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UNIDADE DE APRENDIZAGEM OBJETIVOS DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL - OBJETIVO 13 A 15 EDUCAÇÃO AMBIENTAL E SUSTENTABILIDADE 6 • Para início de conversa • Objetivo de aprendizagem • 1. Objetivo 13 - Ação contra a mudança global do clima • 2. Objetivo 14 - Vida na água • 3. Objetivo 15 - Vida terrestre • Considerações finais • Referências • Encerramento do E-book ............. 03 ............. 03 ............. 03 ............. 12 ............. 27 ............. 43 ............. 43 ............. 44 Sumário 3 Para Início de Conversa: A busca pelo desenvolvimento sustentável não é apenas uma visão para o futuro, mas uma necessidade urgente no mundo todo e nas diversas áreas da nossa vida. À medida que enfrentamos desafios como mudanças climáticas, escassez de recursos e desigualdades, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, desempenham um papel fundamental na construção de um mundo viável e sustentável. Objetivo de Aprendizagem do Capítulo: Conhecer os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável 13 a 15 , os desafios para implementar cada um deles e como implementá-los. 1. OBJETIVO 13 - AÇÃO CONTRA A MUDANÇA GLOBAL DO CLIMA: adotar medidas urgentes para combater as alterações climática e os seus impactos O Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 13 (ODS 13), assim como os outros que já estudamos, foi estabelecido pelas Nações Unidas em 2015 como parte de uma Agenda 2030. Relembrando, a Agenda Global 2030 tem como objetivo combater a pobreza, proteger o planeta e assegurar prosperidade para todos até 2030. Este objetivo, em particular, foca na necessidade de tomar “medidas urgentes para combater a mudança do clima e seus impactos”. Apesar de muita gente negar que existem graves efeitos da mudança climática, a importância deste objetivo não pode ser ignorada, dado que a mudança climática EXISTE. ELA É REAL E APRESENTA UMA AMEAÇA EMINENTE EXISTENCIAL para a humanidade e para os ecossistemas do planeta. 4 A mudança climática é uma realidade inegável. A concentração de gases do efeito estufa na atmosfera tem aumentado de forma alarmante, levando a um aumento global da temperatura, derretimento das calotas polares, elevação do nível do mar, e fenômenos climáticos extremos, como furacões e incêndios florestais. Esta imagem ao lado , é um print da tela do meu celular nesse momento que elaboro o material de vocês. Aí, por curiosidade, fui pesquisar para saber se estes eventos estão se intensificando, ou se como é época de furacão, já é algo que acontece independente da mudança climática, e o que encontrei foram diversas reportagens e estudos que comprovam que o acontecimento global tem potencializado e muito o número de furacões e a força com que invadem o continente. “Os últimos seis anos foram os mais quentes registrados desde 1880, sendo 2016, 2019 e 2020 os três primeiros, de acordo com um comunicado de imprensa da Organização Meteorológica Mundial (OMM) em 15 de janeiro. O ano 2020 foi de 1,2°C acima das temperaturas da era pré-industrial (1880). A OMM prevê que há uma probabilidade de 20% de que o aumento da temperatura exceda temporariamente os 1,5°C já a partir de 2024. “A velocidade com que as temperaturas estão aumentando é alarmante”, diz Pascal Peduzzi, diretor da GRID-Genebra, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).” https://www.unep.org/pt-br/noticias-e-reportagens/ reportagem/o-aumento-alarmante-da-temperatura- global#:~:text=Os%20%C3%BAltimos%20seis%20anos%20 foram,pr%C3%A9%2Dindustrial%20(1880). FONTE: Adobe Stock FONTE: globo.com 5 Leiam ainda o seguinte artigo: https://www.ihu.unisinos. br/categorias/627850-aquecimento-global-aumenta-a- frequencia-dos-furacoes 1.1. METAS E INDICADORES Para alcançar o ODS 13, foram estabelecidas 5 metas que a seguir passamos a analisar. Vou deixar aqui algumas notícias, para que, assim como eu, vocês possam avaliar os reais impactos do que estamos fazendo com o nosso meio ambiente. FURACÕES CONSECUTIVOS OCORRERÃO COM MAIS FREQUÊNCIA, DIZ ESTUDO Notícias EUA by Arlaine Castro 27 de Fevereiro, 2023 às 15h12 INCLUDEPICTURE “https://midias.gazetanews.com/_ midias/jpg/2022/04/08/furacao_dorian_atingiu_categoria_5_ao_ passar_pelas_bahamas_no_dia_1___de_setembro__foto_noaa- 805726.jpg” \* MERGEFORMATINET FONTE: ELABORADO PELA AUTORA 6 1.2.1. META 13.1 – REFORÇAR A RESILIÊNCIA E A CAPACIDADE DE ADAPTAÇÃ A RISCOS RELACIONADOS AO CLIMA E ÁS CATÁSTROFES NATURAIS EM TODOS OS PAÍSES Essa meta reconhece que, além de esforços para diminuir o que causa a mudança climática (ou seja, reduzir as emissões de gases de efeito estufa e outros fatores que contribuem para a mudança climática), é essencial também adaptar-se aos efeitos que já são inevitáveis dessa mudança. Esses efeitos incluem eventos climáticos extremos como furacões, secas e inundações, bem como mudanças mais lentas, como o aumento do nível do mar e a desertificação. Para alcançar essa meta, os países são incentivados a desenvolver e implementar estratégias de adaptação e resiliência que possam minimizar os danos causados por eventos climáticos extremos e outras consequências da mudança climática. Para atingir essa meta, diversas abordagens devem ser envolvidas, e podem ter o seu desempenho medido por indicadores pré-definidos. Vamos entender as abordagens e os indicadores através do estudo do mapa mental abaixo. 7 Podemos resumir a Meta 13.1 como aquela meta que destaca a importância de preparar países e comunidades para os impactos da mudança climática, buscando minimizar danos e melhorar o que já temos para nos adaptar a esses desafios emergentes. 8 1.2.2. META 13.2 – INTEGRAR MEDIDAS DA MUDANÇA DO CLIMA NAS POLÍTICAS, ESTRATÉGIAS E PLANEJAMENTOS NACIONAIS Para que os Objetivos sejam alcançados, é primordial que a questão climática seja incorporada em todas as áreas da governança e do planejamento, tornando-a uma parte inerente da tomada de decisão em todas as esferas do governo. Essa integração, estabelecida na meta 13.2, sugere que a ação contra a mudança climática não deve ser um esforço isolado, mas sim algo que permeie todas as políticas públicas, desde a educação e saúde até infraestrutura e economia. Ao fazer isso, os países podem assegurar que suas ações em relação à mudança climática sejam abrangentes, eficazes e alinhadas com outros objetivos de desenvolvimento. No Brasil o ENAP possui uma exposição virtual onde podemos acompanhar as ações do Governo Brasileiro e da sociedade civil. Sugerimos que visitem o site para conhecer o que acontece no Brasil em termos dos ODS e contribuam para o fortalecimento dos esforços FONTE: elaborado pela autora 9 para o cumprimento dessa meta. “A exposição apresenta sites, plataformas, iniciativas, documentos, fotografias, vídeos e produções técnico-científicas de instituições envolvidas com os ODS no Brasil. O objetivo é proporcionar um espaço para dar visibilidade à incorporação dos ODS nas ações do governo e da sociedade brasileiros. A Enap reitera sua crença na formação de uma consciência coletiva sobre o verdadeiro significado do “desenvolvimento sustentável”, suas ferramentas, soluções e recursos existentes e, principalmente, sobre o papel de cada setor na implementação dos ODS. Interessados em enviar conteúdos para serem divulgados na exposição, entrem em contato com a Coordenação-Geral de Gestão do Conhecimento l cgcon@enap.gov.br ou telefone +556120203031 FONTE: https://exposicao.enap.gov.br/exhibits/show/ods-brasil FONTE: ENVATO 10 1.2.3 13.3 DO OBJETIVO DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL (ODS) 13 . – MELHORAR A EDUCAÇÃO, AUMENTAR A CONSCIENTIZAÇÃO E A CAPACIDADE HUMANA E INSTITUCIONAL SOBRE MITIGAÇÃO, ADAPTAÇÃO, REDUÇÃO DE IMPACTO E ALERTA PRECOCE DA MUDANÇA DO CLIMA Se até agora vocêsnão entenderam o porquê dessa disciplina ter se tornado obrigatória para todos