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2 3 1. O SACRAMENTO DA CRISMA A Crisma é o Sacramento que confere a efusão do Espírito Santo ao que já é batizado. Os Apóstolos ministraram esse Sacramento desde os primórdios da Igreja como pode ser visto em vários textos do Novo Testamento. Todos os batizados devem participar da plenitude das graças do Espírito Santo com que Jesus presenteou a sua Igreja na festa de Pentecostes. Para isso, Jesus instituiu o Sacramento da Crisma ou Confirmação. Veja os textos bíblicos: At 8,14-17: “Os apóstolos que se achavam em Jerusalém, tendo ouvido que a Samaria recebera a palavra de Deus, enviaram-lhe Pedro e João. Estes, assim que chegaram, fizeram oração pelos novos fiéis, a fim de receberem o Espírito Santo, visto que não havia descido ainda sobre nenhum deles, mas tinham sido somente batizados em nome do Senhor Jesus. Então os dois apóstolos lhes impuseram as mãos e receberam o Espírito Santo.” At 10,44-48: “Estando Pedro ainda a falar, o Espírito Santo desceu sobre todos os que ouviam a (santa) palavra. Os fiéis da circuncisão, que tinham vindo com Pedro, profundamente se admiraram, vendo que o dom do Espírito Santo era derramado também sobre os pagãos; pois eles os ouviam falar em outras línguas e glorificar a Deus. Então Pedro tomou a palavra: Porventura pode-se negar a água do Batismo a estes que receberam o Espírito Santo como nós? E mandou que fossem batizados em nome de Jesus Cristo. Rogaram-lhe então que ficasse com eles por alguns dias.” At 19,1-7: “Enquanto Apolo estava em Corinto, Paulo atravessou as províncias superiores e chegou a Éfeso, onde achou alguns discípulos e indagou deles: ‘Recebestes o Espírito Santo, quando abraçastes a fé?’ Responderam-lhe: ‘Não, nem sequer ouvimos dizer que há um Espírito Santo!’ ‘Então em que Batismo fostes batizados?’, perguntou Paulo. Disseram: ‘No Batismo de João.’ Paulo então replicou: ‘João só dava um Batismo de penitência, dizendo ao povo que cresse naquele que havia de vir depois dele, isto é, em Jesus.’ Ouvindo isso, foram batizados em nome do Senhor Jesus. E quando Paulo lhes impôs as mãos, o Espírito Santo desceu sobre eles, e falavam em línguas estranhas e profetizavam. Eram ao todo uns doze homens.” O essencial no rito da Crisma é a unção com óleo sagrado sobre a fronte, pelo Bispo, acompanhado das palavras: “Fulano, recebe, por este sinal, o dom do Espírito Santo.” Antes da unção, impõe-se as mãos sobre os crismandos, o que é parte integrante mas não essencial do rito. 4 A Igreja ensina que juntamente com o Batismo e a Eucaristia, o Sacramento da Confirmação constitui o conjunto dos “Sacramentos da iniciação cristã”, cuja unidade deve ser salvaguarda. Por isso, é preciso explicar aos fiéis que a recepção deste Sacramento é necessária à consumação da graça batismal. Muitos adultos infelizmente não foram ainda crismados; e muitos pensam que este Sacramento não é obrigatório, estão enganados. Todos os cristãos precisam ser crismados. “Pelo Sacramento da Confirmação [os fiéis] são vinculados mais perfeitamente à Igreja, enriquecidos de força especial do Espírito Santo, e assim mais estritamente obrigados à fé que, como verdadeiras testemunhas de Cristo, devem difundir e defender tanto por palavras como por obras” (LG, 11). A Crisma na história da Igreja A palavra Crisma vem do grego “chrisma”, que significa óleo. Em português, o Crisma significa o óleo sagrado, ao passo que a Crisma significa o Sacramento da Confirmação. No início, a Igreja ministrava a Crisma logo em seguida do Batismo. Temos o testemunho de Tertuliano (†202), que diz que após o Batismo: “as mãos são impostas sobre nós, pedindo e convidando o Espírito Santo para uma bênção” (sobre o Batismo c.8). Mais claro ainda é Hipólito de Roma (†235), que descreve minuciosamente o rito que se seguia ao Batismo: “O Bispo, impondo sobre eles (os neófitos) a mão, faça a invocação dizendo: ‘Senhor Deus, que os tornaste dignos de merecer a remissão dos pecados pelo banho da regeneração, torna-os dignos de ser cumulados pelo Espírito Santo; lança sobre eles a tua graça para que te sirvam com a tua vontade, pois a Ti a glória – ao Pai, ao Filho com o Espírito Santo na Santa Igreja, pelos séculos dos séculos. Amém!’ Depois, derramando óleo santificado na mão e pondo-a sobre a sua cabeça diga: ‘Eu te unjo com o óleo santo no Senhor Pai Onipotente e em Jesus Cristo e no Espírito Santo!’ Marcando-o na fronte com o sinal da Cruz, ofereça-lhe o ósculo e diga: ‘O Senhor esteja contigo!’ Responda o que foi marcado: ‘E com o teu espírito!’ Assim proceda com cada um. A seguir rezem juntos com todo o povo... Após a oração ofereçam o ósculo da paz” (Tradição Apostólica, ns. 52-54). A Confirmação no plano da salvação No Antigo Testamento os profetas anunciaram que o Espírito do Senhor repousaria sobre o Messias esperado para realizar a sua missão salvífica. A descida do Espírito Santo sobre Jesus no seu Batismo por João Batista foi o sinal de que era Ele quem devia 5 vir, que Ele era o Messias, o Filho de Deus. Concebido do Espírito Santo, toda a sua vida e toda a sua missão se realizam em uma comunhão total com o mesmo Espírito, que o Pai lhe dá “sem medida” (Jo 3,34). E essa plenitude do Espírito não era apenas para o Messias; mas também para todo o povo de Deus. Várias vezes, Cristo prometeu esta efusão do Espírito, promessa que realizou primeiramente no dia da Páscoa (Jo 20,22) e, depois, no dia de Pentecostes. Repletos do Espírito Santo, os Apóstolos começam então a proclamar “as maravilhas de Deus” (At 2,11), e Pedro começa a declarar que esta efusão do Espírito Santo é o “sinal dos tempos messiânicos”. Os que então creram na pregação apostólica e que se fizeram batizar também receberam o dom do Espírito Santo. O Sacramento da Crisma quer reavivar em cada fiel, agora jovem, esta plenitude do Espírito Santo para que ele seja testemunha de Cristo no mundo. Desde o dia de Pentecostes os apóstolos, para cumprir a vontade de Cristo, comunicaram aos batizados, pela imposição das mãos, o dom do Espírito que leva a graça do Batismo à sua consumação. Para melhor significar o dom do Espírito Santo, a Igreja acrescentou à imposição das mãos uma unção com óleo perfumado (crisma). O “cristão” é aquele que é “ungido” e que deriva a sua origem do próprio nome de Cristo, ele que “Deus ungiu com o Espírito Santo” (At 10,38). Este rito de unção existe até os nossos dias, tanto no Oriente como no Ocidente. Nos primeiros séculos, a Confirmação era em geral uma só celebração com o Batismo, formando com este, segundo a expressão de S. Cipriano, um “sacramento duplo”. Com o aumento dos batizados de crianças ao longo do ano todo, e a multiplicação das paróquias (rurais), e dioceses, não é possível mais a presença do Bispo em todas as celebrações batismais. No ocidente, como se reserva ao Bispo a complementação do Batismo, houve a separação dos dois Sacramentos em dois momentos distintos. O Oriente manteve juntos os dois Sacramentos, tanto que a Confirmação é ministrada pelo presbítero que batiza. Mas o presbítero só pode ministrar a Crisma com o óleo (“mýron”) consagrado por um Bispo. A Confirmação aperfeiçoa a graça batismal; é o Sacramento que dá o Espírito Santo para enraizar-nos mais profundamente na filiação divina, incorporar-nos mais firmemente a Cristo, tornar mais sólida a nossa vinculação com a Igreja, associar-nos mais à sua missão e ajudar-nos a dar testemunho da fé cristã pela palavra, acompanhada das obras. Pela Crisma o Espírito Santo dá coragem e sabedoria ao cristão para viver esta missão. A Confirmação, como o Batismo, imprime na alma do cristão um sinal espiritual ou indelével; por isso só se pode receber este Sacramento uma vez na vida. 6 Um candidato à Confirmação que tiver atingido a idade da razão deve professar a fé, estar em estado de graça, ter a intenção de receber o Sacramento e estar preparado para assumir sua função de discípulo e de testemunha de Cristo, na comunidade eclesial e nas ocupações temporais. Essas são as exigências da Igreja para que um jovem sejade Direito Canônico da Igreja regulamenta toda a vida da Igreja; por isso é importante saber o que ele prescreve sobre o Sacramento da Crisma. Cânon 879 – O Sacramento da Confirmação, que imprime caráter, e pelo qual os batizados, continuando o caminho da iniciação cristã, são enriquecidos com o dom do Espírito Santo e vinculados mais perfeitamente à Igreja, fortalece-os e mais estritamente os obriga a serem testemunhas de Cristo pela palavra e ação e a difundirem e defenderem a fé. Cânon 880 – § 1. O Sacramento da Confirmação é conferido pela Unção do Crisma na fronte, o que se faz pela imposição da mão e pelas palavras prescritas nos livros litúrgicos aprovados. § 2. O crisma a se utilizar no Sacramento da Confirmação deve ser consagrado pelo Bispo, mesmo que o Sacramento seja administrado por um presbítero. Cânon 881 – É conveniente que o Sacramento da Confirmação seja celebrado na Igreja e dentro da Missa; por causa justa e razoável, pode ser celebrado fora da Missa e em qualquer lugar digno. Cânon 882 – O ministro ordinário da Confirmação é o Bispo; administra validamente este Sacramento também o presbítero que tem essa faculdade em virtude do direito comum ou de concessão especial da autoridade competente. Cânon 883 – Pelo próprio direito, têm a faculdade de administrar a confirmação: 1) dentro dos limites de seu território, aqueles que pelo direito se equiparam ao Bispo diocesano; 2) no que se refere à pessoa e, questão, o presbítero que, em razão de ofício ou por mandato do Bispo diocesano, batiza um adulto ou recebe alguém já batizado na plena comunhão da Igreja católica; 3) no que se refere aos que se acham em perigo de morte, o pároco, e até qualquer sacerdote. Cânon 884 – § 1. O Bispo diocesano administre a confirmação por si mesmo ou cuide que seja administrada por outro Bispo; se a necessidade o exigir, pode conceder faculdade a um ou mais presbíteros determinados para administrarem esse Sacramento. § 2. Por motivo grave, o Bispo e também o presbítero que, pelo direito ou por especial 37 concessão da autoridade competente, têm a faculdade de confirmar, podem, caso por caso, associar a si presbíteros que também administrem o Sacramento. Cânon 885 – § 1. O Bispo diocesano tem a obrigação de cuidar que seja conferido o Sacramento da Confirmação aos fiéis que o pedem devida e razoavelmente. § 2. O presbítero que tem essa faculdade deve usá-la para aqueles em cujo favor a faculdade foi concedida. Cânon 886 – § 1. Em sua diocese, o Bispo administra legitimamente o Sacramento da Confirmação também aos fiéis que não são seus súditos, a não ser que haja proibição expressa do Ordinário deles. § 2. Para administrar licitamente a Confirmação em outra diocese, o Bispo precisa da licença do Bispo diocesano, ao menos razoavelmente presumida, a não ser que se trate de súditos seus. Cânon 887 – O presbítero, com faculdade de administrar a confirmação, administra-a licitamente também a estranhos, dentro do território que lhes foi designado, salvo haja proibição do Ordinário deles; mas, em território alheio, não a administra validamente a ninguém, salva a prescrição do cân. 886, n. 3. Cânon 888 – Dentro do território em que podem administrar a confirmação, os ministros podem também administrá-la em lugares isentos. Cânon 889 – § 1. Dentro do território em que podem administrar a Confirmação, os ministros podem também administrá-la em lugares isentos. § 2. Exceto em perigo de morte, para