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Direito Tributário II - 1º/2025 Aula 03 1. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA A obrigação tributária é a relação jurídica entre o credor (Fisco) e o devedor (Contribuinte/Responsável), instituída por Lei e submetida aos princípios do Direito Tributário, tendo como objeto prestações de dar, de fazer ou de não fazer. A obrigação tributária é espécie do gênero obrigação jurídica, não se assentando, no dizer de José Washington Coelho, em diferenciações quanto aos essentialia da obrigação civil, porque tanto uma, quanto a outra, alicerçam-se num tripé: causa, sujeitos e objeto. Entretanto, a obrigação tributária tem suas peculiaridades que lhe asseguram a autonomia. Tem como causa, invariavelmente, a lei e não a convergência de vontades, essencial na obrigação de natureza civil. A obrigação tributária é sempre ex lege. Em face do exposto, pode-se definir a obrigação tributária como uma relação jurídica que decorre da lei descritiva do fato pela qual o sujeito ativo (União, Estados, DF ou Município) impõe ao sujeito passivo (contribuinte ou responsável tributário) uma prestação consistente em pagamento de tributo ou penalidade pecuniária (art. 113, § 1o, do CTN), ou prática ou abstenção de ato no interesse da arrecadação ou da fiscalização tributária (art. 113, § 2o, do CTN) (HARADA). FISCO Elemento Objetivo (obrigação tributária) Contribuinte ou Responsável 1.1 Elemento objetivo da obrigação tributária DE DAR: por exemplo, pagar o tributo e as multas; DE FAZER: por exemplo, entregar a declaração de IR, escriturar os livros fiscais; DE NÃO FAZER: não rasurar os livros fiscais, não vender mercadoria sem emissão de NF, não embaraçar a fiscalização; 1.2 Obrigação tributária principal x acessória CTN, Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue- se juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Obrigação Principal Obrigação Acessória Art. 113, §1º do CTN Art. 113, §2º do CTN Fato gerador previsto em Lei Fato gerador previsto na Legislação Tributária Art. 96 do CTN Natureza Pecuniária Natureza não Pecuniária Obrigação de Dar Obrigação de Fazer/Não Fazer Ex: tributos, multas e juros Ex: documentação fiscal Nunca será acessória Se descumprida, converte-se em Principal (art. 113, §3º, CTN) 1.3 Teoria do Fato Gerador Costuma-se definir o fato gerador como uma situação abstrata, descrita na lei, a qual, uma vez ocorrida em concreto enseja o nascimento da obrigação tributária. Logo, essa expressão fato geradorpode ser entendida em dois planos: no plano abstrato da norma descritiva do ato ou do fato e no plano da concretização daquele ato ou fato descritos (HARADA). CTN, Art. 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Hipótese de incidência + fato gerador = obrigação tributária 1.4 Momento de ocorrência do fato gerador CTN, Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considera-se ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I - tratando-se de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; Exs: II, IE, IR II - tratando-se de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Exs: IPTU, IPVA, ITR, ITBI, ITCMD Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Classificação 1 - Fatos Geradores Simples ou Instantâneos: a sua realização se dá num determinado momento de tempo, mediante a prática de um simples ato. Exs: ICMS, IPI, IOF, II, IE, ITBI, ITCMD 2 - Fatos Geradores Periódicos ou Complexos: são aqueles que ocorrem ao longo de um determinado tempo, somando diversos fatos isolados, que somados, aperfeiçoam o fato gerador do tributo. Ex: IR 3 - Fatos Geradores Contínuos: sua realização se dá de forma duradoura e estável no tempo. Exs: IPTU, IPVA, ITR 1.5 Elemento Subjetivo da Obrigação Tributária Sujeito Ativo CTN, Art. 119. Sujeito ativo da obrigação é a pessoa jurídica de direito público, titular da competência para exigir o seu cumprimento. Existe o Sujeito Ativo Direto: União, Estados, DF e Municípios. E existe o Sujeito Ativo Indireto: entes parafiscais (CREA, OAB, CRM, CRC) CTN, Art. 120. Salvo disposição de lei em contrário, a pessoa jurídica de direito público, que se constituir pelo desmembramento territorial de outra, subroga-se nos direitos desta, cuja legislação tributária aplicará até que entre em vigor a sua própria. CF, Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: (...) VI - propriedade territorial rural; § 4º O imposto previsto no inciso VI do caput: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) (...) III - será fiscalizado e cobrado pelos Municípios que assim optarem, na forma da lei, desde que não implique redução do imposto ou qualquer outra forma de renúncia fiscal. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) (Regulamento) Sujeito Passivo CTN, Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz-se: I - contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II - responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Art. 122. Sujeito passivo da obrigação acessória é a pessoa obrigada às prestações que constituam o seu objeto. Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. 1.6 Responsabilidade Tributária Direto (contribuinte) Sujeito Passivo por substituição Indireto (responsável) - de terceiros Por transferência - de sucessores - por solidariedade 1.6.1 Responsabilidade por substituição Ocorre quando terceira pessoa (substituto) vem substituir o contribuinte (substituído) ANTES do fato gerador. Aqui, a obrigação de pagar, desde o início, é do SUBSTITUTO. Ex: ICMS, IPI, IR Classificação do contribuinte de fato X de direito. Os exemplos clássicos são o IRPF e o ICMS. “(...). 