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Profª Franciele G. Erdmann Profª Bruna Scharf BIOÉTICA Ética na pesquisa com os animais Histórico • 300 a.C. Existem registros de que pesquisadores gregos, como Aristóteles (384 – 322 a.C.) e Erasístrato (304 – 258 a.C.), realizaram experimentos em animais vivos; • 100 d.C. O cientista grego Galeno (129 – 199 d.C.) fez experimentos com animais para o avanço da compreensão da anatomia, fisiologia, patologia e farmacologia. Por ter dissecado porcos e cabras, ele ficou conhecido como “o pai da vivissecção”; • 1600 O cientista William Harvey utilizou animais para observar e descrever o sistema circulatório do sangue; Histórico • 1700 Na Espanha, o médico árabe Ibn Zuhr apresentou a experimentação animal como um recurso para testar procedimentos cirúrgicos antes de aplicá-los em pacientes humanos. No mesmo período, o cientista Stephen Hales usou um cavalo para demonstrar a medição da pressão arterial. Antoine Lavoisier usou um calorímetro e um animal como cobaia para demonstrar que a respiração era um tipo de combustão; • 1800 Louis Pasteur infectou ovelhas para provar a teoria dos germes. A experiência foi de extrema importância na época para determinar que as infecções não surgem espontaneamente; Histórico • 1890s Ivan Pavlov conduziu experiências para comprovar o chamado condicionamento clássico: ele fez com que cães treinados salivassem ao som de sinos, permitindo que eles associassem o barulho a alimentação; • 1900 Na origem da criação do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), o uso de animais foi uma condição fundamental. Há 106 anos, o então Instituto Soroterápico foi fundado com a missão de produzir vacinas para combater a epidemia de peste bubônica que devastava o país. Na época, a tecnologia disponível para a produção de soro anti-peste, trazida da Europa, era baseada na obtenção de soro a partir do sangue de cavalos inoculados. Toda a produção de soros e vacinas até a década de 70 dependeu diretamente do uso de animais. Essa prática possibilitou a eliminação da varíola no Brasil; Histórico • 1910 Em Paris, o excêntrico Dr. Voronoff iniciou experimentos de transplantes com cobaias animais para testar a hipótese de que os primatas superiores seriam os doadores perfeitos para os seres humanos (xenotransplantes). O médico, considerado o primeiro na história a realizar esse tipo de procedimento, acreditava que o enxerto da glândula tireóide de macacos oferecia resultados melhores do que os que utilizavam as próprias glândulas humanas; • 1922 A insulina foi isolada a partir de experimentos com cachorros e revolucionou o tratamento da diabete; Histórico • 1970 O tratamento para hanseníase com antibióticos passou a ser desenvolvido com base em pesquisas com tatus. Logo em seguida, foi utilizado em seres humanos; • 1974 O entendimento da genética animal avançou quando o cientista Rudolf Jaenisch foi capaz de produzir o primeiro mamífero transgênico por meio da integração do DNA do vírus SV40 no genoma dos ratos. Devido a esse procedimento, a pesquisa genética progrediu rapidamente e, em 1996, a ovelha Dolly nasceu, o primeiro mamífero a ser clonado a partir de uma célula adulta; • 1979 No Brasil, a Lei 6.638 passou a estabelecer as regras para a "prática didático-científica da vivissecção de animais"; Histórico • 1998 Os testes em animais para o desenvolvimento de cosméticos tornou-se uma prática controversa e foi banida no Reino Unido; • 2005 Os pesquisadores da Fundação criaram a Comissão de Ética no Uso de Animais da Fiocruz, passando a ser uma das primeiras instituições no Brasil a ter uma Ceua, antes da criação desse tipo de órgão se tornar obrigatória; • 2008 O senado brasileiro aprovou por unanimidade a Lei Arouca (11.794), projeto que regulamenta o uso de animais em experimentos científicos; Lei Arouca • Depois de 13 anos de tramitação no Congresso Nacional, a Lei no 11.794/2008, mais conhecida como Lei Arouca, que regulamenta o uso de animais em pesquisa, foi sancionada. • A mesma lei também estabelece a criação do Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea), órgão responsável por formular e zelar pelo cumprimento das normas relativas à utilização humanitária de animais com finalidade de ensino e pesquisa científica. • Desde então, todas as instituições de ensino e/ou pesquisa no país são obrigadas a se credenciar junto ao Concea, além da constituição prévia de Comissões de Ética no Uso de Animais (CEUAs). Histórico • 2009 Foi publicado no Diário