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4 A didática na formação de professores- repensando o processo de ensino e aprendizagem A preocupação da Didática com seu objetivo de estudo: o processo ensino e aprendizagem, destacando a importância de concebê-lo como uma prática social, pois, como tal, “o processo ensino-aprendizagem é um processo intencional, portanto, uma atividade humana desenvolvida em ação conjunta pelos atores sociais nela envolvidos” (CALDEIRA e AZZI, 2003, p. 99). Segundo as autoras, no processo ensino-aprendizagem há uma relação entre seus sujeitos: professor e aluno e essa relação não se esgota, pois há um elemento básico que deve também ser considerado: o conhecimento. A autora mostra-se atenta para o fato de que, na formação docente, é importante entender que, no processo formal de ensino-aprendizagem (a educação escolar), ensina-se e aprende-se algo que é identificado como o conteúdo, ou seja, o saber escolar (sistematizado e constituído cientificamente). É importante considerar que o ato de ensinar não propicia apenas a aprendizagem do conteúdo proposto no currículo escolar, pois o professor parte de uma proposta de trabalho que visa não simplesmente à reprodução do conteúdo (a simples transmissão do conteúdo), mas, sim, a uma proposta em que o processo ensino-aprendizagem irá se traduzir para o aluno em discussões e experimentações da própria realidade, estimulando a aprendizagem democraticamente (CALDEIRA e AZZI, 2003). Fica evidente, portanto, a importância de os professores, em seu processo de formação profissional, conhecerem e estudarem as teorias de aprendizagem, no sentido de reunir informações sobre as teorias de aprendizagem e sobre as atividades escolares, as quais são necessárias para a realização do trabalho docente, além de analisarem os aspectos que envolvem a aprendizagem escolar (as teorias de aprendizagem e as teorias de ensino), no sentido de eliminar ações docentes descontextualizadas (aquelas em que o conteúdo é apenas transmitido de forma passiva e desvinculado da vida cotidiana dos alunos). 4.2 A formação de professores inicial e continuada – o professor reflexivo A formação do professor abrange, pois, duas dimensões: a formação teórico-científica, incluindo a formação acadêmica específica nas disciplinas em que o docente vai especializar-se e a formação pedagógica, que envolve os conhecimentos da Filosofia, Sociologia, História da Educação e da própria Pedagogia que contribuem para o esclarecimento do fenômeno educativo no contexto histórico-social; a formação técnico-prática, visando à preparação profissional específica para a docência, incluindo a didática, as metodologias específicas das matérias, a psicologia da educação, a pesquisa educacional e outras. As disciplinas teórico-científicas são necessariamente referidas à prática escolar, de modo que os estudos específicos realizados no âmbito da formação acadêmica sejam relacionados com os de formação pedagógica que tratam das finalidades da educação e dos condicionantes históricos, sociais e políticos da escola. A Didática se caracteriza como mediação entre as bases teórico- científicas da educação escolar e a prática docente. Ela opera como uma ponte entre o “o quê” e o “como” do processo pedagógico escolar. A formação de professores é considerada um processo contínuo de profissionalização, sendo a formação inicial apenas o primeiro momento. O conhecimento profissional do professor deve estar em constante construção e aperfeiçoamento, para que acompanhe o desenvolvimento acelerado do conhecimento científico, na cultura e na arte, bases do conhecimento escolar e das estruturas materiais e institucionais da sociedade. Também deve “acompanhar a evolução dos conhecimentos específicos da formação pedagógica, o que o capacita a intervir e refletir sobre sua própria prática” (CALDEIRA e AZZI, 2003, p.104). A formação de professores que estamos buscando se fundamenta em uma perspectiva que amplia e ressignifica os modelos de formação profissionais iniciais (aqueles que visavam ao domínio dos conteúdos, das disciplinas e as técnicas para transmiti-los) para aderir a uma formação profissional contemporânea, que visa à formação de um profissional cidadão “nas diversas instâncias em que a se cidadania se materializa: democrática, social, solidária, igualitária, intercultural e ambiental” (MIZUKAMI, 2002, p 12). O conceito de professor reflexivo remete à ideia de os professores buscarem investigar e pesquisar a prática docente, visando à realização de uma prática pedagógica que atenda