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ENSINO MÉDIO E EDUCAÇÃO 
PROFISSIONAL – 
FUNDAMENTOS E 
METODOLOGIAS 
AULA 6 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Diana Gurgel Pegorini 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Nesta aula, falaremos de formação docente, em específico para a 
educação profissional. Se a formação docente no Brasil é desafiadora, a 
formação voltada para a educação profissional é ainda mais. Há ainda questões 
a serem enfrentadas na formação inicial e continuada desse profissional, pois, a 
rigor, a docência para a educação profissional não está regulamentada. 
No tema 1, abordaremos os aspectos históricos e curriculares da 
formação de professores em nível médio. Feito o resgaste histórico, no tema 2, 
trataremos sobre as políticas de formação inicial de professores no contexto 
atual. 
A seguir, no tema 3, falaremos do professor da educação profissional 
técnica de nível médio e, no tema 4, o papel do pedagogo na educação 
profissional técnica de nível médio e tecnológica. 
Por fim, no tema 5, refletiremos sobre a formação dos funcionários da 
educação e da necessidade de também pensar em formação inicial e continuada 
para esses educadores. E, naturalmente, a formação dos funcionários da 
educação busca acabar com a invisibilidade desses trabalhadores, bem como 
atingir a valorização profissional. 
TEMA 1 – FORMAÇÃO DE PROFESSORES EM NÍVEL MÉDIO: ASPECTOS 
HISTÓRICOS E CURRICULARES 
A educação foi instaurada no país pelos jesuítas com a sua chegada aqui 
em 1549, como você já sabe. Ela era ofertada sob uma tríade construída pelos 
religiosos composta de três estruturas: o colégio, a aldeia indígena e a moradia 
dos religiosos. Nos colégios havia a preocupação acerca da formação da 
biblioteca, fundamental iniciativa em um período que livros eram objetos raros. 
Apresentamos, no Quadro 1, as reformas, o currículo e o perfil desejado 
para o professor juntos por dois motivos: primeiro, para que você perceba a 
conexão existente entre eles, uma vez que o currículo direciona o conteúdo a 
ser ministrado, bem como formula o perfil do docente desejado e segundo, para 
assinalar que foram as reformas que trouxeram mudanças para os currículos 
propostos. A partir disso, é preciso pensar no tipo de formação inicial e 
continuada a ser oferecida para os professores. 
 
 
 
3 
Quadro 1 – As reformas, o currículo e a formação docente no Brasil 
PERÍODO CURRÍCULO PERFIL DE DOCENTE 
DESEJADO 
Período colonial 
Por meio do Ratio 
Studiorum, os 
jesuítas organizaram 
todas as atividades 
das pessoas na 
escola ligadas ao 
ensino. 
Os conteúdos ministrados nos 
estudos inferiores foram: gramática 
(dividida em inferior, média e 
superior), dialética e retórica. A 
gramática desenvolvia a expressão 
clara e precisa que recebia o suporte 
da retórica com a ênfase na 
expressão poderosa e convincente. 
Já a dialética buscava a eloquência 
rica com elegância (Saviani, 2010). 
- Precisava ser religioso uma 
vez que o ensino foi utilizado 
como forma de aculturação e 
catequização. 
- Professor conservador para 
transmitir o conhecimento por 
meio de: reprodução, 
memorização, repetição e 
cópia. 
- Pouco afeito à pesquisa. 
- Possuir gosto particular pela 
leitura dos clássicos. 
1759 a 1834 
- Período da reforma 
pombalina que 
aconteceu em duas 
fases: Primeira fase: 
reforma para os 
estudos menores (o 
que conhecemos 
atualmente com a 
primeira etapa do 
ensino fundamental). 
Segunda fase: 
mudanças nos 
estudos maiores (que 
conhecemos 
atualmente como 
ensino superior). 
(Reino de Portugal, 
1772). 
O Método escolhido foi o mútuo ou 
Lancaster1 (Castanha, 2017). 
 