os cursos universitários no Brasil, ao compreender essa meta, acredito que ficará claro. A meta 13.3 destaca a necessidade de educar as pessoas sobre as questões da mudança climática, bem como criar sistemas de alerta precoce para prever e, assim, reduzir desastres relacionados ao clima. Um dos pontos chaves dessa meta é determinar a necessidade de fortalecer as capacidades humanas e institucionais para lidar com os desafios impostos pela mudança climática e para tal, o compromisso de governos e de instituições de ensino são fundamentais. Vejam algumas abordagens que podem ser usadas para atingir a meta 13.3 e seus indicadores. FONTE: elaborado pela autora 11 Mas o Brasil, como país em desenvolvimento se enquadra na meta 13.B. Para compreendermos como se dá essa cooperação, precisamos compreender alguns conceitos importantes: • “Cooperação técnica” . É a busca por incentive ao desenvolvimento, promovendo a capacitação humana e institucional e levando a mudanças estruturais na realidade socioeconômica dos países aos quais se destinam. • São exemplos de atividades de cooperação técnica a transferência ou o compartilhamento de conhecimentos, experiências e boas práticas entre Governos - bilateralmente ou por meio de organização internacional -, em bases não comerciais (Agência Brasileira de Cooperação - ABC). 1.2.4. META 13.B DO OBJETIVO DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL (ODS) 13 – ESTIMULAR A AMPLIAÇÃO DA COOPERAÇÃO INTERNACIONAL EM SUAS DIMENSÕES TECNOLÓGICA E EDUCACIONAL OBJETIVANDO FORTALECER CAPACIDADES PARA O PLANEJAMENTO RELACIONADO À MUDANÇA DO CLIMA E À GESTÃO EFICAZ, NOS PAÍSES MENOS DESENVOLVIDOS, INCLUSIVE COM FOCO EM MULHERES, JOVENS, COMUNIDADES LOCAIS E MARGINALIZADAS. A meta 13.A não se aplica ao Brasil, pois é destinada aos países desenvolvidos e a obrigação de contribuírem com os países menos desenvolvidos para a redução dos danos ambientais. FONTE: elaborado pela autora 12 2. OBJETIVO 14 – VIDA NA ÁGUA - conservação e uso sustentável dos oceanos, dos mares e dos recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável O Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 14, também conhecido como “Vida Subaquática”, tem como foco principal a conservação e o uso sustentável dos oceanos, dos mares e dos recursos marinhos. Os oceanos cobrem cerca de 71% da superfície da Terra e desempenham um papel crítico no sustento da vida no planeta, mas estão sob sérias ameaças devido à atividade humana. De acordo com o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, ligado ao Ministério da Economia): “A zona costeira do Brasil possui uma área de aproximadamente 514 mil quilômetros quadrados, dos quais 324 mil quilômetros quadrados correspondem ao território dos municípios costeiros, distribuídos em dezessete estados litorâneos. • “Países menos desenvolvidos” (LDCs sigla em inglês) são países que, de acordo com a ONU, ocupam as mais baixas posições nos rankings de indicadores de desenvolvimento socioeconômico e humano entre todos os países do mundo. Essa meta é mais voltada para promover mecanismos que atendam, especificamente, às necessidades dos países em desenvolvimento e dos pequenos Estados insulares, os quais muitas vezes são mais vulneráveis aos impactos das mudanças climáticas. FONTE: ENVATO 13 Outro problema enfrentado pela vida marinha, diz respeito a sobrepesca e a pesca ilegal que têm gerado impactos significativos nos ecossistemas marinhos. Espécies de peixes e outros recursos marinhos estão sendo explorados a taxas insustentáveis, ameaçando sua sobrevivência a longo prazo. O aumento das temperaturas globais , como já estudamos no ODS 13, tem efeitos catastróficos nos oceanos. O branqueamento de corais e a acidificação dos oceanos são alguns dos sintomas visíveis da mudança climática. Para tentar reduzir estes impactos, A Agenda 2030 da ONU estabeleceu várias metas para atingir o objetivo 14, como poderemos analisar no Mapa Mental abaixo. Dezenove das 36 regiões metropolitanas brasileiras encontram-se no litoral. Pelos dados do último censo nacional (2010), 45,7 milhões de pessoas, 24% da população do país, residiam na Zona Costeira, o que impõe forte pressão sobre o meio ambiente e os recursos naturais.” Cadernos ODS , Disponível em: https://repositorio.ipea.gov.br/ bitstream/11058/9350/1/Cadernos_ODS_Objetivo_14_ Conserva%C3%A7%C3%A3o%20e%20uso%20 sustent%C3%A1vel%20dos%20oceanos%2C%20 dos%20mares%20e%20dos%20recursos%20 marinhos%20para%20o%20desenvolvimento%- 20sustent%C3%A1vel.pdf Os oceanos atuam como reguladores do clima, absorvendo grandes quantidades de dióxido de carbono e produzindo oxigênio. Eles também fornecem alimento, medicamentos e oportunidades econômicas para bilhões de pessoas em todo o mundo. Além disso, os sistemas marinhos e costeiros sustentam uma biodiversidade imensa, que é crucial para o equilíbrio ecológico do planeta. Porém, todos nós sabemos que a poluição marinha, especialmente causada por plásticos e produtos químicos tóxicos, é uma preocupação crescente. Estima-se que mais de 8 milhões de toneladas de plástico entram nos oceanos a cada ano, causando danos devastadores à vida marinha. 14 FONTE: elaborado pela autora 15 Curiosidade: Plástico é responsável por 80% do lixo nos oceanos “Um estudo global publicado na revista científica Nature Sustainability nesta quinta-feira (10/06) revelou que 80% do lixo encontrado nos oceanos é composto por plástico, sobretudo sacolas e garrafas. Em seguida vêm metal, vidro, roupas e outros artigos têxteis, borracha, papel e madeira processada. A maior proporção de plástico encontra-se nas águas superficiais (95%), seguida das costas (83%), enquanto os leitos dos rios apresentam a menor percentagem (49%). O estudo analisou 112 categorias de resíduos maiores que três centímetros em sete ecossistemas, como rios, leitos de rios, águas costeiras e águas abertas. Foram utilizadas informações de 12 milhões de pontos de observação de 36 bancos de dados em todo o planeta. Sacolas descartáveis, garrafas plásticas, recipientes para alimentos e embalagens de comida são os quatro itens que mais poluem os mares, representando quase metade dos dejetos de origem humana. Fonte: https://www.dw.com/pt-br/pl%C3%A1stico-%C3%A9- respons%C3%A1vel-por-80-do-lixo-nos-oceanos/a-57859624 2.1. META 14.1 ATÉ 2025, PREVENIR E REDUZIR SIGNIFICATIVAMENTE A POLUIÇÃO MARINHA DE TODOS OS TIPOS, EM PARTICULAR A RESULTANTE DE ATIVIDADES TERRESTRES, INCLUINDO DETRITOS MARINHOS E POLUIÇÃO POR NUTRIENTES. FONTE: elaborado pela autora 16 2.2 META 14.2 ATÉ 2020, GERIR E PROTEGER DE FORMA SUSTENTÁVEL OS ECOSSISTEMAS MARINHOS E COSTEIROS PARA EVITAR IMPACTOS ADVERSOS SIGNIFICATIVOS, INCLUINDO O FORTALECIMENTO DA SUA RESILIÊNCIA, E ADOTAR MEDIDAS PARA RESTAURÁ-LOS A FIM DE ALCANÇAR A SAÚDE E A PRODUTIVIDADE DOS OCEANOS.” A Primeira coisa que deve ter chamado a atenção de vocês é que o prazo estipulado nessa meta era 2020. Isso mostra a urgência e importância percebida na gestão e proteção dos ecossistemas marinhos. Porém, para muitos países e regiões, os desafios associados a esta meta continuam a ser um foco de esforços pós-2020. E como fazer isso? Como cumprir? A meta 14.2 foca na gestão e proteção dos ecossistemas marinhos e costeiros, reconhecendo a necessidade de mitigar os impactos humanos nesses ecossistemas. Apenas dez produtos, entre os quais tampas e equipamentos de pesca, responderam juntos por 75% do lixo plástico, devido a seu uso generalizado e degradação extremamente lenta. Em termos de origem, os produtos take-away – sacolas, embalagens, recipientes para alimentos e latas – representam a maioria dos resíduos em todos os ambientes (de 50% a 88%), exceto no mar aberto, onde 66% provém das atividadesmarítimas. Já plásticos de origem médica e higiênica – como lenços umedecidos – encontram-se sobretudo no fundo do mar, perto da costa. Canudinhos e mexedores representaram apenas 2,3% dos resíduos, cotonetes e palitos de pirulito, 0,16%. Por essa razão, os pesquisadores destacam que, apesar da importância de iniciativas como as vistas na Europa, para eliminar o consumo de canudinhos e cotonetes, se outros itens não forem incluídos nessas ações, o problema não será resolvido.” 