Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

ARAÚJO, A.K.L. Aspectos Morfológicos do Processo de Cicatrização Induzido por Ouratea sp. 
 0 
 
 
 
 
 
 
 
UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEARÁ 
 
 
 
ADJANNA KARLA LEITE ARAÚJO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ASPECTOS MORFOLÓGICOS DO PROCESSO DE 
CICATRIZAÇÃO INDUZIDO POR Ouratea sp. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FORTALEZA – CEARÁ 
2010 
ARAÚJO, A.K.L. Aspectos Morfológicos do Processo de Cicatrização Induzido por Ouratea sp. 
 1 
ADJANNA KARLA LEITE ARAÚJO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ASPECTOS MORFOLÓGICOS DO PROCESSO DE 
 CICATRIZAÇÃO INDUZIDO POR Ouratea sp. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FORTALEZA-CE 
2010 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FORTALEZA – CEARÁ 
2010 
Dissertação apresentada ao Programa de Pós-
Graduação em Ciências Veterinárias da Faculdade 
de Veterinária da Universidade Estadual do Ceará, 
como requisito parcial para a obtenção do título de 
Mestre em Ciências Veterinárias. 
Área de Concentração: Reprodução e Sanidade 
Animal. 
Linha de Pesquisa: Reprodução e sanidade de 
carnívoros, onívoros, herbívoros e aves 
Orientadora: Profª. Drª. Diana Célia Sousa Nunes 
Pinheiro 
Co-orientadora: Profª. Drª. Regina Célia Bressan 
Queiroz de Figueiredo 
ARAÚJO, A.K.L. Aspectos Morfológicos do Processo de Cicatrização Induzido por Ouratea sp. 
 2 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A663a Araújo, Adjanna Karla Leite 
Aspectos morfológicos do processo de cicatrização 
induzido por Ouratea sp. / Adjanna Karla Leite Araújo – 
Fortaleza, 2010. 
177 p. ; il. 
Orientadora: Profª. Drª. Diana Célia Sousa Nunes 
Pinheiro. 
Dissertação (Programa de Pós-Graduação em Ciências 
Veterinárias) – Universidade Estadual do Ceará, Faculdade de 
Veterinária. 
Área de Concentração: Reprodução e Sanidade Animal. 
1. Ouratea sp. 2. Batiputá. 3. Óleos vegetais. 4. Pele. 5. 
Cicatrização. I. Universidade Estadual do Ceará, Faculdade de 
Veterinária. 
CDD: 636.089 
 
ARAÚJO, A.K.L. Aspectos Morfológicos do Processo de Cicatrização Induzido por Ouratea sp. 
 3 
ADJANNA KARLA LEITE ARAÚJO 
 
 
 
 
 
ASPECTOS MORFOLÓGICOS DO PROCESSO DE 
 CICATRIZAÇÃO INDUZIDO POR Ouratea sp. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aprovada em: ____/____/_______. 
 
 
 
BANCA EXAMINADORA 
 
 
 
__________________________________________________________ 
Profª. Drª. Diana Célia Sousa Nunes Pinheiro (Orientadora) 
Universidade Estadual do Ceará – UECE 
 
 
 
__________________________________________________________ 
Profª. Drª. Virgínia Cláudia Carneiro Girão 
Universidade de Fortaleza – UNIFOR 
 
 
 
__________________________________________________________ 
Profª. Drª. Érika Freitas Mota 
Universidade Federal do Ceará – UFC 
 
 
 
 
 
 
 
Dissertação apresentada ao Programa de Pós-
Graduação em Ciências Veterinárias da Faculdade de 
Veterinária da Universidade Estadual do Ceará, como 
requisito parcial para a obtenção do título de Mestre 
em Ciências Veterinárias. 
ARAÚJO, A.K.L. Aspectos Morfológicos do Processo de Cicatrização Induzido por Ouratea sp. 
 4 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
“Aos inesquecíveis animais utilizados nos experimentos, 
 que olham questionando o que ocorre, 
que sentem dor, medo e não compreendem, 
 que não entendem a dor, a perda da liberdade, 
que lambem as mãos do algoz 
confundindo-o com um amigo”. 
 Dedico este trabalho. 
 
 
 
ARAÚJO, A.K.L. Aspectos Morfológicos do Processo de Cicatrização Induzido por Ouratea sp. 
 5 
AGRADECIMENTOS 
 
 
À Universidade Estadual do Ceará. 
À Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). 
Ao Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães/Fundação Instituto Oswaldo Cruz- PE. 
À Professora Doutora Diana Célia Sousa Nunes Pinheiro. 
À Professora Doutora Regina Célia Bressan Queiroz de Figueiredo. 
Aos colaboradores. 
À banca examinadora. 
À minha família. 
Aos amigos. 
... 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ARAÚJO, A.K.L. Aspectos Morfológicos do Processo de Cicatrização Induzido por Ouratea sp. 
 6 
 
 
Resumo 
O objetivo deste trabalho foi avaliar o efeito do óleo de Ouratea sp. (Batiputá) sobre a 
cicatrização de feridas cutâneas em modelos experimentais in vivo. O óleo vegetal foi 
adquirido comercialmente em Fortaleza, Ceará, Brasil, e analisado química e 
microbiologicamente. As feridas cutâneas foram induzidas no dorso de camundongos 
distribuídos em três grupos: Grupo I tratado com NaCl a 0,9%; Grupo II tratado com 
óleo de Helianthus annus (grupo de referência) e Grupo III tratado com óleo de Ouratea 
sp. Todos os animais receberam 100 µL de cada tratamento aplicado na lesão, 
diariamente, por 12 dias consecutivos. Fragmentos das lesões foram coletados nos dias 
2, 7 e 12 para avaliações histológicas e morfométricas. As avaliações dos parâmetros 
macroscópicas e a mensuração da área da lesão foram realizadas diariamente. O óleo de 
Ouratea sp. apresentou como principais constituintes os ácidos linoléico (40,88%) e 
oléico (28,29%). O óleo de Ouratea sp. apresentou efeito cicatrizante semelhante ao 
óleo de H. annus (p>0,05) e induziu inflamação em relação ao Grupo tratado com NaCl 
a 0,9% (p<0,05). O óleo de Ouratea sp. iniciou o processo de retração da área da lesão 
no 4º dia, enquanto que o óleo de H. annus e NaCl a 0,9% iniciaram o processo de 
retração da área da lesão no 7º e 6º dia, respectivamente (p<0,05). O tratamento com o 
óleo de Ouratea sp. apresentou uma colagenização mais acentuada quando comparado 
aos outros tratamentos (p<0,05). Estes efeitos podem estar associados aos altos níveis 
de ômega-6 e ômega-9 presentes nesse óleo. Concluiu-se que o óleo de Ouratea sp. 
auxiliou e acelerou o processo de cicatrização, mostrando potencial terapêutico sobre as 
lesões cutâneas, comprovando, desta forma, o seu uso popular como agente cicatrizante. 
Palavras-chave: Ouratea sp., Batiputá, Óleos vegetais, Cicatrização, Pele. 
 
ARAÚJO, A.K.L. Aspectos Morfológicos do Processo de Cicatrização Induzido por Ouratea sp. 
 7 
Abstract 
The aim of this study was to evaluate the oil effects of Ouratea sp. on skin healing in 
experimental models in vivo. The vegetable oil was purchased commercially in 
Fortaleza, Ceará, Brazil, and analyzed chemically and microbiologically. The wounds 
were induced on the backs of mice divided into three groups: Group I treated with NaCl 
0.9%; Group II treated with oil of Helianthus annus (reference group) and Group III 
treated with oil of Ouratea sp. All animals received 100 µL of each treatment applied to 
the lesion daily for 12 consecutive days. Lesion fragments were collected on days 2, 7 
and 12 for histological and morphometric evaluations. The evaluations of the 
macroscopic parameters and the measurement of lesion area were performed daily. 
Ouratea sp. oil presented as the main constituents linoleic (40.88%) and oleic (28.29%). 
Ouratea sp. oil showed healing effect similar to oil of H. annus (p> 0.05), and induced 
inflammation in relation to the group treated with NaCl 0.9% (p <0.05). Ouratea sp. oil 
began the process of shrinkage of the lesion area on day 4, while the H. annus oil and 
NaCl 0.9% started the process of shrinkage of the lesion area in the 7th and 6th, 
respectively (p <0.05). The treatment with Ouratea sp. oil showed a more marked 
collagen when compared to other treatments (p <0.05). This effect may be associated to 
the high levels of omega-6 and omega-9 present in this oil. It was concluded that 
Ouratea sp. oil presents a great therapeutic potential in a model of cutaneous wound 
healing. 
Keywords: Ouratea sp., Batiputá, Vegetables oils, Wound healing, Skin. 
 
 
 
 
 
 
 
ARAÚJO, A.K.L. Aspectos Morfológicos do Processo de Cicatrização Induzido por Ouratea sp. 
 8 
LISTA DE TABELAS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Tabela 1 Fatores de crescimento envolvidosno processo cicatricial de lesões 
cutâneas. 
 
Tabela 2 Composição química qualitativa e quantitativa do óleo de Ouratea sp. 
 
 
Tabela 3 Avaliação macroscópica durante os dias de tratamento. 
 
 
Tabela 4 Avaliação histológica comparativa do efeito cicatrizante dos 
tratamentos administrados nas feridas – Aspectos qualitativos. 
 
ARAÚJO, A.K.L. Aspectos Morfológicos do Processo de Cicatrização Induzido por Ouratea sp. 
 9 
LISTA DE FIGURAS 
 
 
 
Figura 1 Camadas e estruturas da pele. 
Figura 2 Cadeias polipeptídicas - Formação da fibra colágena. 
Figura 3 Esquema de uma lesão cutânea. 
Figura 4 Etapas do processo cicatricial de lesões cutâneas. 
Figura 5 Fases sequenciais do processo de cicatrização. 
Figura 6 Evolução do nº relativo de células nas fases da cicatrização. 
Figura 7 Ouratea sp. 
Figura 8 Procedimento cirúrgico para realização da lesão. 
Figura 8A Molde metálico vazado (Ø= 1,0 cm). 
Figura 8B e C Divulsionamento da pele. 
Figura 8D Ferida realizada. 
Figura 9A Bancada para Microtomia. 
Figura 9B e C Visão em detalhes do processo histológico. 
Figura 9D Processo de coloração das lâminas. 
Figura 10A Equipamento utilizado para realização da morfometria. 
Figura 10B e C Visão em detalhes do software utilizado. 
Figura 11 Paquímetro Digital. 
Figura 12 Cromatograma de íons totais (TIC) do óleo de Ouratea sp. 
Figura 13 Aspectos Macroscópicos das lesões. 
Figura 14 Avaliação microscópica das lesões, Coloração H/E. 
Figura 15 Efeito dos tratamentos sobre a área da lesão (cm2) ao longo dos dias. 
Figura 16 Porcentagem da deposição de colágeno durante o tratamento. 
 
ARAÚJO, A.K.L. Aspectos Morfológicos do Processo de Cicatrização Induzido por Ouratea sp. 
 10 
LISTA DE ABREVIAÇÕES E SIGLAS 
 
 
EGF Fator de crescimento epidérmico 
FGF Fator de crescimento de fibroblastos 
TGF-β Fator de crescimento transformante beta 
TGF- α Fator de crescimento transformante alfa 
TNF-α Fator de necrose tumoral alfa 
VEGF Fator de crescimento endotelial vascular 
PGDF Fator de Crescimento Derivado de Plaqueta 
KGF Fator de Crescimento de Queratinócitos 
IL1α Interleucina 1alfa 
IL2 Interleucina 2 
ILβ Interleucina beta 
PMN Polimorfonucleares 
FC Fator de crescimento 
NO Óxido Nítrico 
C3a Complemento 3a 
C5a Complemento 5a 
RLO Radicais livres de oxigênio 
MAF Fator ativador de macrófagos 
MBP Proteína Básica Principal 
CL células de Langerhans 
kg Quilograma 
g grama 
L Litro 
m Metro 
mg Miligrama 
min Minuto 
mL Mililitro 
µL Microlitro 
mm Milímetro 
µm Micrômetro 
h Hora 
IM Intramuscular 
He Gás hélio 
µg Micrograma 
p.o. pós-operatório 
PBS Solução salina fosfato- tamponada 
M Molar 
pH Pontes de Hidrogênio 
H/E Hematoxilina/Eosina 
TM Tricrômico de Masson 
ANOVA Análise de variância 
TIC Cromatograma de íons totais 
SPU Sistema de Protocolo Único 
COBEA Colégio Brasileiro de Experimentação Animal 
CPqAm Centro de pesquisas Aggeu Magalhães 
FIOCRUZ Fundação Instituto Oswaldo Cruz 
PADETEC Parque de desenvolvimento Tecnológico 
ARAÚJO, A.K.L. Aspectos Morfológicos do Processo de Cicatrização Induzido por Ouratea sp. 
 11 
SUMÁRIO 
1. INTRODUÇÃO 
 
12 
2.REVISÃO DE LITERATURA 14 
 2.1 Morfologia e Fisiologia da Pele 14 
 2.1.1 Epiderme 14 
 2.1.2 Derme 16 
 2.1.3 Colágeno 18 
 2.2 Processo de Cicatrização 19 
 2.2.1 Fase Hemostática 22 
 2.2.2 Fase Inflamatória 23 
 2.2.3 Fase Proliferativa 24 
 2.2.4 Fase de Remodelação 25 
 2.3 Plantas Medicinais 27 
 2.3.2 Ouratea sp. 
 