Os conteúdos contemplados no 
currículo para as escolas de primeiras 
letras eram, segundo o Art. 6°, da Lei 
de 15 de outubro de 1827: “ler, 
escrever, as quatro operações de 
aritmética, prática de quebrados, 
decimais e proporções, as noções 
mais gerais de geometria prática, a 
gramática de língua nacional, e os 
princípios de moral cristã e da 
doutrina da religião católica e 
apostólica romana, proporcionados à 
compreensão dos meninos; 
preferindo para as leituras a 
Constituição do Império e a História 
do Brasil” (Brasil, 1827). 
- Domínio dos conteúdos 
básicos de leitura, escrita, 
das quatro operações 
matemáticas, geometria e 
gramática portuguesa. 
-Ser católico era fundamental 
para a época. 
- Conhecer a História do 
Brasil e a sua legislação, em 
especial a Constituição do 
Império. 
- Em função do método 
mútuo adotado, o professor 
precisaria ser rígido, 
extremamente disciplinado e 
disciplinador. 
1854 
Reforma Coutto 
Ferraz 
O método adotado foi o simultâneo, 
mas prevalecia também o método 
misto que era uma mistura do 
simultâneo com o mútuo (Castanha, 
2017). 
O Art. 47, do Decreto 1.331-A 
estabeleceu o currículo para o ensino 
primário que compreende: “a 
instrução moral e religiosa, a leitura e 
escrita, as noções essenciais da 
gramática, os princípios elementares 
da aritmética, o sistema de pesos e 
Art. 12, do Decreto 1.331-A 
normatiza que para exercer o 
magistério era necessário 
provar: “1ª Maioridade legal. 
2ª Moralidade. 3º Capacidade 
Profissional” (Brasil, 1854). 
- O professor desejado era 
aquele que tivesse 
habilitações para 
compreender o método 
adotado. 
 
1 Sugere-se, para maior aprofundamento sobre os métodos adotados no Brasil, a leitura de 
Castanha, 2017. 
 
 
4 
medidas do município” (Brasil, 1854). 
Esse era o currículo previsto para o 
ensino primário de primeiro grau 
(instrução elementar). 
A capacidade profissional 
passou a ser atestada por 
meio de exames. 
1879 
Reforma Leôncio de 
Carvalho, 
 
Criado o 
Regulamento da 
Escola Normal da 
Capital Federal. 
 
Lei de ensino- livre 
eram cursos livres 
que eram ministrados 
por pessoas 
estranhas aos 
quadros docentes 
regulares. 
 
O método adotado foi o intuitivo ou 
prática de coisas (Castanha, 2017). 
O ensino nas escolas primarias de 1° 
grau das seguintes disciplinas: 
“Instrução moral. Instrução religiosa. 
Leitura. Escrita. [...]. Noções 
essenciais de gramática. Princípios 
elementares de aritmética. Sistema 
legal de pesos e medidas. Noções de 
história e geografia do Brasil. 
Elementos de desenho linear. 
Rudimentos de música, com exercício 
de solfejo e canto. Ginástica Costura 
simples (para as meninas) ” (Brasil, 
1879). 
Professores formados nos 
cursos normais com uma 
ampla formação cujo 
currículo era: Língua 
nacional e francesa; 
aritmética, álgebra e 
geometria; Metrologia e 
escrituração mercantil; 
Geografia e cosmografia; 
História universal; História e 
geografia do Brasil; 
Elementos de ciências físicas 
e naturais, de fisiologia e 
higiene; Filosofia; Princípios 
de direito natural e de direito 
público, com explicação da 
Constituição política do 
Império; Princípios de 
economia política; Noções de 
economia doméstica (para as 
alunas); Pedagogia e prática 
do ensino primário em geral; 
Prática do ensino intuitivo 
ou lições de coisas (em 
função do método 
adotado); Princípios de 
lavoura e horticultura; 
Caligrafia e desenho linear; 
Música vocal; Ginástica; 
Prática manual de ofícios 
(para os alunos); Trabalhos 
de agulha (para as alunas); 
Instrução religiosa (não 
obrigatória para os 
acatólicos); Latim; Inglês; 
Alemão; Italiano e Retórica 
(Brasil, 1879, grifos nossos). 
1890 
Reforma Benjamim 
Constant 
1ª reforma do período 
republicano 
 
Nesse período, foi 
criado o 
Regulamento da 
Escola Normal da 
Capital Federal. 
O método intuitivo seguiu sendo 
adotado nesse período (Castanha, 
2017). 
Para o ensino das escolas primarias 
do 1º grau, conforme art. 3°, o 
currículo constará: leitura e 
escrita; ensino prático da língua 
portuguesa; contar e calcular; 
aritmética prática até regra de três; 
sistema métrico precedido de estudo 
da geometria prática; elementos de 
geografia e história, especialmente 
do Brasil; ciências físicas e história 
Professor primário precisava 
ter, pelo menos, o curso da 
mesma escola onde 
pretendia trabalhar ou sergraduado pela Escola Normal 
(Brasil, 1890). 
 