17 FONTE: elaborado pela autora 18 “O QUE É ACIDIFICAÇÃO OCEÂNICA? A maioria de nós já ouviu falar das alterações climáticas e do aquecimento global devido ao efeito de estufa. Sabemos também que são as atividades do homem, nomeadamente as emissões de dióxido de carbono (CO2) provenientes, por exemplo, dos nossos automóveis e indústrias, que estão em causa. Mas a acidificação do oceano permanece desconhecida. Isto não é muito surpreendente, porque só passaram alguns anos desde que o seu âmbito e consequências foram descobertos. Também aqui, porém, é o CO2 que é responsável. Na verdade, a acidificação dos oceanos é por vezes referida como o “outro problema de CO2”. 2.3. META 14.3 MINIMIZAR E ENFRENTAR OS IMPACTOS DA ACIDIFICAÇÃO DOS OCEANOS, INCLUINDO POR MEIO DA COOPERAÇÃO CIENTÍFICA REFORÇADA A TODOS OS NÍVEIS. Antes de mais nada precisamos entender esse termo estranho... O que é acidificação? Já ouviu esse termo antes? Para nos ajudar, busquei um trecho de um artigo publicado no site do Instituto Oceanográfico – Fundação Albert IER, Príncipe de Mônaco, que explique em uma linguagem que, pelo acredito, seja mais fácil para quem não é especialista no assunto. E o que pode ser feito para cumprir essa meta? A Acidificação dos mares é um problema complexo e que como possui uma natureza global a cooperação internacional em pesquisa e monitoramento é fundamental. Isso permite uma melhor compreensão do problema, bem como o desenvolvimento e a implementação de soluções eficazes. A cooperação científica também pode envolver o compartilhamento de melhores práticas, dados e tecnologias. FONTE: ENVATO 19 2.4. META 14.4 ATÉ 2020, EFETIVAMENTE REGULAR A COLETA, E ACABAR COM A SOBREPESCA, ILEGAL, NÃO REPORTADA E NÃO REGULAMENTADA E AS PRÁTICAS DE PESCA DESTRUTIVAS, E IMPLEMENTAR PLANOS DE GESTÃO COM BASE CIENTÍFICA, PARA RESTAURAR POPULAÇÕES DE PEIXES NO MENOR TEMPO POSSÍVEL, PELO MENOS A NÍVEIS QUE POSSAM PRODUZIR RENDIMENTO MÁXIMO SUSTENTÁVEL, COMO DETERMINADO POR SUAS CARACTERÍSTICAS BIOLÓGICAS Nessa meta a preocupação é com a pesca. Claro que pescar não é errado e nem a responsável por danos ambientais. O que estraga tudo é a pesca excessiva, predatória e ilegal. Por isso a meta 14.4 quer que os Países regulamentem, criem planos de gestão que acabem com a pesca destrutiva. IMPACTOS NOS ORGANISMOS MARINHOS Todo o CO2 que produzimos todos os dias não permanece na atmosfera. Cerca de um quarto do CO2 emitido é absorvido pelos nossos oceanos. Quando se dissolve na água do mar, leva a um aumento dos protões (íons H+) mas também à diminuição de certas moléculas, iões carbonatos (CO32-), necessários para que muitos organismos marinhos façam o seu esqueleto ou casca calcária (corais, mexilhões, ostras…). Estas plantas e animais terão, por conseguinte, cada vez mais dificuldade em fazer estas estruturas calcárias. Os seus esqueletos e conchas também estão ameaçados de dissolução. Na verdade, acima de um certo limiar de acidez, a água do mar torna-se corrosiva face ao calcário, o material a partir do qual são feitos esqueletos e conchas.” https://www.oceano.org/pt-pt/recursos/acidificacao- oceanica/ FONTE: elaborado pela autora 20 FONTE: elaborado pela autora 21 2.5 META 14.5 Até 2020, conservar pelo menos 10 por cento das zonas costeiras e marinhas, de acordo com as leis nacionais e o direito internacional e com base na melhor informação científica disponível.” 2.6 META 14.6 Até 2020, proibir determinadas formas de subsídios à pesca que contribuam para a sobrepesca, a pesca ilegal e não regulamentada e eliminar os subsídios que contribuam para a capacidade de pesca excessiva e a sobrepesca, reconhecendo que a negociação sobre subsídios à pesca deve ser concluída na Organização Mundial do Comércio (OMC) com base em mandatos negociados, de forma clara e inequívoca, observadas as necessidades e capacidades de desenvolvimento dos países em desenvolvimento e dos países menos desenvolvidos. Por mais que esta meta também trate da pesca, essa tem foco alinhar os incentivos financeiros com práticas de pesca sustentáveis, garantindo que os subsídios não levem à degradação dos recursos pesqueiros e dos ecossistemas marinhos. 22 os estoques de peixes, a aquicultura mal gerida pode causar poluição, e o turismo em excesso pode danificar recifes de corais e outros habitats sensíveis. Por isso, essa meta destaca a necessidade de equilibrar a exploração econômica dos oceanos com práticas sustentáveis, assegurando que os benefícios sejam maximizados ao mesmo tempo em que se protegem os ecossistemas marinhos. Além disso, reconhece as necessidades e desafios específicos dos pequenos Estados insulares em desenvolvimento e dos países menos desenvolvidos nesta área. Curiosidade: Os Países Menos Desenvolvidos (PMDs) correspondem a um conjunto de países em desenvolvimento que, de acordo com as Nações Unidas, exibem valores baixos para indicadores de desenvolvimento socioeconômico. No caso das Américas e Caribe, o único país nesta condição é o Haiti. Já os Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento (SIDS) são um grupo de pequenos países insulares que em geral compartilham desafios semelhantes para alcançar o desenvolvimento, dentre os quais populações pequenas, mas em crescimento, recursos naturais limitados, localização remota e suscetibilidade a desastres naturais. Existem 16 países caribenhos membros das Nações Unidas que se enquadram neste grupo, dentre eles o Haiti. No total são 57 países em todo o mundo nessa condição (Disponível em: https://goo.gl/ UiQopK). 2.7 META 14.7 Até 2030, aumentar os benefícios econômicos para os pequenos Estados insulares em desenvolvimento e os países menos desenvolvidos a partir do uso sustentável dos recursos marinhos, inclusive mediante a gestão sustentável da pesca, da aquicultura e do turismo. Todos vocês já sabem da importância dos recursos marinhos como uma fonte crucial de renda e subsistência para muitas nações, especialmente para os pequenos Estados insulares em desenvolvimento e países menos desenvolvidos. Muitas comunidades dependem na pesca e é ela sua única atividade econômica. Por isso, a meta 14.7 destaca a necessidade de explorar e gerenciar os recursos marinhos de uma maneira que não prejudique sua capacidade de fornecer benefícios econômicos e ecológicos a longo prazo. E como os Estados podem fazer isso? Através de uma gestão sustentável da pesca, aquicultura e turismo. Estas são três áreas-chave nas quais muitos pequenos Estados insulares em desenvolvimento e países menos desenvolvidos têm potencial para gerar renda e empregos. No entanto, todas essas áreas podem ter impactos negativos nos ecossistemas marinhos se não forem geridas de forma sustentável. Por exemplo, a sobrepesca pode esgotar 23 particular os pequenos Estados insulares em desenvolvimento e os países menos desenvolvidos. O foco aqui é na combinação de ciência, capacitação e tecnologia como meios essenciais para alcançar a sustentabilidade dos oceanos, com uma atenção especial para os países em desenvolvimento e aqueles com menos recursos. Vou tentar destrinchar no mapa mental abaixo os itens dessa meta. 2.8 META 14.A Aumentar o conhecimento científico, desenvolver capacidades de pesquisa e transferir tecnologia marinha, tendo em conta os critérios eorientações sobre a Transferência de Tecnologia Marinha da Comissão Oceanográfica Intergovernamental, a fim de melhorar a saúde dos oceanos e aumentar a contribuição da biodiversidade marinha para o desenvolvimento dos países em desenvolvimento, em FONTE: elaborado pela autora 24 relacionadas com os programas de Serviços Oceânicos, bem como servir de Banco Nacional de Dados Oceanográficos (BNDO) e Centro Depositário da COI, integrando assim o Sistema Mundial de Dados Oceanográficos (Disponível em: https://goo.gl/HW72iw). 