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ENSINO MÉDIO E EDUCAÇÃO PROFISSIONAL – FUNDAMENTOS E METODOLOGIAS AULA 6 Profª Diana Gurgel Pegorini 2 CONVERSA INICIAL Nesta aula, falaremos de formação docente, em específico para a educação profissional. Se a formação docente no Brasil é desafiadora, a formação voltada para a educação profissional é ainda mais. Há ainda questões a serem enfrentadas na formação inicial e continuada desse profissional, pois, a rigor, a docência para a educação profissional não está regulamentada. No tema 1, abordaremos os aspectos históricos e curriculares da formação de professores em nível médio. Feito o resgaste histórico, no tema 2, trataremos sobre as políticas de formação inicial de professores no contexto atual. A seguir, no tema 3, falaremos do professor da educação profissional técnica de nível médio e, no tema 4, o papel do pedagogo na educação profissional técnica de nível médio e tecnológica. Por fim, no tema 5, refletiremos sobre a formação dos funcionários da educação e da necessidade de também pensar em formação inicial e continuada para esses educadores. E, naturalmente, a formação dos funcionários da educação busca acabar com a invisibilidade desses trabalhadores, bem como atingir a valorização profissional. TEMA 1 – FORMAÇÃO DE PROFESSORES EM NÍVEL MÉDIO: ASPECTOS HISTÓRICOS E CURRICULARES A educação foi instaurada no país pelos jesuítas com a sua chegada aqui em 1549, como você já sabe. Ela era ofertada sob uma tríade construída pelos religiosos composta de três estruturas: o colégio, a aldeia indígena e a moradia dos religiosos. Nos colégios havia a preocupação acerca da formação da biblioteca, fundamental iniciativa em um período que livros eram objetos raros. Apresentamos, no Quadro 1, as reformas, o currículo e o perfil desejado para o professor juntos por dois motivos: primeiro, para que você perceba a conexão existente entre eles, uma vez que o currículo direciona o conteúdo a ser ministrado, bem como formula o perfil do docente desejado e segundo, para assinalar que foram as reformas que trouxeram mudanças para os currículos propostos. A partir disso, é preciso pensar no tipo de formação inicial e continuada a ser oferecida para os professores. 3 Quadro 1 – As reformas, o currículo e a formação docente no Brasil PERÍODO CURRÍCULO PERFIL DE DOCENTE DESEJADO Período colonial Por meio do Ratio Studiorum, os jesuítas organizaram todas as atividades das pessoas na escola ligadas ao ensino. Os conteúdos ministrados nos estudos inferiores foram: gramática (dividida em inferior, média e superior), dialética e retórica. A gramática desenvolvia a expressão clara e precisa que recebia o suporte da retórica com a ênfase na expressão poderosa e convincente. Já a dialética buscava a eloquência rica com elegância (Saviani, 2010). - Precisava ser religioso uma vez que o ensino foi utilizado como forma de aculturação e catequização. - Professor conservador para transmitir o conhecimento por meio de: reprodução, memorização, repetição e cópia. - Pouco afeito à pesquisa. - Possuir gosto particular pela leitura dos clássicos. 1759 a 1834 - Período da reforma pombalina que aconteceu em duas fases: Primeira fase: reforma para os estudos menores (o que conhecemos atualmente com a primeira etapa do ensino fundamental). Segunda fase: mudanças nos estudos maiores (que conhecemos atualmente como ensino superior). (Reino de Portugal, 1772). O Método escolhido foi o mútuo ou Lancaster1 (Castanha, 2017). Os conteúdos contemplados no currículo para as escolas de primeiras letras eram, segundo o Art. 6°, da Lei de 15 de outubro de 1827: “ler, escrever, as quatro operações de aritmética, prática de quebrados, decimais e proporções, as noções mais gerais de geometria prática, a gramática de língua nacional, e os princípios de moral cristã e da doutrina da religião católica e apostólica romana, proporcionados à compreensão dos meninos; preferindo para as leituras a Constituição do Império e a História do Brasil” (Brasil, 1827). - Domínio dos conteúdos básicos de leitura, escrita, das quatro operações matemáticas, geometria e gramática portuguesa. -Ser católico era fundamental para a época. - Conhecer a História do Brasil e a sua legislação, em especial a Constituição do Império. - Em função do método mútuo adotado, o professor precisaria ser rígido, extremamente disciplinado e disciplinador. 