29 
3. JUSTIFICATIVA 
 
31 
4. HIPÓTESE CIENTÍFICA 
 
32 
5. OBJETIVOS 33 
 5.1 Objetivo Geral 33 
 5.2 Objetivos Específicos 
 
33 
6. MATERIAL E MÉDOTOS 34 
 6.1 Óleo Vegetal 34 
 6.1.1Análise Fitoquímica 34 
 6.2 Animais 34 
 6.2.1 Procedimento cirúrgico 35 
 6.2.2 Tratamento da lesão 36 
 6.2.3 Análises Histológicas 36 
 6.2.4 Análise Morfométrica 37 
 6.2.5 Análise Macroscópica 37 
 6.2.6 Contração da área da lesão 37 
 6.3 Análise Estatística 
 
38 
7. RESULTADOS 39 
 7.1 Análise química do óleo de Ouratea sp. 39 
 7.2 Avaliação Macroscópica 40 
 7.3 Análises Histopatológicas 41 
 7.4 Contração da Área da Lesão 43 
 7.5 Análise Morfométrica 
 
44 
8. DISCUSSÃO 
 
45 
9. CONCLUSÃO 49 
10. PERSPECTIVAS 
 
50 
11. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 51 
ARAÚJO, A.K.L. Aspectos Morfológicos do Processo de Cicatrização Induzido por Ouratea sp. 
 12 
1 INTRODUÇÃO 
 
A pele exerce funções consideradas vitais para os animais, tais como: proteção 
mecânica contra a entrada de micro-organismos, a regulação térmica e proteção contra a 
perda corpórea de água, eletrólitos e macromoléculas. Neste sentido, as dermatopatias 
assumem papel importante na clínica médica veterinária e estão inseridas entre as 
principais patologias que acometem os animais. 
O tecido epitelial que constitui a pele apresenta uma grande coesão entre suas 
células, mas é sensível a solução de continuidade, que pode ocorrer devido a algum tipo 
de acidente tais como: mordeduras de animais, cortes produzidos por objetos, 
intervenções cirúrgicas, queimaduras, ou ainda aqueles provocados por enfermidades 
como alergias (picada de pulgas) e endocrinopatias (hipotireoidismo), expondo o tecido 
conjuntivo subjacente (Nitz et al., 2006). 
O processo de cicatrização é caracterizado pela sucessão complexa de eventos 
celulares e moleculares que interagem e se sobrepõem para a reconstrução tecidual em 
resposta à lesão. Este processo envolve os eventos da inflamação, proliferação celular, 
deposição de matriz extracelular, remodelação do tecido, colagenização e epitelização 
(Carvalho et al., 2002). No entanto, os mecanismos moleculares e bioquímicos 
envolvidos na regulação da reparação tecidual ainda não estão completamente 
elucidados (Carvalho, 2002; Park e Barbul, 2004; Mendonça, 2009). 
Com as possibilidades de uma solução de continuidade de qualquer origem, 
infeccionar, desenvolver excesso de tecido conjuntivo, gerar uma contratura da pele ou 
até mesmo tornar-se uma ferida crônica, é de grande importância uma cicatrização 
rápida e controlada, diminuindo os possíveis efeitos negativos que possam acometer o 
paciente, bem como o tempo de morbidade desse indivíduo (Smith et al., 2000). Neste 
sentido, protocolos terapêuticos são utilizados para favorecer o processo cicatricial, 
como resultados de intensas pesquisas para desenvolver os melhores agentes 
promotores da cura. 
A fitoterapia acompanha a humanidade desde os tempos primitivos e, o homem 
durante toda sua evolução, utilizou-se de plantas para a cura dos seus males e injúrias, 
mesmos que empiricamente. Acredita-se que 70% dos medicamentos derivados de 
plantas tenham sido desenvolvidos com base no conhecimento folclórico (Garcia et al., 
2003). Algumas pesquisas científicas que têm como base a comprovação da identidade 
botânica, composição química de compostos vegetais e análises de princípios ativos, 
ARAÚJO, A.K.L. Aspectos Morfológicos do Processo de Cicatrização Induzido por Ouratea sp. 
 13 
tem tornado possível a identificação e caracterização de vários princípios químicos que 
representam não apenas um novo grupo de substâncias, mas a descoberta de novas 
intervenções terapêuticas, inclusive nas doenças de origem cutânea como feridas , cortes 
ou queimaduras (Ferreira, 2008; Govindrajan et al., 2007). 
Entre as plantas utilizadas pelas populações por possuírem efeito cicatrizante 
destacam-se: Amburana cearensis (Allemão) A. C. Sm. (Cumarú), Kalanchoe 
brasiliensis Cambess (Courama), Cajanus cajan (L.) Millsp (Feijão cuandu), Ximenia 
americana L. (Ameixa), Astronium urundeuva (Allemão) Engl. (Aroeira-do-sertão), 
Helianthus annus Linné (girassol). 
Plantas pertencentesao gênero Ouratea, apresentam propriedades 
antimicrobiana e anti-inflamatória e, têm sido utilizadas na medicina popular no 
tratamento de doenças da pele. Apesar do seu uso tradicional, esta planta, ainda não 
possui sua eficácia comprovada cientificamente. Neste sentido, o presente trabalho tem 
tem como objetivo avaliar o potencial de cicatrização do óleo de Ouratea sp. em 
modelo experimental murino, e espera-se contribuir para aumentar os conhecimentos 
sobre a ação farmacológica observada na utilização empírica do óleo de Ouratea sp. no 
tratamento das afecções cutâneas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ARAÚJO, A.K.L. Aspectos Morfológicos do Processo de Cicatrização Induzido por Ouratea sp. 
 14 
2 REVISÃO DE LITERATURA 
 
2.1 Morfologia e Fisiologia da pele 
 
 
O tecido epitelial, a depender do órgão no qual se localiza, desempenha várias 
funções no organismo, tais como: proteção do corpo, absorção e secreção de substâncias 
do meio e percepção de sensações. Os tecidos epiteliais são classificados em dois tipos 
principais: epitélio glandular e epitélio de revestimento. O epitélio glandular é 
especializado na produção e eliminação de secreções e, o epitélio de revestimento tem 
como principal função a proteção das estruturas internas do organismo (Kumar et al., 
2005). 
Dentre os tecidos epiteliais de maior importância encontra-se a pele, considerada 
o maior órgão do corpo, recobrindo toda a sua superfície externa. A pele pode ser 
considerada como primeira linha de defesa do organismo, constituindo uma barreira 
mecânica, promovendo proteção imunológica, termorregulação e secreção. Esta 
estrutura é dividida em duas camadas distintas, a epiderme e a derme que estão 
firmemente unidas entre si (Santos et.al., 2000). A camada subcutânea adiposo 
subcutânea, situada abaixo da derme também conhecido como hipoderme também tem a 
mesma origem embrionária da derme, porém não faz parte dela (Fig.1). A hipoderme 
aumenta o isolamento da pele e é responsável pela união da pele com os órgãos 
adjacentes e a protege das lesões causadas por pressão ou estiramento (De Almeida, 
2009). 
 
2.1.1 - A epiderme 
 
 A epiderme é constituída por um epitélio estratificado pavimentoso, 
queratinizado caracterizado por células dispostas em várias camadas. A epiderme serve 
como barreira que protege o organismo contra o estresse ambiental, tais como: invasão 
por micróbios, perda de água e injúrias mecânicas e térmicas. Para desempenhar esse 
papel, a epiderme conta com uma variedade de apêndices, incluindo unhas, folículos 
pilosos, glândulas sebáceas e glândulas sudoríparas (De Almeida, 2009). 
A epiderme é subdividida em cinco camadas ou estratos. A partir da camada 
mais interna para a superfície encontram-se: o estrato basal, o estrato espinhoso, o 
estrato granuloso, o estrato lúcido e o estrato córneo. Estes estratos refletem a 
ARAÚJO, A.K.L. Aspectos Morfológicos do Processo de Cicatrização Induzido por Ouratea sp. 
 15 
progressão das células germinativas, encontradas na base, para células corneificadas 
diferenciadas, presentes na superfície (De Almeida, 2009). 
O estrato basal também chamado de germinativo é uma camada contínua de 
célula e pode ser considerado como um local onde as células são diferenciadas e 
altamente proliferativas. Suas células são prismáticas ou cúbicas e repousam sobre a 
membrana basal a qual separa a epiderme da derme. O estrato espinhoso é formado por 
células poligonais cúbicas ou ligeiramente achatadas – células de Malpighi, as quais 
possuem mais queratina do que as da camada basal. As células de Malpighi formam 
junções celulares ricas em desmossomos e ao migrarem para a camada espinhosa 
tornam-se progressivamente mais achatadas e começam a produzir grânulos 
intracelulares. Possuem pequenas expansões citoplasmáticas que contem tonofibrilas as 
quais propocionam resistência ao atrito. O estrato granuloso é formado por células 
achatadas que possuem grânulos de queratina e como substância extracelular, lipídeos e 
proteínas (colágeno). Algumas células do estrato granuloso possuem grânulos 
revestidos por membrana denominados corpos lamelares que são revestidos 
principalmente por lipídeos, os quais conferem a impermeabilidade da pele. O estrato 
lúcido é constituído por uma camada acidófila, cujas células não mais possuem 
organelas e apresentam núcleo picnótico, não é visível em toda região do corpo e está 
presente apenas em áreas nas quais a pele é mais espessa, como as regiões palmo-
plantares. O estrato córneo é a camada mais externa constituídas por células mortas e 
achatadas e citoplasma repleto de queratina (De Almeida, 2009). 
A epiderme deve se renovar constantemente ao longo de sua vida para manter a 
homeostase e para reparar danos após ferimentos. A capacidade regenerativa do epitélio 
e sua homeostase dependem do balanço entre a proliferação e diferenciação/apoptose de 
seu principal tipo celular, os queratinócitos (Pincelli e Marconi, 2010), os quais 
produzem a queratina, uma proteína resistente e permeável responsável pela proteção 
(barreira física). Tradicionalmente essas células têm sido consideradas constituintes 
inertes das camadas múltiplas da epiderme, no entanto estudos atuais têm reconhecido o 
papel ativo destas células na renovação epidérmica desempenhado também papel chave 
na defesa imune da pele, sob condições de homeostase, acredita-se que células 
progenitoras dos queratinócitos se dividem e terminam por diferenciar-se e construir as 
camadas sobrepostas da epiderme. Em oposição a esse processo coordenado de 
equilíbrio estão os sinais de ferimentos e inflamação. Ambos alteram o destino dos 
queratinócitos e sua resposta ao ambiente através de alterações nas suas moléculas de 
ARAÚJO, A.K.L. Aspectos Morfológicos do Processo de Cicatrização Induzido por Ouratea sp. 
 16 
adesão e receptores de superfície, disparando uma resposta inflamatória imediata em 
termos de secreção de citocinas e peptídeos antimicrobianos. Quando não controladas 
essas respostas podem levar a lesões severas da pele, incluindo as desordens 
inflamatórias crônicas (Suter et al. 2009). 
Entre outras células presentes na epiderme temos as células de Langerhans (CL), 
as quais são células dendríticas residentes da epiderme nas mucosas e na pele. Na pele 
as CL funcionam como sentinelas, com função de captar, processar e apresentar 
antígenos aos linfócitos T. Estes últimos quando ativados multiplicam-se e produzem 
citocinas e outros mediadores responsáveis pela defesa do organismo contra essas 
invasões (Cunningham et al. 2010). Os melanócitos são células dendríticas encontrados 
na camada basal da epiderme e são responsáveis pela produção de melanina, substância 
pigmentar que é produzida e armazenada em estruturas citoplasmática denominadas 
melanossomas. Os melanossomas maduros acumulam-se na periferia celular, e são 
subsequentemente transferidos via processos dendríticos aos queratinócitos vizinhos, 
onde desempenharão papel importante na fotoproteção contra os raios ultravioletas, 
conferindo também cor a pele, aos pelos e cabelos (Schiaffino, 2010). Menos 
abundantes na epiderme, estão as células de Merkel as quais formam terminações 
nervosas livres e especializadas conhecidas como corpúsculo de Merkel. Estas células 
estão em íntima associação com as terminações nervosas e possuem vesículas 
citoplasmáticas que funcionam como mecano-receptores (Dângelo et. al. 1988). 
 
2.1.2 – Derme 
 
A derme está localizada logo abaixo da epiderme conferindo e permitindo uma 
base firme para sua sustentação. Apresenta uma complexa organização, com um tecido 
conjuntivo rico em vasos, glândulas sebáceas e sudoríparas, folículos pilosos e 
corpúsculos tácteis. O controle do fluxo sanguíneo dos plexos vasculares presentes na 
derme é feito por estímulos oriundos do hipotálamo e das fibras nervosas simpáticas, e 
além da nutrição,proporcionam o mecanismo de termorregulação. As terminações 
nervosas sensoriais mantêm o indivíduo em contato com o meio ambiente (Arnold et al., 
2002). 
A derme pode ser dividida em duas camadas: a camada papilar/subepitelial mais 
superficial, na qual são encontradas as papilas dérmicas, as fibras conjuntivas frouxas e 
as fibras elásticas que estão perpendiculares à junção dermoepidérmica, sendo esta 
ARAÚJO, A.K.L. Aspectos Morfológicos do Processo de Cicatrização Induzido por Ouratea sp. 
 17 
camada bastante vascularizada. E a camada reticular que é mais profunda, mais densa, 
na qual são encontradas as fibras conjuntivas não-remodeladas e as fibras elásticas em 
plexos. Feixes de fibras colágenas e elásticas estão localizados na substância 
fundamental amorfa a qual é constituída por glicosaminoglicanas formando o tecido 
conjuntivo dérmico (De Almeida, 2009). 
 Diferentes tipos celulares compõem a derme, tais como: fibroblastos e fibrócitos, 
células imunológicas - macrófagos, mastócitos e leucócitos sangüíneos, particularmente 
neutrófilos, eosinófilos, linfócitos e monócitos (Arnold et al., 2002). 
Os fibroblastos são células fusiformes, com núcleo oval e que participam da síntese 
dos componentes da matriz extracelular permitindo e promovendo a formação do tecido 
de granulação, levando a reepitelização, garantindo a manutenção da integridade do 
tecido conjuntivo. Portanto são as principais células envolvidas no processo de 
cicatrização (Carvalho, 2002; Amadeu et al., 2003; Pagnano et al., 2008). Os 
fibroblastos são capazes de sintetizar fibras colágenas, elastina, fibronectina, 
glicosaminoglicanas e proteases, sendo também responsáveis pelo debridamento e 
remodelamento fisiológicos da célula (Hildebrand et al., 2005). 
Os fibrócitos são encontrados em vários tecidos, tanto em condições fisiológicas 
quanto patológicas (Bucala et al., 1994). Eles são considerados importantes no processo 
cicatricial por contribuírem no mecanismo de formação do granuloma, na atividade 
antigênica, na produção de colágeno e da matriz extracelular. Participam também na 
remodelagem da pele e nos processos inflamatórios, através da produção de fatores de 
crescimento e fatores angiogênicos, (Abe et. al.; Metz, 2002; Quan, 2004). Estas células 
são derivadas de precursores da medula óssea e contribuem para a presença de 
miofibroblastos no tecido cicatricial (Mori et al., 2005). 
A hipoderme é a camada mais profunda do tecido epitelial e composta 
principalmente por células adiposas (tecido conectivo gorduroso). É um depósito de 
gordura de reserva, um isolante térmico e protege o organismo mecanicamente (Harris, 
2005). 
 
 
 
 
 
 
ARAÚJO, A.K.L. Aspectos Morfológicos do Processo de Cicatrização Induzido por Ouratea sp. 
 18 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2.1.3 – Colágeno 
 
Os colágenos pertencem a uma família de proteínas da matriz extracelular 
(MEC) que desempenha um papel importante na manutenção da estrutura de vários 
tecidos e também possuem outras importantes funções, como por exemplo: adesão 
celular, quimiotaxia, migração (Heino et al., 2009). 
A relação dinâmica entre as células e o colágeno regula a remodelagem do 
tecido durante o crescimento, diferenciação, morfogêneses e cicatrização bem como 
estão envolvidos em várias patologias (Heino et al., 2009). Todas as moléculas de 
colágenos consistem em três cadeias polipeptídicas chamadas cadeias α, e contém no 
mínimo um domínio composto por sequências repetitivas de gly–X–Y. A presença de 
glicina (gly–X–Y) é essencial para empacotamento dessa estrutura helicoidal (Fig 2). O 
X e o Y pode ser qualquer aminoácido, porém a prolina é normalmente encontrado na 
posição X enquanto a posição Y é frequentemente ocupada pela 4-hidroxiprolina. Estas 
últimas são particularmente importante para estabilidade da proteína. Os colágenos são 
uma das mais abundantes proteínas no corpo, constituindo 30% de massa protéica. As 
superfamílias dos colágenos podem ser subdividas com base na forma de associação ou 
outras características sendo numeradas de I a XXVII de acordo com sua ordem de 
descobrimento. Alguns colágenos são restritos em determinados tipos de tecido: por 
exemplo, tipo II e X e XI são exclusivamente encontrado nas cartilagens; a família do 
tipo IV nas membranas basais; e tipo XVII nos hemidesmossomas da pele. Por outro 
 
 
Fig1: Camadas e estruturas da pele. Fonte: Banco de Imagens Free 
(Stock.Xchng version 6.00, 2010). 
ARAÚJO, A.K.L. Aspectos Morfológicos do Processo de Cicatrização Induzido por Ouratea sp. 
 19 
lado, alguns tipos de colágenos são encontrados na maioria das MECs. As fibrilas do 
colágeno frequentemente consistem de mais que um tipo de colágeno (Myllyharju et. al. 
2004). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2.2 Processo de Cicatrização 
 A cicatrização de feridas é um processo complexo que envolve a organização de 
células, sinais químicos e remodelamento MEC com objetivo de reparar tecido 
lesionado. Por sua vez, o tratamento de feridas busca o fechamento rápido da lesão de 
forma a restabelecer a integridade do tecido lesionado. Diante disso é imprescindível a 
compreensão do processo biológico da cicatrização de feridas e regeneração tecidual 
(Mendonça, 2009). Com o rompimento tecidual nos animais vertebrados logo se inicia o 
processo de reparo ou cicatrização (Potter e Perry, 2003; Ferreira et al., 2008). 
Uma ferida pode ser definida como qualquer lesão que leve a uma 
descontinuidade cutânea (Fig 3), existindo várias causas, entre as quais as mais 
frequentes são: o trauma (mecânico, físico ou químico), a isquemia, a pressão no local e 
devido a procedimentos cirúrgicos (Strodtbeck, 2001). Baseado na natureza do processo 
de reparação, as feridas podem ser classificadas como agudas ou crônicas. Sua 
classificação constitui importante forma de sistematização necessária para o processo de 
avaliação. Feridas agudas são injúrias causadas por corte ou incisão cirúrgica que 
completam o processo de cicatrização dentro do tempo esperado. Em contraste, estão às 
feridas crônicas que são injúrias teciduais aonde a cicatrização ocorre de forma lenta 
Fig.2: Cadeias polipeptídicas - Formação da 
fibra colágena. Stock.Xchng version 6.00, 
2010). 
 
