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Instituto Universal Brasileiro Educação de Jovens e Adultos a Distância BRASILEIRO Curso a distância de: SUPLETIVO PREPARATÓRIO ENSINO MÉDIO SérieENSINO MÉDIO LÍNGUA SÉRIE PORTUGUESA AULA 1 A CONSTRUÇÃO DO TEXTO A FORMA: ASPECTOS SOB os QUAIS SE APRESENTA A forma de um texto pode apresentar-se em prosa e em verso. Além desses, ainda são aspectos da forma a linguagem cotidiana e a erudita, a figurada e a não-figurada. 1) Prosa Primeiramente, podemos dizer que a prosa é a linguagem natural, espontânea, enquanto o verso é a lin- guagem artificial. Tanto uma como outra possuem ritmo. Na prosa, esse ritmo pode ser determinado pelas pausas, indicadas através de sinais que estudamos na pontuação. Essas pausas de respiração determinam os segmentos do discurso. Portanto, o ritmo da linguagem é a sucessão de segmentos discursivos, separados por pausas de respiração. A entoação é o conjunto expressional - modulação da voz, expressão da face, atitudes, gestos que caracteriza certo segmento Podemos dizer, pois, que o ritmo é a sucessão de segmentos entoativos, separados por pausas de silêncio. 2) o verso Verso é cada linha do poema, ou, então, verso é o agrupamento de sílabas sujeitas a acentos predominantes ou pausas, e, portanto, obedecendo a um ritmo. Os elementos do verso são: a métrica (número certo de sílabas), o ritmo e a rima. a) Número de sílabas Sílabas métricas são as unidades de que se compõe o verso. As sílabas métricas distinguem-se das sílabas gra- maticais por se de modo diverso. Enquanto a sílaba métrica é o conjunto de sons que se destacam nitida- mente na audição, a sílaba gramatical é todo conjunto de sons enunciados de uma só vez, quer seja ou não nitida- mente ao ouvido. Disso resulta que nem sempre o número de sílabas gramaticais coincide com o número de sílabas métricas. As sílabas, nos versos, podem existir em número de uma até doze e, às vezes, mais. Sua contagem é feita ligan- do as sílabas que, na linguagem falada, se ligam naturalmente. Exemplo "Recordar é viver o já vivido." "E enxofre, e fumo, um dia Belzebu pensava." "Quando a noite envolver a natureza." A leitura desses versos faz-se do seguinte modo: "Recordaré vivero já vivido." fumum dia Belzebu pensava." "Quandanoitenvolvera natureza."Para contar as sílabas dos versos, separamos sílaba por sílaba, ligando-as como A contagem faz-se ape- nas até a última sílaba tônica abandonando o restante. Assim temos: "Re-cor-da-ré-vi-ve-ro-já-vivi (do) ." (10 sílabas) sílabas) (za)." (10 sílabas) A última sílaba do verso é, portanto, sempre a sílaba tônica (icto) da última palavra. Assim, se a última palavra du verso for uma oxítona, a sílaba será contada, porque a última sílaba tônica será justamente a última sílaba do verso; se a última palavra do verso for paroxítona, abandonar-se-á a última sílaba dessa palavra, na contagem; se for tona, as últimas duas sílabas não serão contadas. Há certas particularidades, permitidas na poesia, que visam principalmente a oferecer ao poeta recursos para manejar a cadência dos versos, de acordo com sua necessidade. São as seguintes: Elisão: Quando, a uma palavra terminada por vogal átona, se segue palavra começada por vogal átona, as duas vogais podem fundir-se numa única sílaba. Damos a isso o nome de elisão. Exemplo "Baixel veloz que ao úmido elemento A voz do nauta experto afoito entrega, Demora o curso teu, perto navega Da terra onde me fica o pensamento!" (Gonçalves Dias) Fazendo a escansão (escansão é a contagem de sílabas) destes versos, teremos vários casos de elisão: (to) A-voz-do-nau-taex-per-toa-foi-toen-ter (ga), (ga) Da-te-rraon-de-me-fi-cao-pen-sa-men (to)!" No primeiro verso, há elisão de "que" e "ao" (som de "quiau"), do "do" final de com o "e" átono de "ele- mento" (formando "umidelemento"); no segundo, temos "nautexperto" e "afoitentrega"; e, finalmente, no