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APG 3º PERÍODO
ACADÊMICA: AMANDA MARTINS COSTA
2. Etiologia da Leishmaniose
2.1. Agente etiológico:
A leishmaniose é causada por protozoários
intracelulares obrigatórios do gênero Leishmania,
pertencentes à família Trypanosomatidae.
2.2. Principais espécies e formas clínicas:
Forma Clínica
Espécie
Causadora
Área
Geográfica
(Brasil)
Leishmaniose
Visceral (LV)
Leishmania
(Leishmania)
infantum
Nordeste,
Sudeste,
Centro-Oeste
Leishmaniose
Tegumentar
(LT)
L. (Viannia)
braziliensis, L.
amazonensis
Amazônia,
áreas rurais e
periurbanas
A Leishmania possui dois estágios:
Promastigota: forma infectante
presente no vetor (mosquito).
Amastigota: forma intracelular, nos
macrófagos do hospedeiro
vertebrado.
2.3. Vetor
Transmissão ocorre pela picada da fêmea do
flebotomíneo (mosquito-palha):
Lutzomyia longipalpis (principal vetor
da LV no Brasil)
Nyssomyia spp. e Psychodopygus
spp. (vetores da LT)
2.4. Reservatórios
Hospedeiro vertebrado silvestre: raposas,
roedores, tamanduás.
Hospedeiro urbano principal: cães
domésticos (em LV urbana).
2.1. Características do parasita da Leishmaniose
O agente etiológico da leishmaniose é um
protozoário do gênero Leishmania, pertencente à
família Trypanosomatidae, ordem Kinetoplastida.
Morfologia:
A Leishmania possui duas formas morfológicas
distintas:
Promastigota (forma extracelular e flagelada
– infectante no vetor)
Amastigota (forma intracelular e aflagelada –
no hospedeiro vertebrado)
S16P2: LEISHMANIOSE
Objetivos
1. Analisar a epidemiologia, etiologia da leishmaniose;
2. Compreender o ciclo de vida, fisiopatologia,
características do parasita da leishimaniose;
3. Diferenciar a leishimaniose tegumentar da visceral,
quanto espécies, parasiatrios e manifestações clínicas;
4. Explicar as classificações, complicações, critérios de
diagnóstico e tratamento medicamentoso e seu
mecanismo de ação da leishimaniose;
1. Epidemiologia da Leishmaniose
Conceito:
A leishmaniose é uma doença infecciosa
parasitária, de evolução aguda ou crônica, causada
por protozoários do gênero Leishmania,
transmitidos ao homem por meio da picada de
fêmeas infectadas de flebotomíneos (mosquitos-
palha).
1.1. Distribuição Mundial:
É considerada endêmica em mais de 90
países, especialmente nas regiões tropicais,
subtropicais e mediterrâneas.
A OMS estima que:
Mais de 700 mil a 1 milhão de casos
ocorrem anualmente.
Os principais países com alta carga
incluem Brasil, Índia, Sudão, Etiópia,
Somália e Afeganistão.
1.2. Distribuição no Brasil:
O Brasil responde por mais de 90% dos
casos de leishmaniose visceral (LV) nas
Américas.
Casos registrados em todos os estados, com
maior concentração:
LV: regiões Nordeste e Centro-Oeste
(ex.: Maranhão, Piauí, Mato Grosso,
Minas Gerais).
Leishmaniose tegumentar (LT): maior
número nas regiões Norte e Sudeste.
Associada a fatores como:
Urbanização desordenada
Desmatamento
Migração rural-urbana
Presença de cães infectados
(reservatórios urbanos)
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2.3. Fisiopatologia da Leishmaniose
A fisiopatologia depende da espécie da Leishmania
e da resposta imune do hospedeiro.
Mecanismo Geral:
Os amastigotas intracelulares provocam
destruição das células fagocíticas.
O parasita utiliza mecanismos para inibir a
fusão do fagossomo com o lisossomo,
sobrevivendo dentro dos macrófagos.
Há ativação imune do tipo Th1 (resposta
celular) ou Th2 (resposta humoral):
Th1 → mais eficiente no controle da
infecção (ex: LT localizada).
Th2 → menos eficiente, favorece
disseminação (ex: LV grave).
Fisiopatologia por forma clínica:
A) Leishmaniose Tegumentar (LT)
Lesão local no ponto da picada.
Formação de úlcera com bordas elevadas
("úlcera de bordas endurecidas").
Pode evoluir para formas mucosas se não
tratada.
