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See discussions, stats, and author profiles for this publication at: https://www.researchgate.net/publication/352937870 Administração Pública Gerencial e o Princípio da Eficiência Article · September 2020 CITATION 1 READS 67 4 authors, including: Monique Scalco Soares Siqueira Universidade Federal de Lavras (UFLA) 15 PUBLICATIONS 22 CITATIONS SEE PROFILE Priscilla Oliveira Nascimento Universidade Federal de Lavras (UFLA) 18 PUBLICATIONS 22 CITATIONS SEE PROFILE Vinícius Batista Gonçalves Universidade Federal de Lavras (UFLA) 70 PUBLICATIONS 21 CITATIONS SEE PROFILE All content following this page was uploaded by Vinícius Batista Gonçalves on 03 July 2021. 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Municipais – a nEcEssária ModEração no ExaME dos liMitEs Fiscais E pisos constitucionais Flavio Corrêa de Toledo Jr. quarEntEna rEVEla a FragilidadE do dirEito Ivan Barbosa Rigolin análisE dos MEcanisMos Jurídicos da lEi E Jurisprudência para rEcupEração do Erário pÚblico EM casos dE iMprobidadE E corrupção Carlos Kessle Ferreira Brilhante, Denise Dantas Muniz Fiscalização por consElho dE contabilidadE dos liVros dE sociEdadEs EMprEsárias Luís Rodolfo Cruz e Creuz 1272 . GoVERNET® | A RevistA do AdministRAdoR Público Artigos e PAreceres | outros temAs de direito AdministrAtivo Boletim de AdmiNiStRAÇÃo PÚBliCA e GeStÃo mUNiCiPAl | Setembro de 2020 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA GERENCIAL E O PRINCíPIO DA EfICIêNCIA Monique scalco soares siqueira Mestre em Administração Pública pela UFLA. moniquescalco@gmail.com denise dantas Muni Fernando Elias de oliveira Mestre em Administração Pública pela UFLA. fernandoeliasti@gmail.com priscilla oliveira nascimento Mestre em Administração Pública pela UFLA. Pesquisadora da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais. priscilla.juridico.vga@hotmail.com Vinícius batista gonçalves Servidor Público Federal. Mestre em Administração Pública pela UFLA. vinigoncalves@yahoo.com.br reSUMo: O princípio da eficiência foi inserido na Constituição Federal a partir da Emenda Constitucio- nal nº 19/98 como reflexo da reforma gerencial inicia- da naquele período. O princípio da eficiência diz res- peito ao dever da boa administração, em que se deve buscar o melhor desempenho possível na prestação dos serviços públicos. Assim, este ensaio analisa a re- lação do princípio da eficiência e a reforma gerencial implementada no final do século XX e seus reflexos sobre a atuação da administração pública. introdUÇÃo É possível identificar distintos modelos de admi- nistração pública ao longo da construção histórica do Estado, sendo que o modelo burocrático de gestão tornou-se predominante em diversos países do mun- do no início do século XX. No entanto, fatores como a crise econômica mundial, a crise fiscal, a dificuldade para resolver os problemas sociais e a globalização associada às transformações tecnológicas motivou os governantes a repensarem sua forma de atuar junto à sociedade, economia e a forma de administrar o governo. Para tornar o governo mais eficiente, fo- ram importadas as práticas de gestão de empresas, mudando o foco dos procedimentos, cristalizado no modelo burocrático de gestão, para os resultados. Essa forma de administrar o Estado é conhecida como nova gestão pública(NGP) ou administração pública gerencial (ABRUCIO, 1997; ABRUCIO, 2007). É nesse contexto de reforma da administração pú- blica que foi promulgada a Emenda Constitucional nº 19/98, a qual inseriu o princípio da eficiência no artigo 37 da Constituição Federal. Assim, tornaram- -se princípios expressos norteadores da administra- ção pública, previstos no artigo 37 da Carta Magna, a legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. O princípio da eficiência diz respeito ao dever da boa administração, em que se deve buscar o melhor desempenho possível na prestação dos servi- ços públicos (NOHARA, 2018). Assim, este ensaio ana- lisa a relação do princípio da eficiência e a reforma gerencial implementada no final do século XX e seus reflexos sobre a atuação da Administração Pública. adMiniStraÇÃo PÚBLica GerenciaL e o PrincÍPio da eFiciÊncia O modelo burocrático de gestão tornou-se predomi- nante em diversos países do mundo no início do século XX. Weber é considerado o precursor do modelo por ter analisado e sintetizado suas principais características (SECCHI, 2009). No Brasil, a reforma burocrática come- çou no governo de Getúlio Vargas, entre 1930 e 1945, com o intuito principal de profissionalizar o funcionalis- mo público (ANDRADE; CASTRO; PEREIRA, 2012). No entanto, Secchi (2009) observa que, após a 2° Guerra Mundial, surgiram diversas críticas em relação ao modelo burocrático, em virtude das disfunções burocráticas e seus impactos negativos às organiza- ções. Diante disso, os governos passaram a buscar formas alternativas de gestão (ABRUCIO, 1997). Nesse sentido, no final da década de 1970 e início de 1980, começou o movimento denominado nova gestão pública (NGP), orientado para uma visão em- preendedora na administração pública. O movimen- GoVERNET® | A RevistA do AdministRAdoR Público . 