último, elide- se o final de "terra" com princípio de "onde" (formando "terronde"), e "fica" e o "o" ("fico"). NOTA: Quando é muito forte a primeira vogal ou quando se trata de um ditongo tônico, não há elisão, ou seja, esta não é obrigatória. Exemplo "O e as flechas, o estridente." (Olavo Bilac) Temos: "O-ma-ra-cá-eas-fle-chas, Sinérese e diérese: Os hiatos podem ser transformados em ditongos ou, ao contrário, os ditongos podem ser transformados em hiatos, conforme a precisão. Quando o hiato passa a ditongo, dizemos que há sinérese; o processo contrário é a diérese. Exemplo "e agora (Carlos Drummond de Andrade) Temos um verso de cinco sílabas; o hiato oa, de Joaquim, equivale a ditongo, no verso: "ea-go-ra-Joa-quim?"Portanto, trata-se de um caso de sinérese. Logo mais, veremos outras licenças, que são dadas aos poetas, na elaboração dos versos. Na contagem das sílabas métricas, só se considera até a última sílaba tônica do verso, como já vimos. De acor- do com a última tônica, os versos podem ser classificados em: a) agudos, quando terminados em palavras "Caçador, teu cão latiu, E do caminho fugiu!" (Manuel de Araújo Porto Alegre) b) graves, quando terminados em palavras paroxitonas: "Como deve custar ao pobre morto Ver as plagas da vida além perdidas, Sem ver o branco fumo de seus lares Levantar-se por entre as avenidas (Castro Alves) c) quando terminados em palavras proparoxitonas: "Volta ao pego caminha, e pára intrépido." (Manuel de Araújo Porto Alegre) "Que silentes as casas... que desesperado o crepúsculo" (Vinícius de Moraes) Passemos a alguns exemplos de versos de uma a doze sílabas: De UMA sílaba: "Vagas, plagas, fragas soltam cantos; cobrem montes fontes tíbios mantos." (Fagundes Varela) De DUAS sílabas: "Quem dera Que sintas As dores De amores Que louco Senti! Quem dera Que sintas!... Não negues, Não, mintas... - Eu vi!..." (Casimiro de Abreu)De TRÊS sílabas: "Vem a aurora Pressurosa, Cor-de-rosa, Que se cora De carmim; A seus raios As estrelas, Que eram belas, Têm desmaios, Já por fim" (Gonçalves Dias) De QUATRO sílabas: "Nas águas pousa E a base viva De luz esquiva, E a curva altiva Sublima o céu; Inda outro arqueia, Mais desbotado, Quase apagado, Como embotado De tênue véu." (Gonçalves Dias) De CINCO sílabas: "A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou e agora, José? e agora, Joaquim? e agora, você? Você que é sem nome, que zomba dos outros; você que faz versos, que ama, protesta? e agora, José?" (Carlos Drummond de Andrade) De SEIS sílabas: "O homem da lei decreta que não haja mais fome, que não haja mais frio, que sejamos irmãos. No outro dia décreta que não haja mais sede, que não haja mais crime, que me queiras bem." (Cassiano Ricardo) De SETE sílabas: "Era de noite - dormias, Do sonho nas melodias, Ao fresco da viração; Embalada na falua, Ao frio clarão da lua, Aos ais do meu coração!" (Álvares de Azevedo)De OITO sílabas: "Pus o meu sonho num navio e o navio em cima do mar; - depois, abri o mar com as mãos, para o meu sonho naufragar. Minhas mãos ainda estão molhadas do azul das ondas entreabertas, e a cor que escorre dos meus dedos colore as areias desertas." (Cecília Meireles) De NOVE sílabas: "Vem trazer-vos algemas pesadas, Com que a tribo tupi vai gemer, Hão de os velhos servirem de escravos, Mesmo o Piaga inda escravo há de ser! Fugireis procurando um asilo, Triste asilo por sertão; Anhangá de prazer há de rir-se, Vendo os vossos quão poucos serão." (Gonçalves Dias) De DEZ sílabas: "Ai! loucos sonhos de mancebo ardente Esp'ranças, altas... Ei-las já tão rasas! Pombo selvagem, quis voar contente Feriu-me a bala no bater das asas! Dizem que há gozos no correr da vida Só eu não sei em que o prazer consiste! No amor, na glória, na mundana lida, Foram-se as flores - a minh'alma é triste!" (Casimiro de Abreu) De ONZE sílabas: "Na sala espaçosa, cercado de escravos Nascidos nas