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<p>ESTÉTICA</p><p>Introdução à Biomedicina</p><p>ADQUIRA</p><p>NOSSOS</p><p>LIVROS</p><p>Organizador:</p><p>Darlan Pase da Rosa</p><p>Darlan Pase Da rosa</p><p>(org.)</p><p>Introdução à Biomedicina</p><p>ESTÉTICA</p><p>Universidade La Salle Canoas | Av. Victor Barreto, 2288 | Canoas - RS</p><p>CEP: 92010-000 | 0800 541 8500 | eadproducao@unilasalle.edu.br</p><p>UNIVERSIDADE LA SALLE PRODUÇÃO DE CONTEÚDO</p><p>Reitor</p><p>Prof. Dr. Paulo Fossatti - Fsc</p><p>Vice-Reitor, Pró-Reitor de Pós-grad.,</p><p>Pesq. e Extensão e Pró-Reitor de Graduação</p><p>Prof. Dr. Cledes Casagrande - Fsc</p><p>Pró-Reitor de Administração</p><p>Vitor Benites</p><p>© 2023 por Universidade La Salle</p><p>Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer meio,</p><p>eletrônico ou mecânico (fotocópia, gravação), ou qualquer tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização</p><p>por escrito da Universidade La Salle.</p><p>Coordenador de Produção</p><p>Prof. Dr. Jonas Rodrigues Saraiva</p><p>Equipe de Produção de Conteúdo</p><p>Arthur Menezes de Jesus</p><p>Bruno Giordani Faccio</p><p>Daniele Balbinot</p><p>Fabio Adriano Teixeira dos Santos</p><p>Gabriel Esteves de Castro</p><p>Ingrid Rais da Silva</p><p>João Henrique Mattos dos Santos</p><p>Jorge Fabiano Mendez</p><p>Nathália N. dos Santos</p><p>Patrícia Menna Barreto</p><p>Sidnei Menezes Martins</p><p>Tiago Konrath Araujo</p><p>Projeto Gráfico, Editoração, Revisão e Produção</p><p>Equipe de Produção de Conteúdo Universidade La Salle - Canoas, RS</p><p>1ª Edição</p><p>Atualizada em:</p><p>Agosto de 2023</p><p>Prezado estudante,</p><p>A equipe da EaD La Salle sente-se honrada em entregar a você este material didático. Ele</p><p>foi produzido com muito cuidado para que cada Unidade de estudos possa contribuir com seu</p><p>aprendizado da maneira mais adequada possível à modalidade que você escolheu para estudar: a</p><p>modalidade a distância. Temos certeza de que o conteúdo apresentado será uma excelente base</p><p>para o seu conhecimento e para sua formação. Por isso, indicamos que, conforme as orientações de</p><p>seus professores e tutores, você reserve tempo semanalmente para realizar a leitura detalhada dos</p><p>textos deste livro, buscando sempre realizar as atividades com esmero a fim de alcançar o melhor</p><p>resultado possível em seus estudos. Destacamos também a importância de questionar, de participar</p><p>de todas as atividades propostas no ambiente virtual e de buscar, para além de todo o conteúdo aqui</p><p>disponibilizado, o conhecimento relacionado a esta disciplina que está disponível por meio de outras</p><p>bibliografias e por meio da navegação online.</p><p>Desejamos a você um excelente módulo e um produtivo ano letivo. Bons estudos!</p><p>APRESENTAÇÃO</p><p>APRESENTANDO OS ORGANIZADORES</p><p>Darlan Pase da Rosa</p><p>Possui graduação em Biomedicina pela Universidade Luterana do Brasil (2008),</p><p>mestrado em Medicina: Ciências Médicas pela Universidade Federal do Rio Grande</p><p>do Sul (2010) e doutorado em Medicina: Ciências Médicas pela Universidade Federal</p><p>do Rio Grande do Sul (2013). Atualmente é diretor da Universidade LaSalle Bento</p><p>Gonçalves e biomédico esteta na Clínica Levestar.</p><p>Introdução à Biomedicina</p><p>Estética</p><p>Apresentação da</p><p>Disciplina</p><p>Olá! Seja bem-vindo(a) à nossa disciplina de Introdução à Biomedicina Estética.</p><p>Você está prestes a embarcar em uma jornada fascinante pelo mundo da</p><p>Biomedicina Estética, um campo de estudo e prática que combina ciência, arte e cuidados</p><p>com a beleza. Este livro, dividido em quatro unidades cuidadosamente estruturadas, irá</p><p>guiá-lo através de cada aspecto fundamental dessa disciplina que se tornou essencial no</p><p>cenário contemporâneo da saúde e da estética.</p><p>Na primeira unidade, exploraremos as bases da Biomedicina Estética,</p><p>mergulhando na história da estética e cosmetologia. Você descobrirá como essa</p><p>área surgiu e se desenvolveu ao longo do tempo, além de entender a importância da</p><p>regulamentação na prática da Biomedicina Estética. Aprofundaremos ainda mais ao</p><p>explorar o sistema tegumentar, a camada de nossa pele que desempenha um papel</p><p>fundamental em nossa aparência e saúde.</p><p>A segunda unidade nos leva a um conhecimento profundo das estruturas e</p><p>processos envolvidos no envelhecimento. Você vai se familiarizar com a senescência</p><p>celular, compreender as complexidades do envelhecimento intrínseco e extrínseco, e</p><p>mergulhar nos tratamentos anti-idade que podem ajudar a desafiar o tempo de maneira</p><p>eficaz e segura.</p><p>A terceira unidade é dedicada à arte da avaliação individualizada. Você</p><p>aprenderá a importância de uma anamnese completa do paciente e descobrirá como</p><p>compreender os aspectos subjetivos da estética e da beleza. A avaliação facial e corporal</p><p>são peças fundamentais aqui, permitindo que o profissional compreenda e identifique</p><p>as necessidades específicas de cada paciente.</p><p>Na quarta e última unidade, mergulharemos nas tecnologias avançadas que</p><p>impulsionam a Biomedicina Estética. Você conhecerá técnicas manuais, como a</p><p>Intradermoterapia e o Microagulhamento, além de procedimentos estéticos injetáveis</p><p>em microvasos (PEIM), peeling, fios de PDO e bioestimuladores de colágeno. Este</p><p>conhecimento lhe dará uma visão abrangente das ferramentas modernas disponíveis</p><p>para aprimorar a beleza e a saúde de seus pacientes.</p><p>Prepare-se para uma jornada que não apenas aprofundará seu entendimento</p><p>sobre a Biomedicina Estética, mas também o capacitará a aplicar esse conhecimento de</p><p>forma ética e competente na prática clínica.</p><p>Bons estudos!</p><p>Sumário</p><p>UNIDADE 1</p><p>Introdução à Biomedicina Estética ............................................................................................................................9</p><p>Objetivo Geral .............................................................................................................................................................9</p><p>Objetivos Específicos ................................................................................................................................................9</p><p>Questões Contextuais .................................................................................................................................................9</p><p>1.1 História da Estética e Cosmetologia ................................................................................................................... 10</p><p>1.2 O Mercado da Estética ......................................................................................................................................... 12</p><p>1.3 Regulamentação da Biomedicina Estética ......................................................................................................... 15</p><p>1.4 Áreas de Atuação do Biomédico Esteta .............................................................................................................. 17</p><p>1.4.1 Estética Facial ........................................................................................................................................................17</p><p>1.4.2 Estética Corporal....................................................................................................................................................18</p><p>1.4.3 Tratamentos Capilares ...........................................................................................................................................19</p><p>1.4.4 Estética Íntima .......................................................................................................................................................20</p><p>1.5 Sistema Tegumentar ............................................................................................................................................ 21</p><p>1.5.1 Epiderme ...............................................................................................................................................................22</p><p>1.5.1.1 Sistema Queratinócitos ................................................................................................................................22</p><p>1.5.1.2 Melanócitos ................................................................................................................................................24</p><p>dessas atividades, promovem a</p><p>senilidade. Fibroblastos senis, apresentam baixo nível de histona-desacetilase (enzima</p><p>que inibe a acetilação).</p><p>O estresse oxidativo, mesmo com os telômeros longos, causam quebra da dupla</p><p>hélice, pela indução dos genes p16, p21, p53, entre outros. Encontramos o aumento do</p><p>gene p16 em ceratose seborréica (lesão cutânea com acúmulo de células senescentes). O</p><p>p53 tem sido visto como um fator crítico na indução do fenótipo senescente, por estar</p><p>aumentada quando a célula envelhece.</p><p>Em outra pesquisa, a introdução de oncogenes ativados (c-myc, ras ou raf ) em</p><p>fibroblastos normais, paradoxalmente faz as células assumirem uma pausa irreversível</p><p>da proliferação, semelhante a célula senescente. Estímulos mitogênicos superpotentes</p><p>que ativam mensageiros como as proteinoquinases (MAP quinases, ERK) ou fatores</p><p>de transcrição, também induzem o fenótipo senescente, o que caracteriza uma proteção</p><p>contra o câncer. O ras-2 atua como sensor de resposta a uma variedade de estresse</p><p>ambiental (calor, UV e oxidativos). Segundo Johnson et al. (2017), foram identificados</p><p>mais de 40 genes mutantes que estendem a vida, por pelo menos nove formas diferentes.</p><p>Entretanto, todas agem de maneira a conferir resistência aos diversos tipos de estresses.</p><p>Embora sejam muito distintas, os mecanismos moleculares e os efeitos do</p><p>envelhecimento intrínseco e extrínseco, se assemelham e confundem-se, interagindo</p><p>sinergicamente e constantemente. O mecanismo intrínseco é bem menos claro que o</p><p>extrínseco, pois é um conjunto de eventos associados a alterações fenotípicas e diminuição</p><p>da capacidade proliferativa, que causa a redução e codificação anormal das proteínas, o</p><p>que altera a matriz extracelular, receptores de membrana e sinalização celular.</p><p>INTRODUÇÃO À BIOMEDICINA ESTÉTICA | Darlan Pase da Rosa 42</p><p>Figura 2.4 – Mecanismo de diferenciação da célula senescente.</p><p>Fonte: Zilhão (2020).</p><p>Um dos fatores comumente tratado e associado a um papel complementar no</p><p>processo de envelhecimento, é o estresse oxidativo. Ele modula os genes “redox-</p><p>sensíveis”, alterando o seu fenótipo. Em suma, o estresse oxidativo é um desequilíbrio</p><p>entre a produção de espécies reativas de oxigênio (EROs) ou radicais livres e a capacidade</p><p>do corpo de neutralizá-los com antioxidantes (BARBOSA et al., 2010).</p><p>Figura 2.5 – Representação de um radical livre e do antioxidante.</p><p>Fonte: Blog da Extratos da Terra (2023).</p><p>43 Processo de Envelhecimento | UNIDADE 2</p><p>Os fibroblastos, possuem um papel muito importante no processo de</p><p>envelhecimento. Fibroblastos senescentes são maiores e apresentam síntese aumentada</p><p>de lisossomos, passando de células produtoras a células destruidoras de colágeno.</p><p>Fazendo com que se altere a matriz extracelular do tecido. Essa estrutura é composta</p><p>de duas classes, as glicosaminoglicanos (GACs) e proteínas fibrosas (colágeno e elastina</p><p>que são estruturais e as fibronectinas e laminina que são adesivas). A degradação da</p><p>matriz extracelular é dada por enzimas proteolíticas, como as metaloproteinase (MMPs),</p><p>como as colagenases e as serinoproteases.</p><p>Com o processo de envelhecimento da matriz extracelular, apresenta-se com</p><p>redução da capacidade proliferativa, os fibroblastos sintetizam menores quantidades de</p><p>colágeno tipo I e tipo III. E com o fenótipo de destruidor da matriz, ele eleva a produção</p><p>de MMPs. Essa atividade das MMPs, parecem estar relacionadas ao surgimento de</p><p>veias varicosas, que apresentam fragmentos das fibras elásticas e perda das fibras</p><p>musculares adjacentes.</p><p>Estudos demonstram que após os 40 ou 50 anos de vida, a expressão genética da</p><p>elastina, que é o principal componente da fibra elástica, apresentam-se reduzidas. Ficando</p><p>assim, progressivamente mais escasso no tecido tegumentar. Histologicamente, resulta</p><p>em imagem de projeções aprofundadas em direção a membrana basal, apresentando</p><p>queda da elasticidade da pele.</p><p>Todas essas alterações resultam no envelhecimento intrínseco. Causando o</p><p>adelgaçamento do tecido e rugas, que são características da pele senil e não expostas</p><p>ao sol. Os efeitos da radiação UV, sobre a matriz, deixam clara a sobreposição da</p><p>fisiopatologia. Recapitulando:</p><p>• redução da capacidade de crescimento de elementos fundamentais da</p><p>epiderme e derme.</p><p>• redução da síntese de colágeno</p><p>• atuação exacerbada de enzimas que degradam a matriz extracelular.</p><p>INTRODUÇÃO À BIOMEDICINA ESTÉTICA | Darlan Pase da Rosa 44</p><p>Figura 2.6 – Imagem histológica de uma pele jovem em comparação à pele senil.</p><p>Fonte: Freepik (2023).</p><p>Tabela 2.1 – Componentes da pele e sistemas: funções e alterações com a idade.</p><p>TIPO DE CÉLULA /</p><p>COMPONENTE / SISTEMA</p><p>FUNÇÃO ALTERAÇÕES COM A IDADE</p><p>Queratinócitos</p><p>função barreira, proteção</p><p>mecânica, produção de</p><p>citoquinas, sinalização celular</p><p>menor proliferação e diferenciação</p><p>menor sinalização celular e resposta</p><p>dos fatores de crescimento</p><p>Melanócitos</p><p>síntese de pigmentos para</p><p>proteção da radiação UV</p><p>menor número de melanócitos</p><p>menor tempo de vida e resposta</p><p>dos fatores de crescimento</p><p>Células de Langerhans apresentação de antigénios</p><p>menor número entre 20-50%;</p><p>alterações morfológicas</p><p>menor função cutânea imune</p><p>Fibroblastos</p><p>síntese e degradação da</p><p>matriz extracelular</p><p>menor número</p><p>resposta doos fatores de crescimento</p><p>Colagénio</p><p>componente da</p><p>matriz extracelular</p><p>menor biossíntese</p><p>menor estabilidade e resistência</p><p>à degradação enzimática</p><p>Elastina</p><p>componente da</p><p>matriz extracelular</p><p>menor conteúdo de microfibrilas</p><p>aparência fragmentada</p><p>Tecido adiposo subcutâneo</p><p>termoregulação,</p><p>armazenamento de energia</p><p>perda de estrutura</p><p>Diversos</p><p>cicatrização de feridas retardada</p><p>menor capacidade de</p><p>reparar danos no DNA</p><p>Fonte: Elaborado pelo autor a partir de Rabe et al. (2006).</p><p>Pele Jovem</p><p>pele macia</p><p>pele enrugada</p><p>cutícula</p><p>epiderme</p><p>elastina</p><p>colágeno</p><p>gordura</p><p>cutícula</p><p>epiderme</p><p>elastina</p><p>colágeno</p><p>gordura</p><p>Pele Envelhecida</p><p>45 Processo de Envelhecimento | UNIDADE 2</p><p>2.3 Envelhecimento Extrínseco</p><p>Surge nas áreas fotoexpostas devido ao efeito repetitivo da ação dos raios</p><p>ultravioletas, mostrando-se precocemente alterada, lembrando a pele senil. As</p><p>modificação surgem em longo prazo e sobrepõem-se ao envelhecimento intrínseco. Os</p><p>termos cronossenescência e actinossenescência que resultam na “pele velha”.</p><p>Cronossenescência ou dematocronossenescência são conjuntos de alterações</p><p>que acometem a pele difusamente, com variações topográficas regionais, como</p><p>consequência natural da idade. São comuns em todas as pessoas, embora possam ocorrer</p><p>variações tegumentares que se iniciam, usualmente, a partir da quarta década de vida.</p><p>A actinossenescência cutânea ou dermatoactinossenescência, compreende o conjunto</p><p>de alterações da pele decorrentes da exposição à radiação UV. O aspecto é variável para</p><p>cada indivíduo, na dependência da melanização da pele, da predisposição individual</p><p>(tipo de pele) e da frequência e duração da exposição solar no decorrer da vida.</p><p>Figura 2.7 – Absorção da radiação UVA e UVB na pele.</p><p>Fonte: Adaptado por Universidade La Salle com base em Freepik (2023).</p><p>As alterações macroscópicas superficiais da cronossenescência são: atrofia</p><p>difusa progressiva (cútis laxa) - a pele torna-se lisa, fina, delgada, seca, desidratada,</p><p>com aparência de papel de cigarro ou casca de cebola, pálida, despigmentada, com</p><p>diminuição da extensibilidade e da elasticidade. Na face, esta frouxidão tecidual</p><p>é responsável pelo aspecto caído das pálpebras, bochechas e da f lacidez da pele do</p><p>EPIDERME1 DERME2 HIPODERME3</p><p>1</p><p>2</p><p>3</p><p>UV</p><p>UVA</p><p>UVB</p><p>INTRODUÇÃO À BIOMEDICINA ESTÉTICA | Darlan Pase da Rosa 46</p><p>pescoço. Observa-se pigmentação difusa acastanhada irregular, diminuição da umidade</p><p>e da gordura (asteatose, xerose). O panículo adiposo pode estar reduzido em certas</p><p>regiões: face, nádegas, mãos e pés. Há aparecimento das rugas superficiais e profundas.</p><p>Durante a menopausa, devido à redução de estrógeno, o envelhecimento da pele</p><p>é semelhante da cronossenescência e pode ser reduzido</p><p>com o tratamento de reposição</p><p>hormonal. O adelgaçamento da pele, com perda de 2% do colágeno por ano, é paralelo</p><p>à perda óssea. O calor, faz com que aumentem a couperose e a congestão vascular. O</p><p>hiperandrogenismo pode desenvolver um aumento da pilosidade e a alopecia</p><p>androgenética.</p><p>Assim como a pele, os tecidos subcutâneos também envelhecem, com variações</p><p>volumétricas. Os fatores que interferem são: gravidade, remodelagem esquelética,</p><p>a redistribuição e diminuição da gordura subcutânea, entre outros, como alterações</p><p>hormonais, do meio ambiente (sol, estresse, tabagismo), doenças crônicas e a perda</p><p>de peso. A involução do esqueleto craniofacial ocorre significativamente no maxilar</p><p>superior e na mandíbula, levando a uma diminuição da altura total do maciço facial. A</p><p>reabsorção do maxilar causa uma modificação do mento, projetando-o para frente. As</p><p>órbitas oculares tornam-se côncavas e aumentam o seu tamanho.</p><p>Adelgaçamento da pele: também conhecido como atrofia cutânea. Ocorre</p><p>quando a pele se torna mais fina e frágil.</p><p>Couperose: ocorrem quando aparecem os vasos sanguíneos superficiais na face.</p><p>Hiperandrogenismo: ocorre quando os níveis de hormônios androgênios</p><p>estão em níveis elevados no corpo. Geralmente associado com as questões</p><p>hormonais femininas.</p><p>GLOSSÁRIO</p><p>47 Processo de Envelhecimento | UNIDADE 2</p><p>Figura 2.8 – Involução óssea do crânio - Mulher Jovem x Mulher Idosa.</p><p>Fonte: Barrette (2010).</p><p>Com a redistribuição e redução da gordura subcutânea, alteram o fronte e o</p><p>nariz com a junção dorso glabelar, que se deprimem, as têmporas ficam côncavas, e as</p><p>zonas periorbitárias dão um aspecto cadavérico. Além disso, a região mandibular alta,</p><p>o mento e a região perioral também perdem tecido adiposo. Sobre o tônus muscular,</p><p>ocorre um aumento do tônus intrínseco com o envelhecimento na porção superior</p><p>(frontal, corrugador, procerus e orbicular) e inferior (orbiculari oris, depressor anguli</p><p>oris e o platisma).</p><p>Os pelos ficam mais finos, rarefeitos, quebradiços e menos volumosos na cabeça,</p><p>axilas, púbis e nos membros. Iniciando com os primeiros fios brancos misturados ao de</p><p>cor natural e após, o esbranquiçamento completo, explicado pela diminuição progressiva</p><p>dos melanócitos dos folículos pilosos. A calvice é mais comum nos homens após os 50</p><p>anos. Nas mulheres, embora rara, também pode surgir a partir dessa idade. É comum</p><p>a redução de cabelos do tipo androgênico: pelos supérfluos e mais grossos surgem nas</p><p>orelhas, sobrancelhas e no nariz, especialmente nos homens. Nas mulheres, surgem no</p><p>mento e lábio superior (hiperandrogenismo relativo).</p><p>Em idosos, observa-se fragilidade cutânea, proveniente pela diminuição da</p><p>coesão dermoepidérmica. O comprometimento da microcirculação subcutânea causa</p><p>fragilidade capilar, o que explica a púrpura senil. Causados por pequenos traumatismos</p><p>no dorso das mãos e na face de extensão dos antebraços. A microcirculação peribulbar</p><p>dos folículos pilosos é comprometida no decorrer dos anos e auxilia na compreensão</p><p>das alterações observadas nos idosos.</p><p>INTRODUÇÃO À BIOMEDICINA ESTÉTICA | Darlan Pase da Rosa 48</p><p>Figura 2.9 – Foto representativa da púrpura senil.</p><p>Fonte: Health Jade (2023).</p><p>Os aspectos morfológicos que ocorrem no envelhecimento extrínseco</p><p>(actinossenescência) são muito variados e surgem nos locais expostos cronicamente,</p><p>como face, pescoço e dorso das mãos. Algumas regiões são mais expostas, como</p><p>fronte, pómulos, periorbitária, peribucais e mento. A pele é áspera, espessa, amarelada,</p><p>inelástica, fosca e xerótica. O espessamento da pele é particularmente visível nos orifícios</p><p>pilosos dilatados. Com as púrpuras, coexistem lesões cicatriciais, esbranquiçadas, de</p><p>contornos irregulares, denominadas pseudocicatrizes estelares de Colomb.</p><p>No pescoço e na área do decote observamos um aspecto particular, atrófico,</p><p>telangiectásico, com dilatação dos folículos pilossebáceos (aspecto pele de galinha),</p><p>denominado eritrose interfolicular coli. Os indivíduos de pele clara possuem</p><p>telangiectasias acentuadas com aspectos de couperose.</p><p>Áreas da pele fotoexpostas, principalmente face e dorso das mãos, encontramos</p><p>máculas hiperpigmentadas, melânicas, de bordas irregulares, de cor variável, do</p><p>marrom claro ao escuro, de alguns milímetros até alguns centímetros, são os lentigos</p><p>solares ou senis. A pele senil também pode apresentar lesões benignas, de acordo</p><p>com a predisposição, como angiomas rubis, queratoses seborréicas e acrocórdios. Nas</p><p>pálpebras, observam-se algumas vezes, xantelasmas e siringomas. Diversas entidades</p><p>descreveram as diferentes alterações do espectro da actinossenescência:</p><p>49 Processo de Envelhecimento | UNIDADE 2</p><p>• Dubreuilh, 1892: Elastoma difuso, que é caracterizada por pele espessa,</p><p>discretamente pastosa e de um colorido que lembra o marfim velho. É comum</p><p>na face e na área do decote.</p><p>• Milian, 1921: Pele citreínica, caracterizada pelo aspecto que se assemelha à</p><p>morfologia da pele dos cítricos, porém, de coloração amarelada tipo marfim antigo.</p><p>• Jadassohn, 1925: Pele romboidal, caracterizada pos aspectos losângicos</p><p>delimitados por sulcaturas relativamente profundas, localiza-se na nuca ou,</p><p>eventualmente, face e antebraços.</p><p>• Favre-Rocouchot, 1951: Elastose cística e comedônica, caracterizada pela</p><p>presença de cistos e grande comedões implantados em pele amarelada, nas áreas</p><p>periorbital à temporal.</p><p>• Carter, 1969: Nódulos elastóticos das orelhas, são formações nodulares</p><p>localizadas simetricamente no anti-hélix.</p><p>• Ramos e Silva, 1957: Queratodermia marginal das palmas, caracterizado pela</p><p>hiperqueratose em faixa, nos limites das partes dorssal e palmar, em disposição</p><p>nas bordas cubical e radial.</p><p>• O’Brien, 1985: Granuloma actínico, reação granulomatosa ao material elastótico</p><p>dérmico, provavelmente de origem imunológica.</p><p>• Padilha-Gonçalves, 1984: Deratite verrucosa solar, caracterizada por lesão</p><p>vegetante com degeneração elastótica, acompanhada de processo inflamatório</p><p>linfocítico e plasmócito, que os autores interpretam como reação autoagressiva</p><p>ao material elastótico.</p><p>INTRODUÇÃO À BIOMEDICINA ESTÉTICA | Darlan Pase da Rosa 50</p><p>2.3 Rugas</p><p>O processo de envelhecimento da pele é contínuo e não afeta apenas a aparência,</p><p>mas também a função cutânea. No entanto, nem todos envelhecem na mesma velocidade,</p><p>evidenciando os fatores intrínsecos, extrínsecos e estilo de vida. A idade da pele de</p><p>um indivíduo, pode ser mensurada pela presença de rugas, sulcos, f lacidez, perda</p><p>volumétrica, pigmentação alterada ou avaliação global da aparência.</p><p>As rugas são resultados da mudança estrutural que ocorrem em áreas da</p><p>derme e do subcutâneo. Elas podem ser classificadas quanto à origem e à estrutura</p><p>anatomopatológica. Quatro tipos de rugas podem ser identificadas de acordo com</p><p>aspecto patogênico e histológico.</p><p>Rugas atróficas são finas e frequentemente paralelas. Tendem a desaparecer</p><p>quando esticadas. Forma aparência de pele cansada. Ocorrem devido a atrofia das bandas</p><p>de colágeno na derme reticular e nos cordões de tecido conjuntivo da hipoderme. São</p><p>associadas ao processo mecânico da pele, como aumento da extensibilidade, capacidade</p><p>de distensão e elasticidade reduzida.</p><p>Figura 2.10 – Representação das rugas atróficas.</p><p>Fonte: Freepik (2023).</p><p>Rugas elastóticas são linhas permanentes que ocorrem em áreas fotoexpostas,</p><p>onde a elastose solar é hipertrófica, compacta e compensa a atrofia do colágeno. São</p><p>comuns nas regiões malares, perioral e na nuca. Não desaparecem ao estiramento</p><p>da pele. A elastose solar e espessa, com aspecto de pedra de calçamento, são rugas</p><p>permanentes, tornando a pele mais rígida. Essa ruga não é comum em pessoas de</p><p>fototipo mais alto e naquelas que evitam a exposição solar intensa.</p><p>Rugas de expressão são linhas de expressão, que se tornam progressivamente</p><p>permanentes. Ocorrem de acordo com a força impostas pelos músculos faciais. Os</p><p>51 Processo de Envelhecimento | UNIDADE 2</p><p>principais são as linhas glabelares e os pés de galinha.</p><p>O ancoramento das traves do</p><p>tecido conectivo da hipoderme, cuja contração constante acarreta o espessamento e</p><p>encurtamento dessas estruturas, mantendo a derme constantemente tracionada para baixo.</p><p>Rugas gravitacionais são causadas, como o nome mesmo diz, pelo efeito da</p><p>gravidade na pele que se torna f lácida. A principal alteração estrutural é devido a</p><p>perda do arcabouço da trama fibrosa da hipoderme. Normalmente em regiões onde a</p><p>espessura da hipoderme já foi importante em algum momento da vida. Deste modo, um</p><p>rosto gordo pode evidenciar menos rugas gravitacionais do que um rosto magro.</p><p>Existem ainda outras formas de classificar clinicamente as rugas, vamos</p><p>ver algumas delas a seguir. Segundo Tsuji, as rugas podem ser classificadas entre</p><p>superficiais e profundas. Segundo Lapière e Pierard a classificação se dá em graus de I</p><p>à III, separadas entre rugas de expressão, rugas finas ou dobras ou rugas gravitacionais.</p><p>A classificação de Fitzpatrick, uma das mais utilizadas, mas não avalia a diferenciação</p><p>entre rugas dinâmicas e estáticas. A classificação de Glocau proporciona um meio</p><p>objetivo de comparar a eficácia dos tratamentos para certos tipos de pele, pois avaliam</p><p>cicatrizes de acne, enrugamento e as ceratoses actínicas. As rugas frontais (estáticas e</p><p>dinâmicas) podem ser classificadas por Carruthers na escala de 0 a 4. Onde 0 é ausência</p><p>de rugas e 4 rugas profundas em repouso e na expressão facial. Assim como as rugas</p><p>frontais, as periorbitais ou “pés-de-galinha” também podem ser classificadas de 0 a 4</p><p>pelo mesmo autor. As rugas glabelares, foram classificadas por Hney na escala de 0 a 3.