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05/11/2019 1 Disciplina de Doenças Parasitárias Prof. Fernando Cristino Barbosa FAMEV - UFU LEISHMANIOSES FCB Causada por protozoário do Gênero Leishmania, transmitida por insetos vetores, os flebotomíneos, que afeta tanto seres humanos como animais domésticos e silvestres LEISHMANIOSES FCB FORMAS CLÍNICAS: Leishmaniose Tegumentar Canina – úlceras cutâneas e cutâneo-mucosa Leishmaniose Visceral Canina (LVC) – sinais sistêmicos FCB IMPORTÂNCIA: ZOONOSE – estão entre as mais importantes endemias do planeta LV: Constitui grave problema de saúde pública e é usualmente fatal quando não tratada FCB ETIOLOGIA: • Quadros clínicos variam de acordo com a espécie de Leishmania • Apesar da semelhança morfológica espécies diferentes casos clínicos distintos diferem quanto à bioquímica e componentes da membrana. • Parasitas intracelulares obrigatórios (macrófagos). • Espécies do gênero Leishmania divididem em complexos de acordo com a sintomatologia que causam (Mexicana, Braziliensis e Donovani). • Há dois sub-gêneros: Leishmania e Viannia. FCB Complexo Mexicana: sub-gênero: Leishmania - Leishmania (L.) amazonensis * - Leishmania (L.) mexicana * L. (L.) amazonensis - leishmaniose cutânea difusa no Brasil Complexo Braziliensis: sub-gênero: Viannia - Leishmania (Viannia) braziliensis * - L. (V.) guyanensis - L. (V.) lainsoni - L. (V.) shawi * Causam lesões cutânea-mucosa:Leishmaniose Cutânea 1 2 3 4 5 6 05/11/2019 2 FCB Complexo Donovani - Leishmania (L.) chagasi (Leishmania infantum) - Leishmania (L.) donovani (África e Ásia) Visceral (calazar canino) LEISHMANIOSE VISCERAL CANINA FCB Estágios de desenvolvimento • (a) – Promastigota – o flagelo emerge da parte anterior da célula • (d) – Amastigota – somente o cinetoplasto é visível. Não há flagelo. FCB Amastigota: • Geralmente encontrados em grupos no interior de macrófagos ou livres após rompimento destas células. • Também observados em células do sistema fagocítico mononuclear que estão presentes na pele, baço, fígado, medula óssea, linfonodos, mucosa etc... Promastigota: • Formas extracelulares encontradas no intestino dos insetos Promastigota penetrando um macrófago FCB • Flebotomíneos: Lutzomyia e Phlebotomus denominados de mosquito palha. Vivem em solo úmido em áreas de matas ou florestas. • A fêmea se alimenta de sangue de animais silvestres e/ou domésticos e de humanos. • Saliva do inseto tem atividade anti-inflamatória, anticoagulante, vasodilatadora e imunossupressora (interfere com a atividade microbicida dos macrófagos) auxilia na disseminação do parasita. • Gênero Lutzomyia (América Central e do Sul) • Gênero Phlebotomus (Europa, Ásia e norte da África) VETORES: FCB VETORES: LEISHMANIOSE CUTÂNEA - Lutzomyia whitmani - L. pessoai - L. intermedia LEISHMANIOSE VISCERAL - Lutzomyia longipalpis - Lutzomyia cruzi No Brasil: gênero Lutzomya (mosquito palha, cangalhinha ou birigui) - Hábito: Crepuscular/noturno - Durante o dia: local úmido e sombreado - Voo silencioso FCB LEISHMANIOSE CUTÂNEA - Cão LEISHMANIOSE VISCERAL - Cão, gato RESERVATÓRIOS DOMÉSTICOS: 7 8 9 10 11 12 05/11/2019 3 FCB LEISHMANIOSE CUTÂNEA - Roedores silvestres - Marsupiais - Tamanduá-mirim LEISHMANIOSE VISCERAL - Canídeos - Marsupiais RESERVATÓRIOS SILVESTRES: rato gambá tatu preguiça tamanduá FCB BIOLOGIA: FCB https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcTygw6e1HKDQQbACv2X21l7gs8cbLBoWeGImdpSesmX_GBiFUrl FCB EPIDEMIOLOGIA: Distribuição Geográfica: Cosmopolita LC - Regiões Tropicais e Subtropicais do mundo. * Reportada em 88 países: 90% concentra-se em 6 países (Afeganistão, Brasil, Irã, Peru, Arábia Saldita e Síria). LV – Ampla distribuição geográfica: Velho Mundo como no Novo Mundo (Américas) Brasil – esta entre os países que apresentam cerca de 90% de casos