selvas, robustos e bravos, Mas presos agora de infinito terror; Lotário pensava, Lotário o potente, Lotário o opulento, soberbo e valente, De um povo de humildes tirano e senhor." (Fagundes Varela) De DOZE sílabas: "Morre! germinarão as sagradas sementes Das gotas de suor, das lágrimas ardentes! Hão de frutificar as fomes e as vigílias! E um dia, povoada a terra em que te deitas, Quando, aos beijos do sol, sobrarem as colheitas, Quando, aos beijos do amor, crescerem as famílias, Tu cantarás na voz dos sinos, nas charruas, No esto da multidão, no tumultuar das ruas No clamor do trabalho e nos hinos da paz! E. subjugando o olvido, através das idades, Violador de sertões, plantador de cidades, Dentro do coração da pátria viverás!" (Olavo Bilac) Quanto ao número de sílabas, alguns versos recebem nomes especiais: Redondilha menor é o verso de cinco sílabas, muito usado na antigüidade. Redondilha maior é o verso de sete sílabas.Heróico é o verso de dez sílabas, com acento dominante na sexta sílaba. Sáfico (em homenagem à poetisa Safo) é o verso de dez sílabas, com acento dominante na oitava sílaba. Alexandrino é o verso de doze sílabas. Recebeu essa denominação por ter aparecido, pela primeira vez, no poema "Roman d'Alexandre", do poeta Alexandre de Bernay, no século XII. Bárbaros são os versos de mais de doze sílabas; são menos b) Ritmo No verso, vamos encontrar o ritmo melódico; que também é a sucessão de segmentos discursivos, como vimos na prosa, determinados pelos ictos e pelas pausas melódicas. Damos nome de icto à tônica artificialmente mais elevada que as tônicas do verso. Também as pausas determi- nadas pelos ictos atendem a uma necessidade fisiológica: após um icto só será possível modular a voz em sentido descensional se for feita uma pausa, dita melódica, porque própria deste ritmo. As pausas que se dão no interior dos versos são chamadas de cesura. Melhor dizendo, cesura é a pausa que se faz no interior do verso, após uma sílaba tônica, marcando o fim de um segmento melódico. Como já vimos, a sílaba anterior à cesura chama-se icto e se distingue das demais por uma maior tonicidade. A cesura tem importante efeito melódico, por constituir a passagem de uma tonicidade forte para uma reduzida, podendo ela coincidir, ou não, com a pausa determinada pela pontuação (chamada esta última de pausa lógica). No verso: "na sala espaçosa, cercada de escravos" temos dois segmentos discursivos; o primeiro vai até "espaçosa", cujo icto ço vem seguido da pausa sa; o segundo ter- mina na sílaba cra (de escravos). Portanto, temos uma cesura, que indicamos por uma barra (/): "na sala espaço/sa, cercada de escravos" Evidentemente, o acento tônico de um verso tem que na sílaba tônica de uma das palavras. Há regras para a acentuação tônica dos versos, que, entretanto, não são fixas, uma vez que a tendência atual é conseguir-se o ritmo através da distribuição variada das sílabas tônicas dentro de cada verso. Vejamos mais alguns exemplos de versos, cuja sílaba tônica escrevemos em letras maiúsculas: "AbençoAda a canção VElha Que os lábios TEUS cantam asSIM Na tua FAce que se enGElha, Da cor de Lívido marFIM. Parece a FURna do Jorrando PRAgas na A tua BOca de Tão tosco COmo o teu borDÃO." (Cruz e Souza) "Mar que arreMEtes, mas que não CANsas, Mar de e de vinGANças Como te inVEjo! Dentro em meu PElto Eu trago um PÂNtano InsatisFElto De corromPldas (Manuel Bandeira) Visto o ritmo, que é o elemento essencial da poesia, vejamos o que venha a ser verso e estrofe, segundo as noções dadas acima. verso é a unidade do ritmo melódico. Se ele for composto de um só segmento melódico, de uma só pausa, como nos exemplos de versos de uma, duas, três sílabas, que demos atrás, diremos que se trata de verso simples. Contendo dois ou mais segmentos e, portanto, duas ou mais pausas, estaremos diante de um verso composto. A pausa final do verso é maior que a cesura.A