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GEOTERAPIA 
AULA 4 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Cristiano Alexandre de Andrade Neiva de Lima 
 
 
 
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CONVERSA INICIAL 
Nesta aula, faremos uma breve revisão da anatomia para encontrarmos 
os locais de aplicação das argilas. Abordaremos como realizar a geoterapia em 
diversas enfermidades e comentaremos sobre a importância da geoterapia 
abdominal em doenças crônicas sob a visão da naturopatia. 
TEMA 1 – LOCAIS DE APLICAÇÃO 
Para que possamos compreender os locais em que precisamos realizar a 
geoterapia, faremos uma breve revisão da anatomofisiologia e, em seguida, 
continuaremos com o estudo das aplicações nas enfermidades. 
1.1 Resumo de anatomofisiologia 
O corpo humano é formado de células, as quais têm um sistema interno 
complexo de metabolismo para sua existência, e que, em conjunto, formam 
tecidos. 
Figura 1 – Célula 
 
Crédito: Tefi/Shutterstock. 
https://www.shutterstock.com/pt/g/guniita
 
 
3 
Para que uma célula viva em plena capacidade, é muito importante a sua 
nutrição, que é realizada pela ingesta de alimentos e líquidos que tenham 
componentes vitais para sua sobrevivência. Esses elementos são proteínas 
(peptídeos – aminoácidos), lipídios (ácidos graxos) e carboidratos (glicose), além 
de vitaminas e minerais, responsáveis por reações orgânicas. Eles farão parte 
de todo o sistema de células, tecidos e sistemas. 
Figura 2 – Tipos de célula 
 
Crédito: VectorMine/Shutterstock. 
As células se organizam em tecidos conforme o seu código genético 
durante a formação do feto e as interferências do meio. 
https://www.shutterstock.com/pt/g/normaals
 
 
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Os tipos de tecidos são: epitelial e glandular (pele e tecidos epiteliais dos 
órgãos internos); conjuntivo (cartilagens, tecido ósseo, tecido sanguíneo e linfa); 
muscular; nervoso; e mucosas. 
Figura 3 – Tipos de tecidos 
 
Crédito: VectorMine/Shutterstock. 
https://www.shutterstock.com/pt/g/normaals
 
 
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Figura 4 – Sistemas do corpo humano 
 
Crédito: Vecton/Shutterstock. 
1.2 Pele e anexos 
Talvez esse seja o principal tecido a ser estudado, pois é por meio da pele 
e seus anexos que afetamos os demais tecidos e sistemas com a geoterapia. 
Considerado o maior órgão do corpo, a pele é composta por duas camadas 
complexas: a epiderme (superfície) e a derme (tecido conjuntivo – fibras 
colágenas), e, abaixo, o tecido subcutâneo (hipoderme), rico em lipídios. Ela 
apresenta também várias glândulas, como as sebáceas e as sudoríparas, bem 
como pelos receptores, como os de dor e de temperatura. 
https://www.shutterstock.com/pt/g/Vecton
https://www.shutterstock.com/pt/g/Vecton
 
 
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Figura 5 – Anatomia da pele 
 
Crédito: MicroOne/Shutterstock. 
A pele tem várias funções. Além de ser protetora, auxilia no controle de 
temperatura corporal, oportuniza as sensações táteis (frio, calor, pressão, dor) e 
faz a excreção de toxinas. É por ela que a troca iônica acontece e atinge as 
camadas mais profundas, nos vasos sanguíneos e linfáticos; porém, para isso, 
necessita transpor as membranas celulares. 
A pele pode desenvolver desde distúrbios mais superficiais – erupções e 
inflamações como dermatites e eczemas – até comorbidades como psoríase, 
vitiligo e lúpus. 
1.3 Sistema esquelético 
O sistema esquelético tem 206 ossos, dentre os quais devemos dar mais 
atenção às vértebras da coluna vertebral (cervical, torácica, lombar, sacral, 
cóccix) e articulações (cotovelos, joelhos, maléolos, dedos das mãos e pés). São 
grandes depósitos de minerais como cálcio, fósforo, magnésio e manganês. 
Hormônios (tireoide, paratireoide, gônadas) e vitaminas (A, C, D, K) são 
importantes para o metabolismo desse sistema. 
https://www.shutterstock.com/pt/g/MicroOne
https://www.shutterstock.com/pt/g/MicroOne
 