1 - O "contribuinte de fato" (in casu, distribuidora de bebida) não detém legitimidade ativa ad causam para pleitear a restituição do indébito relativo ao IPI incidente sobre os descontos incondicionais, recolhido pelo "contribuinte de direito" (fabricante de bebida), por não integrar a relação jurídica tributária pertinente. (...) É desnecessária qualquer autorização do contribuinte de fato ao de direito, ou deste àquele. Por sua própria conta, poderá o contribuinte de fato postular o indébito, desde que já recuperado pelo contribuinte de direito junto ao Fisco. No entanto, note-se que o contribuinte de fato não poderá acionar diretamente o Estado, por não ter com este nenhuma relação jurídica. Em suma: o direitosubjetivo à repetição do indébito pertence exclusivamente ao denominado contribuinte de direito. Porém, uma vez recuperado o indébito por este junto ao Fisco, pode o contribuinte de fato, com base em norma de direito privado, pleitear junto ao contribuinte tributário a restituição daqueles valores. (...). (REsp 903.394/AL, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2010, DJe 26/04/2010) Conclusões desse julgado: a) – o contribuinte de fato, nos tributos indiretos (ICMS, IPI) não integra a relação jurídico tributária; b) – a repetição do indébito só é possível ao sujeito passivo da obrigação tributária; c) – nada impede que o contribuinte de fato, após comprovar que o contribuinte de direito teve sucesso na repetição do indébito, entre com uma ação cível. 1.6.2 responsabilidade por transferência Ocorre quando terceira pessoa (substituto) vem substituir o contribuinte (substituído) DEPOIS do fato gerador. 1.6.2.1 - responsabilidade por transferência de terceiros CTN, Art. 134. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis: OBS: Vejam que tecnicamente o artigo tem uma falha de redação, pois usa a palavra “solidariamente”, quando deveria ser “subsidiariamente”. I - os pais, pelos tributos devidos por seus filhos menores; II - os tutores e curadores, pelos tributos devidos por seus tutelados ou curatelados; III - os administradores de bens de terceiros, pelos tributos devidos por estes; IV - o inventariante, pelos tributos devidos pelo espólio; V - o síndico e o comissário, pelos tributos devidos pela massa falida ou pelo concordatário; VI - os tabeliães, escrivães e demais serventuários de ofício, pelos tributos devidos sobre os atos praticados por eles, ou perante eles, em razão do seu ofício; VII - os sócios, no caso de liquidação de sociedade de pessoas. Parágrafo único. O disposto neste artigo só se aplica, em matéria de penalidades, às de caráter moratório. 1.6.2.2 - responsabilidade por transferência de sucessores CTN, Art. 131. São pessoalmente responsáveis: I - o adquirente ou remitente, pelos tributos relativos aos bens adquiridos ou remidos; (Redação dada pelo Decreto Lei nº 28, de 1966) II - o sucessor a qualquer título e o cônjuge meeiro, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da partilha ou adjudicação, limitada esta responsabilidade ao montante do quinhão do legado ou da meação; III - o espólio, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da abertura da sucessão. Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato: I - integralmente, se o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade; II - subsidiariamente com o alienante, se este prosseguir na exploração ou iniciar dentro de seis meses a contar da data da alienação, nova atividade no mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão. 1.6.2.3 - responsabilidade por transferência por solidariedade No nosso direito tributário não existe solidariedade ativa, ou seja, concurso de credores. CTN, Art. 124. São solidariamente obrigadas: I - as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; No inciso I temos a SOLIDARIEDADE DE FATO também chamada de SOLIDARIEDADE NATURAL. II - as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. No inciso II temos a SOLIDARIEDADE DE DIREITO ou SOLIDARIEDADE LEGAL. Obs: efeitos da solidariedade: CTN, Art. 125. Salvo disposição de lei em contrário, são os seguintes os efeitos da solidariedade: I - o pagamento efetuado por um dos obrigados aproveita aos demais; II - a isenção ou remissão de crédito exonera todos os obrigados, salvo se outorgada pessoalmente a um deles, subsistindo, nesse caso, a solidariedade quanto aos demais pelo saldo; III - a interrupção da prescrição, em favor ou contra um dos obrigados, favorece ou prejudica aos demais. 1.7 domicílio fiscal SEÇÃO IV Domicílio Tributário CTN, Art. 127. Na falta de eleição, pelo contribuinte ou responsável, de domicílio tributário, na forma da legislação aplicável, considera-se como tal: I - quanto às pessoas naturais, a sua residência habitual, ou, sendo esta incerta ou desconhecida, o centro habitual de sua atividade; II - quanto às pessoas jurídicas de direito privado ou às firmas individuais, o lugar da sua sede, ou, em relação aos atos ou fatos que derem origem à obrigação, o de cada estabelecimento; III - quanto às pessoas jurídicas de direito público, qualquer de suas repartições no território da entidade tributante. § 1º Quando não couber a aplicação das regras fixadas em qualquer dos incisos deste artigo, considerar-se-á como domicílio tributário do contribuinte ou responsável o lugar da situação dos bens ou da ocorrência dos atos ou fatos que deram origem à obrigação. § 2º A autoridade administrativa pode recusar o domicílio eleito, quando impossibilite ou dificulte a arrecadação ou a fiscalização do tributo, aplicando-se então a regra do parágrafo anterior SINTETIZANDO: 2 image1.png image2.jpeg image3.jpeg image4.png image5.png image6.png