 
ARAÚJO, A.K.L. Aspectos Morfológicos do Processo de Cicatrização Induzido por Ouratea sp. 
 20 
devido a repetidos insultos ao tecido e também a um processo patológico secundário 
que interfira na organização e duração do processo cicatricial. (Strodtbeck, 2001, 
Blanes, 2002). Outra classificação refere-se às estruturas comprometidas, e consiste na 
descrição anatômica da profundidade da ferida, que engloba: a ferida superficial 
(limitada à epiderme), a ferida com perda parcial (limitada à epiderme e porção superior 
da derme) e a ferida com perda total (quando há destruição da epiderme, derme, tecido 
subcutâneo, podendo invadir músculos, tendões e ossos). Este sistema é adotado para 
estadiar alguns tipos de feridas crônicas, como as úlceras por pressão e as queimaduras 
(Santos, 2000). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O processo de cicatrização é didaticamente dividido nas seguintes fases: a) 
hemostática; b) inflamatória; c) proliferativa ou de granulação e d) de remodelação 
da matriz extracelular (Fig 4 e 5). Diferentes tipos de células, matriz extracelular, 
proteínas e seus receptores estão envolvidos no processo biológico da cicatrização, 
o qual é mediado por citocinas e fatores de crescimento (Tabela 1). A liberação de 
vários fatores de crescimento na ferida, como fator de crescimento derivado 
plaqueta-PDGF, fator de crescimento epidérmico-EGF, fator de crescimento básico 
de fibroblastos-FGF, fator de crescimento transformante beta-TGF-β1, e o fator de 
crescimento transformante alfa-TGF-α, afetam o recrutamento, a ativação, a 
migração e a diferenciação de células no leito da ferida (Ferreiraet al., 2008). Entre 
as proteínas da matriz envolvidas neste processo estão a fibronectina, laminina, 
tenascina e colágeno. Estas proteínas são de extrema importância por estarem 
envolvidas na fase inicial da cicatrização das feridas, pois interagem entre si e 
apoiam a adesão de fibroblastos com as células endoteliais (Pereira et al., 2005). 
 
 
Fig. 3: Esquema de uma lesão cutânea. Fonte: Banco de Imagens Free 
(Stockxchng version 6.00, 2010). 
ARAÚJO, A.K.L. Aspectos Morfológicos do Processo de Cicatrização Induzido por 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. 4: Etapas do processo cicatricial de lesões cutâneas. 
in Molecular Medicine
 
Fig. 5: Fases sequenciais do processo de cicatri
http://patologiafacil.blogspot.com
. Aspectos Morfológicos do Processo de Cicatrização Induzido por 
 
 
 
Etapas do processo cicatricial de lesões cutâneas. Fonte: Experts Reviews 
olecular Medicine©. 
Fases sequenciais do processo de cicatrização em função do tempo em dias. 
http://patologiafacil.blogspot.com , 2010. 
. Aspectos Morfológicos do Processo de Cicatrização Induzido por Ouratea sp. 
21 
 
Experts Reviews 
em função do tempo em dias. Fonte: 
ARAÚJO, A.K.L. Aspectos Morfológicos do Processo de Cicatrização Induzido por Ouratea sp. 
 22 
 
 
 
2.2.1 Fase Hemostática 
 
Esta fase inicia-se no momento da injúria e permanece por algumas horas. A 
primeira resposta dos vasos sanguíneos à lesão é a vasoconstricção mediada por 
componentes vasoativos (catecolaminas), limitando, desta forma, a hemorragia e o 
subsequente extravasamento de fluido e proteína. A vasoconstricção é seguida por uma 
fase de vasodilatação e um aumento da permeabilidade vascular, onde se acredita que a 
histamina seja o mediador bioquímico responsável (Mandelbaum et al., 2003). 
Com o aumento da permeabilidade vascular, há o extravasamento de fluidos e 
proteínas para o espaço extravascular. Consequentemente ocorre a diapedese de células. 
Neste ponto, fatores de coagulação liberados pelas células lesadas, ativam a via 
extrínseca da coagulação e da agregação plaquetária, expondo o colágeno da pele lesada 
o qual ativará a via intrínseca da coagulação (Theoret, 2004). 
Fator de Crescimento Fonte Efeito 
Fator de Crescimento de 
Fibroblastos (FGF) 1, 2 e 4 
 
Macrófagos, 
cél. endoteliais 
Proliferação dos 
fibroblastos 
e angiogênese 
Fator de Crescimento 
Transformante-α (TGF-α) 
 
Macrófagos, 
queratinócitos 
Reepitelização 
Fator de Crescimento 
Transformante- β1 
e β2 (TGF-β1 e β2) 
 
Plaquetas, 
macrófagos 
Quimiotaxia de 
fibroblastos e macrófagos; 
síntese da MEC; secreção 
de inibidores da protease 
Fator de Crescimento Epidermal 
(EGF) 
 
Plaquetas Reepitelização 
Fator de Crescimento Derivado de 
Plaqueta (PGDF), isoformas AA, 
AB e BB 
 
Plaquetas, 
macrófagos, 
queratinócitos 
Quimiotaxia de 
fibroblastos e macrófagos, 
proliferação de fibroblastos 
e síntese da MEC 
 
Fator de Crescimento de 
Queratinócitos (KGF) 
Fibroblastos 
da derme 
Proliferação de 
queratinócitos 
 
Interleucina 1α e β (IL1α e ILβ) Neutrófilos 
Ativa a expressão do FC 
em macrófagos, 
queratinócitos e 
Fibroblastos 
 
 
Tabela 1: Fatores de crescimento (FC) envolvidos no processo cicatricial de lesões cutâneas (Aukhil, 2000). 
ARAÚJO, A.K.L. Aspectos Morfológicos do Processo de Cicatrização Induzido por Ouratea sp. 
 23 
A indução das plaquetas pela trombina resulta na liberação, por degranulação de 
uma variedade de fatores de crescimento e substâncias vasoativas, tais como: PDGF, 
TGF- α e β, FGF, EGF e VEGF, tromboglobulina, fator plaquetário-4, serotonina, 
bradicinina, prostagladinas, prostaciclinas, troboxanos e histamina. A degranulação das 
plaquetas também inicia a cascata do complemento com a formação de C3a e C5a, 
potentes anafilotoxinas que promovem a liberação da histamina pelos basófilos e 
mastócitos. Além de glicoproteinas adesivas como a fibronectina e trombospondina, as 
quais são importantes constituintes da matriz extracelular provisória (Strodtbeck, 2001; 
Mandelbaum et al., 2003; Midwood et al., 2004). 
Com a agregação plaquetária e a coagulação sanguínea formam um coágulo de 
células e fibrina que promovem a hemostasia, forma-se um selo temporário sobre o sítio 
da injúria e prevenindo a eventual entrada de microrganismos, além de formar um 
suporte para a migração celular a qual é na realidade uma matriz extracelular provisória 
sobre a qual fibroblastos, células endoteliais e queratinócitos ingressam na ferida. Esta 
matriz é composta por proteínas adesivas como: fibrina, fibronectina, trombospondina, 
vitronectina e fator de Willebrand, fornecendo resistência limitada à ferida (Stashak, 
2004; Theoret, 2004). 
Com o passar do tempo, essa matriz provisória é substituída por um tecido de 
granulação rico em fibronectina que fornece um leito vascularizado para deposição de 
colágeno (Midwood et al., 2004). Isto serve como processo inicial e amplificador para a 
próxima fase da cicatrização (Ferreira et al., 2007). 
 
2.2.2 Fase Inflamatória 
 
 A fase inflamatória é caracterizada pela resposta vascular e celular, cuja 
intensidade depende da gravidade da injúria. O início da fase inflamatória e sua 
intensidade estão correlacionados com a boa irrigação e perfusão sanguínea (Theoret, 
2005). Seu início se dá pela liberação de vários mediadores a partir de células e 
capilares danificados (plaquetas ativadas, citocinas e fatores de crescimento) que 
possibilitam a passagem de células para o local da lesão. Os principais componentes 
celulares de uma ferida são os leucócitos polimorfonucleares (PMN) e os macrófagos 
(Strodtbeck, 2001). 
Os neutrófilos fornecem proteção à ferida contra a contaminação por meio da 
fagocitose de detritos celulares e bactérias (Midwood et al., 2004). Quando ativados, 
ARAÚJO, A.K.L. Aspectos Morfológicos do Processo de Cicatrização Induzido por Ouratea sp. 
 24 
secretam radicais livres de oxigênio (RLO) e enzimas lisossômicas como proteases, 
colagenases e elastases que ajudam a combater uma possível infecção. Além de sua 
função fagocitária, os neutrófilos possuem ação pró-inflamatória exercida através da 
liberação de citocinas que ativam fibroblastos e queratinócitos. Caso a ferida não esteja 
severamente infectada, em poucos dias o número de neutrófilos diminui devido à 
fagocitose por macrófagos. Depois de um ou dois dias, monócitos teciduais infiltram-se 
no local da lesão e se diferenciam em macrófagos finalizando a fase inflamatória 
(Werner e Grose, 2003; Martin, 2005). 
Uma vez no local da lesão os macrófagos realizam intenso processo de 
debridamento. De maneira similar aos neutrófilos exercem atividade microbiana através 
da fagocitose e da liberação de oxigênio, de óxido nítrico (NO) e de peróxido de 
hidrogênio (Halper et al., 2003). Os fatores mitogênicos e citocinas sintetizadas e 
liberadas pelos macrófagos são: PDGF, FGF, VEGF, TGF-α e β e o fator-1 de 
crescimento insulina-like que são necessários para estimular a formação do tecido de 
granulação e, podem influenciar as fases tardias da cicatrização, como: 
neovascularização, granulação, fibroplasia e epitelização (Santos, 2000). 
Quanto aos linfócitos, o seu papel na cicatrização ainda não está bem definido e 
permanece controverso. Aproximadamente seis a sete dias após a injúria, o número de 
linfócitos que aparece na ferida é desproporcionalmente menor que na circulação. Os 
linfócitos secretam linfocinas importantes, incluindo: IL-2, MAF (Fator de Ativação de 
Macrófagos) e fatores quimiotáticos, além de aumentar o estágio inicial da cicatrização 
através da estimulação de macrófagos, células endoteliais e fibroblastos. Entretanto, 
sugere-se que os linfócitos T podem regular a atividade fibroblástica exuberante a qual 
poderia, caso esta regulação não existisse, ocorrer tardiamentena reparação cicatricial 
(Mencia-Huerta, 1993). 
A participação de eosinófilos no processo cicatricial está, aparentemente, 
associada à produção da Proteína Básica Principal (MBP) a qual age na degradação do 
tecido (Mencia-Huerta, 1993). 
 
2.2.3 Fase Proliferativa 
 Na reparação do tecido conjuntivo ocorre a formação do tecido de granulação, 
com proliferação endotelial e de fibroblastos (fibroplasia). Estes últimos são atraídos 
por estímulos químicos em direção ao leito da ferida, produzindo matriz extracelular e 
ARAÚJO, A.K.L. Aspectos Morfológicos do Processo de Cicatrização Induzido por Ouratea sp. 
 25 
angiogênese. Estas células são as principais células envolvidas na cicatrização e surgem 
por volta do segundo ou terceiro dia após o trauma. Esses eventos são necessários para 
permitir e promover a reepitelização, no entanto paralelamente a esta fibroplasia, ocorre 
intensa proliferação vascular (Desmoulière et al, 2005). 
Macroscopicamente o tecido de granulação apresenta-se com aspecto granuloso 
e avermelhado. Muitos fibroblastos adquirem alguns aspectos morfológicos e 
bioquímicos de células musculares lisas, onde essas modificações darão origem aos 
miofibroblastos (Desmoulière et al, 2005). Estes produzem MEC a qual fornecerá a 
força mecânica para atividade contrátil, responsável pelo fechamento das feridas após as 
lesões, processo conhecido como contração da ferida (Tomasek et al., 2002; Gabbiani 
2003). 
Nas feridas, quando ocorre perda total da derme, a epitelização se faz apenas das 
suas margens, pois não há anexos cutâneos remanescentes. A atividade mitótica do 
fibroblasto praticamente desaparece em torno do 15º dia, passando a secretar as 
proteínas presentes no tecido de granulação, produzindo componentes da substância 
fundamental e o colágeno. A substância fundamental é formada por água, eletrólitos e 
glicosaminoglicanos, com aspecto semelhante a um gel estando distribuído entre fibras 
do tecido conjuntivo (Carvalho, 2002). 
A formação do epitélio é outro fenômeno que ocorre na fase de proliferação, na 
qual a epitelização faz-se pelo aumento de tamanho, da divisão e da migração das 
células da camada basal da epiderme por sobre a área de reparação do tecido conjuntivo 
subjacente (Carvalho, 2002). Adicionalmente, ocorre a fibrose com intensa participação 
dos fibrócitos. (Abe et al., 2001; Metz, 2002; Quan, 2004). Durante a cicatrização, os 
fibrócitos podem ser recrutados do tecido adjacente não lesado revertendo-se para o 
estado de fibroblasto e reativando sua capacidade de síntese (Mori et al., 2005). 
 
