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Administração Pública Gerencial e o Princípio da Eficiência
Article · September 2020
CITATION
1
READS
67
4 authors, including:
Monique Scalco Soares Siqueira
Universidade Federal de Lavras (UFLA)
15 PUBLICATIONS   22 CITATIONS   
SEE PROFILE
Priscilla Oliveira Nascimento
Universidade Federal de Lavras (UFLA)
18 PUBLICATIONS   22 CITATIONS   
SEE PROFILE
Vinícius Batista Gonçalves
Universidade Federal de Lavras (UFLA)
70 PUBLICATIONS   21 CITATIONS   
SEE PROFILE
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A
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ad
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úb
lic
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• Direito Administrativo
• Direito Municipal
• Processo Legislativo Municipal
• Direito Eleitoral
• Direito Ambiental
• LRF
• Licitações e Contratos Administrativos
Fonte contínua de orientação para:
Prefeituras, Câmaras Municipais, Autarquias, 
Fundações Públicas, Sociedades de Economia Mista e demais 
Entidades controladas direta ou indiretamente pela União, 
Estados, Distrito Federal e Municípios.
www.governet.com.br
Boletim de
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 
E GESTÃO MUNICIPAL
ISSN 2237-8006
sEtEMbro 2020 – nº 108
a coMpEtência dos Estados E Municípios nas 
MEdidas dE contEnção ao noVo coronaVírus 
(coVid-19) E a atuação das guardas Municipais
Marcelo Alves Batista dos Santos
calaMidadE pÚblica E crisE nas Finanças Municipais 
– a nEcEssária ModEração no ExaME dos liMitEs 
Fiscais E pisos constitucionais
Flavio Corrêa de Toledo Jr.
quarEntEna rEVEla a FragilidadE do dirEito 
Ivan Barbosa Rigolin
análisE dos MEcanisMos Jurídicos da lEi E 
Jurisprudência para rEcupEração do Erário 
pÚblico EM casos dE iMprobidadE E corrupção 
Carlos Kessle Ferreira Brilhante, 
Denise Dantas Muniz
Fiscalização por consElho dE contabilidadE dos 
liVros dE sociEdadEs EMprEsárias 
 Luís Rodolfo Cruz e Creuz
1272 . GoVERNET® | A RevistA do AdministRAdoR Público
Artigos e PAreceres | outros temAs de direito AdministrAtivo
Boletim de AdmiNiStRAÇÃo PÚBliCA e GeStÃo mUNiCiPAl | Setembro de 2020
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA GERENCIAL E O 
PRINCíPIO DA EfICIêNCIA
Monique scalco soares siqueira 
Mestre em Administração Pública pela UFLA. moniquescalco@gmail.com
denise dantas Muni Fernando Elias de oliveira 
Mestre em Administração Pública pela UFLA. fernandoeliasti@gmail.com
priscilla oliveira nascimento 
Mestre em Administração Pública pela UFLA. Pesquisadora da Fundação de Amparo à Pesquisa do 
Estado de Minas Gerais. priscilla.juridico.vga@hotmail.com
Vinícius batista gonçalves 
Servidor Público Federal. Mestre em Administração Pública pela UFLA. vinigoncalves@yahoo.com.br
reSUMo: O princípio da eficiência foi inserido na 
Constituição Federal a partir da Emenda Constitucio-
nal nº 19/98 como reflexo da reforma gerencial inicia-
da naquele período. O princípio da eficiência diz res-
peito ao dever da boa administração, em que se deve 
buscar o melhor desempenho possível na prestação 
dos serviços públicos. Assim, este ensaio analisa a re-
lação do princípio da eficiência e a reforma gerencial 
implementada no final do século XX e seus reflexos 
sobre a atuação da administração pública.
introdUÇÃo
É possível identificar distintos modelos de admi-
nistração pública ao longo da construção histórica do 
Estado, sendo que o modelo burocrático de gestão 
tornou-se predominante em diversos países do mun-
do no início do século XX. No entanto, fatores como 
a crise econômica mundial, a crise fiscal, a dificuldade 
para resolver os problemas sociais e a globalização 
associada às transformações tecnológicas motivou os 
governantes a repensarem sua forma de atuar junto 
à sociedade, economia e a forma de administrar o 
governo. Para tornar o governo mais eficiente, fo-
ram importadas as práticas de gestão de empresas, 
mudando o foco dos procedimentos, cristalizado no 
modelo burocrático de gestão, para os resultados. 
