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RELATÓRIO TÉCNICO DE APOIO EM UNIDADE DE CONSERVAÇÃO Nome da unidade de conservação: Parque do Rangedor Estado: MA Bairro: Calhau Cidade: São Luis Coordenada geográfica: 2º29’55’’S 44º15’39’’W Representante legal Nome: Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Naturais (SEMA) por meio da Superintendência de Biodiversidade e Áreas Protegidas (SBAP). Introdução O Parque Estadual do Sítio do Rangedor foi criado em 15 de dezembro de 2005, inicialmente classificado como Estação Ecológica. No entanto, em 2016, sua categoria foi alterada para Parque Estadual para atender às demandas estatais e sociais. A criação do Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (Lei Nº 9.985/2000) e a lei estadual nº 9413/2011, que estabeleceu o Sistema Estadual de Unidades de Conservação da Natureza (SEUC), serviram como base para a classificação das Unidades de Conservação (UCs) em dois grupos: Unidades de Proteção Integral e Unidades de Uso Sustentável. O Parque Estadual do Sítio do Rangedor pertence ao primeiro grupo, tendo como objetivo básico a preservação de ecossistemas naturais de relevância ecológica e beleza cênica, além de permitir pesquisas científicas, educação ambiental, recreação em contato com a natureza e turismo sustentável. I. INFORMAÇÕES SOBRE A UNIDADE DE CONSERVAÇÃO II. CARACTERÍSTICAS GERAIS Enfoque Federal Segundo a Constituição Federal de 1988, um ambiente ecologicamente equilibrado é um direito de todos, e tanto o poder público quanto a coletividade têm o dever de defendê-lo. A Lei nº 9.985/2000 regulamenta o artigo 225 da Constituição e estabelece o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC), que abrange as unidades de conservação federais, estaduais e municipais. As UCs são divididas em Unidades de Proteção Integral e Unidades de Uso Sustentável, com várias categorias em cada grupo. O Parque Estadual do Sítio do Rangedor encontra-se localizado em São Luís, pertence ao bioma Amazônico e é uma área de recarga de aquífero, tendo importância na preservação de recursos hídricos e na proteção da biodiversidade. Enfoque Estadual O estado do Maranhão possui várias Unidades de Conservação, incluindo o Parque Estadual do Sítio do Rangedor. O território maranhense abrange diferentes biomas e ecossistemas, apresentando 26 UCs no total, divididas entre unidades de proteção integral e unidades de uso sustentável. O PE do Sítio do Rangedor, com sua vegetação secundária, é uma área de grande relevância ecológica, abrigando invertebrados, vertebrados e espécies vegetais. A infraestrutura do entorno do parque inclui abastecimento de água, esgotamento sanitário, energia, transporte e outros serviços urbanos. O manejo da UC visa atingir objetivos específicos como a proteção de zonas de recarga e descarga de água, equilíbrio do ciclo das águas, contribuição para o abastecimento de água potável e a proteção da diversidade biológica. Aspectos Físicos O Parque Estadual do Sítio do Rangedor abriga uma área de 121 ha, remanescente do bioma Pré-amazônia. Sua topografia, rochas sedimentares e vegetação favorecem a infiltração de águas pluviais, contribuindo para a recarga de aquíferos. Além disso, o parque mantém interações com a microbacia do Rio Calhau e a sub-bacia do Rio Anil. O parque desempenha diversos serviços ambientais, incluindo a proteção da fauna silvestre, a amenização da sensação térmica e o papel de refúgio para a biodiversidade. No entanto, enfrenta ameaças como contaminação do solo, caça ilegal, desmatamento e ocupação inadequada. Hidrogeologia O local possui condições favoráveis para a formação de depósitos subterrâneos de água doce devido às suas características geomorfológicas, geológicas e climáticas. A área retém precipitações devido à topografia plana ou levemente ondulada e à presença de rochas porosas e permeáveis. A influência da vegetação na infiltração de água é discutida, podendo facilitar ou dificultar o processo. Rochas porosas das formações Barreiras e Itapecuru formam aquíferos que armazenam e transmitem água. A água flui para áreas circunvizinhas, mas a exploração excessiva de aquíferos e a diminuição das chuvas devido às mudanças climáticas podem causar avanço da cunha salina. A qualidade da água superficial e subterrânea é monitorada, e a proteção desses