 
5 
natural; instrução moral e cívica; 
desenho; elementos de música; 
ginástica e exercícios militares; 
trabalhos manuais (para os meninos); 
trabalhos de agulha (para as 
meninas); noções práticas de 
agronomia (Brasil, 1890). 
1911 
Reforma Rivadavia 
Corrêa 
 
Introduziu a livre-
docência, 
semelhante a Lei de 
ensino-livre 
Art. 4°, do Decreto n. 8.659 de 1911, 
sobre o currículo apenas é informado 
que “se ensinarão as disciplinas do 
curso fundamental, com o seu 
desenvolvimento literário e científico. 
Em função da livre-docência, 
permitiu-se que pessoas 
estranhas ao ambiente 
escolar pudessem lecionar, 
sem a formação exigida para 
tal na época. 
Fonte: Brasil, 1827,1854,1879, 1890; Castanha, 2017, Reino de Portugal 1772, Saviani, 2010. 
 Ocorreu ainda a Reforma Epitácio Pessoa, em 1901, para o ensino 
secundário, em que os cursos livres foram criados. Segundo Pegorini (2020, p. 
170), a reforma de 1911 foi introduzida a livre-docência, que era muito 
semelhante a Lei de ensino-livre “[...] da Reforma Leôncio de Carvalho (de 1879), 
e cursos livres, da reforma Epitácio Pessoa (de 1901) ”. 
TEMA 2 – POLÍTICAS DE FORMAÇÃO INICIAL DE PROFESSORES NO 
CONTEXTO ATUAL 
A formação docente para a educação básica era realizada em nível médio, 
por meio dos antigos cursos Normal e, posteriormente, Magistério. A partir do 
ano 2000, o Ministério da Educação iniciou as discussões que posteriormente se 
converteriam em proposta de diretrizes para a formação de professores da 
educação básica em nível superior. 
Várias audiências públicas foram realizadas em várias capitais, em 2001, 
para a apreciação da sociedade, em especial da comunidade educacional. 
Ocorreram inúmeras reuniões (institucional e técnica) e uma audiência nacional 
em Brasília com a presença de representantes de vários órgãos governamentais 
e entidades representativas de professores. 
Assim, em 8 de maio de 2001, foi aprovado o Projeto de Resolução que 
“Institui Diretrizes Curriculares Nacionais para a formação de professores da 
educação básica em nível superior, em curso de licenciatura de graduação 
plena” pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) (Brasil, 2001). 
 
 
6 
O início da discussão foi em 2000 e, de lá para cá, para o contexto atual 
se passaram mais de 20 anos. O que há de novo e recente na legislação sobre 
o assunto? É o que apresentaremos para você no Quadro 2. 
Quadro 2 – Formação de docentes para a Educação Básica – legislação 
ANO DOCUMENTO SÍNTESE/OBSERVAÇÃO 
2015 Resolução n. 2, de 1º de 
julho de 2015 (Brasil, 
2015b) 
Estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) 
para a formação inicial em nível superior (cursos de 
licenciatura, cursos de formação pedagógica para 
graduados e cursos de segunda licenciatura) e para a 
formação continuada. 
2020 Portaria n. 882, de 23 de 
outubro de 2020 (Brasil, 
2020). 
Define as diretrizes curriculares nacionais para 
formação continuada de professores para a educação 
básica e institui Base Nacional Comum para a formação 
continuada de professores da educação básica - BNC-
formação continuada. 
Fonte: elaborado com base em Brasil, 2015b; 2020. 
Nas DCNs, a carga horária mínima para as licenciaturas é de 3.200 horas, 
com prazo mínimo de integralização do curso de 8 semestres ou 4 anos letivos 
que serão assim distribuídas: 
I - 400 (quatrocentas) horas de prática como componente curricular, 
distribuídas ao longo do processo formativo; II - 400 (quatrocentas) 
horas dedicadas ao estágio supervisionado, na área de formação e 
atuação na educação básica, contemplando também outras áreas 
específicas [...]; III - pelo menos 2.200 (duas mil e duzentas) horas 
dedicadas às atividades formativas [...]; IV - 200 (duzentas) horas de 
atividades teórico-práticas de aprofundamento em áreas específicas 
de interesse dos estudantes [...]. 
A formação inicial abrange, segundo a Resolução n. 2/2015, Art. 9°: “I – 
cursos de graduação de licenciatura; II – cursos de formação pedagógica para 
graduados não licenciados; III – cursos de segunda licenciatura” (Brasil, 2015b, 
p. 8). 
E, como você sabe, em toda ação humana há uma intenção. E a intenção 
com o início da discussão em 2000 era que no Brasil os profissionais do 
magistério da educação básica pudessem usufruir de uma formação adequada 
em nível superior e que essa formação fosse a condição mínima para o exercício 
profissional dessa nobre profissão. Veja, na Tabela, 1 o alcance desses 
objetivos: 
 