alguém receber licitamente a Confirmação, se requer, caso tenha uso da razão, que esteja convenientemente preparado, devidamente disposto, e que possa renovar as promessas do Batismo. Cânon 890 – Os fiéis têm a obrigação de receber tempestivamente esse Sacramento; os pais, os pastores de almas, principalmente os párocos, cuidem que os fiéis sejam devidamente instruídos para o receberem e que se aproximem dele em tempo oportuno. Cânon 891 – O Sacramento da Confirmação seja conferido aos fiéis, mais ou menos na idade da discrição, a não ser que a Conferência dos Bispos tenha determinado outra idade, ou haja perigo de morte, ou, a juízo do ministro, uma causa grave aconselhe outra coisa. NOTA: “Idade da discrição’’ significa sete anos completos. No Documento “Pastoral da Confirmação’’, a CNBB não chegou a fixar uma idade para todo o país. Igualmente, na Legislação Complementar não há uma norma rígida, mas apenas algumas diretrizes bastante flexíveis, que permitem a adaptação à realidade das diversas dioceses. * Texto da Legislação Complementar ao Código de Direito Canônico emanada pela CNBB quanto ao cân. 891: 38 Como norma geral, a Confirmação não seja conferida antes dos doze anos de idade. Contudo, mais do que com o número de anos, o Pastor deve preocupar-se com a maturidade do crismando na fé e com a inserção na comunidade. Por isso, a juízo do Ordinário local, a idade indicada poderá ser diminuída ou aumentada, de acordo com as circunstâncias do crismando, permanecendo a obrigação de confirmar os fiéis ainda não confirmados que se encontrem em perigo de morte, seja qual for a sua idade. Cânon 892 – Enquanto possível, assista ao confirmando um padrinho, a quem cabe cuidar que o confirmando se comporte como verdadeira testemunha de Cristo e cumpra com fidelidade as obrigações inerentes a esse Sacramento. Cânon 893 – § 1. Para que alguém desempenhe o encargo de padrinho, é necessário que preencha as condições mencionadas no cân. 874. Cânon 874 – § 1. Para que alguém seja admitido para assumir o encargo de padrinho, é necessário que: 1) seja designado pelo batizando, por seus pais ou por quem lhes faz as vezes, ou, na falta deles, pelo próprio pároco ou ministro, e tenha aptidão e intenção de cumprir esse encargo; 2) Tenha completado dezesseis anos de idade, a não ser que outra idade tenha sido determinada pelo Bispo diocesano, ou pareça ao pároco ou ministro que se deva admitir uma exceção por justa causa; 3) seja católico, confirmado, já tenha recebido o santíssimo Sacramento da Eucaristia e leve uma vida de acordo com a fé e o encargo que vai assumir; 4) não tenha sido atingido por nenhuma pena canônica legitimamente irrogada ou declarada; 5) não seja pai ou mãe do batizando [crismando]. Cânon 894 – Para provar a administração da Confirmação, observem-se as prescrições do cân. 876. Cânon 876 – Para provar a administração do Batismo, se não advém prejuízo para ninguém, é suficiente a declaração de uma só testemunha acima de qualquer suspeita, ou o juramento do próprio batizado, se tiver recebido o Batismo em idade adulta. Cânon 895 – No livro de crismas da cúria diocesana ou onde isso tiver sido prescrito pela Conferência dos Bispos ou pelo Bispo diocesano, no livro a ser conservado no arquivo paroquial, registrem-se os nomes dos confirmados, mencionando o ministro, os pais e padrinhos, o lugar e o dia da Confirmação; o pároco deve informar da confirmação ao pároco do lugar do Batismo, a fim de que se faça o registro no livro dos batizados, de acordo com o cân. 535, § 2. Cânon 896 – Se o pároco do lugar não tiver estado presente, o ministro o informe, 39 quanto antes, por si ou por outros, da confirmação conferida. 40 7. SOBRE O ESPÍRITO SANTO Santo Atanásio (295 - 373) – Carta a Serapião, defendendo a divindade do Espírito Santo, contra o macedonismo, que negava esta verdade. Macedônio era Patriarca de Constantinopla e negava a divindade do Espírito Santo. Santo Atanásio o enfrentou no Concílo de Constantinopla I, em 381: São Basílio Magno (330-369) “Sobre o Espírito Santo, examinemos quais são as nossas noções comuns, tanto as que sobre ele nos são colhidas da Escritura, como as que recebemos da tradição não escrita dos Padres. Antes de tudo perguntamos: ‘Quem, ao ouvir os nomes do Espírito Santo, não sente elevar-se a alma e erguer-se o pensamento até à natureza suprema? Pois é dito o Espírito de Deus, Espírito da verdade, que procede do Pai, Espírito reto, Espírito régio.’ Santo Espírito é sua apelação própria e peculiar, a qual indica o que há de mais incorpóreoe puro de toda composição e matéria. Eis por que o Senhor, ensinando a mulher que pensava adorar a Deus em determinado local, como se o Incorpóreo fosse redutível ao lugar, dizia-lhe: ‘Deus é Espírito’ (Jo 4,24). Não aconteça, pois que, ao ouvir falar do Espírito, imagine alguém uma natureza circunscrita, sujeita às mudanças e alterações, semelhante às criaturas. Não. Subindo em pensamento para o mais alto, há de pensar na essência inteligente e de infinito poder de grandeza sem limites, insusceptível de medida por tempos e séculos, pródiga de seus próprios bens. É para ele que se volta tudo que tem carência de santidade. É para ele que tendem todos os seres que vivem segundo a virtude e dele recebem o hálito de vida, o auxílio necessário ao fim que a sua natureza lhes traçou. Ele aperfeiçoa todas as coisas, sem de nada precisar. Vivendo sem desgaste, é vivificante. Não cresce ou evolui, pois é por si imediatamente pleno e completo, estável em si mesmo, e em toda a parte presente. Origem da santificação, luz que só a inteligência pode perceber e dá a toda potência racional como que o lume necessário à investigação da verdade. Inacessível por natureza, mas atingível por graça. Enchendo tudo por sua virtude, mas só participável pelos santos, aos quais não se dá por uma só medida, mas distribui a força conforme a proporção da fé. Simples na essência, múltiplo nas potências. Está todo em cada um e todo em toda parte. Distribuído sem nada sofrer, é participado sem perder a integridade. Como um raio de sol, cujo benefício desce ao que do mesmo usufrui como se fora esse o 41 único, e ainda ilumina a terra e o mar e se mistura ao ar, assim também desce o Espírito a cada um dos que são capazes de recebê-lo, como único, mas infunde a todos a graça suficiente e integral. E é segundo a medida de cada coisa, e não segundo a medida de seu poder, que dele fruem todos os seres que dele participam. A união do Espírito com a alma não é aproximação local (como te poderias avizinhar corporalmente do Incorpóreo?), mas o afastamento das paixões que se comunicaram à alma por sua amizade com a carne, e a afastaram de Deus. Aproximar-se do Paráclito é purificar-se da deformidade contraída pela maldade, à beleza nativa, como que devolvendo à imagem régia, depois de purificá-la, sua forma antiga. E ele, como o sol, achando o olhar purificado, mostrar-se-á em si mesmo a imagem do Invisível. Então, na bem-aventurada visão dessa imagem, verás a inefável beleza do Arquétipo. Por ele se dá a ascensão dos corações, por ele os fracos são conduzidos, por ele se consuma a perfeição dos fortes. Iluminando os que estão puros de toda mancha, torna-os espirituais pela comunhão que têm consigo. E assim como os corpos transparentes, quando recebem um raio de luz, se tornam também luminosos, passando a emitir novo esplendor, assim as almas portadoras do Espírito, rebrilhando do Espírito, tornando-se por sua vez espirituais, podem lançar a outras os seus próprios raios. Daí, a presciência do futuro, o entendimento dos mistérios, a visão do oculto, a variedade dos carismas, a vida celeste, o convívio dos coros angélicos, a infinita alegria, a perseverança em Deus, a semelhança com Deus, o ultrapassamento de todo desejo, a divinização. São estas, em resumo e em poucas palavras, as noções comuns que temos do Espírito Santo e que a partir de suas próprias expressões, aprendemos a pensar sobre sua grandeza e dignidade, bem como sobre as operações que realiza. Não há senão um só Deus Pai, um só Filho Unigênito, um só Espírito Santo. Nós enunciamos separadamente cada uma das hipóstases (“pessoas”) e, quando precisamos enumerá-las em conjunto não o fazemos de maneira que possa induzir a uma concepção politeísta... Dizemo-lo ainda ‘Espírito de Cristo’, em razão de estar unido intimamente e naturalmente a Cristo. Assim, ‘se alguém não possui o Espírito de Cristo não é de Cristo’ (Rm 8,9). Eis por que só o Espírito glorifica dignamente o Senhor: ‘Ele me glorificará’, disse Jesus (Jo 14,16), não como a criatura, mas como o Espírito da verdade, que faz resplandecer em si mesmo a Verdade, e como Espírito de sabedoria que revela, em sua majestade, o Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus. Como Paráclito, exprime em si a bondade do Paráclito que o enviou e em sua própria dignidade mostra a grandeza daquele de quem procede. Há, pois, uma glória natural – como a luz, glória do sol – e um glória extrínseca, livremente prestada aos seres que a merecem. Esta última é, aliás, de dois 42 tipos: o Filho glorifica seu Pai e o servo seu patrão, conforme diz o profeta (Ml 1,6). Uma, glória servil, prestada (a Deus) pela criatura; outra, dir-se-ia familiar, prestada pelo Espírito. Assim, o Senhor dizia de si mesmo: ‘Eu te glorifiquei sobre a terra, completando a obra que me confiaste’ (Jo 17,4). E da mesma forma disse o Paráclito: ‘Ele me glorificará porque receberá do que é meu e vo-lo dará a conhecer’ (Jo 16,14). O Filho é glorificado pelo Pai, que declara: ‘Eu o glorifiquei e o glorificarei ainda’ (Jo 12,28). Da mesma forma o Espírito é glorificado pelo fato de estar em comunhão com o Pai e o Filho, e também conforme este testemunho do Unigênito: ‘Todo pecado e blasfêmia vos será perdoado, mas a blasfêmia contra o Espírito não o será’ (Mt 12,31). Quando, sob o influxo de uma iluminação, fixamos os olhos na beleza da Imagem do Deus invisível (Cl 1,15) e por ela nos elevamos à contemplação do Arquétipo, lá está o Espírito de conhecimento, inseparavelmente presente, oferecendo em si o poder de ver a imagem aos que amam a contemplação da Verdade. Ele não a faz manifestar-se como de fora, mas a mostra em si: ‘ninguém conhece o Pai senão o Filho’ (Mt 11,27) e também ‘ninguém pode dizer: Jesus é o Senhor, senão no Espírito Santo’ (1Cor 12,3). Note-se que não se diz: pelo Espírito, mas no Espírito. ‘Deus é Espírito e os que o adoram devem adorá-lo em espírito e verdade’ (Jo 4,24), como ainda está escrito: ‘em tua luz veremos a luz’ (Sl 35,10). Por outras palavras: na iluminação do Espírito veremos ‘a verdadeira luz que ilumina todo homem que vem ao mundo’ (Jo 1,9). É em si mesmo que o Espírito mostra a glória do Filho único e é em si mesmo que concede aos verdadeiros adoradores o conhecimento de Deus. O caminho do conhecimento de Deus vai, portanto, do Espírito, que é um, ao Filho que é um, ao Pai, que é um e, em sentido inverso, a bondade essencial, a santidade natural, a dignidade régia provêm do Pai, pelo Unigênito, até o Espírito. É assim que confessamos as hipóstases (Pessoas) sem ferir a doutrina da monarquia” (P.G. 108s; 148ss.; S.C. 17 bis). 