1854 Reforma Coutto Ferraz O método adotado foi o simultâneo, mas prevalecia também o método misto que era uma mistura do simultâneo com o mútuo (Castanha, 2017). O Art. 47, do Decreto 1.331-A estabeleceu o currículo para o ensino primário que compreende: “a instrução moral e religiosa, a leitura e escrita, as noções essenciais da gramática, os princípios elementares da aritmética, o sistema de pesos e Art. 12, do Decreto 1.331-A normatiza que para exercer o magistério era necessário provar: “1ª Maioridade legal. 2ª Moralidade. 3º Capacidade Profissional” (Brasil, 1854). - O professor desejado era aquele que tivesse habilitações para compreender o método adotado. 1 Sugere-se, para maior aprofundamento sobre os métodos adotados no Brasil, a leitura de Castanha, 2017. 4 medidas do município” (Brasil, 1854). Esse era o currículo previsto para o ensino primário de primeiro grau (instrução elementar). A capacidade profissional passou a ser atestada por meio de exames. 1879 Reforma Leôncio de Carvalho, Criado o Regulamento da Escola Normal da Capital Federal. Lei de ensino- livre eram cursos livres que eram ministrados por pessoas estranhas aos quadros docentes regulares. O método adotado foi o intuitivo ou prática de coisas (Castanha, 2017). O ensino nas escolas primarias de 1° grau das seguintes disciplinas: “Instrução moral. Instrução religiosa. Leitura. Escrita. [...]. Noções essenciais de gramática. Princípios elementares de aritmética. Sistema legal de pesos e medidas. Noções de história e geografia do Brasil. Elementos de desenho linear. Rudimentos de música, com exercício de solfejo e canto. Ginástica Costura simples (para as meninas) ” (Brasil, 1879). Professores formados nos cursos normais com uma ampla formação cujo currículo era: Língua nacional e francesa; aritmética, álgebra e geometria; Metrologia e escrituração mercantil; Geografia e cosmografia; História universal; História e geografia do Brasil; Elementos de ciências físicas e naturais, de fisiologia e higiene; Filosofia; Princípios de direito natural e de direito público, com explicação da Constituição política do Império; Princípios de economia política; Noções de economia doméstica (para as alunas); Pedagogia e prática do ensino primário em geral; Prática do ensino intuitivo ou lições de coisas (em função do método adotado); Princípios de lavoura e horticultura; Caligrafia e desenho linear; Música vocal; Ginástica; Prática manual de ofícios (para os alunos); Trabalhos de agulha (para as alunas); Instrução religiosa (não obrigatória para os acatólicos); Latim; Inglês; Alemão; Italiano e Retórica (Brasil, 1879, grifos nossos). 1890 Reforma Benjamim Constant 1ª reforma do período republicano Nesse período, foi criado o Regulamento da Escola Normal da Capital Federal. O método intuitivo seguiu sendo adotado nesse período (Castanha, 2017). Para o ensino das escolas primarias do 1º grau, conforme art. 3°, o currículo constará: leitura e escrita; ensino prático da língua portuguesa; contar e calcular; aritmética prática até regra de três; sistema métrico precedido de estudo da geometria prática; elementos de geografia e história, especialmente do Brasil; ciências físicas e história Professor primário precisava ter, pelo menos, o curso da mesma escola onde pretendia trabalhar ou sergraduado pela Escola Normal (Brasil, 1890). 5 natural; instrução moral e cívica; desenho; elementos de música; ginástica e exercícios militares; trabalhos manuais (para os meninos); trabalhos de agulha (para as meninas); noções práticas de agronomia (Brasil, 1890). 