 
 
7 
Tabela 1 – Escolaridade dos docentes na educação infantil – Brasil – 2016-2020 
ESCOLARIDADE 2016 2017 2018 2019 2020 
Médio ou inferior 6,5% 6,2% 6,9% 8,5% 6,6% 
Superior completo 
bacharelado 
1,2% 1,2% 0,9% 3,2% 2,6% 
Médio 
normal/magistério 
19,6% 18,1% 15,8% 15,3% 14,3% 
Superior em 
andamento 
8,6% 8,5% 8,1% - - 
Superior completo 
licenciatura 
64,1% 65,9% 68,4% 73% 76,5% 
Fonte: Elaborado com base em Brasil, 2021. 
Para Brasil (2021, p. 41), “desde 2016, observa-se um crescimento 
gradual no percentual de docentes com nível superior completo atuando na 
educação infantil, de 64,1%, em 2016, para 76,5%, em 2020”. 
E, em 2020, na educação infantil brasileira havia 593 mil docentes, sendo 
96,4% do sexo feminino e 3,6% do sexo masculino. A distribuição das idades, 
para ambos os sexos, se concentra nas faixas de 30 a 39 anos e de 40 a 49 
anos (Brasil, 2021). 
Tabela 2 – Escolaridade dos docentes dos anos iniciais do ensino fundamental 
– Brasil – 2016-2020 
ESCOLARIDADE 2016 2017 2018 2019 2020 
Médio ou inferior 4,6% 4,4% 4,3% 5,2% 4,7% 
Superior completo 
bacharelado 
1,8% 1,8% 1,2% 4,5% 3,5% 
Médio 
normal/magistério 
13,9% 12,9% 11,0% 10,6% 10% 
Superior em 
andamento 
6,6% 6,5% 6,3% - - 
Superior completo 
licenciatura 
73,2% 74,4% 77,3% 79,7% 81,8% 
Fonte: Elaborado com base em Brasil, 2021. 
Em 2020, segundo Brasil (2021), havia 748 mil docentes nos anos iniciais 
do ensino fundamental: 85,3% com nível superior completo, sendo 81,8% em 
grau acadêmico de licenciatura e 3,5% em bacharelado; e 10% apenas o ensino 
médio normal/magistério. A pesquisa divulgada aponta também que 4,7% têm 
nível médio ou inferior. 
 
 
8 
No ensino fundamental, em 2020, eram 1.378.812 docentes. “Nos anos 
iniciais, 88,1% são do sexo feminino e 11,9% do sexo masculino. As faixas 
etárias com maior concentração são as de 40 a 49 anos e de 30 a 39 anos” 
(Brasil, 2021, p. 41). 
Com relação à crítica que se faz aos processos formativos docentes 
instaurados visando o desenvolvimento de competências, Gatti, Barreto e André 
(2011, p. 25) argumentam: 
Cada vez mais, os professores trabalham em uma situação em que a 
distância entre a idealização da profissão e a realidade de trabalho 
tende a aumentar, em razão da complexidade e da multiplicidade de 
tarefas que são chamados a cumprir nas escolas. 
Os princípios que norteiam a Base Comum Nacional (BNC) para a 
formação inicial e continuada para os profissionais do magistério da educação 
básica precisam propiciar, segundo Brasil (2015a, p. 22): 
a) sólida formação teórica e interdisciplinar; b) unidade teoria-prática; 
c) trabalho coletivo e interdisciplinar; d) compromisso social e 
valorização do profissional da educação; e) gestão democrática; f) 
avaliação e regulação dos cursos de formação. 
Para o desenvolvimento do docente continuamente é proposto na 
legislação brasileira formação continuada apresentando teoria e prática de forma 
indissociável, especialmente para o bom exercício profissional. 
TEMA 3 – O PROFESSOR DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL TÉCNICA DE NÍVEL 
MÉDIO 
Um dos desafios do professor da educação profissional é que a docência 
para esse nível de ensino não está regulamentada de fato. Você poderá observar 
isso no Parecer CNE/CEB n. 37/2002 (Brasil, 2002) que aponta os possíveis 
caminhos para formação inicial para atuar na educação profissional de nível 
médio e permitecombinações diversas, como a apresentada abaixo: 
a) Formação em curso técnico da área de docência, mais graduação em 
pedagogia ou em qualquer outro curso de licenciatura; 
b) Bacharelado fora da área de atuação docente, acrescida da área de 
atuação em que o bacharel atua e complementada com curso em 
programa especial de formação pedagógica; 
 