estrofe é determinada por uma pausa maior que a do final de verso, sendo composta de segmentos e de versos (ou só de versos, em caso de serem simples). Podemos defini-la "como a mais complexa unidade do ritmo melódico, unidade que se destaca no poema por uma pausa de tempo máxima." (Antônio Soares Amora, "Teoria da Literatura") Muitas vezes, todo o pensamento é colocado dentro do verso, havendo, pois, correspondência entre o pensamen- to e o verso: "Pus o meu sonho num navio e o navio em cima do mar; depois, abri o mar com as mãos, para o meu sonho naufragar." Como o aluno pode notar aqui, cada pensamento coincide perfeitamente com o verso respectivo. Há casos, no entanto, em que isso não se dá, passando a pausa lógica para o verso seguinte. Dão-se os nomes de "enjambement", embebimento ou encadeamento para indicar a continuação do pensamento de um verso no verso seguinte: "Era no dois de ju/lho: A pugna imensa Trava/a-se nos cerros da Bahia..." (Castro Alves) Como se pode perceber, a pausa final do primeiro verso foi anulada, havendo uma ligação lógica entre os versos, que passam a formar um único. Vejamos outro exemplo: "Porque te amo tanto, pátria minha, eu que não tenho Pátria, eu semente que nasci do vento Eu que não vou e não venho, eu que permaneço Em contacto com a dor do tempo, eu elemento De ligação entre a ação e o pensamento Eu fio invisível no espaço de todo o adeus Eu, o sem Deus! Tenho-te no entanto em mim como um gemido De flor; tenho-te como um amor morrido A quem se jurou; tenho-te como uma fé Sem dogma; tenho-te em tudo em que não me sinto a jeito Nesta sala estrangeira com lareira E sem pé-direito." (Vinícius de Moraes) Ainda podemos considerar, dentro do verso, o corte, que é uma pausa longa no meio do verso, determinada por ponto final, de exclamação, de interrogação ou reticências. Como exemplo, podemos considerar ainda a poesia de Castro Alves: "Era no dois de julho. A pugna imensa". c) Combinações fônicas São a rima, a aliteração e o eco, que nem sempre aparecem num poema, mas que, de um modo bastante geral, podem distinguir a poesia da prosa. RIMA Chama-se rima a semelhança que as sílabas finais de dois ou mais versos, a partir do acento tônico, têm entre si. Em regra geral, as rimas têm som igual. Exemplo: rouco e louco; tudo e mudo; fico e rico; torrão e etc. Mas há, também, rimas em que os sons não correspondem perfeitamente. Chamam-se rimas toantes ou imper- feitas. Exemplo: aquela e estrela; beijo e arpejo; capaz e mais; etc. Um pormenor que convém notar é aquele que se refere à chamada riqueza de rima. Diz-se que a rima é tanto mais rica quanto menor é a aproximação de classes das palavras rimadas. Assim, bonita e catita, pão e feijão, batido e temido são rimas pobres, porque tais palavras pertencem à mesma classe. Consideram-se rimas pobres, mesmo quando de classes de palavras diferentes, as que são feitas em -oso ou -osa, -dade e -ão. Exemplos: gostoso e teimoso; piedade e cidade; balão e cantarão. Quanto à colocação nos versos, as rimas podem ser:Emparelhadas, quando os versos rimam dois a dois: 1 e 2; 3 e etc Exemplo "Também a borboleta, Mal rompe a ninfa, o estojo abrindo, ávida e inquieta, As antenas agita, ensaia o vôo, adeja; finíssimo pó das asas espaneja; Pouco habituada à luz, a luz logo a embriaga; Bóia do sol na morna e rutilante vaga; Em grandes doses bebe o azul; tonta, espairece No éter; voa em redor; vai e vem; sobe e desce; Torna a subir e torna a descer; e ora gira Contra as correntes do ora incauta, se atira Contra o tojo e os sarçais; nas puas lancinantes Em pedaços faz logo as asas cintilantes;" (Raimundo Correia) Alternadas, quando os versos que rimam não são consecutivos, isto é, o primeiro rima com o terceiro; o segun- do, com o quarto; etc. Exemplo "Amo-te tanto, meu amor... não cante humano coração com mais verdade... Amo-te como amigo e como amante Numa sempre