2.2.4 Fase de Remodelação ou Maturação 
Nesta fase ocorrem eventos importantes, como: deposição, agrupamento, 
remodelação do colágeno e regressão endotelial, ocorre também a diminuição de todos 
os elementos celulares, inclusive as células inflamatórias (Fig 6). A maturação da ferida 
tem início durante a terceira semana e caracteriza-se por um aumento da resistência, 
sem aumento na quantidade de colágeno. A remodelação do colágeno inicia-se na 
formação do tecido de granulação e mantém-se por meses após a reepitelização. Nessa 
ARAÚJO, A.K.L. Aspectos Morfológicos do Processo de Cicatrização Induzido por Ouratea sp. 
 26 
fase ocorre uma tentativa de recuperação da estrutura tecidual normal e, alterações dos 
elementos da matriz extracelular (Singer, et. al., 1999; Toscano, et. al., 2004). 
Ocorre, concomitantemente, reorganização da matriz extracelular, que se 
transforma de provisória em definitiva, cuja intensidade fenotípica, observada nas 
cicatrizes, reflete a intensidade dos fenômenos que ocorreram, bem como o grau de 
equilíbrio ou desequilíbrio entre eles. (Gabbiane, et. al., 2003). No entanto, se ocorrer o 
desequilíbrio desta relação favorecerá o aparecimento de cicatrizes hipertróficas e 
quelóides. Com a diminuição progressiva dos vasos neoformados, a cicatriz torna-se-á 
menos espessa, passando de uma coloração rosada para esbranquiçada (Tazima et al, 
2008). 
Durante a fase inflamatória a liberação de fatores de crescimento por 
fibroblastos, macrófagos e neutrófilos ativam os queratinocitos localizados nas margens 
e no interior do leito da ferida. Os eventos dessa fase são regulados por três principais 
agentes: fatores de crescimento, integrinas e metaloproteases (Santoro et. al., 2005). 
Dentre os fatores de crescimento destacam-se o PDGF, que induz a proliferação de 
fibroblastos com consequente produção da matriz extracelular durante a contração da 
ferida e reorganização da matriz. O KGF7, que é considerado o principal regulador da 
proliferação dos queratinócitos, assim como o TGF-β, principal responsável pelo 
estímulo inicial da migração das células epiteliais (Santoro et. al., 2005). 
A ativação de receptores de integrinas pelos queratinócitos permite a interação 
com uma variedade de proteínas da matriz extracelular na margem e no leito da ferida. 
Por outro lado, a expressão e ativação de metaloproteases promovem a degradação e 
modificação das proteínas da matriz extracelular no sitio da ferida, facilitando a 
migração celular. A própria atividade proteolítica dessas enzimas pode liberar fatores de 
crescimento ligados a matriz extracelular, de forma a manter constante o estímulo a 
proliferação e migração dos queratinocitos, acelerando o processo de reepitelização 
(Santoro et. al., 2005). Esta fase de maturação perdura por toda a vida da ferida, embora 
o aumento da força tênsil se estabilize, após um ano, em 70 a 80% da pele intacta 
(Tazima et al, 2008). 
 
 
 
 
ARAÚJO, A.K.L. Aspectos Morfológicos do Processo de Cicatrização Induzido por 
 
 
 
 
2.3 Plantas Medicinais 
 
As plantas medicinais representam a principal fonte de medicamentos utilizada 
medicina tradicional em suas práticas terapêuticas, sendo a medicina popular a que 
utiliza o maior número de espécies diferentes. Em geral, o conhecimento popular é 
adquirido e repassado por grupamentos culturais que ainda convivem intimamente com 
a natureza, observando-a de perto no seu dia
mantendo vivo e crescente esse patrimônio pela experimentação sistemática e constante 
(Hamilton, 2003). A valorização da utilização das plantas medicinais tem sido 
estimulada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) desde a declaração de Alma
Ata, em 1978, na qual foi constatado que, no âmbito sanitário, 80% da população 
mundial utiliza essas plantas ou preparações delas 
as mais diversas enfermidad
No Brasil, cerca de um quinto da população consome 63% dos medicamentos 
disponíveis e o restante da população encontra nos produtos de origem natural
especialmente nas plantas, a única fonte de recurso terapêutico. 
privilegiado neste aspecto, 
aproximadamente um quarto de todas as espécies conhecidas no mundo (
2007). Destas espécies, 10 mil podem ser medicinais, aromáticas e úteis, tendo no 
Figura 6: Evolução do nº relativo de células sanguíneas e fibroblastos nas fases 
sequenciais da cicatrização. Fonte: Biologia da ferida e cicatrização, 2008.
 
. Aspectos Morfológicos do Processo de Cicatrização Induzido por 
 
As plantas medicinais representam a principal fonte de medicamentos utilizada 
em suas práticas terapêuticas, sendo a medicina popular a que 
utiliza o maior número de espécies diferentes. Em geral, o conhecimento popular é 
rido e repassado por grupamentos culturais que ainda convivem intimamente com 
a de perto no seu dia-a-dia, e explorando suas potencialidades, 
mantendo vivo e crescente esse patrimônio pela experimentação sistemática e constante 
lton, 2003). A valorização da utilização das plantas medicinais tem sido 
estimulada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) desde a declaração de Alma
Ata, em 1978, na qual foi constatado que, no âmbito sanitário, 80% da população 
ntas ou preparações delas como única fonte de tratamento para 
as mais diversas enfermidades (Silva, 2003). 
No Brasil, cerca de um quinto da populaçãoconsome 63% dos medicamentos 
disponíveis e o restante da população encontra nos produtos de origem natural
especialmente nas plantas, a única fonte de recurso terapêutico. O Brasil é 
privilegiado neste aspecto, pois abriga 55 mil espécies de plantas, compreendendo 
aproximadamente um quarto de todas as espécies conhecidas no mundo (
tas espécies, 10 mil podem ser medicinais, aromáticas e úteis, tendo no 
Evolução do nº relativo de células sanguíneas e fibroblastos nas fases 
sequenciais da cicatrização. Fonte: Biologia da ferida e cicatrização, 2008. 
. Aspectos Morfológicos do Processo de Cicatrização Induzido por Ouratea sp. 
27 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
As plantas medicinais representam a principal fonte de medicamentos utilizada 
em suas práticas terapêuticas, sendo a medicina popular a que 
utiliza o maior número de espécies diferentes. Em geral, o conhecimento popular é 
rido e repassado por grupamentos culturais que ainda convivem intimamente com 
dia, e explorando suas potencialidades, 
mantendo vivo e crescente esse patrimônio pela experimentação sistemática e constante 
lton, 2003). A valorização da utilização das plantas medicinais tem sido 
estimulada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) desde a declaração de Alma-
Ata, em 1978, na qual foi constatado que, no âmbito sanitário, 80% da população 
única fonte de tratamento para 
No Brasil, cerca de um quinto da população consome 63% dos medicamentos 
disponíveis e o restante da população encontra nos produtos de origem natural, 
O Brasil é um país 
abriga 55 mil espécies de plantas, compreendendo 
aproximadamente um quarto de todas as espécies conhecidas no mundo (Di Stasi, 
tas espécies, 10 mil podem ser medicinais, aromáticas e úteis, tendo no 
Evolução do nº relativo de células sanguíneas e fibroblastos nas fases 
ARAÚJO, A.K.L. Aspectos Morfológicos do Processo de Cicatrização Induzido por Ouratea sp. 
 28 
mercado mundial de produtos farmacêuticos, cosméticos e agroquímicos, perspectivas 
de altos ganhos na economia (Guarrera e Marignoli, 2005). 
Diante da carência financeira, a fitoterapia é uma alternativa viável para a 
maioria da população. Se por um lado existe a necessidade de intensificação de estudos 
potenciais em botânica, visando a descoberta ou comprovação de plantas usadas 
popularmente, por outro é preciso reverter os conhecimentos adquiridos em benefícios 
das pessoas e, obter um maior envolvimento da classe médica. Desta forma, diante da 
importância da fitoterapia e da escassez de pesquisas em Medicina Veterinária, torna-se 
necessário estudar e aprofundar os efeitos terapêuticos das plantas inseridas no contexto 
agro-ecológico e social da população (Joshi e Joshi, 2000). 
A fitoterapia tem sido aplicada há séculos empiricamente, mas atualmente vem 
recebendo maior atenção dos campos acadêmicos e em estudos científicos. Diversas 
enfermidades são tratadas ou aliviadas pela utilização de plantas, dentre elas destacam-
se as doenças de pele, incluindo-se as feridas. Sendo assim, é de suma importância que 
novos trabalhos na área sejam desenvolvidos, a fim de aperfeiçoarem os recursos e 
tecnologias existentes no tratamento de feridas, como também para torná-los mais 
baratos e acessíveis, principalmente para a classe econômica menos favorecida (Dos 
Santos, 2009). 
 Assim, apesar da predominância de substâncias sintéticas no arsenal 
terapêutico, nos últimos anos tem-se verificado a retomada e valorização de práticas 
terapêuticas consideradas por muitos profissionais de saúde como populares ou não-
científicas, inclusive a lenta reincorporação das ervas medicinais como alternativa ou 
complemento terapêutico. Sendo vários os fitoterápicos testados e usados no processo 
de cicatrização de feridas cutâneas que se mostraram promissores (Dos Santos, 2009). 
Muitas plantas contendo óleos fixos são relatadas por suas propriedades 
cicatrizantes relacionadas a ácidos graxos insaturados como, ômega-3, ômega-6 e 
ômega-9 presentes em sua constituição (Oliveira et al., 2010; da Silva Quirino et al., 
2009). Habeeb et. al, 2007 demonstraram, por exemplo que os óleos fixos de Aloe vera 
(babosa) apresentam atividade cicatrizante, sendo atribuída as seus polissacarídeos. Este 
óleo também favorece a formação do colágeno fornecendo força e integridade a derme. 
A fração glicoprotéica é o maior componente do Aloe vera que está envolvida com a 
cicatrização por promover a proliferação celular, a migração e o crescimento dos 
fibroblastos da derme (Eshghi et al., 2010). O óleo de Helianthus annus (girassol) 
também tem se mostrado uma alta atividade cicatrizante. Esta planta é rica em ácido 
ARAÚJO, A.K.L. Aspectos Morfológicos do Processo de Cicatrização Induzido por Ouratea sp. 
 29 
linoléico (ômega- 6) o qual é um ácido graxo essencial e precursor do ácido aracdônico, 
atuando indiretamente, nas prostaglandinas, prostaciclinas, tromboxanos e leucotrienos 
os quais são importantes mediadores inflamatórios e essenciais no processo de 
cicatrização das feridas (Eurides, 2006). Além do H. Annus,pode-se citar a Rosa aff. 
Rubiginosa (rosa mosqueta) com grandes quantidades de ácido linoléico e seus 
derivados (Eggers et. al., 2000), possuindo atividade cicatrizante substancial. 
(Szentmihályi et al., 2002). 
Assim, a importância da utilização de plantas no tratamento é evidenciada por 
estes estudos e pela necessidade de se buscar alternativas para a cicatrização de lesões 
na pele, já que os curativos disponíveis, sintéticos ou biossintéticos, utilizados são 
bastante onerosos (Di Stasi, 2007). 
 
2.3.2 Ouratea sp. 
 
A família Ochnaceae pertence à ordem Theales e compreende cerca de 28 
gêneros e 400 espécies de ampla distribuição nas regiões tropicais e subtropicais de todo 
o mundo. No Brasil, são conhecidos aproximadamente 9 gêneros com um total de 105 
espécies (Jolly, 1988). São plantas essencialmente arbóreas ou arbustivas e, recebem 
denominações específicas dependendo da região: angelim (Ouratea vaccinoides), 
coração de bugre (Ouratea parviflora) e caju bravo (Ouratea floribunda e Ouratea 
salicifolia), sendo estas últimas empregadas em ornamentação urbana. No Nordeste, as 
espécies desse gênero são conhecidas popularmente por batiputá (Fig.7) (Barroso, 
1986). 
As espécies de Ochnaceae mais competentes em biossintetizar flavonóides e 
biflavonóides, é representada pelo gênero Ouratea, sendo a frequência e a diversidade 
estrutural dos biflavonóides nas espécies desse gênero utilizadas como marcadores 
taxonômicos (Tih et al., 1992). 
As espécies de Ouratea, são utilizadas pela população como tônicas e 
adstringentes (O. castanaefolia, O. parviflora), como anti-inflamatório e em doenças da 
pele (O. parviflora) e no tratamento de doenças gástricas (O. spectabilis) (Corrêa, 1975; 
Paulo et al., 1986; Felício et al., 2004). Estudos tem demonstrado que extratos e frações 
obtidas de plantas pertencentes a estes gênero possuem ação vaso-dilatadora e anti-
hipertensiva (Cortes et al., 2002), antitumoral (Sampaio et al., 1975; Oliveira et al., 
2002; Carvalho et al., 2002; Grynberg et al., 2002). O óleo extraído do extrato hexânico 
ARAÚJO, A.K.L. Aspectos Morfológicos do Processo de Cicatrização Induzido por Ouratea sp. 
 30 
dos frutos de O. parviflora apresentou atividades antibacteriana e antifúngica (Marcol et 
al., 1988). 
Além dos flavonóides e biflavonóides, esse gênero são bioprodutores de outras 
classes de metabólitos como: triterpenos, diterpenos, depsídeos, ésteres graxos e 
triglicerídeos, aos quais se atribuem suas importantes propriedades biológicas. Entre 
essas classes de substâncias, os biflavonóides recebem destaque, devido à frequência e 
abundância com que são encontrados nesse gênero, e cuja diversidade estrutural é 
devida, principalmente, aos diferentes padrões de ligações entre seus monômeros 
(Velandia et al., 2002; Felicio et al., 2004).Fig. 7: Ouratea sp. Fonte: http://www.ulf-mehlig.de/jpg/dunes/duouratea-1-0.html 
ARAÚJO, A.K.L. Aspectos Morfológicos do Processo de Cicatrização Induzido por Ouratea sp. 
 31 
 3 JUSTIFICATIVA 
 
O uso de plantas medicinais como agentes terapêuticos tem despertado interesse 
junto aos pesquisadores devido os seus mais diferentes efeitos, dentre eles o de promover a 
cicatrização de feridas, ocasionadas por doenças de pele ou traumas. Entretanto, o uso 
potencial dessas plantas como fontes de substâncias cicatrizantes em Medicina 
Veterinária ainda é insignificante. 
O número e a variedade de preparações tópicas obtidas a partir de plantas 
medicinais para a cicatrização de feridas é relativamente significante, sendo, na sua 
maioria, eficientes estimulando a cicatrização. Em contrapartida, mais estudos são 
necessários, mediante a vastidão de plantas existentes, para que haja a comprovação 
científica do efeito cicatrizante de fitoterápicos, evitando assim o uso indevido de 
determinados produtos que são prejudiciais à cicatrização, por serem irritativos ou 
estimularem a formação de um tecido de granulação exuberante (White, 1995). 
Apesar de diversas atividades terapêuticas comprovadas, o efeito cicatrizante do 
óleo de batiputá (Ouratea sp.) sobre feridas cutâneas permanece desconhecido. Por outro 
lado, apesar de já ser utilizado pela população como cicatrizantes, essa atividade 
terapêutica ainda necessita de comprovação científica. Desta forma, são necessárias 
pesquisas que evidenciem, cientificamente, a ação dos constituintes presentes no óleo de 
batiputá (Ouratea sp.) como cicatrizantes além de não causarem efeitos colaterais. 
Portanto, a comprovação do potencial cicatrizante dessa planta utilizada em feridas 
cutâneas em modelos experimentais irá validar seu uso, bem como contribuir para a 
produção de um fitoterápico de baixo custo para uso humano e/ou veterinário. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ARAÚJO, A.K.L. Aspectos Morfológicos do Processo de Cicatrização Induzido por Ouratea sp. 
 32 
4 HIPÓTESE CIENTÍFICA 
 
 O óleo fixo de Ouratea sp., conhecida como batiputá, possui atividade 
cicatrizante em lesões cutâneas induzidas expermentalmente. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ARAÚJO, A.K.L. Aspectos Morfológicos do Processo de Cicatrização Induzido por Ouratea sp. 
 33 
5 OBJETIVOS 
 
5.1 Objetivo Geral: 
 
 Avaliar o potencial do óleo fixo de Ouratea sp. (batiputá) na cicatrização de 
feridas cutâneas experimentais in vivo. 
 