Oficial da União, uma portaria do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) que designava quem eram os membros do Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea); • 2012 A Rede Nacional de Métodos Alternativos ao Uso de Animais (Renama) foi criada por portaria do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). No mesmo ano, em parceria com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Fiocruz criou o Centro Brasileiro de Validação de Métodos Alternativos (BraCVAM). Histórico • A invasão do Instituto Royal, em São Roque (SP), em 18 de outubro de 2013, por manifestantes ligados a entidades de proteção dos animais, levantou novamente no país um debate que estava adormecido: o do uso de espécies animais em pesquisas científicas. • De um lado, a maior parte dos pesquisadores do setor e de instituições do gênero, ao afirmarem que, no atual estágio da ciência, esse uso ainda é necessário e vital para o desenvolvimento de um grande número de estudos científicos que geram medicamentos e vacinas. • Do outro, os militantes que acreditam que a utilização de bichos nesses estudos deve ser proibida, por julgarem que há maus tratos aos animais. No dia da invasão, os manifestantes levaram dezenas de cães da raça beagle, depredaram equipamentos dos laboratórios do Royal e, de acordo com o instituto, destruíram anos de estudos. Histórico • Logo depois do ocorrido, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgou uma nota informando que “a ciência não pode prescindir do uso de animais em experimentação. (...) os medicamentos, vacinas e alternativas terapêuticas disponíveis hoje para uso humano dependeram de fases anteriores de experimentação em animais (...). As pesquisas científicas envolvendo animais são pautadas pelos princípios de bem-estar animal, adotando-se, dentre outros, os critérios de redução, utilizando-se o menor número possível de animais a cada experimento, e de substituição do uso de animais por outra estratégia sempre que tecnicamente viável”. 3R Reduzir o número de animais utilizados Refinar os testes para causar menos estresse aos animais Substituir estudos em animais por outros métodos Fases da pesquisa In silico In vitro Ex vivo In vivo Quais as vantagens e as desvantagens? Fases da pesquisa • Ensaios in silico No âmbito da simulação computacional Fases da pesquisa • Ensaios in vitro Fases da pesquisa • Ensaios ex vivo Fases da pesquisa • Ensaios in vivo Fases da pesquisa • Ensaios in vivo CONCEA • O Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (CONCEA) é órgão integrante do Ministério da Ciência e Tecnologia, constituindo-se em instância colegiada multidisciplinar de caráter normativo, consultivo, deliberativo e recursal. • Dentre as suas competências destacam-se a formulação de normas relativas à utilização humanitária de animais com finalidade de ensino e pesquisa científica, bem como estabelecer procedimentos para instalação e funcionamento de centros de criação, de biotérios e de laboratórios de experimentação animal. • O Conselho é responsável também pelo credenciamento das instituições que desenvolvam atividades nesta área, além de administrar o cadastro de protocolos experimentais ou pedagógicos aplicáveis aos procedimentos de ensino e projetos de pesquisa científica realizados ou em andamento no País. CEUA • O Comitê de Ética no Uso de Animais tem como objetivo deliberar sobre a aprovação ou não de projetos de pesquisa para estudos que versem sobre mecanismos de doença e tratamentos, nos quais sejam utilizados protocolos experimentais com animais. • Como critérios para aprovação dos projetos, a CEUA preconiza, dentre outros: • garantir que a utilização de animais seja justificada, levando em consideração os benefícios e os potenciais efeitos sobre o bem-estar dos animais; • garantir que o bem-estar dos animais seja sempre considerado, de acordo com o que preconiza a Lei 11.794, de 08 de outubro de 2008 (Lei Arouca); • promover o desenvolvimento e o uso de métodos alternativos que substituam o uso ou reduzam o número de animais em pesquisa científica; • minimizar o número de animais utilizados em projetos ou protocolos sem comprometer a qualidade dos resultados a serem obtidos; • refinar métodos a fim de evitar a dor nos animais utilizados em atividades de pesquisa. CEUA • Assim com prevê a legislação, a CEUA é composta de médicos veterinários, biólogos, docentes e pesquisadores nas áreas de ciências biológicas e da saúde, representante da sociedade protetora de animais, e