem no processo de cicatrização e dor. Algumas plantas que podem auxiliar como infuso ou decocto na argila são Casearia sylvestris (guaçatonga/erva de bicho), Calendula officinalis L. (calêndula), Stryphnodendrom adstrigens (Mart.) Coville (barbatimão), Aloe vera sp, entre muitas outras. Estas são bem conhecidas pelo memento fitoterápico da farmacopeia brasileira. Em um teste realizado em 45 ratos com uma emulsão de argila Oncara extraída no Ceará por biomédicos, em 2012, obteve-se um resultado positivo de regeneração da derme profunda em queimaduras, superior à emulsão neutra e ao tempo normal de cicatrização (Dario et al., 2012). Outra proposta para o tratamento de feridas muito exsudativas e com mau cheiro é o uso de carvão ativado, que pode ser misturado com a argila para o tratamento ou ser utilizado separadamente.O carvão tem grande capacidade absortiva e estimula o expurgo da ferida, aplicado topicamente. Para fazer separada, é interessante usar outro material que melhore a emulsificação do carvão. Pode ser utilizado o pó de linhaça para fazer a compressa. Ao preparar com água quente forma-se um gel que englobará o carvão. Ainda, pode ser adicionado uma proporção de dolomita, rico em minerais que estimulam a regeneração. A proporção é de 2:1:1, ou seja, três partes, sendo duas colheres de sopa de argila, uma colher de carvão e uma colher de dolomita. A dolomita auxilia na cicatrização, é remineralizante e antisséptica. NA PRÁTICA Para escolhermos o tratamento adequado, devemos realizar uma anamnese e saber localizar todos os sistemas do corpo, bem como entender da sua fisiologia e patologia. O uso da argila abdominal é muito importante na visão naturoterapêutica e é muito utilizada não somente nos distúrbios de doenças do trato gastrointestinal, mas como complemento de outros tratamentos. De modo geral, o tratamento com argila deve ser aplicado formando uma camada de 1 a 2 cm sobre o local a ser estimulado, durante uma ou duas horas, e para isso devem ser avaliadas as reações do paciente. É necessário manter a argila úmida. A sala deve estar em temperatura ambiente confortável, ou deve- se fazer uso de cobertores e bolsas de água quente para trazer conforto. O uso de compressas é a forma mais fácil de utilizar a geoterapia na clínica, porém, em 26 spas, o uso de cataplasmas e banhos são muito utilizados, pois há uma rede adequada para o descarte. Na dermatologia, vamos aplicar como o modo geral, procurando avaliar o tipo de comorbidade, temperatura do corpo quente ou fria, pele oleosa ou seca. FINALIZANDO Hoje fizemos uma breve revisão da anatomia humana, importante para saber a localização de seus componentes e o seu funcionamento. Entendemos também a importância de realizar uma anamnese, bem como registrar os avanços do tratamento, pois isso auxilia na compreensão da terapia. Iniciamos os tratamentos por sistemas, nos quais vamos verificar que a geoterapia é uma terapia de fácil entendimento e aplicação, que deve sempre ser complementar outros tratamentos naturais. 27 REFERÊNCIAS DÁRIO, G. M. et al. Evaluation of the healing activity of therapeutic clay in rat skin wounds. Mater Sci Eng C Mater Biol Appl., v. 43, p. 109-116, 2012. FARZI, A.; FROHLICH, E. E.; HOLZER, P. Gut Microbiota and the Neuroendocrine System. Neurotherapeutics, v. 15, p. 5-22, 2018. PERETTO, I. C. Argila: um santo remédio e outros tratamentos compatíveis. São Paulo: Paulinas, 2000. VILA Y CAMPANYA, M. Manual de geoterapia aplicada. Lima: Organización Panamericana de la Salud, 2000. Disponível em: . Acesso em: 10 jul. 2021. AULA 4 FICHA DE ANAMNESE