Essa forma de administrar o Estado é conhecida como 
nova gestão pública(NGP) ou administração pública 
gerencial (ABRUCIO, 1997; ABRUCIO, 2007).
É nesse contexto de reforma da administração pú-
blica que foi promulgada a Emenda Constitucional 
nº 19/98, a qual inseriu o princípio da eficiência no 
artigo 37 da Constituição Federal. Assim, tornaram-
-se princípios expressos norteadores da administra-
ção pública, previstos no artigo 37 da Carta Magna, a 
legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade 
e eficiência. O princípio da eficiência diz respeito ao 
dever da boa administração, em que se deve buscar o 
melhor desempenho possível na prestação dos servi-
ços públicos (NOHARA, 2018). Assim, este ensaio ana-
lisa a relação do princípio da eficiência e a reforma 
gerencial implementada no final do século XX e seus 
reflexos sobre a atuação da Administração Pública.
adMiniStraÇÃo PÚBLica GerenciaL 
e o PrincÍPio da eFiciÊncia
O modelo burocrático de gestão tornou-se predomi-
nante em diversos países do mundo no início do século 
XX. Weber é considerado o precursor do modelo por 
ter analisado e sintetizado suas principais características 
(SECCHI, 2009). No Brasil, a reforma burocrática come-
çou no governo de Getúlio Vargas, entre 1930 e 1945, 
com o intuito principal de profissionalizar o funcionalis-
mo público (ANDRADE; CASTRO; PEREIRA, 2012).
No entanto, Secchi (2009) observa que, após a 2° 
Guerra Mundial, surgiram diversas críticas em relação 
ao modelo burocrático, em virtude das disfunções 
burocráticas e seus impactos negativos às organiza-
ções. Diante disso, os governos passaram a buscar 
formas alternativas de gestão (ABRUCIO, 1997). 
Nesse sentido, no final da década de 1970 e início 
de 1980, começou o movimento denominado nova 
gestão pública (NGP), orientado para uma visão em-
preendedora na administração pública. O movimen-
GoVERNET® | A RevistA do AdministRAdoR Público . 1273
Artigos e PAreceres | outros temAs de direito AdministrAtivo
Setembro de 2020 | Boletim de AdmiNiStRAÇÃo PÚBliCA e GeStÃo mUNiCiPAl
to teve início no Reino Unido, durante a gestão da 
primeira-ministra Margaret Thatcher, e em governos 
municipais dos Estados Unidos (GRUENING, 2001). 
A NGP visa a importação de práticas de gestão que 
são amplamente utilizados no setor privado para o 
setor público, buscando a modernização da admi-
nistração pública, bem como a prestação de serviços 
com maior eficiência (HOOD, 1995; LAPSLEY, 2009). 
As reformas nesses países foram logo seguidas 
por outros, inclusive na América Latina, sendo o Chi-
le o primeiro país a implementá-la. No Brasil, essa 
reforma administrativa foi iniciada em 1995, tendo 
como principal referência a experiência britânica 
(BRESSER-PEREIRA, 2008; MATIAS-PEREIRA, 2016) 
Essa reforma foi proposta no governo brasileiro 
durante a presidência de Fernando Henrique Cardoso, 
mediante a criação do Ministério da Administração e 
Reforma do Estado, comandado pelo então ministro 
Luiz Carlos Bresser-Pereira (BRESSER-PEREIRA, 2008). 
Para Bresser Pereira (1998), a reforma do Estado foi im-
plementada com o objetivo de maximizar a eficiência 
e a efetividade da administração pública, melhorar a 
qualidade da gestão e decisões governamentais e ga-
rantir o caráter democrático da administração pública.