 
9 
c) Bacharelado da área de docência, acrescida de uma pós-graduação 
voltada para a área pedagógica. Até em função disso, já há 
especializações sendo ofertadas para atender essa exigência e 
possibilitar a atuação em cursos técnicos de nível médio; 
d) Licenciatura, acrescida de cursos e estágios relacionados à área de 
docência e complementada com a experiência profissional como docente. 
 E, ainda com relação à formação docente para a educação profissional 
técnica de nível médio, a Resolução n. 6, Art. 40 estabelece que ela se 
realiza: 
[...] em cursos de graduação e programas de licenciatura ou outras 
formas, em consonância com a legislação e com normas específicas 
definidas pelo Conselho Nacional de Educação. (Brasil, 2012, p. 12) 
Na educação profissional técnica de nível médio é onde ocorre a maior 
incidência dos docentes conhecidos como professores bacharéis. Esses 
professores na graduação fizeram um curso de bacharelado e atuam sem 
estarem habilitados para o trabalho docente. 
É para esses casos que são oferecidos cursos de formação pedagógica 
em caráter emergencial e provisório. Espera-se, naturalmente, que no futuro 
essa medida não seja mais necessária. 
TEMA 4 – O PAPEL DO PEDAGOGO NA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL TÉCNICA 
DE NÍVEL MÉDIO E TECNOLÓGICA 
Apesar da ampla formação que o licenciado em Pedagogia recebe, como 
você sabe, o curso de licenciatura é voltado para a formação de professores para 
atuar sobretudo na educação básica. Na educação básica, como docente, pode 
assumir as funções de magistério na educação infantil, nos anos iniciais do 
ensino fundamental (do 1°ao 5° ano) e nos cursos de ensino médio de 
modalidade normal. 
Com uma formação tão ampla, esse profissional pode atuar em todos os 
níveis de ensino, inclusive nos cursos técnicos de nível médio e nos cursos 
superiores de tecnologia “nas áreas de serviços, apoio escolar e em outras nas 
quais sejam indispensáveis os conhecimentos pedagógicos” (Pegorini, 2020, p. 
182). 
Na gestão, em qualquer nível de ensino, o pedagogo pode desempenhar 
as seguintes tarefas, conforme Art. 4, parágrafo único (Brasil, 2006, p. 2) 
 
 
10 
I - planejamento, execução, coordenação, acompanhamento e 
avaliação de tarefas próprias do setor da educação; II - planejamento, 
execução, coordenação, acompanhamento e avaliação de projetos e 
experiências educativas não-escolares; III - produção e difusão do 
conhecimento científico-tecnológico do campo educacional, em 
contextos escolares e não-escolares. 
O licenciado em pedagogia é reconhecido especialmente pela função de 
acompanhar e dar suporte ao trabalho escolar e pedagógico. Normalmente é 
esse profissional o responsável por acompanhar a legislação nacional e auxiliar 
os professores na compreensão dela, mediar os possíveis conflitos existentes 
na relação professor versus aluno e aluno versus aluno, buscar alternativas 
metodológica em parceria com os professores para garantir a plena 
aprendizagem dos alunos. 
Também é possível ao pedagogo atuar como secretário escolar nas 
Instituições de Ensino Superior e nas escolas básicas devido ao seu profundo 
conhecimento da área de educação como um todo. Nas empresas, a figura do 
pedagogo também é requisitada em áreas e/ou setores de treinamento e 
capacitação profissional. Enfim, há uma enorme gama de espaços em que o 
pedagogo pode atuar antes impensadas, como em ONGs. 
Desse modo, é impossível pensar uma escola ou qualquer outro ambiente 
dedicado ao processo de ensino e aprendizagem sem que lá haja um pedagogo 
atuando. 
TEMA 5 – FORMAÇÃO DOS PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO 
Os funcionários da educação são todos os profissionais que ocupam 
cargos e funções dentro das escolas e/ou instituições de ensino superior. 
Podemos citar como exemplo: merendeiras, bibliotecárias, secretária escolar, 
serviço de limpeza, serviço de almoxarifado, inspetoria etc. 
Você sabia que os funcionários da educação também são profissionais da 
educação? Veja que os funcionários estão incluídos na LDBEN/1996, Art. 61, 
itens II e III. Os profissionais da educação escolar básica são: 
I – professores habilitados em nível médio ou superior para a docência 
na educação infantil e nos ensinos fundamental e médio; II – 
trabalhadores em educação portadores de diploma de pedagogia, com 
habilitação em administração, planejamento, supervisão, inspeção e 
orientação educacional, bem como com títulos de mestrado ou 
doutorado nas mesmas áreas; III – trabalhadores em educação, 
portadores de diploma de curso técnico ou superior em área 
pedagógica ou afim [...]. (Brasil, 2016, p. 25) 
 