</p><p>A classificação da pele, de acordo com a coloração, é feita pela classificação de</p><p>Fitzpatrick. Embora seja um tanto quanto inadequada frente a intensa miscigenação</p><p>racial brasileira, ainda sim, podemos avaliar quanto a coloração e capacidade de</p><p>bronzeamento e queimaduras solares Veja os diferentes tipos e sua descrição no</p><p>quadro a seguir.</p><p>Quadro 2.1 - Classificação de Fitzpatrick para avaliação de fototipo.</p><p>TIPO DESCRIÇÃO</p><p>1 Pele branca, sempre queima e nunca bronzeia.</p><p>2 Pele branca, sempre queima e bronzeia pouco.</p><p>3 Pele branca, queima pouco e bronzeia moderadamente, gradualmente.</p><p>4 Pele morena clara, queima muito pouco e bronzeia sempre.</p><p>5 Pele morena, raramente queima e bronzeia profundamente.</p><p>6 Pele morena escura/negra, nunca queima e bronzeia profundamente.</p><p>Fonte: Elaborado pelo autor a partir de Rabe et al. (2006).</p><p>INTRODUÇÃO À BIOMEDICINA ESTÉTICA | Darlan Pase da Rosa 52</p><p>2.4 Ptoses</p><p>Com o processo de envelhecimento, a pele torna-se delgada e menos elástica, o</p><p>tecido subcutâneo muscular e osteocartilagenoso também sofrem alterações do tipo</p><p>atrofia. A pele distrófica e inelástica não consegue acompanhar a redução do conteúdo,</p><p>resultando em um envoltório excessivo e consequente f lacidez. A ptose pode ser</p><p>classificada em:</p><p>A perda do contorno facial também ocorre pela apagamento progressivo do angula</p><p>da mandíbula pela reabsorção óssea que ocorre ao longo do processo de envelhecimento.</p><p>Figura 2.11 – Representação da perda de volume com o envelhecimento.</p><p>Fonte: Clínica Avallon (2023).</p><p>Grau I: leve redundância da pele das pálpebras, alteração do contorno facial,</p><p>com leve abaulamento submandibular.</p><p>Grau II: queda lateral das pálpebras superiores, formação de bolsa em pálpebras</p><p>inferiores com redundância de pele. Perda parcial do contorno facial com</p><p>abaulamento acentuado acima dos sulcos nasogenianos. Leve ptose da bolsa</p><p>de Bichat e formação de duas asas pequenas na borda anterior do platisma.</p><p>Grau III: Aumento das bolsas palpebrais inferiores e redundância acentuada</p><p>da pele, tanto nas pálpebras superiores como nas inferiores. Perda total</p><p>do contorno facial por ptose acentuada do sistema músculo aponeurótico</p><p>superficial e do platisma, que formam um só bloco, estendendo-se até a fúrcula</p><p>esternal como duas bandas de pele. A bolsa de Bichat forma uma concavidade</p><p>logo abaixo do osso malar por ptose acentuada.</p><p>DESTAQUE</p><p>53 Processo de Envelhecimento | UNIDADE 2</p><p>2.5 Tratamentos Anti-idade</p><p>O envelhecimento, como percebemos, é um processo natural, progressivo e</p><p>complexo. Envolvendo inúmeros processos intrínsecos e acelerado pelos processos</p><p>extrínsecos. Ou seja, tratamentos anti-envelhecimento são tratamentos que impedem</p><p>ou retardam o processo de envelhecimento ou que esconde as características do</p><p>envelhecimento. Temos ainda uma crescente busca por tratamentos que previnem o</p><p>processo de envelhecimento. E como podemos fazer isso?</p><p>Utilizando de todos esses conhecimentos que tratamos sobre o envelhecimento e</p><p>aplicando técnicas para evitá-las. Não podemos esquecer um detalhe muito importante</p><p>a expectativa de vida tem aumentado muito nas últimas décadas, assim como a nossa</p><p>exposição a poluentes e aos raios UV que estão cada vez mais fortes, ou seja, estamos</p><p>suscetíveis ao processo de envelhecimento exacerbado e aparente. Entretanto, muitas</p><p>dicas, sugestões e até mesmo tratamentos tem surgido para impedi-las ou retardá-las.</p><p>Um primeiro ponto a ser debatido é sobre o estilo de vida. A alimentação</p><p>balanceada, prática regular de exercícios físicos, qualidade do sono, gerenciamento do</p><p>estresse e importância de evitar hábitos prejudiciais, como fumo e consumo excessivo</p><p>de álcool, contribuem para evitar o envelhecimento intrínseco. Portanto, um cuidado</p><p>sobre esses pontos, tende a evitar o aceleramento do processo de envelhecimento celular</p><p>e com isso, as características clínicas.</p><p>Podemos perceber que a alimentação é um fator muito importante, não apenas</p><p>pelo aspecto nutricional, mas também molecular. O consumo de alimentos saudáveis</p><p>e ricos em micronutrientes colabora para um envelhecimento mais saudável, onde o</p><p>ciclo celular tende a ter menos efeitos, retardando o processo de senescência celular.</p><p>Esses micronutrientes não se encontram apenas em alimentos, podemos fazer uso de</p><p>suplementações ou até mesmo, aplicações desses nutrientes de forma oral ou injetável.</p><p>O acompanhamento de um profissional capacitado é essencial para a abordagem desse</p><p>tipo de tratamento. Pois não adianta apenas consumir um suplemento em excesso sem</p><p>necessidade, o que pode provocar uma alteração importante no organismo do indivíduo.</p><p>Um dos suplementos mais aconselhados e utilizados são os antioxidantes.</p><p>Essenciais para o equilíbrio do estresse oxidativo e fundamentais para as defesas contra</p><p>agentes agressores, como raios UV e as toxinas, por exemplo. São encontradas em</p><p>diversos alimentos, como frutas, verduras, mas também em óleos e peixes. Pode ser</p><p>também suplementado ou injetado por profissionais da área. Mas cuidado, pela sua</p><p>essência, um antioxidante somente é antioxidante em pequenas concentrações. Se em</p><p>excesso, torna-se pró-oxidante.</p><p>INTRODUÇÃO À BIOMEDICINA ESTÉTICA | Darlan Pase da Rosa 54</p><p>Figura 2.12 – Representação dos efeitos do estresse oxidativo na célula e na pele.</p><p>Fonte: Biology Dictionary (2023).</p><p>Temos nos procedimentos tópicos uma ferramenta poderosa para corrigir algumas</p><p>aparências do processo de envelhecimento. Tais como os peelings físicos e químicos,</p><p>que promovem a renovação celular, estimulam a produção de colágeno e corrigem</p><p>alterações pigmentares. Além dessas técnicas, temos ainda os tratamentos minimamente</p><p>invasivos, como lasers, intradermoterapia, uso de toxina botulínica, microagulhamento,</p><p>carboxiterapia, preenchedor, fios de PDO, bioestimuladores, entre outros.</p><p>Por fim, e não menos importante, é uma prática que está se tornando cada vez</p><p>mais comum no nosso dia a dia, que é o uso de filtro solar. Como citado anteriormente,</p><p>a radiação ultravioleta tem um papel extremamente relevante no ponto de vista do</p><p>processo de envelhecimento. E com a crescente incidência dessa radiação, o uso de</p><p>bloqueadores se torna necessário durante todo o ano. Atualmente temos tecnologias</p><p>que nos auxiliam, como peças de roupas com bloqueadores e novas composições de</p><p>filtros tópicos.</p><p>Falando em composição, é importante esclarecer</p><p>uma dúvida recorrente. Sabe o</p><p>que significa o fator de proteção solar (FPS)? FPS é o principal dado para quantificação</p><p>da eficácia fotoprotetora de um filtro solar para proteger a pele dos danos causados pela</p><p>radiação UV. Seu método é baseado na quantidade de energia necessária para causar</p><p>eritema ou seja, a vermelhidão na pele. Isso significa que com uso de filtro solar com</p><p>FPS de 30, será necessário uma exposição solar 30x maior para produzir eritema. A</p><p>classificação do FPS que avalia apenas a presença do eritema, não significa que, com</p><p>Estresse Oxidativo</p><p>Célula normal Célula atacada</p><p>por radicais livres</p><p>Célula com</p><p>estresse oxidativo</p><p>55 Processo de Envelhecimento | UNIDADE 2</p><p>uso de filtro solar, não haja presença ou absorção de radiação UV na pele. Sem contar</p><p>ainda nos diferentes tipos de pele, segundo a classificação de Fitzpatrick que</p><p>apresentamos anteriormente.</p><p>Ainda sobre filtro solar, outro ponto importante a ser tratado é sobre a composição.</p><p>Os filtros podem ser divididos em inorgânicos (físicos) ou orgânicos (químicos) a</p><p>depender de suas características físico-químicas. Os físicos possuem partículas de</p><p>óxidos metálicos capazes de, por mecanismo óptico, refletir ou dispersar a radiação.</p><p>Podem ser compostos de óxido de zinco ou dióxido de titânio. A grande vantagem desse</p><p>filtro é sua elevada fotoestabilidade, por manter sua capacidade fotoprotetora mesmo</p><p>após longo período. Já os filtros químicos, interferem na radiação solar, por meio de</p><p>absorção, atuando como cromóforo exógeno ao absorver um fóton e evoluir para um</p><p>estado excitado da molécula. Ao retornar ao estado estável (não excitado), libera energia</p><p>em um comprimento de onda mais longo, como luz visível ou infravermelho. Esse</p><p>processo pode repetir-se inúmeras vezes pelo processo de ressonância.</p><p>Dependendo da capacidade de absorver comprimentos de ondas mais curtos ou</p><p>mais longos, os filtros orgânicos podem ser subclassificados em filtros UVA, UVB ou</p><p>de amplo espectro (UVA e UVB). Não esquecendo que os filtros solares são compostos</p><p>associados ao meio, que é a base do produto químico. Podendo ser em forma líquida,</p><p>aerosol, creme, etc. E que esse meio, assim como o ambiente que esteja, devem ser</p><p>levados em consideração para estipular o tempo de duração na pele.</p><p>Quer saber mais sobre o fator de proteção solar? Leia o artigo “Fator de</p><p>proteção solar: significado e controvérsias” Acesse o link a seguir.</p><p>http://gg.gg/15uk3n</p><p>SAIBA MAIS</p><p>INTRODUÇÃO À BIOMEDICINA ESTÉTICA | Darlan Pase da Rosa 56</p><p>Síntese da Unidade</p><p>Nesta Unidade focamos em aprender sobre o processo de envelhecimento da</p><p>pele, seu conceito, como ocorre e suas origens. Podemos também distinguir os conceitos</p><p>de envelhecimento intrínseco (processo genético) e o envelhecimento extrínseco</p><p>(áreas fotoexpostas).</p><p>Falamos brevemente sobre as rugas que são resultados das mudanças que ocorrem</p><p>em áreas da derme e do subcutâneo. Elas podem ser classificadas em três tipos: rugas</p><p>elastóticas, de expressão e gravitacionais. E apresentamos outras classificações que são</p><p>encontradas na literatura. Comentamos sobre as ptoses e seus graus de classificação.</p><p>Por fim, aprendemos sobre a importância do uso da alimentação saudável e do</p><p>uso do filtro solar como auxiliares nos tratamentos anti-idade.</p><p>57 Processo de Envelhecimento | UNIDADE 2</p><p>Bibliografia</p><p>BAGATIN, E. Mecanismos do envelhecimento cutâneo e o papel dos cosmecêuticos.</p><p>Revista Brasileira de Medicina, 66:5-11, 2009.</p><p>BARBOSA, K. B. F. et al. Estresse oxidativo: conceito, implicações e fatores</p><p>modulatórios. Revista de Nutrição, v. 23, p. 629-643, 2010.</p><p>BENTO, B. Fotoenvelhecimento cutâneo: processo, produtos. Dissertação de Mestrado.</p><p>Instituto Superior de Ciências da Saúde Egas Moniz. Almada, Portugal. 2015.</p><p>BRUCE, A. Biologia Molecular da Célula. Porto Alegre: Artmed. 2017.</p><p>CAMPISI, J., ANDERSEN, J. K., KAPAHI, P., & MELOV, S. (2011). Cellular</p><p>senescence: A link between cancer and age-related degenerative disease? Seminars in</p><p>Cancer Biology, 21(6), p. 354-359, 2011.</p><p>MONTAGNERI, S; COSTA, A. Bases biomoleculares do fotoenvelhecimento. 2009.</p><p>SCHALKA, S., REIS, V. M. S. Fator de proteção solar: significado e controvérsias. 2011.</p><p>INTRODUÇÃO À BIOMEDICINA ESTÉTICA | Darlan Pase da Rosa 58</p><p>Os links para sites da web fornecidos nesta unidade foram todos testados, e</p><p>seu funcionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No</p><p>entanto, a rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente</p><p>mudando de local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer</p><p>responsabilidade sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações</p><p>referidas em tais links.</p><p>FIQUE ATENTO</p><p>Semiologia e Prescrição em</p><p>Biomedicina Estética</p><p>Prezado estudante,</p><p>Estamos começando uma unidade desta disciplina. Os textos que a compõem foram organizados com</p><p>cuidado e atenção, para que você tenha contato com um conteúdo completo e atualizado tanto quanto</p><p>possível. Leia com dedicação, realize as atividades e tire suas dúvidas com os tutores. Dessa forma, você,</p><p>com certeza, alcançará os objetivos propostos para essa disciplina.</p><p>Objetivo Geral</p><p>Fazer uma anamnese completa do paciente para realizar uma prescrição individualizada.</p><p>Objetivos Específicos</p><p>• Aprender como fazer uma avaliação facial;</p><p>• Compreender os processos para uma avaliação corporal.</p><p>Questões Contextuais</p><p>• O que é padrão de beleza?</p><p>• Como realizar avaliação facial e corporal?</p><p>unidade</p><p>3</p><p>V.1 | 2023</p><p>INTRODUÇÃO À BIOMEDICINA ESTÉTICA | Darlan Pase da Rosa 60</p><p>3.1 Semiologia</p><p>O processo de envelhecimento é um fenômeno natural, gradual e de difícil</p><p>definição, que afeta os indivíduos de maneiras muito variadas. Cientificamente, pode</p><p>ser definido como decréscimo da capacidade funcional e de reserva do corpo e da mente</p><p>também. A pele, como sendo o maior órgão do corpo humano, apresenta características</p><p>do envelhecimento, causando algumas alterações características. Essas transformações</p><p>representam uma mudança significativa da aparência física, alterando, assim, não</p><p>apenas a estética, mas a vivência cultural, financeira e psicossocial do indivíduo.</p><p>Nesta unidade, mergulharemos no fascinante mundo da semiologia aplicada à</p><p>estética, uma abordagem que desvenda os segredos por trás da beleza e da harmonia</p><p>facial e corporal. A semiologia é uma ciência médica que se concentra na análise dos</p><p>sinais, sintomas e características físicas de um indivíduo, e quando aplicada à estética,</p><p>permite ao profissional identificar as particularidades e necessidades estéticas de</p><p>cada paciente. Neste contexto, a semiologia se torna uma ferramenta essencial para</p><p>o planejamento e a condução de procedimentos estéticos seguros e personalizados.</p><p>Diversos profissionais caracterizam a avaliação estética como sendo a principal etapa</p><p>do atendimento de um biomédico esteta, tendo em vista as técnicas cada vez mais</p><p>simples, tecnológicas e até mesmo repetitivas dos tratamentos. Entretanto, a avaliação</p><p>é totalmente exclusiva do “olho treinado” do profissional da área de estética.</p><p>Uma porção significativa dos pacientes não sabem exatamente o que os</p><p>incomoda, qual tratamento devem realizar e qual resultado gostariam de obter. O papel</p><p>do profissional é interpretar, durante a anamnese, as principais queixas, incômodos</p><p>e, principalmente, o que realmente o indivíduo necessita. Sabemos que, atualmente,</p><p>os pacientes estão sendo constantemente influenciados na área da beleza. Isso pode</p><p>ser bom, por movimentar mais as clínicas estéticas, mas também, trazem muita</p><p>desinformação. Nos deparamos com muitas pessoas as quais, munidos de informações</p><p>divulgadas por influencers, já sabem qual tratamento querem e têm uma expectativa</p><p>sobre o resultado esperado.</p><p>Na contrapartida dessas informações, há também um excesso de dados e</p><p>imagens relacionados ao conceito de corpo ideal. O acesso facilitado proporcionado</p><p>pela tecnologia tem levado a um aumento nas expectativas estéticas e, por conseguinte,</p><p>nos cuidados</p><p>com a pele. Além disso, a larga disseminação de imagens íntimas (nudes)</p><p>fez com que a busca por procedimentos íntimos aumentasse consideravelmente.</p><p>Em resumo, a busca pela beleza está centrada na forma como somos percebidos</p><p>pelos outros e, em grande medida, em como nos vemos em comparação ao que é</p><p>61 Semiologia e Prescrição em Biomedicina Estética | UNIDADE 3</p><p>socialmente visível. Isso é evidenciado pelos casos de indivíduos que procuram se</p><p>assemelhar a outras pessoas. Essas influências são sobretudo moldadas pelo padrão de</p><p>beleza, também conhecido como padrão estético.</p><p>3.2 Padrão de Beleza</p><p>Nas civilizações do Egito, Grécia ou Roma, os padrões estéticos estavam</p><p>intrinsecamente ligados a crenças religiosas e sociais. No Egito antigo, a civilização</p><p>era marcada pela veneração à beleza e ao culto ao corpo. As mulheres valorizavam</p><p>pele clara e brilhante, utilizando maquiagens elaboradas para realçar os olhos e lábios.</p><p>Os cabelos longos e trançados eram símbolos de beleza e status social. As esculturas</p><p>e pinturas egípcias retratavam os deuses e faraós com traços ideais, simétricos</p><p>e elegantes. Na Grécia, a beleza era associada à harmonia e a perfeição do corpo,</p><p>representadas nas esculturas de divindades e atletas. Os gregos valorizavam corpos</p><p>atléticos, especialmente nos homens, e acreditavam que a beleza física refletia a virtude</p><p>moral e intelectual. Mulheres gregas buscavam por uma pele clara e perfeita, enquanto</p><p>cabelos longos e ondulados eram os atributos desejáveis.</p><p>Perceba, na Figura 3.1, dois ideais de beleza distintos colocados lado a lado:</p><p>à esquerda, temos a Vênus de Willendorf, de 28 mil anos atrás. Mulheres com corpo</p><p>cheio representavam fertilidade e saúde. À direita, temos uma típica escultura grega,</p><p>representando o corpo atlético como um ideal de beleza física.</p><p>Figura 3.1 – Vênus de Willendorf e escultura grega.</p><p>Fonte: Domestika (2023).</p><p>INTRODUÇÃO À BIOMEDICINA ESTÉTICA | Darlan Pase da Rosa 62</p><p>A estética romana foi influenciada pela cultura grega, mas trouxe suas singularidades.</p><p>Em Roma, a beleza estava relacionada à saúde e ao bem-estar. Os romanos frequentavam</p><p>termas e spas para cuidar da pele e do corpo. Homens e mulheres tinham o costume de</p><p>tingir os cabelos com tonalidades diferentes e adotavam penteados elaborados.</p><p>Em civilizações orientais, como no Japão e na China, a noção de beleza era</p><p>composta por uma fusão de elementos naturais e sobrenaturais. As mulheres japonesas</p><p>atribuíam grande valor a uma pele clara e impecável, associada à pureza e à nobreza.</p><p>Por sua vez, na China, o ideal de beleza abrangia a tez pálida e a delicadeza dos traços</p><p>faciais; nesses contextos culturais, a aplicação de maquiagem e o uso de acessórios</p><p>também eram práticas comuns. Em diversas civilizações antigas, como na Índia ou</p><p>nos países nórdicos, a concepção de beleza mantinha estreita relação com a religião e a</p><p>mitologia. Era entendida como uma manifestação divina, com os padrões estéticos sendo</p><p>modelados pelos deuses que eram venerados. A busca pela beleza detinha um significado</p><p>simbólico e espiritual, refletindo os valores e as crenças essenciais da sociedade.</p><p>No período renascentista, ocorreu uma transformação no ideal de beleza, marcada</p><p>pela ênfase no corpo humano e na valorização da beleza tal como ela é encontrada na</p><p>natureza. Esses princípios eram evidenciados nas criações de renomados artistas da</p><p>época, a exemplo de Leonardo da Vinci e Michelangelo. Por outro lado, no contexto do</p><p>período barroco, observamos uma ênfase na opulência e no exagero estético, refletindo</p><p>as tendências dominantes desse período histórico.</p><p>Figura 3.2 – Renascimento: a volta do nu e a valorização das curvas.</p><p>Fonte: Imbroisi e Martins (2023).</p><p>63 Semiologia e Prescrição em Biomedicina Estética | UNIDADE 3</p><p>Com o advento da mídia de massa, como a televisão, o cinema e, posteriormente,</p><p>a internet e as redes sociais, a concepção de beleza foi significativamente influenciada</p><p>pela cultura da celebridade e da imagem idealizada. Essa era da mídia trouxe mudanças</p><p>importantes nos padrões de beleza e na forma como as pessoas percebem a estética,</p><p>principalmente a partir do século XX até os dias atuais.</p><p>As estrelas do cinema de Hollywood, as modelos e as personalidades da mídia se</p><p>tornaram ícones de beleza e estilo a serem admirados e imitados. A exposição massiva</p><p>dessas figuras públicas e a veiculação de imagens retocadas e editadas criaram um</p><p>padrão inalcançável de beleza perfeita. Essas imagens glamourizadas e idealizadas</p><p>moldaram a percepção coletiva sobre o que é considerado belo, gerando uma busca</p><p>incessante pela aparência perfeita.</p><p>Podemos usar como exemplo a atriz Angelina Jolie, cujas características físicas</p><p>alteraram de forma significativa o conceito predominante de beleza. Seu contorno facial</p><p>distintamente marcado e lábios volumosos se transformaram em um padrão amplamente</p><p>adotado, inclusive nos procedimentos de harmonização facial atuais (MARCHIORI;</p><p>ZAMBERLAN, 2014). Entretanto, é importante reconhecer que essa influência não se</p><p>adapta a todos os perfis individuais. Isso indica que, independentemente do tratamento</p><p>empregado, é improvável que se alcance o resultado desejado se a comparação for</p><p>considerada uma referência absoluta.</p><p>Figura 3.3 – Angelina Jolie e a proporção áurea.</p><p>Fonte: Divulgação (2023).</p><p>Com o passar do tempo, surgiram movimentos que buscavam uma representação</p><p>mais variada de beleza nos meios de comunicação. A valorização da beleza autêntica e</p><p>da representatividade ganhou força, levando a um aumento na inclusão de pessoas com</p><p>diferentes tipos de corpos, etnias e características físicas nas campanhas publicitárias</p><p>e nas produções de mídia. Essa mudança foi fundamental para desafiar os ideais</p><p>inatingíveis e promover uma maior aceitação da diversidade estética.</p><p>INTRODUÇÃO À BIOMEDICINA ESTÉTICA | Darlan Pase da Rosa 64</p><p>Com a popularização das redes sociais, como comentamos anteriormente, surgiu</p><p>uma nova geração de influenciadores digitais que conquistaram um grande número</p><p>de seguidores e impactaram a percepção de beleza de milhões de pessoas. Esses</p><p>influenciadores promovem um estilo de vida mostrando rotinas de cuidados pessoais,</p><p>dicas de beleza, dietas e procedimentos estéticos. No entanto, é importante ressaltar</p><p>que nem sempre essas representações são reais e muitas vezes são construídas em torno</p><p>de filtros e edições, criando um cenário irreal para o público.</p><p>A incessante busca por atingir os padrões de beleza promovidos pelos meios de</p><p>comunicação trouxe consigo graves impactos na autoestima e na imagem pessoal de</p><p>muitos indivíduos. A pressão para alcançar uma suposta perfeição física pode resultar</p><p>em distúrbios alimentares, ansiedade e desafios emocionais. Diante dessa realidade,</p><p>movimentos em prol da aceitação corporal e da autoaceitação têm ganhado relevância,</p><p>encorajando as pessoas a reconhecerem a beleza genuína de seus corpos e de suas</p><p>características singulares. Além disso, observa-se também um movimento de reversão</p><p>de procedimentos estéticos, como o explante mamário, que teve início em 2022.</p><p>Outra tendência que teve início em 2023 é o movimento de “desarmonização”</p><p>facial. Após diversos casos de intervenções exageradas realizadas por celebridades e</p><p>influenciadores, o que resultou em uma avalanche de críticas nas redes sociais, houve</p><p>um aumento significativo na procura por procedimentos destinados a reverter os efeitos</p><p>da harmonização facial. No entanto, mesmo com um aumento notável na quantidade</p><p>desses procedimentos, continua a haver um crescimento constante no número de</p><p>intervenções realizadas a cada ano. Isso ressalta a contínua tendência de expansão no</p><p>campo da beleza e da estética.</p><p>O movimento de retorno aos seios naturais é cada vez mais comum. Como</p><p>foram com a ex-miss Brasil Intercontinental Sabrina Sancler, as atrizes</p><p>Giovanna Antonelli, Fiorella Mattheis, Carolina Dieckmann, a youtuber Evelyn</p><p>Regly, entre tantas outras. Disponível em: http://gg.gg/169yw8.</p><p>SAIBA</p><p>MAIS</p><p>A disseminação de procedimentos estéticos, principalmente da harmonização</p><p>facial, associada ao excesso, por parte dos profissionais, não respeitando a</p><p>anatomia natural e individual, fez com que crescesse o número de procedimentos</p><p>para desfazer os tratamentos estéticos, conhecido como desarmonização</p><p>facial. Disponível em http://gg.gg/169ywz.</p><p>SAIBA MAIS</p><p>65 Semiologia e Prescrição em Biomedicina Estética | UNIDADE 3</p><p>Diante desses desafios, é fundamental lembrar que a beleza vai além de traços</p><p>físicos perfeitos. A verdadeira beleza reside na autenticidade de cada indivíduo e</p><p>na valorização da diversidade estética. O bem-estar emocional e a saúde mental são</p><p>aspectos essenciais a serem considerados em qualquer busca por aprimoramentos</p><p>estéticos. É fundamental que os profissionais da área da estética promovam uma</p><p>abordagem equilibrada e responsável, garantindo que os tratamentos sejam realizados</p><p>de forma consciente e segura.</p><p>Um exemplo de transtorno psicológico é a Síndrome da Desarmonia Corporal,</p><p>também conhecida como Disforia Corporal. Essa síndrome é um transtorno psicológico</p><p>que afeta a percepção que uma pessoa tem do próprio corpo, levando-a a se sentir</p><p>insatisfeita ou desconfortável com sua aparência física (FRESCURA E ANDREATI,</p><p>2021). Essa condição pode afetar qualquer parte do corpo, mas é frequentemente</p><p>associada à insatisfação com a aparência do rosto, do peso, do tamanho do corpo, da</p><p>forma corporal ou de características específicas.</p><p>Essa síndrome é uma condição complexa e influenciada por diversos fatores.</p><p>Suas origens podem estar ligadas a elementos psicológicos, sociais e culturais. Entre as</p><p>principais causas que podem contribuir para o surgimento desse transtorno, destacam-</p><p>se: pressões sociais e culturais, histórico de bullying ou críticas relacionadas à aparência,</p><p>transtornos alimentares e questões ligadas à autoimagem. No tocante a esse último</p><p>aspecto, é possível estabelecer associações com situações em que ocorre a comparação</p><p>com imagens corporais que não refletem a realidade, como fotos retocadas, imagens</p><p>Características da Síndrome da Desarmonia Corporal:</p><p>• Obsessão com defeitos imaginários ou percebidos na aparência física,</p><p>que podem não ser notados por outras pessoas.</p><p>• Preocupação excessiva com a aparência, que pode levar a</p><p>comportamentos compulsivos relacionados a dietas, exercícios físicos</p><p>ou procedimentos estéticos.</p><p>• Evitação de situações sociais ou de exposição pública devido à</p><p>insatisfação com a aparência.</p><p>• Comparação constante com padrões de beleza inatingíveis ou</p><p>com outras pessoas.</p><p>• Baixa autoestima e sentimentos de ansiedade, tristeza ou depressão</p><p>relacionados à aparência física.