 
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Entre os distúrbios mais comuns estão artrite, artroses, bursites e 
osteoporose. 
Figura 6 – Sistema esquelético 
 
Crédito: Elenabsl/Shutterstock. 
1.4 Sistema muscular 
O sistema muscular é formado por tecido muscular (tendões e músculos), 
que pode ser classificado em tecido muscular liso, esquelético ou cardíaco. O 
liso está relacionado às vísceras internas e é involuntário, igualmente ao músculo 
cardíaco (músculo do coração). O músculo esquelético tem ação voluntária e é 
formado por fibras estriadas. 
O músculo esquelético dá movimento e estabiliza o sistema esquelético, 
movimenta o sangue e a linfa, aumenta o calor. Precisa de cálcio para realizar 
as contrações e manutenção do tônus, bem como do aporte de sangue e do 
sistema nervoso. 
Um músculo é formado pela parte carnosa, chamada de músculo, e a 
parte cartilaginosa, formada por tendões. Os tendões são flexíveis, se inserem 
nos ossos e nas articulações e formam cadeias musculares que produzem os 
movimentos. 
https://www.shutterstock.com/pt/g/elenabsl
https://www.shutterstock.com/pt/g/elenabsl
 
 
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Distúrbios comuns desse sistema são as inflamações de tendões 
(tendinites) e inflamações musculares, como contraturas e mialgias. 
Figura 7 – Músculos do braço 
 
Crédito: Alila Medical Media/Shutterstock. 
https://www.shutterstock.com/pt/g/alila
https://www.shutterstock.com/pt/g/alila
 
 
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Figura 8 – Músculos das costas 
 
Crédito: Artemida-psy/Shutterstock. 
https://www.shutterstock.com/pt/g/Artemida-psy
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Figura 9 – Músculos da parte inferior traseira do corpo 
 
Crédito: Hank Grebe/Shutterstock. 
https://www.shutterstock.com/pt/g/HankGrebe
https://www.shutterstock.com/pt/g/HankGrebe
 
 
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Figura 10 – Músculos ósseos 
 
Crédito: Medicalstocks/Shutterstock. 
https://www.shutterstock.com/pt/g/medicalstocks
https://www.shutterstock.com/pt/g/medicalstocks
 
 
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Figura 11 – Músculos ósseos 
 
Crédito: Medicalstocks/Shutterstock. 
1.5 Sistema nervoso 
O sistema nervoso é responsável pelos estímulos elétricos que percorrem 
os neurônios e estimulam a secreção de neurotransmissores, que ativam ou 
inibem funções de todo o corpo. Temos o sistema nervoso central, formado pelo 
encéfalo e pela medula espinhal, o sistema nervoso periférico, formado pelo 
sistema nervoso autônomo (simpático e parassimpático), o sistema nervoso 
somático (espalhados por todo o corpo e também concentrados nos órgãos dos 
sentidos – audição, visão, paladar, olfato e tato) e o sistema nervoso entérico 
(localizados nos plexos entéricos). Todos se intercomunicam entre si. 
https://www.shutterstock.com/pt/g/medicalstocks
https://www.shutterstock.com/pt/g/medicalstocks
 
 
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Figura 12 – Sistema nervoso 
 
Crédito: Vecton/Shutterstock. 
São distúrbios comuns do sistema nervoso periférico as neurites, os 
neuromas e a fibromialgia. No sistema nervoso central, temos uma infinidade de 
distúrbios, desde mentais, emocionais, memória, motores, sensoriais, entre 
outros. 
1.6 Sistema endócrino 
O sistema endócrino é responsável por controlar juntamente com o 
sistema nervoso as funções orgânicas. Cada glândula produz hormônios com 
funções específicas, regulando a atividade das células atingidas por eles e o 
https://www.shutterstock.com/pt/g/Vecton
https://www.shutterstock.com/pt/g/Vecton
 