novos anuais FCB EPIDEMIOLOGIA: Fatores Epidemiológicos: Era considerada doença de áreas rurais Mudança do ciclo silvestre para urbano e periurbano. * Ação do homem no meio ambiente destruição dos ecótopos silvestres os vetores e hospedeiros silvestres migram para o peridomicílio. * Adaptação do parasita aos cães, equinos e roedores LV: Reemergente Urbanização FCB PATOGENIA: • Estado imune, genético e nutricional do hospedeiro pode alterar o curso da infecção. Ag T CD4: Th1 e Th2 • Diferenças quanto à virulência de Leishmania relacionada à componentes da membrana: lipofosfoglicanas (LPG) • auxilia na ligação da promastigota ao macrófago fagocitose colonização. • Funções imunomodulatórias diminuindo a atividade microbicida do macrófago. 13 14 15 16 17 18 05/11/2019 4 FCB • Facilita ligação da promastigota ao intestino do vetor parasita não é eliminado. • Proteção do parasita no intestino do vetor inibição da atividade proteolítica das enzimas. • Interfere na produção de citocinas pelas células do sistema imune (a resposta celular é a mais importante). • Inibe a apresentação de antígenos. • Modula negativamente a ativação e o reconhecimento do parasita por linfócitos T FCB PATOGENIA: LEISHMANIOSE TEGUMENTAR P. I. – 2 a 3 meses - Inoculação do parasita na derme multiplicação dos parasitas nos macrófagos da pele nódulos inflamatórios - Úlceras com bordas elevadas em moldura, fundo granulomatoso - Lesões cutâneas e cutâneo-mucosas, envolvendo cartilagens FCB LEISHMANIOSE VISCERAL P. I. – 3 a 7 meses, até anos - Multiplicação nos macrófagos da pele - Visceralização: Infecção das células do SMF, MO, baço, fígado, linfonodos - Inflamação com disfunção e aumento de volume dos órgãos acometidos Doença com componente imunomediado FCB Ag T CD4: Th1 e Th2 - Th1 INF gama e alfa, ITL2 e ITL12 ativação dos macrófagos controlando a infecção - Th2 ITL4 inibe receptores ITL2 e INF gama - R. Humoral não protetora e baixa R. Celular - hipergamaglobulinemia formação e deposição de imunocomplexos nas paredes dos vasos = uveite, vasculites, poliartrite, glomerulonefrite, etc FCB SINAIS CLÍNICOS: • Alterações cutâneas: alopecia, ulcerações crostosas (focinho, ao redor dos olhos, nas orelhas), descamação • Onicogrifose; • Emagrecimento progressivo; • Anorexia, febre e apatia; • Atrofia muscular; • Anemia, trombocitopenia (Imunomediada); • Hipoalbuminemia e hiperglobulinemia; • Diáteses hemorrágicas (epistaxe); • Hepatite e hepatomegalia; FCB • Esplenomegalia; • Linfadenomegalia; • Icterícia; • Alterações oculares (Ceratoconjuntivite, blefarite, uveíte, retinopatia, hifema); • Insuficiência renal; • Alterações gastroentéricas crônicas; • Claudicação (poliartrite); • Alterações neurológicas. Sintomatologia variada: assintomático, com sintomas ou oligossintomático 19 20 21 22 23 24 05/11/2019 5 FCBMOURA, E.P. (2007) FCB TENDÊNCIA EVOLUTIVA DA LV CANINA POPULAÇÃO CANINA TOTAL SUB POPULAÇÃO SOROLOGICAMENTE POSITIVA CÃES SINTOMÁTICOS 40% CÃES ASSINTOMÁTICOS 60% ASSINTOMÁTICO FORMA CRÔNICAMORTE C/ FORMA AGUDA SINTOMÁTICO FORMA SUBAGUDA CURA ESPONTÂNEA FORMA REGRESSIVA 50%10% 10%90% 20% 20% Evolução: semanas meses anos FCB DIAGNÓSTICO CLÍNICO: Difícil – 60% assintomáticos Anamnese: historia clínica, característica das lesões e dados epidemiológicos LABORATORIAL: Parasitológico – Pesquisa do agente: “amastigota” FCB Diagnóstico Parasitológico: • Exame direto: coloração (Giemsa, Leishman, Panótico) As amostras podem ser obtidas por: - Punção Biópsia Aspirativa (PBA): M.O, linfonodo e baço • Cultura: Meios NNN ou LIT • Inoculação de animais (hamsters) • Imunohistoquímica - Fragmento de pele • Exame histopatológico - HE • PCR FCB Sorológico: - RIFI: sensibilidade de 68 a 100% especificidade de 74 a 100% - ELIZA: sensibilidade de 71 a 100% especificidade de 85 a 100%• Teste