2.9 META 14.B - PROPORCIONAR O ACESSO DOS PESCADORES ARTESANAIS DE PEQUENA ESCALA AOS RECURSOS MARINHOS E MERCADOS. Falamos tanto em gestão e controle da pesca, que algum de vocês pode ter imaginado que os ODS seriam contra a pesca ou aos pescadores. Como dito na primeira aula, o Objetivo é desenvolver e não paralisar a economia. Por isso precisamos de incentivar e dar acesso aos pescadores artesanais de pequena escala os recursos necessários para viver da pesca. Como? Vamos desdobrar o que propõe a meta 14.b. 1. Pescadores artesanais: Estes são pescadores que se envolvem em atividades de pesca em pequena escala, muitas vezes usando métodos tradicionais e para subsistência local, ao contrário das operações de pesca em grande escala ou industriais. Em muitas partes do mundo, esses pescadores desempenham um papel fundamental na segurança alimentar e na economia local e por isso são protegidos também pelos ODS. Curiosidade: Conceitos importantes mencionados na meta A Comissão Oceanográfica Intergovernamental (COI) é uma Comissão da UNESCO, criada por ocasião da XI Assembleia Geral da UNESCO, em 1961, com base no reconhecimento de que os oceanos cobrem cerca de setenta por cento da superfície da terra, exercem uma profunda influência no ser humano e em todas as formas de vida na Terra. Para compreender tudo o que o oceano representa para a humanidade, diversos aspectos devem ser estudados sob muitos pontos de vista. A COI tem como missão fomentar a investigação científica marinha nos oceanos, por meio de ações coordenadas e integradas de coleta de dados, produção de informações, intercâmbio de dados e transferência de tecnologia. Em âmbito nacional, o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações) tem por função promover e coordenar a participação do País em atividades da COI relativas às Ciências Oceânicas, conforme expresso no Decreto Presidencial de 05 de janeiro de 1994. Já a Marinha do Brasil (MB), por meio da Diretoria de Hidrografia e Navegação (DHN), é a instituição nacional que tem por funções promover e coordenar a participação do País nas atividades da COI 25 Para atingir a meta 14.c, o texto da Agenda 2030 destaca a importância de reforçar o compromisso e a ação dos países em relação às leis e tratados internacionais relacionados aos oceanos. Ponto que merece destaque nessa Meta é compreender que a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (frequentemente referida como “a Constituição dos oceanos”) , é a principal convenção internacional que governa o uso e conservação dos oceanos e seus recursos. Ela é um marco jurídico ao estabelecer o quadro legal para todas as atividades nos oceanos e mares, incluindo limites territoriais, direitos e responsabilidades dos Estados, conservação e utilização sustentável dos recursos marinhos, proteção do meio marinho e pesquisa científica marinha. Para cumprir a meta 14.c , O Brasil vem adotando as seguintes medidas: 1. Pesquisa e conservação: O país tem investido em pesquisas marítimas e em áreas protegidas, como a criação de unidades de conservação marinha, para proteger a biodiversidade e recursos marinhos. 2. Combate à pesca ilegal: O Brasil tem tomado medidas para combater a pesca ilegal, não declarada e não regulamentada em suas águas, em linha com os compromissos internacionais. 2. Acesso aos recursos marinhos: Isso significa garantir que os pescadores artesanais possam continuar pescando e utilizando os recursos marinhos de maneira sustentável. Em muitas regiões, a pesca excessiva ou as práticas de pesca industrial podem ameaçar o acesso a esses recursos para os pescadores em pequena escala. 3. Acesso aos mercados: Mas não basta ter acesso aos próprios recursos marinhos. É essencial que os pescadores artesanais possam vender seus produtos em mercados locais e mais amplos. Isso implica em ter infraestrutura adequada, como instalações de refrigeração e transporte, bem como acesso a redes de distribuição e mercados consumidores. 2.10 META 14.C Assegurar a conservação e o uso sustentável dos oceanos e seus recursos pela implementação do direito internacional, como refletido na UNCLOS [Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar], que provê o arcabouço legal para a conservação e utilização sustentável dos oceanos e dos seus recursos, conforme registrado no parágrafo 158 do “Futuro Que Queremos” 26 Durante a Blue Justice Conference, concluída nesta sexta- feira (24) em Copenhague, Dinamarca, o Brasil se uniu aos mais de 40 países presentes e se comprometeu a aperfeiçoar os mecanismos de monitoramento, pesquisa e estatística como forma de combater a pesca ilegal no seu mar territorial e bacias hidrográficas. “Nosso país está de volta à comunidade global e alinhado ao objetivo de construir um modelo pesqueiro sustentável, eficiente do ponto de vista econômico, mas que preserve os estoques de peixes para alimentar também as gerações futuras”, disse o secretário-executivo do Ministério da Pesca e Aquicultura, Carlos Mello, que representou o ministro André de Paula na conferência. A iniciativa Blue Justice é uma parceria global liderada pelo Departamento de Pesca e Aquicultura da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) e pela Noruega. Seu objetivo é promover a cooperação internacional para combater a pesca ilegal, não declarada e não regulamentada e outras atividades ilícitas relacionadas à pesca, como a pesca excessiva e a exploração de trabalhadores em alto-mar. O Brasil, que aderiu à iniciativa em 2022, e as demais 40 nações signatárias da Declaração de Copenhague traçaram planos de ação para combater os crimes no setor pesqueiro utilizando inovação digital. 3. Colaboração regional: O Brasil tem cooperado com outros países da região, especialmente dentro do contexto da Comissão do Atlântico Sudoeste (CAS), para promover a gestão sustentável dos recursos marinhos compartilhados. 4. Participação ativa em fóruns internacionais: O Brasil participa regularmente de conferências, reuniões e outras iniciativas relacionadas aos oceanos, contribuindo para o diálogo global sobre questões marítimas. Em geral, o Brasil, sendo um país com uma grande costa marítima, reconhece a importância da conservação e uso sustentável dos oceanos e tem trabalhado para alinhar suas políticas e ações nacionais aos compromissos internacionais, como a CNUDM e a Agenda 2030. JUSTIÇA AZUL Brasil se une a mais de 40 países contra a pesca ilegal Comitiva do Ministério da Pesca e Aquicultura representou o país como signatário do pacto liderado pela Noruega Publicado em 24/03/2023 20h25 Atualizado em 27/03/2023 19h17 27 3. META 15 - VIDA TERRESTRE O Objetivo do Desenvolvimento sustentável 15 tem como foco proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerenciar de maneira sustentável as florestas, combater a desertificação, deter e reverter a degradação da terra e pôr um fim à perda da biodiversidade. Para atingi-lo, foram criadas 12 metas que passaremos agora a analisar. Combater a pesca ilegal, não reportada e não regulada assegura o futuro da atividade, evita distorções de mercado e reforça a sustentabilidade dos estoques pesqueirosem escala global. Liderada pela Noruega, com apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, PNUD, a Iniciativa Blue Justice, traduzida como Justiça Azul, conta com plataformas digitais para compartilhamento de informações entre as autoridades pesqueiras globais. Assim, ela compartilha boas práticas de monitoramento e combate à pesca ilegal. A comitiva brasileira contou com a secretária de Registro, Monitoramento e Pesquisa, Flávia Lucena, e o chefe da Assessoria Internacional do MPA, Rafael Dias. FONTE: