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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ PRESIDENTE DO TRIBUNAL DO JÚRI DA COMARCA DE 
Processo nº: 
Mévio, já qualificado nos autos do processo em epígrafe, por sua advogada que esta subscreve (procuração em anexo), inconformado com a decisão proferida pelo Tribunal do Júri, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, interpor o presente
RECURSO DE APELAÇÃO
Com fulcro no artigo 593, inciso III, alínea a do Código de Processo Pena. Requer ainda sejam os presentes autos recebidos e processados, com a sequente remessa ao Egrégio Tribunal de Justiça do Estado de.
Termos em que, 
Pede deferimento.
Local, Data.
Advogado
OAB/UF
RAZÕES DE APELAÇÃO
Processo nº: 
Apelante: Mévio
Apelado: Ministério Público
EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA COLENDA CÂMARA CRIMINAL DOUTA PROCURADORIA DE JUSTIÇA
Em que pese a respeitável decisão do Plenário do Júri,a decisão condenatória proferida contra Mévio não encontra amparo legal, devendo ser cassada diante dos flagrantes nulidades processuais ocorridas durante o julgamento plenário, conforme restou consignado em ata pela defesa.
I – DOS FATOS
O Apelante foi submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri, acusado da suposta prática de homicídio. Durante os debates orais, o representante do Ministério Público adotou condutas processualmente vedadas, com nítido potencial de influência sobre o Conselho de Sentença.
A acusação iniciou sua fala procedendo à leitura integral da denúncia, prosseguiu com a leitura e destaque de trechos da decisão de pronúncia — afirmando tratar-se de prova da veracidade das alegações — e, ao final, leu uma reportagem jornalística de grande repercussão que apontava o réu como autor do crime.
A defesa, ao se manifestar, pleiteou a absolvição por negativa de autoria e registrou formalmente, em ata, sua oposição à leitura da denúncia, à menção à pronúncia e à utilização da reportagem.
Ainda assim, o julgamento prosseguiu e resultou na condenação do réu, razão pela qual se apresenta o presente recurso, diante das nulidades verificadas.
II – DA TEMPESTIVIDADE
O recurso é tempestivo, conforme o artigo 593, caput, do Código de Processo Penal, que fixa o prazo de cinco dias para sua interposição. Informa-se, ainda, a desnecessidade de novo prazo para apresentação das razões, conforme dispõe o artigo 600 do mesmo diploma legal.
III – DO MÉRITO
1. Violação ao artigo 478, I, do Código de Processo Penal
Nos termos do artigo 478, inciso I, do CPP, é expressamente vedado fazer referência à decisão de pronúncia durante os debates orais. Tal conduta compromete a imparcialidade dos jurados, pois insinua que o juiz já reconheceu a culpabilidade do acusado.
Na hipótese em análise, o representante do Ministério Público utilizou-se da decisão de pronúncia como instrumento de convencimento, afirmando tratar-se de prova de autoria — o que representa violação direta ao dispositivo legal mencionado.
2. Proibição da leitura de documentos externos (artigo 479, parágrafo único, do CPP)
A acusação, ao apresentar e ler uma reportagem jornalística durante sua sustentação oral, também incorreu em outra nulidade. Nos termos do artigo 479, parágrafo único, do CPP, é vedada a leitura, em plenário, de documentos que não tenham sido previamente juntados aos autos com antecedência mínima de três dias úteis, com ciência da outra parte.
Trata-se de conteúdo alheio ao processo, não submetido ao contraditório, com forte carga opinativa e capacidade de influenciar subjetivamente os jurados — o que compromete o devido processo legal e a paridade de armas.
3. Leitura da denúncia em plenário
A leitura integral da denúncia configura nova afronta à legalidade, por se tratar de peça acusatória e opinativa, que não deve ser reproduzida em plenário como meio de convencimento do Conselho de Sentença.
Embora a legislação não a proíba de forma expressa, a jurisprudência tem entendido que tal prática fere os princípios da imparcialidade e do contraditório, razão pela qual constitui motivo suficiente para a anulação do julgamento.
4. Inconformismo oportunamente registrado em ata
A defesa consignou, em momento oportuno e de forma expressa, seu inconformismo com os vícios ocorridos durante a sessão plenária, o que afasta eventual alegação de preclusão, conforme estabelece o artigo 571, inciso I, do CPP.
IV – DOS PEDIDOS
Diante de todo o exposto, requer-se:
1. O conhecimento e provimento do presente recurso;
2. O reconhecimento das nulidades verificadas durante o julgamento;
3. A anulação da sentença condenatória e designação de novo julgamento perante o Tribunal do Júri, nos termos do artigo 593, inciso III, alínea “a”, do Código de Processo Penal.
Nestes termos,
 Pede deferimento.
[Cidade], [Data]
[Nome da Advogada]
 OAB/[UF] [número]

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