5.2 Objetivos específicos: 
 
• Determinar a composição química do óleo fixo de Ouratea sp.; 
• Avaliar os aspectos macroscópicos das lesões cutâneas em camundongos (Mus 
musculus); 
• Avaliar a retração da área da lesão nas feridas em cicatrização; 
• Avaliar os aspectos histológicos no processo cicatricial; 
• Avaliar morfometricamente a quantidade de colágeno durante o processo de 
cicatrização das feridas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ARAÚJO, A.K.L. Aspectos Morfológicos do Processo de Cicatrização Induzido por Ouratea sp. 
 34 
6 MATERIAL E MÉTODOS 
 
6.1 Óleo Vegetal 
 
 Pesquisas realizadas com a população a respeito de tratamentos para feridas na 
pele foi relatado o uso do óleo de Ouratea sp. como um dos produtos naturais mais 
utilizados na região. Com base nesta pesquisa foi feita a aquisição comercial do óleo de 
Ouratea sp., no Mercado São Sebastião, situado na cidade de Fortaleza, no Estado do 
Ceará. O óleo foi acondicionado em frascos de vidro com as seguintes características 
qualitativas: coloração amarela translúcida com consistência e odor sui generis. Os 
fracos foram armazenados a 25°C, envolvidos em papel laminado a fim de proteger 
contra a luminosidade excessiva. 
 Utilizou-se como referência para o estudo o óleo de Helianthus annus (girassol), 
por já possuir sua atividade cicatrizante conhecida (Wendt, 2005). Este óleo foi obtido 
comercialmente através de farmácia de manipulação. 
 
6.1.1 Análise Fitoquímica 
 
 A análise química dos constituintes do óleo de Ouratea sp. foi realizada por 
cromatografia gasosa acoplada a espectrômetro de massa, realizada no Parque de 
Desenvolvimento Tecnológico (PADETEC), em Fortaleza, Ceará. Utilizando 
espectrômetro Shimadzu modelo GCMS-QP 5050 sob as seguintes condições: coluna 
capilar de sílica fundida W Scientific DB-5MS (50 m x 0,25 mm); gás de arraste: He (1 
mL/min); temperatura do injetor: 250°C; temperatura do detector: 200 °C; temperatura 
da coluna: 35-180°C a 4°C/min e depois 250°C/15 min; espectro de massa: por impacto 
eletrônico a 70 eV. A identificação dos constituintes foi feita por busca em biblioteca de 
espectros de massa, tempos de retenção e comparação visual dos espectros de massa 
obtidos com os publicados na literatura (Alencar et al., 1984; Adams, 1989). 
 
6.2 Animais 
 
 Camundongos Swiss machos, com 8-10 semanas de idade, pesando 32,0 ± 
2,0g foram adquiridos e mantidos no Biotério de Criação e Biotério Experimental do 
ARAÚJO, A.K.L. Aspectos Morfológicos do Processo de Cicatrização Induzido por 
 
Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães 
Universidade Federal de Pernambuco. Os animais foram alojados individualmente em 
caixas de polietileno, permanecendo em macroambiente controlado (fotoperíodo de 12h 
claro/escuro, temperatura 23 ± 2°C e umidade 55 ± 10%) com fornecimento 
de água e ração. Todos os procedimentos foram realizados de acordo com as normas 
preconizadas pela Sociedade Brasileira de Ciência em Animais de Laboratório 
SBCAL e os protocolos experimentais
Uso de Animais – CEUA da
 
6.2.1 Procedimento cirúrgico 
 
Os animais foram divididos em três grupos experimentais (n=15/grupo), 
anestesiados por via intramuscular (IM) com cloridrato de xilazina 2% (10 mg/Kg) e 
cloridrato de cetamina 10% (115 mg/Kg), segu
al. (2001). Após o procedimento anestésico, cada animal foi submetido à tricotomia da 
região dorsal e posterior antissepsia utilizando iodopovidona 1%. Com auxílio de um 
molde metálico vazado (Ø= 1,0 cm), a pele foi demarcada com caneta dermográfica. A 
ferida cutânea foi produzida pela incisão da pele através de lâmina de bisturi número 15 
e a tela subcutânea divulsionada com tesoura íris de pontas tipo fina/fina e pinça de 
dissecção, até sua ressecção
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
6.2.2 Tratamento da lesão 
Fig. 8: Procedimento c
metálico vazado (Ø= 1,0 cm); B e C: divulsionamento da pele; D: Ferida 
realizada. 
. Aspectos Morfológicos do Processo de Cicatrização Induzido por 
 
Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães - CPqAM/FIOCRUZ, localizado 
Universidade Federal de Pernambuco. Os animais foram alojados individualmente em 
caixas de polietileno, permanecendo em macroambiente controlado (fotoperíodo de 12h 
claro/escuro, temperatura 23 ± 2°C e umidade 55 ± 10%) com fornecimento 
de água e ração. Todos os procedimentos foram realizados de acordo com as normas 
Sociedade Brasileira de Ciência em Animais de Laboratório 
experimentais foram aprovados pelos Comitês de Ética para o 
da Universidade Estadual do Ceará (SPU – 09172748
6.2.1 Procedimento cirúrgico 
Os animais foram divididos em três grupos experimentais (n=15/grupo), 
anestesiados por via intramuscular (IM) com cloridrato de xilazina 2% (10 mg/Kg) e 
to de cetamina 10% (115 mg/Kg), seguindo a metodologia proposta por 
al. (2001). Após o procedimento anestésico, cada animal foi submetido à tricotomia da 
região dorsal e posterior antissepsia utilizando iodopovidona 1%. Com auxílio de um 
lico vazado (Ø= 1,0 cm), a pele foi demarcada com caneta dermográfica. A 
ferida cutânea foi produzida pela incisão da pele através de lâmina de bisturi número 15 
e a tela subcutânea divulsionada com tesoura íris de pontas tipo fina/fina e pinça de 
o, até sua ressecção, expondo a fáscia muscular (Fig 8 A-C). 
 
6.2.2 Tratamento da lesão 
Procedimento cirúrgicopara realização da lesão. A –
metálico vazado (Ø= 1,0 cm); B e C: divulsionamento da pele; D: Ferida 
. Aspectos Morfológicos do Processo de Cicatrização Induzido por Ouratea sp. 
35 
CPqAM/FIOCRUZ, localizado no campus da 
Universidade Federal de Pernambuco. Os animais foram alojados individualmente em 
caixas de polietileno, permanecendo em macroambiente controlado (fotoperíodo de 12h 
claro/escuro, temperatura 23 ± 2°C e umidade 55 ± 10%) com fornecimento ad libitum 
de água e ração. Todos os procedimentos foram realizados de acordo com as normas 
Sociedade Brasileira de Ciência em Animais de Laboratório – 
pelos Comitês de Ética para o 
09172748-0). 
Os animais foram divididos em três grupos experimentais (n=15/grupo), 
anestesiados por via intramuscular (IM) com cloridrato de xilazina 2% (10 mg/Kg) e 
indo a metodologia proposta por Hall et 
al. (2001). Após o procedimento anestésico, cada animal foi submetido à tricotomia da 
região dorsal e posterior antissepsia utilizando iodopovidona 1%. Com auxílio de um 
lico vazado (Ø= 1,0 cm), a pele foi demarcada com caneta dermográfica. A 
ferida cutânea foi produzida pela incisão da pele através de lâmina de bisturi número 15 
e a tela subcutânea divulsionada com tesoura íris de pontas tipo fina/fina e pinça de 
– molde 
metálico vazado (Ø= 1,0 cm); B e C: divulsionamento da pele; D: Ferida 
ARAÚJO, A.K.L. Aspectos Morfológicos do Processo de Cicatrização Induzido por 
 
Fig. 9: A- Bancada para Microtomia
do processo histológico. 
 
 
Após a indução das lesões, os animais ficaram alojados individualmente e, 
lesão foi tratada diariamente até o 12º dia de 
soluções testes. Os grupos foram divididos de acordo com o tratamento experimental 
empregado: G I – animais tratados com solução de cloreto de sódio a 0,9%; G II 
animais tratados com o óleo de 
óleo de Ouratea sp.(batiputá).
 
6.2.3 Análises Histológicas 
 
As amostras do tecido lesionado formam coletadas nos dias 2, 7 e 12. Nestes 
tempos, cinco animais foram escolhidos aleatoriamente de cada grupo experimental e 
submetidos à eutanásia em câmar
4% (v/v) preparado em PBS 0,01M, pH 7,2 e submetidas ao processamento histológico 
de rotina, incluídas em parafina (Fig. 9 A
microtomia com seções de 5 µm na 
Em seguida as lâminas das amostras foram coradas pela 
(H/E) e pelo Picrosirius. Os tecidos corados pela H/E foram avaliados qualitativamente 
sob o microscópio de luz em magnificação de 40
aspectos histológicos (Tabela 
(+++) (AKKOL et al., 2009). Todos os cortes histológicos foram avaliados de forma 
cega pelo mesmo investigador. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
. Aspectos Morfológicos do Processo de Cicatrização Induzido por 
 
Bancada para Microtomia. B e C- Visão em detalhes 
do processo histológico. D – Processo de coloração das lâminas. 
Após a indução das lesões, os animais ficaram alojados individualmente e, 
lesão foi tratada diariamente até o 12º dia de pós-operatório (p.o.) com 
s grupos foram divididos de acordo com o tratamento experimental 
animais tratados com solução de cloreto de sódio a 0,9%; G II 
animais tratados com o óleo de H. annus (girassol) e G III – animais tratados com
(batiputá). 
6.2.3 Análises Histológicas 
As amostras do tecido lesionado formam coletadas nos dias 2, 7 e 12. Nestes 
tempos, cinco animais foram escolhidos aleatoriamente de cada grupo experimental e 
submetidos à eutanásia em câmara de CO2. Após isto, foram fixadas em formaldeído a 
4% (v/v) preparado em PBS 0,01M, pH 7,2 e submetidas ao processamento histológico 
de rotina, incluídas em parafina (Fig. 9 A-D). O material foi então submetido 
microtomia com seções de 5 µm na área logo abaixo da epiderme e formação de crostas.
Em seguida as lâminas das amostras foram coradas pela Hematoxilina
Os tecidos corados pela H/E foram avaliados qualitativamente 
sob o microscópio de luz em magnificação de 40x e 100x e classificados quanto aos 
aspectos histológicos (Tabela 3) em: ausente (-), discreto (+), moderado (++) e intenso 
(+++) (AKKOL et al., 2009). Todos os cortes histológicos foram avaliados de forma 
cega pelo mesmo investigador. 
 
 
 
. Aspectos Morfológicos do Processo de Cicatrização Induzido por Ouratea sp. 
36 
Visão em detalhes 
 
Após a indução das lesões, os animais ficaram alojados individualmente e, cada 
com 100 µL das 
s grupos foram divididos de acordo com o tratamento experimental 
animais tratados com solução de cloreto de sódio a 0,9%; G II – 
animais tratados com o 
As amostras do tecido lesionado formam coletadas nos dias 2, 7 e 12. Nestes 
tempos, cinco animais foram escolhidos aleatoriamente de cada grupo experimental e 
. Após isto, foram fixadas em formaldeído a 
4% (v/v) preparado em PBS 0,01M, pH 7,2 e submetidas ao processamento histológico 
D). O material foi então submetido à 
abaixo da epiderme e formação de crostas. 
Hematoxilina-Eosina 
Os tecidos corados pela H/E foram avaliados qualitativamente 
0x e classificados quanto aos 
), discreto (+), moderado (++) e intenso 
(+++) (AKKOL et al., 2009). Todos os cortes histológicos foram avaliados de forma 
ARAÚJO, A.K.L. Aspectos Morfológicos do Processo de Cicatrização Induzido por 
 
6.2.4 Quantificação do colágeno para análise m
 
A avaliação morfológica para a quantificação de colágeno foi realizada com as 
lâminas das amostras coradas através do Picrosirius. Utilizando um microscópio sob 
objetiva de 5x e um software
expressa em percentual (Fig. 10
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
6.2.5 Análise Macroscópica
 
Para a análise macroscópica, 
foram submetidos ao procedimento cirúrgico 
Diariamente, foi realizada a avaliação macroscópica de cada lesão, observando aspectos 
como: edema, hiperemia, exsudato, tecido de granulação
 
6.2.6 Contração da área da lesão 
 
A mensuração da área da lesão foi realizada c
digital (Fig 11). A redução da área foi calculada pela equação formulada por Prata et al. 
(1988): A= π.R.r, onde “A” representa a área (cm²); “R”
representa o raio menor. 
 
 
 
 
Fig. 10: A- Equipamento utilizado para realização da morfometria. 
Visão do software
. Aspectos Morfológicos do Processo de Cicatrização Induzido por 
 
tificação do colágeno para análise morfométrica 
A avaliação morfológica para a quantificação de colágeno foi realizada com as 
lâminas das amostras coradas através do Picrosirius. Utilizando um microscópio sob 
software específico Qwuin (LEICA®), a quantidade de colágeno foi
expressa em percentual (Fig. 10 A-C). 
 
6.2.5 Análise Macroscópica 
Para a análise macroscópica, foram utilizados 3 grupos de 10 animais
foram submetidos ao procedimento cirúrgico como descritos a
Diariamente, foi realizada a avaliação macroscópica de cada lesão, observando aspectos 
como: edema, hiperemia, exsudato, tecido de granulação e reepitelização.
6.2.6 Contração da área da lesão 
A mensuração da área da lesão foi realizada com o auxílio de um paquímetro 
). A redução da área foi calculada pela equação formulada por Prata et al. 
.R.r, onde “A” representa a área (cm²); “R” representa o raio maior; “r”
Equipamento utilizado para realização da morfometria. B
software utilizado. 
Fig. 11: Paquímetro digital. 
. Aspectos Morfológicos do Processo de Cicatrização Induzido por Ouratea sp. 
37 
A avaliação morfológica para a quantificação de colágeno foi realizada com as 
lâminas das amostras coradas através do Picrosirius. Utilizando um microscópio sob 
), a quantidade de colágeno foi 
grupos de 10 animais, os quais 
como descritos anteriormente. 
Diariamente, foi realizada a avaliação macroscópica de cada lesão, observando aspectos 
e reepitelização. 
om o auxílio de um paquímetro 
). A redução da área foi calculada pela equação formulada por Prata et al. 
o raio maior; “r” 
B e C- 
ARAÚJO, A.K.L. Aspectos Morfológicos do Processo de Cicatrização Induzido por Ouratea sp. 
 38 
6.3 Análise Estatística 
Foi realizada umaanálise descritiva dos resultados obtidos. Para testar a suposição 
de homogeneidade das variáveis envolvidas no estudo foi aplicado o teste de Bartlett. 
Quando observado o pressuposto de homogeneidade entre as variáveis foi aplicado 
ANOVA e como post hoc o teste de Tukey, e quando o pressuposto não foi observado, 
utilizou-se a ANOVA para variâncias com diferenças, sendo o teste Pair wise t-test 
como post hoc. E nos casos em que as observações ocorreram ao longo do tempo de 
forma dependente, o teste foi aplicado levando em consideração o pareamento dos 
dados. Todas as conclusões foram tomadas ao nível de significância de 5%. Os 
softwares utilizados foram o Excel 2000 e o R v2.10.0. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ARAÚJO, A.K.L. Aspectos Morfológicos do Processo de Cicatrização Induzido por Ouratea sp. 
 39 
7 RESULTADOS 
 
7.1 Análise química do óleo fixo 
 
 
Os resultados da avaliação química do óleo fixo de Ouratea sp. estão 
representados na tabela 2. A cromatografia gasosa acoplada em espectrômetro de massa 
detectou a presença de ácidos graxos insaturados no óleo fixo de Ouratea sp. (Fig.12). 
O ácido linoléico (40,88%), ácido oléico (28,29%) e o ácido palmítico (20,65%) foram 
os componentes majoritários encontrados neste óleo. Além destes ácidos, foram 
isolados outros constituintes em menores concentrações, tais como os ácidos esteárico, 
linoléico-iso e ecosanóicos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 12: Cromatografia de Íons Totais (TIC) do óleo de Ouratea sp. 
 