às problemáticas da sala de aula, integrando sua criatividade e seu conhecimento técnico. Segundo Zeichner (1993 apud MIZUKAMI, 2002), o termo prática reflexiva teve origem com Dewey. Na discussão sobre a formação de professores, destaca-se o nome de Donald Schön, filósofo e pedagogo norte-americano. O autor discute dois modelos de formação profissional, evidenciando a importância de formar professores reflexivos, propondo contribuições interessantes acerca de um repensar sobre a concepção de formação de professores (SCHÖN apud CALDEIRA e AZZI, 2003). O primeiro modelo de formação profissional analisado por Schön é o da racionalidade técnica, por meio da qual o autor explica que a atividade profissional consiste na resolução de problemas instrumentais, rigorosamente discutidos pela aplicação da teoria e da técnica científica. O autor revela que “a teoria consiste num conjunto de princípios gerais e conhecimentos científicos, e a prática, na aplicação rigorosa de teorias e técnicas científicas” (SCHÖN apud CALDEIRA e AZZI,2003, p. 104). Outro modelo estudado por Schön (apud CALDEIRA e AZZI, 2003, p. 104),é o da racionalidade prática, que, segundo o autor, “representa uma tentativa de superar a relação linear e mecânica entre o conhecimento científico- técnico e a prática escolar”. Nessa perspectiva, analisa-se a prática dos professores, buscando compreender como fazem uso do conhecimento científico, como enfrentam as diferentes situações (complexas, singulares, imediatas, conflituosas) que emergem na sala de aula. Para Schön (1995), a formação do cente não deve ocorrer apenas por acumulação de cursos e técnicas, mas também por meio da interligação de um trabalho permanente de reflexão crítica e de construção de uma identidade profissional docente. Para ele, a reflexão é vista como elemento capaz de promover a interligação necessária entre a formação inicial, a continuada e as experiências vividas pelos professores. A concepção do desenvolvimento de uma prática reflexiva é explicada por Schön (1995) a partir de três diferentes aspectos que integram o pensamento prático. São eles: • Reflexão na ação: evidencia-se no saber fazer. Permeia os conhecimen- tos que um professor possui e/ou alcança ao longo de sua experiência ou reflexões profissionais vivenciadas ao longo da realização de seu trabalho. • Reflexão sobre a ação: é pensar sobre o que faz ao mesmo tempo em que atua. • A reflexão sobre a ação e sobre a reflexão na ação: é uma análise realizada pelo professor, a posteriori, sobre sua ação. A partir dessa análise, o professor pode analisar sua prática e reconstruí-la a partir da compreensão de tal análise. Podemos dizer que o professor reflexivo é aquele que reflete sobre as suas incertezas e sobre as incertezas cognitivas de seus alunos, articulando complexidades e resolvendo problemas práticos, integrando com criatividade o conhecimento técnico. Além disso, é aquele que conduz seus alunos a refletirem sobre o conhecimento, despertando a discussão, a curiosidade, bem como o interesse pela busca de novas ideias e conceitos. Outro autor que também traz discussões importantes sobre a formação continuada é Nóvoa (1992 apud PEREIRA, 2000,p. 48), ao revelar que para ele “[...] é fundamental que se aborde a formação continuada a partir de três eixos: a pessoa do professor e sua experiência; a profissão e seus saberes, a escola e seus projetos”. Segundo Pereira (2000), a formação continuada do professor, com base nas perspectivas atuais, rompe com a visão anterior de cursos de reciclagem (conforme mencionamos no trecho acima), pois reforça “[...] a ideia de legitimidade de um saber, o “saber docente”, que se constrói a partir do ingresso dos sujeitos no mercado de trabalho, ou seja, reafirma-se a autenticidade de uma formação que se processa em um contexto prático” (PREREIRA, 2000, p.50). Conforme aponta os autores Carr e Kemmis (1988 apud CALDEIRA e AZZI, 2000) em seus estudos sobre a formação de professores, ainda há grande desafio para a compreensão entre a teoria e a prática. Explicam que tal desafio reside não apenas em melhorar a eficácia da prática dos produtos das atividades teóricas, mas também em melhorar as práticas das teorias que os professores utilizam para conceituar suas próprias atividades. Dessa forma, consideram que há possibilidade de reduzir a distância entre a teoria e a prática, que é um dos objetivos centrais da formação de professores. 