 
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metabolismo do corpo. É responsável também pelo amadurecimento do corpo e 
seu desenvolvimento sexual. Apesar de o sistema endócrino ser formado pelas 
glândulas, descobriu-se uma conexão entre o sistema nervoso e o glandular, o 
hipotálamo. Localizado no encéfalo, juntamente com a hipófise estimulam as 
demais glândulas, que também são influenciadas por elas. 
Constituem o sistema endócrino: hipotálamo, hipófise, pineal, tireoide, 
paratireoide, timo, ilhotas pancreáticas (langerhans), suprarrenais, ovários e 
testículos. 
Saiba mais 
Além dessas glândulas, órgãos como estômago, rins, coração e o tecido 
adiposo também produzem hormônios. Sugerimos o estudo desses hormônios 
de cada glândula para se aprofundar no entendimento da fisiologia humana.Figura 13 – Sistema endócrino masculino e feminino 
 
Crédito: Vecton/Shutterstock. 
Cada glândula poderá apresentar como distúrbios o hipo ou o 
hiperfuncionamento na produção de seus hormônios, ou inflamações de seu 
próprio órgão – como tireoidite, pancreatite, orquite (inflamação dos testículos). 
Entre os desequilíbrios hormonais, deve-se estudar cada hormônio. Citamos 
aqui, por exemplo, os mais conhecidos: o hipotireoidismo, que reduz o 
https://www.shutterstock.com/pt/g/Vecton
https://www.shutterstock.com/pt/g/Vecton
 
 
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metabolismo do corpo, e o hipertireoidismo, que eleva excessivamente as 
atividades orgânicas. Outra disfunção em épocas modernas é o alto índice de 
cortisol gerado por estresse nas suprarrenais, alternando as rotas endócrinas. 
1.7 Sistemas internos 
Ainda temos os sistemas internos: sistema respiratório, sistema 
digestório, sistema urinário, sistema genital, sistema cardiovascular, sistema 
linfático. Para trabalhar com o corpo humano devemos estar a par de todos os 
sistemas. 
Figura 14 – Sistemas internos na mulher 
 
Crédito: GraphicsRF.com/Shutterstock. 
https://www.shutterstock.com/pt/g/colematt
https://www.shutterstock.com/pt/g/colematt
 
 
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Figura 15 – Sistemas internos nos homens 
 
Crédito: GraphicsRF.com/Shutterstock. 
https://www.shutterstock.com/pt/g/colematt
https://www.shutterstock.com/pt/g/colematt
 
 
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Figura 16 – Sistema interno 
 
Crédito: Metamorworks/Shutterstock. 
https://www.shutterstock.com/pt/g/chombosan
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Figura 17 – Sistema interno 
 
Crédito: Hank Grebe/Shutterstock. 
TEMA 2 – ANAMNESE 
Para fazer a escolha da argila a ser utilizada, da temperatura e do tempo, 
devemos fazer uma boa anamnese, voltada para essa escolha e objetivos. 
Uma anamnese é a avaliação do paciente de forma detalhada, na qual 
deve conter idade, sexo, altura, peso, pressão arterial, se tem diabetes 
(glicemia), se tem outras comorbidades e a queixa principal. 
Cada um pode montar sua própria ficha de anamnese, entretanto, a 
seguir, dispomos um exemplo de uma ficha que pode ser aplicada na prática 
clínica. 
 
https://www.shutterstock.com/pt/g/HankGrebe
https://www.shutterstock.com/pt/g/HankGrebe
 
 
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Quadro 1 – Ficha de anamnese 
 
FICHA DE ANAMNESE 
NOME:_________________________________________________________ 
IDADE:______ENDEREÇO:________________________________________
TEL:___________________ESTADO CIVIL:_______________FILHOS:_____ 
PROFISSÃO:____________________P.A.: _____________ALTURA:_______ 
PESO:_________ DATA: ___/___/____ 
 