Tabela 2: Composição química qualitativa e quantitativa do óleo fixo de Ouratea sp., com respectivos 
tempos de retenção correspondente a cada substância. 
 
Tempo ret. %Total Constituintes 
18.280 20.65 Ácido Palmítico 
20.448 40.88 Ácido Linoléico 
20.521 28.29 Ácido Oléico 
20.573 1.84 Ácido Elaiclico 
20.814 5.67 Ácido Esteárico 
20.874 2.25 Ácido Linoléico-iso 
23.142 0.42 Ácido Eicosanóico 
 
Tempo de Retenção (min.) 
Intensidade 
ARAÚJO, A.K.L. Aspectos Morfológicos do Processo de Cicatrização Induzido por Ouratea sp. 
 40 
 
7.2 Avaliação Macroscópica 
 
A avaliação macroscópica de cada lesão foi realizada até o 12º dia de p.o., os 
seguintes aspectos foram observados: presença de edema, hiperemia, exsudato, tecido 
de granulação e reepitelização (Tabela 3). 
No 1º dia de p.o, foi observado exsudato sero-saguinolento, hiperemia e edema 
nas feridas em todos grupos (Tab. 3 e Fig.13). As lesões presentes nos três grupos 
apresentaram sinais flogísticos como: edema, hiperemia e exsudato nos primeiros dias 
(0-4 dias de p.o) ( Tabela 3). 
Os animais dos grupos I e II apresentaram edema, hiperemia e exudato nos 3 
primeiros dias de p.o. Do dia 4 ao dia 7 a hiperemia persistiu, mas houve uma 
diminuição no exudato e ausência de edema. O aparecimento de uma crosta de aspecto 
granular, espessa foi observado neste período. Não houve desprendimento da crosta 
neste grupo durante todo período de observação. Também não foram observados neste 
grupo sinais de reepitelização (Figs 13A-C). 
Os animais do grupo II (Figs.D-F) e com o óleo de Ouratea sp. (Figs 14 G-H) 
apresentaram evolução semelhante ao grupo I nos períodos iniciais de tratamento (0-3 
dias). Nos grupos II e III foram observados o aparecimento de uma crosta mais 
precocemente do que no grupo controle (grupo I) para este mesmo período de 
observação. Nos dias subseqüentes até o dia 7 o grupo II apresentou uma evolução 
superior aos demais grupos, com diminuição do exudato, formação de crosta espessa, 
sem hiperemia. Já no grupo III foi observado ainda a presença de exudato, embora em 
menor quantidade quando comparado com os dias anteriores, uma crosta com aspecto 
regular e menos espessa do que nos grupos I e II. Nos períodos de 8-12 dias de p.o. os 
dois grupos tratados com os óleos apresentaram desprendimento da crosta, sendo que no 
grupo tratado com o óleo de Ouratea sp. o desprendimento ocorreu mais precocemente 
do que no grupo tratado com o óleo de H. annus. Também foi possível observar uma 
maior reepitelização no grupo III quando comparado aos demais, sendo esta 
característica observada entre os dias 9-10 enquanto para o grupo II apenas a partir do 
dia 11. Houve também no grupo III um desprendimento mais rápido da crosta do que os 
grupos I e II. Apenas nos grupos do II e III foi observada a presença de re-epitielização 
(Figs 13 F-I). 
ARAÚJO, A.K.L. Aspectos Morfológicos do Processo de Cicatrização Induzido por Ouratea sp. 
 41 
Para verificarmos a hipótese do óleo de Ouratea sp. ter sido contaminado, o que 
poderia dificultar o processo cicatricial, foi realizado teste microbiológico deste. Nossos 
resultados mostraram a ausência de crescimento de microrganismos, confirmando a sua 
qualidade. 
 
Ed = edema, Hip = hiperemia, Exs = exsudato, Cr = crosta, Re = re-epitelização, De = desprendimento 
da crosta 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
7.3 Análises Histopatológicas 
Para análise histopatológica as lâminas das amostras das lesões foram coradas e 
analisadas segundo critérios previamente descritos na metodologia (Tabela 4). A 
avaliação histopatológica dos animais do grupo I demonstrou a evolução normal do 
processo reparativo. No 2º dia de p.o., o grupo I apresentou infiltrado de células 
inflamatórias, principalmente linfócitos. No grupo II, há uma predominância de 
Grupos 
 Dias 0 - 4 5 - 7 8 -12 
GI 
GII 
GIII 
Ed / Exs / Hip 
Ed / Exs / Hip 
Ed / Exs / Hip 
Hip / Cr 
Cr 
Exs / Cr 
Cr 
Re 
Re / De 
Tabela 3. Avaliação macroscópica durante os dias de tratamento. 
 
 
NaCl 0,9% 
 
H. annus 
 
Ouratea sp. 
 
 Dia 2 Dia 7 Dia 12 
Figura 13: Aspectos Macroscópicos das lesões durante tratadas com óleo fixo de Ouratea sp. 
por 12 dias consecutivos. Observe a presença da crosta menos espessa no grupo controle (A) 
no dia 2 quando comparada com os óleos de girassol (D) e do Batiputá (G) para este mesmo 
período. Também é possível observar o desprendimento da crosta e a presença de re-
ARAÚJO, A.K.L. Aspectos Morfológicos do Processo de Cicatrização Induzido por Ouratea sp. 
 42 
neutrófilos sobre linfócitos, enquanto no grupo III apenas neutrófilos são observados no 
dia 2 de p.o. 
No 7° dia já foi possível observar nos animais dos grupos controles tecido de 
granulação com padrão fibrovascular, colagenização com epitélio desorganizado nas 
bordas das lesões. Estas fibras se mostraram mais organizadas no 12º dia p.o. quando 
também se pode observar a presença do processo de re-epitelização. Também foi 
importante observar que grupos controles não apresentavam folículo piloso durante todo 
o tempo de observação. A presença de fibroblastos entre os grupos foi bastante 
diversificada. Foi possível observar a presença destas células no grupo controle e nos 
grupos tratados com os óleos. No entanto, elas são mais abundantes nos grupos III e II 
no último dia de observação, não sendo observadas nestes grupos no 7° dia e sendo 
moderados no dia 2º de p.o. 
O grupo tratado com óleo de H. annus apresentou um infiltrado inflamatório 
considerável no 2° dia, quando comparado ao grupo tratado com óleo de Ouratea sp. 
No 12º dia p.o. o grupo tratado com NaCl a 0,9% apresentou fibras colágenas 
organizadas e, os camundongos tratados com o óleo de H. annus e o óleo de Ouratea sp. 
apresentaram características histopatológicas semelhantes: re-epitelização, presença de 
fibroplasia e fibras colágenas (Figura 14 A-I). 
 
Escores: ausente (-), discreto (+), moderado (++) ou intenso (+++). 
PARÂMETROS 
HISTOLÓGICOS 
GRUPO I GRUPO II GRUPO III 
DIA 
02 
DIA 
07 
DIA 
12 
DIA 
02 
DIA 
07 
DIA 
12 
DIA 
02 
DIA 
07 
DIA 
12 
 
Células 
Inflamatórias: 
Linfócitos 
Neutrófilos 
Monócitos 
Eosinófilos 
+++ - - + - - - - -+ +++ - +++ - - +++ - - 
- - - - - - - - - 
- - - - - - - - - 
Edema 
Congestão de vasos 
Hemácias 
Tecido de granulação 
Angiogênese 
Fibroblasto 
Fibras colágenas 
Epitélio desorganizado 
Epitélio em organização 
Reepitelização 
Queratina 
Glândula sebácea 
Folículo piloso 
- 
- 
- 
+ 
+ 
+ 
+ 
++ 
- 
- 
- 
- 
- 
- - - ++ - - + ++ 
- - - + - - ++ +++ 
- + - - - - - - 
+ + - - - - - +++ 
+ + - - - - - +++ 
++ ++ ++ - +++ ++ - +++ 
- + +++ - +++ +++ - - 
++ ++ - + + - - - 
- - +++ - - +++ - - 
- ++ +++ - ++ +++ - - 
- - ++ - - - - - 
- - - - - - - - 
- - +++ - - +++ - - 
Tabela 4: Aspecto qualitativo da avaliação histológica do potencial de cicatrização do óleo fixo de Ouratea sp. 
ARAÚJO, A.K.L. Aspectos Morfológicos do Processo de Cicatrização Induzido por Ouratea sp. 
 43 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
7.4 Contração da Área da Lesão 
A evolução macroscópica do processo cicatricial foi acompanhada pela 
mensuração das lesões ao longo dos 12 dias p.o. (Fig. 15). A partir do 6º dia p.o. o 
grupo tratado com NaCl a 0,9% iniciou uma contração significativa da área da lesão, o 
grupo tratado com o óleo de H. annus teve uma contração significativa da área da lesão 
a partir do 7º dia p.o. e o grupo tratado com o óleo de Ouratea sp. reduziu 
significativamente a área da lesão a partir do 4º dia p.o. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
NaCl 0,9% 
 
 
H. annus 
 
 
Ouratea sp. 
 Dia 2 Dia 7 Dia 12 
Figura 14: Avaliação microscópica (H&E) dos tecidos tratados à base de óleos vegetais em 
diferentes dias sobre a cicatrização cutânea: Grupo I: NaCl 0,9% (A=D2, B=D7; C=D12) –; 
Grupo II: H. annus (D=D2; E=D7; F=D12); Grupo III: Ouratea sp.(G=D2; H=D7; I=D12). 
Legenda: c= crosta; q= queratina; ep= epitélio; vs= vaso sanguíneo; tg= tecido de granulação; 
ci= células inflamatórias; fb= fibroblastos. 
ARAÚJO, A.K.L. Aspectos Morfológicos do Processo de Cicatrização Induzido por Ouratea sp. 
 44 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
7.5 Análise Morfometria 
A análise morfométrica da quantidade de colágeno demonstrou que em todos os 
grupos houve uma tendência ao aumento da deposição de colágeno sendo que a partir 
do 2º dia um aumento mais pronunciado foi observado no grupo tratado com solução de 
NaCl 0,9%, quando comparados aos demais grupos analisados. No decorrer dos dias de 
tratamento, o grupo controle apresentou uma redução gradativa quanto ao conteúdo de 
colágeno depositado. Todavia, os grupos tratados com os óleos H. annus e Ouratea sp. 
comportaram-se de forma oposta ao grupo controle, pois com o decorrer dos dias de 
tratamento o percentual de colágeno apresentou-se em maiores quantidades (Fig. 16). 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 15: Tratamento com o óleo fixo de Ouratea sp. sobre a área da lesão 
 