4.3 O processo de ensino e aprendizagem e as metodologias de ensino: estruturando o processo A ação de planejar está presente na vida das pessoas nos seus mais variados momentos, constituindose um referencial organizacional para suas ações (ao planejar, as pessoas pensam sobre as possibilidades e/ou a inviabilidade para se executar algo). Além disso, podemos dizer que, em qualquer setor da atividade humana, o trabalho planejado contribui para atingir objetivos desejados, superar dificuldades e controlar a improvisação. De acordo com Menengola e Sant’Anna (2002), o planejamento na escola vem sofrendo certo descrédito e insatisfação por parte dos professores. O autor explica que tal essa situação pode estar relacionada, por um lado, ao fato de existir carência de objetivos claros e bem definidos em relação à importância do ato de planejar, fato esse que acaba dando margem para que os professores percebam o planejamento apenas como algo burocrático ou como certos modismos pedagógicos e, por outro lado, pelo fato de as escolas solicitarem aos professores planejamentos muito complexos e com pouca flexibilidade na sala de aula. O autor alerta para a questão de que “o ato de planejar deve estar destituído de sofisticações , para isso, ele deve exigir objetividade, simplicidade, validade e funcionalidade”. Deve, ainda, ser entendido como instrumento para o professor e para o aluno, em especial. Posteriormente é preciso que o professor entenda que o planejamento visa ao atendimento aos objetivos da escola ou dos seus setores pedagógico-administrativos (MENENGOLA e SANT’ANNA, 2002, p.10). Ainda segundo Menengola e Sant’Anna (2002, p.21), todo planejamento requer alguns elementos, dentre os quais destacam-se: • conhecimento da realidade, das suas urgências, necessidades e tendências; • definição de objetivos claros e significativos; • determinação de meios e recursos possíveis, viáveis e disponíveis; • estabelecimento de critérios e de princípios de avaliação para o processo de planejamento e execução; • estabelecimento de prazos e etapas para a sua execução. O planejamento do processo educativo, segundo a análise de Menengola e Sant’Anna (2002), envolve um processo de análise, reflexões, previsão e tomadas de decisões no sentido de contribuir para a formação de pessoas autônomas e críticas, tornando-as capazes de escolher seus caminhos e, embora parta de uma realidade e seja dirigido pelas normas e necessidades da sociedade, não pode instituir princípios mistificadores ou dominadores. 4.4 Recursos didático-metodológicos para a efetivação do processo de ensino e aprendizagem O planejamento educacional é um processo e, como tal, é ativo e dinâmico, pois, ao envolver algumas operações mentais, tais como análise, reflexão, previsão, seleção, definição, estruturação e organização, resulta na elaboração escrita de um plano educacional. Logo, o plano educacional pode ser definido como o resultado dessas operações mentais de planejamento, originando assim um esboço das conclusões desse processo, não sendo, portanto, algo fechado e definitivo. “Cabe à escola, partindo de sua realidade e de suas necessidades e possibilidades, estruturar e organizar os seus planos para atender a seu público- alvo (MENENGOLA e SANT’ANNA, 2002, p. 36). 4.4.1 Planejamento escolar e planejamento curricular o planejamento escolar é um processo de decisão sobre a atuação concreta dos professores, no cotidiano de seu trabalho pedagógico, envolvendo ações e situações, em constantes interações entre professor e alunos e entre os próprios alunos. As etapas que geralmente são seguidas para o processo de planejamento geral das atividades de uma escola são: 1. Sondagem e diagnóstico da realidade da escola: é o momento de levantamento de dados e fatos importantes da realidade em que a escola está inserida, para que se possa chegar a um diagnóstico das conclusões sobre as suas reais condições. Para isso, são observadas as características da comunidade; as características da clientela escolar; o levantamento dos recursos humanos e materiais disponíveis e a avaliação da escola como um todo. 2. Definição dos objetivos e das prioridades da escola. 3. Proposição da organização geral da escola no que diz respeito a: • quadro curricular e carga horária dos diversos componentes do currículo; • calendário escolar; • critério de agrupamentos dos alunos; • definição do sistema de avaliação e seus critérios. 4. Elaboração e plano de curso contendo as programações das atividades curriculares. 5. Elaboração do sistema disciplinar da escola, com a participação de todos os seus membros, inclusive do corpo discente. 