https://www.gov.br/mpa/pt-br/assuntos/noticias/brasil-se-une-a-mais-de-40- paises-contra-a-pesca-ilegal 28 FONTE: elaborado pela autora 29 15.1.2BR Até 2030, assegurar a conservação dos ecossistemas aquáticos continentais e de sua biodiversidade, e fortalecer a pesca sustentável nestes ambientes, eliminando a sobrepesca e a pesca ilegal, não reportada e não regulamentada (INN) e eliminando subsídios que contribuem para a pesca INN Já na primeira meta percebemos que esse tema é sensível para o Brasil. Para início de conversa, além da Amazonia, temos diversas outras áreas de vida terrestre que precisam de proteção. A Meta 15.1 foi alterada e dividida em duas pelo Brasil. O IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica aplicada) traz uma explicação muito clara para tal que passamos agora a analisa: 3.1. METAS 15.1.1BR E 15.1.2BR 15.1.1BR Até 2020, serão conservadas, por meio de sistemas de unidades de conservação previstas na Lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), e outras categorias de áreas oficialmente protegidas como Áreas de Preservação Permanente (APPs), Reservas Legais (RLs) e terras indígenas com vegetação nativa, pelo menos 30% da Amazônia, 17% de cada um dos demais biomas terrestres e 10% de áreas marinhas e costeiras, principalmente áreas de especial importância para biodiversidade e serviços ecossistêmicos, assegurada e respeitada a demarcação, regularização e a gestão efetiva e equitativa, visando garantir a interligação, integração e representação ecológica em paisagens terrestres e marinhas mais amplas. A Meta 11.1 é uma das metas específicas dentro desse objetivo maior. O objetivo geral da Meta 11.1 é melhorar a qualidade de vida das pessoas que vivem em áreas urbanas, garantindo que elas tenham acesso a habitações dignas e serviços essenciais. Isso contribui para a construção de cidades mais inclusivas e sustentáveis, o que é fundamental para o desenvolvimento global sustentável. FONTE: ENVATO 30 VOCÊ SABE O QUE É O PAINEL BIO? “O PainelBio é uma plataforma colaborativa com representantes de diferentes setores que tem a missão de “Contribuir para a conservação e uso sustentável da biodiversidade brasileira, promovendo sinergias entre instituições e áreas de conhecimento, disponibilizando informação científica para a sociedade, fomentando capacitações em diversos níveis e subsidiando tomadas de decisão e políticas públicas para o alcance das Metas de Aichi no Brasil.” O PainelBio vem atuando há anos e se consolidou como um espaço estratégico de diálogo intersetorial e de construção de soluções para valorização e implementação da agenda da conservação da biodiversidade no Brasil.” https:// www.iucn.org/pt/news/south-america/201705/uni%C3%A3o- pela-biodiversidade 3.2 META 15. 2 O Brasil também alterou essa meta para deixá-la ainda mais ambiciosa. Isso porque, o Brasil já vinha com ações que atendiam a meta tradicional após assinar o Acordo de Paris. Porém, atualmente, o Brasil vai precisar correr para cumprir a meta. Isto porque até maio de 2023, o Brasil havia plantado apenas 0,68% das árvores necessárias para a recuperação das áreas estabelecidas na meta. “A meta global 15.1 foi modificada porque não define valores quantitativos em cada categoria e abrange uma série de temas distintos. A divisão em duas metas nacionais - 15.1.1br e 15.1.2br - fez-se necessária em função da inclusão do tema “pesca”, o qual, na estrutura original dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável,como vimos acima, é explicitado apenas no ODS 14, Vida na água. Entretanto, a pesca ocorre também em águas continentais, tipo de ecossistema associado ao ODS 15. Em particular, o tema está associado à meta global 15.1, que em seu formato original traz como ementa: Até 2020, assegurar a conservação, recuperação e uso sustentável de ecossistemas terrestres e de água doce interiores e seus serviços (...). Destaca-se, ainda, que a ausência de metas relativas à pesca em águas continentais nos ODS vem sendo apontada como uma lacuna relevante, em nível global. Isso é particularmente válido no caso do Brasil, dada a importância ambiental, social e econômica da atividade de pesca nas águas continentais do país. A meta nacional 15.1.1br por sua vez, teve seu texto alterado à realidade nacional para corresponder à Meta Nacional de Biodiversidade nº 11, que foi aprovada por meio da Resolução nº 06 da Comissão Nacional de Biodiversidade (CONABIO), de 03 de setembro de 2013, e guarda relação com compromissos internacionais assumidos no âmbito da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB).” https://www.ipea.gov.br/ods/ods15.html 31 Curiosidade: Está em trâmite na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 2601/21 que cria a Política de Proteção dos Biomas Nacionais com metas para conservação dos ecossistemas naturais e para restauração de áreas alteradas até 2030. Segundo a reportagem da jornalista Carol Siqueira, o objetivo é conservar a biodiversidade brasileira e a preservação dos mananciais de água, da fauna e a prevenção de catástrofes naturais. O texto estabelece as seguintes metas de cobertura territorial para áreas protegidas até 2030: A área de florestas a serem plantadas, foram definidas com base no planejamento do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento até o ano de 2030 e é uma forma de aumentar o fornecimento de produtos florestais (madeireiros e não madeireiros), contribuindo também para a conservação de florestas nativas e para o combate à desertificação. FONTE: https://observatoriodarestauracao.org.br/home 32 Essa meta combate à desertificação e ao LDN (Land Degradation Neutrality). A preocupação com a desertificação foi tema da 13ª Conferência das Partes (COP13) da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD), em Ordos, na China (set. 2017). Para isso, os Estados precisam buscar uma neutralidade na degradação da terra. Mas o que é Neutralidade da Degradação da terra? A Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca define como um estado em que o montante de recursos de terra saudável e produtiva, necessário para dar suporte aos serviços ecossistêmicos, permanece estável ou aumenta dentro de escalas específicas temporais e espaciais. Ou seja, a ideia é garantir que não surjam novas áreas de deserto e ao mesmo tempo, que os ecossistemas saudáveis aumentem. 3.4 META 15.4 Até 2030, assegurar a conservação dos ecossistemas de montanha, incluindo a sua biodiversidade, para melhorar a sua capacidade de proporcionar benefícios que são essenciais para o desenvolvimento sustentável. • Amazônia: 35% do bioma, com pelo menos 20% na forma de unidades de conservação de proteção integral; • Caatinga: 30% do bioma, com pelo menos 15% na forma de unidades de conservação de proteção integral; • Cerrado: 20% do bioma, com pelo menos 10% na forma de unidades de conservação de proteção integral; • Mata Atlântica: 20% do bioma, com pelo menos 5% na forma de unidades de conservação de proteção integral; • Pampa: 10% do bioma, com pelo menos 5% na forma de unidades de conservação de proteção integral; • Pantanal: 10% do bioma, com pelo menos 5% na forma de unidades de conservação de proteção integral; • Bioma marinho: 30% do bioma, com pelo menos 15% na forma de unidades de conservaçãode proteção integral. 3.3 META 15.3 Até 2030, combater a desertificação, restaurar a terra e o solo degradado, incluindo terrenos afetados pela desertificação, secas e inundações, e lutar para alcançar um mundo neutro em termos de degradação do solo. 33 15.5.2BR Até 2020, o risco de extinção de espécies ameaçadas será reduzido significativamente, tendendo a zero, e sua situação de conservação, em especial daquelas sofrendo maior declínio, terá sido melhorada. 