rápido DPP (Dual Path Platform) - Bio-Manguinhos • Leitura em 15 minutos • Inclui controle 25 26 27 28 29 30 05/11/2019 6 FCB TRATAMENTO: • Proibe o tratamento de leishmaniose visceral canina com produtos de uso humano ou não registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento Portaria Interministerial no 1426 de 11/07/2008 Fonte: http://www.cfmv.org.br/portal/legislacao/outras_normas/porta1426.pdf O tratamento de cães é menos efetivo do que de humanos Não existe até o momento, cura parasitológica, mas sim a remissão dos sinais clínicos, manutenção da qualidade de vida do animal e diminuição da carga parasitária, com consequente diminuição ou supressão da capacidade de transmissão. FCB Quando tratar? - Confirmação parasitológica (IHQ, PCR) - Condição clínica (clínico e laboratorial) - Responsabilidade do proprietário e do veterinário na manutenção do Tratamento e/ou controle - Compromisso do proprietário em adotar as medidas preventivas TRATAMENTO: FCB TRATAMENTO: • Protocolos que combinam drogas leishmanicidas, leishmaniostáticas e imunomoduladoras. • Medicação de suporte. - Derivados dos Polienos: interferem com a síntese de ergosterol, constituinte da membrana celular. - Anfotericina B lipossomal (Ambisome®) - Derivados dos Imidazol: Metronidazol, Cetoconazol, Secnidazol (são mais estudados na terapia da leish. cutânea) FCB - Análagos das Purinas - (Pirazolopirimidinas) - Alopurinol (Zilorick)* * Sinérgico com drogas leishmanicidas - Leishmaniostáticos: Imunossupressoras: prednisolona, prednisona Imunoestimulantes: Levamizol, Baypamum - Levamizol: 0,5 a 2,0 mg /kg, VO, dias alternados - Imunomoduladores: POSOLOGIA Após pesar precisamente o animal, administrar por via oral 1 mL de Milteforan™ para cada 10 kg de peso, o que corresponde à dose de 2 mg/kg de peso, uma vez ao dia, durante 28 dias consecutivos. MILTEFOSINA 2% Efeito Leishmanicida e Imunomodulador - Milteforan™ não atua somente na destruição parasitária, mas também na ativação de macrófagos, produção de citocinas e na resposta imune celular Th1. FCB - Medicação de suporte - Acompanhamento de cães em tratamento: - Exame clínico, Laboratorial (hemograma, perfil bioquímico, proteínas séricas, sorologia e pesquisa do parasita (2-3 meses). 31 32 33 34 35 36 05/11/2019 7 FCB CONTROLE - Limitações • Sacrifício de cães soropositivos Limitações dos testes de imunofluorescência e ELISA (reações cruzadas) ● Falta de evidência suficiente que esta medida leva à solução do problema – regiões que sacrificaram cães mantiveram altos níveis de leishmaniose • Possível existência de outros reservatórios • Controle do vetor é limitado e difícil – localização dos criatórios do mosquito ● Outros Vetores FCB Combate ao Vetor - Direcionado para as formas adultas - inseticidas residuais visando reduzir a população de flebotomíneos. Centradas no cão, inseticidas tópicos *deltametrina (Scalibor) *permetrina (Defendog, Pulvex Pour-On) * Imidacloprida e Flumetrina (Seresto®) No ambiente FCB MEDIDAS DE CONTROLE Dirigidas a população canina - Controle população canina errante - Uso de telas em canis individuais ou coletivos - Coleiras impregnadas com Deltametrina a 4%, Imidacloprida e Flumetrina, etc 80 % da população canina com colar inseticida elimina a possibilidade de transmissão (Killick; Kendrick, 2003) FCB Leish-Tec – Hertape Calier/UFMG Vacina Recombinante contra Leishmaniose - Proteína A2 – antígeno específico da fase amastigota - A vacinação deverá ser precedida de um minucioso exame clínico realizado por um médico veterinário. Posologia: três doses com intervalo de 21 dias entre as aplicações. - O animal apresentará a resposta imunológica 21 dias após a terceira dose. - Revacinação anual a partir da primeira dose - Segundo o fabricante, mantém o animal soronegativo 37 38 39 40