diversa realidade." "Distante o meu amor, se me afigura amor como um patético tormento Pensar nele é morrer de desventura Não pensar é matar meu pensamento. Seu mais doce desejo se amargura Todo o instante perdido é um sofrimento Cada beijo lembrado uma tortura Um ciúme do próprio ciumento." (Vinícius de Moraes) Opostas, interpoladas ou cruzadas são as que têm dois versos que rimam, separados por dois outros que rimam apenas entre si, isto é, o primeiro verso rima com o quarto, e o segundo com o terceiro. Exemplo "Se as horas passam entre a terra e o céu Quero também passar com meus sentidos Esquecer-me dos tempos revividos E simplesmente caminhar ao léu. Agora que a penumbra desce o véu Na floresta dos dias repetidos, Os bichos errarão, anoitecidos, Nas almas misteriosas do mundéu." (Paulo Bonfim) Encadeadas, quando a palavra de um verso rima com outra, no meio do verso seguinte.Exemplo "Quando alta noite n'amplidão flutua Pálida a lua com fatal palor, Não sabes, virgem, que eu por ti suspiro E que deliro a suspirar de amor. Quando no leito entre sutis cortinas Tu te reclinas indolente aí, Ai! Tu não sabes que sozinho e triste Um ser existe que só pensa em ti." (Castro Alves) Brancos (também chamados soltos) são os versos que não têm Exemplo "Agora me capturo; quando surpreendo teus dedos na esperança de atingir gotas de chuva apesar do vidro. Quando sorris à claridade do sol e crês conter rasgos de vento nas mãos pequenas, quando emprestas existência às mínimas coisas e tratas com a mesma gravidade o homem e o pássaro." (Lupe Cotrim Garaude) ALITERAÇÃO Consiste numa seqüência de palavras que tenham som inicial semelhante. É um processo bastante antigo, encontrado já na poesia latina. Num pequeno verso da poesia "Viagem Ex(orbita) nte", de Cassiano Ricardo, vamos encontrar um exemplo de aliteração "O céu sobra." Em outra poesia do mesmo autor, "Pão & Circo", encontramos também um ensaio de aliteração: "Uma rosa-dos-ventos, vesga. E eu circulo entre uma nesga de chão e outra de céu. Num circo." ECO Como a aliteração, o eco certas vezes tem efeito apenas musical, e em outras, efeito onomatopaico. Ao contrário da aliteração, o eco consiste numa seqüência de palavras com semelhante som final. Um exemplo é esta poesia de Castro Alves, "Exortação": Donzela bela, que me inspira à lira Um canto santo de fervente amor, Ao bardo o cardo da tremenda senda Estanca, arranca-lhe a dor.triste existe qual a pedra medra, Rosa saudosa do gentil jardim, Qual monge ao longe já no claustro exausto, Qual ampla campa a proteger-lhe o fim. o triste existe em sofrimento lento, Vive, revive p'ra morrer depois... Morre assim corre a atribulada estrada Da vida qu'rida, soluçando a sós. d) Estrofe e sua classificação Estância, estança ou estrofe é a reunião de versos semelhantes na forma e quase sempre no número de sílabas. Conforme o número de versos, a estrofe recebe os seguintes nomes: 1) Parelha ou dístico é a estrofe que consta de dois versos. Exemplo I "Dou-lhe tudo do que como e ela me exige o último gomo. II Dou-lhe a roupa com que me visto e ela me interroga: só isto? III Se ela me fere num espinho, o meu sangue é que é o seu vinho." (Cassiano Ricardo) 2) Terceto é a estrofe constituída de três versos. Constitui as estrofes finais do soneto (que é a poesia formada de quatro estrofes, as duas primeiras de quatro versos cada, e as duas últimas, de três). Exemplo "E foi tal o chorar por mim vertido, E tais as dores, tantas as tristezas que me arrancou do peito vossa graça, Que de muito perder, tudo foi perdido. Não vejo mais surpresa nas surpresas E nem sofrer sei mais, por mor desgraça." (Mário de Andrade) 3) Quadra ou quarteto é a estrofe formada de quatro versos. A melhor rima para a quadra é a alternada: o 1° verso rimando com o 3°, e o 2° com o Há, porém, muitas variações. Exemplo "Ah! Toda a alma num cárcere anda presa, Soluçando nas