15.5.3BR Até 2020, a diversidade genética de microrganismos, de plantas cultivadas, de animais criados e domesticados e de variedades silvestres, inclusive de espécies de valor socioeconômico e/ou cultural, terá sido mantida e estratégias terão sido elaboradas e implementadas para minimizar a perda de variabilidade genética. O BRASIL ratificou a Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) e participou da decisão VII/27 da Conferência das Partes da CDB, que adotou o Programa de trabalho sobre diversidade biológica de montanhas. Por este motive, o Brasil criou uma Câmara Técnica Temporária sobre Ecossistemas de Montanhas, no âmbito da Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio). Essa Câmara Técnica elaborou uma minuta de um Programa Nacional de Pesquisa e Conservação em Ecossistema de Montanhas, a qual foi discutida e posteriormente aprovada na 43a Reunião Ordinária da Conabio. Foi com essas ações que o Brasil iniciou a execução de ações com vistas ao cumprimento da meta 15.4. global, as quais necessitam ser continuadas. 3.5 METAS 15.5.1BR, 15.5.2BR E 15.5.3BR 15.5.2BR Até 2020, a taxa de perda de habitats naturais será reduzida em 50% (em relação às taxas de 2009) e a degradação e fragmentação em todos os biomas será reduzida significativamente. FONTE: ENVATO 34 Perda de ambientes nativos A supressão de um ambiente nativo, com a perda das características bióticas e abióticas que o definem, como o corte raso da cobertura vegetal nativa, a perda de várzeas e outros ambientes aquáticos (continentais, marinhos ou costeiros) por mudanças no regime hidrológico, poluição ou assoreamento, a perda de ambientes marinhos por dragagem de fundo. Degradação de ambientes nativos Processo resultante de danos aos ambientes nativos, em consequência dos quais são perdidas ou reduzidas algumas de suas propriedades, tais como a funcionalidade, resiliência, qualidade ou capacidade de sustentação dos ciclos de vida de seus componentes e capacidade de produção contínua de serviços ambientais. Não estariam incluídas nessa definição as áreas submetidas a manejo sustentável ou extrativismo sustentável. Fragmentação de ambientes nativos O processo no qual um habitat contínuo é dividido em manchas ou fragmentos isolados. É a ruptura da continuidade de um ambiente natural ou habitat, com simultânea ruptura das interações intra e interespecíficas e mudanças na estrutura genética das populações. Representa uma séria ameaça à biodiversidade, já que leva à perda de habitat e alterações na abundância e comportamento dos indivíduos, podendo causar extinções locais. Assim como a meta 15.1 , a meta 15.5 foi ampliada pelo Brasil e dividida em 3. Isso porque, o Brasil já estava implementando políticas que garantiam a execução da meta base. Para explicar essa meta, vou trazer para vocês a justificativa apresentada pelo Brasil e os esclarecimentos deixados pelo IPEA. “Justificativa para a adequação A meta global foi alterada porque é o Brasil já vem desenvolvendo ações significativas em algumas das áreas mencionadas. Assim, optou- se pela divisão em três metas nacionais, as quais correspondem, respectivamente, às Metas Nacionais de Biodiversidade números 5, 12 e 13, aprovadas por meio da Resolução nº 06 da Comissão Nacional de Biodiversidade (CONABIO), de 03 de setembro de 2013, e guardam relação com compromissos internacionais assumidos pelo Brasil no âmbito da CDB. A divisão em três metas nacionais objetiva também abranger os três níveis de biodiversidade definidos pela CDB, que são genes, espécies e ecossistemas, estes últimos tratados na meta nacional 15.5.1br. Conceitos importantes mencionados na meta- Conceitos definidos pelo Painel Brasileiro de Biodiversidade (PainelBio). 35 3.6. METAS 15.6.1BR E 15.6.2BR 15.6.1BR Garantir uma repartição justa e equitativa dos benefícios derivados da utilização dos recursos genéticos e conhecimentos tradicionais associados, e promover o acesso adequado aos recursos genéticos e conhecimentos tradicionais associados. 15.6.2BR Até 2030, os conhecimentos tradicionais, inovações e práticas de povos indígenas, agricultores familiares e comunidades tradicionais relevantes à conservação e uso sustentável da biodiversidade, e a utilização consuetudinária de recursos biológicos terão sido respeitados, de acordo com seus usos, costumes e tradições, a legislação nacional e os compromissos internacionais relevantes, e plenamente integrados e refletidos na implementação da CDB com a participação plena e efetiva de povos indígenas, agricultores familiares e comunidades tradicionais em todos os níveis relevantes. Mais uma meta que o Brasil desdobrou. Isso porque o Brasil buscou adaptar a redação aos compromissos assumidos na Convenção sobre Diversidade Biológica, em especial no que Reduzir significativamente a degradação e a fragmentação No contexto da meta, pode-se interpretar uma redução igual ou maior de 50% nas taxas de degradação e fragmentação em comparação com 2009 como uma redução significativa. Risco de extinção O conceito de risco de extinção é o resultado de um processo de avaliação de risco baseado na metodologia da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) e adotada pelo Ministério do Meio Ambiente, por meio da Portaria MMA nº 43, de 31 de janeiro de 2014, a qual institui o Programa Nacional de Conservação das Espécies Ameaçadas de Extinção (Pró-Espécies). Melhoria da situação de conservação Ocorre quando uma espécie, classificada em uma categoria da Lista Vermelha da UICN, passa de uma categoria de maior risco para menor risco, refletindo sua abundância e distribuição na natureza. Por exemplo, de “Em Perigo” (EN) para “Vulnerável” (VU). “ Fonte: https://www.ipea.gov.br/ods/ods15.html 36 A ideia central desta meta é proteger os direitos dos povos tradicionais e indígenas sobre seus recursos e conhecimentos, e também promover a conservação da biodiversidade, garantindo que haja um incentivo para proteger e utilizar esses recursos de forma sustentável. b. Meta 15.6.2br: Objetivo: Esta meta enfatiza a importância dos conhecimentos, inovações e práticas de povos indígenas, agricultores familiares e comunidades tradicionais na conservação e uso sustentável da biodiversidade. Ela possui os seguintes focos: • Respeito pelos conhecimentos e práticas tradicionais: Reconhecendo que essas comunidades desempenham um papel vital na conservação da biodiversidade, a meta visa garantir que seus métodos tradicionais e inovações sejam respeitados. • Integração na implementação da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB): A CDB é um tratado internacional que visa a conservação da biodiversidade, e a meta busca que os conhecimentos e práticas destas comunidades sejam integralmente refletidos na implementação da convenção. se refere a participação de povos e comunidade nas decisões sobre o tema de conhecimento tradicional. Para entender melhor, vamos explorar e explicar essas duas metas adaptadas ao contexto brasileiro: a. Meta 15.6.1br: Objetivo: Esta meta busca estabelecer um equilíbrio entre a utilização de recursos genéticos e os benefícios derivados dessa utilização. Ela aborda dois aspectos principais: • Repartição justa e equitativa dos benefícios: Isso significa que, quando empresas ou pesquisadores usam recursos genéticos (por exemplo, plantas medicinais tradicionais) para finscomerciais ou de pesquisa, as comunidades que tradicionalmente detêm o conhecimento sobre esses recursos deveriam se beneficiar dessa utilização. Em termos práticos, isso pode traduzir-se em acordos financeiros, transferência de tecnologia ou capacitação. • Acesso adequado aos recursos genéticos e conhecimentos tradicionais associados: Assegura que haja um processo transparente e justo de acesso a esses recursos e conhecimentos, protegendo os direitos das comunidades locais e povos indígenas. 