recursos é crucial para a segurança hídrica da região. Invertebrados Os trabalhos realizados com invertebrados no Parque Estadual do Sítio do Rangedor referentes a grupos de invertebrados caracterizam e discutem o filo artropoda. No Plano de Manejo de 2006 (ANEXO 2) foram registradas apenas duas espécies de flebotomíneos, ambos em densidades muito baixas. Lutzomyia sordelli é considerada uma espécie comum na Ilha, a outra espécie com menor amostragem foi Lutzomyia flaviscutellata que é o vetor da Leishmania amazonensis, sendo assim o agente etiológico da Leishmaniose Cutânea Difusa (LCD), no qual o tratamento não culmina em cura. Para anofelinos vetores da malária não houve registro, no entanto verificou-se a presença de culicíneos (mosquitos e pernilongos) e culicóides (maruins) (ELABORE, 2006). Silva et al (2011) identificou 11.381 artrópodes pertencentes a 18 ordens, sendo quatro delas da classe Chelicerata (Acari, Aranae, Opilione e Pseudoscorpione); quatorze da classe Insecta (Collembola, Coleoptera, Diptera, Hemiptera, Homoptera, Hymenoptera, 72 Lepidoptera, Orthoptera, Thysanoptera, Blataria, Embioptera, Dermaptera, Mantodea e Thysanura). As ordens mais representativas (81%) foram: Colembola, Hymenoptera e Diptera. Silva et al (2014) trabalhou com as abelhas do gênero Euglossa, destacando a relação entre as mesmas e às plantas Solanum sp e Mimosa pudica. Ambas foram apontadas como principais fornecedoras de pólen ao longo ano. Durante as visitas foram encontrados diversos ninhos de abelhas, cupins, formigueiros, casulos de borboletas, mariposas e aranhas. As ocorrências foram registradas por meio de fotografia; Fauna e Flora O Parque possui uma diversidade significativa de invertebrados e vertebrados, incluindo avifauna, herpetofauna e mastofauna. Essa rica biodiversidade abriga espécies em diferentes estágios de regeneração natural e sucessionais. A vegetação do parque é composta por diferentes formações, como a Mata de Terra Firme e a Mata Periodicamente Alagada. No entanto, ações antrópicas, como o desmatamento e a ocupação irregular, representam desafios para a manutenção da biodiversidade. Infraestrutura A área circundante ao Parque do Rangedor possui infraestrutura urbana abrangente. O abastecimento de água é predominantemente via rede de distribuição pública, gerida pela CAEMA, mas também inclui poços particulares. O sistema de esgoto abrange opções como rede geral, fossa séptica e fossa rudimentar. A energia e iluminação pública são fornecidas pela EQUATORIAL, especialmente ao longo das principais vias, Av. dos Holandeses e Av. Jerônimo de Albuquerque. Essas vias são essenciais para o tráfego urbano, ligando os bairros da cidade. Os serviços de coleta de lixo e limpeza são supervisionados pela SEMOSP, embora haja práticas inadequadas de descarte de resíduos em terrenos baldios. O transporte coletivo é eficiente, com destaque para a Av. Jerônimo de Albuquerque como um eixo central. A região oferece uma variedade de serviços urbanos, incluindo comércio, educação e lazer. Visão das Comunidades sobre a Unidade de Conservação Com a finalidade de captar e compreender a leitura da população que reside, estuda e trabalha no entorno da Unidade de Conservação e, tendo em vista a não existência de comunidades residentes no interior da área em questão, foram aplicadas 171 como mencionado. O instrumento de pesquisa adotado proporcionou além da caracterização dos grupos identificados no entorno da UC, também possibilitou a identificação do nível de conhecimento acerca da Estação Ecológicado Rangedor, expectativas e possibilidade de ganhos com serviços que possam ser disponibilizados. Assim, os três grupos distintos e inter- relacionados, (morador, funcionários e estudantes), onde cada um mantém uma relação diferenciada com o local, o que implica na construção de uma visão, de certa forma, diferenciada, embora haja semelhança em alguns pontos, tais como a percepção de que a Estação Ecológica serve para preservar o meio ambiente e que ela traria mais valorização para os bairros vizinhos desde que a área não fosse poluída com o lançamento de resíduos sólidos. Ameaças e Desafios O Parque Estadual enfrenta diversas ameaças e desafios, como a urbanização desordenada nas áreas vizinhas, resultando em ocupação irregular e pressão sobre os recursos naturais. A