trevas, entre grades Do calabouço olhando imensidades, Mares, estrelas, tardes, natureza. Tudo se veste de uma igual grandeza Quando a alma entre grilhões as liberdades Sonha e sonhando as imortalidades Rasga no etéreo Espaço da Pureza." (Crüz e Sousa,)4) Quintilha é a estrofe de cinco versos. Exemplo "Meu filho, ofereço-te uma terra que amo, um próximo que sinto como próximo um amanhã que confio, um universo humano. Neste amor, que compartilho contigo no mais ermo de mim revelo este segredo onde possas erguer o amor de ti mesmo." (Lupe Cotrim Garaude) 5) Sextilha é a estrofe que se compõe de seis versos. Exemplo "Em meio deste frio e este abandono, eu não consigo conciliar meu sono, embora zuna o vento e brilhe o luar, porque me falta o teu chorar convulso, a agitação do sangue do teu pulso, tuas canções nostálgicas, ó Mar! Rolando, as vagas fortes vêm, serenas, desmanchar-se na praia e vê-se, apenas, um pouco de água, espumas, nada mais. E, depois, voltam na vazante, e a cheia vem de novo estender-se sobre a areia, obedecendo a suas leis fatais." (Euclides Lara) 6) Septeto ou setilha é a estrofe que possui sete versos. Exemplo Não te invoco, liberdade. Talvez lúcida para saber-te o sentido, assim presa a tudo, amarrada a este auge de ser pouco indivíduo e tanta humanidade." (Lupe Cotrim Garaude)7) Oitava, quando se compõe de oito versos. Foi empregada na poesia épica. Camões escreveu "Os em oitavas. A disposição das rimas pode ser: o 1° com o 3° e o o 2° com o e o 6° e, finalmente, o com o Exemplo "As armas e os barões assinalados que da ocidental praia lusitana, por mares nunca d'antes navegados, passaram ainda além da Taprobana, e em perigos e guerras esforçados mais do que prometia a força humana, entre gente remota edificaram novo reino, que tanto sublimaram... (Camões) 8) Décima é denominação da estrofe, quando se compõe de dez versos. Em geral, a rima da estrofe de dez ver- obedece à seguinte disposição: o 1° com o e o o 2° com o 3°: o 6° com o e o e o 8° com o há, porém, muitas variações. Exemplo "A febre me queima a fronte E dos túmulos a aragem a pálida face; Mas no delírio e na febre Sempre teu rosto contemplo, E serena a tua imagem Vela à minha cabeceira, Rodeada de poesia, Tão bela como o dia Em que vi-te a vez primeira!" (Casimiro de Abreu) POESIAS DE FORMA FIXA São composições poéticas que obedecem a uma determinada combinação de estrofes, de ritmo e de rima. A principal é o soneto, poesia lírica de 14 versos, distribuídos em dois quartetos e dois tercetos. São, ainda, de forma fixa: a quadrinha, o rondel, o pantum e outros. A quadrinha consta de 4 versos, com diferentes combinações rítmicas e rímicas, encerrando o último verso a conclusão do pensamento do poeta. o rondel é constituído de duas quadras e de uma quintilha. Os dois primeiros versos da primeira quadra são os dois últimos da segunda, e o primeiro verso da primeira quadra é o último da Pantum são duas quadras encadeadas, em que os versos se repetem dois a o 2° e o de cada estrofe, como o 1° e o 3° da estrofe seguinte, em versos de sete sílabas.Exemplos de Poesia de Forma Fixa Soneto da fidelidade De tudo, ao meu amor serei atento Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto Que mesmo em face do maior encanto Dele se encante mais meu pensamento. Quero vivê-lo em cada vão momento E em seu louvor hei de espalhar meu canto E rir meu riso e derramar meu pranto Ao seu pesar ou seu contentamento. E assim, quando mais tarde me procure Quem sabe a morte, angústia de quem vive Quem sabe a solidão, fim de quem ama Eu possa me dizer do amor (que tive): que não seja imortal, posto que é chama Mas que seja infinito enquanto dure." (Vinícius de Moraes) Rondel Sobre as ondas oscila o batel docemente Sopra o vento a gemer. Treme enfunada a vela, Na água mansa do mar passam tremulamente Áureos traços de luz brilhando esparsos nela Lá desponta o