1911 Reforma Rivadavia Corrêa Introduziu a livre- docência, semelhante a Lei de ensino-livre Art. 4°, do Decreto n. 8.659 de 1911, sobre o currículo apenas é informado que “se ensinarão as disciplinas do curso fundamental, com o seu desenvolvimento literário e científico. Em função da livre-docência, permitiu-se que pessoas estranhas ao ambiente escolar pudessem lecionar, sem a formação exigida para tal na época. Fonte: Brasil, 1827,1854,1879, 1890; Castanha, 2017, Reino de Portugal 1772, Saviani, 2010. Ocorreu ainda a Reforma Epitácio Pessoa, em 1901, para o ensino secundário, em que os cursos livres foram criados. Segundo Pegorini (2020, p. 170), a reforma de 1911 foi introduzida a livre-docência, que era muito semelhante a Lei de ensino-livre “[...] da Reforma Leôncio de Carvalho (de 1879), e cursos livres, da reforma Epitácio Pessoa (de 1901) ”. TEMA 2 – POLÍTICAS DE FORMAÇÃO INICIAL DE PROFESSORES NO CONTEXTO ATUAL A formação docente para a educação básica era realizada em nível médio, por meio dos antigos cursos Normal e, posteriormente, Magistério. A partir do ano 2000, o Ministério da Educação iniciou as discussões que posteriormente se converteriam em proposta de diretrizes para a formação de professores da educação básica em nível superior. Várias audiências públicas foram realizadas em várias capitais, em 2001, para a apreciação da sociedade, em especial da comunidade educacional. Ocorreram inúmeras reuniões (institucional e técnica) e uma audiência nacional em Brasília com a presença de representantes de vários órgãos governamentais e entidades representativas de professores. Assim, em 8 de maio de 2001, foi aprovado o Projeto de Resolução que “Institui Diretrizes Curriculares Nacionais para a formação de professores da educação básica em nível superior, em curso de licenciatura de graduação plena” pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) (Brasil, 2001). 6 O início da discussão foi em 2000 e, de lá para cá, para o contexto atual se passaram mais de 20 anos. O que há de novo e recente na legislação sobre o assunto? É o que apresentaremos para você no Quadro 2. Quadro 2 – Formação de docentes para a Educação Básica – legislação ANO DOCUMENTO SÍNTESE/OBSERVAÇÃO 2015 Resolução n. 2, de 1º de julho de 2015 (Brasil, 2015b) Estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) para a formação inicial em nível superior (cursos de licenciatura, cursos de formação pedagógica para graduados e cursos de segunda licenciatura) e para a formação continuada. 2020 Portaria n. 882, de 23 de outubro de 2020 (Brasil, 2020). Define as diretrizes curriculares nacionais para formação continuada de professores para a educação básica e institui Base Nacional Comum para a formação continuada de professores da educação básica - BNC- formação continuada. Fonte: elaborado com base em Brasil, 2015b; 2020. Nas DCNs, a carga horária mínima para as licenciaturas é de 3.200 horas, com prazo mínimo de integralização do curso de 8 semestres ou 4 anos letivos que serão assim distribuídas: I - 400 (quatrocentas) horas de prática como componente curricular, distribuídas ao longo do processo formativo; II - 400 (quatrocentas) horas dedicadas ao estágio supervisionado, na área de formação e atuação na educação básica, contemplando também outras áreas específicas [...]; III - pelo menos 2.200 (duas mil e duzentas) horas dedicadas às atividades formativas [...]; IV - 200 (duzentas) horas de atividades teórico-práticas de aprofundamento em áreas específicas de interesse dos estudantes [...]. A formação inicial abrange, segundo a Resolução n. 2/2015, Art. 9°: “I – cursos de graduação de licenciatura; II – cursos de formação pedagógica para graduados não licenciados; III – cursos de segunda licenciatura” (Brasil, 2015b, p. 8). E, como você sabe, em toda ação humana há uma intenção. E a intenção com o início da discussão em 2000 era que no Brasil os profissionais do magistério da educação básica pudessem usufruir de uma formação adequada em nível superior e que essa formação fosse a condição mínima para o exercício profissional dessa nobre profissão. Veja, na Tabela, 1 o alcance desses objetivos: 7 Tabela 1 – Escolaridade dos docentes na educação infantil – Brasil – 2016-2020 ESCOLARIDADE 2016 2017 2018 2019 2020 Médio ou inferior 6,5% 6,2% 6,9% 8,5% 6,6% Superior completo bacharelado 1,2% 1,2% 0,9% 3,2% 2,6% Médio normal/magistério 19,6% 18,1% 15,8% 15,3% 14,3% Superior em andamento 8,6% 8,5% 8,1% - - Superior completo licenciatura 64,1% 65,9% 68,4% 73% 76,5% Fonte: Elaborado com base em Brasil, 2021. Para Brasil (2021, p. 41), “desde 2016, observa-se um crescimento gradual no percentual de docentes com nível superior completo atuando na educação infantil, de 64,1%, em 2016, para 76,5%, em 2020”. E, em 2020, na educação infantil brasileira havia 593 mil docentes, sendo 96,4% do sexo feminino e 3,6% do sexo masculino. A distribuição das idades, para ambos os sexos, se concentra nas faixas de 30 a 39 anos e de 40 a 49 anos (Brasil, 2021). Tabela 2 – Escolaridade dos docentes dos anos iniciais do ensino fundamental – Brasil – 2016-2020 ESCOLARIDADE 2016 2017 2018 2019 2020 Médio ou inferior 4,6% 4,4% 4,3% 5,2% 4,7% Superior completo bacharelado 1,8% 1,8% 1,2% 4,5% 3,5% Médio normal/magistério 13,9% 12,9% 11,0% 10,6% 10% Superior em andamento 6,6% 6,5% 6,3% - - Superior completo licenciatura 73,2% 74,4% 77,3% 79,7% 81,8% Fonte: Elaborado com base em Brasil, 2021. Em 2020, segundo Brasil (2021), havia 748 mil docentes nos anos iniciais do ensino fundamental: 85,3% com nível superior completo, sendo 81,8% em grau acadêmico de licenciatura e 3,5% em bacharelado; e 10% apenas o ensino médio normal/magistério. A pesquisa divulgada aponta também que 4,7% têm nível médio ou inferior. 8 No ensino fundamental, em 2020, eram 1.378.812 docentes. “Nos anos iniciais, 88,1% são do sexo feminino e 11,9% do sexo masculino. As faixas etárias com maior concentração são as de 40 a 49 anos e de 30 a 39 anos” (Brasil, 2021, p. 41). Com relação à crítica que se faz aos processos formativos docentes instaurados visando o desenvolvimento de competências, Gatti, Barreto e André (2011, p. 25) argumentam: Cada vez mais, os professores trabalham em uma situação em que a distância entre a idealização da profissão e a realidade de trabalho tende a aumentar, em razão da complexidade e da multiplicidade de tarefas que são chamados a cumprir nas escolas. Os princípios que norteiam a Base Comum Nacional (BNC) para a formação inicial e continuada para os profissionais do magistério da educação básica precisam propiciar, segundo Brasil (2015a, p. 22): a) sólida formação teórica e interdisciplinar; b) unidade teoria-prática; c) trabalho coletivo e interdisciplinar; d) compromisso social e valorização do profissional da educação; e) gestão democrática; f) avaliação e regulação dos cursos de formação. Para o desenvolvimento do docente continuamente é proposto na legislação brasileira formação continuada apresentando teoria e prática de forma indissociável, especialmente para o bom exercício profissional. TEMA 3 – O PROFESSOR DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL TÉCNICA DE NÍVEL MÉDIO Um dos desafios do professor da educação profissional é que a docência para esse nível de ensino não está regulamentada de fato. Você poderá observar isso no Parecer CNE/CEB n. 37/2002 (Brasil, 2002) que aponta os possíveis caminhos para formação inicial para atuar na educação profissional de nível médio e permitecombinações diversas, como a apresentada abaixo: a) Formação em curso técnico da área de docência, mais graduação em pedagogia ou em qualquer outro curso de licenciatura; b) Bacharelado fora da área de atuação docente, acrescida da área de atuação em que o bacharel atua e complementada com curso em programa especial de formação pedagógica; 9 c) Bacharelado da área de docência, acrescida de uma pós-graduação voltada para a área pedagógica. Até em função disso, já há especializações sendo ofertadas para atender essa exigência e possibilitar a atuação em cursos técnicos de nível médio; d) Licenciatura, acrescida de cursos e estágios relacionados à área de docência e complementada com a experiência profissional como docente. E, ainda com relação à formação docente para a educação profissional técnica de nível médio, a Resolução n. 6, Art. 40 estabelece que ela se realiza: [...] em cursos de graduação e programas de licenciatura ou outras formas, em consonância com a legislação e com normas específicas definidas pelo Conselho Nacional de Educação. (Brasil, 2012, p. 12) Na educação profissional técnica de nível médio é onde ocorre a maior incidência dos docentes conhecidos como professores bacharéis. Esses professores na graduação fizeram um curso de