43 8. LISTA DE SIGLAS AA - Apostolicam actuositatem AAS - Acta Apostalicae Sedis AG - Ad Gentes Ben - De Benedictionibus CA - Centesimus annus CCEO - Corpus Canonum Ecclesiarum Orientalium CCL - Corpus Christianorum CD - Christus Dominus CDF - Congregação para a dotrina da fé CIC - Codex Iuris Canonici CL - Christifideles laici CÓD - Conciliorum oecumenicorum decreta COM - Ordo celebrandi Matrimonium Catech. R. - Catechismus Romanus CT - Catechesi tradendae DCG - Directorium Catecheticum Generale DF - Dei Filius DH - Dignitatis humanae DM - Dives in misericordia DS - Denzinger-Schönmetzer, Enchiridion Symbolorum DV - Dei Verbum DV - Dominum et Vivificantem EM - Evangelii nuntiandi EV - Evangelium Vitae FC - Familiaris consortio FD - Fidei Depositum GCM - Congregação para a Evangelização dos Povos GE - Gravissimum educationis GS - Gaudium et spes HV - Humanae vitae IM - Inter mirifica 44 LC - Libertatis Conscientia LE - Laborem exercens LG - Lumen gentium LH - Liturgia Horarum MC - Marialis cultus MD - Mulieris dignitatem MF - Mysterium fidei MM - Mater et magistra MR - Missale Romanum NA - Nostra aetate OBA - Ordo baptismi adultorum; OBP - Ordo baptismi parvulorum OC - Ordo confirmationis OCV - Ordo consecrationis virginum OE - Ordo exsequiarum OE - Orientalium ecclesiarum Off. lect. - Ofício das leituras OICA - Ordo initiationis christianae adultorum OP- Ordo poenitentiae OT - Optatam totius PB - Pastor Bonus PC - Perfectae caritatis PG - Patrologiae Cursus completus PL - Patrologiae Cursus completus PO - Presbyterorum Ordinis PP - Populorum progressio PT - Pacem in terris RH - Redemptor hominis RMi - Redemptoris Missio RM - Redemptoris Mater RP - Reconciliatio et poenitentia SC - Sacrosanctum concilium SPF - Credo do Povo de Deus: profissão de fé solene SRS - Sollicitudo rei socialis TMA - Tertio Millennio Adveniente UR - Unitatis redintegratio 45 UUS - Ut Unum Sint VC - Vita Consecrata VS - Veritatis Splendor 46 47 Batismo Aquino, Prof. Felipe 9788576776512 96 páginas Compre agora e leia Professor Felipe Aquino comenta ricamente cada assunto pertinente para aqueles que desejam seguir os preceitos católicos. 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Tudo pode acontecer quando Deus é envolvido na causa, e você mesmo constatará isso. O Espírito Santo quer lhe mostrar que existe uma maneira muito mais cheia de amor e mais realizadora de se viver. Trata-se de um mergulho no amor de Deus que nos cura e salva. Quanto mais você se entregar, mais experimentará a graça de Deus purificar, libertar e curar seu coração. Você receberá fortalecimento e proteção. Mas, o melhor de tudo é que Deus lhe dará uma efusão do Espírito Santo tão grande que mudará toda a sua vida. Você sentirá crescer a cada dia em seu interior uma paz e uma força que nunca havia imaginado ser possível. Compre agora e leia 52 http://www.amazon.com.br/s/?search-alias=digital-text&field-keywords=9788576771494 http://www.amazon.com.br/s/?search-alias=digital-text&field-keywords=9788576771494 53 Famílias edificadas no Senhor Alessio, Padre Alexandre 9788576775188 393 páginas Compre agora e leia Neste livro, Pe. Alexandre nos leva a refletir sobre o significado da família, especialmente da família cristã, uma instituição tão humana quanto divina, concebida pelo matrimônio. Ela é o nosso primeiro referencial, de onde são transmitidos nossos valores, princípios, ideais, e principalmente a nossa fé. Por outro lado, a família é uma instituição que está sendo cada vez mais enfraquecida. O inimigo tem investido fortemente na sua dissolução. Por isso urge que falemos sobre ela e que a defendamos bravamente. Embora a família realize-se entre seres humanos, excede nossas competências, de tal modo que devemos nos colocar como receptores deste dom e nos tornarmos seus zelosos guardiões. A família deve ser edificada no Senhor, pois, assim, romperá as visões mundanas, percebendo a vida com os óculos da fé e trilhando os seus caminhos com os passos da fé. O livro Famílias edificadas no Senhor, não pretende ser um manual de teologia da família. O objetivo é, com uma linguagem muito simples, falar de família, das coisas de família, a fim de promovê-la, não deixando que ela nos seja roubada, pois é um grande dom de Deus a nós, transmitindo, assim, a sua imagem às futuras gerações. Compre agora e leia 54 http://www.amazon.com.br/s/?search-alias=digital-text&field-keywords=9788576775188 http://www.amazon.com.br/s/?search-alias=digital-text&field-keywords=9788576775188 55 Jovem, o caminho se faz caminhando Dunga 9788576775270 178 páginas Compre agora e leia "Caminhante, não há caminho; o caminho se faz caminhando - desde que caminhemos com nosso Deus.” Ao ler este comentário na introdução do livro dos Números, na Bíblia, o autor, Dunga, percebeu que a cada passo em nossa vida, a cada decisão, queda, vitória ou derrota, escrevemos uma história que testemunhará, ou não, que Jesus Cristo vive. Os fatos e as palavras que em Deus experimentamos serão setas indicando o caminho a ser seguido. E o caminho é Jesus. Revisada, atualizada e com um capítulo inédito, esta nova edição de Jovem, o caminho se faz caminhando nos mostra que a cura para nossa vida é a alma saciada por Deus. Integre essa nova geração de jovens que acreditam na infinitude do amor do Pai e que vivem, dia após dia, Seus ensinamentos e Seus projetos. Pois a sede de Deus faz brotar em nós uma procura interior, que nos conduz, invariavelmente, a Ele. E, para alcançá-Lo, basta caminhar, seguindo a rota que Jesus Cristo lhe indicará. Compre agora e leia 56 http://www.amazon.com.br/s/?search-alias=digital-text&field-keywords=9788576775270 http://www.amazon.com.br/s/?search-alias=digital-text&field-keywords=9788576775270 Índice Folha de rosto 2 Créditos 3 1. O SACRAMENTO DA CRISMA 4 2. OS EFEITOS DO SACRAMENTO DA CRISMA 13 3. A PESSOA E A OBRA DO ESPÍRITO SANTO 17 4. A RENOVAÇÃO NO ESPÍRITO SANTO 25 5. OS EFEITOS DE UMA VIDA NO ESPÍRITO 30 6. A CRISMA NO CÓDIGO DE DIREITO CANÔNICO 37 7. SOBRE O ESPÍRITO SANTO 41 8. Lista de siglas 44 57 Folha de rosto Créditos 1. O SACRAMENTO DA CRISMA 2. OS EFEITOS DO SACRAMENTO DA CRISMA 3. A PESSOA E A OBRA DO ESPÍRITO SANTO 4. A RENOVAÇÃO NO ESPÍRITO SANTO 5. OS EFEITOS DE UMA VIDA NO ESPÍRITO 6. A CRISMA NO CÓDIGO DE DIREITO CANÔNICO 7. SOBRE O ESPÍRITO SANTO 8. Lista de siglascrismado com o devido preparo, para que possa receber os frutos e os efeitos desse Sacramento. Não pode ser uma coisa mecânica e feita sem preparação. Os sinais e o rito da Confirmação Todos esses significados da unção com óleo voltam a encontrar-se na vida sacramental. A unção, antes do Batismo, com o óleo dos catecúmenos significa purificação e fortalecimento; a unção dos enfermos exprime a cura e o reconforto. A unção com o santo crisma depois do Batismo, na Confirmação e na Ordenação, é o sinal de uma consagração da pessoa a Deus. Pela Confirmação, os cristãos, isto é, os que são ungidos, participam mais intensamente da missão de Jesus e da plenitude do Espírito Santo, de que Jesus é cumulado, a fim de que toda a vida deles exale “o bom odor de Cristo”. Por esta unção, o confirmando recebe “a marca”, o selo do Espírito Santo. O selo é o símbolo da pessoa, sinal de sua autoridade, de sua propriedade sobre um objeto – assim, os soldados eram marcados com o selo de seu chefe, e os escravos, com o de seu proprietário; o selo autentica um ato jurídico ou um documento. Cristo mesmo se declara marcado com o selo de seu Pai. Também o cristão está marcado por um selo: “Aquele que nos fortalece convosco em Cristo e nos dá a unção é Deus, o qual nos marcou com um selo e colocou em nossos corações o penhor do Espírito” (2Cor 1,21- 22). Este selo do Espírito Santo marca a pertença total a Cristo, o colocar-se a seu serviço, para sempre, mas também a promessa da proteção divina na grande provação que a Igreja vai passar nos últimos tempos antes de Cristo voltar. A celebração da Confirmação Na quinta-feira santa, durante a santa Missa do Crisma, o Bispo consagra o óleo santo crisma para toda a sua diocese. É um momento importante que antecede a celebração da Confirmação, mas que, de certo modo, faz parte dela. A liturgia de Antioquia no Oriente exprime assim a epiclese da consagração do santo crisma (mýron): “Pai... enviai o vosso Espírito Santo sobre nós e sobre este óleo que está diante de nós e consagrai-o, a fim de que seja para todos os que forem ungidos e marcados por ele: 7 myron santo, myron sacerdotal, myron régio, unção de alegria, a veste da luz, o manto da salvação, o dom espiritual, a santificação das almas e dos corpos, a felicidade imperecível, o selo indelével, o escudo da fé e o capacete terrível contra todas as obras do adversário.” Aqui no Ocidente a Confirmação é celebrada em separado do Batismo, e a liturgia do Sacramento começa com a renovação das promessas do Batismo e com a profissão de fé dos confirmados. Isto mostra com clareza que a confirmação está na seqüência do Batismo. Quando um adulto é batizado, recebe imediatamente a Confirmação e participa da Eucaristia. O Bispo estende as mãos sobre o conjunto dos confirmandos, gesto que, desde o tempo dos apóstolos, é o sinal do dom do Espírito. Cabe ao Bispo invocar a efusão do Espírito: “Deus todo-poderoso, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que pela água e pelo Espírito Santo fizestes nascer estes vossos servos, libertando-os do pecado, enviai-lhes o Espírito Paráclito; dai-lhes, Senhor, o Espírito de sabedoria e inteligência, o Espírito de conselho e fortaleza, o Espírito da ciência e piedade – e enchei-os do Espírito de vosso temor. Por Cristo Nosso Senhor” (Pontifical Romano, Rito da Confirmação, 25). No rito latino, “o Sacramento da Confirmação é conferido pela unção do santo crisma na fronte, feita com a imposição da mão, e por estas palavras: ‘(Nome), recebe, por este sinal, o Espírito Santo, o dom de Deus”’. Nas Igrejas orientais de rito bizantino, a unção do myron faz-se depois de uma oração de epiclese sobre as partes mais significativas do corpo: a fronte, os olhos, o nariz, os ouvidos, os lábios, o peito, as costas, as mãos e os pés, sendo cada unção acompanhada da fórmula: “Selo do dom que é o Espírito Santo”(S. Hypolito, Trad. Apost., 21). Depois do rito da Crisma há o ósculo da paz, e que significa e manifesta a comunhão eclesial com o Bispo e com todos os fiéis. O significado do óleo O óleo tem um significado muito especial na liturgia. Para os judeus o óleo da oliveira era sinal da bênção divina (Dt 7,13; Jr 31,12) e de salvação. Ele tinha um valor muito grande: é bálsamo que perfuma o corpo: “bebem o vinho em grandes copos, perfumam- se com óleos preciosos” (Am 6,6); “Nesse período se purificavam seis meses com óleo de mirra, e seis meses com cosméticos e outros bálsamos em uso entre as mulheres” (Est 2,12). O óleo fortalece os membros (Ez 16,9), tira a dor das feridas: “Tudo é uma ferida, uma contusão, uma chaga viva, que não foi nem curada, nem ligada, nem suavizada com óleo” (Is 1,6); “Aproximando-se, atou-lhe as feridas, deitando nelas azeite e vinho” (Lc 10,34). 