</p><p>DESTAQUE</p><p>INTRODUÇÃO À BIOMEDICINA ESTÉTICA | Darlan Pase da Rosa 66</p><p>manipuladas por meio de programas de edição ou até mesmo representações geradas</p><p>por inteligência artificial. Essa distorção não se limita apenas à percepção da imagem</p><p>corporal; por exemplo, ao escolher uma fruta, tendemos a optar pelas mais visualmente</p><p>atraentes, ainda que estejamos conscientes das características reais das frutas naturais</p><p>e orgânicas, em contraste com aquelas exibidas em propagandas ou nas embalagens.</p><p>Figura 3.4 – Comparação entre maçã natural e maçã virtual.</p><p>Fonte: Freepik (2023).</p><p>Assim como fazemos no mercado ao escolher uma maçã sem manchas,</p><p>marcas ou pequenos defeitos, também tendemos a adotar como padrão corpos de</p><p>personalidades que são apresentados como perfeitos. Contudo, é importante destacar</p><p>que assim como a maçã, essas figuras não são reais ou naturais. Essa comparação acaba</p><p>por ter repercussões negativas no bem-estar psicológico e nos resultados desejados.</p><p>Isso acontece não apenas porque não leva em consideração as variações anatômicas</p><p>individuais, mas também porque não ref lete um resultado viável. Um exemplo notável</p><p>é a busca por múltiplos procedimentos na tentativa de alcançar a semelhança com os</p><p>bonecos Barbie e Ken.</p><p>67 Semiologia e Prescrição em Biomedicina Estética | UNIDADE 3</p><p>Figura 3.5 – Foto do encontro entre Barbie e Ken ‘da vida real’.</p><p>Fonte: Divulgação G1 (2023).</p><p>Temos, ainda, exemplos de famosos que alteraram significativamente seus corpos</p><p>com procedimentos estéticos, como o Gustavo Lima, Diego Hypolito, Alok, Joelma,</p><p>Jennifer Aniston, Lady Gaga, entre outros. Podemos citar que estas personalidades</p><p>obtiveram resultados de sucesso. Porém, em contrapartida, também temos casos que</p><p>obtiveram repercussão negativa, como os procedimentos recentes de nomes como</p><p>Stênio Garcia, Lucas Lucco e Anitta, sobretudo por terem alterado significativamente</p><p>a sua aparência natural. Muitas vezes, esses resultados são associados a quantidades</p><p>exageradas de procedimentos.</p><p>O tratamento da Síndrome da Desarmonia Corporal geralmente envolve uma</p><p>abordagem multidisciplinar, que pode incluir terapia psicológica, orientação nutricional</p><p>e, em casos mais graves, tratamentos médicos. A terapia cognitivo-comportamental</p><p>(TCC) é frequentemente utilizada para ajudar o indivíduo a modificar pensamentos</p><p>Para conhecer melhor o processo da harmonização facial leia a matéria</p><p>divulgada no Portal Terra disponível em: http://gg.gg/169je8.</p><p>SAIBA MAIS</p><p>INTRODUÇÃO À BIOMEDICINA ESTÉTICA | Darlan Pase da Rosa 68</p><p>negativos e distorcidos em relação ao próprio corpo, bem como a desenvolver habilidades</p><p>para lidar com a ansiedade e a insatisfação corporal. Além disso, o apoio da família e</p><p>de amigos é fundamental para ajudar o indivíduo a enfrentar os desafios relacionados à</p><p>síndrome da desarmonia corporal. O tratamento deve ser personalizado de acordo com</p><p>as necessidades e a gravidade dos sintomas de cada pessoa. Cabe ao biomédico esteta,</p><p>perceber as características dessa síndrome e recomendar um olhar multidisciplinar.</p><p>Outro ponto de extrema relevância em relação ao conceito de padrão de beleza,</p><p>além das mudanças ao longo das épocas, é a inf luência do contexto geográfico.</p><p>Estudos têm conseguido identificar como as pessoas definem um corpo ideal em</p><p>distintas regiões, revelando notáveis discrepâncias entre homens e mulheres de</p><p>diferentes países. Ao observarmos imagens comparativas, torna-se evidente a</p><p>diversidade de percepções em relação aos padrões estéticos em 18 nações diversas,</p><p>abrangendo aspectos como a tonalidade da pele, a estrutura dos quadris, o volume</p><p>dos seios, entre outros atributos.</p><p>Figura 3.6 – Representação do padrão de beleza feminino em diferentes países.</p><p>Fonte: Mulher (2023).</p><p>69 Semiologia e Prescrição em Biomedicina Estética | UNIDADE 3</p><p>Figura 3.7 – Representação de padrão masculino de beleza em diferentes países.</p><p>Fonte: Metróples (2023).</p><p>Existem outros fatores que também podem moldar o padrão de beleza. Ao</p><p>contrário do que possa parecer em um primeiro momento, a beleza não está apenas</p><p>ligada à saúde, mas também reflete um status social. No século XVII, em uma época</p><p>de extrema pobreza, quando a fome era uma realidade e a escassez era predominante,</p><p>ter um corpo magro era visto como sinal de privação econômica, ou seja, ter um corpo</p><p>mais robusto era associado a um status de riqueza. Hoje em dia, o acesso à comida</p><p>é mais fácil, porém, grande parte dessa comida disponível é de qualidade inferior.</p><p>Diversas pesquisas indicam que muitas pessoas consomem alimentos processados,</p><p>com baixo valor nutricional, combinando isso com um estilo de vida sedentário e altos</p><p>níveis de estresse, o que contribui para um aumento da obesidade, especialmente entre</p><p>a população de menor renda. Como resultado, o padrão contemporâneo de beleza tende</p><p>a favorecer corpos mais magros.</p><p>INTRODUÇÃO À BIOMEDICINA ESTÉTICA | Darlan Pase da Rosa 70</p><p>3.3 Semiologia - Avaliação Facial</p><p>A palavra semiologia provém do grefo semêion (signo) + logia (estudo), ou seja,</p><p>é a ciência que estuda os sistemas de signos e sinais, sendo eles visíveis ou não. No</p><p>campo da estética, ela analisa como os elementos visuais e os signos são utilizados para</p><p>criar e influenciar a experiência estética. É fundamental enfatizar que</p><p>a análise se inicia</p><p>com uma compreensão completa do processo de envelhecimento, para que possamos</p><p>determinar os objetivos de cada tratamento. Na prática, o ponto de partida é imaginar</p><p>como o envelhecimento está ocorrendo no paciente. É crucial poder identificar sua</p><p>origem, a situação atual e a direção que está tomando nesse processo.</p><p>Na Figura 3.8, observamos a representação de uma jovem e uma idosa. Ao</p><p>comparar essas imagens, é possível perceber as diferenças anatômicas entre elas e</p><p>tentar discernir as razões por trás dessas diferenças, bem como entender como esse</p><p>processo evoluiu.</p><p>Imagem 3.8 – Representação de um rosto jovem e idoso.</p><p>Fonte: Freepik (2023).</p><p>71 Semiologia e Prescrição em Biomedicina Estética | UNIDADE 3</p><p>Em contrapartida, temos o padrão de beleza atual, onde buscamos retroceder</p><p>o caminho do envelhecimento natural. Buscando linhas e contornos mais marcados,</p><p>pele lisa e sem rugas ou manchas, volume de lábios, entre outros. Importante ressaltar</p><p>as texturas de pele, manchas, linhas de expressão e perdas dos volumes em diferentes</p><p>áreas do rosto. Isso pode provocar a “quadralização facial” devido aos efeitos da perda</p><p>de volume e sustentação aliados ao efeito da gravidade.</p><p>Figura 3.9 – Demonstração da quadralização facial do envelhecimento.</p><p>Fonte: Divulgação (2023).</p><p>A ficha de avaliação facial é uma ferramenta importante para profissionais da</p><p>área da biomedicina estética, pois permite registrar informações relevantes sobre a</p><p>condição da pele e dos tecidos faciais de cada cliente. Essa ficha auxilia no diagnóstico,</p><p>no planejamento dos tratamentos e na avaliação dos resultados ao longo do tempo. A</p><p>anamnese deve ser completa, englobando não apenas o aspecto físico, mas também</p><p>social, emocional, financeira, entre outros. Segue abaixo algumas informações básicas</p><p>importantes que devem constar na ficha de avaliação.</p><p>• Dados do Cliente: Nome, data de nascimento, telefone, e-mail, profissão, endereço.</p><p>• Anamnese: Motivo da consulta, problemas de saúde relevantes, medicamentos</p><p>em uso, alergias, procedimentos estéticos prévios, hábitos de cuidados com a</p><p>pele (consumo de alimentos, água e exposição solar).</p><p>INTRODUÇÃO À BIOMEDICINA ESTÉTICA | Darlan Pase da Rosa 72</p><p>• Avaliação Facial: Tipo de pele (normal, seca, oleosa, mista, sensível), fototipo</p><p>de pele (I à VI), condição da pele (hidratada, ressecada, acneica, sensível,</p><p>envelhecida, outra), manchas (especificar tipo e localização), rugas e linhas de</p><p>expressão (especificar localização), f lacidez (especificar localização), poros</p><p>dilatados (especificar localização), hiperpigmentação (especificar localização),</p><p>cicatrizes (especificar tipo e localização), outras observações relevantes.</p><p>• Avaliação Fotográfica: Fotografias do rosto frontal, perfil direito e perfil</p><p>esquerdo e fotografias de áreas específicas de interesse.</p><p>• Objetivos do Cliente: Quais são as principais queixas do cliente em relação à</p><p>sua pele? Quais são os objetivos estéticos do cliente?</p><p>• Diagnóstico e Recomendações: Descrever um panorama geral sobre os achados,</p><p>recomendações e tratamentos. Deixando claro as recomendações de cuidados</p><p>para o paciente durante e pós tratamento, possíveis reações do tratamento, e</p><p>quando retornar para atendimento.</p><p>• Assinaturas do cliente e do profissional: Junto a essa ficha, pode-se anexar o</p><p>Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), onde constam todas</p><p>informações sobre o tratamento. Sendo obrigatória a assinatura por parte do</p><p>cliente. Deixando uma via assinada para cada. Esse documento serve de</p><p>segurança jurídica para ambos envolvidos, onde ficará registrado todo e qualquer</p><p>procedimento realizado, complicações e resultados esperados. Bem como</p><p>descrever as responsabilidades de cada envolvido.</p><p>Muitas empresas que lidam com produtos de beleza disponibilizam modelos</p><p>de avaliação gratuitos. No entanto, é sugerido que você crie o seu próprio formulário.</p><p>Isso permite ajustar a linguagem e o conteúdo para se adequar à maneira como você</p><p>trabalha, incluindo informações que sejam relevantes para você como profissional.</p><p>Há diversos exemplos disponíveis online que podem servir como ponto de partida.</p><p>O aspecto importante é padronizar e, se possível, treinar a maneira como preencher</p><p>esse documento. É aconselhável evitar transformar a entrevista de avaliação em uma</p><p>formalidade, mas sim tentar compreender durante a conversa da avaliação inicial. Isso</p><p>ajuda o paciente/cliente a se sentir mais à vontade ao responder.</p><p>Na hora de avaliar as discromias (manchas), é importantíssimo reconhecer e</p><p>identificar o que são manchas solares, manchas senis ou as patológicas. Um</p><p>dos critérios mais utilizados é do ABCD do câncer de pele.</p><p>Disponível em: http://gg.gg/1676om.</p><p>SAIBA MAIS</p><p>73 Semiologia e Prescrição em Biomedicina Estética | UNIDADE 3</p><p>3.4 Prescrição Facial</p><p>Depois de realizar a avaliação e entender o histórico do paciente, passamos para</p><p>a fase dos tratamentos. É importante lembrar que o resultado desejado só será alcançado</p><p>se a avaliação e a recomendação de tratamento estiverem em sintonia. Isso significa</p><p>que é crucial entender as causas e consequências do envelhecimento e criar uma</p><p>estratégia que projete resultados alinhados com os objetivos do paciente. Quando essa</p><p>abordagem é negligenciada ou falha, as chances de insucesso ou resultados indesejados</p><p>aumentam consideravelmente. É importante lembrar que todos somos indivíduos únicos</p><p>com características próprias, o que já traz por si só um risco de não alcançar o resultado</p><p>desejado. Se a negligência se somar a essa equação, o resultado pode ser catastrófico.</p><p>Por isso, é um ditado comum na área dizer “menos é mais”.</p><p>Entre as queixas mais comuns relacionadas ao rosto, encontramos o principal</p><p>sinal do envelhecimento da pele, que são as rugas. Dependendo do grau, da localização</p><p>e do tipo de ruga, recomendamos diferentes tratamentos. Por exemplo, as rugas de</p><p>expressão, que aparecem quando certos músculos se contraem, podem ser tratadas com</p><p>a toxina botulínica. O famoso “botox” age nos músculos, bloqueando a contração, o que</p><p>causa uma espécie de desativação química das vesículas de neurotransmissores de</p><p>acetilcolina, conhecidas como SNAP-25.</p><p>Veja alguns modelos de ficha de avaliação nos links a seguir:</p><p>Ficha de Anamnese Facial: http://gg.gg/169jxf.</p><p>Protocolo de avaliação facial: http://gg.gg/169jxl.</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Mecanismo de ação da toxina botulínica tipo A nas células musculares. Uma</p><p>visão molecular do canal Captain VR. Não esqueça de ativar a legenda!</p><p>Disponível em: http://gg.gg/1676ru.</p><p>VÍDEO</p><p>INTRODUÇÃO À BIOMEDICINA ESTÉTICA | Darlan Pase da Rosa 74</p><p>O uso de preenchedores à base de ácido hialurônico é uma ferramenta bastante</p><p>útil em diversos tratamentos estéticos faciais. Eles podem ser empregados para corrigir</p><p>questões anatômicas, como na rinomodelação e no preenchimento dos lábios, assim</p><p>como para preencher sulcos, como o bigode chinês, as linhas nasogenianas e as olheiras.</p><p>Também são aplicados para tratar rugas de diferentes profundidades e para definir o</p><p>contorno facial em áreas como as maçãs do rosto, o contorno da mandíbula e o queixo.</p><p>Essa substância é especialmente útil para criar um efeito de lifting e para alcançar a</p><p>harmonização facial.</p><p>O ácido hialurônico é uma substância naturalmente presente em várias partes</p><p>do nosso corpo, e possui a capacidade de absorver água, sendo altamente hidratante.</p><p>Os preenchedores são formulados com uma versão cruzada (cross-link ou reticulação)</p><p>do ácido hialurônico, o que faz com que sua eficácia seja prolongada na área onde é</p><p>aplicado. A aplicação pode ser feita por meio de agulhas ou cânulas, em diferentes</p><p>profundidades e camadas conforme a necessidade e a localização específica.</p><p>Figura 3.10 – Ação do ácido hialurônico na pele.</p><p>Fonte: Universidade La Salle (2023).</p><p>Para tratar problemas como descolorações, manchas e algumas irregularidades</p><p>na superfície da pele, os peelings podem ser uma opção. Existem dois tipos principais:</p><p>os peelings físicos,</p><p>que usam forças mecânicas, e os químicos, que envolvem o uso</p><p>de substâncias ácidas. Além dessas abordagens, há também a intradermoterapia, que</p><p>combina agentes para despigmentação e estímulo do crescimento celular, podendo ser</p><p>combinada ou não com microagulhamento.</p><p>Derme</p><p>Gordura</p><p>Epiderme</p><p>Linha Ruga Prega</p><p>Músculo</p><p>Derme</p><p>Gordura</p><p>Epiderme</p><p>Linha Ruga Prega</p><p>Músculo</p><p>ColágenoColágenoColágeno</p><p>75 Semiologia e Prescrição em Biomedicina Estética | UNIDADE 3</p><p>3.5 Semiologia Corporal</p><p>A partir de agora, vamos abordar os principais problemas e preocupações</p><p>relacionados à estética corporal. Esses incluem a lipodistrofia localizada, conhecida</p><p>como “gordura localizada”, a lipodistrofia ginóide, que é o famoso “aspecto de casca de</p><p>laranja” da pele, estrias e também os microvasos. Muitas vezes, esses problemas estão</p><p>interligados, ou seja, é comum que uma mesma pessoa apresente mais de um desses</p><p>problemas, e todos eles têm relação com as células de gordura, chamadas adipócitos.</p><p>Os adipócitos são as principais reservas de energia do nosso corpo. Embora</p><p>estejam distribuídos por todo o corpo, em algumas áreas há maior acúmulo deles devido</p><p>a fatores genéticos e à quantidade de receptores alfa adrenérgicos. Essas células de</p><p>gordura estão presentes em duas camadas na pele: a camada areolar e a camada lamelar.</p><p>A principal diferença entre elas está na profundidade em que se encontram. A</p><p>camada areolar fica logo abaixo da derme, enquanto a camada lamelar é ainda mais</p><p>profunda. Um aspecto importante em relação a essas camadas está relacionado à forma</p><p>como são utilizadas pelo corpo. A camada lamelar é mais facilmente acessada, enquanto</p><p>a camada areolar é a última a ser mobilizada para atender às necessidades energéticas do</p><p>organismo. Ou seja, é a gordura mais resistente ao consumo pelo corpo.</p><p>Figura 3.11 – Esquematização da origem da lipodistrofia ginóide (celulite).</p><p>Fonte: Torres (2020).</p><p>INTRODUÇÃO À BIOMEDICINA ESTÉTICA | Darlan Pase da Rosa 76</p><p>É importante lembrar que os adipócitos, como reserva de energia, estão envolvidos</p><p>na utilização, armazenamento e quebra de gordura. Quando praticamos atividade física,</p><p>por exemplo, nosso metabolismo é aumentado e os receptores beta-adrenérgicos são</p><p>ativados, desencadeando a lipólise, ou seja, a quebra de gordura. Por outro lado, quando</p><p>nos alimentamos, ocorre o armazenamento de gordura em determinadas regiões do</p><p>corpo. Isso pode levar ao aumento do número e do volume dos adipócitos, ao acúmulo</p><p>de líquido entre as células e ao aumento da fibrose nas estruturas internas. Essas</p><p>mudanças costumam ocorrer principalmente no abdômen, culotes, costas e braços.</p><p>A lipodistrofia ginóide, também conhecida como celulite, é um problema</p><p>complexo, com múltiplos fatores envolvidos. Envolve a degeneração do tecido adiposo,</p><p>alterações na matriz intersticial (tecido conjuntivo), problemas na circulação sanguínea,</p><p>aumento do tamanho dos adipócitos, formação de fibrose e, clinicamente, resulta em</p><p>uma aparência de retração irregular na pele, o famoso “aspecto de casca de laranja”.</p><p>Basicamente, é uma modificação do tecido sob a pele que tem relação direta com</p><p>problemas na circulação sanguínea em nível microscópico, resultando no acúmulo de</p><p>gordura, líquidos e toxinas.</p><p>Podemos classificar a celulite em diferentes tipos: dura, f lácida, edematosa ou</p><p>mista. O tipo duro apresenta tecidos firmes e é mais comum em mulheres jovens e</p><p>em boa forma física. O tipo f lácido ocorre em pessoas sedentárias e que perderam</p><p>muito peso. O tipo edematoso é mais frequente em jovens e adolescentes, afetando</p><p>principalmente as pernas.</p><p>Embora não seja uma condição grave, a celulite tem um impacto significativo</p><p>na aparência corporal. As alterações na circulação sanguínea dificultam as trocas</p><p>metabólicas, levando ao aumento da produção de gordura e ao crescimento dos</p><p>adipócitos. Os fatores que contribuem para a celulite incluem hormônios, falta de</p><p>exercício, dieta, genética e fatores emocionais. A falta de exercício pode levar à</p><p>f lacidez muscular, causando problemas na circulação e inchaço. A dieta rica em açúcar</p><p>e gordura pode resultar em níveis elevados de insulina, que contribui para a formação</p><p>de gordura, enquanto o excesso de sal pode causar retenção de água e dificultar a</p><p>circulação venosa. O álcool também estimula a produção de gordura. Outros fatores,</p><p>como obesidade ou excesso de peso, problemas circulatórios, gravidez, distúrbios</p><p>intestinais, compressão externa, postura inadequada, tabagismo, medicamentos e até</p><p>mesmo baixas temperaturas, também podem inf luenciar a formação da celulite.</p><p>A lipodistrofia ginóide pode ser dividida em quatro fases:</p><p>77 Semiologia e Prescrição em Biomedicina Estética | UNIDADE 3</p><p>1º Fase - Congestiva simples: fase que ocorre inundação cerosa que se caracteriza</p><p>por uma alteração microcirculatória (venosa e linfática), que origina uma diminuição</p><p>da drenagem normal de líquidos intersticiais (líquidos que preenchem as células e os</p><p>tecidos do corpo), deixando o tecido inundado por esses líquidos. Nesta fase, se houver</p><p>tratamento, a celulite desaparecerá.</p><p>2º Fase - Polimerização ou Edematosa: se a congestão persiste, vai produzir-</p><p>se uma fase em cadeia com a retenção de produtos residuais do metabolismo celular</p><p>que se comportam como corpos estranhos, desencadeando reações defensivas e</p><p>transformadoras do tecido conjuntivo. O tecido conjuntivo, que normalmente é f lexível,</p><p>torna-se espesso e toma uma consistência gelatinosa cada vez mais densa, dando origem</p><p>à chamada de celulite edematosa.</p><p>3º Fase - Organização fibrosa, aspecto acolchoado: Devido às etapas anteriores,</p><p>ocorre uma separação das fibras tissulares, resultando na proliferação de fibras que</p><p>dão origem a uma transformação fibrinoide na derme e na hipoderme. Desta forma,</p><p>aparece uma malha de tecido fibroso compacto que comprime as estruturas vasculares</p><p>e nervosas, formando uma barreira ao bom funcionamento dos intercâmbios vitais</p><p>(processo pelo qual ocorre a transferência de substâncias essenciais para a sobrevivência</p><p>e funcionamento dos organismos).</p><p>4º Fase - Esclerótica ou Macro-nódulos: o tecido conjuntivo vai-se tornando cada vez</p><p>mais impermeável e hermético, aparecendo uma esclerosa progressiva que invade o tecido</p><p>conjuntivo, envolvendo nas suas malhas as estruturas vasculares e nervosas, asfixiando-as.</p><p>Figura 3.12 – Os quatro estágios da celulite.</p><p>Fonte: Universidade La Salle (2023).</p><p>As células gordurosas</p><p>aumentam de volume</p><p>e as mais progundas</p><p>começam a sofrer o</p><p>mesmo processo.</p><p>Os vasos �cam mais</p><p>espremidos e inicia-se a formação do</p><p>inchaço. É possível observar algumas</p><p>irregularidades na pele.</p><p>Existe um maior aumento</p><p>das células, com aparecimento</p><p>dos nódulos maisprofundos.</p><p>As �bras começam a �car</p><p>maisendurecidas e a</p><p>circulação ainda mais</p><p>comprometida, levando a pessoa a sentir dor</p><p>e cansaço nas pernas. A pele �ca com aspecto</p><p>de “casca de laranja” e podem aparecer</p><p>pequenas varizes.</p><p>O inchaço das células</p><p>gordurosas é acentuado,</p><p>a celulite é dura e a pele</p><p>�ca lustrosa, com</p><p>diversas depressões e</p><p>aspecto “acolchoado”.</p><p>A circulação está extremamente</p><p>comprometida, elevando a sensação de</p><p>cansaço e dor nas pernas.</p><p>A celulite é invisível</p><p>e só aparece</p><p>apalpando a pele.</p><p>Exite um pequeno</p><p>aumento do volume</p><p>das células o tecido</p><p>gorduroso na região afetada. Ainda não</p><p>há alterações dos vasos sanguíneos e</p><p>dos tecidos de sustentação.</p><p>1</p><p>2</p><p>3</p><p>4</p><p>Celulite nível 1</p><p>Celulite nível 2</p><p>Celulite nível 3</p><p>Celulite nível 4</p><p>INTRODUÇÃO À BIOMEDICINA ESTÉTICA | Darlan Pase da Rosa 78</p><p>O teste do beliscão é um procedimento simples no qual uma pequena área da</p><p>pele é beliscada suavemente e solta, observando-se a rapidez com que a pele volta ao</p><p>seu estado original. Ele é muito utilizado para avaliação da celulite. A avaliação deve</p><p>ser realizada sempre na posição de pé. Se a pele sobre as coxas e nádegas apresentarem</p><p>superfície normal e ao fazer o teste do beliscão não apresentar depressões de volume,</p><p>é caracterizado como</p><p>fase 1. Na fase 2, no teste do beliscão, apresentará volume. Na</p><p>fase 3, em posição deitada, apresentará depressão e volume. Já na fase 4, a formação ou</p><p>aumento de volume é visível tanto em pé quanto deitado.</p><p>Figura 3.13 – Representação das fases 1, 2 e 4 da lipodistrofia ginóide.</p><p>Fonte: Freepik (2023).</p><p>A hipotonia, ou conhecida como flacidez, é um processo lento e progressivo</p><p>que faz com que as fibras de sustentação da pele, o colágeno e elastina, enfraqueçam</p><p>com o passar do tempo, principalmente por causa do envelhecimento. Pode ser</p><p>influenciada consideravelmente pela genética. É clinicamente dividida entre hipotonia</p><p>muscular e dérmica.</p><p>79 Semiologia e Prescrição em Biomedicina Estética | UNIDADE 3</p><p>A hipotonia muscular é quando a musculatura perde tonicidade, o músculo perde</p><p>espessura e aumenta o seu comprimento e o panículo adiposo ali fixado apresenta-</p><p>se na superfície cutânea com ondulações. Estas ondulações diferem das ondulações</p><p>provocadas pela hipotonia dérmica, pois apresentam-se na forma de ptose (queda ou</p><p>afundamento do tecido). Para tracionar o tecido e fazer desaparecer essas ondulações,</p><p>temos de tracionar camadas musculares do tecido. As causas mais frequentes da</p><p>hipotonia muscular são: sedentarismo e postura incorreta.</p><p>A hipotonia dérmica se dá por uma alteração na trama de fibras de colágeno</p><p>que perdem a elasticidade e diminuem em quantidade. O tecido perde a resistência</p><p>por fragilidade dérmica e pela perda de sustentação das fibras de colágeno de toda</p><p>estrutura do panículo adiposo. Sem uma sustentação adequada, o panículo adiposo</p><p>torna-se hipotônico e apresenta uma superfície irregular. A hipotonia dérmica pode ser</p><p>causada por: alimentação desequilibrada, alterações hormonais, fotoenvelhecimento e</p><p>falta de cuidados na tonificação da pele.</p><p>Figura 3.14 – Diferença entre flacidez muscular (esquerda) e dérmica (direita).</p><p>Fonte: Freepik (2023).</p><p>Outro problema corporal recorrente são as estrias que ocorrem devido ao</p><p>rompimento das fibras elásticas (colágeno e elastina) que sustentam a pele. Elas</p><p>ocorrem, principalmente, devido a distensão exagerada ou alterações hormonais.</p><p>Apresentam aspecto linear, atrófico e de superfície, podem ser discretamente enrugadas</p><p>e inicialmente são eritematosas (coloração avermelhada) e após, tornam-se branco-</p><p>amareladas. São mais frequentes em mulheres e podem surgir durante a adolescência</p><p>ou gravidez. As regiões mais acometidas são nádegas, abdômen e mamas. Podendo</p><p>INTRODUÇÃO À BIOMEDICINA ESTÉTICA | Darlan Pase da Rosa 80</p><p>atingir de poucos milímetros a até 30cm de comprimento, com larguras de 2,5mm até</p><p>3 cm. Os principais fatores desencadeantes são os mecânicos (efeito sanfona, gravidez</p><p>ou exercícios físicos), fatores bioquímicos e predisposição genética. Na gravidez ocorre</p><p>em 90% dos casos, principalmente no terceiro semestre de gestação.</p><p>Figura 3.15 – Comparação estrias brancas e vermelhas.</p><p>Fonte: Garbin (2016).</p><p>Podem ser classificadas em até cinco níveis, desde ligeiro traço na pele a até a</p><p>presença com estrias superiores a 2mm e aspecto central enrugado. Sua origem é dada</p><p>por uma tensão mecânica, levando ao processo inflamatório e ativação de fibroblastos,</p><p>acionando o processo de cicatrização. Ou seja, podemos dizer que as estrias nada mais</p><p>são do que uma cicatriz atrófica ou hipertrófica. Com isso, o tratamento pode seguir os</p><p>mesmos preceitos. Estão relacionados a realizar essa reorganização das fibras elásticas</p><p>e colágenas. Lembrando que o processo cicatricial é um processo muito longo, onde</p><p>podemos citar toda a cascata de eventos e principalmente ao tipo de colágeno existente</p><p>na cicatriz. Quanto mais jovem (de coloração vermelha), maior será a probabilidade de</p><p>reduzir ou desaparecer com o tratamento.</p><p>Os tratamentos mais utilizados são os peelings químicos, microagulhamento,</p><p>carboxiterapia, intradermoterapia, luz intensa pulsada e laser. O acompanhamento do</p><p>tratamento pode ser realizado através da percepção do próprio paciente em relação</p><p>à distância de espelho. Para avaliar o progresso de tratamentos estéticos corporais,</p><p>é crucial tirar fotos antes e durante o tratamento. Isso permite uma avaliação visual</p><p>dos resultados. Muitas vezes, os pacientes olham para si mesmos no espelho todos</p><p>os dias, o que pode dificultar a percepção das mudanças graduais e lentas causadas</p><p>pelo tratamento.