37 3.7. META 15.7 Tomar medidas urgentes para acabar com a caça e pesca ilegais e o tráfico de espécies da flora e fauna protegidas, incluindo recursos pesqueiros de águas continentais e abordar tanto a demanda quanto a oferta de produtos ilegais da vida silvestre A redação dessa meta também foi alterada pelo Brasil para inserir na meta referências à pesca e aos recursos pesqueiros continentais. Outra alteração foi a substituição da palavra selvagem ( tradução livre do inglês) que, é inadequado, não sendo utilizado em termos de políticas nacionais e na legislação vigente, tendo sido alteradopara a palavra “silvestre”. Vamos decompor essa meta para melhor entendimento: 1. Adotar medidas urgentes: Esta meta enfatiza a necessidade de ação imediata. A urgência é devido à rápida taxa de extinção de várias espécies devido à caça e ao tráfico ilegais. 2. Acabar com a caça ilegal e o tráfico de espécies protegidas: A caça ilegal refere-se à captura, morte ou remoção de animais da natureza de forma não regulamentada ou em violação das leis. O tráfico envolve a venda e transferência desses animais ou suas partes (como marfim ou chifres). Esta meta visa proteger espécies que estão sob ameaça devido à caça e ao tráfico. • Participação plena e efetiva: Pede que os povos indígenas, agricultores familiares e comunidades tradicionais sejam ativamente envolvidos e participem nas decisões que afetem seus recursos e conhecimentos. Em resumo, essas duas metas adaptadas ao contexto brasileiro visam reconhecer, respeitar e incorporar os direitos e conhecimentos dos povos indígenas, agricultores familiares e comunidades tradicionais na gestão e conservação da biodiversidade do Brasil. FONTE: FREEPIK 38 3.8 META 15.8 Esta meta está voltada para a questão das espécies exóticas invasoras, mas você sabe o que são “espécies invasoras? São espécies introduzidas e estabelecidas fora de sua distribuição natural, geralmente devido à ação humana, seja intencional ou acidental. Uma vez que estas espécies se estabelecem em novos habitats, elas podem competir, predar ou trazer doenças para as espécies nativas, causando desequilíbrios ecológicos e, em muitos casos, levando espécies nativas à extinção. A meta 15.8 dos ODS reconhece a ameaça que as espécies invasoras representam para a biodiversidade e para os serviços ecossistêmicos. Por isso, traz a necessidade urgente de medidas que evitem sua introdução em novos habitats e, onde já estiverem presentes, ações para reduzir significativamente seu impacto. O controle ou erradicação de espécies exóticas invasoras pode envolver uma combinação de métodos, como campanhas de educação e conscientização, regulamentações mais rigorosas sobre a importação e transporte de organismos vivos, métodos físicos de remoção e, em alguns casos, o uso de controle biológico. 3. Abordar tanto a demanda quanto a oferta de produtos ilegais da vida selvagem: Para combater eficazmente a caça e o tráfico ilegais, é essencial abordar não apenas a oferta (os caçadores e traficantes que fornecem os produtos) mas também a demanda (os consumidores que compram esses produtos). Isso porque a demanda do consumidor por produtos da vida selvagem (por exemplo, para medicina tradicional, decoração ou consumo) muitas vezes impulsiona a oferta. Para definir melhor vida silvestre, vamos entender o que diz a lei de Lei de Crimes Ambientais - Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998. Artigo 29, Parágrafo 3º - § 3º São espécimes da fauna silvestre todos aqueles pertencentes às espécies nativas, migratórias e quaisquer outras, aquáticas ou terrestres, que tenham todo ou parte de seu ciclo de vida ocorrendo dentro dos limites do território brasileiro, ou águas jurisdicionais brasileiras. Para sintetizar, a Meta 15.7 busca combater a extinção de espécies causada pela caça e tráfico ilegais, abordando o problema de maneira bem abrangente, do início (a caça) ao fim (o consumo). 39 Além das ações acima, o Brasil tem participado ativamente de acordos e cooperações internacionais para combater espécies invasoras, uma vez que muitos desafios estão além das fronteiras nacionais e vem desenvolvendo projetos em âmbito regional e nacional voltados para o controle de espécies invasoras específicas. Um exemplo é a ação contra o mexilhão-dourado, molusco exótico invasor que afeta ecossistemas aquáticos e infraestruturas como usinas hidrelétricas. O Brasil, como signatário da Convenção sobre Diversidade Biológica, tem tomado diversas ações com o intuito de cumprir essa meta, entre elas: I. a atualização e implementação da Estratégia Nacional para Espécies Exóticas Invasoras, aprovada por meio da Resolução CONABIO nº 07, de 29 de maio de 2018; II. a elaboração dos Planos Nacionais de Prevenção, Controle e Monitoramento de Espécies Exóticas Invasoras. Ainda , podemos destacar as publicações periódicas de listas de espécies exóticas invasoras publicadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). Estas listas são instrumentos fundamentais para a tomada de decisão relacionada ao manejo e controle dessas espécies. Outra ação que merece destaque são os investimentos em pesquisas e projetos relacionados ao controle biológico como uma forma de manejar espécies invasoras. Esse método envolve a introdução de predadores, parasitas ou patógenos naturais das espécies invasoras, sempre com cautela e após estudos rigorosos para garantir que não causem impactos indesejados. FONTE: elaborado pela autora 40 Para compreendermos melhor essa meta, elaborei o mapa mental abaixo com os principais conceitos definidos pelo Painel Brasileiro de Biodiversidade (PainelBio) para a Meta Nacional de Biodiversidade nº 2. A meta foca em reconhecer a importância da biodiversidade não apenas como um bem em si, mas também como um aspecto essencial para o desenvolvimento sustentável. Com a leitura do texto, conseguimos perceber que quatro são os principais pontos, sendo eles: 1. Integrar os valores da biodiversidade: Isto significa levar em conta o valor intrínseco, bem como os benefícios econômicos, sociais e culturais da biodiversidade ao tomar decisões políticas ou de planejamento. 3.9. META 15.9 Até 2020, os valores da biodiversidade, geodiversidade e sociodiversidade serão integrados em estratégias nacionais e locais de desenvolvimento e erradicação da pobreza e redução da desigualdade, sendo incorporado em contas nacionais, conforme o caso, e em procedimentos de planejamento e sistemas de relatoria. A Meta 15.9 também sofreu alterações. O Brasil optou por ter uma redação idêntica a da Meta Nacional de Biodiversidade nº 02, pois, de acordo com informações do IPEA o texto “desta ter sido amplamente debatida em processos de consulta à sociedade, sendo posteriormente aprovada por meio da Resolução nº 06 da Comissão Nacional de Biodiversidade (ConaBio), de 03 de setembro de 2013.” FONTE: elaborado pela autora 41 15.B Mobilizar significativamente os recursos de todas as fontes e em todos os níveis, para financiar e proporcionar incentivos adequados ao manejo florestal sustentável, inclusive para a conservação e o reflorestamento. Os Países já sabem o que fazer, mas dentro dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável foram criadas as metas parasimplificar e ajudar cada País a concretizar cada um dos Objetivos. Além de boas intenções, é preciso dinheiro. E esse dinheiro pode vir tanto do setor público quanto do setor privado, de financiamentos nacionais e internacionais. Não basta querer, os Estados devem se programar para o sucesso do Objetivo. 2. Estratégias e processos de planejamento: Este objetivo reconhece que a consideração da biodiversidade não deve ser apenas um objetivo isolado, mas integrada em todas as facetas do planejamento, seja ele urbano, econômico, social ou outro. 3. Incorporação em contas nacionais: Este é um passo significativo, pois sugere que os países devem, de alguma forma, quantificar e incluir o valor da biodiversidade em sua contabilidade nacional, que tradicionalmente foca em medidas econômicas como o PIB. 4. Relatórios no sistema de contabilização: Implica em manter um registro transparente e acessível desses valores, para que possam ser avaliados, comparados e ajustados conforme necessário. 