8 O óleo é símbolo da alegria: “O vinho que alegra o coração do homem, o óleo que lhe faz brilhar o rosto e o pão que lhe sustenta as forças” (Sl 103,15). Derramar óleo sobre a cabeça de alguém era desejar-lhe felicidade e alegria, e prova de amizade e honra: “Preparais para mim a mesa à vista de meus inimigos. Unges-me a minha cabeça com óleo, e transborda minha taça” (Sl 22,5). “Exaltastes a minha cabeça como a do búfalo, e com óleo puríssimo me ungistes” (Sl 91,11). “Não me ungiste a cabeça com óleo; mas esta, com perfume, ungiu-me os pés” (Lc 7,46). O óleo era usado para ungir os reis e sacerdotes em sinal de escolha divina e de consagração a seu serviço, e era acompanhada da presença do Espírito que tomava posse da pessoa escolhida: “Samuel tomou o corno de óleo e ungiu Davi no meio dos seus irmãos. E, a partir daquele momento, o Espírito do Senhor apoderou-se de Davi. Samuel, porém, retomou o caminho de Ramá” (1Sm 16,13). O significado da imposição das mãos A imposição das mãos para os judeus era sinal de bênção: “Mas Israel estendeu a mão direita e pô-la sobre a cabeça de Efraim, o caçula, e a mão esquerda sobre a cabeça de Manassés. Cruzou assim as mãos (porque Manassés era o primogênito)” (Gn 48,14-16). “Em seguida, Jesus abraçou as crianças e as abençoou, impondo-lhes as mãos” (Mc 10,16). A imposição das mãos era usada para a consagração de alguém: “Mandarás os levitas que se aproximem diante do Senhor, e os israelitas porão suas mãos sobre eles” (Nm 8,10). “Impôs-lhe as mãos e empossou-o assim como o Senhor tinha ordenado pela boca de Moisés” (Nm 27,23). Era usada também pra a identificação de vítima oferecida: “Imporá as duas mãos sobre a sua cabeça, e confessará sobre ele todas as iniqüidades dos israelitas, todas as suas desobediências, todos os seus pecados. Pô-los-á sobre a cabeça do bode e o enviará ao deserto pelas mãos de um homem encarregado disso” (Lv 16,21). “Porá a mão sobre a cabeça da vítima, que será aceita em seu favor para lhe servir de 9 expiação” (Lv 1,4). “Ele porá a mão sobre a cabeça da vítima, e a imolará à entrada da tenda de reunião; e os sacerdotes, filhos de Aarão, aspergirão com seu sangue as paredes do altar ao redor” (Lv 3,2). “Levará o novilho diante do Senhor, à entrada da tenda de reunião, porá a mão sobre a cabeça do touro e o imolará diante do Senhor” (Lv 4,4). A imposição das mãos era usada também para a transmissão de dons a alguém: “Apresentaram-nos aos apóstolos, e estes, orando, impuseram-lhes as mãos” (At 6,6). “Então, jejuando e orando, impuseram-lhes as mãos e os despediram” (At 13,3). “Não negligencies o carisma que está em ti e que te foi dado por profecia, quando a assembléia dos anciãos te impôs as mãos” (1Tm 4,14). “A ninguém imponhas as mãos inconsideradamente, para que não venhas a tornar-te cúmplice dos pecados alheios. Conserva-te puro” (1Tm 5,22). Jesus muitas vezes impunha as mãos para curar: “Depois do pôr-do-sol, todos os que tinham enfermos de diversas moléstias lhos traziam. Impondo-lhes a mão, os sarava” (Lc 4,40). “Impôs-lhe as mãos e no mesmo instante ela se endireitou, glorificando a Deus” (Lc 13,13). “Jesus tomou o cego pela mão e levou-o para fora da aldeia. Pôs-lhe saliva nos olhos e, impondo-lhe as mãos, perguntou-lhe: Vês algumacoisa?” (Mc 8,23-25). “... eis os sinais que acompanharão os que crerem... imporão as mãos aos enfermos e eles ficarão curados” (Mc 16, 18). “Este via numa visão um homem, chamado Ananias, entrar e impor-lhe as mãos para recobrar a vista” (At 9,12). “Ora, o pai desse Públio achava-se acamado com febre e sofrendo de disenteria. Paulo foi visitá-lo e, orando e impondo-lhe as mãos, sarou-o” (At 28,8). A cruz, a unção e o leve tapa A cruz que é traçada na fronte do crismando na hora da Crisma, significa que daí em diante ele é um soldado de Cristo, e deve confessar abertamente a sua fé, sem respeito humano e sem medo, diante de todo o mundo. A unção com o crisma significa que ele recebe como armas a força de Jesus Cristo, ou seja, o Espírito Santo. O leve tapa no rosto lembra ao crismado que, como soldado de Cristo, ele deve estar disposto a suportar qualquer ofensa por amor a Jesus Cristo. Quem pode ser crismado? 10 Todo batizado ainda não confirmado pode e deve receber o Sacramento da Confirmação, diz o Código de Direito Canônico da Igreja (cân. 889,1). Pelo fato de o Batismo, a Confirmação e a Eucaristia formarem uma unidade, segue-se que “os fiéis têm a obrigação de receber tempestivamente esse Sacramento” (CDC cân. 890), pois sem a Confirmação e a Eucaristia, o Sacramento do Batismo é, sem dúvida, válido e eficaz, mas a iniciação cristã permanece inacabada. Na Igreja romana há séculos ela recomenda “a idade da razão” como ponto de referência para receber a Confirmação. Todavia, em perigo de morte deve-se confirmar as crianças, mesmo que ainda não tenham atingido o uso da razão (CDC cân. 891; 883,3). As Conferências dos Bispos em cada país receberam do Vaticano autorização para regulamentar esta idade. A Confirmação é o “Sacramento da maturidade cristã”, mas nem por isso se deve confundir a idade adulta da fé com a idade adulta do crescimento natural, nem esquecer que a graça do Batismo é gratuita e imerecida. São Tomás recorda isto: “A idade do corpo não constitui um prejuízo para a alma. Assim, mesmo na infância, o homem pode receber a perfeição da idade espiritual da qual fala o livro da Sabedoria (4,8): ‘Velhice venerável não é longevidade, nem é medida pelo número de anos.’ Assim é que muitas crianças, graças à força do Espírito Santo que haviam recebido, lutaram corajosamente e até o sangue por Cristo” (S. Th. III,72,8, ad 2). Por exemplo, o menino S. Tarciso morreu para não permitir que a sagrada Eucaristia fosse profanada. A preparação dos jovens ou adultos para a Confirmação deve ter como meta conduzi- los a uma união mais íntima com Jesus Cristo, a uma familiaridade mais intensa com o Espírito Santo, sua ação, seus dons e seus chamados, a fim de poder assumir melhor a missão de batizado. A catequese da Crisma deve despertar nos jovens o sentimento da “pertença à Igreja de Jesus Cristo”, tanto à Igreja universal como à comunidade paroquial, e o desejo de trabalhar na Igreja e com a Igreja pela salvação das almas. Para receber a Confirmação o cristão deve estar em estado de graça. Por isso é necessário que todos façam uma Confissão com o sacerdote para ser purificado em vista do dom do Espírito Santo que vão receber. Uma oração mais intensa deve preparar para receber com docilidade e disponibilidade a força e as graças do Espírito Santo (cf. Cat. §1310). No Cenáculo de Jerusalém os apóstolos e Maria esperavam a vinda do Espírito Santo em contínua oração (cf. At 1,14). A Igreja recomenda que para a Confirmação, como para o Batismo, que os candidatos procurem a ajuda espiritual de um padrinho ou de uma madrinha. Convém que seja o mesmo do Batismo, a fim de marcar bem a unidade dos dois Sacramentos (CDC, cân. 983, 1.2). 11 O ministro da Confirmação O ministro originário da Confirmação é o Bispo (LG, 26); embora o Bispo possa, quando houver necessidade, conceder aos presbíteros a faculdade de administrar a Confirmação. Os Bispos são os sucessores dos apóstolos e receberam a plenitude do Sacramento da Ordem. A administração deste Sacramento pelos Bispos significa que ele tem como efeito unir aqueles que o receberam mais intimamente à Igreja, às suas origens apostólicas e à sua missão de dar testemunho de Cristo. Mas se um cristão estiver em perigo de morte, qualquer sacerdote pode dar-lhe a Confirmação; a Igreja não quer que nenhum de seus filhos, mesmo as crianças, deixe este mundo sem ter-se tornado perfeito pelo Espírito Santo com o dom da plenitude de Cristo (CDC, cân. 883, 3). 12 2. OS EFEITOS DO SACRAMENTO DA CRISMA O efeito do Sacramento da Confirmação é a efusão plena do Espírito Santo, como foi dado aos apóstolos no dia de Pentecostes. A Confirmação produz crescimento e aprofundamento da graça batismal: a) Enraíza-nos mais profundamente na filiação divina, que nos faz dizer “Abba, Pai” (Rm 8,15); b) Une-nos mais solidamente a Cristo; c) Aumentam em nós os dons e os frutos do Espírito Santo; d) Dá-nos uma força especial do Espírito Santo para difundir e defender a fé pela palavra e pela ação, como verdadeiras testemunhas de Cristo, para confessar com valentia o nome de Cristo e para nunca sentir vergonha em relação à cruz. Dizia Santo Ambrósio no século IV: “Lembra-te, portanto, de que recebeste o sinal espiritual, o Espírito de sabedoria e de inteligência, o Espírito de conselho e força, o Espírito de conhecimento e de piedade, o Espírito do santo temor, e conserva o que recebeste. Deus Pai te marcou como seu sinal, Cristo Senhor te confirmou e colocou em teu coração o penhor do Espírito” (S. Ambrósio, De myst. 7,42). A marca que a Confirmação imprime na alma, é o sinal de que Jesus Cristo assinalou um cristão com o selo do seu Espírito revestindo-o da força do alto para ser sua testemunha (Lc 24,48-49). Esse “caráter” aperfeiçoa o sacerdócio comum dos fiéis, recebido no Batismo, e “o confirmado recebe o poder de confessar a fé de Cristo publicamente, e como que em virtude de um ofício (quasi ex officio)” (S. Tomás de Aquino, S. Th. III, 72, 5 ad 2). Os dons infusos do Espírito Santo Desde o Batismo o Espírito habita e gera em nós os dons de santificação, também chamados dons infusos: Ciência, Entendimento, Sabedoria, Conselho, Piedade, Fortaleza, e Temor de Deus. O dom da Ciência O dom da ciência faz que o cristão penetre na realidade deste mundo sob a luz de 13 Deus; vê cada criatura como reflexo da sabedoria do Criador e como aceno ao Supremo Bem; leva o homem a compreender, de um lado, o vestígio de Deus que há em cada ser criado, e, de outro lado, a insuficiência de cada qual. O dom da ciência ensina também a reconhecer melhor o significado do sofrimento e das humilhações; estes “contra-valores”, no plano de Deus, têm o valor de escola que liberta e purifica o homem. Configuram o cristão a Jesus Cristo. Se não fosse o sofrimento, muitos e muitos homens não sairiam de sua estatura mesquinha... nunca atingiram a plenitude do seu desenvolvimento espiritual. O dom do Entendimento ou Inteligência O dom da inteligência nos ajuda a ler no íntimo das verdades reveladas por Deus, e ter a intuição do seu significado profundo. Pelo dom do entendimento, o cristão contempla com mais lucidez o mistério da SS. Trindade, o amor do Redentor para com os homens, o significado da S. Eucaristia na vida cristã... A penetração dada pelo dom da inteligência (ou do entendimento) é diferente daquela que o teólogo obtém mediante o estudo; o dom da inteligência é eficaz mesmo sem estudo; é dado aos pequeninos e ignorantes, desde que tenham grande amor a Deus. Na ordem sobrenatural é o amor que abre os olhos do conhecimento. Os que mais amam a Deus são os que mais profundamente o conhecem. O dom do entendimento manifesta também o horror do pecado e a grandeza da miséria humana. O dom da Sabedoria A palavra sabedoria vem de saber, derivado do verbo latino sapere, que significa “ter gosto de...” O dom da sabedoria abrange todos os conhecimentos do cristão e os põe diretamente sob a luz de Deus, mostrando a grandeza do plano do Criador. Ele oferece um conhecimentosaboroso da verdade porque se deriva da experiência do próprio Deus feita pelo cristão. Os resultados do estudo meramente intelectual são frios e abstratos, ao passo que as vantagens da experiência são concretas e saborosas. “O dom da sabedoria faz-nos ver com os olhos do Bem-amado”, dizia um grande místico. O dom do Conselho Deus não deixa faltar às suas criaturas o que lhes é necessário. Ele providencia os meios para que cada criatura chegue retamente ao seu fim devido. O dom do conselho permite ao cristão tomar as decisões oportunas sem cansaço e insegurança. Por ele, o Espírito Santo inspira a reta maneira de agir no momento oportuno e exatamente nos termos devidos. Assim o dom do conselho aparece como um regente de orquestra que 14 coordena divinamente todas as faculdades do cristão e as incita a uma atividade harmoniosa e equilibrada. Diz a Escritura que há tempo exato para cada atividade; fora desse momento preciso, o que é oportuno pode tornar-se inoportuno. O