Esse modelo de gestão, também denominado 
gerencialismo, é inspirado na administração priva-
da, mas voltado para a defesa do interesse público. 
Busca-se a prestação de serviços públicos com maior 
qualidade, tendo como foco o cidadão (COUTINHO, 
2000). Segundo Bresser Pereira (2010), o modelo ge-
rencial é uma adaptação do Estado, que se desape-
gou de muitas formalidades e passou a prezar mais 
pelos resultados e pela eficiência.
Matias-Pereira (2016) afirma que esse novo modelo 
de gestão foi fundamentado na busca contínua pela 
qualidade, descentralização e avaliação dos serviços 
prestados pela administração pública, além de objeti-
var a produtividade, através de economia e eficiência.
Na gestão gerencial, o Estado incorpora ferramen-
tas próprias do setor privado para administrar os re-
cursos públicos de maneira eficiente, além disso, ele 
busca descentralizar políticas e recursos, delegando 
autoridades aos gestores públicos de entidades fe-
deradas e locais para atender os “cidadãos-clientes” 
(ANDRADE; CASTRO; PEREIRA, 2012). Abrucio (1997) 
observa que o gerencialismo busca a modernização da 
máquina púbica, mediante contínua busca pela pres-
tação dos serviços públicos com qualidade. Para isso, o 
Estado utiliza de instrumentos como a descentraliza-
ção e a avaliação de seus serviços pelos cidadãos. 
A administração gerencial (ou governança con-
sensual) objetiva atribuir maior agilidade e efi-
ciência na atuação administrativa, enfatizando 
a obtenção de resultados, em detrimento de 
processos e ritos, e estimulando a participação 
popular na gestão pública. Diversos institutos 
de Direito Administrativo refletem esse modelo 
de administração gerencial como o princípio da 
eficiência, o contrato de gestão, as agências exe-
cutivas, os instrumentos de parceria da Adminis-
tração, a redução de custos com pessoal, descen-
tralização administrativa etc. A noção central da 
administração gerencial é o princípio da subsidia-
riedade pelo qual não se deve atribuir ao Estado 
senão as atividades de exercício inviável pela ini-
ciativa privada. (MAZZA, 2013, p. 31).
Esse modelo de gestão, baseado na estratégia ne-
oliberal, busca reconsiderar o modo de prestação de 
serviços públicos visando maior eficiência, eficácia e 
efetividade (MATIAS-PEREIRA, 2016). Para Matias-Pe-
reira (2016, p. 61), o gerencialismo surgiu como “es-
tratégia para reduzir custos e tornar mais eficiente a 
administração dos serviços sob a responsabilidade do 
Estado; como instrumento de proteção ao patrimô-
nio público; e para amenizar a insatisfação existente 
contra a administração pública burocrática”. 
É nesse contexto de reforma da administração 
pública que é incluído no ordenamento jurídico bra-
sileiro o princípio da eficiência, através da promul-
gação da Emenda 19/98. Assim, o princípio da efici-
ência passou a ser expressamente previsto no artigo 
37 da Constituição Federal. O referido artigo esta-
belece que a administração pública direta e indireta 
deve obedecer aos princípios da legalidade, impes-
soalidade, moralidade, publicidade e eficiência. 
Alexandre (2017) observa que o princípio da efi-
ciência está relacionado ao dever da boa administra-
ção. Para o autor, o princípio: “prima pela produtivi-
dade elevada, pela economicidade, pela qualidade e 
celeridade dos serviços prestados, pela redução dos 
desperdícios, pela desburocratização e pelo elevado 
rendimento funcional” (ALEXANDRE, 2017, p. 172).
Moreira Neto (2014) destaca que a introdução des-
te princípio na Constituição Federal está relacionada 
a busca em superar o conceito de poder-dever de ad-
1274 . GoVERNET® | A RevistA do AdministRAdoR Público
Artigos e PAreceres | outros temAs de direito AdministrAtivo
Boletim de AdmiNiStRAÇÃo PÚBliCA e GeStÃo mUNiCiPAl | Setembro de 2020
ministrar, o qual deve ser substituído pelo dever de 
boa administração, direcionada à busca de eficiência 
na prestação de serviços públicos. Assim, os atos da 
administração pública devem ser praticados buscan-
do qualidades intrínsecas de excelência, promovendo 
o melhor atendimento possível das finalidades legais. 