representantes da sociedade civil. Os membros da CEUA atuam de modo independente e não-remunerado. Realidade • Não se publica artigos sem o aval de instituições fiscalizadoras; • Nenhuma instituição aprova o uso deliberado de animais sem um processo rigoroso de redução, substituição e refinamento; • O uso de animais é extremamente custoso, e não é interesse da indústria continuar utilizando este recurso; • SE ensaios in vitro e in silico substituírem integralmente o uso de matrizes biológicas, o uso de animais será obsoleto. RENAMA • Por mais três anos se renovou a Rede Nacional de Métodos Alternativos ao uso de animais (RENAMA). Esta iniciativa vem ao encontro do panorama internacional que fomenta e privilegia o princípio dos 3Rs. A criação da RENAMA permite a existência de uma infraestrutura laboratorial e de recursos humanos especializados capazes de implantar métodos alternativos ao uso de animais e de desenvolver e validar novos métodos no Brasil. A RENAMA é composta por duas categorias de laboratórios (Laboratórios Centrais e Laboratórios Associados) e é supervisionada pelo Conselho Diretor da Renama. Os objetivos da rede são: I - promover a implementação, o desenvolvimento e a validação de métodos alternativos ao uso de animais; II - promover a adoção de métodos alternativos ao uso de animais nas atividades de ensino e pesquisa; III - estimular a implantação de métodos alternativos ao uso de animais por meio de treinamento técnico e implementação de metodologias validadas; IV - monitorar periodicamente o desempenho dos Laboratórios Associados por meio de comparações Inter laboratoriais; V - promover a qualidade dos ensaios usando-se do desenvolvimento de materiais de referência químicos e biológicos certificados, quando aplicável; VI - incentivar a implementação do sistema de qualidade laboratorial e dos princípios das boas práticas de laboratório (BPL); VII - disseminar o conhecimento na temática de métodos alternativos ao uso de animais; VIII - ofertar, no âmbito dos laboratórios integrantes da Rede, serviços para ensaios toxicológicos utilizando metodologias alternativas ao uso de animais. RENAMA https://youtu.be/uJRxJRuZU1s https://youtu.be/uJRxJRuZU1s O tal do ‘cruelty free’ • A procura por produtos com selo ‘Cruelty Free’ tem crescido muito nos últimos anos. As pessoas se interessaram mais por saber a origem e desenvolvimento dos produtos que utilizam, buscando formas naturais e menos agressivas ao meio ambiente. • Há empresas que abandonaram a experimentação animal no desenvolvimento de seus produtos, percebendo uma crescente necessidade comercial de produtos ‘Cruelty Free’. O tal do ‘cruelty free’ • Porém, é importante ressaltar que não existem definições legais para o uso desses termos, uma vez que algumas empresas podem não experimentar os produtos finais em animais, mas podem fazer o uso de matérias-primas ou outros ingredientes já testados previamente em animais. • Outro exemplo é de um produto que não é mais testado em animais atualmente, mas que já foi testado em algum momento. Na verdade, desde 1980 que fabricantes deixaram de testar cosméticos prontos em animais. Mas, não existe uma empresa de cosmético que faça uso de uma substância que não tenha sido testada em animais em algum momento. O tal do ‘cruelty free’ Como ‘Cruelty Free’ não tem uma definição legal, existem vários significados que as marcas podem adotar: • Os ingredientes foram testados em animais, mas o produto final não. • A marca contratou outra empresa para fazer os testes. • A marca ou fabricante confiou nos resultados dos testes de uma organização externa. • O teste ocorreu em um país diferente daquele em que a marca está sediada (geralmente na China). • A marca só usa testes em animais quando exigido por lei como parte da expansão para mercados estrangeiros (China). • Pelo menos um animal foi ferido ou morto e usado como ingredientes (o que significa “produtos de origem animal”), mas não houve nenhum teste. • A marca, ou empresas envolvidas em sua cadeia de suprimentos, confiaram nos resultados de testes anteriores em animais de outras organizações, mas não realizaram nenhum teste por si mesmas, prejudicaram quaisquer animais ou adquiriram quaisquer produtos ou subprodutos de origem animal. • Nem os ingredientes nem os produtos foram testados em animais, e as empresas envolvidas não feriram ou mataram nenhum animal. • A marca tem uma certificação ‘Cruelty Free’ (não é uma regulamentação legal, mas ainda fornece um nível mais alto de responsabilidade).