dom da Piedade O dom da piedade orienta divinamente todas as relações que temos com Deus e com o próximo, tornando-as mais profundas e perfeitas. São Paulo se refere a este dom quando escreve: “Recebestes o espírito de adoção filial, pelo qual dizemos ‘Abbá’ ó Pai” (Rm 8,15). O Espírito Santo, mediante o dom da piedade, nos faz, como filhos adotivos, reconhecer Deus como Pai. E, pelo fato de reconhecermos Deus como Pai, consideramos as criaturas com olhar novo, inspirado pelo mesmo dom da piedade. O dom da piedade não incita os cristãos apenas a cumprir seus deveres para com Deus de maneira filiar, mas leva-os também a experimentar interesse fraterno para com todos os seus semelhantes. É o que manifesta o apóstolo ao escrever: “Quanto a mim, de bom grado me despenderei, e me despenderei todo inteiro, em vosso favor” (2Cor 12,15). O dom da Fortaleza A fidelidade à vocação cristã depara-se com obstáculos numerosos. Disse Jesus que “o Reino dos céus sofre violência dos que querem entrar, e violentos se apoderam dele” (Mt 11,12). O dom da fortaleza não consiste em realizar façanhas admiradas pelo público, mas implica paciência, perseverança, tenacidade, magnanimidade silenciosas... Pelo dom da fortaleza, o Espírito impele o cristão não apenas àquilo que as forças humanas podem alcançar, mas também àquilo que a força de Deus atinge. É essa força de Deus que pode transformar os obstáculos em meios; é ela que assegura tranqüilidade e paz mesmo nas horas mais tormentosas. Foi ela que inspirou a S. Francisco de Assis palavras tão significativas quanto estas: “Irmão Leão, a perfeita alegria consiste em padecer por Cristo, que tanto quis padecer por nós.” O dom do Temor de Deus Há três tipos de temor: o temor covarde ou da covardia; o temor servil ou do castigo e o temor filial. Este consiste na tristeza que o cristão experimenta diante da perspectiva de poder se afastar de Deus; brota do amor a Deus. Não se concebe o amor sem este tipo de temor. Pelo dom do temor de Deus é o Espírito que move o cristão a dizer não à tentação e ao pecado por amor a Deus. Não é medo de Deus, é medo de perdê-lo. O dom do temor de Deus se prende à virtude da humildade. Esta nos faz conhecer nossa miséria; impede a presunção e a vã glória, e assim nos torna conscientes de que podemos ofender a Deus; 15 daí surge o santo temor de Deus. S. Luís de Gonzaga derramou copiosas lágrimas certa vez quando teve que confessar suas faltas... faltas que, na verdade, dificilmente poderiam ser tidas como pecados. Para o santo, essas pequeninas faltas eram sinais do perigo de poder um dia afastar-se de Deus. Ora, para quem ama, qualquer perigo deste tipo tem importância. 16 3. A PESSOA E A OBRA DO ESPÍRITO SANTO O Espírito Santo é o dom maior do Sacramento da Crisma; por isso convém conhece- lo bem. Ele é a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade. Foi Jesus quem nos ensinou sobre a existência e a obra do Espírito Santo; Jesus falou muitas coisas sobre Ele. Ele agiu poderosamente na vida de Jesus e na vida da Igreja. Santo Agostinho nos ensina que “O Espírito Santo procede do Pai enquanto fonte primeira e, pela doação deste último ao Filho, do Pai e do Filho em comunhão” (A Trindade 15,26,47). Na “plenitude do tempo” (Gl 4,1), o Espírito Santo realizou em Maria todas as preparações para a vinda de Cristo no Povo de Deus. Pela ação do Espírito Santo nela, o Pai deu ao mundo o Emanuel, “Deus conosco.” Ele foi gerado em Maria por obra do Espírito Santo. “Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um filho, que se chamará Emanuel (Is 7,14), que significa: Deus conosco” (Mt 1,23). “Respondeu-lhe o anjo: o Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra. Por isso, o ente santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus” (Lc 1,35). Os Evangelhos e as Cartas dos Apóstolos mostram a variedade da missão do Espírito Santo na obra da redenção da humanidade, especialmente na Igreja. Meditando essas palavras podemos conhecer um pouco melhor o Paráclito, o Consolador, que no dia de Pentecostes veio sobre os Apóstolos e a Virgem Maria para ficar com a Igreja para sempre e guiá-la. O Espírito Santo é uma Pessoa viva; São Paulo nos ensina a não magoá-lo com os nossos pecados: “Não extinguir o Espírito” (1Ts 5,19). “Não contristeis o Espírito Santo de Deus, com o qual estais selados para o dia da Redenção” (Ef 4,30). Na narrativa de São Lucas nos Atos dos Apóstolos, notamos como Ele conduziu os Apóstolos na missão de implantar o Evangelho na terra logo depois de Pentecostes. Havia uma comunhão profunda dos Apóstolos com o divino Espírito que os assistia. Depois do Concílio de Jerusalém, eles disseram: “Com efeito, pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor outro peso além do 17 seguinte indispensável” (At 15,28). Diante das primeiras perseguições dos judeus, os Apóstolos disseram: “O Deus de nossos pais ressuscitou Jesus, que vós matastes, suspendendo-o num madeiro. Deus elevou-o pela mão direita como Príncipe e Salvador, a fim de dar a Israel o arrependimento e a remissão dos pecados. Deste fato nós somos testemunhas, nós e o Espírito Santo, que Deus deu a todos aqueles que lhe obedecem” (At 5,30-32). Note então, a “intimidade” que os Apóstolos tinham com o Espírito Santo. O Espírito Santo é o santificador da Igreja O Espírito Santo santifica cada membro da Igreja. Depois que Jesus consumou a obra que o Pai lhe confiou para realizar na terra (cf. Jo 17,4), no dia de Pentecostes ele enviou o Espírito Santo para santificar continuamente a Igreja e assim dar aos crentes “acesso ao Pai, por Cristo, num só Espírito” (Ef 2,18). Jesus disse que este é o Espírito da vida, a fonte da “água que jorra para a vida eterna”: “Respondeu Jesus à samaritana: ‘Todo aquele que beber desta água tornará a ter sede, mas o que beber da água que eu lhe der jamais terá sede. Mas a água que eu lhe der virá a ser nele fonte de água, que jorrará até a vida eterna.’ A mulher suplicou: ‘Senhor, dá- me desta água, para eu já não ter sede nem vir aqui tirá-la!’ (Jo 4,13-15). Na grande festa dos Tabernáculos, em Jerusalém, Jesus disse ao povo, no último dia, que é o principal dia de festa: “Se alguém tiver sede, venha a mim e beba. Quem crê em mim, como diz a Escritura: Do seu interior manarão rios de água viva (Zc 14,8; Is 58,11). Dizia isso, referindo-se ao Espírito que haviam de receber os que cressem nele, pois ainda não fora dado o Espírito, visto que Jesus ainda não tinha sido glorificado” (Jo 7,38-39). Pelo Espírito Santo o Pai dá vida aos homens mortos pelo pecado, até que um dia ressuscitem em Cristo os seus corpos mortais: “Ora, se Cristo está em vós, o corpo, em verdade, está morto pelo pecado, mas o Espírito vive pela justificação. Se o Espírito daquele que ressuscitou Jesus dos mortos habita em vós, ele, que ressuscitou Jesus Cristo dos mortos, também dará a vida aos vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que habita em vós” (Rm 8,10-11). O Espírito Santo habita na Igreja e nos corações dos fiéis, como num templo. Santo Agostinhodiz que: “Onde está a Igreja, aí está o Espírito de Deus. Na medida que alguém ama a Igreja é que possui o Espírito Santo. Fazei-vos Corpo de Cristo se quereis viver do Espírito de Cristo. Somente o Corpo de Cristo vive do seu Espírito.” São Paulo pergunta: “Não sabeis que sois o templo de Deus, e que o Espírito de Deus 18 habita em vós? Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá. Porque o templo de Deus é sagrado – e isto sois vós” (1 Cor 3,16). “Ou não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós, o qual recebestes de Deus e que, por isso mesmo, já não vos pertenceis? Porque fostes comprados por um grande preço. Glorificai, pois, a Deus no vosso corpo” (1Cor 6,19- 20). O Espírito Santo ora nos fiéis e dá testemunho de que são filhos adotivos de Deus: “A prova de que sois filhos é que Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai! Portanto já não és escravo, mas filho. E, se és filho, então também herdeiro por Deus” (GI 4,6). “Porquanto não recebestes um espírito de escravidão para viverdes ainda no temor, mas recebestes o espírito de adoção pelo qual clamamos: Aba! Pai! O Espírito mesmo dá testemunho ao nosso espírito de que somos filhos de Deus... Outrossim, o Espírito vem em auxílio à nossa fraqueza; porque não sabemos o que devemos pedir, nem orar como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós com gemidos inefáveis” (Rm 8,15-16 e 26). O Espírito Santo leva a Igreja ao conhecimento da verdade total Na última Ceia Jesus prometeu aos Apóstolos que o Espírito Santo conduziria a Igreja sempre e lhe ensinaria “toda a verdade”: “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Paráclito, para que fique eternamente convosco. É o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece, mas vós o conhecereis, porque permanecerá convosco e estará em vós” (Jo 14, 16-17). “Disse-vos estas coisas enquanto estou convosco. Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ensinar-vos-á todas as coisas e vos recordará tudo o que vos tenho dito” (Jo 14, 25-26). Jesus não ensinou todas as coisas para os Apóstolos, mas na Santa Ceia, prometeu-lhes que o Espírito Santo as ensinaria no futuro, ao longo da História a Igreja, e ainda hoje: “Muitas coisas ainda tenho a dizer-vos, mas não as podeis suportar agora. Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade...” (Jo 16,12-13). Essas promessas de Jesus aos apóstolos na Última Ceia são maravilhosas: o Espírito Santo estará sempre na Igreja e dentro da Igreja para assisti-la e guiá-la; sem deixá-la errar o caminho da salvação que leva o povo para Deus. Quem acusar a Igreja Católica de ter errado o caminho da salvação terá um dia de acertar contas com o Senhor, pois estará duvidando de suas promessas à Igreja na Santa Ceia. 19 É o Santo Espírito quem unifica a Igreja e forma o Corpo Místico de Cristo, na comunhão e no ministério. Ele dota a Igreja e a dirige com diversos dons hierárquicos: “A uns ele constituiu apóstolos; a outros, profetas; a outros, evangelistas, pastores, doutores, para o aperfeiçoamento dos cristãos, para o desempenho da tarefa que visa à construção do corpo de Cristo, até que todos nós tenhamos chegado à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, até atingirmos o estado de homem feito, a estatura da maturidade de Cristo” (Ef 4,11-13). “Pois, como em um só corpo temos muitos membros e cada um dos nossos membros tem diferente função, assim nós, embora sejamos muitos, formamos um só corpo em Cristo, e cada um de nós é membro um do outro. Temos dons diferentes, conforme a graça que nos foi conferida. Aquele que tem o dom da profecia exerça-o conforme a fé. Aquele que é chamado ao ministério, dedique-se ao ministério. Se tem o dom de ensinar, que ensine; o dom de exortar, que exorte; aquele que distribui as esmolas, faça-o com simplicidade; aquele que preside, presida com zelo; aquele que exerce a misericórdia, que o faça com afabilidade” (Rm 12,4). O Espírito Santo dota os fiéis com dons carismáticos “Há diversidade de dons, mas um só Espírito. Os ministérios são diversos, mas um só é o Senhor. Há também diversas operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. A cada um é dada a manifestação do Espírito para proveito comum. A um é dada pelo Espírito uma palavra de sabedoria; a outro, uma palavra de ciência, por esse mesmo Espírito; a outro, a fé, pelo mesmo Espírito; a outro, a graça de curar as doenças, no mesmo Espírito; a outro, o dom de milagres; a