bacharelado e atuam sem estarem habilitados para o trabalho docente. É para esses casos que são oferecidos cursos de formação pedagógica em caráter emergencial e provisório. Espera-se, naturalmente, que no futuro essa medida não seja mais necessária. TEMA 4 – O PAPEL DO PEDAGOGO NA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL TÉCNICA DE NÍVEL MÉDIO E TECNOLÓGICA Apesar da ampla formação que o licenciado em Pedagogia recebe, como você sabe, o curso de licenciatura é voltado para a formação de professores para atuar sobretudo na educação básica. Na educação básica, como docente, pode assumir as funções de magistério na educação infantil, nos anos iniciais do ensino fundamental (do 1°ao 5° ano) e nos cursos de ensino médio de modalidade normal. Com uma formação tão ampla, esse profissional pode atuar em todos os níveis de ensino, inclusive nos cursos técnicos de nível médio e nos cursos superiores de tecnologia “nas áreas de serviços, apoio escolar e em outras nas quais sejam indispensáveis os conhecimentos pedagógicos” (Pegorini, 2020, p. 182). Na gestão, em qualquer nível de ensino, o pedagogo pode desempenhar as seguintes tarefas, conforme Art. 4, parágrafo único (Brasil, 2006, p. 2) 10 I - planejamento, execução, coordenação, acompanhamento e avaliação de tarefas próprias do setor da educação; II - planejamento, execução, coordenação, acompanhamento e avaliação de projetos e experiências educativas não-escolares; III - produção e difusão do conhecimento científico-tecnológico do campo educacional, em contextos escolares e não-escolares. O licenciado em pedagogia é reconhecido especialmente pela função de acompanhar e dar suporte ao trabalho escolar e pedagógico. Normalmente é esse profissional o responsável por acompanhar a legislação nacional e auxiliar os professores na compreensão dela, mediar os possíveis conflitos existentes na relação professor versus aluno e aluno versus aluno, buscar alternativas metodológica em parceria com os professores para garantir a plena aprendizagem dos alunos. Também é possível ao pedagogo atuar como secretário escolar nas Instituições de Ensino Superior e nas escolas básicas devido ao seu profundo conhecimento da área de educação como um todo. Nas empresas, a figura do pedagogo também é requisitada em áreas e/ou setores de treinamento e capacitação profissional. Enfim, há uma enorme gama de espaços em que o pedagogo pode atuar antes impensadas, como em ONGs. Desse modo, é impossível pensar uma escola ou qualquer outro ambiente dedicado ao processo de ensino e aprendizagem sem que lá haja um pedagogo atuando. TEMA 5 – FORMAÇÃO DOS PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO Os funcionários da educação são todos os profissionais que ocupam cargos e funções dentro das escolas e/ou instituições de ensino superior. Podemos citar como exemplo: merendeiras, bibliotecárias, secretária escolar, serviço de limpeza, serviço de almoxarifado, inspetoria etc. Você sabia que os funcionários da educação também são profissionais da educação? Veja que os funcionários estão incluídos na LDBEN/1996, Art. 61, itens II e III. Os profissionais da educação escolar básica são: I – professores habilitados em nível médio ou superior para a docência na educação infantil e nos ensinos fundamental e médio; II – trabalhadores em educação portadores de diploma de pedagogia, com habilitação em administração, planejamento, supervisão, inspeção e orientação educacional, bem como com títulos de mestrado ou doutorado nas mesmas áreas; III – trabalhadores em educação, portadores de diploma de curso técnico ou superior em área pedagógica ou afim [...]