 
11 
E no Art. 62-A, ainda na LDBEN/1996, incluída por meio da Lei n. 
12.796/2013, estabelece que a formação dos profissionais acontecerá “[...] por 
meio de cursos de conteúdo técnico-pedagógico, em nível médio ou superior, 
incluindo habilitações tecnológicas” (Brasil, 1996, p. 26). 
É importante você saber que a luta para garantir a esses trabalhadores 
formação inicial e continuada iniciou a partir de 2003, mas apenas em 2010 foi 
instituída a Política Nacional de Formação dos Profissionais da Educação Básica 
para o ensino público, chamado de Profuncionário, por meio da Lei n. 
7.415/2010. Essa lei foi revogada e substituída pelo Decreto n. 8.752/2016. 
O reconhecimento desses trabalhadores com a inclusão deles na 
LDBEN/1996, bem como a instituição de uma política de formação, é uma 
conquista enorme para essa categoria. É a oportunidade de eles saírem da 
invencibilidade a que estavam sujeitos no ambiente escolar que se pretende ser 
antes de tudo inclusivo e democrático. 
A formação dos profissionais da educação básica, em nível superior, 
acontecerá por meio do curso tecnólogo em Processos Escolares, no eixo 
tecnológico de Desenvolvimento Educacional e Social, curso esse que só foi 
inserido a partir da sua segunda edição. 
NA PRÁTICA 
O trabalho do docente, em qualquer nível ou função, é extremamente 
complexo. A responsabilidade é enorme, proporcional ao trabalho realizado 
cotidianamente nas escolas. Por isso, é fundamental todo empenho para garantir 
processos significativos de aprendizagem. 
O profissional de magistério é como um grande farol. É esse profissional 
que sinaliza os caminhos a serem tomados, leva luz para as dúvidas, incertezas 
e inseguranças. Como professor, faz isso para os seus alunos e em função de 
gestão, dando suporte aos demais colegas professores. 
Há outros profissionais que atuam na educação que também precisam ser 
vistos e reconhecidos, uma vez que eles também realizam importante trabalho 
para a formação e desenvolvimento cognitivo dos alunos. 
 
 
 
12 
FINALIZANDO 
Nesta aula, apresentamos a formação de professores em nível médio, 
discutindo em seus aspectos históricos o método utilizado, o currículo para as 
séries iniciais e o perfil desejado para o professor da educação básica pensado 
para aquela época. 
Feito esse resgate histórico, abordamos as políticas de formação inicial 
de professores em vigor atualmente e, claro, trouxemos a formação do professor 
da Educação Profissional Técnica de nível médio, apontando os desafios 
existentes para esse profissional. 
O papel do profissional de magistérios na educação profissional de nível 
médio e tecnológica também foi apresentado, bem como a formação dos 
profissionais da educação. 
Ao trazer a formação dos funcionários da educação para a discussão, 
fizemos isso por acreditar que também eles são educadores e participam de 
forma significativa na grande tarefa que é educar. É preciso reconhecer essetrabalho, tirando-os da invisibilidade para garantir a valorização e o 
reconhecimento profissional dos quais sem dúvida eles são merecedores. 
 
 
 
13 
REFERÊNCIAS 
BRASIL. Lei de 15 de outubro de 1827. Manda criar escolas de primeiras letras 
em todas as cidades, vilas e lugares mais populosos do Império. Chancellaria-
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