outro, a profecia; a outro, o discernimento dos espíritos; a outro, a variedade de línguas; a outro, por fim, a interpretação das línguas” (1Cor 12,4-7). Mas um e o mesmo Espírito Santo é quem distribui todos estes dons, repartindo a cada um como lhe apraz. Pelo poder do Espírito Santo podemos vencer as obras da carne e buscar a santidade; sem isto a nossa fraqueza nos derruba diante do pecado: “De fato, se viverdes segundo a carne, haveis de morrer; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras da carne, vivereis, pois todos os que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus” (Rm 8,13-14). Aquele que foi crismado pode agora lutar com o poder do Espírito Santo para vencer as paixões da carne. O Espírito Santo enriquece os fiéis com frutos de santidade “Ora, as obras da carne são estas: fornicação, impureza, libertinagem, idolatria, 20 superstição, inimizades, brigas, ciúmes, ódio, ambição, discórdias, partidos, invejas, bebedeiras, orgias e outras coisas semelhantes. Dessas coisas vos previno, como já vos preveni: os que as praticarem não herdarão o Reino de Deus! Ao contrário, o fruto do Espírito é caridade, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade, brandura, temperança. Contra estas coisas não há lei. Pois os que são de Jesus Cristo crucificaram a carne, com as paixões e concupiscências. Se vivemos pelo Espírito, andemos também de acordo com o Espírito” (Gl 5,19-25). O Espírito Santo faz a Igreja rejuvenescer com a força do Evangelho, renova-a continuamente e eleva-a a união com o seu Esposo. “Pois o Espírito e a Esposa dizem ao Senhor Jesus: ‘Vem!’” (Ap 22,17). O Espírito Santo nos inspira na defesa da nossa fé É o Espírito Santo que inspirou os profetas, os evangelistas e os apóstolos; e é Ele que inspira todo aquele que trabalha pelo Reino de Deus, segundo o ensinamento da Igreja. “Quando, porém, vos levarem às sinagogas, perante os magistrados e as autoridades, não vos preocupeis com o que haveis de falar em vossa defesa, porque o Espírito Santo vos inspirará naquela hora o que deveis dizer (Lc 12,12; Mc 13,11, Mt 10,20). Jesus, o Filho de Deus foi consagrado Cristo (Messias, ungido) pela unção do Espírito Santo em sua Encarnação. Por sua Morte e Ressurreição, Jesus foi “constituído Senhor e Cristo na glória” (At 2,36), disse S. Pedro à multidão no dia de Pentecostes. De sua plenitude na glória da Trindade Santa, Ele derramou o Espírito Santo sobre os Apóstolos e a Igreja para que ela possa levar a salvação a todos os homens. Mesmo que os filhos da Igreja possam pecar e possam ter cometidos erros no passado e no presente, mas o Espírito Santo não deixa o Magistério da Igreja (Papa e Bispos) errar quando nos ensina sobre a doutrina e a moral. Cristo, cabeça da Igreja, derrama o Espírito Santo em seus membros; e assim Ele constrói, fortalece, instrui, anima e santifica a Igreja. Ela é o Sacramento da comunhão da Santíssima Trindade e dos homens. A Igreja, Comunhão viva na fé dos apóstolos, é o lugar do nosso conhecimento do Espírito Santo. Santo Hipólito (160-235) dizia que: “A Igreja é o local onde floresce o Espírito.” O Espírito Santo inspirou e dá vida às palavras da Escritura A Nova Aliança é realizada no Espírito Santo; Ele é que dá vida: “Ele é que nos fez aptos para ser ministros da Nova Aliança: não a da letra, e sim a do Espírito. Porque a letra mata, mas o Espírito vivifica” (2Cor 3,6). “Sois assim tão 21 levianos? Depois de terdes começado pelo Espírito, quereisagora acabar pela carne?” (Gal 3,3); “Dar-vos-ei um coração novo e em vós porei um espírito novo; tirar-vos-ei do peito o coração de pedra e dar-vos-ei um coração de carne. Dentro de vós meterei meu espírito, fazendo com que obedeçais às minhas leis e sigais e observeis os meus preceitos. Habitareis a terra de que fiz presente a vossos pais; sereis meu povo, e serei vosso Deus” (Ez 36,27-31). São Paulo mostra todo o poder da Palavra de Deus: “Tomai, enfim, o capacete da salvação e a espada do Espírito, isto é, a Palavra de Deus” (Ef 6,17). “Porque a Palavra de Deus é viva, eficaz, mais penetrante do que uma espada de dois gumes, e atinge até à divisão da alma e do corpo (...) discerne os pensamentos e intenções do coração” (Hb 4,12). “Toda a Escritura é inspirada por Deus, e útil para ensinar, para repreender, para corrigir e para formar na justiça. Por ela, o homem de Deus se torna perfeito, capacitado para toda boa obra” (IITm 3,16-17). O Espírito Santo faz a Igreja missionária Ele dá-lhe “zelo” apostólico e força para pregar o Evangelho. Jesus disse aos apóstolos no dia de sua Ascensão ao Céu que eles evangelizariam no poder do Espírito Santo: “Assim reunidos, eles o interrogavam: ‘Senhor, é porventura agora que ides instaurar o reino de Israel?’ Respondeu-lhes Ele: ‘Não vos pertence a vós saber os tempos nem os momentos que o Pai fixou em seu poder, mas descerá sobre vós o Espírito Santo e vos dará força; e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria e até os confins do mundo’” (At 1,6-8). É o Espírito Santo quem desde o dia de Pentecostes, há dois mil anos, impulsiona a Igreja para evangelizar todos os povos e todas as nações como Jesus mandou; Ele dá força e coragem aos missionários evangelizadores para enfrentar as maiores dificuldades e perigos como o martírio. Em muitos lugares do mundo a semente do Evangelho foi regada com o sangue dos cristãos. Tertuliano, escritor cristão do século II escreveu ao imperador romano Antonino dizendo que: “o sangue dos mártires é semente de novos cristãos”. Foi no poder do Espírito Santo que a Igreja suportou quase três séculos de perseguição do Império romano, desde Nero (ano 67) até Constantino (313); venceu as heresias; venceu o nazismo, o comunismo e o ateísmo que tanto perseguiu os cristãos como nas Revoluções francesa (1789), russa (1917), espanhola (1936) e mexicana (1929), onde esses países foram lavados com sangue de milhares de mártires. 22 É o Espírito Santo quem edifica e constrói o Reino de Deus São Paulo diz que: “O reino de Deus é justiça, paz e alegria no Espírito Santo” (Rm 14,17). Os “últimos tempos”, o tempo da Igreja, que estamos vivendo, são os tempos da efusão (derramamento) do Espírito Santo. Trava-se um combate decisivo entre “a carne” e o Espírito (Gl 5,16-25): só um coração puro pode dizer com segurança: “Venha a nós o vosso Reino.” “Portanto que o pecado não impere mais em vosso corpo mortal” (Rm 6,12). Quando o Espírito Santo veio sobre a Igreja em Pentecostes, esta nasceu como “povo profético” para anunciar a Boa Nova e o Reino de Deus. Na Crisma acontece o mesmo com cada cristão. Ele vem sobre cada um dos crismandos pelo Sacramento para que eles se tornem profetas corajosos e anunciadores da mensagem de Jesus ao mundo. O Espírito Santo e Jesus O Filho de Deus foi consagrado Cristo (Messias) pela unção do Espírito Santo em sua Encarnação (Sl 2,6-7). Por sua morte e Ressurreição, Jesus foi “constituído Senhor e Cristo na glória” (At 2,36). De sua plenitude, derramou o Espírito Santo sobre os Apóstolos e a Igreja no dia de Pentecostes, para formar a Igreja, que é o “Sacramento universal da Salvação”, disse o Concílio Vaticano II. O Espírito Santo é dado a todo aquele que arrependido deixa os pecados e vive a lei de Cristo. Pedro disse aos judeus no dia de Pentecostes: “Arrependei-vos e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para a remissão dos vossos pecados. E recebereis o Espírito Santo” (At 2,38). São Paulo falando da iniciação cristã, disse: “Aquele que nos fortalece convosco em Cristo e nos dá a unção é Deus, o qual nos marcou com um selo e colocou em nossos corações o penhor do Espírito” (2Cor 1,21s; Ef 1,13s). Só pelo poder do Espírito Santo podemos testemunhar a nossa fé. Jesus disse aos apóstolos antes da Ascensão ao Céu: “Eu vos mandarei o Prometido de meu Pai; entretanto, permanecei na cidade, até que sejais revestidos da força do alto” (At 24,49). “Recebereis uma força, a do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e a Samaria, e até os confins da terra” (At 1,8). A vinda do Espírito Santos sobre Jesus no seu Batismo é equiparada a uma unção 23 profética: “Quando todo o povo ia sendo batizado, também Jesus o foi. E estando Ele a orar, o céu se abriu e o Espírito Santo desceu sobre Ele em forma corpórea, como uma pomba; e veio do céu uma voz: Tu és o meu Filho bem-amado; em ti ponho minha afeição” (Lc 3,21-22). “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu; e enviou-me para anunciar a boa nova aos pobres, para sarar os contritos de coração” (Lc 4,18). 24 4. A RENOVAÇÃO NO ESPÍRITO SANTO Somente pela ação do Espírito Santo em nós é que podemos conquistar a santidade e fazer a vontade de Deus em nossas vidas. São Paulo diz que somente pelo Espírito Santo podemos dizer “Jesus é o Senhor”. Por isso, cada um que já foi crismado precisa ser sempre “renovado” no Espírito Santo. “Por isso, eu vos declaro: ninguém, falando sob a ação divina, pode dizer: ‘Jesus seja maldito’ e ninguém pode dizer; ‘Jesus é o Senhor’, senão sob a ação do Espírito Santo” (1Cor 12,3). O Espírito de Jesus habita em nós para fazer-nos imagens de Jesus; esta é a vontade do Pai, que cada um de nós seja uma réplica de seu amado Jesus. “Os que ele distinguiu de antemão, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que este seja o primogênito entre uma multidão de irmãos” (Rm 8,29). Recebemos o Espírito Santo no Batismo e na Crisma, mas muitas vezes por uma vida de pecado, sem oração, sem meditação da Palavra de Deus, sem participação nos Sacramentos e na vida da Igreja, o Espírito Santo vive como que acuado em nossa alma, quando não é expulso dela pelo pecado. Jesus enviou o Espírito Santo aos apóstolos para que eles pudessem testemunhá-lo ao mundo sem medo; hoje ocorre o mesmo; nada podemos sem o Espírito Santo: “Eu vos mandarei o Prometido de meu Pai, entretanto, permanecei na cidade [Jerusalém] até que sejais revestidos da força do alto” (Lc 24,29). Precisamos pedir sempre a Deus Pai, por Jesus, pela intercessão poderosa de Maria, que nos mande o Espírito Santo: “Vinde Espírito Santo, vinde pela intercessão poderosa do Imaculado Coração de Maria, Vossa amadíssima esposa.” “Vinde Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do Vosso amor. Enviai Senhor o Vosso Santo Espírito e tudo será criado e renovareis a face da terra...” É pela força do Espírito Santo que se vence as baixas paixões que combatem em nós: “Se viverdes segundo a carne morrereis; mas se pelo Espírito, mortificardes as obras da carne, vivereis, pois todos os que são movidos pelo Espírito de Deus, estes são filhos de Deus” (Rm 8,13). 