</p><p>Estria branca Estria vermelha</p><p>81 Semiologia e Prescrição em Biomedicina Estética | UNIDADE 3</p><p>Enquanto alguns tratamentos, como a redução de gordura localizada, podem ser</p><p>quantificados com medições de tamanho, condições como celulite, estrias e manchas</p><p>não podem ser medidas de outra forma além das fotografias. Ao realizar as fotos, é</p><p>importante seguir um padrão para garantir consistência. Isso envolve questões como</p><p>posicionamento do paciente, iluminação, ângulo da câmera, distância da câmera, cor de</p><p>fundo e até mesmo a roupa que o paciente está vestindo.</p><p>A avaliação corporal começa da mesma forma que a avaliação facial, com</p><p>uma conversa detalhada sobre as queixas e histórico do cliente. Depois disso, é feita</p><p>uma avaliação física que inclui palpação, inspeção e possivelmente medições (como</p><p>biometria, plicometria, termografia e percentual de gordura), dependendo do caso.</p><p>Durante a avaliação física, um dos primeiros passos é entender as características</p><p>do corpo, bem como as condições da pele e dos tecidos. O tipo corporal pode ser</p><p>classificado de várias maneiras, sendo a divisão mais tradicional entre andróide</p><p>(acúmulo central de gordura) e ginóide (acúmulo de gordura fora do centro). Também</p><p>pode ser dividido entre longilíneo, normolíneo ou brevilíneo. Além disso, é possível</p><p>classificar o corpo como ampulheta, triângulo invertido, pera, retângulo ou oval.</p><p>Figura 3.16 – Diferenciação entre Ginóide (maçã) e Andróide (pêra).</p><p>Fonte: Universidade La Salle (2023).</p><p>Distribuição Ginóide Distribuição Andróide</p><p>INTRODUÇÃO À BIOMEDICINA ESTÉTICA | Darlan Pase da Rosa 82</p><p>A avaliação corporal é o ponto de partida essencial para qualquer plano de</p><p>tratamento estético. Ela fornece informações detalhadas ao profissional sobre a</p><p>condição da pele, a presença de celulite, estrias, f lacidez, gordura localizada e outras</p><p>preocupações específicas. Além disso, a avaliação inicial é fundamental para estabelecer</p><p>metas realistas em conjunto com o cliente, adaptar os tratamentos conforme necessário</p><p>e acompanhar os resultados ao longo do tempo.</p><p>Com base na avaliação corporal, o biomédico esteta pode criar um plano de</p><p>tratamento personalizado para cada cliente. Isso pode envolver a combinação de</p><p>várias técnicas, como massagens modeladoras, drenagem linfática, radiofrequência e</p><p>ultrassom, entre outras opções. A avaliação também ajuda a determinar a frequência e</p><p>a duração adequadas dos tratamentos, além de permitir que se monitore os resultados</p><p>alcançados. A avaliação contínua possibilita identificar a eficácia dos tratamentos e</p><p>fazer ajustes conforme necessário.</p><p>A avaliação corporal deve ser conduzida com ética e sensibilidade. É crucial</p><p>que o profissional respeite a privacidade e individualidade de cada cliente, criando um</p><p>ambiente confortável e acolhedor. Também é importante explicar ao cliente os objetivos</p><p>da avaliação e como as informações coletadas serão usadas para criar um plano de</p><p>tratamento personalizado.</p><p>A ficha de avaliação corporal deve incluir alguns dados importantes, como</p><p>a condição geral do cliente, o padrão respiratório, o nível de hidratação, os hábitos</p><p>alimentares, o biotipo, peso e altura. Além disso, dependendo das necessidades, podem</p><p>ser considerados pontos mais específicos, como associação de dieta e exercício físico, uso</p><p>de suplementos ou medicamentos, por exemplo. Com base em certos dados e resultados,</p><p>é sempre bom considerar encaminhar o cliente a profissionais especializados, como</p><p>no caso de identificação de problemas como a obesidade. Se necessário, é possível</p><p>solicitar uma autorização por escrito do médico responsável do cliente antes de realizar</p><p>determinados procedimentos.</p><p>83 Semiologia e Prescrição em Biomedicina Estética | UNIDADE 3</p><p>Abaixo, seguem algumas sugestões de dados a serem colhidos na</p><p>ficha de avaliação:</p><p>Informações Pessoais: Nome, idade, gênero e profissão.</p><p>Histórico: problemas de saúde, medicamentos em uso e alergias.</p><p>Objetivos do Tratamento: redução de gordura localizada, melhoria da aparência</p><p>da pele, combate à celulite, tratamento de estria ou outros objetivos.</p><p>Avaliação Física: Peso (kg), altura (cm), circunferência da cintura (cm),</p><p>circunferência do quadril (cm), circunferência das coxas (cm), dobras Cutâneas</p><p>(Plicômetro): Subescapular (mm), triciptal (mm), Suprailíaca (mm), Abdominal (mm).</p><p>Condição da Pele: celulite, estrias, flacidez, oleosidade, vascularização,</p><p>acne corporal.</p><p>Hábitos de Cuidados com a Pele: hidratação diária, uso de protetor solar,</p><p>hábitos alimentares, atividade física.</p><p>Outros: histórico de tratamentos estéticos anteriores e observações do</p><p>profissional. E ao término ou em outro documento, o TCLE.</p><p>DESTAQUE</p><p>Vídeo explicativo sobre as medidas antropométricas.</p><p>Disponível em: http://gg.gg/1677d9.</p><p>VÍDEO</p><p>INTRODUÇÃO À BIOMEDICINA ESTÉTICA | Darlan Pase da Rosa 84</p><p>Síntese da Unidade</p><p>Nesta unidade exploramos os conceitos de padrão de beleza e como ele evoluiu</p><p>historicamente. Entendemos que o padrão de beleza é diferente em cada país.</p><p>Após, examinamos os principais aspectos e tratamentos faciais assim como,</p><p>como devemos conduzir a avaliação facial.</p><p>Assim como na avaliação facial, estudamos a avaliação corporal, com destaque</p><p>à celulite, que é um problema comumente encontrado na biomedicina estática.|</p><p>85 Semiologia e Prescrição em Biomedicina Estética | UNIDADE 3</p><p>Bibliografia</p><p>ANDRADE, G.G.; C, CECHINEL, L. Anatomofisiologia aplicada à estética. Porto</p><p>Alegre: SAGAH, 2017. E-book.</p><p>COIMBRA, D., URIBE, N. OLIVEIRA, B. “Quadralização facial” no processo</p><p>do envelhecimento. Surg Cosmet Dermatol, 2014;6(1):65 71. Disponível em:</p><p>http://gg.gg/1677fx. Acesso em 18 ago. 2023.</p><p>FRESCURA, L. M. C; ANDREATI, R. O. Atuação da fisioterapia na síndrome da</p><p>desarmonia corporal feminina. 2021.</p><p>IMBROISI, M; MARTINS, S. Renascimento. História das Artes, 2023. Disponível em:</p><p>http://gg.gg/169kgt. Acesso em 22 ago, 2023.</p><p>MARCHIORI, F; ZAMBERLAN, L.. A influência da vaidade no comportamento</p><p>do consumidor: um estudo comparativo entre homens e mulheres. Salão do</p><p>Conhecimento, 2014.</p><p>RIBEIRO, G. S. et al. Tratamentos faciais com toxina botulínica e ácido hialurônico:</p><p>recomendações e cuidados. Surgical & Cosmetic Dermatology, vol. 6, n. 3,</p><p>2014, p. 271-276.</p><p>INTRODUÇÃO À BIOMEDICINA ESTÉTICA | Darlan Pase da Rosa 86</p><p>Os links para sites da web fornecidos nesta unidade foram todos testados, e</p><p>seu funcionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No</p><p>entanto, a rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente</p><p>mudando de local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer</p><p>responsabilidade sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações</p><p>referidas em tais links.</p><p>FIQUE ATENTO</p><p>Tecnologias na Biomedicina Estética</p><p>Prezado estudante,</p><p>Estamos começando uma unidade desta disciplina. Os textos que a compõem foram organizados com</p><p>cuidado e atenção, para que você tenha contato com um conteúdo completo e atualizado tanto quanto</p><p>possível. Leia com dedicação, realize as atividades e tire suas dúvidas com os tutores. Dessa forma, você,</p><p>com certeza, alcançará os objetivos propostos para essa disciplina.</p><p>Objetivo Geral</p><p>Abordar as principais tecnologias utilizadas na biomedicina estética.</p><p>Objetivos Específicos</p><p>• Mecanismo de ação</p><p>• Indicações</p><p>• Contra indicações</p><p>• Técnicas de aplicação.</p><p>Questões Contextuais</p><p>• Quais as principais técnicas utilizadas pelo biomédico esteta?</p><p>• Como essas técnicas são aplicadas?</p><p>• Quais são os cuidados necessários e resultados esperados?</p><p>unidade</p><p>4</p><p>V.1 | 2023</p><p>INTRODUÇÃO À BIOMEDICINA ESTÉTICA | Darlan Pase da Rosa 88</p><p>4.1 Introdução às Técnicas e</p><p>Tecnologias em Estética</p><p>A biomedicina estética é uma área em constante evolução que visa aprimorar a</p><p>aparência e a saúde estética dos indivíduos por meio de técnicas e tecnologias inovadoras.</p><p>Combinando os conhecimentos de ciência básica (biologia molecular, biologia celular,</p><p>anatomia, etc) com os avanços da estética, os profissionais dessa área desempenham</p><p>um papel crucial na promoção do bem-estar físico e emocional dos clientes.</p><p>Nesta unidade, exploraremos as principais técnicas e tecnologias utilizadas na</p><p>biomedicina estética, abordando desde procedimentos não invasivos até tratamentos</p><p>mais avançados.</p><p>Ao longo do tempo, a busca por alternativas menos invasivas e com menor tempo</p><p>de recuperação tem impulsionado a pesquisa e o desenvolvimento de tecnologias que</p><p>ofereçam resultados eficazes e naturais. No cenário em constante transformação da</p><p>biomedicina estética, a atualização constante é essencial para oferecer tratamentos de</p><p>qualidade e resultados satisfatórios aos clientes. Portanto, a compreensão das técnicas</p><p>e tecnologias disponíveis é crucial para proporcionar uma experiência positiva e</p><p>impactante na vida estética dos indivíduos.</p><p>Podemos dividir as abordagens em técnicas manuais e técnicas com uso de</p><p>equipamentos, bem como em técnicas invasivas e técnicas não invasivas. A seguir,</p><p>apresentamos uma breve lista dos tratamentos que iremos abordar ao longo da unidade.</p><p>89 Tecnologias na Biomedicina Estética | UNIDADE 4</p><p>Técnicas manuais:</p><p>• Mesoterapia e Intradermoterapia: Injeção de substâncias nutritivas e</p><p>medicamentos de forma localizada na pele para tratar celulite, gordura</p><p>localizada e rejuvenescimento.</p><p>• Microagulhamento: Lesão dérmica com uso de pequenas agulhas que</p><p>perfuram, de forma controlada, a pele.</p><p>• PEIM: Injeção intravenosa de substâncias esclerosantes para tratar dos</p><p>microvasos nas regiões dos membros inferiores.</p><p>• Peelings: Pode ser químico ou físico. Aliado para tratamentos</p><p>pigmentares e superficiais de pele.</p><p>• Preenchimento: Injeção de ácido hialurônico, de forma localizada, para</p><p>volumizar algumas regiões da face.</p><p>• Toxina botulínica: Injeção de toxina que bloqueia a contração muscular</p><p>de algumas musculaturas faciais.</p><p>• Fios de PDO: Inserção de fios de polidioxanona para promover o lifting</p><p>da pele, estimulando a produção de colágeno.</p><p>• Bioestimulador de colágeno: São substâncias injetáveis que estimulam</p><p>a produção natural de colágeno na pele.</p><p>Técnicas com Uso de Equipamentos:</p><p>• Carboxiterapia: injeção de gás carbônico no tecido subcutâneo,</p><p>utilizando-se um aparelho com uma agulha muito fina.</p><p>• Laser Fracionado: Utiliza feixes de luz laser para tratar rugas, manchas,</p><p>cicatrizes e estimular a produção de colágeno, resultando em uma pele</p><p>mais rejuvenescida.</p><p>• Luz Intensa Pulsada/LED: Utiliza de feixes de luz visível para tratamentos</p><p>de manchas, microvasos e epilação.</p><p>• Radiofrequência: Aquecimento das camadas da pele para estimular a</p><p>produção de colágeno, tratando flacidez, rugas e celulite.</p><p>• Ultrassom: Emissão de ultrassom focalizado para tratar a flacidez da</p><p>pele de forma não invasiva, estimulando a produção de colágeno.</p><p>• Criolipólise: Resfriamento controlado das células de gordura para</p><p>promover a redução de medidas, destruindo as células adiposas.</p><p>• Criofrequência: união das técnicas de criolipólise e radiofrequência.</p><p>• Ozonioterapia: aplicação de uma mistura de ozônio e oxigênio em</p><p>diferentes partes do corpo.</p><p>DESTAQUE</p><p>INTRODUÇÃO À BIOMEDICINA ESTÉTICA | Darlan Pase da Rosa 90</p><p>4.1 Técnicas Manuais</p><p>As técnicas manuais desempenham um papel fundamental na biomedicina</p><p>estética, oferecendo resultados eficazes e naturais. Elas permitem aos biomédicos</p><p>estetas personalizar os tratamentos de acordo com as necessidades únicas de cada</p><p>paciente. A destreza, conhecimento anatômico e expertise profissional são essenciais</p><p>para a aplicação segura e bem-sucedida dessas técnicas, garantindo resultados estéticos</p><p>harmoniosos e satisfatórios.</p><p>Em uma área</p><p>1.5.1.3 Anexos Cutâneos ........................................................................................................................................26</p><p>Síntese da Unidade ...................................................................................................................................................32</p><p>Bibliografia................................................................................................................................................................33</p><p>UNIDADE 2</p><p>Processo de Envelhecimento ...................................................................................................................................35</p><p>Objetivo Geral ...........................................................................................................................................................35</p><p>Objetivos Específicos ...............................................................................................................................................35</p><p>Questões Contextuais ...............................................................................................................................................35</p><p>2.1 Envelhecimento Cutâneo ..................................................................................................................................... 36</p><p>2.2 Envelhecimento Intrínseco .................................................................................................................................. 38</p><p>2.3 Envelhecimento Extrínseco ................................................................................................................................. 45</p><p>2.3 Rugas.................................................................................................................................................................... 50</p><p>2.4 Ptoses ................................................................................................................................................................... 52</p><p>2.5 Tratamentos Anti-Idade ....................................................................................................................................... 53</p><p>Síntese da Unidade ...................................................................................................................................................56</p><p>Bibliografia................................................................................................................................................................57</p><p>UNIDADE 3</p><p>Semiologia e Prescrição em Biomedicina Estética .................................................................................................59</p><p>Objetivo Geral ...........................................................................................................................................................59</p><p>Objetivos Específicos ..............................................................................................................................................59</p><p>Questões Contextuais ...............................................................................................................................................59</p><p>3.1 Semiologia............................................................................................................................................................ 60</p><p>3.2 Padrão de Beleza ................................................................................................................................................. 61</p><p>3.3 Semiologia - Avaliação Facial ............................................................................................................................. 70</p><p>3.4 Prescrição Facial.................................................................................................................................................. 73</p><p>3.5 Semiologia Corporal ............................................................................................................................................ 75</p><p>Síntese da Unidade ...................................................................................................................................................84</p><p>Bibliografia................................................................................................................................................................85</p><p>UNIDADE 4</p><p>Tecnologias na Biomedicina Estética ......................................................................................................................87</p><p>Objetivo Geral ..........................................................................................................................................................87</p><p>Objetivos Específicos ..............................................................................................................................................87</p><p>Questões Contextuais ...............................................................................................................................................87</p><p>4.1 Introdução às Técnicas e Tecnologias em Estética ............................................................................................ 88</p><p>4.1 Técnicas Manuais ................................................................................................................................................ 90</p><p>4.2.1 Intradermoterapia ..................................................................................................................................................90</p><p>4.2.1.1 Vitaminas ...................................................................................................................................................92</p><p>4.2.1.2 Ácido Hialurônico ........................................................................................................................................93</p><p>4.2.1.3 Aminoácidos ...............................................................................................................................................93</p><p>4.2.1.4 Enzimas .....................................................................................................................................................94</p><p>4.2.1.5 Fatores de Crescimentos .............................................................................................................................95</p><p>4.2.1.6 Lipolíticos ...................................................................................................................................................95</p><p>4.2.1.7 Antioxidantes ..............................................................................................................................................97</p><p>4.2.1.8 Técnica de Aplicação ...................................................................................................................................98</p><p>4.2.2 Microagulhamento ...............................................................................................................................................101</p><p>4.2.3 PEIM - Procedimento Estético Injetável em Microvasos ........................................................................................105</p><p>4.2.4 Peeling ................................................................................................................................................................108</p><p>4.2.5 Preenchimento e Toxina Botulínica .......................................................................................................................111</p><p>4.2.6 Fios de PDO e Bioestimuladores de Colágeno .......................................................................................................113</p><p>Síntese da Unidade .................................................................................................................................................116</p><p>Bibliografia..............................................................................................................................................................117</p><p>em constante evolução, a combinação de técnicas manuais com</p><p>tecnologias avançadas permite aos biomédicos estetas oferecer uma abordagem</p><p>completa e integrada para aprimorar a beleza e a confiança de seus pacientes. Cada</p><p>técnica representa uma ferramenta valiosa no arsenal do profissional, contribuindo</p><p>para a promoção do bem-estar e da autoestima. As técnicas manuais desempenham um</p><p>papel crucial na biomedicina estética, permitindo aos profissionais alcançar resultados</p><p>estéticos notáveis por meio de abordagens precisas e habilidades especializadas.</p><p>4.2.1 Intradermoterapia</p><p>A intradermoterapia consiste na aplicação de substâncias específicas diretamente</p><p>na pele, visando tratar diversas condições estéticas, como celulite, f lacidez, gordura</p><p>localizada e envelhecimento cutâneo. A técnica envolve microinjeções superficiais</p><p>de compostos como vitaminas, minerais, aminoácidos e enzimas. Essas substâncias</p><p>promovem a revitalização da pele, estimulam a produção de colágeno e elastina, e</p><p>auxiliam na redução de irregularidades.</p><p>91 Tecnologias na Biomedicina Estética | UNIDADE 4</p><p>As agulhas utilizadas são extremamente finas, o que torna o procedimento</p><p>relativamente indolor e minimiza o risco de hematomas. As substâncias injetadas são</p><p>escolhidas com base nas necessidades do paciente e na condição a ser tratada, tornando</p><p>o tratamento de forma individualizada. A intradermoterapia é versátil e pode ser</p><p>utilizada para uma variedade de finalidades na estética, incluindo:</p><p>Do ponto de vista de diferencial, temos que essa técnica, além de ser</p><p>individualizada, trata de forma local da afecção, em quantidade e concentração menores</p><p>do que os usados de forma sistêmica. O intervalo entre aplicações se dá entre 7 à 15</p><p>dias. A técnica possui também outros nomes, como mesoterapia, terapia enzimática,</p><p>lipoenzimática, entre outros. A injeção se dá em diferentes ângulos e profundidades,</p><p>a depender do alvo, ação, ativo e região a ser aplicada. Se tem como conceito, que</p><p>quanto mais superficial a injeção, mais lenta será a difusão, permanecendo o produto</p><p>mais tempo no local.</p><p>As substâncias podem ser agrupadas em categorias com base em suas finalidades</p><p>e formas de ação. Abaixo, descrevemos algumas das categorias de substâncias utilizadas</p><p>na intradermoterapia e seus mecanismos de ação.</p><p>• Rejuvenescimento facial: A aplicação de substâncias rejuvenescedoras,</p><p>como ácido hialurônico ou vitaminas, pode melhorar a textura da pele,</p><p>suavizar rugas e linhas finas, e restaurar o viço da pele facial.</p><p>• Redução de celulite: A técnica pode ser empregada para tratar a</p><p>celulite, com a injeção de substâncias que ajudam a quebrar as células</p><p>de gordura e melhorar a circulação na região afetada.</p><p>• Combate à gordura Localizada: A intradermoterapia também é</p><p>utilizada para reduzir a gordura localizada em áreas como abdômen,</p><p>coxas e flancos.</p><p>• Estímulo de colágeno: A injeção de substâncias estimulantes de</p><p>colágeno pode melhorar a firmeza da pele e tratar a flacidez.</p><p>• Combate à flacidez: São injetadas substâncias específicas que</p><p>estimulam a produção de colágeno e elastina na derme. O ácido</p><p>hialurônico também é frequentemente utilizado para melhorar a</p><p>hidratação e a firmeza da pele.</p><p>• Combate às estrias: São frequentemente usadas substâncias que</p><p>estimulam a regeneração da pele e promovem a produção de colágeno.</p><p>Isso pode incluir vitaminas, minerais e fatores de crescimento.</p><p>• Tratamento de queda de cabelo: A intradermoterapia é uma opção</p><p>para tratar a queda de cabelo, com a aplicação de substâncias que</p><p>estimulam o crescimento capilar.</p><p>DESTAQUE</p><p>INTRODUÇÃO À BIOMEDICINA ESTÉTICA | Darlan Pase da Rosa 92</p><p>4.2.1.1 Vitaminas</p><p>Vitamina A: é conhecida por seus efeitos positivos na renovação celular e na</p><p>regulação da produção de sebo. Na intradermoterapia, pode ser usada para melhorar a</p><p>textura da pele, reduzir rugas finas e suavizar a aparência de cicatrizes.</p><p>Complexo B: é composto por várias vitaminas do grupo B, incluindo B1, B2,</p><p>B3, B5, B6 e B12. Essas vitaminas desempenham um papel fundamental na regeneração</p><p>celular e no metabolismo da pele. Na intradermoterapia, o complexo B pode ser usado</p><p>para tratar várias condições, como acne, dermatite e envelhecimento da pele.</p><p>Vitamina C: é amplamente utilizada na intradermoterapia devido às suas</p><p>propriedades antioxidantes. Ela auxilia na proteção da pele contra danos causados</p><p>pelos radicais livres e estimula a produção de colágeno, promovendo a firmeza e a</p><p>luminosidade da pele.</p><p>Vitamina D: desempenha um papel fundamental na saúde da pele. Sua deficiência</p><p>pode levar a problemas cutâneos, como pele seca e coceira. Na intradermoterapia, a</p><p>vitamina D pode ser usada para melhorar a saúde geral da pele.</p><p>Vitamina E: é um antioxidante potente que ajuda a proteger a pele contra danos</p><p>causados pelos radicais livres. Ela é frequentemente usada na intradermoterapia para</p><p>combater os sinais de envelhecimento e melhorar a hidratação da pele.</p><p>Vitamina H: A biotina é conhecida por sua importância na manutenção de</p><p>cabelos e unhas saudáveis. Na intradermoterapia, pode ser utilizada para melhorar a</p><p>saúde do cabelo e promover o crescimento capilar.</p><p>Vitamina I: O inositol é frequentemente combinado com outras vitaminas</p><p>e minerais na intradermoterapia para promover a saúde da pele e melhorar sua</p><p>aparência geral.</p><p>Vitamina K (Fitomenadiona): tem propriedades anti-inflamatórias e pode ser</p><p>usada na intradermoterapia para reduzir a aparência de olheiras e hematomas sob os olhos.</p><p>93 Tecnologias na Biomedicina Estética | UNIDADE 4</p><p>Figura 4.1 – Lista de vitaminas e suas ações na Intradermoterapia.</p><p>Fonte: Elaborado pela autora (2023).</p><p>4.2.1.2 Ácido Hialurônico</p><p>O ácido hialurônico é uma substância naturalmente presente na pele e é</p><p>responsável por manter a hidratação e a elasticidade. Na intradermoterapia, ele é</p><p>utilizado para hidratar profundamente a pele, preencher rugas e linhas finas, e restaurar</p><p>o volume facial.