. (Brasil, 2016, p. 25) 11 E no Art. 62-A, ainda na LDBEN/1996, incluída por meio da Lei n. 12.796/2013, estabelece que a formação dos profissionais acontecerá “[...] por meio de cursos de conteúdo técnico-pedagógico, em nível médio ou superior, incluindo habilitações tecnológicas” (Brasil, 1996, p. 26). É importante você saber que a luta para garantir a esses trabalhadores formação inicial e continuada iniciou a partir de 2003, mas apenas em 2010 foi instituída a Política Nacional de Formação dos Profissionais da Educação Básica para o ensino público, chamado de Profuncionário, por meio da Lei n. 7.415/2010. Essa lei foi revogada e substituída pelo Decreto n. 8.752/2016. O reconhecimento desses trabalhadores com a inclusão deles na LDBEN/1996, bem como a instituição de uma política de formação, é uma conquista enorme para essa categoria. É a oportunidade de eles saírem da invencibilidade a que estavam sujeitos no ambiente escolar que se pretende ser antes de tudo inclusivo e democrático. A formação dos profissionais da educação básica, em nível superior, acontecerá por meio do curso tecnólogo em Processos Escolares, no eixo tecnológico de Desenvolvimento Educacional e Social, curso esse que só foi inserido a partir da sua segunda edição. NA PRÁTICA O trabalho do docente, em qualquer nível ou função, é extremamente complexo. A responsabilidade é enorme, proporcional ao trabalho realizado cotidianamente nas escolas. Por isso, é fundamental todo empenho para garantir processos significativos de aprendizagem. O profissional de magistério é como um grande farol. É esse profissional que sinaliza os caminhos a serem tomados, leva luz para as dúvidas, incertezas e inseguranças. Como professor, faz isso para os seus alunos e em função de gestão, dando suporte aos demais colegas professores. Há outros profissionais que atuam na educação que também precisam ser vistos e reconhecidos, uma vez que eles também realizam importante trabalho para a formação e desenvolvimento cognitivo dos alunos. 12 FINALIZANDO Nesta aula, apresentamos a formação de professores em nível médio, discutindo em seus aspectos históricos o método utilizado, o currículo para as séries iniciais e o perfil desejado para o professor da educação básica pensado para aquela época. Feito esse resgate histórico, abordamos as políticas de formação inicial de professores em vigor atualmente e, claro, trouxemos a formação do professor da Educação Profissional Técnica de nível médio, apontando os desafios existentes para esse profissional. O papel do profissional de magistérios na educação profissional de nível médio e tecnológica também foi apresentado, bem como a formação dos profissionais da educação. Ao trazer a formação dos funcionários da educação para a discussão, fizemos isso por acreditar que também eles são educadores e participam de forma significativa na grande tarefa que é educar. É preciso reconhecer essetrabalho, tirando-os da invisibilidade para garantir a valorização e o reconhecimento profissional dos quais sem dúvida eles são merecedores. 13 REFERÊNCIAS BRASIL. Lei de 15 de outubro de 1827. Manda criar escolas de primeiras letras em todas as cidades, vilas e lugares mais populosos do Império. Chancellaria- Mór do Império do Brasil, Rio de Janeiro, em 29 out. 1827. Disponível em: . Acesso em: 12 fev.2022. _____. Decreto n. 1.331-A, de 17 de fevereiro de 1854. Aprova o regulamento para a reforma do ensino primário e secundário do Município da Corte. Coleção de Leis do Império do Brasil - 1854, página 45, vol. 1 pt I (Publicação Original). Disponível em: . Acesso em: 12 fev.2022. _____. Decreto n. 7.247, de 19 de abril de 1879. 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Portaria n. 882, de 23 de outubro de 2020. Homologa o Parecer CNE/CP n. 14/2020, do Conselho Pleno, do Conselho Nacional de Educação, que define as Diretrizes Curriculares Nacionais para Formação Continuada de Professores para a educação básica e institui a Base Nacional Comum para a formação continuada de professores da educação básica - BNC - Formação Continuada. Diário Oficial da União, Brasília – DF, n° 205, p. 57 de 23 out. 2020. Disponível em: . Acesso em: 12 fev. 2022. _____. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Censo da Educação Básica 2020: resumo técnico. Brasília: INEP, 2021. Disponível em . Acesso em: 12 fev. 2022. CASTANHA, André Paulo. Os métodos de ensino no Brasil do século XIX. Rev. Histedbr On-Line, Campinas, v.17, n. 4 [74], p.1054-1077, out./dez. 2017. GATI, B. A.; BARRETO, E. S. de S.; ANDRÉ, M. E. D de A. Políticas docentes no Brasil: um estado da arte. Brasília: Unesco, 2011. Disponível em . Acesso em: 12 fev. 2022. 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