6. Atribuição de funções a todos os participantes da equipe escolar: direção, corpo docente, corpo discente, equipe pedagógica, equipe administrativa, equipe de limpeza, e outros (HAYDT, 2006, p. 97). Planejamento curricular O planejamento curricular consiste na previsão dos diversos componentes curriculares (as disciplinas), com a definição dos objetivos gerais e a previsão dos conteúdos programáticos de cada componente (HAYDT, 2006). Na elaboração do planejamento curricular, o primeiro passo é a definição clara e precisa da concepção filosófica que irá nortear os fins e objetivos da ação educativa, pois é a partir da proposta de definição dos objetivos desejados que os critérios de seleção dos conteúdos serão selecionados. Um aspecto importante a ser lembrado é o de que os professores, ao selecionarem os conteúdos, deverão pensar em conteúdos significantes e funcionais. Outro aspecto a ser lembrado diz respeito à inter-relação entre os componentes (as disciplinas) que irão integrar o currículo escolar de uma mesmo ano(ordenação horizontal) e a sequência desses componentes ao longo das diversos anos, isto é, ao longo do curso (ordenação vertical). Reafirmando esse aspecto, nas palavras de Martins (2007, p. 79), para a organização sequencial dos conteúdos, recomenda-se a observação de alguns critérios, tais como “sequência lógica e coerente com a estrutura e o objetivo da disciplina; gradualidade na distribuição adequada em pequenas etapas, considerando a experiência anterior do aluno; continuidade que proporcione a articulação entre os conteúdos; interligação entre as diversas disciplinas do currículo”. Isso significa que os componentes curriculares (as disciplinas e a complexidade de seu conteúdo) desenvolvidos deverão permitir aos alunos evolução e reconstrução dos conhecimentos de formacoerente, ou seja, do simples para o complexo. 4.4.2 Planejamento didático ou de ensino O planejamento de ensino consiste na previsão de ações e procedimentos que o professor irá realizar com seus alunos. Envolve ainda a organização das atividades docentes e das experiências de aprendizagem, no intuito de atingir os objetivos educacionais estabelecidos. No que se refere ao aspecto didático, o ato de planejar é constituído por um processo que envolve operações mentais, permitindo ao professor prever formas de agir e organizar a ação didática. Vejamos, então, quais são essas operações mentais, segundo Haydt (2006): • analisar as características dos alunos em questão (suas aspirações, necessidades e possibilidades); • estabelecer os objetivos educacionais considerados mais adequados para os alunos em questão; • selecionar e organizar os conteúdos a serem assimilados, distribuindo -os de acordo com o tempo disponível para seu desenvolvimento; • prever e organizar os procedimentos do professor, bem como as atividades e experiências de construção do conhecimento consideradas mais adequadas para atingir os objetivos pretendidos; • prever e selecionar os recursos de ensino mais adequados para estimular a participação dos alunos nas atividades de aprendizagem; • prever os procedimentos de avaliação mais condizentes com os objetivos propostos. Segundo a autora, o resultado do processo de planejamento da ação docente é o plano didático, o qual geralmente assume a forma de um documento escrito, pois é o registro de previsão das atividades dos professores e dos alunos. Tendo ficado clara a importância do planejamento didático, vejamos suas funções: • Prever as dificuldades que podem surgir durante a ação docente, visando a superá-las em um curto espaço de tempo. • Evitar a repetição de ações habituais e mecânicas de cursos e aula. • Adequar o trabalho didático aos recursos disponíveis e às condições reais dos alunos. • Adequar os conteúdos, as atividades e os procedimentos de avaliação aos objetivos desejados. A autora destaca que o planejamento didático ou de ensino permeia três tipos de planejamento, os quais serão definidos a seguir, de acordo com o seu nível de especificidade. São eles: Planejamento de curso: é a previsão dos conhecimentos e das atividades que serão desenvolvidas com uma determinada turma ao longo de um semestre ou durante o ano letivo. Para esse processo de previsão, deve-se considerar a complexidade desses conhecimentos e dessas atividades mediante a série e/ou ano escolar, a partir da faixa etária dos alunos, bem como de suas condições de aprendizagem. Em geral, o planejamento de curso segue os seguintes critérios: 1. Levantar dados sobre as condições dos alunos, fazendo uma sondagem inicial. 2. Propor objetivos gerais e definir objetivos específicos a serem atingidos durante o período letivo estipulado. 