</p><p>4.2.1.3 Aminoácidos</p><p>Os aminoácidos são blocos de construção fundamentais das proteínas e</p><p>desempenham um papel crucial na manutenção da saúde da pele. Na intradermoterapia,</p><p>eles são frequentemente utilizados para tratar uma variedade de condições de</p><p>pele, melhorar sua aparência e promover a regeneração celular. Segue alguns</p><p>aminoácidos utilizados:</p><p>Glicina: A glicina é um aminoácido não essencial que desempenha um papel</p><p>na síntese do colágeno, uma proteína vital para a firmeza e elasticidade da pele.</p><p>Ela também pode auxiliar na cicatrização de feridas e na reparação de tecidos.</p><p>Prolina: A prolina é um aminoácido importante na produção de colágeno. Sua</p><p>presença na intradermoterapia pode contribuir para a melhoria da firmeza e da</p><p>textura da pele.</p><p>Vitamina A</p><p>Complexo B</p><p>Vitamina C</p><p>Vitamina E</p><p>Vitamina K</p><p>Outros</p><p>Regula o volume da epiderme e age sobre a elasticidade da pele, auxiliando no processo de cicatrização</p><p>e corrigindo parcialmente a atrofia dérmica;</p><p>Vitamina B1 (tiamina), B2 (riboflavina), B3 (niacina), B5 (pantotenato), B6 (piridoxina), B9 (ácido fólico)</p><p>e B12 (cianocobalamina) são fatores coenzimáticos em vários processos metabólicos que auxiliam na</p><p>eliminação de radicais livres;</p><p>Além de um potente antioxidante, estimula a síntese de colágeno e inibe a melanina</p><p>(sinergia com a vitamina E);</p><p>Potente antioxidante;</p><p>Tem efeito sobre a microcirculação;</p><p>Igualmente importante são as vitaminas D, H (biotina), B10 e I (inositol).</p><p>INTRODUÇÃO À BIOMEDICINA ESTÉTICA | Darlan Pase da Rosa 94</p><p>Lisina: A lisina é um aminoácido essencial que desempenha um papel na</p><p>produção de colágeno e elastina. Ela é frequentemente usada para melhorar a</p><p>elasticidade da pele e reduzir rugas.</p><p>Arginina: A arginina desempenha um papel na regeneração celular e na melhoria</p><p>da circulação sanguínea. Na intradermoterapia, pode ser usada para melhorar a</p><p>saúde geral da pele.</p><p>Os aminoácidos, em particular aqueles envolvidos na síntese do colágeno</p><p>e da elastina, ajudam a estimular a produção dessas proteínas. Isso leva a uma pele</p><p>mais firme,</p><p>elástica e com menos rugas. Os aminoácidos também podem promover a</p><p>regeneração celular, o que é importante para a renovação da pele. Isso pode melhorar</p><p>a textura da pele e reduzir a aparência de cicatrizes e manchas. Assim como, a prolina,</p><p>podem contribuir para a hidratação da pele, mantendo-a suave e saudável.</p><p>4.2.1.4 Enzimas</p><p>As enzimas são moléculas biológicas que desempenham um papel fundamental</p><p>no metabolismo e nas reações químicas que ocorrem no corpo. Na intradermoterapia,</p><p>as enzimas são frequentemente utilizadas para tratar uma variedade de condições de</p><p>pele e promover melhorias estéticas. Aqui estão algumas das enzimas mais comuns</p><p>usadas na intradermoterapia e como elas são aplicadas:</p><p>Hialuronidase: é uma enzima que quebra o ácido hialurônico, uma substância</p><p>encontrada naturalmente na pele que confere hidratação e volume. Ao utilizar a</p><p>hialuronidase na intradermoterapia, é possível corrigir irregularidades causadas</p><p>por preenchimentos anteriores de ácido hialurônico ou reduzir o volume em</p><p>áreas indesejadas.</p><p>Colagenase: é uma enzima que decompõe o colágeno, uma proteína estrutural</p><p>presente na pele. Ela pode ser usada na intradermoterapia para tratar cicatrizes</p><p>de colágeno excessivo, como queloides, melhorando a textura da pele.</p><p>Lipase: é uma enzima que decompõe as gorduras. Na intradermoterapia, pode ser</p><p>utilizada para tratar pequenas acumulações de gordura subcutânea, como a papada.</p><p>Superóxido Dismutase (SOD): é uma enzima antioxidante que neutraliza os</p><p>radicais livres e protege as células da pele contra danos causados pelo estresse</p><p>oxidativo. Sua aplicação pode melhorar a saúde geral da pele e combater os</p><p>sinais de envelhecimento.</p><p>95 Tecnologias na Biomedicina Estética | UNIDADE 4</p><p>4.2.1.5 Fatores de Crescimentos</p><p>Os fatores de crescimento são proteínas naturais presentes no corpo humano</p><p>que desempenham um papel fundamental na regeneração e reparação dos tecidos. Na</p><p>intradermoterapia estética, a aplicação de fatores de crescimento pode ser benéfica para</p><p>promover a regeneração celular, melhorar a qualidade da pele e tratar várias condições</p><p>dermatológicas. Os principais fatores de crescimentos são:</p><p>Fator de Crescimento Epidérmico (EGF): Estimula a regeneração das células</p><p>epiteliais da pele, melhorando a textura, a cicatrização e a elasticidade da pele.</p><p>Fator de Crescimento Vascular Endotelial (VEGF): Promove o crescimento</p><p>de vasos sanguíneos, melhorando a circulação sanguínea na área tratada e</p><p>auxiliando na reparação de tecidos.</p><p>Fator de Crescimento Fibroblástico Básico (bFGF): Estimula a produção de</p><p>colágeno e elastina, ajudando a melhorar a firmeza e a elasticidade da pele.</p><p>Fator de Crescimento Transformador Beta (TGF-β): Contribui para a regulação</p><p>da síntese de colágeno e para a modulação da resposta inflamatória na pele.</p><p>Fator de Crescimento Insulina-like (IGF-1): Estimula o crescimento celular e</p><p>a reparação de tecidos, ajudando na regeneração da pele.</p><p>4.2.1.6 Lipolíticos</p><p>Essas substâncias são injetadas diretamente na camada de gordura subcutânea,</p><p>onde atuam para reduzir a gordura acumulada em áreas específicas do corpo. Os</p><p>principais agentes lipolítcos utilizados são:</p><p>Fosfatidilcolina: é uma substância natural encontrada nas membranas celulares</p><p>e é frequentemente usada na intradermoterapia para quebrar as membranas das</p><p>células de gordura, permitindo que a gordura seja liberada e eliminada pelo corpo.</p><p>Desoxicolato de Sódio: é uma substância que quebra as ligações das moléculas de</p><p>gordura, auxiliando na sua eliminação. É comumente usado para tratar a papada.</p><p>INTRODUÇÃO À BIOMEDICINA ESTÉTICA | Darlan Pase da Rosa 96</p><p>L-Carnitina: é um aminoácido que desempenha um papel na metabolização das</p><p>gorduras. Quando aplicada na intradermoterapia, pode ajudar a transportar os</p><p>ácidos graxos para as mitocôndrias, onde são queimados para produzir energia.</p><p>Cafeína: é conhecida por seu efeito lipolítico, pois pode estimular a quebra das</p><p>células de gordura e a liberação de ácidos graxos.</p><p>Alfa Lipóico: O ácido alfa lipóico é um antioxidante que pode melhorar o</p><p>metabolismo das gorduras e auxiliar na queima de calorias.</p><p>Enzimas Lipolíticas: Algumas enzimas, como a lipase, podem ser usadas na</p><p>intradermoterapia para quebrar as gorduras em ácidos graxos, tornando-as mais</p><p>facilmente elimináveis pelo corpo.</p><p>As substâncias lipolíticas atuam de várias maneiras para reduzir a gordura</p><p>localizada. Elas podem quebrar as moléculas de gordura, tornando-as menores e passíveis</p><p>de serem eliminadas pelo organismo; a cafeína e o ácido alfa lipóico, podem estimular</p><p>o metabolismo das gorduras, promovendo a queima de calorias; e a L-carnitina, por</p><p>exemplo, ajuda a transportar os ácidos graxos para as mitocôndrias, onde são oxidados</p><p>para produzir energia.</p><p>O Conselho Federal de Biomedicina (CFBM), através da Resolução Nº 299,</p><p>de 23 de Novembro de 2018, aprovou a suspensão do uso da substância</p><p>desoxicolato de sódio. Confira no link a seguir: https://bit.ly/3rhT3Ba.</p><p>O artigo “Ácido Deoxicólico como Alternativa para Lipólise Enzimática da</p><p>Papada”, de Santos et al. (2019), traz informações acerca da lipólise enzimática</p><p>submentual, tais como, suas indicações, forma de execução, e possíveis</p><p>complicações. Acesse: https://bit.ly/3LxcYmr.</p><p>SAIBA MAIS</p><p>97 Tecnologias na Biomedicina Estética | UNIDADE 4</p><p>4.2.1.7 Antioxidantes</p><p>Diversos antioxidantes podem ser utilizados com o objetivo de proteger a pele</p><p>contra danos causados pelos radicais livres, melhorar a aparência e retardar os sinais</p><p>de envelhecimento, como:</p><p>Vitamina C (Ácido Ascórbico): é um antioxidante bem conhecido que ajuda</p><p>a neutralizar os radicais livres e estimula a produção de colágeno na pele. Isso</p><p>pode resultar em uma pele mais firme e radiante.</p><p>Vitamina E (Tocoferol): é um antioxidante lipossolúvel que ajuda a proteger</p><p>as células da pele contra danos causados pelos radicais livres. Ela também pode</p><p>melhorar a hidratação da pele.</p><p>Ácido Alfa Lipóico: Este antioxidante possui a capacidade de regenerar outros</p><p>antioxidantes, como a vitamina C e a vitamina E. Ele ajuda a reduzir a aparência</p><p>de linhas finas e rugas.</p><p>Coenzima Q10 (CoQ10): desempenha um papel importante na produção de</p><p>energia nas células e também atua como antioxidante. Ela pode melhorar a</p><p>vitalidade da pele.</p><p>Ácido Ferúlico: é muitas vezes combinado com a vitamina C para aumentar a</p><p>estabilidade do antioxidante. Ele ajuda a proteger a pele dos danos causados pela</p><p>exposição ao sol.</p><p>Glutationa: é um antioxidante natural que pode ajudar a desintoxicar a pele e</p><p>melhorar a aparência geral.</p><p>Resveratrol: Encontrado em uvas e vinho tinto, o resveratrol é conhecido por</p><p>seus efeitos antioxidantes e anti-inflamatórios.</p><p>Polifenóis: são antioxidantes encontrados em alimentos como chá verde e uvas.</p><p>Eles podem ajudar a proteger a pele contra danos causados pelo sol.</p><p>Silício Orgânico: é um semi-metal, constituído por moléculas de carbono</p><p>e presente em compostos minerais e orgânicos. Ele evita a degeneração das</p><p>macromoléculas do tecido conjuntivo, favorecendo e estimulando a sua</p><p>regeneração. O silício ainda induz e regula a proliferação de fibroblastos,</p><p>atuando como agente antioxidante e consequentemente participando da proteção</p><p>contra o envelhecimento precoce.</p><p>INTRODUÇÃO À BIOMEDICINA ESTÉTICA | Darlan Pase da Rosa 98</p><p>Figura 4.2 – Atuações do Silício Orgânico.</p><p>Fonte: Adaptado por Universidade La Salle (2023) de Herbamix (2023).</p><p>4.2.1.8 Técnica de Aplicação</p><p>A intradermoterapia é uma técnica que envolve a injeção de substâncias</p><p>diretamente na camada dérmica da pele com o objetivo de tratar diversos problemas</p><p>estéticos, como rugas, f lacidez, celulite e queda de cabelo. Antes de realizar o</p><p>procedimento, um profissional devidamente qualificado, como um médico ou biomédico</p><p>esteta, deve avaliar o paciente para determinar a adequação do tratamento e identificar</p><p>as áreas que precisam ser tratadas. É importante discutir expectativas, histórico médico</p><p>e quaisquer preocupações durante esta consulta.</p><p>Inicialmente</p><p>deve-se preparar todo o material que será necessário e utilizado</p><p>no procedimento. Seringas, agulhas, gazes, antisséptico, caneta dermográfica, além</p><p>dos frascos com as mesclas escolhidas. Lembrando sempre de verificar mais de uma</p><p>vez a composição e as validades. A preparação varia entre fornecedores, então deve-</p><p>se sempre verificar com o fornecedor a correta diluição e mistura de substâncias.</p><p>Em alguns casos, as substâncias já vem misturadas e prontas para uso, em outras,</p><p>deve-se proceder a mistura. Preferencialmente utiliza-se um frasco maior capaz de</p><p>comportar toda a substância, ou então pode-se tomar uma seringa maior e proceder a</p><p>mistura nela mesma.</p><p>Pele</p><p>O Silício Orgânico cimento dérmico da matriz extracelular (MEC).</p><p>• Melhora o Aspecto cutâneo;</p><p>• Efeito lifting e antiaging;</p><p>• Hidratação profunda;</p><p>• Firmeza e Sustentação;</p><p>• Ação redensificadora e preenchedora de rugas;</p><p>• Cicatrização.</p><p>Ossos e Articulações</p><p>O Silício Orgânico atua na prevenção da osteoporose, sendo essencial na síntese e</p><p>manutenção da integridade das cartilagens, articulações, ligamentos e tendões.</p><p>• Aumenta a densidade mineral óssea;</p><p>• Fundamental para a fixação de cálcio nos ossos;</p><p>• Fortalece o sistema osteomuscular em idosos;</p><p>• Protege as articulações, ligamentos e tendões de atletas.</p><p>Vasos</p><p>O Silício Orgânico apresenta a capacidade de assegurar a integridade das fibras</p><p>elásticas e a impermeabilidade da parede arterial à infiltração de lipideos e à</p><p>deposição de cálcio.</p><p>• Maior flexibilidade dos vasos, melhorando o fluxo sanguíneo;</p><p>• Previne o envelhecimento precoce dos vasos;</p><p>• Reduz os níveis de lipídios plasmáticos e aumenta a impermeabilidade da parede</p><p>arterial à infiltração de lipídios, previnindo lesões ateroscleróticas.</p><p>99 Tecnologias na Biomedicina Estética | UNIDADE 4</p><p>Após a avaliação, a pele deve ser limpa com um antisséptico para minimizar o</p><p>risco de infecção. Em alguns casos, um creme anestésico tópico pode ser aplicado na</p><p>área a ser tratada para reduzir o desconforto durante a injeção. Na maioria das vezes, é</p><p>adicionado um anestésico na própria mescla também. Seguindo, deve-se marcar a área a</p><p>ser tratada e posteriormente quantificada a quantidade de pontos utilizados. Dependendo</p><p>da técnica, localização e alvo, podemos ter diferentes quantidades por punção.</p><p>Técnica de Nappage:</p><p>Técnica de injeção clássica para tratamentos dérmicos. São realizadas punções</p><p>individuais de gotas da substância na derme superficial. Com espaçamentos de</p><p>0,5 a até 1,0 cm entre cada punção, onde a agulha penetra de 2 a até 2,5 mm. O</p><p>ângulo da agulha é de 40 a 60º em relação a pele, mantendo sempre uma pressão</p><p>constand sobre o êmbolo da seringa.</p><p>São realizadas punções individuais de gotas da substância na derme superficial.</p><p>Espaçamento de 0,5 a até 1,0 cm entre cada punção, onde a agulha penetra de 2 a até 2,5</p><p>mm. O ângulo da agulha é de 40 a 60º em relação à pele, porém, nesta técnica, não se</p><p>faz pressão constante do êmbolo. É injetado um ponto por vez até que haja a formação</p><p>de uma pápula (leve inchaço na região) até finalizar a área de interesse.</p><p>Veja a aplicação da Técnica de Nappage a partir do link a seguir.</p><p>Disponível em: https://bit.ly/3r8Wf24.</p><p>VÍDEO</p><p>INTRODUÇÃO À BIOMEDICINA ESTÉTICA | Darlan Pase da Rosa 100</p><p>Figura 4.3 – Ângulo de entrada da agulha.</p><p>Fonte: Bunzl Saúde (2023).</p><p>Após o procedimento, a área é limpa novamente e um curativo pode ser aplicado.</p><p>O paciente é instruído sobre os cuidados posteriores, como evitar a exposição ao sol,</p><p>usar protetor solar e evitar o uso de maquiagem ou produtos tópicos na área tratada</p><p>por um curto período de tempo. Os tratamentos de intradermoterapia requerem várias</p><p>sessões espaçadas ao longo do tempo para obter resultados ideais. O número de sessões</p><p>necessárias varia com base no tratamento específico e nas metas do paciente.</p><p>Veja a aplicação da técnica de Pápulas no vídeo a seguir.</p><p>Disponível em: https://bit.ly/45QZ8DA.</p><p>VÍDEO</p><p>101 Tecnologias na Biomedicina Estética | UNIDADE 4</p><p>4.2.2 Microagulhamento</p><p>O microagulhamento é uma técnica cada vez mais popular na área da biomedicina</p><p>estética, conhecida por seus benefícios na melhoria da textura da pele, redução de</p><p>rugas, cicatrizes de acne, estrias e na promoção da produção de colágeno. Esta técnica</p><p>utiliza um dispositivo com pequenas agulhas que perfuram a pele em níveis controlados,</p><p>estimulando a regeneração celular e a produção de colágeno, tornando-a uma opção</p><p>eficaz para rejuvenescimento e tratamentos dermatológicos.</p><p>A perfuração do estrato córneo, sem danificar a epiderme leva a liberação</p><p>de fatores de crescimento, que irão ativar os fibroblastos levando ao processo de</p><p>inflamação. Esse estímulo ativa a produção de colágeno e elastina. O microagulhamento</p><p>também pode ser utilizado para facilitar a absorção de ativos, aumentando em até 80%</p><p>a absorção. Ou seja, ao invés de realizar a intradermo, pode-se gotejar as substâncias</p><p>enquanto realiza o microagulhamento.</p><p>O uso de agulhas para melhorar a aparência da pele remonta a séculos atrás,</p><p>quando diversas culturas antigas, como os egípcios e os chineses, já utilizavam técnicas</p><p>semelhantes. No entanto, o microagulhamento moderno foi desenvolvido no final do</p><p>século XX, com avanços tecnológicos na área médica e de dispositivos dermatológicos.</p><p>O microagulhamento funciona por meio da criação de microlesões na pele, que</p><p>desencadeiam o processo de cicatrização natural do corpo. Isso leva à produção de novo</p><p>colágeno, elastina e outras substâncias que melhoram a estrutura da pele. As agulhas</p><p>do dispositivo penetram a epiderme e atingem a derme, onde a ação terapêutica ocorre.</p><p>Vídeo 1: Assista a marcação e quantificação do volume utilizado na técnica de</p><p>intradermoterapia. Disponível em: https://bit.ly/44TJeXL.</p><p>Vídeo 2: Veja como funciona o uso da técnica pressurizada, que substitui as</p><p>agulhas. Disponível em: https://bit.ly/3sYNQ1y.</p><p>VÍDEO</p><p>VÍDEO 1 VÍDEO 2</p><p>INTRODUÇÃO À BIOMEDICINA ESTÉTICA | Darlan Pase da Rosa 102</p><p>Rejuvenescimento Facial: é amplamente utilizado para tratar sinais de</p><p>envelhecimento facial, como rugas, linhas finas e f lacidez da pele. Ao estimular</p><p>a produção de colágeno, ele ajuda a restaurar a firmeza e a elasticidade da pele.</p><p>Cicatrizes de Acne: pacientes com cicatrizes de acne frequentemente se</p><p>beneficiam do microagulhamento, pois a técnica ajuda a melhorar a textura e a</p><p>aparência das cicatrizes, promovendo uma regeneração mais uniforme da pele.</p><p>Estrias: O tratamento de estrias também é uma aplicação comum do</p><p>microagulhamento. As agulhas estimulam o processo de cicatrização nas áreas</p><p>afetadas, resultando em uma melhoria na aparência das estrias.</p><p>Hiperpigmentação: Manchas escuras na pele, como melasma ou</p><p>hiperpigmentação pós-inflamatória, podem ser tratadas com microagulhamento,</p><p>ajudando a uniformizar o tom da pele.</p><p>Queda de Cabelo: o microagulhamento capilar tem ganhado destaque no</p><p>tratamento da queda de cabelo. As agulhas estimulam a circulação sanguínea no</p><p>couro cabeludo e promovem o crescimento de cabelo mais saudável.</p><p>O rolo de microagulhamento, também conhecido como dermaroller, é uma das</p><p>ferramentas utilizadas para realizar a técnica de microagulhamento. Ele consiste em</p><p>um pequeno dispositivo manual composto por um cilindro com agulhas microscópicas</p><p>em sua superfície. Essas agulhas podem variar em comprimento, sendo escolhidas de</p><p>acordo com o tratamento a ser realizado e a área do corpo ou rosto a ser tratada. Os</p><p>dermarollers estão disponíveis em diferentes tamanhos de agulhas, geralmente variando</p><p>de 0,25 mm a 2,5 mm. O tamanho das agulhas escolhido depende da finalidade do</p><p>tratamento. Agulhas mais curtas são usadas para melhorar a absorção de produtos</p><p>cosméticos na pele, enquanto agulhas mais longas são utilizadas para tratamentos mais</p><p>profundos, como a redução de cicatrizes.</p><p>Fases dos efeitos do microagulhamento:</p><p>1° Desagregação dos queratinócitos: liberação de citocinas e interleucinas</p><p>(IL-8, IL-6, TNF-a, IL-1a, etc) , culminando com a vasodilatação.</p><p>2° Cicatrização e proliferação celular: troca de neutrófilos por monócitos,</p><p>angiogênese e proliferação de fibroblastos, ativação do colágeno tipo III,</p><p>elastina, glicosaminoglicanos e proteoglicanos. Após 5 dias, a fibronectina</p><p>está completa viabilizando o depósito de colágeno abaixo da camada basal</p><p>3° Maturação: substituição do colágeno III pelo tipo I. Tecido regenerado e</p><p>melhora da aparência da pele.</p><p>DESTAQUE</p><p>103 Tecnologias na Biomedicina Estética | UNIDADE 4</p><p>Como alternativa ao rolo, temos as canetas (dermapen), que é um dispositivo</p><p>eletrônico com agulhas microscópicas que se movem para cima e para baixo rapidamente.</p><p>Ele é motorizado e controlado eletronicamente, o que permite um maior controle</p><p>sobre a profundidade e a velocidade das agulhas. Oferece um controle preciso sobre a</p><p>profundidade e a velocidade das agulhas, o que permite ajustar o tratamento de acordo</p><p>com a área e as necessidades individuais do paciente.</p><p>Figura 4.4 – Comparação da lesão provocada pelo rolo (dermarroller) e pela caneta (dermapen).</p><p>Fonte: Dermapenworld (2023).</p><p>Cuidado com os procedimentos feitos sem acompanhamento profissional!</p><p>Acompanhe a reportagem sobre o microagulhamento feito em casa que não</p><p>deu certo. Disponível em: https://bit.ly/3sWdlk6.</p><p>VÍDEO</p><p>INTRODUÇÃO À BIOMEDICINA ESTÉTICA | Darlan Pase da Rosa 104</p><p>O procedimento geralmente começa com uma consulta inicial com um</p><p>profissional. Durante essa consulta, o profissional avalia a pele do paciente, discute</p><p>as preocupações específicas e determina se o microagulhamento é apropriado para o</p><p>paciente. Antes do procedimento, a pele é limpa e, em alguns casos, um creme anestésico</p><p>tópico é aplicado para minimizar o desconforto durante o procedimento. O tempo de</p><p>espera para que o creme faça efeito pode variar.</p><p>A aplicação varia entre o dermarroller ou dermapen, mas é realizada de 10 a até</p><p>20 passagens em cada direção por quadrante. Ou seja, tem que dividir em pequenas</p><p>áreas para realizar as aplicações, repetindo entre horizontal, vertical e na diagonal.</p><p>Essas diversas repetições são essenciais para manter a uniformidade. Não é necessário</p><p>uso de força excessiva, a aplicação deve ser firme, mas sem pressionar. É esperado que</p><p>haja uma hiperemia e sangramento, dependendo da profundidade escolhida. Lembrando</p><p>que quanto mais profundo, mais vascularizado será. Dependendo do procedimento,</p><p>é necessário que haja sangramento, pois é onde possui a maior parte dos fatores de</p><p>crescimento. Após a aplicação, é importante aguardar uns minutos para que haja as</p><p>atividades e ações da coagulação, antes que seja realizada a limpeza final.</p><p>A escolha da profundidade, pode se dar por essa sugestão:</p><p>Leve (0,25 a 0,5mm) - rugas finas</p><p>Moderado (1,0 a 1,5) – f lacidez, rugas médias e envelhecimento</p><p>Profundo (2 a 2,5mm) – estrias e cicatrizes.</p><p>Além da intradermoterapia, o microagulhamento pode ser associado a outras</p><p>técnicas, como Laser infravermelho, led ambar e peeling, o que irá potencializar ainda</p><p>mais os resultados obtidos. Principalmente em casos que necessitem de um poder maior.</p><p>105 Tecnologias na Biomedicina Estética | UNIDADE 4</p><p>Figura 4.5 – Divisões de rosto e as direções das passagens do dermarroler.</p><p>Fonte: Centro de Odontologia Avançada e Estética (2023).</p><p>Após o procedimento, são fornecidas orientações sobre os cuidados posteriores.</p><p>Isso geralmente inclui evitar a exposição direta ao sol, usar protetor solar regularmente,</p><p>manter a pele limpa e hidratada e evitar maquiagem por algumas horas ou dias. Assim</p><p>como é recomendado o retorno para as próximas sessões ou reavaliações. Os resultados</p><p>do tratamento com microagulhamento não são imediatos. Eles geralmente começam</p><p>a ser visíveis após algumas semanas e continuam melhorando ao longo do tempo à</p><p>medida que o corpo produz colágeno e elastina. A melhoria na textura da pele, redução</p><p>de cicatrizes e rugas, e a aparência geral da pele melhoram gradualmente.</p><p>4.2.3 PEIM - Procedimento Estético Injetável em Microvasos</p><p>O PEIM (Procedimento Estético Injetável em Microvasos) é de fato um</p><p>procedimento estético injetável usado para tratar condições como telangiectasias</p><p>(vasinhos), rosácea e outros problemas de microvasos na pele. Trata-se de uma técnica</p><p>minimamente invasiva que oferece resultados notáveis no tratamento de problemas</p><p>estéticos relacionados aos microvasos da pele.</p><p>A história da escleroterapia está intimamente ligada à evolução das substâncias</p><p>utilizadas para o tratamento de vasos sanguíneos indesejados na pele. Essa técnica, que</p><p>visa eliminar ou reduzir a aparência de vasinhos e outros distúrbios vasculares, depende</p><p>do uso de agentes esclerosantes que causam a destruição controlada dos vasos afetados.</p><p>INTRODUÇÃO À BIOMEDICINA ESTÉTICA | Darlan Pase da Rosa 106</p><p>Nas décadas de 1930 e 1940, a escleroterapia estava em sua infância, e as</p><p>substâncias utilizadas eram relativamente rudimentares. O óleo de morrhuol (óleo</p><p>de fígado de bacalhau) era uma das primeiras substâncias esclerosantes empregadas.</p><p>No entanto, a eficácia e a segurança dessa abordagem eram limitadas. Uma mudança</p><p>significativa ocorreu com a introdução do polidocanol na década de 1960. Esta substância</p><p>mostrou-se muito mais eficaz na destruição de vasos sanguíneos, e sua aplicação</p><p>tornou-se mais segura e precisa. O polidocanol se tornou uma escolha popular entre os</p><p>profissionais de saúde para tratar vasinhos e pequenos varizes.</p><p>Além do polidocanol, outros agentes esclerosantes também foram desenvolvidos</p><p>e utilizados com sucesso na escleroterapia. Entre eles, o detergente sódio tetradecilsulfato</p><p>e o glicose hipertônica merecem destaque. Essas substâncias ampliaram as opções</p><p>disponíveis para o tratamento de diferentes tipos de vasos sanguíneos.</p><p>A glicose é uma substância hipertônica, o que significa que possui uma</p><p>concentração mais alta em relação às células circundantes. Quando injetada nas áreas</p><p>afetadas, a solução de glicose cria um gradiente osmótico. Isso leva à entrada de água</p><p>nas células endoteliais dos vasos sanguíneos e, consequentemente, à desidratação dessas</p><p>células. A ação osmótica da glicose não apenas desidrata as células endoteliais, mas</p><p>também causa uma lesão controlada nesses vasos sanguíneos. Esse dano é essencial</p><p>para desencadear uma resposta de reparo natural do corpo, que inclui a formação de</p><p>tecido de granulação e subsequente colapso e reabsorção do vaso.</p><p>A presença da solução de glicose no vaso sanguíneo também induz uma resposta</p><p>inflamatória localizada. Isso é parte do processo de cicatrização e contribui para a</p><p>reabsorção do vaso danificado. A solução de glicose pode desencadear a formação de</p><p>pequenos coágulos sanguíneos dentro dos vasos afetados. Esses coágulos obstruem o</p><p>f luxo sanguíneo no vaso e, eventualmente, são reabsorvidos pelo organismo. A lesão</p><p>controlada nos vasos sanguíneos desencadeia um processo de cicatrização que envolve</p><p>a produção de colágeno e a remodelação do tecido. Isso pode melhorar a textura e a</p><p>qualidade da pele na área tratada.</p><p>107 Tecnologias na Biomedicina Estética | UNIDADE 4</p><p>No decorrer das semanas a meses após o tratamento, os vasos sanguíneos</p><p>danificados são gradualmente reabsorvidos e desaparecem. Isso resulta em uma melhoria</p><p>significativa na aparência da pele, reduzindo a visibilidade dos vasos sanguíneos</p><p>indesejados. É importante observar que os resultados do PEIM com solução de glicose</p><p>não são imediatos. A melhoria na aparência da pele ocorre ao longo do tempo à medida</p><p>que o processo de reabsorção vascular e a remodelação do tecido se desenrolam.