25 “Andai segundo o Espírito e não satisfareis aos apetites da carne” (Gal 5,17). As obras da carne: “adultério, impureza, desonestidade, idolatria, magia, inimizades, contendas, ciúmes, iras, rixas, discórdias, partidos, invejas, embriaguez, orgias, e outras coisas” (Gal 5,20-21), só podem ser vencidas se nos deixarmos conduzir pelo Espírito, o qual produzirá, então, em nós os seus frutos: “caridade, alegria, paz, bondade, paciência, benignidade, fidelidade, mansidão, temperança” (Gal 5,22). É o Espírito Santo que dá vida a todas as coisas na Igreja; Ele é a sua alma. Assim se expressou maravilhosamente o Patriarca de Constantinopla, Atenágoras I, falecido em 1972: “Sem o Espírito Santo: Deus fica distante da gente; Cristo, perdido na História;O Evangelho é letra morta; A Igreja, apenas agremiação religiosa; A autoridade, poder que se evita; A pregação, propaganda da Igreja; A oração, tarefa a cumprir; A liturgia, ritual do passado; E a moral, repressão. Com o Espírito Santo: Deus entra na vida do mundo, onde inicia o seu Reino; Cristo, o Filho de Deus, se faz um de nós; O Evangelho é o novo estilo de vida; A Igreja, gente unida como as três Pessoas da Santíssima Trindade; A autoridade, apoio e serviço; A pregação, anúncio da novidade do Reino; A oração, experiência de contato com Deus; A liturgia, memorial que antecipa o futuro; E a moral, ação que liberta.” E como ser “cheio” do Espírito Santo? Em primeiro lugar é preciso purificar-se. Deus não ocupa nem usa vasos sujos. O Espírito Santo é Santo e não compactua com o pecado. Então, a primeira providência para o cristão viver uma vida de poder no Espírito Santo é renunciar ao pecado através da Confissão repetida sempre que necessário. O Catecismo da Igreja nos ensina que o pecado é a pior realidade para o homem, para o 26 mundo e para a pessoa. São Paulo resume toda a sua hediondez dizendo que: “o salário do pecado é a morte” (Rm 6,23); isto é, todo sofrimento deste mundo, toda dor e toda lágrima tem sua raiz última no pecado. É por isso que Jesus veio exatamente para “tirar o pecado do mundo”. São João Batista o apresentou ao mundo como “o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1,29). Jesus aceitou ser imolado dolorosamente na Cruz para conquistar o perdão a cada um de nós. Só olhando para Jesus esmagado na Cruz é que podemos ver com clareza todo o horror dos nossos pecados. Sem renunciar ao pecado continuamente, com o auxílio da graça de Deus, não se pode viver uma vida de plenitude no Espírito Santo. E o mesmo Espírito vai nos mostrando, pedagogicamente e amorosamente os pecados pequenos e grandes que precisamos nos livrar deles. Quando a sua luz brilha em nosso interior, então, começamos a ver o pecado que antes não era notado. Mas o Santo Espírito nos dá gosto e coragem de confessar e renunciar o pecado. Na luta contra o pecado precisamos renunciar especialmente aqueles que a Igreja chama de “capitais”: soberba, ganância, impureza, gula, ódio, inveja e preguiça. Esses pecados são como que pais de muitos outros. Jesus disse que é do nosso coração que brotam os piores pecados: “Porque é do coração que provêm os maus pensamentos, os homicídios, os adultérios, as impurezas, os furtos, os falsos testemunhos, as calúnias” (Mt 15,19). São Paulo apresenta várias listas de pecados graves: “Como não se preocupassem em adquirir o conhecimento de Deus, Deus entregou-os aos sentimentos depravados, e daí o seu procedimento indigno. São repletos de toda espécie de malícia, perversidade, cobiça, maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, engano, malignidade. São difamadores, caluniadores, inimigos de Deus, insolentes, soberbos, altivos, inventores de maldades, rebeldes contra os pais. São insensatos, desleais, sem coração, sem misericórdia” (Rm 1,29-31). “Comportemo-nos honestamente, como em pleno dia: nada de orgias, nada de bebedeira; nada de desonestidades nem dissoluções; nada de contendas, nada de ciúmes” (Rm 13,13). “Quanto à fornicação, à impureza, sob qualquer forma, ou à avareza, que disto nem se faça menção entre vós, como convém a santos. Nada de obscenidades, de conversas tolas ou levianas, porque tais coisas não convêm; em vez disto, ações de graças. Porque sabei- o bem: nenhum dissoluto, ou impuro, ou avarento – verdadeiros idólatras! – terá herança no Reino de Cristo e de Deus” (Ef 5,3-5). Para que Deus nos perdoe os nossos pecados, precisamos perdoar aos que nos 27 ofenderam, caso contrário, não receberemos o perdão de Deus e não poderemos ser repletos do seu Santo Espírito. O perdão negado a alguém nos afasta de Deus e impede a ação de sua graça em nós. “Se perdoardes aos homens os seus delitos também o vosso Pai celeste vos perdoará; mas, se não perdoardes aos homens, o vosso Pai também não perdoará os vossos delitos” (Mt 6,14). “Pai-Nosso, perdoai as nossas ofensas assim como perdoamos aqueles que nos ofenderam.” “Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, vosso Pai celeste também vos perdoará. Mas se não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai vos perdoará” (Mt 6,14-15). Quando Pedro lhe perguntou: “Quantas vezes devo perdoar o meu irmão, sete vezes?”, Ele respondeu: “não apenas sete vezes, mas setenta vezes sete” (Mt 18,21). “Agora, porém, deixai de lado todas estas coisas: ira, animosidade, maledicência, maldade, palavras torpes da vossa boca, nem vos enganeis uns aos outros. Vós vos despistes do homem velho com os seus vícios, e vos revestistes do novo, que se vai restaurando constantemente à imagem daquele que o criou, até atingir o perfeito conhecimento” (Col 3,8-10). Para ser pleno do Espírito Santo o cristão deve também desejar ardentemente fazer a vontade de Deus. O Espírito Santo nos é dado, sobretudo, para isto. Jesus veio ao mundo para fazer a vontade do Pai, e o cristão deve fazer o mesmo. Os evangelhos mostram isto: “Tenho um alimento para comer que vós não conheceis. Os discípulos perguntavam uns aos outros: Alguém lhe teria trazido de comer? Disse-lhes Jesus: Meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e cumprir a sua obra” (Jo 4,32-34). “Pois desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou” (Jo 6,38). “De mim mesmo não posso fazer coisa alguma. Julgo como ouço; e o meu julgamento é justo, porque não busco a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou” (Jo 5,30). Jesus veio ao mundo para fazer a vontade do Pai, e a cumpriu até na hora da morte: “Pai, se é de teu agrado, afasta de mim este cálice! Não se faça, todavia, a minha vontade, mas sim a tua” (Lc 22,42). E é preciso pedir ao Pai insistentemente que nos envie o Espírito Santo por meio de Jesus: Disse São Pedro em Pentecostes: “A Promessa é, de fato, para nós, assim como para os vossos filhos e para todos aqueles que estão longe, todos quantos foram chamados por 28 Deus nosso Senhor” (At 2,38-39). Somos testemunhas das grandes maravilhas que o Espírito Santo tem realizado hoje, como no tempo dos apóstolos. É incrível notar a mudança que houve na vida dos apóstolos após o Pentecostes. “Sereis batizados no Espírito Santo” (At 1,4-5), disse Jesus; e isto acontece hoje em toda a face da terra. Não se trata de um novo Sacramento, mas da “renovação” do mesmo Espírito que já recebemos no Batismo e nos demais Sacramentos. “Quem crer em mim, como diz a Escritura: do seu interior manarão rios de água viva (Zac 14,8; Is 58,11). Dizia ele isto, referindo-se ao Espírito que haviam de receber os que cressem nele” (Jo 7,37-39). D. João Evangelista Martins Terra, Bispo emérito de Brasília, no seu livro “Carismas em São Paulo” (Ed. Loyola-1995), afirma: “A Renovação Carismática é a grande esperança de salvação da sociedade neste final de milênio.” Pe. Zezinho, num artigo publicado na revista “O Mensageiro de Santo Antonio”, setembro de 1995, pág. 30, diz sobre a Renovação Carismática: “Já fui crítico até severo da Renovação Carismática Católica (RCC), até onde alcançava a minha palavra. Não sou mais. Vi o suficiente para saber o que é joio e o que é trigo. A RCC é um imenso campo de trigo, de boa qualidade, com algumas ilhas de joio no meio...” “O que me faz ajudar a admirar a RCC, quando seus membros me chamam mesmo não fazendo parte, são três aspectos de sua pedagogia: oração, gregarismo e sentido de missão...” 29 5. OS EFEITOS DE UMA VIDA NO ESPÍRITO Uma vida no Espírito Santo é uma nova vida religiosa onde a pessoa encontra um Deus vivo! Como disse S. Paulo, passou o que era velho, agora há um homem novo. “Todo aquele que está em Cristo é uma nova criatura. Passou o que era velho; eis que tudo se fez novo!” (2Cor 5,17). Mas como saber se estou vivendo conduzido pelo Espírito Santo? É pelos sinais da vida da pessoa. Gosto pela Palavra de Deus O Espírito Santo dá à pessoa ter gosto pela Palavra deDeus; ela gosta de ler a Bíblia, de a meditar e estudar, fazer um curso bíblico etc. “Porque a Palavra de Deus é viva, eficaz, mais penetrante do que uma espada de dois gumes e atinge até a divisão da alma e do corpo, das juntas e medulas, e discerne os pensamentos e intenções do coração. Nenhuma criatura lhe é invisível. Tudo é nu e descoberto aos olhos daquele a quem havemos de prestar contas” (Hb 4,12). A vivência do Amor O Espírito Santo dá à pessoa um coração amoroso como o de Jesus, cheio de caridade, mansidão, afeto, e amor aos irmãos. Gosta de ajudar a qualquer pessoa que dela precise; “faz o bem sem olhar a quem”. São Paulo disse que “a caridade é o vínculo da perfeição”, a sua marca. Aquele que é movido pelo Espírito de Deus abre o coração e o bolso para ajudar o necessitado. “Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus, e todo o que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor. Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: em nos ter enviado ao mundo o seu Filho único, para que vivamos por ele... Caríssimos, se Deus assim nos amou, também nós devemos amar uns aos outros” (1Jo 4,4-7). A Purificação dos Pecados O Espírito Santo faz o cristão, renovado nele, buscar a purificação dos pecados; quando a pessoa cai em falta grave. Ele a move logo a buscar o socorro da Confissão. “Depois dessas palavras, soprou sobre eles dizendo-lhes: Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os 30 retiverdes, ser-lhes-ão retidos” (Jo 20,22). A Confissão sacramental não é apenas para perdoar os pecados, mas também para dar força ao cristão para vencer a tentação e o pecado. Gosto pela Liturgia A pessoa que foi renovada no Espírito Santo tem um grande gosto pela participação na Sagrada Eucaristia, o amor infinito de Deus para conosco. Em cada Missa ela cresce e salva o mundo com Jesus. A pessoa que vive no Espírito tem gosto pela adoração do Santíssimo Sacramento e ama estar com Jesus no Sacrário, fazendo sua adoração, ação de graças, intercessão pelos outros, pela Igreja, pelo mundo, pelos sacerdotes, pelo Papa etc. “Eu sou o pão da vida... Este é o pão que desceu do céu, para que não morra todo aquele que dele comer. Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão, que eu hei de dar, é a minha carne para a salvação do mundo... Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. Pois a minha carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue, verdadeiramente uma bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. Assim como o Pai que me enviou vive, e eu vivo pelo Pai, assim também aquele que comer a minha carne viverá por mim” (Jo 6,48-57). O cristão conduzido pelo Espírito Santo sente um profundo gosto de comungar, se puder, até todos os dias. Zelo missionário A pessoa movida pelo Espírito tem grande zelo missionário, isto é, tem desejo de evangelizar; tem gosto de falar de Deus, da religião, de Jesus Cristo, da Igreja etc., e trabalha para evangelizar os outros, se dedica aos movimentos, grupos de oração, encontros, cenáculos, movimentos etc. Ele tem sede de salvar almas. O Espírito Santo nos foi dado acima de tudo para evangelizar: “Anunciar o Evangelho não é glória para mim; é uma obrigação que se me impõe. Ai de mim, se eu não anunciar o Evangelho! Se o fizesse de minha iniciativa, mereceria recompensa. Se o faço independentemente de minha vontade, é uma missão que me foi imposta” (1Cor 9,18-17). “Respondeu-lhes ele: Não vos pertence a vós saber os tempos nem os momentos que o Pai fixou em seu poder, mas descerá sobre vós o Espírito Santo e vos dará força; e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria e até os confins do 31 mundo” (At 1,7-8). Amor à Igreja O Espírito Santo leva a pessoa a ter um grande amor à Igreja, pois sabe que ela é o “Sacramento universal da salvação” (GS, 4), que o Senhor Jesus deixou para levar a Sua salvação a todos os homens de todos os tempos e lugares. Por isso, ama o Papa, os Bispos, os sacerdotes, mesmo sabendo que eles também podem errar e pecar, mas foram escolhidos pelo Senhor para serem os Pastores sagrados do Rebanho. “Simão Pedro respondeu: Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo! Jesus então lhe disse: Feliz és, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que te revelou isto, mas meu Pai que está nos céus. E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus” (Mt 16,16-19). São Paulo mostra que os bispos são sagrados pelo Espírito Santo: “Cuidai de vós mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastorear a Igreja de Deus, que ele adquiriu com o seu próprio sangue” (At 20,28). Jesus incumbiu os apóstolos (que hoje são os Bispos), a levarem a salvação a todos os povos: “Jesus, aproximando-se, lhes disse: Toda autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 28,18-20). Enquanto o último homem da face da terra não for batizado e viver os Sacramentos da Igreja Católica, a sua missão não estará terminada. Os Padres da Igreja diziam: “Não há salvação fora da Igreja”; isto é, para aquele que conheceu a Igreja, o Evangelho e Cristo; aqueles que, sem culpa, não os conheceram podem se salvar se viverem de acordo com os ditames da consciência. Amor a Nossa Senhora Quem é conduzido pelo Espírito Santo sabe que é um “filho muito amado de Maria”, de verdade, porque Jesus a deu como Mãe no Calvário. Ele sente o amor profundo dessa Mãe celeste. “Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena. Quando Jesus viu sua mãe e perto dela o discípulo que amava, disse à sua mãe: Mulher, eis aí teu filho. Depois disse ao discípulo: Eis aí tua 32 mãe. E dessa hora em diante o discípulo a levou para a sua casa” (Jo 19,25). São João levou Nossa Senhora para viver com ele na cidade de Éfeso, hoje na Turquia, naquela casinha que ainda hoje os peregrinos visitam nas montanhas da cidade. O cristão precisa fazer o mesmo: “levar Maria para a sua casa”; tê-la em seu coração, se consagrar a ela continuamente e não fazer nada sem a sua ajuda. A mãe ajuda o filho na vida terrena, Maria é nossa Mãe na vida espiritual, e nos encaminha para Deus e para o Céu; ela não deixa se perder nenhum de seus filhos. Ela quer nos ajudar nas menores necessidades. São Bernardo chamava Nossa Senhora de “Onipotência Suplicante”; isto é, tudo o que ela suplica a Deus, ela consegue dele, porque é sua Mãe. O que o Filho pode negar á Mãe? Por isso a Igreja diz: “Pede a Mãe que o Filho atende.” O homem conduzido pelo Espírito Santo ama Nossa Senhora, venera as suas imagens, reza o Santo Rosário, celebra com alegria as suas festas, divulga os dogmas sobre ela (Imaculada Conceição, Maternidade Divina, Virgindade Perpétua, Assunção ao Céu), imita as suas virtudes e caminha com ela todo momento. E nada faz sem a sua intercessão. Da mesma forma a pessoa espiritual ama e venera os Santos e os Anjos porque o Espírito Santo mostra à Igreja que eles “intercedem por nós sem cessar”, como diz a Liturgia eucarística. Eles são modelos de vida e intercessores junto de Deus com seus méritos e preces; quando lhes damos glória, glorificamos a Deus que os fez santos pela sua graça. Gosto pela Oração A força do renovado no Espírito Santo está na Oração. Ele tem gosto e prazerde rezar; sabe que é uma conversa agradável com Deus em todas as circunstâncias. Jesus passava noites em oração. Por isso a Bíblia nos manda rezar sem cessar. Não há nada mais necessário do que conversamos amigavelmente com Deus. Jesus gostava tanto de conversar com o Pai que passava noites inteiras nesse colóquio no alto dos montes da Galiléia (cf. Mt 6,9) e insistiu com eles: “É necessário orar sempre sem jamais deixar de fazê-lo” (Lc 18,1); “Vigiai e orai para que não entreis em tentação” (Mt 26,41); “Pedi a se vos dará” (Mt 7,7). Orar é uma ordem, um mandamento do Senhor. Sem oração, nenhum de nós fica de pé espiritualmente e ninguém consegue fazer a vontade de Deus. A razão é muito clara: “Porque sem mim nada podeis fazer” (Jo 15,5). Jesus deixou claro: esse “nada” indica que, por nós mesmos, não conseguiremos fazer o bem e, pior ainda, evitar o mal. São Paulo insistiu: “É o mesmo Deus que opera tudo em todos” (1Cor 12,6). 33 São Paulo expressou tudo isso em poucas palavras: “Vivei sempre contentes. Orai sem cessar.” (1Ts 5,16.18). Abandono em Deus A pessoa cheia do Espírito Santo abandona-se nas mãos de Deus e sabe que Deus é Pai e cuida dela. Por piores que sejam as provações não se desespera e nunca culpa a Deus por mal algum. Ele sabe, como disse S. Paulo, “que tudo concorre para o bem dos que amam a Deus” (Rm 8,29). “Em todas as circunstâncias, dai graças, porque esta é a vosso respeito a vontade de Deus em Jesus Cristo. Não extingais o Espírito” (1Tes 5,16-19). Por isso, em todas as circunstancias sabe dar glória a Deus, porque acredita que do pior mal que nos ocorra Deus sabe tirar um bem maior para nós. Esta é a “fé operativa” que o Espírito Santo nos concede; é um dom. Diante do sofrimento e da morte, a pessoa cheia do Espírito Santo pode estar sofrendo, mas não perde a paz e não se desespera; Deus a sustenta com o dom da fortaleza. “Alegrai-vos sempre no Senhor. Repito: alegrai-vos! Seja conhecida de todos os homens a vossa bondade. O Senhor está próximo. Não vos inquieteis com nada! Em todas as circunstâncias apresentai a Deus as vossas preocupações, mediante a oração, as súplicas e a ação de graças. E a paz de Deus, que excede toda a inteligência, haverá de guardar vossos corações e vossos pensamentos, em Cristo Jesus” (Fil 4,4-7). Os Frutos do Espírito Santo O Espírito Santo produz em nós os seus frutos: Amor – “Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver caridade, sou como o bronze que soa, ou como o címbalo que retine. Mesmo que eu tivesse o dom da profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência; mesmo que tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tiver caridade, não sou nada. Ainda que distribuísse todos os meus bens em sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, se não tiver caridade, de nada valeria! A caridade é paciente, a caridade é bondosa. Não tem inveja. A caridade não é orgulhosa. Não é arrogante. Nem escandalosa. Não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas se rejubila com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. A caridade jamais acabará. As profecias desaparecerão, o dom das línguas cessará, o dom da ciência findará” (1Cor 13). Alegria – “Disse-vos essas coisas para que a minha alegria esteja em vós, e a vossa alegria seja completa” (Jo 15,11). “Alegrai-vos sempre no Senhor. Repito: alegrai-vos!” (Fl 4,4). 34 Paz – “Porque é Ele a nossa paz, Ele que de dois povos fez um só, destruindo o muro de inimizade que os separava” (Ef 2,14). “Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não vo-la dou como o mundo a dá. Não se perturbe o vosso coração, nem se atemorize!” (Jo 14,27). Fé – “A fé é o fundamento da esperança, é uma certeza a respeito do que não se vê. Foi ela que fez a glória dos nossos antepassados. Pela fé reconhecemos que o mundo foi formado pela palavra de Deus e que as coisas visíveis se originaram do invisível. Pela fé Abel ofereceu a Deus um sacrifício bem superior ao de Caim, e mereceu ser chamado justo, porque Deus aceitou as suas ofertas. Graças a ela é que, apesar de sua morte, ele ainda fala... Ora, sem fé é impossível agradar a Deus, pois para se achegar a ele é necessário que se creia primeiro que ele existe e que recompensa os que o procuram” (Hb 11,1-6). Paciência – “O Deus da paz em breve não tardará a esmagar Satanás debaixo dos vossos pés. A graça de nosso Senhor Jesus Cristo esteja convosco!” (Rm 16,20). “Meu filho, se entrares para o serviço de Deus, permanece firme na justiça e no temor, e prepara a tua alma para a provação; humilha teu coração, espera com paciência, dá ouvidos e acolhe as palavras de sabedoria; não te perturbes no tempo da infelicidade, sofre as demoras de Deus; dedica-te a Deus, espera com paciência, a fim de que no derradeiro momento tua vida se enriqueça. Aceita tudo o que te acontecer. Na dor, permanece firme; na humilhação, tem paciência. Pois é pelo fogo que se experimentam o ouro e a prata, e os homens agradáveis a Deus, pelo cadinho da humilhação” (Eclo 2,1- 5). Benignidade – Deus é bom e nos quer bons. “Ora, Deus criou o homem para a imortalidade, e o fez à imagem de sua própria natureza. É por inveja do demônio que a morte entrou no mundo, e os que pertencem ao demônio prová-la-ão” (Sb 2,24). Afabilidade – “Sede alegres na esperança, pacientes na tribulação e perseverantes na oração. Socorrei às necessidades dos fiéis. Esmerai-vos na prática da hospitalidade. Abençoai os que vos perseguem; abençoai-os, e não os praguejeis. Alegrai-vos com os que se alegram; chorai com os que choram. Vivei em boa harmonia uns com os outros. Não vos deixeis levar pelo gosto das grandezas; afeiçoai-vos com as coisas modestas. Não sejais sábios aos vossos próprios olhos. Não pagueis a ninguém o mal com o mal. Aplicai-vos a fazer o bem diante de todos os homens. Se for possível, quanto depender de vós, vivei em paz com todos os homens. Não vos vingueis uns aos outros, caríssimos, mas deixai agir a ira de Deus, porque está escrito: A mim a vingança; a mim exercer a justiça, diz o Senhor (Dt 32,35). Se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber. Procedendo assim, amontoarás carvões em brasa sobre a sua 35 cabeça” (Pr 25,21s) (Rm 12,12-20). Fidelidade – “Todos os caminhos do Senhor são graça e fidelidade, para aqueles que guardam sua aliança e seus preceitos” (Sl 24,10). “Senhor, vossa bondade chega até os céus, vossa fidelidade se eleva até as nuvens” (Sl 35,6). “De sorte que nos gloriamos de vós nas igrejas de Deus, pela vossa constância e fidelidade no meio de todas as perseguições e tribulações que sofreis” (2Ts 1,4). Mansidão – “Tendes ouvido o que foi dito: Olho por olho, dente por dente. Eu, porém, vos digo: não resistais ao mau. Se alguém te ferir a face direita, oferece-lhe também a outra. Se alguém te citar em justiça para tirar-te a túnica, cede-lhe também a capa. Se alguém vem obrigar-te a andar mil passos com ele, anda dois mil. Dá a quem te pede e não te desvies daquele que te quer pedir emprestado. Tendes ouvido o que foi dito: Amarás o teu próximo e poderás odiar teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amai vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos [maltratam e] perseguem. Deste modo sereis os filhos de vosso Pai do céu, pois Ele faz nascer o sol tanto sobre os maus como sobre os bons, e faz chover sobre os justos e sobre os injustos. Se amais somente os que vos amam, que recompensa tereis? Não fazem assim os próprios publicanos? Se saudais apenas vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Não fazem isto também os pagãos? Portanto, sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 6,38-48). Temperança – “De fato, se viverdes segundo a carne, haveis de morrer; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras da carne, vivereis, pois todos os que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus” (Rm 8,13). 36 6. A CRISMA NO CÓDIGO DE DIREITO CANÔNICO O Código