B) Leishmaniose Visceral (LV)
Os amastigotas se disseminam por via
hematogênica e invadem:
Fígado
Baço
Medula óssea
Gânglios linfáticos
Resultado: hepatosplenomegalia,
pancitopenia, hipergamaglobulinemia e
anemia.
Resposta imune Th2 exacerbada agrava a
infecção.
Observação importante:
A gravidade da leishmaniose visceral está
associada a:
Baixa resposta imune celular
Alta carga parasitária
Risco aumentado de infecções oportunistas
Desnutrição, imunossupressão (ex.: HIV)
▪ Promastigota:
Presente no tubo digestivo do vetor
(flebótomo).
Possui um flagelo anterior livre.
Forma alongada.
É a forma inoculada no homem.
▪ Amastigota:
Presente nos macrófagos e células do
sistema fagocítico mononuclear.
Pequena (2-5 µm), esférica a oval.
Sem flagelo externo visível.
É a forma que se multiplica no hospedeiro.
2.2. Ciclo de Vida da Leishmania
O ciclo de vida envolve dois hospedeiros:
Hospedeiro vertebrado (homem ou animal)
Hospedeiro invertebrado (fêmea do
flebotomíneo)
Etapas do ciclo:
No vetor (flebótomo):
1. O mosquito se infecta ao picar um mamífero
infectado, ingerindo macrófagos contendo
amastigotas.
2. No intestino do mosquito, os amastigotas se
transformam em promastigotas.
3. Os promastigotas se multiplicam por divisão
binária.
4. Migram para a probóscide (parte bucal),
tornando-se prontos para infectar outro
hospedeiro.
No hospedeiro vertebrado:
1. Ao picar o homem, o flebótomo inocula
promastigotas na pele.
2. Promastigotas são fagocitados por
macrófagos.
3. Dentro dos macrófagos, transformam-se em
amastigotas, forma intracelular.
4. Os amastigotas se multiplicam por fissão
binária, rompem a célula e infectam novos
macrófagos.
5. A infecção pode se espalhar por via linfática
ou hematogênica.
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4. Manifestações Clínicas
Leishmaniose Tegumentar Americana (LTA)
Forma cutânea localizada: lesão única ou
múltipla, ulcerada, de bordas elevadas e
fundo granuloso.
Forma mucocutânea: pode ocorrer após
meses/anos da infecção cutânea. Acomete
mucosa nasal, oral ou faringeana, causando
obstrução, sangramento e destruição
tecidual.
Forma cutânea difusa (rara): múltiplas
lesões não ulceradas, associadas à falência
da resposta celular.
Leishmaniose Visceral (LV)
Febre prolongada (>2 semanas)
Astenia, anorexia, perda de peso
Hepatoesplenomegalia (baço muito
aumentado)
Anemia, leucopenia, trombocitopenia
(pancitopenia)
Infecções secundárias (por
imunossupressão)
Edema, ascite em estágios avançados
5.Classificações da Leishmaniose
A leishmaniose é classificada clinicamente em:
🔸 Leishmaniose Tegumentar Americana (LTA)
Afeta a pele e/ou mucosas. Possui três formas
principais:
Forma cutânea localizada: lesão única ou
múltipla ulcerada.
Forma mucocutânea: destruição de
mucosas nasais, orais ou faringeanas,
frequentemente após meses ou anos da
lesão cutânea.
Forma cutânea difusa: lesões nodulares
disseminadas, sem tendência à ulceração,
associadas a imunodeficiência celular.
🔸 Leishmaniose Visceral (LV) ou Calazar
Forma sistêmica e grave, atinge órgãos internos
(fígado, baço e medula óssea). Apresenta quadro
clínico crônico e debilitante.
3. Diferença entre Leishmaniose Tegumentar e
Visceral
Aspecto
Leishmaniose
Tegumentar
(LT)
Leishmaniose
Visceral (LV)
Espécies
L. braziliensis,
L. guyanensis
L. infantum (chagasi)
Reservatório
Animais
silvestres, cães
Cães domésticos
Vetor
Flebotomíneos
diversos
Lutzomyia longipalpis
Manifestações
Úlcera cutânea
indolor, que
pode evoluir
para mucosa
Febre prolongada,
hepatoesplenomegali
a, pancitopenia
Forma grave
Leishmaniose
mucocutânea
Leishmaniose
visceral ou calazar
(forma letal se não
tratada)
Forma
infectante
Promastigota
(vetor)
Amastigota (no
hospedeiro)
Mesma forma
(promastigota e
amastigota)
Local de ação
Célula-alvo
Macrófagosda
pele e
mucosas
Macrófagos do
sistema mononuclear
fagocitário (baço,
fígado, medula óssea)
Tropismo
Cutâneo e
mucocutâneo
Visceral (sistema
reticuloendotelial)
Hospedeiro
reservatório
Animais
silvestres,
roedores
Principal: cães
Forma leve ou
grave?