Fig. 16: Porcentagem da deposição de colágeno durante o tratamento. 
P
ercentual de C
olágeno (%
) 
ARAÚJO, A.K.L. Aspectos Morfológicos do Processo de Cicatrização Induzido por Ouratea sp. 
 45 
8 DISCUSSÃO 
A cicatrização é um processo complexo e dinâmico de restabelecimento das 
estruturas celulares e, consequentemente, das camadas do tecido epitelial. Este processo 
é realizado a fim de estabelecer uma reepitelização mais próxima do seu estado normal 
(Kumar et al., 2006). Algumas plantas são medicinais utilizadas de maneira empírica 
como o óleo Ouratea sp., popularmente conhecido por batiputá, que é utilizado como 
agente para diversas afecções da pele, inclusive, como cicatrizante para feridas 
cutâneas. 
Devido a sua disponibilidade no Nordeste Brasileiro e, mais especificamente, no 
interior do Estado do Ceará, as espécies de Ouratea sp., são bastante utilizadas pela 
população como tônicas e adstringentes (O. castanaefolia, O. parviflora), como anti-
inflamatório e em doenças da pele (O. parviflora) e no tratamento de doenças gástricas 
(O. spectabilis) (Corrêa, 1975; Paulo et al., 1986; Felício et al., 2004). 
No presente trabalho nós analisamos o potencial cicatrizante do óleo do Batiputá 
e utilizamos o óleo de H. annus, o girassol, como tratamento de referência. Este óleo já 
é bastante utilizado em feridas abertas promovendo um menor desconforto doloroso ao 
indivíduo (Eurides et. al., 2006). Quando observadas as respostas cicatriciais das feridas 
cutâneas, nos tratamentos utilizados, estas podem ser atribuídas ao fato de tanto o óleo 
de girassol quanto o de Batiputá apresentarem como componentes mais abundantes os 
ácidos linoléico (ômega 6) e oléico (ômega 9). Segundo De Nardi et al. (2004), estes 
ácidos tem importante função no processo inflamatório, na proliferação e modulação do 
crescimento celular. Desta forma, os efeitos superiores destes óleos tanto na qualidade 
quanto no tempo da reepitelização da lesão pode ser atribuído a ação conjunta destes 
ácidos. No entanto, não se pode descartar a hipótese de outros constituintes encontrados 
em menor quantidade possa estar agindo sinergicamente potencializando sua ação 
cicatrizante. O ácido linoléico em alta concentração no óleo de girassol foi aplicado em 
lesões escamosas e dermatose por Van Dorp, 1974 e Prottey et al., 1975 onde 
observaram a reversão e a cura dessas lesões. Hartop Prottey, 1976 também mostrou 
que, quando aplicado via cutânea, ambos os ácidos (linoléico e iso-linoleico), restaurada 
a permeabilidade da epiderme na pele de ratos. De acordo com Glasgow e Eling, 1990, 
o ácido linoléico é essencial para a regulação de eventos bioquímicos que precedem a 
mitogênese fibroblástica uma vez que estimula alguns fatores de crescimento celular e , 
segundo Moch D. et al., 1990 por ser um poderoso mediador pró-inflamatório (ácido 
ARAÚJO, A.K.L. Aspectos Morfológicos do Processo de Cicatrização Induzido por Ouratea sp. 
 46 
linoléico) provoca a migração de granulócitos e macrófagos, bem como mudanças 
importantes no tecido da granulação. 
A avaliação histopatológica mostrou um maior acúmulo de células inflamatórias 
no grupo tratado com o óleo de Ouratea sp. Sabe-se que a fase inflamatória é uma etapa 
das mais importantes no processo de cicatrização. É nesta fase que células como 
neutrófilos, responsáveis pela fagocitose de restos celulares e agentes estranhos, 
proliferam no sítio da lesão, ativados pela permeabilidade vascular e pela ação de 
substâncias quimiotáticas, como fatores do crescimento, citocinas, fatores plaquetários 
entre outros. Esses dados corroboram com os dados encontrados por Ribeiro et al., 
2009, que observaram a presença de infiltrado inflamatório severo, predominantemente 
neutrofílico. E segundo Gurmel et al. 1998, as feridas dos animais tratados com 
curcumina demonstraram reepitelização, neovascularização, aumento da migração de 
várias células, incluindo fibroblastos, miofibroblastos e macrófagos no leito da ferida, e 
um maior teor de colágeno. Macrófagos também estão presentes nos sítios da lesão 
auxiliando os neutrófilos na fagocitose secretando sinalizadores de fibroblastos os quais 
são os responsáveis pela síntese do colágeno (Guidugli-Neto, 1992). Assim, embora 
nossos resultados sejam aparentemente paradoxais com relação ao aumento da atividade 
inflamatória no óleo do Batiputá em relação ao grupo controle, esta atividade 
aumentada pode contribuir para uma maior resposta destas células e por conseguinte, 
aumentar a eficiência do processo cicatricial. Por outro lado, a hipótese que uma 
eventual contaminação dos óleos com micro-organismos pudesse estar afetando e 
exacerbando a resposta inflamatória local também deveria ser considerada. Desta forma 
realizamos teste bacteriológico destes óleos. Os resultados negativos quanto a presença 
de microrganismos nos óleos analisados refutaram esta hipótese. 
 Durante todo o estudo, a mensuração da área ferida foi realizada, sendo 
observada a redução da lesão em todos os grupos. Embora não tenha havido diferenças 
significativas entre os grupos comrelação a este parâmetro no decorrer do período total 
de observação, nossos dados mostraram que a retração da lesão se dá de maneira mais 
precoce no grupo do Batiputá. Um importante fator de morbidade de uma ferida é o 
tempo que esta leva para completar o processo de cicatrização. Assim a possibilidade de 
que uma ferida pode infeccionar é tanto maior quanto maior for a área comprometida 
(Branon, 2002; Clark, 2003). Desta forma, o Batiputá apresentaria uma vantagem em 
relação aos demais, uma vez que o tratamento com este óleo favorece a contratura 
significativa da lesão em um espaço mais curto de tempo diminuindo as chances de uma 
ARAÚJO, A.K.L. Aspectos Morfológicos do Processo de Cicatrização Induzido por Ouratea sp. 
 47 
eventual contaminação. Segundo Madison e Gronwal, 1992 o processo de contração das 
feridas ocorre em três fases: uma fase inicial, na qual as bordas da ferida apresentam 
retração centrífuga e a área da lesão aumenta; a seguir, um período de contração rápida 
em direção ao centro da lesão, e finalmente, quando a ferida está praticamente 
cicatrizada, o processo torna-se mais lento, deixando a curva de cicatrização na forma 
de platô. O aumento da área das lesões registrado logo após o traumatismo se deve, 
segundo Barber, 1990 à associação da perda da tensão ao edema da pele. Segundo 
Kumar et al., 2006, os animais tratados com a casca da uva em pó da Cabernet 
Sauvignon, exibiram aumentos significantes nas a taxa de contração da ferida, a taxa de 
epitelização. Corroborando com os resultados de Baie e Sheikh, 2000 que trataram ratos 
com o óleo de peixe, e até ao final de doze dias obtiveram 80% de contração da ferida. 
O tecido de granulação formado na penúltima parte da fase proliferativa é 
composto principalmente de fibroblastos, colágeno (tipo III), células inflamatórias, 
fibronectina e novos pequenos vasos sanguíneos. Colágeno, o principal componente 
estrutural de granulação tecidos, fortalece e apóia matriz extracelular tecidos, e 
eventualmente substitui a fibronectina temporária matriz. Este é considerado o principal 
componente que fortalece e suporta o tecido extracelular, pois é composto de 
aminoácidos dentre eles a hidroxiprolina, e tem sido usado como um marcador 
bioquímico tecidual (Kumar et al., 2006). Tomariz et. al., 2002 demonstraram que a 
deposição de colágeno recém-sintetizado no local da ferida, amplia a concentração deste 
por unidade de área e, portanto, aumenta a resistência à tração do tecido, interferindo 
positivamente na contração da área lesionada. Para verificarmos os efeitos dos 
tratamentos com os óleos sobre a deposição de colágeno, foi realizada a análise 
morfométrica através da quantificação desta proteína. Nossos resultados demonstraram 
um aumento significativo da quantidade de colágeno em todos os grupos testados, sendo 
que no decorrer do tratamento, o grupo tratado com o óleo de Ouratea sp. foi o que 
apresentou aumento significativo na quantidade da proteína (p=0,04) em relação ao 
grupo controle, no 12º dia. Estes dados corroboram tanto as nossas análises histológicas 
quanto macroscópicas. Consistentemente, nossos achados revelam que apenas o grupo 
tratado com os óleos de batiputá e do girassol apresentaram uma repitelização eficiente 
e sugerem que o bom resultado de repitelização alcançado pelos óleos se deva a uma 
deposição eficiente do colágeno nestes grupos em relação ao controle. Segundo 
Schumacher et al., 1992 e D’utra Vaz 1995 características clínicas semelhantes foram 
observadas para lesões cutâneas em equinos avaliadas nos primeiros dias após a 
ARAÚJO, A.K.L. Aspectos Morfológicos do Processo de Cicatrização Induzido por Ouratea sp. 
 48 
indução, que foram associadas ao pico da fase inicial do processo inflamatório. De 
acordo com Marques et. al., 2004 Ao sétimo dia após a excisão, as feridas tratadas com 
ácidos graxos essenciais, apresentaram-se evoluídas macroscopicamente que as feridas 
do grupo controle devido a um grande desenvolvimento do tecido de granulação, 
contração na borda exterior das fronteiras e da ausência de secreção. Por outro Por outro 
lado, as feridas controle apresentaram extensas áreas de hiperemia, crosta e edema. 
Nossos dados sugerem o óleo fixo de Batiputá como alternativa terapêutica no 
tratamento de feridas. No entanto, maiores estudos ainda se fazem necessário para uma 
melhor compreensão do papel deste óleo sobre a fisiologia da cicatrização de lesões da 
pele. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ARAÚJO, A.K.L. Aspectos Morfológicos do Processo de Cicatrização Induzido por Ouratea sp. 
 49 
 
9 CONCLUSÕES 
 
O óleo fixo de Ouratea sp. apresentou os ácidos linoléico (40,88%), oléico 
(28,29%) e palmítico (20,65%) como componentes majoritários; 
O tratamento com o óleo de Ouratea sp. induziu re-epitelização a partir do oitavo 
dia e retração da área da lesão mais evidente a partir do quarto dia; 
O tratamento com o óleo de Ouratea sp. induziu migração neutrofílica, proliferação 
de fibroblastos e aumento de fibras colágenas; 
O tratamento com o óleo de Ouratea sp. induziu maior percentual de colágeno. 
Portanto, concluiu-se que óleo fxo de Ouratea sp. auxilia e acelera o processo de 
cicatrização, mostrando potencial terapêutico sobre as lesões cutâneas, comprovando, 
desta forma, o seu uso popular como agente cicatrizante. 
 
 
ARAÚJO, A.K.L. Aspectos Morfológicos do Processo de Cicatrização Induzido por Ouratea sp. 
 50 
10 PERSPECTIVAS 
 
Como as lesões de pele, particularmente as feridas, possuem grande importância 
clínica em função da alta frequência com que ocorrem entre os animais domésticos, este 
estudo aponta perspectivas para a utilização do óleo de Ouratea sp. em ferimentos 
cutâneos. 
Além do mais, novos protocolos com o intuito de verificar a concentração ideal 
do óleo fixo de Batiputá para sua utilização em ferimentos cutâneos devem ser 
avaliados em animais de diferentes espécies. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ARAÚJO, A.K.L. Aspectos Morfológicos do Processo de Cicatrização Induzido por Ouratea sp. 
 51 
 
11 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICA 
 
ABE, R. et al. Peripheral blood fibrocytes: differentiation pathway and migration to 
wound sites. Journal of Immunology, v.166, n.12, p.7556-7562, 2001. 
 
ADAMS, R.P. Identification of essential oils by ion trap mass spectroscopy. London: 
Academic Press, 456p, 1989. 
 
AKKOL, E.K., KOCA, U., PESIN, I., YILMAZER, D., TOKER, G., YESILADA, E., 
Exploring the wound healing activity of Arnebia densiflora (Nordm.) Ledeb. by in vivo 
models. Journal of Ethnopharmacology, v.124, p.137-141, 2009. 
 
ALENCAR, J.W.; CRAVEIRO, A.A.; MATOS, F.J.A. Kovats’ indices as a 
preselection routine in mass spectra library search of volatiles. Journal of Natural 
Products, v.47, n.5, p.890-92, 1984. 
 
AMADEU, T.P. et al. Cutaneous wound healing: myofibroblastic differentiation and in 
vitro models. International Journal Low Extrem Wounds, v.2, n.2, p.60-68, 2003. 
 
ARNOLD J. R. H. L, ODOM R. B., JAMES W.D. A pele: estrutura básica e função. 
Doenças básicas da pele de Andrews: Dermatologia clínica; p.1-14. 2002. 
 
BAIE, S.H., SHEIKH, K.A. The wound healing properties of Channa striatus-cetrimide 
cream-wound contraction and glycosaminoglycan measurement. Journal of 
Ethnopharmacology, v.73, p.15-30, 2000. 
 
BANKS, W. T. Histologia veterinária aplicada, 2. ed., São Paulo: Manole, p. 103- 424, 
2002. 
 
BARBER, S.M. Second intention wound healing in the horse: The effect of bandages 
and topical corticosteroids. Proceedings Annual Convention American Equine 
Practice, v.35, p.107-116, 1990. 
ARAÚJO, A.K.L. Aspectos Morfológicos do Processo de Cicatrização Induzido por Ouratea sp. 
 52 
BLANES, L. Perfil do portador de úlcera por pressão internado no Hospital São Paulo 
[Dissertação]. São Paulo:Universidade Federal de São Paulo; 2002. 
 
BUCALA, R. et al. Circulating fibrocytes define a new leukocyte subpopulation that 
mediates tissue repair. Molecular Medicine, v.1, n.1, p.71-81, 1994. 
 
CARVALHO, P. T. C. Análise da Cicatrização de Lesões Cutâneas Através de 
Espectrofotometria: estudo experimental em ratos diabéticos. São Carlos- SP, 2002. 
CORRÊA, M. P. Dicionário de plantas úteis do Brasil e das exóticas cultivadas. Rio 
de Janeiro: J. Di Giorgio, v.1-6, 1975. 
CORTES, S. F.; VALADARES, M. Y.; OLIVEIRA, A B. DE; LEMOS. S. V.; 
BARBOSA, M. P. T.; BRAGA, F. C.; Mechanism of endothelium-dependent 
vasodilation induced bv a proanthocyanidin-rich fraction from Ouratea semisserata, 
Planta Médica, v.68, n.5, p. 412-415; 2002. 
 
CUNNINGHAM AL, ABENDROTH A, JONES C, NASR N, TURVILLE S. 
Immunology Cell Biology, v.88, n.4, p.416-23, 2010. 
 
DA SILVA QUIRINO, G.; LEITE, G.O.; REBELO, L.M.; TOMÉ, A.R.; COSTA, 
J.G.M.; CARDOSO, A.H.; CAMPOS, A.R. Healing potential of pequi (Caryocar 
coriaceum Wittm.) fruit pulp oil. Phytochemistry Letters, v.2, p.179-183, 2009. 
DÂNGELO, J.G.; FATTINI, C. A. Anatomia humana sistêmica e segmentar. 2ªed. Rio 
de Janeiro: Atheneu; pp. 101-2. 1988. 
DE ALMEIDA, P. C. C. Estudo da transição dermoepidermica dos enxertos de pele e 
sua relação como surgimento de vesículas. São Paulo. Tese, Faculdade de Medicina de 
São Paulo, pp. 133, 2009. 
 
DE NARDI, A. B. et al. Cicatrização secundária em feridas dermoepidermicas tratadas 
com ácidos graxos essências, vitamina A e E, lecitina de soja e iodo polivinilpirolindona 
em cães. Archives of Veterinary Sciense, v.9, n.1, p.1-16, 2004. 
ARAÚJO, A.K.L. Aspectos Morfológicos do Processo de Cicatrização Induzido por Ouratea sp. 
 53 
DESMOULIÈRE, A.; CHAPONNIER, C.; GABBIANE, G. Tissue repair, contraction 
and the myofibroblast. Wound repair and Regeneration, v. 13, p. 7-12, 2005. 
 
DI STASI, L. C. Plantas medicinais: verdades e mentiras: o que os usuários e 
profissionais de saúde precisam saber. São Paulo, Ed. UNESP, 2007. 
DOS SANTOS, J.S, VIEIRA A.N.D., KAMADA I.V.A. Rosa Mosqueta no tratamento 
de feridas abertas: uma revisão Treatment of open wounds using Mosqueta Rose: a 
review. Revista Brasileira de Enfermagem, v.62, p.457-462, 2009. 
D’UTRA VAZ, B.B. Evolução cicatricial de feridas cutâneas induzidas 
experimentalmente na espécie equina tratadas ou não com película de celulose.. 56f. 
Dissertação - Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias, Universidade Estadual 
Paulista, Jaboticabal, SP. 1995 
 
EGGERS R, AMBROGI A, VON SCHNITZLER J. Special features of scf solid 
extraction of natural products: deoiling of wheat gluten and extraction of rose hip oil. 
Technical University of Hamburg –Hamburg, Germany. Brazilian Journal of Chemical 
Engineering, v.17, n.3, p.1-8. 2000. 
 
ESHGHI, F.; HOSSEINIMEHR, S. J.; RAHMANI, N.; KHADEMLOO, M.; NOROZI, 
S. M, HOJATI, O. O Jornal de Medicina Alternativa e Complementar. 2010. 
 
EURIDES, D. et. al. Morfologia e morfometria da reparação tecidual de feridas 
cutâneas de camundongos tratados com solução aquosa de barbatimão. Revista da 
Faculdade de Zootecnia, Veterinária e Agronomia de Uruguaiana, v. 2/3, n. 1, p. 
35-40, 2006. 
 
FELÍCIO, J. D., ROSSI, M. H., BRAGGIO, M. M., GONÇALEZ, E., PAK, A., 
CORDEIRO, I., FELÍCIO, R. C. Chemical constituents from Ouratea parviflora. 
Biochemical Systematics Ecology, v.32, p.79- 81, 2004. 
 
ARAÚJO, A.K.L. Aspectos Morfológicos do Processo de Cicatrização Induzido por Ouratea sp. 
 54 
FERREIRA A.S., BARBIERI C.H., MAZZER N.,CAMPOS A.D., MENDONÇA A.C. 
Measurement of healing area using planimetry after applying low-intensity ultrasound 
to the skin of rats. Revista Brasileira Fisioterapia, v. 12, n. 5, p. 351-8, 2008. 
FERREIRA, C. P.; BATISTA, N. C.; DE LIMA, S. G. et al. VII Simpósio de Produção 
Científica e IV Seminário de Iniciação Científica, Teresina-PI – Brasil, 2007. 
 
GABBIANI, G, HIRSCHEL, B.J., RYAN, G.B., STATKOV, P.R., MAJNO, G. 
Granulation tissue as a contractile organ. A study of structure and function. Journal of 
Experimental Medicine, v.135, p.719-734, 2003. 
GARCÍA, C.C.; TALARICO, L.; ALMEIDA, N.; COLOMBRES, S.; DUSCHATZKY, 
C.; DAMONTE, E.B. Virucidal activity of essential oils from aromatic plants of San 
Luis, Argentina. Phytotherapy Research, v.17, p.1073-1075, 2003. 
GLASGOW WC, ELING GT. Epidermal growth factor simulates linoleic acid 
metabolic in BAB/C 3T3 fibroblasts. Molecular Pharmacology, v.38, p.503-510, 
1990. 
 
GOVINDRAJAN, R., KUMAR, B., VIJAYKUMAR, M., PUSHPANGADAN, P. 
Ethanopharmacological approaches to wound healing-exploring medicinal plants of 
India. Journal of Ethnopharmacology, v.114, p.103–113, 2007. 
 
GRYNBERG, N. F.; DE CARVALHO, M. G.; VELANDIA, J. R.; OLIVEIRA, M. C.; 
MOREIRA, I. C.; BRAZ-FILHO, R.; ECHEVARRIA, A.; Flavonoidic biodiversiy and 
pharmacologic aspects in the species of the Ouratea and Luxemburgia genera 
(Ochnaceae). Brazilian Journal of Medicine and Biology Research, v.35, p.819, 2002. 
 