QUEIXA PRINCIPAL: 
_______________________________________________________________ 
HISTÓRICO:_____________________________________________________ 
MEDICAMENTOS E OUTROS TRATAMENTOS: ________________________ 
_______________________________________________________________ 
QUEIXAS SECUNDÁRIAS:_________________________________________ 
REVISÃO DE SISTEMAS: 
DIGESTÃO:_____________________________________________________ 
EVACUAÇÃO:___________________________________________________ 
URINA/INCHAÇO:________________________________________________ 
CARDIOVASCULAR:_____________ CICLO MENSTRUAL:_______________ 
RESPIRAÇÃO:________________ ÓRGÃOS DOS SENTIDOS:____________ 
SONO:____________________________ FRIO/CALOR:_________________ 
SUDORESE:____________DORES:__________________________________
ESCALA (0 A 10):_________________________________________________ 
ESTADO EMOCIONAL: ___________________________________________ 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
TRATAMENTO UTILIZADO: (QUAL(IS) ARGILA(S), TEMPERATURA, TEMPO, 
FREQUÊNCIA)___________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
DATA:___/___/___ 
OBSERVAÇÕES DA RECONSULTA:________________________________ 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
Fonte: Lima, 2021. 
TEMA 3 – APLICANDO A GEOTERAPIA 
Após realizar a anamnese, escolher as argilas e as formas de tratamento, 
direcionamos o paciente para a sala de aplicação. 
A sala de aplicação deve ser uma temperatura agradável. Se for muito 
fria, podemos utilizar aquecedores e/ou bolsas de água quente nos pés e outras 
regiões mais frias; se muito quente, deixar circular o ar, abrindo as janelas ou 
usando ventiladores. Se o ambiente não estiver muito quente, convém cobrir o 
 
 
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paciente, pois a argila reterá o calor do corpo, causando um breve resfriamento, 
o que pode causar desconforto. 
3.1 Reações durante e após a geoterapia 
As argilas mais claras tendem a oferecer menos reações, enquanto as 
mais coloridas, indo para o escuro ou tons avermelhados, tendem a oferecer 
mais reações. 
As reações do corpo podem começar logo após o início da aplicação, 
como é o caso das acnes, pústulas ou furúnculos, que supuram pela ação da 
argila, o que pode causar coceira e vermelhidão até dois ou três dias após a 
aplicação, com sintomas de desintoxicação. Alguns organismos reagem mais 
rápido, outros podem ter reações mais lentas, o que vai sugerir tratamentos mais 
prolongados. 
O corpo pode realizar uma catarse, que é o processo do organismo de 
fazer uma desintoxicação promovendo uma reação de expurgo, o que às vezes 
dá impressão de piora, mas é a desintoxicação que está acontecendo. Sinais 
comuns de desintoxicação são dor de cabeça, fezes com muco ou diarreia, 
aumento da supuração de acne, aumento de catarro da rinite, sinusite, sudorese, 
aumento da diurese, piora da pele inicialmente. 
Algumas vezes serão necessárias outras terapias coadjuvantes para 
reduzir reações, tais como hidroterapia, cromoterapia, massagem, 
auriculoterapia, fitoterapia e terapia floral. Caso as reações sejam muito 
intensas, convém espaçar a terapia de uma para duas semanas, ou caso não 
percebamos reações muito evidentes, podemos aproximar as sessões para duas 
a três vezes na semana. Em hospitais naturopáticos, em razão do 
acompanhamento de terapeutas, a geoterapia é realizada diariamente de uma a 
duas vezes no dia, juntamente com outras terapias que estimulam a 
desintoxicação e regeneração. 
TEMA 4 – INTESTINOS: NOSSO SEGUNDO CÉREBRO 
Não é de hoje que esse pensamento ocupa a mente dos naturistas, de 
que intestino regular e saudável seja sinal de boa saúde e bom humor. Muitos 
terapeutas como naturopatas, homeopatas e iridólogos mencionam que o 
intestino está diretamente relacionado com a saúde do corpo e da mente, afinal, 
 
 
21 
no corpo há 4,5 metros de intestinos, um sistema nervoso específico para esses 
órgãos (sistema nervoso entérico) e uma vasta flora intestinal produtora de várias 
enzimas, além do grande aporte sanguíneo, o que deve ter relação com a saúde 
do organismo. 
Figura 19 – Intestino: diretamente relacionado com a saúde do corpo e da mente 
 