Geralmente
benigna
Potencialmente fatal
Tempo de
evolução
Semanas a
meses
Meses a anos
Sintomas
sistêmicos
Raros
Febre, fraqueza,
hepatoesplenomegalia
Complicações
Deformidades,
infecções
secundárias
Sepse, sangramentos,
falência hepática
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✅ 2. Miltefosina (oral)
Mecanismo de ação: interfere na sinalização
de membrana celular e induz apoptose do
parasita.
Indicação: alternativa em casos refratários ou
recidivantes; usada principalmente na LTA.
Contraindicação: gestantes, lactantes
✅ 3. Anfotericina B lipossomal (uso hospitalar)
Via: intravenosa
Mecanismo de ação: liga-se ao ergosterol na
membrana do parasita, causando aumento
da permeabilidade e morte celular.
Menor toxicidade que a forma desoxicolato
Tratamento da Leishmaniose Visceral
✅ 1. Anfotericina B lipossomal (1ª escolha para LV
grave)
Esquema: 3 a 5 mg/kg/dia por 5 dias
(ajustado pelo protocolo)
Alta eficácia e menor toxicidade
renal/hepática
✅ 2. Antimoniais pentavalentes (2ª linha)
Em áreas onde o parasita é sensível, por via
IM por 20 a 30 dias.
Monitoramento rigoroso por risco de
toxicidade
✅ 3. Miltefosina
Pode ser usada em áreas específicas, por via
oral
✅ 4. Tratamento de suporte
Transfusões (anemia/trombocitopenia)
Antibióticos em caso de infecção secundária
Correção hidroeletrolítica
🛡 9. Prevenção
Controle do vetor (mosquito Lutzomyia):
Uso de repelentes
Telagem de casas
Inseticidas residuais
Controle de reservatórios (principalmente
cães na LV)
Educação em saúde
Diagnóstico e tratamento precoce
Uso de coleiras impregnadas com
deltametrina em cães
6. Complicações da Leishmaniose
✴ Leishmaniose Tegumentar
Infecção bacteriana secundária
Deformidades permanentes (forma mucosa)
Estigmatização social
Progressão para forma mucocutânea
✴ Leishmaniose Visceral
Complicações hematológicas: anemia
severa, leucopenia e trombocitopenia
Imunossupressão: infecções bacterianas e
fúngicas oportunistas;
Síndrome hemofagocítica;
Sangramentos digestivos;
Insuficiência hepática e renal;
Óbito, se não tratada (letalidade >90%)
7. Critérios de Diagnóstico da Leishmaniose
🧪 Diagnóstico da LTA
Clínico-epidemiológico: presença de úlcera
com bordas elevadas em área endêmica
Exame parasitológico direto: esfregaço da
borda da lesão, coloração por Giemsa.
visualização de amastigotas
Cultura: em meio NNN
Reação (teste) de Montenegro: indica
contato prévio, útil para forma mucocutânea
PCR: alta sensibilidade e especificidade
🧪 Diagnóstico da LV
Clínico-epidemiológico: febre > 2 semanas +
hepatoesplenomegalia + citopenias
Exame parasitológico direto: aspirado de
medula óssea ou baço. Punção de medula
óssea ou baço: exame direto (padrão-ouro)
Teste rápido rK39: detecção de anticorpos,
sensível em áreas endêmicas
PCR: útil especialmente em pacientes
coinfectados com HIV
Hemograma: pancitopenia
Função hepática: aumento de TGO/TGP,
hipoalbuminemia
8. Tratamento Medicamentoso e Mecanismos de
Ação
Tratamento da Leishmaniose Tegumentar
✅ 1. Antimoniais Pentavalentes (Ex: Glucantime®
– meglumina antimonato)
Via: intramuscular ou intravenosa
Mecanismo de ação: interfere na
bioenergética da mitocôndria do parasita e
inibe enzimas envolvidas na síntese de ATP
e GTP.
Efeitos colaterais: mialgia, hepatotoxicidade,
pancreatite, alterações cardíacas (ECG)