3. Indicar conteúdos a serem desenvolvidos durante o período. 4. Estabelecer atividades e procedimentos de ensino e aprendizagem adequados aos objetivos e conteúdos a serem utilizados. 5. Selecionar e indicar recursos a serem utilizados. 6. Escolher e determinar as formas de avaliação mais coerentes com os objetivos definidos e os conteúdos a serem desenvolvidos (HAYDT,2006, p. 101). Resulta em plano de ensino, o qual se configura na descrição das previsões do trabalho dos professores e dos alunos, para o semestre ou para o ano letivo. Planejamento de capítulo: diz respeito à organização das aulas a partir da reunião de assuntos que se relacionam, interligam-se, constituindo-se em processo significativo em que as inter-relações acontecem. É a previsão dos conteúdos que serão desenvolvidos, das atividades e dos materiais didáticos que serão utilizados. Esse planejamento estabelece três etapas: 1. Apresentação: nesse momento, o professor conhece seus alunos, visando a identificar seus interesses o capítulo. Pode utilizar, nessa etapa, diferentes atividades, tais como diálogos com a classe; aula expositiva para introduzir um tema, dentre outros. 2. Desenvolvimento: momento em que o professor organiza e apresenta situações de ensino-aprendizagem para estimular a participação ativa dos alunos, visando a atingir os objetivos desejados (conhecimentos, habilidades, atitudes). Entre as atividades utilizadas nessa etapa, destacamos: solução de problemas, projetos, estudo de textos, trabalho em grupo, entre outras. 3. Integração: nesse momento, os alunos são orientados a realizar uma síntese (resumo) dos conhecimentos trabalhados durante o desenvolvimento do capítulo. Para isso, geralmente, as atividades que o professor solicita aos alunos são explicações orais ou por escrito, em que os alunos descrevem os aspectos mais importantes do capítulo e/ou matéria(conteúdo) desenvolvido (HAYDT, 2006). Planejamento de aula: é a organização sequencial de tudo que será desenvolvido pelo professor durante o período escolar diário; envolve a ordenação da dinâmica de ensino-aprendizagem, as relações de interação entre professor e o aluno. Na elaboração do plano de aula, devem-se levar em conta as características dos alunos e partir dos conhecimentos prévios que eles possuem em dos temas que serão desenvolvidos. Devem, ainda, ser flexíveis. Geralmente, o plano de aula assume a forma de um diário de classe. 4.4.3 Tecnologia na educação Podemos afirmar que os meios de comunicação são atualmente instrumentos inseparáveis dos homens, assim é importante que desde a infância possamos aprender a utilizá-lo num sentido construtivo. Para que isso ocorra, durante a escolarização (da Educação Infantil até o Ensino Médio), é necessário que o currículo da instituição escolar contemple a comunicação e expressão por meio de tais recursos tecnológicos, visando assim, além da utilização para fins específicos no que se refere aos conteúdos, e também a promoção do desenvolvimento integral por meio de uma educação voltada para a cidadania. Utilizar tais recursos e incentivar o uso por uma via educativa sem neutralizar-se diante da forte influência lançada pela mídia, afinal para que a tecnologia seja uma aliada da educação é necessário ter o discernimento de que informação não é sinônimo de conhecimento. Assim, torna-se necessário relacionar teoria e prática para que possamos perceber nos mais diversos meios das tecnologias a importância de avançarmos enquanto educadores e educandos. ATIVIDADE 1. Os professores, em seu processo de formação profissional, estão discutindo as relações que integram o processo ensino-aprendizagem? Desde a década de 80 (do século XX), as discussões sobre a formação de professores se intensificaram em decorrência das mudanças que permearam (e ainda permeiam) o pensamento educacional e, consequentemente, a formação de professores. Então, na atualidade (mais precisamente, desde a década de 90 do século XX), a formação de professores é considerada um processo contínuo de profissionalização, sendo a formação inicial apenas o primeiro momento. Ou seja, podemos dizer que o conhecimento profissional do professor deve estar em constante construção e aperfeiçoamento, para que acompanhe o desenvolvimento acelerado do conhecimento científico, na cultura e na arte, bases do conhecimento escolar e das estruturas materiais e institucionais da sociedade. Em suma, é necessário que para uma formação profissional contemporânea do professor, esta formação seja fundamentada em uma perspectiva que amplia e ressignifica os modelos de formação profissionais iniciais, indo em direção a um profissional cidadão. Portanto, é possível observar que as discussões e propostas sobre a formação de professores têm permeado a questão da defasagem existente entre a formação acadêmica (teoria) e a realidade escolar (prática),destacando a necessidade de se repensar a separação entre a teoria e a prática, ainda presente em alguns cursos de formação de professores. 