caça ilegal e a captura de animais silvestres impactam negativamente a fauna da área. Além disso, a contaminação do solo e da água por resíduos sólidos e esgotos é uma preocupação importante. O desmatamento, muitas vezes associado a atividades ilegais, também é uma ameaça constante à vegetação e à fauna do parque. A falta de conscientização e compreensão da população sobre a importância da conservação da natureza agrava ainda mais esses problemas. Conclusão O Parque Estadual do Sítio do Rangedor desempenha um papel essencial na preservação ambiental e no equilíbrio ecológico em São Luís. Sua relevância vai além da proteção da biodiversidade e dos recursos hídricos, abrangendo também aspectos sociais e educativos. Como área de lazer e pesquisa científica, o parque proporciona benefícios diretos à população, contribuindo para a qualidade de vida e a valorização urbana. No entanto, a conservação desse espaço exige ações contínuas para mitigar ameaças como a poluição, o desmatamento e a ocupação irregular. Dessa forma, a conscientização da sociedade e o fortalecimento de políticas públicas são fundamentais para garantir que o Parque Estadual do Sítio do Rangedor continue cumprindo sua missão ecológica e social para as futuras gerações. A preservação e recuperação do Parque Estadual do Sítio do Rangedor são fundamentais para garantir a manutenção da biodiversidade, a segurança ambiental e o uso sustentável dos recursos naturais. Para alcançar esses objetivos, é essencial a implementação de medidas estratégicas que envolvam fiscalização, educação ambiental, pesquisa, participação da comunidade e sustentabilidade financeira. A seguir, apresentamos um plano estruturado com ações prioritárias para a conservação do parque. Nº Ação Descrição Implementação 1 Medidas de Fiscalização e Combate a Atividades Ilegais Intensificar fiscalização contra desmatamento, queimadas e caça clandestina. Utilizar drones, câmeras e parcerias com a Polícia Ambiental. Incentivar denúncias anônimas. Reforçar equipe de fiscalização, adquirir equipamentos de monitoramento, firmar convênios com órgãos ambientais e criar campanhas de conscientização. 2 Programa de Educação Ambiental Criar programas educativos para escolas e universidades. Promover eventos, palestras e materiais informativos. Implementar visitas guiadas. Desenvolver parcerias com instituições de ensino, produzir materiais didáticos e capacitar guias para visitas monitoradas. 3 Incentivo à Pesquisa Científica Estabelecer parcerias com instituições acadêmicas. Criar banco de dados sobre biodiversidade. Estimular estudos ambientais. Formalizar convênios com universidades, disponibilizar infraestrutura para pesquisas e incentivar publicações científicas. 4 Envolvimento da Comunidade Local Integrar líderes comunitários na gestão. Criar programas de voluntariado, incentivar o ecoturismo e promover feiras ecológicas. Organizar reuniões comunitárias, estruturar programas de capacitação e incentivar o turismo sustentável. 5 Estruturação e Infraestrutura do Parque Instalar sede administrativa. Manter trilhas, sinalização e áreas de visitação. Treinar quadro funcional. Buscar recursos para infraestrutura, realizar manutenções periódicas e treinar funcionários para atendimento ao público. 6 Monitoramento e Avaliação das Ações Criar indicadores de desempenho. Publicar relatórios periódicos e monitorar impactos ambientais e percepção pública. Estabelecer um sistema de monitoramento contínuo, produzir relatórios regulares e realizar pesquisas de satisfação. 7 Sustentabilidade Financeira Buscar parcerias público- privadas, captar fundos via editais e fomentar atividades econômicas sustentáveis. Criar planos de captação de recursos, estabelecer incentivos fiscais para empresas parceiras e promover eventos arrecadatórios. III. PROPOSTA PARA ELABORAÇÃO DO CORREDOR ECOLÓGICO A adoção dessas medidas garantirá a proteção da biodiversidade, o fortalecimento da consciência ambiental e o desenvolvimento sustentável do parque. O sucesso dependerá do comprometimento coletivo de governantes, instituições e comunidade local. Referências PES do Sítio Rangedor | Unidades de Conservação no Brasil. Acesso em 28/03/25 Documentacao.socioambiental.org/ato_normativo/UC/2747_20171030_111816.pdf. Acesso em 28/03/25 https://uc.socioambiental.org/arp/4887