Crédito: Sakurra/Shutterstock. 
Diversos estudos encontrados em revistas científicas como Pubmed, 
Scielo, Bireme, falam da relação dos intestinos com o eixo hipotalamo-pituitárial-
adrenal (HPA), também chamado de sistema neuroendócrino. Esse sistema está 
relacionado com a liberação de hormônios e enzimas que agem sobre o corpo 
como resposta ao estresse externo físico ou emocional. 
Relações descobertas recentemente apontam que o sistema 
neuroendocrino e a microbiota (flora) intestinal se interrelacionam e afetam-se 
bidirecionalmente, interferindo nos hormônios que equilibram a homeostase 
orgânica e o sistema imunológico, sendo alvo para estudo de doenças como 
depressão, síndrome do intestino irritável e Alzheimer. Estudos sugerem que o 
sistema HPA interfere na microbiota intestinal e na permeabilidade 
gastrointestinal, enquanto a microbiota também afeta o sistema HPA liberandopeptídeos que atravessam a barreia hematoencefálica, provocando uma 
modificação no funcionamento cerebral (Farzi et al., 2018). 
https://www.shutterstock.com/pt/g/Kobizka+Viktoriia
https://www.shutterstock.com/pt/g/Kobizka+Viktoriia
 
 
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Por esses motivos, os naturistas sempre prezam pelo bom funcionamento 
dos intestinos, com uma boa dieta que preserva e modula a microbiota, com 
sucos que reforçam a flora saudável e promovem a lavagem intestinal, o uso de 
geoterapia abdominal e oral para estimular a desintoxicação dos intestinos, 
removendo o excesso de calor (sugere inflamações), toxinas e melhoria da 
microbiota. 
Outra visão relacionada com alguns princípios de escolas naturistas, 
como a homotoxicologia, é a de que o corpo sempre tenta se livrar de toxinas, 
iniciando com processos agudos com depurações, como acnes, diarreias, 
vômitos, e depois segue com processos inflamatórios (-ites), tais como 
dermatites, tendinites, bursites, dores de cabeça, gastrites, hepatites, colites, 
entre outras, por fim, processos de deposição, que geram as doenças crônicas, 
autoimunes e degenerativas como artrites reumatoide, psoríase, fibromialgia, 
câncer. Logo, com essa visão, queremos promover a reação contrária, por isso 
que podem aparecer outras reações orgânicas de desintoxicação. E é por esse 
motivo que se recomenda, sempre que possível, o cataplasma abdominal, 
principalmente em doenças crônicas ou doenças agudas do trato 
gastrointestinal. 
TEMA 5 – GEOTERAPIA NA PRÁTICA 
Como já mencionado, as terapias complementares integrativas não 
apresentam ainda métodos que comprovem a sua ação de forma sistemática, 
conforme os estipulados pela ciência atual, principalmente por serem métodos 
pouco lucrativos e de difícil aplicabilidade. Por isso, quando mencionamos 
tratamentos, são os utilizados com embasamento empírico e que, ao longo dos 
anos, se sedimentaram entre os terapeutas naturistas. No entanto, por 
intermédio de estudo e espírito investigativo, poderemos ir além desses 
protocolos e usar o conhecimento adquirido de estudos modernos, que 
englobam química, bioquímica e, inclusive, física e química quântica. 
Antes da aplicação da argila, a pele deve estar limpa, sem filtro solar, 
maquiagem ou outros produtos que aumentem a barreira de interferência. Na 
epiderme, encontramos a queratina, que impermeabiliza a pele para prevenir a 
perda de água, bem como a entrada de patógenos. Por isso, sugere-se também 
uma leve esfoliação da pele, caso esteja intacta, para reduzir essa tensão e 
favorecer a penetração da argila. Esta pode ser feita com as argilas brancas, 
 