GUARRERA, P. M.; MARIGNOLI, G. F. S. Ethnobotanical and thnomedicinal uses of 
plants in the district of Acquapendente (Latium, Central Italy). Journal of 
Ethnopharmacology, v.96, p.429-44, 2005. 
 
GUIDUGLI-NETO, J. The effect of roentgen radiation on the capillary sprontsonal 
superficial loops of granulation tissue II: ultrastructural aspects. Rev. Odontol. Univ. 
São Paulo, v. 6, 66-71, 1992. 
ARAÚJO, A.K.L. Aspectos Morfológicos do Processo de Cicatrização Induzido por Ouratea sp. 
 55 
 
GURMEL, S., ANOOP, K., DEEP, T., KRISHNA, K., GYANENDRA, K., RIKHABC, 
Enhancement ofwound healing by curcumin in animals. Wound Repair and 
Regeneration, v.6, p.167–177. 1998. 
HABEEB F, SHAKIR E, BRADBURY F, ET AL. Screening methods used to 
determine the antimicrobial properties of Aloe vera inner gel. Methods, v.42, p.315–
320, 2007. 
HALL, L.W., CLARKE, K.W., TRIM, C.M. Veterinary anesthesia. 10. ed., Saunders, 
2001. 
 
HALPER J, LESHIN LS, LEWIS SJ, LI WI. Wound Healing and Angiogenic 
Properties of Supernatants from Lactobacillus Cultures. Experimental Biology and 
Medicine, v.228, n.11, p.1329-1337, 2003. 
 
HAMILTON, A. Medicinal plants and conservation: tissues and approaches. 
International Plants Conservation Unit, WWF-UK, 2003. 
 
HARRIS, M. I. N. C. Pele: Estrutura, propriedades e envelhecimento. 2ª ed. Editora 
SENAC São Paulo, 2005. 
HARTOP, P.J., PROTTEY, C. Changes in transepidermal water loss and the 
composition of the epidermal lecithin after applications of pure fatty acid triglycerides 
to the skin of essential fatty acid – deficient rats. Brazilian Journal of Dermatology, 
v.95, p.255-64, 1976. 
HEINO, M.; HUHTALA, J.; KÄPYLÄ, J.; JOHNSON, M.S. A evolução dos sistemas 
de adesão à base de colágeno. International Journal of Cell Biology and Biochemistry, 
v.41, p.341-348, 2009. 
HILDEBRAND, K.A. et al. The basics of soft tissue healing and general factors that 
influence such healing. Sports Medicine Arthrosc, v.13, n.3, p.136-144, 2005. 
 
ARAÚJO, A.K.L. Aspectos Morfológicos do Processo de Cicatrização Induzido por Ouratea sp. 
 56 
JOLY, A. B. B.; Botânica: Introdução à Taxonomia Vegetal, 12ª ed., Cia Editora 
Nacional: São Paulo, 1988. 
JOSHI, A. R.; JOSHI, K. Indigenous knowledge and uses of medicinal plants by local 
communities of the Kali Gandaki Watershed Area, Nepal. Journal of 
Ethnopharmacology, v.73, p.175-183, 2000. 
 
KARUKONDA, S.R.; FLYNN, T.C.; BOH, E.E.; MCBURNEY, E.I.; RUSSO, G.G.; 
MILLIKAN, L.E. The effects of drugs on wound healing--part II. Specific classes of 
drugs and their effect on healing wounds. International Journal of Dermatology, 
v.39, p.321-33, 2000. 
 
KUMAR, V.; ABBAS, A.K.; FAUSTO, N. Robbins & Cotran - Bases patológicas das 
doenças. 7. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, p.49-124. 2006. 
MADISON, J.B.; GRONWALL, R.R. Influence of wound contractionin horses. 
American Journal of Veterinary Research, v.53, p.1575-1578, 1992. 
 
MANDELBAUM, S.H.; SANTIS, E.P.; MANDELBAUM, M.H.S. Cicatrização: 
conceitos atuais e recursos auxiliares - Parte I. Anais da Academia Brasasileira de 
Dermatologia, v.78, p.393-408, 2003. 
 
MARCOL, P. Q.; LIMA, E. O.; MAIA, R. F.; XAVIER, L. F.;Antimicrobial active of 
theoil of the fruit of Ouratea parviflora Baill (Ochnaceae). Laboratorio de Tecnologia 
Farmac.,UFPB CCS, v. 8 n.3 19-21, 1986. Chemical Abstracts, v.108, n.91748, p. 399, 
1988. 
 
MARQUES SR, PEIXOTO CA, MESSIAS JB, ALBUQUERQUE AR, SILVA JR VA. 
The effects of topical application of sunflower-seed oil on open wound healing in 
lambs. Acta Cirúrgica Brasileira, v.19, n.3, 2004. 
 
MARTIN, P., LEIBOVICH. Inflammatory cells during wound repair: the good, the bad 
and the ugly. Trends in Cell Biology, In Press, Corrected Proof, 2005. 
 
MENCIA-HUERTA, J.M. Role des mastocytes et des polynucléaires basophiles et 
ARAÚJO, A.K.L. Aspectos Morfológicos do Processo de Cicatrização Induzido por Ouratea sp. 
 57 
MENDONÇA, R. J., COUTINHO-NETTO, J. Cellular aspects of wound healing. Anais 
da Academia Brasileira de Dermatolologia, v.84, n.3, p.257-62, 2009. 
 
METZ, C.N. Fibrocytes: a unique cell population implicated in wound healing. Cellular 
Molecular Life Science, v.60, n.7, p.1342-1350, 2002. 
 
MIDWOOD, K. S.; WILLIAMS, L.V.; SCHWARZBAUER, J. E. Tissue repair and the 
dynamics of the extracellular matrix. International Journal of Biochemical and Cell 
Biology, v.36, n.6, p.1031-1037, 2004. 
 
MOCH, D.; SCHEWE, T.; KUHN, H.; SCHMIDT, D.; BUNTROCK, P. The linoleic 
acid metabolite 9Ds – hydroxy – 10,12 (E, Z) – octadecadienoic acid is a strong 
proinflammatory mediator in an experimental wound healing model of the nature 
biomedical. Biochemical Acta, v.49, p. 201-207, 1990. 
 
MORI, L. et al. Fibrocytes contribute to the myofibroblast population in wounded skin 
and originate from the bone marrow. Experimental Cellular Research, v.304, n.1, 
p.81-90, 2005. 
 
MYLLYHARJU J, KIVIRIKKO KI. Colágenos, que altera as enzimas e as suas 
mutações nos seres humanos, moscas e vermes. Tendências Genéticas, v.20, p.33–43. 
2004. 
NITZ, A.C.; ELY, J.B.; D’ACAMPORA, A.J.; TAMES, D.R.; CORRÊA, B.C. Estudo 
morfométrico no processo de cicatrização de feridas cutâneas em ratos, usando: Coronopu 
didymus e Calendula officinali. Arquivos Catarinense de Medicina, v. 35, n. 4, 2006. 
OLIVEIRA , M. C. C.; DE CARVALHO, M. G; SILVA, C. J.; WERLE, A. A.; New 
biflavonoids and Other constituents from Luxemburgia nobilis (EICHL) Journal of 
Brazilian Chemical Society, v.13, n. 1, p. 119-123, 2002. 
 
OLIVEIRA, M. L. M.; NUNES-PINHEIRO, D. C. S.; TOMÉ, A.R.; MOTA, E. F.; 
LIMA-VERDE, I. A.; PINHEIRO, F. G. M.; CAMPELLO, C. C.; MORAIS, S. M. In 
vivo topical anti-inflammatory and wound healing activities of the fixed oil of Caryocar 
ARAÚJO, A.K.L. Aspectos Morfológicos do Processo de Cicatrização Induzido por Ouratea sp. 
 58 
coriaceum Wittm. seeds. Journal of Ethnopharmacology, v.129, n.2, p. 214-219, 
2010. 
PAGNANO, M.W.; TROUSDALE, R.T.; MENEGHINI, R.M.; HANSSEN, A.D. 
Slower recovery after two-incision than mini-posterior-incision total hip arthroplasty. A 
randomized clinical trial. Journal of Bone Joint Surgery, v.90, n.5, p.1000-1006, 
2008. 
 
PARK, J.E.; BARBUL, A. Understanding the role of immune regulation in wound 
healing. The American Journal of Surgery, v.187, p.11-16S, 2004. 
 
PAULO, M. Q., LIMA, E. O., MAIA, R. F., XAVIER FILHO, L. Antimicrobial activity 
of the oil of the fruit of Ouratea parviflora Baill (Ochnaceae). CCS, v.8, p.19-21, 
1986. 
 
PEREIRA, A. L. A.; VERAS, S. S. L.;SILVEIRA, E. J. D. O papel das proteínas da 
matriz extracelular e das metaloproteinases em carcinomas de cabeça e pescoço: uma 
atualização bibliográfica. Revista Brasileira de Otorrinolaringologia, v.71, n.1, p.81-
6, 2005. 
 
PINCELLI, C; MARCONI, A. Keratinocyte stem cells: friends and foes. Journal of 
Cellular Physiology, v.225, p.310-315, 2010. 
 
PRATA, M., HADDAD, C.; GOLDENBERG, S., Uso tópico do açúcar em ferida 
cutânea. Estudo experimental em rato. Acta Cirúrgica Brasileira, v.3, p.43–48, 1988. 
 
PROTTEY C, HARTOP PJ, PRESS M. Correction of cutaneous manifestations of 
Essentials fatty acids deficiency in man by application of sunflower seed oil to the skin. 
Journal Investigation of Dermatology, v.64, p.228, 1975. 
 
QUAN, T.E. et al. Circulating fibrocytes: collagen-secreting cells of the peripheral 
blood. International Journal of Biochemical of Cellular Biology, v.36, n.4, p.598-
606, 2004. 
 
ARAÚJO, A.K.L. Aspectos Morfológicos do Processo de Cicatrização Induzido por Ouratea sp. 
 59 
RIBEIRO, G.; MARTINS, C.B.; SILVA, M.A.G.; BORGES, V.P.; LACERDA NETO, 
J.C. Topical use of kentaserin on healing of experimentally-induced skin wounds in 
horses. Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia, v.61, n.1, p.144-
148, 2009. 
 
SAMPAIO M. P.; OLIVEIRA, M. M. Triagem de substâncias e extratos de origem 
vegetal no carcinossarcroma de Walker 256. Anais da Academia Brasileira de 
Ciências, v. 47, n.1, p.149-153, 1975. 
 
SANTORO, M.M.; GAUDINO, G. Cellular and molecular facets of keratinocyte 
reepithelization during wound healing. Experimental Cellular Research, v.304, v.274-
86, 2005. 
 
SCHIAFFINO MV. Signaling pathways in melanosome biogenesis and pathology. 
International Journal of Biochemical and Cellular Biology, v.42, n.7, p1094-104, 
2010. 
 
SCHUMACHER, J.; BRUMBAUGH, G.W.; HONNAS, C.M. et al. Kinetics of healing 
of grafted and nongrafted wounds on the distal portion of the forelimbs of horses. 
American Journal of Veterinary Research, v.53, p.1568-1571, 1992. 
 
SILVA, L. M. Efeitos benéficos da papaína no processo terapêutico de lesões de pele. 
In: Jorge S. A, Dantas S. R. P.E. Abordagem multiprofissional no tratamento de feridas. 
São Paulo: Atheneu; p.123-31, 2003. 
 
SINGER AJ, CLARK RA. Cutaneous wound healing. New England Journal 
Medicine, v.341, p.738-46, 1999. 
 
SMITH P. D., KUHN M. A., FRANZ M. G., WACHTEL T. L., WRIGHT T. E., 
ROBSON M. C. Initiating the Inflammatory Phase of Incisional Healing Prior to Tissue 
Injury. Journal Surgery Research, v.92, n.1, p.11-17, 2000. 
ARAÚJO, A.K.L. Aspectos Morfológicos do Processo de Cicatrização Induzido por Ouratea sp. 
 60 
STASHAK, T.S.; FARSTVEDT, E.; OTHIC, A. Update on wound dressings: 
Indications and best use. Clinical Techniques in Equine Practice, v.3, n.2, p.148-163, 
2004. 
 
STRODTBECK, F. Physiology of wound healing. Newborn and Infant Nursing 
Reviews, v. 1, n. 1, p. 43-52, 2001. 
SUTER, M. M.; SCHULZE, K.,; BERGMAN, W.; WELLE, M.; ROOSJE, P.; 
MÜLLER, EJ. The keratinocyte in epidermal renewal and defence, v.20, p.515-532, 
2009. 
 
SZENTMIHÁLYI K, VINKLER P, LAKATOS B, ILLÉS V, THEN M. Rose hip (Rosa 
canina L.) oil obtained from waste hip seeds by different extraction methods. Bioresour 
Technology, v.82, n.2, p.195-201, 2002. 
 
TAZIMA, M. F. G. S., ANDRADE, Y. A. M. V. V, MORIYA, T. Wound biology and 
healing. Simpósio: fundamentos em clínica cirúrgica, v.41, n.3, p.259-64, 2008. 
 
THEORET, C. L. The pathophysiology of wound repair. Veterinary Clinical North 
Equine Practice, v.21, p.1-13, 2005. 
 
THEORET, C. L. Update on wound repair. Clinical Techniques in Equine Practice, 
v.3, n.2, p.110-122, 2004. 
 
TIH, A.; MARTIN, M.T.; TIH, R.G.; VUIDEPOT, I.; SONDENGAM, B.L.; BODO, B. 
Lophiroflavans B and C, Tetraflavonoids of Lophira alata. Phytochemistry, v.31, n. 10 
p. 3595-3599, 1992. 
 
TOMARIZ, E.; GRINNELL, F. Modulation of fibroblast morphology and adhesion 
during collagen matrix remodeling. Molecular Biology Cellular, v.13, n.2, p.3915-
3929, 2002. 
 
ARAÚJO, A.K.L. Aspectos Morfológicos do Processo de Cicatrização Induzido por Ouratea sp. 
 61 
TOMASEK, J.J. et al. Myofibroblastand mechano-regulation of connective tissue 
remodeling. Natural Reviews Molecular Cellular Bioliology, v.3, n.5, p.349-363, 
2002. 
 
TOSCANO MC, MENGUE, SS. Avaliação do plano de reorganização da atenção a 
hipertensão arterial e ao Diabetes mellitus no Brasil/Ministério da Saúde – Organização 
Pan-Americana da Saúde Brasília; ed MS, p.13. 2004. 
 
VELANDIA, J.R., CARVALHO, M.G. de, BRAZ-FILHO, R. AND WERLE, A. A., 
Biflavonoids and a Glucopyranoside Derivative from Ouratea semiserrata. 
Phytochemical Analyzer, v.13, p.283-292, 2002. 
 
VAN TORP DA. Essential fatty acids and prostaglandins. XXIV Inter Cong Pure Appl 
Chem . London, Butterworth.; 2: 117. 1974. 
 
WENDT, S. B. T., Comparação da eficácia da calêndula e do óleo de girassol na 
cicatrização por segunda intenção de feridas em pequenos animais. Curitiba: UFPR, 
2005. Dissertação. Programa de Pós-graduação em ciências veterinárias, UFPR, 2005. 
 
WERNER, S.; GROSE, R. Regulation of wound healing by growth factors and 
cytokines. Physiological Reviews, v. 83, p. 835-870, 2003. 
 
WHITE, G.W. Maltodextran, NF powder: a new concept in equine wound healing. 
Journal of Equine Veterinary Science, v.15, n. 7, p.296-298, 1995. 
WILSON K. Wound Healing: the role of macrophages. Nurs Critical Care, v.2, n.6, 
p.291-196, 1997.

Mais conteúdos dessa disciplina