</p><p>Figura 4.6 – Divisões de rosto e as direções das passagens do dermarroler.</p><p>Fonte: FisioDerme (2023).</p><p>Vídeo demonstrando a aplicação e o resultado imediato.</p><p>Disponível em: https://bit.ly/3Pq8eQE.</p><p>VÍDEO</p><p>INTRODUÇÃO À BIOMEDICINA ESTÉTICA | Darlan Pase da Rosa 108</p><p>Em resumo, a solução de glicose no PEIM age por meio de uma combinação</p><p>de efeitos osmóticos, lesão controlada, inflamação controlada e estímulo à produção</p><p>de colágeno. Esses mecanismos</p><p>de ação trabalham em conjunto para reduzir ou</p><p>eliminar vasos sanguíneos indesejados e melhorar a aparência da pele, tornando-a</p><p>uma técnica eficaz.</p><p>Antes de realizar o procedimento, o profissional de saúde realiza uma avaliação</p><p>cuidadosa da área a ser tratada. Identificando os vasos sanguíneos indesejados, sua</p><p>localização e extensão. O paciente deve ser informado sobre o procedimento, seus</p><p>benefícios e possíveis efeitos colaterais. Também é obtido o consentimento informado.</p><p>A área a ser tratada é cuidadosamente limpa e desinfetada para evitar infecções. Usando</p><p>uma seringa e agulha é realizada injeções da solução de glicose diretamente nos vasos</p><p>sanguíneos indesejados. A quantidade de solução e o número de injeções variam de</p><p>acordo com o tamanho e a quantidade dos vasos a serem tratados.</p><p>Durante o procedimento, o paciente pode sentir uma sensação de queimação</p><p>leve ou desconforto, que é temporário e geralmente bem tolerado. Após a conclusão das</p><p>injeções, é orientado o uso de meia de compressão em pelo menos ⅔ do dia.</p><p>O paciente é orientado a evitar a exposição direta ao sol e a aplicar protetor</p><p>solar na área tratada para prevenir a hiperpigmentação. Pode haver um leve inchaço,</p><p>vermelhidão e equimose (hematomas) na área tratada após o procedimento, que</p><p>geralmente desaparecem em poucos dias a semanas. O paciente é instruído a evitar</p><p>exercícios intensos e banhos quentes nas primeiras 24 horas após o tratamento. É</p><p>comum que mais de uma sessão de PEIM seja necessária para obter resultados ótimos.</p><p>As sessões subsequentes são agendadas de acordo com a resposta individual do paciente</p><p>ao tratamento, mas não antes de pelo menos 15 dias de intervalo.</p><p>4.2.4 Peeling</p><p>O peeling é um procedimento estético amplamente utilizado na área da</p><p>biomedicina estética para melhorar a qualidade da pele, tratar diversas condições</p><p>dermatológicas e promover uma aparência mais jovem e saudável. Essa técnica envolve</p><p>a aplicação de substâncias químicas ou físicas na pele, resultando na remoção das</p><p>camadas superficiais da epiderme ou na estimulação da regeneração celular. Existem</p><p>diferentes tipos de peelings, categorizados principalmente de acordo com a profundidade</p><p>da penetração nas camadas da pele:</p><p>109 Tecnologias na Biomedicina Estética | UNIDADE 4</p><p>Peeling Superficial: Este tipo de peeling atinge apenas a camada mais externa da</p><p>epiderme, conhecida como estrato córneo. É usado para tratar problemas de pele</p><p>leves, como manchas superficiais, textura áspera e melhora da luminosidade.</p><p>Geralmente, são usados agentes químicos suaves, como ácidos alfa-hidroxi</p><p>(AHA) ou beta-hidroxi (BHA).</p><p>Peeling Médio: Os peelings médios penetram nas camadas mais profundas</p><p>da epiderme. Eles são eficazes no tratamento de rugas finas, manchas solares</p><p>moderadas e cicatrizes superficiais. Ácidos como o ácido tricloroacético (TCA),</p><p>Retinóico são comuns neste tipo de peeling.</p><p>Peeling Profundo: Os peelings profundos atingem as camadas mais profundas</p><p>da epiderme e, às vezes, até a derme. Eles são usados para tratar rugas mais</p><p>profundas, cicatrizes de acne pronunciadas e outros problemas de pele graves. O</p><p>fenol é um exemplo de substância usada em peelings profundos. Lembrando que</p><p>o biomédico não pode fazer uso desse tipo de peeling.</p><p>É fundamental conhecer as atividades e as consequências químicas das</p><p>substâncias, tais como tipo de pele, localização, e alteração tegumentar para definir qual</p><p>tipo e o resultado estético possível e desejado. Quanto mais profundos, mais aparentes</p><p>serão os resultados, porém aumentarão também os riscos e o desconforto no período</p><p>após o procedimento. As indicações são: queratoses actínicas, hipercromias, cicatrizes</p><p>superficiais, rugas, radiodermites, acne vulgar e rosácea. Os critérios utilizados para</p><p>indicação de cada tipo de peeling compreendem: idade, fototipo, área a tratar, grau de</p><p>fotoenvelhecimento, objetivos a alcançar e habilitação do profissional, além dos fatores</p><p>inerentes a cada paciente em particular.</p><p>O procedimento de peeling geralmente começa com o preparo da pele. Essa</p><p>preparação recomenda-se que seja feita pelo menos 2 semanas antes do procedimento.</p><p>Isso faz com que reduza o tempo de cicatrização, permite penetração mais uniforme do</p><p>agente e diminui o risco de hiperpigmentação pós-inflamatória. Entretanto, podemos</p><p>utilizar um peeling muito superficial para substituir esse preparo. Os cuidados com o</p><p>sol são fundamentais, mesmo antes da aplicação. Pacientes com antecedentes de herpes</p><p>simples devem fazer terapia antiviral profilática.</p><p>As seguintes observações são importantes para a segurança na aplicação de</p><p>peelings: Evitar aplicar em pele irritada, eritematosa ou inflamada.Ter sempre à mão</p><p>substância neutralizante do agente químico em uso. Usar escala sensitiva de 1 a 10.</p><p>Estar sempre atento aos sinais visuais, como eritema e branqueamento (frosting), que</p><p>ajudam a identificar o grau de penetração das substâncias e a profundidade que está</p><p>sendo alcançada.</p><p>INTRODUÇÃO À BIOMEDICINA ESTÉTICA | Darlan Pase da Rosa 110</p><p>A seguir, listamos alguns exemplos de substâncias comumente utilizadas em</p><p>peelings superficiais:</p><p>Ácido Glicólico: É um ácido alfa-hidroxi (AHA) derivado da cana-de-açúcar.</p><p>O ácido glicólico é usado para melhorar a textura da pele, reduzir manchas de</p><p>idade e estimular a produção de colágeno.</p><p>Ácido Salicílico: Outro AHA, o ácido salicílico é eficaz no tratamento da acne</p><p>e na redução de poros dilatados. Ele também ajuda a melhorar a textura da pele.</p><p>Ácido Lático: O ácido lático é um AHA mais suave, adequado para peles</p><p>sensíveis. Ele é usado para tratar a textura irregular da pele e proporcionar uma</p><p>aparência mais fresca.</p><p>Ácido Mandélico: Este AHA é menos irritante do que alguns outros e é uma</p><p>opção para tratar manchas de pigmentação, como o melasma, e melhorar a</p><p>textura da pele.</p><p>Ácido Kójico: Embora seja frequentemente usado em combinação com outros</p><p>ácidos, o ácido kójico ajuda a clarear manchas de pele e reduzir a hiperpigmentação.</p><p>Peelings Mecânicos: Além dos peelings químicos, também existem peelings</p><p>superficiais mecânicos, como o microdermoabrasão. Nesse procedimento, uma</p><p>máquina com uma ponta abrasiva é usada para esfoliar suavemente a camada</p><p>mais externa da pele.</p><p>Agora, listamos alguns exemplos de substâncias comumente utilizadas em</p><p>Peelings médios:</p><p>Ácido Tricloroacético (TCA): O TCA é uma substância química usada em</p><p>concentrações específicas para realizar peelings médios. Ele é eficaz na remoção</p><p>de camadas da pele danificadas e pode melhorar a aparência de rugas finas,</p><p>manchas e cicatrizes.</p><p>Ácido Jessner: O peeling de Jessner é uma combinação de ácido salicílico, ácido</p><p>lático e resorcinol. Essa combinação é usada para tratar problemas de pele mais</p><p>profundos, como cicatrizes de acne e textura irregular.</p><p>Ácido Tretinoico: O ácido tretinoico é uma forma da vitamina A que é aplicada</p><p>na pele para estimular a renovação celular. Ele é usado para melhorar a textura</p><p>da pele, tratar manchas e suavizar rugas.</p><p>Ácido Pirúvico: O ácido pirúvico é derivado do ácido pirúvico, que ocorre</p><p>naturalmente no corpo. Ele age removendo a camada superficial da pele e</p><p>estimulando a produção de colágeno.</p><p>111 Tecnologias na Biomedicina Estética | UNIDADE 4</p><p>Peelings de Fenol: Os peelings de fenol são considerados peelings profundos,</p><p>mas podem ser aplicados de forma mais suave para obter resultados médios. Eles</p><p>são eficazes na redução de rugas profundas e cicatrizes.</p><p>O procedimento de peeling varia entre cada substância utilizada, protocolo e</p><p>região. Geralmente começa com a limpeza da pele e preparo. A substância escolhida é</p><p>aplicada na pele de forma uniforme e, em seguida, é controlado o tempo de exposição,</p><p>que pode variar dependendo do problema a ser tratado e do tipo de peeling utilizado.</p><p>Após o tempo determinado, a substância é removida ou neutralizada. Normalmente, a</p><p>pele apresenta os seguintes estágios de regeneração após um peeling:</p><p>Estágio I: é a fase inflamatória (fase precoce e tardia), quando ocorre</p><p>vasodilatação e infiltrado inflamatório constituído de neutrófilos, monócitos,</p><p>aumento de fibroblastos e proliferação endotelial.</p><p>Estágio II: é a fase de neoformação da epiderme a partir do folículo pilossebáceo</p><p>e tecido de granulação. Os melanócitos neoformados produzem pigmentos nesta</p><p>fase. Apresenta infiltrado de macrófagos e fibroblastos com formação de novo</p><p>colágeno e capilares. angiogênese, pode ocorrer cicatriz hipertrófica</p><p>Estágio III: corresponde à fase de formação de matriz colagênica e a superfície</p><p>da pele se remodela. É chamada também de fase de maturação. Nesta etapa, a</p><p>cicatrização apresenta diminuição de células e vasos e o colágeno é remodelado,</p><p>a pele volta à normalidade parcial.</p><p>Após um peeling médio, a recuperação é mais significativa do que em peelings</p><p>superficiais. A pele pode ficar vermelha, inchada e descamar nos dias seguintes ao</p><p>procedimento. É importante seguir rigorosamente as instruções do profissional para o</p><p>cuidado pós-peeling, que geralmente incluem o uso de cremes e protetor solar. Podendo</p><p>ainda fazer uso de home-care, como substâncias pré e pós-peeling. Além de toda</p><p>orientação de limpeza e proteção da pele.</p><p>4.2.5 Preenchimento e Toxina Botulínica</p><p>Diferente do que muitos pensam, são dois tratamentos completamente diferentes e</p><p>até mesmo complementares. O preenchimento com ácido hialurônico é um procedimento</p><p>estético minimamente invasivo que visa preencher sulcos, rugas e áreas com perda de</p><p>volume na pele. A toxina botulínica, frequentemente conhecida pelo nome comercial</p><p>Botox, é uma substância que bloqueia temporariamente os sinais nervosos musculares,</p><p>relaxando os músculos e suavizando as rugas de expressão.</p><p>INTRODUÇÃO À BIOMEDICINA ESTÉTICA | Darlan Pase da Rosa 112</p><p>O preenchimento com ácido hialurônico é usado para tratar rugas estáticas</p><p>(rugas que são visíveis mesmo quando o rosto está em repouso), perda de volume facial,</p><p>lábios finos, contorno facial e até mesmo cicatrizes. Enquanto que a toxina botulínica</p><p>é comumente usada para tratar rugas dinâmicas, que são causadas pelos movimentos</p><p>faciais repetidos, como as rugas da testa, pés de galinha ao redor dos olhos e rugas</p><p>entre as sobrancelhas.</p><p>Injeta-se o ácido hialurônico nas áreas desejadas da pele usando uma agulha</p><p>fina ou cânula. O procedimento é relativamente rápido e, geralmente, não requer</p><p>anestesia. Os resultados são visíveis imediatamente e podem durar de meses a mais de</p><p>um ano, dependendo do tipo de ácido hialurônico usado. A toxina botulínica é injetada</p><p>em pequenas quantidades nos músculos específicos responsáveis pelas rugas de</p><p>expressão. O procedimento é rápido e, na maioria das vezes, não requer anestesia. Os</p><p>resultados começam a aparecer dentro de alguns dias e duram geralmente de três a seis</p><p>meses, após o que o efeito começa a diminuir, mas pode ser mantido com</p><p>aplicações subsequentes.</p><p>Vídeo 1: Veja como é aplicado o preenchimento labial com ácido hialurônico.</p><p>Disponível em: https://bit.ly/3RnMIP5.</p><p>Vídeo 2: Assista o protocolo de aplicação de toxina botulínica em um rosto</p><p>feminino. Disponível em: https://bit.ly/45R2aYu.</p><p>VÍDEO</p><p>VÍDEO 1 VÍDEO 2</p><p>113 Tecnologias na Biomedicina Estética | UNIDADE 4</p><p>4.2.6 Fios de PDO e Bioestimuladores de Colágeno</p><p>Os fios de PDO são fios absorvíveis feitos de polidioxanona, um material</p><p>biocompatível usado em cirurgias cardíacas. Eles são inseridos na pele para</p><p>proporcionar um efeito de lifting não cirúrgico. São usados para tratar a f lacidez da</p><p>pele, especialmente em áreas como o rosto, pescoço e corpo. Eles são eficazes para</p><p>levantar e redefinir contornos faciais e corporais.</p><p>Os fios de PDO são utilizados principalmente para tratar a f lacidez da pele, que</p><p>é comum com o envelhecimento ou perda de peso. Eles podem ser usados nas seguintes</p><p>áreas: Rosto: Para levantar sobrancelhas, melhorar a firmeza da pele nas bochechas e</p><p>no pescoço, suavizar linhas de marionete e estimular a produção de colágeno; Corpo:</p><p>Para tratar a f lacidez em áreas como braços, abdômen, coxas e glúteos.</p><p>Figura 4.7 – Representação dos locais de aplicação dos fios de PDO.</p><p>Fonte: Revista Quem (2023).</p><p>Os fios de PDO são inseridos na pele por meio de agulhas ou cânulas finas. O</p><p>profissional realiza pequenas incisões na pele e insere os fios, que são então ancorados</p><p>sob a pele para criar um efeito de sustentação. Os resultados do tratamento com fios</p><p>de PDO são visíveis imediatamente, proporcionando um efeito de lifting instantâneo.</p><p>Além disso, os fios estimulam a produção de colágeno na pele, o que resulta em</p><p>melhorias contínuas na firmeza e na textura da pele nas semanas e meses seguintes ao</p><p>procedimento. A duração dos resultados pode variar de 12 a 24 meses, dependendo do</p><p>tipo de fio usado e das características individuais do paciente.</p><p>INTRODUÇÃO À BIOMEDICINA ESTÉTICA | Darlan Pase da Rosa 114</p><p>A recuperação após o tratamento com fios de PDO é geralmente rápida. Os</p><p>pacientes podem retornar às atividades normais logo após o procedimento. Alguns</p><p>efeitos colaterais temporários podem incluir inchaço, hematomas leves e desconforto.</p><p>Esses efeitos tendem a desaparecer em poucos dias.</p><p>Os bioestimuladores de colágeno são substâncias injetáveis que estimulam a</p><p>produção natural de colágeno na pele. Eles são utilizados para tratar a f lacidez e a</p><p>perda de volume da pele. Além disso, são eficazes para melhorar a textura da pele,</p><p>tratar rugas e linhas finas, e reduzir a aparência de celulite. Os bioestimuladores mais</p><p>conhecidos incluem a hidroxiapatita de cálcio e o ácido polilático.</p><p>A hidroxiapatita de cálcio é uma substância sintética e biocompatível. Ela é</p><p>composta por cálcio e fosfato e é muito semelhante aos minerais encontrados nos ossos</p><p>e dentes humanos. Isso a torna segura e bem tolerada pelo corpo. A hidroxiapatita de</p><p>cálcio é usada para tratar uma variedade de preocupações estéticas, incluindo:</p><p>Rugas e linhas de expressão: É frequentemente usada para preencher rugas</p><p>profundas e linhas faciais, como os sulcos nasolabiais.</p><p>Perda de volume: Também é eficaz para restaurar o volume facial em áreas</p><p>como as bochechas e as têmporas.</p><p>Rejuvenescimento das mãos: Pode ser aplicada para melhorar a aparência das</p><p>mãos envelhecidas.</p><p>Remodelagem do queixo e mandíbula: Pode ser usada para melhorar o</p><p>contorno facial.</p><p>115 Tecnologias na Biomedicina Estética | UNIDADE 4</p><p>A hidroxiapatita de cálcio é injetada na pele usando uma agulha fina ou uma</p><p>cânula. O profissional determinará a quantidade e o local de aplicação com base nas</p><p>necessidades do paciente. Os resultados da aplicação da hidroxiapatita de cálcio são</p><p>imediatos. A substância preenche as áreas tratadas, suavizando rugas e restaurando o</p><p>volume facial. Além disso, a hidroxiapatita de cálcio estimula a produção de colágeno</p><p>na pele, proporcionando melhorias contínuas na firmeza e na textura da pele. A duração</p><p>dos resultados varia de pessoa para pessoa, mas geralmente dura de 12 a 18 meses.</p><p>A recuperação após o tratamento com hidroxiapatita de cálcio é geralmente</p><p>rápida. Os pacientes podem retomar suas atividades normais após o procedimento.</p><p>Alguns efeitos colaterais temporários podem incluir inchaço, vermelhidão e leve</p><p>desconforto na área tratada. Esses sintomas geralmente desaparecem em poucos dias.</p><p>Assista no vídeo a seguir uma aplicação da hidroxiapatita de cálcio.</p><p>Disponível em: https://bit.ly/3ra9VKd.</p><p>VÍDEO</p><p>INTRODUÇÃO À BIOMEDICINA ESTÉTICA | Darlan Pase da Rosa 116</p><p>Síntese da Unidade</p><p>• Primeiramente, apresentamos uma lista geral contendo as mais importantes</p><p>técnicas e tecnologias utilizadas pelo biomédico esteta.</p><p>• Em seguida, trabalhamos individualmente as técnicas de intradermoterapia,</p><p>microagulhamento e PEIM.</p><p>• Por fim, aprofundamos os peelings, preenchimento, toxina botulínica, fios de</p><p>PDO e bioestimuladores.</p><p>117 Tecnologias na Biomedicina Estética | UNIDADE 4</p><p>Bibliografia</p><p>CARRUTHERS, J., CARRUTHERS, A. “A prospective, randomized, parallel group</p><p>study analyzing the effect of BTX-A (Botox) and nonanimal sourced</p><p>hyaluronic acid</p><p>(NASHA, Restylane) in combination compared with NASHA (Restylane) alone in severe</p><p>glabellar rhytides in adult female subjects: treatment of severe glabellar rhytides with</p><p>a hyaluronic acid derivative compared with the derivative and BTX-A.” Dermatologic</p><p>Surgery, 33(S2), S2-S8. 2007.</p><p>CARRUTHERS, A., & CARRUTHERS, J. “Botulinum toxin type A: history and current</p><p>cosmetic use in the upper face.” Plastic and Reconstructive Surgery, 112(5S), 31S-43S.</p><p>HEXSEL, D. et al. (2013). “Descriptive report of complications from mesotherapy and</p><p>its management.” Anais Brasileiros de Dermatologia, 88(4), 664-669. 2003.</p><p>FABBROCINI, G. et al. “Percutaneous collagen induction: an effective and safe treatment</p><p>for post-acne scarring in different skin phototypes.” Journal of Dermatological</p><p>Treatment, 22(6), 411-417. 2011.</p><p>HEXSEL, D. et al. “Multicenter, double-blind study of the efficacy of injections with</p><p>botulinum toxin type A reconstituted up to six consecutive weeks before application.”</p><p>Dermatologic Surgery, 44(8), 1103-1112. 2018.</p><p>KHUNGER, N. “Standard guidelines of care for chemical peels.” Indian Journal of</p><p>Dermatology, Venereology and Leprology, 74(Suppl 1), S5-S12. 2008</p><p>MONHEIT, G. D. et al. “Medium-depth chemical peels.” Dermatologic Surgery,</p><p>30(6), 829-840. 2004.</p><p>MONHEIT, G. D. et al. “Evaluation of polydioxanone thread technology for lifting of</p><p>the aging face.” Journal of Drugs in Dermatology, 13(6), 732-735. 2014.</p><p>ROTUNDA, A. M. et al. “Injectable treatments for adipose tissue: terminology, mechanism,</p><p>and tissue interaction.” Lasers in Surgery and Medicine, 41(10), 714-720. 2009.</p><p>TIERNEY, E. P. et al. “Treatment of telangiectasias with sclerotherapy, laser therapy,</p><p>and/or surgical therapy: a review.” Journal of Cosmetic and Laser Therapy,</p><p>13(4), 150-160. 2011.</p><p>WU, W. T. et al. (2017). “Polydioxanone thread embedding acupuncture (PDO</p><p>TEA) improves facial skin: a randomized, controlled trial.” Archives of Plastic</p><p>Surgery, 44(3), 179-187.</p><p>INTRODUÇÃO À BIOMEDICINA ESTÉTICA | Darlan Pase da Rosa 118</p><p>Os links para sites da web fornecidos nesta unidade foram todos testados, e</p><p>seu funcionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No</p><p>entanto, a rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente</p><p>mudando de local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer</p><p>responsabilidade sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações</p><p>referidas em tais links.</p><p>FIQUE ATENTO</p><p>Se você encontrar algum problema neste material, entre em</p><p>contato pelo email eadproducao@unilasalle.edu.br. Descreva o</p><p>que você encontrou e indique a página.</p><p>Lembre-se: a boa educação se faz com a contribuição de todos!</p><p>CONTRIBUA COM A QUALIDADE DO SEU CURSO</p><p>Av. Victor Barreto, 2288 | Canoas - RS</p><p>CEP: 92010-000 | 0800 541 8500</p><p>eadproducao@unilasalle.edu.br</p><p>Introdução à Biomedicina Estética</p><p>Prezado estudante,</p><p>Estamos começando uma unidade desta disciplina. Os textos que a compõem foram organizados com</p><p>cuidado e atenção, para que você tenha contato com um conteúdo completo e atualizado tanto quanto</p><p>possível. Leia com dedicação, realize as atividades e tire suas dúvidas com os tutores. Dessa forma, você,</p><p>com certeza, alcançará os objetivos propostos para essa disciplina.</p><p>Objetivo Geral</p><p>Apresentar a área da Biomedicina Estética e o sistema tegumentar.</p><p>Objetivos Específicos</p><p>• Histórico da estética;</p><p>• Áreas de atuação e regulamentação;</p><p>• Sistema tegumentar.</p><p>Questões Contextuais</p><p>• Como surgiu a biomedicina estética?</p><p>• Quais as funções do biomédico esteta?</p><p>• Como é constituída a pele?</p><p>unidade</p><p>1</p><p>V.1 | 2023</p><p>INTRODUÇÃO À BIOMEDICINA ESTÉTICA | Darlan Pase da Rosa 10</p><p>1.1 História da Estética e Cosmetologia</p><p>A história da biomedicina estética remonta a séculos atrás, quando as práticas</p><p>de cuidados estéticos começaram a se desenvolver. Desde os tempos antigos, diversas</p><p>culturas valorizavam a beleza estética e buscavam formas de aprimorá-la. No Egito</p><p>Antigo, por exemplo, já existiam rituais de cuidados com a pele e os cabelos. Na Grécia</p><p>e em Roma, os banhos termais eram populares e considerados importantes para a</p><p>saúde e a beleza.</p><p>Figura 1.1 – O mosaico contemporâneo mostra Cleópatra tomando banho em leite de burra.</p><p>Fonte: Imperium Romanum (2023).</p><p>11 Introdução à Biomedicina Estética | UNIDADE 1</p><p>No final da Idade Média e durante o Renascimento, surgiram os primeiros</p><p>ofícios voltados aos cuidados estéticos. As damas de companhia, por exemplo, eram</p><p>responsáveis por cuidar da aparência das nobres, aplicando maquiagem, tratamentos</p><p>capilares e fazendo massagens. Esses ofícios marcaram o início da profissionalização</p><p>dos cuidados estéticos. No século XIX, com o avanço da Química e a descoberta de</p><p>novos ingredientes, surgiram os primeiros cosméticos modernos. Nessa época, foram</p><p>desenvolvidos cremes, loções e produtos de maquiagem cada vez mais sofisticados.</p><p>Essa evolução impulsionou o crescimento dos tratamentos estéticos e o interesse pela</p><p>área. Já o século XX foi marcado pelo crescimento da chamada indústria de cosméticos</p><p>e com isso, um grande volume de recursos foi investido em pesquisas relacionadas à</p><p>área da beleza e estética.</p><p>No Brasil, em meados dos anos de 1950, estimuladas por alguns incentivos</p><p>governamentais, chegam ao país a Avon e a L’Oréal Paris, empresas líderes de mercado</p><p>mundial em produção e pesquisa. No final do século XX, movidos pela evolução dos</p><p>tratamentos e interesses dos consumidores, os tempos de tratamentos reduzem de 30 dias</p><p>para 24h, e começa-se a trabalhar não apenas questões relacionadas ao embelezamento,</p><p>mas também o processo de envelhecimento.</p><p>Um dos tratamentos mais conhecidos mundialmente, o uso estético da toxina</p><p>botulínica, teve início na década de 1980, quando o dermatologista Jean Carruthers</p><p>e seu marido, o oftalmologista Alastair Carruthers, observaram que a aplicação da</p><p>toxina botulínica em rugas de expressão facial resultava em uma aparência mais suave</p><p>e jovem. No Brasil, a autorização do uso da toxina botulínica tipo A ocorreu em 1992.</p><p>INTRODUÇÃO À BIOMEDICINA ESTÉTICA | Darlan Pase da Rosa 12</p><p>1.2 O Mercado da Estética</p><p>Atualmente o Brasil é o quarto maior consumidor de produtos de beleza do</p><p>mundo, totalizando US$ 26,9 bilhões em receitas para as empresas. Possui ainda o</p><p>segundo maior mercado em fragrâncias, produtos masculinos e desodorantes e o segundo</p><p>maior mercado no ranking global de países que mais lançam produtos anualmente.</p><p>Demonstrando o poder estratégico do consumidor brasileiro na área da estética e beleza</p><p>(ABIHPEC, 2023).</p><p>Figura 1.2 – O Brasil no mundo da indústria de cosméticos.</p><p>Fonte: ABIHPEC (2023).</p><p>Estados Unidos</p><p>20,7% | US$ 110.671</p><p>China</p><p>14,7% | US$ 78.937</p><p>Japão</p><p>5,5% | US$ 29.687</p><p>Brasil</p><p>5,0% | US$ 26.880</p><p>Estados Unidos</p><p>20,7% | US$ 110.671</p><p>China</p><p>14,7% | US$ 78.937</p><p>Alemanha</p><p>3,7% | US$ 19.749</p><p>Reino Unido</p><p>3,2% | US$ 17.590</p><p>Índia</p><p>2,9% | US$ 15.689</p><p>França</p><p>2,8% | US$ 14.806</p><p>Coreia do Sul</p><p>2,4% | US$ 12.800</p><p>Itália</p><p>2,2% | US$ 11.917</p><p>1º</p><p>2º</p><p>3º</p><p>4º</p><p>5º</p><p>6º</p><p>7º</p><p>8º</p><p>9º</p><p>10º</p><p>US$ BILHÕES</p><p>TO</p><p>P</p><p>10</p><p>M</p><p>ER</p><p>CA</p><p>D</p><p>O</p><p>C</p><p>O</p><p>N</p><p>SU</p><p>M</p><p>ID</p><p>O</p><p>R</p><p>13 Introdução à Biomedicina Estética | UNIDADE 1</p><p>Ainda no contexto brasileiro, a indústria de higiene pessoal, perfumaria e</p><p>cosméticos (HPPC) gera em torno de 5,6 milhões de oportunidades de emprego nas</p><p>áreas de indústria, franquia, consultoria de venda e salão de beleza. Se avaliarmos o</p><p>período de 2016 a 2022, o crescimento foi de 25,1% na geração de empregos na área</p><p>(ABIHPEC, 2023).</p><p>Figura 1.3 – Oportunidades de emprego e trabalho.</p><p>Fonte: ABIHPEC (2023).</p><p>O setor de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (HPPC), possui um</p><p>impacto socioeconômico muito importante. Na Figura 1.4, percebemos o comparativo</p><p>com outros mercados nacionais. Esse crescimento pode ser explicado pelo grande</p><p>público consumidor, crescimento de oportunidades de emprego e avanço da tecnologia.</p><p>Além disso, o aumento da participação da mulher no mercado de trabalho, aumento</p><p>da expectativa de vida e maior exposição a fatores de risco para o envelhecimento</p><p>acelerado são as causas para os bons resultados do setor.</p><p>Empregos Diretos (000’s)</p><p>9,6%</p><p>(2022-2021)</p><p>5,0%</p><p>(2022-2021)</p><p>Oportunidade de Trabalho (000’s)</p><p>2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021 2022 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021 2022</p><p>CAGR (2014-2022): 2,4% CAGR (2014-2022): 1,2%</p><p>Após apresentar queda no numero de empregos diretos</p><p>em 2015 e 2016, o setor vem apresentando crescimento</p><p>contínuo nos anos seguintes, encerrando 2022 com</p><p>aumento de 9,6% sobre 2021 equivalente 13.400 empre-</p><p>gos diretos.