1273 Artigos e PAreceres | outros temAs de direito AdministrAtivo Setembro de 2020 | Boletim de AdmiNiStRAÇÃo PÚBliCA e GeStÃo mUNiCiPAl to teve início no Reino Unido, durante a gestão da primeira-ministra Margaret Thatcher, e em governos municipais dos Estados Unidos (GRUENING, 2001). A NGP visa a importação de práticas de gestão que são amplamente utilizados no setor privado para o setor público, buscando a modernização da admi- nistração pública, bem como a prestação de serviços com maior eficiência (HOOD, 1995; LAPSLEY, 2009). As reformas nesses países foram logo seguidas por outros, inclusive na América Latina, sendo o Chi- le o primeiro país a implementá-la. No Brasil, essa reforma administrativa foi iniciada em 1995, tendo como principal referência a experiência britânica (BRESSER-PEREIRA, 2008; MATIAS-PEREIRA, 2016) Essa reforma foi proposta no governo brasileiro durante a presidência de Fernando Henrique Cardoso, mediante a criação do Ministério da Administração e Reforma do Estado, comandado pelo então ministro Luiz Carlos Bresser-Pereira (BRESSER-PEREIRA, 2008). Para Bresser Pereira (1998), a reforma do Estado foi im- plementada com o objetivo de maximizar a eficiência e a efetividade da administração pública, melhorar a qualidade da gestão e decisões governamentais e ga- rantir o caráter democrático da administração pública. Esse modelo de gestão, também denominado gerencialismo, é inspirado na administração priva- da, mas voltado para a defesa do interesse público. Busca-se a prestação de serviços públicos com maior qualidade, tendo como foco o cidadão (COUTINHO, 2000). Segundo Bresser Pereira (2010), o modelo ge- rencial é uma adaptação do Estado, que se desape- gou de muitas formalidades e passou a prezar mais pelos resultados e pela eficiência. Matias-Pereira (2016) afirma que esse novo modelo de gestão foi fundamentado na busca contínua pela qualidade, descentralização e avaliação dos serviços prestados pela administração pública, além de objeti- var a produtividade, através de economia e eficiência. Na gestão gerencial, o Estado incorpora ferramen- tas próprias do setor privado para administrar os re- cursos públicos de maneira eficiente, além disso, ele busca descentralizar políticas e recursos, delegando autoridades aos gestores públicos de entidades fe- deradas e locais para atender os “cidadãos-clientes” (ANDRADE; CASTRO; PEREIRA, 2012). Abrucio (1997) observa que o gerencialismo busca a modernização da máquina púbica, mediante contínua busca pela pres- tação dos serviços públicos com qualidade. Para isso, o Estado utiliza de instrumentos como a descentraliza- ção e a avaliação de seus serviços pelos cidadãos. A administração gerencial (ou governança con- sensual) objetiva atribuir maior agilidade e efi- ciência na atuação administrativa, enfatizando a obtenção de resultados, em detrimento de processos e ritos, e estimulando a participação popular na gestão pública. Diversos institutos de Direito Administrativo refletem esse modelo de administração gerencial como o princípio da eficiência, o contrato de gestão, as agências exe- cutivas, os instrumentos de parceria da Adminis- tração, a redução de custos com pessoal, descen- tralização administrativa etc. A noção central da administração gerencial é o princípio da subsidia- riedade pelo qual não se deve atribuir ao Estado senão as atividades de exercício inviável pela ini- ciativa privada. (MAZZA, 2013, p. 31). Esse modelo de gestão, baseado na estratégia ne- oliberal, busca reconsiderar o modo de prestação de serviços públicos visando maior eficiência, eficácia e efetividade (MATIAS-PEREIRA, 2016). Para Matias-Pe- reira (2016, p. 61), o gerencialismo surgiu como “es- tratégia para reduzir custos e tornar mais eficiente a administração dos serviços sob a responsabilidade do Estado; como instrumento de proteção ao patrimô- nio público; e para amenizar a insatisfação existente contra a administração pública burocrática”. É nesse contexto de reforma da administração pública que é incluído no ordenamento jurídico bra- sileiro o princípio da eficiência, através da promul- gação da Emenda 19/98. Assim, o princípio da efici- ência passou a ser expressamente previsto no artigo 37 da Constituição Federal. O referido artigo esta- belece que a