2. Por que a formação de professores deve integrar a teoria e a prática? Os professores estão buscando a formação continuada? Neste sentido, alguns estudos sobre a formação de professores pesquisadores e reflexivos, focalizando a teoria e a prática como indissociáveis, ou seja, como elementos que se complementam. E assim surgiu o conceito de professor reflexivo que remete à ideia dos professores buscarem investigar e pesquisar a prática docente, visando à realização de uma prática pedagógica que atenda às problemáticas da sala de aula, integrando sua criatividade e seu conhecimento técnico. Torna- se, portanto, indispensável que os professores busquem a formação contínua, acreditando que nela os professores podem refletir e pensar criticamente sobre sua prática. Na formação contínua, as atividades desenvolvidas devem solicitar do profissional em ação a observação e o registro de suas ações pedagógicas, para que seja possível propor a reestruturação de estratégias de ações diante dos problemas detectados. De modo geral, verifica-se que, desde as últimas décadas do século XX, a literatura vem apontando que a formação inicial é apenas um momento da formação docente e não o único, como antes. Logo, adentramos o século XXI, fortalecendo esse pensamento e ampliando a ideia de que a formação continuada deve ser desenvolvida de modo a contribuir com o entendimento de que a formação profissional do professor não termina com a sua diplomação na graduação, mas completa-se na realização de seu trabalho docente. Portanto, a formação continuada, deve ser pensada como uma formação necessária e importante para complementar, ampliar e ressignificar a primeira formação com saberes e práticas necessários ao professor no desenvolvimento da docência. Nessa perspectiva, o cotidiano escolar é considerado como um espaço de produção, criação e recreação de saberes, isto é, um local em que o professor mobiliza e emprega saberes provenientes de sua prática cotidiana. 3. Leia a citação abaixo e reflita sobre a realização do trabalho docente. Nele, elabore um comentário, respondendo à seguinte questão: quais são as contribuições da prática reflexiva para a formação de professores? O professor, ao ensinar, encontra-se constantemente monitorando o que ocorre durante a aula e agindo com base em percepções e interpretações do que está acontecendo. As crenças, metas, objetivos e conhecimentos dos professores se inter-relacionam, afetando-os uns aos outros. Suas escolhas e decisões, além do contexto imediato, estão submetidas às influências da história pessoal do professor e da história deste com seus alunos (MIZUKAMI,2002, p. 44). Observa-se, portanto, a importância de os professores exercerem um processo de reflexão sobre as ações pedagógicas que desenvolvem em sala de aula para melhorar a eficácia delas, pois isso poderá possibilitar- lhes compreender, interpretar e explicar a realidade da sala de aula, da escola e do ensino e, ao mesmo tempo, intervir nela. Uma formação profissional que caminha nessa direção pode contribuir para que seja possível reduzir distâncias entre a teoria e a prática, que é um dos objetivos centrais da formação de professores. 4. Que saberes integram a formação de professores e consequentemente estão presentes na prática docente, segundo Freire? Neste sentido, alguns saberes são considerados indispensáveis aos professores, segundo Freire (2001), os quais vão ao encontro de uma prática docente alicerçada por reflexões, críticas, pesquisas, aspectos necessários e indispensáveis durante o processo de formação inicial e continuada. • Paulo Freire revela a importância do professor pesquisar, evidenciando que ensinar exige pesquisa. • O trabalho pedagógico permeia ações pedagógicas que valorizam e respeitam a história e a realidade cultural, na qual os alunos estão inseridos. Isso significa que, para o autor, ensinar exige competência profissional. • Destaca a formação permanente do professor como um momento fundamental, pois o professor, estando em atuação (exercendo a docência), sentirá necessidade de refletir sobre sua prática.