Para Matias-Pereira (2016), o princípio da eficiên-
cia baseia-se no interesse econômico, pois busca que 
a atividade administrativa tenha melhores resultados 
com o menor custo possível, mediante a utilização do 
meios que já dispõe. O autor acrescenta que o princí-
pio está relacionado ao dever de boa administração. 
Di Pietro (2018) afirma que o princípio da efici-
ência pode ser entendido em dois sentidos: modo 
de estruturação e organização da administração 
pública e o modo de atuação dos agentes públicos, 
ambos objetivando o melhor desempenho possível 
a fim de obter melhores resultados. 
É importante mencionar que o princípioda efici-
ência deve caminhar harmonicamente com os demais 
princípios administrativos, não sendo superior a ne-
nhum deles. Assim, tendo em vista que a finalidade do 
Estado é o interesse coletivo, nem sempre deve-se en-
fatizar os resultados em detrimento dos procedimen-
tos. Cita-se como exemplo o processo licitatório, que 
embora represente maior morosidade, trata-se de ga-
rantia de que as contratações públicas sejam mais van-
tajosas à administração pública. Desse modo, Nohara 
(2018) observa que a eficiência no setor público nem 
sempre pode ser comparado com a eficiência exigida 
no setor privado, visto que as finalidades são distintas. 
Di Pietro (2018) reitera esse entendimento ao afirmar 
que o princípio da eficiência não pode se sobrepor aos 
demais princípios administrativos, sob pena de impor 
riscos à segurança jurídica e ao Estado de direito. 
Nohara (2018) afirma que algumas regras cons-
titucionais são derivadas do princípio da eficiência, 
quais sejam: contrato de gestão, avaliação periódica 
de desempenho, escolas de governo. Cita-se tam-
bém as organizações sociais e as agências autônomas 
como instrumentos de eficiência da máquina pública.
concLUSÃo
Este ensaio discorreu sobre a reforma gerencial 
ocorrida no final do século XX em diversos do mundo. 
Dentre as mudanças trazidas por essa reforma, desta-
ca-se a busca pela prestação de serviços públicos vi-
sando maior eficiência, eficácia e efetividade, os quais 
ensejam no dever da boa administração. O modelo de 
gestão gerencial busca a importação de práticas de 
gestão que são amplamente utilizados no setor priva-
do para o setor público, voltado para o controle de 
resultados. No entanto, conforme demonstrado neste 
ensaio, a importação dessas práticas deve ser realizada 
com cautela, visto que as finalidades do setor privado 
e do setor público são distintas, sendo que a primeira 
objetiva o lucro e a segunda o bem comum.
O princípio da eficiência foi inserido na Consti-
tuição Federal a partir da Emenda Constitucional 
nº 19/98, como reflexo da reforma gerencial ini-
ciada naquele período, e está relacionado ao de-
ver da administração pública em prestar serviços 
com qualidade aliado a economia de esforços e 
recursos financeiros. Observa-se que esse princípio 
foi inserido na Constituição Federal com o intuito 
de superar as disfunções burocráticas, promoven-
do uma gestão mais ágil e eficiente. Por fim, des-
taca-se que este princípio deve caminhar de forma 
harmoniosa com os demais princípios administra-
tivos, não sendo superior a nenhum deles.
referências
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MATIAS-PEREIRA, José. Manual de gestão pública contemporânea. 5. ed. rev. e atual. São Paulo: Atlas, 2016.
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MAZZA, Alexandre. (2013) Manual de direito administrativo. 3. ed. São Paulo:Saraiva.
NOHARA, Irene Patrícia. direito administrativo. 8. Rio de Janeiro: Atlas 2018.
SECCHI, L. Modelos organizacionais e reformas da Administração pública. revista de administração Pública, v. 43, n. 2, p. 347-369, 2009.
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