administração pública direta e indireta deve obedecer aos princípios da legalidade, impes- soalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Alexandre (2017) observa que o princípio da efi- ciência está relacionado ao dever da boa administra- ção. Para o autor, o princípio: “prima pela produtivi- dade elevada, pela economicidade, pela qualidade e celeridade dos serviços prestados, pela redução dos desperdícios, pela desburocratização e pelo elevado rendimento funcional” (ALEXANDRE, 2017, p. 172). Moreira Neto (2014) destaca que a introdução des- te princípio na Constituição Federal está relacionada a busca em superar o conceito de poder-dever de ad- 1274 . GoVERNET® | A RevistA do AdministRAdoR Público Artigos e PAreceres | outros temAs de direito AdministrAtivo Boletim de AdmiNiStRAÇÃo PÚBliCA e GeStÃo mUNiCiPAl | Setembro de 2020 ministrar, o qual deve ser substituído pelo dever de boa administração, direcionada à busca de eficiência na prestação de serviços públicos. Assim, os atos da administração pública devem ser praticados buscan- do qualidades intrínsecas de excelência, promovendo o melhor atendimento possível das finalidades legais. Para Matias-Pereira (2016), o princípio da eficiên- cia baseia-se no interesse econômico, pois busca que a atividade administrativa tenha melhores resultados com o menor custo possível, mediante a utilização do meios que já dispõe. O autor acrescenta que o princí- pio está relacionado ao dever de boa administração. Di Pietro (2018) afirma que o princípio da efici- ência pode ser entendido em dois sentidos: modo de estruturação e organização da administração pública e o modo de atuação dos agentes públicos, ambos objetivando o melhor desempenho possível a fim de obter melhores resultados. É importante mencionar que o princípioda efici- ência deve caminhar harmonicamente com os demais princípios administrativos, não sendo superior a ne- nhum deles. Assim, tendo em vista que a finalidade do Estado é o interesse coletivo, nem sempre deve-se en- fatizar os resultados em detrimento dos procedimen- tos. Cita-se como exemplo o processo licitatório, que embora represente maior morosidade, trata-se de ga- rantia de que as contratações públicas sejam mais van- tajosas à administração pública. Desse modo, Nohara (2018) observa que a eficiência no setor público nem sempre pode ser comparado com a eficiência exigida no setor privado, visto que as finalidades são distintas. Di Pietro (2018) reitera esse entendimento ao afirmar que o princípio da eficiência não pode se sobrepor aos demais princípios administrativos, sob pena de impor riscos à segurança jurídica e ao Estado de direito. Nohara (2018) afirma que algumas regras cons- titucionais são derivadas do princípio da eficiência, quais sejam: contrato de gestão, avaliação periódica de desempenho, escolas de governo. Cita-se tam- bém as organizações sociais e as agências autônomas como instrumentos de eficiência da máquina pública. concLUSÃo Este ensaio discorreu sobre a reforma gerencial ocorrida no final do século XX em diversos do mundo. Dentre as mudanças trazidas por essa reforma, desta- ca-se a busca pela prestação de serviços públicos vi- sando maior eficiência, eficácia e efetividade, os quais ensejam no dever da boa administração. O modelo de gestão gerencial busca a importação de práticas de gestão que são amplamente utilizados no setor priva- do para o setor público, voltado para o controle de resultados. No entanto, conforme demonstrado neste ensaio, a importação dessas práticas deve ser realizada com cautela, visto que as finalidades do setor privado e do setor público são distintas, sendo que a primeira objetiva o lucro e a segunda o bem comum. O princípio da eficiência foi inserido na Consti- tuição Federal a partir da Emenda Constitucional nº 19/98, como reflexo da reforma gerencial ini- ciada naquele período, e está relacionado ao de- ver da administração pública em prestar serviços com qualidade aliado a economia de esforços e recursos financeiros. Observa-se que esse princípio foi inserido na Constituição Federal com o intuito de superar as disfunções burocráticas, promoven- do uma gestão mais ágil e eficiente. Por fim, des- taca-se que este princípio deve caminhar de forma harmoniosa com os demais princípios administra- tivos, não sendo superior a nenhum deles. referências ABRUCIO, F. L. Trajetória recente da gestão pública brasileira: um balanço crítico e a renovação da agenda de reformas. revista de administração Pública, v. 41, n. 1, p. 67–86, 2007. ABRUCIO, Fernando Luiz. O impacto do modelo gerencial na administração pública: um breve estudo sobre a experiência internacional recente. 1997. 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