 
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caulinitas ou cristais de quartzo; caso queira fazer com as argilas verdes e 
cinzas, tomar muito cuidado com peles mais sensíveis, finas, avermelhadas, pois 
são mais abrasivas. 
5.1 Pele 
Para aplicar em distúrbios da pele, o cataplasma ou compressa deverá 
ser de 1 a 2 cm e o tempo de permanência média de uma a duas horas, conforme 
o agravamento da comorbidade e as observações comentadas em momentos 
anteriores, como idade e constituição individual. 
5.1.1 Queimaduras 
Em queimaduras leves a moderadas de fogo, sol ou elétrica, pode-se 
aplicar a argila em forma de compressa e fria. Deve-se repetir até que a argila 
não esquente mais rapidamente, depois repetir o processo de 1 a 2 vezes ao 
dia, conforme a gravidade. 
Peretto (2009) sugere, em caso de queimadura dos pés e mãos, 
mergulhá-los em um balde com argila bem mole (líquida) e deixá-los por uma 
hora, duas vezes por dia. Lembre-se de não reutilizar a argila. Se o tratamento 
for inicial, as cicatrizes de queimaduras vão se reduzir. 
Vila y Campania (2000) sugere, para queimadura por químicos ácidos, a 
argila fria, e para queimaduras por químicos básicos, utilizar o suco de limão, 
para neutralizá-las. Após recomenda-se lavar abundantemente e não expor ao 
sol. Em casos graves de queimadura, deve-se chamar a emergência pelo 192, 
para ser direcionado a um centro especializado de queimadura. 
Queimadura graves não doem, atingiram profundamente a pele, 
geralmente atingem mais que 10% do corpo, vão necessitar de hidratação, 
antibióticos e outros cuidados de suporte médico. 
5.1.2 Dermatites e eczemas 
Para o tratamento de eczemas e dermatites é necessário ter paciência e 
persistência. São necessárias aplicações de compressas ou cataplasmas de 1 a 
2 cm por pelo menos três meses e entre uma e duas horas, pelo menos uma vez 
por semana. Geralmente, em casos de vermelhidão, corpo muito quente, 
principalmente na região abdominal, também é aconselhável argila abdominal, 
 
 
24 
na região de intestinos e estômago. É importante, juntamente com os conceitos 
de cura natural, promover a desintoxicação com a melhoria da dieta, sucos 
alcalinizantes e tratamento emocional, como psicoterapia, terapia floral e 
constelação familiar. 
Nos casos de dermatites e eczemas na pele seca, utilizamos as argilas 
ricas em caulinitas, dolomitas, e a elas pode-se adicionar uma colher de chá de 
germe de trigo, óleo de coco ou linhaça, por exemplo. Ainda podemos adicionar 
infusos ou decoctos de plantas como Matricaria chamomilla L. (camomila), 
Calendula officinalis L. (calêndula), Stryphnodendrom adstrigens (Mart.) Coville 
(barbatimão), Aloe vera sp. 
Para dermatites seborreicas, as argilas mais secativas são mais efetivas, 
ricas em esmectitas (argilas verdes e cinzas) e em enxofre (argilas cinzas e 
pretas). A argila preta é mais difícil de ser removida, por isso é interessante 
avaliar se a paciente não se importa de ficar no rosto com o resquício da argila 
no dia. Não é adequado o uso de óleos, mas infusos com Calendula officinalis L. 
(calêndula) e Stryphnodendrom adstrigens (Mart.) Coville (barbatimão) são 
utilizados tanto na assepsia como adstringentes. Inicialmente, a pele poderá ficar 
mais oleosa ou piorar, por isso deve-se manter o tratamento até o alívio dos 
sintomas. As aplicações podem ser feitas diariamente ou com espaçamento de 
dois dias em casos agudos ou graves. 
5.1.3 Feridas, úlceras, cortes e hematomas 
Feridas ou úlceras abertas não são tratadas com geoterapia diretamente 
sobre a ferida. O tratamento de feridas abertas é um grande risco, especialmente 
as de grande extensão e supurativas. Se for uma argila de má procedência, pode 
contaminar a lesão, e também há a dificuldade de limpeza. Entretanto, a 
geoterapia é utilizada em longo prazo empiricamente e seus terapeutas a 
indicam, especialmente porque são ricas em silício e alumínio, considerados 
regeneradores e cicatrizantes de uso tópico. Nesse caso, é essencial usar argilas 
estéreis e de boa procedência. Podemos usar também a técnica de esterilização 
caseira, que pode ser utilizada em um tecido um pouco mais fechado como o de 
linho, de preferência fervido, uma folha de couve bem lavada e fervida ou a pele 
da cebola. O procedimento é manter por duas horas diariamente sobre as 
feridas, cuidando para que não sequem. Se a argila esquentar muito 
rapidamente, deve ser trocada. Podem ser utilizados infusos ou unguentos de 
 