</p><p>Ainda com reflexo da pandemia, e 2021 houve retratação</p><p>nas oportunidades de trabalho em praticamente todos</p><p>os canais, resultando em queda no número total, encer-</p><p>rando o ano com uma retratação de 1,5%. Em 2022, o</p><p>cenário se mostra mais favorável, e apresentou cresci-</p><p>mento de 5,0% vs. 2021.</p><p>12</p><p>6,</p><p>0</p><p>12</p><p>2,</p><p>2</p><p>11</p><p>8,</p><p>3</p><p>12</p><p>0,</p><p>5</p><p>12</p><p>5,</p><p>7</p><p>13</p><p>0,</p><p>7</p><p>13</p><p>3,</p><p>4</p><p>13</p><p>9,</p><p>4</p><p>15</p><p>2,</p><p>8</p><p>6.</p><p>18</p><p>3,</p><p>5</p><p>6.</p><p>35</p><p>7,</p><p>8</p><p>6.</p><p>13</p><p>7,</p><p>2</p><p>6.</p><p>26</p><p>4,</p><p>0</p><p>5.</p><p>99</p><p>7,</p><p>6</p><p>5.</p><p>41</p><p>3,</p><p>0</p><p>5.</p><p>32</p><p>9,</p><p>9</p><p>5.</p><p>59</p><p>8,</p><p>6</p><p>6.</p><p>30</p><p>0,</p><p>1</p><p>CAGR - é um dos principais indicadores financeiros para analisar a viabilidade</p><p>de um investimento.</p><p>GLOSSÁRIO</p><p>INTRODUÇÃO À BIOMEDICINA ESTÉTICA | Darlan Pase da Rosa 14</p><p>Figura 1.4 – Impacto socioeconômico do setor de HPPC no Brasil.</p><p>Fonte: ABIHPEC (2023).</p><p>Embora tenhamos uma história muito longa, de séculos, de cuidados e usos</p><p>de diversos tipos de tratamentos estéticos, estamos a poucos anos tratando-a com</p><p>o cientificismo necessário. Integrando uma visão muito mais ampla de saúde e</p><p>envelhecimento. Aplicando pesquisas científicas nas áreas de histologia, fisiologia,</p><p>bioquímica e genética, que são base na formação de profissionais biomédicos. A área</p><p>da Biomedicina Estética é um campo multidisciplinar que combina conhecimentos da</p><p>biomedicina, estética e saúde para proporcionar tratamentos estéticos seguros e eficazes.</p><p>VALOR</p><p>ADICIONADO OCUPAÇÃO IMPOSTOS SALÁRIOS</p><p>(R$) (unidades formais,</p><p>por 1 ano) (R$) (R$)</p><p>1,3 bilhão 25 mil</p><p>empregos</p><p>591</p><p>milhões</p><p>509</p><p>milhões</p><p>1,2 bilhão 41 mil</p><p>empregos</p><p>157</p><p>milhões</p><p>321</p><p>milhões</p><p>1,3 bilhão 26 mil</p><p>empregos</p><p>346</p><p>milhões</p><p>484</p><p>milhões</p><p>HPPC</p><p>AGROPECUÁRIA</p><p>INDÚSTRIA</p><p>R$ 1 bilhão a mais no setor de HPPC geram na economia brasileira:</p><p>Como comparação, mesmo aumento na agropecuária ou na indústria gera:</p><p>15 Introdução à Biomedicina Estética | UNIDADE 1</p><p>1.3 Regulamentação da Biomedicina Estética</p><p>A origem da biomedicina estética está atrelado a história de alguns biomédicos</p><p>que atuavam com a habilitação de acupuntura e aplicavam tratamentos estéticos.</p><p>O reconhecimento da biomedicina como uma área de atuação específica foi marcado</p><p>por diversos decretos e regulamentações. O Decreto de Lei nº 88.439, de 28 de junho</p><p>de 1983, regulamenta a profissão de biomédico. Posteriormente,</p><p>a Resolução nº 200,</p><p>de 2011b, do Conselho Federal de Biomedicina, autorizou a habilitação em estética</p><p>para os biomédicos.</p><p>Essa resolução normatiza e regulamenta a habilitação em Biomedicina Estética,</p><p>quanto a coordenação e responsabilidade técnica, além de tratar requisitos mínimos</p><p>necessários para seu exercício. Para obtenção dessa habilitação ficou definido a</p><p>obrigatoriedade do diploma com título de especialista em estética, obtido ou reconhecido</p><p>pela Associação Brasileira de Biomedicina – ABBM e/ou certificado de pós-graduação</p><p>lato sensu ou stricto sensu.</p><p>Na Resolução nº 214/2012, foi tratado sobre o uso de substâncias injetáveis que o</p><p>profissional biomédico esteta estaria habilitado a utilizar. Nesse sentido, deve-se seguir</p><p>estritamente as normas descritas pelo fabricante e em obediência às normas estabelecidas</p><p>pela sociedade científica. No art 2º, refere-se sobre a responsabilidade técnica, aplicação</p><p>e compra das substâncias tais como, como a toxina botulínica, nutrientes, fitoterápicos,</p><p>dentre outros. Já a Resolução nº 241/2014 incorporou novas substâncias e suas prescrições</p><p>biomédicas. O acréscimo mais relevante foi dos preenchedores dérmicos, subcutâneos e</p><p>supraperiostal (excetuando-se o Polimetilmetacrilato/PMMA).</p><p>RESOLUÇÃO Nº 200, DE 01 DE JULHO DE 2011: http://gg.gg/157whi.</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Para ser coordenador do curso nesta específica área e/ou ser responsável</p><p>técnico, deverá o profissional Biomédico estar devidamente habilitado e</p><p>inscrito no respectivo Conselho Regional de Biomedicina</p><p>DESTAQUE</p><p>INTRODUÇÃO À BIOMEDICINA ESTÉTICA | Darlan Pase da Rosa 16</p><p>Seguindo o estudo das normas da profissão, temos a Resolução nº 321/2020, do</p><p>Conselho Federal da Biomedicina, entendendo sobre a liberação de prática integrativa,</p><p>autoriza o uso de ozonioterapia pelo profissional biomédico. Essa tecnologia além de</p><p>práticas terapêuticas, também é utilizada para tratamentos estéticos. Já na Resolução</p><p>nº 347, de 7 de abril de 2022, permitiu que o biomédico possa realizar a solicitação de</p><p>exames laboratoriais. Os exames laboratoriais solicitados deverão atender métodos e</p><p>técnicas que estejam contidos no rol de procedimentos da Agência Nacional de Saúde</p><p>Suplementar (ANS). Entretanto, mesmo com a solicitação autorizada, não é permitido</p><p>firmar diagnósticos nosológicos.</p><p>Ainda em 2020, houve uma alteração do Código de Ética do Biomédico, sendo</p><p>regulamentada a utilização de imagens de antes e depois de procedimentos estéticos.</p><p>Essa mudança ocorreu para que os profissionais biomédicos pudessem competir com</p><p>outros profissionais da área que já utilizam desse recurso para divulgação de seus</p><p>tratamentos (Resolução nº 330, de 5 de novembro de 2020).</p><p>RESOLUÇÃO Nº 214, DE 10 DE ABRIL DE 2012: http://gg.gg/157wje.</p><p>RESOLUÇÃO Nº 241, DE 29 DE MAIO DE 2014: http://gg.gg/157wjj.</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Nosológico: ramo da medicina que estuda e classifica as doenças.</p><p>GLOSSÁRIO</p><p>RESOLUÇÃO Nº 321, DE 16 JUNHO DE 2020: http://gg.gg/157wky.</p><p>RESOLUÇÃO Nº 347, DE 7 DE ABRIL DE 2022: http://gg.gg/157wlc.</p><p>SAIBA MAIS</p><p>17 Introdução à Biomedicina Estética | UNIDADE 1</p><p>1.4 Áreas de Atuação do Biomédico Esteta</p><p>O biomédico esteta atua em diversas áreas relacionadas à estética e busca</p><p>proporcionar melhorias estéticas e de bem-estar aos pacientes.</p><p>1.4.1 Estética Facial</p><p>Um dos fatores mais importantes a se avaliar dentre os tratamentos estéticos</p><p>faciais, é o do processo de envelhecimento cutâneo. Nesse processo, que iremos estudar</p><p>posteriormente, se avalia os fatores intrínsecos e extrínsecos associados ao sistema</p><p>celular e molecular do paciente e que fazem com que surjam algumas características do</p><p>envelhecimento facial. Tornando assim, um dos principais alvos dos biomédicos estetas.</p><p>O biomédico esteta pode atuar no tratamento de diversas anomalias faciais,</p><p>utilizando técnicas e procedimentos específicos para cada caso. Abaixo estão descritos</p><p>alguns desses alvos e alguns exemplos de tratamentos.</p><p>Esse é um tema muito polêmico, pois por muito tempo diversos profissionais</p><p>utilizam erroneamente os procedimentos estéticos, ficando passíveis de</p><p>multas. O código de ética apresenta a seguinte orientação quanto à postagem</p><p>de fotos de antes e após do tratamento:</p><p>“Publicar imagens e resultado final de procedimentos,</p><p>salvo nos casos onde houver, além do TCLE para esse</p><p>fim, os seguintes dizeres constantes na descrição</p><p>ou legenda da peça publicitária: “Esta imagem não</p><p>representa, em hipótese alguma, garantia de resultado.</p><p>Cada ser humano tem características anatômicas e</p><p>fisiológicas únicas” (CFBM, art. 10, 2011a).</p><p>DESTAQUE</p><p>O CFBM emitiu uma resolução, Resolução nº 356, de 13 de abril de 2023, que</p><p>regulamentou a habilitação oriunda de cursos de graduação e pós-graduação</p><p>na modalidade de ensino à distância (EaD), passando a exigir o mínimo de 30%</p><p>da carga horária presencial para Graduação e de 30% de aula presencial além</p><p>das atividades práticas para a Pós-Graduação.</p><p>DESTAQUE</p><p>INTRODUÇÃO À BIOMEDICINA ESTÉTICA | Darlan Pase da Rosa 18</p><p>• Rugas e linhas de expressão: o biomédico esteta pode utilizar técnicas de</p><p>aplicação de toxina botulínica (Botox) para suavizar rugas e linhas de expressão,</p><p>especialmente aquelas localizadas na testa, ao redor dos olhos (pés de galinha) e</p><p>entre as sobrancelhas (glabela). A toxina botulínica atua relaxando os músculos</p><p>faciais, reduzindo a aparência das rugas.</p><p>• Sulcos e perda de volume facial: para corrigir sulcos profundos e perda de volume</p><p>facial, pode-se realizar procedimentos de preenchimento com ácido hialurônico.</p><p>Essa substância é injetada nas áreas afetadas para restaurar o volume, suavizar</p><p>os sulcos e proporcionar um aspecto mais jovem e rejuvenescido ao rosto.</p><p>• Flacidez facial: o tratamento da f lacidez facial pode ser feito por meio de técnicas</p><p>como a radiofrequência, que utiliza ondas eletromagnéticas para estimular a</p><p>produção de colágeno e elastina, promovendo o rejuvenescimento e a melhora na</p><p>firmeza da pele. Além disso, o biomédico esteta pode indicar terapias com laser</p><p>ou ultrassom focado para tratar a f lacidez facial.</p><p>• Manchas e irregularidades na pele: para tratar manchas e irregularidades na</p><p>pele, pode-se utilizar procedimentos como peelings químicos, que removem a</p><p>camada superficial da pele, estimulando a regeneração celular e melhorando a</p><p>textura e a aparência da pele. Além disso, podem ser utilizados tratamentos a</p><p>laser ou luz intensa pulsada para clareamento e uniformização do tom de pele.</p><p>1.4.2 Estética Corporal</p><p>Os tratamentos mais comumente buscados na área corporal, estão normalmente</p><p>atrelados ao processo de lipodistrofia, ou seja, relacionado a presença aumentada</p><p>ou mal distribuída de adipócitos. Assim como os tratamentos faciais, o processo de</p><p>envelhecimento intrínseco e extrínseco tem papel importante no diagnóstico/prognóstico</p><p>do paciente. Outro tratamento bastante comum na área da estética é a epilação, ou</p><p>também conhecida como “depilação definitiva”. Além disso, existem outros tratamentos</p><p>corporais de rotina, como o tratamento de estrias, cicatrizes, microvasos, manchas,</p><p>despigmentação de tatuagem, entre outros.</p><p>O biomédico esteta utiliza diversas técnicas manuais, semi-automatizadas e até</p><p>mesmo tecnológicas para os diferentes tratamentos corporais. Importante reconhecer</p><p>que existem novas técnicas e equipamentos a todo instante sendo lançadas no mercado,</p><p>portanto mantenha-se sempre atualizado! Os tratamentos mais comuns, que serão</p><p>apresentados posteriormente, são:</p><p>19 Introdução à Biomedicina Estética | UNIDADE 1</p><p>• Intradermoterapia: aplicação de micronutrientes, de forma local, a</p><p>nível intradérmico.</p><p>• Intramuscular: aplicação de micronutrientes no músculo, tendo efeito sistêmico.</p><p>• Microagulhamento: técnica de microlesões controlada que estimula a</p><p>reorganização celular, além de produção de micronutrientes.</p><p>• Carboxiterapia: injeção de gás de CO², que pode estimular de forma</p><p>mecânica e química.</p><p>• Ultrassom de alta ou baixa frequência: uso de eletrodos ultrassônicos,</p><p>que</p><p>aumentam o estímulo cinético das moléculas de hidrogênio, estimulando a</p><p>quebra celular, reorganização tecidual e aumento de temperatura.</p><p>• Radiofrequência: uso de ondas de rádio que aumentam a temperatura das</p><p>estruturas celulares, estimulando as fibras elásticas e colágeno.</p><p>• Criolipólise e Criofrequência: equipamentos que reduzem a temperatura,</p><p>realizando a quebra das membranas celulares.</p><p>• Laser e luz intensa pulsada: tecnologias que utilizam de ondas eletromagnéticas</p><p>que elevam a temperatura até a quebra das moléculas alvo.</p><p>• Procedimento estético injetável para microvasos (PEIM): procedimento</p><p>estético invasivo para microvasos, é o tratamento realizado com uso de solução</p><p>de glicose para tratamentos de microvarizes.</p><p>1.4.3 Tratamentos Capilares</p><p>Os tratamentos capilares realizados pelo biomédico esteta são voltados para a</p><p>saúde e estética dos cabelos, visando tratar diversas condições capilares e promover a</p><p>melhora da aparência e do bem-estar dos pacientes. Algumas das principais áreas de</p><p>atuação e técnicas utilizadas incluem:</p><p>• Tratamento da queda de cabelo: a queda de cabelo pode ser causada por diversos</p><p>fatores, como predisposição genética, desequilíbrios hormonais, estresse,</p><p>dentre outros. A mesoterapia capilar, que consiste na aplicação de substâncias</p><p>terapêuticas diretamente no couro cabeludo, visando estimular o crescimento</p><p>dos fios, fortalecer as raízes e prevenir a queda excessiva.</p><p>• Estimulação do crescimento capilar: para casos de cabelos com crescimento</p><p>lento ou pouco volumosos. Uso de técnicas como a carboxiterapia capilar, que</p><p>INTRODUÇÃO À BIOMEDICINA ESTÉTICA | Darlan Pase da Rosa 20</p><p>consiste na aplicação de dióxido de carbono sob a pele do couro cabeludo.</p><p>Essa técnica promove uma maior oxigenação e nutrição dos folículos capilares,</p><p>estimulando o crescimento de fios mais fortes e saudáveis.</p><p>• Tratamento da caspa e do couro cabeludo oleoso: uso de produtos cosméticos</p><p>adequados, terapias de limpeza profunda e técnicas de microagulhamento</p><p>capilar, que auxiliam na regulação da produção de sebo e no equilíbrio do pH</p><p>do couro cabeludo.</p><p>• Revitalização capilar: para melhorar a aparência e a qualidade dos cabelos,</p><p>o biomédico esteta pode indicar tratamentos de revitalização capilar, como a</p><p>aplicação de nutrientes e vitaminas específicas, ou seja, por meio de mesoterapia</p><p>capilar ou por técnicas de infusão intradérmica. Esses tratamentos visam</p><p>fortalecer os fios, melhorar sua textura, brilho e aspecto geral.</p><p>1.4.4 Estética Íntima</p><p>A estética íntima também é uma área de atuação do biomédico esteta,</p><p>envolvendo procedimentos como clareamento genital, tratamento de f lacidez vaginal,</p><p>rejuvenescimento íntimo, dentre outros. Esses procedimentos têm como objetivo</p><p>promover a melhora estética e a qualidade de vida das pacientes, contribuindo para o</p><p>bem-estar e autoconfiança.</p><p>É importante ressaltar que a atuação do biomédico esteta deve ser embasada</p><p>em conhecimentos científicos e técnicas seguras, sempre respeitando as normas e</p><p>regulamentações. O profissional deve manter-se atualizado, participando de cursos,</p><p>congressos e eventos científicos da área, a fim de oferecer tratamentos eficazes e</p><p>seguros aos seus pacientes.</p><p>21 Introdução à Biomedicina Estética | UNIDADE 1</p><p>1.5 Sistema Tegumentar</p><p>O sistema tegumentar, também conhecido como sistema cutâneo, é o maior órgão</p><p>do corpo humano e desempenha um papel fundamental na Biomedicina Estética. A pele</p><p>é composta por três camadas principais: epiderme, derme e hipoderme. A epiderme é</p><p>a camada mais externa e fornece proteção contra fatores ambientais, como raios UV e</p><p>agentes patogênicos. A derme está localizada abaixo da epiderme e contém fibras de</p><p>colágeno e elastina, responsáveis pela elasticidade e sustentação da pele. A hipoderme</p><p>é a camada mais profunda e consiste em tecido adiposo, fornecendo isolamento térmico</p><p>e armazenamento de energia.</p><p>Além de sua função protetora, a pele desempenha várias outras funções</p><p>essenciais. Ela regula a temperatura corporal por meio da transpiração e dilatação/</p><p>contração dos vasos sanguíneos. A pele também atua como barreira contra a perda</p><p>de água, evitando a desidratação. Além disso, desempenha um papel na percepção</p><p>sensorial, permitindo a detecção de estímulos táteis, térmicos e dolorosos.</p><p>Figura 1.5 – Camadas da pele.</p><p>Fonte: Freepik (2023).</p><p>Epiderme</p><p>Derme</p><p>Hypoderme</p><p>INTRODUÇÃO À BIOMEDICINA ESTÉTICA | Darlan Pase da Rosa 22</p><p>1.5.1 Epiderme</p><p>Formado de tecido epitelial estratificado, com variações estruturais e funcionais</p><p>a depender do seu sítio anatômico. É constituído por: sistema queratinocítico,</p><p>composto por células epiteliais chamadas queratinócitos, responsáveis pelo corpo da</p><p>epiderme e de seus anexos (pelos, unhas, glândulas); e sistema melânico, formado por</p><p>melanócitos, células de Langerhans, com funções imunológicas, células de Merkel,</p><p>integradas ao sistema nervoso, e células dendríticas. A sua espessura, arquitetura, tipo</p><p>de diferenciação e padrão dos seus anexos é influenciada e regulada pela morfogênese</p><p>e diferenciação epidérmica.</p><p>1.5.1.1 Sistema Queratinócitos</p><p>Responsável por pelo menos, 80% das células epidérmicas, é caracterizado pela</p><p>disposição lado a lado de suas células e por uma constante renovação. A multiplicação</p><p>celular dos queratinócitos se dá na sua camada mais profunda (camada basal) que vão</p><p>gradativamente se modificando (diferenciação) e migrando para a superfície, formando</p><p>camadas espinhosas ou de Malpighi. Essas células apresentam o citoplasma mais</p><p>basofílico e granuloso, a camada granulosa, transforma-se subitamente em células</p><p>anucleadas, corneócitos, sendo então eliminadas para o meio ambiente na camada mais</p><p>externa da epiderme, a camada córnea. Além da função estrutural, os queratinócitos</p><p>participam ativamente dos processos inflamatórios e imunológicos, como células alvo</p><p>ou células secretoras de citocinas, neuropeptídeos e outros mediadores.</p><p>Os queratinócitos são capazes de produzir substâncias com ação autócrina</p><p>(agem sobre si mesmas), parácrina (ação sobre células vizinhas) e, em situações muito</p><p>especiais, endócrinas (ação à distância). Como exemplo, podemos citar os mediadores</p><p>inflamatórios (IL-1, IL-10, IL-12, IL-15, IL-18, TNF alfa, entre outras quimiocinas),</p><p>reguladores do crescimento ou diferenciação celular (TGF alfa e beta, PDGF, FGFb,</p><p>VEGF, e SCF), neuropeptídeos (CGRP, substância P e somatostatina), neuro-hormônios</p><p>e entre outros mediadores.</p><p>A seguir vamos estudar os tipos de queratinócitos e que fazem parte da epiderme.</p><p>• Camada Basal: camada celular mais profunda da epiderme, com papel vital</p><p>na formação e manutenção da junção dermoepidérmica. Na pele normal, é</p><p>composta por uma fileira única de queratinócitos justapostos, sendo a maioria</p><p>germinativa, citoplasma basófilo e núcleo grande e oval. A renovação completa,</p><p>desde a divisão da célula basal até a eliminação das células córneas, ocorre entre</p><p>52 e 75 dias, sendo aproximadamente 19 dias de divisão celular, de 26 a 42 dias</p><p>para trânsito através da camada de Malpighi e 19 dias através do estrato córneo.</p><p>23 Introdução à Biomedicina Estética | UNIDADE 1</p><p>• Camada espinhosa ou de Malpighi: está localizada acima da camada basal.</p><p>O trânsito de queratinócitos rumo à superfície, causam contínuas e importantes</p><p>modificações morfológicas, moleculares e histoquímicas. Essas células são</p><p>numerosas e dispostas em várias fileiras, cujo número varia pela localização</p><p>anatômica, fatores endógenos (hormônios, vascularização, etc.) e exógenos</p><p>(ultravioleta, trauma, etc). Embora o desmossomo (espinhos ou nódulos de</p><p>Bizzozero) estejam presentes em toda epiderme, é na camada espinhosa que</p><p>se mostram mais numerosos. O desmossomo é uma modificação da superfície</p><p>celular, cálcio-dependente, responsável pela adesão intercelular, que formam a</p><p>placa desmosomal, onde encontram-se as glicoproteínas transmembrânicas e o</p><p>cimento intercelular (glicocálice). As gap junctions são verdadeiros canais de</p><p>comunicação intercelular,</p><p>por onde f luem diversos elementos, assumindo um</p><p>importante papel na regulação do metabolismo celular das células vizinhas.</p><p>O glicocálice é constituído de glicoproteínas que auxiliam na coesão intercelular,</p><p>permitindo, facilmente, a circulação de substâncias solúveis em água.</p><p>• Camada Granulosa: Ao deixarem a camada espinhosa, em direção à superfície,</p><p>as células formarão algumas fileiras de células repletas de grânulos basofílicos</p><p>de querato-hialina no citoplasma, formando a camada granulosa. Essa camada</p><p>caracteriza-se por grande atividade metabólica, objetivando a síntese dos</p><p>elementos necessários ao processo final da cornificação, formando a camada</p><p>córnea. As proteínas do envelope celular dos corneócitos já estão presentes</p><p>no interior das células granulosas, embora só venham a formar o envelope</p><p>depois de ativadas pelas transglutaminases da membrana celular. O conteúdo</p><p>desses grânulos será liberado no espaço intercelular durante a transição súbita</p><p>da camada granulosa para a córnea, quando, sob ação das suas hidrolases,</p><p>será remodelado e seus lipídios transformados em ceramida (45%), colesterol</p><p>(25%), ácidos graxos (15%), esfingosina livre, sulfato de colesterol, ésteres de</p><p>colesterol e triglicérides. Todos estes se depositarão em forma de bainha dupla</p><p>em torno de cada célula, originando a grande barreira lipídica à passagem de</p><p>água e substâncias polares da epiderme. Principal responsável por sua relativa</p><p>permeabilidade e, quando chegarem à superfície, irão compor, o sebo, o manto</p><p>lipídico da pele.</p><p>• Camada Córnea: camada limite entre o indivíduo e o meio ambiente. As células</p><p>são acidófilas, extremamente planas, sendo as células mais largas do organismo,</p><p>o que permitirá a sua descamação e a mobilidade da região sem provocar dano</p><p>à integridade do tecido. Além da proteção mecânica, a camada córnea previne</p><p>o trânsito de água e substâncias solúveis, mantendo a homeostasia do indivíduo</p><p>frente ao ambiente.</p><p>INTRODUÇÃO À BIOMEDICINA ESTÉTICA | Darlan Pase da Rosa 24</p><p>• Camada Lúcida: nas regiões palmoplantares, antes da transformação da</p><p>camada granulosa em córnea, pode-se observar a camada lúcida, de aspecto</p><p>homogêneo, é constituída por células achatadas, anucleadas, que não se coram</p><p>pelos métodos de rotina.</p><p>Figura 1.6 - Epiderme e suas camadas</p><p>Fonte: Adaptado por Universidade La Salle com base em Freepik (2023).</p><p>1.5.1.2 Melanócitos</p><p>São células dendríticas derivadas da crista neural e produtores do pigmento</p><p>intrínseco da pele, a melanina, sendo responsável pela absorção e difusão das radiações</p><p>ultravioletas. A melanina é responsável pela cor da pele, dos olhos e do cabelo. São</p><p>vistos predominantemente na camada basal, na proporção de 1 melanócito para 10</p><p>queratinócitos basais. Por meio dos seus dendritos, cada melanócitos se relaciona</p><p>com, aproximadamente, 36 queratinócitos, para os quais transfere o seu pigmento,</p><p>constituindo assim a unidade epidermo melânica. Essas células não se proliferam e</p><p>nem migram em condições basais. Para que haja a multiplicação, é necessário estímulo</p><p>específico, em geral, ultravioleta.</p><p>Camada Córnea</p><p>Camada Lúcida</p><p>Camada Granulosa</p><p>Camada Espinhosa</p><p>Camada Basal</p><p>25 Introdução à Biomedicina Estética | UNIDADE 1</p><p>Figura 1.7 – Unidade epidermo melânica.</p><p>Fonte: Adaptado por Universidade La Salle com base em Freepik (2023).</p><p>O número de melanócitos varia segundo região anatômica, na cabeça há duas</p><p>a três vezes mais melanócitos do que nas demais regiões. Além disso, a quantidade de</p><p>melanócitos é aproximadamente o mesmo em todas raças, o que varia por determinação</p><p>genética é o número, morfologia, tamanho e disposição dos seus melanossomos, que</p><p>são elípticos quando produzem eumelanina (marrom ou negra) e esferóides se produzem</p><p>feomelanina (amarelo-vermelha).</p><p>Os melanossomos são produzidos continuamente, no aparelho de Golgi, como</p><p>organelas membranosas ovóides, dentro das quais, principalmente pela ação da tirosinase,</p><p>ocorre a síntese e armazenamento da melanina, por sofrerem melanização progressiva,</p><p>são encontrados em quatro estágios (I-IV), sendo transferidos aos queratinócitos,</p><p>onde desempenharão sua ação protetora e serão degradados na medida em que essas</p><p>células se diferenciam.</p><p>Os queratinócitos desempenham um controle sobre a proliferação, diferenciação</p><p>e atividade dos melanócitos através dos fatores mitogênicos, FGFb e TGF anfa,e dos</p><p>inibidores de mitose, IL-1, IL-6 e TGF beta. Os melanócitos também sofrem a ação</p><p>de hormônios (MSH e hormônios sexuais), mediadores inflamatórios e vitamina</p><p>D3 produzida na epiderme. O bronzeamento estimulado pelo sol deve-se a uma</p><p>excitação da tirosinase pela ultravioleta, levando a formação de melanossomos maiores</p><p>e mais numerosos.</p><p>Melanina</p><p>Queratinócito</p><p>Dendritos</p><p>Melanócito</p><p>Raios UV</p><p>INTRODUÇÃO À BIOMEDICINA ESTÉTICA | Darlan Pase da Rosa 26</p><p>1.5.1.3 Anexos Cutâneos</p><p>Os anexos cutâneos são estruturas associadas à pele que se originam a partir das</p><p>camadas da epiderme ou da derme. Essas estruturas são chamadas de anexos porque</p><p>estão conectadas ou “anexadas” à pele. Os principais anexos cutâneos incluem:</p><p>• Folículo pilossebáceo: composto de folículo piloso, glândulas sebáceas e</p><p>músculo eretor do pelo. É sempre provido de terminações nervosas, em algumas</p><p>regiões (axilas, púbis, mama, etc), desembocam no folículo as glândulas</p><p>sudoríparas apócrinas.</p><p>• Folículo piloso: é uma estrutura complexa localizada na derme e no tecido</p><p>subcutâneo, que desempenha um papel crucial no crescimento e na regeneração</p><p>dos pelos. É composto por diversas camadas e células especializadas que</p><p>trabalham em conjunto para sustentar e nutrir o pelo em crescimento. O folículo</p><p>piloso é composto por três principais camadas: a camada externa, conhecida</p><p>como bainha epitelial externa; a camada média, chamada de bainha epitelial</p><p>interna; e a camada interna, conhecida como matriz do folículo piloso.</p><p>A bainha epitelial externa é uma camada de células que envolve o folículo piloso,</p><p>fornecendo suporte estrutural e proteção. Ela é responsável por manter a integridade</p><p>e a forma do folículo. A bainha epitelial interna é uma camada de células que está</p><p>mais próxima da raiz do pelo. Ela desempenha um papel importante na nutrição e no</p><p>crescimento do pelo, fornecendo os nutrientes necessários para o folículo piloso.</p><p>A matriz do folículo piloso é a região mais interna do folículo, localizada na</p><p>base do pelo. Ela contém células-tronco e células germinativas que quando se dividem</p><p>e diferenciam, produzem outras células que formam o pelo em crescimento. Além das</p><p>camadas celulares, o folículo piloso também é composto por estruturas como a papila</p><p>dérmica, que fornece nutrição às células do folículo e a glândula sebácea, que produz</p><p>sebo, uma substância oleosa que ajuda a lubrificar e proteger o pelo e a pele.