3.10. METAS 15.A E 15.B 15.A Mobilizar e aumentar significativamente, a partir de todas as fontes, os recursos financeiros para a conservação e o uso sustentável da biodiversidade e dos ecossistemas, para viabilizar a implementação dos compromissos nacionais e internacionais relacionados com a biodiversidade. FONTE: FREEPIK 42 Para enfrentar esse desafio, a meta 15.c enfatiza a importância de estabelecer, fortalecer e aplicar leis que proíbam o tráfico de espécies. Mas além da criação de leis, é importante aumentar a conscientização pública sobre os impactos negativos do tráfico de animais e plantas e fortalecer a colaboração internacional para combater o comércio ilegal e para apoiar as capacidades locais e nacionais em prevenção, detecção e repressão. Uma outra estratégia que a meta 15.c traz é a de 4. engajar e apoiar comunidades locais na prevenção ao tráfico e promoção da conservação. Ao combater o tráfico e a caça ilegal, essa meta contribui para o objetivo maior do ODS 15, que é proteger, restaurar e promover a utilização sustentável dos ecossistemas terrestres. Precisamos lembrar que o tráfico de espécies não é apenas um problema ecológico; é também uma questão socioeconômica. A proteção da biodiversidade precisa estar intrinsecamente ligada ao desenvolvimento sustentável, garantindo que as comunidades se beneficiem da preservação. O que essas metas buscam, é exatamente lembrar aos Estados da necessidade de se incluir estes investimentos em seus orçamentos e buscar outros meios de executá-los. 3.11. META 15.C Reforçar o apoio global e a cooperação federativa no combate à caça e pesca ilegais e ao tráfico de espécies protegidas, inclusive por meio do aumento da capacidade das comunidades locais para buscar oportunidades de subsistência sustentável, e proporcionar o acesso de pescadores artesanais de pequena escala aos recursos naturais. O tráfico de animais silvestres é um dos maiores desafios à preservação da biodiversidade, impactando negativamente populações de animais e plantas e desestabilizando ecossistemas. Este comércio ilegal é conduzido por redes organizadas que operam globalmente e é impulsionado tanto por demandas de mercado (por exemplo, animais exóticos para estimação, partes de animais para medicina tradicional, troféus de caça, entre outros) quanto por falta de legislação apropriada e fiscalização em muitos países. A meta 15.c dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) foca em uma ameaça particular à biodiversidade global: o tráfico de espécies. Ela se concentra nos esforços para reduzir e, eventualmente, erradicar o tráfico ilícito e a caça de espécies protegidas 43 É importante entender que, embora estes objetivos possam parecer distintos em seu foco, eles estão intrinsecamente ligados. A degradação de um único ecossistema pode ter graves consequências que afetam o clima global, enquanto as mudanças climáticas podem amplificar os desafios enfrentados pelos ecossistemas terrestres e marinhos. Referências: CAMARGO, Ana Luiza de Brasil. Desenvolvimento sustentável: dimensões e desafios. 1. ed. Campinas: Papipurs, 2020. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. FRANZIM. Sérgio Francisco Loss. LEITE. Uberlando Tiburtino. Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: Boas Práticas e Mecanismos de Implementação da Agenda 2030 no Brasil / Organização: Sergio Francisco Loss Franzin; Uberlando Tiburtino Leite. – Porto Velho: Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia, 2022. Livro Digital formato PDF HADDAD, Paulo R. Meio ambiente, planejamento e desenvolvimento sustentável. Editora Saraiva, 2015. E-book. ISBN 9788502636798. Disponível em: https://integrada. minhabiblioteca.com.br/#/books/9788502636798/. Considerações Finais: Neste capítulo, estudamos Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 13 a 15 que abordam aspectos cruciais de nossa relação com o planeta, refletindo sobre as mudanças climáticas, a conservação dos ecossistemas aquáticos e terrestres e a necessidade de adotar práticas mais sustentáveis. Estas metas servem não apenas como um chamado para a ação, mas como um lembrete do delicado equilíbrio que mantém nosso mundo vivo e próspero. O ODS 13, com seu foco em ações climáticas, nos recorda da urgência em endereçar a rápida mudança climática provocada por atividades humanas. Esta não é apenas uma questão ambiental, mas um desafio social, econômico e político, que requer uma abordagem integrada para garantir um futuro seguro e estável para as próximas gerações. Por sua vez, o ODS 14 e 15 nos levam ao coração dos ambientes terrestres e marinhos, ressaltando a interconexão entre a biodiversidade, a saúde dos ecossistemas e o bem-estar humano. A preservação dos recursos naturais, a luta contra o tráfico ilícito de espécies e a promoção de práticas sustentáveis são essenciais para garantir que a rica tapeçaria de vida em nosso planeta continue a prosperar. 44 Encerramento do E-book: Ao longo deste e-book, nós exploramos os elos entre ecologia, meio ambiente e desenvolvimento. O primeiro capítulo nos ofereceu uma visão panorâmica da intrincada relação entre a humanidade e o ambiente, demonstrando a importância de desenvolvermos uma abordagem holística que harmonize progresso e preservação. A imersão na Agenda 2030, por sua vez, mostrou-nos um plano ambicioso, porém tangível, de ações globais voltadas à sustentabilidade e ao bem-estar de todos. Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, abordados nos capítulos subsequentes, forneceram um roteiro detalhado e inspirador para enfrentarmos os desafios mais prementes do século XXI. Eles servem como uma bússola, direcionando-nos para um futuro onde a equidade, prosperidade e respeito pelo nosso planeta coexistam. À medida que encerramos esta jornada literária, é essencial refletirmos sobre o papel de cada um de nós neste cenário global. Não se trata apenas de metas e ações de governos e instituições; cada indivíduo, com suas escolhas diárias, pode ser um agente de transformação. Afinal, a busca por um mundo mais justo e sustentável começa no nível pessoal e se irradia para a comunidade, nação e, por fim, para o mundo. Armados com o conhecimento IPEA – INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA. Objetivos do Desenvolvimento Sustentável : Ipea, 2023. Disponível em https://www.ipea.gov.br/ods/index.html MENDONÇA, Francisco de Assis; DIAS, Mariana Andreotti. Meio ambiente e sustentabilidade. 1. ed. Curitiba: Intersaberes, 2019. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. MENEZES. Henrique Zeferino de. (Organizador) Os objetivos de desenvolvimento sustentável e as relações internacionais– João Pessoa: Editora UFPB, 2019. Disponível em : http://www.editora.ufpb.br/sistema/press5/index.php/ UFPB/catalog/download/581/582/3044-1?inline=1.PECEQUILO, Cristina Soreanu. Temas da agenda internacional: o brasil e o mundo. 1. ed. Curitiba: Intersaberes, 2017. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. WEDY, Gabriel. Desenvolvimento sustentável na era das mudanças climáticas: um direito fundamental: Editora Saraiva, 2018. E-book. ISBN 9788553172528. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/ books/9788553172528/. 45 e a perspectiva adquiridos ao longo destes capítulos, esperamos que você se sinta inspirado a ser parte ativa dessa transformação, defendendo e trabalhando por um planeta onde o desenvolvimento caminha lado a lado com a preservação. A concretização da Agenda 2030 e dos ODS é uma responsabilidade coletiva e, embora os desafios sejam enormes, a oportunidade de moldarmos um futuro luminoso e inclusivo é ainda maior. Que este e-book sirva não apenas como fonte de informação, mas também como um estímulo para a ação. Juntos, e apenas juntos, nós poderemos criar o futuro que desejamos e merecemos!