luar. Tu, palpitante e bela, Canta! Chega-te a mim! Dê-me essa boca ardente! Sobre as ondas oscila o batel docemente... Sopra o vento a gemer. Treme enfunada a vela, Vagas azuis, parai! Curvo céu transparente, Nuvens de prata, ouvi Ouça na altura a estrela, Ouça debaixo o oceano, ouça o luar albente: Ela canta e, embalado ao som do canto dela, Sobre as ondas oscila o batel docemente. (Olavo Bilac) Pantum Desce a corrente do rio barco sem remadores Que secreto murmúrio Da ribanceira entre as flores. barco sem remadores Oscila à toa, flutua, Da ribanceira entre as flores Aos frios raios da lua. (Autor anônimo)EXERCÍCIOS PARA VOCÊ RESOLVER Leia o poema c) As estrofes são classificadas de acordo com o número de versos que apresentam. As duas primeiras estrofes Velho Tema de "Velho Tema" possuem, cada uma, versos; por isso são chamadas Eu cantarei de amor tão fortemente, As duas últimas estrofes possuem, cada uma, Com tal celeuma e com tamanhos brados, versos; por isso são chamadas Que afinal teus ouvidos, dominados, d) o poema descrito é uma forma fixa denominada Hão de à força escutar quanto eu sustente. e) Realizando a escansão do 10° verso, descobrimos que ele apresenta sílabas poéticas. Quero que meu amor se te apresente f) Quanto à colocação, as rimas dos quartetos classifi- Não andrajoso e mendigando agrados, cam-se como Mas tal como é: risonho e sem cuidados, g) Na primeira estrofe, a rima formada pelas palavras Muito de altivo, um tanto de insolente. "fortemente" e "sustente" pode ser considerada rima pois "fortemente" é advérbio e "sustente" é Nem ele mais a desejar se atreve verbo; isto é, são palavras de classes gramaticais Do que merece: eu te amo. e o meu desejo diferentes. Apenas cobra um bem que se me deve. 2. Classifique a estrofe abaixo de acordo com o número Clamo e não gemo; avanço, e não rastejo, de versos. E de olhos enxutos e alma leve À galharda conquista do seu beijo. Quando o enterro passou Os homens que se achavam no café (Vicente de Carvalho. Tiraram o chapéu maquinalmente Poemas e Canções, ed. SP, Nacional) Saudavam o morto distraídos Estavam todos voltados para a vida 1. Complete as lacunas das afirmações abaixo. Absortos na vida Confiantes na vida. a) Verso é cada linha do poema. Desse modo, podemos (Manuel Bandeira) afirmar que o poema acima possui versos. a) ( ) sextilha b) Estrofe é cada agrupamento de versos que o poema b) ( ) septeto apresenta. Podemos, então, afirmar que "Velho Tema" c) ) terceto possui estrofes. d) ( ) quarteto CHAVE DE RESPOSTAS 1. Complete as lacunas das afirmações (ocorrem elisões de vogais; por isso a metrificação apon- ta 10 sílabas) a) Verso é cada linha do poema. Desse modo, podemos f) Quanto à colocação, as rimas dos quartetos classifi- afirmar que o poema acima possui 14 versos. cam-se como opostas interpoladas ou cruzadas. b) Estrofe é cada agrupamento de versos que o poema apresenta. Podemos, então, afirmar que "Velho Tema" Comentário: possui 4 estrofes. fortemente a apresente a c) As estrofes são classificadas de acordo com o número brados b agrados b de versos que apresentam. As duas primeiras estrofes dominados b cuidados b de "Velho Tema" possuem, cada uma, 4 versos; por isso sustente a insolente a são quartetos. As duas últimas estrofes possuem, cada uma, 3 versos: g) Na primeira a rima formada pelas palavras por isso são chamadas tercetos. "fortemente" e "sustente" pode ser considerada rima d) poema descrito é uma forma fixa denominada soneto. pois "fortemente" é advérbio e "sustente" é verbo; e) Realizando a escansão do 10° verso, descobrimos isto é, são palavras de classes gramaticais diferentes. que ele apresenta 10 sílabas poéticas. Comentário: 2. b) (X) septeto Comentário: Contando-se cada linha da estrofe apre- Do que merece: eu te e meu desejo sentada, determinamos 7 versos. A estrofe com esse 1 2 3 6 7 8 10 número de versos classifica-se como septeto.