</p><p>Alterações no folículo piloso podem levar a diferentes condições, como alopécia</p><p>(queda de cabelo), hipertricose (crescimento excessivo de pelos) e outras relacionadas</p><p>ao crescimento anormal dos pelos. O folículo passa, cíclica e permanentemente, por</p><p>três fases caracterizadas por modificações na sua porção inferior, o bulbo, que sofre</p><p>processo de retração e expansão e, por isso, é considerada como uma porção transitória</p><p>do folículo, enquanto a porção superior é permanente. Essas fases são:</p><p>27 Introdução à Biomedicina Estética | UNIDADE 1</p><p>A fase anágena caracteriza-se por ter o bulbo e papila foliculares bem</p><p>desenvolvidos, com sua extremidade situada na derme profunda ou hipoderme.</p><p>A matriz, composta apenas de células de ampliação transitórias e portanto, com número</p><p>limitado de possíveis mitoses, encontra-se em plena atividade mitótica, dando origem a</p><p>uma haste de pelo terminal em geral grossa e pigmentada.</p><p>Após, a fase catágena, quando aparentemente por sinalização da papila, as células</p><p>da matriz e da bainha interna iniciam processo de apoptose e interrompem suas mitoses,</p><p>provocando a retração da porção inferior do folículo até ao nível da protuberância e da</p><p>inserção</p><p>do músculo eretor. A fase seguinte é a telógena ou de repouso, quando as</p><p>células da papila, que agora estão bastante diminuídas de volume, parece emitir sinais</p><p>que fazem aumentar a atividade mitótica das células-tronco, presentes na protuberância</p><p>do folículo, fazendo surgir novo contingente de células de amplificação transitória,</p><p>responsáveis pela expansão do bulbo e estabelecimento de uma nova fase anágena.</p><p>No couro cabeludo humano existem, em média, 100 mil folículos pilosos, que</p><p>crescem, em média, 0,3 mm por dia, as fases anágena, catágena e telógena duram,</p><p>em média, respectivamente, 3 a 6 anos, 3 meses e 2 semanas, o que permite esperar</p><p>uma queda de até 70 a 100 fios por dia. Na histologia encontraremos 85% a 90% de</p><p>pelos anágenos, em torno de 13% de telógenos e menos de 1% de catágenos. Além de</p><p>função sensorial, hemostasia térmica, proteção aos raios UV e dos aspectos estéticos,</p><p>os folículos pilosos têm importância no processo de reparação tecidual, funcionando</p><p>como um reservatório de células-tronco epidérmica, presentes nas suas protuberâncias.</p><p>Apoptose: é um processo biológico controlado que ocorre no organismo para</p><p>eliminar células indesejadas, danificadas ou envelhecidas. Simplificadamente,</p><p>é a morte celular programada.</p><p>GLOSSÁRIO</p><p>INTRODUÇÃO À BIOMEDICINA ESTÉTICA | Darlan Pase da Rosa 28</p><p>Figura 1.8 – Fases do crescimento e queda do folículo.</p><p>Fonte: Freepik (2023).</p><p>• Glândula sebácea: é uma glândula holócrina, ou seja, exclusivamente secretora,</p><p>na qual as células se rompem liberando todo o seu conteúdo, como o componente</p><p>lipídico. O sebo é constituído por escaleno, colesterol, ésteres do colesterol,</p><p>ésteres graxos e triglicérides. Esses últimos, ao sofrerem ação enzimática das</p><p>bactérias do folículo, dão origem aos ácidos graxos livres. As glândulas sebáceas</p><p>estão sob controle de hormônios andrógenos, sua atividade está presente ao</p><p>nascimento, praticamente desaparece durante a infância, torna-se plena na</p><p>puberdade e diminui gradativamente pelo resto da vida. As glândulas sebáceas</p><p>estão sob controle de hormônios andrógenos, sua atividade está presente ao</p><p>nascimento, praticamente desaparece durante a infância, torna-se plena na</p><p>puberdade e diminui gradativamente pelo resto da vida.</p><p>• Glândula sudorípara apócrina: derivada do folículo piloso, durante a vida</p><p>pós-embrionária e que começa a se desenvolver e amadurecer, especialmente</p><p>durante a puberdade e só se desenvolverá nas regiões axilar, genital e periareolar.</p><p>As glândulas mamárias e do conduto auditivo externo, são suas variantes. Na</p><p>puberdade, sob ação dos hormônios andrógenos, assim como a glândula sebácea,</p><p>grande atividade da enzima 5-alfa redutase I, responsável pela síntese de</p><p>diidrotestostero-na (DHT), aumenta o volume e entra em atividade. É composta</p><p>glândula sebácea</p><p>eixo capilar</p><p>Fase Anágena Fase Catágena Fase Telógena Fase Anágena</p><p>novamente</p><p>epiderme</p><p>terminação nervosa</p><p>músculo eretor</p><p>do pelo</p><p>folículo capilar derme</p><p>papila dermal</p><p>matriz capilar</p><p>29 Introdução à Biomedicina Estética | UNIDADE 1</p><p>por uma porção secretora, localizada entre a derme e o subcutâneo, por uma</p><p>camada simples de células cuboidais ou cilíndricas que diminuem de tamanho</p><p>ao secretarem parte do seu citoplasma. Sua secreção é pouco abundante, de</p><p>aspecto oleoso e inodoro, mas rica em material orgânico, que, sob a ação das</p><p>bactérias da f lora cutânea, será decomposto, originando o odor característico</p><p>dessas regiões. Sua porção ductal desemboca no folículo piloso, logo acima do</p><p>ducto da glândula sebácea.</p><p>• Glândula sudorípara écrina: principal responsável pela regulação térmica</p><p>do corpo humano, por meio da perda evaporativa de calor. Está distribuída</p><p>por toda a pele, com grande densidade nas regiões palmoplantares, entre 2 e</p><p>4 milhões de glândulas, massa equivalente à de um rim. Sua porção secretora</p><p>localiza-se na junção dermo hipodérmica e é composta por células claras ou</p><p>secretórias e células escuras ou mucóides. O ducto tem uma porção dérmica e</p><p>outra epidérmica (acrossiríngeo), que desemboca diretamente na superfície da</p><p>pele. Essas células são controladas pelo hipotálamo, por meio de terminações</p><p>simpáticas de características únicas, por utilizarem acetilcolina (ACH), e não</p><p>noradrenalina, como neurotransmissor. Ou seja, a ACH estimula a secreção de</p><p>suor e a contração das células mioepiteliais, promovendo a sudorese, que atinge</p><p>em média 10 litros por dia numa pessoa bem climatizada.</p><p>A hiperidrose caracteriza-se por sudorese excessiva, isolada ou associada, da</p><p>testa, das mãos, dos pés e das axilas. O tratamento de hiperhidrose com uso da</p><p>toxina botulínica possui alguns benefícios em comparação aos procedimentos</p><p>cirúrgicos. Um deles é a não compensação em outra região, como ocorre no</p><p>procedimento cirúrgico.</p><p>Confira, no link a seguir, o artigo “Estudo de pacientes com hiperidrose,</p><p>tratados com toxina botulínica: análise retrospectiva de 10 anos”, de Reis,</p><p>Guerra e Ferreira (2011): http://gg.gg/157ws5.</p><p>SAIBA MAIS</p><p>INTRODUÇÃO À BIOMEDICINA ESTÉTICA | Darlan Pase da Rosa 30</p><p>Figura 1.9 – Glândulas Sebáceas e Sudoríparas.</p><p>Fonte: Adaptado por Universidade La Salle com base em Freepik (2023).</p><p>• Colágeno - É uma proteína distribuída amplamente pelos tecidos conjuntivos,</p><p>correspondendo por aproximadamente 75% do peso seco da derme e prevê resistência</p><p>e elasticidade ao tecido. Suas fibras variam entre 2 e 15 microns e apresentam-</p><p>se em rede ondulada fina, na derme papilar, ou espessa, na derme reticular. Os</p><p>diferentes tipos de colágeno têm em comum o fato de serem compostos por três</p><p>cadeias polipetídicas (cadeia alfa), com uma sequência de glicina a cada três</p><p>posições, intercaladas por dois outros aminoácidos, que frequentemente são, prolina</p><p>e a hidroxiprolina. Essa composição faz com que as três cadeias se entrelaçam de</p><p>modo helicoidal, aumentando sua resistência à tração. No ser humano existem pelo</p><p>menos 19 tipos de colágenos, designados de I a XIX. O colágeno tipo I, responde por</p><p>80% do colágeno dérmico do adulto, enquanto o do tipo III, que predomina na vida</p><p>embrionária, representa 10% na vida adulta. O tipo IV compõe as membranas basais,</p><p>inclusive a junção dermoepidérmica. Os tipos V e VI são ubíquos, estando presentes</p><p>na derme em quantidade das fibrilas de ancoragem da junção dermoepidérmica.</p><p>O colágeno é secretado para o espaço extracelular como pró-colágeno, este sofre</p><p>a ação de enzimas, provocando a formação de fibras, que se unirão para formar os</p><p>feixes. O equilíbrio dinâmico entre síntese e degradação do colágeno depende da</p><p>normalidade do tecido nas situações fisiológicas e de reparação.</p><p>Glândula</p><p>apócrina</p><p>Epidermis</p><p>Glândula</p><p>sebácea</p><p>Folículo</p><p>piloso</p><p>Glândula</p><p>écrina</p><p>Papila</p><p>Conducto</p><p>excretor</p><p>Conducto</p><p>excretor</p><p>Microns: unidade de medida utilizada para quantificar distâncias em</p><p>escala microscópica.</p><p>GLOSSÁRIO</p><p>31 Introdução à Biomedicina Estética | UNIDADE 1</p><p>• Fibras elásticas: são fibras que estão presentes em quase todos os órgãos do</p><p>corpo humano, como as paredes de vasos, em torno dos folículos pilosos, por</p><p>exemplo. Na pele, formam uma rede que se estende da junção dermoepidérmica</p><p>ao tecido conectivo da hipoderme. O sistema elástico é composto por três tipos de</p><p>fibras, as fibras oxitalânicas, fibras elaunínicas, e as fibras elásticas maduras,</p><p>que são mais espessas. As fibras oxitalânicas são encontradas na derme papilar,</p><p>dispostas verticalmente a partir da junção dermoepidérmica, e estão conectadas</p><p>a uma rede horizontal de fibras elaunínicas na interface entre a derme papilar</p><p>e reticular que se relacionam com a rede de fibras elásticas maduras, também</p><p>dispostas horizontalmente, que atravessam toda a derme reticular. Os três tipos</p><p>de fibras formam uma trama com funções de ancoragem e de oposição às forças</p><p>de distensão e compressão. Embora sejam sintetizadas por diversos tipos de</p><p>células, inclusive queratinócitos, na pele, a principal fonte de fibra elástica são</p><p>os fibroblastos, o qual possui uma renovação celular muito lenta. As</p><p>fibras</p><p>elásticas maduras são constituídas de microfibrilas, que possuem de 10 a 12nm</p><p>de diâmetro, e uma substância proteica amorfa central, denominada elastina.</p><p>A elastina é extremamente insolúvel devido a ligações covalentes complexas e</p><p>dependentes de cobre. Especula-se, que durante a distensão da fibra, os grupos</p><p>hidrofóbicos da elastina sejam expostos ao meio aquoso, e que a energia para a</p><p>contração da fibra seja derivada do retorno desses grupos a sua situação não-polar.</p><p>Figura 1.10 – Fibras elásticas, fibras colágenas e os fibroblastos.</p><p>Fonte: Histologia Interativa (2023).</p><p>INTRODUÇÃO À BIOMEDICINA ESTÉTICA | Darlan Pase da Rosa 32</p><p>Síntese da Unidade</p><p>Nesta unidade abordamos primeiramente a história da estética e apresentamos</p><p>alguns dados importantes a respeito do mercado da estética e cosméticos.</p><p>Em seguida, conhecemos os principais regulamentos que dizem respeito à</p><p>profissão do biomédico esteta. É importante lembrar que o biomédico precisa saber os</p><p>valores e limites da profissão e, ainda, manter-se atualizado.</p><p>Por fim, apresentamos os conceitos básicos sobre a composição da pele, para</p><p>que nos próximos capítulos possamos evoluir para os processos preventivos e/ou</p><p>terapêuticos de envelhecimento e seus tratamentos.</p><p>33 Introdução à Biomedicina Estética | UNIDADE 1</p><p>Bibliografia</p><p>ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DA INDÚSTRIA DE HIGIENE PESSOAL,</p><p>PERFUMARIA E COSMÉTICOS (ABIHPEC). A Indústria de Higiene Pessoal,</p><p>Perfumaria e Cosméticos Essencial para o Brasil. São Paulo, SP, 2023. Disponível</p><p>em: http://gg.gg/15b8u9. Acesso em: 17 jun. 2023.</p><p>ANDRADE, G.; CECHINEL, L. R. Anatomofisiologia aplicada à estética. Porto</p><p>Alegre: SAGAH, 2017.</p><p>ALMEIDA, M. de et al. As áreas de atuação do biomédico no contexto atual. Revista</p><p>Brasileira de Ciências da Saúde, vol. 16, n. 4, 2012, p. 521-526.</p><p>CONSELHO FEDERAL DE BIOMEDICINA (CFBM). Resolução nº 298, de 21 de</p><p>fevereiro de 2011. Regulamenta o novo Código de Ética do Profissional Biomédico.</p><p>DF: CFBM, 2011a. Disponível em: http://gg.gg/15b8um. Acesso em: 17 jun. 2023.</p><p>CONSELHO FEDERAL DE BIOMEDICINA (CFBM). Resolução nº 200, de 01 de</p><p>julho de 2011. Dispõe sobre critérios para habilitação em Biomedicina Estética. Brasília,</p><p>DF: CFBM, 2011b. Disponível em: http://gg.gg/15b8v0. Acesso em: 17 jun. 2023.</p><p>CONSELHO FEDERAL DE BIOMEDICINA (CFBM). Resolução nº 214, de 10 de</p><p>abril de 2012. Dispõe sobre atos do profissional biomédico e, insere-se no uso de</p><p>substâncias em procedimentos estéticos. Brasília, DF: CFBM, 2012. Disponível em:</p><p>http://gg.gg/15b8v7. Acesso em: 17 jun. 2023.</p><p>CONSELHO FEDERAL DE BIOMEDICINA (CFBM). Resolução nº 241, de 29 de maio</p><p>de 2014. Dispõe sobre atos do profissional biomédico com habilitação em biomedicina</p><p>estética e regulamenta a prescrição por este profissional para fins estéticos. Brasília,</p><p>DF: CFBM, 2014 Disponível em: http://gg.gg/15b8vd. Acesso em: 17 jun. 2023.</p><p>CONSELHO FEDERAL DE BIOMEDICINA (CFBM). Resolução nº 321, de 16 de</p><p>junho de 2020. Dispõe sobre o reconhecimento do profissional biomédico na prática</p><p>da ozonioterapia. Brasília, DF: CFBM, 2020. Disponível em: http://gg.gg/15b8vn.</p><p>Acesso em: 17 jun. 2023.</p><p>CONSELHO FEDERAL DE BIOMEDICINA (CFBM). Resolução nº 347, de 07 de</p><p>abril de 2022. Dispõe sobre o reconhecimento do profissional biomédico na prática da</p><p>ozonioterapia. Brasília, DF: CFBM, 2022. Disponível em: http://gg.gg/15b8vw. Acesso</p><p>em: 17 jun. 2023.</p><p>RIBEIRO, G. S. et al. Tratamentos capilares com microagulhamento: uma revisão</p><p>sistemática. Surgical & Cosmetic Dermatology, vol. 5, n. 3, 2013, p. 326-331.</p><p>RIBEIRO, G. S. et al. Tratamentos faciais com toxina botulínica e ácido hialurônico:</p><p>recomendações e cuidados. Surgical & Cosmetic Dermatology, vol. 6, n. 3,</p><p>2014, p. 271-276.</p><p>SERRANHEIRA, S. Esthetic medicine: interventions and risk perception. Journal of</p><p>Dermatological Nursing, vol. 5, n. 3, 2011, p. 105-109.</p><p>Os links para sites da web fornecidos nesta unidade foram todos testados, e</p><p>seu funcionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No</p><p>entanto, a rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente</p><p>mudando de local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer</p><p>responsabilidade sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações</p><p>referidas em tais links.</p><p>FIQUE ATENTO</p><p>Processo de Envelhecimento</p><p>Prezado estudante,</p><p>Estamos começando uma unidade desta disciplina. Os textos que a compõem foram organizados com</p><p>cuidado e atenção, para que você tenha contato com um conteúdo completo e atualizado tanto quanto</p><p>possível. Leia com dedicação, realize as atividades e tire suas dúvidas com os tutores. Dessa forma, você,</p><p>com certeza, alcançará os objetivos propostos para essa disciplina.</p><p>Objetivo Geral</p><p>Conhecer todas as estruturas e ações envolvidas no processo de envelhecimento.</p><p>Objetivos Específicos</p><p>• Senescência celular;</p><p>• Envelhecimento intrínseco;</p><p>• Envelhecimento extrínseco;</p><p>• Tratamentos anti-idade.</p><p>Questões Contextuais</p><p>• Como funciona o processo de envelhecimento?</p><p>• Qual a diferença entre envelhecimento intrínseco e extrínseco?</p><p>• O que podemos fazer para evitar, retardar ou diminuir os efeitos do envelhecimento?</p><p>unidade</p><p>2</p><p>V.1 | 2023</p><p>INTRODUÇÃO À BIOMEDICINA ESTÉTICA | Darlan Pase da Rosa 36</p><p>2.1 Envelhecimento Cutâneo</p><p>Inicialmente, é importante ressaltar que o processo de envelhecimento não possui</p><p>uma definição apenas de idade biológica ou seus múltiplos e complexos fatores. Pelo</p><p>ponto de vista biogerontológico, o envelhecimento é conceituado como um processo</p><p>dinâmico e progressivo, no qual há modificações morfológicas, funcionais, bioquímica</p><p>e psicológicas que irão determinar a perda da capacidade de adaptação do indivíduo</p><p>ao meio ambiente, ocasionando maior vulnerabilidade e maior incidência de processos</p><p>patológicos que terminam com à morte. Ou seja, essas alterações morfofuncionais</p><p>comprometem progressivamente a capacidade de resposta dos indivíduos e essas</p><p>alterações são irreversíveis e inevitáveis.</p><p>O envelhecimento cutâneo é resultado da ação de fatores genéticos, fatores</p><p>ambientais e outras exposições, tais como: tabagismo, alcoolismo, estresse emocional,</p><p>repercussão de doenças cutâneas e sistêmicas e hormonais. O processo mais discutido</p><p>e debatido é sobre a radiação solar, principalmente a ação do ultravioleta. Entretanto</p><p>esse é apenas um dos fatores. A poluição, por exemplo, é pouco debatida. Sabe-se que</p><p>a poluição desencadeia a oxidação de lipídios das membranas celulares epidérmicas,</p><p>produzindo radicais livres e uma depleção de vitaminas E e C como antioxidantes.</p><p>Clinicamente o processo de envelhecimento está associado à saúde do indivíduo,</p><p>e está associado à presença de rugas discretas a até lesões malignas. A aparência da</p><p>pele envelhecida e suas consequências clínicas são reconhecidas há séculos, porém</p><p>há apenas 50 anos que começaram a estudar os mecanismos celulares e moleculares</p><p>associados. Observamos os campos da imunologia, bioquímica, genética e biologia</p><p>molecular associados aos estudos e tratamentos atuais.</p><p>37 Processo de Envelhecimento | UNIDADE 2</p><p>Figura 2.1 – Representação dos eventos do envelhecimento celular.</p><p>Fonte: Adaptado por Universidade La Salle com base em Freepik (2023).</p><p>O envelhecimento não representa apenas um papel estético, mas também um</p><p>papel central no contexto social e econômico. Podemos perceber em nosso dia a dia, que</p><p>nas interações sociais comumente nos proximamos com pessoas “visualmente” mais</p><p>próximas e parecidas com a nossa faixa etária. bem como reagir de formas distintas</p><p>ao que definimos por “bonito(a)” ou feio”(a)”. Esses exemplos abrem um precedente</p><p>cultural e até mesmo ético muito interessante. Podemos citar exemplos, como as</p><p>entrevistas de emprego, o qual, a aparência é pode ser um determinante para a escolha,</p><p>assim como, em casos de relacionamentos amorosos, que por óbvio, o primeiro filtro é</p><p>dado pela aparência. Ou seja, a aparência física, principalmente da face, tem um papel</p><p>extremamente relevante.</p><p>Novas</p><p>metodologias na gerontologia permitiram perceber mudanças na expressão</p><p>de genes associados a alterações da senilidade. Como os genes das proteínas da matriz</p><p>extracelular e enzimas responsáveis pela sua degradação, bem como proteínas do ciclo</p><p>celular. Com isso, podemos distinguir dois fatores relacionados ao envelhecimento</p><p>da pele, como sendo os responsáveis pelo processo involutivo do organismo, o</p><p>envelhecimento intrínseco e extrínseco.</p><p>Instabilidade Genômica</p><p>Desgaste dos Telômeros</p><p>Alteração na expressão dos genes</p><p>Perda de homeostase proteica</p><p>Metabolismo celular desreguladoDisfunção mitocondrial</p><p>Senscência celular</p><p>Falha na comunicação celular</p><p>As células-tronco diminuem</p><p>o rítmo de trabalho</p><p>INTRODUÇÃO À BIOMEDICINA ESTÉTICA | Darlan Pase da Rosa 38</p><p>2.2 Envelhecimento Intrínseco</p><p>É um processo genético e programado (também conhecido como relógio</p><p>biológico), esperado, previsível, inevitável e progressivo. Ele pode ser observado em</p><p>áreas da pele que ficam fotoprotegidas, ou seja, que geralmente têm menos exposição</p><p>solar direta. Podemos citar como exemplos: as regiões coberta por roupas, axilas e</p><p>virilhas e parte inferiores dos pés e palma das mãos. Mais recentemente debatidas, essas</p><p>agressões celulares são associadas ao estresse oxidativo, que podem ser desencadeados,</p><p>pela radiação ultravioleta, porém, também à seu processo de defesa antioxidante.</p><p>Um dos importantes alvos dos danos celulares, mais especificamente do</p><p>DNA, são os telômeros, que são pequenas sequências repetidas de nucleotídeos que</p><p>“encapam” os cromossomos. Seu encurtamento, parece funcionar como um relógio em</p><p>contagem regressiva para o fim da vida proliferativa das células. Ou seja, quanto menor</p><p>o telômero, menor é o tempo que a célula possui, fazendo com que elas entrem em</p><p>processo de senescência, ou ainda, sofrer apoptose.</p><p>Os fenômenos intrínsecos são agravados pelo dano cumulativo da exposição ao</p><p>ambiente e são subprodutos do metabolismo celular aeróbico. Por isso, os mecanismos</p><p>moleculares têm tido papel central no processo de envelhecimento, principalmente</p><p>quando se trata de processo intrínseco, pois envolve os ciclos celulares e reparação</p><p>celular. Porém, devido a prevalência e a intensidade dos efeitos da radiação, os fatores</p><p>extrínsecos ganham maior foco.</p><p>Os mecanismos moleculares envolvidos no processo de envelhecimento celular</p><p>são muito complexos, que podem iniciar a nível molecular (intrínseco) e se sobrepor às</p><p>agressões impostas pelo ambiente (extrínseco). As mudanças que ocorrem ao longo da</p><p>vida, são reflexos de fenômenos biológicos que levam a senilidade e/ou morte da célula,</p><p>perdendo assim, suas principais funções e características. Esse processo, embora não</p><p>pareça, também tem papel benéfico, como é o caso da prevenção do câncer.</p><p>39 Processo de Envelhecimento | UNIDADE 2</p><p>As mutações do DNA são “falhas genéticas” das bases nitrogenadas, levando</p><p>a alteração da sequência da fita de DNA. Podem surgir devido a erros na replicação,</p><p>movimento ou reparo do DNA. Ocorre em média de um erro a cada 10 mudanças em</p><p>pares de bases. Ou seja, uma mutação a cada 106 gerações. Uma mutação de uma proteína</p><p>pode ser transmitida a toda linhagem advinda da célula em que ocorreu (transmissão</p><p>vertical). Porém, a maioria acaba sendo eliminada através de uma seleção natural.</p><p>O principal alvo é o pareamento específico das bases nucleotídeas, que dependem</p><p>da presença de tautômeros favorecidos dos nucleotídeos purínicos e pirimidínicos.</p><p>Ainda é realizada uma dupla monitorização do pareamento envolvendo n-glicosilases</p><p>e outras enzimas. Falhas no reparo podem resultar em células mutantes, o que pode</p><p>levar ao câncer. O acúmulo de erros prejudica o funcionamento de genes e proteínas,</p><p>resultando em falhas de divisão, estrutura ou funcionamento celular. Ou seja, a</p><p>capacidade de reparo está diretamente relacionada com a longevidade celular. Com</p><p>isso, podemos entender que a diminuição das taxas metabólicas, aumento de estresse</p><p>oxidativo e redução da capacidade de diferenciação celular é inversamente proporcional</p><p>à duração da vida celular.</p><p>A senescência celular é o momento que a célula cessa seu desenvolvimento na fase</p><p>G1, atingindo o fim do período de vida replicativa, ou seja, não irá se dividir. Estudos</p><p>celulares demonstram que as células cessam suas divisões em tempos diferentes, fazendo</p><p>pensar que é um processo randômico, aleatório, onde a probabilidade de assumir o</p><p>fenótipo senil aumenta a cada ciclo. Estudos com queratinócitos apresentam expressão</p><p>alterada de moléculas reguladoras de crescimento com a idade, dado pela redução da</p><p>fosforilação e ligação de EGF (fator de crescimento epidérmico). A senescência e a</p><p>apoptose são dois fenomenos relacionados e sinérgicos. Embora a celula senil possa</p><p>inibir a apoptose em alguns casos, passando a permanecer alterada, demonstrando um</p><p>declínio na função e integridade tissular, ou seja, característico do envelhecimento.</p><p>As células tumorais são células que sofrem alterações genéticas ou epigenéticas</p><p>que levam a um crescimento descontrolado e desregulado, formando tumores.</p><p>Essas células possuem características distintas das células normais do</p><p>tecido de origem e podem se proliferar de forma invasiva, comprometendo a</p><p>função dos tecidos adjacentes. Existem diferentes tipos de células tumorais,</p><p>que podem originar-se de diversos tecidos ou órgãos do corpo. Essas células</p><p>podem adquirir mutações em genes que controlam o crescimento celular,</p><p>a morte celular programada (apoptose), a reparação do DNA e a regulação</p><p>do ciclo celular.</p><p>DESTAQUE</p><p>INTRODUÇÃO À BIOMEDICINA ESTÉTICA | Darlan Pase da Rosa 40</p><p>Figura 2.2 – Ciclo celular.</p><p>Fonte: Biologianet (2023).</p><p>Os telômeros, são sequências repetitivas com seis nucleotídeos que encapam ou</p><p>finalizam as pontas dos cromossomos. Eles o protegem contra degradação e eventos de</p><p>fusão, além de evitar o reconhecimento como “DNA danificado”, dando uma garantia</p><p>da integridade cromossomal. Quando a célula se divide, as bases do telômero não são</p><p>replicadas da mesma maneira, mas sim pela enzima telomerase, com a atividade de</p><p>transcriptase reversa.</p><p>Figura 2.3 – Telômero em cromossomo de célula adulta x senescência.</p><p>Fonte: Aunan et al. (2016).</p><p>Existem muitas evidências que demonstram o papel dos telômeros no mecanismo</p><p>de controle da senilidade celular. Durante a mitose, a DNA-polimerase não consegue</p><p>replicar os últimos pares de base a cada divisão, já a telomerase pode alongar ou</p><p>estabilizar a fita de DNA. Aproximadamente 90% dos tumores mostram expressão da</p><p>telomerase atrasando a senescência ou a apoptose, o que sustenta o papel dos telômeros</p><p>no envelhecimento. Nos fibroblastos somáticos, o comprimento dos telômeros encurta</p><p>mais de 30% durante a idade adulta.</p><p>Chromosome of adult cell</p><p>Telomere shortens after</p><p>multiple replications</p><p>Telomere at senescenceTelomere</p><p>41 Processo de Envelhecimento | UNIDADE 2</p><p>A sequência de bases que “encapam” os telômeros (TTAGGG) é alvo mais</p><p>comum de estresse genotóxico. A radiação UVB forma dímeros de pirimidina em sítios</p><p>ditimidínicos (TT), enquanto que agressões oxidativas e quimioterápicos ocorrem mais</p><p>frequentemente em guaninas (GGG). Estudos mostram que a similaridade entre as</p><p>respostas das células a diversas agressões ao DNA (UV, radiação ionizante, oxidação,</p><p>quimioterápicos, etc) e o desencapamento dos telômeros.</p><p>Existem ainda, outros mediadores de senescência, como a DNA helicases, que</p><p>são proteínas de replicação que “abrem” a dupla hélice do DNA. Em casos de danos</p><p>pela UVB, essas proteínas removem a porção que possui a lesão, como os danos de</p><p>dímeros de pirimidina (T-T, T-C e C-C). Elas também são importantes no reparo de</p><p>telômeros e consequente sinalização de senescência celular, além de estar presente em</p><p>mutações do envelhecimento precoce, tais como a Síndrome de Werner e Cockayne.</p><p>Outro mediador da senescência celular são as Histonas, que são ativadas por acetilação,</p><p>causando a transcrição de genes silenciados. A repetição</p>