 
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plantas que auxiliem no processo de cicatrização e dor. Algumas plantas que 
podem auxiliar como infuso ou decocto na argila são Casearia sylvestris 
(guaçatonga/erva de bicho), Calendula officinalis L. (calêndula), 
Stryphnodendrom adstrigens (Mart.) Coville (barbatimão), Aloe vera sp, entre 
muitas outras. Estas são bem conhecidas pelo memento fitoterápico da 
farmacopeia brasileira. 
Em um teste realizado em 45 ratos com uma emulsão de argila Oncara 
extraída no Ceará por biomédicos, em 2012, obteve-se um resultado positivo de 
regeneração da derme profunda em queimaduras, superior à emulsão neutra e 
ao tempo normal de cicatrização (Dario et al., 2012). 
Outra proposta para o tratamento de feridas muito exsudativas e com mau 
cheiro é o uso de carvão ativado, que pode ser misturado com a argila para o 
tratamento ou ser utilizado separadamente.O carvão tem grande capacidade 
absortiva e estimula o expurgo da ferida, aplicado topicamente. Para fazer 
separada, é interessante usar outro material que melhore a emulsificação do 
carvão. Pode ser utilizado o pó de linhaça para fazer a compressa. Ao preparar 
com água quente forma-se um gel que englobará o carvão. Ainda, pode ser 
adicionado uma proporção de dolomita, rico em minerais que estimulam a 
regeneração. A proporção é de 2:1:1, ou seja, três partes, sendo duas colheres 
de sopa de argila, uma colher de carvão e uma colher de dolomita. A dolomita 
auxilia na cicatrização, é remineralizante e antisséptica. 
NA PRÁTICA 
Para escolhermos o tratamento adequado, devemos realizar uma 
anamnese e saber localizar todos os sistemas do corpo, bem como entender da 
sua fisiologia e patologia. 
O uso da argila abdominal é muito importante na visão naturoterapêutica 
e é muito utilizada não somente nos distúrbios de doenças do trato 
gastrointestinal, mas como complemento de outros tratamentos. 
De modo geral, o tratamento com argila deve ser aplicado formando uma 
camada de 1 a 2 cm sobre o local a ser estimulado, durante uma ou duas horas, 
e para isso devem ser avaliadas as reações do paciente. É necessário manter a 
argila úmida. A sala deve estar em temperatura ambiente confortável, ou deve-
se fazer uso de cobertores e bolsas de água quente para trazer conforto. O uso 
de compressas é a forma mais fácil de utilizar a geoterapia na clínica, porém, em 
 
 
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spas, o uso de cataplasmas e banhos são muito utilizados, pois há uma rede 
adequada para o descarte. 
Na dermatologia, vamos aplicar como o modo geral, procurando avaliar o 
tipo de comorbidade, temperatura do corpo quente ou fria, pele oleosa ou seca. 
FINALIZANDO 
Hoje fizemos uma breve revisão da anatomia humana, importante para 
saber a localização de seus componentes e o seu funcionamento. Entendemos 
também a importância de realizar uma anamnese, bem como registrar os 
avanços do tratamento, pois isso auxilia na compreensão da terapia. Iniciamos 
os tratamentos por sistemas, nos quais vamos verificar que a geoterapia é uma 
terapia de fácil entendimento e aplicação, que deve sempre ser complementar 
outros tratamentos naturais. 
 
 
 
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REFERÊNCIAS 
DÁRIO, G. M. et al. Evaluation of the healing activity of therapeutic clay in rat skin 
wounds. Mater Sci Eng C Mater Biol Appl., v. 43, p. 109-116, 2012. 
FARZI, A.; FROHLICH, E. E.; HOLZER, P. Gut Microbiota and the Neuroendocrine 
System. Neurotherapeutics, v. 15, p. 5-22, 2018. 
PERETTO, I. C. Argila: um santo remédio e outros tratamentos compatíveis. São 
Paulo: Paulinas, 2000. 
VILA Y CAMPANYA, M. Manual de geoterapia aplicada. Lima: Organización 
Panamericana de la Salud, 2000. Disponível em: . Acesso em: 10 jul. 2021. 
	AULA 4
	FICHA DE ANAMNESE

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